01
Day One
nunca gostou da pressão para que decidisse logo o que faria com seu futuro. Também não gostava de se sentir obrigada a falar ou fazer o que quer que fosse, e odiava ainda mais a sensação de se sentir presa e restrita, e estes eram os motivos pelo qual a jovem se encontrava deitada na espreguiçadeira de sua casa de praia, em Bali, fazendo topless.
Poderiam julgá-la como imatura e mimada, mas ela já tinha deixado claro para os pais que só começaria a faculdade quando soubesse o que queria cursar, porém, parecia que o casal não a compreendia de jeito nenhum, perguntando sempre quando a caçula ingressaria no ensino superior.
Sabia que sumir do mapa por alguns dias não era certo, e sabia, melhor ainda, que seus problemas não desapareceriam. Ou que seus pais sequer faziam aquelas perguntas para que ela se sentisse mal consigo mesma, era apenas a forma deles de mostrar preocupação com o futuro de sua caçula. Mas ela precisava de um tempo para si, mesmo que esse tempo já estivesse quase ultrapassando quatro anos.
Estava tão absorta em seus pensamentos, que sequer ouviu a porta lateral ser aberta e o tom surpreso de um caralho que escapou da boca do homem que agora ocupava o mesmo lugar que ela. A música que antes saía alta das caixas de som parou, soando apenas através do celular. saiu de seus devaneios, franzindo o cenho enquanto encarava a playlist do Spotify, que continuava a tocar a música, tentando entender o que tinha acontecido.
— Com licença? — O tom de voz vacilante e incerto denunciava o nervosismo e a confusão do homem parado do outro lado do quintal, bloqueando a única entrada para a casa.
Os olhos de se arregalaram, levemente em pânico ao constatar que um desconhecido tinha invadido sua casa, e que, se morresse, a culpa seria apenas dela, por não ter avisado a ninguém que estava passando um tempo em Bali.
— Quem é você e o que está fazendo na minha casa? — pulou da espreguiçadeira e cruzou os braços na frente do corpo, tentando inutilmente cobrir seus seios despidos. — Como você entrou aqui? Melhor, saia já daqui e eu ignoro que isso aconteceu, ou então chamarei a polícia.
— Sua casa? — sentiu o rosto arder ao ver o homem questionar com um sorriso brincalhão, focando a atenção em seu rosto como se a reconhecesse. — Bom, respondendo a sua pergunta, eu entrei com a chave da casa.
— Eu realmente vou chamar a polícia. — A mais nova voltou a se aproximar da espreguiçadeira, mantendo o olhar fixo no homem, enquanto tateava o local à procura do celular.
— E vai falar o quê? Que eu invadi sua casa? — O tom de voz debochado fez piscar, atônita, tentando acreditar na audácia do desconhecido. — , cantor, produtor e invasor de casas nas horas vagas.
Os olhos de se arregalaram ainda mais — isso se possível — e fizeram uma varredura no homem à sua frente, mas a única coisa em que conseguia focar eram nos dois braços musculosos e quase inteiramente tatuados.
— o quê? — balbuciou confusa, ouvindo a risada do homem em seguida, e observando-o enquanto ele tirava o boné e o óculos escuro.
— , você sabe, eu costumava estar em uma boy band, atualmente canto sozinho. Seu irmão trabalha para mim. — O sorriso sacana permanecia em seus lábios, fazendo com o que se sentisse envergonhada por não ter reconhecido o cantor, mas não era como se ela estivesse tentando reconhecer o homem que tinha invadido sua casa.
Nunca cogitaria que essa pessoa seria um famoso que poderia, muito bem, alugar o quarteirão inteiro de mansões no qual a casa de praia de sua família ficava.
— É um prazer finalmente conhecer a famosa — voltou a falar ao perceber que a mulher continuava parada no mesmo lugar enquanto o encarava. — Eu adoraria apertar suas mãos em forma de cumprimento, mas acho que elas estão um pouco ocupadas.
— Muito engraçado você, senhor — respondeu de modo irônico, deixando uma risada irônica soar e fazendo o sorriso que estava no rosto do homem aumentar. — Vou me vestir e depois volto para você me explicar o que está fazendo aqui.
— Em Bali? — As grossas sobrancelhas arquearam de forma irônica conforme a voz grossa soava com um tom de diversão.
