O set do primeiro clipe da FIRST ART parecia mais um pequeno universo: refletores enormes iluminavam o galpão industrial, cabos atravessavam o chão como serpentes elétricas, técnicos gritavam ordens enquanto maquiadores corriam com pincéis, e o diretor tentava manter o controle de tudo com um megafone que já tinha desistido de ser respeitado. Era um caos puro. Caos vivo. Caos perfeito para uma banda prestes a explodir.
entrou acompanhada de dois assistentes, usando um figurino que misturava couro, glitter e atitude. O cabelo preso em um rabo alto, maquiagem pesada nos olhos, respiração firme, como se tivesse decidido vestir uma versão mais afiada de si mesma. Ela sabia que precisava disso. Depois do ensaio, do beijo e da proibição, precisava de qualquer coisa que a fizesse sentir controle. Nem que fosse só aparência.
já estava lá. Guitarra na mão. Jaqueta preta. A luz dos refletores batendo no rosto dele e revelando olheiras profundas de quem não dormiu, não descansou e não conseguiu esquecer a sensação da
boca dela. Ele evitava olhar na direção de desde que chegou, mas a presença dela era forte demais para ser ignorada. Era como ter um ímã costurado no peito e cada passo dela fazia o dele reagir, mesmo contra a vontade.
— FIRST ART! — o diretor chamou, animado demais para quem tinha trinta figurantes esperando. — Hoje vamos gravar a cena principal. Liguem o motor emocional, pessoal. Quero fogo entre vocês!
Uma ironia cruel, considerando o esporro do Manuel horas antes.
respirou fundo, ajustando o pedestal do microfone. testou a guitarra, mas a mão dele falhou no primeiro acorde. Ele disfarçou. Ninguém percebeu. Ou quase ninguém. percebeu, mesmo sem olhar diretamente para ele. Ela sempre percebia quando era sobre ele.
Kaira apareceu atrás da bateria com o cabelo semi-preso e um brilho diferente nos olhos, algo quente e silencioso desde o momento com Adris. Ele chegou segundos depois, tentando agir normalmente, mas sempre olhando para ela mais tempo do que deveria. não mencionou a polaroid que estava guardada no bolso, ainda não. Só observava com cuidado, como quem via um segredo nascendo.
— Certo, pessoal — o diretor ajustou o fone no ouvido. — Lembrem-se: a proposta é mostrar vocês como uma banda jovem, intensa, cheia de química e energia. Um clipe cru, provocativo… mas sem exageros. Confio em vocês. Ação!
As luzes se acenderam com violência. A fumaça branca preencheu o ambiente. O instrumental começou a tocar alto pelos monitores. E entrou no refrão com força, corpo inteiro entregue, voz rasgada, entregando exatamente o que pediam dela, fogo e controle. Ela encontrou a câmera com os olhos e se projetou, sem medo, sem hesitar, como se nascesse para aquilo.
entrou em seguida com a guitarra, postura firme, voz baixa e intensa. Cada movimento dele tinha precisão cirúrgica, mas o olhar traía tudo, porque cada vez que ele desviava para ela, mesmo rápido, mesmo discreto, havia algo bruto, faminto e impossível ali. Eles não se tocavam. Não se aproximavam. Mas a distância entre eles vibrava como se o ar quisesse empurrá-los um para o outro.
O diretor caminhava de um lado para o outro, animado:
—
Isso! Isso! Mais tensão! Vocês dois, olhem um para o outro! Isso! Se aproximem… mas não muito. Só a sensação!
Só a sensação. Como se isso fosse possível. deu um passo no ritmo da música. deu outro sem perceber. As luzes piscaram em vermelho e azul, refletindo nos olhos dela quando finalmente ergueu o rosto, e encontrou o dele. O mundo pareceu estreitar. A câmera capturou exatamente o que Manuel proibiu. A eletricidade silenciosa. A atração óbvia. O olhar preso. O
quase-beijo invisível que o público ainda não via, mas que a lente compreendia melhor do que qualquer um ali.
engoliu seco, desviando rápido, voltando a tocar como se cada nota fosse uma tentativa desesperada de não cometer um erro que mudaria tudo. respirou fundo, firme, como se a música fosse a única coisa impedindo seu corpo de ir até ele.
