Eu não preciso de muito
Apenas de um toque e outro
Se houver luz em seu olho
E o sol estiver no céu
Dê-me a sua devoção
“Devotion”
The Pink Spiders
mal havia entrado no quarto quando ouviu o som da tranca sendo descida. Virou-se, já sorrindo para o seu marido. Aemond pressionou seu corpo contra o dela, e seu olho ardia como fogo de dragão.
— Parece que vamos mesmo passar esta manhã juntos, né? — puxou-o com ela para o quarto de dormir, do outro lado do biombo fixo, andando de costas porque não queria desviar o olhar. — Bem do jeitinho que você queria… Não, melhor ainda, não foi?
Aemond grunhiu em concordância e a beijou de maneira quase sôfrega. Não conseguia ficar mais longe. só parou quando a parte de trás de suas pernas colidiram com a cama de Aemond. Não, a nossa cama, corrigiu-se mentalmente. Aemond era o amigo que ela pensava que havia perdido, o seu tio, o inimigo que defendia um lado diferente do dela… Mas, acima de tudo, era agora seu marido, e seu coração e corpo clamavam por ele.
— Você não tem ideia do quanto eu queria isso. — Empurrou-a devagar para se deitar na cama e cobriu seu corpo com o dele. Seus lábios selaram-se com os dela mais uma vez antes de descerem para beijar seu pescoço. — Toda minha.
— Toda sua, meu lindo principezinho. — Ela fechou os olhos para focar nas sensações da boca dele contra a sua pele, a língua e os dentes roçando de maneira provocativa. — Toda sua.
— Sim — murmurou, perdido em uma névoa de desejo, consumido pela necessidade. — Só minha. E eu sou seu.
Beijou-lhe os lábios novamente, provando-a como se fosse a mais bela e saborosa sobremesa que já conhecera em sua breve vida. As mãos dele deslizaram pelo corpo de , a destreza desesperada dos toques queimava cada pedacinho de sua pele. Um fogo brilhante que, em vez de machucar, trazia apenas júbilo. Aquele território era dele para mapear, todo dele. Seus beijos ferozes e famintos provavam isso mais do que tudo. também o tocava, puxando-o para si no intuito de que não restasse espaço algum entre eles. Se aquela fosse uma disputa, ele seria o território dela para tomar e conquistar.
Nunca me cansarei dela, pensou ele. Jamais.
— Deveríamos nos despir — sugeriu . — Sei que ficaremos vulneráveis e tudo o mais, mas acho que esse é o ponto principal, né.
— Está certa — assentiu. Sua respiração ficou ainda mais irregular com a ideia, o sangue correndo como fogo líquido em suas veias. — Deveríamos nos despir.
Aemond recuou um pouco e a quebra de contato fez ambos sentirem falta. Ele desabotoou a túnica enquanto assistia sua pequena Velaryon lutar contra os laços de seu vestido. Quando acabou de se livrar das próprias roupas, ajudou-a com a retirada das suas. Ela jogou a peça no chão e encarou Aemond Targaryen, cada pequena parte dele. Este é Aemond, meu amigo de infância, meu inimigo, meu marido, meu amor, refletiu. Então envolveu o rosto dele com carinho e puxou-o para o seu.
— Você diz que eu sou sua, toda sua. — Seus lábios roçavam nos dele enquanto falava. — Então me faça sua.
impeliu seu corpo contra ele com ferocidade, e uma poderosa agitação tomou parte dentro dele como uma tempestade na Baía dos Naufrágios. Suas mãos agarraram o quadril dela com uma força contundente.
— Você é minha — rosnou.
A boca dele trilhou um caminho ardente pelo seu pescoço, ombros e peito enquanto as mãos ágeis passeavam sobre sua pele, explorando cada curva e cada contorno. Seus beijos tornavam-se cada vez mais urgentes, mais famintos. Aemond pressionou o corpo contra o dela. Ele sentia-se consumido por uma fome insaciável em que era a resposta para tudo. A garota Velaryon era o centro de seu mundo naquele exato momento, seu único foco, seu universo inteiro. E o garoto estava tão perdido naquilo quanto ela.
— Eu amo você, Aemond — sussurrou em meio a um suspiro. — Odeio o quanto te amo… meu principezinho.
