Revisada por: Saturno 🪐
Atualizada em: 10/02/2026
Olhou de lado para o seu guarda pessoal, que ficava sempre perto de si, desde a morte de seu pai. Foi escolhido a dedo por Hiashi para cuidar de Hinata, no leito do antigo rei. Passou a observar a face austera e levemente arrogante de Neji Otsutsuki, que se apoiava com a mão direita na sua espada, a qual combinava perfeitamente com a roupa dourada, marca de sua guarda real. O selo do brasão da família Hyuuga, ostentado do lado direito do peito do homem rígido, era carregado com orgulho pelo moreno de longos cabelos castanhos e olhos tão parecidos com os da rainha.
Foi levada de volta à realidade por um dos homens desagradáveis, que lhe perguntou algo pegando em seu pulso, fazendo Neji se mover rapidamente e tirar a mão do velho que apertava o local.
— Não toque em sua rainha. — Sem levantar a voz, frio e duro como era do seu costume. Fez o homem soltar o braço da Hyuuga e voltar ao seu lugar, pigarreando sem jeito e fazendo todos se calarem.
— Senhores, estou um pouco indisposta — Hinata falou e se levantou calmamente. — Peço que voltem outro dia para continuarmos esta reunião. — Não esperou resposta de nenhum deles, sua palavra era ordem, estava enfadada de tantas reclamações e pedidos absurdos, além da noite que já tinha começado a cair. Parou ao lado de uma serviçal, já na porta de saída do grande salão. — Avise às outras que quero ficar sozinha esta noite — dirigiu-se à sua criada.
— Sim, vossa alteza. — A moça se curvou, reverenciando sua rainha e se recolhendo em seguida. A Hyuuga seguiu o caminho com o seu guarda pessoal em seu encalço.
— A minha companhia também está dispensada, majestade? — Neji perguntou, já no corredor, agora a sós com a rainha.
— Preciso de alguém para me proteger, não? — Ela deu uma pequena olhada por cima do ombro para o seu subalterno, que concordou com a cabeça.
Caminharam em silêncio até o quarto principal do palácio. Hinata parou na frente ao seu quarto e o guarda abriu as portas duplas para que ela pudesse passar, as fechando em seguida. A Hyuuga caminhou até a sua poltrona, que se encontrava próxima da sua penteadeira, e ficou aguardando. Neji se aproximou devagar, se ajoelhou ao seu lado e começou a remover as jóias da rainha com cuidado. Os toques eram gentis, tirou os anéis, pulseiras e braceletes, os guardando em seus devidos lugares.
O Otsutsuki levantou e foi para trás dela, a morena levou o braço até o pescoço e puxou o longo cabelo para a lateral, deixando seu pescoço exposto. Os dedos grandes do guarda resvalaram na pele branca, e Hinata sentiu um arrepio correr por sua espinha. Ele continuou o seu trabalho e abriu o colar pesado de pedras, o guardando. Levou as mãos para a coroa dourada, a retirando da cabeça da rainha com delicadeza para não bagunçar os fios negros. Com o simples gesto, o qual fazia algumas vezes durante a semana, se lembrou de quando a coroou. Como filha única e seu pai falecido, era sua a função como comandante da guarda real fazê-lo. Sorriu com a lembrança passageira.
Hinata levantou e se manteve de costas para ele, que ajudou a folgar o espartilho do vestido que ela usava e se virou para dar privacidade à mais nova. Sentia-se nervoso ao estar presente quando ela trocava de roupa, no entanto, ela havia dispensado as criadas e ordenou a sua presença. Ao ouvir permissão para virar-se, ela já se encontrava deitada na cama, embaixo das cobertas. Neji então recolheu suas roupas e as guardou.
— Precisa de mais alguma coisa, alteza?
— Não, pode se retirar. — Ele se curvou minimamente e deixou os aposentos da rainha, se encaminhando para o seu próprio do outro lado do castelo.
O sol entrava pelas grandes janelas do aposento real. As cortinas finas dançavam em todas as direções, trazendo o cheiro das flores do jardim do castelo. Hinata sempre gostou de cuidar daquela parte de sua propriedade sozinha, usava o tempo que tinha entre as aulas de etiqueta e história de sua família para cuidar das flores do seu canteiro. Levantou-se sem pressa, deixando seus pés tocarem o chão de pedras frias e se espreguiçou, esticando seus braços. Sentia que seu dia seria novamente longo e desejou voltar ao tempo que poderia correr para suas flores e as cuidar como amava fazer.
Ouviu a porta atrás de si abrir assim que terminou de ser vestida pelas criadas e não precisou virar para saber quem era. Neji sempre aparecia em seu quarto assim que ela acordava, parecia ter sempre certeza de que não chegaria antes da rainha se levantar. Sentiu o olhar do moreno em suas costas e a familiaridade da queimação que vinha com ele, sempre em seu encalço, diariamente. Ficou difícil não gostar de ser observada, mesmo que não da forma que ousou querer em seu íntimo. Precisava dele para se sentir poderosa, firme e dona de algo a mais do que não um legado herdado. O Otsutsuki passava confiança para ela, era capaz de nem ele mesmo saber do poder que tinha sobre a rainha.
— Já está pronta para o café da manhã, majestade? — Hinata estava olhando a paisagem pela janela.
— Quero dar uma volta no jardim antes de comer, me acompanha? — Virou-se para o guarda e caminhou até a saída do quarto.
— É claro, alteza. Como quiser. — Curvou-se, abrindo a porta para a sua rainha passar, e seguiu atrás dela.
Ele sentiu um ar nostálgico na Hyuuga. A acompanhava caminhando bem atrás dela entre os labirintos de arbustos. Ele lembrava bem que ela amava cuidar das flores desde a infância e talvez tenha acordado com essa lembrança. Neji andava em sua costumeira pose, se apoiava em sua espada e a outra mão atrás das costas. Admirava os cabelos longos à sua frente, eles brilhavam com o reflexo do sol e balançavam levemente, como se o vento os acariciasse. Ela olhou por cima do ombro como se confirmasse que ele ainda estava ali, e o mais velho notou o pequeno sorriso no canto dos lábios.
— Por que não anda ao meu lado?
— Preciso proteger suas costas, majestade. Seria perigoso, alguém poderia nos atacar, e eu não conseguiria protegê-la — ele explicou.
— Estamos no jardim do castelo, ninguém irá nos atacar, Neji.
— Mas…
— É uma ordem. — A morena o interrompeu, fazendo com que ele se calasse e fosse para o seu lado. Continuaram o caminho em meio às flores.
— Alteza, precisa se alimentar para ir para a sua aula de artes.
— Você pinta, Neji? — Hinata perguntou sem rodeios.
— Como? — O moreno ficou sem entender.
— Você tem alguma habilidade artística?
— Eu… Sim, às vezes eu faço uns esboços no meu tempo livre. — O guarda ficou sem graça com a pergunta repentina.
— O que acha de me pintar? — Os olhos lilás miraram os dele, e então Neji sentiu seu coração palpitar.
— Com todo o respeito, majestade — o moreno nem sabia de onde tinha tirado coragem para falar aquilo —, você por si só já é uma obra de arte. — Hinata sorriu ladino e deu a volta em direção à entrada do castelo.
— Vamos, preciso me alimentar.
O dia seria tranquilo. Tinha aula de artes, após isso o almoço era servido, e então um descanso no solário antes da aula de etiqueta. Hinata gostava das aulas porque a mantinham ocupada de uma forma proveitosa. Sempre valorizou o aprendizado de uma forma geral. Neji a acompanhava em todos os seus compromissos e afazeres, não achava ruim o seu posto, muito pelo contrário, era uma honra proteger a rainha. Sua última aula do dia tinha acabado, e a Hyuuga caminhou com o Otsutsuki até a sua sala de banho.
— Esperarei aqui fora, alteza. — O moreno se posicionou ao lado da porta.
— Quero que entre, Neji.
— Majestade, isso está fora da minha conduta. Sei que tenho que lhe acompanhar em todos os cômodos…
— Se sabe, por que está me refutando? — O cortou, o mirando séria. Ele então abaixou a cabeça, abriu a porta para Hinata passar e entrou, fechando a porta em seguida.
Hinata foi recebida por três criadas, duas preparavam o seu banho com alguns sais e a outra a acompanhou até a poltrona, que ficava próxima de um armário com roupas e toalhas, para tirar suas joias. Era a primeira vez que Neji entrava no lugar. Era tudo muito bonito, uma grande banheira em mármore no meio da sala com alguns degraus dentro e fora dela. Havia uma janela para que ela pudesse apreciar a vista enquanto se banhava e algumas esculturas contornavam a sala. A criada começou a ajudar a rainha a folgar o espartilho e então o guarda virou-se de costas para a parede. A Hyuuga riu discretamente, achava afável o respeito que o moreno tinha por si.
A morena entrou na banheira para tomar o seu banho e então avisou ao Otsutsuki que podia se virar. Ele ficou de frente novamente e foi analisando cada detalhe daquela cena. A rainha estava sentada com apenas seu busto para fora da água. Os cabelos de Hinata estavam presos no topo de sua cabeça com alguns fios caindo em seu rosto. Foi abaixando o olhar, vendo o colo e ombros levemente molhados, e então pôde ver a curvatura dos seus seios fartos. Desviou os olhos com rapidez. Talvez se ele tivesse a admirado por mais tempo, veria a sua majestade mordendo o lábio por ver ele a olhando com tanto desejo.
Quando seu banho acabou, ela saiu da banheira sem ao menos avisar que iria fazer tal coisa. Neji viu de relance as curvas da mais nova e se virou rapidamente, respirando fundo. Agora teria uma imagem gravada na sua mente, fechou os olhos, e ela estava lá, nua em sua frente, perfeita. Como uma obra de arte, como ele mesmo tinha falado, pois era a mais pura verdade. Hinata foi secada por suas criadas e depois vestida. Saiu em direção à porta, esperando que Neji a abrisse, e foi o que ele fez. Saíram em direção à sala de jantar, a Hyuuga fez sua refeição e disse para ele fazer o mesmo, estaria segura com os outros guardas ali presentes.
Passou toda a refeição pensando se surtiu o efeito que desejou em Neji. Não pôde evitar de rir algumas vezes do olhar corrido e da face claramente sem graça, o que deixou Hinata bem mais feliz. Deixá-lo daquela forma era a confirmação que precisava para entender que seu subordinado não a via só como um trabalho, a enxergava também como mulher. Levantou-se assim que terminou sua refeição e foi seguida por Neji até seu quarto. Dispensou novamente as criadas antes de fazer o mesmo com o moreno.
— Já pode se deitar, não precisarei mais de seus serviços. — Sentou-se em sua cama de costas para ele, que a aguardava na porta, e, sem olhá-lo, terminou. — Tenha uma boa noite, Neji.
— A senhorita também, vossa alteza. — Fez reverência mesmo que ele não estivesse em seu campo de visão.
Deixou o quarto, fechando a porta atrás de si, e deu instruções aos dois homens de sua confiança da guarda real a postos. Cada um de um lado da porta, guardando a vida da Hyuuga. Seguiu a passos apressados até o outro lado do castelo, onde ficava os seus aposentos. Sentiu o sangue deixar seu rosto assim que pôs os pés em local seguro. Não aguentava mais fingir que não viu o que viu. Estava cravado em sua mente, como uma estaca, bem no meio do seu crânio. Hinata Hyuuga, sua rainha, nua como uma pintura, e quisera ele ter uma naquele momento. Procurou em seu quarto o necessário para começar a dar vida à sua ideia. Um grafite, papel e sua imaginação dariam conta.
Não poderia fazer tal coisa e se xingava por isso, mas não via maneira mais satisfatória de sanar seus pensamentos que fazer deles algo que pudesse tocar. Começou com a linha dos seios, curvados e levemente arrebitados. O quadril se desenhou sozinho após a cintura e cada novo pedaço de sua rainha ia tomando o papel, até que toda a perfeição que era Hinata estivesse clara, em cinza e preto, que contornava as partes mais marcantes do corpo bonito.
Suspirou pesado ao terminar, havia tirado um peso de sua consciência. Não fosse aquele papel, no dia seguinte poderia ele, facilmente, confundir aquela visão com um sonho, como muitos outros que já teve, entretanto, nem de longe tão detalhado. A dor que vinha de sua ereção desde a sala de banho não deu sossego à mente sonhadora de Neji. Teria que dormir pensando em como encararia sua majestade na manhã seguinte, e antes fosse só por vê-la nua, em toda sua glória, mas sim pelos sonhos perturbadores que provavelmente viriam.
Um guarda real ordenou quando bateu a lança, que estava em suas mãos, três vezes no chão. O gatilho oco chamou a atenção dos súditos, que conversavam sobre os problemas que vieram discutir com sua majestade. Hinata entrou no salão que recebia os aldeões uma vez a cada semana e se colocou à frente da cadeira alta e desconfortável, que estava em cima de um pequeno púlpito, acompanhada de Neji e mais cinco guardas atrás dele. Todos à postos em seus devidos lugares, e o guarda que estava à porta, mais uma vez, chamou a atenção do público.
— Vossa alteza, rainha do reino da Lua. Curvem-se. — E assim todos os presentes fizeram.
Sentou e esperou que seu guarda pedisse a aproximação do primeiro aldeão que atenderia naquele dia. Os motivos variavam, alguns eram muito importantes e outros mais simplórios, o fato era que, para governar bem, deveria estar ciente de tudo que acontecia em suas terras.
— Vossa alteza… — Curvou-se novamente ao se aproximar. Um homem velho com barba branca, vestido de forma simples se apoiava com um adolescente moreno de olhos negros, como os do senhor. — Há um monstro atacando minhas cabras. As mesmas que são o meu sustento. Vendo os bichos no mercado central da vila e a pouco mais de sete dias elas vêm sendo atacadas. Não sei que monstro faria algo assim, mas peço humildemente sua ajuda para que eu não perca mais nenhum animal. Minha família depende disso, alteza.
— Mandarei guardas investigarem. É possível que seja algum animal perdido de outros reinos próximos. Nunca houve nada parecido por aqui. — Virou-se para o seu guarda. — Mande alguns homens para o local e cace o causador de tantas perdas. — O moreno somente concordou com um aceno. — Algo mais que queira, senhor?
— Não sua, majestade. Está de bom tamanho sua bondade em ajudar um simples pastor de cabras.
— Não há trabalho simples em um reino, meu senhor — disse, interrompendo o homem. — Todos os trabalhos ajudam nosso reino a ser melhor. Espero que consigam resolver isto, caso não, volte novamente na próxima semana.
— Muito obrigado, alteza. — Reverenciou novamente e saiu a passos arrastados, acompanhado de dois guardas reais.
Outro homem se aproximou e fez o mesmo que o anterior, reverenciou e fez sua reclamação. O pedido de ajuda era mais simples, um local para que pudesse vender seus legumes e verduras na praça central. Concedido, e novamente um novo súdito com algo que só Hinata poderia resolver. Pedidos de materiais para consertos de casas, telhados, pequenas embarcações e até carroças, vinham com uma chuva de novidades a serem discutidas com seu pequeno conselho. O dia seria somente ali, fazendo gradualmente a quantidade de pessoas na sala diminuir. Algumas horas passaram voando, e o desconforto da cadeira fazia a rainha virar-se algumas vezes, à procura de uma posição mais confortável.
— Deseja que eu encerre o dia, alteza? — A voz rouca e grossa ecoou perto de sua orelha, trazendo o arrepio que Hinata não conseguia mais ignorar. Desfez do toque de sua outra mão que pousava em seu colo e pegou no pulso do homem que estava bem perto.
— Não é necessário. — Soltou o aperto, vendo os olhos assustados de Neji. — Vamos continuar, faltam poucos.
Voltou à pose de soberana, unindo as mãos novamente em seu colo e respirando fundo. Acenou para o novo aldeão que se aproximou. Ouviu mais algumas histórias e pedidos, designou mais alguns guardas, sempre com a aprovação de Neji, e assim o dia passou, o mais cansativo, diga-se de passagem. Receber a plebe era bom, mas naquela quantidade e com a cadeira que seu pai deixou, cansava até a alma.
Não poderia negar, eles eram parte de seu reino, deveria fazer aquele trabalho da melhor forma. Mesmo que sua mente algumas vezes vagasse para o homem ao seu lado, deveria se concentrar em ser uma governante justa, como aprendeu com seu pai.
Neji mal ouvia os pedidos de homens e mulheres que seguiam até perto deles. Sua atenção era focada apenas na voz de sua rainha, nos movimentos que ela fazia e nas ordens que ela designava. Em suas contas, quase cem homens da guarda secundária da rainha foram disponibilizados aos aldeões somente naquela assembleia, e era sua função fazer o uso de seus comandados em nome do reino, em nome da sua rainha.
Depois de um longo dia ouvindo os seus aldeões, Hinata estava exausta, sua coluna pedia para que se deitasse o mais breve possível. Caminhou até a sala de jantar com o seu guarda pessoal em seu encalço; como sempre. Sentou-se em seu lugar e aguardou os empregados a servirem, fez a sua refeição e, mais uma vez, dispensou o seu guarda-costas na porta de seu quarto. Entrou no cômodo e foi retirando as suas joias, enquanto sua cabeça estava bem longe daquele quarto. O toque que deu em Neji durante a tarde mexeu consigo, ainda sentia o quente do pulso do homem nas pontas dos seus dedos. Queria sentir as mãos grandes dele a pegando pela cintura e apertando contra o corpo forte.
A essa altura já se encontrava retirando o seu vestido e não colocou a sua camisola, apenas caminhou para fora da saia bufante, indo até a grande porta de vidro com uma pequena varanda e admirou a lua cheia que jazia no céu. Levou a mão até o pescoço, massageando o local, tentando tirar a tensão do seu corpo que passou o dia em uma cadeira desconfortável. Fechou os olhos, sentindo o vento arrepiar o seu corpo e esvoaçar seus cabelos, desceu a mão para o colo, fazendo uma carícia. Desceu mais alguns centímetros, pegando em seu seio esquerdo, o apertando de leve. Aproveitou aquela sensação que a tomava aos poucos, pensou na figura masculina que tinha ao seu lado todos os dias e deslizou a mão pela barriga até o seu monte de vênus.
Hinata respirava cada vez mais ofegante enquanto escorregava os dedos entre seus lábios; estava molhada. Soltou um gemido baixo, mordendo o lábio ao lembrar dele no dia do seu banho e deu dois passos para trás, entrando novamente em seu quarto. Estava ensandecida, queria os dedos dele ali, queria seus braços em volta do seu corpo, a apertando. Deu um gemido mais alto ao penetrar dois dedos em sua intimidade, clamando por Neji. Parecia tentar achar uma forma de preencher o vazio que sentia após o moreno deixá-la todas as noites, pois ela queria mais dele; mais do que apenas proteção.
Deitou-se na cama de qualquer jeito, abriu suas pernas e, enquanto massageava um seio com uma mão, se estocava com a outra, e tudo que ela conseguia ver ao fechar os seus olhos era o olhar imponente de Neji. Retirou os dedos e voltou a fazer movimentos circulares em seu clitóris, amassava os lençóis e travesseiros ao seu alcance, e os gemidos atingiram um tom mais agudo até que gozou chamando o nome dele. A rainha estava se satisfazendo pensando em seu subordinado e isso era no mínimo indecente. Abriu os olhos e mirou o dossel¹ acima da sua cabeça, surpresa com o que tinha acabado de fazer.
A reunião do conselho no dia seguinte tinha apenas o objetivo de colocar a par todos os outros homens que faziam parte das grandes decisões sobre o reino. Mesmo que, como rainha, a última palavra fosse sua, Hinata gostava de ouvir todas as considerações de seus escolhidos. Ouvia o mestre da moeda e estrategista, Shikaku Nara, uma das grandes mentes daquela era, explicar como o reino ia bem nas questões econômicas, enquanto o velho meistre Sarutobi ouvia em silêncio, como ela e seu comandante da guarda. Mal olhou nos olhos cinzas durante a manhã, e da cadeira mais alta na ponta da mesa, via como o moreno também não dirigia o olhar a si. Pensava que talvez, perturbou tanto a noite de Neji, quanto ele fez com a sua.
Inoichi Yamanaka tomou a palavra e começou a questionar sobre a segurança e imposição das novas leis diretamente com o Neji, que, mesmo irritado — pois ela conhecia bem aquele olhar —, garantiu que seria mantida a ordem em nome da coroa. Muitos assuntos eram abordados pelos homens de sua extrema confiança, no entanto, o velho estava quieto demais e isso não deixava a Hyuuga em paz. Hiruzen tomou a vez e começou com o que Hinata já esperava. Um assunto que em quatro anos de reinado ainda não lhe dava sossego.
— Minha senhora, já pensou nos pretendentes que apresentei? — Sem enrolar, o velho veio com tudo. Teve de admitir a coragem em lhe falar algo tão íntimo, assim, tão abertamente. — Não é de bons olhos uma jovem em idade de procriar solteira.
Aquilo era o cúmulo, mas não para um velho decrépito com ideias arcaicas. Seu pai a avisou que tal cobrança viria, entretanto, como seu próprio casamento com Hikari, queria que a filha fosse feliz com quem escolhesse. Contudo, havia uma postura a se manter e, como soberana, era vital que mantivesse todos felizes.
— Estou estudando as propostas, meistre. — De fato, ignorou os pergaminhos vindos de outros reinos assim que viu que um deles se tratava de um Uchiha. — É um fato muito importante para decidir tão rápido.
— Espero que logo, criança. — Levantou uma sobrancelha em repreensão. — Senhora, não pode deixar para depois.
— Entendo a pressa, mas não tomarei decisões pensando somente em agradá-lo.
— Justo — Neji respondeu sem que ninguém houvesse perguntado algo. A Hyuuga sentiu uma leve vontade de rir, mas se conteve.
— Se é tudo por hoje, agradeço o tempo de todos. — Levantou-se, dando fim às conversas cansativas. Todos a acompanharam e, depois de breves reverências, deixaram a pequena sala de estratégia restando somente a rainha e o motivo de seu sono agitado.
— O que foi aquilo?
— Ele não deve pressionar minha rainha — respondeu firme e sem olhar para Hinata. — Vossa alteza é quem cobra resultados ao conselho, não o contrário.
Seu sorriso mínimo apareceu assim que deu suas costas ao homem. Não poderia evitar de sentir que aquela proteção era algo mais que só um pedido de seu pai. Queria acreditar que era mais que isso; o zelo, a preocupação, tudo isso era prova de que não era somente a rainha que ele protegeria com a sua própria vida. Algo ali estava diferente e queiram os Deuses que fosse o imaginado e sonhado por Hinata.
Aquele dia estava longe de acabar. Hinata e seu guarda seguiram para a biblioteca, onde ficava a mesa com todos os documentos importantes. A rainha sentou em sua cadeira e bufou, olhando os pergaminhos que estavam esquecidos em cima da mesa. Começou a abrir um por um, lia revirando os olhos, achava essa bendita ideia de ter que se casar por obrigação ou por diplomacia uma bobagem. Como alguém governa um reino se casando com alguém que não ama? Quanta dor de cabeça.
Leu o pergaminho do reino do fogo já esperando uma mensagem autoritária, afinal, Madara Uchiha não era um homem que oferecia algo, estava mais para ordenar. Jogou o pergaminho no meio da sala, irritada. Neji saiu do seu posto e foi pegar o pedaço de papel enrolado. A Hyuuga não queria ter que escolher uma pessoa que viu algumas vezes em bailes formais, nunca quis. Por isso estava procrastinando essa decisão há tanto tempo, ela simplesmente fingia que não teria que fazer isso algum dia.
— Está tudo bem, majestade? — O Otsutsuki recolheu o pergaminho e depositou em cima da mesa. — Escolheu um pretendente? — Ele a mirou de soslaio.
— Não pretendo escolher alguém baseado em acordos políticos e econômicos.
— Mas você precisa se casar com alguém que traga benefícios ao seu reino para...
— E a conversa de não pressionar a sua rainha? — Hinata o interrompeu.
— Mil perdões, alteza. — Curvou-se. — Apenas me preocupo com a senhorita. — Hinata o olhou nos olhos pela primeira vez no dia e sentiu seu corpo esquentar, o que fez com que ela desviasse os olhos no mesmo instante.
— Peça para alguma criada trazer um chá, sim? — Voltou a olhar os pergaminhos.
— Sim, majestade. — Fez sua reverência respeitosa e saiu pela porta, encontrando logo uma das criadas pessoais da rainha. — Traga chá e algo para a rainha comer enquanto trabalha. — A mulher acenou, sorrindo e um pouco corada.
Não gostava de ser intrometido e entendia bem seu espaço, mas era difícil pensar que um homem estaria deitado na cama de sua rainha todo dia quando ele entrasse no quarto para dar início à sua rotina. Há tanto tempo era só os dois, que sentiu uma pontada no peito assim que o Sarutobi disse que a Hyuuga deveria se casar, e ele simplesmente cuspiu uma resposta, mas se xingou por isso. Mesmo assim, não conseguia se arrepender.
Neji já estava em sua zona de conforto; perto do que sempre quis, porém longe o suficiente para não se queimar ou fazer algo errado. Toda sua admiração e respeito serviam a ela, no entanto, era impossível não desejar uma mulher tão distinta. Azar a qualquer tolo que mandou uma carta com seus atributos e bens materiais, sua rainha não se interessaria por nada disso. Ela sem dúvidas queria algo mais profundo e puro, tendo como exemplo seus pais, que, até o último dia deles na terra, sentiram com todo o coração o amor pertencente um ao outro.
A criada chegou com a bandeja e o moreno deu passagem para que ela entrasse. Ela depositou na mesa que Hinata estava e já ia saindo, quando Neji a interrompeu.
— Volte e sirva-se. — Ele não era louco, mas pressentia sempre quando algo errado estava perto. — Beba o chá que trouxe.
A criada virou muito tensa e serviu uma das xícaras que trouxe, bebeu o chá e ficou alguns minutos ali em silêncio, até que o guarda desse sua tarefa por encerrada. Saiu do local trêmula, nunca havia visto o belo e calado Neji tão assustador e com a voz tão grave. Um arrepio tomou seu corpo, e ela correu para se abrigar na cozinha. Na biblioteca, Hinata estava com a sobrancelha arqueada, pedindo explicações.
— Eu não sei, só achei que era necessário. — Cruzou os braços. — Se eu sentir que devo fazer, é simples.
— Não acha que está indo longe demais? — Um sorriso frouxo tomou seus lábios. Estava achando fofo o guarda imponente com cara de contrariado. — Eu agradeço a sua proteção, mas não exagere.
— Não é exagero, majestade.
— Ok, senhor precavido, venha até aqui e divida o chá mortal comigo. — Puxou a cadeira para seu lado, fazendo o moreno ficar perto de si.
Cada demonstração de carinho e cuidado era como subir mais um degrau para a torre do proibido. O desejo era real e quase palpável, e uma aventura sozinha não dava conta. Nenhum homem daqueles pergaminhos ia lhe interessar, sua mente já tinha dono e não se muda para um castelo que já tem um morador. Sua mãe lhe disse que o coração não é de quem chegar primeiro, e sim de quem ocupa mais espaço. Admirava o homem que lia algo sobre os pedidos do conselho a ela, que odiava ser mandado por alguém que não fosse Hinata. Ela sabia disso pela cara de poucos amigos que sempre estava presente quando alguém o fazia. Sorriu novamente, olhando o moreno, que notou e retribuiu.
— Não pense que não gosto de sua proteção, mas a menina vai chorar por dias.
— A única que não posso manter afastada é minha rainha, o resto... — Deu de ombros.
Índice:
¹A cama com dossel surgiu na idade média, e logo se tornou marca registrada dos quartos da monarquia. As cortinas, além de compor decorações lindas, davam um pouquinho mais de privacidade para os monarcas e ainda ajudavam a aquecer as noites mais frias.
— Já agradeceu por não ser uma mulher hoje? — Sorriu da careta que tomou o belo rosto.
— Faço isso todos os dias, alteza.
— Creio que essa armadura não seja a mais confortável, mas isso — apertou a mão que pousava em sua barriga — é desumano.
— Não precisa usar, majestade. — Não precisava mesmo. As belas curvas eram naturais e nada que Hinata vestisse durante seu dia chegaria aos pés da beleza da morena.
— A moda, infelizmente, está acima de mim. — Sentou em sua cama para se acostumar com o aperto antes de sair. — O que uma jovem princesa de outro reino diria se me visse com um vestido velho? Sairia por aí, correndo como vento, boatos de que o nosso reino está mal economicamente. Poderiam nos atacar de surpresa pensando que não temos mais uma moeda forte, ou, quem sabe, pensar que aceitaremos qualquer proposta de negócios, fazendo outros concorrentes trazerem propostas também absurdas, nos fazendo aceitar a menos pior delas.
— A moda diz tudo isso?
— Infelizmente… — Levantou, se aproximando do moreno, que abriu a porta do quarto para que a rainha passasse. — Minha mãe vestia os mais belos vestidos e se portava como a mais perfeita rainha. Sem tirar o mérito de meu pai, claro. Faziam o par perfeito, demonstrando força e poder para qualquer um que ousasse pisar nesta terra. — Sorriu, olhando para trás.
— Gostaria de ter aulas sobre moda. Quem sabe ajude nas batalhas que poderemos travar. — Não evitou sorrir com a brincadeira, mas estava verdadeiramente mais admirado com o trabalho que Hinata empenhava.
— Aulas seriam interessantes, mas estou aqui usando a moda para evitar mais batalhas. — Virou-se para ele, interrompendo o caminho até a sala de jantar, onde o café da manhã seria servido. — Não me custa muito perder um pouco de ar para manter meu reino em paz e feliz.
Após a refeição, Hinata queria fazer um passeio pelo reino, afinal, era importante estar sempre presente e ver seus súditos, isso fazia parte de ser uma ótima líder. Neji deu a mão para a Hyuuga subir na carruagem e, quando ela estava confortável, deu a volta e subiu do outro lado. Deu sinal para o boleeiro¹ para que pudesse ir. Foram aos poucos, deixando a propriedade do castelo. Além do Otsutsuki, quatro guardas reais a cavalo faziam a segurança da rainha. Conforme a grande carruagem branca com detalhes em dourado passava pelas ruas, os súditos acenavam e sorriam para Hinata. Todos a adoravam. Ela retribuía, ficava feliz de ver as pessoas trabalhando, vivendo uma vida digna e saudável em seu reino, onde ninguém passava fome ou dificuldades.
Andaram por toda a cidade e, ao chegar ao final do vilarejo, Neji deu ordem para que o criado voltasse ao castelo. No caminho de volta, a Hyuuga pareceu pensativa. Olhava os campos de girassóis e respirava fundo, puxando o ar puro para seus pulmões. O sol estava aquecendo a sua pele e aquilo estava tão bom que, por um momento, esqueceu de tudo, todos os seus deveres e preocupações. Virou, mirando o seu guarda pessoal, que estava sentado à sua frente. O moreno franziu o cenho, confuso com a expressão que ela fazia em seu rosto.
— Está tudo bem, majestade? — perguntou preocupado.
— Você já pensou em ser outra pessoa, Neji? — Tudo que ele conseguiu pensar foi que sua alteza sempre o fazia perguntas inusitadas, o deixando sem palavras, e ele gostava disso, apenas ela conseguia tal feito; era instigante.
— Como assim, alteza?
— Talvez ser da plebe para não ter tantos deveres, ou ser como um mero criado para não ter que tomar decisões tão importantes.
— Está cansada de ser rainha?
— Jamais estarei cansada de exercer o meu dever. É uma honra para mim dar continuidade ao legado que meu pai me deixou, mas me pergunto se eu fosse outra pessoa, quem eu seria e qual a liberdade que teria. — O moreno a encarou perplexo com seus questionamentos. Por qual motivo ela estaria pensando nisso?
— Chegamos, vossa alteza — um dos guardas a cavalo avisou. Neji desceu, deu a volta na carruagem e ajudou a rainha a descer.
— Obrigada, Neji.
— Estou fazendo a minha obrigação, majestade.
Hinata curvou levemente os lábios e seguiu a passos lentos até a entrada do castelo. Esperou a porta ser aberta pelos guardas e entrou, seguida de Neji, que recebeu a ordem de ir tirar a armadura, afinal, ele não a usava dentro do castelo. A Hyuuga foi até a sala de jantar, onde estaria segura com os outros guardas reais. Enquanto o Otsutsuki não voltava, almoçou, e assim que tinha sua companhia de todos os dias a postos, seguiu para a sua aula de etiqueta, uma das que ela mais odiava. A tarde passou rápida. Após o jantar, dispensou suas criadas. Hinata seguiu a passos lentos até a biblioteca, queria ler algum livro, pois estava sem sono. Sentou-se em uma das poltronas e se pôs a se entreter com a história escrita nas folhas amareladas.
Neji estava em pé ao lado da porta, apenas esperando ser liberado, afinal, não podia deixar a sua rainha sozinha enquanto não se recolhesse aos seus aposentos. O moreno encarava o rosto pálido concentrado na leitura. Hinata era linda de todas as formas, a boca carnuda entreaberta, respirando de forma calma. Às vezes, ela respirava fundo, ou se mexia incomodada quando acontecia algo mais emocionante na história. A rainha de repente mirou os olhos claros do mais alto e fechou o livro, deixando um dedo na página em que estava.
— Sente-se.
— Estou cumprindo minha obrigação, majestade.
— Não me sinto bem com você em pé todo esse tempo, por favor. — Ela apontou para a poltrona à sua frente.
— Mas eu…
— É uma ordem, Neji — ela o cortou, fazendo com que o moreno obedecesse e sentasse.
A morena abriu o livro novamente e seguiu a sua leitura. Estava sentindo os olhos claros sobre ela e estava gostando da sensação. Queria tê-lo mais perto, sentir o seu cheiro e quem sabe os lábios nos seus. Neji percebeu que Hinata estava há muito tempo na mesma página e franziu o cenho, mas, antes que ele pudesse perguntar se havia algo de errado, ela fechou o livro e se levantou, o que fez com que o seu guarda fizesse o mesmo. Ele a seguiu entre as grandes estantes cheias de livros que haviam na biblioteca, e, por mais que tivesse sonhado com algum dia olhar para ela tão de perto, não imaginou que conseguiria.
A Hyuuga virou de supetão, ficando frente a frente com o moreno. Ele arregalou os olhos em surpresa e, por mais que devesse recuar, não conseguiu. Suas pernas paralisaram, os olhos perolados não se deixavam. O peito de Hinata subia e descia com velocidade, ela estava nervosa, mas era um nervoso que acendia a sua alma. Ela deu mais um passo em direção ao mais velho, e Neji sentiu um calafrio correr pelo seu corpo. Até onde ela iria? Ele precisava sair dali, em respeito à sua rainha, contudo, seu corpo queria aquilo, por mais que a sua razão berrasse para que impedisse que algo mais acontecesse.
— Majestade? — Ouviram uma voz masculina no escritório da rainha.
Hinata virou o corpo de Neji e o encostou na estante atrás dele. Colocou o dedo indicador nos lábios com um pedido de silêncio mudo e virou a cabeça em direção à saleta da biblioteca. Não demorou para ouvirem passos e em seguida a porta se fechando. Hinata respirou aliviada e o Otsutsuki estava estático, sentia o cheiro de jasmim inebriar completamente os seus sentidos. A Hyuuga virou para ele novamente e subiu os olhos até encontrar os do moreno. Ela se levantou, se apoiando nele, ficando na ponta dos pés, encurtando cada vez mais a distância entre os lábios, que não tardaram a se encontrar. Sentiu cada célula do seu corpo vibrar com a carícia que nunca tinha experimentado. Ela fechou os olhos, aproveitando o momento e ele fez o mesmo. Sentia o calor que emanava dela, seu perfume, suas mãos em seu peito e a pele de Hinata roçando na sua. Tudo isso o deixou completamente extasiado.
Após o primeiro beijo da sua vida, correu para o seu quarto, deixando Neji um tanto desconcertado. Nenhum dos dois soube como reagir, a Hyuuga fez o que lhe deu vontade e o Otsutsuki apenas acatou, pois seu corpo não pedia por algo diferente daquilo. Caso tivesse sido um sonho, Hinata não queria acordar, pensava ela, já deitada em sua cama. Abraçou o travesseiro ao seu lado e tocou os seus lábios com as pontas dos dedos, o que fez com que sentisse algo novo em seu peito e adormeceu assim, pensando nele.
Hinata acordou com uma criada a chamando para a sua reunião com o conselho. Havia pego no sono com seu vestido e seu corpo estava todo marcado do espartilho que usava. Trocou para um vestido mais confortável e seguiu para os seus afazeres. Já na sala matinal, onde fazia seu desjejum, perguntou para um dos guardas onde estava o Otsutsuki. O homem respondeu que ele tinha saído bem cedo para resolver alguns assuntos e que voltaria para a reunião. A Hyuuga começou a se sentir culpada. Será que ele tinha a correspondido só por ser a sua rainha e se viu na obrigação de acatar os seus desejos? Não, ela não poderia estar enganada, ela viu o jeito que ele a olhou, contudo, ainda se questionava, pois não sabia nada sobre a relação entre um homem e uma mulher.
Um dos guardas a acompanhou até a sala de reuniões e, ao entrar, seus olhos foram direto ao seu guarda pessoal, que estava sentado em sua cadeira de costume, ao lado da sua própria. Todos levantaram para receber a rainha e se sentaram quando ela tomou o seu lugar. Começaram as discussões sobre os assuntos de praxe que tinham toda semana, Hinata mal conseguia prestar atenção, ainda sentia um certo nervosismo por ter feito o que tinha feito, e Neji não estava diferente. Caso alguém soubesse que tinha beijado a sua rainha, poderia até ser mandado à guilhotina por tirar proveito da sua posição, pois seria isso que iriam pensar, afinal, que rainha em sã consciência beijaria um comandante da guarda real?
— Está de acordo, minha rainha? — a voz do meistre ressoou na saleta, fazendo Hinata acordar de seus devaneios.
— Desculpe, você poderia repetir? — Neji, percebendo a expressão confusa da rainha, se prontificou a perguntar.
— O baile está previsto para o fim da semana — o velho Sarutobi repetiu.
— Claro, estou de acordo. — Após a resposta da rainha, a reunião se deu por finalizada, deixando apenas Hinata e Neji na sala. A Hyuuga respirou fundo e quando ia falar…
— Vamos, majestade. Você tem afazeres agora à tarde. — Neji passou por ela e ficou a esperando no corredor.
Saiu acompanhada de Neji em silêncio, começando sua caminhada até o próximo local do castelo. Ela entendia que, para o reino funcionar perfeitamente, precisavam de sua rainha disposta e atenta, mas haviam coisas que ela não poderia resolver naquele dia. O Sarutobi ainda estava com aquela ideia absurda de casá-la. Caso fosse um homem, não precisaria de tal matrimônio para mostrar suas habilidades em liderar, seu pai bem avisou que isso era algo que seu cargo não poderia evitar.
Como com as suas vestes, um homem ao seu lado para reinar também era apropriado para Hinata. Uma boa monarca infelizmente não era aquela que sabia agir, pensar e ter uma educação perfeita, era aquela que agarrava o melhor pretendente e segurasse um casamento infeliz por longos anos. Filhos, bailes para que os dois esfreguem na cara dos convidados que um laçaram um ao outro, e os antigos pretendentes sentissem inveja, achando mesmo que havia felicidade ali, desejando voltar no tempo e fazer algo diferente para conquistá-la.
— Me lembre, por favor, de chamar alguém para providenciar um novo vestido? — Interrompeu sua mente antes de enlouquecer. Neji apenas acenou. — Algo aconteceu para que sua rainha mereça este silêncio?
— Estou com alguns compromissos marcados para agora, majestade. Receio que outro guarda terá que acompanhá-la, caso não haja problemas.
Havia, mas qual justificativa usaria para mantê-lo a seu lado?
— Não há — respondeu.
Viu a referência apressada assim que chegou à porta da biblioteca e assistiu o homem caminhar até perdê-lo de vista.
¹BOLEEIRO — Aquele que dirige os cavalos de carruagem ou outro veículo hipomóvel.
— Majestade, bom dia, Neji está em outra tarefa hoje — o soldado da guarda disse rapidamente após a mensura, abrindo a porta para sua rainha.
— Muito obrigada. — Saiu, dando as costas ao quarto.
Não entendeu o afastamento do Otsutsuki e até se sentiu culpada por isso. Imaginou que o motivo para o sumiço de seu fiel guarda real era a sua falta de decoro na biblioteca. A reunião com o conselho, onde ele estava aéreo, foi o segundo aviso de que algo estaria ligeiramente errado, e a falta do moreno pela segunda manhã consecutiva dava a certeza de que Hinata havia ido longe demais.
Neji era um homem honrado e de moral impecável. Nunca ouvira rumores sobre mulheres nos aposentos do moreno, como de tantos outros guardas que não levavam tão a sério o voto de fidelidade à coroa. Não podiam procriar nem manter esposas, eram seus soldados, sem vínculos, sem legado; somente a dedicação total e suas vidas para que o reino e a rainha se mantivessem à altura de outros tantos que os rodeavam. Poder é poder, e a servidão cega aos ideais de seus antepassados.
Pareceu pedir demais que um homem tão bom e de coração tão leal abrisse mão de tudo isso para ser o que quer que Hinata pensasse. Ela não tentou confundi-lo ou usá-lo, somente deu voz ao desejo que sentia, e se ele se sentiu pressionado, e se não sentiu o mesmo e resolveu sumir para que não fosse grosseiro com a Hyuuga? Ela nunca pensaria em puni-lo caso não fosse correspondida. Será que ele tinha tais pensamentos?
Sentou-se na grande mesa posta com tudo que aquela terra abençoada produzia de melhor, mas faltava algo. Olhou para sua direita e viu que não era ele. Haru estava calmo como Neji, silencioso e muito solícito, contudo, não era ele. Não o via há três dias e os preparativos do baile consumiam seu tempo, a impedindo de ir procurar por ele, mesmo que sua vontade fosse de largar aquele banquete e ir de uma vez perguntar se um beijo era o suficiente para deixá-lo tão distante e cheio de obrigações que de uma hora para outra só poderiam ser resolvidas por ele, mesmo que isso a estivesse consumindo, ela nada poderia fazer por enquanto. Seus deveres antes de seus quereres, seu pai lembrava.
Respirou fundo, derrotada, terminou de fazer a sua refeição e começou os seus deveres. Incumbiu serviçais a arrumarem o grande salão do jeito que ela queria, não se importava em agradar os reinos vizinhos que vinham apenas com o intuito de disputar a atenção da rainha em busca de um tratado político. Aquilo com certeza a irritava, estava apenas cumprindo uma formalidade, pois, como já havia se decidido, não casaria por um acordo e jamais abriria mão disso. Gostaria de ser que nem os seus pais, casaram-se por amor. Claro que o destino deu uma ajuda pela sua mãe ser a princesa do Reino da Nuvem, no entanto, ela não se importava com títulos.
Seguiu suas atividades e, ao entrar na biblioteca, deu de cara com os olhos perolados tão parecidos com os seus. Hinata chegou até a se assustar com a presença repentina de Neji, não costumava ter ele à sua frente e, sim, guardando suas costas, como Haru o fazia agora.
— Estou de saída, majestade. — O Otsutsuki mirou a porta, mas foi impedido pelo braço ereto da Hyuuga à sua frente.
— Haru, nos dê licença.
— Como queira, majestade. — O guarda se retirou, fechando a porta grossa de madeira, e Neji sentiu seu coração errar uma batida.
— Sente-se. — Hinata caminhou até sua poltrona atrás da grande mesa de madeira.
— Eu preciso resolver…
— Seja lá o que for, a sua rainha é mais importante, não? — a morena o cortou, já estava irritada com o seu comportamento, e o Otsutsuki sentiu isso na voz dela. Parou e deu meia volta, ficando em posição de respeito à frente da rainha, que já estava sentada. — Ótima escolha. Agora me diga o porquê de estar tão evasivo?
— E-eu só estou resolvendo algumas coisas para o baile, majestade. — Praguejou-se mentalmente por ter gaguejando. Merda, ele pensava. — Acredito que esteja tão ocupada quanto eu, peço perdão por não estar…
— Agora é a parte que eu ignoro o que falou e você me diz a verdade — Hinata o interrompeu mais uma vez. Do mesmo jeito que Neji a conhecia melhor do que ninguém, ela também sabia cada expressão e cada tom usado em sua voz. Ele apenas abaixou a cabeça e suspirou, não podia falar o que pensava nos últimos dias. — Vai me fazer esperar até quando, Neji? — A rainha levantou e bateu na mesa, o deixando surpreso. Ela estava frustrada, sentia o amargo tomar conta da sua boca ao ver que nem ao menos olhar para ela Neji conseguia. — Se quiser deixar de ser meu guarda pessoal, me avise por escrito. Saia.
— Não é isso, alteza. — Os olhos dele finalmente encontraram os seus.
— Então me dê uma explicação! — O guarda nunca a viu daquela forma e estava realmente surpreso com a sua reação. — Você está me evitando por causa do beijo? — Ele desviou o olhar ao chão. — O quê? Acha que eu iria obrigar você a fazer algo por ser a sua rainha? Você me ofende dessa maneira.
— Jamais pensei isso. — Neji estava em um impasse. Falava o verdadeiro motivo por ter se afastado e corria o risco de acabar com sua cabeça rolando à frente da guilhotina, ou apenas dava uma desculpa que provavelmente a deixaria ainda mais irritada? — Nós… não podemos, majestade.
— Dispensado. — Ela se jogou na cadeira, cansada, assim que ele cruzou a porta. O que ele queria dizer com isso? Não podem o quê? Ele a queria tanto quanto ela o queria, por isso estava a evitando? O baile de amanhã seria uma ótima oportunidade para fazer um teste.
Hinata se apertava novamente na torturante rotina de se vestir para algo que não queria mesmo fazer. Dessa vez para uma ocasião que a única coisa que queria era o poder de sumir, como os magos dos livros que sua mãe lia quando era pequena e inocente. Não saberia dizer com certeza o que esperar de seus pretendentes e se sairia algo de todo aquele teatro bom o bastante para satisfazer o conselho e o velho Sarutobi.
Pecava mentalmente com a quantidade de xingamentos que conseguia pensar em um único segundo, voltados ao velho Hiruzen e alguns até para Neji, que só se afastou ainda mais depois da última conversa na biblioteca. A semana correu e, em um piscar de olhos, já estava pronta para uma guerra que não se lutava com espadas. Palavras eram suas armas e todo e qualquer movimento poderia colocá-la em uma posição desfavorável. Neji não era o maior de seus problemas, não naquela noite.
Respirou fundo quando sentiu o aperto incomodar seu estômago, aquela coisa foi puxada até o fim para dar um ar de mais saúde à rainha. Sentou em sua penteadeira, sentindo a leveza da seda vinho, perfeitamente cortada e ornada com fios dourados, dando um acabamento impecável ao que já era belo. A coroa pesada foi posta em sua cabeça, e ali, novamente, sentiu falta do Otsutsuki. Olhou para o espelho e finalmente notou que estava irresistível.
Daria início ao plano de saber o que seu guarda real queria de verdade. Sem o medo de falar com sua soberana, sem a pressão de estar perante sua superior. Só ele, ela e os sentimentos que confundiam ambos. Hoje, teria a certeza.
Parou na entrada do salão que seria a grande festa. Os guardas se colocaram em posição, um dos homens da guarda dentro do local chamou a atenção dos convidados, e o falatório animado, que podia ser ouvido anteriormente, foi tomado por um silêncio respeitoso.
— Sua alteza real, Hinata Hyuuga.
E assim as portas duplas foram abertas e a luz forte atingiu seus olhos. Hinata sorriu fraco apenas para saudar os visitantes. Caminhou sem pressa até o fundo do local bem decorado, chegando até seu trono, mas antes dela se sentar para começar a ouvir as ladainhas de homens querendo aumentar seu reino casando um de seus filhos mimados com ela, uniu as mãos cobertas pelas luvas brancas e começou seu discurso.
— Boa noite a todos. Muito bem-vindos ao baile de apresentação dos pretendentes a ter a minha mão. — Merecer, pensou. — Alguns de vocês já conheço por tratados, mas mesmo assim, peço que se façam novamente. Não por formalidade, mas para que nossos reinos não sejam mais desconhecidos.
Todos ouviram as palavras da Hyuuga com atenção, ela se sentou e então os representantes do primeiro reino fizeram-se presentes à sua frente. Hinata os olhava com atenção e carinho, gostaria de levantar para abraçá-los, mas tinha que manter a pose.
— Hashirama senju, rei do Reino das Folhas. — Reverenciou a rainha.
— Tsunade Senju, princesa e próxima sucessora do Reino das Folhas. — Fez o mesmo que seu pai, porém piscou para a amiga, recebendo um riso contido.
— É um prazer recebê-los em meu reino.
Hashirama estava ali apenas para presenciar quem seria escolhido, já que isso influenciava diretamente seus tratados com o Reino de Hinata. O reino da Lua sempre foi seu grande aliado, afinal, Hiashi era um grande amigo. O Senju admirava a força e a liderança da Hyuuga e gostaria que sua filha seguisse pelo mesmo caminho. Apresentados, saíram, dando lugar ao próximo. Hinata olhou com um certo desconforto e o Otsutsuki, que estava ao seu lado, percebeu. Pois, claro, após a discussão na biblioteca, Neji não deixaria de estar ao lado da sua rainha, cumprindo o seu dever. Lhe ofereceu uma taça de vinho, a qual a rainha pegou e deu um gole generoso discretamente.
— Madara Uchiha, rei do reino do Fogo. — Reverenciou a rainha com o sorriso presunçoso no rosto. Hinata odiava aquilo.
— Itachi Uchiha, primogênito e príncipe do reino do Fogo. — Também se abaixou em respeito. Itachi era bonito, a Hyuuga notava as nuances simpáticas que o moreno trazia consigo. Apesar do olhar amedrontador que todo Uchiha possuía, Itachi era o mais sereno de todos eles.
— Sasuke Uchiha, príncipe do reino do Fogo. — Esse a morena com certeza não gostaria de tê-lo, o sorriso convencido igual ao pai e os olhos tão aterrorizantes quanto os de Madara.
— É um prazer recebê-los. — Ela até tentou sorrir, mas o máximo que conseguiu foi um curvar de lábios. Os Uchihas nunca foram inimigos, mas com certeza nunca foram aliados, pensavam apenas em benefício próprio e passariam por cima de qualquer um que se colocasse em seu caminho. A Hyuuga não gostava disso. Saíram de sua frente e o próximo foi apresentado.
— Gaara No Sabaku, rei do Reino da Areia. — Curvou-se.
— Temari No Sabaku, princesa do Reino da Areia. — Fez o mesmo que o irmão mais novo, seguida do irmão do meio.
— Kankuru No Sabaku, príncipe do Reino da Areia.
Hinata os conhecia, não por serem um reino famoso, mas pela história que a família No Sabaku carregava. Quem deveria assumir o reino deveria ser Temari, já que era a mais velha, porém o Reino da Areia, como todos os outros, com exceção do das Folhas, tinha o pensamento arcaico que mulheres não podiam assumir o poder por serem muito… instáveis. Então, Kankuru deveria assumir, contudo, às vésperas da sua coroação, foi descoberto que ele era um bastardo. Gaara, o ruivo dos olhos verdes, cobiçado por metade das mulheres da alta classe, assumiu. Ele fazia um bom trabalho. Apesar da pouca idade, ele era inteligente e sempre consultava seus irmãos em qualquer decisão. Deixava claro que o reino era tão dele quanto deles. Hinata os admirava.
— Sejam bem-vindos. Creio que é a primeira vez que nos encontramos. É um prazer recebê-los em meu reino. — Sorriu, de certo queria um tratado com eles, mas não um que precisasse de casamento.
Por último, os Uzumaki's, que já haviam tentado a todo custo anos atrás prometer Hinata à Naruto, quando eram apenas crianças. Então ela esperava qualquer coisa do reino do Sol para tentar firmar esse casamento. O que eles não sabiam era que a Hyuuga o evitaria a todo custo. Os viu se aproximar e sorriu para o loiro. Ela sabia que ele era contra esse tipo de coisa, assim como ela, pelo pouco que conversaram em alguns eventos.
— Minato Uzumaki, rei do Reino do Sol.
— Kushina Uzumaki, rainha do Reino do Sol.
— Naruto Uzumaki, príncipe do Reino do Sol. — A família toda reverenciou a Hyuuga como todos os outros antes deles.
— Sejam bem-vindos. Espero que todos aproveitem o baile e bebam à vontade. — Pois era o que ela queria fazer. Aquele maldito circo armado pelo velho Hiruzen mal tinha começado e já estava lhe dando dor de cabeça. Virou o líquido carmim em sua taça e entregou a Neji em um pedido mudo por mais. Seria uma noite longa.
— Como você está, menina?
— Não sou mais uma menina, Hashirama. — A Hyuuga riu divertida.
— Eu sei, e isso me dói, pois quer dizer que a minha filha também não é mais uma. — Ele sorriu fraco, se lembrando das responsabilidades que vinham com a idade, ainda mais quando ele queria que ela assumisse seu lugar ao invés de casar novamente e ter um filho homem. — Seu pai estaria orgulhoso. — Hinata sorriu satisfeita e agradeceu, o adorava como se fosse seu tio e ouvir isso dele a aquecia o peito.
A Hyuuga seguiu de volta para a sua cadeira e pediu para que Neji trouxesse mais vinho. Bebeu algumas taças e apenas relaxou, olhando as pessoas dançarem, beberem, ou apenas conversarem em seu salão. Então viu o tímido Gaara se aproximar de si. Viu que seus olhos quase miravam o chão ao chamá-la para dançar, e então Hinata sorriu, aceitando. De certo, o ruivo contrastava com o cabelo azulado da rainha. Neji assistia tudo de longe, e, no momento que o No Sabaku sussurrou algo na orelha de Hinata, o Otsutsuki trincou os dentes. O que ele estava sentindo? Não podia deixar suas emoções o controlarem, e, com essa constatação, tentou se recompor.
