I've never had the words to say but now I'm asking you to stay.
Depois do choque que elas tiveram em perceber que não havia mais trem de volta para Paris naquela noite, e até cogitarem a possibilidade de alugarem um carro e ir dirigindo para a capital francesa de madrugada, mesmo correndo o risco de chegar na cidade e não ter onde ficarem, elas optaram por montar a barraca de acampamento lá mesmo.
Fazendo uma rodinha com as malas, e sentando no meio delas, lá elas passaram a noite, alternando o momento que uma dormia, as outras duas ficavam acordadas de guarda para que ninguém aparecesse e aproveitasse tanto delas, quanto de seus artigos pessoais.
— Eu estou fazendo um mantra pra me convencer de que a França é um país de primeiro mundo, com índice de assalto e violência quase nulos – falava pra , enquanto cochilava ao lado delas – É assustador passar a noite aqui.
— De vez em quando aparece o segurança da estação, – abriu a bolsa e tirou um pacote de salgadinho de lá de dentro – Servida?
— Por favor! – pegou um punhado e olhou em volta. Tudo que conseguiam ver, era a luz do luar que entrava na plataforma, clareando os rostos delas – Mas se por acaso algum ladrão resolver nos assaltar, ele leva até o segurança junto – as duas riram.
— Acho melhor a gente mudar de assunto. Certas coisas atraem – e então um vento bateu, e arrepiou – Que horas é o nosso trem?
— Só às 07h30 – e então olhou no relógio – Faltam pouco mais de duas horas. E já passou o tempo do cochilo da , sua vez!
Assim que o relógio marcou 7h30, mal puderam acreditar que já estavam dentro de um trem voltando para Paris. Paris, elas sabiam que ainda haviam muitas cidades para conhecer, mas tinham dúvidas se alguma delas seria tão memoráveis, em relação ao One Direction do que aquela.
Depois de desembarcarem em Gare de Paris—Est e andarem por cerca de dez minutos até a estação Gare du Nord, com e reclamando que andava muito rápido e elas não davam conta por causa das duas malas imensas que cada uma carregava, elas andaram no primeiro trem em direção e sem escala até a Antuérpia, cidade da Bélgica, onde seria o show naquele dia.
— ‘To com medo de chegar na Antuérpia – falou já dentro do trem, que as levavam para a cidade – Sonhei com lá enquanto fingia que dormia em Metz.
— Bom ou ruim? – , que observava apoiada com a testa no vidro, dormindo na poltrona da frente, perguntou.
— Péssimo – ela deu uma risada alta e rapidamente colocou a mão na boca, com medo de acordar a amiga – Nada dava certo lá. Desde nosso hostel, que estava sem a reserva e a gente teve que passar mais uma noite na estação, passando por não conseguir entrar no show até ser xingada pelos seguranças dos meninos, porque a gente era muito insistente.
— Que já aconteceu – também riu, mas dessa vez mais baixo – Ai, nem parece que já faz três dias que nós conhecemos eles em Paris.
— No ponto turístico mais lindo do mundo – parecia que estava sonhando acordada e então viu olhando torto pra ela – Certo, depois do tal do Pão de Açúcar, no Brasil.
— Eu não morro sem conhecer aquele lugar! E levo vocês comigo.
— Relaxa, a gente ama uma banda brasileira e vai conhecer o Brasil na próxima vez – gargalhou alto.
— Não coloca minhoca na minha cabeça, !
Assim que entraram na cidade e o trem começou a perder velocidade, elas acordaram e ficaram observando a cidade. Antuérpia tinha ares de cidade medieval, antiga, e puderam ver o topo de uma igreja, com visual gótico. Logo que desembarcaram e puderam observar a beleza do lugar, bem iluminado, mas com traços rústicos, detalhes da decoração do lugar feita em ouro puro.
Assim que elas saíram da Antwerpen-Centraal Station, encontraram uma roda gigante itinerante, que estava na frente da estação e pegaram um táxi até o New International Youth Hotel, o hostel onde ficariam por aquela noite na Bélgica.
A entrada do hostel ficava bem na esquina, no encontro de duas ruas. A frente dele era decorada com flores delicadas e em cima, havia a sacada de um dos quartos. Depois de fazerem o check-in, foram até o cômodo onde ficariam naquela noite. Ele não era bonito, espaçoso e decorado como o de Paris, que escolheram um quarto privativo, mas apesar de ser público, com dois beliches, era convidativo e fofo, nas palavras de , além de terem dado a sorte de não haver mais ninguém hospedado com elas.
— Já ‘to apaixonada pela Antuérpia – sorriu na sacada do quarto delas, que dava para frente, bem no encontro das duas ruas – Aqui tem um cheiro bom, a cidade é fofa, as pessoas são educadas...
— E a língua é estranha – chegou do lado dela e inalou um pouco de ar puro para seus pulmões – Pena que a gente não vai ter tempo pra fazer turismo aqui e já vamos pra Holanda amanhã.
— Verdade, mas a arquitetura da cidade em si, já rende fotos lindas – ela sorriu para a amiga e virou para dentro, onde trocava de roupa – Pronta, Jones?
— Quase! – a menina estava trocando o par de tênis que usava para viajar por suas sapatilhas e separava sua bolsa com sua carteira, passaporte e o ingresso do show – Já achou o hotel dos meninos?
— Então... – olhava no celular – Segundo as pessoas que não sabem ficar quietas e explanam cada passo que dão, eles estão no Hilton, a gente pode ir lá conferir.
— E isso fica? – colocou sua bolsa no ombro e olhou no espelho, arrumando seu cabelo.
— Sem perguntas difíceis, ! A Antuérpia fica na parte da Bélgica que fala holandês, se fosse na que falava francês até dava pra arrastar – sentiu o estômago clamar por comida – E se a gente pegar um táxi até o hotel e procurar algo pra comer lá por perto?
— Você tá com fome, e queria que a aqui falasse francês porque seria mais fácil, ? Pra comer rã? – fechou a sacada e pegou sua bolsa – E se a gente economizasse e pedisse informação de como chega no hotel de transporte público? – ela deu um pedala na amiga que passou a mão na própria cabeça, resmungando que doeu.
— Vamos de bonde! – bateu as mãos como uma foquinha e elas saíram do quarto.
Depois de muita dificuldade de compreensão da atendente do hostel, que falava inglês, mas com sotaque holandês, elas saíram em direção do local indicado e em cerca de cinco minutos, alcançaram a Antwerpen Zurenborg, estação de onde o bonde delas partiria. estava adorando a sensação de estar em um bonde e não cansava de tirar fotos. Se não fosse a maquinista gritar para elas que a próximo ponto fosse o Hilton, elas com certeza perderiam a parada e sabe-se lá onde desceriam.
Quando as garotas saíram do bonde, puderam ouvir os gritos e riram. Podiam rodar o mundo, mas tinham a plena certeza de que onde quer que o One Direction esteja os gritos vão perseguir eles.
Elas foram até a esquina e viraram à esquerda, para dentro de uma praça. O Hilton Antwerp fica na praça Groenplaats, em uma arquitetura antiga e bem conversada. Na lateral dele, de frente para essa praça, havia uma cafeteria, com algumas mesas para fora, onde já haviam algumas pessoas sentadas, mesmo tendo recém passado a hora do almoço e então elas viraram para a direita, onde encontraram várias garotas com cartazes, câmeras, faixas e camisetas escritas One Direction, amontoadas em uma grade, que as deixava longe da entrada do hotel.
— É, acho que é aqui! – parou e cruzou os braços, observando quando uma garota era tirada no colo por um dos seguranças, que estava desmaiada, provavelmente por conta do sol.
— E ela acertou de novo, senhoras e senhores – batia palma para as amigas que fingia que estava de saia, e “puxou” a barra para os lados e agradeceu, curvando-se.
— Deixa disso, – ela se recompôs – Essas bonitinhas aí que escreveram no Twitter. Você escreve “One Direction”, “Hotel” e o nome da cidade, pá pum! – e aqui estamos!
— E o Zayn ‘tá aí dentro – olhou até o topo do quarto andar do hotel – ‘Tá difícil pra gente se encontrar, indiano!
— Você tirou foto com ele fazem dois... Três dias? – estendeu o braço e bateu na própria testa – ‘To perdida no tempo, mas enfim, recentemente você tirou foto com ele te carregando no colo no maior recém-casados feelings, e tá falando que tá difícil?
— Difícil ‘tá a situação da nossa amiga aqui – abraçou por trás, na altura do pescoço – Que não sabe se ela quer o Louis ou o Liam.
