Capítulo 1
P.O.V. SIRIUS
— Eu não acredito que você vai fazer isso comigo, Pontas! — exclamei, furioso. — Depois de dois anos com você e sua família, você está me pedindo para não passar o feriado de natal no lugar onde eu moro?! — Praticamente rugi aquelas palavras, indignado.
— Almofadinhas, eu não queria que fosse assim — James começou, parecendo realmente preocupado. — Mas... — os seus olhos brilharam —, Lily aceitou passar o natal lá em casa. Dá pra acreditar? Depois de todos esses anos, ela finalmen...
— O ASSUNTO NÃO É ESSE! — berrei, assustando alguns alunos que passavam por nós no caminho. — Que foi, hein?! — falei alto para um terceiranista que parou para nos encarar, mas logo saiu correndo.
— Olha, eu só queria ter um pouco de privacidade com minha namorada — ele falou, parecendo não acreditar nas próprias palavras. — Achei que você mesmo pudesse ficar meio desconfortável...
— Só não quer que eu esteja no seu quarto à noite caso ela faça alguma fuga noturna para lá, né? — bufei, cruzando os braços.
— Exatamente! Que bom que você me entende! — James sorriu abertamente.
— NÃO ENTENDO PORRA NENHUMA! Como você pode trocar seu melhor amigo por uma... por uma... por uma garota?
— Não é uma garota, é a Lily! E achei que você gostasse dela, Almofadinhas.
— E eu gosto! Mas não gosto de passar o Natal em Hogwarts sozinho enquanto você fica pegando sua namorada!
— Quando você coloca assim, quase me comove. — Pontas então suspirou, desfazendo o sorriso travesso. — Olha, eu sei que não é como você esperava, mas entenda o meu lado também! Eu to há 7 anos atrás dessa garota e ela finalmente tá comigo! Caramba, Sirius, quantas vezes você não me viu irritado só porque eu não conseguia a atenção dela?
— Enquanto isso, você sempre teve a minha. — Bufei.
— Ora, Almofadinhas, não me diga que tá com ciúmes! — Potter começou a rir.
— Estou com ciúmes da ceia de natal que ela vai receber. E do tempo que vai passar com o meu melhor amigo.
— Que vai continuar sendo seu melhor amigo quando voltarmos para Hogwarts.
— Quando não estiver ocupado com ela — repliquei.
— Ora, Sirius, ninguém prega uma peça como você. Não daria pra fazer isso com Lily, né?
— Certo... — Comecei a me acalmar um pouco.
— E, além disso, você não disse que recebeu uma carta de Andrômeda te convidando para o Natal? Não parece que vai ter um grande evento ou algo assim?
— Pontas, como você ousa, depois de me expulsar da sua casa, insinuar que eu passe o natal com as pessoas que eu mais odeio no mundo? — indaguei, voltando a ficar nervoso, e dando um soco em seu ombro.
— Era só uma sugestão! Você não disse que ela implorou para que você fosse?
— Só porque eu sou o único parente incrível daquela família.
— Mas pense nisso como uma oportunidade de importuná-los!
— Ou de cometer suicídio — repliquei.
— Vamos combinar assim. Se estiver um inferno na casa...
— O que com certeza vai estar — repliquei.
— Você me escreve e nós dois voltamos para Hogwarts mais cedo, combinado?
— Escrever a qualquer momento? — perguntei, sondando os termos daquele acordo.
— Dois dias. Tente ficar dois dias lá e, se for um inferno, despache Pulguento — ele falou, se referindo a minha coruja.
— E você volta imediatamente?
— Imediatamente.
— E se a sua resposta não chegar em dois dias, eu posso aparatar no meio do seu quarto para tirar de Lily qualquer insanidade que bateu nela quando decidiu namorar você?
— Combinadíssimo. Mas acho que isso faria ela odiar muito mais você do que eu.
— Acho que ela já não gosta muito de mim por causa do Ranhoso — repliquei, dando de ombros.
