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Revisada por: Polaris 👩🏼‍🚀

Última Atualização: 31/10/2025.

Ela sentiu um peso martelar sobre sua cabeça e os olhos pesados. Mexeu-os algumas vezes, na tentativa de abri-los, e gemeu de dor. Tinha algo errado, e a garota tentou procurar a resposta ou até mesmo uma lembrança no fundo da sua mente, mas nada veio.
Era um vazio completo.
Forçou as órbitas mais algumas vezes e as abriu. Logo foi invadida pela claridade do local, que fez com que piscasse algumas vezes em busca do foco de sua visão. Quando o encontrou, dois rostos desconhecidos apareceram em seu campo, e a menina deu um pulo no lugar em que se encontrava deitada. Não conhecia nenhuma das garotas que estavam diante dela e, muito menos, o lugar em que se encontrava.
Sentiu-se sufocada ao constatar o tamanho do cômodo. As paredes com a tintura descascada davam a aparência de um local abandonado, e um embrulho no estômago se fez presente quando detectou o odor forte de sangue que havia ali, misturado ao de umidade.
Voltou seu olhar mais uma vez para as meninas, foi retribuída de forma assustada e percebeu o lábio de uma delas um tanto inchado, enquanto a outra não tinha um dos braços. Seus sentidos entraram em estado de alerta. Abriu a boca, numa tentativa de encontrar sua própria voz para questionar o que acontecia ali, mas sua garganta doía e um nó havia se formado. Respirou fundo, repetiu para si mesma que precisava manter a calma, por mais crítica que fosse sua situação, e quando se sentiu segura o suficiente para tentar mais uma vez, se ouviu em um tom rouco, muito diferente do habitual.
— Que lugar é esse?
Esperou por uma resposta, mas tudo o que recebeu foi apenas um aceno de cabeça em sinal de negação, o que indicava que nenhuma das duas fazia ideia.
Mordeu o lábio, tentando ignorar o quanto sua cabeça latejava, bem como a sensação de que desmaiaria a qualquer momento.
Observou as duas garotas por alguns segundos. Não eram muito diferentes dela. Todas tinham longos cabelos castanhos e ondulados, o corpo pequeno e olhos escuros.
— Quem é você? — Se assustou ao ouvir a voz de uma delas, que soou tímida e tão amedrontada quanto ela.
Porém a resposta nunca veio.
De maneira brusca, a porta, que ela mal havia notado, se abriu e revelou alguém que lhe pareceu levemente familiar, embora a garota tivesse certeza de que nunca havia lhe visto antes.
Percebeu que uma de suas companheiras levou as mãos à boca para sufocar um grito de pavor, e aquilo fez seu corpo inteiro se arrepiar. Ela se encolheu, numa maneira tosca de se proteger.
— Não, não! Por favor, não! — a outra começou a gritar e, sem que pudesse fazer nada para ajudá-la, assistiu a moça ser arrastada para fora do cômodo.
Seus olhos se encheram de lágrimas, o medo soprava em seus ouvidos todas as coisas terríveis que poderiam acontecer a qualquer momento, e ela abraçou as próprias pernas.
Enquanto se balançava e chorava, temendo por sua própria vida, a garota ainda conseguia ouvir os gritos.