— Na minha casa.
ficou de costas para , parando de tampar os seios apenas para que pegasse o celular, voltando a tentar escondê-los logo em seguida. Apressou-se pelo caminho que a levaria de volta para o interior da casa e, ao passar ao lado do cantor, que ainda se encontrava no mesmo lugar, escutou uma risada baixa.
Adentrou a cozinha e notou um conjunto de malas deixado ali. Continuou seguindo em frente e parou no corredor que a distanciaria dos fundos da casa, e olhou para trás, vendo que agora encontrava-se na espreguiçadeira que antes era ocupada por ela.
Folgado.
Após conferir que o homem continuava na área externa, e, aparentemente, continuaria por lá, deixou seus seios livres novamente e desbloqueou o celular, tentando entrar em contato com o irmão enquanto seguia até a suíte que ocupava, no segundo andar.
Minutos depois, bufou alto após a quarta tentativa de ligação e jogou o celular na cama, seguindo para o closet a fim de procurar uma roupa, porém o toque do celular fez com o que a mulher pegasse a primeira blusa que encontrou. saiu rapidamente do closet enquanto vestia a peça, jogando-se na cama e atendendo ao celular antes que perdesse a ligação.
— O que é tão importante para que você me ligue às três e vinte da manhã após semanas sem entrar em contato? — O tom de voz ríspido e sonolento fez com o que suspirasse baixinho, sabia que era errado deixar o irmão sem notícias por dias e depois ligar para ele diversas vezes de madrugada, Jasper ficaria preocupado, como o bom irmão mais velho que era.
— Eu até me sentiria realmente culpada por essas coisas, se eu soubesse o que caralhos está fazendo na minha casa — a mulher disse, aumentando o tom de voz conforme falava, deixando de fora o fato de que se sentia, sim, culpada. — Imagina meu susto ao ver um homem estranho parado dentro da minha casa enquanto eu pegava sol.
— Isso não teria acontecido se você não estivesse tentando cortar contato comigo e me informasse onde você está. — Jasper usou o mesmo tom ríspido, porém não estava realmente bravo com a irmã, era apenas o fato de que se preocupava extremamente com ela. — Não tinha como eu adivinhar onde você estaria atualmente, muito menos em qual das nossas casas estariam, isso se não estivesse pagando por uma hospedagem onde quer que você estivesse.
— Certo, Jas, eu sei que eu errei em colocar você nessa exclusão só por causa dos nossos pais, saiba que eu não farei isso novamente — cedeu, assumindo um pouco da culpa. Estava acostumada com a presença do irmão e com as conversas diárias, as semanas que passou ignorando-o eram extremamente difíceis. — Mas vamos voltar ao ponto principal, o que caralhos está fazendo aqui?
— Você vai ter que perguntar isso diretamente para ele, mas saiba que eu deixei que ele se hospedasse aí. — resmungou e choramingou, implorando para que o irmão a respondesse. — Vou voltar a dormir, você que se entenda com . Conversaremos quando eu chegar aí, daqui a três dias.
abriu a boca para responder o irmão, mas ouviu o barulho da ligação sendo encerrada, então conteve-se em bufar. Ela sabia que o irmão estava puto por ela não ter dado notícias, mas ela o conhecia muito bem para saber que, se ele soubesse que ela estava em Bali, não demoraria muito para que ele deixasse a informação escapar para os pais.
Ela não estava realmente chateada com o irmão, sabia que ele a avisaria que tinha gente chegando na casa se ele ao menos tivesse noção de que ela estava lá, o fato de ter sido surpreendida era apenas culpa dela mesma.
Levantou-se da cama, arrumando a blusa que tinha posto de qualquer jeito, e vestiu o short jeans que estava jogado na cama. Não ligou de descer com a blusa amassada, já tinha visto parcialmente seus seios, uma blusa amassada não era nada em comparação, então seguiu para o quintal.
— Eu posso olhar ou você ainda não está devidamente vestida? — questionou de modo irônico ao notar se aproximando da espreguiçadeira.
— Não é como se tivesse algo aqui que você nunca viu — rebateu no mesmo tom de voz, e o cantor riu, tombando levemente a cabeça para o lado. — Estou vestida, pode olhar. Mas, convenhamos que, mesmo sem eu estar vestida, você já estava me encarando.
— Não sei do que você está falando — retrucou, sério, amaldiçoando-se mentalmente por não ser nem um pouco discreto.
— Tudo bem, se isso faz com o que se sinta melhor, vou fingir que é verdade. — deu de ombros. — Agora, que tal me contar o que está fazendo aqui, na minha casa?