— Não é verdade. Ela gosta de você. E você sabe que ela parou de falar com o Seboso desde aquela vez quando ele a ofendeu e começou a ficar amiguinho dos comensais. — Os punhos de James se fecharam com força.
— Melhor decisão da vida.
— Mas, então… O que você acha? — Pontas falou, de repente nervoso.
Eu sabia que ele se preocupava comigo. Cacete, não se é melhor amigo de alguém há sete anos sem se importar com o outro. Na verdade, era melhor dizermos irmãos, depois que Fleamont e Euphemia Potter me adotaram como um filho. Eu sabia que ele não me pediria isso se não estivesse realmente querendo ficar com Evans. Eu sabia que ele faria o mesmo por mim, embora essa situação nunca fosse acontecer já que, diferente de James, eu não conseguia ficar com alguém por mais de uma semana. A sorte é que a escola tinha tantas garotas quanto semanas.
Eu respirei fundo. Sabia o que era certo.
— Tá bem. Mas — acrescentei rapidamente quando o vi comemorando —, você tá me devendo essa. E to falando sério sobre aparatar no seu quarto. Espero que aproveite o seu natal de três dias porque não vai passar disso.
— Obrigada, Almofadinhas! — ele disse, me abraçando.
— Calma aí, não precisa ficar tão emocionado!
— E eu sei que to te devendo essa. Posso começar te ajudando em como estragar o Natal Black. Acho que sua presença já é um bom começo. — Ele riu, passando a mão e arrepiando os cabelos, sempre exibido.
Naquele momento, uma garota de cabelos ruivos passou perto de nós e foi em direção à Torre da Grifinória, deixando para trás um leve perfume floral.
De repente, tive um estalo.
— Eu tenho a ideia perfeita — falei para James, que me acompanhou em um sorriso travesso.
P.O.V.
No meu primeiro ano em Hogwarts, depois de ser colocada na Grifinória, eu me senti bem deslocada, pois a única outra menina da casa do meu ano, Lily Evans, já tinha um melhor amigo na Sonserina e só andava com ele. A salvação da minha vida foi quando conheci Dana Smith, uma grifinória um ano mais velha. E minha melhor amiga. Também acabei amiga das outras meninas mais velhas. Não é que eu não falava com Lily, afinal, ela meio que falava com todo mundo, mas não éramos tão amigas. E, quando ela se afastou do melhor amigo e Dana se formou em Hogwarts, uma suposta chance de começar a nossa amizade, Lily começou a namorar James Potter, um dos garotos problemas da escola. E, assim, eu acabei meio isolada — de novo.
Eu continuava falando com Dana por cartas e eu conhecia algumas pessoas do meu ano, mas não sei se poderia considerar ninguém ali meu amigo.
E para melhorar a situação, meu único parente vivo, meu pai, era um trouxa que se casara novamente e tinha uma nova família, então tudo que ele não queria era uma filha anormal por perto. Minha mãe, também trouxa, havia falecido quando eu tinha dois anos e meu pai se casou pela segunda vez quando eu tinha cinco. Mas, depois que eu, ele e minha madrasta descobrimos a verdade quando um professor de Hogwarts nos visitou e me disse que eu era bruxa, eles nunca mais falaram comigo. Pareciam me achar uma ameaça para seus filhos lindos e completamente normais. Eu voltava para casa apenas nas férias e eles sempre conseguiam me largar com algum vizinho.
Por isso, eu sempre passava as férias de Natal na casa de Dana. Mas, agora que ela estava viajando para os Estados Unidos, pesquisando sobre as profissões bruxas no país, não podia passar o Natal lá. Então, estaria completamente sozinha em Hogwarts naquele ano.
Ou pelo menos eu pensava.
— EI! ! — Ouvi alguém gritar quando eu estava quase chegando na sala comunal e, ao me virar, encontrei a pessoa que menos esperava: Sirius Black.
Observei enquanto ele se aproximava, parecendo muito tranquilo.
— O que foi, Black? — perguntei, desconfiada.
