Revisada por: Hydra ☼ ⋆。˚⋆ฺ ♡
Última Atualização: 01/04/2026O sol descia devagar sobre o mar de Taormina, pintando tudo em tons dourados e alaranjados, enquanto a praia ainda mantinha aquele movimento preguiçoso de fim de tarde. Perfeito para relaxar sem o caos de turistas!
Mais afastados, dentro de uma área privada, longe da movimentação principal, três vozes conhecidas quase se perdiam no barulho do mar.
— Eu ainda não entendi por que a gente veio para a praia — resmungou Piero, de óculos escuros, sentado em uma espreguiçadeira como se estivesse ali contra a própria vontade. Chutando a areia dos pés conscientemente.
— Porque é verão. Porque a gente está na Itália. Porque somos italianos. Porque pessoas normais fazem isso — respondeu Ignazio, já com os pés na água, completamente à vontade, a voz aumentando conforme dava seus exemplos.
— E porque, se dependesse de você, a gente só via hotel, ensaio e palco — completou Gianluca, deitado só de sunga na espreguiçadeira, com os braços atrás da cabeça, sem nem abrir os olhos.
Piero soltou um suspiro baixo, passando a mão pela areia, distraído.
— A gente veio trabalhar.
Ignazio virou o rosto na direção dele, com um sorriso de quem já estava prestes a causar.
— A gente também pode viver um pouquinho, sabia?
— Eu vivo. – A voz de Piero saiu mais forte que o esperado.
— Você ensaia — corrigiu, sem hesitar.
Gianluca soltou uma risada leve.
— Ele tem um ponto.
Piero nem respondeu dessa vez. Só ficou olhando para o horizonte, quieto, como se já estivesse em outro lugar. Talvez pensando em quem seria o compositor que ficaria com eles.
Ignazio observou por alguns segundos, estreitando os olhos atrás dos óculos escuros.
— Eu vou te falar uma coisa.
Nenhuma reação.
— Esse festival…
Agora Piero olhou.
— Vai dar alguma coisa.
— Va-a-a-ai — respondeu ele, automático. Rindo sem perceber.
Ignazio balançou a cabeça, negando, ainda com aquele meio sorriso.
— Não estou falando de música.
Gianluca abriu um dos olhos, curioso.
— Ih…
— Eu estou falando que você vai finalmente parar de fugir.
Piero franziu a testa.
— Fugir de quê?
Ignazio deu de ombros, virando de volta para o mar.
— Bem, seu último relacionamento foi há... um milhão de anos?
— Dois! – Piero falou rápido.
— A mesma coisa... – Foi a vez de Gianluca falar sem abrir os olhos.
— Você vai ver! Vai acontecer! – Piero franziu a testa, mas Gianluca captou a ideia no mesmo segundo.
— O quê? – Piero perguntou.
— Quando acontecer, você vai saber. — Piero revirou os olhos, preferindo não discutir.
Um silêncio confortável se instalou entre os três, preenchido só pelo som das ondas e pelo vento leve que vinha do mar. Bom, desconfortável para Piero.
— Eu vou para o quarto. — Ele falou.
— Até ma-a-a-ais! — Ignazio disse, com um aceno.
— Vai pela sombra! – Gianluca repetiu, sem ver o mais velho dentre os três, seguir pela parte interna do hotel.
Mais ao longe, algumas pessoas começavam a chegar. Equipes, artistas, vozes novas ocupando o espaço aos poucos.
O festival estava começando a respirar.
E, em algum ponto entre a areia quente e o mar tranquilo, algo ainda invisível já estava em movimento.
Piero não percebeu.
Mas não demoraria muito.
— Tentando ser cupido, Ignazio? – Gianluca perguntou, finalmente abrindo os olhos.
— Não custa tentar, certo? — Ignazio riu, se sentando na beirada da espreguiçadeira de Gianluca.
— Nunca! – Riram juntos e Gianluca voltou a fechar os olhos.
Ignazio viu o amigo de longa data subir pelas escadas de madeira do hotel e suspirou. Sempre quieto, sempre profissional, sempre preocupado. Ignazio queria ver Piero solto, relaxado e feliz. Realmente usando esse talento que Deus lhe deu para algo mais relevante...
Melhor, para alguém.
Pelo menos foi assim da última vez.
— Eu vou ver se ele está bem. – Ignazio falou, se levantando.
— Tudo bem, encontro vocês mais tarde. — Gianluca nem se mexeu, somente arrumando os óculos escuros novamente.
