Revisada por: Saturno 🪐
Última Atualização: 31/10/2025.O motivo era simples, longe da rua dos Alfeneiros, em um povoado de Little Hangleton, Franco Bryce estava prestes a descobrir que meter o nariz onde não era chamado tinha grandes consequências.
Na antiga residência dos Riddle, Voldemort se encontrava acomodado em uma poltrona velha. Dois convidados o acompanhavam e, junto a eles, um par de olhos curiosos observavam os intrusos silenciosamente.
— Me leve para mais perto do fogo, Rabicho. — Franco escutou uma voz tímida e temerosa e logo em seguida viu de relance um homenzinho. De costas para a porta, ele empurrava a poltrona a passos cuidados, conforme lhe pediram. — Para onde foi Nagini? — a voz sibilou de maneira fria e Franco Bryce pôde sentir cada pelo de seu corpo arrepiar. Algo naquela voz o deixava amedrontado e ele não entendia o porquê.
— Perdoe-me, milorde, mas n-não sei onde ela está — o homenzinho balbuciou, nervosamente. — Talvez tenha saído para explorar a casa, acho…
— Você está cada vez mais inútil e irá ordenhá-la antes de nos recolhermos, Rabicho — disse a voz que tanto temia. Nesse momento, uma terceira voz se fez presente e, junto a ela, Franco notou um caminhar sutil até a lareira.
— Se me permite, Milorde... — A voz era feminina e um sotaque que Franco não conseguiu definir. Contudo, o jardineiro percebeu que aquela voz não demonstrava nem um terço de medo como o homenzinho que havia empurrado a poltrona antes. — Rabicho não se dá bem com a cobra. Deixaria metade do veneno de Nagini inutilizável.
— Ah, minha criança — sussurrou. — Venha cá. — A garota se aproximou da poltrona, se sentando ao chão. — Você está certa. Confiarei essa tarefa a você. Vou precisar me alimentar durante a noite. A viagem me deu uma enorme canseira.
Ordenhar uma cobra? Aquilo parecia um absurdo. Franco conhecia as histórias estranhas que cercavam aquela residência, mas isso já parecia loucura. De testa franzida, ele inclinou o ouvido mais perto da porta entreaberta para assim escutar melhor. Houve uma pausa e, em seguida, o homem chamado Rabicho tornou a falar.
— Milorde, posso perguntar quanto tempo ficaremos aqui?
— Uma semana — sibilou a voz fria. — Talvez mais. Ainda não podemos dar seguimento ao plano. Seria tolice agir antes da Copa Mundial de quadribol. Contudo... — frisou. — Creio que já está na hora de nossa garota sair de Durmstrang.
— Milorde! Não entendo a necessidade de utilizar a garota. — Rabicho tremeu ao ser observado subitamente por ela.
— Estranho, Rabicho — a voz na poltrona sussurrou. — Se eu não lhe conhecesse, acharia que está tentando deixar que ela fique no seu lugar. Essa seria uma tentativa de me abandonar? Ou apenas lhe é atrativo cismar com as minhas decisões?
— Não! Minha devoção à milorde…
— Sua devoção não passa de covardia — a garota, que até então havia ficado em silêncio, voltou a falar de forma ríspida e tão sombria quanto a voz do homem na poltrona. — O Lorde das trevas não está pedindo que você aja sozinho, homenzinho desprezível — persistiu. — Apenas faça sua parte, que até lá o servo mais fiel de milorde terá se reunido a nós.
— Garota insolente! EU sou um servo fiel! — grunhiu Rabicho, se levantando e brandindo a varinha em mãos.
— O que você disse, verme? — bradou a voz feminina. A raiva crescia cada vez mais e a voz da garota já não escondia a repulsa que sentia pelo bruxo em sua frente. E, com a mesma raiva em sua voz, se levantou e ficou frente a frente do homenzinho e sua varinha. — Se atreva se tiver coragem! — provocou.
— Basta os dois! — sibilou, e tanto Rabicho, quanto a garota, se calaram. Odiavam um ao outro, mas sabiam que desobedecer às ordens do Lorde das Trevas era um erro. — Acho que ouvi Nagini e parece que ela trouxe notícias interessantes.
Nesse momento, Franco sentiu seu sangue congelar. Tanto o homenzinho, quanto a garota, agora estavam virados para a porta, e o terceiro emitia ruídos que o jardineiro jamais ouviu na vida. E aquilo o apavorou.
Talvez tenha sido o pavor ou apenas a desatenção, mas mal pôde perceber o movimento vindo pelas costas e, quando o fez, era tarde demais. Virou-se e viu uma coisa deslizando em sua direção. Uma coisa grande e assustadora. Se encheu de terror ao ver que se tratava de uma cobra. Uma cobra gigantesca. E então, para sua surpresa, a cobra passou reto por ele.
— Segundo ela, tem um velho trouxa parado do lado de fora do quarto, escutando cada palavra que dizemos.
Voldemort conhecia aquele trouxa. Era o velho jardineiro que cuidava dos jardins da família Riddle, o sobrenome que tanto odiava. Proferindo mais algumas palavras com a língua das cobras, deu a ordem que queria, e Franco não teve a menor chance de se esconder, muito menos fugir.
Ouviu passos e em seguida a porta do quarto se escancarou, relevando grandes olhos negros de uma mocinha.
— Convide-o para entrar, criança — a voz da poltrona tornou a falar. A garota deu um passo para trás e fez sinal para Franco entrar. Apesar do medo, Franco seguiu em frente.
— Você ouviu tudo, trouxa? — perguntou a voz fria.
— Do que foi que o senhor me chamou? — Franco perguntou, o desafiando e morrendo de medo no processo.
— Trouxa. Significa que não é bruxo — murmurou a garota escorada sobre a porta. Vendo-a melhor agora, Franco podia jurar que ela não tinha mais que 14 anos, mas ainda assim o amedrontava muito mais que o outro homenzinho.
— Eu continuo sem saber o que significa. — Olhou para a garota. — O que sei é que já ouvi o suficiente para despertar o interesse da polícia.
— Oh, vamos lá, ele realmente acha que os trouxas têm alguma autoridade por aqui — Voldemort disse em tom de deboche, e Rabicho segurou o riso.
— O que vamos fazer com ele, senhor? O que vamos fazer? — Rabicho tornava a falar, dando pulinhos. A garota arqueou a sobrancelha, não era possível que tivesse que aguentar mais qualquer segundo ao lado daquele bruxo.
— Tenho algumas ideias em mente, Rabicho — sibilou. — Mas primeiro venha virar minha poltrona. Seria rude não encarar o convidado.
Rabicho não demorou muito para chegar até a poltrona frente a lareira e, com cuidado, virou pouco a pouco, fazendo com que Franco Bryce visse pela primeira vez a pessoa, ou melhor dizendo, a criatura que estava sentada. Não demorou muito para perder totalmente a coragem quando viu o que havia na poltrona.
Foi então que Voldemort sorriu largo.
— Satisfeito, trouxa? — gargalhou, enquanto Franco tremia, e a bruxa sentiu um calafrio percorrer seu corpo por saber o que vinha a seguir. — Agora, que tal se divertir um pouco, Nagini?
Era o que ela temia.
A imagem que Franco teve foi a mais amedrontadora possível. A cobra que havia visto antes vinha em disparada em sua frente. Mas antes que pudesse reagir, um relâmpago de luz verde se aproximou, e Franco Bryce desabou, aprendendo de uma vez por todas que quem muito procura, acha.
E assim, a quilômetros de distância, Harry Potter acordou, sentindo uma dor alucinante em sua antiga cicatriz.
Esses feitos, contudo, se dariam por causa de uma educação rigorosa.
