Primeiro Capítulo
mordia a ponta da caneta, os olhos semicerrados enquanto encarava a folha de papel diante dele. Era um rascunho caótico, palavras riscadas e versos interrompidos. A pequena mesa do estúdio improvisado em seu apartamento estava cercada por xícaras de café vazias, a única testemunha de sua batalha criativa.
Ele soltou um suspiro longo, jogando a caneta ao lado do bloco. “Por que é tão difícil?”, murmurou para si mesmo. Era madrugada, e o silêncio de Tóquio parecia ainda mais pesado naquela nova realidade. Desde que havia se mudado da Coreia, sentia-se como um estrangeiro em um lugar onde as luzes brilhavam incessantemente, mas onde ele ainda não encontrava seu espaço.
Ao olhar pela janela, viu a paisagem urbana de Asakusa, com suas ruas tranquilas e o templo Sensō-ji iluminado ao longe. Ele sempre foi atraído pela cultura japonesa, mas viver ali era diferente de visitá-lo como turista. A solidão parecia acompanhar cada um de seus passos desde a mudança.
No canto do apartamento, o violão parecia chamá-lo. pegou o instrumento e dedilhou alguns acordes, tentando encontrar uma melodia que o conectasse com as palavras na página. Mas, mesmo o som que sempre foi seu refúgio parecia vazio agora.
“Eu preciso de algo... de alguém...”, pensou em voz alta, rindo de si mesmo. Como se o universo fosse magicamente mandar inspiração na forma de uma pessoa à sua porta.
Um som abafado vindo do andar de cima o tirou de seus pensamentos. Era como se algo tivesse caído. Ele ignorou no início, mas o barulho continuou, seguido de um murmúrio abafado. “Será que está tudo bem lá em cima?”
Sem conseguir ignorar, ele se levantou e caminhou até a porta. Ao abrir, encontrou o corredor silencioso e vazio. Hesitante, ele subiu os degraus que levavam ao andar superior, sentindo o coração acelerar de forma inexplicável.
Quando chegou ao apartamento de onde o som parecia vir, bateu na porta com cuidado.
— Com licença, está tudo bem aí?
A porta se abriu, revelando uma jovem de cabelos loiros presos em um coque bagunçado e vestindo roupas manchadas de tinta. Ela parecia surpresa ao vê-lo, como se não esperasse visitas naquela hora.
— Ah, desculpe pelo barulho! — disse a jovem, inclinando-se em um gesto educado. — Eu estava tentando montar algo, mas acho que não fui muito bem-sucedida.
tentou sorrir.
— Não se preocupe. Eu só fiquei preocupado. Sou , moro no andar de baixo.
— … — ela respondeu, um pouco sem graça. — Artista plástica. E aparentemente péssima com equilíbrio.
Eles trocaram um olhar que parecia se prolongar no tempo. Algo na expressão dela, na mistura de tinta nos dedos e no brilho cansado nos olhos, despertou em uma curiosidade inesperada.
— Quer ajuda com... seja lá o que for isso? — perguntou ele, apontando para a sala bagunçada atrás dela.
hesitou, mas então abriu um sorriso, um tanto tímido.
— Se não for incômodo...
— Não será.
Enquanto entrava no apartamento, não sabia, mas aquela noite silenciosa seria o começo de algo que mudaria o curso de seu ano – e talvez, de sua vida.
💋💋💋
O apartamento de era uma explosão de cores e caos organizado. Pedaços de tecido, pincéis, tintas e folhas de papel estavam espalhados por toda parte, como se a própria criatividade tivesse se manifestado em forma física.
tentou não parecer curioso, mas seus olhos vagavam por cada detalhe, intrigados.
— Então... o que exatamente você está tentando montar aqui?
riu, abaixando-se para recolher uma lanterna de papel que rolara para perto da porta.
— Uma instalação de Ano Novo. É para uma pequena exposição que vai acontecer amanhã. Eu pensei que seria simples montar essas lanternas, mas... parece que sou melhor pintando do que dobrando papel.
se aproximou, observando uma das lanternas já prontas. O papel delicado estava pintado à mão com padrões intrincados de flores de ameixa e ondas estilizadas, em tons suaves de azul e dourado. Ele ficou impressionado com o nível de detalhe.
— Isso é incrível. Você fez tudo sozinha?
Ela deu de ombros, um pouco tímida.
— É o que eu faço. Arte… — disse com um sorriso tímido, colocando a lanterna em cima de uma mesa. — Pelo menos, quando não estou lutando contra prazos ou tentando lembrar como se faz uma instalação que não desmorone.
riu, pegando outra lanterna caída no chão. Ele a girou nas mãos, admirando os detalhes.
— Você tem talento. Isso deve ser um sucesso.
— Obrigada — respondeu ela, embora houvesse uma hesitação em sua voz. — Mas, honestamente? Não tenho certeza. É uma daquelas noites em que me pergunto se alguém vai realmente notar o que faço.
parou e a olhou. Ele reconhecia aquele sentimento; já o sentira muitas vezes em sua jornada como músico.