Aquela era a décima terceira vez que precisava se conter para não revirar os olhos enquanto encarava o homem à sua frente e fingia entender absolutamente tudo o que ele argumentava.
Como ela sabia daquilo? Bem, digamos que a palestra sobre as diferentes formas de malhar os músculos não era tão interessante para .
Mais uma vez, a mulher acenou positivamente, como se concordasse com ele, e se questionou por que sempre se metia naquelas furadas. Depois de tantos encontros desastrosos como aquele, ela deveria simplesmente ter desistido.
se perdeu em pensamentos e se lembrou de todos os fiascos pelos quais havia passado. O cara que a fez pagar pelo jantar dos dois e ainda levou as sobras para casa, o estrangeiro que queria casar com ela para conseguir cidadania americana, o nutricionista que a criticou por não ter escolhido uma saladinha, e o empresário que precisou sair correndo porque a esposa invadiu o restaurante enquanto gritava seu nome.
Era uma coleção preciosa de fracassos digna daqueles shows de comédia stand-up. Ela até cogitou fazer um, porém despertou para a realidade quando uma das falas do homem à sua frente chamou sua atenção.
— Quer dizer, não me leve a mal, eu até curto uma originalidade, mas essa roupa não te favoreceu em nada. O traje da Viúva Negra funciona na ScarJo porque ela é gostosa, e eu não tô dizendo que você não é, só que você não malha, né? Não tem o corpo para usar algo colado e que cobre quase tudo. Talvez algo mais clichê ficasse melhor. Tipo a daquela loira ali. — Apontou alguém atrás de com o queixo. — Uma enfermeira sexy. Ela tem mais corpo também, mas acho que você até ficaria bonitinha.
custou a acreditar que aquilo era real.
Ele estava mesmo criticando sua fantasia e o seu corpo?
Dessa vez, não se aguentou e não apenas revirou os olhos como bufou audivelmente.
— Você tá de brincadeira, né?
O sujeito riu.
— Ah, qual é? Não precisa ficar ofendidinha só porque eu falei que tá gordinha pra usar roupa colada. Te falei desde o começo que sou sincero, então se você não aguenta…
— Já que você gosta de sinceridade, é… Ryan, né? — Ergueu uma sobrancelha para ele em deboche. — Vou retribuir. Eu estou pouco me fodendo para como você malha o bíceps. Pelo tanto de anabolizante que deve usar, duvido que seu pau suba, ou que aguente dois minutos na cama com qualquer mulher, quem dirá uma como eu. Então me poupa do papo nojento sobre o meu corpo e vai aprender a ser homem de verdade. — o interrompeu de forma ácida e o olhou com tanta raiva que poderia fritá-lo se tivesse algum poder extraordinário.
Ele abriu a boca para respondê-la, porém não lhe deu a chance e seguiu decidida para fora daquele lugar.
Não conseguia acreditar que quase desperdiçou sua noite de Halloween com um babaca nojento como aquele.
Parada na frente da casa branca e clichê de dois andares, suspirou fundo e tirou a peruca ruiva que usava, então passou a mão pelos cabelos e negou com a cabeça. Tratou logo de deletar qualquer forma de contato com Ryan e digitou uma mensagem para Candy, sua melhor amiga.

Na próxima vez que eu te disser que
vou sair com alguém do Tinder,
você me amarra em casa, tá?


Após enviá-la, olhou de um lado para o outro da rua e pensou na distância da festa até sua casa. Não era muito perto, porém se lembrou de uma farmácia 24 horas que tinha no caminho e resolveu que finalizar a noite de Halloween se empanturrando de porcarias enquanto assistia a bons filmes de terror compensasse a burrada de antes.
Aquele bairro não era perigoso, então, despreocupada, ela seguiu para a direita. Um alívio percorreu seu corpo quando enfim se viu longe o suficiente daquela casa e, quando estava prestes a atravessar para a próxima esquina, seu celular vibrou com a resposta de Candy.

Pra quê? Pra você chamar o cara até a sua casa e vocês terem um encontro diferente?

revirou os olhos, sem conseguiu evitar que uma risadinha escapasse.

Ridícula.
Onde você tá?
Tô indo para casa ver uns filmes, se quiser vir…


Quem sabe mais tarde, gata.
Agora eu tô em um concurso de karaokê.

Fazendo o quê?
Você nem canta, garota!


Quem disse que não?
Mas eu tô só assistindo.
Vim com o Ritchie.

Hmmm… Então duvido que venha mais tarde, cachorra.
Vai curtir com o Ritchie aí. Amanhã nos falamos.


Te amo, bebê.

Eu que te amo.