— Já falei que meu coração sempre cabe mais um palhaço e você tá me enforcando, ! – ela forçou e tirou o braço da amiga que estava rindo dela – Não sou que nem vocês que ficam aí toda atirada pelo primeiro que aparece.
— Ei! ‘Peraí que eu senti uma indireta – , que até então estava de costas para ela, virou.
— Não preciso soltar uma indireta pra isso. Você passou a noite com um francês magia e nos fez pensar que você tinha sido estuprada, mas tá tudo certo.
— Um pouquinho só de discrição, , é pedir muito?
— , tá pedindo uma coisa muito complicada pra fazer – virou de costas pro hotel – Nhaaam, Subway, let’s! – e sem as meninas responder se topavam, já foi caminhando pra dentro do restaurante.
— Niall, tua mulher ‘tá com lombriga na barriga – gritou para as janelas do hotel como se o menino a ouvisse e então virou – Mas eu não me importo de comer.
— You’ve never loved your stomach or your thighs. – cantarolou enquanto as seguia e como retribuição, levantou o dedo do meio pra ela.
Depois que elas comeram seus lanches, decidiram dar uma volta ali por perto com a desculpa de que a porta do hotel estava silenciosa e que se os garotos saíssem de lá de dentro, haveria novos escândalos e correndo elas estavam ali de volta. Elas conseguiram conhecer toda a região, e decidiram tomar um sorvete na praça, enquanto esperavam alguma coisa acontecer.
— Talvez se a gente estivesse hospedada pra tentar alguma coisa, a agonia era menor – comentou enquanto lambia uma das bolas do seu sorvete.
— Ou talvez a gente estivesse mais agoniada lá dentro – olhou pro nada e então virou pras amigas – Sabe, gastar dinheiro sem saber se ele realmente vai ser utilizado com a finalidade que a gente quer.
— Mas pelo menos seria uma garantia de que nós estaríamos dentro do Hilton, um lugar cinco estrelas e não pulguento.
— Mas nosso hostel não é pulguento – sentiu-se ofendida, aliás, foi ela quem tinha planejado a temporada na Bélgica.
— Mas também não é cinco estrelas – concluiu – Queria saber só por uma noite, como é uma vida de rainha.
— Eu acho que ainda tem muito chão na nossa frente, pra nós ficarmos chorando e pensando no que podia ser. A gente nunca sabe o dia de amanhã – chamou a atenção das amigas – Nós temos um mês ainda.
— Você tá certa – voltou a atenção ao seu sorvete e olhou para o hotel – Já tá tarde, o hotel tá muito quieto e pouco movimentado pelos seguranças. Estou achando que os meninos foram pra passagem de som e Meet & Greet.
— Pode ser – olhou no relógio – Pelo horário tem chance mesmo. E é capaz deles ficarem pela arena, a gente fica aqui até o show?
— ‘To cansada – deu de ombros – Nossa última noite não foi das mais confortáveis do mundo e esse sol tá gostoso.
— Fazer fotossíntese é o que há! – bocejou um pouco – Vou voltar pra Inglaterra e amputar as pernas, porque elas não existiram até lá.
— Falando em Inglaterra, o que vocês vão fazer quando nossa viagem terminar?
— Vou me esconder em Harrow até o fim das férias porque estarei falida – riu – Vai pra Irlanda, ?
— Talvez... Às vezes eu tenha que voltar pro laboratório em Manchester, não sei ainda.
Enquanto elas discutiam o que fariam depois que aquela viagem dos sonhos terminasse, uma menina as observava sentada no Terrace Café, do próprio Hilton, enquanto tomava um café da tarde. A menina suspirou ao ver aquelas três conversando e rindo. Talvez ir puxar papo não seria ruim, elas pareciam tão legais. Em um impulso de coragem a garota de cabelos escuros até a altura do ombro e batom vermelho se levantou e caminhou até as três.
— Oi – ela falou e as três, que riam que arrumariam um namorado pela Europa, se calaram e olharam para ela – Eu estava sentada no café, e vi vocês rindo e...
— Eu te conheço – atrapalhou a fala da garota e se aproximou dela – Eu tenho certeza que já te vi em algum lugar.
A garota sentiu—se um pouco desconfortável e arrumou seus óculos de grau, com armação modelo wayfarer, que ela usava porque achava estiloso, pois possuía lentes. Ela respirou fundo.
— Vocês são fãs de One Direction?
— Sabia! – levantou – A namorada do Styles!
— Eu lembro de te ver com ele em Manchester – comentou e limpou a boca com um guardanapo – A hora que ele saiu do hotel. Ela foi direto pra van e ele veio falar com a gente, meninas.
— Ah é! – sorriu para a garota – Como é seu nome?
— Gabriella – a menina juntou as duas mãos, ainda um pouco envergonhada com ir puxar assunto com três desconhecidas, e mais ainda, por elas serem fãs de One Direction – Mas eu acho que estou mais pra atual peguete do Harry, do que qualquer outra coisa.
As meninas ficaram em silêncio. Se fossem mais novas, soltariam a cara de pau que existia nelas, e ajoelhariam aos pés da garota para que ela as levasse para dentro do hotel, para poder conversar com os meninos, de novo. Mas lá estavam elas, três adultas, universitárias e maduras, vivendo um sonho, e engolindo aquela imensa vontade de fazer perguntas sobre os garotos.
— Desculpa vir aqui até vocês, mas o Harry pediu que eu o acompanhasse nessa tour, e como eu gosto dele e nós estamos nos conhecendo, aceitei. O problema é que eu sempre estou em volta de cinco garotos, e às vezes eu sinto falta de estar que nem vocês, tomando um sorvete e rindo de qualquer besteira – nenhuma delas ousou fazer um barulho, e só ouviam o que a garota tinha a dizer – Eu sinto tanta falta de desabafar que... Ai, nem sei! – Gabriella sentou no chão da praça e cruzou as pernas.
— ‘Tá maluca? Senta aqui! – se espremeu um pouco em , abrindo um mísero espaço no banco – , chega mais pro lado.
— Tu queres me ver no chão, é? – a garota da outra ponta retrucou. Gabriella riu.
— Vamos sentar ali no café do hotel.
— Só pra hospedes – sorriu para ela.
— E daí? – Gabriella deu os ombros e já se levantou, batendo em seus shorts, para que a poeira do chão saísse deles – E mesmo que for, eu sou hóspede, posso trazer quem eu quiser, venham.
olhou para , que olhou para que retribuiu o olhar e esticou o corpo para que seu olhar encontrasse o de . A primeira deu de ombros a cada “Não tem problema, pode vir!” de Gabriella e então elas se juntaram a antiga mesa da garota, na área externa do Terrace Café.
— Vocês falaram que me viram em Manchester – Gabriella disse após pedir o cardápio para um dos garçons – Vocês são daqui e foram pro show de lá? Ou são de lá e vieram pro show daqui?
— Nós estudamos em Manchester, mas eu, , sou da Irlanda, e a e a são de Brighton e Harrow. Desde a primeira turnê deles, nós começamos a trabalhar e juntar bastante dinheiro para que a gente pudesse rodar a Europa atrás deles – tomou ar – Nós fomos aos dois shows de Manchester, fomos a Paris e Metz, e agora estamos aqui.
— Uau! – Gabriella sorriu para elas e quando o garçom trouxe novamente o cardápio, ela entregou às meninas que falavam que não queriam nada, mas ela insistiu – Vocês realmente gostam deles.
— A gente sabe que já passamos da idade de fazer loucuras por bandas, mas como nós nunca fizemos, sempre tem a primeira vez.
— Eu já fiz isso, mas com o McFly. Foi pela Inglaterra, e eu estava sozinha.
— Tem meninas indo e vindo, com faixas e camisetas com os rostos dos meninos, inclusive umas loucas com cartazes suplicando por um ingresso de show, e você está aqui tomando um café de boa, sem ninguém gritar por você. Como?
— Sabe, . É , certo? – Gabriella perguntou e menina concordou – Eu não tenho nem jeito de falar isso, mas o Harry não quer nos assumir publicamente. Ele não é uma má pessoa, nem nada, só que já soltaram tantos boatos sobre a vida amorosa dele, tantas mentiras, que ele se cansou. Eu não saio com ele publicamente. Nosso relacionamento é dentro do hotel e no backstage do show.
— Mas você não sente falta de sair com ele de mãos dadas por aí? – apontou para a praça que antes estavam sentadas – Namorar, dar um beijo. Visitar um ponto turístico.
