A noite estava fria, mas o ar gelado parecia insignificante comparado ao calor que queimava em meu peito desde que ela saiu. Eu não sabia exatamente por que estava indo atrás dela. Talvez fosse por preocupação — tinha um talento especial para atrair confusão. Ou talvez fosse porque, por mais irritante que ela fosse, algo em mim simplesmente não conseguia deixá-la sozinha.
Mantive minhas asas dobradas e o capuz da jaqueta puxado sobre a cabeça enquanto seguia a trilha que ela tomou. Não era difícil rastrear , especialmente com aquele jeito dela de sempre chamar atenção. Cada movimento, cada passo, parecia carregar a mesma intensidade que ela tinha em tudo.
Quando cheguei ao lugar, um prédio velho com as paredes cobertas por grafites e uma luz fraca piscando na entrada, o som da música pesada e abafada já preenchia o ar. Aquele tipo de lugar escondido que ninguém encontraria por acaso, perfeito para quem queria escapar dos olhos curiosos.
Passei pela entrada sem chamar atenção, mantendo-me nas sombras. O ambiente lá dentro era caótico, pequeno e agitado. Luzes neon piscavam intermitentemente, jogando cores vibrantes sobre a multidão de corpos que dançavam ao ritmo da música alta. O cheiro de álcool, suor e fumaça preenchia o ar, tornando tudo ainda mais intenso.
Meus olhos a encontraram rapidamente. Era impossível não notar , mesmo em um lugar lotado como aquele. Ela estava no meio da multidão, movendo-se ao som da música, os cabelos ruivos brilhando sob as luzes pulsantes, o sorriso nos lábios carregando aquele ar provocador que sempre fazia as pessoas ao redor gravitar para ela.
Fiquei na lateral, encostado na parede, mantendo a distância enquanto observava. Ela não me viu, e eu pretendia manter assim. Não estava ali para ser notado. Não dessa vez.
Minha atenção se fixou nela, no jeito que se movia, na forma como os olhares ao redor pareciam inevitavelmente se prenderem à sua presença. Mas havia algo além disso, algo que só eu parecia perceber. Por baixo daquela confiança quase insolente, havia uma leveza que ela raramente deixava transparecer.
Eu não sabia quanto tempo fiquei ali, observando de longe. Parte de mim queria se aproximar, mas outra parte sabia que era melhor manter a distância. Porque, no fundo, eu sabia que, se ela me visse, toda aquela liberdade que ela parecia buscar naquele momento se perderia.
E, por mais irritante que pudesse ser, eu não queria tirar isso dela. Não hoje. Não agora. Então, apenas fiquei ali, atento e preparado, mas sem nunca cruzar o limite que ela havia imposto.
Eu deveria estar apenas observando.
De longe, atento, garantindo que ela ficasse bem. Esse era o plano. Mas quando meus olhos se fixaram nela no meio daquela multidão, o resto do ambiente simplesmente desapareceu.
dançava como se a música fosse feita só para ela, como se cada batida ressoasse direto em seu corpo.
Era algo impossível de ignorar. Seus movimentos eram lentos, sensuais, quase preguiçosos, mas tão precisos que parecia um convite disfarçado, mesmo que ela não estivesse direcionando aquilo para ninguém.
Aquele sorriso brincava em seus lábios, aquele jeito irritante e confiante de , como se ela soubesse exatamente o efeito que tinha nas pessoas ao redor. Suas mãos subiram por seu próprio corpo, passando pela cintura, o quadril, até os cabelos, bagunçando-os de uma forma que parecia estudada, mas natural.
Eu estava preso. Hipnotizado. Meus olhos seguiam cada movimento dela, como se fosse impossível olhar para outra coisa naquele maldito lugar.
A música trocou para algo mais lento, mas ainda intenso, e ela se inclinou levemente, o quadril rebolando com uma precisão que me fez engolir em seco. Meu peito parecia pesar, e cada parte de mim queria ir até ela, sentir aquele corpo se movendo contra o meu, o cheiro da sua pele, quente e familiar, invadindo todos os meus sentidos.
Mas eu fiquei onde estava, as mãos fechadas em punhos ao lado do meu corpo enquanto minha mente travava uma batalha entre a lógica e o desejo.
O calor subiu pela minha espinha quando ela inclinou a cabeça para trás, os cabelos longos caindo como um feixe de fogo sob as luzes que piscavam. Sua pele brilhava, cada curva do corpo dela parecia feita para provocar.
Sabia que deveria continuar ali, no meu canto, invisível. Mas tudo em mim gritava para atravessar aquele maldito espaço, me aproximar dela, sentir o calor da sua pele contra a minha, o som da sua respiração próxima ao meu ouvido, o gosto de seus lábios que eu só conseguia imaginar.