Assim que a música acabou, Hinata chamou a atenção de todos, pedindo para que o guarda abrisse a sala de jantar. Então todos se direcionaram a ela e tomaram seus lugares que possuíam seus nomes sob o prato de porcelana. Neji esticou a mão para que a Hyuuga se apoiasse, ele a conduziu até a sala de jantar e, ao estar acomodada, deu início ao banquete. Todos se deliciaram com a comida excepcional que era servida, o Reino da Lua era conhecido pelas suas fartas colheitas e sua produção de tecido, mais especificamente a seda. Ao fim do jantar, os empregados retiraram as louças, o Otsutsuki conduziu sua rainha até o seu trono novamente, e então todos voltaram ao salão.
Seria educado esperar no mínimo umas duas horas antes de chamar a rainha para dançar, afinal, tinham acabado de fazer uma refeição. Então Itachi foi mais esperto, o gênio do clã Uchiha escolheu aquele momento, pois sabia que teria mais tempo com a Rainha. Aproximou-se de forma elegante e a chamou para uma volta no jardim. Hinata nem mesmo ligava o que faria com os pretendentes, queria apenas que aquela noite acabasse. Aceitou o convite e recebeu o olhar reprovador do seu guarda, que fez questão de dizer que os acompanhava de longe por questão de proteção.
Saíram os três pelo salão até sumir das vistas dos convidados, Hinata adorava caminhar pelo jardim e a companhia de Itachi estava agradável. Ele não parecia ser como os outros, não aparentava estar ali só para cumprir um dever, ele estava se divertindo, e isso a deixou animada. O Uchiha conversava abertamente sobre tudo com Hinata, e ela se sentia confortável com a sua presença, riu de algumas besteiras e isso fez Neji enrijecer todos os seus músculos. Respirou fundo, controlando as emoções que insistiam em deixá-lo de maneira irracional. Ao voltarem para o salão, Hinata viu a expressão descontente do seu guarda e então viu uma ótima oportunidade.
— Poderíamos dançar, não? — a Hyuuga propôs, e viu o semblante de Neji franzir ainda mais. Ela sorriu discretamente, poderia até estar sendo cruel, no entanto, queria sanar suas dúvidas.
— Claro, majestade. — Itachi a conduziu até a pista de dança como se exibisse um troféu, afinal, ela o tinha chamado para dançar e não o contrário. Seu ego masculino envaideceu.
Dançavam e conversavam como se já se conhecessem há tempos. Todos os pretendentes olharam como se já tivessem perdido a guerra sem nem ter finalizado a primeira batalha. O cortejo a uma rainha durava semanas, meses e às vezes até anos, e era com isso que Hinata contava. Ela distribuía sorrisos graciosos, e Itachi a rodopiava pelo salão, estavam realmente se divertindo. Neji fechou os punhos e mordeu o lábio, sentiu seu corpo esquentar pela raiva repentina, e então viu Tsunade se aproximar, sorrindo de um jeito que não o deixou muito contente. Ela o chamou para dançar e ficou indeciso se deveria aceitar, afinal, apesar de todos do reino da Folha serem amigos, ele era apenas o comandante da guarda real, mas ainda com um título alto, afinal, era um membro do conselho.
— Vamos, Neji, não tenho a noite toda. — A loira revirou os olhos, impaciente. O outro aceitou e a conduziu até o meio do salão. — Você está bem?
— Sim, por que a pergunta? — Arqueou a sobrancelha.
— Só percebi você meio… tenso, mais do que o normal. — Ela deu um sorriso confiante. — Sabe, acho que às vezes devemos esquecer de títulos
— Como? — ele perguntou confuso.
— Eu perdi alguém que amava, sabe? Nunca pude ficar com ele porque era da plebe. Acho isso tão injusto, não quero me casar por um mero tratado e acho que a Hina pensa o mesmo que eu.
— Se você pensa assim. — Nesse meio tempo, Neji viu a mão de Itachi descer para a cintura da Hyuuga, fazendo com que, em um espasmo, ele puxasse Tsunade para mais perto de si. — Me desculpe. — Afastou-se, mantendo uma distância respeitosa.
— Está tudo bem, Neji. Não esconda dela, apenas diga o que sente. — A música acabou naquele momento, e então Tsunade saiu, o deixando perplexo no meio do salão. Estava tão na cara assim? Ele pensou.
Depois daquele momento com a Senju, o comandante da guarda real se viu completamente desarmado e nem mesmo lutando estava. Voltou ao seu posto ao lado do trono da sua rainha, que logo voltou ao seu lugar. Deu uma olhada para Neji e fez sinal que se aproximasse, falando que queria mais vinho e que em breve encerraria aquilo, afinal, só faltava um para que concedesse a dança, e por mais que quisesse muito encerrar aquele circo, queria ser cordial com todos. O moreno levou a taça que fora pedida e em seguida se abaixou para lhe falar.
— Não acha que já bebeu o suficiente?
— Está querendo me controlar, Neji?
— Não, alteza, nunca faria isso. Foi só um comentário, já que até com um Uchiha você se divertiu. — O ponto que ela queria acertar. Hinata bebeu um pouco do líquido e sorriu satisfeita.
Sasuke Uchiha, ao contrário do irmão, não era elegante e simpático como ele, mas Hinata cedeu a dança. Nunca pediu tanto mentalmente para uma dança acabar. Sasuke também era bonito, lembrava Itachi, no entanto era mal humorado demais. Finalizada a dança e a música, Hinata quis se recolher. Obviamente, seus convidados dos reinos vizinhos seriam acolhidos na ala para convidados do castelo. Avisou a Neji que queria ir para o quarto, e ele se sentiu aliviado, poderia ir para o seu quarto e socar o travesseiro para extravasar a raiva que sentiu durante todo o baile. Era o máximo que poderia fazer naquela hora da noite, contudo, tinha um objetivo no dia seguinte, sair para treinar com seus soldados, talvez melhorasse seu humor. Caminhou pelos corredores, acompanhando Hinata até os seus aposentos, e então deu boa noite.
— Preciso de ajuda. — O moreno sentiu um calafrio correr pelo seu corpo, ao escutar a voz doce, quando já estava de costas. — Poderia entrar?
— Claro, majestade. — Abriu a porta para ela passar e se pôs para dentro, fechando a porta atrás de si.
Conhecia aquele ritual de cor e salteado, a seguiu até a poltrona próxima da penteadeira. A viu se sentar, esperando que ele tirasse as suas joias e assim o fez. Começou pelas pulseiras, colares, brincos e, por fim, a coroa. Engoliu em seco quando a viu levantar, puxar os cabelos para frente e virar de costas para si. Começou a puxar as cordas que amarravam o espartilho, viu o vestido ir cedendo, pouco a pouco, e fechou os olhos, respirando fundo. Ele rezava para todos os Deuses que lhe dessem forças. Caso ela tentasse algo, não se seguraria, não depois de sentir a raiva de ter todos aqueles homens em cima dela como abutres a vendo apenas como um acordo comercial.
O pior de tudo era que ele sabia que aquilo era necessário, mas seu coração falava mais alto em certos momentos. Não podia mais negar para si, estava fugindo por um motivo bem específico e que o assustava bastante. Ele não estava em posição de se apaixonar pela rainha e nem podia, era totalmente fora das regras da sua conduta, ou das leis da monarquia. O que ele tinha na cabeça? Precisava recobrar sua razão e voltar a exercer o seu ofício. Viu por cima do ombro da Hyuuga que o vestido basicamente era segurado pelos bicos dos seus seios e se virou para lhe dar privacidade.
— Pode virar, Neji — Hinata disse suave, e então Neji se assustou ao vê-la completamente nua.
— Majestade! — alarmou-se e virou rapidamente.
— Me diga que não quer me beijar novamente, me diga que não quer nada comigo e esquecemos de qualquer coisa que tenha acontecido. — O peito do Otsutsuki subia e descia em tamanho nervosismo que corria pelas suas veias. Sentia o seu coração socar sua caixa torácica e então, em um momento de lucidez, a voz de Tsunade ecoou por sua mente.
"Não esconda nada dela, apenas diga o que sente." Ele podia?
— Estou apaixonado por você, minha rainha — disse, de uma vez, ainda de costas, deixando Hinata completamente surpresa. — Talvez seja melhor trocar de guarda pessoal. — A mais nova franziu o cenho e o puxou pelo pulso para virar ele para si, que fechou os olhos no mesmo instante.
— Você está louco? — Neji engoliu em seco e a Hyuuga se aproveitou da sua falta de visão, ficou nas pontas dos pés e o beijou, sentiu os lábios quentes tocarem os seus e aquilo a aqueceu por completo. Agarrou a nuca do moreno e instintivamente entreabriu a boca, sentindo a língua macia circular a sua, a pele arrepiou inteira com o toque e seu coração bateu mais forte. Estavam em uma aura completamente deles, não pensavam em mais nada além da sensação de ter um ao outro. Quando o mais alto levou a mão à cintura de Hinata, percebendo, ou melhor, lembrando que ela estava nua, ele parou imediatamente.
— Majestade…
— Por Deus, Neji, me chame de Hinata — ela o cortou impaciente e voltou a beijá-lo.
O outro agarrou o quadril farto e sentiu as pernas dela enrolarem em si. Sua mente nublou completamente, suas mãos passeavam pelas costas desnudas, enquanto viajava naquele beijo envolvente. Desceu beijos pelo pescoço, colo. Caminhou até a cama, a colocando deitada, e se perdeu ao ver o rosto corado, os dentes mordendo o lábio inferior e o corpo escultural que Hinata possuía. Sua respiração estava pesada, ele realmente faria aquilo? Pelo que ele sabia, ela era virgem, e se ele fizesse o que estava prestes a fazer, seria um problema para ela se casar.
— Neji, vem… — Hinata deslizou a mão pelo próprio corpo de maneira sensual até chegar a sua intimidade, o barulho indecente que se seguiu revelou que ela estava completamente molhada e isso fez Neji jogar o resto da razão pela janela. A atacou como um leão ataca uma gazela. Beijou seus seios antes de lamber seus mamilos e os mordiscar de leve, ouvindo gemidos deixarem a boca dela. Desceu mais e beijou toda a extensão da sua barriga, chegando ao topo de vênus. Lambeu dali até a sua entrada, sem deixar de olhar em seus olhos. Hinata estava extremamente excitada, jamais tinha sentido tanto prazer em toda sua vida.
O moreno chupou seu clitóris inchado e o sentia vibrar na ponta da sua língua. Hinata era doce, e o seu cheiro de jasmim o deixava à mercê do seu tesão. Ao penetrar dois dedos na entrada molhada da Hyuuga, Neji sentiu o interior apertar seus dedos, seu ápice estava próximo. Continuou as estocadas, e ela gemia cada vez mais alto, puxando os lençóis de seda da sua cama, aquilo a estava enlouquecendo. Afundou as mãos entre os cabelos longos do Otsutsuki, gemendo o seu nome quando explodiu em sua boca. Ao perceber que ela se recuperara, se ajoelhou na cama, a encarou e uniu forças para buscar sua sanidade.
— Tem certeza disso? — perguntou receoso.
— Você está falando isso por causa da dor?
— Estou falando por causa de um casamento iminente.
— É sério, Neji? — Hinata ergueu-se, se apoiando nos cotovelos para olhá-lo incrédula. — Por que você está falando disso agora?
— Por que é o meu trabalho, alte… Hi-hinata. — Ela odiou. Ficou irritada por ele falar de trabalho ou de deveres em uma hora daquelas, no entanto, sorriu, pois ele tinha a chamado pelo nome pela primeira vez.
— Me ame, Neji. Me ame agora. — Ele apenas assentiu, levantou e tirou as roupas. A Hyuuga admirava o corpo esguio, mas bem definido devido aos anos de treinamento. Mordeu o lábio com a visão e viu ele se ajoelhar na cama novamente, se colocando entre as pernas dela.
— Vai doer um pouco… — Ela maneou a cabeça e segurou os ombros do maior. Neji pincelou seu pênis na entrada dela, o qual não teve nenhuma dificuldade para deslizar para dentro. Conforme ia entrando, sentia as unhas de Hinata massacrarem seus ombros, mas a dor se misturava ao prazer que sentia ao entrar nela. Entrou todo e esperou para que ela se acostumasse com o seu tamanho. — Está tudo bem?
— Sim — respondeu, em um fio de voz. Mantinha os olhos fechados, confiava nele cegamente e sabia que ele faria o possível para que não sentisse tanta dor.
Ele começou a se movimentar devagar e, conforme ia percebendo a expressão da Hyuuga mudar, ele acelerava o movimento do seu quadril. Segurou as coxas dela e levantou para que envolvesse em sua cintura, daquela forma iria ficar mais confortável para ela. Não demorou muito para Hinata começar a gemer em alto e bom som, agradecia as paredes grossas de pedra e as portas de madeira maciça. Uniu-se a ela em gemidos melodiosos, o prazer transbordava para os dois e, ao sentir as paredes de Hinata o mastigarem, levou o dedão ao clitóris, a estimulando. Em pouco tempo, ela se desfez em um segundo orgasmo que a deixou vibrando, e em seguida Neji se retirou dela e gozou. O moreno caiu ao lado dela na cama e a admirou, achando a mulher mais linda do mundo, inalcançável, porém a realidade era que só tinha olhos para ela.
Sentia-se o homem mais sortudo do mundo e ao mesmo tempo o mais azarado. Não poderia dar certo em hipótese alguma, e se arrependeu por ter ouvido Tsunade. Ele colocou sozinho, em uma noite, duas pessoas em risco e não se perdoaria caso alguém descobrisse e quisesse se voltar contra a sua rainha, mas o sorriso que não abandonava seu rosto ao lembrar dela, da noite, dos toques, o cheiro… céus, sua rainha era perfeita; sua Hinata era perfeita.
Tratou de se vestir para começar o seu dia de guarda. Passaria as horas ao lado dela, sentindo novamente a proximidade que na noite passada era imensa, ficaria de olho nos pretendentes e aproveitaria um pouco mais de sua companhia. Já pronto, seguiu para o quarto de Hinata e, ao entrar, viu a movimentação de criadas para todos os lados. Hoje seria um dia longo, os convidados tomariam o desjejum com a rainha e seguiriam o rumo para suas próprias terras — sorte a sua —, mas haveria o lado amargo que sempre acompanharia a vida de Neji. As propostas também seriam deixadas com o pequeno conselho que leria cada uma delas e escolheria o melhor partido para sua Rainha.
— Azar o meu — sussurrou, notando a aproximação da Hyuuga. Abriu a porta e fez sua reverência quando sua majestade passou.
Hinata passou à sua frente e seguiu para o local onde aconteceria sua execução, ou o café matinal de despedida dos seus ilustres convidados. Assim que entrou pelas portas, todos os presentes se levantaram, reverenciando a rainha. Sorriu contida para alguns e pediu para que se sentassem. Estranhamente, Itachi estava ao seu lado, e Tsunade Senju do outro, ao lado delas, de pé, um Neji um pouco diferente do normal.
— Bom dia, Tsu, dormiu bem? Espero que seus aposentos tenham a agradado. — A única ali com quem poderia ser ela mesma, tirando Neji, claro. Tinham anos de amizade e a distância não mudava nada entre as duas herdeiras.
— Dormi muito bem, Hina. Como sempre, me sinto em casa quando venho te visitar.
— Então é um dom seu, nos fazer sentir em casa? — O Uchiha era charmoso e curioso de uma forma agradável.
— Temo que seja culpa de minha mãe, senhor Uchiha.
— Itachi, ou, se quiser, me chame de Ita, majestade. — Pegou a mão da morena, deixando um beijo nas costas. Neji revirou os olhos automaticamente e foi pego pela Senju, que acabou tossindo na xícara de chá que bebia, chamando a atenção de todos.
— Desculpem meu descuido. — Tsunade queria rir como nunca riu na vida. Estava na cara do moreno que ele queria matar o Uchiha ali mesmo na mesa. Seu tio Tobirama o agradeceria mais tarde.
Hinata retirou sua mão das do moreno, agradecendo o cumprimento com um sorriso pequeno. Itachi era um cavalheiro e seria o rei perfeito ao seu lado, caso seu coração já não tivesse dono. Sorriu para a amiga, continuando os assuntos de sempre. Treinos, aulas, tratados e os velhos do conselho. Havia muitas coisas em comum; ser herdeira e mulher, em um mundo de homens velhos, de pensamentos ultrapassados e toda a história de legado, nome, futuro e herdeiros.
— Território! — Riram em seguida, lembrando de uma piada interna entre as duas. Toda vez que não soubessem o que expandir ou houvesse dúvidas para onde focar seus esforços, aprenderam que terras nunca são demais.
— Desculpe atrapalhar a reunião, mas, criança... — Madara falava com uma arrogância irritante. Chamá-la de criança em seu próprio reino era um absurdo, mas sempre tinha a desculpa de ser um velho retrógrado. — Temos uma proposta para você. Pense com carinho na força que possuímos, seria benéfico para ambos. Temos que ir, garotos.
Sasuke se levantou junto a ele, passando pela Hyuuga, a cumprimentando, por último Itachi, que beijou sua mão e saiu, seguindo seus familiares.
— Espero que não aceite, meu tio ficaria uma fera. — Tsunade olhou para o pai, que estava entretido com outro convidado. — Se bem acho, houve uma proposta ontem…
— Eu não soube… — Hinata apertou a mão sobre a mesa.
— Como não soube? Eu mesma falei com ele. — Neji arregalou os olhos ao entender.
— Falou? Eu não entendi, Tsu…
A Senju se aproximou da orelha da Hyuuga e disse baixo, mesmo sabendo que o Otsutsuki escutaria.
— Neji não fez uma proposta ontem? Espero que seja bem generosa… — O olhou de cima a baixo, com um sorriso sugestivo. — É, parece bem generoso…
Hinata pôs sua mão na boca, tapando o grito que queria sair. Tsunade sabia…
— Como?
— Te explico depois…
— Tsunade, agora.
— Vou ficar mais dois dias. Teremos muito para conversar, Hyuuga. — Olhou novamente para Neji, que já estava pensando em uma rota de fuga para sair debaixo do olhar cheio de duplo sentido da loira. — Guarde um pouco para mais tarde.
— Senhor… — Hinata olhou para o céu, pedindo que alguma intervenção divina a salvasse da amiga.
— Me agradeça depois. Estou tendo aulas com alguns curandeiros de outros reinos, faremos algo para evitar…
— Evitar?
— Herdeiros, Hinata. Ainda não acordou? — Poderia ser alguns meses mais velha que a rainha, mas sabia bem mais que ela, sem dúvidas. — Não quer que o reino saiba, não é?
Após a longa fila de agradecimentos de seus convidados, Hinata teve tempo um pouco antes do almoço ser servido e chamou Tsunade para as suas usuais voltas pelo jardim do palácio. Faziam aquilo para conversar com privacidade, sem nenhum serviçal por perto. Neji era o único que as seguia, e, mesmo assim, a uma distância a qual não conseguiria ouvir suas conversas. Tsunade contava como ia o seu treinamento e estudos para assumir o lugar do seu pai dali há alguns anos, se empolgava contando sobre isso, afinal, tinha a chance de mostrar o seu valor ao seu reino. A Hyuuga ficava feliz de ver a amiga daquele jeito, com certeza dariam grandes bailes juntas e se divertiriam bastante.
— Mas agora me conte… como soube? — Hinata perguntou, em um tom baixo.
— Não precisei me preocupar em descobrir, a irritação estava estampada na cara de Neji. — Tsunade riu alto, escandalosa como sempre. A rainha gostava da espontaneidade da amiga. — Pela sua cara no café da manhã, aconteceu. Foi seu primeiro?
— Não seja indiscreta, Tsu. — A morena corou.
— Desde quando tem segredos comigo? — A Senju arqueou a sobrancelha. — Me conte logo, estou ficando nervosa.
— Sim — respondeu simplista.
— Sim o quê? Aconteceu ou foi o primeiro?
— Os dois, Tsu. — Ela revirou os olhos, e a loira riu, se aproximando e colocando o braço ao redor do pescoço da amiga.
— Foi bom?
— Tsunade! — Hinata ralhou com ela, que saiu correndo na frente, rindo do constrangimento dela.
Após a Senju explicar os chás que deveria tomar durante todo o período que não estivesse sangrando, entraram para o almoço. A refeição seria servida no solário, afinal, ela tinha visitas importantes. Hashirama e Tsunade eram sua segunda família, se sentia bem como nunca quando estava com eles. Sentaram na mesa, aguardando os criados os servirem e os deixarem a sós, deixando apenas Neji presente. As conversas e risadas corriam soltas, pareciam realmente família. Toda vez que vinham visitá-la, Hinata se enchia de alegria. O almoço teve fim após a sobremesa, e o Otsutsuki os deixou na sala de música aos cuidados de Haru, seu guarda de confiança, para então ir de encontro ao conselho.
Assim que entrou na sala escura, viu os homens de confiança do reino já sentados. Aquela reunião não requeria a presença da rainha, pois era sobre o destino dela que decidiriam, o que fazia Neji pensar o quanto aquilo era errado. Deixaria Hinata ter um bom dia para que a noite pudessem atacá-la com uma enxurrada de propostas, tratados e cartas íntimas de seus pretendentes. Só em pensar que estaria com ela quando a notícia sobre as decisões que tomariam ali chegasse até ela, sentia um gosto amargo na boca.
— Boa tarde a todos. — Hiruzen deu início. — Estamos reunidos para resolver o futuro de nosso amado reino.
— E do casamento da rainha. — Shikaku fez a observação ainda de olhos fechados e braços cruzados no peito.
— As duas são a mesma coisa — o velho ralhou.
— Não são, Hiruzen — o Nara continuou. — O que importa um reino grandioso e próspero quando a felicidade da rainha não faz parte de toda essa realidade?
— O senhor acha que não quero a felicidade de nossa rainha? Herdeiros são necessários para a continuidade…
— Acho que a última coisa em que está pensando é na felicidade de nossa rainha, Meistre Sarutobi. — Neji não via verdade alguma naquele senhor. Não via verdade em seus votos de felicidade à rainha, não via nem nos cumprimentos que trocava com ela.
Ele era o homem que Hinata deveria derrotar, dia após dia. Aquele pensamento sobre herdeiros e terras o dava nos nervos. Ela não era procriadora, muito menos moeda de troca para mais alguns quilômetros de terra. A Hyuuga era forte, e todos aqueles homens deveriam saber o que ela estava disposta a conquistar sozinha, sem um casamento vantajoso, com suas mãos, diariamente.
— Há um meio termo para tudo isso. — O Sarutobi tossiu, tentando acabar com as discussões sem fundamento que estavam tirando o foco da reunião. — Creio que o Uchiha mais novo não precisará ser colocado em pauta. Além de não herdar o legado de Madara, ele não demonstrou interesse genuíno em nossa soberana. Mesmo tendo um acordo vantajoso.
Neji segurou a vontade de socar o velho. Acordos, era tudo que importava no final.
— Naruto? — o Nara voltou a falar, desta vez abrindo seus olhos escuros.
— Minato não se mostrou assim tão solícito. Houve uma proposta de uma princesa de um reino menor e mais perto das terras do sol. — Hiruzen deixou os pergaminhos com o selo do sol em cima do de Sasuke.
— Entendo — Inoichi finalizou. São dois a menos, o Otsutsuki pensou.
— Os No Sabaku também apresentaram duas propostas, mas uma é da princesa. — Os homens franziram o cenho. — O rei Gaara em casamento e a princesa… — O velho apertou os olhos para ler. — Temari, quer aulas com nossa rainha, pois, pelo que aqui consta, pretende ter um cargo ao lado do irmão rei. Absurdo.
— Coloque-a na pilha que será enviada à rainha. — Neji achou uma ótima ideia Hinata dar aulas para uma princesa que seria bem utilizada em um reino. Seria um jeito de ter mais mulheres fortes em altos cargos; mudança.
— O que os senhores acham? — Os presentes concordaram mudo e o Meistre teve que colocar o pergaminho do lado oposto aos de Naruto e Sasuke. Mesmo revirando os olhos, ele deveria aceitar. — O irmão também vai para a pilha de propostas pré-aceitas.
Neji respirou fundo ao ouvir tais palavras.
— Pelo que conheço, o senhor deixou o que mais lhe satisfaz por último, e, pelas minhas contas… — o Aburame considerou.
— Uchiha Itachi — Inochi Yamanaka terminou.
— Este belo jovem tem um acordo irrecusável. — Ou seja, o velho vai forçar até Hinata aceitar, pensou Neji. — Teremos grande parte da colheita do reino do Fogo, dois castelos na divisa de reinos, e o segundo herdeiro será nosso futuro governante. Eles só fazem questão do primeiro menino que nascer para que assuma a coroa do Fogo. Acho um acordo perfeito para o nosso reino.
Hinata não foi levada em consideração em nenhum momento da fala do velho, e isso Neji não poderia perdoar.
— E o que aconteceu no baile? — Inoichi pergunta.
— Eles conversaram e dançaram juntos, a rainha se agradou da presença do Uchiha. Melhor que Neji nos conte, não saiu do lado dos dois. — O velho sorriu debochado para o chefe da guarda real.
— Foi como disse... se deram bem e conversaram — terminou, com um bolo pesado na garganta. Teria de pensar no melhor para Hinata e infelizmente o Uchiha parecia realmente ser a solução mais plausível.
— A felicidade da rainha, um bom casamento e um bom tratado. Eu não poderia estar mais feliz. — Falso, Neji pensou. O velho colocou a proposta do Uchiha junto às cartas dos No Sabaku e continuou a reunião.
Nada daquilo faria Hinata feliz, ele sabia, mas estar entre tantas regras e em um cargo alto cobraria dela em algum momento. O pior deles seria agora, quando os dois se deixaram levar e estavam presos a este sentimento. Mesmo que não fosse nada real, ele não abandonaria a Hyuuga, mesmo que isso o matasse dia após dia, a vendo dormir, acordar e passar o seu dia com outro homem que não fosse ele. Finalmente, a reunião maçante tinha terminado, entretanto, agora viria a pior parte.
— Com licença, majestade. Preciso que me acompanhe para decidirmos aquelas questões. — Entrou na sala, atraindo os olhares dos Senju e da própria rainha.
— Se me dão licença, creio que volto em breve. — A Hyuuga piscou para Tsunade, que sorriu.
Caminharam até a biblioteca em silêncio. Neji sentia seu corpo inteiro rígido, como se estivesse se preparando para uma guerra. Segurava os papéis em sua mão com força, queria os jogar na fogueira, os queimar até virarem cinzas, no entanto, sua razão sempre o trazia de volta. Sua rainha precisava de um rei e contra esse fato não havia argumentos. Abriu a porta. a assistindo passar, e se pôs para dentro. Viu ela sentar calmamente na cadeira atrás da mesa e engoliu em seco, dando alguns passos para então colocar as cartas em cima da mesa.
— As cartas que foram pré-aprovadas pelo conselho, majestade.
— Você quis dizer os acordos aprovados pelo velho retrógrado. — Soltou uma risada anasalada, sem o mínimo de humor.
Pegou a primeira e a analisou com cautela. Neji franziu o cenho quando a viu sorrir animada.
— Diga para o reino da Areia que quero a Temari aqui. Ela vai morar comigo enquanto estiver dando aulas para ela. — O Otsutsuki então entendeu a felicidade dela e sorriu de canto, sabia que sua rainha adoraria a ideia. — A proposta do Gaara não é de todo mal… Ele também é bonito, apesar de ser calado. — Hinata viu Neji trincando o maxilar e se divertiu com a cena. — Algum problema? — O olhou de soslaio.
— Nenhum, alteza. — Hinata soltou o pergaminho e deu a volta na mesa, parou bem em frente ao Otsutsuki e sorriu.
— Você acha mesmo que considero algum deles?
— Você precisa, majestade.
— Não, eu não preciso de ninguém. Perdi meu pai, assumi o reino com 19 anos e aqui estou eu, liderando um reino próspero. Não preciso de um rei para me dizer o que fazer com o meu reino. — Sentou-se novamente e pegou o próximo pergaminho.
— Uchiha Itachi, o mais considerado pelo conselho — Neji falou com cautela, ele precisava separar suas emoções do seu dever como conselheiro e guarda pessoal.
— Realmente, entendo o porquê. Ótima proposta, caso eu estivesse interessada. — Jogou o pergaminho em cima da mesa. — Enrole, é o que pretendo fazer. Diga que vou pensar nas propostas. — Levantou irritada para voltar aos seus convidados com Neji em seu encalço. Virou-se de repente, ficando frente a frente com o seu guarda, que levou um susto com o movimento. — Afinal, eu já aceitei uma proposta. — Selou seus lábios nos dele rapidamente, o deixando estático. — Abra a porta, Neji. — Acordou do transe e abriu caminho para a Hyuuga.
— Impossível perder seu cargo de melhor amiga, Tsu… — Ainda em meio a risadas, Hinata garantiu o óbvio para a Senju.
— Espero mesmo, avise a Sabaku que tenho treinamento com espadas. — Cruzou os braços em frente aos seios e empinou o nariz.
Apesar de Hinata estar decidida a não aceitar nenhum rei ou príncipe, ela sabia do dever que tinha, estava com a cabeça cheia e precisava do seu tempo sozinha. Pediu licença a Tsunade e foi para biblioteca, Neji entendeu que naquele momento ela precisava do seu espaço e ficou ao lado de fora. A Hyuuga corria os olhos pelos pergaminhos já lidos anteriormente, suspirava várias vezes em busca de alguma resposta, no entanto, era sempre em vão. Não existiam caminhos para ela a não ser se casar, maldito mundo feito para homens. Ouviu uma leve batida na porta, a tirando dos seus pensamentos.
— Não preciso de nada, Neji — falou mais alto, mas a porta foi aberta.
— Sou eu, Hinata. — Hashirama entrou sorrindo, fechou a porta atrás de si e foi até a poltrona em frente a rainha para sentar-se. — Você está bem?
— Tentando não decidir o meu futuro por causa de meros acordos. — Ela suspirou derrotada.
— Você não precisa e sabe disso. — Ele sorriu solícito. — Seu pai não gostaria de lhe ver infeliz apenas por um pedaço de terra, ou um herdeiro.
— Mas eu não tenho o que fazer, o conselho vai me pressionar até o fim dos meus dias. — Revirou os olhos.
— Então os enrole o máximo que pode, até ter a certeza de conseguir se casar com quem ama. Eu cometi um erro com a Tsuna, você sabe. Jamais me perdoei por colocar o reino acima da felicidade da minha filha, não deixarei que aconteça o mesmo com você.
— Obrigada. — Ela sorriu aliviada e grata pelas palavras. — Enrolar é o que pretendo fazer. Recebi uma proposta do reino da Areia, ensinar a Temari No Sabaku sobre diplomacia e liderança, em troca do livre comércio entre os reinos.
— Uma ótima proposta, realmente.
— Fiquei feliz e animada pelas aulas, claro, mas também pensei que é uma ótima oportunidade para manter o conselho calado. — Ela sorriu confiante.
— Você herdou a inteligência e a articulação da sua mãe. — O Senju curvou os lábios, admirando a mais nova, que se parecia tanto com a mãe, grande amiga e rainha. — Bom — levantou-se para se retirar —, e quando terminar com a No Sabaku me avise, que mando a Tsunade. Acredito que vão se divertir juntas, além do aprendizado, é claro. Isso lhe dará mais tempo.
— Eu não tenho como lhe agradecer, Hashirama.
— Não precisa, Hinata. Você é como uma filha para mim, quero vê-la feliz. — Saiu da biblioteca, deixando a Hyuuga sorrindo boba. Era disso que ela precisava, tempo, e, com ajuda, ela teria.
À tarde, se despediu dos seus convidados. Hashirama precisava voltar, pois seus deveres o chamavam. Ela acenou sorridente, da porta do castelo, com Neji ao seu lado.
— Tenho uma ótima ideia — a Hyuuga falou, ainda vendo a carruagem deixar as suas vistas. O moreno sentiu um arrepio percorrer o seu corpo e, no momento seguinte, os dois estavam no fundo da biblioteca, aos beijos. — Neji… — gemeu seu nome, ao sentir os beijos molhados descerem seu pescoço.
— Majestade? — Ouviram a voz de Haru ecoar vindo da porta e se afastaram. Apesar de ele não conseguir os ver, foi quase que automático.
— Sim? — respondeu, arrumando suas vestes e cabelo.
— Chegou uma carta do reino da Areia.
— Deixe em minha mesa. — Ouviram alguns passos e em seguida a porta se fechando.
— Não podemos nos arriscar dessa forma, alteza — o guarda falou, em um tom preocupado.
— Está tudo bem — ela falou, como se não fosse nada, caminhando até a mesa, e Neji a seguiu. Pegou o papel timbrado e lacrado com a cera real, abriu e leu a resposta da No Sabaku aceitando morar no castelo para ter as suas aulas. — Ela vem, Neji! — Hinata virou para ele, animada.
— Teremos companhia, será trabalho dobrado para nos escondermos — falou em tom calmo, mesmo receoso, queria deixar claro para Hinata que era um risco que não queria correr.
— Você pensa demais… — Passou a mão na altura do peitoral do moreno, pela veste branca com detalhes dourados que ele vestia quando estava fazendo sua segurança dentro dos muros do castelo. Seguiu a linha do maxilar masculino, sentindo seu interior revirar, desejando novamente o proibido. — Deveríamos fazer algo para relaxá-lo.
— Não diga isso. — Pegou a cintura fina, a puxando um pouco mais para junto de si.
— Vai me repreender agora? — Mordeu de leve o queixo de Neji, roçando seus dentes na pele clara. — Aqui mesmo, ou nos meus aposentos, senhor comandante da guarda real? — Beijou-lhe a boca com pressa, desejando conseguir levá-lo novamente para seu quarto. Sentir o que sentiu antes, mas com menos pressa, mais tempo, e antes que a convidada pudesse atrapalhar algo.
Desfez o carinho por falta de ar, olhando diretamente nos olhos perolados, já com tons de lilás pelo desejo que sua rainha emanava. Voltou à sua pose séria de sempre e a puxou para que o acompanhasse.
Hinata entendeu, depois de alguns passos, que, a partir da porta, deveria tomar a frente, rumo aos seus aposentos. Mesmo a sós nos corredores, deveriam manter as aparências. Até que a porta foi aberta e ela pôde avistar seu quarto arrumado e completamente vazio. O baque surdo atrás de si veio acompanhado de duas mãos que imediatamente rodearam seu corpo, transitando livremente por suas curvas, deixando a pele em chamas.
Virou-a de frente para si, beijando a boca de sua rainha. Tirou sua túnica, revelando o abdômen trabalhado e colou ainda mais seu corpo no da morena. Sentiu a mão de Hinata passar por suas costelas, apertando cada pedaço dele. Sentia como se sua rainha estivesse sedenta e louca para devorá-lo. Desfez o laço que prendia o vestido de sua majestade e deixou que todos os metros de tecido que escondiam o belo corpo de si pousassem aos pés da Hyuuga e a pegou no colo, a caminho da cama.
A necessidade de sentir cada pedaço de pele rente ao seu corpo estava deixando Hinata mais ansiosa que na primeira noite que foi dele, e, pelos Deuses, seria quantas outras fossem necessárias para saciar sua fome de tê-lo. Foi colocada na cama com delicadeza e sorriu ao observar seu guarda retirar as peças que restavam no corpo. Seu homem, pensou.
Debruçou-se sobre a Hyuuga sem deixar seu peso sobre ela. Apoiando-se nos braços, olhava novamente a bela mulher abaixo de si, não conseguia imaginar homem de mais sorte que ele. Ela era bela, educada, gentil e sua. Posicionou-se com calma, beijando sua rainha, a deixando o mais relaxada possível. Desta vez, poderia ser um pouco mais duro, dando asas ao desejo que sentia e aos pensamentos que vieram de minuto em minuto após a primeira noite juntos.
Era leve, simples e muito prazeroso sentir Neji. Ele se movimentou devagar, mas preciso o bastante para lhe arrancar o primeiro gemido, seguido de um arrepio que atravessou todo seu corpo. Levou as suas pernas para a cintura do Otsutsuki e as sensações que se concentravam na pélvis espalharam por todo seu corpo. Apertou os dedos na pele quente de Neji e mordeu seus lábios para não gritar, tamanho era o prazer experimentado.
Seu corpo inteiro respondia a ela, pedia por ela. Ele necessitava de Hinata e não só para se satisfazer, sentia a necessidade de ter todos os gemidos, sensações e orgasmos de sua rainha tendo ele como único culpado. Não havia volta para a loucura que experimentaram após o baile. Estavam presos a esse vício dividido em segredo.
No limite entre a terra e o paraíso que experimentava com ele, sentiu uma nova onda de prazer lhe atingir. Mais forte, mais arrebatador. Liberou toda a vontade que havia em si em um gemido longo e alto, que seguiu após seu orgasmo.
Neji investiu com mais força, tentando alcançar Hinata. Deitou em seus seios, se derramando dentro de sua rainha. Sentia os músculos pulsarem por todo seu corpo, e a fina camada de suor que mantinha seus longos cabelos e os dela unidos espalhados ao redor dos dois corpos nus.
— Mais calmo agora? — Hinata sorriu logo após sua fala.
— Continuo… achando que... precisamos ter mais cuidado — falava entre suspiros.
— Por favor, Neji. — Hinata levantou e começou a se vestir novamente. — Esse castelo é enorme.
— E, mesmo assim, a Tsunade notou — o moreno falou, enquanto vestia suas calças.
A rainha virou para ele.
— A Tsu notou porque ela nos conhece há anos, me conhece há anos — ela disse, torcendo os lábios.
— Não, ela notou porque estava explícito, alteza. — Neji abotoava o último botão do uniforme de comandante. — Enquanto a No Sabaku estiver aqui, é melhor mantermos nossas... atividades em pausa. — A Hyuuga bufou em reclamação.
— Aceito termos mais cuidado, mas em pausa é demais. — Neji massageou as têmporas, concordando em seguida. — Não suportaria ficar longe tanto tempo. — Passou o braço em volta do pescoço do mais alto e selou os lábios, sorrindo em seguida.
Definitivamente ele também não conseguiria, mas não admitiria aquilo para Hinata, ele não admitia nem para si mesmo. Estar com ela era como estar em seus melhores sonhos, mas esse, ao invés de final feliz, poderia ter um fim trágico. O Otsutsuki sabia o que o aguardava se alguém descobrisse, além do que, iria levar aquilo até onde? Até o dia em que ela se casasse, ou até o dia que o novo rei descobrisse e mandasse o decapitar? Pelos deuses, passou a mão no seu pescoço como se sentisse a lâmina afiada passando por ele. O risco era enorme e, mesmo assim, se deixava levar porque a mais pura verdade era que estava apaixonado por sua rainha há longos anos.
Depois de mais um longo dia em seu cargo amado, porém que cobrava demais, Hinata estava terminando seu jantar com Neji ao seu lado e era difícil se concentrar até em seus pensamentos quando estava ao lado do moreno. Pensar em dar aulas para a No Sabaku pareceu perfeito até a ideia sem cabimento do guarda ser colocada em pauta. Absurdo era viciá-la e depois roubar-lhe a única parte de seu dia que era prazerosa.
Esperou que a criada tirasse seu prato, mas não se levantou, sendo questionada apenas pelo olhar de Neji. Esperou que ela voltasse com uma bandeja de chá quente. Ergueu a xícara fumegante para o moreno, sabendo bem que ele do que se tratava. O tal chá de ervas que Tsunade deixou para que a rainha não andasse pelo reino grávida e sem marido.
Terminou de beber a água escura e de gosto ruim com calma e se levantou após terminar todo o conteúdo da louça fina. Caminhou em direção ao seu quarto pensando em como faria para convidá-lo sem que ele arrumasse uma nova rodada de discussões sobre a futura visitante.
O que havia de tão mal em aproveitar o momento que Temari não estava? Pensar demais era uma das manias que mais odiava em Neji. Mesmo sendo seu trabalho, viver um pouco o agora e se divertir junto a si parecia melhor ideia que sofrer por antecipação. Viu o Otsutsuki abrir a porta de madeira e dar passagem para que a rainha entrasse. Sentiu um novo arrepio quando a porta fechou atrás de si, sabendo que só os dois estavam no quarto.
— Me ajude a despir, Neji — Hinata disse doce e baixinho, tentando fazer seu convite sem muitas palavras.
Ele imediatamente a ajudou a tirar as poucas joias que usava no dia que estava presa naquela fortaleza de pedra. A roupa não era a mais pesada, então foi simples se desfazer do vestido de seda. Soltou seu cabelo do coque que uma de suas serviçais fizera mais cedo após seu banho, quando Neji a deixou sozinha no quarto e um pouco amedrontada. Despiu sozinha a camisola que ainda restava.
Ele não se moveu.
— Devíamos começar a praticar a distância segura que manterá a princesa Sabaku alheia ao nosso segredo. — A vontade era de tocá-la e fazê-la sua novamente, pela segunda vez naquele dia, mas estava certo em manter suas mãos longe da rainha, por enquanto.
— Por favor, Neji… — Quase que um ronronar saiu dos lábios da Hyuuga. — Ela ainda não está aqui, para que essa distância?
— É o melhor para nós, só penso no melhor… — Para? Não lembrava mais. Assim que ela virou para si, viu os seios de Hinata e quis atacá-la. Sabia que a cada momento perto dela seria pior para si. Queria novamente, mas… Começou a caminhar de costas para a porta, fugir daquele pecado era a melhor ideia.
— Não dê as costas para mim!
— Tem que me perdoar alteza. — Engoliu seco o bolo que formava em sua garganta. Apenas o toque em sua mão quase o levou a deitar-se com ela mais uma vez.
— Eu não vou perdoá-lo. Durma comigo…
— Não posso.
— Não vou obrigá-lo. — Fechou o cenho e sentiu como se tivesse tomado um tapa em sua cara. Ele a negou. — Vá!
— Boa noite, majestade. — Curvou-se sem olhá-la, não poderia ver seu rosto raivoso sabendo que ele era o motivo para tal sentimento.
— Até. — Seca, com ódio e com uma vontade absurda de beijá-lo.
— Está bom. — Simples, dispensou as três criadas que a ajudavam aquela manhã.
Já sozinhos, a Hyuuga passou sua mão pelo cetim que contornava sua cintura por cima do belo vestido e olhou diretamente para Neji.
— Pode abrir.
— Eu quero conversar com sua alteza primeiro. — Estavam perto, mas o olhar da Hyuuga para si era arrogante como jamais foi. Sabia que estava pensando demais e atrapalhando o próprio… O que estava acontecendo entre os dois, por puro medo de algo que ainda de fato não aconteceu.
— Fale de uma vez. Tenho que organizar os estudos de Temari antes de sua chegada.
— Peço que me desculpe, majestade. — Respirou fundo para continuar. — Eu sei que me queria aqui ontem, mas meu dever é zelar por sua segurança. Ser cauteloso é o meu trabalho e agora o dobro, pois…
— Pois… — insistiu para que ele continuasse.
— Pois temos algo, e eu não quero perder isso. — Nem sua cabeça. — Não quero ter que me privar de tê-la e quero muito, todos os dias… — Tirou uma mecha de cabelo da face da Hyuuga, a levando para trás de sua orelha. — Eu queria muito ficar ontem, Hinata.
— Eu sei que está assustado. Minha posição não nos favorece, mas se não vivermos isso… — suspirou, deixando a frase morrer.
— Eu vou tentar ser menos paranoico, mas tente ser mais cautelosa, por nós. — Deu um passo para mais perto dela, tentando dar fim à distância que separava os dois, mesmo sabendo que ela poderia revidar de alguma forma o que ele fez na noite anterior.
Hinata só se colocou na ponta de seus pés e deixou que Neji findasse a distância de suas bocas. Sentiu a vontade dele pela necessidade de seu beijo, que começou calmo, mas foi ficando mais intenso, quando a mão grande do moreno segurou sua cabeça e agarrou seus fios negros azulados, a mantendo firme, enquanto sua língua dançava na sua boca. O ar lhes faltou e os obrigou a cessar as carícias.
— Estamos conversados? — Neji sorriu ao distribuir pequenos beijos na boca de Hinata.
— Estamos.
O sol estava forte no final da manhã. Temari chegaria na hora do almoço. Quando a Hyuuga ouviu o barulho dos cavalos, saiu de onde estava, cruzando o grande salão para chegar à frente do castelo. Estava ansiosa para a chegada da No Sabaku. Apesar de ser ela a dar aulas, queria fazer várias perguntas, queria saber o que ela viu em si para fazer um pedido tão inusitado. Os guardas abriram as portas pesadas, dando a visão da carruagem de cor bege e detalhes vermelhos, e dela saiu Temari No Sabaku. Hinata admirou a beleza exótica da mulher à sua frente. Todos daquele reino pareciam ser naturalmente belos. Temari possuía os olhos verdes, puxados, como uma felina. O corpo voluptuoso era marcado pelos tecidos mais pesados de linho. Quando viu a rainha, sorriu, subiu os degraus e a reverenciou.
— Muito obrigada, Majestade.
— Por favor, me chame de Hinata. Afinal, serei sua mentora. — A morena sorriu largo. — Venha, entre. Vou pedir aos meus criados para colocar suas malas em seus aposentos.
Hinata a conduziu até a sala de jantar e Neji as seguia, apenas observando, como de costume. Conversavam amenidades, em sua maioria como eram os dias no reino da No Sabaku e que papel a princesa esperava empenhar ao lado do irmão. Temari até fez piada da proposta de Gaara, dizendo que Hinata valia muito mais que o metal nobre abundante em sua terra árida. A Hyuuga observou o semblante fechado de seu guarda e quis rir, mas conteve, resolvendo que conversaria com o moreno ciumento mais tarde.
— Acha que devo estar ao lado do rei nas questões diplomáticas? Ele não leva muito jeito com as pessoas, mas o comércio me atrai de uma forma única.
— Se tem mais facilidade que ele com algumas questões, tome a frente e ajude seu irmão a conquistar mais, trabalhando em conjunto para o crescimento do reino. — A ajudaria na prática enquanto os dias fossem passando. — Terei reuniões com o conselho, onde aprenderá a ouvir ideias e quando as suas poderão entrar em pauta, mas nem em todos os assuntos você poderá me acompanhar. Temos casos sigilosos, verá como se estivesse no seu reino ao lado de Gaara. Ele é maior, mas a força que ele exerce depende de pessoas como você, que estudam e aconselham seu rei da melhor forma possível.
— Mal cheguei e já me sinto menos perdida — Temari brincou, arrancando um sorriso da rainha. — Creio que tem muito a me ensinar, Hinata. Aprenderei de bom grado e darei orgulho à majestade um dia.
Sabia que sim. Não era comum ensinar mulheres a ler e escrever, muito menos a tratar de assuntos políticos cruciais para o andamento e a prosperidade de um reino. Sentia-se feliz por seu pai ter depositado tanta confiança em si e lhe dado a coroa mesmo sem que ela fosse casada. Foi treinada para ser a melhor rainha que poderia e faria o mesmo pela No Sabaku. Por mais que ela não fosse a herdeira, seria um pilar necessário para o legado de Gaara.
As duas se encontravam debruçadas na mesa redonda da biblioteca, alguns mapas dos reinos próximos estavam espalhados pela mesa, assim como papel e penas. Hinata explicava como funcionava o comércio entre reinos e a importância que essa parte tinha em ter um reino próspero. Temari prestava atenção em cada palavra que era proferida pela rainha, a No Sabaku realmente gostava e queria ser a melhor no ramo, caso fosse possível. A Hyuuga se sentia importante e feliz em ajudar outra mulher a chegar ao poder, pois, claro, uma mulher no conselho seria uma novidade absurda para outros reinos, assim como quando Hinata foi coroada rainha. Apenas o Reino das Folhas apoiou seu reinado desde o começo, e, aos poucos, quando foram vendo a grande líder que a morena era, começaram a dar créditos a ela. No momento atual, muitos imploravam para fazer acordos com o Reino da Lua.
Com o passar das semanas, Temari se mostrava cada vez mais sábia. Ela absorvia tudo que Hinata lhe passava, fosse em livros ou de sua própria experiência como rainha. A Hyuuga estava orgulhosa da sua pupila.
— Me diga, Temari. Caso Suna estivesse passando por um momento de crise econômica, seria ideal fazer um acordo para a venda de ferro com metade dos impostos e esse reino compraria o minério apenas de Suna?
— Eu aceitaria o acordo caso eles também comprassem chumbo apenas do meu reino, pois assim Suna seria o único fornecedor de material para armas e armaduras.
Hinata ouviu as batidas na porta e apenas liberou a entrada.
— Boa tarde, majestade. — Shikamaru reverenciou a rainha. — Vim entregar o relatório semanal do meu pai.
— Obrigada, Shikamaru. — Hinata olhou para Temari, que encarava o rapaz com curiosidade, até uma certa malícia, diria. Voltou a encarar o moreno. — Quer… ficar e assistir a aula?
— Eu posso, majestade? — perguntou sem graça.
— Claro, Shikamaru. Já falei que a biblioteca está sempre aberta para você. — A Hyuuga sorriu e viu o moreno sentar na poltrona um pouco afastada, na intenção de não atrapalhar a sua rainha.
Hinata pediu para que a No Sabaku continuasse a sua defesa no caso econômico e ela corou, desviando os olhos para baixo, começou a mexer nos papéis à sua frente, pigarreando, como se procurasse as palavras, e a Hyuuga quis rir. Sabia que o Nara mais novo era bonito, contudo, não esperava que a durona Temari iria ficar tão perdida com a sua presença. Assim que a loira recobrou a sua postura de conselheira, ela deu uma solução inovadora a qual a própria rainha não havia pensado, e essa foi a melhor forma de finalizar aquela aula tão proveitosa. Após o jantar, Hinata acompanhou a No Sabaku até os seus aposentos e em seguida seguiu para o seu, com o Otsutsuki em seu encalço. Entraram no ambiente e assim que estavam a sós, podiam conversar.
— Como foi a aula de hoje, majestade?
— Ótima, Temari é incrível. Vai ser uma ótima conselheira para Gaara. — Hinata sentou em sua poltrona, e Neji se aproximou, se ajoelhando ao seu lado para retirar as suas joias. Dessa vez seria diferente. Beijou cada pedaço de pele que era envolto com ouro e pedras preciosas. Hinata fechava os olhos com os arrepios que sentia cada vez que os lábios do moreno tocavam a sua pele. Ao chegar ao pescoço alvo ela, suspirou. — Pare…
— O que houve? — O moreno franziu o cenho.
— Vou querer outra coisa se continuar.
— Me desculpe. — Pigarreou. — Como estava dizendo…
— Acredito que ela tem um ótimo espírito de liderança, daria uma ótima rainha na verdade.
— Também observei isso, ela é bem segura de si.
— Até o Nara aparecer. — A Hyuuga riu.
— Como? — Ele arqueou a sobrancelha.
— Você tinha que ver, ela realmente admirou Shikamaru. Bom, eu sempre o achei bonito, contudo, não sabia que ela ficaria tão envergonhada.
— Sempre o achou bonito ‘hum?
— Não seja ciumento, sim? E você, o que estava fazendo enquanto eu estava dando aulas?
— Treinei dois guardas hoje para assumirem a entrada do castelo e… fiquei de olho no que me pertence quando a vi no jardim. — Neji arrastou o nariz pelo seu pescoço.
— Por acaso se refere a mim? — A morena o olhou por cima do ombro, notando o sorriso no canto de seus lábios, denunciando a sua malícia. Virou-se para o mais alto. — Me mostre o quanto eu sou sua. — O Otsutsuki acompanhou com os olhos o vestido escorregar em câmera lenta pelo corpo até chegar ao chão. Sentiu seu coração bater mais forte, os olhos não se deixavam, pareciam estar hipnotizados um pelo outro. O Otsutsuki soltou a bainha de sua cintura, deixando sua espada cair no chão, pôs sua mão na nuca da sua rainha e apreciou seus traços antes de a puxar para um beijo calmo e apaixonado.
Neji queria aproveitar cada momento, cada toque, cada suspiro que arrancava dela. Deslizou a mão pelo ombro desnudo e sentiu a pele da mais nova arrepiar. A queria perto de si, queria sentir o calor que seu corpo emanava, e ela queria o mesmo. Levou as mãos até os botões da sua farda e desabotoou cada um, sem pressa. Os dois compartilhavam o sorriso um com o outro. Fazia semanas que não se tocavam, a saudade estava grande demais, porém queriam que o tempo passasse devagar. A parte que cobria o tronco do moreno deixou seu corpo, encontrando o chão. Hinata passou os dedos pelos ombros, peitoral, abdômen, como se decorasse cada parte do corpo de Neji. Ela queria experimentar algo novo, não sabia se seria boa em tal área, mas queria testar o seu potencial. Dessa vez, não seria ele a se ajoelhar.
Distribuiu beijos molhados pelo corpo de Neji, se ajoelhou à sua frente e começou a remover o tecido que cobria o seu objeto de desejo. Ela ficou ansiosa, porém relaxou ao ver o tesão que ele sentia por ela. Passou a língua pelos lábios e em seguida a desfilou por todo o comprimento do pênis do mais velho. Sentia-se como estivesse descobrindo um novo mundo. Ouviu gemidos roucos deixarem a garganta dele, e isso foi a sua confirmação para continuar. O colocou quase inteiro em sua boca, começou com movimentos de vai e vem, enquanto mexia sua língua como se estivesse encenando um beijo.