— Sinto – Gabriella deu de ombros – Inclusive foi horrível pra eu ver as fotos deles na torre Eiffel, em Paris, e eu não ter conhecido, só pra não poder ser vista com ele.
apoiou os cotovelos na mesa e afundou seu rosto nas mãos como se estivesse indignada com tudo que a garota estava contando, mas, no fundo, estava engolindo o grito que estava em sua garganta por não acreditar que estava conversando sobre Harry Styles e a namorada dele, com a própria garota.
— Nós os conhecemos na torre – sorriu para a menina e pegou a câmera de dentro da bolsa – Só tínhamos nós três lá e depois de muita insistência, saiu essa foto.
— Me deixa ver — Gabriella estendeu a câmera e olhou pra ela por um instante e então riu – Harry sozinho e de chifrinhos, que ótimo! Ele é sempre o mais desejado por todo mundo – e então ela rolou os olhos, fingindo ciúmes.
— Eu tentei não excluí-lo – respondeu com a mão apoiada no rosto.
— Zayn e parecem estar se divertindo tanto. Você e... Liam e Louis? – ela olhou e fez sinal pra não perguntar. Gabriella concordou com a cabeça – e Niall... Então é você a menina da torre que ele anda falando.
— É o quê? – falou tão alto que se engasgou e começou a tossir e demorou um pouco para se recompor – Como assim “ele anda falando”?
— Oras. Que eu ouvi, ele falou uma vez, mas mais de uma vez o Harry já chegou contando que o Horan fala da menina que eles conheceram na torre. Que ela era bonita tinha os cabelos escuros e parecia ser bem divertida.
— Isso só pode ser brincadeira com a minha cara.
— Não entendi o problema – Gabriella devolveu a câmera para e olhou pra menina que estava boquiaberta na sua frente – Só porque ele é o cara do One Direction, ele é intocável? – ela balançou os dedos em sinal de negação – Ele é um garoto que olha pra quem é bonita sim, que se interessa, que chega nos outros. Se ele se interessou por você, garota, você é uma menina de sorte porque ele é um doce.
— Meu cérebro parou de funcionar quando você falou “One Direction” – sentiu o choro subindo pela garganta e o engoliu – Então, você fala pra ele que... Meu nome é – ela disse animada e fez todos na mesa rirem.
— Pode deixar que eu realmente falo – Gabriella olhou no relógio e depois estendeu seu celular para elas – Eu vou me arrumar, pois logo vou pro show, coloquem seus números aí. Vocês estão hospedadas em algum lugar?
— Em um hostel perto da estação – respondeu e Gabriella negou com a cabeça e soltou uma risada, fazendo-as entender que ela não sabia onde ficava.
— Imagino que depois do show vocês voltem para lá, certo? – concordou com a cabeça – Não voltem pro hotel de vocês. Voltem pra cá, por favor! – ela juntou as duas mãos como se estivesse rezando – É sério. Eu encontro vocês aqui no Terrace Café. Digam-me que vocês vão vir.
— Tudo bem – deu de ombros – Então a gente se encontra aqui depois do show.
— E fiquem de olho nos celulares, certo? – um garçom se aproximou delas quando viu pegando a carteira para pagar a bebida consumida e Gabriella empurrou o dinheiro de volta para a menina – Coloca na conta do 432 – elas se levantaram – Até de noite!
— Nos vemos mais tarde – sorriu, e depois de abraçar as três, Gabriella voltou pra dentro do hotel, pela própria cafeteria, e sumiu da visão delas – Meu Deus.
— O que acabou de acontecer? – estava desnorteada.
Depois que Gabriella voltou para dentro do Hilton e as deixou ali, parecendo três baratas tontas e desnorteadas, por um tempo elas ficaram quietas sem saber o que pensar. Por que a menina insistiu tanto para que elas voltassem para lá após o show? Por que a namorada de Harry Styles quis tanto puxar assunto com elas?
olhou no relógio e constatou que também era o momento delas irem para a arena, que por acaso, não faziam a menor ideia de onde era. Enquanto foi perguntar onde ficava o Sportpaleis Arena, ela abanava o rosto de , que estava se sentindo mal, depois daquelas informações que Gabriella tinha lhe dado.
Niall ter se interessado por ela? Ela subiu no bonde na Antwerpen Premetrostation Groenplaats, mesmo lugar que elas haviam desembarcado mais cedo, ainda pensando naquilo. “É coincidência demais”, ela negava com a cabeça para si mesma, alheia do que e falavam sem parar ao lado dela. “Eu não sou divertida”, ela falou para si mesma, “Claro que você é, ! Todo mundo acha isso, e em cinco minutos o Niall tirou essa conclusão de você, fica quieta”, parecia que a menina tinha um anjinho e um diabinho falando cada um em cima de um ombro dela. “Eu sou uma menina de sorte. Sorte. Sorte?” os pensamentos dela estavam longe “Claro que eu sou uma garota de sorte. Niall Horan já falou pros amigos de banda de mim.”
— Chegamos! – disse animada, e agradeceu por ela ter sido acordada daqueles pensamentos.
Já não existia fila em volta de Sportpaleis quando elas chegaram, e o show de abertura já estava acabando, no momento que acharam seus lugares, que ficavam na lateral da arena, bem próxima ao palco. Os meninos entraram no palco embaixo de gritos e escândalos das mais variadas formas enquanto essas mesmas meninas choravam descontroladamente ao vê-los no palco. abanou a mão para Louis que veio do lado delas cumprimentar as fãs e sorriu para o menino, mesmo tendo certeza de que ele não iria vê-la naquela multidão.
As músicas foram passando uma a uma, e as meninas já estavam decorando a ordem do setlist, quando finalmente chegou o momento das perguntas do Twitter, que era a parte do show que elas mais gostavam.
— Eu preciso falar – Zayn deu uma volta no palco e então virou de novo pro público – Vocês provavelmente são o público mais barulhento que nós tivemos até hoje!
Mais uma vez, houve histeria na arena, então Liam virou-se para o telão, onde apareceria a primeira pergunta.
— A Ray quer saber – ele leu a pergunta para si mas virou para a plateia – Cadê você, Ray?
Do lado contrário onde elas estavam rolou uns gritinhos e os meninos viraram para lá.
— Tudo bem? – o próprio Liam perguntou e então leu a pergunta – Qual é o toque do nosso celular. Interessante. Niall Horan, qual o toque do seu celular?
— Ai. meu Deus – se apoiou em e sentiu o coração palpitar.
— Bed of Roses, do Bon Jovi, Mr. Payne! – o menino engrossou um pouco a voz e Liam abanou o vento pra ele.
— Harry!
— He’s a pinball wizard there has to be a twist – e finalizando o trecho, ele bateu uma palma – Pinball Wizard, do The Who.
— O rapaz é vintage! – Liam gargalhou – Com vocês, o garoto de Bradford, Zayn Malik!
Uma multidão de meninas entrou em histeria com a apresentação que Liam fez dele, e o garoto riu.
— Oh myyyyyy God – ele levantou as sobrancelhas, fazendo uma cara de sacana – Usher, Usher, Usher!
— Querido Tomlinson!
— Meu celular toca Over My Head, do The Fray – os meninos fizeram um “ui” pra ele que riu envergonhado.
— E a minha é Crawl, do Chris Brown.
— Mas é um menino apaixonado – Louis fez carinho na cabeça do amigo que o olhou sério.
— Só se for pela parede, né? – ele respondeu e mexeu com , falando que ela podia conquistar ele – Mas é pela Antuérpia e pelas garotas maravilhosas daqui – ele puxou um pouco a sardinha e esperou mais gritos. Se não fosse o fone que eles usavam, ficariam surdos – A gente pode passar pela próxima pergunta?
— Que isso? – Niall olhou pro telão e gargalhou – A Jully quer que você se case com ela, Styles!
— Opa! – ele virou pra plateia – Cadê a Jully?
Uma menina que estava na frente do palco, onde eles faziam as perguntas, começou a abanar os braços desesperadamente.
— Posso chutar que a Gabriella ‘tá infartando no backstage? – riu observando a cena.
— Quem sabe hoje o Harry vá ter que dividir o quarto com alguém? – também ria da imagem, e tentou imaginar a dócil menina, que mais cedo teve coragem para puxar assunto com elas, querendo arrancar os próprios cabelos e quem sabe do namorado e da menina que havia mandado a intimação para ele.