— Pensei que a casa fosse da família — murmurou, arrancando de um revirar de olhos. — As coisas na Inglaterra estavam extremamente pesadas e eu poderia jurar que estava a ponto de surtar. Era muita coisa acontecendo ao mesmo tempo e eu estava completamente perdido no furacão que minha vida se tornou, precisava de um tempo longe do furacão e onde pudesse respirar.
— Isso explica sua vinda para Bali, mas não o motivo pelo qual você está na minha casa. — riu baixo. De fato, ela tinha um ponto.
— Se você me deixar terminar, vai conseguir compreender — falou simplesmente e sorriu, voltando a falar assim que observou que iria interrompê-lo. — Eu passei por um processo de troca de gravadoras e todas essas burocracias, consequentemente eu decidi mudar toda a minha equipe. A empresa de advocacia do seu pai foi extremamente bem recomendada por alguns conhecidos, então, ao fecharmos um contrato, o seu irmão acabou sendo meu advogado.
— Então quer dizer que agora Jasper empresta a nossa casa para os clientes dele que, se quiserem, podem comprar essa ilha inteira? — questionou de modo debochado enquanto encarava com uma das sobrancelhas arqueadas.
— Seu irmão e eu acabamos virando amigos nos últimos meses, e ele me emprestou a casa para que eu pudesse descansar sem que a imprensa conseguisse me rastrear — explicou e recebeu um simples balançar de ombros como resposta. não se importava verdadeiramente por qual motivo o homem estava ali, estava apenas curiosa para saber como tinha acabado em sua casa. — Eu posso comprar a ilha inteira, mas também sei muito bem que você também pode.
— Justo. — sorriu abertamente, não podia negar que era privilegiada, não tanto como o cantor, mas era.
— Acho que isso pertence a você — murmurou risonho ao balançar entre os dedos a parte de cima do biquíni da mulher.
— Obrigada, mas agora já não faz mais diferença — resmungou enquanto pegava o biquíni.
— Pode continuar pegando sol, não quero te atrapalhar — o cantor falou conforme se levantava da espreguiçadeira.
— Eu não vou voltar a pegar sol assim, não estou mais sozinha. — também se levantou e seguiu na frente do cantor. — Vamos, vou te mostrar onde você pode ficar.
— Não vou invadir sua privacidade, se você voltar a pegar sol daquele jeito, eu não vou olhar — falou rapidamente, e a mulher gargalhou. — Pode deixar que eu não estarei por perto nesses momentos.
— Não me diga que você está com vergonha, . — parou de andar e virou-se de frente para o cantor, encarando-o com uma sobrancelha arqueada.
— Não estou. Apenas gosto das coisas quando elas são recíprocas e possuem consentimento — respondeu simplesmente, o que deixou sem palavras por alguns segundos. — Ainda vai me mostrar qual será o meu quarto?
(...)
deixou no quarto de seus pais, tentava se convencer de que era pelo fato de que o cantor se sentiria muito mais confortável na suíte presidencial de seus pais do que no quarto de hóspedes — o qual ela sabia que estava em perfeitas condições para abrigar o homem —, mas sabia que o verdadeiro motivo era que com as portas praticamente paralelas, era muito mais fácil monitorar os movimentos de e saber quando ele estaria ou não por perto.
Estava basicamente com a mesma roupa de mais cedo, a camisa alguns números maior que seu corpo e uma calcinha — que substituía o biquíni de mais cedo — já que tinha tomado banho logo após deixar em seu quarto. Após se conhecerem de maneira peculiar, não se esbarraram mais pela casa, já que passou a tarde dormindo enquanto preparava algo para comer e arrumava as coisas no quarto que ocuparia pelos próximos dias.
saiu do quarto quando não conseguia mais ignorar a barriga roncando, e passou pelo corredor, notando a porta do quarto de fechada. Imaginou que ele estava se acostumando com a diferença do fuso horário e deu de ombros, pelo menos não precisaria voltar para o quarto e colocar novamente o short que lhe apertava, já que resolveu tirá-lo para dormir. Desceu as escadas, caminhando praticamente pelo breu, afinal, gostava da casa com as luzes apagadas.
Adentrou a cozinha e seguiu até a geladeira, não estava com vontade de cozinhar e sabia que possuía tudo o que precisava para fazer um sanduíche. O único momento que sentia falta dos empregados da casa era quando estava com fome e sem disposição para preparar algo, mas a jovem preferia ficar na casa e lidar com todo o trabalho — inclusive cozinhar — desde que pudesse andar completamente à vontade pelo local.