— Hina… — Ela ergueu o olhar até ele e sentiu seu interior se contorcer em excitação. Era a primeira vez que ele a chamava pelo apelido, e isso a esquentou por completo. A Hyuuga acelerou os movimentos e então sentiu a mão do moreno em meio aos seus fios longos, as puxadas que ele dava a deixavam em puro êxtase. Podia algo tão simples fazer tanto consigo? Neji sentiu um calor tomar conta do seu corpo até se concentrar em seu baixo ventre. Pelos Deuses, ele não podia gozar na boca dela, podia? — Eu vou…
— Tem problema? — Ela o tirou de sua boca e contornava a glande com a língua de forma obscena. Recebeu um aceno negativo, informando que estava tudo bem, e então voltou ao que estava fazendo com mais dedicação. Não demorou a sentir um jato forte no fundo da sua garganta e o sonoro gemido que Neji vociferou. — Seu gosto é... bom, Neji. — A Hyuuga levantou, lambendo os lábios. Ele pôde sentir todo o seu sangue tomar a sua face, tinha ficado com vergonha do ato que acabara de fazer, no entanto, sentiu um tesão que tomou conta dos seus atos. A puxou para um beijo intenso e os dois caminharam até a cama sem deixarem de explorar a boca um do outro. Beijavam-se com pressa e ao mesmo tempo queriam que todos os minutos passassem devagar para que a noite fosse cada vez mais longa.
Por mais que não fosse isso, ela queria tê-lo a hora que bem entendesse, sem medir seus movimentos ou os sons que queria proferir enquanto ele lhe dava prazer. A impressão era a de que tinha acordado terrivelmente melancólica depois de mais uma noite acordada.
Levantou-se, seguindo para a casa de banho anexa ao seu quarto. As criadas já a esperavam com o banho quente e perfumado que iniciaria seu dia, mesmo que esse não tenha começado tão bem. Quanto mais o tempo passava, mais presa a Neji se sentia. Parecia necessário tê-lo ali apenas para respirar, e isso a assustava.
Um bom reino não poderia ter um ponto fraco, e ele estava se tornando o seu. Não poderia impedir que ele fosse a alguma batalha ou missão diplomática em seu nome. Mesmo que um rei qualquer o fizesse de prisioneiro, teria que se manter calma e pensar primeiro no bem estar de todos, mas sabia que daria qualquer coisa para que ele voltasse, caso essa situação acontecesse.
A esponja foi às suas costas com leveza, lavando sua pele, a mesma que ele fazia questão de beijar cada pedaço com carinho. Sorriu, lembrando das diversas noites que passaram juntos. Saiu da água, sendo acompanhada por uma das mulheres que lhe serviam pela manhã, se vestiu e ouviu a porta bater às suas costas.
Depois de dispensadas, as mulheres se trancaram na casa de banho, e ela estava ali, sozinha em seu quarto, com o homem que secretamente possuía. Estava perdida em seus olhos, em seu sorriso mínimo arteiro, em suas roupas impecáveis…
Estava perdida; a rainha tinha um ponto fraco.
A Hyuuga tinha pedido no dia anterior para os criados organizarem o café da manhã no solário, afinal, era o último dia da estadia da No Sabaku em seu castelo. Então seguiu seu caminho até lá com Neji atrás de si, como de costume, encontrando Temari já sentada à mesa. Hinata deu bom dia e juntou-se a ela. As cozinheiras serviram o café da manhã farto para as duas, e elas não demoraram a se deliciar com o banquete oferecido. Conversavam sobre como Temari tinha sido uma ótima aluna, superando completamente as expectativas da rainha.
— Desculpe ser intrometida ou até mesmo insolente, mas gostaria de perguntar uma coisa. — A No Sabaku media suas palavras com cautela.
— Pode fazer a sua pergunta. — Hinata sorriu.
— Você pretende escolher meu irmão? — A loira acariciou as próprias mãos, em busca de diminuir o seu nervosismo.
— Temari, posso te confidenciar uma coisa? — A morena sorriu, e o Otsutsuki sentiu seu coração disparar só em pensar na hipótese de ela falar sobre eles.
— Claro, majestade. — Assentiu.
— Eu não vou escolher ninguém.
— Mas… — Temari arregalou os olhos, surpresa, e a Hyuuga soltou o ar.
— Meu amor não está à venda, não vou me casar por um mero acordo econômico. — A morena finalizou, com um sorriso nos lábios.
— Agora eu te admiro ainda mais, Hinata. — A No Sabaku sorriu largo e ela realmente falava com sinceridade.
Hinata se despediu com um abraço em Temari nas portas do castelo, sentiria falta da companhia dela. Quando viu a carruagem deixar o terreno do castelo, girou os calcanhares e foi para a biblioteca separar os papéis para a reunião com o conselho. Ela carregava um sorriso no rosto, não esperava a reação tão positiva da No Sabaku diante da sua alegação, isso a deixou confiante. Neji a analisava de longe, em silêncio. Estava ligeiramente preocupado com a felicidade repentina que ela esboçava. Não que ele não quisesse mais que tudo a felicidade dela, no entanto, confiança demais às vezes nos faz tomar decisões precipitadas.
— Achei que diria a ela sobre nós — o moreno falou baixo, atraindo o olhar da rainha, que repousava na sua poltrona.
— Claro que não, o conselho ainda nem sabe. — Neji focou no "ainda", e isso o deixou mais preocupado.
— Como assim... ainda? — Neji arqueou a sobrancelha.
— Eu quero me casar com você — disse, simplista.
— Como? Hinata, nós não podemos. Eu sou… apenas um conselheiro... um comandante da guarda real. — O Otsutsuki exaltou-se.
— Está dizendo que não quer casar comigo? — Ela franziu o cenho, encarando o mais velho.
— Eu não falei isso. — Ele deu dois passos em direção a ela, suspirando. — Mas entre querer e poder existe uma enorme diferença, majestade.
— Você tem razão. Eu posso, eu quero e eu vou. A não ser que você não queira.
— Alteza, você precisa escolher um dos pretendentes, isso não será benéfico para o reino.
— E escolher um dos pretendentes não será benéfico para mim! — gritou, batendo na mesa e se levantando em um único movimento. — E se a rainha não está bem, seu reino tampouco ficará.
— Por mais que me doa tudo isso, nosso casamento não será bem visto no conselho e muito menos nos outros reinos. Nós não podemos arriscar…
— Eu te amo, Neji. — Ela o interrompeu, fazendo com que ele ficasse surpreso com a revelação. — E eu não vou abrir mão de você.
Hinata deixou a biblioteca apressada, sentindo seu coração acelerado. Seu corpo estava quente, ela estava irritada. Ela esperava que tivesse o apoio dele mais do que ninguém, contudo, seu trabalho parecia ser mais importante. Bufou alto, tentando se recompor. Entrou em seu quarto e sentiu uma lágrima solitária deixar seu olho. A última vez que algo tinha lhe machucado tanto tinha sido há quatro anos, na morte de seu pai, entretanto, Neji a deixou chateada, magoada para ser mais exata. Ela sentou em sua cama e ficou com o olhar perdido, admirando a vista do vasto jardim do castelo que tinha da janela do seu quarto. Ela não aceitaria a negação do Otsutsuki, não apenas pelo simples fato de que os títulos os separavam, não aceitaria que uma hierarquia definisse mais o seu destino do que o amor que eles sentiam um pelo outro.
Assim que Neji recobrou os sentidos, ele foi atrás dela. Sentiu um peso em seu peito, ele foi insensível demais. Apenas pensou no reino, nos problemas, no quanto a rainha poderia ser prejudicada por uma escolha inconsequente. Contudo, não era inconsequência, ela o amava, assim como ele a amava, e isso fez um sorriso brotar em seus lábios. Caminhou a passos rápidos em busca da rainha, precisava a encontrar antes da reunião com o conselho. Chegou à frente dos aposentos reais e respirou fundo, bateu na porta e pediu permissão para entrar, sendo permitido logo em seguida. Ele não sabia o que falar, estava com medo, estava aterrorizado, ele podia perdê-la e podia parar na guilhotina. Fechou a porta e deu alguns passos em direção à cama, onde ela estava sentada de costas para si.
— Hinata… me desculpe.
— Não há o que desculpar, Neji. — Suspirou pesado, observando as folhas das árvores ao longe, balançando com a brisa fresca da tarde. — Sei de seus receios e os entendo muito bem, mas eu não vou negar a nossa felicidade por conta de um velho do conselho, ou por medo. Não vou nos privar de nada, e se eu tiver que lutar, eu vou lutar, o que temos vale a pena.
— Eu sei que vale, não duvido do que sentimos, mas...
— Mas não quer que eu coloque tudo a perder por inconsequência — ela completou sua frase antes que ele pudesse e olhou para trás, mirando os olhos claros, que pela primeira vez pareciam tão apreensivos. — Eu venho pensando com clareza há algum tempo... Se tomei essa decisão, fiz conscientemente.
— Espere apenas um tempo. — Aproximou-se da Hyuuga, mantendo suas mãos unidas.
— Farei o possível.
Há mais de meia hora seu reinado era colocado em pauta. O que um homem ao seu lado melhoraria verdadeiramente em sua administração? A mão ia da mesa até sua testa e tentava mesmo controlar seu revirar de olhos a cada minuto, mas Hiruzen testava a sua paciência a cada palavra que proferia. Evitava olhar para Neji para não pegar qualquer uma das espadas expostas na sala como decoração e enfiar no meio do peito do velho, ou pedir para que Neji o fizesse ou ela mesma faria sua primeira vítima fatal. Sorriu com seu pensamento.
— Algo que queira acrescentar, alteza? — o velho interrompeu o próprio discurso para trazer a rainha de volta à realidade. — Esperávamos que já tivesse escolhido, majestade.
— Não há pressa, senhor. — O sorriso de Hinata era pequeno e arrogante.
— Está achando que vai poder gerar herdeiros até quando, alteza? — Ele notou, ela soube, assim que a voz do Sarutobi subiu o tom.
— Na verdade, não sei.
— Mas eu sei. — Fechou a cara para a rainha. — É apenas uma criança, por isso não sabe. — Ousou usar um tom debochado e isso foi a gota d'água para tirar a Hyuuga completamente dos eixos.
— Sabe mais que sua rainha? — Uniu as mãos à frente de seu rosto, apoiando o queixo nelas. — Faria melhor trabalho do que eu? — Mirou fixamente nos olhos escuros do velho. — Governaria melhor?
— Sem dúvidas! — Hiruzen bateu na mesa, e todos os outros ocupantes ficaram tensos.
Um longo segundo tomou o local somente as respirações pesadas eram ouvidas em sincronia, até que a morena quebrou o silêncio.
— Por que é homem?
Neji levou a mão à testa, esperando uma discussão iniciar. Defenderia sua rainha contra quem fosse, e o velho merecia a partir do momento que duvidou minimamente da capacidade de Hinata.
— Não por isso. — O velho notou a tensão do cão de guarda real, sabia que era a hora de parar. Sua batalha ainda não era aquela.
— Então concorda que não preciso de um homem para manter meu reino?
— Majestade, eu e o conselho indicamos… — Nara e Yamanaka acordaram da letargia e encararam a rainha sem saber se negavam ou concordavam com o que Hiruzen dizia.
— Então espero que fique contente, já escolhi meu pretendente. — Interrompeu o seu discurso e se levantou sem deixar a mesa, encarando o olhar assustado do moreno à sua direita.
— O Uchiha? — Os olhos do meistre brilharam em expectativa.
— Vou me casar com Neji Otsutsuki.
— Não deveria ter feito isso, Hinata. — O guarda fechou a porta atrás de si assim que chegaram aos aposentos reais. Possesso, estava em pânico, como a Hyuuga, que mesmo prometendo antes da reunião que esperaria, soltou a novidade sem ao menos pestanejar.
— Ele queria uma resposta… eu dei. — Ela deu de ombros.
— Não acho que contar do nosso relacionamento ao conselho tenha sido uma boa resposta. — Encostou na parede ao lado da porta de madeira, respirando profundamente. Seria dispensado pelo velho, ou sumiriam com ele na calada da noite, talvez seus próprios guardas fizessem o serviço. Massageava suas têmporas, tentando raciocinar. Passou a mão pelo rosto consternado, pensando em como iria resolver o problema que se meteu.
— Você vai dormir comigo… a partir de hoje — Hinata praticamente ordenou, ela tinha medo, e desse medo os dois compartilhavam.
Em alguma sala do lado norte do castelo, onde moravam os conselheiros, uma carta era escrita e esta poderia acabar com os planos de Hinata, até mesmo com a vida de Neji, ou com o reino. Não saberia até as consequências da entrega dessa carta baterem à sua porta.
Meu senhor, acredito que as coisas não tenham saído como planejado. A rainha informou ao conselho que ela vai recusar todos os pretendentes e se casar com o comandante da guarda real. Espero que as notícias o ajudem a pensar em uma solução, precisamos urgentemente tomar medidas antes que seja tarde demais. Não concordo com tal conduta e espero ansioso por uma ajuda ou intervenção para que nossos reinos não sejam afetados e consigam de uma vez por todas unir suas forças.
Hiruzen Sarutobi.
Não conseguia mentir, estava verdadeiramente feliz pela coragem que teve ao enfrentar o velho que parecia ser o único a querer Itachi no lugar de Neji, e a Hyuuga imaginava que a sua infelicidade seria o prêmio que o Sarutobi almejava. Sorriu ao levar sua mão até o cabelo castanho que cobria as costas largas do Otsutsuki, que se moveu com o toque da rainha.
— Bom dia. — Apoiou-se em uma mão, mantendo a outra nos cabelos dele.
— Eu poderia me acostumar facilmente a acordar toda manhã desta forma. — Selou os lábios por cima da franja da morena. — Bom dia, Hina. Dormiu bem? — Pelo sorriso, já imaginava a resposta, mas gostaria de ouvir de sua rainha.
— Melhor impossível. — Abraçou o corpo de Neji, sentindo o aconchego que só ele lhe dava. — Estou pensando seriamente em te trancar aqui comigo e fingir que estamos em lua de mel.
— E seus compromissos?
— Meus compromissos poderiam viver sem mim por um dia... — Viu a cara que o moreno fez e soube que não poderia, por mais que seu corpo pedisse por um descanso mais que merecido, não poderia. — Vou me aprontar e você desfaça essa carranca. — Levantou-se sem ligar para sua nudez.
— Vista-se, as criadas…
— Dispensei todas para que nenhuma admirasse o que é meu. — Pegou um robe de seda salmão a caminho do banheiro.
— Acaso está com ciúmes, alteza?
— Eu? Está dormindo ainda, só pode. — Voltou para perto do moreno, com uma nova ideia. — Me acompanha?
Neji pulou da cama macia, deixando de lado a preguiça e seguindo sua rainha até a sala de banho. Hinata ligou a torneira para encher a grande banheira de pedras, puxou o laço do robe, fazendo com que ele deslizasse pelo seu corpo até chegar ao chão. Ela virou e admirou o moreno, que já estava completamente nu. Ele se prontificou na frente dos degraus e deu a mão para sua rainha se apoiar, a morena pegou na mão dele sorrindo e desceu, entrando na água levemente gelada. Sentou-se e assistiu Neji se juntar a ela, os olhos não se deixavam, estavam completamente perdidos um no outro, a paixão tinha se tornado amor e eles nem sequer haviam percebido.
O Otsutsuki a puxou pelos ombros e a colocou de costas no meio de suas pernas, pegou a esponja e começou a passar delicadamente pelos ombros, desceu para as costas e chegou à cintura, subindo novamente para fazer o mesmo caminho do outro lado. O único som na grande sala era de água e as respirações calmas e sincronizadas. Eles estavam confortáveis e felizes na presença um do outro. Hinata virou-se, ficando de frente a ele e tomou a esponja de sua mão para lavá-lo. Começou também pelos ombros largos, desceu para o peitoral e em seguida o abdômen. Acariciou o rosto de Neji com a ponta dos dedos, ela sempre tentava tomar nota de cada feição daquele rosto tão imponente que a seguia durante toda sua vida. Ao terminarem o banho, se vestiram nos aposentos reais e aquela era a rotina que Hinata queria ter todos os dias, ao lado dele.
Grande parte da manhã chegava ao fim, e seu desejo de ficar trancada em seus aposentos durante todo o dia, mantendo Neji como refém, parecia uma ideia melhor. Três grandes tratados com infinitos pergaminhos para ler e reler incontáveis vezes lhe tomava as horas e sua paciência. Detalhes eram calculados pela rainha, para evitar erros e possíveis puxões de orelha do conselho. Ela se dedicava muitas vezes mais que seu pai, para não cometer erros e munir quem conspirava contra si.
Não era tola em achar que não havia pessoas em seu reino, do mais simples plebeu a um nobre que frequentava o castelo, que não quisesse que Hinata estivesse no trono. "Os melhores reis também têm opositores, filha", seu pai repetia em meio às aulas sobre política, e ela sabia que não poderia se permitir errar.
Estava certa de que seus sentimentos pelo guarda real já seriam suficientes para uma provável ofensiva contra a coroa, mas seria somente isso que a Hyuuga permitiria que usassem contra ela. Deveria ser bem mais simples, caso fosse um homem e escolhesse uma plebeia para matrimônio, porém não era o caso. Então, se um golpe se armasse debaixo de seu nariz, contaria com sua eficiência e disciplina no comando do reino para lutarem a seu favor.
— Está franzindo a testa há muito tempo. — Neji interrompeu seu raciocínio com um mínimo sorriso em seus lábios. — Quer ajuda para resolver algo?
— Na verdade, estou lendo sem conseguir absorver nada. — Remexeu-se na poltrona da biblioteca, que, depois de horas, deixou de ser confortável. — Estava divagando sobre nossa situação.
— Então sou a causa dessa face preocupada?
— Seria a solução dela, se quisesse. — Sorriu, brincando com o moreno. Essa preocupação de Neji consigo a fascinava. — Caso aceitasse meu convite, eu estaria na cama relaxada neste exato momento, e não pensando em detalhes sobre tratados maçantes.
— Não sabe o quanto eu gostaria de acatar esta ordem, majestade. — Olhou ao redor, constatando que estavam a sós, e se aproximou da cadeira que Hinata ocupava. — Eu gostaria de tentar uma coisa ou duas para relaxá-la.
— O que fizeram com meu guarda zeloso e respeitador? — Levantou-se, encarando o moreno. — Gosto mais deste Neji.
— Fico feliz em saber que minha rainha aprova. — Encaixou a mão nos fios azulados, mantendo o polegar no queixo da Hyuuga, se aproximando levemente sua boca à da morena sem beijar-lhe os lábios.
— O que está esperando? — disse ofegante e apreensiva pelo toque do Otsutsuki.
— Permissão. — Sorriu ao notar que, mesmo de olhos fechados, a Hyuuga pareceu revirá-los. Selou os lábios aos de Hinata com a mesma vontade que a primeira vez que o fez. Parecia que sempre era melhor que da última vez. Tomou a cintura da morena, a puxando para perto de si, sentindo o corpo pequeno encaixando tão perfeitamente ao seu, e xingou por querer tomá-la ali mesmo. Estava longe do controle que sempre gostou de ter.
Neji estava ao lado da rainha, como sempre, mas Hinata sentia que algo a incomodava. Pediu que uma criada se aproximasse e pediu algo que só ela pudesse ouvir. A mulher deixou a sala de jantar e voltou com um conjunto de louças, que enfeitou o lugar da mesa ao lado da Hyuuga. Ela olhou por cima do ombro, mirando os olhos claros. O moreno franziu o cenho, pois só poderia estar ficando louco, ou talvez Hinata estivesse.
— Sente-se. — Definitivamente, ela tinha ficado louca.
— Majestade, eu não…
— Hinata, Neji. Você é meu pretendente e futuro marido agora — disse, sem pestanejar. Os seus criados mantinham-se sérios, esperando novas ordens. — Sente-se. — O Otsutsuki se sentou, à muito contragosto.
— Alteza, não devemos fazer isso. Você sabe que…
— Sei o quê? Que eu preciso de um contrato ao invés de um casamento? — Ela o mirou séria. — Não me venha com esses assuntos. — Neji permaneceu em silêncio, não sabia mais o que fazer para Hinata mudar de ideia. — Saiam todos. — Ela olhou para os criados em volta da grande sala, que deixaram os dois sozinhos.
— Hinata, você precisa pensar no reino. Eu a amo e você sabe. Já deixei isso bem claro, e é por isso que preciso pensar no seu bem.
— Meu bem é estar com você, então… Case-se comigo. — Hinata esticou a mão em direção a ele.
Neji suspirou, a encarando, pareceu ponderar suas opções, não poderia mentir, ele estava com medo. A amava, de incontáveis maneiras diferentes, Hinata era a melhor coisa que ele tinha em sua vida, a única mulher que tinha despertado o melhor de si, a única que conseguiu tirá-lo completamente do eixo. Ela era única, e ele sabia disso. Seu coração batia forte todas as vezes que a olhava, que chegava perto, que a tocava; era ela quem ele amava e isso nunca mudaria. Ele decidiu naquele momento que se juntaria à loucura dela, pois se ela estava disposta a enfrentar tudo por ele, Neji também estava disposto a enfrentar qualquer coisa por ela.
— Caso. — Pegou a mão dela e curvou os lábios.
Os corredores da parte subterrânea do castelo do reino da Lua não eram seus lugares favoritos para estar, mas ele não tinha escolha. Algo muito errado estava acontecendo naquele lugar, uma coisa que todo o resto fazia vista grossa, mas que outros, como ele, não permitiriam.
Passou longos anos ao lado do antigo rei, sendo seu braço direito, a quem Hiashi recorria com uma simples dúvida, ou algo de suma importância para o reinado do Hyuuga. Conheceu o pai do antigo rei e foi também seu amigo íntimo, mas Hiroshi estaria neste momento se revirando no túmulo de tamanha indecência vinda da neta.
Hinata até mesmo poderia escolher seu marido, as opções dadas foram formidáveis, no entanto, a garota rebelde se mostrou mais problemática que o imaginado por Hiruzen. Itachi era perfeito, um lord de berço pronto para fechar a união de dois reinos poderosos, mas a Hyuuga se mostrava cada vez mais teimosa e o acordo benéfico para ambos os lados estava em risco.
Segurou a manga de seu longo manto branco impecável, batendo o pé em uma pequena poça da ala esquecida do castelo, quando ouviu passos apressados ao longe. Uma moça muito jovem se aproximou e maneou a cabeça para cumprimentá-lo.
— Desculpe a demora, senhor. A rainha… — Torceu a boca.
— Diga de uma vez, criança.
— Convidou o Otsutsuki para jantar ao seu lado, no salão principal.
— Ela está mais corajosa do que prevíamos — ponderou. Esfregar seu relacionamento com o guarda para quem quisesse ver era audacioso e mostrava que Hinata não tinha o devido cuidado.
— Ela… — A mulher de longos cabelos castanhos espremeu os olhos e negou, deixando claro que não concordava com a informação que viria. — Dorme com ele todas as noites.
— Como pode ter certeza? — Sentia o tratado escorrer por suas mãos. Madara jamais aceitaria uma mulher mal falada pelos criados.
— A rainha não faz cerimônia ao deixar que eu e as outras criadas entremos em seus aposentos enquanto o senhor Neji ainda está lá.
— Isso é grave. — Pensou mais uma vez nas jogadas que lhe restavam e retirou de seu bolso um punhado de ouro, entregando à moça, que lhe deu as costas e voltou para a ala que trabalhava.
Tomou o caminho de volta aos seus aposentos e, decidido, trancou a porta e procurou por um pergaminho novo e pena. Por tudo que era certo e virtuoso no mundo, Neji e a Rainha deveriam ser separados.
"Está mais difícil que o esperado. A rainha não cede à vontade do conselho, e temo que nossa nobre causa seja perdida pelos caprichos de uma criança mimada, que, mais uma vez, se mostra uma líder fraca e com pouco juízo. Avise a quem interessar que temos que estar prontos para dias nebulosos e pouco felizes. Junte-se ao seu conselho e busque a melhor estratégia, sem deixar claro que estamos prestes a enfrentar uma dura batalha entre o certo e o errado. Peço que me perdoe por ter afirmado anteriormente que minha rainha aceitaria de bom grado Uchiha Itachi e não se deixe levar pelo capricho de uma mulher sem consciência. Mais que certo que Hinata não está em suas faculdades mentais, pois erros vêm sido cometidos dia após dia dentro dos muros deste castelo. O manterei informado a cada novo movimento, nosso tempo é curto, mas conto com o senhor, com anos de glória para dar fim à tormenta de meu amado reino.
Sarutobi Hiruzen.”
A Hyuuga não se vestiu da forma costumeira, pois, apesar de ser amiga de sua convidada, certas etiquetas tinham que ser cumpridas. Suas mãos pousavam um pouco à frente de seu corpo e o vestido pesado quase não lhe causava incômodo, pois se sentia verdadeiramente bem naquele dia. Seu sorriso só se desfez com mais uma respiração pesada do Otsutsuki ao seu lado, que parecia nervoso e impaciente. Tsunade estava demorando um pouco mais que o planejado, mesmo assim não era motivo para o bater constante de pés do seu guarda.
— Há algo que eu deva saber? — disse baixo para que só o moreno a escutasse.
— Ainda é cedo para conversarmos. — Observou a carruagem da Folha adentrando os portões do muro de pedra que guardavam o castelo.
— Espero que me conte tudo, mesmo que seja mínimo. — Deu dois passos para frente para receber a Senju que descia de sua carruagem. — Tsuna. — Tentou ser o mais formal possível, mas sua vontade era de pular na amiga como uma criança.
— Ora, vamos, majestade! — Agarrou os ombros de Hinata, a acolhendo em um abraço. — Não nos vemos há séculos.
— Exagerada. — Deixou o afago da amiga para convidá-la a entrar. — Temos uma refeição agora e depois nós…
— Sem agenda, Hina. Basta meu pai e meu tio controlando meus horários. Estou oficialmente de férias. — Bateu palmas animada.
— Não somos mais crianças, Tsuna. Veio para aprender a lidar com seu gênio complicado. — Observando a cara azeda da amiga, continuou: — O tio Hashirama disse que eu deveria te ensinar algumas coisas.
Os olhos castanhos claros da Senju miraram Neji pela primeira vez e o sorriso da amiga deixou claro para a rainha o que estava por vir.
— Me ensine então a colocar um sorriso nesse rosto lindo. — Passou os dedos pela blusa do guarda real, que corou no mesmo instante. — Ou não resolveram o que tinham, ou Neji andou vendo algo que lhe agrada profundamente. Está mais bonito.
— Tsuna! — Hinata agarrou a mão da amiga e seguiu para a sala em que seriam servidas. — Pegue leve e lhe contarei tudo. — A boca da loira fez um “o” perfeito e a Hyuuga continuou: — Se se comportar.
— Sou sempre comportada, Hinata. Até parece que não me conhece.
— Majestade, não poderei acompanhá-las no café da manhã, peço que me desculpem. — Reverenciou as duas sem jeito. Gostava da loira, mas temia por sua boca sem filtro.
— Ah, que pena! — Tsunade usou seu tom exagerado. — Gostaria dessa visão no café.
— Pode ir, Neji, mais tarde nos vemos. — O moreno saiu apressado, as deixando a sós. — Você não está se ajudando.
— Se o mais tarde for em seus aposentos, eu posso observar? Para fins de aprendizado, é claro!
— Tsunade! Tenha dó, mal chegou e já nos deixou constrangidos. — Sentou-se à mesa, sendo acompanhada pela amiga.
— Meu pai sempre diz que causo sempre uma impressão. Boa ou ruim, mas fico feliz que tenham se entendido. — Buscou a mão de Hinata. — Agora me conte tudo, estou mais curiosa que faminta.
Colocando os assuntos em dia, descobriu que a amiga andava aprontando de todas em seu reino e o pedido de estudar com Hinata foi quase instantaneamente atendido, pois Hashirama achava que a filha de cabeça avoada não queria responsabilidades com o reino da Folha. Hinata contou brevemente sobre Neji e como tudo aconteceu depois do baile dos pretendentes. Tsunade ficou muito feliz pela Hyuuga e se disponibilizou para ajudá-los no que fosse preciso.
Neji voltou para a sala calado, e Hinata notou na rigidez do semblante dele que algo preocupava o Otsutsuki. Pediu licença à convidada e foram para a biblioteca, algo estava errado. Hinata sentou em sua poltrona atrás da mesa maciça de madeira, e Neji se pôs a frente dela em posição de respeito.
— O que aconteceu? Está mais sério do que o normal. — Ela arqueou a sobrancelha.
— Um dos soldados da fronteira do norte voltou hoje com notícias que não me agradaram.
— Desembucha, homem! — Hinata reclamou ansiosa.
— Parece que algumas cargas de ferro foram vistas entrando no reino do Fogo.
— Ferro? Só pode ter vindo do reino…
— Da Areia — o moreno completou.
— O que Madara está planejando? — Ela mordeu o lábio, pareceu pensar em algo. — Uma guerra? E com a ajuda do reino da Areia? Contra quem, Neji?
— Nós? — Ele torceu os lábios, fazendo com que Hinata franzisse o cenho. — Pense comigo, majestade. E se ele ficou sabendo sobre… você sabe, nós.
— Apenas o conselho sabe sobre nós.
— E alguns empregados.
— Merda! — Ela bateu na mesa. — Alguém ousou trair sua rainha?
— Hinata, calma, precisamos pensar…
— Não! — Interrompeu seu guarda. — Não posso ter calma. Além de ter alguém me traindo embaixo do meu nariz, Temari foi minha aluna e vai me trair dessa forma?
— Se você não tiver calma e pensar racionalmente, vamos ter problemas, alteza.
Hinata então respirou fundo para se acalmar, fechou os olhos e tentou pensar na melhor estratégia para lidar com essa novidade nada agradável, contudo, seus pensamentos foram rudemente atrapalhados por batidas à porta. A Hyuuga maneou a cabeça para Neji abrir a porta, revelando Tsunade, que entrou sem cerimônias.
— As paredes são grossas, mas ouvi seus gritos quando estava passando no corredor. O que aconteceu? — Hinata mirou Neji de soslaio, e ele fechou a porta.
Ela explicou tudo a Tsunade, que aconselhou ela a enviar uma carta para Temari para saber o que estava acontecendo. Talvez fosse apenas um mal entendido, pelo que Hinata tinha contado para a Senju, ela e a Sabaku tinham se dado muito bem. Não haveria motivação para travar uma guerra com ela. A morena bufou, estava irritada. Neji, percebendo seu humor, já planejava uma solução para acalmá-la e algo lhe vinha à mente, sendo repreendido pela sua razão logo em seguida. Hinata estava o transformando em um devasso, não que ele não gostasse, mas, naquele momento, precisava ser racional.
— Marque uma reunião de urgência com o conselho. Quero todos aqui no fim da tarde.
— Você não acha que pode ser alguém do conselho? — a loira perguntou. — Sem ofensas, Neji.
— Claro que não, todos são confiáveis, trabalharam para o meu pai — Hinata afirmou com confiança. — Vou escrever uma carta para Temari e quero que seja levada imediatamente até o reino da Areia. Em absoluto sigilo.
— Sim, majestade.
— Também quero escrever uma carta para o meu pai.
— Claro, Tsuna.
Seus passos não eram vacilantes, contudo, havia certa ansiedade impedindo que Hinata fizesse aquele caminho conhecido facilmente, como de costume. O som das batidas dos pés sobre o chão de pedra polida era irritante, e mesmo que o medo de uma ameaça iminente de um ou mais reinos batesse à porta, havia coisas a resolver imediatamente.
Neji saiu de seu lado para abrir as portas duplas do local e sua entrada foi anunciada. Tsunade, mostrando que estava ao seu lado, lhe apertou a mão antes de acompanhá-la. Todos os homens se levantaram e reverenciaram a rainha, que respondeu com um aceno, contida.
— Senhores, agradeço o comparecimento de cada um. Devido à urgência dos assuntos, é de extrema importância que… — Foi impedida de continuar com um pigarro do velho.
— Não deveríamos tratar de assuntos delicados na presença de estrangeiros, majestade.
— Se houvesse paciência de sua parte — elevou a sobrancelha —, entenderia que Tsunade está aqui para aprender meu ofício, sendo a próxima rainha do reino da Folha.
— Perdão, alteza — reverenciou novamente —, mas receio que a princesa não deveria ouvir todo assunto que tratamos aqui.
— Quem decide isso sou eu, concorda? — indagou ao velho, que se calou. — Perfeito. Enviei duas cartas para os reinos da Areia e da Folha em busca de respostas para o que o chefe da guarda real me confidenciou. Há movimentações suspeitas em nossas fronteiras, então é de vital importância que tenhamos controle do material que é transportado, já que ele passa por nossas terras.
— Majestade, não podemos ter nota de toda madeira e linho que entra em territórios vizinhos — Shino, o mestre do comércio exterior, começou.
— Não há medidas ou leis como esta em vigor — Inoichi acrescentou.
— Não é momento para saber o número de cada pedaço de porcaria que os reinos estão transportando. — A paciência de Hinata com o Sarutobi estava no limite.
— Não é madeira, senhores, muito menos quinquilharia. — Direcionou um olhar repreensivo para Hiruzen e voltou a olhar para todos. — Temos informações preocupantes sobre o número de ferro que cruzou a fronteira em direção ao reino do Fogo pela manhã. Ou não confiam em mim, ou em Neji? — Todos pareceram perder os argumentos que planejavam. — Tenho meus temores e peço que compreendam minha busca por respostas. Temari já foi avisada e o senhor Hashirama também, por sua filha, em meu nome.
— Com o devido respeito, majestade, mas não está sendo precipitada?
No mesmo momento, Neji respondeu:
— O que acha que se faz com ferro, Sarutobi? Guerra. E não me lembro de ter visto o senhor em nenhuma frente de batalha, então não venha com pensamentos pacificadores quando não viveu um dia de sua existência lutando por sua vida.
— Entendi bem o que diz, jovem Otsutsuki, mas, por sermos precipitados, poderíamos colocar a paz a perder. Vivi muito, é certo, e aprendi que o melhor caminho é a paz.
— Não há paz se apenas um dos lados deseja verdadeiramente — Shikaku Nara disse, sem olhar para nenhum dos presentes. Fazia anotações em um pergaminho, provavelmente pensando em alguma estratégia. — Tenho que conversar com o comandante da guarda para pensar nas devidas providências.
Um deles já estava ao seu lado, faltavam os demais.
— Posso contar com o senhor Inoichi para pensar em novas normas que nos deixem mais seguros a respeito de cargas? — O homem, sempre calado, apenas concordou com a cabeça.
— Creio que está cometendo um erro, mas quero estar a par de todos os passos dessa força — Hiruzen comentou.
— Não acho necessário. O senhor nunca participou de uma guerra, não saberá como lidar com algumas questões. — O chefe da guarda real foi ríspido.
Hinata achou estranha aquela opinião de Neji, mas decidiu perguntar outra hora, pois se ele queria o Sarutobi afastado das estratégias de guerra, havia um motivo.
— Se estamos de acordo com a questão da ameaça, peço que respeitem meu próximo assunto. — Levantou-se, mantendo o seu lugar junto à mesa. — Me casarei daqui há alguns meses, e meu pretendente está nessa sala.
— Não pode fazer isso, minha jovem — falou, de modo exasperado.
— Silêncio, meistre Sarutobi. — A Hyuuga uniu as mãos à frente de seu corpo e continuou: — Não é novidade que Neji e eu temos sentimentos um pelo outro e quero oficializar tudo, comemorando o meu casamento. Não desejo palavras de nenhum dos senhores se não forem votos de felicidade.
— Os outros reinos não participarão desta… — O velho foi interrompido.
— Espero que o Meistre Sarutobi tenha gostado da escolha, já que se empenhou tanto em buscar longe algo que sempre esteve debaixo de seu nariz. — Sorriu amável, porém sua vontade era de esganar o ancião. — Não se preocupe com os demais reinos. Enviei cartas justamente para saber a posição da Areia e da Folha quanto a isso, e sua prioridade é a Lua, não esqueça.
— Meu pai apoiará toda decisão que eu tomar, e tenho um pergaminho do conselho me dando poderes para tal. Então declaro que o Reino da Folha está feliz com o casamento da Rainha Hinata. — Muito entusiasmada, Tsunade não levava mesmo jeito, mas tinha a força necessária para ser rainha. Trabalharia dobrado com a amiga para torná-la a melhor em tudo.
As considerações finais foram feitas por Shikaku, que ficou na sala do conselho a sós com Neji. Hinata e Tsunade partiram em direção aos aposentos da rainha para comentários óbvios sobre a reunião que tinha deixado Hinata fora de si. Quem Hiruzen estava pensando que era para questionar suas decisões daquela forma? Tinha perdido a noção do seu devido lugar? Caso fosse isso, ensinaria boas maneiras a ele novamente. A Senju a acompanhava com os olhos, enquanto ela andava de um lado para o outro. Aguardava ansiosamente Neji chegar ao seu quarto, queria saber o que o Nara tinha falado e o que tinha sido decidido para enfrentar a suposta guerra que tinham pela frente.
Temari No Sabaku.”
Hinata deveria estar feliz em saber que a amiga do reino da Areia e seu irmão não tinham ligação com os carregamentos de ferro para Madara, mas ter certeza só fez piorar seus pensamentos. Se nem Temari sabia, como seria ela capaz de entender o que se passa na mente do Uchiha quando procurou tratados para conquistar mais ferro? Sua mão foi imediatamente à testa. Buscava clareza em algo tão turvo quanto uma guerra não declarada e às escuras. Poderiam ser pegos de surpresa, o que acarretaria em um massacre como os contados em alguns pergaminhos antigos, tudo isso bem típico da família Uchiha.
Deixou a carta da amiga em sua mesa. Estava sozinha na biblioteca, novamente tentando colocar as coisas em seu devido lugar. Cada nova informação pequena em um emaranhado de outras informações que nem ao certo poderiam dizer serem verdadeiras. Cada reino sabia de si, mas nunca qual era a vontade de outros. O que Madara estava tramando ainda era segredo, entretanto, sentia que algo muito errado a cercava por todos os lados. Não podia confiar em ninguém, muito menos dar-se ao luxo de estar errada. Ser pega desprevenida não era uma opção, e Neji se encarregava de treinar mais os soldados disponíveis e deixar de sobreaviso alguns outros. Essa era a estratégia combinada na semana anterior.
Sabia viver sob pressão, sempre atenta a um inimigo declarado, mas quando esse inimigo não possuía rosto, se tornava difícil a tarefa de se preparar para um ataque, caso houvesse. Era tudo tão incerto e estar no meio dos preparativos para o grande discurso estava tirando a rainha do sério. Os dois na verdade. Há tempos não tinha um segundo de paz para aproveitar a companhia do futuro marido.
— Você está bem? — A voz rouca que ela tanto amava ouvir ecoou pelos seus pensamentos, a trazendo de volta à realidade.
— Estaria bem se não houvesse um perigo iminente batendo à minha porta e eu nem sequer sei que perigo é esse.
— Não se preocupe, vá ministrar a aula para Tsunade que eu me encarrego de proteger suas costas. — O moreno sorriu minimamente ao ver os olhos perolados a mirando de forma carinhosa. — O que foi, alteza?
— Estou admirando você… Às vezes você se esquece que o amo tanto quanto você me ama. — Ela levantou e foi em direção a ele, apoiando a mão em seu peito. Olhou nos olhos do Otsutsuki. — Eu também quero proteger suas costas, Neji. — Hinata sorriu e deu um beijo rápido em seu guarda. — Vou indo, Tsunade me aguarda. — O moreno ficou surpreso, mas feliz.
Ela saiu dali e foi em direção à sala de estudos. Quando Temari estava recebendo as lições, a Hyuuga pediu para ser feita uma sala especial para suas aulas. Entrou e viu a amiga sentada à sua espera. Antes de começar os estudos de fato, contou sobre a carta do reino da Areia e o quanto estava aliviada de não os ter contra si. Muito pelo contrário, Gaara e Temari a apoiavam tanto em seu casamento, quanto se uma guerra viesse a acontecer. Longas horas depois, as duas saíram de dentro da sala exaustas e foram em direção à sala de jantar, com Neji atrás delas. Sentaram-se à mesa e fizeram a refeição com calma, aproveitando cada sabor que tocava em suas línguas.
A Hyuuga estava contando os minutos para estar em seu quarto. Apesar de estar cansada, queria apenas mais uma coisa naquela noite: Neji. Despediu-se de Tsunade na porta do quarto dela e seguiu para o seu com o Otsutsuki em seu encalço, o sorriso depravado já brincava nos seus lábios em plenos corredores do castelo. Entraram nos aposentos reais e Hinata virou para Neji, que entendeu tudo apenas pelo olhar cheio de luxúria da rainha.
A buscou com as mãos e agarrou sua coxa e a nuca, beijou os lábios carnudos da morena com vontade. Sentiu o arfar dela próximo de seu ouvido quando beijou o pescoço alvo. As mãos pequenas da Hyuuga desfilavam pelo corpo escultural do guarda, tirando devagar as roupas pesadas que ele usava. O vestido foi o próximo a ir ao chão, as curvas delineadas de Hinata foram descobertas e completamente adoradas pelos lábios do moreno. Ela sentia seu corpo inteiro arrepiar a cada toque que sentia, cada beijo, lambida e os dedos deixando marcas em sua carne.
Neji a pegou no colo e caminhou até a cama, a colocou com delicadeza em cima dos lençóis e voltou a beijar seu corpo. Deslizou os dedos até a fenda de Hinata, que já estava encharcada, fez movimentos circulares no clitóris e desceu os dois dedos, a penetrando. Um gemido sôfrego deixou a garganta da Hyuuga e essa foi a deixa para ele descer sua língua até o meio das pernas dela. Chupou com desejo, lambia toda a extensão de sua intimidade, e a morena gemia alto, puxando os cabelos compridos do Otsutsuki.
— Ne-neji…
— Me diga o que quer, majestade… — A voz rouca surgiu entre os barulhos indecentes do sexo que faziam.
— Quero gozar… pra você. — O mais velho sorriu e começou a tirar as calças.
— Fica de quatro, Hina. — Era a primeira vez que Neji pedia para que ela fizesse algo, e ela fez com todo o prazer. Posicionou-se na cama e logo sentiu o pau de Neji entrando em si. A cada centímetro, ela revirava os olhos de prazer. — Está gostoso, alteza?
— Por Deus, Neji. — A Hyuuga quase gritou quando ele acelerou as estocadas. Ele levou a mão até a dela, a puxando.
— Se satisfaça… — Colocou a mão direita de Hinata sobre seu clitóris.
— Eu…
— Só faça, Hina — ele a cortou. — Não fique com vergonha de mim.
A Hyuuga começou a se estimular e não demorou nem três minutos para ela começar a sentir o calor tomando todo o seu corpo. Neji rosnava com o canal da morena mastigando seu pau de forma arrebatadora. Hinata, a cada segundo, gritava mais alto, e o moreno apertava ainda mais o quadril dela, tentando manter a sanidade. Contudo, o calor que dividiam foi cada vez mais tomando proporções exacerbadas, até transbordarem em orgasmos. Os dois deitaram na cama, exaustos. Ele beijou o ombro de Hinata e a apertou contra si para embarcarem em um merecido descanso.
Acordaram nus, enrolados nos lençóis. Para Hinata, essa era a melhor forma de acordar. Neji a abraçou assim que sentiu ela se mexer, se aconchegaram um no outro e, por eles, passariam o resto do dia ali.
— Hina! — Tsunade invadiu o quarto gritando. — Ah, meu Deus, perdão! — A loira virou-se de costas.
— Tsunade! — Hinata ralhou com a Senju, sentando na cama de forma brusca. — Você conhece as boas maneiras, não?
— Me perdoe, não sabia que estavam… — pigarreou — dormindo juntos.
— Agora que já invadiu meu quarto, o que houve?
— Itachi Uchiha está aqui.
— O quê?! — A Hyuuga saltou os olhos e olhou para Neji como se buscasse alguma resposta, mas o moreno apenas deu de ombros. — Saia, vou me vestir.
A loira deixou o quarto, e Hinata e Neji se arrumaram para receber a visita, no mínimo, inesperada. Hinata marchava pelos corredores do castelo com Neji atrás dela tentando a acalmar, ela não podia cometer nenhum deslize. O anúncio do casamento seria feito dali há duas semanas, pois esse seria o tempo de eles organizarem tudo e quem sabe descobrirem o que Madara pretendia. Quem sabe até a Hyuuga poderia arrancar algo do filho mais velho, ele sempre foi tão receptivo com a rainha, poderia ser uma boa estratégia, e Neji falava justamente sobre isso. A morena entrou na sala de jantar, notando a presença do Uchiha sentado à mesa e, do outro lado, Tsunade.
— Majestade. — Itachi se levantou e se curvou.
— Bom dia, Itachi. O que te traz ao meu reino tão cedo? — Hinata contornou a longa mesa de madeira e sentou em seu lugar de costume.
— Eu estava resolvendo algumas coisas e como iria passar por aqui, resolvi lhe fazer uma visita, caso você permita, claro. — O Uchiha sentou novamente.
— Fique à vontade, só não tanto… Estou um pouco ocupada dando aulas para a princesa Senju. — A Hyuuga apontou para a amiga ao seu lado, e ele sorriu.
— Jamais a perturbaria, alteza. Queria lhe dar esse presente — o Uchiha pegou a caixa que estava do outro lado da mesa e colocou a frente de Hinata — e, se possível, passar algum tempo com você.
A Senju olhou para Neji e jurou que ele quebraria os dentes caso forçasse mais o maxilar, os olhos dele pareciam estar vermelhos de raiva. Tsunade achava que um banho de sangue seria travado bem ali na mesa do café da manhã. Hinata colocou a mão no peito e fingiu surpresa, abrindo a caixa e notando a joia em forma de colar. Ela suspirou, sabia que não tinha avisado ao reino do Fogo que já tinha encontrado seu futuro marido e ela tinha um motivo para isso. Sentiu que aquela visita não era apenas um galanteio de um pretendente, parecia fazer parte do, seja lá qual for, plano de Madara. Contudo, caso fosse assim que ele queria ter a certeza, que fosse.
— Obrigada, Itachi, mas não posso aceitar. — Ela fechou a caixa novamente e a empurrou em direção a ele. Neji sentiu sua respiração pesar, o ar do ambiente tinha ficado tenso. A Senju engoliu em seco, prevendo as próximas palavras da amiga.
— É apenas um colar, majestade. Quando você aceitar minha proposta, lhe darei muitos outros. — Ele sorriu convencido. — Você bem sabe que o reino do Fogo é rico em pedras preciosas.
— Eu não vou aceitar a sua proposta — falou simplista.
— Outro reino fez uma melhor? — Itachi sentiu seu coração acelerar, não podia perder a rainha Hinata, ele a queria. — Eu posso refazer a oferta, posso oferecer mais.
— Eu não sou um tratado! — Hinata bateu o punho na mesa.
— Hina… — Tsunade tentou tocá-la, no entanto, foi em vão. Hinata estava cansada de se sentir um objeto, ou algo que servisse apenas para ligar um reino a outro através de um tratado.
— Meu coração não está à venda, muito menos meu reino — a Hyuuga falava com amargura, estava cansada daquilo tudo. — Eu já tenho um futuro marido, mas já que seu pai não pôde esperar meu comunicado oficial, eu vou mandar o aviso por você.
— Majestade, acho melhor… — A rainha ergueu a mão para Neji sem olhar.
— Eu vou casar com Neji Otsutsuki. — Itachi arregalou os olhos.
— Seu guarda? — Ele olhou para o moreno em pé atrás da rainha e voltou a encarar Hinata. — Isso é algum tipo de afronta?
— Como ousa falar isso dentro do meu reino? — Ela o mirou incrédula. — Está tentando estabelecer uma guerra entre nossos reinos, príncipe Itachi?
— Jamais faria isso, perdão, majestade. — Ele fez uma reverência com a cabeça. — Acredito que — ele levantou — seja melhor eu ir embora.
— Nada me parece melhor. — Olhou para o guarda que estava em sua lateral esquerda. — Haru, acompanhe o príncipe Itachi até a fronteira de seu reino.
Itachi a reverenciou mais uma vez e saiu dali, acompanhado pelo guarda real. Hinata fechou os olhos e respirou fundo três vezes, precisava se recompor. Sua vontade era de quebrar algo ou talvez gritar até Madara escutar do outro lado da fronteira. Contudo, o silêncio foi cortado pelos empregados — que acataram a ordem de Neji de poder servir o café da manhã — colocando os pratos em cima da grande mesa. A rainha começou a comer devagar, como se nada tivesse acontecido. Tsunade olhou para Neji, que parecia tão curioso quanto ela, os dois tentavam entender a irritação repentina com o Uchiha e a calmaria que se seguiu.
— Está tudo bem? — a loira perguntou, quase sussurrando.
— Sim, está — Hinata respondeu, deu um gole em seu suco e continuou cortando suas frutas. — Neji, o comunicado do casamento será feito ao fim dessa semana, organize tudo.
— Sim, majestade.
Itachi foi a viagem inteira confuso, queria saber o que tinha acontecido tão de repente para a rainha o tratar de forma hostil. Estava pensativo, pois foi realmente uma surpresa a reação de Hinata à sua presença, já que no baile eles se entenderam tão bem, e ele não deixaria que isso passasse despercebido, caso houvesse algo que ele não soubesse, ele queria ter o conhecimento. Algo o dizia que Madara tinha o mandado ao reino da Lua por um motivo maior. O Uchiha não sabia, mas ele não poderia estar mais certo, não era à toa que era o gênio da realeza. Desceu da carruagem e adentrou o castelo, pisando duro. Estava irritado pela vergonha que passou logo pela manhã com a Rainha que mexia com seu coração.
— Alteza — Itachi vociferou em voz alta, assim que entrou na sala do trono.
— Já voltou, Itachi? Esperava que fosse aproveitar mais o seu tempo com a Rainha Hinata — falou de forma desinteressada.
— Aproveitaria, caso ela já não estivesse noiva — o príncipe rosnou irritado.
— Não recebemos nenhum aviso formal da rainha recusando nossa oferta. — O rei sabia esconder bem suas artimanhas, mas não de seu filho mais velho.
— Tem certeza? — Ele franziu o cenho. — Ela parecia bem alterada com a minha presença.
— Alterada? — Madara arqueou uma sobrancelha. — O que realmente aconteceu?
O príncipe contou tudo que tinha acontecido e com quem ela iria se casar. Madara achou aquilo uma afronta, principalmente pelo fato dela ter tratado Itachi como tratou. Na concepção dele, a rainha só poderia estar fora de si, tinha perdido completamente seu juízo. Iria se casar com um guardinha com tantos príncipes à sua disposição para lhe dar a melhor das vidas. Na cabeça dele, não fazia sentido e iria escrever uma carta não só para a rainha Hyuuga, mas também para os outros reinos, afinal, ele tinha que impedir essa loucura.
— Gaara, você precisa ler esse absurdo! — Temari vinha a passos rápidos até o irmão, que conversava com Kankuro na mesa do café da manhã.
— O que houve, Temari? — Ela entregou o pergaminho contendo a carta de Madara, queria que todos os reinos se unissem para uma assembleia, afinal, era de interesse de todos que a rainha escolhesse um dos príncipes. — Mas que ultraje! A rainha Hyuuga pode escolher quem quiser para se casar, mesmo que não seja da coroa. Nós já demos nosso apoio a ela, não irei a esse circo que o Madara está tentando armar.
— Irmão, e o carregamento de ferro que a rainha Hinata falou?
— Já estamos averiguando o que está acontecendo dentro do meu reino — o ruivo falou confiante.
— Isso é algo grave, Gaara. É sinal de guerra — a loira disse preocupada.
— Eu sei. O que descobrimos até agora é que tem algum traidor roubando o ferro para levar para o reino do Fogo.
— Precisamos descobrir com urgência quem é esse traidor. — Kankuro franziu o cenho, preocupado.
— E saber se o Madara vai mesmo começar uma guerra por causa disso — Gaara concluiu.
— Posso avisar à rainha Hinata o que Madara está planejando? — Gaara assentiu e a loira foi a passos rápidos escrever uma carta para a rainha e amiga, Hinata Hyuuga.
Minato olhava a carta com as sobrancelhas juntas, Kushina esperava pacientemente que seu marido lhe desse algum sinal do que aquilo se tratava. Estava começando a ficar nervosa, e então ele pediu para que um guarda chamasse seu filho, Naruto. Quando o Uzumaki chegou ao escritório de seu pai, pôde constatar que o assunto pouco lhe importava, afinal, ele se casaria com a princesa de um reino menor, mas que seria de muita ajuda ao seu próprio reino.
— Não me sinto desonrado. A rainha Hinata sempre foi uma mulher forte e confiante da sua força. — Ele encarava o pai de forma séria. — Tenho certeza de que vai saber contornar tais problemas, mas se ela precisar, prefiro ficar ao lado dela.
Kushina olhou para seu filho e sentiu orgulho, estava se tornando um homem e tanto. Achava aquela atitude de Madara um tanto exacerbada, primeiro que não havia necessidade dele se intrometer na escolha da rainha, segundo que ela escolhe seu marido, seja por tratado, ou seja por amor, como ela escolheu Minato.
— Acredito que nosso filho esteja certo, Minato. A rainha Hyuuga se mostrou forte e uma boa aliada do nosso reino.
Minato olhou para seu filho e esposa parecendo ponderar as palavras dos dois. De fato, o reino da Lua sempre foi um grande aliado, fosse no livre comércio ou em batalhas. A rainha Hyuuga sempre se mostrou disposta a ajudá-los e era uma voz empoderada diante de tantos reinos com apenas homens no poder. Ele tinha que concordar, de nada serviria para ele entrar em discordância com o reino da Lua por um mero casamento, o qual ele nem mesmo fez uma proposta. Claro que Madara não sabia disso, mas, como eles estavam lá no baile, ele deve ter suposto.
— Estou sem acreditar que ele faria algo assim — Hashirama bradou irritado. — Se ele começar uma guerra por causa do casamento da Hinata, eu vou acabar com o reino do fogo, coisa que já devia ter feito há muitos anos.