guardava o celular dentro de uma bolsa pequena que usava, quando um grito estridente a fez pular de susto e um vulto passou à toda velocidade ao seu lado.
Eram dois moleques montados em uma bicicleta.
respirou fundo para não xingar até suas quartas gerações e continuou a caminhada em completo silêncio.
Sua mente repassava o desastre daquela noite a cada segundo, e ela devia ter previsto que Ryan era um completo babaca, porém de vez em quando a mulher tentava exercer o tal do “não julgue um livro pela capa”.
Algumas pessoas fantasiadas passavam por vez ou outra e chamavam sua atenção, ao que ela respondia com um sorriso de canto. Aquela era a magia do Halloween.
De repente, ansiou chegar em casa logo. Fazer uma maratona de Terrifier e imaginar Ryan no lugar de cada uma das vítimas seria bastante terapêutico.
Apurou os passos quando avistou a fachada da farmácia e logo adentrou o local praticamente deserto. Amava a praticidade de estabelecimentos como aquele, onde não se vendiam apenas remédios, mas tudo o que ela precisava para se empanturrar enquanto assistia seus filmes favoritos.
De forma quase automática, entrou no corredor dos salgadinhos e escolheu sua Pringles favorita: a de churrasco. Colocou umas duas latas na cestinha e procurou pelo molho ranch que ela adorava comer com elas. No exato momento que o encontrou, notou que um homem adentrou o mesmo corredor que ela, porém não deu muita importância. Era meio tarde, mas jamais imaginaria que seria a única pessoa com a ideia de ir até aquele lugar.
Depois de pegar o produto que queria, ponderou se levaria um pacote de amendoins. Talvez devesse já seguir para o corredor dos doces.
— Já experimentou essa pipoca? — Uma voz masculina chamou sua atenção, e a mulher não precisou de muito para entender que pertencia ao recém chegado.
Ela o olhou intrigada, então o viu mostrar o pacote que segurava. Era de uma pipoca com uma embalagem que já havia visto, mas não deu muita importância.
— Perdão? — Resolveu se pronunciar, porém ainda não acreditava que um completo estranho havia falado com ela do nada.
— Garrett Mix é o nome do sabor. Ela mistura caramelo e queijo cheddar. — Ele indicou o pacote e, ao assimilar suas palavras, não conteve uma careta. — Minha sobrinha adora esse negócio. Mas quando eu ouvi falar disso pela primeira vez, fiz essa mesma cara que você.
— Bom, é porque parece nojento. — Deu de ombros, e ele sorriu.
— Não é ? Foi exatamente isso que eu disse! — Pareceu empolgado por alguém compartilhar do mesmo pensamento.
Então ele olhou de um lado para o outro do estabelecimento, como se estivesse prestes a fazer algo ilegal.
— Quer provar? — Quase sussurrou e ergueu as duas sobrancelhas. O tom conspiratório dele quase a fez rir.
— O quê? — mal conseguiu disfarçar o tom de surpresa.
— Aqui. — O homem a chamou para que se aproximasse e abriu o pacote de pipocas que segurava.
— Não! Você tá maluco? E se pegam a gente? — arregalou os olhos e não sabia se ficava e cedia, ou se saía dali o mais rápido que podia.
— Ah, duvido que vão. É só nós sermos rápidos. E também, mesmo se for horrível, eu vou pagar por elas.
Algo na forma como ele a olhou de repente derrubou suas defesas e cedeu. Mordendo o canto da boca de leve, ela caminhou até o homem e aceitou quando ele estendeu o pacote em sua direção.
Houve meio segundo de hesitação antes de pegar um grão da pipoca, então ela o levou até o nariz e cheirou.
— Tá, ainda não estou convencida de que isso é bom.
O homem à sua frente riu e também se serviu de alguns grãos, então os levou à boca, em um incentivo para que a mulher fizesse o mesmo.
Assim que o sabor entrou em contato com suas papilas gustativas, não conseguiu evitar que seu rosto demonstrasse sua reação em uma careta de nojo.
— Tem certeza de que sua sobrinha adora esse negócio? Eu não daria isso nem para o meu pior inimigo.
Notou que ele mantinha uma expressão neutra, como se tentasse esconder suas reações, porém logo não resistiu e também demonstrou repulsa.
— Isso aqui deveria ser proibido em todos os países. Que negócio nojento. E olha que eu gosto de doce com salgado.
— É diferente. Parece aquela mistura perfeita para abrir um buraco no estômago.
O homem riu e negou com a cabeça, o que a fez sorrir.
— Gostei de você. É sincera e um tanto aventureira por aceitar assim uma pipoca exótica de um completo estranho.
— Acho que nada pode ser pior do que essa pipoca e a noite bizarra que eu tive antes de vir pra cá. — Deu de ombros.
— Então somos dois.
Alguns segundos se passaram, onde os dois apenas se olharam, sem saber o que dizer.
. É o meu nome. — Ele estendeu a mão livre para ela.
