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Revisada por: Sagitário♐

Última Atualização: 1/3/26

“Talvez um dia a gente se resolva
Talvez tu seja mais uma cicatriz
Mas sempre que falam de ti
Lembro da sua mão na minha
Meu Deus, o que é que eu fiz?
Ainda penso muito em ti
A vida não tem sido justa
'Cê sabe, ainda 'tô aqui
Sua falta ainda me assusta”

Te vi na rua ontem — Konai



FLORA E LYDIA SEQUER FALAVAM NO CARRO, alçando os tons cenoura e cereja entre os vidros meio-abertos. Uma brisa gostosa minava junto por um leniente frescor de estrada. A paulista contava os caminhões e motos passando em velocidade máxima; ofertas desagradáveis de Itapecerica! Um cheiro de pneu queimado, matas estragando e acidentes de um lado para o outro, Lydia nunca esqueceu de ter mudado finalmente e buscado várias maneiras de tampar o nariz ou segurar o estômago, devido os cadáveres, rondando as ambulâncias — isso quando não tinha sinais de trânsitos —, bloqueando passagem.

O rumo pelotense não era turbulento quanto fora em seu antigo lar, conquistava paz no trajeto. A mais velha avistou o saquinho de cebolitos que Flora mastigava, querendo pedir um pouco.

Jerozolimski de soslaio permitiu a Ribeiro também dividir um pouco do lanche, mesmo sem presença de algum diálogo normal.

Duas estranhas num automóvel sem palavras ou expressões de animação. Lily saboreava matando a vontade. Notando os segundos desgastes da bateria, resolveu desligar o Motorola e curtir buzinas e amigos gargalhando, invejáveis os toques na coxa e mãos dadas daquele casal.

Gabi elogiando Rique, mandando áudios para Alessandra dizendo que chegariam antes. Mas que imenso tédio! Nenhum filminho para assistir, nenhuma conexão de internet, nenhuma risada e assunto divertido.

No entanto, fartas de manterem-se caladas novamente, a garota de madeixas cenoura voltava tentar interagir com Lydia, que automaticamente recebeu um cutuque no ombro. Cacete, menina! O que você não consegue falar comigo?, pensou agressivamente, quebrando um silêncio por via de grunhidos.

— Esse clima também está uma merda para você? — Lily soltou num impulso. — Precisa esconder não!

— Poxa, o que te fiz? — Uma voz aguda resmungava no ouvido da mulher. — Do nada!

— Ah, sei lá, tem raiva de mim? — Foi direto ao ponto. — Porque se tiver…

— Não tenho raiva e nem sequer te conheço direito — constatou nada insegura. Abrindo a tampinha do refrigerante gelado. Deu um gole que percorria sua garganta. Voltando a encarar o aspecto franzido. — Bom, acho que nós duas! Você e eu? Começamos a falar nada desde o início da viagem, cara.

— Verdade — suspirava numa voz extremamente seca. Lydia não queria estragar tudo à toa. Precisaria buscar também a amizade e confiança de Flora. Gabi deu inúmeras patadas e choques, restava evoluir! — Meio foda quando sabemos ter namorado o mesmo babaca né? Zero motivos para se orgulhar.

Ela resumiu novamente o envolvimento de Victor no meio dela? Caramba era insuportável lidar mesmo com Lydia! Flora expressava mero asco diante de sua conhecida — nem tão conhecida assim — falando de um ex-namorado que mal tinha importância mais para ela. Isso seria o de menos para estragar seu dia!

Batimento cardíaco acelerado e arrepios na pele; semelhante a um gato ameaçado, a museóloga pensava no que responderia porque a beatmaker em qualquer momento enlouqueceria ou ela faria isso.

Em seus ápices restantes de desgosto finalmente detectou que era somente um homem fazendo o que eles fazem de melhor, Jerozolimski manteve o sentimento jogado no lixo e seguiu o caminho, vida que segue!