Fechei os olhos por um momento, tentando recuperar o controle, mas o desejo só ficou mais forte. E quando voltei a olhar, ela estava mais perto do que antes, girando lentamente, os cabelos balançando enquanto seus olhos, mesmo sem me ver, pareciam atravessar direto por mim.
Eu deveria ficar. Deveria observar. Mas, droga, fazia tudo parecer impossível. E eu estava cada vez mais perto de cruzar aquele limite que jurei a mim mesmo não cruzar. Não agora.
Não ainda.
Eu tinha que admitir, estava completamente perdido no jeito como dominava aquele lugar. Mesmo sem tentar, ela atraía olhares, como se todo mundo ali estivesse sendo puxado para sua órbita. Mas foi quando ela saiu da pista de dança e se dirigiu ao bar que algo em mim começou a incomodar de verdade.
Ela parou no balcão, os cotovelos apoiados enquanto o barman trocava algumas palavras com ela. Ela estava com aquele sorriso nos lábios, o sorriso que só tinha — insolente, confiante, cheio de provocação.
Então, um cara apareceu. Alto, de cabelo curto e aparência que provavelmente chamava atenção em qualquer outro lugar, mas ali ele não passava de mais um. Ele se aproximou dela com uma facilidade irritante, como se já a conhecesse. A troca foi rápida, casual. Ela pediu a bebida, e ele, com um gesto rápido, entregou a ela antes mesmo do barman ter terminado de preparar.
Meu peito apertou instantaneamente, algo quente subindo pela minha espinha. Eu sabia que era estúpido, mas não consegui evitar. Minha mandíbula travou, e senti as mãos fecharem automaticamente em punhos ao lado do meu corpo.
Ela aceitou a bebida, ainda sorrindo, e aquilo me incomodou mais do que deveria. Era um sorriso leve, como se fosse a coisa mais normal do mundo. Mas, por dentro, eu sentia meu controle escorregar por entre os dedos.
De onde eu estava, observando da sombra, vi o cara inclinar-se um pouco mais perto, dizendo algo que a fez arquear uma sobrancelha. parecia tranquila, mas eu conseguia perceber os pequenos detalhes — a forma como seus ombros estavam levemente tensos, como se estivesse pronta para reagir.
Eu deveria ficar onde estava, deveria deixar ela lidar com isso sozinha. Mas, droga, cada célula do meu corpo gritava para atravessar aquele espaço e lembrar ao idiota que ela não era o tipo de pessoa que você abordava com tanta facilidade.
“Não é problema meu,” pensei, tentando convencer a mim mesmo. Mas meus pés já estavam se movendo antes que eu pudesse me deter.
Quando percebi, já estava perto o suficiente para ouvir a voz dele, um tom casual e estúpido, enquanto ele perguntava algo sobre dançar mais tarde. Não dei tempo para ela responder.
— Tá tudo bem por aqui? — Minha voz saiu baixa, mas carregada o suficiente para cortar o ar entre nós.
O cara olhou para mim, claramente irritado com a interrupção, mas eu o ignorei completamente. Meu foco estava em , nos olhos dela, enquanto eu tentava decifrar se ela estava prestes a me provocar por aparecer ou a me mandar embora.
— Pensei que você não bebia cerveja, . — Meu tom tinha um leve sarcasmo, mas a tensão em minha voz era inegável.
Ela apenas me olhou, aquele sorriso irritante ainda presente. E enquanto o cara ao lado dela parecia pronto para falar algo, eu fiz questão de dar um passo mais perto, me posicionando ao lado dela de um jeito que deixava bem claro: eu não ia sair dali tão cedo.
Ela levou alguns segundos para entender que eu realmente estava ali, e quando a ficha dela caiu, seu sorriso se ampliou e ela inclinou seu corpo para mim.
— !
Baby, mudou de ideia e resolveu vir? — sua voz estava animada demais, então reparei que na sua frente tinha quatro copinhos de shots vazios. — Eu não bebo cerveja, mas o Fred aqui — apontou para o idiota que ainda me olhava de cara feia. —, estava insistindo que a essa altura eu não saberia diferenciar as bebidas e ainda queria dançar comigo.
Ela riu com suas costas contra o meu peito e negou em seguida com a cabeça, erguendo a mão para o rapaz do bar e pedindo mais três shots. Não sabia o quanto ela havia bebido até eu chegar ali e encontrá-la, mas pela alegria toda dela e seu tom levemente enrolando, ela havia bebido bastante.
Não tive tempo de falar para ela beber um pouco de água porque assim que o cara colocou os copinhos em sua frente, a ruiva foi rápida em virar eles.