— Precisamos parar de nos encontrar com você sempre usando uma peça de roupa a menos que o recomendável — falou ao adentrar na cozinha e riu ao ver o pulo que a mulher deu.
— Desculpa, eu achei que você estava dormindo e que não me veria assim. Pensei que você demoraria a acordar por causa do jet lag. Eu passei pela porta do seu quarto e estava fechada, então achei que você não me veria assim e... — falava de modo rápido e apressado após se virar de frente para o cantor.
Sabia que ele a tinha visto basicamente igual mais cedo — com exceção do short que usava antes —, mas tinha plena noção que a calcinha minúscula estava bem visível para o homem devido ao fato de que ela estava inclinada na geladeira quando ele adentrou a cozinha.
— Eu não quero que a nossa convivência durante esses dias seja estranha, eu sei que você tem uma noiva e minha intenção não é te desrespeitar — ela continuou.
— , não... — começou a falar quando a mais nova deu uma pausa para respirar.
— Aliás, me desculpe pelo ocorrido de manhã. Se eu soubesse que alguém estava vindo para cá, eu não estaria daquele jeito e... — parou de falar e franziu o cenho ao escutar a risada do homem. — Não estou entendendo o motivo da graça, adoraria que você compartilhasse comigo,
— Eu não tenho uma noiva — respondeu simplesmente, e piscou atônita.
— Mas na internet dizia... — murmurou, e riu novamente, como se o simples fato de ela ter pesquisado sobre ele na internet fosse hilário.
— Sim, que eu já fui noivo por dois anos e meio, e que esse relacionamento me proporcionou um filho maravilhoso — o cantor falou com os olhos brilhando, era palpável o amor que ele sentia pelo filho. — Acho que você pode se atentar à data das matérias na próxima vez que pesquisar sobre mim, ou então me perguntar diretamente, adorarei sanar suas dúvidas.
— Muito engraçado, — resmungou, sentindo o rosto arder pela vergonha. — Eu só queria deixar claro que eu não sou nenhuma mulher que está tentando te seduzir e que eu não queria atrapalhar seu relacionamento, o que aconteceu mais cedo foi apenas um acidente.
— Sem problemas, seu irmão me explicou que não sabia que você estava aqui e que, consequentemente, você não sabia que eu estava chegando. — O cantor se sentou em uma das banquetas de frente para a bancada, ficando na direção de e mantendo seus olhos presos nela. — E não precisa pensar no meu relacionamento, já que eu não tenho um. Agora conte-me mais, quer dizer que você pesquisou sobre mim na internet?
— Eu só não queria me sentir culpada pelo que eu falei sobre você estar me encarando, até que eu li que você tinha um relacionamento e então percebi que você podia achar que eu estava flertando com você, mesmo sabendo que você tinha um relacionamento — explicou conforme arrumava na bancada seu sanduíche. — Você quer um também?
— Sim — respondeu e lhe estendeu o que tinha acabado de fazer. — Pode ter certeza que eu não achei nada disso, apenas fiquei extremamente confuso.
ocupou-se em mastigar após terminar sua fala, que só para constar era uma mentira deslavada. Era verdade que o cantor se sentiu extremamente confuso ao ver uma mulher na casa que supostamente deveria estar vazia, e que também não acreditava que ela estava flertando com ele quando a expressão da própria era de confusão também. Mas a partir do momento que observou melhor a desconhecida deitada na espreguiçadeira e notou que a nada cobria os — redondos e empinados — seios da mulher, a última coisa que ele sentiu foi confusão.
— Eu ia oferecer um suco, mas você já comeu praticamente tudo — resmungou e piscou os olhos, levando alguns segundos até compreender a fala da mulher.
— Estava muito bom, e acho que eu estava com mais fome do que eu imaginava — admitiu ao dar a última mordida na comida.
— Muito obrigada. — sorriu abertamente e retribuiu.
— Ainda estou acabado por causa do jet lag, senão eu adoraria fazer companhia para você — o cantor falou ao observar sentar-se para comer.
— Sem problemas, . — A jovem sorriu, já tinha passado vergonha o suficiente na frente do homem e atualmente preferia manter distância. Não tanta distância assim, já que agora sabia que ele era solteiro e, bem, um grande pedaço de mau caminho.
— Da próxima vez que quiser saber algo sobre mim, é só me perguntar, especialmente em relação a minha vida amorosa. — virou-se na direção da mulher e piscou, sumindo pelo breu logo depois e deixando parada na cozinha com uma cara de boba.
