1. Venha a nós a noite
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O silêncio que pairava em minha própria cabeça era estranho, quase opressor. e conversavam sobre alguma música que tocava no rádio; uma conversa da qual eu com certeza participaria em uma situação normal. Eu não costumava ficar tanto tempo calada entre meus amigos, essa era a verdade. Por isso mesmo, não foi nenhuma surpresa quando me cutucou.
— O que, afinal, é complicado? — perguntou em tom baixo e eu arqueei a sobrancelha para ela. — Quando disse que podia ir no banco da frente, ele te perguntou sobre e você. Eu ouvi quando respondeu que “é complicado”. Então quero saber o que aconteceu, ora essa.
— e eu estamos brigados — cochichei, aproximando-me mais dela. — Ele agiu como um idiota comigo na frente dos parentes dele, viu. E bem, ele falou algumas coisas que eu não gostei nem um pouco.
— Sabia! — exclamou um tanto alto, chamando atenção dos garotos, e eu bati de leve em seu braço. A garota se deu conta e abaixou o tom de voz novamente. — Você dois estão agindo de modo estranho aqui com a gente.
— E acredite — disse a ela —, não é só quando estamos com vocês.
— Cochichos, cochichos e mais cochichos — comentou , antes de olhar para . — Não estão a fim compartilhar esse assunto aí, não?
— Não — falei prontamente.
— É um assunto de mulheres — explicou, sua voz se transformando em puro desafio. — Caso você seja uma mulher…
— Eu posso te mostrar que não sou uma — provocou-a, fazendo o queixo dela cair. — Você quer, por acaso?
— Ah, meu deus. — , o meu noivo, sacudiu a cabeça. — Vai começar tudo de novo.
— Eles nunca param, né!? — Mal comecei a rir e um tapa dolorido atingiu o meu ombro. — Ai, mas que merda!
— Você mereceu, bobinha — disse, olhando pela janela do carro. — Aquela maldita tempestade está começando de novo.
— Que saco! — resmungou . — Ei, espera, tem um cara na beira da estrada.
— Está pedindo carona — explanou. — Deveríamos parar?
— Acho que sim, né? Não somos tão malvados assim. — Diverti-me com meu próprio comentário. — Além do mais, está chovendo. Não vamos deixar o cara vagar por essa estrada deserta na chuva.
diminuiu a velocidade e parou o carro. Desci do veículo para abrir espaço para o cara entrar e se assentar entre e eu. O cara era alto, bonito e seus olhos pareciam brilhar em um incrível verde. Entrei de volta e assenti para , aquele era o sinal para que voltasse a dirigir.
— Obrigado por terem parado — o cara agradeceu, simpático.
— Jamais te deixaríamos na tempestade lá fora. — Sorri para ele. — Como você se chama?
— Conrad — disse ele. — E vocês?
— Eu sou a , ela é a — expliquei, apontando para cada um. — Aquele ali é o e o motorista é o , meu noivo.
— Estamos indo para a festa de Halloween que Cody, , Michael e Adam organizaram, você deve conhecer pelo menos algum deles. — riu, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha. — Para onde está indo?
— Para lá também — revelou-nos.
— Ah, é? — olhou pelo retrovisor para o cara entre nós. — Cadê sua fantasia?
— O quê? — Ele olhou para seu terno. — Ah, sim, eu decidi ir em cima da hora. Não deu tempo de conseguir uma. — Retorceu os lábios e olhou para as nossas roupas. — Por que estão vestidos assim?
— Tem um concurso de fantasia na festa — esclareci —, mas é em grupo.
— Decidimos nos vestir de personagens da franquia de jogos Resident Evil. — virou-se para trás, empolgado. — e , nosso casal oficial, estão vestidos de Chris Redfield e Jill Valentine. e eu, por outro lado, nos vestimos de Rebecca Chambers e Billy Coen. Uma fantasia para combinar assim como eu e ela combinamos, né, gata!? — Ele piscou para ela, que mostrou o dedo para ele.
— Tem mais quatro amigos nossos que vão fazer parte disso também — comentou.
— Ei, calem a boca e escutem! — falei ao ouvir o refrão da música Jeepers Creepers tocar no rádio.
Jeepers Creepers, where'd ya get those eyes?
— A festa de Halloween temática da cidade acabou de começar, e o tema deste ano é o filme Olhos Famintos. Venham conferir! — disse a voz animada do locutor da rádio local. — A festa é naquele casarão antigo da Craven Road. Isso mesmo, a estrada da lenda dos irmãos Craven. Não esqueçam de vestir suas fantasias para o concurso.
— Eu adorei esse comercial, sabe? Tocar “Jeepers Creepers” me dá arrepios porque eu me lembro que a música sempre começava a tocar no rádio quando o Creeper se aproximava. — estremeceu. — E mencionar a lenda foi uma boa, viu? Uma ótima ideia.
ergueu a mão para trás e eu bati minha palma contra a dele em comemoração.