— Fred, preciso ir — ela falou se afastando dele e segurando minha mão. —, meu parceiro de dança chegou e pode ter certeza de que ele não pensa que sou burra para confundir cerveja com outra bebida — ela deu uma resposta afiada ao cara e a carranca dele aumentou, mas não esperou por uma resposta e me puxou com ela.
Ela saiu andando entre as pessoas como se conhecesse aquele lugar muito bem, e todos pareciam abrir caminho para ela, era algo automático e natural. A ruiva só parou quando chegamos em um canto que as luzes piscantes quase não iluminavam e até a música parecia ser mais baixa ali.
Ela ficou de frente para mim e sua mão soltou a minha com lentidão, e mesmo naquele canto mal iluminado, conseguia ver perfeitamente seus olhos brilhar.
— Qual era daquele cara, ? — murmurei, soltando uma risada curta e baixa enquanto me recostava na parede ao lado dela. — Achou mesmo que você ia confundir cerveja com outra coisa? Ele deve ter um talento pra subestimar as pessoas.
Minha voz saiu carregada de sarcasmo, mas o olhar que lancei a ela tinha algo mais. Eu sabia que ela não precisava de ninguém pra defendê-la, mas o jeito como aquele idiota se aproximou me irritou mais do que deveria.
— Fred, é? — continuei, balançando a cabeça levemente. — Nome combina. Parece o tipo que tenta impressionar, mas não sabe nem por onde começar.
Ela acabou rindo com minhas falas, e olhou para o bar, onde o tal Fred ainda estava e riu mais um pouco. Quando ela voltou a me olhar, seu sorriso estava mais controlado.
— Qual era a dele? Não sei, talvez tenha achado que eu seria alguém fácil que acabaria a noite na cama dele — Ela deu de ombros como se não fosse nada. — Pois é, queria algo comigo e me chamou de burra na minha cara, mas eu já iria me livrar dele — falou naturalmente, sem desviar seus olhos de mim.
Um sorriso de lado surgiu em seus lábios e ela se aproximou um pouco, seus olhos passaram por meu rosto e então se encostou na parede ao meu lado, olhando para onde as pessoas dançavam freneticamente.
— Eu achei um nome de merda, então, sim, combina mesmo — a ruiva riu e bateu seu ombro no meu braço em brincadeira. Ela estava envolta a uma leveza que eu nunca tinha visto. — Nem de longe ele iria conseguir me impressionar, ele era um prepotente idiota, mas pelo menos não chegou já achando que poderia me tocar — deu de ombros com sua fala e riu depois.
Ri baixo, encostando-me na parede ao lado dela.
— Pelo menos o Fred teve o bom senso de não tentar te tocar, porque, se tivesse, você já teria acabado com ele antes que eu precisasse fazer alguma coisa. — Meu tom saiu casual, mas o sorriso de lado entregava o que eu realmente pensava.
Passei os olhos pela pista de dança por um momento antes de voltar para ela.
— Mas, sabe… eu entendo ele. Você estava irresistível naquela pista de dança, . — O flerte escapou com naturalidade, enquanto meu olhar permanecia fixo no dela, deixando que a tensão entre nós fizesse o resto do trabalho.
— Então você iria interferir se eu não tivesse feito nada? — ela ergueu sua sobrancelha em tom de provocação, com aquele sorriso largo no rosto.
Ela negou em seguida, olhando para as pessoas novamente, mas aquele sorriso ainda brincava em seus lábios.
— Eu sei que estava, Ash — concordou convencida, me olhando rapidamente antes de desviar de novo. — Tudo que eu faço é irresistível, mas parece que eu só atraio os babacas — ela riu e se virou para mim, apoiando seu ombro na parede casualmente. — Então… mudou de ideia e veio se divertir, ou só veio me vigiar? — mesmo seu tom estando provocativo, ela falava com aquela leveza que estava a cercando.
— Talvez… — respondi sua provocação, erguendo um ombro e sorrindo de lado, enquanto meu olhar passeava por seu rosto. O sorriso dela pareceu aumentar em satisfação com minha resposta.
Ri com o convencimento dela, rolando até meus olhos, mas acabei concordando, afinal eu tinha acabado de elogiar e não ia me contradizer de forma alguma. Ela tinha razão. Mas ainda assim não falaria aquilo em voz alta, ia inflar ainda mais aquele ego que beirava o insuportável.
— Um pouco dos dois. Acho divertido ficar te observando, aliás, confesso que ia adorar ver você dando um chute no saco daquele sem graça se tentasse algo contra o seu desejo ou seu controle — comentei, mordendo meu lábio inferior.