Afinal de contas, era . Não era como se ela fosse imune aos charmes e encantos daquele homem.
Poderiam julgá-la como imatura e mimada, mas ela já tinha deixado claro para os pais que só começaria a faculdade quando soubesse o que queria cursar, porém, parecia que o casal não a compreendia de jeito nenhum, perguntando sempre quando a caçula ingressaria no ensino superior.
Sabia que sumir do mapa por alguns dias não era certo, e sabia, melhor ainda, que seus problemas não desapareceriam. Ou que seus pais sequer faziam aquelas perguntas para que ela se sentisse mal consigo mesma, era apenas a forma deles de mostrar preocupação com o futuro de sua caçula. Mas ela precisava de um tempo para si, mesmo que esse tempo já estivesse quase ultrapassando quatro anos.
Estava tão absorta em seus pensamentos, que sequer ouviu a porta lateral ser aberta e o tom surpreso de um caralho que escapou da boca do homem que agora ocupava o mesmo lugar que ela. A música que antes saía alta das caixas de som parou, soando apenas através do celular. saiu de seus devaneios, franzindo o cenho enquanto encarava a playlist do Spotify, que continuava a tocar a música, tentando entender o que tinha acontecido.
— Com licença? — O tom de voz vacilante e incerto denunciava o nervosismo e a confusão do homem parado do outro lado do quintal, bloqueando a única entrada para a casa.
Os olhos de se arregalaram, levemente em pânico ao constatar que um desconhecido tinha invadido sua casa, e que, se morresse, a culpa seria apenas dela, por não ter avisado a ninguém que estava passando um tempo em Bali.
— Quem é você e o que está fazendo na minha casa? — pulou da espreguiçadeira e cruzou os braços na frente do corpo, tentando inutilmente cobrir seus seios despidos. — Como você entrou aqui? Melhor, saia já daqui e eu ignoro que isso aconteceu, ou então chamarei a polícia.
— Sua casa? — sentiu o rosto arder ao ver o homem questionar com um sorriso brincalhão, focando a atenção em seu rosto como se a reconhecesse. — Bom, respondendo a sua pergunta, eu entrei com a chave da casa.
— Eu realmente vou chamar a polícia. — A mais nova voltou a se aproximar da espreguiçadeira, mantendo o olhar fixo no homem, enquanto tateava o local à procura do celular.
— E vai falar o quê? Que eu invadi sua casa? — O tom de voz debochado fez piscar, atônita, tentando acreditar na audácia do desconhecido. — , cantor, produtor e invasor de casas nas horas vagas.
Os olhos de se arregalaram ainda mais — isso se possível — e fizeram uma varredura no homem à sua frente, mas a única coisa em que conseguia focar eram nos dois braços musculosos e quase inteiramente tatuados.
— o quê? — balbuciou confusa, ouvindo a risada do homem em seguida, e observando-o enquanto ele tirava o boné e o óculos escuro.
— , você sabe, eu costumava estar em uma boy band, atualmente canto sozinho. Seu irmão trabalha para mim. — O sorriso sacana permanecia em seus lábios, fazendo com o que se sentisse envergonhada por não ter reconhecido o cantor, mas não era como se ela estivesse tentando reconhecer o homem que tinha invadido sua casa.
Nunca cogitaria que essa pessoa seria um famoso que poderia, muito bem, alugar o quarteirão inteiro de mansões no qual a casa de praia de sua família ficava.
— É um prazer finalmente conhecer a famosa — voltou a falar ao perceber que a mulher continuava parada no mesmo lugar enquanto o encarava. — Eu adoraria apertar suas mãos em forma de cumprimento, mas acho que elas estão um pouco ocupadas.
— Muito engraçado você, senhor — respondeu de modo irônico, deixando uma risada irônica soar e fazendo o sorriso que estava no rosto do homem aumentar. — Vou me vestir e depois volto para você me explicar o que está fazendo aqui.
— Em Bali? — As grossas sobrancelhas arquearam de forma irônica conforme a voz grossa soava com um tom de diversão.
— Na minha casa.
ficou de costas para , parando de tampar os seios apenas para que pegasse o celular, voltando a tentar escondê-los logo em seguida. Apressou-se pelo caminho que a levaria de volta para o interior da casa e, ao passar ao lado do cantor, que ainda se encontrava no mesmo lugar, escutou uma risada baixa.