Quando a garota tinha idade suficiente para frequentar a escola de magia, seu tio, Lúcio Malfoy, tivera uma conversa com um antigo amigo, Igor Karkaroff, o diretor da Durmstrang. Lúcio fez com que Karkaroff aceitasse de bom grado sua sobrinha. O diretor, é claro, jamais diria não para uma oportunidade tão digna de ser recompensada, embora certamente não esperasse que a garota fosse tão brilhante e destemida quanto era. Ela se destacou em inúmeras disciplinas, como, por exemplo, aula de Alquimia e Artes das trevas. É claro que a pequena Malfoy tinha de quem herdar tais talentos, afinal, era filha de dois grandes bruxos, Severus Snape e a falecida caçula dos Malfoy.
encontrava-se arrumando suas vestes em frente à mansão na qual passou grande parte de sua infância. Localizada em Wiltshire, ao sudeste da Inglaterra, a mansão era uma casa antiga e nobre, na qual viveram gerações e mais gerações de Malfoys. Aproximou-se da porta e, ao abri-la, estranhou o fato do elfo doméstico não estar de prontidão para pegar suas malas. No lugar dele, estava sua tia, Narcisa.
— Bem-vinda, querida — a mulher falou, abraçando a sobrinha, que retribuiu sem muito agrado. Havia passado tempo demais com o lorde das trevas e aprendeu que muito afeto era um estorvo.
— Onde está Dobby? — perguntou, deixando as malas ao encalço da porta. O sotaque búlgaro da garota não passou despercebido por Narcisa, que arqueou a sobrancelha. Três anos foram o suficiente para que o ganhasse, e a Malfoy mais velha ponderou um pouco antes de falar o que havia acontecido com o elfo doméstico da família.
balançou a cabeça em negação. Ela gostava do elfo mais que qualquer um naquela casa e iria sentir sua falta.
— Me admira que meu tio tenha caído em um truque ridículo — proferiu, antes de começar a caminhar em direção às escadas que levavam ao primeiro andar. Narcisa a acompanhava.
— Sim, querida. Mas com todas as coisas que passavam pela cabeça de Lúcio naquele momento, recheado de frustrações, como bem sabe...— Narcisa tornou a dizer. — Jamais imaginaria que o filho dos Potter teria tamanha audácia.
Potter, novamente o garoto que mal conhecia era mencionado por sua família.
— É, estou a par de toda situação. — Não deu mais espaço para conversa. Tudo o que a garota menos queria era começar a debater com sua tia sobre os fracassos anteriores de trazer Voldemort de volta à vida. No último degrau, avistou o corredor que dava direto para os aposentos dos moradores daquela casa. — Creio que meu quarto continua intacto?
— Exatamente como deixou, — a mais velha respondeu, se lembrando de quando a pequena Malfoy havia deixado a Mansão. Poderia parecer uma pergunta tola, mas, desde que foi para Durmstrang, não teve chance de ver seu quarto novamente, e o motivo era simples: estava fora dos planos de Voldemort que ela voltasse para a casa em suas férias.
É claro que o primeiro ano em que soube disso não foi nada fácil. Mas já que Krum e seus outros amigos também permaneciam no Instituto, todos limitando-se a visitar a família poucas vezes ao ano, se sentiu acolhida. Foi com esse pensamento que a garota se direcionou para a última porta. Mas, antes de chegar ao seu quarto antigo, vacilou em frente à outra.
O quarto de Draco.
A garota parou por uns segundos e, antes que tivesse a audácia de abrir a porta, uma voz no andar de baixo chamou-lhe atenção.
— Chegamos, mamãe. — A voz do primo era inconfundível, e ela não precisava vê-lo para saber que era ele ali. E então, tirando-as dos seus pensamentos, os passos vinham largos e rápidos pelas escadas.
escorou-se na parede escura, preparada com seu sorriso mais malicioso. Os passos estavam cada vez mais próximos e quando os pés finalmente chegaram ao topo, Draco vacilou.
Merda, pensou o garoto.
— O que você está fazendo aqui? — O loiro piscou algumas vezes antes de perceber quem estava no corredor. Já fazia um tempo que não via a prima. Desde sua partida, havia permanecido em Durmstrang até mesmo durante suas férias, e Draco tinha que confessar, ela estava um tanto diferente.
Sentiu seu estômago embrulhar, como se malditas borboletas estivessem dentro dele. Talvez fosse a forma como a garota se encontrava agora, mais alta, com os cabelos maiores, mas com aquele olhar sempre característico. Ou talvez fosse apenas pela ausência dela todos esses anos. De qualquer maneira, ele não estava pronto. Assim como não estava pronto antes para deixá-la, também não estava para revê-la.
— É assim que você me dá as boas-vindas? — provocou, se aproximando do primo, e Draco permaneceu estático. Mas, antes que pudesse falar ou fazer qualquer coisa, notou que outra pessoa subia a escada. — Tio Lúcio. — A garota se desvencilhou do primo e foi de encontro ao tio. nutria um carinho enorme pelo homem, que só não era maior que aquele que sentia por seu pai.
— Vejo que aceitou meu convite para a Copa Mundial — Lúcio falou, ao abraçar a sobrinha. Já havia passado da hora da garota voltar para a casa e, é claro, dar início àquilo que todos os Comensais da Morte mais aguardavam. Mal notou, contudo, a cara de espanto que seu filho fez ao ouvir tais palavras.
— E teria como recusar? — Piscou, ao se afastar do abraço do tio. — O senhor sabe que Quadribol é meu único grande amor — brincou, e viu seu tio sorrir. De fato, seu tio sabia o quanto a jovem se destacava como artilheira em sua escola, além de ter consciência de que o garoto Krum e ela eram próximos. — Agora, se me permite, vou para meu quarto. Creio que ainda tenho algumas horas antes de irmos, certo? E já faz um bom tempo desde a última vez em que dormi em uma cama de verdade. — Lúcio assentiu.
Ela não se referia a Durmstrang e sim aos locais nos quais esteve junto ao Lorde das Trevas nos últimos meses.
— Corretíssima — Lúcio falou, mas a garota já lhe havia dado as costas e voltava a andar pelo corredor.
— A propósito, tio. — Virou-se para trás, e Draco não pôde deixar de reparar na prima mais ainda. E, de fato, seu olhar estava cada vez mais marcante, se é que isso era possível. Lúcio, por sua vez, jurava ter visto o fantasma de sua irmã naquele momento. — Foi absolutamente estúpido de sua parte perder Dobby daquela maneira. Parece que o garoto Potter é mais inteligente do que você me falou e subestimá-lo novamente pode custar caro — disse, de forma dura. Nem em um milhão de anos imaginou-se falando com o mais velho assim, mas já havia passado por provações o suficiente para se importar com isso agora. Virou-se de volta e percebeu Draco ruborizar.
Como a garota ousava falar assim com seu pai? O primo, contudo, não sabia o peso que a garota carregava, e ela não se intimidava fácil, tampouco se importava em falar severamente com qualquer pessoa. E, claro, não admitiria que gostava do elfo.
— Lugares de primeira! — exclamava a bruxa do Ministério. Em mãos estavam as entradas do Sr. Weasley. — Camarote de honra, Arthur, suba direto e o mais alto possível.
O grupo do Sr. Weasley era animado e definitivamente agitado. Muito em parte porque, para alguns, era a primeira vez que veria um jogo tão grande de perto. Arthur, Harry, Hermione, Gina, Rony e os gêmeos Weasley subiam as arquibancadas do estádio pé por pé, ficando cada vez mais alto, até chegarem ao topo da escada.
Ali, havia um pequeno camarote armado no ponto mais alto do estádio, situado exatamente entre duas balizas de ouro. Um lugar privilegiado, de fato.
— Olhem só isso! — Harry dizia a Rony e Hermione, apontando para a quantidade de pessoas ali presentes, extasiado por tudo o que via. Nunca esteve em uma Copa Mundial antes, tampouco presenciou um jogo de quadribol em um estádio tão grande quanto aquele e, naquele momento, não era de se espantar que o quadribol em Hogwarts havia até perdido a graça para o garoto.
Fred e George pulavam e agitavam a arquibancada empolgados. Eles, juntamente a Hermione e Gina, torciam para a Irlanda.
Já Harry e Rony esperavam ansiosos a chegada de Viktor Krum, o apanhador da Bulgária.
O camarote foi se enchendo gradualmente. Sr Weasley não parava de apertar as mãos de outros bruxos, que obviamente eram muito importantes, e então Cornélio Fudge apareceu.