— Falei isso diversas vezes, irmão. Uchihas são todos egocêntricos e de caráter duvidoso, não me espanta Madara tomar tal atitude — Tobirama disse com propriedade. — Ele acha que seu filho foi desonrado porque foi rejeitado. — O mais novo revirou os olhos. — Não esperaria menos de Uchiha's.
— Deixa seu ódio pelos Uchiha's fora disso, Tobirama. Precisamos pensar no que fazer, afinal, é bem capaz que ele trave uma guerra desnecessária por achar imoral ela casar com o Neji.
— Não é como se ele fosse um guarda qualquer. Ele é do conselho, é o comandante da guarda real, além de ser guarda pessoal da rainha. — O grisalho suspirou. — Faz tantos anos que não temos uma guerra, irmão. Pode até ser divertido cortar algumas cabeças.
— Por Deus, Tobirama. Ainda bem que não assumiu o trono. — Hashirama saiu pisando duro, precisava mandar uma carta para sua filha. Tsunade estava no reino da Lua e isso melhoraria sua comunicação, além dela ser seus olhos e ouvidos por lá.
Rainha Hinata,
Gostaria de falar sobre um assunto delicado. Meu filho ficou extremamente desolado de não ter recebido uma carta formal recusando o pedido de casamento, mas o que me deixou preocupado foi saber que pretende se casar com alguém da plebe. Nós, líderes, devemos seguir os princípios que fazem um reino ser rico e bem sucedido. Receio que com a informação de que pretende se casar com o seu guarda pessoal, me faz pensar que esteja sendo irresponsável na regência do seu cargo.
Além de que uma rainha deve casar-se com um príncipe ou um rei, para dar continuidade ao legado com alguém apto a tal feito. Quero lhe informar que convoquei uma assembleia com os outros reinos, já que acredito que é de interesse de todos essa sua atitude para com os acordos já firmados. Mesmo assim, reforçamos que nosso reino está feliz pela escolha da Rainha, mas muito preocupado com o que outros reinos achariam da jovem Hyuuga.
Tenho conhecimento do quão difícil é reger sendo uma dama. Mesmo tão destemida como a menina se mostra, não acho prudente que a jovem tenha que enfrentar futuros desatinos ao lado de um homem tão jovem e pouco treinado para os deveres de um rei, mas desejo-lhes toda a felicidade que puderem ter e paz, caso encontrem.
Uchiha Madara.
Respirou uma, duas, quantas vezes foram suficientes para estabilizar sua respiração. Ódio líquido circulava em suas veias naquele momento. O pergaminho mal chegara e a pressa da rainha a fez deixar tudo do lado de fora da biblioteca para ter certeza das intenções do reino do Fogo. Ele foi exatamente como o esperado. No meio de tantas palavras educadas, algumas ameaças veladas, como o veneno que saía da boca do rei Uchiha, sempre escorrendo pelos lados. Nada muito revelador, mas aquela paz a que Madara se referiu era um desafio.
Ele não daria paz, sem dúvidas estava armando algo grande e inesperado. Já imaginava que uma das jogadas do Uchiha poderia ter contado com outros reinos não lhe estendendo a mão, automaticamente os colocando ao seu lado, mas Hinata foi mais esperta nesta parte. Mal sabe o velho que a tal jovem rainha também tinha o que ensinar. Ouviu batidas na porta e imaginou quem seria. Permitiu que Neji entrasse e, sem explicações, estendeu o pergaminho recém chegado.
O moreno continuou de pé, perto da Hyuuga, e, quando terminou a leitura, sorriu para a morena.
— Um desafio? — Negou levemente com a cabeça, recebendo uma afirmação da morena.
— Madara nos desejou felicidades, agora sinto que minha vida valeu a pena — falou debochada e se levantou, encontrando o corpo do noivo. Sentiu as mãos ágeis em sua cintura e aproveitou o toque do moreno; seu pedaço de calmaria em um mar de possibilidades, potencialmente assustadoras; a escolha certa. — Temos que fazer valer votos tão sinceros.
— Farei de tudo para que Madara tenha exatamente o que desejou, Majestade. — Selou os lábios nos de Hinata, com um sorriso cúmplice e cheio de promessas que somente os dois compreendiam.
Naquela noite, se amaram como em tantas outras, dormiram abraçados, sentindo a pele quente. Eles estavam satisfeitos apenas por estar na companhia um do outro, era o que mais deixava-os felizes. Em breve, poderiam gritar ao mundo que se amavam. Estariam casados, afinal. Era tudo que Hinata queria, tudo que ela almejava, poder mostrar a todos o quanto o seu guarda pessoal era importante para si. Queria deixar claro que a partir do momento que trocassem alianças e que a coroa fosse colocada na cabeça de Neji, ele teria que ser respeitado e visto como seu marido e rei.
Acordaram com batidas insistentes na porta dos aposentos reais. A rainha forçou os olhos, enquanto Neji já estava em pé, com a espada em punho, mesmo que estivesse despido. Quando se tratava da segurança de Hinata, ele sempre estaria pronto, dormia com um olho aberto e outro fechado, não hesitaria em matar quem quer que entrasse ali sem permissão. A visão da Hyuuga foi desembaçando e viu o seu guarda — e noivo — em posição de ataque. Por Deus, ele não perdia a mania de pensar sempre o pior. Pensar demais era seu defeito.
— General Neji, precisamos de sua presença, e, se possível, da rainha também. — O Otsutsuki franziu o cenho e olhou para trás, encontrando Hinata tão confusa quanto ele.
— Já vamos, nos espere no salão do trono. — Neji virou para Hinata e ela tentava se orientar, olhou pela janela e via os primeiros raios de sol surgirem. — Não sei o que houve, mas para Haru vir nos chamar, algo grave há de ter acontecido.
— Vou me vestir. — A Hyuuga, agora mais desperta, se levantou depressa, colocou um vestido simples e pediu ajuda para Neji ajustar o tecido no seu corpo. O guarda fez o mesmo, colocando sua roupa de sempre. Ao chegarem ao salão, Hinata viu um homem de joelhos, preso e sendo segurado entre dois soldados. Arqueou a sobrancelha e reclamava mentalmente. Caso fosse um caso de um roubo no vilarejo, podia dar cabo do assunto pela manhã. Sentou-se no trono, sendo reverenciada por todos que ali estavam, e Neji ficou em pé, um pouco à frente da rainha para comandar seus soldados.
— O que significa isso? — bradou alto e em bom tom. — Algo importante, creio eu, para tirar sua majestade de seu sono.
— Perdão, alteza — o capitão do pelotão noturno do exército pediu, sem jeito. — Acredito que seja de extrema importância. Este homem estava carregando ferro até o reino do Fogo. — Hinata saltou os olhos. — Talvez ele possa nos dizer algo quanto a isso, já que não é de conhecimento do Rei No Sabaku. — Neji olhou de soslaio para Hinata, como se perguntasse se ela queria fazer as perguntas, mas ela assentiu para que ele continuasse.
— Bem, o que descobriram? — perguntou, de forma calma.
— Ele não quis falar.
O Otsutsuki ponderou suas próximas palavras, porém preferiu ir até a rainha e colou os lábios próximo ao seu ouvido. — Prefere mandar para Gaara? — A Hyuuga maneou a cabeça, concordando, e o general virou-se para o restante dos presentes. — Levem-no para o Rei Gaara e digam exatamente o que aconteceu.
Os soldados saíram dali levando o homem consigo. Neji virou para Hinata, que soltou o ar de seus pulmões e levantou, tendo a mão de seu noivo à sua disposição para apoiá-la. Seguiram pelo corredor e enfim estavam em seu quarto novamente. A rainha deixou o vestido escorregar pelo corpo até atingir o chão, se deitou entre os lençóis e o moreno sorriu. Sentou na beirada do colchão, acariciou o rosto pálido e beijou a testa.
— Acha que vamos conseguir resolver tudo isso sem uma guerra?
— Acredito que seria o melhor caminho, mas não sei se Madara nos deixará escolha. — Neji bufou, derrotado. — Esse carregamento antes do sol nascer é muito suspeito.
— Estou preocupada… — O olhar de Hinata vagava pelo quarto. Estava distante, pensando nas opções que teria. Precisava manter Neji seguro, pois ela tinha quase uma certeza de que seria onde Madara a atingiria, direto no coração. Caso o traidor dentro de seu próprio reino também estivesse em conluio com Madara, seria fácil para ele matar seu amado, no entanto, isso ela não permitiria, pois se Neji poderia empunhar a espada por si, ela também empunharia por ele, mesmo sabendo tão pouco sobre batalhar.
— Vai ficar tudo bem, nada vai acontecer com você. — Desceu os dedos pelos cabelos negros, deslizando entre os fios, a olhava com carinho e cuidado.
— Não estou preocupada comigo. Sei que Madara é louco, mas não burro. — Hinata atirou as palavras com certa brutalidade. Seu interior se contorcia só com a ideia de perdê-lo, não suportaria sua morte. Era capaz de matar qualquer um que se atrevesse a fazer algum mal a ele. Nunca se sentira desse jeito. Suas mãos deslizaram pelo peito dele em busca de acalmar a si mesma e se convencer de que ele sempre estaria ali. Sua garganta fechou-se e quase sentiu lágrimas em seus olhos pelos pensamentos que rondavam sua mente, deixando Neji um tanto desconfiado com o seu comportamento. Ele sabia que Hinata se preocupava e pensaria nele como algo a ser usado contra ela, principalmente se Madara declarasse guerra. — Não vou deixar nada acontecer com você.
As paredes escuras do pequeno cômodo escondido no castelo pareciam se fechar conforme o tempo passava ali. Sofria com o calor das terras secas, mas repletas de riqueza em minério. Tudo que quis até ali foi dar início à sua trajetória até algum lugar de prestígio no reino, em qualquer um deles, algo que pudesse levar sua família a festas requintadas. Queria mudar de vida, mesmo que fora da lei, sendo procurado futuramente por alguns reis, isso não vinha ao caso antes, não naquele dia.
Ele saiu de sua casa e encontrou o homem loiro, muito conhecido pelo reino dos Sabaku. Este homem o chamou para participar de um pequeno grupo que agiria de forma sorrateira, buscando unificar algumas terras. Ele não negou fazer parte, sabendo do nome de peso de ambos os participantes. O loiro lhe prometeu muito ouro e títulos, com a ajuda do parente do rei, quando tudo que o homem por trás do plano conseguisse conquistar fosse o primeiro reino. Seus planos eram esses; fazer sua parte e depois colher o apoio de quem o convidou para o trabalho.
O ex artesão fabricava armaduras simples para alguns soldados do exército real. Os que faziam a guarda das fronteiras, longe dos olhos da população, longe das exigências da realeza. Sem requinte, sem detalhes, um desperdício de suas habilidades, mas pagava as contas de sua família, e apesar de não ser casado ainda, o jovem já sustentava uma pequena casa modesta, com os pais velhos e doentes, que pouco ajudavam nas tarefas. Não queria reclamar, mas nada do que tinha era suficiente. Ele deveria fazer algo para mudar, para ter mais, para dar mais a seus pais e retribuir o que foi passado para si. O reino não fez bom uso de seus talentos e o jovem ferreiro de família humilde aceitou a missão.
Recebia o carregamento de sempre, para a manutenção e forja de novas armaduras, e, no meio de toda a tralha de armaduras gastas, um grande acréscimo que seria levado por ele até a divisa do reino do Fogo. O caminho era longo e deveria ser feito sem pressa, com uma pequena carroça antiga disfarçada como agregadora de porcos, cheias de ferro coberto com capim para tentar passar despercebido caso algum guarda o parasse.
Funcionou até alguns dias, ou semanas antes, quando um guarda da Lua pediu para inspecionar a carroça, dando fim à renda extra do ferreiro e longos dias de caminhada entre os reinos. A única porta do cômodo quente foi aberta, e o som do ranger das fechaduras característico de dobraduras velhas e pouco usadas há tempos.
Achava que nada poderia ser pior que o seu transporte até o Reino da Areia, mas o tempo que havia passado ali preso com algumas cordas içando-o pelas juntas de seu corpo piorou um pouco sua situação. Assim que chegou, foi para o ar, amarrado por nós apertados. Punhos, cotovelos, joelhos, pescoço; sendo movimentados por guardas quando bem queriam. O prisioneiro virou uma marionete e era maltratado para revelar quem o fez trair seu rei. Estava farto de esconder aquilo, tudo estava perdido mesmo.
A figura conhecida, que o visitava algumas vezes, mas nunca de fato o tocou, foi avistada. Apenas puxava as cordas e fazia a mesma pergunta. Chegou mais perto, sorriu de forma fria e, mais uma vez, perguntou:
— Quem fornecia o carregamento?
Não comia, não via a luz do dia. Não havia esperança. Estava morto ou preso para sempre. Perdeu de todas as maneiras, mas levaria consigo os homens que o levaram até ali.
— Sasori Akasuna tem contatos fora do reino, e um de seus capangas veio diretamente a mim, pedindo ajuda para retirar o material do reino e o levar até às terras Uchihas.
— Acaso saíam de sua cabana? — Kankuro passou a mão em uma das cordas, a puxando para mover o braço esquerdo do prisioneiro.
— Não, senhor, há um grande galpão de madeira escondido entre as formações rochosas afastadas do reino.
— As antigas minas? — Passou sua mão por uma corda e ergueu o outro braço do prisioneiro.
— Sim… — gemeu. A dor começava a incomodar seus ossos, e o vermelho da pele queimava a cada movimento do irmão do rei. — A antiga mina, senhor.
— Majestade, temos a localização do traidor! — Kankuro falou, adentrando a sala do trono.
O ruivo levantou em satisfação, afinal, era seu reino, o controle de suas terras, que era para ser totalmente seu, e tinha se esvaído de suas mãos sem ele nem ao menos perceber. Queria matá-lo em praça pública o mais rápido possível, não tolerava que sua autoridade fosse desrespeitada dessa forma, ainda mais roubando do seu povo e ajudando outro reino a se armar para uma possível guerra.
— Ache-o e o traga para mim.
— O que fará, Gaara? — Temari falou preocupada.
— Ora, o que mais faria? — Deu um sorriso presunçoso, coisa rara de se ver. Gaara era uma pessoa tímida, gostava da sua privacidade, era em sua maior parte do tempo centrado e mantinha sua pose séria. Contudo, seu reino e seu povo eram preciosos demais para si e virava uma fera quando esses eram passados para trás.
— Em público? — A loira arregalou os olhos.
— Príncipe Kankuro, a tropa está pronta. — Um dos guardas apareceu na porta, o avisando.
— Estou indo, acredito que volto em breve. — O general No Sabaku saiu em busca do seu alvo. Traria o traidor para receber o castigo que Gaara desejava.
A praça central do Reino da Areia estava repleta de cidadãos. Pessoas de todas as classes aguardavam amontoadas para ver algo que há muito não acontecia. Os reis aos poucos iam caminhando para o desenvolvimento, e, com isso, as formas de punições públicas estavam quase extintas, quase. Haviam exceções, e esta era uma que o jovem rei Gaara faria questão de estar presente.
Um membro da família real traindo a coroa e pior, seu sangue em troca de quase nada era motivo suficiente para a punição em meio aos súditos. Não estava nem um pouco feliz, na verdade o ódio o consumia, mas seu semblante sempre leve mostrava a calma que todos os moradores de seu reino precisavam para garantir que sua majestade tivesse o controle. Desgostoso por não compreender todo o plano de Madara e muito irritado por se sentir atacado por todos os lados, o rei deu início ao seu pronunciamento.
— Caros cidadãos da Areia, é com pesar que os tirei de suas casas, de suas rotinas, para presenciar a sentença de um homem. — Temari se mexeu desconfortável ao seu lado. — Nada é mais doloroso para um monarca, que ama tanto seu reino, saber que há uma traição. Entre toda a população, sempre haverá os descontentes com a coroa, e minhas portas estão abertas uma vez a cada quinzena para recebê-los. Como rei, aceito suas sugestões e pedidos, mas nada justifica uma armação orquestrada por este homem ocorrendo debaixo de nossos narizes. Roubando as riquezas que são de cada um de nó. E quando tal traição vem de um membro da família real, meu povo, seu rei não pode negar-lhes justiça.
Gritos e xingamentos foram proferidos, com muitos punhos para o alto em concordância com o No Sabaku.
— Meu irmão pessoalmente participou da captura deste traidor. — Fez sinal para que os guardas juntos a Kankuro atravessarem parte da multidão.
Assim que a população observou Sasori, primo do rei, um misto de raiva e incredulidade tomou os rostos que o rei conseguia observar. Mais um acenar de Gaara e o Akasuna estava em posição. O ruivo suplicava por sua vida, dizendo ter sido induzido ao ato, porém o rei seguia firme de sua decisão. Sentia um nojo imenso de Sasori. Sua família sempre teve tudo, porém apenas a coroa bastaria? O alçapão foi aberto e o barulho oco se fez presente no silêncio que seus súditos fizeram ao ver seu sinal ao carrasco. Gaara apenas deu as costas e foi em direção ao castelo, sendo seguido por Temari e Kankuro, e sentou em seu trono como se nada houvesse acontecido. Apesar de tudo, o rei tinha seus limites e aquele tinha sido o seu. Sentia um certo incômodo por depois de tanto tempo ter que fazer tal atrocidade, entretanto, sabia que tinha sido justo e, por enquanto, isso bastava.
— Temari, envie uma carta para Hinata, precisamos de uma reunião. Urgente — Gaara disse firme.
Rato, era isso que ele era. Estava nos fundos do lugar que Sasori usava para suas falcatruas. Ouviu quando os guardas reais chegaram, se escondeu muito bem e, assim que pôde, saiu atrás de seu tão sonhado protagonismo. Sabia que quem comandava era Sasori, porém queria mais, queria que ele fosse o mandante de toda a tramoia. Então foi direto para quem poderia lhe dar tal cargo, Madara Uchiha, o verdadeiro cabeça de toda a armação. Ele sabia, tinha descoberto em alguns documentos nas coisas do Akasuna. Correu como nunca, dias a fio pelo deserto, até entrar na vasta floresta do Reino da Lua, até chegar às montanhas do Reino do Fogo, ali era seu destino. Os guardas de Madara o prenderam, claro, estava invadindo uma terra a qual ele não fora convidado. Quando um guarda foi levar sua comida, pediu desesperado para ver o Rei, teria informações importantes de seu interesse.
O Uchiha pediu para que trouxessem o refém até ele, ouviu tudo atentamente e tentou não transparecer sua preocupação, poderia ser descoberto, afinal. Caso não tivessem matado Sasori ainda, ele com certeza daria com a língua nos dentes, era um fraco.
— Um dos nossos foi pego no caminho com o carregamento de ferro que pediu semana passada — Deidara explicava calmamente. — O general, irmão do rei, apareceu no nosso esconderijo, com guardas reais. Eu consegui me esconder e corri para cá quando tudo se apaziguou.
— 'hm — Madara apenas murmurava e acenava para que ele continuasse.
— Não sei como faremos agora, majestade.
— Não estou preocupado com isso, garoto. Tenho ferro o suficiente para armar todo o exército Uchiha e ainda haveria sobra. — O rei do Fogo sorriu de forma vitoriosa.
— Talvez eu pudesse ajudar em seus planos.
Respirou fundo, tentava se controlar para não matar Deidara com suas próprias mãos. Além de ser irritante, era só mais um peão em seu tabuleiro, ele serviria de algo? Raciocinou por alguns minutos, em silêncio, analisando a situação. Até que sim, ele não tinha sido descoberto pelo rei Gaara, poderia usá-lo em algum momento, talvez até para matar o guardinha insolente que a rainha Hinata escolheu para ser seu marido e a casar com Itachi. Enfim poderia ter os dois reinos mais fortes à sua disposição. Sorriu. Ele poderia ser útil.
Itachi ouviu tudo calado. Estava presente, porém escondido. Ele sabia que seu pai estava planejando algo grande, mas não que ele tinha feito acordos com um traficante de mercadorias ilegais. E qual seria seu plano com tudo isso? Aonde ele queria chegar comprando tanto ferro a ponto de seu carregamento ser interceptado? E por que estava falando de armar o exército? Aquilo tudo estava estranhíssimo, muitas perguntas sem resposta, e Itachi ficava nervoso quando não possuía respostas. Ele precisava delas e iria buscá-las.
Caminhou até seu quarto e se sentou em sua cama, pensativo. Tentava encaixar as poucas peças de quebra-cabeças que tinha, no entanto, os buracos eram mais presentes, então tudo se tornava um labirinto. Nem percebeu quando começou a andar de um lado para o outro em seu quarto, fazendo conjecturas das possibilidades. Apenas se deu conta, pois foi interrompido por Sasuke, que entrou de repente em seu quarto.
— Está passando por algum problema, irmão? — o Uchiha caçula perguntou.
O mais velho o mirou de soslaio, parando seu corpo de frente a ele. Será que seu irmão sabia de algo que ele não sabia? E caso ele perguntasse, ele diria? Sasuke nunca foi de mentir para si, mas ele era mais parecido com seu pai do que gostaria que fosse. Algo em sua mente gritou para que mantivesse a informação. Queria poder descobrir mais a fundo o que se passava dentro do castelo que ele morava e que, mesmo assim, não sabia de tudo.
— Estou bem, só tentando pensar. Gostaria de entender o que fez a Hyuuga desistir de mim — falou, decaindo os ombros.
Por um lado, ele estava falando sério. Desde que visitou o reino da lua pela primeira vez, quando era apenas uma criança, viu que a rainha era bonita, mas a achou muito infantil. Contudo, ela já era uma mulher agora. Encantou-se por Hinata logo que a viu no baile. Os olhos perolados, o jeito perfeito de se portar, os sorrisos que ganhou durante o passeio no jardim, além do pedido inusitado para que a acompanhasse em uma dança. A Hyuuga era realmente uma mulher que chamava atenção, era bonita, carregava o reino nas costas de forma graciosa, quase como se ser rainha não fosse nada. Ela era inteligente e astuta, igual a si. Isso o deixou completamente curioso ao seu respeito, queria conhecê-la melhor, quem sabe até realmente casaria por amor como sonhava em sua adolescência.
— Nem acredito que ela escolheu um guardinha qualquer… — O mais baixo bufou. — Você é um perfeito príncipe, Ita, vai ser ainda melhor quando se tornar rei. Não se preocupe com isso — Sasuke falou, já virando as costas e indo em direção à maçaneta.
— Quando eu me tornar? — Itachi arqueou a sobrancelha. — Ela recusou a proposta, Sasuke. Não me tornarei Rei até que nosso pai… Você sabe.
O irmão continuou de costas, com a mão na maçaneta.
— Talvez a rainha Hinata volte atrás. — Com essas palavras, Sasuke deixou o quarto, e Itachi confirmou suas suspeitas: ele sabia de algo.
— Bom dia, estou feliz que tenham chegado em segurança — Hinata falou sincera.
— Obrigado por nos receber tão de repente, alteza — Gaara agradeceu.
— Imagina, somos aliados. Algo me diz que o assunto é grave, pela sua carta. Contudo, vamos comer e depois seguir para a sala de reuniões, sim? Não gosto de falar sobre política na mesa de refeições — a rainha comentou, levando a mão para pegar um pão.
Comeram calmamente, apreciando a comida do reino da Lua que era sempre deliciosa. Quem conhecia, sabia que o reino da Hyuuga era farto, por isso tantos reis queriam uma aliança, comida era algo essencial. Não tardaram a irem em direção à sala de reuniões, que era utilizada pela rainha e o seu conselho, mas, dessa vez, só estariam os No Sabaku, a Senju, a rainha, e seu noivo, é claro. Apesar de ser parte do conselho, Neji era o futuro rei, além de ser o general do exército. Sentaram nas cadeiras, esperando que Hinata desse seu consentimento para começarem. Ela acenou levemente com a cabeça, olhando para Gaara, que respirou fundo antes de começar.
— O traidor era da coroa — disse, de forma direta, ele não era de enrolar. Agora Neji entendia seu ódio, um caso assim pedia uma execução em praça pública, há anos algo assim não acontecia, e, céus, dava para sentir o desconforto de Temari de onde estava. — Era um primo distante, mesmo assim, fui traído por minha própria família. Lamentável.
— Também temos um traidor entre os nossos — Hinata falou irritada. — Ainda não descobrimos quem é, mas Neji está cuidando disso.
— Peço que se atente, alteza. Não tem família, mas você tem um conselho antiquado.
— Tenho ciência disso, rei Gaara. Neji me alertou. — A rainha suspirou. — Temo que entremos em guerra por algo banal.
— Não acho que Madara esteja articulando uma guerra por causa de seu casamento, majestade. — Foi a vez do irmão do rei falar. Sua frase fez Neji arquear uma sobrancelha. — Acredito que isso faz parte de um plano bem maior. Arranquei informações de Sasori, ele já trabalhava com Madara há alguns anos.
— Isso me preocupou bastante. Não sei há quanto tempo perdi o controle do meu reino. — O ruivo bufou irritado. — Isso é…
— Está tudo bem — Temari sussurrou, próximo ao irmão, enquanto pegava na mão dele por baixo da mesa. Sabia que a pose de rei de Gaara estava prestes a ruir, saber que um familiar lhe traiu acabou consigo.
— Vamos planejar nossos passos a partir de agora, preciso responder a carta que Madara me enviou.
— Ele mandou uma carta para você? — Temari arregalou os olhos.
— Me desejando votos de felicidade, acreditam? — Hinata riu debochada. — Palavras tão falsas quanto ele.
— Inacreditável. — A No Sabaku balançou a cabeça negativamente. — Recebemos uma carta para uma assembleia, também não respondemos… ainda.
— Não sei se meus aliados irão me apoiar.
— O reino da Folha está ao seu lado, sabe disso. — Tsunade findou seu silêncio, olhando para a amiga de forma terna. — Meu pai, o Rei Hashirama, jamais permitirá que Madara lhe desrespeite dessa forma. É o seu reino, sua vida, faz o que bem entende com ela, alteza. — Hinata sorriu para a amiga, sabia que Hashirama jamais lhe deixaria à mercê de Madara, ele enfrentaria uma guerra por ela, sabia disso.
— Peço que se acomodem em seus quartos, já pedi para os criados levarem suas bagagens. Traçaremos estratégias nos próximos dias. — Foi a vez de Neji falar.
Aquele dia seria no mínimo longo, a cabeça de Hinata estava a mil. Gaara tinha razão, o traidor poderia estar ao seu lado e nem desconfiaria. Ela estava irritada, perdera toda a confiança que tinha em seus conselheiros. Não que fosse de toda confiança, mas o mínimo ela possuía. Entrou na biblioteca, sendo seguida de Neji, que fechou a porta e a trancou, a conversa que teriam ali não poderia ser ouvida por mais ninguém. A rainha sentou-se em sua poltrona, derrotada, eram muitas lacunas e não tinha a mínima ideia de por onde começar a preenchê-las. O Otsutsuki a mirou, parando em sua frente com uma expressão de seriedade. Hinata arqueou uma das sobrancelhas, sem entender, e esperou que ele falasse o que queria.
— Gaara está extremamente instável, não sei se percebeu, majestade.
— Também estaria, Neji, caso alguém da minha família tivesse ousado me trair. — Cuspiu as palavras com raiva.
— Penso que talvez ele não esteja pensando claramente, precisamos ter cautela. Lembre-se que não queremos uma guerra, mas ele parece estar pronto para uma — o moreno comentou.
— Entendo seu pensamento, mas acho que Temari é uma boa diplomata, além de ser irmã do rei. — Ela sorriu discretamente, afinal, ela tinha ensinado boa parte do que a No Sabaku sabia. — Ela não vai deixar que o temperamento dele influencie em uma decisão tão importante.
— Mesmo assim…
— Está pensando demais, de novo. — A Hyuuga o interrompeu. — Vamos por partes, preciso escrever uma carta para Madara.
— Antes que comece, alteza, caso me permita, gostaria de propor uma ideia. — Hinata acenou para ele continuar, enquanto buscava um pergaminho e sua pena. — Quero mandar um espião para o Reino do Fogo.
— O quê? — A Hyuuga franziu o cenho.
— Acredito que precisamos de respostas e não vamos tê-las caso pergunte. A melhor maneira seria conseguir colocar alguém no castelo dos Uchihas para descobrir o plano de Madara.
— Sim, concordo que não temos muitas opções. Ontem mal dormi pensando nas hipóteses. — Jogou a cabeça para trás, soltando o ar de seus pulmões.
— O que Gaara nos comunicou me preocupa. Somos o maior reino depois do Uchiha’s, e caso Madara esteja planejando algo contra nós, precisamos saber. — A rainha assentiu, sabia que Neji estava certo. Nunca tinha ido tão longe, nunca precisou se preocupar com um ataque ou guerra. Tudo era novo para si, mas seu guarda tinha experiência, lutou ao lado do pai em muitas batalhas. Sabia que ele tinha pensado tanto quanto ela em uma resolução para todos os problemas e que, claro, tinha escolhido a melhor delas. — Já tenho alguém em mente, um soldado que meu pai treinou pessoalmente há alguns anos. Ele é especialista em infiltração e espionagem.
— Você tem minha permissão. Ninguém mais saberá disso, apenas eu e você. É o único que confio dentro desse castelo, Neji. — Ele caminhou até o lado da rainha e depositou um beijo em sua cabeça, a fazendo fechar os olhos, aproveitando o carinho. — Já que trancou a porta… — Hinata sorria maliciosamente em direção ao moreno, que já entendia sua expressão — poderíamos aproveitar.
O Otsutsuki só agiu. O castelo estava cheio de visitas, mas para o inferno, eles sabiam que eles iam se casar. Ergueu Hinata, a colocando em cima da mesa em um único movimento, fazendo com que ela desse um gritinho de surpresa. Ele começou pelo pescoço, depositou beijos molhados, enquanto passeava suas palmas pelo corpo voluptuoso da rainha. Amava os seios, o quadril largo, a barriga branquinha com alguns sinais, os ombros imponentes e o colo com os ossos aparentes. Beijou tudo que pôde, tudo que estava exposto, antes de levantar o vestido de Hinata e descer até o meio de suas pernas.
— Ah, Ne-neji… — A Hyuuga agarrou os fios marrons, puxava e jogava a cabeça para trás, aproveitando cada onda de prazer que corria em seu corpo. A língua molhada, aveludada, percorrendo toda a extensão da sua intimidade. As mãos grandes do guarda apertavam as coxas grossas, que estavam cada vez mais abertas. Ela estava entregue.
O Otsutsuki era seu submisso na frente de todos, porém na cama quem comandava era ele, e Hinata adorava. Sentiu seu baixo ventre se contorcer em êxtase, até morder o lábio com força para não gritar. O moreno levantou, lambendo os lábios, enquanto a Hyuuga ainda tentava normalizar a respiração, de olhos fechados.
— Hina… — Neji falou baixo, de modo preocupado, estranhando. Ela abriu os olhos e franziu o cenho. Ele passou o dedo nos lábios dela e a mostrou o sangue que havia escorrido.
— Eu estou bem… — Ela o puxou pela nuca e o beijou, o gosto do ferro do sangue e de seu gozo se misturaram. Neji apertou sua bunda e ela abriu a calça dele com pressa, precisava senti-lo, seu corpo clamava por ele. Arrastou-se na madeira, ficando na beirada da mesa e o membro rijo a preencheu, arrancando dos dois gemidos em puro deleite. — Mais do que bem… — ela disse entre suspiros.
Neji investia mais forte a cada impulso do quadril. As unhas de Hinata entraram pelo uniforme do noivo, arranhando suas costas de maneira bruta. O Otsutsuki entrelaçou os dedos nos fios negros e puxou com uma certa força, fazendo a cabeça da rainha tombar para trás. Ele arrastou a língua pelo pescoço dela até o lóbulo, onde mordeu, ouvindo um gemido sôfrego escapar dela. As paredes da Hyuuga davam sinais de que ela estava perto, apertavam com tamanha força que o prazer para Neji triplicou.
— Ah, eu… Neji, mais… — Hinata falou manhosa, agarrando os ombros largos. Ele posicionou as mãos no quadril e à medida que a puxava para si, também levava seu corpo de encontro ao dela.
— Hina… Não. Vou. Aguentar. — Os corpos se chocavam, o som indecente ecoava pela biblioteca, os lábios voltaram a se encontrar, as línguas se procuravam em busca de cada vez mais contato. Os dois começaram a ficar quentes, os corpos suando, a franja de Hinata grudava na testa, e Neji chegou ao seu limite, se derramando dentro da rainha, assim como ela gritou ao ter seu segundo orgasmo.
Seguiam abraçados, respirando forte, sentindo o coração bater contra o peito de maneira acelerada. Hinata o abraçou mais forte e ele correspondeu. — Vou fazer o pronunciamento amanhã — ela disse, deixando Neji ciente de que aquilo realmente aconteceria; a ficha havia caído.
Neji estava em sua usual postura na porta do quarto. As criadas vestiam Hinata com um dos seus vestidos mais glamourosos. O Otsutsuki de vez em quando a olhava de relance, não podia negar que estava com medo e ninguém poderia julgá-lo, afinal, uma revolução em seu reino poderia começar. A rainha era bem vista por todos, nunca deixou faltar nada, nunca deixou ladrões saírem impunes, no entanto, sempre deu a eles julgamentos justos. Mesmo assim, alguns poderiam achar que a Hyuuga estava louca em se casar com um mero general, quando o príncipe Itachi, herdeiro de um dos maiores reinos, a cortejou.
Seu lado racional gritava para que ele impedisse aquela loucura, mas, por outro lado, ele queria mais que tudo estar ao lado dela como seu marido. Nada o faria mais feliz. As criadas terminavam de fazer um coque enfeitado com flores, ela estava linda, isso ele não podia negar, tanto que se permitiu direcionar um sorriso singelo a ela. Abriu a porta para que sua rainha passasse. Chegaram ao salão do trono, encontrando os No Sabaku, que a reverenciaram. Seguiram para a carruagem que os levaria até a praça central de seu reino, onde Hinata faria seu pronunciamento.
Desceu os degraus, se apoiando na mão de seu guarda pessoal, como sempre fez em todos os seus discursos que fez ali. Olhou seus súditos, que sorriam e acenavam para ela. Respirou fundo e pediu ao seu pai que olhasse por ela lá dos céus.
— Bom dia, agradeço pela presença de todos, que é muito importante para mim. Hoje eu vim comunicar a vocês uma decisão muito importante. — Hinata viu Tsunade sorrindo para ela, assim como Temari, porém, como nem tudo eram flores, olhou para o lugar do conselho e não se surpreendeu ao ver Hiruzen com uma expressão desgostosa. Contudo, nada atrapalharia aquele momento. Ela ia falar sobre seu casamento, era uma hora feliz.
Respirou fundo mais uma vez e continuou:
— Acredito que quase todos conheceram meus pais. Minha mãe foi uma mulher amada e que amou também. Esse amor deu fruto, a que vos fala agora. Eu acredito que o amor pode construir as melhores coisas dessa vida, e tudo que meus pais queriam era que eu tivesse o mesmo. — Sorriu com a lembrança e apertou o pingente que descansava em seu colo, um medalhão com o brasão da família Hyuuga. — Como todos sabem, tivemos o baile para receber meus pretendentes, no entanto, nem eu mesma sabia que o amor estava bem ao meu lado. Não precisei procurar em outros reinos, achei quem meu coração buscava e enfim terei o casamento que meus pais sempre sonharam para mim. Por amor.
Hinata buscou Neji com o olhar atrás de si e estendeu sua mão. Ele deu três passos para frente e segurou a mão da rainha. Estava encantado com as palavras da Hyuuga e, ao mesmo tempo, tremendo de nervosismo. Tinha medo, por si e por ela, com o que os súditos iriam pensar e reagir com essa informação. Era tão perigoso. Via no rosto do conselho sua desaprovação. Algo lhe parecia mais proeminente e preferiu guardar para si, por enquanto.
— Ele sempre esteve ao meu lado, deu seu sangue diversas vezes pelo meu pai, por mim, além de ser a melhor pessoa que eu já conheci. Eu escolhi Neji Otsutsuki para ser meu marido, e nada me faria mais feliz em ver que vocês o veem como eu vejo. Um ótimo general, soldado, conselheiro, amigo e, acima de tudo, um homem digno de ter a mão de sua rainha em casamento — Hinata concluiu, sorrindo.
Aconteceu o que Neji não estava imaginando, seus súditos aplaudiram e gritaram com o pronunciamento da rainha. Ele sentiu seu corpo relaxar como nunca, parecia que um peso deixava suas costas, suas mãos chegaram a formigar e o oxigênio invadiu seus pulmões com força; ele respirava aliviado. Hinata apertou a mão de seu noivo com força, mirou nos olhos dele e sorriu, a felicidade que ambos compartilhavam era tão genuína. Os No Sabaku aplaudiram, Temari sorriu junto a Tsunade, as duas estavam realmente felizes pela amiga ser apoiada por todos de seu reino.
Depois do grande anúncio, voltaram para o castelo. Hinata já tinha escrito cartas negando a aliança através do casamento, mas estava aberta a outras ofertas de tratados, afinal, precisava pensar em seu reino. Contudo, tinha uma carta em específico que ela não tinha respondido e que a estava deixando nervosa. Não foi preciso avisar Madara de sua decisão, ele descobriu porque ela praticamente expulsou Itachi de seu castelo, nunca se arrependeu tanto de uma atitude impulsiva. No entanto, a verdade era que ela estava cansada de cobranças, a pressão sobre seus ombros estava demais e ela tinha chegado no limite. Ouvir o Uchiha falando que poderia oferecer mais como se ela fosse uma mercadoria a ser trocada foi o estopim e, respirando fundo, ela começou a movimentar a pena sobre o papel.
— Nada dos Uchiha’s? — a loira perguntou à amiga.
— Esta é a preocupação de Neji. Não vejo motivos para que Madara negue apoio quando todos os outros reis são a favor. — Hinata bufou. — É tolice comprar briga com todos os reinos juntos.
— Esqueceu-se que o Uchiha é orgulhoso? — Tsunade nutria um certo ódio pelo rei das terras do Fogo. Seu pai diria que foi tempo demais na companhia de seu tio. — Tome muito cuidado ao lidar com aquele homem, Hina.
— Eu sei disso, não há um minuto sequer que eu não pense em que estratégia o Uchiha está tramando. — Sentou em sua cadeira assim que a porta foi aberta.
— Não está aproveitando seus momentos íntimos? Não houve uma comemoração real desde o anúncio? — Certa de que Neji já as ouvia, decidiu brincar com o casal. — Estava mais animada na clandestinidade, Hyuuga? Não sabia que era uma menina má. — Fez uma reverência exagerada e deixou a biblioteca rindo alto.
Neji se aproximou sem jeito com o comentário feito por Tsunade antes de deixá-los a sós, ele lia a carta mais recente, que havia chegado pela manhã. Passou os olhos claros atentamente por cada linha e respirou aliviado ao ver mais um reino contente em tê-lo como futuro rei.
— Não imaginei que seria assim tão calmo.
— Porque é pessimista ao extremo. — Sorriu ao constatar o óbvio. — Mas não esqueça que nosso amigo do Fogo está sumido. Onde estava?
Levantou, fazendo um pedido mudo para Neji sentar-se em sua cadeira, sentando em seu colo em seguida. Abraçou o pescoço do moreno, se aninhando no abraço que tanto amava.
— Pensei em uma nova estratégia para defender a fronteira ao norte. Soube por alguns guardas que haviam pontos desprotegidos e que era por um desses que o ladrão que capturamos e levamos a Gaara passava.
— Não havia homens suficientes? — A morena franziu o cenho.
— Sim, mas estavam mal posicionados. — Passou a mão pelo rosto de Hinata e selou os lábios nos da rainha, arrancando um sorriso tímido da Hyuuga. — Não se preocupe, cuidarei de tudo.
— Eu sei disso, mas a falta de resposta de Madara realmente me preocupa — sussurrou, rente ao peito do Otsutsuki. — Eu não deveria temer, não estamos fazendo nada de errado, e os reinos que nos aceitaram são a prova disso. O problema é que não sei o que esperar. Ele vai entender, atacar, armar?
Neji sabia bem o que a morena sentia, pois imaginava o mesmo. Todas as noites antes de dormir sua mente viajava ao norte do reino da Lua, tentando se pôr no lugar do Uchiha, que já lutou tantas batalhas que já escreveu seu nome a sangue na história de cada pedaço de terra que o reino do Fogo continha. Desde criança, antes de sonhar ser um guarda real, Neji ouvia dos feitos, estratégias e da crueldade que Madara mantinha quando necessário.
O medo de estar sendo cauteloso demais esperando diplomacia deste homem conhecido por ser sanguinário e implacável em batalha o assustava. Neji sentiu medo de perder a felicidade que tanto custou a encontrar. Olhou para baixo, notando a pequena. Sua noiva estava respirando leve e compassadamente em seu colo. Apertou a rainha em seu abraço, sentindo o aroma que só Hinata tinha, que o acalmava como nada mais poderia.
Hinata acordou assustada com uma explosão. Seu peito subia e descia com rapidez. Foi tudo em uma fração de segundos. Olhou para o lado, e Neji já estava de pé, colocando sua roupa. Ela sabia que seria sempre assim, pelo menos até eles se casarem, ele estaria sempre à postos. Ela ainda estava desorientada e então ouviu Neji falando:
— Fique aqui que eu vou ver o que está acontecendo. — Ele saiu do quarto, e a Hyuuga sentiu um aperto em seu peito, engoliu em seco e saiu às pressas atrás de um vestido que conseguisse colocar sozinha.
Deixou o quarto ainda amarrando o laço em volta da cintura, desceu a escada e viu Neji falando com um pelotão de homens da guarda real. O Otsutsuki olhou para trás e arregalou os olhos, virou para seus soldados e ditou ordens. Todos saíram dali para fora do castelo, o futuro rei virou e foi andando rápido até a rainha, que o abraçou com força, lhe deixando surpreso. Ele ficou sem entender o que estava acontecendo, apenas a envolveu em seus braços e esperou que ela se acalmasse para lhe explicar o que estava acontecendo.
— Hina, o que houve? Eu disse ‘pra você ficar no quarto.
— Eu precisava ver se você estava bem.
— Está tudo bem, vamos voltar para a cama. — Eles caminharam até os aposentos reais e se deitaram. A Hyuuga o abraçou forte, se deitando em seu peito. — Me diga, o que te preocupa?
— O que foi aquela explosão?
— Foi algo no vilarejo, mandei um pelotão para investigar. Não vamos nos preocupar com isso agora. — Neji deslizou os dedos pelos longos cabelos negros de Hinata, que olhou para ele com carinho antes de adormecer.
Acordar ao lado de sua rainha era o mais belo presente que ele poderia ter recebido. Agora era real, eles iam se casar e todos tinham aceitado bem até demais. Sabia da sua fama como um ótimo soldado e general da guarda real, mas não imaginava que seria tão bem aceito como rei do Reino da Lua. Esperou sua noiva se banhar e então foram em direção ao jardim de inverno para tomar café da manhã com Tsunade, que já estava lá quando o casal real chegou. A loira não estava com uma cara muito animada, como era de costume, então Hinata já achou aquilo esquisito. Ao se sentar, virou para a amiga, buscando alguma explicação da sua expressão.
— Melhor esperarmos Haru chegar. — Foi tudo que a Senju falou.
— O que aconteceu? — a rainha perguntou confusa.
— Bom dia, Majestade. — Haru adentrou o jardim, reverenciando Hinata.
— Fale logo — a rainha disse irritada.
— Um grupo atacou uma taverna e usou explosivos para destruí-la. Estamos interrogando as pessoas que estavam lá para descobrir quais eram as intenções desse grupo.
Hinata bufou e apoiou a cabeça em sua mão, fechando os olhos. Nunca nada parecido havia acontecido em seu reino, e logo depois do seu discurso algo do tipo acontece. Parecia até premeditado, ou talvez nem todos tinham aceitado de bom grado a decisão da rainha. Ela só conseguiu pensar que já não bastava ter que lidar com Madara, ainda precisaria lidar com pessoas contra ela em seu próprio reino.
Neji viu que a Hyuuga havia ficado abalada e apenas acenou para que Haru saísse e os deixasse, depois conversaria com seu guarda de confiança. O general acariciou a mão da rainha em um gesto de carinho para tentar acalmá-la, aquilo não era algo normal em seu reino, ele sabia bem. Hinata estava no limite, ele sabia, pois a conhecia melhor do que ninguém.
Após o café da manhã, seguiram para a biblioteca. Hinata se perguntava qual tinha sido a motivação para algo assim acontecer em seu reino. Ela seguiu mantendo a ordem como o seu pai fazia, ele governou durante mais de trinta anos e nada do gênero havia acontecido. Ela estava preocupada, e Neji via isso em seus olhos, porém ficou apenas esperando receber alguma ordem da rainha, afinal, estava sem informações, não podia falar algo que a acalmaria ou que respondesse seus questionamentos mentais.
— Você quer um chá, majestade?
— Eu quero respostas, Neji. — Ela cuspiu as palavras.
— Temos que aguardar a volta de Haru com mais informações.
— Não quero aguardar. Vá atrás dele e descubra! — Hinata gritou, e o Otsutsuki arregalou os olhos antes de se recompor, reverenciar a rainha e sair dali.
Dizer que estava nervosa era bem pouco, visto que suas mãos suavam frio e tremiam levemente, era a culpa que a corroía. Não estava errada em lutar para ser feliz, quebrar uma ou duas regras para estar ao lado de quem se ama não parecia tão grave, até que toda aquela história de feridos em seu reino teve início. Dois de seus maiores desejos na vida colidiam a cada nova informação que Neji tentava ocultar, mesmo falhando miseravelmente. O conhecia a ponto de entender que ele omitia alguns fatos, mas ainda não sabia se pela delicadeza do assunto ou por medo do que estava acontecendo agora.
Hinata mal respirava, sentia que o ar não era suficiente para encher seu peito. Faltava algo em si, talvez a certeza que teve assim que se entregou aos sentimentos de seu guarda. Estava duvidosa quanto ao tempo que levou para revelar a todos e não pensou que isso ocasionaria tantos problemas, afinal, era apenas o amor acontecendo.
Contudo, seu outro dever, o primeiro, aquele que aprendeu desde cedo, que deveria estar acima de toda a sua vontade, cobrava seu preço e pesava na consciência da rainha. Seu pai lhe disse várias vezes, e sendo tão boa fazendo seu papel de governante, não deu ouvidos, mas, em algum momento, a escolha mais difícil teria que ser feita, e ela sabia qual era a resposta certa depois de longos anos ao lado de Hiashi. Em algum momento em sua vida, ela teria que fazer uma escolha, entre a sua vontade e cumprir seu dever como defensora de seu povo e de seu reino.
Andava calmamente pelas ruas de pedras organizadas pelo chão. Sentia que poderia morar facilmente naquele reino, mesmo amando o seu próprio. Sabia que as terras da Lua eram abençoadas com uma paz única que flutuava no ar e tomava seus habitantes sem que ninguém se desse conta.
Sendo nobre e conhecendo a Rainha pessoalmente, tinha em mente que era mais uma sensação que uma verdade absoluta. A paz era uma coisa, infelizmente por enquanto, bem distante da vida de sua amiga.
Olhou de canto de olho para seu acompanhante. Não entendia muito bem a calma do homem ao lidar com toda a burocracia e o momento instável que o país enfrentava. Encontrou-o algumas vezes nos corredores do castelo de Hinata, e depois de muitos esbarrões entre suas aulas, se criou o que se poderia chamar amizade. Não demorou muito para Temari se ver encantada com o jeito preguiçoso e gentil do Nara, porém sua calma a tirava do sério, mas devia ser o mal do povo daquele lugar. Talvez o ar estivesse realmente repleto de paz, o que a irritava demais na companhia de Shikamaru.
— Não precisava mesmo me acompanhar — disse, revirando os olhos para um homem que quase trombou em si. Usava o vestido mais simples que possuía para se misturar à multidão. Amava fugir da fortaleza da Rainha para conhecer de perto os efeitos da sabedoria que a Hyuuga dividia consigo.
— Seria problemático deixá-la andar por aí sozinha e não havia mais compromissos esta tarde. Só agradeça, princesa.
— Eu não preciso te agradecer. — Deu dois passos e parou na esquina da praça central onde ficava o mercado principal e suas frutas favoritas. — Veio, pois é inconveniente e insistente.
— Sua alteza não está errada, mas gostaria de manter Neji e seus irmãos longe do meu pescoço. Imagina se algum deles descobre que eu sabia onde a princesa iria e não a acompanhei? Este reino é grande, facilmente se perderia.
— Já andei muitas vezes sozinha por aqui. — Fechou o cenho e recomeçou seu caminho até o mercado, dando as costas para o moreno, que a seguiu. — Sou mais inteligente do que pensa, Nara.
— Mas eu não disse que não é. — Olhou para os lados assim que Temari parou na primeira barraca para comprar sua fruta.
Observou os habitantes fazendo trocas de mercadorias frescas, comprando mantimentos para seus lares e todo tipo de coisa que não chamava sua atenção. Odiava lugares cheios e gente demais era o que fazia aquela praça famosa. Temari pechinchava com o vendedor em troca do melhor preço para seis de suas frutas, quando o Nara reconheceu o guarda real da rainha.
Haru praticamente corria pelo meio do povo, tão rápido suas pernas iam. Shikamaru percebeu algo errado imediatamente quando um homem que aparentemente não fazia nada de errado se escondeu do guarda da rainha, como se devesse algo ao protegido de Neji. O homem de aparência fechada, com cabelos desgrenhados, castanhos como os seus e malcuidados, voltou à multidão, deu mais dois passos e, como o guarda, correu, mas na direção contrária.
O moreno pegou a princesa sem pensar duas vezes quando notou que o homem de vestes escuras e maltrapilhas entrou em uma taverna. Jogou Temari no chão e pulou por cima da No Sabaku segundos antes de haver uma explosão. Gritos, choros e coisas espalhadas por toda parte. O Nara se sentia tonto, um zumbido invadiu seus tímpanos, o deixando completamente desorientado e sem sentidos. Olhava para as pessoas correndo e só conseguia ter muita vontade de vomitar, pois o cheiro, antes gostoso e suave, que convidava os visitantes a passear pela cidade, agora era sangue, fumaça e morte. Shikamaru olhou para a loira embaixo de si, buscando qualquer machucado ou expressão de dor, mas ela o encarou atordoada, estava confusa.
Na sala de reuniões, estavam apenas a rainha, seu noivo e os convidados de sua alteza. Estaria tudo em perfeita harmonia se não houvesse um atentado para desvendar e um rei impaciente com sua irmã.
— Inacreditável, Tamari! Não posso me descuidar dois segundos. Você é uma princesa! Aja como uma — Gaara gritava com a loira, estava nervoso e fora de si. A mais velha sempre foi de sair sozinha por Suna, já havia se metido em problemas suficientes, não achava que faria isso em outro reino. Ele soltou o ar de seus pulmões com força, olhou para a rainha Hinata e o futuro rei Neji e pediu perdão pela sua exaltação. — Me desculpe, majestade. — Hinata apenas acenou, constatando que tudo estava bem.
— Pelo menos não se feriram, é isso que importa — Neji, com toda a calma do mundo, comentou, em pé, ao lado da rainha, que estava sentada em seu trono.
— Algo poderia ter acontecido. E se reconhecessem você, Temari? — Foi a vez do outro irmão repreendê-la. — E você? Viu ela saindo e foi junto?
— Eu… — Shikamaru engoliu em seco. Por Deus, seu pescoço. — Eu a acompanhei para protegê-la.
— E fez muito bem esse papel, obrigada, Shikamaru. — A Sabaku lançou um olhar assassino para os dois irmãos mais novos e bufou.
— Se você não tivesse saído, não precisaria de alguém para protegê-la. — O ruivo sorriu debochado.
Neji pigarreou e olhou para seu soldado de confiança.
— Haru, o que aconteceu? — perguntou.
O guarda respirou fundo, reposicionando suas ideias, depois de colher informações de alguns aldeões no local e da própria princesa Sabaku. Reverenciou mais uma vez sua majestade e começou:
— Um homem de aparência comum foi visto pela primeira vez no amanhecer próximo à praça central. Quando os vendedores armavam suas tendas para começar suas vendas, o suspeito foi visto ao redor. Segundo alguns moradores, parecia estudar o local. Nada estranho até a minha chegada ao mercado — olhou para a Sabaku e para o Nara, que estava lado a lado —, onde a princesa Temari estava. Após minha passagem, o homem adentrou a taverna e explodiu. Temos vítimas.
— Alguma… — A rainha engoliu o nervosismo para perguntar ao guarda.
— Temos duas mortes, majestade. — Haru baixou a cabeça.
Hinata respirou fundo. Sentiu seus olhos arderem, mas não podia transparecer fraqueza, não ali. Neji a olhou e podia sentir que ela estava se segurando, dias obscuros estavam sendo vivenciados e aquilo era só o começo.
Seus passos não eram contados, mas sentia-se vigiado por todo o tempo em seu próprio lar. Algo na voz de seu pai, no sorriso presunçoso de seu irmão e na movimentação diferente do exército, que deveria ser trabalho seu controlar. O que mais poderia fazer para tentar descobrir a trama que corria pelos corredores amplos do castelo antigo que abrigou por anos a família Uchiha?
Encostou-se na parede de um cômodo qualquer assim que fechou a porta atrás de si. Já não sabia como agir perto de seus entes, não sentia mais sangue do sangue de sua família, estava desfocado e um pouco perdido, mesmo sem deixar que seu pai percebesse, desde que descobriu que não se casaria com ela.
Julgou-a mal assim que descobriu que deveria conquistar Hinata. Havia anos que não via e lembrava da última visita que tinha feito ao reino da Lua. A Hyuuga era pequena e se escondia nas pernas de seus pais, envergonhada para qualquer novo convidado.