— Eu também amo você, . — Ele a beijou com ainda mais ferocidade. — Deuses, odeio o quanto a amo e, ainda assim, não consigo parar.
Seu toque possessivo deslizou pelo corpo da princesa, tocando, apertando, reivindicando-a. Sua boca jamais deixou os lábios dela. Era como se o contato pudesse expressar todos os sentimentos e emoções que ele não conseguia pôr em palavras. Seu toque gritava: minha, minha, minha.
— Faça de mim sua esposa — ela mandou —, de todas as maneiras possíveis.
Aemond rosnou em resposta, a possessividade de sempre dançando afoitamente dentro dele. Mas dessa vez era pior, afinal, fora inflamada por , pelo casamento e pelas palavras dela… de sua esposa. Sua. Beijou-a com uma sede urgente e quase primitiva. Deslizou a boca pela mandíbula dela até o pescoço. Seus dentes roçaram suavemente a pele, como uma promessa. Seus lábios traçaram um caminho pelo corpo de . Um rastro de beijos acalorados foi deixado para trás enquanto ele desbravava sua pele como uma estrada nunca antes explorada, que merecia toda a atenção do mundo, toda a sua devoção.
— Aemond… — suspirou.
A intensidade de emoções na voz dela o deixou ainda mais louco. Aemond escorregou sua mão para a coxa dela, apertando a carne macia. Os lábios voltaram ao seu pescoço, onde ela mais gostava de senti-los. fechou os olhos para aproveitar a sensação dos chupões. Agarrou-lhe os cabelos e afagou-os enquanto pressionava o rosto dele contra seu pescoço, sempre querendo sentir mais e mais.
Aemond, enfim, afastou a boca da pele da garota. Queria olhar para ela, ver o desejo em seus olhos enquanto a tocava. Apreciar o modo como olhava para ele e o amava como nenhuma outra pessoa no mundo jamais poderia. Velaryon era a única. A única que o amava, a única capaz de fazê-lo. Ela era a única paz que ele conseguia encontrar no meio do próprio caos desde que era jovem.
Com o olhar fixo no dela, deslizou a mão entre suas coxas, encontrando a pele úmida e quente como uma confortável chuva noturna de verão. Algo reconfortante para o modo como ele ardia. Moveu sua mão contra ela e sorriu ao vê-la arfar de prazer e desejo. Cada pequeno toque potencializava o fogo que compartilhavam. Ele quase gemeu a ouvi-la gemer por ele ao agarrar os lençóis.
Beijou sua boca, sem nunca deixar de movimentar os dedos contra ela em uma dança excitante e gostosa. Desceu os lábios pelo pescoço dela, por onde havia deixado marcas de chupões, e continuou descendo até capturar o seio. A garota soltou um arfado mais alto enquanto seus lábios, língua e dentes a acariciavam e provocavam… a adoravam como ela merecia. Tudo o que ele queria era agradá-la, ouvi-la. Deuses, os gemidos dela, pensou consigo mesmo.
, consumida pelo mesmo desejo que ele, puxou o rosto de Aemond de volta até o seu e o beijou. Estavam consumidos pela necessidade de estar um com o outro, de sentirem ainda mais um ao outro; a excitação de ambos era avassaladora. O corpo deles deixava mais do que claro o quanto se desejavam.
— Preciso de você, — confidenciou, sem fôlego. — Agora.
— E eu preciso ver você. — Suas mãos gentis removeram o tapa-olho dele com cuidado. Ela encarou a brilhante safira que ele usava para substituir o olho perdido e acariciou seu rosto com ternura. — Também preciso de você, Aemond, por inteiro.
Aemond analisava o rosto da garota, ainda tenso por ela ter tirado seu tapa-olho, deixando-o completamente vulnerável. A aceitação e o amor que encontrou naqueles olhos fez com que relaxasse sob o toque afetuoso dela. Aquelas palavras e o modo como não se retorcia, enojada, ao ver seu rosto mutilado… Aquilo significava tudo para ele.
— Eu sou o seu principezinho. — Beijou-lhe os lábios. Também a queria por inteiro. — Somente seu.
— E eu sou a sua princesinha — prometeu em um sussurro. — Só sua.