— Gosto quando me observa — revelou, seu tom um pouco mais baixo, seus olhos presos nos meus. — Chute no saco? Que pouca criatividade, — ela riu, balançando a cabeça em negação. Ela virou o rosto para o bar e olhou o cara que estava lá, agora tentando algo com uma loira. — Eu teria dado corda para ele, me fingindo daquilo que ele acreditava que eu era e então, quando ele menos esperasse, eu o drenaria com minhas mãos no saco dele. Mas não mataria, só deixaria desacordado, assim ele levaria a marca das minhas mãos com ele — se virou para mim e me deu um sorriso doce, como se tivesse falado sobre sua flor favorita.
— Sei que gosta — murmurei tão baixo que duvidava que tivesse me ouvido. — Gostei, bem dramático, digno de uma cena teatral. Bem criativo — falei como um comentário, no mesmo tom casual que ela tinha usado para contar seu plano maligno. — Sexy também. Mas ainda acho o chute no saco mais prático, mais rápido também, e pode ter certeza de que a dor com certeza é a mesma. Ainda mais se o palhaço tivesse com o pau duro, daí a dor ia ser… bem, ele não ia esquecer — ri nasalado.
— Sim, seria mesmo mais rápido e prático, mas gosto do drama às vezes e se eu acabasse logo com ele, não teria muita diversão — ergueu um ombro e sorriu de lado. — Mas de qualquer jeito, você chegou e acabou com todas as opções — me encarou com um misto de provocação e deboche. — Você pareceu aqueles cachorros marcando território, mijando no poste — ela riu mais ainda e seu deboche estava em cada palavra.
— Nessa analogia, eu sou o cachorro e você o poste? — Ergui as sobrancelhas e dei risada agora. — Credo, , a conversa estava sexy até essa comparação. Você deveria se dar mais o valor de ficar se comparando com um poste. Que sem graça! — rolei os olhos.
A ruiva deu uma pequena gargalhada com minhas palavras, e acho que foi a primeira vez que ouvi o som da sua risada.
— Para de ser chato porque foi engraçado — ela ainda sorria olhando para mim. — Se você quer conversar de algo sexy, não deveríamos estar falando daquele babaca, porque, por favor, isso passou longe — sua voz suavizou quando ela parou de rir. — Preciso de mais uma bebida, você vai beber hoje?
— Tem razão — concordei sobre o cara, porque apesar de ele não ser feio, ele tinha sido péssimo. — Posso te acompanhar sim. Está bebendo o quê? — perguntei, indicando para irmos para o bar.
— Estava tomando vodka até você chegar, mas agora quero tequila, aqui temos mais que uma única opção — ela abriu o sorriso e segurou na minha mão, me puxando até o bar novamente, mas agora no lado oposto de antes. — Mas ele tem cerveja sim — falou quando chegamos no bar.
Ela pediu a tequila e o rapaz que estava atendendo trouxe em uma bandeja três doses de tequila, três pedaços de limão cortado e um pouquinho de sal. A ruiva foi rápida em colocar um pouco do sal da sua mão e segurar um dos copinhos.
— Um brinde a essa noite — com seus olhos nos meus, ela lambeu o sal, virou aquele shot e chupou o limão, com uma graciosidade que parecia fora do real e isso sem tirar seus olhos dos meus. — Caralho… muito gostoso — sua fala soou com um duplo sentido que não dava para ignorar.
Meus olhos ficaram presos nela, cada movimento exageradamente gracioso e feito com uma intenção que ela não precisava verbalizar. Quando ela lambeu o sal, virou o shot e terminou com o limão, ainda olhando diretamente para mim, algo em mim apertou. Era como se ela soubesse exatamente o que estava fazendo, e eu não podia nem fingir que isso não me afetava.
— Definitivamente... — murmurei, o tom mais baixo e carregado enquanto observava cada detalhe. — Mas eu não sei o que foi mais gostoso, ... a tequila ou a forma como você fez isso parecer um maldito espetáculo.
Peguei um dos copinhos restantes, imitando o gesto dela, mas sem desviar o olhar por um segundo. Lambi o sal, virei o shot de tequila e segurei o limão, mas minha atenção nunca saiu dela.
— Se o plano era me provocar, acho que tá funcionando — acrescentei, o sorriso de canto escapando naturalmente enquanto deixava o copo vazio na bandeja. — Mas cuidado, … isso pode acabar saindo do seu controle.
Me aproximei alguns centímetros, o suficiente para que minha voz fosse quase um sussurro, só pra ela ouvir. Deixei a tensão no ar fazer o resto, sem dar tempo para ela decidir se estava ganhando ou perdendo aquele jogo.
lambeu seus lábios enquanto me observava, me olhando com chamas nos olhos, de um jeito que me mostrava que ela não estava mais ligando para o controle.