Ele era um pouco mais velho, visto que ela possuía a idade de Sasuke, o que o fez imediatamente colocá-la como mimada e infantil, parecida com o seu irmão, provavelmente piorada, pois seus defeitos poderiam estar triplicados pelo fato de ter se tornado rainha tão nova. Estava certo de que a morena era um problema, e que seu pai parecia castigá-lo ao impor a si a conquista da mão da rainha.
Ele nunca esteve errado antes, sempre acertava em seus palpites, foi treinado para isso. Comandou mais de mil homens sem perder nem um terço da tropa em batalha, trilhou longos anos em busca de força, terras e a queda dos inimigos de seu rei. No entanto, errou com ela.
Os olhos claros, que o assustavam quando era apenas uma criança visitando o rei Hiashi, se tornaram a mais bela obra quando viravam para si. Na luz daquele baile, no meio de toda aquela gente, ele conheceu verdadeiramente a glória. Jamais se sentiu tão satisfeito em sua vida como quando ela o chamou para dançar. Quando conversaram no jardim, teve certeza de que seu coração havia desaprendido a bater de forma regular. Cada palavra trocada, cada sorriso e todo o jardim percorrido ficariam para sempre guardados em sua memória.
Colocou a mão esquerda sobre seu peito, sentindo novamente aquela palpitação animada de seu coração, como todas as outras vezes que pensava nela. Entendia que, assim como o seu, o coração de Hinata não teve escolha, e Neji, o guarda que não os deixava a sós naquele baile, era o felizardo. Tamanha sorte o Otsutsuki carregava, e rezava o Uchiha que este não desperdiçasse a chance.
Olhou para o teto escuro da sala, praticamente abandonada do outro lado do castelo, longe de seus aposentos, e sentiu que nada mais poderia ser feito. Tentou de todas as formas saber o porquê de seu pai estar ausente nas horas das refeições, ocupado com muitas reuniões e distante do herdeiro do trono. Queria poder impedir caso Madara se negasse a aceitar, como ele, que Hinata infelizmente não nascera para Itachi, mas esse a amava, da forma mais pura que conseguia, mesmo com o sangue amaldiçoado de sua família. Não queria conflito com mais ninguém e muito menos com a pequena e adorável Hyuuga. Jamais permitiria que seu pai fizesse algo contra a Lua.
“Deveria se empenhar mais e não se esconder em armários abandonados quando o coração saltasse ao lembrar da rainha”, pensou ele. Entretanto, quem era ele sem a ajuda do sobrenome e as artimanhas de seu pai? Apenas um jovem bobo, que vagava pelo castelo pedindo aos deuses para que ao menos uma informação caísse em seu colo.
— Aonde está indo? — Uma voz rouca e impaciente interrompeu o pensamento do moreno. — A reunião com o príncipe é para cá.
“Reunião? Ele é o príncipe, a não ser que…”
— Acabei de conversar com o rei. Há muitas mortes acontecendo no reino da Lua. Chegaram notícias de várias partes.
“Mortes? Hinata…, mas o que estava acontecendo?”
— E alguém importante morreu? — o primeiro perguntou.
— Ainda não, mas não demora. Soube que a princesa Sabaku estava bem próxima a um dos atentados. — Gargalhou em escárnio. — Nem a realeza está isenta.
“A Sabaku sofreu um ataque no reino da Lua?”
Hinata poderia sofrer as consequências caso um membro da família real da Areia morresse em suas terras. Itachi estava mais confuso que antes. Negava com sua cabeça em silêncio, descartando algumas possibilidades. Como isso já corria pelos cantos dos reinos e ele só soube agora, escondido em um lugar esquecido do castelo?
— Bem, tenho que contar as boas novas à tropa especial, e já sabe — os passos pesados do homem pararam em um local mais afastado, mas pode ouvi-lo perfeitamente —, não deixe o príncipe Itachi desconfiar de nada.
Seus olhos negros se arregalaram levemente. Por que estava proibido de receber notícias do reino da Lua?
— Eu sei, estou indo para meu posto. Hoje eu farei a escolta do senhor Uchiha.
— Boa sorte, ele anda procurando algo por aí… — disse mais longe ainda.
— Deve ser o amor da Hyuuga. — E as duas vozes gargalharam alto.
Além de ser traído por sua própria família, virou motivo de piada entre seus subordinados. Seu pai escondeu coisas demais, tramou demais em suas costas, o fazendo perder o respeito que lutou para conseguir e pagariam caro por tal conspiração.
Hashirama caminhava de um lado para o outro em seu escritório, e seu irmão o seguia com os olhos. Seu desespero era evidente, afinal, recebeu meias notícias. Ele havia mandado uma carta urgente para a sua filha, que estava no reino da Lua, e esperava ansiosamente pela resposta. Estava quase pegando um cavalo e indo em direção ao reino de Hinata apenas para ter certeza de que Tsunade estava bem. Tobirama queria que o irmão ficasse calmo e esperasse, ficar daquela forma não iria trazer benefício nenhum, estava prestes a ter um ataque cardíaco em cima da mesa de carvalho.
— Chega, Hashirama, você vai acabar gastando seus pés — o grisalho falou.
O rei da Folha parou e o fitou por um segundo.
— Não me irrite, não queremos que, além de ansioso, eu esteja irritado — falou, com a voz encorpada, estava realmente complicada a situação.
— Ela é minha sobrinha, também estou preocupado, mas não houve mortes.
— Como sabe? — O mais velho cruzou os braços.
— Já saberíamos a essa altura.
Ouviram batidas na porta assim que Tobirama terminou de falar e em seguida a voz grossa do rei se fez presente: — Entre. — O guarda entrou a passos lentos, reverenciou o seu rei e se colocou em frente aos dois.
— A princesa Tsunade está bem, o atentado ocorreu na praça principal. Quem estava perto era a princesa Temari, que também está bem. Mortes aconteceram, mas nenhuma da realeza.
— Eu disse que saberíamos. — O irmão do rei deu de ombros.
— Você disse que não havia mortos — Hashirama o repreendeu. — Pode sair, Shin. — O guarda saiu, deixando os irmãos a sós. — Precisamos ajudar Hinata. Caso for realmente os seus súditos indo contra a coroa… — o rei apertou os olhos com o indicador e o polegar — haverá muito sangue, Tobirama.
O mês mais longo de sua vida. Não lembrava de uma única vez ter se sentido tão incapaz, sem forças e incompetente como naquele espaço de tempo. Havia dias em que suas amigas tentavam falar com ela, em outros, a dor em seu peito era tanta que chegou a expulsar suas criadas, que só queriam ajudar com seu banho, mas ela não merecia se banhar, vestir ou apenas respirar. Não foi capaz de proteger seu povo e, dia após dia, pais, irmãos, filhos e amigos eram separados por mais uma morte inexplicável.
O que queriam estes rebeldes? Deixá-la com mais dúvidas sobre sua capacidade de reinar e manter em segurança seus súditos? Ou fazê-la abrir mão de seu noivo? O que eles ganhariam com qualquer uma das opções? Nada fazia sentido.
Apertou o lenço claro em seu peito, sentindo os olhos arderem mais uma vez. Acompanhou o enterro das vítimas do atentado à praça central e, depois de alguns minutos, os antes fiéis moradores do reino da Lua, se tornaram hostis e começaram a culpá-la pelo número cada vez mais alarmante de mortos. Até ela se culpava, sabia que era somente por sua causa, um reino, grupo, ou aldeia ficou irritado. Por um tratado, escolha ou coisa menor, seu povo sofria na mão de pessoas que perdiam suas próprias vidas conscientemente para ceifar a de tantos inocentes.
A porta rangeu atrás de si, e Hinata observou pela janela o amanhecer. Mal notou a noite passar e já era mais uma manhã, a qual Neji, obrigado por sua rainha, traria um relatório com as vítimas.
— Hina, está acordada? — A Hyuuga apenas confirmou com a cabeça, silenciosa. — Tsunade e Temari querem conversar com você. Elas tiveram uma ideia e… — Foi interrompido.
— Quantos por hoje? — Apertou os olhos com força, temendo a resposta.
— Nenhum.
A morena se sentou na cama, olhando incrédula e com raiva do Otsutsuki. — Não minta para mim, Neji, não você! — Mais uma vez, seus olhos transbordaram. Hinata apoiou o rosto em seus joelhos e os abraçou, deixando fluir por seus olhos toda a dor que possuía.
— Eu nunca mentiria para você. — Neji pensou em se aproximar e abraçá-la, mas foi rejeitado tantas outras vezes que começou a temer irritar ainda mais a Hyuuga. — Não houve atentados hoje. Haru e mais dois guardas prenderam dois homens com as características citadas pelo Nara.
— E o que aconteceu? — Não queria, porém a esperança de ter finalmente avançado na guerra que ninguém havia declarado deixava a rainha um pouco mais animada.
— Não poderíamos correr riscos, Hina… — Ele sabia que era bom, mas ainda não estava perto de acabar com os ataques. — Os levamos para a floresta e os matamos.
— Você estava lá? — Arregalou os olhos, encarando o moreno.
— Não, Tobirama Senju quis fazer isso pessoalmente.
— Tobirama? — Deixou as mãos caírem ao seu lado e, com um só pulo, estava de pé ao lado da cama e, a passos apressados, se aproximou de Neji. — O que o tio Tobirama está fazendo aqui?
— É sobre isso que vim falar, meu amor. — Sorriu pequeno e quis muito tocar a pele de sua noiva, mas se conteve por respeito ao luto da amada. — Tsunade e Temari enviaram cartas com a assinatura de Gaara para todos os nossos aliados. Eu ainda não consegui descobrir o conteúdo, mas aquelas duas aprenderam a ser persuasivas com você.
Um sorriso pequeno em meio a algumas lágrimas surgiu. — Elas…
— Sim, as treinou muito bem. — E o que Neji estava querendo fazer foi concebido a ele, um abraço de Hinata. Ela o agarrou forte, sentindo o cheiro do homem que tanto amava, não conseguia mais ficar longe dele. — Preciso de algo, alteza. — Deslizou os dedos pelos cabelos lisos. — Uma reunião… Preciso da sua presença.
— Não quero ver o conselho — disse, de uma só vez, se afastando do Otsutsuki, que prontamente sentiu falta da pele quente em contato com a sua.
— Será só eu, você e aquele assunto. Na biblioteca, às 15 horas. — Hinata assentiu. — Tem uma pessoa aqui que quer te ver. — Ele abriu a porta, revelando Hashirama.
— Tio Hashirama! — Sentiu-se uma criança novamente. Ali, nos braços de seu tio, era seguro.
— Vou deixá-los a sós. — O general fez uma reverência aos dois e saiu do quarto.
— Soube por seu noivo que anda se escondendo do mundo. — Passou a mão gentilmente pelos cabelos escuros da rainha. — Quer conversar?
— Eu tenho escolha? — Sorriu brincando, mas sabia que o amigo de seu pai teria algo importante para lhe falar. Puxou a mão do mais velho, logo após se afastar, o sentando em sua cama, tomando o lugar ao seu lado e observando a paisagem da janela.
— Eu gostaria de ter certeza de que está bem, Hina. — Hashirama também fitava o céu azul do reino da Lua. — Conversei com Tsunade e ela está preocupada. Tanto que tramou com a Sabaku e enviou cartas, mesmo odiando conversar com os tais velhos bobos.
Não conteve o sorriso, imaginando o ódio que a amiga estava nutrindo por ela. Tsunade gostava de aproveitar a vida e se envolver em assuntos burocráticos estava no fim de sua longa lista de coisas favoritas.
— Ela prometeu te cobrar pelo trabalho. — O Senju tomou a mão pequena na sua, fazendo um carinho suave. — Eu jurei que te protegeria, dei esta missão por encerrada assim que conheci Neji. Coloquei toda a minha confiança naquele rapaz e sei que fiz a escolha certa, assim como você fez a sua.
Hinata observou o homem ao seu lado, incrédula. Ele a conhecia tão bem que sabia exatamente o que passava em sua mente.
— Não precisa confirmar nada. — As lágrimas voltaram aos olhos claros com tudo. — Eu conhecia tão bem seu pai, pequena, e sei que acha que se parece com sua mãe, mas enxergo também meu amigo em você. — O sorriso saudoso do Senju surgiu. — Ele era um homem extraordinário, contudo, via a vida com muita rigidez, e sei que faz da mesma maneira, ou não a conheço tanto quanto eu imagino.
— Não sei do que está falando… — Riu fraco, desconversando. Ela sabia que ele acertaria em cada palavra.
— Então vou arriscar. — Soltou a mão pequena e levou sua mão ao próprio queixo, pensando. — Negou Neji e depois fez de tudo para assumir logo que queria se casar com ele?
— Tsunade pode ter contado isso…
— Ela nunca contaria uma conversa com você, conhece minha filha. Eu sei que fez isso pois é igual ao seu pai. E sei também que aprendeu que em algum momento deveria abrir mão de algo que quisesse muito, pelo bem de seu reino. — A Hyuuga apenas confirmou, de forma muda. — Eu briguei muitas vezes com ele por conta desse pensamento. Nunca achei que precisávamos perder algo para ganhar outro, não faz sentido para mim. Ele me chamava de otimista e dizia que eu não enxergava a vida como o trabalho que era. Ele estava certo, Hinata, eu sou otimista e teimoso também, por isso afirmo que se não lutar por seus objetivos, brigaremos como eu e seu pai fizemos tantas outras vezes. É merecedora de tudo que quiser, pequena. — Os olhos do mais velho derramaram algumas finas lágrimas. Sentia um amor tão grande por Hinata que só queria vê-la como Tsunade, feliz e com todos os seus sonhos realizados. — Te ajudarei no que for necessário para conquistar cada coisa que desejar.
Hinata não poderia responder a tais palavras, pulou nos braços do Senju, sendo acolhida em um abraço cheio de carinho, sentindo seu mundo voltando ao lugar calmamente, nos braços de seu segundo pai.
Hinata entrou na biblioteca e se sentou em sua poltrona, atrás da grande mesa imponente de madeira. Neji estava de pé, do outro lado da mesa, aguardava com um semblante impaciente e de repente passos entre as estantes altas com livros. O homem que eles esperavam apareceu, Hinata nunca tinha visto o rosto dele, ninguém nunca, viu e esse era o seu melhor disfarce.
— Tem um relatório?
— Sim, os rebeldes não são de seu reino, alteza.
Hinata levou um susto ao escutar aquela revelação, ela realmente estava sendo atacada por outro reino, qual? Alguns não chegaram a responder sua carta de anúncio de casamento. Talvez estivessem se sentindo tão desrespeitados que nem resposta ela merecia. Ela levou os olhos até os de Neji, que estavam arregalados. Pelo jeito, ele foi pego de surpresa tanto quanto ela. Aquela informação era mais do que importante, era decisiva e essencial.
— Isso… Espere, como descobriu isso?
— Eu me infiltrei entre eles. Aparentemente, eles recebem uma quantia alta para colocar explosivos pelo reino, não importa onde. — O homem caminhou pela saleta. — Eles não se conhecem, são enviados aleatoriamente, não são um grupo. — O mascarado olhou para Neji. — Se me permite, pretendo seguir esses homens e ver onde eles recebem esse pagamento, daí descobriremos quem é o mandante.
A rainha estava muda, não sabia se estava feliz pelos seus súditos não terem se virado contra ela, ou com medo de uma guerra estourar. Ela precisava retomar o controle de seu reino. Chega, ela não podia mais chorar ou se lamentar, precisava se reerguer. Era seu reino, afinal. A Hyuuga respirou fundo, tomando uma expressão séria.
— Tem minha permissão. — O espião acenou com a cabeça e logo saiu, deixando os dois sozinhos. — Neji, me atualize sobre a situação.
— Bom, como sabe, o reino da Areia, da Folha e do Sol estão aqui. — A rainha piscou algumas vezes. — Quando os atentados se tornaram mais frequentes, Tsunade e Temari enviaram cartas pedindo uma assembleia.
— Fui uma ótima professora mesmo. — Ela sorriu orgulhosa.
— Estão todos esperando a sua melhora para podermos dar início a ela.
— Pois diga a todos que estou ótima. — Ela levantou e endireitou a postura. — Chame o conselho, precisamos de uma reunião antes da assembleia com os outros reinos.
— A rainha está pronta para uma reunião com todos os outros reinos que se disponibilizaram a ajudar, vossa majestade? — o general terminou, observando cada rosto na mesa, estranhando a face calma do velho mestre Sarutobi.
— Sim, marque para daqui a duas horas no salão de reuniões principal. — A Hyuuga se levantou, e os senhores do conselho se levantaram depressa para reverenciá-la antes que deixasse a sala.
Neji seguiu em seu encalço pelo corredor comprido, não sabia o que estava se passando na cabeça de Hinata, mas estava feliz de vê-la forte e imponente novamente. A morena parou em frente às portas duplas dos aposentos reais e esperou, seu guarda as abriu e ela entrou, seguida por ele. Assim que passaram pela porta e as tendo trancado, Hinata virou-se e o beijou, pegando o Otsutsuki completamente de surpresa.
— Um mês. Um mês, Neji.
— Hina… — Ela o interrompeu, o beijando novamente.
O calor subiu rápido por seus corpos, assim como as mãos que não desviavam de seu objetivo: retirar todas as peças de roupa. Hinata pulou em Neji, se enlaçando na cintura dele, as mãos fortes agarraram as nádegas brancas da rainha com força. Estavam completamente fora de si, só queriam se amar, sentir um ao outro, o gosto, o cheiro, o calor… Deitaram-se na cama.
— Neji… — Hinata soltou como um sopro quando se sentou em cima dele. Sentiu seu pau escorregar para dentro de si com tamanha facilidade. O gemido rouco do guarda real deixou claro o prazer que sentia ao tê-la para si. As mãos dele foram para a cintura fina, apertando ali de leve, deslizaram até o quadril farto e foi naquele lugar que ele tentou conter seu prazer. Afundou os dedos na pele branca, arrancando gemidos cada vez mais melodiosos de sua alteza.
A Hyuuga cavalgava em Neji com tamanho afinco, estava perdida em meio às sensações que sentia em seu baixo ventre, estômago, peito, boca. Sua língua formigava, demasiada era a euforia. Apoiada no peito forte do moreno, acelerou seus movimentos com o quadril, rebolando cada vez mais rápido, gritando cada vez mais alto o nome de seu futuro marido. Via o homem embaixo de si fechar os olhos e morder os lábios com tanta força que eles estavam ficando vermelho sangue.
— Hinata, diga... pra mim, ainda... será minha... esposa? — perguntou, entre suspiros.
— 'Oh, sim… Neji, serei sua, totalmente… sua… Ah, Neji. — Hinata gemia de olhos fechados, perdida. Estava entregue a ele como em todas as vezes.
Neji se ergueu, ficando sentado, chupou os bicos dos seios de Hinata enquanto tateava cada pedaço de suas costas, que estavam arqueadas. O suor escorria entre eles, suas pélvis se chocavam, fazendo um barulho completamente indecente. As mãos rodearam o pescoço do Otsutsuki, as unhas foram em seus ombros, o arranhando ali. Um misto de dor e prazer se manifestou e ele sentiu as paredes de Hinata o maltratarem; ela estava perto. Desceu as mãos para a bunda da Hyuuga e a ajudou na movimentação do quadril. Beijava seu pescoço, colo, até chegar à sua boca e se deliciar encontrando sua língua.
— Ah, Neji… Mais… — O moreno inverteu suas posições rapidamente, sem se retirar de dentro dela. Movimentou o quadril com maestria, dando a Hinata o estopim que faltava para se derramar, o levando junto ao ápice. Os dois ainda recuperavam o fôlego, deitados. — Eu precisava sentir você, estava me sentindo distante. — Ela entrelaçou os dedos nos dele.
— Não importa os quilômetros, Hina, sempre estaremos próximos. — Ele virou para sua rainha e sorriu, fazendo com que ela também exibisse um lindo sorriso em seus lábios.
A mesa da sala de reuniões estava repleta de pessoas. As vozes altivas tentavam se fazer entendidas em suas opiniões e ainda era apenas o início da reunião de seus aliados. Reparou as duas amigas que reviravam os olhos para algum argumento delirante, ao ver de ambas. Quis sorrir, talvez não tenha ensinado tudo que elas precisavam saber.
— Amor — Neji chamou-a de lado, baixinho —, estamos prontos?
Meneou a cabeça em concordância e seu noivo se levantou, chamando a atenção dos presentes, que se calaram para observá-lo. Hinata então tomou seu lugar de pé, ao lado do Otsutsuki.
— Quero agradecer novamente a presença de todos. Apesar da surpresa — pousou seus olhos nas duas amigas loiras, cada uma em um lado da mesa, com seus respectivos familiares —, não poderiam ter vindo em melhor hora. Creio que todos estão a par dos acontecimentos e espero, não apenas como uma monarca focada em honrar seus tratados, mas, sim, como uma rainha e mulher que ama seu povo e quer protegê-lo, que possamos chegar ao menos a uma solução temporária para impedir mais ataques. — Hinata olhou de relance para Neji como quem pede confirmação, e ele apenas balançou a cabeça. — Tivemos informações de que os ataques não são dos meus súditos e, sim, de fora.
Alguns arregalaram os olhos. Hashirama respirou aliviado, pois um ataque de outro reino era melhor do que uma revolta civil. Tobirama quase não conseguia disfarçar seu sorriso, ele adorava uma boa guerra. Temari e Tsunade ficaram inquietas, apesar de terem sido ensinadas sobre diplomacia, havia coisas que você só aprendia na prática.
— Alguns reinos não responderam minha carta comunicando o casamento. — A Hyuuga pegou um pergaminho e começou: — Reino da Chuva, da Pedra, das Cachoeiras e, bom… O reino do Fogo.
— Quem disse? — Todos que estavam sentados olharam em direção à porta, vendo Madara e seu herdeiro. — Estava ansioso para respondê-la, majestade. Vim pessoalmente lhe parabenizar pelo casamento. — Ele sorriu de forma soberba e começou a caminhar até ela, que ficou estática com a surpresa desagradável. — Vejo que minha carta para a assembleia dos aliados foi extraviada.
— Você é um aliado comercial e não político, Madara — Neji falou seco.
— Mas olhe só, o general já tomou seu lugar por direito e o casamento ainda nem aconteceu — debochou. Hinata sentiu o veneno do homem e não deixaria passar.
— Neji é meu noivo, veja como fala com o futuro rei, Madara. — A rainha foi sucinta. — Caso queira participar da reunião para ajudar a resolver a situação de meu reino, será bem-vindo, mas caso esteja aqui para me desrespeitar ou a qualquer um presente, está convidado a se retirar.
— Claro que vim ajudar, criança. Recebi notícias de meus guardas e vim lhe prestar apoio. — Um dos guardas presentes colocou mais duas cadeiras na mesa extensa, então os Uchihas se acomodaram. — Não é porque Itachi foi rejeitado que não podemos traçar novos acordos, não?
A rainha quis revirar os olhos. Tsunade e Temari não ficaram só na vontade, se entreolharam e rolaram os olhos.
— Continuando… — Hinata voltou a falar. — Já que temos o reino do Fogo presente, são só esses três que não recebi resposta.
— Se me permite, alteza.
— Claro, Rei Minato, pode falar. — A rainha da Lua se sentou, dando espaço para o rei do Reino do Sol.
— Obrigado. — O Uzumaki levantou-se. — Meu filho, Naruto, viu uma movimentação estranha alguns dias atrás. Talvez tenha relação, já que o reino da pedra fica próximo ao nosso.
— Isso é uma informação importante, afinal, meu próprio reino estava sendo roubado bem debaixo do meu nariz. — Gaara levou os olhos verdes até os Uchiha’s.
Neji, como um bom diplomata, previu que os ânimos poderiam se exceder e pigarreou, se levantando.
— Obrigado, Minato. Nossa prioridade agora é descobrir qual reino está nos atacando.
— Vamos dar por encerrada essa nossa primeira reunião, vejo vocês todos no almoço. — Hinata se levantou e foi se retirando, indo até o seu quarto, com Neji em seu encalço. Entrou no grande ambiente e se jogou na cama, bufando. Seriam tão complexas essas reuniões, e Madara ter chegado de surpresa não a deixava pensar racionalmente por completo. — Neji… — chamou.
— O que Madara pretende aparecendo dessa forma, sem ser convidado? — Pisava forte contra o chão, contando seus passos de um lado para o outro, imaginando uma forma de entender a cabeça alucinada do Uchiha. E trazer o ex pretendente de Hinata? Francamente.
— Também gostaria de saber. Aquelas palavras dele não me enganam. — A Hyuuga se ergueu e mirou seu noivo. — Acha que ele vai tentar alguma coisa contra nós?
— Contra mim, tenho certeza. Ele poderia ter vindo sem o filho, assim como Minato, mas em que mundo estaríamos se o grande Madara Uchiha não tentasse tirar alguém do sério? — A raiva o consumia cada vez que pensava nas oportunidades que Itachi teria com Hinata dentro do castelo.
— Está com ciúmes em uma hora como essa? — A rainha deu um sorrisinho travesso. — Parece que Neji Otsutsuki tem um lado em que não consegue controlar suas emoções.
— Não acha que está passando tempo demais com Tsunade? Eu nunca deixaria algo como ciúmes me dominar, Hina. — A estratégia ao ser descoberto era desconversar. Assim aprendeu em seu treinamento. — Eu não tenho problemas com Gaara.
— ‘Hm. Vamos nos ater ao que importa. — A rainha se levantou e se sentou em frente ao espelho de sua penteadeira. — Acha que essa nova informação tem muito peso? Pode não ser nada, o reino do Sol é muito longe daqui.
— Pode não ser nada, como pode ser tudo. Gaara está certo, uma movimentação diferente em nossa fronteira o levou à descoberta de um grande esquema dentro de seu reino. Temos que pensar com cautela e não excluir nenhuma possibilidade.
— Ainda fico pensando se Gaara não quis apenas trocar faíscas com Madara — Hinata começou a escovar os cabelos, pacientemente —, mas você está certo. Fiquei surpresa do tio Tobirama não ter feito nada.
— É cedo demais para comemorar. — Aproximou-se de sua noiva, a observando pelo espelho. — Muitas coisas podem dar errado quando há um Uchiha envolvido. — Era ciúmes, mas não era apenas isso, todos conheciam as histórias. Ele não estava errado.
Hinata não se conteve, revirou os olhos e olhou para Neji, que tinha uma expressão de: eu te avisei. Esperava no mínimo um almoço tranquilo, já que as reuniões já seriam maçantes o suficiente; ledo engano. Tobirama Senju e Madara Uchiha na mesma mesa seria quase como pedir para o diabo tomar conta da humanidade. Hashirama apenas suspirava em busca de calmaria, afinal impedir o irmão seria como colocar mais lenha na fogueira.
— Muitas outras vezes eu conversei com meu irmão. — Bateu sua mão pesada na mesa. — Aquelas terras eram nossas! — Tobirama fechou o cenho, discordando mais uma vez do Uchiha.
— Senju, supere esse episódio. — O sorriso arrogante, sua marca registrada, enfeitava a face sempre dura do governante das terras do Fogo. — Você perdeu sua primeira batalha como comandante. Acontece, bom — cruzou os braços —, com alguns de nós.
— Para o inferno, Uchiha! — Levantou-se do lugar que ocupava no mesmo instante que levantava seu dedo na direção do moreno presunçoso. — Era o nascimento de Tsuna. Eu nunca perderia isso para matar mais uma dezena de palhaços que você chama de exército. Não há vitória em um não comparecimento.
— Defenda-se como quiser. — Continuava sentado, falando calmo, como se comentasse sobre o tempo. — Perdeu um bom pedaço de terra fértil quase o ano inteiro.
— Enfie-as no… — Seu braço foi puxado e um pigarro ouvido assim que o irmão mais velho o fez sentar.
— Então, cavalheiros, vamos em alguns minutos voltar para a reunião. — Neji interrompeu o momento… intenso.
Todos levantaram-se. Hashirama teve que puxar Tobirama, que ainda encarava o Uchiha com os olhos cerrados. Caso pudesse, o mataria ali mesmo. Hinata seguiu caminho com Temari e Tsunade junto a si. Neji ia um pouco atrás das três mulheres, apenas guardando suas costas. Mantinha uma distância segura dos comentários depravados da Tsunade, que eram infinitos, não sabia como a loira conseguia guardar tanto dentro de si.
— Hina, pelos deuses. Meus aposentos não estão tão distantes dos seus. — A loira gargalhou ao lado da morena sem jeito, sendo acompanhada pela Sabaku, que entrou na brincadeira.
— Não imaginei que paredes grossas não seriam capazes de conter esse… — Olhou ao redor antes de continuar. Não queria que ninguém soubesse que sua amiga não respeitava as leis e sonos alheios. — Desejo.
Hinata deveria aprender a lição e escolher melhor as próximas companhias. Neji não pôde ouvir a resposta da noiva, que estava muito corada com os comentários da Senju e de Temari. Foi puxado pelo braço assim que dobrou o último corredor a caminho da sala de reuniões.
— Mas o quê? — A primeira coisa que viu após o susto foram os olhos negros intensos e as marcas características de Itachi Uchiha.
— Me encontre após a reunião. Tenho informações muito importantes.
— Só pode estar louco… — Neji virou as costas, mas Itachi se desesperou.
— Quero proteger a rainha Hinata tanto quanto você. — Aquelas palavras fizeram todos os músculos do guarda real enrijecerem.
As palavras do moreno não saíam de sua cabeça em momento algum, e o que fosse discutido entre Hinata e os aliados do reino não era mais tão importante, saberia os detalhes depois. Estava focado no que descobriria com Itachi, se é que ele dizia a verdade. Saiu pela porta lateral do castelo, um lugar que era frequentado na maioria das vezes por empregados e servos atarefados. Marcou seu encontro com o Uchiha ali, exatamente para que nenhum nobre de outro reino o visse. Aproximou-se de uma árvore perto do muro que delimitava a área do castelo e parou, esperando o Uchiha começar, certo de que o grande soldado treinado por Madara tinha ciência de sua presença.
— Achei que não viria. — O moreno de longos cabelos negros saiu das sombras, se mostrando ao Otsutsuki.
— O que sabe de tão importante que te faz pensar que quer o bem de minha noiva tanto quanto eu? — Deu dois passos para trás, encostando em uma árvore próxima.
— Porque eu também a amo. — Assim que as palavras de Itachi deixaram seus lábios, Neji sentiu seu sangue ferver, e talvez fosse a primeira vez que isso acontecia, mas perdeu completamente sua razão, avançando no Uchiha, segurando as vestes na altura de seu pescoço.
— Como você tem coragem de vir ao meu reino falar isso?
— Você perguntou e eu respondi. — Itachi se mantinha sereno, ao contrário do general da Lua, que sempre manteve a racionalidade. — Fique calmo. Ela te escolheu, não? — Soltou a camisa do herdeiro do Fogo bufando e deu dois passos para trás.
— Não abuse da sorte mais uma vez, Uchiha.
Itachi se recompôs e limpou a garganta antes de começar:
— Meu pai tem feito reuniões secretas e tenho certeza de que existem outros reinos indo até lá para essas reuniões. Eu não sei muito bem o motivo, ou o assunto tratado, todos têm me escondido coisas. — Ele suspirou. — Se estão deixando o herdeiro de fora…
— Alguma coisa errada está acontecendo — Neji completou a frase, recebendo um aceno do Uchiha. — É só isso que sabe?
— Foi tudo que consegui escutar. Faz tempo que tenho que me esgueirar pelo castelo para saber de algo, até mesmo meu irmão… Acredito que eles tenham percebido que tenho sentimentos pela rainha… — Neji fechou o cenho, fazendo Itachi engolir as palavras. — Bom, tenho ficado de fora.
— Você realmente está se voltando contra seu pai? — O general arqueou a sobrancelha. — E se você está fazendo isso para ajudar Madara de alguma forma? Não sei se posso confiar em suas palavras.
— Eu não quero que Hin… — corrigiu-se — rainha Hinata sofra ou tenha perdas em seu reino. Sei o quanto ela se importa com seu povo, e isso foi um dos motivos que fez com que eu me apaixonasse por ela.
— Só pode estar de brincadeira. — O guarda revirou seus olhos, desacreditado. Poderia pensar em mil defeitos para o Uchiha, mas a coragem do moreno era ímpar.
— Não estou, acredite, quero apenas o bem da rainha. — Começou seu caminho para sair dali antes que algum guarda pudesse notar sua falta. — E me prometa que fará de tudo para protegê-la.
— Não duvide disso. E eu não preciso prometer nada para você, Uchiha, fiz meu juramento há muitos anos, e a partir do momento que ela me escolheu, minha vida passou a ser dela mais ainda — confirmou arrogante.
— Eu faria o mesmo. — E, sem esperar para descobrir se Neji perderia ou não a paciência de uma vez, o deixou sozinho e voltou para o aposento designado a si.
Neji respirou fundo, tentando deixar a raiva e a vontade de matar Itachi enquanto o idiota dormia e voltou para dentro do castelo. Pensava se poderia ou não compartilhar essas informações com Hinata, mas não tinha escolha, sua noiva o mataria se descobrisse que escondeu algo de si. Tomou o rumo da sala de visitas onde deixou a Hyuuga e suas amigas para um chá noturno.
— E então… — Tsunade se concentrava na pergunta antes de jogá-la no colo da amiga. Esperou longos minutos de conversas, que variavam entre o sério e o engraçado, para sanar sua curiosidade. — Temari. — A outra loira arregalou os olhos ao ver o sorriso torto que a Senju mostrava. — Como foi ter o Nara deliciosamente em cima de você?
— Não, não, não. — Hinata abaixou a xícara, notando a vermelhidão que tomava o rosto da Sabaku. — Sem essas suas maluquices, Tsunade.
— Negue para a rainha, ou conte-nos apenas a verdade suja que eu soube pelos corredores.
— Tsunade, não há nada. Ela está sem jeito com a sua falta de vergonha — a Hyuuga comentava com a loira fofoqueira, enquanto Temari ponderava se poderia falar ou não o que sentia. Decidiu que a hora de assumir que não era indiferente ao Nara era aquela, com suas amigas, mesmo que Tsunade pudesse fazer ela se arrepender.
— Eu e o Shika… — Foi interrompida por um grito, acompanhado por um pulo. Já estava arrependida.
— Shika? Hinata, me diga se não estou sonhando? — Estendeu o braço para a morena, atônita. — Me belisque, Hina, me belisque. Só assim eu posso acreditar.
— Eu nunca notei. — A rainha manteve sua boca levemente aberta e as sobrancelhas unidas, calculando as informações. — Tsunade, senta e vamos ouvir essa novidade.
— Eu esperei semanas — bateu na própria coxa, animada —, semanas, Hina. E ela não abria essa boca. Achei que eu realmente tinha inventado um romance onde não tinha, mas os Deuses são justos. — Apontou para o céu, erguendo o braço o mais alto que podia. — Os Deuses me amam, Hina. Eu estava certa!
A Hyuuga ignorou o espetáculo que a Senju fazia e se virou para Temari, estranhamente calada.
— Ainda quer contar? — perguntou, sem jeito. Entendia perfeitamente caso a Sabaku desistisse pelo comportamento de Tsunade.
— Sim, eu preciso contar isso para alguém. — Ajeitou-se na cadeira e respirou fundo, tomando coragem. — Eu e ele nos conhecemos na biblioteca, logo no início das minhas aulas com a Hina. — Observou a loira exagerada sentar e se calar, esse milagre só acontecia quando Tsunade estava realmente curiosa. — Bom, a partir dali, nos encontramos algumas vezes pelos corredores entre uma aula minha e uma reunião dele, e começamos a conversar sobre o meu reino.
— O que a Areia tem de tão interessante? — A Senju deu de ombros. — Já fui lá tantas vezes, não tem mais graça.
— Ele nunca foi — Temari continuou —, e disse que estava curioso para saber como era. Contou algumas histórias de seu pai sobre as viagens que fazia com o pai da Hina, e eu confirmei as belezas e maravilhas da minha terra — falou entredentes, fuzilando a Senju com os olhos.
— Como eu não sabia disso? Você se esconde tão bem… — Hinata comentou.
— Não é para tanto, você estava muito ocupada com assuntos do reino. — Temari não conseguiu terminar o raciocínio.
— E interrompendo as noites de sono das amigas — Tsunade cantarolou.
— Enfim, ele e eu conversamos muito e nos entendemos. Eu acabei tendo sentimentos por ele, mas temo que meu irmão não permitiria — terminou cabisbaixa.
O silêncio tomou a sala antes animada. Duas mentes trabalhavam para responder a amiga de uma forma esperançosa ao menos. Não fazia sentido desacreditar de um sentimento tão novo.
— Use o que aprendeu com a Hina. — Tsunade olhou seriamente para a Sabaku. — Use o que aprendeu com negociações, tratados e como conseguir o melhor acordo para si. Se o Nara retribuir, como eu imagino, não desista até fazer seus irmãos aceitarem.
Hinata sorriu para a amiga e pegou a mão de Temari, tentando transmitir a força necessária para lutar pelo que se queria.
— Sabe que pode contar conosco, não é? — Sentiu os olhos lacrimejando no mesmo instante que notou os da loira da Areia marejarem também.
— Perfeito. — Tsunade se esticou para pegar a outra mão da Sabaku. — Temos o sim de Hinata, um reino já está de acordo. Falta o outro para um casamento acontecer.
— Não está apressando as coisas? — A loira sorriu, interrompendo o momento emotivo que partilhavam.
Tsunade não teve tempo para responder, batidas na porta foram proferidas, e Hinata liberou a entrada, estranhando logo em seguida a feição de Neji, que entrou no ambiente tomando sua usual postura.
— Precisamos conversar, alteza.
— Vou precisar me recolher, vê se não fala mais besteiras para Temari, Tsuna. — Hinata se levantou e foi em direção à porta, que foi aberta pelo seu noivo. Seguiram para o quarto e, ao chegarem lá, Neji fez um ritual que não faziam há algum tempo; retirar as joias e a coroa da rainha. — Então, o que houve? — Ela olhava o reflexo do moreno no espelho da penteadeira. — Está irritado, o que aconteceu?
— Itachi Uchiha me procurou. — Hinata virou rapidamente seu pescoço, olhando para ele, surpresa.
— Como? — Ela franziu o cenho.
— Aparentemente, Itachi está traindo seu pai me dando essas informações.
— Que informações, Neji? — Ela se levantou, exaltada.
O Otsutsuki repassou mais uma vez tudo que o herdeiro do trono do reino do Fogo lhe passou, ocultando algumas partes, claro. Não precisava falar que Itachi a amava, era desnecessário para o tema em questão. Falou para sua noiva que, mesmo assim, ainda custava a acreditar, pois ele poderia muito bem fazer parte de algum plano maluco do Madara.
Hinata ficou apreensiva. E se os reinos que não responderam sua carta tivessem se juntado a ele? Não queria enfrentar uma guerra, a última tinha sido anos atrás, ela nem era viva, mas Neji se lembrava, era pequeno, porém se lembrava perfeitamente, pois seu pai quase foi tirado de si. Depois de tanta conversa e deduções, Hinata e Neji se aprontavam para dormir, quando uma voz foi ouvida da pequena sacada dos aposentos reais. O guarda foi até as portas e abriu, indo até o lado de fora.
— Tenho novas informações. — Ouviu a voz rouca do homem que estava encostado na parede, de braços cruzados.
— É realmente alguém, Neji? — Hinata chegou à porta, e o Otsutsuki colocou a palma da mão, impedindo a sua passagem. — O quê?
— Ouça daí, não está em trajes adequados.
— Pelos Deuses, Neji. — A rainha cruzou os braços, e o guarda acenou, pedindo para o mascarado continuar.
— Aquele que você suspeitava é o traidor. — A Hyuuga engoliu em seco, pois se fosse quem ela pensava, céus. — Ainda não consegui encontrar quem é o mandante de tudo, mas irei descobrir. Fiquem em alerta, qualquer reino pode ser quem nos ataca.
— Recebemos informações de que o reino do Fogo estava tendo reuniões secretas com outros reinos.
— Pois será meu próximo passo, vou averiguar.
— Obrigado pelos seus serviços. Com sorte, evitaremos uma guerra.
— Eu não teria tanta certeza, general. — O homem caminhou até o guarda corpo. — Alteza — despediu-se e pulou na escuridão.
Neji virou para Hinata, que ainda estava estática, pensando na informação que tinha acabado de receber. A raiva começou a tomar conta de seu corpo, dessa vez suas bochechas estavam vermelhas e não era por vergonha. Virou-se em direção ao seu armário e pegou um vestido, jogou seu robe longe e o seu noivo assistia tudo com o cenho franzido.
— O que vai fazer? — perguntou.
— Se troque, chame uma criada e peça para chamar todos, inclusive o conselho. Quero todos na sala de reuniões, agora! — exclamou irritada.
— Sim, majestade, agora mesmo. — O guarda trocou de roupa e foi fazer o que lhe foi pedido. A noite que ele tanto esperou ser em paz, seria um pouco mais longa e talvez teria uma morte pelo caminho.
Neji continuava de pé, ao lado da rainha. Observava a todos, certo de que o outro culpado demonstraria com algum mínimo gesto a perda de um espião de tanto prestígio, com as informações que o velho poderia passar diretamente do conselho, de perto da rainha, seria um duro golpe contra a conspiração. Notou pelo canto dos olhos claros que a noiva se levantou, ela respirou fundo, unindo ambas as mãos em frente ao seu corpo e começou:
— O motivo para convocá-los tão tarde e com tamanha pressa é muito importante. Peço desculpas desde já, não era de minha vontade interromper o descanso de nenhum dos senhores, mas o motivo de estarem aqui é o mesmo que me trouxe a esta reunião. — Apertou os dedos uns nos outros, tentando manter a face serena. — Como de costume, todos os governantes de cada reino devem se manter atentos mesmo à distância, então fazemos uso de ouvidos.
— Não é desconfiança, apenas meios, nem sujos nem limpos, de se obter a verdade, que, pela distância, poderia ser oculta — continuou, descendo um degrau, se afastando de seu trono. — Por meio dessa prática, obtivemos hoje, há poucos minutos, a confirmação de que havia um traidor entre nós. Uma pessoa que foi escolhida por meu pai para um cargo de confiança, um cargo que muitos fariam de tudo para manter, porém nem todos sabem ser agradecidos pelas bênçãos dos deuses. — Olhou para o Otsutsuki e confirmou, o observando sair e voltar os olhos aos seus aliados. — Eu não considero meu pai um tolo por confiar em alguém e errar em seu julgamento, digo isso a todos, pois qualquer um de nós, não importando idade, cargo ou poder, podemos nos enganar.
As portas foram abertas novamente, e Neji se aproximou, segurando o homem velho e assustado, o exibindo para todos. Os membros do conselho pareciam tão chocados quanto os outros nobres que sabiam quem ele era. Hinata sequer olhou para o homem patético, preso por Haru.
— Hiruzen Sarutobi — disse para calar as vozes incrédulas — foi preso hoje em sua casa, acusado de um crime que me enoja. Temos provas de que o senhor Sarutobi, meistre do nosso reino e membro do pequeno conselho real do reino da Lua, estava conspirando contra a coroa. — Hinata respirou fundo. — Ele vai ser preso nas masmorras, enquanto espera a minha decisão junto ao conselho para decidir a sua punição.
Todos ainda estavam atônitos de saber daquela informação tão importante. Neji franziu o cenho com a atitude da rainha, o que ela queria? Achava que iria expor o velho a todo o seu reino e o decapitar em praça pública. O general virou e entregou o meistre aos guardas para que o levassem para a cela no subsolo do castelo. Hinata então finalizou seu discurso dizendo para que todos voltassem aos seus aposentos e que tivessem uma boa noite de sono. O noivo da rainha entrou no quarto, seguido dela, trancou a porta e então virou-se para a Hyuuga com um semblante confuso.
— O que pretende? — perguntou, vendo a mulher tirar suas vestes, ficando nua em sua frente.
— Temos que ser mais espertos. Caso o reino que me ataque esteja aqui, alguém vai tentar salvá-lo, não? — Neji caminhou até ela e pôs as mãos em seus ombros, enquanto depositava um beijo molhado no pescoço da mais baixa.
— Você é extremamente inteligente, Hina. — Deslizou os dedos pelos braços e agarrou a cintura, a virando para si, olhando nos olhos claros. Retirou uma mecha dos longos cabelos, que cobria sua face, e colocou atrás da orelha. — Eu poderia dizer que a cada dia me apaixono ainda mais por você.
— Posso dizer o mesmo… — Beijou com volúpia seu noivo. Havia algo para comemorar aquela noite, uma batalha foi ganha e isso era motivo suficiente.
Kankuro saiu da sala com um sorriso estampado em seu rosto, limpando as mãos e sem parar seus passos até o guarda real, que estava do outro lado do corredor.
— Foi muita sorte estar hospedando um especialista em interrogatório — Neji comentou e descruzou os braços. Não gostava do trabalho do Sabaku por não ter paciência suficiente para executá-lo. Aquilo poderia durar horas, que o moreno preferia dividir com sua rainha.
— Eu que agradeço esta sorte. — Alargou mais o sorriso, contagiando o Otsutsuki. — Achei que estava enferrujado passando dias calmos por aqui. — Observou o noivo da rainha começar o caminho de volta para a ala que os convidados realmente transitavam no castelo.
— Não acho que possa perder o jeito. — Dobraram o primeiro corredor e começaram a subir a longa escada. — Conseguiu algo bom, ou essa felicidade genuína é por fazer alguém… falar?
— Por ambos. Gosto de um trabalho bem executado.
— Então?
— Se quer os detalhes, peça. — Kankuro tirou sarro do general, que arqueou uma sobrancelha em resposta. — Ok, então, descobri que há um cofre e alguns documentos importantes, a senha e o ouro que ele recebeu em troca de informações. Contudo, nada sobre quem tenha feito. Ele repetiu algumas vezes que isso não era importante e sim o fato de sua rainha fazer a escolha certa, não por ele, mas pelo reino. — Chegaram ao topo da escada, que dava acesso à cozinha do castelo.
Passando entre as pessoas que cumprimentavam ambos, Neji pensava nas palavras do Sarutobi. A escolha certa, a escolha certa…
— Parece que tudo é por conta do meu casamento com Hinata. — Respirou o mais fundo que pôde. Entendia perfeitamente caso a Hyuuga desistisse do compromisso, sempre soube que ela perderia mais, mas em hipótese alguma achou que seria tanto.
— Ei, não caia nessa. — O Sabaku chamou a atenção do guarda. — É isso que eles querem que pense. Quem quer que esteja por trás de tudo isso, querem plantar uma dúvida em você, que você não se ache suficiente. Não a ama?
— Mais que minha própria vida.
— Então o que está esperando? — brincou animado. — Vamos descobrir o que tem no cofre do cara mais boca aberta que eu já interroguei.
Hinata encarava todos aqueles papéis em cima da mesa redonda da sala onde tinha as reuniões com o conselho, ali apenas Neji, Kankuro, Gaara e Hashirama. Suspirou pesadamente, tentando ligar as cartas das quais só tinha as respostas. O que ele tinha passado para o suposto reino que tentava a todo custo tirar as noites de sono de Hinata? Todos discutiam sobre as cartas sem assinaturas, os documentos que continham datas específicas sobre alguns afazeres do reino e da rainha, e ouro, bastante até. Após tantas hipóteses, a Hyuuga estava cansada, queria um tempo para arejar a cabeça, um vinho lhe cairia bem naquela noite. Contudo, ainda tinha uma decisão a tomar.
— Decidiu, alteza? — Neji perguntou receoso.
— Marque para amanhã.
Por mais que odiasse o velho, não deixou de sentir a perda, era um velho amigo de seu pai e o ver trair a coroa tão facilmente assim a enojava, ele foi completamente sem escrúpulos. Hiashi com certeza estava se revirando no túmulo com tal traição, seria pesado. Entretanto, Hinata não tinha escolha, era o certo a se fazer, esperava apenas que os ataques acabassem.
No dia seguinte, todos se reuniram na praça central. Gaara engoliu em seco quando viu a cena que esteve diante de seus olhos há pouco menos de dois meses, ter mandado matar seu primo ainda assolava seus sonhos, ou melhor, pesadelos. Hinata subiu no palanque montado em frente à praça. Com ela, estavam Neji e o restante de seus conselheiros. Olhou para todos os súditos esperando uma explicação para a guilhotina estar ali. Respirou fundo e então começou:
— Passamos por alguns dias conturbados, eu sei, mas achamos um traidor, um dos nossos estava armando, conspirando contra a coroa e sua rainha. O reino da Lua nunca teve um traidor entre os nossos, principalmente dentro do meu conselho pessoal. — Neji maneou a cabeça para Haru, que estava próximo da carruagem que trazia Hiruzen. Guardas o pegaram e levaram até o carrasco, que estava parado ao lado da arma assassina. — Meu meistre estava orquestrando uma conspiração contra mim e meu noivo, e não menos importante, contra o nosso reino, nosso povo. — O silêncio na praça era ensurdecedor, aquela cena era hipnotizante, todos os reis que estavam ali de seus reinos aliados estavam abismados com tamanha devoção que Hinata possuía de seu povo. Era algo bonito de ser visto, ela era realmente uma rainha e tanto. — Hiruzen Sarutobi, você está condenado à morte por tramar contra a coroa e o reino da Lua.
O barulho da guilhotina fez a rainha desviar os olhos para o lado, não queria ver aquilo, então não esperou nem mais um minuto, se virou e foi descendo os degraus. Neji se apressou e segurou sua mão, a encaminhando até a carruagem. Chegaram todos ao castelo e nem conseguiram chegar até a sala de refeições para então ser servido o almoço, pois Madara chamou a atenção para si, pigarreando mais alto.
— Bom, meu trabalho está concluído então.
— Que trabalho seu… — Hashirama segurou o ombro do irmão, que bufou de ódio.
— Vou voltar para o meu reino, pois deixei meu caçula cuidando de tudo. — Sorriu com soberba e então deu as costas.
— O aguardo em meu casamento, Madara. — Hinata soltou arrogante. — Espero que venha nos dar as felicitações dadas por cartas pessoalmente.
O Uchiha trincou os dentes e respondeu ainda de costas:
— Será um prazer, criança.
A tarde sem os Uchiha's fazia o reino tranquilo da Lua ainda mais agradável. Estava faltando peso dos acontecimentos recentes, das conversas infinitas e de todo drama entre seu tio e o rei do Fogo. Que Madara e toda aquela desagradável presença ficassem longe, por tempo indeterminado.
Passeava pelo jardim que tanto orgulhava a amiga, entendia Hinata e a adoração daquele espaço, ele era realmente especial e fazia Tsunade esquecer de seus problemas. Antes do jantar ser servido aos convidados remanescentes da Hyuuga, conversavam sobre todo tipo de assunto, mas ela não estava com cabeça, nem para suas divertidas brincadeiras.
O assunto quase sempre rondava sobre o casamento da melhor amiga. Estava muito feliz por Hinata ter encontrado a felicidade ao lado de quem o coração dela escolheu, no entanto, não pôde deixar de sentir uma pontinha de inveja. No fim das contas, lhe restava um reino que não queria gerir, um quarto vazio para dormir em seu castelo e seu humor ácido, não era uma lista de se orgulhar. Bufou, chutando uma pequena pedra, enquanto dava a volta na linda fonte que adornava o centro do jardim, perto da entrada do castelo. Estava cansada de não ter conquistado absolutamente nada que pudesse fazê-la se sentir bem, nenhuma novidade na vida da princesa Senju.
Os portões foram abertos com certa pressa, chamando a atenção da princesa. Guardas gritavam pedindo ajuda e alguns saíram do castelo, passando ao lado da loira, correndo para atender os homens desesperados no portão. Tsunade ficou mais atenta ao desenrolar daquela história, quando o que pareceu ser uma porta de madeira, que era utilizada como uma maca improvisada, carregava um homem desconhecido. Os soldados da guarda real apertaram o passo para voltar ao castelo, carregando o homem da maneira que podiam e em busca de Neji.
Passaram ao seu lado, e a Senju rapidamente acompanhou a comitiva desesperada. O rosto estava inchado em muitas partes, braços, pernas e um dos pés estava enfaixado por um tecido que era manchado de vermelho vivo. Suas roupas estavam em trapos e, como os panos que o cobria, igualmente ensanguentada. Tsunade capturou o pulso do homem e tentou sentir seus batimentos, cuspindo ordens em seguida:
— Você — disse para o homem que lhe deu lugar —, vá chamar a rainha e general. Os demais, levem o desconhecido a um quarto e me aguardem lá.
Os guardas não pensaram antes de obedecer às ordens da princesa. A Senju correu pela fortaleza da Lua o mais rápido que pôde. Ao chegar ao seu quarto, tomou posse de alguns utensílios que carregava para eventuais emergências. Munida de todo o material, correu para a ala que a amiga estaria, chegou a tempo de ver a face da amiga assustada ao lado do noivo, que ouvia as novas informações dos soldados. Alcançou o braço da Hyuuga e perguntou:
— Onde o homem está?
Os olhos de Neji, Hinata e Haru queimando em suas costas já não incomodavam tanto, estava mais do que nervosa com a situação do homem que não parecia nada boa. À primeira vista, pareciam apenas escoriações, mas examinando mais detalhadamente, Tsunade notou que algo por dentro parecia machucado. O tórax do desconhecido estava rígido e sua respiração difícil.
Ele estava acordado, no entanto, transitava entre o consciente e o inconsciente em um minuto e outro. Fazia um esforço enorme para falar, mas tossia sempre que tentava fazer. Talvez tivesse urgência em dar alguma informação, porém a Senju muitas vezes tentou acalmar o homem, visando por enquanto somente sua recuperação.
— Majestade? — Um guarda entrou na sala. — O rei Minato quer falar urgente.
Tsunade não deu ouvidos, tentava ficar focada apenas nos cuidados de seu paciente. Não tinha pressa em saber de fofocas, ou de mais um problema do reino quando um homem lutava por sua vida.
— Mi..nato… — o homem machucado murmurou, atraindo a atenção da rainha e de seu general.