O diretor estava hipnotizado.
—
MEU DEUS, É ISSO! Não se mexam! Continuem! PERFECT!
E foi justamente aí que tudo desandou.
Na segunda tomada, perdeu o tempo. A guitarra falhou. Ele apertou os olhos, irritado consigo mesmo, e o diretor gritou
“CORTA!” tão alto que os figurantes pularam.
—
, concentra! Vamos lá, cara. Energia, ok?
assentiu, mas o peito apertou. Ele estava tentando, de verdade, mas era como tentar cantar no meio de um incêndio.
Na terceira tomada, errou a entrada da letra, distraída pelo olhar dele.
— CORTA! — agora o diretor estava impaciente. — Gente, vocês são bons! Bons de verdade. Mas assim não dá.
No meio do caos, Manuel apareceu no set. Braços cruzados. Expressão queimada. Olhar de quem já imaginava o problema antes mesmo de ver.
— O que está acontecendo agora? — ele perguntou ao diretor, que respondeu com um gesto desesperado.
— Química demais — o diretor sussurrou. — E controle de menos.
Manuel bufou.
— Claro. Óbvio.
Ele se aproximou dos dois vocalistas, postura rígida, voz baixa o suficiente para só eles ouvirem.
— Vocês vão terminar esse clipe hoje. Entendido? Não quero erros. Não quero olhares. Não quero tensão. Vocês vão entregar o profissionalismo que eu pedi.
Agora.
prendeu o ar. também.
— Vai dar certo — disse, tentando segurar a voz.
— Não vai se você continuar olhando pra ele assim — Manuel rebateu.
Ela congelou. desviou o olhar, o rosto queimando.
— Última chance — Manuel finalizou. — Ou eu mudo o roteiro inteiro do clipe para separar vocês de vez. — E saiu.
O diretor passou a mão pelo rosto, exausto, depois das palavras de Manuel. Ele olhou para a equipe, depois para a câmera principal, e finalmente para os quatro integrantes da FIRST ART, todos tensos como cordas esticadas demais.
— Certo — ele disse, levantando a prancheta numa rendição cansada. — Vamos fazer separado. Não dá para vocês dividirem o mesmo espaço hoje. Começamos com as tomadas individuais. Adris, você primeiro.
Adris assentiu, mas a expressão estava estranha, um misto de nervosismo e vazio. Ele caminhou até o piano que faz parte da cena e se sentou, respirando fundo, tentando recuperar o sorriso despreocupado que sempre exibia. Mas era só fachada. Era muito claro que algo estava errado.
— Luzes posicionadas! — o diretor gritou. — Silêncio no set! Cena três — Adris — tomada um! Ação!
O piano soou. E soou mal.
A primeira nota foi tão torta que até os figurantes se entreolharam. A segunda nota saiu fraca. A terceira… simplesmente não veio. Adris tentou recomeçar, mas parecia que os dedos dele tinham perdido o caminho natural entre as teclas. Cada acorde era um erro. Cada erro era uma nova camada de desespero.
— Corta! — o diretor gritou, assustado. — Adris, o que foi isso?
O músico baixou os ombros, apertou os olhos e tentou novamente.
— Eu consigo — ele murmurou, quase para si mesmo. — Eu consigo, calma…
Tomada dois.
Tomada três.
Tomada quatro.
A cada tentativa, ficava pior. Até que a quinta tentativa nem chegou a acontecer. Adris pousou as mãos no piano, e elas começaram a tremer.
— Ei… — Kaira chamou de longe, dando um passo à frente.
Mas Adris já estava respirando rápido demais. As costas dele se curvaram. O peito subia e descia como se faltasse ar. E então, nos segundos seguintes… ele desmoronou.
O choro veio como um rompimento, silencioso no começo, depois profundo, convulsivo, impossível de segurar. Ele colocou as mãos no rosto, tentando se esconder, mas a vulnerabilidade era tanta que nem isso conseguiu.
O diretor levantou as mãos, desesperado:
— Alguém faz alguma coisa! Eu não posso usar isso, gente!
não hesitou. Ela correu. Chegou até Adris antes de todos, se ajoelhando ao lado dele e segurando seu ombro com cuidado, como se temesse quebrá-lo com um toque mais forte.