— Sempre estou pronta para fazer um bom espetáculo, ainda mais quando é para você — sua voz ficou mais baixa e um sorriso malicioso surgiu em seu rosto. Então ela repetiu tudo de novo com o último copinho de tequila, se aproximando mais também. — Foda- se o controle. Estou aqui para aproveitar e me divertir e deixar o controle e todas as consequências para amanhã — sussurrou para mim, seu rosto tão perto que eu conseguia sentir sua respiração ser solta contra minha pele.
Senti meu peito apertar, minha respiração ficando mais lenta e pesada com cada palavra dela. O sorriso malicioso, o tom de desafio, a proximidade — sabia exatamente o que estava fazendo, e eu sabia exatamente onde isso poderia levar.
— É claro que você tá — murmurei, minha voz tão baixa quanto a dela, um sorriso surgindo no canto dos meus lábios enquanto eu a olhava intensamente. — Sempre pronta
pra testar limites, não é, ?
Me inclinei levemente, fechando ainda mais o espaço entre nós, até que minha boca ficou a centímetros da dela. Minha respiração se misturava com a dela agora, e eu sabia que era um jogo perigoso, mas, droga, era impossível não entrar nele.
Minha mão subiu lentamente, apenas o suficiente para segurar o copo vazio que ela ainda segurava, os dedos roçando os dela por um instante antes de tirar o objeto das mãos dela.
— Então vai, . Aproveita sua noite. — Dei um passo para trás, um sorriso carregado de desafio ainda presente no meu rosto. — Mas lembra que amanhã, controle ou não, eu ainda vou estar aqui.
Meus olhos prenderam os dela por mais um instante, como se quisessem dizer algo que as palavras não podiam, antes de eu me afastar lentamente, deixando a tensão no ar quase palpável.
Vi ela concordar comigo sobre ela sempre querer testar os limites e como seus olhos dançavam entre meus lábios e olhos, como se ela não conseguisse decidir em qual focar, ou talvez fosse incapaz de escolher.
Minha aproximação teve efeito nela, porque vi como engoliu em seco e como de repente seus olhos ficaram presos em minha boca, e até sua respiração ficou mais forte.
— Eu vou aproveitar, e acabei de decidir que vou mudar os planos originais e quero companhia, — sussurrou, e mesmo eu tendo me afastado, pude ouvir perfeitamente. — E… eu estou contando com isso — então voltou a se aproximar, passando sua mão lentamente pelo meu braço. — Qual vai ser, ? Quer perder o controle e testar os limites comigo, essa noite?
Ela jogou as cartas, decidida das suas palavras. Seus olhos profundos e intensos, brilhavam um desejo que beirava a loucura.
— Sem arrependimentos… — acrescentou por fim, mordendo seu lábio, como se fosse um castigo por suas palavras. — E só para você saber, meu ombro não está sangrando hoje… — completou, obviamente falando da última vez que neguei o beijo a ela.
Droga. Ela sabia o que estava fazendo, e eu? Eu sabia que deveria colocar um limite. Mas como colocar um limite quando estava assim, tão perto, tão provocativa, tão… irresistível?
Meus olhos seguiram a mão dela que subiu pelo meu braço, o toque lento e calculado. Cada palavra que ela dizia parecia entrar diretamente na minha pele, queimando. O desejo nos olhos dela era tão palpável quanto o calor entre nós, e o sorriso de canto no meu rosto ameaçava crescer, embora minha mente ainda travasse uma batalha interna.
— Sem arrependimentos… — inclinei-me apenas o suficiente para que nossas respirações se misturassem novamente. Minha mão subiu devagar, quase como um teste, roçando os dedos pelo contorno do maxilar dela, até parar no lado de seu rosto.
Meu olhar desceu brevemente para a boca dela antes de voltar aos seus olhos, que pareciam ainda mais intensos.
A mão que estava em sua cintura subiu, passando pela lateral do seu corpo até alcançar o maxilar, meus dedos firmes segurando-a de forma que ela não tivesse como evitar o contato visual.
— Se você quer testar limites, , então vamos testar — sussurrei, minha voz carregada, enquanto deixava meu polegar traçar uma linha pela curva de seu rosto até o canto dos seus lábios.
Minha outra mão deslizou pela sua cintura até suas costas, puxando-a para mais perto, nossos corpos agora completamente colados. Meu olhar permaneceu preso no dela, enquanto me inclinei ainda mais, deixando meus lábios roçarem os dela — um toque leve, quase como uma provocação calculada, apenas o suficiente para fazer o desejo entre nós ferver ainda mais.
— Porque eu não tenho mais limites — declarei por fim.