Fudge era o Ministro da Magia da comunidade britânica e também companheiro de trabalho de Arthur Weasley. Após cumprimentar o Weasley mais velho, foi que então se dirigiu a Potter. Cumprimentava Harry como se fossem velhos amigos, perguntou como ele estava e o apresentou aos bruxos de um lado e de outro. Feito isso, o Ministro da Magia voltou para um bruxo búlgaro e engataram uma conversa empolgada.
Falavam, claro, sobre Harry.
— Não sou muito bom com línguas — disse Fudge a Harry, ao insinuar sobre a conversa com o búlgaro. — Normalmente, preciso de Bartô Crouch nesses momentos. — Dava tapinhas no ombro de Harry. — Ah, vejo que o elfo doméstico está guardando o lugar dele e… ah, aí vem Lúcio!
Harry, Rony e Hermione se viraram depressa. Avançando vagarosamente pela segunda fila, em direção a quatro lugares ainda vazios, bem atrás dos Weasley, vinham nada mais, nada menos, que Lúcio Malfoy e seu filho Draco, que estava com uma expressão que Harry nunca havia visto antes. Não que Draco já tivesse tido uma cara de bons amigos de qualquer forma.
Atrás deles, contudo, vinha uma mulher que Harry supôs ser sua mãe e, logo após ela, uma garota com cabelos tão loiros quanto os de Draco e Lúcio.
Ao olhar mais atento para a menina, Harry sentiu sua cicatriz arder. Hermione e Rony notaram a reação de Potter no mesmo instante e, quando viraram para ver o que Harry observava, ficaram completamente confusos. Draco tinha uma irmã? A garota, contudo, não aparentava ter o mesmo olhar que os outros Malfoy.
Não! Seus olhos não eram claros como os demais. Os olhos da garota eram tão escuros quanto breu e, quando ela os voltou para Harry, ele pôde jurar que já havia presenciado aquilo antes.
— Ah, Fudge — disse o Sr. Malfoy, estendendo a mão em cumprimento ao chegar mais próximo. — Como vai? Acho que você não conhece minha mulher, Narcisa, e nem nosso filho, Draco. — Apontou para seus acompanhantes.
— Como estão, como estão? — disse Fudge, se curvando à Sra. Malfoy. — E essa deve ser… — Aproximou-se da garota.
— Eileen Malfoy. — Foi a vez do bruxo búlgaro falar. — É um prazer revê-la. — Fez reverência à garota, e, ao julgar pela expressão de surpresa que Fudge mostrou, certamente ela era importante. — Desculpem minha intromissão, é claro. Sou Obalonsk, Ministro da Magia da Bulgária — cumprimentou Lúcio, que apertou sua mão. — Reconheceria esse rosto em qualquer lugar. Fico feliz que a nossa seleção tenha uma bruxa como você na torcida. — A garota tornou a sorrir.
— Obrigada, senhor — disse cordialmente e apertou a mão do ministro. Foi a primeira vez que Harry a ouvia falar, ainda assim, a voz dela era estranhamente familiar. Ele apenas não sabia, ou não lembrava o porquê.
— Mas é claro que o senhor conhece minha sobrinha. — Agora foi a vez de Lúcio falar diretamente para Fudge. — Filha da minha falecida irmã, Katrina. — O Sr. Weasley foi o próximo a arregalar os olhos.
— Mas é claro! — O Ministro apertou a mão da garota, que deu um sorriso de lado. — E vejamos quem mais. Você conhece Arthur Weasley, imagino?
Foi um momento tenso. Sr. Weasley e Sr. Malfoy se entreolharam, e Harry se lembrou da última vez que os vira juntos. Fudge, que não estava prestando atenção nos olhares de ambos, comentou:
— Lúcio acabou de fazer uma generosa contribuição para o Hospital St. Mungus. Está aqui como meu convidado.
— Que bom — Sr. Weasley disse, com um sorriso muito forçado.
Os olhos de Lúcio se voltaram para Hermione, que corou de leve, mas retribuiu o olhar. Harry sabia exatamente o que Lúcio pensava. Ele acenou com desdém para o Sr. Weasley e continuou a avançar em direção aos lugares vazios. Então, o que Harry menos esperava aconteceu.
— Por Merlim, Weasley — disse Draco baixinho quando veio em sua direção. — Que foi que seu pai teve que vender para comprar lugares no camarote? — disse com desdém, e Rony estava prestes a avançar no garoto, até que mãos femininas tocaram os ombros de Draco.
— Que tipo de educação você anda tendo, priminho? — falou tão arrogante quanto o primo, e os outros puderam, pela primeira vez, perceber que a garota tinha um leve sotaque. Búlgaro. Apostaram.
Draco, entretanto, ficou tão vermelho quanto os cabelos de Rony quando a garota falou.
— Sou Malfoy. É um prazer conhecê-los. — Olhava fixo a Harry. — Acredito que os senhores devem ser Potter, Weasley e, é claro, Granger. Meu primo falou muito sobre vocês — pontuou, enquanto olhava de um para outro. — Espero que curtam o jogo. — E saiu levando seu primo consigo.
— Babacas nojentos — murmurou Rony, quando ele, Harry e Hermione tornaram a virar para o campo. Naquela altura, os três tiveram certeza de que o jogo seria maravilhoso e, no outro instante, Ludo Bagman adentrou o camarote de honra.
Bagman direcionou a palavra para o ministro, que lhe deu carta branca. Em instantes, Ludo puxou a varinha, apontou para a garganta e disse “Sonorus!”. E então, um “boas-vindas” em uma voz alta e clara ecoou em cada canto das arquibancadas, apresentando os mascotes de cada time e finalmente os jogadores de cada, começando pelos os da Irlanda. Potter, Granger e os Weasley pularam de alegria, ficando ainda mais atentos e animados quando começou a ser anunciado o time nacional de quadribol da Bulgária.
— Por ordem de entrada: Dimitrov! Ivanova! Zograf! Levski! Vulchanov! Volkov! E… — Colocou suspense na voz. — Krum!
Um vulto vermelho montado em uma vassoura apareceu. Ele voava tão veloz que se um deles piscasse, o jogador viraria um borrão. Krum disparou pelo campo e um aplauso frenético dos torcedores da Bulgária foi ouvido. Todos gritavam.
“Krum... Krum… Krum...”
— É ele, é ele — berrou Rony a Harry, e ambos acompanharam Krum com o onióculo que ganharam. E, de repente, Krum se aproximou tão rápido da arquibancada onde os dois estavam que Harry e Rony piscaram algumas vezes até entender o que estava acontecendo.
Quando perceberam, os cabelos loiros quase brancos da garota Malfoy estavam no meio dos dois. O que aconteceu a seguir foi o mais estranho ainda. Rony estava tão estático por Krum estar parado tão próximo que se um deles esticasse a mão, o alcançaria. E então a garota Malfoy se apoiou na proteção da arquibancada e saltou para Krum, que a pegou com agilidade em sua vassoura.
A torcida urrava em alegria. Ambos sobrevoam o campo acenando. Harry olhou para trás e identificou os Malfoy sorrindo para a garota. Draco, entretanto, permanecia fechado. Odiava a atenção toda que estavam dando à garota.
Os outros jogadores da Bulgária se aproximaram de Krum e da garota e agradeceram juntos o entusiasmo dos torcedores. Ron não parava de dizer o quanto a garota tinha sorte, e Hermione perguntou para o Sr. Weasley se aquilo era normal de acontecer.
— Não exatamente, querida — Sr. Weasley falava gritando para que Hermione entendesse. — Mas se essa garota for quem eu penso que é, ela é tão boa apanhadora quanto Viktor Krum. — Ron virou-se para o seu pai.
— Impossível — sussurrou.
— Não, não é. — Fudge intrometeu-se. — estaria jogando na seleção da Bulgária agora se não fosse o fato de a garota morar aqui — continuou. — A pequena Malfoy é uma das únicas meninas a estudar em Durmstrang — pontuou. — Os búlgaros estão extasiados dessa forma, pois sabem quem ela é e o que ela faz. Agora vamos, vamos! O jogo já vai começar.
