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A Rainha da Mola

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Capítulo I


Filipa de Lencastre proveio de duas nobres famílias: a casa régia dos Plantagenetas e a dos Lencastre. Seus avós paternos eram o rei Eduardo III e a rainha Filipa de Hainault, enquanto que os maternos eram Henrique de Grosmont e Isabel de Beaumont.[9] Seu pai, João de Gante, ao casar—se com sua mãe, Branca de Lencastre, herdou o ducado do seu sogro, juntamente com domínios e castelos por toda a Inglaterra e o Principado de Gales, conquistando, assim, maior poder e prestígio para a sua família. Filipa foi a primeira filha do casal, nascendo em março do ano posterior ao casamento. Recebeu o nome da sua avó paterna, a rainha, que também foi sua madrinha.
No que se refere ao estudo das línguas, Filipa de Lencastre foi educada à maneira nobre e aristocrática, isto é, aprendeu latim suficientemente para ler livros litúrgicos, além de francês e inglês para ler romances ou livros de instruções. Foi ensinada a agir de acordo com as virtudes mais apreciadas na época, tais como modéstia, humildade e pureza espiritual. Quando tinha aproximadamente nove anos, vivenciou o falecimento da sua madrinha e avó paterna. Logo em seguida, sua mãe foi vítima da peste e também morreu. Filipa, então, passou aos cuidados de Catarina Swynford que viria a se tornar amante de seu pai ainda durante o segundo casamento dele com Constança, filha mais velha e herdeira de Pedro I de Castela.
Os registos de despesas de seu pai mostram que ele era generoso tanto com os seus filhos legítimos como para os membros da sua corte.[13] Essa característica influenciaria a vida de Filipa, que também viveu sob o clima literário da corte de seu pai. Considerado um mecenas, ele foi seu principal exemplo, inspirando—a a criar o seu próprio círculo de poetas através de um grupo cortesão de leitura conhecido como "A flor e a folha". O poeta Eustache Deschamps, membro desse grupo, dedicou a Filipa um poema no qual a comparava a uma flor. Tratava—se de um reconhecimento por seu notável papel no incentivo à literatura inglesa. Mas será que isso foi tudo que aconteceu... Vejamos.

*******


"Este trono real de reis, esta ilha de cetro,
Esta terra de majestade, esta sede de Marte,
Este outro Éden, demi-paraíso,
Esta fortaleza construída pela Natureza para si mesma
Contra a infecção e a mão da guerra,
Esta raça feliz de homens, este pequeno mundo
Esta pedra preciosa colocada no mar de prata,
Que serve isto no escritório de uma parede,
Ou como um fosso defensivo para uma casa,
Contra a inveja de terras menos felizes,
Este terreno abençoado, esta terra, este reino, esta Inglaterra,
Esta enfermeira, este útero cheio de reis reais,
Amedrontados pela sua raça e famosos pelo seu nascimento."
—Ato II, cena i, 42—54


