I Verso
Aquele frio na barriga já era familiar, ele sempre sentia antes de subir ao palco. O celular ainda estava na mão. Nas mensagens, o nome de subia toda vez que ela respondia, e seus olhos brilhavam como uma criança.
Harry a amava incondicionalmente desde que a viu naquela pequena casa onde gravavam seu clipe. Ela era linda, conversando com o estilista responsável pelas roupas do clipe.
Desde então, eles construíram um relacionamento sólido, discreto e carinhoso. Fisher tinha um ar que ele não conseguia descrever. Não havia uma música, um acorde, que conseguisse colocar tudo o que ela era.
Seis anos juntos, e seis meses noivos. Seis minutos para girar.
Entretanto, naquele instante uma sensação o tomou por inteiro.
Como se um solavanco tivesse passado por ele, deu dois passos para trás. Talvez o calor, talvez a adrenalina — ele não sabia explicar ao certo. O celular já estava longe. Não era uma nova mensagem. A última era avisando que estaria ali em seis minutos.
O show tinha que esperar.
— Harry, podemos conversar? — Eddie se aproximou.
Ele achou que poderia ser algum problema técnico, até porque o tom de voz parecia natural.
O atraso começou a preocupar. O nome dele, que ecoava no Royal Albert Hall até então, parou. O homem apareceu no palco sob um único foco de luz. As vozes foram diminuindo até o Royal Albert Hall ficar em um completo silêncio.
— Boa noite. — Ele engoliu a seco. — Não era assim que queríamos começar esse momento importante. Peço que vocês compreendam e tenham paciência. O show vai ter que esperar. — Um murmúrio começou a tomar conta do lugar. — Eu sei… eu sei que é difícil. Em breve o Harry vai se pronunciar e explicar tudo.
Desceu do palco após a péssima notícia.
— Que explicação? — uma fã falou para outra.
— Harry não faz isso sem um grande motivo, será que ele passou muito mal?
— Não, impossível — dizia outra enquanto seguiam em direção à saída. — Isso não faz o tipo dele.
— Amiga, olha…
Virou a tela do celular para ela. Já estavam fora do Royal Albert Hall. A matéria era direta e explícita, e as fotos partiam o coração a cada deslize.
— Minha Nossa Senhora! Como isso veio acontecer?
— Eu também quero saber.
Harry só tinha colocado uma blusa e saiu correndo em direção ao hospital para onde ela tinha sido levada. Ele não dirigia, não tinha condições para tal ato. Enxugava os olhos com as mãos. O celular tremia sobre sua perna, com mensagens atrás de mensagens e as fotos do acidente na tela fria.
Como podia ter acontecido o acidente em sua maior onda de felicidade?
Entrou às pressas. Nem precisou dizer quem procurava, e logo foi encaminhado para o quarto onde ela estava. Os senhores Fisher já estavam ali. Sua sogra — Maxine — se debulhava em lágrimas sobre o peito do marido, que segurava o choro por ela.
— Harry… — disse apenas o nome, ao ver o estado emocional do genro.
— Sabem… sabem do estado dela? — Aproximou-se, sua voz estava saindo atropelada pelo choro.
— Não, ainda não. O médico disse que logo viria explicar o quadro dela. Apenas informou que a perda de sangue não foi tão grave quanto imaginaram na entrada.
— Alguma coisa mais?
— Não, infelizmente.
— D-deixe que arcarei com tudo. — Referindo-se às despesas hospitalares.
— Esse não é o momento — disse, olhando para o genro.
— Eu sei… mas isso aconteceu porque insisti que ela fosse. — Referiu-se à gravação.
O senhor apenas concordou com um gesto e voltou a abraçar mais apertado sua esposa. Ela nem conseguia olhar para o cantor.
O peso da culpa caía sobre ele, mesmo não sendo sua.
Minutos se passaram. Horas também. Até que o doutor entrou no quarto. Estavam ali por privacidade, além de namorar uma figura pública, também era.
Nenhuma palavra foi escondida. Ele explicou o estado dela e a possível perda de memória. Harry caiu sentado no sofá. As memórias poderiam ser aleatórias, poderiam ser todas ou apenas as mais recentes.