— Você é minha, e eu sou seu. Seu príncipe, seu amor, sua vida. — Parou de tocá-la com os dedos apenas para introduzir-se nela. Não pôde evitar fechar o olho quando o fez, e o gemidinho dela apenas tornou tudo ainda melhor. A conexão era intensa, ardente, febril. Era como se o mundo se reduzisse apenas a esse momento, apenas aos dois. — Minha princesinha, meu amor, meu tudo.
— Meu principezinho — suspirou ela quando os lentos movimentos começaram. — Meu. Sempre.
Ambos se moviam em um misto de ternura, necessidade e amor. Seus toques trocados eram gentis ao mesmo tempo em que sua força parecia gritar para o mundo que pertenciam um ao outro.
— Minha — sussurrou contra os lábios dela, seus dedos cravando-se em sua pele em um contato lascivo. — Minha princesinha. Você é minha, minha para sempre.
— Sua — prometeu. — Até o fim dos nossos dias.
— Até o fim dos nossos dias, minha princesinha — repetiu em uma promessa solene. Aquele era um voto que ele pretendia, mais do que tudo, manter. Moveu-se com mais intensidade contra ela, como que para enfatizar suas palavras, seu comprometimento. — Até o fim dos nossos dias. Minha, para todo o sempre.
— Para todo o sempre. Juntos. — Deslizou a mão pelos cabelos prateados em uma carícia terna enquanto ele beijava o seu pescoço, aumentando o seu prazer. A outra mão apertou as costas dele, puxando-o contra ela. — Se cairmos, cairemos juntos.
— Cairemos juntos, sim. Sempre — reiterou em um juramento feroz. — Não deixarei nada tirar você de mim.
— Também não vou deixar nada tirar você de mim, Aemond. Acho que nem conseguiria — confessou, de olhos fechados para saborear as sensações gostosas de seus movimentos síncronos. Então fixou o olhar em seu único olho, cuja cor a lembrava belas glicínias, as flores que preservavam o amor entre um casal, flores de ternura. Era perfeito. — Você é meu velho amigo, meu marido, meu inimigo e meu amor. Não sei como isso é possível, mas aqui estou eu, me derretendo nos braços do meu principezinho.
Aemond sentiu uma onda de emoção. Como aquela garota podia ser tão… perfeita para ele? O garoto mal conseguia acreditar que a tinha em seus braços, para si, para sempre.
— E você é a minha velha amiga, minha esposa, minha adversária e minha amada — sussurrou a confissão terna em meio aos movimentos penetrantes de seus corpos, sua voz carregada de um carinho que não sentia por nenhuma outra pessoa. — Você tem o poder de me cativar, e também de me distrair de todo o resto… e me faz sentir mais vivo do que qualquer coisa já foi capaz de fazer.
— Amo você, meu principezinho — disse outra vez, deixando escapar um gemido mais alto. — Ferozmente. Você é o único lugar seguro que me restou.
Aemond respondeu movendo-se com mais fervor, um arrepio percorreu seu corpo. A paixão o invadia em uma dança delirante de emoções cruas e desejo intenso. Suas mãos agarraram os quadris dela em um movimento possessivo e ao mesmo tempo terno.
— Eu também amo você, minha princesinha — declarou. — Amo mais do que jamais fui capaz de amar qualquer coisa. Nem sei se a palavra “ferozmente” é capaz de descrever isso. Você é o meu tudo, . Meu começo, e meu fim.
precisava sentir mais, então levantou o corpo, posicionando-se no colo dele. De peitos encostados um no outro, ela capturou os lábios dele em um beijo apaixonado que dizia o quanto o queria, o quanto o amava, o quanto o desejava. soltava gemidinhos contra a boca dele. A sinfonia de seus movimentos em perfeita sincronia fez Aemond beijá-la outra vez. A harmonia deles era perfeita.
Aemond apertou seus dedos com mais força na pele dos quadris dela, guiando seus movimentos. A conexão deles apenas se aprofundava mais com cada respiração compartilhada, cada novo toque. Seus corações e almas entrelaçavam-se completamente entrelaçados.
— Sei que já disse isso, mas… — Cravou as unhas nas costas dele. — Odeio o quanto eu amo e me importo com você.