Ali estava ela. Filipa de Lencastre não devia ter mais de dezessete anos. Seus cabelos ruivos, curtos e descuidados. Suas vestes azuis com linho cor de rosa. O ano era 1377. Seu pai, João Gante estava casado com sua última esposa Terina Swinford. Isabel, sua segunda irmã tinha apenas treze anos, enquanto Henrique tinha dez, Catarina cinco, João Beaufort, seu irmão mais novo quatro e Henrique apenas três. Sendo assim, ela tinha cinco irmãos, sendo alguns da primeira esposa e os outros da segunda e terceira esposa. Os irmãos tiveram uma boa educação, principalmente Filipa e Henrique. E essa é sua história. Filipa estava na aula inglesa. Mesmo com dezessete anos, ela era observadora.
— Péricles é peça central do quebra-cabeça cuja a imagem final é a definição da Educação Clássica. Ele foi o estadista responsável pela reconstrução da Antiga Atenas após as batalhas contra a Pérsia. Instituiu grandes reformas que culminaram em um desenvolvimento de diversas esferas como a política e a educacional. Figuras notórias começam a pensar sobre perguntas existenciais e cosmológicas, utilizando as características da matéria – phýsis – para explicar a origem do universo, conciliando ou não, com o legado mitológico de Homero e Hesíodo e suas respectivas respostas para tais perguntas.
Estes notórios ficaram conhecidos como os ‘pré-socráticos’. Deste seleto grupo, nos importa a figura de Parmênides, que em sua obra Sobre a Natureza, fixou os pontos essenciais do estudo do Ser; estudos que mais adiante serviriam de plataforma para a investigação metafísica de Aristóteles, uma das pontas do diadema do currículo clássico. Neste período ainda situa—se o surgimento de dois grandes grupos intelectuais, a princípio antagônicos, na Antiga Grécia: os sofistas e os amigos da sabedoria; os filósofos. — a preceptora dos príncipes e princesas da Inglaterra começaram a explicar. O sol ainda estava presente lá fora, mas agora brilhava mais. Filipa prestava atenção em tudo que a professora dizia, anotando meticulosamente. Conforme ela anotava, a preceptora explicava mais.
Henrique, seu segundo irmão parecia entediado, mas ela não estava. Sempre gostara de história. O sol agora brilhava mais fracamente, já beirava as quatro da tarde. Pelo castelo, a corte murmurava sobre a princesa inteligente. Muitos eram os que a percebiam. Isso dava certa timidez a Filipa. Mesmo tendo cinco irmãos, ela se sentia só. À tarde, desceu para o salão de desjejum, possivelmente sala do trono, para jantar com seu avô, Eduardo III que ainda era vivo. Seu avô era doente e se especulava que o primo de Filipa, Ricardo é quem herdaria o trono inglês. O pai de Filipa, João Gante não gosta disso, para ele seus filhos é quem deveriam herdar o trono. Mas Filipa gostava do primo.
E assim, todos começavam a comer. À noite, Filipa aproveitou para sonhar com um mundo melhor, um onde ela pudesse ser quem era. Esperava que as histórias antigas que sua mãe lhe contava enquanto estava viva pudessem ser reais... Um véu tinge a tela.

*******


.1377, INGLATERRA,

Ana Vera acordou de sobressalto. A menina de quatorze anos conhecida por seu humor debutante, havia tido um sonho difícil. Um pesadelo possivelmente. Sonhou que possivelmente estava em cima de um bicho estranho o domando e depois ria presunçosamente. Acordou assustada, o que quer que o sonho quisesse dizer. A cabana em que vivia era simples, apenas pelo crepitar de sua mãe fazendo o café da manhã. Seu pai estava lavrando terras. Seus irmãos possivelmente estavam na lavoura, mas então viu a mãe levantada:
—..Mãe — ela chamou.
— Oi, Ana Vera, é hora de acordar — disse a mãe — Te levarei hoje comigo para o trabalho. O rei Eduardo III disse que procura uma serva para ser dama de companhia da princesa Filipa. — diz Dona Raudice.
— Mãe, eu vou ser serva da princesa — perguntou Ana Vera impressionada. Sempre sonhava em trabalhar no palácio e agora serviria a princesa da Inglaterra, mas então se deteve — Mas é o pai, quem vai ajudar na carroça.
— Seus irmãos obviamente — diz a mãe — Agora vá se preparar.
Ana Vera assentiu, começando a caminhar para seu pequeno quarto de madeira se preparar. Ainda era de madrugada quando ela chegou no castelo. Filipa ainda dormia profundamente. Estava com os olhos inchados, provavelmente alguma gripe que pegara, já que ela também espirrara. Quando acordou, viu que Dona Raudice estava parada na porta de seu quarto com uma garotinha de quatorze anos. Era Ana Vera.
— Vossa Graça — chamou Raudice — Essa vai ser sua dama pessoal, minha filha Ana Vera.
— Ana Vera — diz Filipa olhando Ana Vera com interesse predatório — Uma escrava morena como serva. Fascinante. O que ela sabe fazer — pergunta a Raudice.
— Muita coisa senhora — diz Ana Vera timidamente — Sei ler, escrever, cozinhar, me portar.
—Sabe ser discreta — perguntou Filipa em tom baixo.
— Sim, senhora! — respondeu Ana Vera animada por estar interagindo com uma princesa.
— Acho que vamos nos dar bem, ensine ela a preparar o café da manhã — pede Filipa a Raudice.
— Sim senhora — Raudice assente, se preparando para sair dali com a filha.

