Parte 1
O que fazer no último dia de carnaval? Seria uma pergunta plausível se eu estivesse prestes a ir a algum lugar, mas o cara simples e caseiro que existe dentro de mim não colabora, então, o jeito é ficar enrolado no cobertor com o Bacon Jones. A Netflix já estava ficando chata e o colchão parecia grande demais para mim. Estava quase dormindo quando escutei meu celular tocar e o Bacon se mexeu com o barulho que fez. Olhei para o visor e me assustei com o nome da minha irmã escrito nele, então eu reparei que o relógio apontava quase 22h horas.
— ?
Atendi minha irmã no último toque
— ! Até que enfim.
Estava muito barulho onde ela estava, mas era carnaval e minha irmã costumava chegar em casa só pela manhã. Notei também um chiado, parecia estar chovendo muito.
— Está chovendo?
— Claro, irmãozinho, em que mundo você está? Dormiu vendo anime?
— Sim, ainda bem que você sabe.
Respondi simplesmente. Odiava quando ela era irônica.
— Escute, não tenho muito tempo, o Gabriel está me esperando.
— Vai dormir na casa dele hoje?
Bufei ao lembrar do namorado da minha irmã; ela sempre me fazia segurar vela.
— Me erra, . Seu ciúme é até fofo, mas eu realmente preciso que me deixe terminar de falar.
— Continue.
Escutei sua risada assim que falei.
— Estou mandando uma amiga minha para a sua casa. Como você já notou que está caindo o céu, fica ruim pra ela atravessar a cidade.
— Pode deixar, eu não me importo, não. Obrigado por perguntar.
— Engraçadinho.
— Que horas ela chega aqui?
— Não sei, só lembrei de te ligar agora.
— Nossa, ! Muito obrigado, de verdade.
— Tu vai me agradecer ainda.
— Acho que agradeci demais por um dia.
— , deixa de ser ranzinza.
— Tchau, .
Escutei a risada da minha irmã mais uma vez e desliguei a ligação rindo também. Meu apartamento não era muito grande, mas meu prédio ficava bem localizado, o que era bom quando chegava essa época do ano para me usar como hotel. O bom é que o namorado dela tinha se mudado para um apê na mesma área, mas eles não podiam abrigar a menina; ela não podia segurar vela, não é? Pensando bem, vai que ela é legal. Alguns minutos depois, eu tinha tirado minhas roupas da sala, feito um café e tirado os animes. Bacon ainda estava esparramado na minha cama de casal tomando metade dela, então fui na direção dele e fiz um carinho na sua orelha. Ele nem se deu o trabalho de levantar a cabeça e manifestar gratidão, mas no minuto seguinte ele deu um pulo e foi em direção a porta, e então eu notei que alguém estava dando leves batidas. Droga! A tal amiga chegou. Mandei Bacon se afastar e ficar quietinho para não assustá-la, já que nem todo mundo gostava de cachorro. Atravessei os cômodos e fui atender a porta.
— Oi, você é o ?
Uma mulher de estatura média se referiu a mim. Ela estava parada à minha porta e sua roupa estava encharcada.
— Sim! E você deve ser a…?
— ! Sou a .
— Prazer em te conhecer.
Estampei um largo sorriso no rosto e reparei quando ela retribuiu.
— Entre, por favor. Você deve estar super cansada.
Dei espaço para que ela entrasse e fechei a porta logo em seguida.
— Realmente, não pensei que sua irmã tivesse levado o carnaval tão a sério.
Gargalhei com o seu comentário enquanto imaginava obrigando a menina a fazer todo o percurso com ela.
— Ela não me obriga a ir, mas todos os dias é foda.
— Bem-vinda ao maior Carnaval do Brasil. Você é daqui?
Perguntei depois que ela entrou e pegou a toalha dobrada que eu deixei propositalmente na cadeira. Ela enxugou o rosto e o cabelo.
— Posso tomar um banho?
— Claro!
— Eu sou de um interior um pouco distante daqui, vim para estudar e acabei ficando. e eu nos conhecemos na faculdade.
— Entendi.
Enquanto ela arrumava suas coisas para ir ao banheiro, notei que Bacon Jones estava em suas pernas. Ela não disse nada, apenas alisou a sua cabeça mandando um beijinho para ele e foi para o banheiro, me deixando parado no meio da sala. O banheiro ficava no final do corredor, perto da porta que dava para o meu quarto. Aproveitei que ela estava no banho e fui fazer algo para nós dois. Eu também estava com fome e esperava que ela gostasse muito de macarronada, porque era a minha especialidade, ou seja: as minhas outras comidas não eram muito boas. Eu estava escorrendo o macarrão quando escutei a porta abrir. Alguns segundos depois, ela estava na minha frente.