— Vocês dois que escreveram? — Conrad perguntou e eu confirmei com a cabeça com entusiasmo.
— É bom ver que vocês trabalham juntos mesmo quando ficam agindo estranho na nossa frente — comentou e socou seu braço. — Ai, mas que droga! Só estou falando a verdade.
— Não importa! — ela o repreendeu. — Tem coisas que não pode ficar falando em voz alta.
— É, tanto faz, gata — disse ele. — Vocês podem fazer o favor de me dizer por que diabos eu pareço ser o único que não sabe dessa tal lenda?
— Deve ser porque você mora aqui há menos de cinco anos. — deu de ombros.
— Pensa só, : o que seria de uma cidade interiorana sem uma lenda urbana para chamar de sua? — Ri um pouco. Eu adorava essas coisas. — Parece que a cada duzentos anos de aniversário da morte dos irmãos Craven, algum desastre acontece na Craven Road.
focou seus olhos na estrada à sua frente e franziu o cenho.
— Os irmãos morreram nessa estrada, por isso ela tem esse nome — complementou minha explicação como costumava complementar tudo o que dizia respeito a mim. — Dizem que o tempo passa e as pessoas se esquecem… Até que acontece outra vez.
— E a morte deles foi bem na noite de 31 de outubro — adicionou. — Por isso e mencionaram isso no texto do comercial. Dá muito mais impacto na chamada para a festa.
— Que doideira. — coçou a cabeça, mas seu interesse na história se mantinha. — Como foi que eles morreram?
— Foram assassinados — Conrad tornou a falar depois de muito tempo.
— Um massacre, eles dizem. — demonstrava dúvida. Tudo sobre aquela história causava incerteza, afinal, lendas eram assim. — Já ouvi muitas outras versões.
— Já ouvi dizer que foi um acidente — falou. — Mas minha avó sempre falava que acreditava mais na versão do massacre.
— Teve um sobrevivente — acrescentei.
— Como apenas uma pessoa sobreviveu a um massacre? — refletiu . — Seria sorte até demais.
— Não se ele fosse o assassino — sugeri e me olhou de olhos arregalados.
— Pior que faz sentido. — Começou a assentir com a cabeça devagar, como se estivesse deixando aquela ideia preencher sua mente aos poucos.
— Não cai nessa — disse. — é fanfiqueira das boas. Ela adora criar teorias sombrias.
— Ah, qual é! Seria possível, aceitem — rebati. — Mas, sim, eu admito que a versão do acidente é mais provável.
— Sabe, eu ouvi uma versão mais completa dessa lenda — pronunciou-se o cara ao meu lado. — Não foi um acidente e nem um ataque qualquer. Foi mesmo um massacre.
— Sério? Quero detalhes! — exclamei. me fuzilou com um olhar de questionamento pelo retrovisor, o qual apenas ignorei.
— Os irmãos Craven estavam a caminho de um baile da alta sociedade no casarão quando foram surpreendidos na estrada — Conrad narrou. — Era um homem, e não demorou muito para que ele assassinasse o primeiro irmão. Os outros dois, por outro lado, passaram a noite fugindo pela estrada e tentando se esconder, mas nada fora o suficiente. Eles também acabaram sendo brutalmente assassinados. — Sua feição triste mexeu comigo de maneira estranha. — Quando amanheceu e o terror acabou, o cara provavelmente fingira ser o único sobrevivente. No entanto, ele nem sequer estava com eles no começo de tudo. Fora lá apenas para os massacrar sem nenhuma piedade.
— Isso é muito triste. — Foi tudo o que consegui comentar.
— Faz mais sentido do que as outras versões que ouvi — forçou-se a reconhecer.
— E combina com o que eu disse antes — trouxe à tona. — Faz sentido ser um massacre se o suposto “sobrevivente” na verdade tenha sido o assassino.
— Você sempre está certa, de um jeito ou de outro — disse , mas seu tom não foi amargo como eu esperava.
Meu noivo me olhou através do retrovisor, seus olhos amistosos e sorridentes. Por mais que estivéssemos nos estranhando, ainda éramos e , e nada jamais poderia mudar isso. Iríamos nos casar, ter nossos filhos e sempre continuaríamos a superar as desavenças, porque era isso que casais saudáveis faziam.
— Ei, alguém…? — limpou a garganta antes de continuar: — Alguém sabe quando completa outros duzentos anos?
— Por quê? Está com medo, gata? — a provocou.
— Ai, meu deus! — Ela revirou os olhos e bufou.
— Porque eu posso te proteger — disse naquele tom de flerte que beirava à provocação.