Então tomei sua boca com a minha de uma vez, deixando toda aquela provocação, busca por controle e todas aquelas merdas de lado. Foda-se às consequências e foda-se os limites. Ela me queria e eu a desejava ardentemente de volta. Não tinha razão, nem porque ficarmos mais nesse joguinho quando já tínhamos colocado as cartas na mesa.
Com a quebra do espaço entre nós, levou suas mãos para a minha nuca, puxando os meus fios, forçando ainda mais meus lábios nos dela. Com um suspiro audível, seus lábios se afastaram e senti a quentura e o gosto da sua boca.
Tudo ao redor pareceu deixar de existir e a única coisa que importava era como sua língua deslizava na minha, como seus lábios grossos se encaixavam perfeitamente nos meus e, até mesmo os suspiros que ela dava enquanto me permitia provar sua boca.
Seu beijo era forte e intenso, tão ela, tão gostoso… suas mãos não paravam quietas, parecendo querer ainda mais de mim, buscando por mais.
Segurei sua cintura com minhas duas mãos, a trazendo contra mim com uma puxada intensa e forte, fazendo nossos quadris de chocarem. Girei o beijo, tombando minha cabeça para o lado oposto e explorei cada canto de sua boca quente e gostosa. Sabia que nosso beijo era quase uma luta por controle, e não podia negar o quanto estava sendo delicioso.
Suspirei dentro do beijo, apertando meus dedos conforme a puxava cada vez mais contra o meu corpo. Não permitia nem sequer um centímetro longe, e só a queria cada vez mais perto.
O corpo quente dela se encaixou com perfeição entre meus braços e ela arfou com nossos corpos tão colados, que se parássemos um segundo, poderia sentir o coração dela bater contra minha pele.
Mesmo que o beijo começasse a ficar ainda mais intenso, pareceu aumentar o ritmo dele, exigindo que eu o acompanhasse. Senti suas mãos vir para a lateral do meu pescoço, e as deixar ali, puxando meu lábio inferior com seus dentes e chupando em seguida ele, para então, voltar a me beijar como a louca e intensa que ela era.
Conseguia sentir através do tecido da sua roupa, o quanto ela estava quente, e a cada segundo parecia ficar ainda mais. Com outro girar do beijo, passou sua língua de um jeito tão sexy pela minha, que isso a fez suspirar contra meus lábios.
Seus lábios, macios e quentes, se moviam contra os meus com uma intensidade que parecia gritar o desejo que ela segurava há muito tempo.
Quando ela puxou meu lábio inferior com os dentes, um calor ardente subiu por meu corpo, seguido pelo gesto dela ao chupá-lo antes de voltar a me beijar.
Eu estava perdido naquele momento, na maneira como sua boca parecia sincronizar com a minha, selvagem e determinada, mas ainda assim, deliciosamente envolvente. Cada movimento dela carregava um desejo bruto, uma fome que não podia ser ignorada, e o jeito que sua língua explorava a minha me fez apertar ainda mais minha mão em sua cintura, puxando-a contra mim.
Quando sua língua deslizou devagar pela minha, quase em um toque deliberadamente sensual, ouvi o som de um suspiro escapar de seus lábios, abafado entre o beijo. O som despertou algo primitivo em mim, como se me desafiasse a ir mais fundo, a tomar o controle da situação novamente.
Minhas mãos subiram, uma segurando a lateral de seu rosto, o polegar roçando de leve sua pele quente, enquanto a outra permaneceu firme em sua cintura, marcando a proximidade entre nós. Cada segundo parecia se estender, o beijo se tornando uma dança entre a força que eu exercia e a intensidade com que ela retribuía, como se estivéssemos disputando o domínio daquela conexão.
Era algo mais do que desejo, mais do que provocação. Era uma tempestade, e nós dois estávamos no olho dela, movendo-nos como se o mundo ao nosso redor não existisse mais. E, naquele instante, estava em cada pensamento, cada sensação, cada parte do que eu era.
Minhas mãos ganharam vida própria. A que estava em sua cintura deslizou para suas costas, pressionando-a ainda mais contra mim, enquanto a outra desceu de seu rosto para a curva delicada de seu pescoço, meus dedos roçando sua pele quente antes de segurá-la ali, firme, mas sem pressa. Eu queria que ela sentisse que eu estava no comando agora, mesmo que fosse por pouco tempo.
Ela respondeu com ainda mais fervor, os lábios dela se movendo contra os meus com uma fome insaciável, como se estivesse tentando devorar cada parte de mim. Quando sua mão deslizou pela minha nuca, puxando meus cabelos com um toque deliberado, senti um gemido baixo escapar da minha garganta, algo que eu não tinha planejado e que apenas a encorajou ainda mais.