— Jully? – Harry chegou o mais perto que pode do palco, e viu a menina concordando com a cabeça. Ele ajoelhou no palco e deu o melhor de seus sorrisos – Casa comigo, Jully!
— QUE ISSO? – gritou, seguido de um “Oh”, da plateia – Toma juízo, Styles que tua namorada coloca você pra dormir na casinha do cachorro essa noite!
— O Harry ‘tá namorando? – uma menina pegou no braço de , e estava com os olhos arregalados.
— Erm... Ele sempre ‘tá com alguém, né? – comentou e então virou pras amigas, franzindo o rosto.
— Então, Jully, o que me diz? – Niall se aproximou com o microfone da garota, que tremendo e com lágrimas nos olhos disse “sim” – Então eu os declaro marido e mulher!
Então os garotos responderam mais algumas perguntas. Assim que começou Rock Me, virou pras amigas.
— Acho bom a gente sair agora. Lembram que a Gabriella disse para nós voltarmos pro Hilton?
— A gente vai mesmo? – perguntou com um pouco de dúvida.
— Claro, ! Tá maluca de ter dúvida de uma coisa dessas? – a olhou indignada.
— Eu não quero me aproveitar da boa vontade dela – a menina suspirou e então deu de ombros – Certo, nós vamos.
— Então a gente sai daqui, vai pro hostel, toma um banho, fica decente – segurou uma mecha de cabelo que estava ensopada – E volta pro Hilton.
— Tá, vamos logo – foi puxando pela mão, que puxava – E se eles virem a gente saindo, faz a egípcia e finge que não está ouvindo.
Em dez minutos elas já estavam fora da arena e se enfiaram em um táxi pela expressa N184, em direção ao hostel delas.
*****
Felizmente, não havia chegado nenhum outro hóspede para dividir o quarto com elas, então puderam abrir suas malas e andarem só de pequenos trajes pelo quarto, enquanto tentavam, da maneira mais rápida possível, tomarem banho, passar uma maquiagem de leve, e escolherem uma roupa discreta. Elas não faziam ideia do que Gabriella estava aprontando, mas era algo que elas realmente queriam saber.
foi a primeira a ficar pronta. Usava um vestido florido, com um cardigan por cima, e nos pés tinha uma sapatilha. também colocou sapatilha, mas estava reclamando de frio e optou por colocar uma calça jeans, com uma blusa frente única e escondeu embaixo de uma jaqueta de couro preta. Já seguiu os moldes de e, também, escolheu um vestido, mas o da garota era preto e ela usava uma sapatilha vermelha, e colocou um casaco da mesma cor.
— Alô? – atendeu o celular depois de ver um número desconhecido.
— ? É a Gabriella! Onde vocês estão?
— Estamos saindo do hostel, entrando no táxi! Estávamos meio nojentas do show e viemos tomar banho – tinha que aprender a não ser muito sincera – Nos vemos em dez minutos.
— No Terrace Café, não esqueçam! – Gabriella falou e desligou o telefone.
Durante o trajeto rápido pelas ruas da cidade belga, elas foram se perguntando o motivo de Gabriella ter as chamado lá. Talvez fosse para confessar, mas as três pensavam que talvez tivesse alguma coisa a ver com o One Direction, mas nenhuma delas teve coragem de falar aquilo em voz alta, como se comentar aquilo, fosse fazer a hipótese deixar de existir.
O táxi encostou na Eiemarkt, rua de frente para a entrada principal do hotel, e elas puderam ver que existiam algumas meninas chorando lá na frente, encostadas na grade, não muitas, mas pelo horário, era uma quantidade razoável. Talvez os meninos tivessem chegado do show e parado para conversar e tirar algumas fotos com elas. sorriu ao pensar naquela possibilidade e sorrateiramente, elas foram em direção ao Terrace Café onde, assim como , Gabriella estava sentada, vestindo uma jaqueta de couro.
— Finalmente! – a menina se levantou quando as viu – Venham logo, os meninos estão lá dentro loucos pra conhecer vocês... De verdade!
— É o quê? – as três pararam no meio do caminho – Isso só pode ser uma piada de muito mau gosto!
Gabriella sorriu, mas sem mostrar os dentes e balançou a cabeça, dando novamente as costas às meninas, e entrando no hotel. fez o sinal da cruz umas três vezes seguidas, e foi atrás da garota, seguida por e . A namorada de Harry achou que as garotas mereciam aquilo, simplesmente por terem recebido ela tão bem, quando se sentiu sozinha e sem amigas. Lógico, sair em turnê com o namorado pela Europa e estar hospedada nos melhores hotéis era um sonho, mas ela sentia falta de alguém pra conversar, principalmente assuntos femininos. Não podia bater no quarto ao lado e reclamar com Louis que está de TPM, e precisava chorar no ombro dele. Uma coisa levava a outra. O trio a recebeu bem, ouviu o desabafo dela, e riram juntas. Era assim que uma amizade se iniciava, não era? Elas não eram íntimas, mas nunca sabe o dia de amanhã. E se as três estavam dispostas a ouvi-la, a dar atenção a ela, Gabriella iria retribuir da melhor forma que podia.
Depois de atravessarem o Terrace Café por dentro, elas chegaram até um grande lobby, onde viram uma porta de vidro, do outro lado dela, estava a grade que elas conheciam, onde algumas garotas estavam sentadas, ainda na esperança de encontrar os garotos, naquela hora. respirou fundo. Elas estavam no salão de entrada do Hilton.
— O bar fica lá em cima! – Gabriella disse a elas e logo parou na frente de um elevador e apertou o botão, para que ele chegasse ao térreo – Vocês estão muito quietas, meninas.
— Eu vou ser sincera, Gabriella – tomou a palavra pela primeira vez, desde então – Até acredito que as meninas também tenham pensado que isso – mexeu os braços de forma circular, como se mostrasse um todo – Realmente poderia acontecer, mas a gente nunca realmente falou com você, com alguma intenção. E nós estamos aqui.
— Vocês fizeram por merecer – Gabriella falou assim que o elevador chegou, e fez sinal para que elas entrassem primeiro – Eu já tentei me aproximar de outras pessoas, de outras fãs, eu confesso, mas ou elas conversavam entre si e não me davam bola, ou olhavam pra mim como se eu fosse alguma maluca, por falar com desconhecidos. E então vocês estavam sentadas na praça. O resto da história é essa – ela apontou para o chão, indicando o momento que estavam vivendo – É o que eu posso fazer por vocês.
O elevador então chegou ao último andar, e podia sentir sua perna balançando. Talvez ela não estivesse tão nervosa, se aquele anjo em forma de gente, não tivesse mencionado o fato de Niall ter falado dela. Sentia-se uma adolescente de 15 anos perto do garoto que ela gostava. Mas para , os 15 anos já tinham ficado para trás há certo tempo.
— Venham – Gabriella saiu do elevador e puxou tanto quanto pelo braço, sendo que a última, puxou , que estava um tanto pálida – Vocês me chamem de Gabi! E os meninos estão um pouco cansados do show, mas estão se divertindo, ansiosos por conhecer vocês e são os cinco meninos mais doces da face da Terra.
Elas atravessaram a área interna do Bar Room, e quando se aproximaram da porta, começaram a ouvir risadas e vozes que elas já conheciam. Era tudo ou nada, a hora era aquela e não teria mais para onde fugir. Gabriella atravessou para a área externa, e logo foi de encontro com Harry, que a aguardava já de braços abertos.
— Meninas, esses são os meninos – ela disse já nos braços do namorado, que segurou em sua cintura – Meninos, essa são as meninas que eu falei mais cedo. E não achem que elas sou eu, que vocês já esqueceram que eu sou uma garota e me tratam como um de vocês.
Com exceção de Harry que estava em pé tomando sua cerveja, os outros quatro garotos estavam espalhados em espreguiçadeiras em volta da piscina do hotel. Louis se levantou e foi em direção a elas, mas sem largar a cerveja que ele também tomava.
— Hey! – ele abraçou cada uma delas, que ainda estavam travadas, por realmente estarem lá. Desde o planejamento da viagem dentro do alojamento de , até elas tomarem o Eurostar até Paris, estar no terraço de um hotel cinco estrelas com sua banda preferida, foi algo que nunca passou pela cabeça delas. Era algo fora da realidade – Quero nomes!
Travar e começar a chorar na frente deles, além de parecerem as fãs descontroladas dos shows, não era algo que estavam nos planos delas, então engoliu toda aquela vontade de extravasar que estava sentindo, e tomou a frente, e sorriu para Louis.