*******


—...Ela pensa que é rainha. Essa menina se acha demais.
— Ela é esquisita, mas não podemos falar nada, ela é princesa da Inglaterra. Vamos ter que aguentar ela.
— Ninguém gosta de princesas que se acham.

Capítulo II A - A Princesa Filipa

1377, INGLATERRA,

Ana Vera acordou de sobressalto. A menina de quatorze anos conhecida por seu humor debutante, havia tido um sonho difícil. Um pesadelo possivelmente. Sonhou que possivelmente estava em cima de um bicho estranho o domando e depois ria presunçosamente. Acordou assustada, o que quer que o sonho quisesse dizer. A cabana em que vivia era simples, apenas pelo crepitar de sua mãe fazendo o café da manhã. Seu pai estava lavrando terras. Seus irmãos possivelmente estavam na lavoura, mas então viu a mãe levantada:
—..Mãe — ela chamou.
— Oi Ana Vera, é hora de acordar — disse a mãe — Te levarei hoje comigo para o trabalho. O rei Eduardo III disse que procura uma serva para ser dama de companhia da princesa Filipa. — diz Dona Raudice.
— Mãe, eu vou ser serva da princesa — perguntou Ana Vera impressionada. Sempre sonhava em trabalhar no palácio e agora serviria a princesa da Inglaterra, mas então se deteve — Mas e o pai, quem vai ajudar na carroça.
— Seus irmãos obviamente — diz a mãe — Agora vá se preparar.
Ana Vera assentiu, começando a caminhar para seu pequeno quarto de madeira se preparar. Ainda era de madrugada quando ela chegou no castelo. Filipa ainda dormia profundamente. Estava com os olhos inchados, provavelmente alguma gripe que pegara, já que ela também espirrara. Quando acordou, viu que Dona Raudice estava parada na porta de seu quarto com uma garotinha de quatorze anos. Era Ana Vera.
— Vossa Graça — chamou Raudice — Essa vai ser sua dama pessoal, minha filha Ana Vera.
— Ana Vera — diz Filipa olhando Ana Vera com interesse predatório — Uma escrava morena como serva. Fascinante. O que ela sabe fazer — pergunta a Raudice.
— Muita coisa senhora — diz Ana Vera timidamente — Sei ler, escrever, cozinhar, me portar.
—Sabe ser discreta — perguntou Filipa em tom baixo.
— Sim, senhora! — respondeu Ana Vera animada por estar interagindo com uma princesa.
— Acho que vamos nos dar bem, ensine ela a preparar o café da manhã — pede Filipa a Raudice.
— Sim senhora — Raudice assente, se preparando para sair dali com a filha.

*******


—...Ela pensa que é rainha. Essa menina se acha demais.
— Ela é esquisita, mas não podemos falar nada, ela é princesa da Inglaterra. Vamos ter que aguentar ela.
— Ninguém gosta de princesas que se acham.
Sem que percebessem, Filipa que estava indo para o quarto do irmão Henrique ouviu isso. Filipa voltou para seu quarto. A tristeza quis consumir ela, embora ela não falasse disso com ninguém. Observou a janela a tremeluzir. O som de pequenas carruagens ao longe a fazia pensar. E se pudesse viver além dos limites do castelo e se pudesse ser feliz. Observou a irmã Isabel de apenas doze anos sentada no jardim brincando com boneca artesanal. Henrique de nove anos aprendia a lutar de espada. Já Catarina de cinco anos observava tudo com olhar curioso. João de 4 anos, parecia querer aprontar algo e Henrique de três anos observava. O cheiro do café da manhã inundava o local. O palácio estava bonito, rico de detalhes aquela época do ano.
— Ei! Filipa — Isabel com um sorriso travesso disse a irmã mais velha — João está roubando meus brinquedos de novo.
— Não estou não — diz João fazendo uma careta adorável.
Os dois irmãos trocam breves acusações e Filipa suspira.
— Vocês dois, parem. Toma Isabel — diz Filipa entregando um boneco que ela mesma fez para a irmã, que sorriu triunfante.
A preceptora lançou um olhar severo a Filipa, mas sorriu. Filipa se sentou ao lado dos irmãos e começou a tomar o café da manhã. Pôde ouvir ao longe, a Sra. atual de Beaufort, Terina dar ordens aos servos sobre o bebê que espera. Sorriu. A chegada de um novo irmãozinho era importante. Seu pai no total já tinha cinco filhos e um sexto parecia fascinante. Enquanto isso, no palácio entretanto, o clima era palpável. Entre alianças do avô de Filipa que agora deixava o trono sob supervisão do primo de Filipa, Richard, o reino nunca esteve tão instável. Na hora do almoço, Filipa almoçou com os irmãos.