Adentrou a cozinha e notou um conjunto de malas deixado ali. Continuou seguindo em frente e parou no corredor que a distanciaria dos fundos da casa, e olhou para trás, vendo que agora encontrava-se na espreguiçadeira que antes era ocupada por ela.
Folgado.
Após conferir que o homem continuava na área externa, e, aparentemente, continuaria por lá, deixou seus seios livres novamente e desbloqueou o celular, tentando entrar em contato com o irmão enquanto seguia até a suíte que ocupava, no segundo andar.
Minutos depois, bufou alto após a quarta tentativa de ligação e jogou o celular na cama, seguindo para o closet a fim de procurar uma roupa, porém o toque do celular fez com o que a mulher pegasse a primeira blusa que encontrou. saiu rapidamente do closet enquanto vestia a peça, jogando-se na cama e atendendo ao celular antes que perdesse a ligação.
— O que é tão importante para que você me ligue às três e vinte da manhã após semanas sem entrar em contato? — O tom de voz ríspido e sonolento fez com o que suspirasse baixinho, sabia que era errado deixar o irmão sem notícias por dias e depois ligar para ele diversas vezes de madrugada, Jasper ficaria preocupado, como o bom irmão mais velho que era.
— Eu até me sentiria realmente culpada por essas coisas, se eu soubesse o que caralhos está fazendo na minha casa — a mulher disse, aumentando o tom de voz conforme falava, deixando de fora o fato de que se sentia, sim, culpada. — Imagina meu susto ao ver um homem estranho parado dentro da minha casa enquanto eu pegava sol.
— Isso não teria acontecido se você não estivesse tentando cortar contato comigo e me informasse onde você está. — Jasper usou o mesmo tom ríspido, porém não estava realmente bravo com a irmã, era apenas o fato de que se preocupava extremamente com ela. — Não tinha como eu adivinhar onde você estaria atualmente, muito menos em qual das nossas casas estariam, isso se não estivesse pagando por uma hospedagem onde quer que você estivesse.
— Certo, Jas, eu sei que eu errei em colocar você nessa exclusão só por causa dos nossos pais, saiba que eu não farei isso novamente — cedeu, assumindo um pouco da culpa. Estava acostumada com a presença do irmão e com as conversas diárias, as semanas que passou ignorando-o eram extremamente difíceis. — Mas vamos voltar ao ponto principal, o que caralhos está fazendo aqui?
— Você vai ter que perguntar isso diretamente para ele, mas saiba que eu deixei que ele se hospedasse aí. — resmungou e choramingou, implorando para que o irmão a respondesse. — Vou voltar a dormir, você que se entenda com . Conversaremos quando eu chegar aí, daqui a três dias.
abriu a boca para responder o irmão, mas ouviu o barulho da ligação sendo encerrada, então conteve-se em bufar. Ela sabia que o irmão estava puto por ela não ter dado notícias, mas ela o conhecia muito bem para saber que, se ele soubesse que ela estava em Bali, não demoraria muito para que ele deixasse a informação escapar para os pais.
Ela não estava realmente chateada com o irmão, sabia que ele a avisaria que tinha gente chegando na casa se ele ao menos tivesse noção de que ela estava lá, o fato de ter sido surpreendida era apenas culpa dela mesma.
Levantou-se da cama, arrumando a blusa que tinha posto de qualquer jeito, e vestiu o short jeans que estava jogado na cama. Não ligou de descer com a blusa amassada, já tinha visto parcialmente seus seios, uma blusa amassada não era nada em comparação, então seguiu para o quintal.
— Eu posso olhar ou você ainda não está devidamente vestida? — questionou de modo irônico ao notar se aproximando da espreguiçadeira.
— Não é como se tivesse algo aqui que você nunca viu — rebateu no mesmo tom de voz, e o cantor riu, tombando levemente a cabeça para o lado. — Estou vestida, pode olhar. Mas, convenhamos que, mesmo sem eu estar vestida, você já estava me encarando.
— Não sei do que você está falando — retrucou, sério, amaldiçoando-se mentalmente por não ser nem um pouco discreto.
— Tudo bem, se isso faz com o que se sinta melhor, vou fingir que é verdade. — deu de ombros. — Agora, que tal me contar o que está fazendo aqui, na minha casa?
— Pensei que a casa fosse da família — murmurou, arrancando de um revirar de olhos. — As coisas na Inglaterra estavam extremamente pesadas e eu poderia jurar que estava a ponto de surtar. Era muita coisa acontecendo ao mesmo tempo e eu estava completamente perdido no furacão que minha vida se tornou, precisava de um tempo longe do furacão e onde pudesse respirar.