— Meu nome é , mas só minha mãe e as meninas me chamam assim, quando todas estão bravas comigo, então me chamem de . E essas são a e a .
— Então espera – Zayn se aproximou delas e colocou uma mão para trás, onde ele segurava um cigarro – , e . Acertei?
— Quase – então se soltou, já que até então seus olhos estavam fixados em Niall, atrás ainda na espreguiçadeira, que não conseguia conter o sorriso – Eu sou a , e ela é a .
— , e ! – Niall gritou de onde ele estava e riu – E sim, eu ‘to bravo porque vocês ainda estão aí dando bola pra esses dois!
Enquanto as garotas cumprimentavam Harry, Liam e Niall, Louis e Zayn pegavam três cadeiras e colocavam próximas a eles, para formarem uma roda. sentou na cadeira ao lado de Niall, que estava do lado de Liam, ao lado de Louis e então Zayn, e e fechava a roda, enquanto Gabriella e Harry estavam atrás deles em pé.
Apesar de eles serem seres humanos, como elas, estar ali era uma sensação surreal. Se aquilo realmente fosse um sonho, poderiam falar que eram como amigos, só jogando conversa fora enquanto riam e bebiam alguma coisa. Mas palavra nenhuma conseguia descrever aquilo que elas estavam sentindo dentro delas.
Já um pouco mais descontraídas, as bolsas já estavam no chão, enquanto elas já carregavam cada uma, uma garrafa de cerveja. Harry relembrava alguma história divertida da primeira vez deles nos Estados Unidos.
— Só o Louis pode beber nos Estados Unidos hoje, mas naquela época, nenhum de nós cinco podíamos – ele segurava a garrafa de cerveja com os dedos, e Gabriella estava sentada em uma perna dele – Alguém levou bebida pra dentro do hotel.
— Aí vocês podem imaginar – Liam cortou Harry, que aproveitou e deu um beijo no ombro da namorada – Cinco garotos que estavam descobrindo o que é ter fama, com bebida nos copos, num país igual aos Estados Unidos – ele pôs a palma da mão na testa, enquanto dava uma risada nasalada e continuou – E mais, nós tínhamos recém-assistido Se Beber, Não Case.
— Las Vegas, cinco menores de idade e um filme desses – Niall fez uma pausa dramática – Queria tanto poder contar o final dessa história pra vocês.
— Conheço duas meninas que quiseram brincar de Se Beber, Não Case também – deu um gole da cerveja que tomava e fez uma cara feia, não bebia nada alcoólico, mas não iria ser a única tomando suco – Mas foi em Paris!
— Mas precisa lembrar disso, Jones? – olhou para a amiga, que riu.
— Pode pôr na roda! – Niall terminou a cerveja, colocou no chão ao lado da cadeira, e esfregou suas mãos, uma na outra, ansioso por aquilo. balançou a cabeça. Definitivamente, aquilo era surreal.
— É que eu e a temos problema com tequila.
— Não é bem assim – se intrometeu e Niall virou a cabeça para prestar atenção nela – A tequila que tem um problema com a gente, pois nós gostamos muito dela.
— Se vocês oferecerem tequila no café da manhã pra elas, elas vão tomar. Se vocês oferecerem tequila agora pra elas, elas vão tomar!
— E se a gente tomasse uma rodada agora? – Gabriella falou e os meninos ficaram meio apreensivos – Amanhã vocês têm day-off, meninos, e viajam só no outro dia.
— Um shot cada um não vai matar ninguém, certo? – Louis levantou o dedo e então apontou para as garotas na frente dele – Ninguém vai casar amanhã, né?
— Bullying, Tomlinson. Isso é bullying – arqueou uma sobrancelha – Vou lembrar disso.
— Dá licença, eu sou folgada – falou e correu para espreguiçadeira de Louis, quando ele e Harry foram até a parte interna do bar, pegar os shots.
Liam virou para a garota já ao seu lado e começou um papo só entre eles dois, sobre ela, que falava de sua família, da faculdade, e até o que tinha a feito escolher aquele curso. Zayn havia sentado na cadeira que antes era ocupada por e travou uma conversa com , Gabriella e .
— Ô que dó! – se esticou até onde Niall estava, quando ele reclamou de ter sido excluído e o abraçou – Ninguém mais vai te excluir.
— Hein? – Harry e Louis chegaram, cada um com duas bandejas, e se depararam com os dois abraçados, mas de mau jeito – Onde eu perdi?
— Perdeu o quê? – olhou para os dois que ainda olhavam para ela e Niall – Quero ver quem toma o shot mais rápido aqui.
— O Payne! – Harry disse fazendo o garoto desviar da conversa que estava tendo com e olhou para os lados – É você mesmo, pega um copo aí logo!
— Vocês não conhecem a – falou pegando um copo contra sua vontade – Vocês tão dando água pra ela.
— ‘Tá me ofendendo! – ela pegou um copo da bandeja que Louis carregava – Mas assim, se alguém quiser apostar comigo...
— Eu aposto, – Liam sentou na beirada da espreguiçadeira e olhou diretamente pros olhos escuros da menina a sua frente – E se eu ganhar?
— Na verdade – ela olhou no relógio que já passava da uma da manhã – Quem perder pula na piscina.
— Uh, ela sabe apostar – Zayn provocou – Mas o Payne vira isso mais rápido que ele pisca, sinto informar. Acho que você já pode até pular na piscina. É menos humilhante.
— Vocês não sabem com quem estão apostando – falou ao lado de Liam – Aposto na !
— Eu também – levantou a mão, seguida de Gabriella.
— Meninas contra meninos, desculpa aí, Liam – ela sorriu pro garoto quando disse que a amizade deles estava cortada com aquilo.
— No três – Harry olhou fixamente para os copos dos dois – Um... – olhava pra Liam, que tinha um sorriso sacana no rosto – Dois – a menina arqueava a sobrancelha pra ele já pedindo desculpa pela vitória – Três!
respirou fundo e virou o copo de uma vez, sentindo o líquido, puro, sem limão nem sal, descer rasgando pela sua garganta e olhou para a frente.
— Sorry, Payne! – ela falou quando o menino ainda estava virando o líquido para dentro de sua garganta – A piscina é toda sua.
— Ela roubou – ele gritou depois de finalmente ter bebido tudo – Ela queimou a largada.
— Piscina, Payne! – Louis deu dois tapinhas nas costas do amigo – Você já foi melhor, cara.
— Mas foi roubado isso – Liam ainda tentava argumentar – O copo dela tinha menos.
— Quer apostar de novo? Sem problemas – deu de ombros – Eu tomo duas enquanto você ainda ‘tá na primeira.
— Vai humilhar, . Deixa quieto – disse ao lado do garoto e então virou pra ele – Não sei nem o que te falar.
— Vocês não vão tomar, não? – respondeu bravo enquanto via todos os outros ainda com um copo na mão.
— Sem aposta nenhuma, mas eu acho que a toma primeiro – comentou – E mais, alguém ainda vai babar tequila pela roupa inteira.
— – Niall olhou e levantou o copo para ela, seguido de todos os outros.
— Horan – a menina retribuiu o gesto – Já!
Todos viraram a tequila junto, e então foi a primeira a terminar, com um sorriso, enquanto a bebida forte, e que agradava o paladar dela, escorria garganta a baixo. Niall forçou os olhos, deixando-os juntos, enquanto fingia estar bravo com , enquanto os outros bebiam e então viram Harry passando a mão na roupa, tentando secar a área molhada.
— Quer leite, Harry? – sacaneou o garoto que levantou o dedo do meio para ela.
— Isso foi com carinho – ele disse – Mas então, Liam, piscina, né?
Todos se levantaram quando Liam ficou em pé e encarou a piscina. Ele tirou o casaco que usava, ficando com uma camiseta branca e caminhou até ela. Alegando dar apoio moral, Gabriella, , e ficaram em volta dele, na beirada da piscina. Louis ia empurrá-lo, mas lembrou-se de algo.
— , faça as honras, por favor.
— Com todo o prazer – ela saiu do lado do garoto – Faça suas preces, Liam!
— A Gabriella falou que você era legal! – ele suplicou. Na hora que ele sentiu as mãos de nas suas costas, ele olhou em sua volta, e seus braços passaram em volta da cintura de .
— Liam! – o grito agudo da menina foi a última coisa que eles ouviram antes dos dois mergulharem na piscina fria do Hilton.