*******


—...Padre! — chamou uma missionária chamada Elva — Ganhamos arrecadações.
— Dos nobres — perguntou o padre — Isso é ótimo minha filha.
— Padre, você acha que a humanidade ainda vai melhorar — perguntou Elva.
— Tenho certeza, pequena — promete o padre.

*******


—...Soube que papai planeja casamentos para vocês — disse Filipa a Isabel e Henrique — Pelo que soube, é um casamento estratégico.
— Com quem — pergunta Henrique — Sou novo demais para me casar.
— O seu é com Maria Bohun
— E eu — perguntou Isabel.
— O Hastings acredito — diz Filipa.
— Até que ele é atraente.
Os três irmãos riram.
Os irmãos continuaram fazendo seus afazeres como príncipes, até o anoitecer, que colocaria os pensamentos em perspectiva...

*******


No dia seguinte, Filipa acordou com o som da serva Ana Vera a acordando. Seus irmãos ainda dormiam.
— Bom dia senhora — desejou.
— Bom dia — disse Filipa.
— Seu café da manhã já está preparado — disse Ana Vera.
— Obrigada Ana Vera.
A manhã começou a se passar de forma monótona. Filipa viu a bandeja pronta e começou a tomar o café da manhã. Após o café da manhã, se preparou para os eventos do dia...

Capítulo III - A Morte de Eduardo III

PORTUGAL, 1377,
D. João era filho ilegítimo do rei D. Pedro I e de Teresa Lourenço, uma dama galega[6] ou de uma filha de Vasco Lourenço da Praça, um mercador de Lisboa.[7] Em 1364, foi consagrado mestre da Ordem de Avis, sendo nomeado por seu pai.[8] Cresceu com o referido seu avô materno. Depois da investidura nessa ordem de cavalaria, o Mestre passou aos cuidados do comendador—mor da cidade, Fernão Rodrigues de Sequeira. Visitava de vez em quando a corte, desenvolvendo amizade com o seu meio—irmão, o infante D. João, filho de Inês de Castro.[9] Em 1377, já tinha 20 anos. Quase homem feito, vivia na corte portuguesa ao lado de seu irmão Fernando I. Homem feito, barba por fazer e aparência jovial e bela, mas não tão bela assim, João de Avis tinha uma roupa avermelhada e podia—se caracterizar como um homem de semblante severo, mas não menos bonito. João de Avis passeava pelo castelo de Portugal. O castelo estava mais bonito no dia de hoje. As pessoas andavam, comemorando alguma festividade que haveria no reino. Seu olhar parou quando viu uma garota ruiva de cabelos ruivos e olhos castanhos. Seu nome era Inês de Pires. A jovem devia ser dois anos mais velha que ele.
— Nunca vi tanta beleza em uma mulher! — diz João.
— O senhor é gentil — disse Inês de Pires.
— Gostaria de passear comigo — perguntou João estendendo um braço para Inês.
— Claro! — concordou.
******