— Eu também odeio isso — murmurou, uma mistura de prazer e dor retumbando em sua voz. — Todos esses anos, todo esse tempo gasto odiando você… e agora não consigo nem fingir.
Aemond a segurou firme contra ele, seus movimentos tornando-se mais intensos.
— Você me odeia. Ainda assim, eu sou sua — arfou contra a boca dele, o prazer crescendo mais e mais. — E eu te odeio e, ainda assim, amo o jeito que me faz sentir.
— Sim, e eu te odeio e, mesmo assim, amo você. Odeio o quanto me deixa louco e tem poder sobre mim. — Pressionou sua testa contra a dela, sem jamais desviar o olhar. — Eu te odeio e odeio e odeio, mas não consigo me cansar de você.
Àquilo a levou à loucura.
— Deuses, você é aquele que… — Ela arquejou, cada pequena parte de seu corpo tremia com a onda colossal de prazer que quebrava sobre ela, a inundando por inteiro. — … aquele que me deixa louca.
— Como posso resistir a isso? — Aemond sorriu. A maneira como tremulava de prazer, como um belo estandarte cintilante em seus braços, apenas alimentava o desejo dele. — Como posso não enlouquecer por você?
Então moveu-se contra uma paixão ainda mais intensificada, seus toques carregados de gentileza e carinho, desejando que ela sentisse cada fragmento possível de seu amor e desejo por ela enquanto se desfazia contra ele. Sua boca encontrou a sua em um frenesi de beijos, desesperado para provar o prazer dela e seus deliciosos lábios.
Aemond lhe deu tudo o que tinha, até que também não aguentasse mais. Seu corpo tremeu enquanto ele a segurava com ainda mais força contra ele, como se temesse que ela fosse desaparecer a qualquer momento.
— Não precisará resistir a mim… nunca mais — murmurou, seus lábios roçando nos dele, saboreando o prazer que ele sentia. — Sou sua esposa agora.
— Não resistirei. — Beijou-lhe de novo, um ato carregado de emoções que não sabia direito como expressar. — Toda a minha resistência, toda a minha negação a respeito de você… Tudo em vão, no fim das contas. Você é minha esposa, e eu sou seu.
— E maldito seja aquele que se interpuser entre nós — parafraseou as palavras do septão Eustace ao casá-los. — Mesmo que seja um de nós.
— Mesmo se for você ou eu. — Um arrepio percorreu sua espinha. — Maldito seja aquele que se interpuser entre nós. — Apertou mais o abraço, como que para provar que suas palavras eram sérias. — E que os deuses os ajudem, pois eu não ajudarei.
— Você vai realmente ser a minha morte, não é? — Um sorriso bobo brincava em seus lábios ao relembrar a frase dele.
— Acho que sim. — Sorriu de volta, um sorriso afetuoso que jamais mostrara a outra pessoa. Então deitou-se, trazendo-a consigo, segura em seus braços. — Mas vou me certificar de assombrar você como um fantasma, então não se livrará de mim tão facilmente.
— Não se preocupe, meu principezinho, sei que estará comigo — disse ela. — Eu não pretendo deixar esta vida sem você.
— Ótimo. — Aemond beijou o topo da cabeça dela. — Porque eu não quero, jamais, sair do seu lado. Juntos, para sempre.
— Para sempre. — Ela se afasta dele apenas o suficiente para olhar em seu rosto. — Nem mesmo a morte nos separará, posso te prometer isso.
E então um silêncio caiu ao redor deles, o melhor dos silêncios. Um momento confortável e íntimo onde o único foco deles era sentir a presença um do outro, admirar seus corpos descansando juntos naquela cama que agora pertencia aos dois. Era como se o mundo exterior tivesse ido para os sete infernos e apenas eles e esse instante sagrado compartilhado tivesse permanecido.
não conseguia tirar os olhos do garoto ao lado dela, de seu marido. Era impossível não admirar o modo como o sol da manhã que entrava no quarto o deixava quase angelical. A luz dourada banhava sua pele, e o brilho nas glicínias de seu olho tornavam aquela uma visão pura, divina.
Aemond devolveu-lhe o olhar. Seu coração e alma sentiam uma sensação de paz, de pertencimento. Velaryon tinha esse efeito nele. Era a única capaz de despertar qualquer coisa do tipo nele, a única que o fazia querer se mostrar vulnerável de vez em quando.