— Ei… olha pra mim, Adris. Respira. Respira comigo. O que aconteceu?
Ele balançou a cabeça, tentando falar, mas as palavras vinham rasgadas.
— Eu… eu não consigo…
— Claro que consegue. Você é brilhante. Só me diz o que aconteceu — ela insistiu, firme, mas gentil, a voz baixa o bastante para não expor ele na frente de todos.
Adris respirou fundo, trêmulo, e apertou o peito como se faltasse ar.
— Eu… perdi… — ele engoliu seco, limpando o rosto com as costas da mão — …eu perdi meu amuleto.
franziu a testa.
—
Seu quê?
Adris colocou a mão no bolso do casaco, desesperado, como se ainda tivesse esperança de encontrar algo ali. Nada. Ele repetiu o gesto, mais rápido, e novamente… nada.
— A polaroid… — a voz dele quebrou no meio da frase. — A minha polaroid.
sentiu o estômago cair.
— A polaroid… da Kaira? — ela perguntou, devagar.
Adris levantou os olhos vermelhos, cheios de vergonha e desespero.
— É. — A palavra saiu num sussurro quebrado. — Eu sempre a deixo no bolso quando eu vou tocar. Sempre. Desde o primeiro dia. Ela me dá… força. Me lembra de… manter o ritmo. De não surtar. De… — ele riu, triste, mordendo o lábio — …de tentar ser alguém melhor perto dela.
sentiu o coração apertar. A polaroid. Aquela polaroid. A que ela tinha encontrado no chão horas atrás. A que agora estava guardada dentro do bolso da calça.
— Adris… — ela começou, mas não terminou. Havia algo sensível ali demais, pessoal demais.
O músico passou a mão no rosto, frustrado com o próprio descontrole.
— Eu sei que é idiota. Eu sei que é só uma foto. Mas eu não consigo tocar sem ela. Eu fico… vazio. Perdido. Eu preciso
dela, . Eu preciso… dela.
Adris respirou fundo, tentando se recompor, mas havia algo diferente no olhar dele agora, algo atento, quase desconfiado, como se tivesse finalmente percebido algo que estava ali o tempo todo. Ele ergueu os olhos para devagar, e o silêncio entre os dois mudou de peso.
— Você… — ele começou, franzindo o cenho — você sabia.
congelou.
— O quê?
— A foto. — Ele piscou, incrédulo, juntando as peças num estalo. — … você sabia onde ela estava.
O rosto dela ficou quente. Não era culpa, exatamente, mas um desconforto profundo por ter segurado algo tão pessoal sem saber. levou a mão ao bolso devagar, engolindo a seco, e tirou a polaroid com cuidado, como quem devolve algo sagrado.
Ela estendeu para ele.
— Eu… eu encontrei no ensaio. Não sabia que era sua. Não sabia… disso tudo.
Adris pegou a foto como quem recebe de volta o próprio coração. Apertou entre os dedos com tanto cuidado que parecia temer que rasgasse. Uma mistura confusa de alívio e vergonha atravessou o rosto dele e quando ele olhou para a imagem de Kaira, algo nele simplesmente desmontou.
— Eu sou um idiota. — Ele riu, fraco, ainda soluçando. — Totalmente idiota.
se sentou ao lado dele no chão, apoiando a mão na perna dele num gesto consolador.
— Idiota não. Só… apaixonado.
Ele balançou a cabeça, olhando a foto de novo, como se cada centímetro da imagem fosse um segredo só dele.
— Eu sou louco por ela, . — A confissão saiu num desabafo cru, frágil, quase dolorido. — E não é de agora. É desde o começo. Desde quando ela me deu esse sorriso idiota aqui. — Ele ergueu a polaroid, emocionado. — Esse. O primeiro sorriso real que ela me deu. Eu guardei.
A voz vacilou.
— E eu fico achando que ela nem liga. Que ela tá de boa, livre, desapegada… que qualquer pessoa seria igual pra ela.
Ele respirou fundo, apertando a mandíbula.
— E eu não quero ser só mais um. Então eu… me afasto.
sentiu o peito aquecer com aquela honestidade tão vulnerável que até doía de ouvir. Ela sorriu pequeno, com ternura verdadeira.
— Adris… ela não tá tão desapegada assim quanto você pensa.