> estava na aula de Esgrima. O professor, um dos regentes explicava como manusear uma espada. Ele explicava detalhadamente, e seus irmãos observavam atentamente. demonstrava mais interesse, pois sabia que espadas eram movimentos para se defender ou atacar. O avô Eduardo III ainda vivia e o principe Richard era pequeno demais. O avô Eduardo III estava terrivelmente doente e fora declarado que em breve iria aos ceús. compreendia que mortes eram necessárias, mas também compreendia que o jogo do poder era mais do que isso. Se conseguisse fazer com que seu pai fosse rei, ele não precisaria lhe arranjar um casamento um dia. Precisava agir com calculo e detalhar cada parte de seu plano.
—...Isso que a senhora está pedindo é asqueroso demais, senhora! — diz Ana Vera a sua senhora — Tem noção do que podem fazer conosco — perguntou.
— Por isso é você quem vai fazer. É minha serva. Ninguém vai suspeitar de você — diz friamente — Você só precisa conseguir um veneno e colocar na bebida do meu avô. Assim ele morre e o trono fica mais perto do meu pai, João de Gante!
— Mas porque matar seu próprio avô, princesa — pergunta Ana Vera, mas ao ver que não fala, assente " Será feito como a senhora desejar. O senhor Eduardo III morre em breve.
sorriu. Um sorriso que surpreendentemente chegou a seus olhos. A tarde começava a ganhar uma tonalidade mais sublime. Em meio a isso, um menino moreno, cabelos negros como a cor do ébano brincava entre as plantas. O dia continuou a se passar. A cidade em Inglaterra também se passava naturalmente. Servos e nobres passavam. voltou para seus afazeres, aprendendo sobre a corte e até mesmo voltando a seus aposentos. A noite Ana Vera coloca um pouco de veneno na bebida de Eduardo III que bebe sem nada perceber. O rei que já não estava bem, totalmente agora morria aos poucos. Tivera um enfarte fulminante e morreu. quando ouviu sentiu pena, mas comemorou. Agora ao menos o trono estava mais próximo de seu pai, João de Gante. Era consideravel que o próximo na linha de sucessão fosse seu pai ou algum de seus tios. Assim sendo, ela podia adiar um seu futuro casamento e também ter uma boa posição na corte. O velamento de Eduardo III foi intenso. A família velava pelo homem, mas ao mesmo tempo alguns mais gananciosos queriam já o trono do antigo rei. No dia seguinte, foi decretado:
—A última vontade do rei Eduardo III era que o trono fosse de seu neto, Richard. Richard só tem dez anos, então obviamente precisa de um regente. Devemos escolher — disse um dos conselheiros.
Richard de dez anos olhou para todos, incluindo o tio João de Gante. Ele não sabia o que dizer, mas de certo o tio saberia o que dizer.
— Ele é uma criança, precisa de um regente! — disse João de Gante.
— Mas quem — disse a mãe de Richard.
— O papai poderia ser, ele serve a coroa — deduziu logicamente.
O salão parou. Uma adolescente feminina sábia. Obviamente, a escolha mais sábia era João de Gante. Ele era um dos filhos mais velhos do rei e também era um estrategista habilidoso. Ele poderia ser um regente em potencial.
— Precisamos discutir isso — disse um dos conselheiros — Na camara principal, amanha!
seguiu para seu quarto.
******

No dia seguinte, acordou com o som de seus irmãos, Henrique, e vindo conversar. Eles pareciam nervosos. Era manhã ainda, possivelmente estavam falando sobre a morte do avô. Eram jovens demais para acompanhar estes assuntos, principalmente .
—...É verdade — perguntou — Nosso avô morreu...
— Sim — disse tristemente.
— Mas como ele morreu. Sei que estava doente, mas... — começou Henrique.
— O que importa é que Richard agora herdará o trono e nosso pai será regente — disse animada.
— Então, agora somos herdeiros do trono! — perguntou Henrique de olhos arregalados.
— Talvez — sorriu .
— Crianças! — chama Ana Vera — É hora de ir para seus quartos. A princesa precisa tomar o café da manhã. Vocês tem aula logo — disse.
Eles assentiram.
— Obrigada Ana — agradeceu .
— Como a princesa está — perguntou — Ainda não acredito no que houve.
— Eu não queria que ele morresse — admitiu — Mas era... — murmurou essa parte só para si mesmo.
— Era o que senhora — perguntou Ana Vera.
— Era necessário. Ele tinha que morrer para que meu pai se aproximasse do trono — disse — Não podemos nos culpar!
— Vou tentar senhora, aqui está seu café da manhã — mostrou.
começou a tomar o café da manhã com fome, enquanto pensava nos acontecimentos do dia anterior. De fato, ela agira mal, não deveria ter dado aquele ordem, mas foi um mau necessário. Seu pai precisava dessa brecha. O sol da manhã começava e o sol aumentava ainda mais, causando pequenas ondas de calor. O palacio começa a discutir sobre que caminhos tomar, mas fica decidido que seu pai João de Gante vai ser regente durante a menoridade de Ricardo. E assim os dias se passam enquanto durante aquelas semanas, em Portugal, o principe João se envolve com a jovem Inês. Na França, por sua vez, o jovem delfim da França, Charles se preparava para reinar quando o pai morresse. Enquanto isso, no reino de Bohun, a jovem Marie colhia flores. Quais seriam os próximos caminhos. Veremos...