— Alguém vai. E mesmo que não notem agora, eventualmente vão. Seu trabalho tem alma. É isso que importa.
piscou, surpresa pela convicção nas palavras dele.
— Você fala como alguém que já passou por isso.
Ele sorriu, desviando o olhar para a lanterna em suas mãos.
— Eu sou músico. Então, sim... conheço bem o medo de que o que eu faço não seja bom o suficiente.
A conexão momentânea entre eles foi interrompida pelo som de algo caindo novamente. soltou um suspiro exasperado e começou a recolher as lanternas desmoronadas em um canto da sala.
— Parece que vou precisar de ajuda profissional — brincou ela, franzindo a testa para a pilha bagunçada.
— Por sorte, eu sou profissional em improvisar — disse com um sorriso. Ele puxou uma cadeira e começou a ajudar, cuidadosamente ajustando as armações de algumas lanternas.
Enquanto trabalhavam juntos, a conversa fluiu naturalmente. contou sobre sua avó, que sempre fazia questão de ensinar as tradições do Ano Novo japonês, como limpar a casa para afastar má sorte e preparar pratos simbólicos como o osechi ryori.
— Ela dizia que o Ano Novo é como um livro em branco… — explicou , enquanto ajustava a tinta de uma lanterna. — Tudo o que você faz na virada define o que você vai escrever nas páginas do próximo ano.
ouviu atentamente, absorvendo cada palavra. Ele nunca tivera uma conexão forte com as tradições de sua própria cultura e, de certa forma, as histórias de o fizeram se sentir acolhido naquele país estrangeiro.
— E você? — perguntou ela, após um tempo. — Por que veio para o Japão?
hesitou por um momento, ajustando o nó de uma lanterna antes de responder.
— Acho que precisava de uma mudança. Meus projetos na Coreia começaram a parecer... sem vida. Queria encontrar algo novo, alguma inspiração. Só não esperava que fosse tão difícil começar do zero.
sorriu de leve.
— Começar do zero é sempre difícil. Mas também pode ser o melhor presente que você pode se dar.
Eles terminaram de montar a última lanterna pouco antes do amanhecer. O sol começava a despontar, tingindo o céu de laranja e rosa.
— Obrigado por me ajudar! — disse , olhando para o trabalho finalizado com um brilho de orgulho nos olhos.
— Foi bom fazer algo diferente. — respondeu , pegando o casaco para ir embora. — Além disso, acho que sua avó estava certa. Talvez começar o ano ajudando alguém seja um bom jeito de escrever novas páginas.
riu, acompanhando-o até a porta.
— Acho que sua página já começou bem.
Enquanto ele descia as escadas, sentiu um sorriso involuntário surgir em seus lábios. Talvez, pensou ele, aquele novo ano estivesse prometendo mais do que ele imaginava.
💋💋💋
Ele soltou um suspiro longo, jogando a caneta ao lado do bloco. “Por que é tão difícil?”, murmurou para si mesmo. Era madrugada, e o silêncio de Tóquio parecia ainda mais pesado naquela nova realidade. Desde que havia se mudado da Coreia, sentia-se como um estrangeiro em um lugar onde as luzes brilhavam incessantemente, mas onde ele ainda não encontrava seu espaço.
Ao olhar pela janela, viu a paisagem urbana de Asakusa, com suas ruas tranquilas e o templo Sensō-ji iluminado ao longe. Ele sempre foi atraído pela cultura japonesa, mas viver ali era diferente de visitá-lo como turista. A solidão parecia acompanhar cada um de seus passos desde a mudança.
No canto do apartamento, o violão parecia chamá-lo. pegou o instrumento e dedilhou alguns acordes, tentando encontrar uma melodia que o conectasse com as palavras na página. Mas, mesmo o som que sempre foi seu refúgio parecia vazio agora.
“Eu preciso de algo... de alguém...”, pensou em voz alta, rindo de si mesmo. Como se o universo fosse magicamente mandar inspiração na forma de uma pessoa à sua porta.
Um som abafado vindo do andar de cima o tirou de seus pensamentos. Era como se algo tivesse caído. Ele ignorou no início, mas o barulho continuou, seguido de um murmúrio abafado. “Será que está tudo bem lá em cima?”
Sem conseguir ignorar, ele se levantou e caminhou até a porta. Ao abrir, encontrou o corredor silencioso e vazio. Hesitante, ele subiu os degraus que levavam ao andar superior, sentindo o coração acelerar de forma inexplicável.
Quando chegou ao apartamento de onde o som parecia vir, bateu na porta com cuidado.
— Com licença, está tudo bem aí?
A porta se abriu, revelando uma jovem de cabelos loiros presos em um coque bagunçado e vestindo roupas manchadas de tinta. Ela parecia surpresa ao vê-lo, como se não esperasse visitas naquela hora.
— Ah, desculpe pelo barulho! — disse a jovem, inclinando-se em um gesto educado. — Eu estava tentando montar algo, mas acho que não fui muito bem-sucedida.
tentou sorrir.
— Não se preocupe. Eu só fiquei preocupado. Sou , moro no andar de baixo.
— … — ela respondeu, um pouco sem graça. — Artista plástica. E aparentemente péssima com equilíbrio.