Não teve um que não gargalhou quando os dois afundaram na água. ria, mas estava boquiaberta enquanto via a amiga voltar a superfície da água. Talvez se ela não tivesse empurrado Liam, não estava na água. Mas a cena foi divertida. Na lateral da piscina, estava ele lá, gargalhando. De um jeito inocente, do jeito de ser dele. Nunca imaginou ficar tão próxima assim, mas, ao mesmo tempo, estava tão longe.
— Eu vou ficar doente, Liam! – a voz de gritando, ainda dentro da piscina, fez ela olhar novamente para lá – Como eu vou secar essa roupa pra ir embora?
— Ir embora pra quê? – Zayn perguntou, já com outro cigarro apoiado nos dedos.
— Como pra que, Malik? – respondeu pela amiga.
— Não sei mesmo – ele deu de ombros.
já havia saído da piscina, com Liam atrás dela. O garoto falava com ela, que fingia não ouvir, mas ela virou quando suas mãos tocaram os ombros dela. Os olhos dela foram direto no cabelo molhado do garoto e foi descendo. Rosto, pescoço, camiseta branca. Ah, a camiseta branca molhada estava grudada no corpo dele, fazendo os gomos da barriga, resultado de horas de academia, ficarem salientes. Ela piscou duas vezes e se recusou descer seu olhar, indo direto para os braços do garoto. “Deus abençoe os casacos largos.”
— Eu vou arranjar uma toalha pra você – Liam disse próximo do rosto dela e se assustou com a proximidade – Não quero você doente.
— ‘Tá – ela disse baixinho, mais para si mesma do que para qualquer outra pessoa ouvir. Ela deu as costas e foi de encontro com , que ainda não tinha sentado de novo ao seu lugar – Eu preciso ir embora daqui.
— Daqui a pouco – sussurrou de volta e as duas sentaram nas cadeiras próximas, que estava sobrando.
— Minha jaqueta de couro – choramingou tirando-a do corpo.
— Pede pro Liam roupas novas, que é o mínimo que ele te deve depois disso – Harry respondeu e segurou na mão de Gabriella – Nós vamos nos retirar, boa noite pra quem fica.
— Eu já vou, Harry – a menina deu um selinho nele e se aproximou das garotas – Quais os planos pra amanhã?
— Amsterdã – respondeu e viu Gabriella negando com a cabeça.
— A gente fica na Antuérpia até na sexta de manhã. Ai meu Deus, e agora? – ela apoiou a unha comprida no vão dos dentes da frente – E a reserva de vocês é só até amanhã, né? – concordou com a cabeça, tremendo de frio – Que horas vocês saem para lá?
— Acho que o trem é 12h30 – parou pra pensar um pouco – É, algo em torno disso.
— Certo, não saiam da Antuérpia antes de eu ligar pra vocês, prometem? – as meninas ficaram quietas – Confiem em mim, não saiam da cidade sem falar comigo.
Elas até tinham passagens e hospedagens a perder, mas não havia motivo para não acreditar em Gabriella. A garota que mais cedo se aproximou delas, e as levou para passar a noite bebendo e rindo com ela e o One Direction, não parecia mentir e querendo tirar uma com a cara delas. Certas coisas são difíceis de acreditar, mas você tinha que dar uma chance para saber se elas dariam certo, então suspirou, afirmando com a cabeça.
— ‘Tá bom, mas não esquece que nosso trem é às 12h30!
— Não vou – Gabriella fez figas com os dedos e os beijou – Obrigada pela noite, eu me diverti tanto!
— Obrigada você, Gabi! – , que estava ensopada, pois Liam ainda não tinha voltado, disse sinceramente e a abraçou, fazendo rir pela menina estar gelada.
Gabriella também abraçou e e foi até Harry, que gritou que tinha sido um prazer “conhecer aquelas loucas”. Elas abanaram a mão para ele e então Liam apareceu, com uma toalha em seus ombros, enquanto uma que estava aberta em suas mãos, ele colocou sob os ombros de .
— Obrigada – ela sorriu sincera e então virou de novo para a roda.
Louis e Zayn conversavam alguma coisa onde prestava atenção. Niall estava interessado em seus dedos tamborilando na cadeira que estava sentado e sem erguer a cabeça, olhava para . Aquele vestido de alças finas e um pouco acima do joelho, com flores vermelhas ficava tão bonito na garota que usava sua franja de lado. Parecia tão delicada com aquelas sapatilhas nos pés. Mas ela, no olhar de Niall, era muita areia pro pequeno caminhãozinho dele. Ah, se ele soubesse...
Liam observava , abraçada às próprias pernas, enrolada na toalha, tremendo de frio. Era engraçado a conexão que ele sentiu ao conversar com a menina. Mas quais eram as chances de eles terem um momento como esse novamente? Se encontraram em Paris, e tiveram um bom momento naquela noite, mas não tinha como eles se sentarem e conversarem de novo, maldita agenda apertada.
Já era tarde, e as meninas decidiram se despedir deles. Liam não cansava de pedir desculpas a , que dizia que estava tudo bem, no final das contas, foi engraçado. Ele desceu junto com elas, e Zayn, Niall e Louis até o andar deles e abraçou as três meninas, indo direto para o quarto tomar banho.
— Se você ficar doente me avisa que eu corto fora aquilo que o Liam diz que tem – Louis falou, já perto da saída da porta principal, olhando para .
— Não se preocupa, Louis. Nada que um banho quente e uma cama aconchegante não me deixem renovada.
— Assim espero – ele abraçou a garota bem forte, que retribuiu – Foi tão bom conhecer vocês.
— O táxi delas chegou! – o segurança do hotel disse.
— Então isso é um tchau? – abraçou Niall, que retribuiu com força, como se não quisesse soltar a menina nunca mais.
— Prefiro um até logo – ele respondeu e deu um beijo muito próximo do canto dos lábios dela, fazendo-a travar.
— Me aceita no Twitter – Zayn piscou para que concordou com a cabeça.
— Assim que eu fizer meu celular sobreviver – ela gargalhou, referindo-se a bateria do aparelho, que tinha acabado – Não se preocupa, Zayn.
Eles se abraçaram, e então as três deram as costas para os meninos, que ficou observando elas entrarem no táxi, com o olhar das fãs que dormiriam na porta do hotel, em cima delas. Deus abençoe o vidro fumê do prédio, que não permitiu enxergar os garotos lá dentro.
— Não existe outro lugar no mundo como a Bélgica – disse assim que o táxi ganhou velocidade, vendo o Hilton ficar pequeno, com a distância.
— We can love Belgium more than this – mudou as palavras da música e apoiou a cabeça no banco sentindo-se pela primeira vez naquele dia, realmente cansada.
— O Niall deu um beijo no canto da minha boca – falou por fim, com a testa no vidro do carro.
— Repete? – e falaram em um tom de voz elevado e até o hostel, foi a única coisa que elas comentavam.
*****
tomou um banho bastante quente, assim que chegou no hostel, por causa do cloro que havia na piscina do hotel. Como havia combinado de que a cama dela era a de cima do beliche, depois de secar os cabelos, ela ficou um tempo sentada lá, com as pernas cruzadas e olhos fechados, repassando tudo o que havia acontecido, enquanto e usavam o banheiro para sua higiene pessoal antes de dormir.
Liam Payne a segurou pela cintura. Liam Payne foi empurrado na piscina e a carregou junto. Liam Payne ficou preocupado com ela ficar doente por causa da água molhada no frio, e se preocupou em procurar uma toalha para ela se secar. E Liam Payne deixou aquele tanquinho ficar saliente na camiseta branca e molhada.
— Oi? – ela abriu os olhos rapidamente quando percebeu que as amigas a chamavam.
— Sonhando acordada com o Liam? – perguntou e sentou no tapete do quarto, já que sua cama era a de baixo de , enquanto sentou na sua cama, no outro beliche.
— Se essa noite tiver sido um sonho, por favor, não me acordem.
— Ninguém quer ser acordada, – sorriu do outro lado do quarto para ela – E não vai ser preciso, porque isso aconteceu.
— O Niall quase te beijou – virou para a amiga que sentiu o peso de seu corpo cair no colchão.
— Por que eu? Por que não você ou a ? Ou sei lá, não tivesse sido o Louis que tivesse dado um projeto de beijo na bochecha da lá no saguão? – ela afundou o rosto em suas duas mãos – É inacreditável. Quem sou eu? , uma menina da Irlanda, estudante de mestrado, que é insegura, tem defeitos, tem problema em aceitar a imagem que ela vê no espelho – então ela finalmente deixou as lágrimas que estavam acumuladas há algumas horas, despejarem em suas bochechas – Alguém que é louca por ele? Que vê nele um futuro, uma felicidade, um... Eu não sei se eu mereço isso.