A garota aproximou os dígitos de sua canhota no queixo dando um sopro insatisfatório ante uma mulher demasiada complexa emocionalmente, buscando não a mandar ir a merda, ninguém queria lembrar de um peso morto. Todavia resolveu falar sem abaixar a cabeça, demonstrando que isso era ridículo.

— Você está falando do Victor? — Assunto chato e ninguém deixaria barato falar sobre desgraça. Ela sofreu o que tinha para sofrer. Nenhuma mulherzinha afetada faria com que Flora se calasse. — Querida, esqueci esse puto faz muito tempo! — Gargalhou da outra ruiva, fazendo com que Gabi mais gostasse do clima entre as duas. — Olha, admito que nossos momentos foram lindos e bons, mas teve que acabar, quero seguir minha vida. Oras, incomoda? — A proeza daquela indagação fizera Lydia estar sem fala.

— É errado comentar? — Ribeiro se fez de sonsa, porém querendo provocar uma postura sagaz — Infelizmente você quem teve uma vida melhor e quanto a mim? Nada! — Caralho, essa daí merece um tapão na cara bem dado, após essa resposta escrota! — Incrível saber que tem mais atenção.

— Ah, mano? — Flora mais e mais dava risada daquela situação — Seguinte minha filha: eu não tenho culpa se é alguém mal amada e guarda rancor de macho que também não te mereceu, ok?

— Hã?

— Exatamente! — Dera um peteleco na face confusa e raivosa. Que fez Ribeiro ter um espasmo, quanto mais era refutada sentia que nunca sobrava nada! Afinal, para uma revoltada com a vida, nunca sobrava nada mesmo. — Sabe, nós duas poderíamos esquecer toda essa porcaria. Eu já toquei meu rumo, agora e você?

Francamente, estou sendo massacrada por todo mundo hoje! Primeiro foi a Gabi me falando que sou a culpada, agora essa menina de vozinha esganiçada se achando maioral por lidar com o pé na bunda! Hum, sério? Eu devo ser mesmo uma piada, jogando tomates em mim; falando que não vivi nada, não tenho direitos de argumentar contra. Beleza, sofreu e largou? Mas eu sou diferente, quem teve que levar cuspe e se foder na vida pra chegar no pedestal, fui eu! O Victor namorou ela? Sim, mas queria que fosse eu, parece mesmo errado recusar?

Lily esperava um motivo para estar à vontade, mas retornava em piorar. Afastada em partilhar bons sonhos, espinhos na garganta e reações de ódio; intensamente detestando argumentos sinceros contra ela. Aceite! Lydia você sabe que está muito errada garota!

Gabriella, ouvindo suas amigas discutirem, optou por unicamente escutar, pois era mesmo que Ribeiro requeria no momento. Quando notava a paulista respirar e soltar o ar com objetivo de não explodir, na moral depois da refutada gigantesca de Flora, a paulista essencialmente deveria guardar os dentes na boca. A mulher deixou de tocar no assunto chatíssimo sobre ex-namorado e retornou conversar com Flora, consentindo em pedir desculpas por suas atitudes:

— Aí, honestamente você está mesmo certa. Não é justo falar de quem está morto não? — Falou em sentido figurado. Engraçado falar que o youtuber estava morto, sendo que vive falando deles dois quase seis minutos em cada hora. — Toquei meu rumo, mas prefiro ser solteira, mais lucro!

— Uau, perfeito então! — Jerozolimski aplaudia debochada. — Agora podemos seguir normal?

— Pode ser.

— Não estou forçando a barra para sermos amigas, mas precisa saber que não ligo mais sobre Victor — disse entusiasmada. Os orbes coçando devido à luz solar entre suas lentes — Amigas?

A ruivinha de cabelos cenoura estendeu sua palma da mão para Lydia em gesto educado e amigável, o semblante enigmático da mais velha denunciava positividade, contudo era digníssimo aceitar respeito mútuo e revelar para amenizar uma boa e nova amizade, quem disse que mulheres precisam ser rivais por homem fazendo merda? Ridículo e criancice não? Então Lily necessitaria de uma martelada para aprender! A outra ruiva deu um aperto e pequeno abraço na museóloga se desculpando por fim.