— Você está encarando. — Seu olhar era suave e relaxado, um contraste gritante com sua usual intensidade, e um pequeno sorriso terno brincou em seus lábios. — Vê algo que gosta?
— Não — respondeu ela, o pegando de surpresa, e então acrescentou: — Vejo apenas alguém a quem estou aprendendo a amar.
— Aprendendo a me amar, é? — Estendeu a mão para alisar uma mecha de cabelo perdida no rosto dela, seus dedos demorando-se na bochecha, acariciando o local. — E como está indo até agora?
— Estou meio perdida, para falar a verdade. Quando comecei a aprender, já estava apaixonada — confessou. — Eu só não sabia.
— Então, de certa forma — falou devagar —, você me amava o tempo todo. Só não sabia ainda.
— Bem, eu senti coisas por você todos esses anos. Mas quando te vi ontem, quando conversamos no Bosque Sagrado… Eu não sei. Simplesmente fui atraída para você. Havia algo ali. Algo que você acabou me mostrando que era amor.
— É engraçado, não é? Como o amor pode se aproximar quando você menos espera. Jamais pensei que sentiria algo tão… avassalador. Ao menos não algo bom — refletiu. — Eu também sinto coisas por você há muito, muito tempo. E a noite passada foi… — hesitou, incapaz de encontrar as palavras certas. — Parecia uma… reunião. Como se finalmente estivéssemos exatamente onde deveríamos estar.
— Nos braços um do outro — completou .
— Sim, nos braços um do outro. — Aemond sorri, seu olho brilhando. Então a puxou para perto e envolveu os braços ao redor dela. — É disso que estávamos sentindo falta todo esse tempo. — Enterrou o rosto em seus cabelos, inalando o cheiro primaveril de lavanda que apenas ela tinha. — Dessa proximidade, dessa conexão.
— É meio perfeito, não é? — comentou .
Aemond afagou os cabelos dela e tocou seu rosto. Tudo com muito carinho e paixão. Sua mão escorregou pelo pescoço dela e pela clavícula em uma carícia apaixonada.
— Sim — concordou quando seu toque alcançou o seio dela. Ele manteve a mão ali, apenas sentindo a pele macia. — Perfeito. Você é perfeita. É como se tivéssemos sido feitos um para o outro.
Suas mãos continuaram a jornada para baixo, explorando cada centímetro do corpo dela, reivindicando-a, acariciando-a. Então deslizou uma das mãos entre suas coxas outra vez. Precisava dar mais prazer a ela, ver seu rosto enquanto a tocava daquele jeito.
— Talvez tenhamos sido — acrescentou, gemendo em resposta ao toque íntimo.
Os dedos de Aemond provocavam e acariciavam, seu olho fixo no rosto dela, observando cada reação, cada pequena expressão. Inclinou-se para beijá-la com vontade e despejar todas as suas emoções e sentimentos no beijo ardente. Queria fazê-la sentir-se bem, levá-la ao limite e além. Os sons de sua respiração, o gosto de sua boca, a sensação de seu corpo contra o dele… Tudo elevava o seu próprio desejo. Queria tudo dela. Queria que ela tivesse tudo.
não ousava tirar os olhos dele enquanto umedecia os lábios, desejosa, e rebolava contra a mão dele em busca de mais. Aemond continuava seu bom trabalho. Seus dedos se moviam com precisão, guiados pelas reações, conduzidos pelos gemidos e suspiros da garota que ele amava. Era impossível desviar o olhar. Não quando estavam tão conectados.
Então o som de uma batida afoita na porta irrompeu entre eles.
— Vá embora! — gritou entre arfados.
Aemond riu, um som baixo e rouco que continha diversão e excitação. Aumentou a intensidade de seu toque prazeroso sem pensar duas vezes. Batidas na porta eram apenas uma distração. Ele não permitiria que nada interferisse em sua tarefa de fazê-la sentir-se bem. O prazer dela era sua maior prioridade, seu único foco naquele momento.
— Príncipe Aemond! — A voz de Sor Criston Cole ecoou através da pesada porta. — Sua atenção é necessária.