E assim, após Krum trazer a garota, a voz de Bagman ecoou pela arquibancada novamente em um belíssimo “Começou”.
Ao final do jogo, os Weasley, Harry e Hermione voltaram para o acampamento. Fred e George comemoravam animados a vitória dos Irlandeses.
Ron continuava a afirmar que a vitória foi injusta e a cada três frases ditas por ele, uma era sobre Viktor Krum e seu talento. Gina e Hermione pareciam indiferentes com os meninos. E quando Harry ria com a reação de Ron e dos gêmeos, que pegavam em seu pé, um tumulto estranho, acompanhado de vários gritos, se formou do lado de fora da barraca. Sr. Weasley ficou atento.
— Os irlandeses estão empolgados com a vitória — Jorge comentou.
— Shiu. — Sr. Weasley pediu silêncio aos garotos. — Não são os irlandeses.
A sequência de fatos a seguir foi amedrontadora. Sr. Weasley deu instruções claras aos filhos e amigos. Ambos deveriam voltar para a chave de portal. Os gêmeos se encarregaram de cuidar de Gina e corriam mais à frente dos outros três. Era um tamanho tumulto, pessoas correndo de um lado e de outro, barracas pegando fogo e estranhos bruxos com máscara e encapuzados vinham murmurando palavras que o grupo não conseguiu identificar. Alguém esbarrou em Harry e o fez cair no chão, perdendo a consciência e o restante do grupo. Quando Harry acordou, o acampamento estava vazio. Apavorado, Harry tentou se esconder dos encapuzados, atitude essa que foi certeira, pois, logo em seguida que o garoto se escondeu, um dos bruxos conjurou um feitiço que fez uma cobra gigantesca em forma de fumaça verde aparecer no céu. Saía da boca de uma grande caveira. A cicatriz de Harry doía freneticamente e, tendo mais sorte do que nunca, os encapuzados se foram. Quando Harry estava sentindo que não havia mais chances, uma voz conhecida gritava seu nome.
— Harry! Harry. — Hermione vinha em sua direção, juntamente de Rony. Os três amigos se abraçaram forte. — Estávamos tão preocupados.
— Estou bem — Harry falava abafado pelos braços. — Quem eram aquelas pessoas?
— Harry, aqueles eram… — Ron estava prestes a falar, até que quase foram atingidos por raios vermelhos e membros do ministério avançaram para eles, gritando:
— Estupefaça!
Por sorte, Sr. Weasley chegou para intervir.
— PAREM! SÃO MEUS FILHOS — gritou o ruivo, desesperado, se enfiando frente aos colegas de trabalho. — SÃO APENAS CRIANÇAS!
— Quem conjurou aquela marca? — Bartolomeu Crouch apontava a varinha para os três bruxos. Depois daí, muitas coisas tiveram que ser explicadas.
verificava pela última vez se havia pego todas as coisas da lista da escola nova. Vestiu suas vestes, pegou seu malão e assobiou para Penny, sua coruja. A coruja então pousou agilmente em seu ombro assim que um barulho na porta do quarto foi percebido.
Malfoy virou-se.
— Entre — falou, e a porta se abriu, revelando duas pessoas.
— Pegou tudo? — Snape encontrava-se parado na porta junto de Tom, o dono do Caldeirão Furado.
— Sim, senhor. — aproximou-se de seu pai, trazendo as malas consigo. — Obrigada pela hospedagem — agradeceu a Tom.
— Deixe me ajudá-la, senhorita. — Tom apressou-se para segurar a mala da garota, escapando por pouco de uma bicada da coruja, e seguiu pelo corretor. fechou a porta atrás de si e tornou a andar junto de seu pai.
— Seu tio nos espera lá embaixo. — Pousou a mão sobre o ombro da garota, aquele que a coruja não ocupava. — Creio que você não vai querer utilizar o expresso Hogwarts, correto?
— Corretíssimo. Prefiro o jeito que estou acostumada. — Sorriu para o pai
Quando a dupla foi ao andar de baixo, a figura do segundo Malfoy foi vista. Lúcio se aproximou da sobrinha, que soltou Penny, segurou firme o malão que Tom trouxera, e tanto Severus, quanto Lucio, seguravam firme os ombros da menina.
— Pronta? — Snape perguntou à garota
— Como nunca — disse, sorrindo. E então os três aparataram.
Hogwarts era maior que Durmstrang em todos os aspectos, tinha que admitir.
O castelo estava centralizado em cima de montes de terras e rochedos. Tinha terrenos vastos, um lago, e pôde jurar que uma das mais densas florestas que ela já vira.
Todos os outros alunos da escola já haviam chego, e, pelas instruções de seu pai, se encontravam no Salão Principal. Um homem magricela, de cabelos cinzas e uma pele um tanto quanto pálida, junto de uma gata horrenda, se encontrava frente a uma grande porta de carvalho. Porta essa que descobriu ser, mais tarde, do Salão Principal. Snape se direcionou até o homem e falou algo em seu ouvido. O homem então se apressou para entrar no Salão e, em segundos, seu pai já havia voltado a se posicionar ao seu lado, junto de seu tio.
Dentro do Salão, Potter e seus amigos escutavam atentos às palavras do diretor:
— Atenção todos, por favor... Antes de darmos início ao banquete, gostaria de dizer algumas palavras. — A voz do diretor se fez presente e rápida, todos ficaram em silêncio. — Não é muito comum as escolas de magia fazerem transferência. Contudo, devido a alguns fatos envolvidos, tenho o prazer de receber uma nova aluna. Filha de nosso querido professor de poções, Severus Snape, por favor, recebam a senhorita Eileen Malfoy.
Todos os alunos ficaram surpresos. Ouvia-se vários comentários engraçados: “Quem teve coragem de ter um filho com Snape?”; “A garota deve ser tão chata quanto o pai”; “Imagina como ela deve se aparecer”; “Malfoy, por que Malfoy?”.
Contudo, o trio da Grifinória permanecia estático em seus lugares, mais confusos do que nunca. Sabiam que a garota era prima de Malfoy, mas filha do professor Snape? Aquilo era no mínimo estranho!
Mas não tiveram muito tempo para agir, pois logo as grandes portas de carvalho foram abertas e Lúcio Malfoy, Severus Snape e vinham pelo corredor do Salão Principal.
A primeira coisa que Harry notou foi o olhar que a garota pousou sobre ele. Era confuso, Harry então se tocou de onde conhecera o olhar da garota antes…
Ele era igual ao do pai.
Draco, por sua vez, se irritou com as piadinhas de seus amigos a respeito da prima, mas não deixou de se perguntar que diabos a garota fazia ali. Afinal, achou que a visita da prima se limitava apenas à Copa Mundial de Quadribol.
prestava atenção em todos e em tudo. E apesar de não admitir, ela havia se admirado com as milhares de velas que iluminavam o lugar. Os demais alunos permaneciam sentados na mesa de cada casa e, bem ao centro, embaixo da mesa que notou ser dos professores, se encontrava um chapéu velho, roxo e surrado.
O chapéu seletor.
Não houve surpresas quando o chapéu seletor declarou em alto e bom tom que a casa de destino da garota seria a Sonserina. O que surpreendeu a todos foi o tempo que o objeto mágico tomou para escolher a casa, como se os cabelos quase brancos e histórico familiar não fossem suficientes para escolher sua casa. Analisou as características da garota, e ela sequer contestou uma palavra do chapéu mágico, nem mesmo quando, por um breve momento, ele considerou a Grifinória.
A Malfoy sabia qual era a sua casa de destino. Sonserina era a casa de seu pai e de sua mãe, bem como de toda a família Malfoy. Não havia para ela outro lugar para estar que não aquele, e aquela era sua certeza.
Ao tirar o chapéu, os olhos negros da menina pousaram em seu primo, Draco, que tentava de todo modo esconder sua surpresa em tê-la ali — falha tentativa, devemos pontuar —, e ela seguiu seu caminho até ele sem sequer olhar para o trio, que na mesa do outro lado do salão a encarava de modo curioso. Afinal, o que fazia tão tardiamente em Hogwarts?