Quando estávamos no quarto ano, ele me chamou para ir a Hogsmeade com ele, mas, uma semana e meia depois, já estava ficando com Emily Bloom, uma lufana com uma risadinha irritante. E, logo depois, Pamela Abbott, do quinto ano. E assim por diante. Porque esse era Sirius Black.
— Eu queria saber: você vai passar o Natal em Hogwarts, certo? Vi você se inscrever com a McGonagall.
— Então é óbvio que eu vou — retruquei, irritada. O que ele queria?
— Calma, lindinha. Só estou confirmando. — E ele sorriu quando revirei os olhos diante do apelido. Se eu fosse chutar, só naquela semana, ele teria chamado três garotas diferentes assim.
— É isso? — questionei, impaciente, como se ele fosse um lembrete de que ia passar o Natal sozinha.
— Não, espera! É que... — Ele abriu um sorriso galanteador. — Eu gostaria de saber se você quer passar o Natal comigo e com minha família. — E piscou para mim, como se, jogando um pouco de charme, ele pudesse ter tudo na mão.
Na verdade, era o que sempre acontecia. Mas eu não cedi aos seus encantos. Não completamente.
— Por quê? — questionei, agora menos irritada e mais confusa.
— Porque... porque... — O sorriso vacilou por um momento, mas ele compensou com um duas vezes maior quando pensou em uma resposta. — Porque você é a garota mais legal da escola.
— Tão legal que quase não tem amigos?
— Ora, eu tenho três e me acho o cara mais legal do mundo.
— Isso está bem óbvio. Mas não colou. Quais os seus verdadeiros motivos, Black?
— Eu... eu... — Ele vacilou de novo, então suspirou e falou. — Olha, eu normalmente passo o natal com Potter, mas ele vai estar... han... ocupado esse ano e, bom, digamos que minha família não reconhece o filho maravilhoso que eles têm.
— Então por que vai passar o Natal com eles e não aqui?
— Porque uma prima minha pediu para eu ir, a única outra familiar decente, entende? Eu quero ajudá-la, porque ela ainda é obrigada a ir. Mas eu não queria passar por isso sozinho e, bom, o tempo que passamos juntos foi realmente divertido…
— O nosso tempo juntos foi há três anos atrás. Isso se a gente considerar isso um tempo juntos — repliquei.
— E mesmo assim nunca mais eu me esqueci. — Ele sorriu. — De verdade, . Eu preciso de um amigo, e diria que você é a mais próxima que eu teria disso nesse cenário.
Ele parecia tão sincero que meu coração acelerou um pouco. Não, , mantenha o foco!
— Por que eu tenho a impressão de que você está me chamando por ser a única idiota que vai passar o Natal em Hogwarts?
— Não seja boba. Tiffany Bones também vai e não é ela que eu estou chamando.
Aquilo mexeu comigo. Tiffany era uma sextanista da Corvinal, considerada a garota mais bonita da escola, e eu sabia que ela já tinha saído com Black mais de uma vez. Ela era louquinha por ele. Sabia que, mesmo que ela não fosse passar o Natal em Hogwarts, se ele pedisse, era bem capaz de largar todos os seus planos para acompanhá-lo.
E, mesmo assim, ele estava me chamando. O garoto mais popular da escola estava me preferindo.
Tive que conter o sorriso bobo que surgiu, pois o meu ego estava bem inflado no momento.
— Além disso — ele continuou —, eu te garanto uma caneca de chocolate quente com mel todo dia?
Me sobressaltei, meio surpresa.
— Como você sabe que eu gosto disso?
— Foi seu pedido no nosso encontro. E você continua pedindo toda vez que vai no Três Vassouras.
Aquele comentário me amoleceu. Quantas vezes ele teria me observado com Dana em Hogsmeade?
Respirei fundo, tentando disfarçar o embaraço.
— Eu vou pensar no seu caso.
Ele pareceu aliviado.
— Me dá a resposta até amanhã? — ele pediu, novamente jogando charme.
Revirei os olhos.
— Se ela for positiva, você vai recebê-la.
E saí, antes que ele pudesse me ver agindo como uma completa idiota.