— Mande-o entrar — Neji ordenou subitamente.
Minato entrou no quarto desesperado, pois um de seus soldados tinha reconhecido seu primo e o avisou da situação dele. O Uzumaki explicou que seu primo fazia espionagem ainda que ele mesmo já tivesse falado para ele parar, pois era membro da realeza e poderia acabar morto. Por mais que fosse bom no que fazia, era um perigo para ele e para o reino do Sol, já que poderiam usar ele como isca ou moeda de troca. O Rei do Sol perguntou qual era o estado de seu parente, e Tsunade não tinha boas notícias, ele estava bem machucado, talvez demorasse alguns dias para ficar completamente lúcido.
Esticou-se, prendendo o fôlego assim que ouviu vozes se aproximando. Para sua sorte, viraram à esquerda, lado oposto ao que deveria seguir. Observou os dois lados antes de passar por uma bifurcação, viu uma porta aberta e aguardou, colado à parede, para saber se havia algum soldado ali.
Não precisava se esconder em seu próprio castelo, mas não queria levantar suspeitas ao seu pai e irmão, então quanto menos gente visse Itachi passeando pelas masmorras, melhor. Fazer-se de tolo e dançar a música que seu pai trabalhava duro para tocar fazia parte de seu plano, e mesmo agindo como um criminoso em um lugar que era também seu, parecia o mais sensato a se fazer agora.
Mais dois corredores escuros, lamacentos, pelas infiltrações nas paredes abandonadas, e lá estava o homem que tanto procurou. A enorme propriedade da família Uchiha contava com duas sessões distintas de alas prisionais, uma de cada lado do castelo, separando os criminosos por periculosidade, mas onde seu pai colocaria um espião? Nunca ouviu esta parte, então teve que buscar ele mesmo do lado oposto ao que começara.
Os cabelos cinzas tapavam seu rosto. Estava sentado em um banco de pedra, um pouco longe da grade, com a cabeça baixa e as mãos unidas às costas. O homem, que soube ser o intruso pego nas redondezas do palácio, parecia calmo demais para o moreno.
Fechou os olhos, apurando seus sentidos, tentando ouvir passos, vozes ou algo que denunciasse a presença de mais alguém ali, e quando constatou que não havia perigo, iniciou seus passos até a grande grade de ferro.
— Conhece Hinata? — O homem virou-se para o Uchiha e franziu a testa. Uma máscara e uma cicatriz no olho esquerdo era tudo que se via no rosto do estranho, que pareceu ponderar se responderia ou não. — Vamos, diga de uma vez. — Olhou ao redor, procurando algum guarda. — Neji e eu conversamos, estou do lado de seu futuro rei.
— Não sei se deveria confiar em um Uchiha. — A voz rouca soou baixa pela cela.
Itachi, prevendo que não seria levado a sério tão facilmente, abriu as grades sujas e enferrujadas, adentrando e desamarrando o espião que ali estava, o que ele não esperava era que o mascarado o pegasse pelo pescoço e o jogasse contra a parede de pedras, fazendo ele arfar em dor.
— Por… favor, estou… falando a verdade — o moreno falava com dificuldade, já que sua garganta era brutalmente apertada. — Eu que… — tossiu — dei informações ao Neji. — O outro homem o soltou, o fazendo cair no chão com a mão em seu pescoço, acariciando o local. — Vá logo embora, leve o que precisa ser levado para a rainha.
Sem mais nenhuma palavra o espião seguiu para fora da cela. Desviou de alguns guardas que faziam a ronda e, no primeiro andar do castelo, se pendurou em uma janela, dela, tomou impulso para agarrar-se em outra, fazendo seu caminho pelas sacadas da propriedade.
Passou dias apenas observando a movimentação e, depois de concluir que tinha o suficiente, se deixou ser capturado. A visão de fora deveria ser a mesma que a de dentro, foi fácil mapear em sua memória o local que precisava alcançar. Subiu nas grades que faziam a segurança da porta de um quarto, provavelmente de visitas, e tomou fôlego, esta era a hora de dar tudo de si, mesmo não comendo há dias naquela cela imunda.
Foi até o extremo oposto da sacada, contou mentalmente até três e se jogou com tudo para a próxima grade. Por pouco, não escorregou e caiu alguns metros até o chão de grama bem cuidada, sorte a sua que uma única mão alcançou a grade de ferro quando a outra falhou. Não poderia mais errar.
Abriu a fechadura das portas quando teve certeza de o aposento estar vazio, entrou em silêncio e com muita calma, procurou algo que pudesse levar para sua rainha. O quarto do rei do Fogo era mal vigiado, Neji nunca deixaria sua rainha e seus pertences tão desprotegidos como os de Madara estavam.
Abriu algumas gavetas, olhou embaixo da cama do homem, o armário, a casa de banho e nada. Não havia nada que ligasse o rei aos acontecimentos do reino da Lua, estava quase dando sua busca por encerrada, quando pousou seus olhos em uma caixa de madeira, não seria diferente de tantas outras ali, mas aquela estava dentro da lareira, no meio de muitos pedaços de madeira queimados, o Uchiha não teria todo esse trabalho para esconder algo sem valor.
Pegou a caixa, pequena por sinal, a abriu e se deparou com o selo do reino da Lua chamando sua atenção imediatamente. Queria um pouco mais de tempo, mas teve que devolver apressadamente o objeto ao seu lugar depois de tomar posse de alguns papéis dali. Algumas vozes animadas passavam pelo corredor naquele momento, sua missão estava encerrada.
— Ele me liberou da cela e disse para eu levar o que fosse necessário. — Deixou os papéis que conseguiu na mesa, próximo à rainha. — Não li nada — fitou o general —, trouxe apenas por possuir o selo do reino da Lua. Até amanhã trago meu relatório detalhado, senhor. — Reverenciou a rainha. — Vossa alteza. — E saiu.
— Acredita agora nas boas intenções de Itachi? — Hinata observava o material que acabara de chegar.
— Ainda tenho dúvidas quanto ao Uchiha, não vou acreditar em um gesto apenas. — Cruzou os braços tensos, imaginando alguma forma de não ter que agradecer a Itachi.
— Um gesto? — A Hyuuga se levantou consternada. Era inacreditável a maneira orgulhosa que o Otsutsuki estava agindo. — Ele o chamou no meio de uma reunião entre reinos, com o próprio pai por perto, podendo ser considerado um traidor e nos deu informações importantes. Temos um rumo por conta de Itachi. Neji, por causa dele, Kakashi está aqui, com mais provas do envolvimento de Madara. Ele disse que subestimou a qualidade das celas Uchiha's. Onde está com a cabeça?
— Acaso se arrependeu de sua escolha? — Descruzou os braços e encarou pela primeira vez em sua vida a Hyuuga de frente, se esquecendo de sua posição. — Acha que ele a ajuda mais que eu?
— Eu não disse isso. — Sentiu suas bochechas queimarem. — Não acho justo não darmos o devido valor a um aliado tão…
— A questão, Hina, é que ele está do nosso lado há pouco tempo. — A interrompeu. — Já fizemos coisas demais, Kakashi já trouxe muito mais informação, e eu não vi essa gratidão exagerada. — Bateu sua mão na mesa e deu as costas para a morena. Estava sem um pingo de paciência para aturar Hinata e sua vontade de agradecer ao Uchiha.
— Volte aqui, imediatamente! — Não sendo atendida, foi atrás do noivo. — Neji, eu dei uma ordem.
— E eu decidi não acatar! — Virou-se, encarando os olhos arregalados da Hyuuga. — Não estou falando com a minha rainha, estou falando com a minha noiva, e ela não manda em mim. — Retomou seu caminho, entrando no quarto de Hinata sem esperar por ela, e bateu a porta com força. Pegou sua roupa para dormir e estava pronto para voltar à ala dos serviçais antes que tudo fugisse ainda mais do controle.
— Aonde pensa que vai? — Hinata gritou, ao entrar no quarto.
— Acho melhor…
— Não! — gritou ela, o interrompendo. — Você acha mesmo que eu estou interessada em Itachi? — O peito de Hinata descia e subia com velocidade. Ela estava irritada com o comportamento de seu guarda pessoal, além de cansada por ter corrido do seu escritório até o quarto com o vestido pesado. Neji a mirava com as roupas em mãos e respirava fundo. Estava com ciúmes, ah, ele estava. Ela era dele e deixaria suas marcas para provar a si, a ela e a qualquer um que ousasse duvidar. Jogou as vestes no chão e foi em direção à rainha a passos rápidos, encaixou a mão na nuca, apertando com força e olhou nos olhos perolados arregalados. — O que vai fazer?
— Mostrar quem manda. — A beijou com vontade. A língua explorava todos os cantos possíveis da boca da Hyuuga. Com a outra mão, agarrou sua cintura com passividade, a colou em seu corpo, desceu os beijos pelo pescoço até chegar ao ombro e mordeu com vontade. Afastou-se e a olhou com desejo, rasgou o vestido na altura dos seios, fazendo Hinata se assustar. Desceu a língua até os mamilos rijos que denunciavam sua excitação, lambeu, chupou e massageou com as mãos. Desceu as palmas e rasgou o restante do tecido, a deixando completamente nua. — Você é minha, Hina… Minha, escutou? — Agarrou as nádegas desnudas e a levantou. Caminhou beijando seu colo, mordeu o queixo e voltou até a boca, calando os gemidos tímidos que começavam a escapar da boca da rainha.
— Neji… — Os braços de Hinata rodearam o pescoço do moreno com posse, as mãos percorriam as costas ainda cobertas e subiram para a nuca, entrelaçando entre os fios longos do Otsutsuki. Suspiros deixaram os pulmões dos dois, estavam afoitos. Ele a jogou na cama e começou a se despir com pressa. Assim que estava completamente nu, se debruçou sobre ela e voltou a dar atenção aos seios, mordeu de leve o mamilo, fazendo Hinata se arrepiar por completo, apertou as costelas, desceu as mãos e apertou o quadril, esse com mais força. A marca de seus dedos ficou presente na pele leitosa, o coração batia acelerado, o corpo da rainha ficava cada vez mais quente, a temperatura subia a cada novo toque.
O general desceu até o meio das pernas dela e passou a língua por toda a extensão da boceta melada da Hyuuga. Sentiu o gosto adocicado que sua noiva tinha e foi à loucura. Apertou ainda mais forte as coxas da amada, arrancando suspiros e gemidos altos. Penetrou dois dedos na cavidade molhada e começou um delicioso movimento de vai e vem, fazendo Hinata perder a cabeça. Ela gritava alto, sem se importar que talvez dessa vez as brincadeiras de Tsunade fizessem sentido, se é que eram mesmo brincadeira. Não se importava de qualquer forma. Neji subiu, a encarando nos olhos, e a beijou com vontade, fazendo ela sentir seu próprio gosto. Prendeu as mãos dela pelo pulso com uma só mão e se colocou para dentro.
— Quero fazê-la lembrar que eu sou seu homem e você é minha mulher. — Mordeu o pescoço alvo, enquanto arrematava forte e fundo, a fazendo gritar de prazer. Assim que se afastou, viu o filete de sangue escorrer e se preocupou de estar sendo muito agressivo, afinal, mandou sua razão longe, porém Hinata soltou um longo gemido agudo. Neji estava em êxtase com a imagem da Hyuuga completamente presa e submissa a ele da forma que ele sempre foi a ela. Os dentes mordendo os lábios com força, o rosto vermelho e suado, com alguns fios de sua franja colados na testa. Era a própria visão do paraíso.
— Eu… sou sua, Neji… Só sua. — Rebolou no pau do general, pedindo mais, e Neji começou a impulsionar o quadril com mais força, sua pélvis batia com violência contra o corpo pequeno de Hinata. Os dois estavam indo ao delírio com tamanho prazer. O moreno levou a mão até o pescoço de sua noiva e o apertou com certa força, ouviu a morena tentar gemer e viu sua coluna arquear. Intensificou ainda mais suas investidas e logo pôde sentir suas paredes dando espasmos ao redor de seu pênis, ela estava perto, e ele não conseguiria se segurar por muito mais tempo. — Ah… Nee-ji — gritou, atingindo o ápice, e logo após seu companheiro a preencheu, gemendo rouco com tamanho prazer. Jogou-se ao lado dela na cama, e os dois respiravam ofegantes. Assim que Hinata recuperou sua voz, falou: — Eu sou somente sua. — Acariciou o rosto bonito de seu noivo, exibindo um sorriso nos lábios, ele retribuiu e em seguida beijou a testa de sua eterna rainha.
— Não faz isso, Hina… — Ela cessou os movimentos e olhou inocente para o Otsutsuki.
De quatro em sua frente, com a linda bunda empinada para cima, descoberta, com seu corpo perfeitamente nu. Deliciosa.
— Não quer mais? — Sorriu e passou a língua em volta de sua glande deixando, uma linha fina de seu pré gozo cair de sua boca.
— Não me tortura desse jeito… — Pegou parte dos cabelos escuros da Hyuuga e a puxou de volta para se deliciar de sua boca.
Hinata findou o beijo e voltou a sugar todo membro do moreno, ajudando a massagear tudo que não conseguia colocar em sua boca com a mão. Fazia movimentos bombeando a ereção, enquanto as investidas iam até sua garganta. Não demorou para sentir os tremores de Neji, que apertava os lençóis ao seu redor em busca de controle. Olhou para o moreno sorrindo, permitindo muda que ele deixasse seu êxtase chegar. Tomou todo o gozo quente e o engoliu sem deixar de sugar cada gota de seu prazer, sorrindo satisfeita.
Após Neji receber um longo bom dia, eles desceram para fazer a refeição matinal, encontrando todos os seus convidados à mesa. Hinata percebeu que sua amiga Tsunade não estava tão feliz como costumava e isso a fez ficar preocupada. Contudo, não perguntaria na frente de todos, depois conversaria com ela em particular.
— Hinata, preciso voltar ao meu reino. — Hashirama começou.
— Eu também, majestade, acredito que por hora esteja tudo resolvido, mas Temari ficará em meu nome — Gaara anunciou.
— Tudo bem, eu entendo que tenham seus próprios afazeres, já passaram tempo demais longe de seus tronos — a Hyuuga falou. — E você, Minato? Vai esperar seu primo acordar?
— Infelizmente, alteza, preciso voltar. Como meu reino é mais longe, são dias de viagem — o Uzumaki informou. — Peço que quando Jiraya acordar você o leve em segurança.
— Mas é claro, Minato. Fique tranquilo, cuidaremos dele.
— Não tenho dúvidas. — O loiro lançou um olhar cúmplice para a Senju, que corou. Neji franziu o cenho com a reação de Tsunade e, na cabeça do general, aquilo só podia significar uma coisa.
Após o café da manhã, Hinata, Neji, Temari e Tsunade se despediram dos convidados antes da rainha e do general terem uma reunião com o conselho, afinal, precisavam decidir um novo meistre. Fazia dias que Hinata tentava pensar em alguém, porém ninguém lhe vinha à mente. Precisava ser alguém que se importasse com o reino e seu bem estar, até com os assuntos mais banais do castelo. Batia os dedos em sequência, pensando nas suas opções, seu pai tinha deixado uma lista de sucessores, afinal. Neji, percebendo que sua noiva estava longe da reunião, a chamou.
— Alteza?
— Sim? — respondeu prontamente.
— Os ataques cessaram, acreditamos que era mesmo o Sarutobi por trás deles — o general comentou. — Mas ainda precisamos entender quem foi que sequestrou o primo de Minato.
— Sim, com urgência.
— Precisamos de um novo meistre também, alteza — Shikaku falou, atraindo a atenção da Hyuuga, que pensou em algo. Puxou o pergaminho com a listagem de quem poderia ser um bom sucessor e viu que ali tinha apenas uma mulher.
— O que acham de Koharu Utatane?
— Acredito que ela tenha os pré requisitos, era uma das escolhas de seu pai — Inoichi comentou.
— Se todos estiverem de acordo. — Hinata esperou receber confirmação de cada um. — Então será ela.
Uma mulher no conselho serviria para unir forças com a rainha, pelo menos era no que ela acreditava. Quanto mais mulheres no poder, talvez o mundo seria um lugar melhor para elas. Hinata deu por encerrada a reunião e saiu pelos corredores caminhando devagar. Neji estava guardando sua traseira, como sempre. Contudo, agora podia apreciá-la da melhor forma e, claro, pensando em tê-la ao fim do dia, depois de seus compromissos. Saiu de seus devaneios pervertidos quando chegaram à biblioteca, ambos analisavam as cartas que tinham algumas palavras queimadas. Juntar os quebra cabeças era difícil, mas não impossível.
O Otsutsuki arregalou os olhos quando viu o seu nome e o da rainha sendo mencionado, era algum aviso sobre o casamento talvez, porém a data da carta estava queimada. Como saberiam se Madara teria tramado tudo ou não? Eram informações valiosas, entretanto, estavam pela metade.
— Achou algo?
— Ele falou de nós, mas a data está queimada. — O moreno alcançou o papel para Hinata, que olhou com cautela. — Pelo menos sabemos que é alguém daqui, mas Hiruzen ou outro?
Batidas rápidas na porta foram ouvidas, interrompendo a conversa dos dois, e a Hyuuga permitiu a entrada assim que guardou todos os papéis na gaveta. Tsunade invadiu a sala ofegante, soltou um grande suspiro e falou:
— Jiraya está consciente, ele lembrou de tudo e quer falar com você, alteza.
Neji e Hinata se entreolharam, levantando prontamente de seus lugares. Caminharam a passos rápidos até o quarto em que o Namikaze estava se recuperando. Entraram devagar e viram o homem sendo servido por uma das empregadas, uma bandeja farta, que a Senju pediu que fosse servida. A rainha arregalou os olhos assim que Jiraya foi colocar o pão na boca.
— Pare! — a Hyuuga berrou, fazendo o homem a olhar assustado. Ela olhou para a mulher que servia o chá. — Prove. — Neji ficou chocado com a reação da rainha, não achava errado, apenas imprevisível. Normalmente era ele que tinha esse tipo de atitude. A mulher engoliu em seco e provou todas as comidas da bandeja, finalizando bebendo o chá, com os olhos em cima de si. Aguardaram algum tempo e quando nada aconteceu, Hinata finalizou: — Pode se retirar.
Neji limpou a garganta depois da cena um tanto inusitada, antes de perguntar: — Então, como se sente?
— Bem, meu corpo ainda dói, mas acordei com a fome de dois exércitos. — Soltou uma risada alta e em seguida um murmúrio de dor.
— Não force, você ainda está debilitado. — Tsunade foi até ele, o segurando pelo ombro.
— Obrigado. — O homem sorriu para a loira, que se afastou de cabeça baixa. — Meu nome é Jiraya Namikaze, acredito que Minato já tenha esclarecido isso.
— Sim, senhor Namikaze — o general confirmou. — Queremos saber o que aconteceu com você, chegou muito machucado.
— Bom, quando descobri que o reino da Lua estava sendo atacado e que Minato viria para cá, quis ajudar. — Deu um gole no chá. — Fui em busca de descobrir algo e acabei encontrando alguns soldados dando explosivos para plebeus. Achei aquilo no mínimo estranho, me aproximei para ver o símbolo do reino na armadura e vi apenas que era cinza, quase que imperceptível. — Suspirou cansado. — Até que fui pego com um saco em minha cabeça e não vi mais nada.
— Céus! Você poderia estar morto! — a rainha exclamou.
— Mas não está, graças a Tsunade. — Neji piscou para ela, que corou instantaneamente, parece que o jogo tinha virado. Foi aí que a Hyuuga entendeu tudo, no mínimo a Senju se interessou pelo homem, um pouco velho para si, mas era lindo, sem dúvidas a genética dos Namikaze era de dar inveja.
— Brasão cinza, só pode ser do reino da Pedra.
Em algum lugar pelos corredores mais vazios do castelo, Temari se divertia até demais com um certo capitão do exército. A língua de Shikamaru contornava o pescoço da princesa com avidez até voltar para a boca quente e acolhedora. A mão desceu até a bunda da Sabaku e apertou com certa força, ouvindo um suspiro sôfrego deixar a garganta da loira. Caso passasse alguém, estavam completamente perdidos, talvez o pescoço do jovem Nara já não fosse mais tão importante para ele, já que jogou sua genialidade pela janela ao se envolver com a princesa de Suna — irmã de Gaara — em absoluto sigilo.
— Vou falar com meu irmão… — disse, entre gemidos, aproveitando cada toque do moreno.
— Não gostaria de ouvir a respeito do seu irmão em um momento como esse, princesa. — Shikamaru continuou os beijos pelo pescoço e colo, enquanto uma das mãos subiu para um dos seios.
— Quero falar… o que sinto, Shika…
— O quê? — Ele parou imediatamente e, com os olhos arregalados, esperou a mulher se recompor e abrir os olhos para vê-lo.
— Falar sobre nós.
— Não, princesa. Eu sou apenas um capitão do exército, seu irmão me executaria em praça pública. — Ela se afastou dele e o mirou incrédula.
— Tivesse pensado nisso antes de me beijar, Nara. — Ela riu baixo.
— Não é hora para brincadeiras, princesa Temari. — O moreno usou um tom mais ríspido. Estava realmente nervoso, caso o Rei da Areia quisesse, o mataria sem pensar duas vezes, principalmente se visse em que estado os dois estavam ali naquele corredor.
— Você diz que me quer e que gosta de mim. Não está preparado para lutar por seus desejos? — Ele ficou sem fala, não sabia o que dizer. De certo gostava e muito dela, não sabia em que momento os olhos verdes esmeralda o tinham conquistado, mas não podia negar a si que quando entrou naquela biblioteca, meses atrás, não imaginou onde estaria agora. Não seria um idiota com ela, não queria; contudo, o que seria dele caso aceitasse essa perigosa luta contra o Gaara No Sabaku?
— É mais do que isso, Temari. Posso dizer com todas as letras, mas não deixo de ficar apreensivo. — A loira se aproximou dele novamente, apoiou uma mão em seu peito e sorriu.
— Vai ficar tudo bem, Shika. — Ela selou os lábios nos dele. — A Hina disse que vai nos ajudar.
— Não, Neji, não vai ficar tudo bem — Hinata gritou, assim que estavam a sós no quarto. — Quantos reinos estão contra mim?
— Hina, se acalme. Precisamos pensar com clareza. — O guarda real tentou acalmá-la. — Jiraya foi espionar para nos ajudar e descobrimos mais uma peça desse quebra-cabeças.
— Isso é tão frustrante. — Sentou-se na cama, derrotada, e logo sentiu os braços de seu noivo a alcançarem, sentando ao lado dela.
— Não desista, você é a mulher mais forte que conheço, Hinata. Levante-se e vamos em frente. — A rainha soltou um longo suspiro e o mirou, dando um breve beijo em seu amado.
— A questão é que quero não precisar ser forte para ser respeitada. — Olhou a mão unida à do moreno e continuou: — Já li infinitos livros e uma vez ou outra a história de um rei que escolheu uma plebeia, ou até uma ex mulher da vida para dividir o trono e ele foi respeitado, Neji. Demorasse o tempo que fosse necessário, não havia complô, nem grande trama, só respeito pela vontade do rei, e por que, infernos, não poderia ser assim com uma mulher?
— Na verdade, não se sabe se foi fácil. — Pausou, escolhendo as palavras corretas. Seria assim por toda sua vida no fim das contas. Seria ele o único homem em todo reino que seria o amparo da Hyuuga quando as coisas não estivessem indo como o planejado. — Podem ter ocultado a parte das rebeliões, o povo descontente e alguns reinos inimigos declarados a pedido dos próprios reis, para que suas histórias um dia inspirassem alguém que também quisesse fazer alguma mudança e, Hina — levou sua mão até o queixo da rainha —, eu não posso enxergar essa sua teimosia como nada além de um desejo de mudança.
A Senju arrumava alguns dos seus utensílios na cômoda próxima da cama onde Jiraya estava deitado. Ela sentia olhos queimando sobre si, e, pela primeira vez, não quis dar uma resposta atravessada. Ouviu batidas na porta e liberou a entrada de uma das empregadas para retirar as louças da refeição que o homem tinha feito. A mulher pegou e saiu, deixando os dois a sós novamente.
— Foi você que cuidou de mim? — Jiraya perguntou.
— Sim — a loira respondeu, ainda de costas.
— Agradeço. Tenho uma dívida com você, princesa Senju — o Namikaze falou calmo.
— Não se preocupe com isso. — Ela finalmente virou, o olhando, e mordeu o lábio discretamente, desviando seus olhos.
— Caso não fosse você, teria morrido.
— Não é para tanto, a rainha Hinata tem pessoas de confiança. — Ela sorriu pequeno.
— Mesmo assim. Quando conseguir me levantar, quero levar você a um passeio como forma de agradecimento.
As bochechas de Tsunade nunca ficaram tão vermelhas. Limpou a garganta e se virou novamente em um rompante, quase derrubando os remédios. A loira estava nervosa, cuidar de alguém exigia tempo, esforço e dedicação. Ela não sabia ao certo quando começou a acarinhar o rosto de Jiraya em vez de só colocar o pano úmido para baixar a febre. Ou quando reparou no corpo dele, em uma das trocas de curativo, ou até mesmo quando pegou nos fios brancos para admirar a maciez do cabelo.
Ela tinha ficado intrigada, queria conhecer mais daquele homem que morava tão longe das terras da Folha. Jiraya deu uma risada gostosa e continuou: — Aceite, vamos.
— Claro, senhor Namikaze, aceito.
— Jiraya, me chame apenas de Jiraya.
— O senhor mandou me chamar? — O loiro parou perto da porta assim que foi fechada por guardas do rei. Suas mãos estavam unidas em suas costas, pois, por mais que não reverenciasse Madara, mantinha o mínimo de respeito perto do homem cruel.
— Sim. — Continuou de costas para a porta, admirando a paisagem de sua janela. O dia estava nublado e cinza, do jeito que o Uchiha gostava de ver o céu. — Temos que começar a investida contra a Lua. Alguns guardas disseram que um homem os viu passando alguns explosivos para o grupo que atacava o reino da Hyuuga, e é só uma questão de tempo até nossa identidade não ser mais um segredo, o homem em questão era um Namikaze, e o reino do Sol é aliado de Hinata.
— Mas a rainha anda com aquele cão de guarda, é impossível chegar perto dela. — Deidara travou quando o olhar sanguinário do Uchiha o mirou.
— Estava todo este tempo estudando a propriedade da jovem rainha, não descobriu nada, seu inútil? — A voz não oscilou, disse aquilo como se fosse uma constatação, não uma ameaça, como o loiro sabia bem. — Ponha o melhor plano em prática, leve quantos homens forem necessários, mas traga-o aqui, para que meu nome seja vingado.
Deidara deixou o local sem proferir qualquer palavra. O que dissesse não seria mesmo suficiente para mudar a decisão do Uchiha. Passou pelos corredores apressado, entrou na sala que os homens do rei descansavam entre os turnos e chamou apenas dois. Quanto menor o número, menor as chances de serem pegos.
Não se sentia tão segura assim há muito tempo. Sorria boba pelas palavras do moreno encantador que lhe arrancava suspiros durante o dia e gemidos à noite. Hinata era afortunada e tinha plena certeza disso olhando no fundo dos olhos tão claros quanto os seus. Puxou a mão do moreno, que estava enlaçada à sua desde o início do passeio pelo jardim florido, o chamando para o coreto há muito esquecido pelos guardas.
O dia estava fechado, e, com o sol escondido, a Hyuuga nunca faria aquele passeio que combinava perfeitamente com um dia ensolarado, mas seu noivo havia insistido em fazê-lo para animar a amada, que, em meio a tantas adversidades, quase não conseguia tempo para aproveitar o jardim que tanto admirava ao lado de seu guarda.
O local afastado da parte mais arborizada não estava abandonado, entretanto, não recebia uma única visita há muito tempo. Hinata apertou Neji contra os balaústres que cercavam o pequeno círculo com o piso de pedras. Ficou rente ao corpo do moreno e ameaçou deixar um beijo em seus lábios, mas fugiu assim que o guarda fechou seus olhos. Correu para o lado contrário do coreto, e o Otsutsuki fez o que Hinata havia feito minutos antes, a pressionando contra a estrutura do lugar.
Diferente de Hinata, Neji selou seus lábios aos da noiva com urgência, a erguendo e a colocando sentada no guarda corpo, encaixando a cintura no meio de suas pernas grossas, fazendo um carinho mais quente e proibido ao ar livre. O ar começava a faltar em ambos. Os apaixonados perderam-se no tempo, entre uma carícia e outra. Entregavam-se ao amor que sentiam, se esquecendo do mundo fora da bolha que construíram.
Contudo, nada poderia impedir o suspeito com um objetivo. Hinata foi tirada dos braços de Neji em um rompante, o fazendo se assustar e olhar mais atento vendo a figura masculina mascarada em sua frente segurando sua noiva. Levou a mão até a cintura rapidamente, mas estava sem sua espada, como? Quando foi que a tirou de sua bainha? Lembrou-se quando a deixou em cima da cama, pois, como em tantas vezes, não precisaria, estavam dentro do castelo, cheio de guardas. No entanto, naquela tarde, a única em que ele negou seus instintos apenas para aproveitar o tempo com sua amada, foi o dia em que foi pego de surpresa.
— Neji! — Hinata gritou, e o Otsutsuki se desesperou indo atrás dela, puxou o homem encapuzado, fazendo com que a rainha caísse no chão e logo foi segurado por dois outros homens por detrás dele, um empunhando uma adaga em seu pescoço, e o outro apenas o segurava pelos braços.
— Me levem, deixem a rainha. Me levem, por favor! — o general implorava afoito, não deixaria que levassem Hinata.
— Neji, não! — Ela tentou se levantar, no entanto, Neji a interrompeu.
— Hinata, fique calma… — Os olhos da Hyuuga já estavam cheios de lágrimas, e ela não teve escolha a não ser ver, de forma embaçada pela água em seus olhos, Neji ficando cada vez mais longe de si.
Hinata gritou o mais alto que pôde, a dor rasgava-lhe o peito. Neji tinha sido tirado de si, e sua mente começou a trabalhar, imaginando cenas em que mandavam a cabeça de seu noivo como prêmio de consolação. Um guarda a achou gritando no jardim e a levou para dentro, onde Temari e Tsunade correram ao escutarem o choro agudo da amiga. Tentaram acalmá-la para ela conseguir dizer o que estava acontecendo, um copo de água, chá, ela não queria nada, queria apenas uma coisa: Neji Otsutsuki.
— Neji! — ela gritou. — Ele foi levado… — ela disse, entre um soluço e outro.
— Por Deus, achem o general, agora! — Temari gritou para os guardas presentes, e eles trataram de se movimentar.
Um pelotão saiu a cavalo em busca de Neji, outro a pé para buscar pelas redondezas do castelo. O conselho foi chamado por Tsunade, e ela repassou o que tinha acontecido. Shikaku traçou uma estratégia de busca em tempo record e passou as instruções para seu filho, Shikamaru, já que o pelotão do Nara mais novo era especialista em busca e resgate. Guardas foram colocados em toda a propriedade do castelo para proteção da rainha, que estava em frangalhos. As amigas conseguiram levá-la para o quarto, e, com o passar do tempo, a Hyuuga conseguiu respirar normalmente e cessar seu choro. Sentia sua garganta doendo de tanto que gritou, seus olhos ardiam e seu corpo doía de forma inexplicável. Tsunade e Temari ficaram com ela até ela dormir, acabando por dormir também, abraçadas. Talvez fosse o que ela precisava, calor humano, para não se sentir tão sozinha, mas as duas loiras tinham esperança, os soldados iriam achar Neji.
— Neji? — Sentou-se na cama, observando seu redor.
Tsunade à sua esquerda movimentava a mão pelos olhos, esfregando o local, tentando acordar. Do outro lado, Temari, ainda vestindo espartilho e toda a roupa que usou no dia anterior, como Hinata e a Senju. Ainda vestia seus sapatos e entendia perfeitamente o porquê disso. Nada mais era suficientemente importante em sua vida, já que grande parte dela foi arrancada de si ontem.
— Está tudo bem? — A Sabaku despertou, ao notar o olhar vidrado da morena em direção à penteadeira. Havia sido difícil fazê-la dormir, mesmo não sabendo como Hinata ia acordar, estavam dando um passo de cada vez para não deixar a amiga desmoronar, até que alguma notícia do paradeiro do Otsutsuki chegasse.
— Claro que ela não está bem, Tema! — Tsunade passou a mão pelas costas da Hyuuga, tentando tirá-la de seus pensamentos.
— Não foi um pesadelo — constatou chorosa. Apertou seus olhos e as unhas na própria coxa, sentindo mais uma vez seu mundo desmoronar. Sua cabeça latejou, e o sangue em sua boca se fez presente. Mal notou que mordia seu lábio com tanta força, e, mesmo assim, não chegava perto da dor que habitava seu coração.
Abriu os olhos claros, fitando o teto, e percebeu a luz que invadia seu quarto. Olhou para a janela e pensou que os deuses também não estavam felizes por um casal que se amava tanto não estar junto. O cinza das nuvens contrastava com o verde do topo das árvores ao longe, as gotas de chuva grossas caíam em abundância, mostrando ao reino que, assim como sua rainha, o céu também chorava.
Do café da manhã ela não se recordava. Depois de ouvir Shikaku Nara relatar que seu filho ainda procurava por Neji, Hinata se viu atenta a toda movimentação de guardas pelo corredor. Mesmo sentada ao lado de suas amigas, não conseguia parar de pensar que alguma notícia poderia chegar a qualquer minuto, boa ou ruim. Seu desjejum se tornou a última coisa que ela deveria prestar a devida atenção.
No almoço, foi obrigada a comer uma torrada com chá, já que não havia tocado em seu prato. Suas amigas barganharam até fazê-la comer alguma coisa. Elas não entendiam? O amor de sua vida estava correndo perigo, sabe-se lá em que buraco, em algum lugar desconhecido do mundo, perto, longe, ferido, bem, com sede, fome? Eram tantas possibilidades que Hinata mantinha a angústia em seu peito e um bolo em sua garganta. Mantinha-se da melhor forma possível, e quando finalmente as amigas a deixaram sozinha, manteve Haru fora da biblioteca.
Pegou um livro, tentando não imaginar mais coisas, pois sabia que era bobagem sofrer por antecedência. Mesmo podendo ser engano, sentia em seu íntimo que veria os olhos claros mais uma vez. Fechou seus olhos, deixando cair mais algumas lágrimas. Levou a mão que pousava no livro e levou aos lábios, lembrando do último beijo, do primeiro, de todas as vezes que fora dele, e o imaginou ali, fazendo uma empregada tremer com sua voz autoritária, ou apenas conversando com sua rainha. Sentia tanta falta do seu guarda, que estava longe de si a um dia, e, mesmo assim, tentava afastar o pensamento da possibilidade de viver uma vida inteira sem ele.
— E como a rainha tem passado seus dias? — Jiraya perguntou, ao entrar na biblioteca, onde Tsunade revia alguns pergaminhos.
— Boa tarde, senhor Namikaze.
— Já falei para me chamar apenas de Jiraya, princesa.
— Só se me chamar de Tsunade. — Ela curvou os lábios, e o grisalho assentiu. — Hinata está se isolando. A falta de notícias a deixa apreensiva, o medo está tomando conta dela.
— Ela não pode se deixar levar, é isso que eles querem.
— Eu sei, eu e Temari estamos preocupadas, mas ela nos pediu para tomar conta do reino por enquanto. — Ela o olhou nos olhos e em seguida voltou a olhar os documentos.
— Entendo. Acredito que em breve teremos notícias melhores. — O homem sentou-se na poltrona do outro lado da mesa de madeira e admirou a loira em frente a si. — Já disseram que seus olhos parecem com o pôr do sol? — A Senju levantou a cabeça com as bochechas vermelhas, tais quais pimentões. Era a primeira vez que alguém mexia com ela dessa forma depois de perder o grande amor, Dan. Sentia as borboletas no estômago agitadas. Ela não conseguiu desviar o olhar dos olhos negros do homem, parecia estar hipnotizada. Algo nele era misterioso e ao mesmo tempo curioso.
— É a primeira vez. — Olhou para baixo, tentando continuar lendo o pergaminho, mas a verdade era que nem conseguia mais se concentrar no contexto daquelas palavras. Ele a deixava nervosa, como nunca havia ficado.
— Quando vou poder levá-la para o passeio de agradecimento? — Levantou-se, indo em direção à porta.
— Assim que Hinata voltar a assumir seus compromissos.
— Não poderei ir embora até lá, então… — A frase do homem fez ela sorrir, assim como ele que curvava os lábios, já de costas. — Nos vemos no jantar. — Cruzou a porta, deixando a Senju sozinha novamente.
Poucos minutos se passaram, até que mais uma vez sua paz foi interrompida. Não precisou olhar para saber que uma Temari risonha entrou no local. Sentia o olhar da princesa da Areia em cima de si, e, pelo canto dos olhos castanhos claros, sabia que a No Sabaku estava de braços cruzados e impaciente por respostas, mas primeiro Tsunade esperaria as perguntas.
— Fale de uma vez. — Não parou um único segundo de analisar a carta de seu tio, que contava as novidades sobre suas terras e o envio de mais cem homens para as buscas do guarda real de sua amiga.
— Não há nada a falar… — Sentou-se na cadeira à frente da loira da Folha. — Só observei mesmo…
Uniu suas mãos sobre o documento e fitou a Sabaku.
— E vai falar o que viu?
— Para você? Não… — Observou as próprias unhas antes de continuar. — Para Hinata, quando tudo isso passar? Talvez…
— Ouse… — A veia conhecida em sua testa saltou. Tsunade estava pronta para voar em Temari. Não seria chantageada.
— Ou o quê? Me expôs na primeira oportunidade.
— E posso fazer mais, se essa linda boquinha não ficar fechada. — Sorriu arrogante da cara que a princesa fez. — Ou acha que não sei dos corredores que o Nara faz a ronda, acompanhado por uma certa princesa?
— Não ouse… — Temari sentiu seu sangue gelar nas veias. Não precisava de ninguém falando de si pelos corredores.
— Então temos um acordo? — Esticou a mão direita por cima da mesa, esperando a Sabaku.
— Sim, temos um acordo. — Tentou devolver na mesma moeda a vergonha que a Senju a fez passar e acabou com mais um segredo seu na mão da loira. — Mas não pense que vai esconder isso da Hina.
— Se der certo e quando tudo passar, eu mesma falo com minha amiga.
— Tem certeza de que esse é o lugar correto? — O homem confirmou mudo antes de sair da cozinha do castelo.
Deu alguns passos para frente, mas tomou o caminho contrário ao inicial. Passou pelas celas vazias da fortaleza Uchiha e em uma delas entrou, arrastou a porta de grades enferrujadas, fazendo o mínimo barulho possível. Observou se não estava sendo seguido e, atrás da cama precária de madeira, a arrastou o suficiente para sua passagem. Abriu o canto da parede de pedra, onde havia uma de aparência grande, mas nada pesada, solta. Tomou o lugar no pequeno espaço e fechou a abertura atrás de si.
Deu alguns passos e encontrou o caminho tão conhecido. Não era uma conspiração, porém Itachi andava por seu próprio lar se esgueirando pelos cantos para encontrar um grande número de homens que ele mesmo treinou. Depois que o espião de Neji e Hinata foi solto por ele, resolveu não ficar mais distante dos acontecimentos da possível guerra entre Uchiha's e a Hyuuga. Sozinho, no meio da noite, fez o mesmo caminho que trilhava agora, pela galeria desativada de dejetos do castelo. E depois de alguma pesquisa em sua biblioteca, descobriu que dali teria acesso aos dormitórios de seu exército, o mais próximo ao da saída que subia agora os degraus, o seu pelotão.
Não precisou de muitas explicações para convencer os homens de que Madara havia perdido completamente seu juízo e, assim, começou seu plano. Um soldado por vez era convocado, com paciência e sem alarde. Os antigos homens de confiança de seu pai passaram a enxergar a verdade absoluta que ninguém conseguia ver: o rei estava louco.
Itachi estava perto de Fuyuki, que passou seu relatório:
— Encontramos o lugar onde o noivo da rainha está. Organizei um grupo pequeno de busca, sem armaduras, apenas armas, que serão escondidas em uma carroça. Não sabemos quantos homens Deidara levou.
— Está perfeito, confio plenamente em você. — O príncipe pousou a mão no ombro do soldado, depositando toda a confiança que havia nele.
— Quando estiver pronto, senhor. Estaremos próximos à entrada sul do castelo. — E assim Fuyuki saiu, deixando um príncipe apreensivo para trás.
Queria encontrar Neji e o devolver em segurança antes que Madara o prendesse nas terras do Fogo. Levaria ele até Hinata o mais rápido possível para impedir que mais uma lágrima pudesse tomar os belos olhos da Hyuuga. Começou a movimentar seus homens mais rápido assim que soube que o futuro rei foi capturado e não ficou surpreso quando descobriu que Deidara estava envolvido a mando de seu pai.
Madara podia ter planejado destruir Hinata com essa jogada, mas passou a ser visto como perseguidor de uma rainha tão amável aos olhos de seu próprio exército. O homem que nunca perdeu uma batalha errou em sua estratégia e, nesta parte, seu filho era melhor que o pai. Saiu do local, voltando ao castelo mais calmo, sentindo que Neji logo seria encontrado e a pequena Hyuuga finalmente deixaria de sofrer.
Não fazia sentido, era o que se passava na cabeça do Nara. Todo o perímetro já havia sido explorado e, mesmo assim, nos arredores não havia mais pistas de Neji e de quem o levou. A grama parecia intocada, não havia marcas de pegadas ou folhas reviradas, não havia um buraco para se enfiar e magicamente desaparecer. Tinha que ser ali. Riscou a parte que o pai fez anotações e começou as próprias. No mapa da área também fez riscos, negando com a cabeça, calculando por si só um novo rumo com as novas informações que colheram ao buscar por dias seu futuro rei.
Há muitos dias andavam em círculos, explorando os mesmos locais, pois tudo os levava até ali. O homem que levou Neji deveria ter conhecimento da área, tanto que encontrou alguma caverna ou gruta para se esconder. Não, talvez uma cachoeira como as muitas que havia ali. Cachoeiras, Nara? Acaso ficaram submersos todas as vezes que os guardas chegavam perto… A não ser…
— Você! — Apontou para o homem mais novo do grupo, que seu pai mandara especificamente por ser morador da parte mais fechada da floresta. — Conhece alguma cachoeira com algum tipo de fundo oco?
— Atrás da queda? — Shikamaru acenou concordando. — Umas duas ou três, não lembro bem.
— Alguma perto daqui? — o moreno indagou.
— Na verdade, duas delas ficam bem próximas. A primeira a uns três quilômetros e a segunda a um pouco mais de sete.
Foi o suficiente. Shikamaru se levantou apressado, guardou os papéis de seu pai e os com as suas anotações, chamou os outros homens, que descansavam um pouco mais longe, e deu a ordem.
— Nos dividirei em dois grupos. Kiba, vá com estes três. — Apontou os homens que alimentavam os cavalos. — Eu levarei os demais.
Chegou perto do local, pedindo silêncio aos seus homens. Deixaram os cavalos longe para não levantar suspeitas e, se esgueirando pela mata alta, ficava em guarda, enquanto os outros soldados cercavam a área. Suava frio em nervosismo, rezando para que tudo aquilo acabasse, por temer pela segurança do futuro rei e a saúde da rainha, que poderia não aguentar tanto sem o noivo.
Viu a aproximação de dois homens pela direita e um pela esquerda da queda d'água, esperou alguns segundos e o assovio que combinaram foi feito pelo Nara. Os homens rapidamente entraram no local indicado pelo garoto, que, com outro grupo, tomava a caverna mais próxima do antigo acampamento dos guardas da Lua. Apreensivo pela falta de movimentação, Shikamaru não mais esperou por algum sinal, se levantou do esconderijo e seguiu o caminho feito por seus subordinados.
O local era úmido e sujo, como se podia imaginar, e abandonado à primeira vista, mas algumas pistas deixavam claro que alguém passou por ali e não fazia muito tempo. O Nara se agachou, sentido ainda a brasa do fogo recém apagado em um amontoado de galhos finos, provavelmente o bandido e Neji passaram alguns dias ali. Levantou-se, caminhando por todo o local, prestando muita atenção em cada detalhe. Gostava de ser meticuloso em suas buscas, qualquer coisa deixada para trás poderia ser de extrema importância.
Pisando firme no chão coberto de palha seca, sentiu seu pé encontrar algo mais duro. Ao voltar e se aproximar, viu que Neji Otsutsuki estava ciente de que o Nara era quem faria sua busca. Sorriu ao pegar a insígnia com o brasão do reino da Lua, que o comandante da guarda real sempre levava em seu manto.
— Neji esteve aqui. — Mostrou o broche para seus homens.
— Mas não está, por que o sorriso? — um deles perguntou afoito.
— Porque o futuro rei está vivo — o Nara disse simplista, antes de sair da gruta.
Pegou suas folhas e rapidamente escreveu uma carta ao seu pai. Sua rainha ainda não teria seu amado por perto, mas dormiria um pouco mais tranquila sabendo que o Otsutsuki estava bem; vivo e bem.
Assim que a ave pousou na torre de comando, um dos guardas pegou a carta e foi até Shikaku depressa. O Nara abriu e, percebendo a importância da notícia, correu até a biblioteca, onde sabia que encontraria as princesas, que estavam encarregadas de ficar a cargo de tudo, enquanto Hinata estava debilitada. Bateu à porta com os nós dos dedos várias vezes, esperava ser atendido de imediato, a informação precisava chegar até a rainha. A Sabaku abriu a porta e viu o pai de Shikamaru — futuro sogro, quem sabe — com uma expressão de desespero.
— Boa tarde, princesa Temari. Precisamos levar essa carta com urgência para a rainha Hinata. — Ele mostrou o papel em sua posse.
— Entre. — A loira deu espaço para ele adentrar o ambiente, e, em seguida, o estrategista do conselho viu Tsunade sentada na cadeira que costumava estar a rainha.
— O que houve? — A Senju arqueou a sobrancelha, recebendo o papel em seguida. — Neji está vivo? — Ela olhou para o homem e logo voltou os olhos castanhos para a outra princesa. — Neji está vivo, Temari!
— Vamos, precisamos levar até Hinata. — As duas saíram correndo pelo corredor extenso até os aposentos reais, onde abriram as duas portas com força.
— Hina! — Tsunade gritou.
— Não estou afim… — A voz era baixa e cansada.
— Neji está vivo! — As duas loiras exclamaram, interrompendo a rainha.
— Como? — Ela ergueu-se, ficando sentada na cama, e a Senju entregou a carta de Shikamaru. — Graças aos Deuses.
— Isso quer dizer que eles não vão matá-lo, Hina. Caso esse fosse o objetivo, ele já estaria morto. — Temari sorriu.
A esperança preencheu o peito de Hinata. Era o que ela precisava, uma notícia boa para lhe reerguer e tomar as rédeas da situação. Ela tinha dito a si mesma que faria de tudo para proteger o seu amado, assim como ele a protegia. No entanto, na primeira situação difícil, ela se isolou e passou seus dias chorando. Chega. Ela iria até o fim para salvar Neji Otsutsuki, seu guarda pessoal, general, noivo e futuro rei do reino da Lua.
Itachi mapeava a área, o mesmo local que horas antes Shikamaru e os homens treinados por Neji estavam. Fez um sinal mudo com o punho no alto, e seus homens se recolheram. Voltariam para o reino do Fogo e chegariam ao castelo ao amanhecer. O Uchiha pedia aos deuses que o Otsutsuki estivesse são e salvo nos braços de Hinata.
Montou em seu cavalo e, com toda pressa, seguiu para suas terras. A madrugada seria corrida, não poderia deixar que seu pai ou irmão dessem por sua falta no castelo. Infelizmente, só pôde ir atrás da pista que seu guarda descobriu sobre o noivo de Hinata quando todos os homens que o vigiavam a mando de seu rei tivessem se retirado. Com o turno trocado por soldados que o Uchiha infiltrou, foi simples deixar a fortaleza e encontrar o grupo que seguiria rumo à liberdade do homem que seu pai perseguiu por motivos banais.
Depois de algumas horas, o sol já nascia nas costas dos homens da guarda de confiança do herdeiro do país do Fogo. Itachi colocou um pouco mais de força na cela, apertou seus pés no estribo e se inclinou para frente, sentindo o vento frio chicotear seu rosto, fazendo seus longos fios negros voarem por todas as direções. Avistou o portão sul, onde seus aliados os aguardavam, e abriram rapidamente os portões para que o grupo passasse.
Itachi desceu de seu cavalo, deixando tudo que usou aos cuidados dos guardas, e silenciosamente partiu rumo ao próprio quarto. Trancou a porta assim que chegou em seus aposentos, trocou de roupa, pois sabia que não havia tempo até que o próximo turno de soldados que obedeciam ao seu pai tomasse posição em seus postos. Seu irmão não deveria demorar muito mais, então desfez a arrumação da cama, bagunçando como se alguém de fato tivesse dormido ali e se sentou na poltrona confortável, esperando o mais novo.
A porta foi ouvida menos de uma hora depois de sua chegada, deu tempo apenas para um cochilo sentado em sua poltrona. De qualquer jeito, parecia o suficiente, pois, em um pulo, estava destrancando a fechadura e sorrindo para receber seu irmão. Tal foi sua surpresa quando, em vez de Sasuke, seu pai entrou em seu quarto sem pedir licença e se sentou na cadeira que o príncipe ocupava há pouco.
— Vim mais cedo, mas parece que não estava.
— Fui à vila.
— Ficar com alguma mulher suponho. — O pai sorriu largo, muito orgulhoso.
— Algo assim.
— Não gosta de falar de suas aventuras. Entendo que, diferente de Sasuke, sua mãe conseguiu criar ao menos um príncipe. Eu respeito isso, meu filho. — Levantou-se, indo de encontro ao filho, e pousou a mão esquerda no ombro do herdeiro.
— O que veio fazer aqui tão cedo, pai?
— Tenho um presente para você, estava muito preocupado com seu sumiço. — Exclusão, pensou Itachi. — Eu sei o motivo disso e, como o pai bondoso que sou, encontrei uma maneira de colocar um sorriso nesse rosto bonito. Vamos?
Não era uma pergunta, o Uchiha sabia, seu pai não era capaz de tal educação. Madara seguiu para fora do quarto e o filho foi atrás. Para outros, seguir o grande rei do Fogo para um local desconhecido despertaria pânico, mas Itachi havia feito seu trabalho pelas sombras, e, por onde passava, via o seu sinal.
Pelos corredores, inúmeros soldados mantinham os dois punhos fechados e baixos, ao contrário dos homens que serviam seu pai, que mantinham a mão direita em sua espada e a outra ao lado do corpo. O número o surpreendia e mais ainda seu tão sábio e terrível pai, ganhador de inúmeras batalhas, não ter percebido.
Caso estivesse indo de encontro com a morte, não tinha nenhum arrependimento ou preocupação, fez o que achou certo e levou à risca todo o aprendizado que recebeu de seu pai e das guerras que lutou com ele, os usou contra o mentor, no entanto, isso não o fazia diferente do homem que agora tomava o caminho das masmorras.
Respirou fundo assim que o rei parou, observou a quantidade absurda de homens na galeria que cheirava a mofo, e na cela do setor leste, de número três, depois de muito tempo, mais uma vez olhou fundo nos olhos perolados.
— Está aqui, meu filho. — Madara sorriu, apontando para o prisioneiro. — Sua vingança.
Itachi observava os olhos tão claros quanto os da mulher que ele amava com o cenho franzido. Seu pai estava mesmo falando sério?
— Pai, não quero vingança, eu… — Foi interrompido pelo rei.
— Deixe de bobagem. Arrisquei demais trazendo esse monte de lixo sem valor até aqui. Hinata não aceitará esse plebeu sem comprar uma guerra. O tirei do meio das pernas da mulher que deveria ser sua.
— Eu não vejo dessa forma, pai. — Estava tentando não colocar em prática seu plano, mas só mais uma palavra errada de seu pai, ele não contaria nos dedos os golpes que desferiria contra o rei.
— Vai dizer que não gostaria de tomar aquela mulherzinha arrogante? — debochou. — Até eu pediria minha nora emprestada ao menos uma vez. Ela me deve pela vergonha que me fez passar. Onde já se viu, negar um Uchiha?
Itachi enxergava tudo em câmera lenta ao abrir seus olhos após ouvir todas as besteiras que seu pai falava de uma mulher tão amável quanto Hinata. Neji derramou uma única lágrima ouvindo as palavras grosseiras de Madara para se referir à mulher que ambos amavam. Sabia o quanto doía, pois apertava seu peito e dilacerava seu interior. Piscou com mais força ao ouvir as risadas exageradas do rei, que debochava com os guardas, que concordavam com sua visão deturpada de como se tratar uma mulher.
Pediu que retirassem Neji da cela. Sem proferir nenhuma palavra, o Otsutsuki viu os olhos do herdeiro tomados de um vermelho vivo, parecidos como os que ouvia alguns soldados dizerem quando um Uchiha estava em batalha. Seus inimigos viam o vermelho de seu próprio sangue refletido no negro sem empatia dos matadores cruéis das terras do Fogo. Não teve medo, se sentiu agradecido por sua vida. Seus pais, seu rei e sua rainha. A noiva que amou por tão pouco tempo, mas de uma forma arrebatadora e sem arrependimentos. Com toda a força que havia dentro de seu corpo, ele inteiro, seu coração e alma pertenciam a Hinata. Esperou seu fim ajoelhado entre Madara e Itachi, que não poderia fazer nada para salvá-lo, mesmo sendo seu aliado.
Itachi desembainhou Totsuka, a espada de seus antepassados, que era dada aos herdeiros até que o próximo Uchiha nascesse para tomar o lugar de seu antigo dono. Assim como seu pai, a apoiou no ombro do soldado da guarda real do reino da Lua e acenou com a cabeça.