Tomou seu lugar ao lado de Draco, enquanto Dumbledore proferia mais meia dúzia de palavras para recepcionar os alunos naquele novo ano. Com um breve olhar, observou o pai à mesa dos professores. Tinha a mesma feição há longos minutos.
A feição neutra que todos os alunos de Hogwarts bem conheciam, mas que, para , não era tão familiar. Diferente do que ocorria nos corredores da escola, com a filha, Severo tinha feições mais brandas. Sorrisos eram raros, isso era um fato, mas ainda era a pessoa em todo o mundo que mais havia visto o homem sorrir. E, para a menina, era, no mínimo, incomum ver o pai daquele modo.
— Mas o que, pelas barbas de Merlin, você está fazendo aqui? — Draco tinha a voz baixa, quase como um sussurro, já que não queria que todo o grande salão soubesse que ele não ele não havia sido informado antes da vinda da prima.
E aquilo era, no mínimo, estranho. Sempre ficará apar das decisões de seus pais e com certeza a de em Hogwarts era nova para ele. Mas, de certa forma, não era isso que incomodava o jovem Malfoy.
Quero dizer, talvez o que mais lhe incomodasse fosse o fato de tê-la tão perto novamente. Fazia anos que não se viam. Ela era uma estranha, não era? Dizia pra si mesmo que não se importaria, que não eram mais as crianças de antes, tampouco se preocupavam um com outro, e ela não atrapalharia sua vida. Não é?
— Ora, priminho, achei que tinha escutado. Mas, pelo jeito, é mais desatento do que eu pensava. — Ponderou, com um tom de sarcasmo que fez o outro rolar os olhos. Ela realmente sabia como irritá-lo.
— Eu fui transferida e…
— Isso eu entendi! — Draco a interrompeu irritado. fazia de propósito, ou era tão difícil de entendê-lo? De qualquer maneira, queria mesmo era de uma vez saber o porquê dessa repentina decisão.
— Mas por que você foi transferida para cá? — questionou, de maneira impaciente. Conhecia a prima muito bem para saber que um de seus passatempos favoritos era irritar Draco sempre que possível. O que não era difícil, já que ele estava sempre predisposto a irritação com seu ego frágil, e ter por perto parecia elevar isso.
— Essa não é uma conversa para termos aqui, Draco. — A voz da garota agora era firme e, ao fixar seus olhos negros ao seu primo, ele sentiu os pelos da nuca se arrepiarem. Ela o fez de novo. Ele realmente gostaria de saber em qual momento a prima havia se tornado tão sombria como nos últimos dias.
— Se é que você entende o que quero dizer — falou, por final, antes de se virar para pegar um bolinho, e ouviu o garoto bufar frustrado antes de questionar:
— E como é que chegou aqui, afinal? Tenho certeza de que não estava no trem. — A menina deu de ombros, encarando o que tinha em mãos em uma tentativa de decifrar de que sabor era.
— Aparatação.
Draco franziu o cenho.
— É claro que não. Está mal-acostumada com Durmstrang, é claro! Aparatação não é permitida em Hogwarts.
Draco começou a se sentir feliz por ter a chance de desbancar a prima, mas, quando viu o sorriso lateral em seu rosto, ele soube que não gostaria da resposta.
— Eu tenho meus privilégios, Draco. E, como bem sabe, aprendi aparatação muito antes do que o esperado. Não foi difícil para meu pai e o seu solicitarem a Dumbledore que o feitiço anti aparatação de Hogwarts fosse removido para que eu chegasse a tempo. — Nesse momento, fez questão de encarar o rapaz só para vê-lo boquiaberto com sua resposta.
Tornou a olhar para frente, e dessa vez notou os olhos de Potter sobre ela. Lhe arqueou uma sobrancelha, fazendo o garoto perceber que havia sido pego.
Hermione, que se encontrava ao lado do garoto, o cutucou, o fazendo soltar um murmúrio insatisfeito.
— Pare de encará-la. Snape está de olho em você. — Mione usou o tom mais baixo que pôde, mas poderia ter gritado, já que Harry se virou sem discrição alguma para encarar o professor, que tinha os olhos repousados sob Potter. Houve uma pequena alteração em sua feição, mas aquela pequena alteração deu a Snape ainda mais cara de insatisfeito com o que Harry fazia.
O garoto se virou para frente, encarando Rony, que comia como se a qualquer momento a comida do mundo pudesse acabar.
— Maldito Potter. — A voz de Draco ecoou ao lado de , e ela encarou o primo. — Se dependesse de mim, nem ele e nem aquela escória que está sempre com ele estariam aqui. — As bochechas de Draco agora tomavam tons de rosado, indicando toda a raiva que o garoto sentia. revirou os olhos, e a ação não fugiu aos olhos do garoto Malfoy
— O que foi? Vai me dizer que foi com a cara do Potter e de seu bando de sangues ruins? — Draco tinha deboche em sua voz, o tipo de deboche que ela conhecia bem.
— Eu só acho que você se importa demais com eles e com o que fazem ou deixam de fazer. Talvez se você se ocupasse um pouco mais em melhorar no quadribol, não teria tanto tempo livre para se preocupar com eles, priminho. — A resposta de claramente não agradou Draco, nem o fato de que ela fez algumas pessoas rirem dele, mas acabou por ser provocação suficiente para uma noite entre os primos.
— Atenção, alunos! — A voz de Dumbledore ressoou por todo o salão e, aos poucos, o silêncio tomou conta do local para que todos pudessem escutar o que o bruxo de longos cabelos e barba branca tinha a dizer. — Obrigado.
Dumbledore tinha um pequeno sorriso que parecia empolgado em seus lábios, e o olhar entregava que o que tinha a dizer a seguir era, com certeza, algo que animaria os alunos. Porém seu aviso de que a floresta proibida, era — para a surpresa de nenhum aluno que já tivesse passado do seu primeiro ano — proibida, não condizia com sua animação.
Então aguardou atenta o anúncio de Dumbledore.
— Esse ano não realizaremos a copa de quadribol entre as casas. — Os murmúrios descontentes se seguiram por todo o salão, mas o bruxo mais velho apenas os ignorou, dando continuidade à fala. — Isso se deve ao fato de que, em outubro, um evento muito especial terá início e se seguirá por todo o ano letivo, demandando muito de nossos professores, mas garanto que vão apreciar tanto quanto a copa. Quero anunciar que esse ano, Hogwarts vai…
Mas não houve tempo para que terminasse sua fala.
Com um ranger repentino, as portas do grande salão se abriram e, logo em seguida, uma forte trovoada foi ouvida e depois mais um clarão. conseguiu ver quem era o homem parado à porta.
O desconforto tomou conta da garota. Ela sabia da chegada dele, porém não sabia que seria mais cedo que o esperado.
— Aquele é o Moody? Olho-tonto-Moody? — Ouviu alguém perguntar um pouco mais à frente na mesa. Não notou quem era e nem se daria ao trabalho. Estava demasiadamente concentrada no recém-chegado.
Durante todo seu caminho até a mesa dos professores, Alastor teve a atenção de , que se dividia entre o desconforto e repúdio. Que não gostava dele era um fato que estava claro para qualquer um disposto a ver, e a garota tinha suas boas razões para aquilo afinal.
Em dado momento, depois de trocar duas ou três palavras com Dumbledore, Olho Tonto se sentou à mesa dos professores e, ao se virar, ambos os olhos focaram na garota. Um sorriso torto se formou nos lábios dele, mas não era felicidade, era uma mistura entre o sarcasmo e o desgosto, deixando claro que os maus sentimentos eram mútuos entre eles.
— Como eu ia dizendo… — retomou Dumbledore, tendo novamente a atenção dos alunos. — Esse ano Hogwarts vai sediar um evento que há muito não acontecia. Tenho o prazer de informar que este ano realizaremos o torneio tribruxo em nossa escola. — sorriu, sabia bem o que aquilo significava.
Houveram urros empolgados e conversinhas sobre o que era o citado torneio. Todos pareciam muito empolgados, e não podia negar que também estava.