Eu precisava de mais. Sem pensar, dei um passo à frente, pressionando seu corpo contra a parede fria atrás dela. A diferença de temperatura entre o metal gelado e o calor que irradiava de nós era um contraste intenso, quase eletrizante. Meus lábios deixaram os dela por um momento, apenas para traçar um caminho lento e faminto até sua mandíbula, descendo pelo seu pescoço.
Minha respiração era pesada agora, cada beijo na pele dela parecia incendiar algo dentro de mim. Meu peito subia e descia contra o dela, como se nossos corpos estivessem completamente sincronizados.
Voltei para seus lábios, mas desta vez fui mais fundo, mais intenso, dominando o ritmo enquanto minhas mãos exploravam seu corpo, segurando firme em sua cintura e subindo levemente por sua lateral, cada toque enviando uma corrente elétrica entre nós.
Eu sentia o cheiro dela, o gosto dela, e era como se tudo ao meu redor tivesse desaparecido. era o centro do meu mundo naquele momento, e nada parecia importar além do calor que compartilhávamos, das provocações que se tornavam promessas e de como, juntos, estávamos cruzando cada limite que juramos nunca ultrapassar.
Tudo já estava intenso, quente e gostoso, mas parecia que para ela ainda era pouco. Suas mãos desceram apertadas pelo meu peito e continuaram o caminho para baixo, sem diminuir o nosso beijo e quando suas mãos alcançaram a barra da minha camiseta, ela adentrou, deslizando suas mãos diretamente por minha pele, como um jogo de provocação. Suas unhas arranhando por onde passava, subindo por minhas costas e voltando para a frente, tudo tão lento e carregado de um desejo palpável.
Suas mãos apertaram minha cintura, e ela puxou sua boca da minha, puxando meu lábio no processo. Sua respiração estava ofegante e quando seus olhos se abriram, eles eram de um tom tão escuros que parecia as próprias sombras.
— Tem coisas que valem a pena demais fazer… — as palavras saíram falhadas e baixas, enquanto ela buscava por ar. — e, chutar o controle é uma delas — completou, e senti suas mãos subir por dentro da minha camiseta até meu peito.
O toque dela era um misto de provocação e desespero, e cada movimento de suas mãos parecia acender algo em mim que eu mal conseguia conter. Quando ela arranhou minha pele com as unhas, senti meu corpo inteiro reagir, meus músculos tensionando sob seus dedos enquanto minha respiração ficava ainda mais pesada.
As palavras dela chegaram como uma faísca, jogando combustível em um fogo que já estava fora de controle. O jeito que ela olhou para mim, com aqueles olhos quase sombrios, como se estivesse consumida por tudo que estávamos fazendo, fez algo dentro de mim ceder de vez.
Minha mão subiu pela sua cintura, agarrando-a com firmeza enquanto meu outro braço deslizou pela curva das suas costas, segurando-a de forma que ela não pudesse se afastar. Inclinei meu rosto para mais perto do dela, deixando minha respiração quente roçar contra seus lábios.
— Chutar o controle? — murmurei, minha voz rouca e carregada, os olhos presos nos dela. — Você não tem ideia do que tá pedindo, .
Antes que ela pudesse responder, capturei seus lábios de volta, mas dessa vez fui eu quem ditou o ritmo. Meu beijo era mais profundo, mais intenso, um aviso claro de que, se ela quisesse perder o controle, eu levaria isso ao limite. Minhas mãos exploraram seu corpo, subindo por suas costas enquanto a pressionava ainda mais contra a parede.
Quando meus dedos alcançaram a curva de sua nuca, segurei firme, inclinando sua cabeça levemente para ter mais acesso, enquanto meu corpo se encaixava no dela sem deixar espaço entre nós.
Eu deveria parar, deveria me controlar, mas, naquele momento, não existia nada além dela. Cada movimento, cada toque, cada suspiro dela fazia meu autocontrole desmoronar, e eu não tinha mais intenção de segurá-lo.
Minha mão, que estava em sua nuca, deslizou lentamente para frente, traçando um caminho pela curva do seu pescoço, sentindo o calor da sua pele sob meus dedos. Desci até sua clavícula, explorando cada centímetro enquanto meus lábios deixavam os dela apenas para traçar um caminho ardente pela linha de seu maxilar, descendo para seu pescoço. Minha outra mão permaneceu firme em sua cintura, mas os dedos começaram a se mover, subindo pela lateral do seu corpo, como se quisessem memorizar cada curva.
Quando alcancei sua costela, deixei meus dedos se espalharem, explorando a textura quente e suave da sua pele.
— Droga, … — murmurei contra sua pele, minha voz rouca e carregada, o desejo pulsando em cada palavra.