— Eu não acredito que você vai fazer isso comigo, Pontas! — exclamei, furioso. — Depois de dois anos com você e sua família, você está me pedindo para não passar o feriado de natal no lugar onde eu moro?! — Praticamente rugi aquelas palavras, indignado.
— Almofadinhas, eu não queria que fosse assim — James começou, parecendo realmente preocupado. — Mas... — os seus olhos brilharam —, Lily aceitou passar o natal lá em casa. Dá pra acreditar? Depois de todos esses anos, ela finalmen...
— O ASSUNTO NÃO É ESSE! — berrei, assustando alguns alunos que passavam por nós no caminho. — Que foi, hein?! — falei alto para um terceiranista que parou para nos encarar, mas logo saiu correndo.
— Olha, eu só queria ter um pouco de privacidade com minha namorada — ele falou, parecendo não acreditar nas próprias palavras. — Achei que você mesmo pudesse ficar meio desconfortável...
— Só não quer que eu esteja no seu quarto à noite caso ela faça alguma fuga noturna para lá, né? — bufei, cruzando os braços.
— Exatamente! Que bom que você me entende! — James sorriu abertamente.
— NÃO ENTENDO PORRA NENHUMA! Como você pode trocar seu melhor amigo por uma... por uma... por uma garota?
— Não é uma garota, é a Lily! E achei que você gostasse dela, Almofadinhas.
— E eu gosto! Mas não gosto de passar o Natal em Hogwarts sozinho enquanto você fica pegando sua namorada!
— Quando você coloca assim, quase me comove. — Pontas então suspirou, desfazendo o sorriso travesso. — Olha, eu sei que não é como você esperava, mas entenda o meu lado também! Eu to há 7 anos atrás dessa garota e ela finalmente tá comigo! Caramba, Sirius, quantas vezes você não me viu irritado só porque eu não conseguia a atenção dela?
— Enquanto isso, você sempre teve a minha. — Bufei.
— Ora, Almofadinhas, não me diga que tá com ciúmes! — Potter começou a rir.
— Estou com ciúmes da ceia de natal que ela vai receber. E do tempo que vai passar com o meu melhor amigo.
— Que vai continuar sendo seu melhor amigo quando voltarmos para Hogwarts.
— Quando não estiver ocupado com ela — repliquei.
— Ora, Sirius, ninguém prega uma peça como você. Não daria pra fazer isso com Lily, né?
— Certo... — Comecei a me acalmar um pouco.
— E, além disso, você não disse que recebeu uma carta de Andrômeda te convidando para o Natal? Não parece que vai ter um grande evento ou algo assim?
— Pontas, como você ousa, depois de me expulsar da sua casa, insinuar que eu passe o natal com as pessoas que eu mais odeio no mundo? — indaguei, voltando a ficar nervoso, e dando um soco em seu ombro.
— Era só uma sugestão! Você não disse que ela implorou para que você fosse?
— Só porque eu sou o único parente incrível daquela família.
— Mas pense nisso como uma oportunidade de importuná-los!
— Ou de cometer suicídio — repliquei.
— Vamos combinar assim. Se estiver um inferno na casa...
— O que com certeza vai estar — repliquei.
— Você me escreve e nós dois voltamos para Hogwarts mais cedo, combinado?
— Escrever a qualquer momento? — perguntei, sondando os termos daquele acordo.
— Dois dias. Tente ficar dois dias lá e, se for um inferno, despache Pulguento — ele falou, se referindo a minha coruja.
— E você volta imediatamente?
— Imediatamente.
— E se a sua resposta não chegar em dois dias, eu posso aparatar no meio do seu quarto para tirar de Lily qualquer insanidade que bateu nela quando decidiu namorar você?
— Combinadíssimo. Mas acho que isso faria ela odiar muito mais você do que eu.
— Acho que ela já não gosta muito de mim por causa do Ranhoso — repliquei, dando de ombros.