— , pode me emprestar uma roupa? A minha está muito molhada. Não deu para aproveitar nenhuma peça.
— Sim. Eu empresto.
Fui em direção ao meu quarto e peguei uma blusa antiga minha sem estampa, o que era difícil, e uma calça de moletom.
— ! Pode vir até o quarto.
— Oi. Cheguei!
Ela disse instantes depois.
— Encontrei essas roupas. Vão ficar um pouco grandes em você, mas pela manhã você pode trocar pelas suas que eu vou colocar para secar agora.
— Certo. Obrigada, .
Eu saí para que ela se trocasse e reparei que Bacon Jones estava deitado na cama outra vez. Cachorro esperto. Fui para a cozinha e terminei de fazer a nossa janta, separei os ingredientes que iria colocar na massa e fiz um suco. Vai que ela é fresca e prefere puro? Em meio a tantos devaneios sobre o tipo de comida que ela gostava, fui pego de surpresa com a mulher já vestida com as minhas roupas parada na minha frente. Ela estava ainda mais linda com as roupas que cabiam duas dela dentro.
— Pode colocar todo o recheio no macarrão. Eu gosto de todas as coisas que você separou.
Eu sorri em sua direção e fui misturar o recheio com a massa. Ela me ajudou a colocar tudo na mesa, bem como os pratos e os talheres e sentamos para comer. Bacon estava mais uma vez nos pés dela e eu estava começando a ficar com ciúmes. O que ela fez para o meu cachorro gostar tanto dela. Comemos a maior parte do tempo em silêncio, mas nada que deixasse nenhum de nós dois desconfortável. Ela era legal demais para não ter assunto ou deixar o ambiente pesado e eu era bom demais para fazer perguntas inconvenientes. Terminamos de comer e ela se ofereceu para lavar a louça e claro que eu não deixaria visita nenhuma colocar a mão na massa, fora que me mataria.
— Óbvio que não, . Você é visita.
— Você preparou tudo para a gente comer.
— E vou lavar tudo também.
Pisquei para ela, que fez uma careta mostrando a língua logo em seguida.
— Posso escolher um filme pra gente assistir antes de dormir, então?
— Pode.
Eu disse enquanto continuava a lavar a louça. Ela continuou parada me encarando.
— Não vai fazer distinção? Nenhuma restrição?
— Escolha um legal.
— Nada de "odeio romance, não vou assistir Crepúsculo"?
Ela engrossou a voz um pouco a fim de me imitar e eu gargalhei.
— Não! Eu nunca faria isso. Eu literalmente tento assistir de tudo.
Ela assentiu e sorriu de lado. Observei sair e continuei a lavar a louça. Alguns minutos depois de secar a pia, fui em direção a sala, mas ela não estava lá, nem o Bacon Jones. Fui em direção ao quarto e a encontrei mexendo no celular sentada na minha cama, com meu cachorro deitado no seu colo. Ela parecia tão tranquila e natural como se fizesse parte de todo o conjunto: minha casa, meu quarto, meu cachorro e minha vida. Sim, eu precisava dessa mulher na minha vida. Como isso aconteceu? Eu nem a conhecia direito.
— Vai ficar parado na porta?
— Só me distraí. Pensei que você iria querer assistir na sala.
— Aqui é mais confortável. Fora que já estamos posicionados para dormir.
— Estamos?
— Sim, eu e você. Se não tiver nada contra.
— Não, eu só pensei em te dar privacidade.
— Você é legal demais, . Vem assistir o filme, eu escolhi uma comédia romântica.
Fui em direção a cama e deitei do lado que estava vago. Bacon estava no meio da gente, esparramado como sempre, e ela continuava com sua expressão tranquila. Estávamos encostados na cabeceira da minha cama, então, alguns minutos de filme depois, eu senti uma movimentação do meu lado e logo depois ela encostou a cabeça no meu ombro. Eu não sabia o que ela pretendia com aquilo, mas eu estava adorando.
— Obrigada por me acolher na sua casa, , e por me aconchegar. Me sinto instantaneamente bem na sua companhia.