Capítulo IV - Filipa

O sol se punha naturalmente em solo inglês. A chuva não se fazia presente, apenas o brilho diurno da manhã. O sol queimava nas narinas de quem trabalhava naquele dia. Não muito longe dali, uma jovem de pele morena, cabelos negros e nem muito alta nem muito baixa, mas com um sorriso calmo e sereno estudava os protocolos reais. Vinda diretamente de Portugal, Acline tinha uma beleza impenetrável. Ela estava ali estudando sobre os próximos acordos matrimoniais entre os ingleses e outros reinos e como tudo isso poderia beneficiar Portugal. Com passos decididos, Acline observava tudo à sua volta.
-...A princesa de Inglaterra, de tem boa ascensão. Tem apenas dezesseis quase dezessete anos e já demonstra uma sabedoria além de sua idade — observa.

*********


1377, Castelo Inglês

acordou em mais um dia pensativa. Seu pai João de Gente já detinha poder. No dia anterior foi feito regente do pequeno príncipe Ricardo, mas será que o pai um dia seria rei? O pequeno Ricardo agora crescia bem. Mas ao menos o pai tinha ainda mais poder, agora como regente. Ana Vera entrou com passos delicados, abrindo a janela. queria protestar, mas viu que já era de manhã.

“Tens aula de música agora princesa” diz a serva.

“Quem inventou a música?“ Lamenta . “Eu estava tão bem nos meus sonhos.

Ao abrir os olhos, se dá conta de que amanheceu. Mais um dia de 1377 se iniciando. Varre todo o dormitório a procura de seus irmãos já que já devem ter ido tomar o café da manhã e fazer suas atividades.

— Não quis acordar, senhora. Estava tendo um sonho tão bom — comenta Ana Vera.

— Fez bem — sorri — Você tem sido leal Ana Vera.

— Continuarei sendo — diz Ana Vera com um sorriso.

— Ótimo.“ Diz a jovem “Mandem preparar meu desjejum. Estou com fome.

Ana Vera assente indo preparar o desjejum e voltando momentos depois trazendo doces, pães e receitas que somente os ingleses conhecem saboreou um a um dos doces.
— Muito bom — elogiou. — Meu primo e meu pai já estão na sala do trono — perguntou e Ana Vera assentiu.
— Príncipe Ricardo e o regente João de Gante já estão na sala do trono.
— Perfeito! — diz . — Me mantenha informada.
segue para a aula de música. Enquanto anda pode sentir os olhares de todos sobre si. começa a caminhar pelo corredor de pedras, no palácio dourado. Ela segue, ouvindo comentários maliciosos sobre ela. As pessoas sussurram coisas como " a princesa que é mal preparada e fraca. " . Ela aperta as mãos em punho e segue andando. Ela passa por alguns nobres, Acline dentre eles.