— Cala a porra da boca — respondeu pausamente.
e eu apenas balançamos a cabeça em negativa em um movimento quase sincronizado e nos mantivemos calados. Não demorou muito para que chegássemos à festa. Assim que entramos no casarão antigo, e partiram para procurar nossos outros amigos, Conrad seguiu seu próprio caminho, e e eu ficamos para trás. O silêncio de nossas bocas se tornaria ensurdecedor se não iniciássemos a conversa sobre como estávamos, ou então sobre outro assunto, seja lá qual fosse. Abri minha boca para falar alguma coisa qualquer quando um vulto apressado cruzou o nosso caminho.
— Olá, irmãozinho! — cutucou com petulância.
— E aí, pirralha — respondeu ele. Pirralha. não era muitos anos mais nova que ele. Eu e ela tínhamos praticamente a mesma idade. Entretanto ele sempre a provocava desse jeito. Coisa de irmãos.
— , minha cunhadinha! — A garota me abraçou e me fez girar com ela. — Demoraram para chegar, hein.
— Às vezes eu me esqueço que você não bebe, sabia? Está parecendo uma bêbada. — Ri daquilo e mostrei-lhe meu novo corte de cabelo. — Viu só? Eu até cortei o cabelo para combinar com a minha fantasia de Jill do Resident 3, por isso nos atrasamos.
— E também porque paramos para dar carona para um cara na vinda para cá — pontuou. Já tinha entendido que ele não ficara contente por eu ter dado tanta atenção ao novato. Quase sorri ao constatar seu ciúme.
— Não se preocupe, — sussurrei para eles. — Eu só tenho olhos para vocês, mesmo quando não estamos tão bem um com o outro.
— Nós também demos carona hoje — contou. — Estamos sendo almas muito boazinhas para um Halloween.
O comentário me fez rir. tinha tirado tanto a minha atenção com sua chegada espalhafatosa que eu nem havia percebido que o namorado dela estava ali também. estava vestido de Leon S. Kennedy, com a roupa de policial do segundo jogo de Resident Evil. Combinava muito bem com , que vestira-se de Claire Redfield, com um rabo de cavalo e tudo. Ela havia até mesmo cortado as franjinhas. Estavam perfeitos.
— Você viu? — Ela segurou a barra do colete rosa e deu uma voltinha para que eu pudesse observar a estampa das costas com a frase “Made in Heaven”. Era a cara dela, e exatamente igual a Claire. — Entregaram hoje à tarde. Pensei que não fosse chegar a tempo.
— E aí, pessoal! Como estão? — apareceu entre nós vestido de Carlos Olivera e tão bonito quanto. Sua animação era palpável e, mais do que isso, contagiante. — Espero que bem, porque eu vou pedir a em casamento hoje e não quero que nada estrague isso. Só não contem para ela, certo?
— Talvez fosse melhor se você começasse falando mais baixo — aconselhou. — Senão a cidade inteira vai saber, inclusive ela.
— Desculpa, estou empolgado. — Riu um pouco, coçando a cabeça.
A conversa sobre aquele assunto se prolongou, mas nossos amigos foram se afastando um pouco e e eu nos vimos sozinhos outra vez.
— , precisamos conversar — suspirou. — Você sabe disso tanto quanto eu.
— Sim, eu sei. E vou ficar na sua casa após a festa — garanti a ele. — Quando acordarmos no dia seguinte, conversaremos sobre isso e diremos tudo o que precisar ser dito.
— Tudo bem. — Ele segurou ambas as minhas mãos, parando na minha frente. — Eu não quero que isso termine.
— Eu ainda estou com a aliança, não estou? — Aproximei meu rosto do dele e selei nossos lábios. Uma ânsia de aprofundar o beijo me tomou por inteira, mas contive meus instintos. — Vamos tentar acertar as coisas, , é o que fazemos, não é? Agora, porém, não é o momento certo para isso.
Ele hesitou um pouco e acabou assentindo. E também não era como se eu tivesse dado outra opção a ele. Segui na direção dos nossos amigos, puxando pela mão para que me acompanhasse.
— E aí, Adam — cumprimentei o irmão mais velho de . — Até pintou o cabelo para parecer mais com o Nicholai Ginovaef. Está de parabéns.
— Eu levo essa competição a sério — confessou, rindo. — E parece que vocês também. Temos que cuidar para não perder para os outros três donos da festa.
— Eles se fantasiaram dos personagens de Olhos Famintosmesmo? — investigou .
— Pode apostar que sim — disse ele. — Sabe como eles queriam fazer jus ao tema da festa.
— Gente, vocês já podem aparecer — gritei com as mãos dos lados da boca. — Sabemos que estão só esperando para fazer uma entrada triunfal.