Ela disse baixinho, me fazendo gelar um pouco. Eu era a pior pessoa para receber elogios, principalmente daquele nível. Então eu só fiz um carinho de leve no seu braço, ao passo que ela foi passando do meu ombro para o meu peito, onde dormiu. Estava tudo acontecendo muito rápido e eu só queria que alguém me confirmasse que aquilo tudo era verdade.
— ?
Atendi minha irmã no último toque
— ! Até que enfim.
Estava muito barulho onde ela estava, mas era carnaval e minha irmã costumava chegar em casa só pela manhã. Notei também um chiado, parecia estar chovendo muito.
— Está chovendo?
— Claro, irmãozinho, em que mundo você está? Dormiu vendo anime?
— Sim, ainda bem que você sabe.
Respondi simplesmente. Odiava quando ela era irônica.
— Escute, não tenho muito tempo, o Gabriel está me esperando.
— Vai dormir na casa dele hoje?
Bufei ao lembrar do namorado da minha irmã; ela sempre me fazia segurar vela.
— Me erra, . Seu ciúme é até fofo, mas eu realmente preciso que me deixe terminar de falar.
— Continue.
Escutei sua risada assim que falei.
— Estou mandando uma amiga minha para a sua casa. Como você já notou que está caindo o céu, fica ruim pra ela atravessar a cidade.
— Pode deixar, eu não me importo, não. Obrigado por perguntar.
— Engraçadinho.
— Que horas ela chega aqui?
— Não sei, só lembrei de te ligar agora.
— Nossa, ! Muito obrigado, de verdade.
— Tu vai me agradecer ainda.
— Acho que agradeci demais por um dia.
— , deixa de ser ranzinza.
— Tchau, .
Escutei a risada da minha irmã mais uma vez e desliguei a ligação rindo também. Meu apartamento não era muito grande, mas meu prédio ficava bem localizado, o que era bom quando chegava essa época do ano para me usar como hotel. O bom é que o namorado dela tinha se mudado para um apê na mesma área, mas eles não podiam abrigar a menina; ela não podia segurar vela, não é? Pensando bem, vai que ela é legal. Alguns minutos depois, eu tinha tirado minhas roupas da sala, feito um café e tirado os animes. Bacon ainda estava esparramado na minha cama de casal tomando metade dela, então fui na direção dele e fiz um carinho na sua orelha. Ele nem se deu o trabalho de levantar a cabeça e manifestar gratidão, mas no minuto seguinte ele deu um pulo e foi em direção a porta, e então eu notei que alguém estava dando leves batidas. Droga! A tal amiga chegou. Mandei Bacon se afastar e ficar quietinho para não assustá-la, já que nem todo mundo gostava de cachorro. Atravessei os cômodos e fui atender a porta.
— Oi, você é o ?
Uma mulher de estatura média se referiu a mim. Ela estava parada à minha porta e sua roupa estava encharcada.
— Sim! E você deve ser a…?
— ! Sou a .
— Prazer em te conhecer.
Estampei um largo sorriso no rosto e reparei quando ela retribuiu.
— Entre, por favor. Você deve estar super cansada.
Dei espaço para que ela entrasse e fechei a porta logo em seguida.
— Realmente, não pensei que sua irmã tivesse levado o carnaval tão a sério.
Gargalhei com o seu comentário enquanto imaginava obrigando a menina a fazer todo o percurso com ela.
— Ela não me obriga a ir, mas todos os dias é foda.
— Bem-vinda ao maior Carnaval do Brasil. Você é daqui?
Perguntei depois que ela entrou e pegou a toalha dobrada que eu deixei propositalmente na cadeira. Ela enxugou o rosto e o cabelo.
— Posso tomar um banho?
— Claro!
— Eu sou de um interior um pouco distante daqui, vim para estudar e acabei ficando. e eu nos conhecemos na faculdade.
— Entendi.
Enquanto ela arrumava suas coisas para ir ao banheiro, notei que Bacon Jones estava em suas pernas. Ela não disse nada, apenas alisou a sua cabeça mandando um beijinho para ele e foi para o banheiro, me deixando parado no meio da sala. O banheiro ficava no final do corredor, perto da porta que dava para o meu quarto. Aproveitei que ela estava no banho e fui fazer algo para nós dois. Eu também estava com fome e esperava que ela gostasse muito de macarronada, porque era a minha especialidade, ou seja: as minhas outras comidas não eram muito boas. Eu estava escorrendo o macarrão quando escutei a porta abrir. Alguns segundos depois, ela estava na minha frente.