. — Sorriu e a segurou. Os dois se cumprimentaram brevemente. — Sinto muito que agora tenha que levar isso. — Indicou o pacote nas mãos dele.
— Ah. Eu tô mesmo devendo uma visita para a minha irmã. — Sorriu de canto.
Então eles soltaram as mãos e se encararam por mais alguns instantes.
— Desculpe ter te abordado assim, sem mais nem menos. É que vi uma Viúva Negra no mesmo corredor que eu e… Sei lá. Gostei. Te achei interessante.
não conseguiu evitar que um pequeno sorriso se formasse em seu rosto.
— Tudo bem, . Foi uma abordagem meio esquisita, mas agora eu sei que devo ficar longe dessa parte do corredor. — Indicou as embalagens a poucos metros dele.
Pela terceira vez, segundos de silêncio se seguiram e novamente se pronunciou.
— Bom, vou deixar você voltar às suas compras.
— Obrigada. — não sabia bem o que dizer, então deixou o agradecimento sair automático.
Se virou e seguiu para o corredor de doces.
Uma parte sua estava aliviada por poder voltar ao plano anterior, a outra estava decepcionada pela interação com não dar em nada.
Ele também parecia alguém interessante, e engraçado… E um tremendo gostoso.
Qual é? Ela tinha olhos. Como não reparar naquele abdômen marcado na camiseta vinho que era possível ver mesmo com a jaqueta por cima? Como não se perder nos olhos azuis como o oceano e o maxilar exatamente do formato que ela gostava?
Caras legais como ele não ficavam e precisava se contentar com os Ryan’s da vida.
Suspirou fundo e tentou esquecer aquilo enquanto fazia suas compras.
As coisas pareciam ter voltado aos eixos. Ao fundo, ela conseguia ouvir alguma música típica de Halloween à qual não deu muita atenção.
Do corredor de doces, ela seguiu para o de bebidas e o de comida congelada. Não era muito fã de pizza daquela forma, mas não estava com vontade alguma de pedir um delivery. O entregador já havia ido até ali em tantos sábados à noite que podia jurar tê-lo visto fazer uma cara de pena da última vez.
Com tudo o que desejava, seguiu para o caixa e escolheu logo um de “auto-atendimento”.
— Boa noite! Tudo bem? — A voz agora não tão desconhecida assim chamou sua atenção. estava há apenas alguns caixas de distância.
No entanto, dessa vez ambos não tiveram uma reação maior do que uma troca breve de sorrisos.
engoliu mais uma onda de desapontamento quando ele sequer fez menção de ir até lá falar com ela, então pegou suas compras e se dirigiu até a saída.
Estava do lado de fora e começava a caminhar em direção à sua casa quando mais uma vez aquela voz a fez parar.
!
Ela se virou para olhá-lo.
— Quer saber? Eu já fui estranho desde o começo e tenho certeza de que vou me arrepender se não fizer isso, então… Quer sair comigo algum dia desses?
segurou um sorriso.
— Algum dia desses não funciona para mim, . Gosto de datas. — Aquilo era apenas para instigá-lo mais.
— Que tal amanhã à noite?
Mais uma vez, ela gostou de sua atitude.
— Amanhã à noite eu estou livre.
— Ótimo! Às sete?
— Às sete.
tateou os bolsos e rapidamente entregou um cartão para .
— Aqui tem o meu número. Me envia o seu endereço e eu busco você.
— E se você for um desses assassinos em série? Não vou te dar meu endereço logo no primeiro encontro. Às sete no Mark’s. — Ela sorriu esperta. Sua vontade obviamente era de pular todo aquele protocolo e levá-lo para casa, estava cansada de jogos, mas um pub era o certo. Não podia se deixar levar tão facilmente.
— Bom, se eu for, um pub não vai me impedir de nada, mas tá combinado. Às sete no Mark’s. — Piscou para ela. — Boa noite, . E até amanhã.
— Até amanhã, . — Leu o sobrenome dele no cartão e ambos trocaram mais sorrisos antes de ela retomar seu caminho.
Uma sensação engraçada tomou conta de si. Um frio no estômago misturado à adrenalina de aceitar sair com alguém completamente desconhecido.
No entanto, não era como se não tivesse feito aquilo antes. A festa de Halloween havia sido um fiasco, mas algo lhe dizia que dessa vez daria certo. Tinha que dar.
O vento soprou em seu rosto e jogou seus cabelos para trás, e ela sorriu mais uma vez.
Estava ansiosa para o dia seguinte.


Continua...


Nota da autora: Comecei essa fic como uma forma de suprir a minha obsessão por Fresh. Espero que estejam gostando.
Happy Halloween!
Ste a.k.a. Saturno. ♥
🪐


Nota da betinha 👩🏻‍🚀: Eu confesso que o meu traço tóxico e problemático é gostar do Steve Kemp também, então eu estou muito ansiosa pelo desenrolar dessa fic e também muuuuuuito feliz por poder revisar ela!
Já disse e repito: da Ste eu leio até a lista de supermercado!
Atualiza logo maridaaaa!


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Para saber quando essa fanfic vai atualizar, acompanhe aqui.