Poderia ser ele que seria apagado de todas as boas lembranças.
Harry a amava incondicionalmente desde que a viu naquela pequena casa onde gravavam seu clipe. Ela era linda, conversando com o estilista responsável pelas roupas do clipe.
Desde então, eles construíram um relacionamento sólido, discreto e carinhoso. Fisher tinha um ar que ele não conseguia descrever. Não havia uma música, um acorde, que conseguisse colocar tudo o que ela era.
Seis anos juntos, e seis meses noivos. Seis minutos para girar.
Entretanto, naquele instante uma sensação o tomou por inteiro.
Como se um solavanco tivesse passado por ele, deu dois passos para trás. Talvez o calor, talvez a adrenalina — ele não sabia explicar ao certo. O celular já estava longe. Não era uma nova mensagem. A última era avisando que estaria ali em seis minutos.
O show tinha que esperar.
— Harry, podemos conversar? — Eddie se aproximou.
Ele achou que poderia ser algum problema técnico, até porque o tom de voz parecia natural.
O atraso começou a preocupar. O nome dele, que ecoava no Royal Albert Hall até então, parou. O homem apareceu no palco sob um único foco de luz. As vozes foram diminuindo até o Royal Albert Hall ficar em um completo silêncio.
— Boa noite. — Ele engoliu a seco. — Não era assim que queríamos começar esse momento importante. Peço que vocês compreendam e tenham paciência. O show vai ter que esperar. — Um murmúrio começou a tomar conta do lugar. — Eu sei… eu sei que é difícil. Em breve o Harry vai se pronunciar e explicar tudo.
Desceu do palco após a péssima notícia.
— Que explicação? — uma fã falou para outra.
— Harry não faz isso sem um grande motivo, será que ele passou muito mal?
— Não, impossível — dizia outra enquanto seguiam em direção à saída. — Isso não faz o tipo dele.
— Amiga, olha…
Virou a tela do celular para ela. Já estavam fora do Royal Albert Hall. A matéria era direta e explícita, e as fotos partiam o coração a cada deslize.
— Minha Nossa Senhora! Como isso veio acontecer?
— Eu também quero saber.
Harry só tinha colocado uma blusa e saiu correndo em direção ao hospital para onde ela tinha sido levada. Ele não dirigia, não tinha condições para tal ato. Enxugava os olhos com as mãos. O celular tremia sobre sua perna, com mensagens atrás de mensagens e as fotos do acidente na tela fria.
Como podia ter acontecido o acidente em sua maior onda de felicidade?
Entrou às pressas. Nem precisou dizer quem procurava, e logo foi encaminhado para o quarto onde ela estava. Os senhores Fisher já estavam ali. Sua sogra — Maxine — se debulhava em lágrimas sobre o peito do marido, que segurava o choro por ela.
— Harry… — disse apenas o nome, ao ver o estado emocional do genro.
— Sabem… sabem do estado dela? — Aproximou-se, sua voz estava saindo atropelada pelo choro.
— Não, ainda não. O médico disse que logo viria explicar o quadro dela. Apenas informou que a perda de sangue não foi tão grave quanto imaginaram na entrada.
— Alguma coisa mais?
— Não, infelizmente.
— D-deixe que arcarei com tudo. — Referindo-se às despesas hospitalares.
— Esse não é o momento — disse, olhando para o genro.
— Eu sei… mas isso aconteceu porque insisti que ela fosse. — Referiu-se à gravação.
O senhor apenas concordou com um gesto e voltou a abraçar mais apertado sua esposa. Ela nem conseguia olhar para o cantor.
O peso da culpa caía sobre ele, mesmo não sendo sua.
Minutos se passaram. Horas também. Até que o doutor entrou no quarto. Estavam ali por privacidade, além de namorar uma figura pública, também era.
Nenhuma palavra foi escondida. Ele explicou o estado dela e a possível perda de memória. Harry caiu sentado no sofá. As memórias poderiam ser aleatórias, poderiam ser todas ou apenas as mais recentes.
Poderia ser ele que seria apagado de todas as boas lembranças.