— Isso explica sua vinda para Bali, mas não o motivo pelo qual você está na minha casa. — riu baixo. De fato, ela tinha um ponto.
— Se você me deixar terminar, vai conseguir compreender — falou simplesmente e sorriu, voltando a falar assim que observou que iria interrompê-lo. — Eu passei por um processo de troca de gravadoras e todas essas burocracias, consequentemente eu decidi mudar toda a minha equipe. A empresa de advocacia do seu pai foi extremamente bem recomendada por alguns conhecidos, então, ao fecharmos um contrato, o seu irmão acabou sendo meu advogado.
— Então quer dizer que agora Jasper empresta a nossa casa para os clientes dele que, se quiserem, podem comprar essa ilha inteira? — questionou de modo debochado enquanto encarava com uma das sobrancelhas arqueadas.
— Seu irmão e eu acabamos virando amigos nos últimos meses, e ele me emprestou a casa para que eu pudesse descansar sem que a imprensa conseguisse me rastrear — explicou e recebeu um simples balançar de ombros como resposta. não se importava verdadeiramente por qual motivo o homem estava ali, estava apenas curiosa para saber como tinha acabado em sua casa. — Eu posso comprar a ilha inteira, mas também sei muito bem que você também pode.
— Justo. — sorriu abertamente, não podia negar que era privilegiada, não tanto como o cantor, mas era.
— Acho que isso pertence a você — murmurou risonho ao balançar entre os dedos a parte de cima do biquíni da mulher.
— Obrigada, mas agora já não faz mais diferença — resmungou enquanto pegava o biquíni.
— Pode continuar pegando sol, não quero te atrapalhar — o cantor falou conforme se levantava da espreguiçadeira.
— Eu não vou voltar a pegar sol assim, não estou mais sozinha. — também se levantou e seguiu na frente do cantor. — Vamos, vou te mostrar onde você pode ficar.
— Não vou invadir sua privacidade, se você voltar a pegar sol daquele jeito, eu não vou olhar — falou rapidamente, e a mulher gargalhou. — Pode deixar que eu não estarei por perto nesses momentos.
— Não me diga que você está com vergonha, . — parou de andar e virou-se de frente para o cantor, encarando-o com uma sobrancelha arqueada.
— Não estou. Apenas gosto das coisas quando elas são recíprocas e possuem consentimento — respondeu simplesmente, o que deixou sem palavras por alguns segundos. — Ainda vai me mostrar qual será o meu quarto?
deixou no quarto de seus pais, tentava se convencer de que era pelo fato de que o cantor se sentiria muito mais confortável na suíte presidencial de seus pais do que no quarto de hóspedes — o qual ela sabia que estava em perfeitas condições para abrigar o homem —, mas sabia que o verdadeiro motivo era que com as portas praticamente paralelas, era muito mais fácil monitorar os movimentos de e saber quando ele estaria ou não por perto.
Estava basicamente com a mesma roupa de mais cedo, a camisa alguns números maior que seu corpo e uma calcinha — que substituía o biquíni de mais cedo — já que tinha tomado banho logo após deixar em seu quarto. Após se conhecerem de maneira peculiar, não se esbarraram mais pela casa, já que passou a tarde dormindo enquanto preparava algo para comer e arrumava as coisas no quarto que ocuparia pelos próximos dias.
saiu do quarto quando não conseguia mais ignorar a barriga roncando, e passou pelo corredor, notando a porta do quarto de fechada. Imaginou que ele estava se acostumando com a diferença do fuso horário e deu de ombros, pelo menos não precisaria voltar para o quarto e colocar novamente o short que lhe apertava, já que resolveu tirá-lo para dormir. Desceu as escadas, caminhando praticamente pelo breu, afinal, gostava da casa com as luzes apagadas.
Adentrou a cozinha e seguiu até a geladeira, não estava com vontade de cozinhar e sabia que possuía tudo o que precisava para fazer um sanduíche. O único momento que sentia falta dos empregados da casa era quando estava com fome e sem disposição para preparar algo, mas a jovem preferia ficar na casa e lidar com todo o trabalho — inclusive cozinhar — desde que pudesse andar completamente à vontade pelo local.
— Precisamos parar de nos encontrar com você sempre usando uma peça de roupa a menos que o recomendável — falou ao adentrar na cozinha e riu ao ver o pulo que a mulher deu.