Eles trocaram um olhar que parecia se prolongar no tempo. Algo na expressão dela, na mistura de tinta nos dedos e no brilho cansado nos olhos, despertou em uma curiosidade inesperada.
— Quer ajuda com... seja lá o que for isso? — perguntou ele, apontando para a sala bagunçada atrás dela.
hesitou, mas então abriu um sorriso, um tanto tímido.
— Se não for incômodo...
— Não será.
Enquanto entrava no apartamento, não sabia, mas aquela noite silenciosa seria o começo de algo que mudaria o curso de seu ano – e talvez, de sua vida.
O apartamento de era uma explosão de cores e caos organizado. Pedaços de tecido, pincéis, tintas e folhas de papel estavam espalhados por toda parte, como se a própria criatividade tivesse se manifestado em forma física.
tentou não parecer curioso, mas seus olhos vagavam por cada detalhe, intrigados.
— Então... o que exatamente você está tentando montar aqui?
riu, abaixando-se para recolher uma lanterna de papel que rolara para perto da porta.
— Uma instalação de Ano Novo. É para uma pequena exposição que vai acontecer amanhã. Eu pensei que seria simples montar essas lanternas, mas... parece que sou melhor pintando do que dobrando papel.
se aproximou, observando uma das lanternas já prontas. O papel delicado estava pintado à mão com padrões intrincados de flores de ameixa e ondas estilizadas, em tons suaves de azul e dourado. Ele ficou impressionado com o nível de detalhe.
— Isso é incrível. Você fez tudo sozinha?
Ela deu de ombros, um pouco tímida.
— É o que eu faço. Arte… — disse com um sorriso tímido, colocando a lanterna em cima de uma mesa. — Pelo menos, quando não estou lutando contra prazos ou tentando lembrar como se faz uma instalação que não desmorone.
riu, pegando outra lanterna caída no chão. Ele a girou nas mãos, admirando os detalhes.
— Você tem talento. Isso deve ser um sucesso.
— Obrigada — respondeu ela, embora houvesse uma hesitação em sua voz. — Mas, honestamente? Não tenho certeza. É uma daquelas noites em que me pergunto se alguém vai realmente notar o que faço.
parou e a olhou. Ele reconhecia aquele sentimento; já o sentira muitas vezes em sua jornada como músico.
— Alguém vai. E mesmo que não notem agora, eventualmente vão. Seu trabalho tem alma. É isso que importa.
piscou, surpresa pela convicção nas palavras dele.
— Você fala como alguém que já passou por isso.
Ele sorriu, desviando o olhar para a lanterna em suas mãos.
— Eu sou músico. Então, sim... conheço bem o medo de que o que eu faço não seja bom o suficiente.
A conexão momentânea entre eles foi interrompida pelo som de algo caindo novamente. soltou um suspiro exasperado e começou a recolher as lanternas desmoronadas em um canto da sala.
— Parece que vou precisar de ajuda profissional — brincou ela, franzindo a testa para a pilha bagunçada.
— Por sorte, eu sou profissional em improvisar — disse com um sorriso. Ele puxou uma cadeira e começou a ajudar, cuidadosamente ajustando as armações de algumas lanternas.
Enquanto trabalhavam juntos, a conversa fluiu naturalmente. contou sobre sua avó, que sempre fazia questão de ensinar as tradições do Ano Novo japonês, como limpar a casa para afastar má sorte e preparar pratos simbólicos como o osechi ryori.
— Ela dizia que o Ano Novo é como um livro em branco… — explicou , enquanto ajustava a tinta de uma lanterna. — Tudo o que você faz na virada define o que você vai escrever nas páginas do próximo ano.
ouviu atentamente, absorvendo cada palavra. Ele nunca tivera uma conexão forte com as tradições de sua própria cultura e, de certa forma, as histórias de o fizeram se sentir acolhido naquele país estrangeiro.
— E você? — perguntou ela, após um tempo. — Por que veio para o Japão?
hesitou por um momento, ajustando o nó de uma lanterna antes de responder.
— Acho que precisava de uma mudança. Meus projetos na Coreia começaram a parecer... sem vida. Queria encontrar algo novo, alguma inspiração. Só não esperava que fosse tão difícil começar do zero.
sorriu de leve.
— Começar do zero é sempre difícil. Mas também pode ser o melhor presente que você pode se dar.
Eles terminaram de montar a última lanterna pouco antes do amanhecer. O sol começava a despontar, tingindo o céu de laranja e rosa.
— Obrigado por me ajudar! — disse , olhando para o trabalho finalizado com um brilho de orgulho nos olhos.
— Foi bom fazer algo diferente. — respondeu , pegando o casaco para ir embora. — Além disso, acho que sua avó estava certa. Talvez começar o ano ajudando alguém seja um bom jeito de escrever novas páginas.
riu, acompanhando-o até a porta.
— Acho que sua página já começou bem.
Enquanto ele descia as escadas, sentiu um sorriso involuntário surgir em seus lábios. Talvez, pensou ele, aquele novo ano estivesse prometendo mais do que ele imaginava.