— , , ! – desceu de seu beliche e foi de encontro a amiga que já chorava descontroladamente e a abraçou, fazendo—a apoiar a cabeça em seu ombro – Que isso? Cadê a 'O-Brien que eu conheço? Divertida, segura de si, e que é linda.
— Fachada! – ela murmurou e passou as mãos no cabelo da amiga, enquanto ela se acalmava.
— Eu vou ser direta – olhava as amigas – E isso vai te doer, mas aceita. Niall Horan se interessou por você! Só e somente você! Por quê? Por tudo isso que você acabou de falar. Uma irlandesa, que faz mestrado, tem defeitos e é bastante insegura.
— Mas...
— E hoje você mostrou pra ele que cantar em uma boyband aclamada por milhões de adolescentes pelo mundo inteiro, pra você, não é nada. Que tudo o que vocês conversaram, nós três na verdade, com aqueles meninos, ó... Pó! Nós entramos como três fãs pra eles e saímos de lá com outra imagem.
— Coloco minha mão no fogo pelo que você tá falando, ! – sorriu para ela e então se afastou – ‘Tá mais calma? Aceitou?
— Quem sabe um dia – ela sorriu – Vamos dormir!
Depois de uma noite praticamente em claro no interior da França, e um dia agitado como o anterior, aquele hostel na Provinciestraat, rua da cidade belga, parecia um hotel cinco estrelas. Melhor que um hotel cinco estrelas, parecia a própria casa de , e . Com o pedido de Gabriella de não deixarem o país sem antes falar com ela, assim que elas chegaram do Hilton, naquela madrugada, fizeram questão de desligar o despertador do celular.
foi a primeira que acordou no dia seguinte, já na hora do almoço, sentindo o corpo novo e pronta pra outro dia intenso. Era só o quinto dia de viagem, e ela já sentia tanto o cansaço, pela maratona exaustiva, quanto o emocional completamente abalados. pegou o celular, próximo a parede, pois passou a noite carregando, e viu algumas notificações. Ela coçou os olhos tentando se acostumar com a claridade e então deslizou o dedo pela tela do aparelho.
@ZaynMalik: Chegaram todas bem?
Ela piscou os olhos algumas vezes repetidamente, como se aquilo fosse fazer a imagem em seu telefone mudar, mas não, era um tweet de Zayn, perguntando se elas haviam chegado bem ao hostel, após sair do hotel. Sua mente rodou pelo quarto pensando o que fazer e se lembrou das palavras para , na noite anterior “Nós entramos como três fãs pra eles e saímos de lá com outra imagem”. Não era o momento para ser fangirl e felizmente, seu Twitter era bloqueado.
@KendallKen: @ZaynMalik Sãs e salvas! Obrigada pelas risadas.
Ela olhou para o tweet. Simples, mas pontual. Sentiu-se orgulhosa de não ser mais uma das que surtam e saem digitando coisas sem nexo quando um ídolo lhe responde na rede social, afinal, foi ele quem a procurou. Lembrou—se das outras notificações e foi vê-las.
“Esqueceu que tem família? Filha, nos mande mensagem, para pelo menos sabermos que você está bem. Papai, xx.”
Ela sorriu, “Papai, eu estou ótima! A Bélgica é um lugar incrível. Amanhã vamos para a Holanda, amo vocês!”, digitou rapidamente em seu celular e então enviou a mensagem, indo logo em seguida para outra, vindo de um número desconhecido.
“O dia está lindo. Vamos fazer turismo pela cidade? Nosso primeiro lugar é a Antwerpen-Centraal Station, me encontrem lá às 14h. Gabi, xx”
Hm, tirar um tempo de toda aquela loucura para conhecer mais da cidade não era uma má ideia. Rapidamente ela estava em pé e cutucando e , sem um pingo de delicadeza para que elas acordassem e arrumassem suas malas. Não tinham local para ficar por mais uma noite na cidade, mas nada que mais uma noite passada em claro na estação ferroviária não resolvessem os problemas.
— Eu sinto como se a gente tivesse abusando da Gabriella. Ela veio, desabafou com a gente, falou das angústias dela, e a gente rapidinho sai correndo atrás dela, só porque ficamos perto dos meninos? – confidenciou às amigas, já na recepção do hostel – Não me sinto bem, principalmente porque eu não tenho como retribuir essa aproximação com os meninos, pra ela.
— Ela só quer uma amiga, ! – estava com um braço apoiado na mala, já pronta para sair do hostel – No caso, três. É isso que a gente pode dar pra ela.
— Uma amizade dura pra sempre, – piscou pra ela – Pensa nisso e deixa de besteira. Vamos! Qual o problema da gente tirar um dia de turismo?
— ‘Tá bom! – bufou e sentiu as amigas abraçando-a – Por que eu sou amiga de vocês mesmo, hein?
Elas saíram do hostel e puxaram suas malas até uma avenida próxima, de onde pegaram o trem para a estação central. Aquela quinta-feira realmente estava maravilhosa, digna para passarem o dia ao ar livre conhecendo aquela cidade. Gabriella estava sentada na entrada da estação, usando óculos escuros e tomando um sorvete, enquanto observava algumas adolescentes, usando mochilas com bottons do One Direction entrando lá. Talvez estivessem ido à cidade exclusivamente para o show anterior e estavam voltando para suas casas, em cidades próximas. Ela também estava sozinha, sem nenhum segurança, e foi até o local de transporte público. Ah, seu namorado até que tinha certa razão em querer esconder o relacionamento deles. Se fosse o contrário provavelmente ela não poderia observar a vista pela janela do hotel.
Então ela viu as três novas amigas, que felizmente tinham dado atenção a ela, virando a esquina. e pareciam morrer, e além de suas bolsas, que não eram pequenas, apoiadas em seus ombros, puxavam cada uma duas malas extremamente grande. “Elas falaram que viajariam a Europa inteira atrás dos meninos”, e então deu de ombros. Ela estava tendo momentos de rainha ao lado do namorado, e não estava passando pelos problemas que as meninas estavam tendo, mas ela também estava andando para lá e para cá com duas malas grandes. quando a viu, foi pulando animada na direção dela, já a cumprimentando.
— Também quero! – ela apontou para o sorvete da garota. Definitivamente, era a menina que puxava o bonde da comida.
— Quer ajudar a gente, isso sim! – finalmente se aproximou delas – Oi, Gabriella!
— Falei pra não trazer todas essas malas – deu de ombros, enquanto Gabi respondia o “Oi”.
— Eu só quero saber onde a gente vai deixar tudo isso – se aproximou do grupo e balançou os braços, para relaxarem do peso que estavam puxando – Não dá pra passear com tudo isso.
— Isso a gente dá um jeito! – Gabriella acabou seu sorvete e levantou – Então, como passaram a noite passada?
Então elas entraram na estação conversando, enquanto tiravam diversas fotos no local, que foi construído em 1905 e além de ter ouro maciço nos mínimos detalhes, ela possuía mármore para todos os lados. Era um lugar que qualquer um deveria conhecer, mesmo que não fosse viajar de trem. De lá, Gabriella insistiu para que dessem uma passada rápida no Hilton, onde um dos seguranças colocou as malas delas para dentro, ainda que sob reclamações e então elas sentiram-se livre para andar sem preocupações.
Depois de caminharam embaixo do Rio Shelde, no túnel St. Anna, localizado na zona portuária da cidade, um trecho de aproximadamente 500m, elas visitaram algumas catedrais góticas e museus, até chegarem à Diamondland. Elas nunca tinham visto tantos diamantes reunidos em um só lugar e já que estavam na região, aproveitaram para conhecer o Museu do Diamante.
— Tristeza nessa vida! – falou saindo do museu – Cadê meu namorado pra me dar um desses?
— Você tem namorado, ? – Gabriella perguntou. Ingênua.
— Ih, Gabi – comentou, saindo seguida das duas – Mais fácil ela comprar um diamante, do que esperar aparecer um namorado na vida dela, pra ganhar um.
— Vai dar uma passadinha no inferno depois você volta aqui, – a menina levantou o dedo pra amiga que mandava beijos.
— Tirando o Harry, os meninos tão solteiríssimos, viu?
— A é chata pra caramba, por isso ela não tem namorado! – entrou no assunto – Metódica demais, neurótica demais.