Dumbledore iniciou uma explicação detalhada sobre o que era o torneio, para todos aqueles que não estivessem informados, e a atenção de foi novamente ao recém chegado sentado à mesa dos professores no exato momento em que ele abria um pequeno cantil e tomava de seu conteúdo, seguido de uma careta. poderia apostar todos seus galeões que aquilo não era suco de abóbora.
Os olhos dele tornaram-se a pousar sobre a garota e ele estendeu o cantil com um sorriso sarcástico nos lábios, ao que ela apenas respondeu com um revirar de olhos. Snape olhava a filha com atenção, tentando desvendar o olhar que a filha tinha. Não sabia da falta de simpatia de por Olho Tonto — ou deveria chamá-lo de Bartô Crouch Jr? Mas se Snape soubesse quem realmente era o sujeito, não culparia a filha. Crouch era realmente desprezível, e o próprio Snape não tinha apreço algum pelo homem.
Severo lançou um breve aceno de cabeça para — tentando amenizar o que ele achava ser apenas um nervosismo do primeiro dia —, e ela entendeu no mesmo instante. “Mantenha a calma, está tudo bem” era o que queria dizer, e apesar da inexistência das palavras, ela acreditou.
Haviam finalmente terminado o banquete e foram informados que era hora de seguirem para suas salas comunais. , que odiava multidões de adolescentes empolgados com coisas bobas, como o que haviam feito em suas férias, apenas aguardou que ela diminuísse, e quando aquilo ocorreu, ela se levantou, seguindo para fora do salão.
Seguiu uma aluna mais velha da Sonserina por escadas e corredores, até que, em um piscar de olhos, a perdeu de vista, se sentindo estúpida por aquilo, afinal, o lugar já estava vazio. Como poderia ter sido capaz de perder alguém em um lugar vazio?
Deu mais três passos e virou em um corredor, mas não havia prestado tanta atenção e acabou por bater de frente com um rapaz, e, por ele ser consideravelmente mais alto e corpulento, acabou no chão.
— Sinto muito. Deixe-me ajudá-la. — Estendeu a mão, e ela não recusou.
Diferente de grande parte dos Malfoy, não era tão orgulhosa e arrogante ao ponto de berrar com um estranho por conta de algo que claramente havia acontecido sem intenção de machucá-la.
Assim que se levantou, encarou o rapaz à sua frente. Era alto, de pele clara, cabelos castanhos e olhos de um tom acinzentado que lembraram a os dias nublados em Durmstrang. Usava vestes pretas com detalhes em amarelo e o emblema com um texugo no peito. Não parecia estar no mesmo ano que , chutou que talvez seria do quinto, até mesmo do sexto ano.
— Você está bem? — o rapaz perguntou, após notar que ela o observava, e a garota assentiu, parando de analisá-lo.
— Sim, estou sim. Obrigada — informou, ajeitando as vestes, e ele sorriu de modo simpático. Simpatia. Não sabia como, mas ela tinha certeza de que essa característica era o forte do garoto em sua frente.
— Você é a garota que veio de Durmstrang, não é? A filha do professor Snape? — sorriu do mesmo modo que o garoto, porque notou que a cara fechada lhe tomava todo o rosto.
— Sim, meu nome é . Eileen Malfoy. — Ela estendeu a mão, e ele franziu o cenho ao mesmo tempo que a apertava.
— Malfoy? Então você é realmente prima do Draco? — riu um pouco por conta da expressão dele.
Sentia que veria esse tipo de reação por mais algumas vezes quando se apresentasse. Parecia que a popularidade de seu primo em Hogwarts era bem diferente do que ele falara.
— Sim, sou sim, e se ele lhe fez algo, já peço desculpas de antemão. É um garoto genial, você sabe — informou, e Cedrico abriu um sorriso um pouco maior. Afinal, a garota Malfoy não era como o primo. Parecia muito mais simpática e menos estúpida que o primo e o tio, o qual ele havia tido o desgosto de conhecer na copa mundial. O achava um sujeito asqueroso, porém não via necessidade em dizer aquilo a ela.
— Nada que eu já não esperasse. Está tudo bem — informou, e assentiu.
— Ainda não me disse seu nome — ela o lembrou.
— Cedrico. Cedrico Diggory.
— Eu conheci um Diggory na copa mundial de quadribol — informou, e Cedrico assentiu. Ele havia visto de longe. Na verdade, todos haviam a visto. Afinal, Krum havia a tomado na vassoura e a exibido para toda a plateia que estava presente naquele dia.
— Era o meu pai — respondeu simples, e ela assentiu, sorrindo fraco.
— Bem, eu preciso ir, ainda preciso encontrar o caminho para a sala comunal da Sonserina — ela comentou. — Foi um prazer, Diggory. — Ela acenou com a cabeça, iniciando seu caminho, por mais que não soubesse aonde deveria ir.
Cedrico riu ao vê-la ir para o lado errado.
— A sala comunal da Sonserina fica para lá. — Cedrico apontou o lado oposto ao que a garota seguia, e ela se virou nos próprios calcanhares, vendo que ele ria um pouco por sua confusão. — Vamos lá, Malfoy. Eu te acompanho. — Ele acenou com a cabeça.
— Não precisa, eu posso…
— Vamos logo. Eu te levo até lá e depois volto. É melhor do que você se perder por aí sozinha. Acredite quando digo que há muitas coisas estranhas que você pode encontrar por Hogwarts durante a noite.
riu de modo leve, negando com a cabeça. Havia gostado do rapaz, certamente era mais cordial do que os garotos de Durmstrang, mas gostava daquilo.
— Vamos lá então, Diggory. — Se juntou ao rapaz em uma caminhada sem pressa.
— Pode me chamar de Cedrico — informou, e assentiu.
— Tudo bem, Diggory. — Encarou o rapaz, e ele riu com a provocação da menina. Afinal, havia características dos Malfoy nela. Porém ele podia lidar com aquilo. Definitivamente podia.
não tinha ideia de como Cedrico sabia onde ficava a entrada da sala comunal de sua casa — mas aquilo seria algo a ser discutido depois. O importante era que conversar até ali tinha sido um tanto quanto agradável. Cedrico estava em seu sexto ano em Hogwarts — como apostará — e, assim como a garota, nutria um grande amor pelo quadribol. Aquilo a fez lembrar de quando conheceu Krum e, por esse motivo, a mocinha devia admitir que Diggory lhe parecia ser um cara legal e que havia ganho pontos com ela.
Após um lance de corredores, logo os dois chegaram a um andar mais isolado de Hogwarts.
— Bem, aqui estamos. As masmorras. — Fez um gesto com as mãos, indicando o lugar. — Infelizmente, não sei onde fica o exato local da entrada. — Apontou. — Nenhum aluno de outra casa é capaz de saber. — Coçou a nuca. — Por isso é aqui que deixo você, Malfoy.
— Não se preocupe. Você já me ajudou o suficiente. — Sorriu. — Sendo assim, lhe devo agradecimentos. — Estendeu a mão para o garoto.
— Nem pensar! — Ignorou a mão da garota. — Já ganhei o dia só pelo fato de ter ajudado uma Malfoy. — Coçou a nuca. — Sabe, agora eu já posso tirar isso da minha lista de desejos de afazeres antes de morrer — frisou, e os dois tornaram a gargalhar.
— Você não presta, Diggory. — A garota tinha a mão sobre a barriga. — Mas confesso que essa foi boa! Obrigada. — Encarou o rapaz, que sorriu agradecido.
— Não há de que, Malfoy. — Balançou a cabeça e começou a se distanciar da garota. — Até a próxima. permaneceu observando curiosa o garoto que seguia para direção oposta à que ela.
No final de tudo, Diggory lhe havia sido útil.
Agora só tinha um problema: Descobrir onde era a entrada da sala comunal. Ela analisou cada parte da masmorra. Observou quadros, estátuas, enfeites, mas nada da entrada. Quando finalmente se deu por vencida, se escorou na parede, torcendo para que não morresse congelada ali mesmo, afinal, não estava propriamente vestida para aquele lugar úmido.