O golpe que Neji esperou não veio, porém teve certeza de ouvir o metal cortando o ar. O medo de ter se enganado e já estar morto o impedia de abrir seus olhos. A teimosia foi maior que seus temores quando pensou ver a luz dos deuses, algo pingou em sua cabeça e ele abriu as orbes claras. Alguém já desamarrava seus braços, antes presos às costas. Suas mãos foram ao líquido que caía por seu cabelo. Curioso, passou os dedos pelos fios marrons e trouxe até onde poderia ver. Ao notar sangue, se assustou.
— Não se preocupe, é Uchiha. — Itachi retirou Totsuka do lado esquerdo do peito de seu pai.
Neji olhou para os lados e muitos guardas matavam outros. Estava tão atônito por estar vivo que sequer conseguia formular uma pergunta, e haviam tantas passando por sua mente agora. O príncipe continuava dando ordens aos soldados de pé, como se não houvesse acontecido ali um golpe de estado. Olhou para o lado, vendo o rei, agora morto, caído no chão, ainda de olhos abertos.
— Sasuke? — Itachi perguntou.
— Está em seus aposentos. Seis homens aguardam suas ordens, senhor — um dos guardas respondeu.
— Certo. — O Uchiha encarou Neji. — Está tudo bem? Tem fome, sede? Há algo que eu possa fazer?
— Na-não… — Foi ajudado pelo príncipe a se levantar. — A Hina?
— Não sabe de nada ainda. Mandarei cartas e, depois de alguns dias, quando se recuperar, vou levá-lo de uma vez. Também preciso de um tempo para organizar meu reino. — Guardou a espada em sua cintura e continuou: — Ela não deve estar nada bem, deve estar precisando de você.
Neji acenou, não entendendo muito o acontecido. Acompanhou o Uchiha pelo castelo, ficando em um aposento e vendo o novo rei saindo logo em seguida. O Otsutsuki olhou ao redor, se sentando na cama macia. Há tempos não tinha uma boa noite de sono, e o cansaço lhe corroía os ossos, mas só dormiria tranquilo com ela. Viu uma muda de roupa ao seu lado, pensou que um banho poderia lhe renovar as energias e dar a força que precisava para acompanhar Itachi de volta ao seu lar.
Hinata andava de um lado para o outro na biblioteca, lendo os pergaminhos que tinham chegado em sua ausência. As duas amigas a seguiam com os olhos e esperavam atentas alguma reação ou palavra sair da boca da rainha. A Hyuuga se jogou na poltrona e mirou as duas, que estavam com cara de que queriam falar algo.
— Desembuchem.
— O quê? Eu não tenho nada…
— Ah, conta outra, Temari — Tsunade ralhou com a loira. — Conta logo que seu irmão 'tá vindo matar um dos melhores soldados de Hinata.
— Como é que é? — A morena arregalou os olhos e levantou em um sobressalto.
— Ele não vai matar o Shika, Tsunade! — a No Sabaku berrou.
— Isso é o que veremos. — A Senju cruzou os braços.
— E você? Já falou que está apaixonada pelo cara que tem quase o dobro da sua idade? — As duas começaram a discutir, e Hinata não estava entendendo mais nada.
— Chega! — As duas calaram-se e viraram para a rainha. — Pedi para vocês tomarem a frente do meu reino e não transformarem em um circo! — Bufou. — Uma de cada vez, me atualizem. — Sentou novamente. — Céus, por que vocês tinham que ser tão parecidas? — Bateu na mesa com a palma da mão e encarou as duas, esperando explicações.
— Eu mandei uma carta para o Gaara…
— E?
— Dizendo que me apaixonei por Shikamaru Nara e que queria casar com ele.
— Por Deus, Temari, podia ao menos ter ocultado o nome. — Hinata massageou as têmporas.
— Eu disse. — Tsunade empinou o nariz.
— Nem pense que me esqueci de você. — A Hyuuga torceu os lábios, olhando para a Senju, que abaixou a cabeça. — Quem é o homem misterioso? Me diga que não é ninguém do meu exército, já basta eu e a Temari. — Rolou os olhos, suspirando. — Chega de dificuldades em casamentos.
— É… Não, não é de seu exército, Hina. — A loira engoliu em seco e mordeu o lábio. — É o Jiraya.
A boca de Hinata queria abrir, mas segurou com toda a força que pôde. Sabia que ela tinha ficado interessada, ou não teria ficado envergonhada quando Neji comentou sobre ela ser responsável pela melhora do homem. No entanto, apaixonada era uma coisa que ela não esperava. Não sabia o que dizer, o que pensar. Ela estava apenas tentando se distrair para não pensar em que condições Neji se encontrava e acabou com dois problemas para resolver. Pois, claro, não deixaria suas amigas na mão. Primeiro, precisava saber o que Tsunade estava querendo fazer quanto ao que sentia, então perguntou.
— Eu, honestamente, não sei. Queria apenas conhecê-lo mais… Depois do Dan eu… quero ir devagar — a Senju falou, com certa dor nas palavras, a amiga sabia bem do que ela falava, pois Tsunade fugiu para o reino da Lua para chorar no colo de Hinata quando tudo aconteceu.
— Tudo bem, então, por enquanto… preciso focar no rei enfurecido querendo matar o melhor capitão do meu exército. — Mirou Temari, que abaixou a cabeça tomada pela culpa.
— Perdão, Hinata.
— Não peça perdão por amar, Temari. Vocês se amam, e vou fazer o possível e o impossível para ajudá-los. Se Gaara apoiou meu casamento, terá que apoiar o seu. — Ela curvou os lábios, mostrando seu apoio à amiga. — Tsunade, diga para Shikaku enviar uma carta pedindo para o Nara voltar ao castelo.
Pela primeira vez em dias, conseguia tomar seu café da manhã de forma tranquila. Estava comendo suas frutas, devagar, para não causar vômitos, afinal, passou muitos dias sem se alimentar de forma correta. Tsunade estava sentada ao seu lado esquerdo, seguida de Jiraya ao seu lado, e, do outro, Temari, que estava um tanto apreensiva. A Hyuuga franziu o cenho, queria entender o que se passava na cabeça da amiga, porém iria fazer essa pergunta mais tarde, ou pelo menos foi o que ela achou que faria.
— Temari No Sabaku! — Ouviu a voz grossa ecoar pela sala de refeições, chamando atenção de todos ali presentes. — Cadê o infeliz que ousou conquistar a minha irmã?
— Gaara, bom dia. — Hinata sorriu solícita. — Sente-se, vamos tomar café da manhã.
— Eu não vou…
— Sente-se. — A rainha foi mais firme, o interrompendo, e o ruivo apenas acatou, se sentando ao lado da princesa Temari. Tsunade e Jiraya apenas olhavam calados a rigidez da rainha, que era esporádica. — Como foi a viagem?
— Ótima — falou entre dentes.
— Fico feliz. Agora se alimente, depois discutiremos o casamento de Temari.
— Ela não vai…
— Depois. — Ela o cortou, mirando os olhos perolados nos verde água com repreensão.
Terminaram a refeição com a tensão pesada no ar. Hinata observava o olhar assassino do rei da Areia para a irmã. Teria que pensar de forma rápida para resolver o possível problema que viria logo após a sobremesa. Levantou-se, pensando na melhor estratégia para convencer o Sabaku que Temari estaria em boas mãos, caso ele permitisse o cortejo. Olhou por cima do ombro e pediu muda para que Haru lhe fizesse um pequeno favor. O guarda saiu de sua visão rapidamente e, quando a morena chegou à biblioteca, os guardas que faziam a sua segurança abriram as portas. Ela entrou e tomou seu lugar, esperando os irmãos adentrarem o local. Estranhou a outra loira atrás de Gaara, mas se nenhum dos dois fizesse questão, deixaria a fofoqueira Senju no local, mal não ia fazer.
Uniu suas mãos no colo, enquanto seus guardas fechavam as portas para dar privacidade a rainha, seus convidados e a princesa sem educação. Sem enrolação, o Sabaku começou seu discurso.
— Onde infernos você pensa que estava quando achou que arrumar um namorico nas minhas costas não me deixaria irritado?
— Peço que não grite com Temari, Gaara. — Hinata capturou a atenção do ruivo. — Sua irmã é uma mulher forte e treinada por mim para fazer as melhores escolhas.
— Não é sobre isso, Hyuuga. — Voltou o olhar para a princesa. — Temari traiu minha confiança, sei bem que minha irmã não é confiável.
— Eu nunca passei dos limites com Shikamaru. Sou uma princesa, ajo como tal. — Tsunade engasgou, tentando prender o riso, e denunciou sua presença.
— Nem sua amiga acredita em suas palavras… — O rei da Areia bufou, passando os dedos pelos fios ruivos, imaginando o tamanho do problema que sua irmã traria.
— Posso falar uma coisa? — A Senju se aproximou da mesa. Não recebendo recusa, continuou: — Eu ri, pois gosto de tirar com a cara da Tema, mas tudo que eu vi pelos corredores foram dois apaixonados.
No momento que disse, se arrependeu. A cara do Sabaku, o revirar dos olhos de Hinata e o pequeno movimento de Temari ao encolher os ombros denunciava que o rei ia explodir.
— Pelos corredores?! — Bateu sua mão na mesa de madeira, fazendo a pena que pousava ali virar junto com o tinteiro. — Temari, eu mesmo faria picadinho de você, não fosse meu respeito pela Hyuuga.
— Tem que manter a calma, Gaara. — Hinata se pôs de pé e tentou tranquilizar os ânimos, mas tudo piorou quando Haru voltou com Shikamaru atrás de si. Assim que o soberano da Areia pousou seus olhos no Nara, o moreno arregalou os olhos.
— Você! — Saiu apressado do lado da irmã, derrubando a cadeira que estava. Correu atrás do Nara, que se escondeu atrás do guarda da Hyuuga e depois buscou abrigo na princesa Tsunade. — Se é tão homem para andar pelos corredores com minha irmã, por que não me enfrenta?
Tsunade esperava ser acertada por algum golpe, quando ouviu a amiga gritar:
— Parem de agir feito crianças! Sentem-se agora mesmo, Gaara. — Apontou a cadeira que estava no chão. — Nara. — Apontou o lugar ao seu lado, onde o guarda havia colocado uma cadeira. — Tsunade. — A amiga foi até seu encontro e tomou o lugar ao lado de Shikamaru. Respirou fundo, buscando paciência. — Todos somos adultos. Podemos resolver isso sem brigas e sem gritos. Estou voltando às minhas atividades aos poucos, peço calma.
Depois de um longo minuto de silêncio total, Nara tomou a palavra.
— Sei que não foi da melhor forma. Eu queria ter a oportunidade de eu mesmo ir até seu reino e pedir que vossa majestade aceitasse meus sentimentos por Temari, mas o sequestro de meu futuro rei aconteceu, e eu tive que adiar minha ida, por ser o comandante da missão de resgate. Assim que minha rainha estivesse bem ao lado de seu noivo, eu pediria dispensa a Neji.
— Mas ela não esperou. — Tsunade completou, fazendo careta.
— Como pode ver, Gaara, meu comandante não quer brincar com os sentimentos da princesa. Eles se amam e querem ficar juntos com a sua benção.
— Não posso permitir. — O Sabaku fechou os olhos e manteve assim, Hinata assistiu à birra de um governante adulto, cheio de vontades e que não aceitaria perder.
— Bem, tenha em mente que se não os abençoar, eu o farei e ficarei muito feliz por não perder um ótimo soldado e ganhar uma amiga e uma diplomata formidável para ficar perto de mim.
Temari não era uma menina, era uma mulher, capaz de tomar suas próprias decisões. Talvez faltasse Gaara parar de olhar para ela como uma irmãzinha indefesa e a olhasse como mulher que se apaixonava e queria ter uma família. O Sabaku sempre foi muito protetor, mesmo sendo o mais novo, protegia Kankuro e Temari, pois sua personalidade sempre foi mais forte. Contudo, ele não poderia protegê-la contra o amor, esse era um sentimento forte demais para ser impedido.
— Gaara, eu não fiz pelas suas costas, apenas… aconteceu. — Temari começou, e o ruivo bufou. — Não foi como se eu planejasse. — Ela olhou para Shikamaru e curvou os lábios.
— Me poupe do seu… — Batidas na porta foram ouvidas, interrompendo o Rei da Areia.
— Entre — Hinata ordenou, queria acabar com aquela discussão sem fundamentos mesmo. Haru entrou, fechando a porta atrás de si, e ficou em frente à rainha, em pose de respeito. — Sim, Haru?
— O rei Hashirama e o irmão dele estão aqui, alteza. — A Hyuuga franziu o cenho e mirou Tsunade, esperando alguma explicação.
— Não olhe pra mim, eu não fiz nada. — A Senju levantou as mãos em sinal de rendição.
— Depois terminamos nossa reunião, Gaara. Haru, mostre os aposentos para o rei. — Hinata levantou e foi em direção à porta.
— Sim, majestade — o guarda a reverenciou, abrindo a porta.
A Hyuuga caminhou pelos corredores com as duas amigas atrás de si e Shikamaru atrás delas. A rainha parou, fazendo os outros pararem de imediato. Ela virou, encarando o Nara e disse:
— Você, vai fazer a minha guarda pessoal até meu noivo voltar. Não quero… você sabe. — Passou a mão pelo pescoço, fazendo o moreno engolir em seco. — Chega de tragédias, não quero ter que começar uma guerra com o rei da Areia por ter matado o meu melhor capitão. — Deu as costas e continuou seu caminho até o salão principal, onde estavam duas surpresas.
— Tsunade! — Hashirama disse, ao avistar a filha, a abraçando com carinho. — Hinata. — Abraçou sua filha do coração.
— As duas parecem muito bem, eu falei para você. — Tobirama abraçou sua sobrinha e em seguida a Hyuuga.
— Do que estão falando? — Tsunade perguntou, com uma linha entre as sobrancelhas. — Por que não estaríamos bem?
— Recebemos uma carta urgente de Itachi Uchiha pedindo uma reunião aqui no reino da Lua — o rei da Folha se pronunciou.
— Itachi? — Hinata ficou confusa.
— Sim, após a reunião que foi interrompida pelo rei do Fogo. — Tobirama revirou os olhos. — Ex rei, não sei. O filho do verme me mandou uma carta, assim nos correspondemos secretamente por algumas semanas.
— E o que o herdeiro queria? — Tsunade ergueu uma sobrancelha. — Confiou em um Uchiha, tio?
— Ele queria ajuda para destituir o próprio pai — Hashirama respondeu à filha, e os olhos de Hinata, Tsunade e Temari saltaram.
— E conseguiu? — Shikamaru tomou a atenção dos Senjus.
— Bom, tudo deve ter corrido como o menino planejava. Em suas últimas cartas, ele disse que haveria um momento que só faria contato quando tudo estivesse resolvido — o rei da Folha concluiu.
— E se tudo resolvido for a morte de Madara? — Tsunade ponderou.
— Eu vim ansioso por isso, minha sobrinha. — Tobirama bateu as mãos, recebendo a desaprovação do rei, e, mesmo assim, continuou. — Não sabe o quanto eu sonhei com esse dia!
— Sobre Neji, teve alguma atualização? — a Hyuuga perguntou ao rei da Folha, ignorando a pequena comemoração de tio e sobrinha.
— Ainda nada, pequena. — O Senju abraçou a monarca em um gesto acolhedor. Por mais que a saudade machucasse seu interior, mantinha o sorriso pequeno para receber seus convidados. Custava muito acreditar que aquele pesadelo iria acabar.
— Seu pai não vai mesmo ficar bravo com você? — O homem andava observando o local bem cuidado.
— Se meu pai não gostar, o problema é dele, é com meu tio que deveria se preocupar. — Gargalhou da cara de espanto do Namikaze.
— Seu tio é assustador. — Coçou a nuca, claramente desconfortável com a presença da família de Tsunade no castelo.
— Para quem não o conhece, talvez. Eu e Hina já não tememos a carranca, é até comum.
— É fácil dizer quando você não é o homem que… — Parou perto de uma árvore afastada e olhou para a loira.
— É o homem quê?
— Que quer namorar sua sobrinha. — Jiraya jurou ter ficado vermelho naquele instante, mas estava sendo totalmente sincero.
Encantou-se com a loira médica no momento que viu seus belos olhos castanhos apreensivos. Os cuidados da Senju foram excepcionais, e sentia que só se curou por ser tratado por ela. Jamais viu beleza tão pura condizente com as habilidades únicas de se poder salvar uma vida.
— Não seja apressado — a princesa murmurou sem jeito, mal notando que o primo do rei das terras do Sol começava a encurralá-la entre seu corpo e o tronco da árvore.
— Na verdade, sinto que esperei por você tempo demais. — Com uma mão apoiando seu peso contra o tronco e com a outra pousada na cintura feminina, foi se aproximando.
Tsunade conhecia bem aquela sensação em seu estômago. Seus olhos se fecharam lentamente, sentiu o hálito quente do Namikaze bem perto de sua boca, cada vez mais próximo. Esperou pelo que achou tempo demais e, depois de uma eternidade, sentiu pela primeira vez em anos o mundo desaparecer ao seu redor.
Desta vez não havia família, amigas, amores antigos. Era apenas dois seres compartilhando um mesmo sentimento que amedrontava e dava anseio. Os fazia temer e entrar em euforia, os instigava e fazia querer se afastar de tudo, do mundo que era trabalhoso demais, perto de algo tão simples quanto sentir. O ar faltou no meio do beijo mais intenso que ambos já sentiram, e, depois de desfazer o toque dos lábios, já sabiam que tudo a partir daquele momento iria mudar.
Itachi andava pelo castelo com mais dez homens junto de si. Estavam buscando todos os soldados que ainda apoiavam o antigo rei. Mandou levar cada um deles para o grande salão do trono. Assim que Shisui, capitão de um dos pelotões, o avisou que todos estavam no salão, o herdeiro respirou fundo para se preparar. Caminhou com seus homens até o local e viu dezenas de soldados com uma expressão confusa.
— O rei está morto! — Itachi gritou, ao se posicionar em frente ao trono. — Eu o matei. — Burburinhos foram preenchendo o salão, e dois guardas bateram as lanças no chão para que fizessem silêncio. — Como alguns sabem, meu pai estava orquestrando uma conspiração contra o reino da Lua, o maior reino dentre todos os outros. — O Uchiha suspirou. — Madara queria unir os nossos reinos através do casamento entre mim e a rainha Hinata, porém fui rejeitado, e meu pai não lidou bem com a situação, sequestrando o futuro rei. — Itachi ponderou as palavras e colocou as mãos para trás antes de continuar: — Vocês sabem o que aconteceria caso o futuro rei fosse morto em nossas terras, não sabem?
Alguns soldados pareciam irritados com aquilo tudo, pois concordavam com o pensamento deturpado de Madara. O reino do Fogo sempre quis resolver tudo através de guerras, por isso tinham perdido tantos. Itachi queria fazer um reino diferente, queria usar a razão e a inteligência, ao invés do lado selvagem e bárbaro do ser humano. Ele queria poder fazer tratados que realmente beneficiassem seu povo e não somente o armasse para batalhas. Estava cansado de tanto sangue derramado.
— Não quero mais guerras! — o novo rei do Fogo exclamou. — Quero um reino farto, rico e próspero. Quero o bem de meu povo. E quem não concordar com o novo reinado, pode falar agora.
Depois do discurso do rei, alguns soldados foram presos por não aceitar o golpe contra a coroa, entretanto, Itachi foi amparado pelo conselho desde o início. Todos achavam que Madara estava completamente perdido em suas prioridades e precisava ser deposto. O herdeiro do trono não sabia que precisaria matar seu pai, tinha noção que poderia chegar a esse extremo, mas não que seria tão fácil matá-lo. Depois de tudo, a verdade era que ele não sentia mais nada por Madara. Subiu a escada com seu capitão e braço direito no exército em seu encalço, Shisui não deixava ele sozinho desde que compartilhou a ideia do golpe. Itachi respirou fundo e bateu na porta do quarto do seu irmão, que era vigiado por seis homens.
— Entre. — A voz do caçula foi-se ouvida abafada pela porta grossa de madeira, que Itachi não tardou a abrir. — Então? O que o nosso pai queria?
Foi nessa pergunta que Itachi entendeu que Sasuke estava tão no escuro quanto ele. Achava que teria que prender o irmão até ele se arrepender de seus feitos, mas ele estava apenas seguindo ordens.
— Nosso pai está morto, Sasuke — falou sem rodeios e viu o seu irmão sem reação. Pela primeira vez, não conseguiu identificar uma emoção em Sasuke. — Eu o matei. — Os olhos negros antes fixados no chão foram diretamente para Itachi arregalados.
— Do que está falando, Itachi?
O moreno de cabelos longos respirou fundo e se aproximou do irmão devagar, passando as mãos pelos cabelos tão negros quanto os seus.
— Ele estava conspirando contra o reino da Lua. Ele sequestrou o futuro rei, queria que eu o matasse.
— O quê? Eu achava que… Ele disse que estava conversando com a rainha Hinata, estava tentando fazê-la mudar de ideia.
— Não era isso, Sas. Ele queria tomar o reino da Lua, assim como fez com as terras da Folha anos atrás.
Itachi se permitiu chorar junto ao seu irmão quando o caçula o abraçou forte. Não chorava pela morte de seu pai, mas, sim, por Sasuke, que tinha admiração por alguém que não era o que ele imaginava. Naquele momento, ele tinha descoberto o monstro que o antigo rei era. A única coisa que ele não queria era que Sasuke sofresse, todavia, foi um sacrifício que ele precisou fazer.
Após o rei deixar tudo nas mãos do conselho por um breve período de tempo, chamou Neji e soldados de sua confiança para escoltá-los até o reino da Lua. Os reis já deveriam ter chegado ao castelo de Hinata, e com o curto caminho, no fim da tarde chegaria para a reunião que esclareceria todos os fatos.
Hinata esperava pelo jantar conversando em sua sala de visitas com seus convidados. Deu falta de Tsunade assim que viu a amiga entrar de fininho pela porta lateral do local. Ficou instigada a perguntar naquele mesmo instante, mas, ao observar Temari segurando o riso entre os lábios, os tapando com uma mão, entendeu o que se passava. Negou com a cabeça, sorrindo. Sua amiga se achava tão esperta, porém não era um terço do que acreditava.
Shikamaru estava ao seu lado e se remexia impaciente, e ela sabia bem o motivo. Os olhos verdes intensos do rei da Areia não deixavam o homem em paz um minuto sequer, e a rainha se viu distante de um acordo que deixasse todos felizes, e, quando Neji voltasse, deveria ter a recusa do noivo à dispensa de um dos soldados mais valiosos.
Como será que seu amor estava? Permitiu-se imaginar, olhando para a janela, sonhando com o momento que colocaria seus olhos nele. Todo seu corpo sentia falta de Neji e cada célula clamava por sua presença para funcionar perfeitamente. Lembrou da reclamação de suas amigas, vendo alguns de seus vestidos largos demais, e imaginou que também ouviria do noivo algum tipo de repreensão. Sorriu com o pensamento.
Não se importaria com quantas reclamações viessem do Otsutsuki. Se eles estivessem juntos, mataria até a saudade que tinha de seu mau humor. Suspirou, negando assim que o Nara perguntou se ela precisava de alguma coisa, pois o que realmente carecia parecia tão longe de se concretizar. Uma criada entrou na sala, avisando a Hyuuga e seus convidados que o jantar seria servido. A rainha levantou sem ânimo e caminhou até a grande mesa. Já agradecia a presença de todos e daria início ao banquete, quando um dos guardas de seus portões entrou apressado.
— Alteza, eles chegaram.
Hinata não entendeu absolutamente nada, mas seguiu o homem até a sala que ocupavam há alguns minutos. Chegou, observando os soldados com armaduras bem diferentes das de seu reino e, à frente da pequena tropa, Itachi Uchiha.
— Majestade. — Fez sua mensura.
— Não sei como devo chamá-lo agora. — Riu sem humor. Gostaria mesmo de uma explicação mais detalhada sobre o que os Senjus contaram.
— Explicarei tudo, mas, antes, tenho outro presente. Garanto que este irá gostar. — Fazendo menção ao dia que fora praticamente escorraçado dali, o Uchiha mais velho deu dois passos para o lado, deixando que a Hyuuga o visse.
Os olhos claros se abriram gradativamente até o limite. Sua boca teve o mesmo destino, estava incrédula. Suas mãos, antes unidas à frente de seu corpo, com a posição costumeira da rainha, se desfizeram e taparam o belo rosto. Hinata imaginou tantas vezes encontrar Neji, e, quando o viu ali, cercado de soldados do reino do Fogo, não soube o que fazer. Um grito alto saiu de sua garganta, e o peso que carregava em seu coração sumiu imediatamente, apenas com a visão do homem que amava.
Suas lágrimas cessaram assim que sentiu a mão do moreno em seu cabelo. Não precisou abrir seus olhos, apenas seus braços para encaixar-se de volta ao lugar que pertencia. Olhou para o general um pouco diferente da última vez que o viu, quase dois meses atrás, e sorriu. Hinata finalmente podia sentir novamente os dedos longos acariciando sua bochecha. Fechou os olhos, e Neji captou a lágrima que desceu com o polegar, depositando um beijo em sua testa em seguida. Estavam juntos novamente.
A água se agitou e a morena sentou em seu colo. Com todo cuidado do mundo, Hinata soltou os longos fios castanhos, acariciou o rosto bonito do noivo e sorriu mais uma vez, ponderando se estava vivendo mais um de seus sonhos ou de fato a realidade. Continuou com seu trabalho em lavar todo o corpo do Otsutsuki com gentileza, demorando em seus machucados já quase curados. Queria saber de tudo que aconteceu com ele quando estava nas mãos de Madara e seus capangas, no entanto, tinha medo de não suportar os relatos e mais uma vez chorar. Assim que viu o noivo, pediu que Temari e Tsunade recepcionassem os convidados do reino e se trancou no quarto com o general.
Não queria saber se era falta de educação, apenas pensou na saudade que queria matar em seu peito. Subiu apressada e deixou ordens para Haru e Shikamaru de em hipótese alguma chamá-los antes do amanhecer. Qualquer que fosse o problema, suas amigas dariam conta, tinha certeza. Ela e Neji teriam todo o tempo do mundo.
— Como foram seus dias sem minha presença? — Neji acariciava a base da coluna da rainha sem malícia, aproveitando a pele macia sob seus dígitos.
— Foram... Apenas isso, dias. — Selou os lábios nos do seu noivo.
O guarda acolheu a morena em seu ombro e disse em seu ouvido:
— Senti muito a sua falta.
Hinata respirava fundo pela terceira vez ao sentir as cordas do espartilho lhe apertando, teria uma reunião importante com todos os reinos, precisava estar com uma roupa apresentável. No primeiro raiar do dia, ela foi informada que Minato também tinha chegado ao castelo, todos a esperavam para o desjejum e em seguida dariam início à reunião que Itachi pediu com urgência. A rainha se fez presente junto ao seu noivo na sala de refeições, todos levantaram para recebê-la, e, em seguida, sentaram quando ela se acomodou em sua cadeira e Neji tomou o lugar ao lado dela.
— Bom dia, fico feliz de tê-los mais uma vez aqui em meu reino, é um prazer receber meus aliados. — Sorriu solicita.
— Obrigado pela hospitalidade, rainha Hinata — Minato agradeceu, e os outros apenas a reverenciaram com um aceno de cabeça.
O café da manhã, como sempre, estava muito farto e com várias iguarias do reino da Lua, Hinata sempre foi uma ótima anfitriã e gostava de deixar seus convidados à vontade e bem servidos. Comeram em silêncio, estavam todos ansiosos para ouvir o que o príncipe — ou seria rei? Não sabiam ainda — tinha a dizer. Principalmente pela ausência de Madara, que os deixava apreensivos. Tobirama olhava para a porta a cada minuto, esperando que o seu odiado inimigo entrasse pela porta. Quando a refeição se deu por encerrada, todos seguiram a rainha para o salão de reuniões, se acomodaram em seus lugares e esperaram.
— Bom, acredito que, como Itachi pediu a reunião, ele deva começar. — A Hyuuga apontou para o Uchiha e se sentou novamente.
— Obrigado, rainha Hinata. — Ele levantou e limpou a garganta antes de colocar um saco com um fedor horrendo, pingando um líquido vermelho em cima da mesa. Todos se afastaram levemente da mesa, alguns cobriram o nariz e a boca. — Aqui está a prova de que eu sou o novo rei. — Baixou a sacola e a cabeça de Madara pôde ser vista, fazendo todos se assustarem e arregalarem os olhos.
— Itachi… — A rainha engoliu em seco e, antes que pudesse continuar, Neji ao seu lado levantou-se.
— Itachi me salvou. Ele matou o próprio pai para que eu não morresse. — O Otsutsuki começou. — Tenho uma dívida eterna com você. — Reverenciou o novo rei do fogo.
— Neji, não… precisa disso. Eu já estava planejando depor meu pai com o aval do conselho — o Uchiha explicou. — Eu comecei há muito tempo a planejar um golpe contra Madara. Ele estava acabando com o nosso reino, queria tomar o reino da Lua a todo custo, nem que tivesse que causar uma guerra onde muitos terminariam feridos e mortos. — Ele suspirou e mirou Hinata. — Espero que nossos reinos possam ser aliados, alteza. Não quero guerras. Quero dar uma vida digna ao meu povo.
— Claro, Itachi. Conversaremos a respeito.
— Quero também… — o Uchiha caminhou até a rainha e se ajoelhou em frente a ela — pedir perdão em nome do reino do Fogo por ter conspirado contra seu reino e sequestrado o futuro rei. — Itachi mantinha um braço para trás, o outro cruzado em frente ao peito, as mãos fechadas em punho e a cabeça levemente abaixada em sinal de respeito.
— Não foi você que fez tudo isso, muito pelo contrário, agiu pelas costas de seu pai para nos ajudar. Agradeço por isso. — A Hyuuga sorriu. — Além disso, trouxe o meu noivo de volta, jamais vou poder agradecê-lo o suficiente. Agora levante-se. — Ela tocou no ombro dele, e ele a olhou, jamais esqueceria os olhos perolados da mulher que amava, porém ela não o tinha escolhido, restava aceitar. Um silêncio sepulcral atingiu a sala quando Itachi sentou em sua cadeira novamente. Tobirama não tirava os olhos da cabeça do monstro que sonhou em matar durante todos esses anos. Não poderia realizar o sonho, mas poderia ao menos ter o troféu.
— Você vai enterrar isso, Itachi? — o Senju perguntou.
— Tobirama! — Hashirama o repreendeu.
— Se ele quer como suvenir, deixa, papai. — Tsunade deu de ombros.
— Tsunade! — O rei da Folha abaixou a cabeça e massageou as têmporas. — Por Deus, como você puxou seu tio?
Três toques na porta de seu quarto e a loira abriu de uma vez, fazendo o convidado entrar e, antes de se fechar no cômodo, olhou para os dois lados do corredor.
— Viu meu pai ou meu tio? — O homem de cabelos grisalhos negou. — Ótimo. — Suspirou profundamente e voltou até sua penteadeira.
— Pelo que eu soube dos guardas do Sol, seu tio está saltitante feito uma criança exibindo o saco que o Uchiha trouxe. — Sentou-se na cadeira perto da janela, admirando Tsunade, enquanto ela finalizava seu penteado.
— Isso pode durar alguns dias.
— Um dia vai me explicar esse ódio que seu tio e você sentem pelo falecido Madara. Parece um assunto antigo e complexo.
— Na verdade, é simples. — Levantou-se ao terminar de se arrumar e parou perto da cama para continuar. — Meu pai e Madara eram melhores amigos, pois treinavam juntos com meu avô. Ele confiou no Uchiha como seu melhor amigo, venceu guerras ao seu lado, mas, ao definirem as novas divisas dos reinos, depois de todas as conquistas, discordaram do tratado proposto pelo antigo rei do Fogo. Meu pai não quis fazer questão da terra, porém meu tio não foi tão ameno. No dia em que nasci, eles haviam marcado uma batalha, Tobirama Senju queria colocar seu nome na história ao derrotar o invencível Uchiha. Bom, a notícia de meu nascimento chegou antes da organização da frente de batalha, meu tio comunicou aos soldados que deveria voltar à Folha, e assim Madara espalhou que Tobirama, também conhecido como um general impecável em guerra, perdeu uma batalha para si.
— O ódio piorou…
— Exatamente. — Deu dois passos, lembrando de algo. Ouviu a porta e imaginou ser Temari, com quem marcou a volta pelos jardins acompanhada do Nara. — Atenda, vou pegar um grampo no banheiro.
Jiraya caminhou calmamente até a porta, girou a maçaneta e quando viu quem era, tentou fechar a porta novamente. A força que o homem tinha era suficiente para derrubar o Namikaze, caso este não estivesse tão desesperado para manter sua vida. A madeira fazia barulho, chamando a atenção da loira, que arregalou os olhos ao ver o tio e Jiraya testando suas forças.
— Parem com isso!
— Tsuna! Você vai me explicar direitinho o que esse sujeito faz em seus aposentos! — O corredor onde todos os convidados de honra da rainha estavam acomodados começava a encher.
Hashirama chegou e prendeu um braço no do irmão, enquanto o rei das terras do Sol prendia o outro. Neji olhou para toda aquela situação sem entender e com o Nara tentou acalmar o Senju de cabelos brancos.
— Tio, espere! — Tobirama agarrou a veste de Jiraya, o arrastando junto consigo. Tsunade pegou a cintura do Namikaze por trás, segurando a porta com o outro braço.
— E ela defende esse traste! Hashirama, me solte! — Deixou a roupa do primo de Minato e olhou para ele. — A culpa é sua por trazer um sujeito como esse em sua comitiva.
— Ele já estava aqui — o Uzumaki respondeu, calmo. — Tsunade tem cuidado dele há algum tempo.
As palavras do loiro foram ouvidas em câmera lenta. Sua sobrinha. Presa em um castelo, distante dele, de seu pai, de seu reino, ao lado de um pervertido que andou por cada pedaço de terra que existia no mundo… Seus olhos miraram novamente Jiraya. Tobirama sorriu, negando mudo, era só o que lhe faltava.
— Ele — apontou o homem — ficou aqui, com minha sobrinha?
Não esperou mais nenhum segundo, pulou em cima do homem de cabelos grisalhos, agarrando seu pescoço. Os olhos esbugalhados de Jiraiya e sua respiração cada vez mais fraca deixavam o Senju mais feliz e um pouco mais perto de realizar o sonho de ele mesmo matar um de seus inimigos.
— Para, tio!
— Tobirama, chega! — Hashirama tentou puxar seu irmão, junto a Minato e Shikamaru.
Neji tentava afastar os dedos do Senju do pescoço do Namikaze, assim como Tsunade do lado oposto. Hinata havia acabado de chegar, e, assim que passou pelos irmãos Sabaku, viu a cena, desacreditada.
— Respeitem meu lar! — gritou, e, no mesmo instante, todos congelaram. — Tobirama, saia daí… — Apontou para o irmão do rei da Folha, que estava em cima de Jiraya, que se sentou sem conseguir agradecer. — Você está bem? — Ele acenou positivamente, mas sem deixar de tocar a própria garganta. — Tsu, cuide… — Não conseguiu concluir.
— Tsunade, não chegue perto desse homem! — o Senju ordenou.
— Tio — olhou para Hashirama com paciência —, mantenha seu irmão calmo e o lembre que ele não está em suas terras para ordenar nada. Agora, vamos acalmar os ânimos. Tobirama e Hashirama, me acompanhem até a biblioteca. — Deu alguns passos e então viu outro que precisava ouvir o que ela tinha a falar. — Você — apontou —, venha comigo também.
— Mas eu não… — Ela apenas ignorou e continuou andando, fazendo o outro se calar e apenas acatar a ordem.
Os quatro caminharam em silêncio até a biblioteca, onde Hinata entrou e se sentou em sua cadeira de costume. Olhou o rosto dos três homens à sua frente e ponderou suas palavras, podia até ser amena, mas não queria, nenhum deles estavam merecendo palavras de carinho e, sim, de repreensão. Homens, adultos, reis; onde já se viu. Respirou fundo, e então começou:
— O que acham que estão fazendo?
— Tsunade passou dias cuidando daquele homem? — Tobirama começou, irritado.
— Falei para acalmar os ânimos, tio. — O grisalho cruzou os braços e trincou os dentes.
— Eu nem sei por que estou aqui. — O ruivo deu de ombros.
— Ah, não? — Hinata o mirou com uma expressão de obviedade. — Você não entrou no meu castelo gritando o nome da sua irmã por ela estar apaixonada e querendo casar? — Hashirama olhou para o rei da Areia e quis rir da irritação que tomou a face dele. — Ótimo, já sabe o porquê. Parem de agir feito neandertais, aceitaram de bom grado minha escolha de me casar com Neji… — percebeu que Tobirama iria falar — eu mal comecei. — Mostrou a palma para o Senju. — Me apoiaram em meu casamento, viram o que sofri, mais ainda, vocês viram o sofrimento de Tsunade quando perdeu o Dan. — Os dois irmãos abaixaram a cabeça. — Não a façam passar por isso de novo. E você, Gaara, sua irmã é adulta, inteligente e perspicaz, nenhum homem vai enganá-la e muito menos usá-la. Shikamaru a ama tanto quanto ela o ama. — Os três estavam de cabeça baixa, pensando em seus atos irracionais. — Agora caiam na real, vocês são adultos, ajam como tal.
— Perdão, majestade — Tobirama e Gaara pediram.
— Me desculpe, pequena.
— Tudo bem, tio. Agora, se me dão licença, vou aproveitar o dia com meu, em breve, futuro marido. — Levantou e saiu da biblioteca, deixando os três, que precisavam do choque de realidade para deixar que suas amigas tivessem um amor tão incrível quanto o que ela tinha com Neji.
— Achei que ficaria até a data, tem os preparativos, não é? — Shikamaru pediu para que a Sabaku se sentasse em seu colo, quando tomou o lugar em um banco de madeira branca afastado dos lugares principais do jardim. — Não quero ficar longe.
— E acha que desejo isso? — Passou um braço pelo pescoço cheiroso do Nara e pegou sua mão. Brincava com os nós dos dedos calejados de empunhar espadas e os desejava explorando seu corpo.
Havia noites que eram verdadeiramente quentes no reino de sua amiga, e a culpa não era do ar ou do verão, era do capitão real da rainha. Aconchegou seu nariz fino na nuca do moreno, que se arrepiou completamente, passou a língua pelo local, conferindo se o gosto era tão bom quanto o cheiro, e estava certa em suas suspeitas.
— Tema… — Fechou os olhos com força, sentindo o corpo responder aos estímulos da princesa e, pelos Deuses, se ela continuasse assim, Shikamaru perderia com gosto a confiança de sua rainha. Arriscaria sua vida de bom grado para tê-la uma única vez, valeria a pena sanar seu desejo em Temari, e morreria feliz depois que o rei da Areia descobrisse.
— Vamos, Shika… — Posicionou-se mais certeira na ereção crescente do soldado. Não era acostumada como Tsunade e Hinata, mas sabia de alguma coisa. Queimou ao sentir o encaixe que havia entre os corpos mesmo sob suas roupas. — Ah…
Nunca havia experimentado uma sensação tão boa quanto aquela. O Nara tomou sua nuca, virando seu rosto para si, beijou com pressa a boca de Temari, fazendo sua língua deslizar ligeira pelos lábios quentes da Sabaku, que automaticamente começou a rebolar envergonhada, mas desistiu, sentindo o aperto da mão pesada de Shikamaru em sua cintura, ele interrompeu o beijo e gemeu:
— Não pare… — Mordeu o pescoço alvo com certa força e, desesperado para dispersar toda a tensão que pairava no ar da tarde, afundou seus dedos na coxa da princesa.
O clima estava tão desesperador, empolgante e desejoso, que ambos se fecharam naquele casulo. Temari voltou a movimentar seu quadril contra o do Nara, que gemia um pouco mais alto. A loira tomou seus lábios temendo serem ouvidos, mesmo com o banco que ocupavam cercado de pequenos arbustos com flores coloridas, o descontrole do guarda de Hinata poderia chamar a atenção de algum curioso.
Movido apenas por suas vontades, pensando em absolutamente ninguém que não fosse eles dois e todo o desejo que corria por suas veias, Shikamaru levantou Temari, a reposicionando com uma perna de cada lado de si. Mais contato, mais quentura no meio daquelas pernas grossas, arrancou um gemido sôfrego da loira e a calou com mais um beijo urgente. Sua língua não se mantinha dentro da boca da Sabaku, já explorava seu pescoço e colo, próximo dos seios que tanto desejou provar. Seus dedos seguiram toda a extensão da pele sedosa do joelho e coxa da princesa, adentrando por debaixo da saia de seu vestido.
Temari não negou, ele aguardou pacientemente, mesmo duro e desejoso, esperou que a princesa parasse sua investida e, como não aconteceu, deixou seus dedos explorarem o desconhecido. A roupa íntima foi passada sem problemas, e quando a sentiu molhada por si, por sua causa, lambuzada de tesão, acariciou seus lábios. A loira arqueou suas costas, deixando o seio exposto por conta do decote frouxo. Shikamaru não pensou duas vezes, abocanhou o bico rosado e, mesmo sem jeito, tentou dar a ela as sensações que tinha em seu quarto, sozinho, pensando em todos os momentos que passavam juntos.
— Mais… — Revirou os olhos assim que sentiu um dedo a invadindo.
Não sabia ao certo se o ardor de seu interior era o calor que seu corpo emanava, ou por sua primeira vez daquela forma. Nunca nem mesmo se explorou, deixou que tudo fosse para o homem que escolheria um dia. Todos os gemidos, vontades, novidades e o tesão seriam de quem a Sabaku escolheu: o Nara. Gemia cada vez mais alto, rebolando nos dedos do guarda, enquanto sentia o polegar de Shikamaru contornando um ponto específico e delicioso. Sentia seu corpo tremendo cada vez mais forte e uma inquietação estranhamente nova em seu baixo ventre.
— Mais baixo, Tema… — Deixou uma mordida no lóbulo da loira, que o respondeu imediatamente.
— Mais rápido, Shika… — ofegava, procurando por ar.
Sentia que o mundo acabaria quando conseguisse chegar ao fim daquilo. Suas unhas maltrataram as costas do moreno, abraçada a ele, sentindo o que nunca imaginou. Mordeu o pescoço do Nara e se deixou fluir como um rio. Os sons molhados dos dedos de Shikamaru encontrando sua intimidade fizeram ainda mais barulho quando Temari atingiu pela primeira vez um orgasmo.
Terminou de se recompor em seu quarto apressadamente, estava oficialmente atrasada para o jantar e nada era tão desrespeitoso com um anfitrião que não respeitar o horário das refeições. Respirou fundo antes de abrir a porta e seguir para a sala que se reuniam antes de tudo ser servido. Chegou chamando a atenção de todos, que perguntavam preocupados com o motivo de sua demora. Temari apenas disse que dormiu demais, e todos engoliram.
Seu olhar foi em direção ao Nara e seu rosto queimou imediatamente, assim como sua intimidade com a lembrança da tarde no jardim do castelo. Neji e Hinata acompanharam os olhares que o casal trocava, os reconhecendo como os que trocavam no início de seu relacionamento. Todos foram para a mesa e conversas paralelas começaram. Seu irmão do lado direito da mesa, e ela entre ele e Hinata, que, depois do pequeno discurso, se sentou e pediu que seu guarda ficasse do aposto.
Shikamaru estava em pé do lado direito da rainha, ficando bem ao lado de Temari, fazendo novamente o rubor voltar ao seu rosto. O banquete foi servido, e todos começaram a se deliciar com a comida preparada no reino de Hinata. Sentiu um carinho singelo em seu braço, e viu Tsunade, que estava à sua frente, sorrir. Abaixou sua cabeça sem jeito.
A refeição ocorreu sem problemas, e quando a sobremesa estava sendo servida, uma criada trouxe um bolo coberto de coco, mas o guarda de Hinata segurou a mão da serviçal.
— A princesa é alérgica, não pode comer coco. — A mesa inteira caiu em silêncio.
Temari não respirava. Os convidados da amiga, incluindo seu irmão, esperavam uma fala, qualquer uma, entretanto, a Sabaku parecia ter perdido sua voz.
— Eu não sabia disso. — Hinata quebrou o silêncio.
— Nem eu. — Gaara observava sua irmã e o guarda da rainha, que estavam vermelhos.
— Eu sempre cuidei das refeições do palácio de nosso reino. Entendo perfeitamente que você e Kankuro não tenham notado que nunca foi servido nada com coco, além de que geralmente sou servida sozinha, pois ambos trabalham demais. — Sentiu o aperto no peito por se achar apenas uma decoração do reino do irmão. Por isso as aulas, a vontade de ser útil e não apenas comandar uma cozinha e criados nas tarefas do lar que partilhava com os irmãos.
A mesa continuava em silêncio, a criada saiu com a sobremesa mortal e voltou com algum tipo de mousse. Temari sentia o peito explodir de felicidade, nunca foi cuidada daquela maneira, sempre foi o contrário, como uma mãe para os dois idiotas dos irmãos. Hinata sorria largo, Tsunade, seu pai e tio, afirmando com a cabeça, como se abençoasse o casal apenas por aquela pequena demonstração.
Gaara percebeu que aquilo era muito real, os sentimentos de ambos os ligavam de uma forma única. Nem mesmo pensava que sua irmã se sentia sozinha, ou a que tipo de coisa Temari tinha alergia. Imaginou todas as possibilidades de afastar o Nara da princesa, mas estava errado, como a Hyuuga bem o avisou. Ninguém poderia ser melhor para cuidar da Sabaku que ele. Sorriu ao notar ser observado por Hinata.
— Quer compartilhar alguma coisa, Gaara?
Acenou positivamente e disse, olhando para a irmã: — Vocês têm minha benção.
— Papai, tente convencer meu tio, não sou mais uma criança. — A loira ia de braços dados com Hashirama até a saída do castelo da amiga. Ficariam ela e Temari para ajudar a Hyuuga com o enorme casamento que ela sonhou e merecia.
— Já estou cuidando disso, minha princesa. Até breve e juízo, Tsu. — Selou sua testa e a abraçou, se despedindo.
Dali a um mês seria o casamento da melhor amiga e só então veria sua família. Até sentia falta de sua casa enquanto observava os Senju's partirem no fim de tarde. Acenou animada para a carruagem que os levava para longe. Voltou ao palácio com sua amiga depois de se despedir do último convidado da Hyuuga.
O rei Minato partiu logo cedo, preocupado com a esposa. Gaara foi depois do almoço e, junto aos Uchihas, se despediram do reino da Lua. Tsunade estava animada com a tarefa de fazer acontecer um imenso casamento em pouco tempo, e não qualquer um, o maior. Apertou Hinata em um abraço, a deixando pelo caminho, e seguiu para seus aposentos.
A noite caiu depressa após o jantar calmo. O tempo no reino era convidativo a deixar suas janelas abertas, mas o sinuoso vento que costumava balançar as cortinas e apagar as velas a assustava, então, como de costume, manteve o quarto protegido da brisa da madrugada.
Seu livro estava aberto em seu colo, e o silêncio acolhedor era a receita certa para uma leitura considerada maçante, mas as novidades da medicina eram fascinantes. Aconchegou-se à cabeceira de sua cama e, coberta até a cintura, iniciou a leitura. No meio do primeiro capítulo, um gemido a tirou dos novos métodos de sutura com menor tempo de recuperação. Revirou os olhos, ou Neji era realmente excepcional, ou Hinata deveria investir em uma mordaça. Sorriu, negando com a cabeça. Calar uma mulher forte é a pior das torturas.
Deixaria que a rainha se divertisse por agora e tentaria não a lembrar de suas estripulias durante o dia atarefado. Voltou ao livro, buscando mais uma vez concentração, e quando conseguiu, mais um barulho a tirou de seus pensamentos. Desta vez não era — apenas — Hinata, vinha também de sua janela. Abriu as cortinas vermelhas e não viu nada, mas uma pequena pedra estalou em seu vidro. Assustou-se, indo para trás, fechou as cortinas e já voltaria a se deitar, ignorando quem quer que fosse, entretanto, ouviu seu nome sussurrado.
— Tsuna!
Abriu novamente o tecido pesado que cobria a janela e o viu em sua sacada.
— O que está fazendo aqui?
— Senti sua falta. — Abraçou-a pela cintura, a aconchegando em seu peito.
Tsunade apoiou o queixo no peitoral masculino e sorriu. — Só sentiu minha falta depois que meu tio se foi? Pouco corajoso de sua parte, mas muito inteligente.
— Um dia seremos muito amigos. — Atacava os fios loiros que chegavam até o meio de suas costas e apoiou seu rosto no ombro da Senju, sentindo o cheiro delicioso que ela emanava.
— Eu não contaria com isso. — Colocou-se nas pontas dos pés e selou seus lábios nos do Namikaze. Quando o carinho estava ficando perigoso demais, a princesa desfez-se do abraço e já pensava em se despedir do homem, quando Jiraya mais uma vez pediu:
— Deixe-me ficar com você hoje?
— Pensei que já estivesse. — Brincou com os fios brancos nas laterais do rosto masculino.
— Tsu, você entendeu… — Aproximou seu corpo do da mulher, deixando seu membro animado roçar no ventre da princesa.
— Não pode entrar para dormir, eu sou uma dama! — Enfureceu-se.
— Tecnicamente, já dormimos juntos. — Lambeu o pescoço feminino, enquanto a apertava de volta no seu abraço.
— Você estava doente, seu tarado. — Bateu com certa força no peito do grisalho, que gemeu exagerado. — Menos, Jiraya. Se eu desejar, te deixo sem andar.
O Namikaze se aproximou de sua orelha, mordendo o lóbulo depois de lamber toda a extensão e disse sussurrando muito próximo de seu pescoço: — É o que eu mais desejo…
— Não sabe mesmo o que está pedindo. — Arrogante, a loira trocou as posições e o empurrou até seu quarto, o jogando na cama. Trancou as portas da sacada, fechou as cortinas, o deitou e subiu por cima do grisalho. — Tem certeza? Não poderá voltar atrás…
Ele só foi capaz de concordar, vendo os seios avantajados da loira tão perto, cobertos pelo tecido fino da camisola, que sob a luz quente das velas mostrava sua transparência, e, pelos Deuses, a princesa Senju era perfeita. Tocou a perna da mulher, a fazendo experimentar um pouco de seu tesão. A loira sorriu, apoiando as duas mãos no seu peito, fazendo movimentos de sobe e desce por cima de sua ereção, simulando o que o homem estava louco para fazer. Sentou-se novamente, a tomando em um beijo nada casto, estava louco por ela desde o dia que acordou e a viu. Seu anjo cuidadoso com cara, sorriso e corpo de demônio.
— Não negue, você também quer, princesa… — Com a mão em sua bunda redonda e farta, pressionou o corpo quente da Senju contra o seu.
— Está sonhando acordado? — Seu corpo a traiu quando um gemido escapou no mesmo momento que a amiga gritava o nome do noivo.
— Vamos nos divertir tanto quanto a rainha? — A afirmação da loira veio quando ela pegou seu rosto e beijou, se mantendo apoiada em seus joelhos. O Namikaze desfez-se da parte de baixo de sua túnica, e Tsunade se sentou, se encaixando em seu membro. Gritaria caso sua língua não estivesse sorvendo o melhor gosto que já havia provado.
A loira escorregou pelo pênis rijo, gemendo na boca do primo do rei do Sol. Agarrou seus fios grisalhos e começou a se mover, o martelando firme e forte até seu fundo. Deixou o pescoço pender para trás quando o ritmo foi ditado pelas mãos pesadas e nervosas de Jiraya. Tsunade mordia seu lábio com muita força, sentindo o latejar dolorosamente gostoso de sua intimidade recebendo o Namikaze.
O homem inverteu as posições, jogando a loira gostosa na cama. Retirou-se de dentro dela para provar da fonte, o mel da Senju. Chupou-a com toda vontade que possuía, enquanto acariciava seu membro sedento por ela. Virou o corpo voluptuoso pelas pernas e a colocou de quatro, entrando vigoroso nela mais uma vez. Um grito arrastado e rouco saiu da garganta da loira, e o homem empurrou-se mais algumas vezes antes de se deitar sobre ela sem colocar seu peso, a fez ficar de bruços e investiu mais algumas.
A Senju via o céu se aproximar de si, sentia isso mesmo com seus olhos fechados. O dominador Jiraya saciava suas vontades e trabalhava muito bem dentro de si, ditando as regras do sexo. Nunca sentiu seu desejo bruto tão bem atendido. Aproximando-se de seu orgasmo, virou o homem e o colocou novamente deitado, inverteu a posição e se sentou em sua face, enquanto tomava o membro de Jiraiya em sua boca, sugando todo o gozo e, depois de alguns segundos, se derramou também em sua boca.
— Como está? — o general perguntou.
— Enlouquecendo, será que teremos tempo o suficiente para arrumar tudo? — questionou receosa.
— Caso não tivesse feito questão de fazer algo tão…
— Grande? Espalhafatoso? — Ela o interrompeu, virando para ele, ficando frente a frente com seu noivo. — Eu só quero comemorar o nosso amor, merecemos um evento maravilhoso.
— Eu sei, amor. — Beijou a testa da rainha e sorriu.
Hinata e Neji deixaram os aposentos reais para ir até a sala do trono resolver mais alguns preparativos. Tudo estava correndo como planejado. Tsunade e Temari acabaram por ficar no castelo, depois que a Hyuuga requisitou a ajuda delas, ao contrário de todos os outros visitantes, que voltaram para os seus respectivos reinos e só voltariam para o casamento.