— Não é verdade. Ela gosta de você. E você sabe que ela parou de falar com o Seboso desde aquela vez quando ele a ofendeu e começou a ficar amiguinho dos comensais. — Os punhos de James se fecharam com força.
— Melhor decisão da vida.
— Mas, então… O que você acha? — Pontas falou, de repente nervoso.
Eu sabia que ele se preocupava comigo. Cacete, não se é melhor amigo de alguém há sete anos sem se importar com o outro. Na verdade, era melhor dizermos irmãos, depois que Fleamont e Euphemia Potter me adotaram como um filho. Eu sabia que ele não me pediria isso se não estivesse realmente querendo ficar com Evans. Eu sabia que ele faria o mesmo por mim, embora essa situação nunca fosse acontecer já que, diferente de James, eu não conseguia ficar com alguém por mais de uma semana. A sorte é que a escola tinha tantas garotas quanto semanas.
Eu respirei fundo. Sabia o que era certo.
— Tá bem. Mas — acrescentei rapidamente quando o vi comemorando —, você tá me devendo essa. E to falando sério sobre aparatar no seu quarto. Espero que aproveite o seu natal de três dias porque não vai passar disso.
— Obrigada, Almofadinhas! — ele disse, me abraçando.
— Calma aí, não precisa ficar tão emocionado!
— E eu sei que to te devendo essa. Posso começar te ajudando em como estragar o Natal Black. Acho que sua presença já é um bom começo. — Ele riu, passando a mão e arrepiando os cabelos, sempre exibido.
Naquele momento, uma garota de cabelos ruivos passou perto de nós e foi em direção à Torre da Grifinória, deixando para trás um leve perfume floral.
De repente, tive um estalo.
— Eu tenho a ideia perfeita — falei para James, que me acompanhou em um sorriso travesso.
P.O.V.
No meu primeiro ano em Hogwarts, depois de ser colocada na Grifinória, eu me senti bem deslocada, pois a única outra menina da casa do meu ano, Lily Evans, já tinha um melhor amigo na Sonserina e só andava com ele. A salvação da minha vida foi quando conheci Dana Smith, uma grifinória um ano mais velha. E minha melhor amiga. Também acabei amiga das outras meninas mais velhas. Não é que eu não falava com Lily, afinal, ela meio que falava com todo mundo, mas não éramos tão amigas. E, quando ela se afastou do melhor amigo e Dana se formou em Hogwarts, uma suposta chance de começar a nossa amizade, Lily começou a namorar James Potter, um dos garotos problemas da escola. E, assim, eu acabei meio isolada — de novo.
Eu continuava falando com Dana por cartas e eu conhecia algumas pessoas do meu ano, mas não sei se poderia considerar ninguém ali meu amigo.
E para melhorar a situação, meu único parente vivo, meu pai, era um trouxa que se casara novamente e tinha uma nova família, então tudo que ele não queria era uma filha anormal por perto. Minha mãe, também trouxa, havia falecido quando eu tinha dois anos e meu pai se casou pela segunda vez quando eu tinha cinco. Mas, depois que eu, ele e minha madrasta descobrimos a verdade quando um professor de Hogwarts nos visitou e me disse que eu era bruxa, eles nunca mais falaram comigo. Pareciam me achar uma ameaça para seus filhos lindos e completamente normais. Eu voltava para casa apenas nas férias e eles sempre conseguiam me largar com algum vizinho.
Por isso, eu sempre passava as férias de Natal na casa de Dana. Mas, agora que ela estava viajando para os Estados Unidos, pesquisando sobre as profissões bruxas no país, não podia passar o Natal lá. Então, estaria completamente sozinha em Hogwarts naquele ano.
Ou pelo menos eu pensava.
— EI! ! — Ouvi alguém gritar quando eu estava quase chegando na sala comunal e, ao me virar, encontrei a pessoa que menos esperava: Sirius Black.
Observei enquanto ele se aproximava, parecendo muito tranquilo.
— O que foi, Black? — perguntei, desconfiada.