She was more like a beauty queen from a movie scene
I said, "Don't mind, but what do you mean, I am the one
Who will dance on the floor in the round?"
She said I am the one
Who will dance on the floor in the round
She told me her name was Billie Jean as she caused a scene
Then every head turned with eyes that dreamed of bein' the one
Who will dance on the floor in the round
People always told me, "Be careful of what you do
Don't go around breakin' young girls' hearts" (hee-hee)
And mother always told me, "Be careful of who you love
And be careful of what you do (oh-oh)
'Cause the lie becomes the truth" (oh-oh), hey-ey


— Chegou atrasada sente-se — disse o professor.
se sentou entre os irmãos e primos. Principes e princesas. Notou como o olhar de alguns percorriam sobre ela, como se avaliassem potencial inimiga ou aliada. Ela sorriu notando que aqueles mesmos que a avaliavam um dia a veriam reinando. Ela era a irmã menos brilhante mas mais educada, aquela que ninguém veria no trono. Quando o professor falou em uma música, ela citou:
— Em nome de patri, filius e Espirit Saint — e cantou.
O tutor ficou admirado.
— Muito bem, princesa! — elogiou.

*********


-...Está diferente, — elogia seu irmão Henrique IV — Mais madura. Mais firme.
— Seus olhos irmão — diz docemente — Só me preocupo com o trono.
— Deveria — concorda Henrique — O nosso primo não deveria estar no trono e sim nosso pai.
assente, como se entendesse.
A tarde foi fazer outras coisas. Como tecer vestidos, conversar com outras jovens da corte e descansar. Numa árvore de marmoré em meio aos jardins do pálacio, a princesa está descansando quando um jovem se aproxima.

*********


-..Vossa Majestade! — chamou João de Gante a seu sobrinho Ricardo que ainda era jovem — Uma aliança com a França seria..perigosa!
— Eu concordo Vossa Majestade — diz outro dos nobres.
— Mas eles tem uma filha, Isabelle... — comenta Ricardo.

*********


observou o jovem ir embora. A conversa fora revigorante. Ela pôde entender a complexidade de seu poder. Ela era princesa de Inglaterra, porquanto não tinha opção a não ser se casar com um bom príncipe ou rei. Ela não deveria ser feliz. Quando voltou para dentro, estava quase anoitecendo. Jantou com a família e irmãos e foi para seus aposentos. A noite pôde sonhar com um futuro melhor. Talvez um mundo onde ela pudesse ser ela mesma. Onde ela não precisasse matar sua própria parentela para obter poder.

Lá vai uma chalana

Bem longe se vai
Navegando no remanso
Do rio Paraguai

Oh, chalana, sem querer
Tu aumentas minha dor
Nessas águas tão serenas
Vais levando meu amor

Oh, chalana, sem querer
Tu aumentas minha dor
Nessas águas tão serenas
Vais levando meu amor

E assim ela se foi
Nem de mim se despediu
A chalana vai sumindo
Na curva lá do rio

E se ela vai magoada
Eu bem sei que tem razão
Fui ingrato, eu feri
O seu meigo coração

Oh, chalana, sem querer
Tu aumentas minha dor
Nessas águas tão serenas
Vais levando meu amor

Oh, chalana, sem querer
Tu aumentas minha dor
Nessas águas tão serenas
Vais levando meu amor

TRÊS ANOS DEPOIS...
1380, INGLATERRA,

Ana Vera acordou suando. Seu sonho havia sido estranho. Sonhara com o espirito de Eduardo III, no sonho o mesmo pedia ajuda após ter acordado morto. Ana Vera suou, mas quando olhou ao redor estava em seu quarto normal no palácio de servas. Já haviam se passado três anos, mas ela não se esquecera da morte de seu senhor. por sua vez já tinha quase vinte anos. Cabelos loiros, dona de uma beleza incomparável, a jovem cresceu não apenas em aparência, mas em sabedoria também. com seus dezenove anos, aprendeu que a verdadeira sabedoria está em guardar segredos que não devia guardar.
— Eu sinto muito avô. — disse ela certa vez — Por sua morte.
O rei atual é Ricardo II. O novo rei da Inglaterra agora com 13 anos, assumiu o trono completamente. O pai de Filipe e Henrique IV, João de Gante deixara de ser regente e Ricardo governava com sabedoria, mas dificuldade.
— E se ele não for bom rei — perguntou Henrique no que parecia ser uma manhã para a irmã — Receio que ele não seja um bom rei.
— Ele vai ser — promete — Afinal, ele é um Lencaster.
Henrique saiu e continuou ali, observando as estrelas, enquanto Ana Vera se aproximava após o sonho que tivera...

Continua...
Nota da autora
Sem nota.
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