— Sua atenção é realmente necessária, meu principezinho — repetiu ela, sem tirar os olhos dele. — Continue!
— Continuar? — Aemond quase riu, seus dedos se movendo com mais ímpeto. — Não estava pretendendo parar.
— Ótimo — suspirou ela. — Você é um príncipe muito, muito bom.
Aemond apressou-se em cobrir a boca dela com sua mão livre, suprimindo um gemido alto que qualquer um perto o suficiente seria capaz de ouvir. Ele olhou para com um brilho travesso no olho enquanto ela lutava para conter os gemidos, ofegante contra a mão dele.
— Eu… já vou — respondeu a Sor Criston com uma voz autoritária e áspera, as palavras prendendo-se em sua garganta quando beijou a palma de sua mão.
Sua outra mão continuava na busca implacável pelo prazer de sua princesinha. Ele sabia que sabia que estava cada vez mais perto. As mãos apertando o lençol, os olhos fechados, a cabeça jogada para trás, suas pernas se pressionando contra ele, a respiração acelerada. Era uma questão de instantes.
— Olhe para mim! — exigiu ele. — Eu quero ver você.
fez o que ele mandou, afinal, queria vê-lo também e apreciar seu olhar enquanto ela se desfazia nas mãos dele como agora. E Aemond jamais se esqueceria daquela visão, não importava quanto tempo se passasse. A imagem do rosto dela, seu olhar conectado ao dele enquanto ela estremecia de prazer… Aquilo ficaria gravado a ferro e fogo em sua mente. Velaryon era a coisa mais linda que ele já vira, nesse momento e em todos os outros. E ela era dele. Aemond capturou seus lábios em um beijo feroz, desejoso, possessivo e, acima de tudo, carregado de amor.
— Deuses… — disse ela, ainda tentando recuperar o fôlego. — Eu amo você.
— Eu também amo você, meu amor — sussurrou de volta, agarrado a ela como uma tábua de salvação. Queria poder ficar naquela pequena bolha de amor e paixão, mas sabia que não podia. O dever, seja lá qual fosse, o chamava. — Certo, vou ver o que Sor Criston quer. — Tomou um último momento para beijá-la. — Voltarei assim que puder.
Afastou-se dela sem nenhuma vontade, um frio vazio envolvendo os dois pela falta de contato. Relutantemente, Aemond começou a se vestir.
— Esperarei por você aqui, meu príncipe — prometeu antes que ele saísse da parte privada dos aposentos.
Assim que Aemond abriu a porta, Sor Criston Cole deu um passo para dentro e declarou:
— Precisamos encontrar o Aegon.
franziu o cenho, ouvindo tudo de onde estava. Aemond teve a mesma reação.
— Por que você interromperia a minha noite de núpcias… manhã — corrigiu-se, seu temperamento voltando aparecer. — Por que interrompeu minha manhã de núpcias para falar sobre o meu irmão irritante e estúpido?
— Ele é o herdeiro — Sor Criston falou bem baixinho, mas os ouvidos de eram atentos, então ela foi capaz de ouvir.
— Então você está dizendo…? — Aemond hesitou, esfregando a testa como se estivesse com uma grande dor de cabeça.
levantou-se de rompante e usou os lençóis para cobrir suas vergonhas. Então saiu da câmara privada e foi para a outra parte dos aposentos, onde homem e garoto conversavam.
— Meu avô… O rei Viserys faleceu — concluiu ela.
Aemond virou para , sua expressão presa entre surpresa e tristeza. Sor Criston limpou a garganta desajeitadamente, desviando o olhar dela. Um brilho possessivo despertou em Aemond ao vê-la enrolada apenas em um lençol na frente de outras pessoas que não fossem ele. Pegou o braço dela e a puxou para perto.
— Ouviu tudo o que foi dito? — perguntou em uma voz calma.
— Claro que sim, é só um biombo fixo de madeira separando o quarto de dormir do resto dos aposente. — Escorou a cabeça nele. — Isso é tão triste, A perda deve ser maior para você do que para mim, já que é o seu pai, não é? Sinto muitíssimo.
Aemond envolveu os braços em volta dela e enterrou o rosto em seus cabelos louro-prateados.