— , pode me emprestar uma roupa? A minha está muito molhada. Não deu para aproveitar nenhuma peça.
— Sim. Eu empresto.
Fui em direção ao meu quarto e peguei uma blusa antiga minha sem estampa, o que era difícil, e uma calça de moletom.
— ! Pode vir até o quarto.
— Oi. Cheguei!
Ela disse instantes depois.
— Encontrei essas roupas. Vão ficar um pouco grandes em você, mas pela manhã você pode trocar pelas suas que eu vou colocar para secar agora.
— Certo. Obrigada, .
Eu saí para que ela se trocasse e reparei que Bacon Jones estava deitado na cama outra vez. Cachorro esperto. Fui para a cozinha e terminei de fazer a nossa janta, separei os ingredientes que iria colocar na massa e fiz um suco. Vai que ela é fresca e prefere puro? Em meio a tantos devaneios sobre o tipo de comida que ela gostava, fui pego de surpresa com a mulher já vestida com as minhas roupas parada na minha frente. Ela estava ainda mais linda com as roupas que cabiam duas dela dentro.
— Pode colocar todo o recheio no macarrão. Eu gosto de todas as coisas que você separou.
Eu sorri em sua direção e fui misturar o recheio com a massa. Ela me ajudou a colocar tudo na mesa, bem como os pratos e os talheres e sentamos para comer. Bacon estava mais uma vez nos pés dela e eu estava começando a ficar com ciúmes. O que ela fez para o meu cachorro gostar tanto dela. Comemos a maior parte do tempo em silêncio, mas nada que deixasse nenhum de nós dois desconfortável. Ela era legal demais para não ter assunto ou deixar o ambiente pesado e eu era bom demais para fazer perguntas inconvenientes. Terminamos de comer e ela se ofereceu para lavar a louça e claro que eu não deixaria visita nenhuma colocar a mão na massa, fora que me mataria.
— Óbvio que não, . Você é visita.
— Você preparou tudo para a gente comer.
— E vou lavar tudo também.
Pisquei para ela, que fez uma careta mostrando a língua logo em seguida.
— Posso escolher um filme pra gente assistir antes de dormir, então?
— Pode.
Eu disse enquanto continuava a lavar a louça. Ela continuou parada me encarando.
— Não vai fazer distinção? Nenhuma restrição?
— Escolha um legal.
— Nada de "odeio romance, não vou assistir Crepúsculo"?
Ela engrossou a voz um pouco a fim de me imitar e eu gargalhei.
— Não! Eu nunca faria isso. Eu literalmente tento assistir de tudo.
Ela assentiu e sorriu de lado. Observei sair e continuei a lavar a louça. Alguns minutos depois de secar a pia, fui em direção a sala, mas ela não estava lá, nem o Bacon Jones. Fui em direção ao quarto e a encontrei mexendo no celular sentada na minha cama, com meu cachorro deitado no seu colo. Ela parecia tão tranquila e natural como se fizesse parte de todo o conjunto: minha casa, meu quarto, meu cachorro e minha vida. Sim, eu precisava dessa mulher na minha vida. Como isso aconteceu? Eu nem a conhecia direito.
— Vai ficar parado na porta?
— Só me distraí. Pensei que você iria querer assistir na sala.
— Aqui é mais confortável. Fora que já estamos posicionados para dormir.
— Estamos?
— Sim, eu e você. Se não tiver nada contra.
— Não, eu só pensei em te dar privacidade.
— Você é legal demais, . Vem assistir o filme, eu escolhi uma comédia romântica.
Fui em direção a cama e deitei do lado que estava vago. Bacon estava no meio da gente, esparramado como sempre, e ela continuava com sua expressão tranquila. Estávamos encostados na cabeceira da minha cama, então, alguns minutos de filme depois, eu senti uma movimentação do meu lado e logo depois ela encostou a cabeça no meu ombro. Eu não sabia o que ela pretendia com aquilo, mas eu estava adorando.
— Obrigada por me acolher na sua casa, , e por me aconchegar. Me sinto instantaneamente bem na sua companhia.
Ela disse baixinho, me fazendo gelar um pouco. Eu era a pior pessoa para receber elogios, principalmente daquele nível. Então eu só fiz um carinho de leve no seu braço, ao passo que ela foi passando do meu ombro para o meu peito, onde dormiu. Estava tudo acontecendo muito rápido e eu só queria que alguém me confirmasse que aquilo tudo era verdade.