O músico levantou o olhar rápido, esperançoso demais para fingir que não estava.
— O que você quer dizer?
— Que eu vejo vocês. — respondeu com calma. — Ela olha pra você quando acha que ninguém tá olhando. Ela te acompanha em tudo. Ela se irrita quando você some, fica brava quando você exagera, mas só porque se importa demais.
Ela ajeitou uma mecha de cabelo atrás da orelha, suavizando a voz.
— A diferença é que ela tem medo de mostrar.
Adris ficou em silêncio. A informação entrou devagar, como um remédio amargo demais para engolir de uma vez só. Ele suspirou, sem saber se ria ou chorava novamente.
— Eu… eu não tenho ideia do que fazer com isso.
riu, agora realmente aliviada.
— Bem-vindo ao clube.
— Clube?
— O dos apaixonados, sem certeza.
Os dois riram e pela primeira vez naquele dia, o riso foi leve. A tensão entre e , que parecia um peso constante em tudo, diminuiu por um segundo. Havia algo reconfortante em ver que, pelo menos entre os amigos, havia amor que fazia sentido, amor que não era proibido, que não destruía nada só de existir.
E, silenciosamente, sentiu um fio de alívio passando pelo peito. Não era inveja. Não era ciúme. Era só a constatação de que o mundo ainda tinha espaços onde as coisas davam certo… diferente dela e , que pareciam presos num labirinto onde cada passo era uma promessa e um risco ao mesmo tempo.
Ela respirou fundo, observando Adris abraçar a polaroid como um tesouro perdido. E pela primeira vez no dia… sorriu de verdade. Porque, entre tantas histórias quebradas… pelo menos uma tinha chance de começar do jeito certo.
CAPÍTULO DEZOITO
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O estúdio de gravação da série era completamente diferente do caos musical que a FIRST ART já começava a se acostumar. Ali, tudo parecia calculado. Preciso. O silêncio era medido, os passos eram coreografados, cada luz pendurada tinha uma função exata, e cada monitor exibia a mesma imagem: Rivera, protagonista convidada, cabelo levemente ondulado, iluminada por um refletor branco suave que deixava seus olhos ainda mais expressivos.
Ela tentou respirar devagar enquanto o maquiador ajustava a última camada de batom. Mas a mente não parava. Não conseguia esquecer o ensaio, o clipe, o colapso de Adris, a confissão dele, a polaroid, o jeito que tinha olhado para ela ou, pior, o jeito que tinha evitado olhar para ela.
Desde o beijo no terraço, ele vinha se mantendo afastado, como se tocá-la fosse um erro que pudesse destruir qualquer futuro possível para a banda. entendia, de certo modo. Manuel tinha sido claro. Cruel, mas claro. Ainda assim… doía. Como se a ponte entre eles tivesse sido incendiada e nenhum dos dois soubesse como atravessar o fogo.
— Pronta? — uma voz suave cortou seus pensamentos.
Gael estava parado ao lado dela, com o costumeiro sorriso tranquilo, aquele que parecia iluminar o ambiente sem esforço. O figurino dele, combinava perfeitamente com a estética da série. Ele parecia alguém que você confiaria de imediato, alguém fácil de gostar.
sorriu de volta, mas havia uma rigidez ali.
— Sim. Vamos nessa.
A cena era simples: ela entraria no apartamento do personagem dele, ambos trocariam algumas falas intensas sobre carreira e escolhas, e então o diretor queria “um momento de tensão silenciosa entre os dois”. Nada demais no roteiro. Nada demais profissionalmente.
Mas para … tudo estava demais.
A equipe preparou o set, ajustou as luzes e chamou os dois para a marca. Gael se posicionou perto da mesa, com as mãos nos bolsos, estudando o texto. entrou no cenário como mandava o script, mas a cabeça dela estava em outro lugar. Em outra pessoa. Em outra respiração, outra voz, outro olhar.
O diretor levantou a prancheta.
— Cena 12, Ação!
A cena começou fluida. Gael era natural, preciso, com uma calma que fazia qualquer pessoa querer acompanhá-lo. entregou a fala com firmeza, mas sua mente ia e voltava como uma maré inquieta. Cada gesto estava correto, mas seu corpo parecia em falta de alguma coisa, ou de alguém.