— Obrigado… Por estar aqui — sussurrou, confortando-se com a presença dela, então afastou-se um pouco para fitá-la. — Tenho que ir. Eu… Há coisas que precisam ser resolvidas.
— Aemond, meu amor, não faça isso. Por favor, não apoie esse golpe. Aegon será um péssimo rei, você sabe disso. Sua mãe estará atrás dele, puxando as cordinhas. — Quanto mais ela implorava, mais ele se afastava. — Minha mãe é a verdadeira Rainha dos Sete Reinos, não importa a merda que vocês façam.
— E o que quer que eu faça, ? — rebateu, frustração e raiva mesclando-se em sua voz. — Ignorar minha mãe, meu avô, meu dever? — Passou a mão pela prata líquida de seus cabelos. — Eu não posso simplesmente…
— Ah, por favor! Seu dever? A porra do seu dever? — socou o peito dele, que recebeu o golpe com um grunhido baixo. — Colocar Aegon no trono é um erro do qual vai se arrepender, eu prometo a você.
— Acha que não sei disso? Não quero o Aegon no trono tanto quanto você — retrucou, sua expressão era de puro aço. — Todos esperam que eu o apoie. Sou o segundo filho, obrigado a servir ao trono, não importa quem esteja sentado nele.
— Não importa quem, mas você prefere qualquer um menos a minha mãe, a maldita prostituta de Pedra do Dragão. — Revirou os olhos. — Pare de mentir, meu principezinho. Você é o maior defensor da causa dos Verdes. Não tem que mentir nem para mim nem para si mesmo. Apenas vá. Vá e faça suas coisas. Encontre o maldito do seu irmão e coloque uma coroa em sua cabeça oca. — afastou-se de seu marido, evitando o seu toque. — Vou encontrar algo para fazer.
O olho de Aemond se estreitou. Odiava o quão bem ela o conhecia, como conseguia ler seus pensamentos antes mesmo de ele formulá-los bem o suficiente para colocá-los em palavra.
— Não é tão simples assim — insistiu ele, mas seu olhar desviou do dela. — Tenho que cumprir o meu dever. É o que se espera de mim… o que é certo.
— Eu cago no seu dever! — cuspiu as palavras, fazendo com que Sor Criston arregalasse os olhos em resposta ao xingamento. — Vá, Aemond. Vá! — As lágrimas transbordavam. — Não quero mais saber de suas desculpas.
Aemond hesitou por um pequeno instante. A visão das lágrimas fez uma pontadinha de culpa borbulhar na superfície.
— Tudo bem, eu vou — murmurou. — Mas não faça parecer tão claro e simples, como se eu tivesse uma escolha real no meio disso tudo.
Lançou um último olhar para e saiu dos aposentos.
— Nada é feito para acontecer, se lembra? — gritou na porta, sendo impedida de passar pelos novos guardas. — Você tem uma escolha.
Aemond congelou no lugar, de costas para ela, suas palavras o apunhalaram como mil facas; palavras que ele mesmo havia dito na noite anterior. Sabia que ela estava certa, que era teimoso e leal demais a uma causa que nem sequer o colocaria no trono. Ainda assim, chateá-la, vê-la chorar… era tudo muito doloroso. Quase tão doloroso quanto ter perdido um olho para o irmão dela.
Ele cerrou os punhos, seus ombros tensos, mas não se virou. Com medo do que aconteceria se visse aquele rosto incomparável outra vez, apenas foi embora com Sor Criston Cole.
tentou sair dos aposentos, mesmo vestida apenas com um lençol em volta do corpo. No entanto, os guardas não permitiram.
— Pare de me olhar assim, seu idiota inútil! — xingou um dos guardas. — Por que não me deixa sair?
— Ordens do Senhor Comandante da Guarda Real — explicou.
A garota revirou os olhos, irritada e cheia de frustração, e fechou a porta com toda a força que conseguiu. Um golpe de estado estava em ação e ela saíra direto da manhã de núpcias dela para se tornar uma verdadeira refém antes de sequer poder se vestir. Agora tudo fazia sentido para ela. O casamento tão cedo pela manhã havia sido para colocar os grilhões nela. E seu avô Viserys não pôde aparecer porque já estava morto.
Aquilo era frio, até mesmo para alguém como Alicent Hightower.