— Eu só não pego qualquer um que resolve me dar bola – ela fechou a cara, fingindo estar magoada – Eu sou difícil mesmo.
— Acho que já visitamos os principais locais da cidade, e minha barriga está roncando – colocou a mão no próprio ventre, enquanto via o sol se pondo – Minha lombriga está com fome, tenho que alimentá-la.
— Vamos pro Terrace? – Gabriella também sentiu seu corpo pedindo alimento – A gente come alguma coisa lá e depois se arruma pra alguma balada, topam?
— Erm, nós só precisamos de um lugar pra tomar banho.
— ! – Gabi olhou pra ela brava – Eu que deixei vocês sem um teto por hoje, sou eu quem vai resolver esse problema. Vamos pro hotel!
*****
Na região portuária da cidade, estava localizada uma das mais conceituadas e famosas casas noturnas da Bélgica. Com dois andares e acesso ao terraço com vista, a Noxx era visada pela alta classe belga e também por pessoas famosas que visitariam a cidade.
Tanto a música alta quanto as bebidas já rolavam no Sky Box, lugar privilegiado na balada, apenas para quem havia feito reserva na Noxx VIP Experience. Vestindo um short de paetês, com uma camisa preta transparente, e um peep-toe nude para contrastar, pegou um drink colorido e juntou-se a , Gabriella e Liam, em um sofá espaçoso, que não se cansavam de falar da beleza e dos encantos da Bélgica.
estava perdida na pista de dança. Era a forma que a garota encontrava para extravasar, para liberar adrenalina. Usando um vestido de manga comprido, mas cujo comprimento vinha até o meio da coxa, aquela visão chamou a atenção de um par de olhos. Com uma cerveja na mão, Zayn estava apoiado no mezanino olhando o andar inferior quando ele a encontrou. De olhos fechados, como se estivesse sentindo a música percorrer em suas veias, balançava o corpo e levantava seus braços. Ela não beberia naquela noite e se divertiria a sua maneira.
— Drinking Game! – Harry tirou um dado do bolso, seguido de uma folha de papel dobrada, já rasgando em alguns pontos – Não tenho pinos, mas espero que todo mundo lembre suas casas. Hey! – ele virou para a mesa ao lado – Querem jogar?
— Quer embebedar a gente, Styles? – chegou com seu copo, enquanto Gabriella, e Liam também se aproximavam.
— Um pouco sempre é necessário – ele piscou para a menina – Zayn, topa?
— Hoje não – ele respondeu e logo voltou a fixar seus olhos na pista de dança, que havia perdido o que estava vendo anteriormente.
Zayn fechou os olhos e abriu de novo. não estava mais onde anteriormente ela dançava. A contragosto de um dos dois seguranças que os acompanhavam no local, ele desceu as escadas para o andar inferior em certa velocidade e logo entrou no meio do povo que dançava. Algumas mulheres até o reconheciam, mas felizmente a dosagem de álcool no sangue já era elevada o suficiente para saberem ao certo quem ele era. Sua cabeça girava constantemente para os lados a procura daquela menina de cabelos escuros.
— Procurando algo, Malik? – apareceu na frente dele, já com os cabelos presos em um coque alto, deixando a nuca à mostra, e com uma garrafa d’água em uma das mãos.
— Talvez – ele deu um meio sorriso de lado e seus olhos desceram discretamente, até as coxas dela – Se divertindo?
— Tem como ficar melhor – ela passou a mão livre pelo queixo e deu uma olhada para o cara alto, e de cabeça raspada na máquina um ao seu lado. O homem retribuiu o olhar e ela desviou, virando para Zayn de novo, que sentia seu sangue ferver – Mas a balada é ótima, obrigada pelo convite.
— Todos os meninos concordaram em chamar vocês. Sabe como é, a companhia é ótima, e tem gente interessado também.
— Ah é? – se aproximou do ouvido dele, que enrijeceu com a proximidade, quase não sentindo sua própria respiração – Achei que você tivesse feito questão.
Ela piscou para ele e foi em direção a um corredor escuro, que dava acesso a outra sala da casa noturna, enquanto o garoto que estava com a respiração descompassada, tentava se situar e voltar a ter o controle do próprio corpo.
Gabi e Harry haviam desistido do Drinking Game quando suas cabeças começaram a girar e a menina caiu sentada no colo do próprio namorado. O casal foi para a área mais escura onde namoravam e se amassam na parede do local, sem pudor e sem vergonha alguma.
— Quatro! – falou, já com dificuldade de enxergar os pontos pretos no dado – É aqui – ela colocou o dedo então leu – Escolha um jogador para beber duas vezes – ela olhava de lado – Amor da minha vidinha – e pegou no braço de , que estava ao seu lado – É tequila, você não vai se importar.
Eles haviam pegado uma garrafa de tequila e outra de Big Apple, para o jogo, e as duas já haviam passado da metade.
— Uma de cada um – ela sorriu e roubou o copo de Louis, que estava ao seu lado – Tequila! – ela deu um beijo no copo e virou garganta a baixo. Era como se tomasse água – E maçã verde – ela bebeu novamente – Ai meu Deus, esse jogo é tão legal! – e então pegou o dado e o derrubou na mesa, que quicou e parou no colo de Niall – Quanto, Horan?
— Um, .
— Só um? – a menina gritou – Droga. Veremos, erm... Jogadores... Pulso... Relógio... É pra quem estar de relógio beber.
— Meu Deus, ela ‘tá muito bêbada – sussurrou para Liam e Niall, que estavam próximos a ela.
— Quem não está? – Liam retrucou, com os olhos já praticamente fechados, de tanto álcool que rolava nas veias – Eu, você e o Louis temos que beber, !
— Sou praticamente a dona Flor, com meus dois maridos – ela gargalhou e virou mais uma dose de tequila. Já devia ser além da oitava dose, e caiu com a cabeça na mesa, em cima do tabuleiro – Diz pra minha mãe que eu a amo!
— , não desmaia por tudo que é mais sagrado no mundo – a levantou de novo, e tinha um sorriso frouxo nos lábios.
— Ai meu Deus, vem dançar! – se recuperou rapidamente e levantou quando Gangnam Style começou a tocar – ela (achava que) dançava a música assim como o coreano, e os meninos, junto de , riam dela – Oppan gangnam style! – ela gritou e voltou a dançar – Rodeião, vamos laçar a pessoa – ela fazia igual ao videoclipe.
— O que a gente faz com ela? – Louis sussurrou para .
— Entra na dança junto – ela levantou e correu até a amiga. Niall seguiu-a com o olhar. A cada ação, o surpreendia cada dia mais.
Zayn seguiu pelo corredor escuro e a encurralou na parede. Ele estava suando frio. Aquela garota não podia simplesmente provoca-lo com uma roupa curta e sair assim, sem mais nem menos. Com as mãos na parede, uma de cada lado do rosto de , o garoto olhava para ela fixadamente.
— Não fica bem para um popstar como você, encurralar uma garota na parede em uma balada tão cheia, Malik.
Ele tirou o peso de uma das mãos, retirando-a da parede, e desviou o olhar.
— Não me provoca, .
— Eita, falou meu nome – ela rolou os olhos e deu uma risada – Espero que você não esteja bravo comigo.
— Ai, meu Deus, é o Zayn! – ele ouviu duas garotas falarem, próxima a eles, e se afastou por completo da menina.
— Isso não se faz! – ele negou com a cabeça e se virou para dar atenção às duas fãs.
*****
A cama era macia, muito melhor do que elas andavam dormindo pela Europa. O travesseiro parecia uma nuvem de tão fofo que era. E o lençol... Ah, o lençol parecia ter sido feito de algodão puro por anjos. Uma luz invadiu o sono de , que com dificuldade abriu os olhos. Já acostumada com a claridade, ela girou seu corpo e encontrou dormindo ao seu lado, enquanto estava ao lado de . Havia flores no quarto, a janela era desenhada, com uma bela cortina fechando-a. Ela sentou e coçou os olhos. Mas aquele não era o New International Youth Hotel.
— – ela balançou a amiga ao lado e sentiu o cheiro de álcool puro sair de sua boca – – ela chamou a amiga e as duas murmuravam reclamações enquanto acordavam.
— Que foi, ? – foi a primeira a dizer alguma coisa.
— Onde nós estamos? – perguntou curiosa e um tanto assustada, fazendo levantar da cama e rapidamente analisar o local.
As três usavam a mesma roupa da noite anterior, e tinham o rosto completamente borrado por causa da maquiagem.
— Que merda a gente aprontou dessa vez?