Nunca em Durmstrang havia ficado em um lugar tão gelado quanto aquele, e a única coisa que podia pensar era, como havia sido capaz de se perder? Fechou os olhos por um momento e respirou fundo antes de sentir a parede que ela estava se mover. Rapidamente se afastou.
— Por Merlim! — Deu um pulo ao perceber que a parede havia tomado forma de uma cobra que ia de ponta a ponta do que agora era uma abertura. Afinal, a entrada apareceu. Mas, para a alegria da Malfoy, seu primo era quem saía dela. A abertura se fechou logo em seguida.
— Onde você estava? — Draco disse rudemente à prima, que franziu o cenho.
— Oi? — Cruzou os braços. — Desde quando isso interessa a você?
— Desde que você sumiu depois do jantar — pontuou e se virou para a parede. — Cabeça de serpente. — A passagem tornou-se a abrir, e Draco entrou seguido por sua prima. — Você não veio junto com o monitor — frisou. — Como conseguiu chegar até aqui? Me admira não ter ficado perdida. Ou pior, aquele velho asqueroso do Filch podia tê-la pego e ter perdido pontos da casa.
Draco não olhava para trás. Temia que a garota percebesse a sua preocupação. Entretanto, estava tão focado em não transparecer sua preocupação que mal percebeu os olhares curiosos dos colegas sobre ele e a .
— Sinceramente, , o que você tinha na cabeça? — Suspirou e cometeu o erro de chamá-la pelo apelido que dera a garota quando crianças. E aquilo, bom, aquilo foi a gota d’água para ela. Odiava ser tratada como criança.
— Ok, Draco, você venceu! — gritou, levantando as mãos em rendição, e os colegas estavam cada vez mais interessados nos dois. — Mas quero que saiba, EU sei me cuidar muito bem sozinha. Você não faz ideia do que sou capaz — rosnou, e agora os dois Malfoys estavam parados frente e a frente, de modo tão idênticos que pareciam ser uma pessoa só. — E se você quer mesmo saber, eu demorei esse tempo, porque estava acompanhada. Mesmo que isso não seja da sua conta — mentiu. A Malfoy jamais admitiria ao primo que havia se perdido.
Girou os calcanhares e tornou a andar pela sala batendo os pés, decidida a encontrar seu dormitório sozinha. Draco nunca havia se sentido tão irritado. Afinal, com quem a garota estava? Crabbe e Goyle olharam sério para Draco, que parecia mais bravo do que nunca. A temporada dos Malfoy havia começado.
— O que vocês estão olhando? — rugiu e seguiu batendo os pés também.
Depois do episódio com Draco, estava decidida a ignorá-lo pelo resto do trimestre. Saiu resmungando até encontrar seu dormitório, o que não havia sido difícil, já que suas malas e coruja lhe aguardavam sobre uma cama que, obviamente, era sua. No quarto haviam duas garotas, uma loira e uma morena, que perceberam a presença da Malfoy instantaneamente. Tornou a olhá-las de maneira pouco amigável e tratou de arrumar suas coisas. Não gostava de colegas de quarto, ainda mais quando elas resolviam a olhar enquanto cochichavam.
— Vocês precisam de alguma coisa? — perguntou irritada para as duas. Draco já havia sugado toda sua paciência anteriormente e não estava nem um pouco afim de ser amigável agora. Contudo, sua rispidez ao questioná-las não pareceu surtir efeito para as duas garotas.
A morena desceu da cama e se aproximou de Malfoy. Os cabelos eram curtos, negros e um pouco acima do ombro e ao se aproximar mais, ela percebeu que os olhos eram verdes como esmeralda.
— Você é mesmo prima do Draco? — Olhou sugestiva para a garota, que cruzou os braços.
— Sim — respondeu, sem muito grado. — Devo lhe perguntar por que quer saber?
— Ah! — berrou de empolgação, e a outra garota, de cabelos de um tom loiro dourado se aproximou das duas. — Isso vai ser ótimo!
Exclamou em excitação.
— Eu sou Pansy Parkinson e ela Daphne Greengrass. Puros-sangues! — falou rápido demais. — Sabe… — sentou na cama da Malfoy, que não estava gostando nada daquele papo — eu e Draco, somos, bem...quase namorados. Não é, Daph?
— Sim, sim. Claro! — respondeu, quase tão animada quanto a amiga.
— Viu? E vai ser ótimo ter a prima dele conosco e pod.... — falava animadamente, até ser interrompida por .
— Deixem eu ser clara com vocês — sibilou, e as duas se calaram. — Eu não pretendo e tampouco me importo com os relacionamentos de Draco. — Olhou séria. — Muito menos pretendo fazer novas amizades. Então, façam o favor pra mim: parem com tudo isso e me deixem ficar em paz. — Gesticulou e as duas garotas se levantaram rapidamente.
— Que rude! — Pansy bufou, e a Malfoy se segurou para não a azarar ali mesmo, mas aquela noite já havia sido tumultuada o suficiente.
No outro dia, teve sorte de acordar sem as tietes de Draco ao lado. Levantou, tomou um banho e colocou as vestes novas da sonserina. Pelos seus cálculos — e horário — após o café, teria aula de poções e logo após Trato de criaturas mágicas com a grifinória.
Quando a garota chegou ao salão comunal, finalmente pôde observar a beleza do lugar.
O salão comunal da Sonserina possuía paredes e teto de pedra. Janelas enormes davam vista direta para o fundo do Lago Negro, por onde uma luz verde e fria se infiltrava, lançando reflexos dançantes pelo ambiente. Essa claridade natural dividia espaço com tochas verde azuladas e cristais encantados, que emprestavam ao local um ar gótico e uma sofisticação sombria e luxuosa. O contraste entre o brilho das pedras e os sofás de couro escuro, adornados por troféus prateados, tornava o salão tão imponente quanto misterioso.
Fascinante, pensou . E ela admitia que nenhum lugar de Durmstrang se equiparava àquele.
O caminho de volta para o salão principal estava muito mais fácil agora, já que seguia os passos de ontem à noite com precisão. Graças a Diggory, seria muito mais fácil andar pelos corredores de Hogwarts. virou um corredor, outro, desceu escadas e, quando estava virando o último corredor, acabou colidindo com algo que a derrubou no chão e o que inicialmente era invisível, tomou forma de um rapaz. Só que diferente do que havia acontecido com Diggory, dessa vez, os dois foram ao chão.
— Tenho que parar de fazer isso — murmurou, com a mão na testa onde havia batido. Um pouco cega pelo ocorrido, mal percebeu quem estava à sua frente. se levantou cambaleando e foi em direção ao garoto, que aparentava estar tão atordoado quanto ela.
— Me desculpe. Ainda não estou familiarizada com o lugar. — Estendeu a mão para ajudar ele levantar, mas recuou logo em seguida ao notar quem era. Harry Potter.
— Está tudo bem. Eu também me atrapalho as vezes. — Sentou sozinho, esfregando seus olhos. Ele ainda não a havia reconhecido. — Por acaso você viu alguns óculos? — perguntou, com os olhos espremidos. — Acho que perdi o meu quando caímos. — procurou o objeto.
— Espere um pouco. — Tateou o chão. — Aqui. — Entregou para o garoto. — Mas acho que está quebrado.
— Ah, obrigado. — Colocou os óculos e se levantou, arrumando as vestes. — Sabe, eu sempre os quebro. Normalmente, minha amiga Hermione os arruma com um feitiço — falou rapidamente, antes de focar os olhos nela.
Franziu o cenho assim que os fez. Não dava para descrever quem estava mais constrangido.
— O que você está fazendo aqui? — perguntou Harry.
— O que você está fazendo aqui? — arqueou a sobrancelha.
Harry estava prestes a responder, quando ouviram o sinal tocar e, simultaneamente, os dois bufaram juntos. Como se não bastasse terem tombado um com o outro, agora haviam perdido o café da manhã. Rapidamente, uma multidão de alunos saiu do salão principal.
— Malfoy? — uma voz conhecida murmurou atrás da garota. se virou às pressas. — Você está bem? — Diggory soou preocupado. voltou a olhar para frente antes de responder o garoto e vislumbrou Potter saindo em direção aos seus amigos.