Quando estávamos no quarto ano, ele me chamou para ir a Hogsmeade com ele, mas, uma semana e meia depois, já estava ficando com Emily Bloom, uma lufana com uma risadinha irritante. E, logo depois, Pamela Abbott, do quinto ano. E assim por diante. Porque esse era Sirius Black.
— Eu queria saber: você vai passar o Natal em Hogwarts, certo? Vi você se inscrever com a McGonagall.
— Então é óbvio que eu vou — retruquei, irritada. O que ele queria?
— Calma, lindinha. Só estou confirmando. — E ele sorriu quando revirei os olhos diante do apelido. Se eu fosse chutar, só naquela semana, ele teria chamado três garotas diferentes assim.
— É isso? — questionei, impaciente, como se ele fosse um lembrete de que ia passar o Natal sozinha.
— Não, espera! É que... — Ele abriu um sorriso galanteador. — Eu gostaria de saber se você quer passar o Natal comigo e com minha família. — E piscou para mim, como se, jogando um pouco de charme, ele pudesse ter tudo na mão.
Na verdade, era o que sempre acontecia. Mas eu não cedi aos seus encantos. Não completamente.
— Por quê? — questionei, agora menos irritada e mais confusa.
— Porque... porque... — O sorriso vacilou por um momento, mas ele compensou com um duas vezes maior quando pensou em uma resposta. — Porque você é a garota mais legal da escola.
— Tão legal que quase não tem amigos?
— Ora, eu tenho três e me acho o cara mais legal do mundo.
— Isso está bem óbvio. Mas não colou. Quais os seus verdadeiros motivos, Black?
— Eu... eu... — Ele vacilou de novo, então suspirou e falou. — Olha, eu normalmente passo o natal com Potter, mas ele vai estar... han... ocupado esse ano e, bom, digamos que minha família não reconhece o filho maravilhoso que eles têm.
— Então por que vai passar o Natal com eles e não aqui?
— Porque uma prima minha pediu para eu ir, a única outra familiar decente, entende? Eu quero ajudá-la, porque ela ainda é obrigada a ir. Mas eu não queria passar por isso sozinho e, bom, o tempo que passamos juntos foi realmente divertido…
— O nosso tempo juntos foi há três anos atrás. Isso se a gente considerar isso um tempo juntos — repliquei.
— E mesmo assim nunca mais eu me esqueci. — Ele sorriu. — De verdade, . Eu preciso de um amigo, e diria que você é a mais próxima que eu teria disso nesse cenário.
Ele parecia tão sincero que meu coração acelerou um pouco. Não, , mantenha o foco!
— Por que eu tenho a impressão de que você está me chamando por ser a única idiota que vai passar o Natal em Hogwarts?
— Não seja boba. Tiffany Bones também vai e não é ela que eu estou chamando.
Aquilo mexeu comigo. Tiffany era uma sextanista da Corvinal, considerada a garota mais bonita da escola, e eu sabia que ela já tinha saído com Black mais de uma vez. Ela era louquinha por ele. Sabia que, mesmo que ela não fosse passar o Natal em Hogwarts, se ele pedisse, era bem capaz de largar todos os seus planos para acompanhá-lo.
E, mesmo assim, ele estava me chamando. O garoto mais popular da escola estava me preferindo.
Tive que conter o sorriso bobo que surgiu, pois o meu ego estava bem inflado no momento.
— Além disso — ele continuou —, eu te garanto uma caneca de chocolate quente com mel todo dia?
Me sobressaltei, meio surpresa.
— Como você sabe que eu gosto disso?
— Foi seu pedido no nosso encontro. E você continua pedindo toda vez que vai no Três Vassouras.
Aquele comentário me amoleceu. Quantas vezes ele teria me observado com Dana em Hogsmeade?
Respirei fundo, tentando disfarçar o embaraço.
— Eu vou pensar no seu caso.
Ele pareceu aliviado.
— Me dá a resposta até amanhã? — ele pediu, novamente jogando charme.
Revirei os olhos.
— Se ela for positiva, você vai recebê-la.
E saí, antes que ele pudesse me ver agindo como uma completa idiota.