E foi o que eles fizeram. e Michael saíram na frente, como se estivessem assustados. Aquilo tudo combinava com o tema da festa e, veja só, os dois irmãos estavam vestidos como os irmãos do filme. estava de calça jeans, uma regata vermelha, brincos de argola e um colar com um crucifixo — exatamente como Trish Jenner no filme. Michael se vestia exatamente como Darry Jenner. A camiseta amarela estava toda suja e rasgada na frente e, obviamente, ele tinha colado uma tatuagem falsa de rosa em volta umbigo. Estava ótimo, perfeito. E tudo ficou ainda mais incrível quando o meu irmão mais velho saiu de trás das cortinas. Gritamos em apoio. Cody era o Creeper, o supervilão de Olhos Famintos. E Cody não estava apenas vestido como aquele monstro, ele tinha feito toda a maquiagem para ficar praticamente idêntico ao personagem.
— Arrasou, Cody! — Berrei, voltando ao meu tom normal quando ele se aproximou de nós. — Assim nenhuma mulher vai querer te beijar hoje à noite. Você está assustador.
— Como se eu quisesse beijar alguém, maninha. — Revirou os olhos. — Estou aqui para fazer jus à festa e ganhar esse concurso.
— Pode tirar o cavalinho da chuva! — foi firme. — Não ganharão de nós.
— Isso é o que nós vamos ver — rebateu .
— Competições à parte — disse Adam. — Queríamos apresentar um cara para vocês. Demos carona a ele hoje à tarde.
— É mesmo, ele disse que viria à festa — contou Michael. — Mas ainda não o vimos por aí.
— Parece que todo mundo está dando carona para todo mundo hoje — notou.
— Também queríamos que conhecessem o Conrad. — Eles me encararam, confusos. — O cara para quem a gente deu carona — expliquei. — Ele veio até a festa com a gente.
— Ali está ele, olha — apontou.
— Não, não, não. Ele não podia estar ali. — Cody foi naquela direção, acompanhado de perto por todos nós. — Ninguém pode ficar aqui atrás do palco do DJ.
— Para tudo! — exclamei, boquiaberta, puxando comigo. — Olha isso!
Indiquei a réplica do velho caminhão do Creeper. Certo, não era exatamente uma réplica, afinal, era feito de papelão. No entanto, o trabalho era tão bom que parecia incrivelmente real. Um arrepio percorreu minha espinha.
— Parece de verdade, não é? — também estava boquiaberto.
Ouvimos nossos amigos nos chamarem e nos apressamos em alcançá-los.
— Olha como os olhos deles são foda! — um dos garotos disse, não consegui identificar qual.
— Ei, esse é o… — comecei a dizer, mas fui interrompida.
— São os três caras que nós todos demos carona — explicou Michael. — Eles acabaram de se encontrar.
— Estávamos esperando por vocês — um deles disse em um quê sombrio, olhando para e eu, e foi nesse momento que eu soube que havia algo de errado.
Apertei a mão de como se a minha vida dependesse daquilo e, logo em seguida, os três estavam nos cercando.
— Quem…? — hesitei, voltando o meu olhar aos três homens de terno. — Quem são vocês?
Um instinto maluco tomou conta de mim e eu tentei me mover, correr, sair dali. Porém, de um modo bizarro, eu não era capaz de mover nem sequer um músculo. E, ao que parecia, nenhum de nós era. Em um piscar de olhos, pude ver a verdadeira aparência dos três caras bonitos. Os olhos incrivelmente verdes ainda estavam lá, em todos eles. Mas seus rostos e corpos estavam retalhados. Tinha sangue por todo o lado.
— Somos os irmãos Craven — disse Conrad, seu semblante expunha uma tristeza que não combinava com o momento.
— Além de termos sido brutalmente assassinados — continuou o segundo homem. — Estamos presos a essa cidade para todo o sempre.
— Destinados a vagar sem rumo e perdidos por esse mundo, nessa cidade, a cada duzentos anos — expôs o último. — Só podemos voltar ao nosso descanso se amaldiçoarmos um outro grupo de pessoas a viver uma noite de terror.
— É como um sacrifício — suspirou Conrad com seu ar melancólico.
— E vocês foram os escolhidos.
O medo me preencheu por inteira ao som daquelas palavras. Que merda estava acontecendo aqui? Nós iríamos morrer. Só podia ser isso. Quis gritar em desespero, mas a voz não deixava a minha garganta assim como em um sonho ruim do qual não conseguia escapar. Cada pelo do meu corpo se eriçou ao escutar o coro de três vozes profundas recitar a maldição:
A tempestade maligna
Que nos atormentou
O assassino na estrada
Que nos tirou a liberdade
Nesta casa nascemos
Neste mundo fomos jogados
Aqui vivemos
E aqui morremos
Assim como vós ireis
Com o primeiro raio de sol da manhã
O sacrifício termina
E assim, voltaremos a descansar
Pelos próximos duzentos anos
Amém
O sol. Foi o meu último pensamento antes de perder a consciência. Eu precisava buscar o sol.