A Senju comandava os soldados que levavam as decorações para o grande salão, jardim e sala de refeições, cada carregamento que chegava tinha o dedo de Tsunade e a aprovação da rainha, é claro. Temari ficou encarregada de comandar as cozinheiras, sabia exatamente o que o futuro casal queria depois da reunião com eles, e o banquete não sairia nada além de perfeito. Ela mesma iria escolher os produtos para serem de excelente qualidade.
A correria no castelo era evidente, todos os empregados trabalhavam sem parar para o casamento da rainha ficar do jeito que ela queria. Enquanto tudo era escolhido e decorado, Neji estava preparando a sua saída do exército, afinal, ele seria o rei. Não tinha escolhido ainda o seu sucessor, sempre pensou que, caso algo acontecesse a ele, gostaria de deixar seu posto para Shikamaru. No entanto, o Nara iria se casar com a princesa Temari e iria embora. Estava confuso, precisava escolher alguém para assumir o seu posto e o posto do Nara.
Neji respirou fundo, olhando os três capitães de sua confiança. Eles esperavam ansiosos para saber do que aquela reunião se tratava.
— Como vocês sabem, me casarei em breve com a rainha Hinata. — Começou. — Preciso de alguém para assumir o posto de general, e eu decidi que você, Haru, assumirá. — O capitão em questão ficou um pouco chocado. Sempre protegia a rainha quando Neji saía, ou ia para batalhas, mesmo assim, não sabia que seria escolhido. O Otsutsuki retirou uma medalha de dentro de uma caixa e entregou ao seu subordinado.
— Uma grande responsabilidade, garanto que honrarei meu novo posto, assim como honrei com meu dever até hoje. Não vou te decepcionar, general Neji.
— Sei que não. — Curvou os lábios minimamente, aquele era um momento raro. — Shikamaru, estou te dando dispensa indeterminada. Quando quiser, poderá voltar, mas apenas se for de sua vontade. — O Nara agradeceu com um aceno de cabeça. — E você, Kiba, assumirá o lugar do Nara. Será o novo comandante do pelotão de busca e resgate. Shikamaru indicou você e acredito que não tenha ninguém melhor do que ele para conhecer quem será digno de tal posto.
— Muito obrigado, general! Darei o meu máximo — Kiba agradeceu.
— Assim que a coroa estiver em minha cabeça, vocês estarão assumindo seus novos postos. Confiarei em vocês para proteger e lutar pela sua rainha e seu novo rei. — Finalizou, com um aperto no peito. Sempre amou o exército, gostava do seu posto, do seu trabalho, no entanto, ele tinha aberto mão disso por um amor maior. Hinata era o motivo dele acordar todos os dias, a razão para continuar vivendo, abriria mão de qualquer coisa para estar com ela; e assim o fez.
A sala estava repleta de criadas, que não ficavam paradas. Hinata reservou um cômodo longe dos que estavam acostumados a ir, não queria Neji, Haru, Shikamaru ou Jiraya a menos de cem metros do seu vestido. Era apenas precaução de uma noiva muito nervosa, não estava fora de si, ainda, mas tinha certeza que estava bem perto.
Estava de roupa de baixo, em pé em um pequeno púlpito, em frente a três espelhos, observando as faces de suas amigas pelo reflexo. Mantinha a mão por cima do espartilho branco apertado com bordas enfeitadas com babadinhos fofos e uma fita fina de cetim, com alguns padrões em Zig Zag bordados à mão para sua lua de mel. Esperava pacientemente o vem e vai das mulheres que tomavam conta de seu traje para o grande dia.
— Hina, está bem? — Tsunade levantou com sua taça de vinho, e a Hyuuga impediu que ela se aproximasse.
— Deixa de frescura, Hina, ainda nem colocou o vestido! — Temari, que também estava afastada por comemorar com vinho a ocasião, reclamou.
— Quero manter a lingerie intacta também.
— Até parece que ele não viu nada aí… — A Senju revirou os olhos.
— Não importa, quero que tudo seja perfeito. — Respirou fundo quando ouviu as mulheres se preparando para trazer a peça que há semanas tirava seu sono. — Sempre sonhei com um casamento, agora toda a pressão de uma vida está sobre os meus ombros.
— Se acalme, ou vai passar mal. Eu estou bebendo, não posso cuidar de você. — A loira das terras da Folha deixou sua taça na mesa, do lado oposto ao da Hyuuga, e esperou a grande revelação.
Hinata sentia muitas mãos passarem metros e metros de tecido por seu corpo. Fechou os olhos claros, tentando não desmaiar com tamanha emoção. Quando notou que as mãos pararam de ajustar as várias partes de seu corpo sob o tecido pesado, abriu primeiro o olho direito, depois o esquerdo, e se viu rodeada de seda e tule bordado.
O azul tão claro quanto as águas dos rios de suas terras contrastava com sua pele naturalmente pálida. O busto carregava um decote ornamentado com pequenos adereços em formato de galhos. As mangas transparentes que cobriam todo seu braço até o pulso, com a delicadeza do tule florido. Uma fita fina, mais escura, contornava sua cintura antes da saia princesa abrir seu caminho até o chão suavemente, com seda pura, matéria prima de seu reino, acompanhando todo o cumprimento dos seios até seu pé. Ao fim do vestido, os arabescos eram perfeitamente alinhados pela barra, subindo alguns centímetros, o deixando exuberante e à altura da realeza. Sentia-se a mulher mais linda do mundo.
— Hina, você ‘tá perfeita. — Temari tentou conter suas lágrimas, mas estava tão emocionada e feliz por sua amiga que as deixou correr.
— Tsunade, diga algo antes que eu chore. — Hinata já derramava algumas grossas lágrimas, que continha com as costas da mão.
— O que eu posso dizer, amiga? — Correu e abraçou a Hyuuga como se não a visse há muitos anos. Sentia-se realizando um sonho, só de poder estar perto para dividir aquele momento com a irmã que nunca teve.
A morena abriu seu abraço para receber a Sabaku sentimental, que chorava como uma boba.
— Eu não poderia estar mais feliz por tê-las em minha vida.
Algumas criadas que acompanhavam a cena sorriam e tentavam não se deixar levar pela aura de amor e cumplicidade que o trio emanava, mas era impossível não se sentir especial por dividir aquele momento com a rainha.
Os gritos de Tsunade eram ouvidos longe, até o mais temível general não era comparado àquela mulher quando estava sob estresse. Com os dias diminuindo cada vez mais até o casamento, os nervos, não só dos noivos, mas de todos no castelo, começaram a ficar tensos. Era o maior evento que aconteceria no reino da Lua em anos, o último tinha sido o casamento do antigo rei, e era nisso que Hinata pensava. Estava perdida em pensamentos, olhando a paisagem pela janela de seu quarto. Como deveria ter sido para a mãe dela? Como ela se sentiu dias antes de seu casamento?
Queria ter tido tempo de perguntar a ela, queria ter aproveitado, queria que ela e seu pai estivessem ali naquele dia tão especial. Será que Hiashi a apoiaria nessa decisão? Neji era filho do general mais respeitado do reino da Lua, e quando ele morreu, o Otsutsuki assumiu com apenas dezessete anos a mando de Hiashi, não confiaria seu exército a mais ninguém. E seu pai não podia ter feito escolha melhor, o guarda pessoal daria sua vida pela princesa, hoje rainha.
Todos os dias estavam sendo cansativos, eram detalhes que precisavam ser revistos e aprovados pela rainha. As provas de vestido, a escolha das joias, das flores e, claro, a arrumação da sala do trono para o ritual de coroação ao fim da cerimônia de casamento. Mesmo o casal estando cansado, estavam felizes, pois nada conseguiria trazer mais felicidade do que a união de dois corações apaixonados.
Faltavam apenas três dias para o casamento. Hinata estava uma pilha de nervos, assim como Neji, porém ele conseguia esconder melhor que ela. A Hyuuga sorriu, vendo o nascer do sol pela janela de seu quarto. Recebeu os primeiros raios solares em seu rosto e fechou os olhos, sentindo o calor gostoso que ele trazia naquela manhã gelada. Olhou para dentro do quarto e viu Neji ainda dormindo na cama, envolto aos lençóis, seu cabelo comprido espalhado pela cama, as costas desnudas deixando os músculos à mostra era uma visão e tanto. Poderia passar o dia admirando a grande obra de arte que era seu noivo. A luz solar começou a invadir o ambiente, e os feixes chegaram a atingir o corpo do general, que se remexeu inquieto. Apalpou a cama e viu que estava sozinho, ergueu levemente a cabeça e viu a rainha o observando sentada no peitoril da janela.
— O que está fazendo? — perguntou um pouco sonolento.
— Estava sem sono…
— Venha… — Esticou a mão para ela, que fechou as cortinas e caminhou até ele, tirando a camisola, deixando escorregar pelo seu corpo e deitando embaixo dos lençóis. — Está fria, Hina — disse, ao sentir a pele da mais nova tocando em si.
— Me esquenta, Neji. — Ela sorriu e se aconchegou no peito do homem, que a abraçou por completo.
— Sempre, meu amor. — Hinata pousou a cabeça no braço do noivo, o usando como travesseiro.
Neji inspirava o melhor cheiro do mundo direto dos cabelos escuros da rainha. Sua mão subia pela lateral do corpo curvilíneo, decorando cada ponto da pele clara, que parecia ser banhada pela luz da lua. Distribuiu beijos pela nuca da Hyuuga e a puxou para perto, encaixando mais seu corpo no da morena. Nada no universo seria capaz de explicar a sensação de estar tão perto da mulher amada, apenas aproveitando a companhia um do outro. Estava tão ansioso para casá-la consigo, viver sua vida legalmente ao lado de sua mulher, ter filhos, sonhar infinitas possibilidades, e ter certeza até sua morte de que fez a escolha certa ao se entregar ao sentimento que nutriam um pelo outro.
A rainha olhou para cima e sorriu, e ele correspondeu da mesma forma, estavam tão conectados que pareciam pensar na mesma coisa. Ela ficou de frente para si, acariciando o rosto masculino sem dizer palavra alguma, só olhando da forma que ele mais amava se enxergar, pelos olhos puros e amorosos da Hyuuga. Era muita sorte ter aquela mulher como parte da sua vida, parte de sua alma, sua.
Levantou devagar, abriu as cortinas e ouviu suas amigas murmurarem em reclamação pela luz solar invadir o quarto. Ela apenas riu e abriu as janelas, recebendo toda a brisa fresca da primavera. Fechou os olhos e sentiu aquela aura tão única lhe abraçar, estava quase flutuando de tanta euforia, era o seu dia. Caminhou até a sala de banho, onde as criadas já a esperavam para dar-lhe banho, relaxou o máximo que pôde ali naquela água com pétalas de rosas, as esponjas a limpavam e a deixavam cheirosa. Assim que terminou, foi secada e o robe abraçou seu corpo, foi até o quarto, onde encontrou as duas amigas ainda sentadas na cama, porém acordadas, afinal, duas criadas estavam servindo o café da manhã no quarto.
As três amigas ficaram a sós e comeram, aproveitando a companhia uma da outra. A conversa era animada e às vezes risadas altas eram dadas pelas piadas da Senju, definitivamente ela era a alegria em um ambiente. As horas pareciam que não passavam, mas, quando praticamente uma comitiva de empregadas invadiu o quarto, Hinata sabia que estava na hora de se arrumar. Foi naquele momento que sentiu seu coração bater mais rápido, percebeu que faltavam poucas horas para vê-lo e para ele vê-la também. Será que gostaria do seu vestido? Acharia ela bonita ou arrumada demais? O nervosismo já estava controlando seus pensamentos, então uma taça de champanhe estacionou em sua mão.
— Precisa relaxar, Hina. — Tsunade piscou o olho, e a rainha sorriu, dando um gole na bebida em seguida. Ela tinha razão, afinal. Respirou fundo e viu uma das criadas se aproximar com uma escova, se sentou na poltrona e esperou seu penteado ficar pronto. Nada exagerado, a parte de cima do seu cabelo ficaria presa com a presilha que foi de sua mãe e o restante solto como gostava, descendo até o meio de suas costas. Ela mordia o lábio diversas vezes, e a Sabaku apenas ria do nervosismo dela e mandava uma das empregadas servir mais champanhe. Contudo, não era só ela que estava à beira de ter um ataque de nervos.
Neji andava de um lado para o outro, e Shikamaru já estava ficando cansado só de olhar o general. O Nara bufou e se recostou na cadeira para então dizer:
— Com tanto exercício, vai conseguir ficar em pé no altar, general? — O Otsutsuki parou e virou para seu subordinado, lançando um olhar reprovador. — Calma, não quis te irritar.
— Então fique em silêncio. — Foi ríspido de uma maneira que nunca achou que seria, estava tão nervoso que suas mãos suavam, a cada minuto que passava ele estava mais próximo de estar casado com a mulher que ele amava. — Desculpe, não quis ser grosseiro.
— Está tudo bem, não me vejo diferente quando for me casar com Temari. — O Nara riu e fez com que Neji também sorrisse.
— Quero só ver quando estiver morando em Suna, com seus dois cunhados. Um rei e outro especialista em interrogar as pessoas. — Neji gargalhou, e Shikamaru fechou a cara. — Que foi?
— Nunca vi você fazendo piadas, fiquei surpreso. — Kiba entrou no quarto segurando uma garrafa do mais valioso gin de amoras do reino, e Haru, que vinha logo atrás, fechou a porta.
— Kiba! Onde você conseguiu isso? — Neji saltou os olhos.
— A cozinheira me deu. Disse que Tsunade deixou para entregar pra você hoje. — O Inuzuka levantou os copos pequenos e sorriu. — Vamos?
O general fez as honras e serviu os quatro copos. Agradeceu pela companhia de seus companheiros e pela bebida e viraram, fazendo caretas em seguida. Uma bebida extremamente deliciosa, depois do terceiro copo, obviamente. Mais algumas doses, conversas banais e risadas pelas histórias de batalhas e inimigos derrotados, estavam conseguindo fazer Neji relaxar, até que uma criada bateu na porta, avisando que o noivo deveria estar presente no salão principal. Um arrepio correu por todo o corpo do general, seu coração parecia que ia pular de seu peito com tamanha ansiedade.
Desceram a longa escada e sua presença foi anunciada aos convidados. Quando o Otsutsuki entrou no salão, todos os olhos voltaram para si. Cumprimentaram o futuro rei de longe, enquanto ele passava entre os convidados. Sentia suas pernas bambas, mas manteve sua compostura. Caminhou firme até o outro lado, onde estava o altar. Virou-se de frente para todos e pôs as duas mãos juntas atrás das costas, sua posição de respeito já era um hábito, seria difícil perdê-la. Tentava contar até dez e respirar fundo, mantinha os olhos nas portas duplas, esperando que a qualquer momento Hinata passasse por ali e, enfim, seriam marido e mulher. Mas e se ela desistisse?
Sua mente já brincava com seu coração naquela altura. Seria possível Hinata desistir? Ela enfrentou batalhas demais para estar ao seu lado, para ter o casamento dos seus sonhos, para apenas se permitir amar quem ela amava. Ela não faria isso, faria? Céus, suas mãos estavam suando, seus dedos formigavam e podia sentir o bolo se formando em sua garganta. O enjoo veio junto ao desespero de ser abandonado no altar. Ele já estava ali, em pé, na frente de todas aquelas pessoas. Neji engoliu em seco e sentiu a dificuldade de uma ação tão simples.
Batidas no chão, era ela.
— É ela… — ele sussurrou inaudível para qualquer pessoa que estivesse ao redor. Seus lábios curvaram sem controle algum, seu corpo estava sem controle racional de suas emoções e ações. Neji nunca perdeu sua razão, mas por ela, ah sim, por Hinata perderia a razão mil vezes se fosse necessário. Por ela, ele iria da terra ao inferno, cruzaria mil oceanos e enfrentaria mil homens. Pelo simples fato de que era ela.
As portas abriram, revelando Tsunade e Temari, que entraram na frente, espantando os maus espíritos e tudo que pudesse ser contra o casamento, como era de costume. Quando chegaram próximo ao altar, foi cada uma para um lado, e Neji finalmente pôde deslumbrar-se com a beleza de Hinata. O vestido se moldava perfeitamente ao corpo dela. O sorriso que a rainha carregava nos lábios era de uma felicidade genuína que contagiou a todos. O Otsutsuki podia sentir seu coração batendo tão forte que achou que iria desmaiar. A Hyuuga caminhou calmamente até ele e então recebeu a mão grande estendida para si, ela sorriu e a segurou, subindo os dois degraus, ficando de frente para ele.
Os olhos perolados estavam conectados, era como se ninguém estivesse ali, apenas os dois faziam parte daquele momento, tão único, tão intenso e precioso para eles, estavam juntos e, em alguns minutos, seria para sempre. A voz do padre os tirou daquele véu que seus sentimentos haviam criado, atraindo a atenção dos dois e dos demais naquele salão.
— Estamos aqui reunidos para celebrar a união de duas almas que se amam e se respeitam, e, acima de tudo, querem se unir em matrimônio. Vamos então ouvir o que os noivos têm a dizer. — O padre finalizou, passando a palavra para a rainha Hinata.
A rainha sentia todo seu corpo tremer. Já havia estado à frente de muitas pessoas, de assembleias que pareciam nunca ter fim, mas se entregar ao homem que amava não se comparava a uma multidão de desconhecidos, ou ao nervosismo de falar para pessoas diversas, era apenas ela e o amor que sentia em seus poros e as palavras que poderiam ou não fazer jus ao que sentia em seu ser.
— Neji, eu procurei pelo mundo algo que estava tão perto de mim. Os Deuses são tão misericordiosos que em sua infinita sabedoria nos trouxeram a esta vida, no mesmo momento, na mesma terra, para fazer de nós novamente um só. — Sorriu sem jeito para o moreno, agarrando fortemente suas mãos. — Eu não teria sorte maior, nem que desejasse. O amor é sem dúvida algo que nos coloca acima dos bens, do querer individual, dos desejos mundanos, e a sorte de encontrar algo assim, tão puro e verdadeiro que se sente em cada pedaço de si, deve ser o maior êxito na vida de um ser humano. Jurar que meu amor será eterno é o mínimo diante de tantas coisas que somente você seria capaz de me fazer sentir. — Um sorriso em meio a imensa vontade de deixar suas lágrimas derramarem enfeitou seus lábios.
Neji jurou a si mesmo que não choraria, jamais demonstrou tamanha emoção em frente de alguém. Sua boca secou e tentou se recompor, limpou a garganta para que sua voz, que queria falhar, voltasse ao normal e começou:
— Hinata, eu jurei proteger você. Jurei para seu pai, jurei para mim mesmo, e hoje juro a você, assim como também prometo, cuidar, amparar, apoiar e amar. Amarei você até o dia em que eu der meu último sopro de vida. Enquanto eu tiver você ao meu lado, serei a pessoa mais feliz desse mundo, pois pra mim você é a cor nos meus dias nublados, você é o cheiro que eu quero sentir quando chego em casa, você é os braços que eu quero sentir em um abraço… — Sentiu sua voz falhar e a mão dar uma leve tremida, mas Hinata a segurou firme e mordeu o lábio, olhando para ele, lhe encorajando a continuar. — Você é a mulher que eu nem sabia que precisava em minha vida, e hoje eu agradeço aos Deuses por poder dividi-la com você.
— Hinata Hyuuga, aceita Neji Otsutsuki como seu marido?
— Aceito. — A Hyuuga suspirou, enquanto o general colocava a aliança em seu dedo.
— E você? Neji Otsutsuki, aceita Hinata Hyuuga como sua esposa?
— Aceito. — Ele acompanhou com o olhar a aliança entrando em seu dedo e logo mirou os olhos de Hinata.
— Pelo poder da igreja e do espírito santo, eu vos declaro, marido e mulher.
Neji e Hinata deram um beijo rápido, e pétalas de rosas foram soltas pelos soldados que seguravam as cordas, ideia da maluca da Tsunade, prender com cordas e tecidos de seda pétalas nas vigas de madeira do teto. A rainha ficou encantada, na verdade, todos ficaram, aquilo era algo engenhoso e uma grande novidade. Os noivos então caminharam de braços dados até a sala do trono, onde agora havia dois tronos, o ex-general arregalou os olhos e olhou para a Hyuuga, que sorria largo para ele. Quando todos estavam presentes no ambiente, Hinata deixou o braço de seu marido para subir os degraus até o trono e se virou para frente, colocando suas mãos em frente ao corpo.
— Foram realmente anos… como posso dizer, de aprendizado. Reinar aos 19 anos foi uma tarefa árdua, mas recompensadora. Ver meu reino próspero e meu povo feliz jamais terá preço. — Seus olhos encheram-se de lágrimas e sorriu. — Mas hoje, com 24 anos, terei alguém para reinar ao meu lado. Na verdade, alguém que sempre esteve, porém agora como meu marido. Eu, Hinata Hyuuga… — Recebeu a coroa, que era de seu pai, de Haru, agradeceu muda e deu uma breve olhada, fechou os olhos e uma lágrima escorreu por sua bochecha. — Declaro Neji Hyuuga rei do Reino da Lua. — Desceu os degraus, um por um, sentindo seus olhos acompanharem, tamanha emoção que seu coração carregava. Neji ajoelhou, mantendo a perna esquerda à frente, apoiando seu antebraço nela e abaixando a cabeça levemente para receber a coroa, que foi colocada com delicadeza por sua, finalmente, esposa.
Tomou seu lugar ao lado de Hinata, sua esposa, se sentando em seu novo posto. Ao lado dela, enfrentaria o mundo, mil homens como Madara e o que viesse. Sentia-se indestrutível. Notou pela primeira vez que o acento era realmente desconfortável e sorriu, imaginando que metade das reclamações de sua rainha eram de fato realistas. Não deixou que sua mão deixasse a dela. Viu os olhos sempre tão acolhedores lhe fitarem verdadeiramente felizes, como ele nunca viu. Desde a primeira vez no baile da apresentação de seus pretendentes, Neji não via a rainha da Lua brilhando daquela forma. Hinata apenas sorria, largamente, alegremente e sem que alguma preocupação pudesse os alcançar. Piscou para o marido e proferiu em alto e bom som:
— Que se inicie a festa.
Seu segundo tio deu sua mão ao rei do Fogo, e Hinata jurou que o olhar que a fitava de longe, beirando a admiração, agora havia se transformado em ódio. Neji poderia ser agradecido a Itachi o quanto fosse possível, mas o ciúme e a possessividade do rei da Lua não conheciam limites. O Uchiha tomou sua cintura e começou baixo, rente a seu ouvido:
— Estou realmente feliz por seu casamento.
— Eu sei disso. — Sorriu ao mirar os olhos escuros. Segurava seu ombro e, com a outra mão, mantinham o aperto uma na outra. Itachi a guiava sem impor os próximos movimentos, enquanto a música alta e animada tomava o local.
— Acredite nos meus votos.
— Eu acredito, o problema é seu amigo. — Tentou apontar para o local que o marido deveria estar, mas não havia ninguém nem perto das cadeiras altas.
— Neji sabe a preciosidade que tem — sorriu cúmplice para a Hyuuga, notando a aproximação do rei, já tão perto, que sem dúvidas ouviria o verdadeiro motivo de sua dança com a rainha —, mas eu gostaria mesmo de saber sobre uma de suas convidadas.
— Gostaria de saber se? — Hinata sorriu ao ser tomada por seu marido.
— O interesse é mútuo. — O Uchiha reverenciou a rainha, deixando um olhar sorrateiro para um canto específico que a Hyuuga seguiu.
Neji tomou sua cintura e selou seus lábios, enquanto a morena pregava seus olhos claros, tentando reconhecer as mulheres do pequeno grupo no canto. — Não está mais interessada em seu marido?
— Não diga bobagens. — Olhou em seus olhos claros. — Itachi me pediu um favor. e eu quero saber qual.
— Não comece a querer casar todo mundo, Hina. — Repousou sobre o ombro da esposa, sentindo o cheiro gostoso de sua mulher, querendo rapidamente sumir dali.
— Eu não estou casando ninguém. — Deu um tapa no moreno e sorriu sem jeito. Observou Temari e Shikamaru dançando de forma romântica, mesmo que a música fosse animada. Tsunade e Jiraya não se tinha notícias desde a abertura do salão, a loira deveria mesmo aproveitar a animação de Tobirama e sumir do lugar enquanto o gin e a cerveja estivessem sendo servidos. — Isso não pesa? — Ajeitou a coroa na cabeça do moreno.
— Nenhum fardo é pesado demais ao seu lado. — Subiu a mão pela coluna da rainha, desejando descê-la.
— Espero ouvir isso daqui há uns quatro anos. — Deixou a dança de lado e, puxando o marido, se aproveitou da proximidade. — Querido, olha quem veio. — Deixou o sorriso mais largo tomar a face e mirou o rei acenando positivamente para que ele a acompanhasse.
— Ah, claro. Oi, Yamanaka. — Conhecia a loira filha do conselheiro, mas nunca de fato falou com ela, ou com a moça que a acompanhava.
— Altezas. — Fez a mensura costumeira. — O casamento foi perfeito, digno dos contos. Fico feliz pela rainha e pelo rei, claro — disse sem jeito.
— Nós é que estamos felizes por recebê-las. — Olhou para os lados rapidamente e indicou o local que o homem que a mirava ao longe deveria tomar. — Então, conheceram alguém interessante? — Neji estreitou os olhos sem entender, e a morena respondeu com as mãos abanando no ar.
— Majestade… — Ino ajeitou a franja loira que escondia um dos olhos incrivelmente azuis, olhando para os lados.
— Bom, eu queria te apresentar um amigo. — Na mesma hora que esticou seu braço para trás, agarrou o Uchiha. — Itachi, esta é Ino Yamanaka, filha de um dos meus conselheiros. — E o marido lhe dirigiu um olhar descrente. Hinata deu de ombros, se ele não reconhecia o gênio que a Hyuuga tinha, deveria aprender uma lição ou duas. Afastaram-se de volta ao meio do salão, e a rainha viu o momento que a acompanhante da Yamanaka deixou a amiga conversar com Itachi a sós. — Chame Gaara. — Beliscou o moreno. — Agora.
O rei, sem entender, chamou o ruivo da Areia, que já tomava o caminho, e a morena decidiu atacar novamente. — Sakura? Pelos Deuses, não a reconheci! — Abraçou a Haruno, uma linda garota de cabelos rosas, que, para Hinata, combinaria com os vermelhos exóticos do rei Sabaku. — Está belíssima. — Tomou os ombros da jovem e, com a aproximação de sua vítima, concluiu: — Não acha, Gaara?
— Acho, sim.
— Sabaku, essa é uma amiga de Hinata. Sakura frequentava o castelo antes de minha esposa se tornar rainha. — O marido pareceu finalmente entender os planos da Hyuuga, que suspirou feliz. — Os deveres as afastaram.
— Espero que por pouco tempo, alteza — a Haruno comentou, mas sua atenção estava voltada ao ruivo. Olhos nos olhos, a química perfeita. Hinata sabia.
— Vamos deixá-los, temos que cumprimentar algumas pessoas. Até! — Deixou ambos a sós e seguia para longe. Gostaria de uma bebida, porém sentiu o braço sendo puxado.
— Eu disse para não casar ninguém. — Fez a Hyuuga se virar e a agarrou novamente.
— Eu apenas apresentei, eles casam se quiser. — Deixou suas mãos pousarem no pescoço do ex-general e mais uma vez beijou seu marido.
Enquanto isso, do outro lado do salão, Itachi ainda se recuperava por Hinata ter apresentado a loira tão de repente, não esperava por aquilo. A mulher era incrivelmente linda, os olhos azuis tão límpidos, sua postura extremamente impecável e o sorriso de tirar o fôlego e a voz, já que o rei do Fogo estava a longos segundos sem dizer uma palavra sequer. A Yamanaka já estava com as bochechas vermelhas e encarava o chão, tentando desviar o olhar dos ônix que lhe admiravam sem nenhum pudor.
— Perdão, fiquei… encantado — limpou a garganta — por você. — A filha do conselheiro ficou ainda mais envergonhada, um elogio tão significativo vindo de um rei era algo que ela realmente não esperava.
— Prazer, majestade. — Curvou-se levemente.
— Por favor, não é… — Itachi a interrompeu, pegando na mão estendida próxima a si — necessário.
— Preciso demonstrar respeito, rei Itachi. Minha educação e bons modos não me permitem ser menos que isso. — A loira levantou a cabeça, exibindo seu pescoço e colo, que ficavam à mostra devido ao vestido ombro a ombro. O Uchiha estava hipnotizado. Quando parecia que nunca mais se interessaria por outra mulher, Ino Yamanaka apareceu diante de seus olhos, lhe roubando toda e qualquer atenção que poderia dedicar a outras mulheres ali presentes. Talvez fosse ela; poderia?
— Aceita uma dança? — O moreno estendeu a mão direita para ela, que sorriu sem graça antes de aceitar e ter sua mão abraçada pela de Itachi.
Foram até a pista, a mão direita não largou a mão de Ino, apenas a virou de frente para si e agarrou sua cintura com a esquerda. Os passos lentos eram ritmados, e o azul não conseguia deixar os olhos negros. A Yamanaka não poderia ser hipócrita, enxergou tão fundo naqueles olhos que, apesar da escuridão que carregavam, viu o lado humano de Itachi de forma tão clara quanto os seus próprios.
— Como em todos esses anos eu nunca a vi pelo castelo? — o Uchiha perguntou.
— Eu não costumo ficar na área comum do castelo. Normalmente estou na biblioteca, ou dando aulas.
— Aulas? Você é professora? — Ele sorriu de leve.
— Na verdade, eu ensino algumas crianças a ler e escrever, pelo menos o básico. — A Yamanaka sorriu e foi rodopiada. Assim que voltou a ficar perto do rei do fogo, continuou: — Queria fazer algo com meu tempo livre e o privilégio de ter esse conhecimento.
— Você… — Itachi perdeu as palavras por um instante. — Admiro muito sua atitude. — As bochechas tomaram tons de rosa, até o vermelho, e ela viu pela primeira vez o sorriso encantador do Uchiha, fazendo com que esquecesse completamente das histórias sangrentas que contavam, ou de como os Uchiha’s eram pessoas sem coração. Naquele momento, ela sentiu-se especial, um sorriso tão bonito e de uma pessoa tão importante direcionado a si. — Gostaria de ver uma de suas aulas, poderia?
— Claro, alteza.
— Por favor, me chame de Itachi.
A Yamanaka sorriu, olhou por cima do ombro do rei do Fogo e pôde ver a amiga com o rei da Areia, eles pareciam estar se dando bem, já que conversavam sem parar.
— Então quer dizer que é princesa do reino das Flores? — Gaara perguntou.
— Sim, como sou filha única, eu que assumirei o trono. — Sakura sorriu. — Quero ser tão forte e poderosa quanto Hinata.
— Devo dizer que ela me assusta às vezes. — O Sabaku lembrou da bronca que levou da rainha há algumas semanas.
— A Hinata? Ela é um doce. — A Haruno sorriu, e Gaara sorriu sem graça. — O que ela fez, majestade?
— Nada em especial, mas ela sabe impor algumas regras tão bem quanto uma mãe faria com seus filhos. — Uniu as mãos em suas costas, estava verdadeiramente nervoso, não sabia se conseguiria dar o próximo passo, e qual passo seria? Olhou ao redor, à procura de um dos seus irmãos, algum auxílio mesmo que mínimo para o amparar. Avistou Temari agarrada com o Nara e tomaria caminho até lá para separá-la do futuro marido caso o momento para si não fosse crítico. A loira mirou seus olhos nos do irmão e, notando rapidamente o que acontecia ali, acenou duas vezes com um sorriso estampado. Mesmo sem a facilidade de conviver com os outros e com toda a vergonha que sentia em socializar, Gaara desprendeu-se de seus medos pela mulher adorável que mexia em seus próprios dedos, parecendo também ansiosa. — Aceitaria uma...
— Sim! — Os olhos verdes se arregalaram de leve, e o vermelho tomou seu rosto. Sakura não queria parecer atirada, nem mal educada, mas desejava muito conhecer melhor aquele belo jovem ruivo. — Sinto muito.
— Por quê? — Tomou a mão fria, que tremia nervosa, e caminhou ao seu lado até o meio do salão.
— Por ser tão…
— Decidida? — Gaara completou, e então chegaram à pista de dança. Ele estacionou a mão na cintura da princesa, que abaixou os olhos, curvando os lábios. — Não sinta.
— Minha mãe sempre diz que preciso ser mais amena, que minha personalidade tem que condizer com minha posição — a Haruno falou com certo pesar nas palavras.
— Para mim, sua personalidade é muito agradável. Rainhas têm personalidades fortes, não vejo como ser mais amena seria benéfico para você, princesa. — Ela mirou os olhos verde água e sorriu. Sentiu um certo incômodo no estômago, o que seria aquilo? Não sabia, mas queria descobrir mais.
— Podemos dar uma volta pelo jardim?
— Claro, adoraria.
Hinata viu os dois deixando o salão e sorriu, sabia que eles combinavam perfeitamente. Virou para o marido e piscou o olho direito. Neji franziu o cenho e se aproximou da esposa, que sussurrou em seu ouvido: — Eu consegui.
— Conseguiu o quê?
— Eles foram para o jardim. — Ela deu um gole em seu vinho e sorriu confiante.
— O que isso tem a ver? — O rei arqueou uma sobrancelha.
— Não se vai até o jardim sem uma intenção, Neji. — Ela o mirou de maneira obscena.
— Hina… — Ele olhou para os lados.
— Não tem ninguém nos ouvindo, deixe de besteiras. — Ela riu da cara de preocupação do marido e deixou um beijo em sua bochecha, antes de levar a boca até seu ouvido. — Mal posso esperar para você tirar esse vestido. — Ela se afastou e viu as bochechas do Hyuuga corarem.
— Quantas taças já bebeu? — O que ele recebeu em resposta foi apenas uma risada.
Gaara e Sakura andavam pelo caminho de pedras que era envolto de pequenos arbustos. A lua estava alta no céu, estrelas deixavam a noite mais bonita, as flores desabrochadas coloriam o jardim naquela noite de primavera. Os dois estavam em silêncio desde que deixaram o salão. A aura que os cercava os deixava envergonhados. Era óbvia a intenção da Haruno, porém, o rei da Areia era tímido demais para tomar alguma atitude. Ele caminhava com as mãos para trás, e Sakura com as duas unidas à frente de seu corpo. Ela mordia o lábio em nervosismo e tentava respirar fundo vez ou outra.
— Você… — falaram juntos.
— Perdão, pode falar… — Gaara se desculpou.
— Você… — ela parou e se virou para ele — vai me beijar? — Ele arregalou os olhos em surpresa e, ao ver a reação do rei, Sakura se praguejou mentalmente. — Me desculpa, rei Gaara, eu não deveria… — O ruivo levou a mão até o rosto da princesa, tirando a mecha rosa de sua frente, fazendo a mulher parar de falar e prender o ar com a aproximação repentina.
Ele desceu a mão até a nuca devagar, resvalando os dedos pela pele branca sem deixar o contato visual. Viu os olhos dela fecharem com o toque e essa foi sua deixa, a puxou e colou seus lábios aos dela devagar. Sentiu a mão da princesa em seu pescoço e assim levou a outra mão até sua cintura, aprofundando o beijo. Suas línguas se encontraram, era como se tivessem ligados por uma vida passada, algo como se já se conhecessem. Existia ali um toque de saudade. Gaara não era supersticioso, nem era muito da igreja, mas aquela sensação foi diferente de tudo que já sentiu.
— Acho que Neji deseja isso.
— Sempre tem o lado positivo, no seu caso lados. — A amiga pareceu não entender. — Fazer os filhos, e as crianças lindas que vão povoar este reino. Hoje seria um ótimo dia para começar. — Tsunade riu maliciosa.
— Ah, talvez se não houvesse tantos convidados.
— Não se preocupe com isso. Não há um problema que eu não possa resolver. — A loira acenou para Temari e tomou mais um gole de seu vinho.
— Posso saber o que você fez? — Acariciou a própria testa, imaginando as brincadeiras da Senju.
— Depois desta semana cansativa, sua noite sem seu noivo e essa sua boa vontade de unir mais dois casais é mais que merecido. — Levantou-se, ajeitando o vestido amassado, pegou sua taça e, antes de tomar distância, sussurrou para Hyuuga: — Tem a ala ao redor de seus aposentos livre apenas para os pombinhos. — Desceu os degraus e continuou: — Pode gritar bastante, pois eu não estarei lá.
— Posso saber onde a senhorita pretende passar a noite?
— Na ala dos convidados… — Ela sorriu de modo travesso ao deixar Hinata e Temari de boca aberta antes de gargalharem, já sabendo em que quarto ela passaria a noite. A rainha olhou para longe e viu Neji conversando com Shikamaru e Jiraya. Sorriu ao vê-lo tão elegante com aquela coroa em sua cabeça, combinava consigo. Levantou e saiu andando em direção ao seu marido, com a No Sabaku em seu encalço. Assim que chegaram, a Hyuuga pediu licença e puxou o ex-general.
— Tsunade disse que temos a área em volta do nosso quarto livre.
— Já quer fugir da festa, majestade?
— Se for com você, eu fujo de qualquer lugar para onde for. — Hinata sorriu indecente, colocando a mão no torso do marido, que passou os dedos levemente pelo rosto da rainha, a vendo ruborizar aos poucos. Desceu os dedos até o pescoço e, ao chegar ao ombro, a puxou para perto.
— Tenho um presente, alteza — sussurrou no ouvido dela e se afastou, vendo os olhos ganharem um tom mais escuro do lilás. Agarrou o braço de Neji e seguiram caminhando, cumprimentando algumas pessoas ao longo do caminho até sumirem da festa, entrando no corredor que dava acesso para os quartos reais.
Hinata encostou o rei na parede, o mirando com um desejo descomunal, e disse: — Qual será o meu presente?
— Precisamos ir até a sala de banho principal — ele disse calmo, pegando na mão dela e depositando um beijo cálido nas costas. — Vamos.
Caminharam pelo extenso corredor e, ao chegarem em frente às portas duplas, Neji as abriu como de costume, dando passagem a ela, que viu a água cheia de pétalas. Velas por todo o lugar deixavam a iluminação quente e aconchegante. A Hyuuga caminhou a passos lentos, encantada com a arrumação, até o centro da sala e se virou ao escutar a porta se fechando e a chave trancando-a. O Hyuuga virou de cabeça baixa e, por um instante, ela achou que tinha algo de errado, mas quando ele a olhou sorrindo, soube que ele estava bem, mordeu o lábio e acompanhou com os olhos os seus movimentos. Neji sentou em uma cadeira e pegou um papel e um grafite que jaziam em cima de uma mesinha de apoio, a mirou e disse: — Foi aqui que eu tive o primeiro vislumbre de toda sua beleza, pode me mostrar novamente?
Hinata ficou estática. Lembrou-se de quando eles caminhavam pelo jardim e ela pediu para que ele a pintasse. Ela sorriu, mordendo o lábio, e puxou a fita em suas costas que segurava o vestido em volta de seu corpo, deixando com que a seda deslizasse pelas suas curvas e amontoasse no chão. A lingerie branca foi feita especialmente para aquela noite, seria um desperdício se seu marido não a aproveitasse. Ela subiu o olhar até o dele e encontrou a lateral dos lábios curvados. Ele levou os olhos até o papel e começou a desenhar. Os dois estavam em silêncio, nada era ouvido, apenas o deslizar do grosso grafite na folha de papel. Neji estava concentrado, seus olhos iam do papel para Hinata como se decorasse cada pedaço dela, e, céus, como ele já havia decorado aquele corpo. Apenas vê-la daquela forma fez com que seu corpo inteiro tivesse pressa de tocá-la.
Neji terminou o desenho e se controlava para não a agarrar com força, no entanto, queria fazer tudo ser especial, já tinha a amado diversas vezes, mas como sua esposa seria a primeira e tinha que ser algo a se lembrar. Levantou com tranquilidade, a cada passo Hinata sentia seu corpo tremer. Ele ficou próximo o suficiente para sentir a respiração quente e descompassada da rainha. Sua mão foi até o rosto angelical, e ela deitou o rosto em sua palma, sentindo o carinho em sua pele. Ele deslizou o toque pelo ombro, braço, até chegar à cintura e levar ao laço do espartilho, o desfazendo. Hinata sentiu seu corpo arrepiar, seus seios foram libertados e o pano que cobria sua intimidade foi retirado com cuidado pelo rei, que desceu até seus pés para retirá-la e, ao subir para ficar de pé, beijou cada parte de sua pele.
Toda esfera que os abraçava ali estava perfeita. Hinata se sentia completa, foi ali que tudo começou, seria ali que tudo iria começar novamente. Agora, como marido e mulher. Ela levou as mãos até a roupa do marido e tirou cada peça de roupa, beijando cada parte do corpo másculo que Neji esbanjava. Os dois desceram os degraus da grande banheira de pedra e foram acolhidos pela água cristalina. As pétalas afastaram-se à medida que seus corpos se afundavam. Eles não conseguiam tirar os olhos um do outro, era como se não quisessem perder um mísero segundo daquele momento. A rainha sentou-se no colo do ex-general, apoiando seus braços nos ombros largos, subindo as mãos até os cabelos longos, retirando o pedaço de pano que amarrava os fios castanhos e finalmente encostou seus lábios nos dele, fechando os olhos ao sentir o calor que ele emanava.
— Neji… — gemeu.
As mãos dele passearam pela coluna, desceram até o quadril farto e apertaram ali. Sentiu ela rebolar em cima da ereção, que já estava presente, e os lábios foram até o pescoço, ombro, onde depositou uma pequena mordida e seguiu caminho até os seios. Lambeu os bicos duros de tesão e ouviu gemidos deixando a garganta de sua esposa, levou uma das mãos até os seios e os massageou enquanto os chupava. Os dedos pequenos de Hinata se infiltraram no couro cabeludo de Neji e os puxavam com certa vontade. Sentiu ela rebolar com mais determinação, o queria dentro de si.
— O que você quer, Hina? — sussurrou no ouvido de sua esposa de maneira arrastada, lambeu o lóbulo e desceu até o pescoço, o mordendo. — Me diga o que quer.
— Você… Quero você dentro de mim. Me faça sua, Neji, como da primeira vez…
O rei posicionou ambas as mãos na cintura fina, levantando a esposa e a encaixando em si, ambos gemeram alto a cada centímetro que o pênis do Hyuuga preenchia a rainha. Assim que estava todo dentro dela, sentiu o quadril em cima de si mexer-se e viu os olhos de Hinata revirarem. Neji gostou do que presenciou, aproximou dos lábios carnudos e os beijou com devoção, mordeu o inferior e disse: — Rebola, Hina. Rebola pra mim.
— Ah… Neji… — Ela se movimentava com lascívia, as unhas rasgando a pele das costas do ex-general o faziam rosnar. Levou a mão até os cabelos longos dela e os puxou, fazendo com que ela abrisse a boca, gemendo com a cabeça pendida para trás. Levou a língua até os seios e os chupou, apertou, mordeu de leve o mamilo e se deliciou, ouvindo os mais belos sons saindo daquela boca maravilhosa. O barulho indecente era abafado pela água, mas os gemidos definitivamente seriam ouvidos por todos, caso Tsunade não tivesse liberado a área. Ambos gritavam alto, a cada estocada se sentiam mais quentes, nem a água estava sendo o suficiente para apagar o fogo que eles estavam experimentando, tamanho era o prazer.
— Hina… Ah, não para… — Apertou a nádega da rainha e a ajudou a se movimentar com mais força. Seu pau ia fundo, sentia seu corpo inteiro tremer, assim como o de Hinata. Ela estava chegando ao seu limite e quando gritou alto, de olhos fechados, foi o sinal que precisava para se derramar também. Neji beijou os lábios de sua esposa antes de abraçá-la e ficaram ali, normalizando suas respirações até sentirem-se bem para sair da água. Ele buscou dois robes, colocando um em Hinata e vestindo o outro. — Não tem ninguém nesta ala do castelo, certo?
— Não, não tem, mas… — Foi interrompida pelo grito que deu ao ser erguida do chão. — Neji… o que está? — Sentiu seus lábios serem tocados em um beijo faminto.
— A noite está longe de acabar, Hina. — Abriu a porta da sala de banho e carregou sua esposa até o quarto, onde a deitou na cama. Admirou sua beleza, os cabelos levemente molhados, os lábios vermelhos dos beijos lascivos que trocaram. As pupilas dilatadas demonstravam o quanto ela estava em expectativa, e ele não se encontrava de outra forma. Tirou o robe, e Hinata fez o mesmo. Os dois sorriam um para o outro de forma romântica e ao mesmo tempo libidinosa. Caso fosse possível, Neji sentia-se ainda mais apaixonado por ela. Ele venerava a rainha de maneira tão pura, seu coração sempre foi dela. Tentou se enganar em algum momento, não lembrava exatamente quando perdeu completamente sua razão por ela, mas perderia todas as vezes.
Debruçou-se sobre ela, beijou a testa, a boca, o colo, distribuiu vários beijos pela barriga, beijou o monte de vênus e então se perdeu nos lábios e agarrou o quadril, enterrando seus dedos na carne macia. A coluna de Hinata arqueou ao sentir a avidez que era chupada, lambida, adorada. Seus gemidos deixavam sua garganta sem controle algum, as mãos procuravam algo para apertar e sanar seu desejo e prazer, iria à loucura em minutos. Revirou os olhos ao ter dois dedos dentro de si a estocando, enquanto a língua de Neji circulava seu clitóris de maneira ágil. Ele sabia exatamente cada ponto erógeno da rainha e dedicaria toda sua existência a proporcionar todos os prazeres dessa vida. Sentiu o líquido em sua língua e as pernas de sua esposa darem espasmos com o forte orgasmo que tinha atingido.
Hinata o puxou pelos ombros assim que recuperou sua respiração, beijou seus lábios e inverteu suas posições, desceu até o pênis de seu marido, que já estava duro novamente, e disse: — Minha vez, não? — Ela sorriu de maneira travessa e colocou a língua para fora, passando por todo o comprimento dele, chegou à cabeça e o engoliu de maneira imoral. Neji assistiu aquilo hipnotizado e, ao sentir a garganta da rainha em sua glande, revirou os olhos, jogando a cabeça no colchão, gemendo rouco. Hinata descia e subia a cabeça, deslizando os lábios molhados pela pele, enquanto sua mão a auxiliava nos movimentos para masturbá-lo. A língua vez ou outra circulava a parte sensível, fazendo o Hyuuga se contorcer em prazer.
— Ah... Hina, eu vou... gozar… — Sentiu seu corpo esquentar de forma súbita, seu gozo parecia se acumular para jorrar com toda a força que tinha. Sentiu Hinata acelerar os movimentos e então atingiu o ápice, gemendo alto o nome da rainha. — Hinaa…. — Ela fez questão de engolir todo o líquido viscoso e ainda lambeu os lábios, mordendo o inferior, olhando diretamente nos olhos do rei. — Venha aqui… — a chamou, e ela deitou em seu peito, foi acolhida pelos braços fortes de Neji e se sentiu feliz como nunca.
— Me prometeu que a noite estava longe de acabar, senhor Hyuuga. — Ela olhou para cima e sorriu ladina.
— Posso descansar um pouco? — Ela subiu em cima dele de repente. — Vou entender isso como um não. — Ergueu seu corpo, ficando sentado na cama, e beijou os lábios dela, agarrou os fios negros e os puxou devagar, as línguas enrolavam e disputavam espaço até o ar faltar.
— Você pode descansar me dando orgasmos. — Ela sorriu sapeca e passou a língua pelos lábios.
— Você virou uma safada, Hina.
— Culpa sua.
— Antes, preciso te dar uma coisa… — Ele a pegou pela cintura e a colocou sentada no colchão, levantou da cama e foi até uma mesinha de apoio no canto do quarto. Abriu uma gaveta e tirou uma folha de papel, olhou bem aqueles traços e se lembrou do momento em que fez aquele desenho; sorriu. Caminhou até a cama e entregou o papel a ela, assistiu a boca dela se abrindo devagar e os olhos marejados.
— Isso…
— Foi quando você se mostrou pra mim a primeira vez. — Ele a interrompeu e baixou a cabeça, mas em seguida mirou os olhos perolados. — Não consegui dormir sem desenhar você. Achei que desenhando eu poderia livrar minha mente de sonhos pervertidos e… dos sentimentos que eu carreguei tantos anos, os escondendo até de mim mesmo.
— Neji… — Ela cobriu a boca com a mão e as lágrimas deixaram seus olhos.
— Eu sempre te amei, majestade.
— Não está muito apertado? — As criadas puxavam as cordas do espartilho, enquanto a rainha mantinha a mão no abdômen. — Não acho que seja necessário para o desjejum.
— Já tivemos essa conversa. — Olhou para o marido de forma carinhosa. — Tenho que me vestir de acordo com as nossas posses, para mostrar a força de nosso reino. Apenas uma rainha com o rosto bonito que serve para retratar nosso poder.
O rei se aproximou, agradecendo mudo as criadas que ajudavam sua esposa a vestir-se assim que terminaram seus afazeres. Tomou a cintura da morena, beijou o pescoço feminino, sentindo o aroma que mais amava, e disse: — Vossa alteza transmite apenas o próprio poder. — Plantou um beijo atrás de sua orelha. — Não há nada que nosso reino tenha produzido melhor que você, Hina.
— Palavras muito bonitas, meu rei. — Selou os lábios nos do Hyuuga.
— Vamos, ou estenderemos nossa noite de núpcias. — Afastou-se, seguindo até a porta, esperando a esposa passar com um sorriso largo.
— Deixaria seus convidados sem o devido adeus? — Tomou o corredor rumo à sala de refeições com o moreno ao seu lado. — Iria se indispor com seus aliados desta forma?
— Nada contra os aliados da Lua, mas veja isso. — Pegou uma mão de Hinata e ergueu com a outra, então fez um gesto exagerado de cima a baixo no ar, mostrando o corpo curvilíneo da esposa. — Eu seria louco de rejeitar uma noite com minha linda rainha para ficar na companhia de marmanjos velhos?
— Não sei. — Parou nas portas duplas e uniu as mãos em frente ao corpo. — Gaara e Itachi parecem fazer seu gosto. — Sorriu ao entrar na sala e desejou bom dia a todos os seus convidados sob o olhar assassino do marido. Sabia que teria volta, mas não deixaria de irritá-lo por receio.
Sentou-se à mesa assim que as criadas terminaram o serviço, e conversas animadas tomaram o salão. O café teve um clima perfeito, Tsunade e Temari convidaram Ino para o desjejum no castelo, com a desculpa que o conselho participaria do pós casamento. Inventaram literalmente uma nova regra para as comemorações.
As despedidas tiveram início com o loiro, rei do Sol. Minato, Kushina e Naruto conversaram com o casal desejando os melhores votos e subiram em sua carruagem com a promessa do Hyuuga em visitar, desta vez como rei, o reino distante.
O rei do reino das Flores, Kizashi, pai de Sakura, prometeu uma reunião com a Lua logo após a que teria na Areia. Com uma filha sorridente demais ao seu lado, se despediu, desejando muitas felicidades ao casal real. Neji e Hinata estreitaram os olhos um para o outro quando a carruagem tomava seu caminho para a saída do castelo, imaginando que o próximo evento que uniria os reis seria no castelo de Gaara.
— Perdeu um deles, Neji — Hinata comentou, quando Hashirama se aproximava com o irmão, Tsunade e Jiraya. Abraçou fortemente sua família do coração, ouvindo muitas juras de morte do tio Tobirama ao namorado da amiga, que se demorou em um forte abraço.
— Hina, a culpa é sua. Arrastarei esse monte de feno inútil até a Folha e ficarei de olho até que ele e Tsuna tomem jeito. — O grisalho beijou sua testa, acompanhando o Namikaze até a carruagem, não antes de brincar com o coitado. — Ele dormirá em meu quarto, gosto de me esquentar a noite. — Empurrou Jiraya, se afastando do casal, que gargalhava alto pela cara do primo de Minato.
Temari tirou seu ar tão forte que a apertou em um abraço. A loira não chorava, mas Hinata sabia que estava emocionada. Despediu-se dos dois irmãos da Sabaku e de seu ex-soldado, recebendo os votos e a promessa de um convite de casamento. Neji e Shikamaru mantiveram o aperto de mão por algum tempo, pareciam se admirar mutuamente e sem dúvidas, por tudo que ambos passaram em batalha.
— Itachi, muito obrigada por tudo. — A morena não demorou para se despedir do Uchiha, sentia o olhar queimando em suas costas. — Espero que tenha gostado da festa.
— Foi a melhor, sem dúvidas. — Olhou para trás da rainha, que acompanhou o Uchiha, curiosa, vendo Ino atrás de si acompanhada de seu pai. — Nos veremos em breve, espero.
Assim que ouviu os votos de felicidade do rei do Fogo, deu as costas sem esperar o marido, quase correndo da fúria do moreno.
— Volte aqui, Hina. — Assim que dobrou a primeira curva que dava para os corredores, apertou os passos. — Hinata!
— Está nervoso por perder dois casamentos vantajosos? — Ela entrou na biblioteca, se escondendo entre os livros antigos.
— Eu não me casaria por conta de acordos. Aprendi que devemos lutar pelo amor de verdade, aquele que irrita com brincadeiras tolas e sem fundamentos.
Hinata deixou seu esconderijo gargalhando do marido. — Eu fico feliz por ter aprendido algo assim tão inspirador. — Levou suas mãos até o homem alto, ainda sorrindo com a brincadeira.
— Infelizmente tive que abrir mão de Gaara, pois Sakura chegou primeiro. — Acompanhou a esposa nas risadas altas, que transformavam o ambiente.
A felicidade parecia contagiante, a sala grande, quase sempre tão calma e fria parecia acolhedora, fazendo as gargalhadas ecoarem.
— Já que aprendeu tanto e teve seu coração partido por um ruivo — ajeitou a roupa de Neji e se afastou, tomando o caminho até a porta —, não se importará em ter sua primeira assembleia com seus súditos.
FIM
Nota da autora: Sem nota.
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