Minhas mãos voltaram para sua cintura, segurando-a com firmeza enquanto a puxava ainda mais para mim, eliminando qualquer espaço entre nossos corpos. O calor dela era quase insuportável, como se ela estivesse me queimando por dentro, mas, ao mesmo tempo, era algo que eu desejava mais do que ar.
Minha boca voltou para a dela, mas agora o beijo era mais selvagem, sem nenhum vestígio de controle. Minhas mãos se moveram novamente, subindo por suas costas e descendo até os quadris, meus dedos apertando sua pele como se precisassem marcar aquele momento.
— Você não tem ideia do quanto eu quero você — sussurrei contra seus lábios, minha respiração quente se misturando à dela.
Meus dedos deslizaram pelas alças do macacão, puxando-as levemente para baixo, deixando minha mão seguir o caminho até seus ombros, roçando sua pele quente. Cada toque, cada movimento era uma declaração silenciosa do desejo que eu não podia mais segurar.
tinha destruído cada barreira que eu tentei manter, e, agora, tudo o que existia era ela.
Pude sentir o sorriso dela entre o beijo, mostrando claramente que era o que ela queria e não tinha medo, ou se quer vergonha em admitir aquilo. Dessa vez ela retribuiu o beijo, deixando que eu dominasse como eu bem queria e quando passei a explorar seu corpo e provar sua pele como queria, senti seus toques mais firmes em minha pele, como se ela precisasse se agarrar a algo para se manter ali.
Quando meus dedos deslizaram sobre seu ombro esquerdo, vi um sorriso de canto surgir em seus lábios e ela permaneceu de olhos fechados, como um consentimento de que eu poderia continuar o que estava fazendo. De repente minha pele ficou mais fria quando ela retirou suas mãos de dentro da minha camiseta e tombou sua cabeça para trás, deixando mais espaço para mim. Seu decote tão convidativo chamou minha atenção e enquanto eu pensava se deveria fazer algo com aquela liberdade que ela estava me dando, senti seus dedos hesitantes tocar em minhas asas e em seguida, um gemido baixo e um tanto quanto manhoso escapar por seus lábios entreabertos.
Fechei os meus olhos, sentindo todo meu interior e exterior se arrepiarem com aquele toque, até mesmo as asas se abriram um pouco mais como se até mesmo elas estivessem pedindo por mais. Inclinei meu corpo e passei a língua lentamente no meio de seu decote, sentindo o gosto de sua pele conforme subia até sua clavícula. Desci minha mão de seu ombro até a curvatura de seu seio e enchi minha mão ali, o envolvendo com a minha palma, apertando com certa força e conforme devorava a lateral de seu pescoço, guiei meus lábios até seu ombro exposto e comecei a mordê-lo, além de chupá-lo.
Tudo estava consumido pelo momento. O calor entre nós era tão intenso que parecia engolir qualquer outro som ou pensamento. Meus dedos continuavam deslizando pela sua pele enquanto nossos corpos se moviam em perfeita sincronia.
Eu estava completamente perdido nela, e, pela primeira vez, não me importava.
Mas então veio o som. Um estrondo que reverberou pelo chão, sacudindo as paredes e nos puxando de volta para a realidade como um soco direto. Me afastei rapidamente, meu corpo ainda ardendo com a proximidade dela, mas agora minha atenção estava na porta.
— O que foi isso? — murmurei, o tom grave enquanto meu olhar se fixava no corredor escuro além do cômodo.
Antes que ela pudesse responder, outro barulho, mais próximo e mais alto, fez as paredes tremerem novamente. Gritos começaram a ecoar pelo lugar, cortando o som abafado da música que ainda tocava.
"Filhos da Luz!" alguém gritou do lado de fora, seguido por um som metálico de algo sendo derrubado.
Minhas asas se abriram instintivamente, um reflexo para me preparar para qualquer coisa. Olhei para , que já parecia pronta para agir, sua postura mudando no mesmo instante.
— Temos que sair daqui — falei, minha voz firme, tentando ignorar a adrenalina que agora tomava o lugar do desejo de segundos atrás.
Outro estrondo ecoou, e a vibração quase nos desequilibrou. O caos lá fora estava crescendo, e o som das vozes misturadas com explosões fazia tudo parecer ainda mais caótico. Olhei novamente para ela, nossos olhares se encontrando por um breve momento, antes de dar um passo à frente, assumindo a liderança.
— Fica perto de mim. Não sabemos o que vamos encontrar lá fora.
Sem esperar mais, comecei a me mover, os sentidos aguçados para qualquer sinal de perigo, enquanto minha mente ainda lutava para apagar o que acabávamos de compartilhar. Mas isso teria que esperar. Porque agora, tudo o que importava era sobreviver.
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