Aconteceu tão rápido que ela quase não percebeu: o olhar dela desviou instintivamente para o fundo do set, onde alguns assistentes novos entravam com cabos. No meio deles, passando despercebido… .
Ele usava a jaqueta preta favorita, o capuz jogado para trás, a postura tensa e o olhar focado em qualquer coisa que não fosse ela. Estava ali para pegar um figurino emprestado, Manuel tinha avisado mais cedo. Só isso. Apenas coincidência. Nada demais.
Mas o coração de bateu como se tivesse levado um choque elétrico. Porque não a viu. Não olhou. Não buscou. Ele passou atrás das câmeras como se ela fosse só mais uma atriz cumprindo seu trabalho.
De um jeito cruel… ele parecia estar superando. E isso atingiu com uma força que ela não estava pronta para enfrentar.
O diretor gritou:
— Pausa para reposicionamento de câmera! Fiquem na marca, por favor!
Gael respirou fundo, relaxando as mãos.
— Você tá bem? — ele perguntou, baixinho, sincero. — Você parece um pouco… longe hoje.
abriu a boca para responder, mas não tinha palavras. Tinha só um aperto quente no peito, uma mistura de raiva e dor, como se estivesse presa em uma emoção que não era dela sozinha.
Gael fez algo simples, colocou uma mecha do cabelo dela atrás da orelha. Foi um gesto inocente, respeitoso, gentil. Mas viu.
E naquele exato instante, parou de andar. Ele não tocou o figurino. Não cumprimentou ninguém. Apenas ficou parado ali, imóvel, encarando aquela cena com uma intensidade silenciosa que sentiu na pele, mesmo de longe.
O olhar dele queimou nela como se estivesse perguntando coisas que ele não podia dizer.
Como se ele estivesse racionalizando o que via, tentando transformar aquilo em trabalho profissional, mas falhando miseravelmente.
sentiu a garganta fechar.
Algo dentro dela, um impulso tão rápido quanto perigoso, ergueu-se como uma onda. Era uma mistura de orgulho ferido, desejo não resolvido e uma necessidade desesperada de provar que não era só ela que estava ali, perdida entre sentir e se controlar.
O diretor voltou, animado:
— Vamos para o momento de tensão silenciosa! Aproximem um do outro. Olho no olho. Segurem a emoção. Quero química!
Química. A palavra detonou algo. Um fio inteiro que ela vinha segurando nos últimos dias simplesmente… arrebentou. Gael se aproximou com profissionalismo. o deixou chegar.
Mas seus olhos foram para outro lugar, para . Ele estava parado atrás do monitor.
O maxilar travado. O peito subindo e descendo rápido. A expressão devastada e presa, como se assistisse a própria ruína.
E então aconteceu. Não houve planejamento. Não houve intenção plena. Foi impulso, puro, quente, irracional. Quando Gael parou diante dela e abriu um sorriso ensaiado para a cena, ergueu o rosto, segurou a camisa dele e o beijou. Com força. Com decisão.
Com a raiva e o desejo acumulados que não tinham destino.
O estúdio congelou.
Gael demorou meio segundo para entender se era improviso ou parte do roteiro, mas não retribuiu de forma romântica. Só acompanhou, respeitando o timing dela, sem puxar, sem invadir, profissional, mas surpreso.
O diretor explodiu:
— MEU DEUS! Isso ficou PERFEITO! Mantenham! Mantenham! Corta só quando eu falar!
Mas não ouvia nada. Porque ela tinha aberto os olhos no meio do beijo e encontrado o olhar de . Ele parecia… quebrado. Não bravo. Não com ciúmes. Não possesso. Quebrado.
Como se algo dentro dele tivesse estilhaçado silenciosamente. Ele não ficou para ver o final da cena. Virou o rosto. Virou o corpo. E foi embora. Sem uma palavra.
O beijo terminou. O diretor comemorou. A equipe aplaudiu. Mas dentro de … tudo doía, sentindo o coração batendo tão alto que parecia querer gritar, enquanto o diretor repetia:
— Essa cena vai acabar com a audiência! , você nasceu para isso!
Mas tudo que ela conseguia pensar era: “Eu acabei de perder ele.”
Continua…
Nota da autora
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