— Digorry! Está tudo bem, sim. — respondeu, ao voltar a ficar de frente ao garoto. — Mas me parece que perdi o café.
— Não se preocupe. — O garoto tornou a mexer nos bolsos. — Aqui. — Estendeu a mão. — São tortinhas de abóbora. Não sei se tinha em Durmstrang, mas são deliciosas! — Afirmou logo após a um sorriso largo
— Obrigada. Mas por que você anda com tortinhas no bolso? — Riu, pegando as tortinhas.
— Quando não vi você essa manhã, pedi para que separassem as tortinhas para a viagem e torci para achar você. E bem, acho que deu certo.
— Muito prestativo, Diggory. — Sorriu e mordeu uma, arregalando os olhos em seguida. — Isso aqui é realmente bom! As de Durmstrang não eram assim.
— Fico feliz que tenha gostado! — Sorriu largo. — Agora tenho que ir. Não coma tudo de uma só voz, Malfoy.
— Não prometo nada! — brincou, enquanto via Cedrico se afastar. — Diggory — gritou antes que o perdesse de vista e simultaneamente o viu virar. — Lhe devo uma.
Ele sorriu largo.
— Me lembrarei disso, Malfoy.
Nenhum dos dois percebeu, contudo, olhares atentos sobre eles. Parece que não era apenas a Malfoy que chamava atenção pelos corredores de Hogwarts.
No fim, acabaram por seguir seus caminhos até a aula.
apressou-se para seguir seus colegas de casa na primeira aula do dia, preparo de poções com seu pai e a corvinal. Quando a garota estava prestes a entrar na sala de aula, foi barrada por seu primo.
— Era com o Diggory que você estava ontem? — Segurou o braço da prima, que se desvencilhou rápido. — , por favor — suplicou.
— Não estou falando com você. — A garota fixou os olhos em Draco. O primo bufou de raiva e ciúmes.
— Eu nunca vou entender essa sua mania de se misturar com esse tipo de gente — sibilou, e mordeu o lábio inferior, irritada.
— Draco, você não tem nada a ver com…
A porta foi aberta e Snape saiu dela.
— Devo dar o ar da graça dos dois em minha aula, ou vocês pretendem perder pontos para a sonserina? — murmurou, e os Malfoy seguiram caminho para a sala, se sentando o mais longe possível um do outro.
A aula parecia ser infinita. conseguiu uma dupla que considerou ser medíocre o suficiente para entendê-la, e ela provavelmente reclamaria com seu pai mais tarde, já que executou cada poção com sucesso e totalmente sozinha. Estava entediada com a aula e não tinha nada que fizesse para mudar isso. A não ser… olhou para frente e viu que seu primo estava com problemas na execução da poção. Levantou a mão.
— Com licença, professor Snape...
— Sim, senhorita Malfoy? — Snape perguntou, de costas para filha, enquanto andava pela sala observando os preparos de alguns alunos.
— Já que eu… — Revirou os olhos. — Quero dizer, nós terminamos a tarefa, poderíamos ajudar os alunos com problemas? — Snape virou para a filha com os olhos curiosos, e ela apontou com a cabeça para Draco. Severus assentiu.
— É claro. — Soou indiferente, e se levantou, indo em direção ao primo, que não teve tempo de protestar.
— Você vai explodir isso — sussurrou por trás de Draco, que revirou os olhos.
— Ah, é, sabichona? — sibilou, e deu um leve sorriso cínico. — Por que você não vem aqui e faz então?
— Chega pra lá. — deu de ombros e se enfiou no meio de Draco e Goyle. O loiro estava vermelho. Odiava que a prima fosse tão sabichona e ainda não a tinha perdoado por mais cedo.
Quando um som ressonante indicou o fim da aula, a turma se separou. Os sonserinos seguiram para fora do castelo, descendo o jardim rumo à cabana de madeira de Hagrid, na qual já se encontravam os alunos da Grifinória.
permaneceu observando o ambiente um pouco mais afastada do que os demais. Observavam alguns caixotes.
— Acabaram de sair da casca — informou o professor, orgulhoso —, por isso vocês vão poder criar os bichinhos pessoalmente! Achei que podíamos fazer uma pesquisa sobre eles.
— Arrrrrre! — exclamou Lilá Brown, num gritinho agudo, saltando para trás.
"Arrrrrre" resumia o que eram os explosivins. Havia uns cem deles em cada caixote, cada um com uns quinze centímetros de comprimento, rastejando uns sobre os outros, batendo às cegas contra as paredes das caixas. Desprendiam um cheiro forte de peixe podre. De vez em quando, soltavam faíscas da cauda e, com um leve pum, se deslocavam alguns centímetros à frente.
— E por que nós íamos querer criar esses bichos? — perguntou Draco, com uma voz fria. rolou os olhos. Houve alguma discussão sobre a “tal importância” dos bichinhos, mas decididamente não queria se meter naquilo.
A aula com Hagrid foi longa e cheia de mordidas, queimaduras e picadas. Malfoy estava faminta e com o dedo queimado, mas decidiu que iria à enfermaria mais tarde, primeiro se sentaria e comeria tranquilamente junto aos demais colegas.
Quando ela chegou ao saguão de entrada, entretanto, percebeu que estava lotada com alunos fazendo fila, com um tumulto formado no fim dela.
E, para a sua surpresa, quem estava no meio dele era novamente seu primo — o garoto gostava de encrenca, tinha que admitir.
Ela se aproximou dele e do grupinho formado por Granger e Potter segurando as vestes do Weasley, que estava prestes a ir pra cima de seu primo. se aproximou ainda mais e percebeu o rosto pálido de Draco corar levemente por algo que Potter havia falado. Ele mal percebeu a presença da prima.
— Não se atreva a ofender minha mãe, Potter.
— Então vê se cala esse bocão — disse Harry, dando as costas ao colega.
E então algo que nem imaginava aconteceu. Draco havia tentado lançar um feitiço contra Harry, mas foi interrompido por um feixe de luz que o acertou em cheio. se virou furiosa. Furiosa por Draco ter tentado aquilo após Potter ter virado as costas, mas estava mais furiosa ainda por terem lançado o feitiço em seu primo. Antes que chegasse a uma conclusão, todavia, ouviu um segundo estampido e um berro que ecoou pelo saguão de entrada.
— AH, NÃO VAI, NÃO, GAROTO!
percebeu Moody descer as escadas com a varinha em mãos apontada diretamente para uma doninha que tremia no piso de lajotas, exatamente no lugar onde seu primo estava.
Fez-se um silêncio aterrorizado no saguão. contava desesperadamente até 10 para não agir ali mesmo e acabar com seu disfarce e com o de Bartô Jr, mas o infeliz não facilitava nem um pouco as coisas agindo daquela maneira.
— Ele mordeu você? — rosnou o professor. Sua voz era baixa e áspera.
— Não — respondeu Potter.
— DEIXE-O! — berrou Moody, mas não para Harry. Apontou o polegar para Crabbe, que acabara de congelar em meio a um gesto para recolher a doninha branca. Tentou fugir pelas masmorras, mas Moody foi mais rápido, apontando com a varinha. A doninha subiu uns três metros no ar. tremia de raiva a cada palavra que Moody sibilava e a gota d’água para ela foi ver Moody fazer fez a doninha cair com um baque úmido no chão, quicando de novo pra cima com as pernas e cauda sacudindo descontroladamente.
sacou sua varinha e, com todos a observando, berrou.
— NÃO OUSE CONTINUAR COM ISSO! — avançava decididamente contra o professor, que a ignorava. — PROFESSOR MOODY, PARE! — berrou novamente, e o cara continuou a ignorá-la, fazendo a garota vociferar.
— Não diga que não avisei! Estupefaça!
Assim, indo contra tudo que Hogwarts aceitava, pegou o professor desprevenido e jogou para longe depois de estuporá-lo.
Os alunos estavam estáticos.
— Senhorita Malfoy! — Professora McGonagall descia as escadarias com os braços carregados de livros. — O que pensa que está fazendo? — disse chocada.