— Desculpa, eu achei que você estava dormindo e que não me veria assim. Pensei que você demoraria a acordar por causa do jet lag. Eu passei pela porta do seu quarto e estava fechada, então achei que você não me veria assim e... — falava de modo rápido e apressado após se virar de frente para o cantor.
Sabia que ele a tinha visto basicamente igual mais cedo — com exceção do short que usava antes —, mas tinha plena noção que a calcinha minúscula estava bem visível para o homem devido ao fato de que ela estava inclinada na geladeira quando ele adentrou a cozinha.
— Eu não quero que a nossa convivência durante esses dias seja estranha, eu sei que você tem uma noiva e minha intenção não é te desrespeitar — ela continuou.
— , não... — começou a falar quando a mais nova deu uma pausa para respirar.
— Aliás, me desculpe pelo ocorrido de manhã. Se eu soubesse que alguém estava vindo para cá, eu não estaria daquele jeito e... — parou de falar e franziu o cenho ao escutar a risada do homem. — Não estou entendendo o motivo da graça, adoraria que você compartilhasse comigo,
— Eu não tenho uma noiva — respondeu simplesmente, e piscou atônita.
— Mas na internet dizia... — murmurou, e riu novamente, como se o simples fato de ela ter pesquisado sobre ele na internet fosse hilário.
— Sim, que eu já fui noivo por dois anos e meio, e que esse relacionamento me proporcionou um filho maravilhoso — o cantor falou com os olhos brilhando, era palpável o amor que ele sentia pelo filho. — Acho que você pode se atentar à data das matérias na próxima vez que pesquisar sobre mim, ou então me perguntar diretamente, adorarei sanar suas dúvidas.
— Muito engraçado, — resmungou, sentindo o rosto arder pela vergonha. — Eu só queria deixar claro que eu não sou nenhuma mulher que está tentando te seduzir e que eu não queria atrapalhar seu relacionamento, o que aconteceu mais cedo foi apenas um acidente.
— Sem problemas, seu irmão me explicou que não sabia que você estava aqui e que, consequentemente, você não sabia que eu estava chegando. — O cantor se sentou em uma das banquetas de frente para a bancada, ficando na direção de e mantendo seus olhos presos nela. — E não precisa pensar no meu relacionamento, já que eu não tenho um. Agora conte-me mais, quer dizer que você pesquisou sobre mim na internet?
— Eu só não queria me sentir culpada pelo que eu falei sobre você estar me encarando, até que eu li que você tinha um relacionamento e então percebi que você podia achar que eu estava flertando com você, mesmo sabendo que você tinha um relacionamento — explicou conforme arrumava na bancada seu sanduíche. — Você quer um também?
— Sim — respondeu e lhe estendeu o que tinha acabado de fazer. — Pode ter certeza que eu não achei nada disso, apenas fiquei extremamente confuso.
ocupou-se em mastigar após terminar sua fala, que só para constar era uma mentira deslavada. Era verdade que o cantor se sentiu extremamente confuso ao ver uma mulher na casa que supostamente deveria estar vazia, e que também não acreditava que ela estava flertando com ele quando a expressão da própria era de confusão também. Mas a partir do momento que observou melhor a desconhecida deitada na espreguiçadeira e notou que a nada cobria os — redondos e empinados — seios da mulher, a última coisa que ele sentiu foi confusão.
— Eu ia oferecer um suco, mas você já comeu praticamente tudo — resmungou e piscou os olhos, levando alguns segundos até compreender a fala da mulher.
— Estava muito bom, e acho que eu estava com mais fome do que eu imaginava — admitiu ao dar a última mordida na comida.
— Muito obrigada. — sorriu abertamente e retribuiu.
— Ainda estou acabado por causa do jet lag, senão eu adoraria fazer companhia para você — o cantor falou ao observar sentar-se para comer.
— Sem problemas, . — A jovem sorriu, já tinha passado vergonha o suficiente na frente do homem e atualmente preferia manter distância. Não tanta distância assim, já que agora sabia que ele era solteiro e, bem, um grande pedaço de mau caminho.
— Da próxima vez que quiser saber algo sobre mim, é só me perguntar, especialmente em relação a minha vida amorosa. — virou-se na direção da mulher e piscou, sumindo pelo breu logo depois e deixando parada na cozinha com uma cara de boba.
Afinal de contas, era . Não era como se ela fosse imune aos charmes e encantos daquele homem.