— Hum, amigas! — Os dedos entrelaçam nas delicadas mãos de Flora. Mesmo que a ruiva demonstrasse vontade de não olhar em sua cara, era válida uma chance de amizade. — Deixar isso pra lá é melhor, sim? Você está certíssima.

— Vamos conversar sobre outra coisa.

— Tipo o quê?

— Sei lá, o que você gosta de fazer no tempo livre?

— Além de produzir músicas e abrir live, acho que ficar na minha — assumiu se mostrando confiante. — Faz umas boas horinhas gastas para produzir uma música e não terminei direito.

— Interessante, toco piano — falou com o sorriso aberto. A expressão bonita e simpática, retirando aquele desgosto depois de mencionar seu ex. — A Gabi já contou que também faço live?

— Não.

Gabi por uns segundos olhava para as duas:

— Que legal! Estão finalmente se dando bem.

Se dar bem não é o termo certo! Acho que só se respeitando, pensava Lydia enquanto amarrava os cabelos caídos, meio frouxos devido ao seu prendedor que mal segurava aquele volume imenso de cabeleira. Já estava ficando armado!

— Mais ou menos — as duas responderam instantaneamente. — Só puxando conversa fora.

— Que assim seja! — respondeu Valadares satisfeita logo após atender uma ligação de Alessandra que alegava que o Uber deles estava quase no trajeto — Oi, Ale! Já estamos chegando por aí!

Nossa, ainda bem, fomos buscar o Vito e o Davi no caminho, deu maior trampo! — A Martins anunciava do outro lado da linha, possivelmente dava para escutar Tyler the Creator no fundo. — Por sorte deu para resgatar uns lanchinhos e os refrigerantes. Mercado não compensa, tudo caro. — Como a ligação estava em viva-voz, Lydia engoliu em seco quando soube da presença de Victor na casa. Quanto a Flora não se importou, estranho quanto ela superou facilmente. — Mas daqui a pouco, estamos com vocês.

— Ótimo, Flor e Lily estarão conosco também! — exaltou animada, sorrindo para o namorado que seguia em outros lados da estrada. — Trouxeram as coxas de frango? — O grupo fez uma lista de compras antes de seguirem na viagem. Enquanto Henrique e Gabriella ficariam com pães de alho, arroz, carne, sal grosso e carvão, a turminha de Luan e Alessandra cuidaram da churrasqueira, frango e salada.

Lógico que sim! Sei que o Rique ama frango. — Abanando os dedos e parando a brincadeira dos rapazes que cantavam alto ou proferiram besteiras no telefone. Que coisa! Eles nunca iriam amadurecer mesmo. Luan puxava o celular das mãos de sua namorada cumprimentando empolgado. — Oh cacete, aquieta o rabo, mano! — Chacoalhava o cotovelo no parceiro que voltava para o banco junto a Gemaplys e Raposito. — Enfim, pode ficar tranquila amiga, não está faltando nada! — Confirmou sinceramente.

— Tudo bem, beijinhos, Lessandra! — Desligou a chamada. Vendo que estavam passando a estrada, diminuindo o sinal de comunicação. Flora jogava Animal Crossing em seu Nintendo Switch.

Cerveja, algazarra, piscina, churrasco. O que pode me afetar nesse dia de glória? Apenas um gaúcho desgraçado, essa ruivinha afrontosa e provavelmente vou dividir meu quarto! Puta merda, que Deus me proteja desses maus-espíritos, estou vendo que vai ser complicado aguentar essa desgraça!’

Ribeiro suspirava dobrando uma das pernas no joelho. Um suor percorrendo sua testa, calor excessivo e brisa quente! A visão meio rural mostrava, lentamente, grandes arbustos e árvores floridas.

•••


Pairavam os chinelos e sapatilhas no solo daquele maravilhoso rancho harmonioso dos Soares, devagar se abriu uma das portas traseiras do Nissan pesadas por conta das mãozinhas delicadas da museóloga. A outra também se abriu pegando seus utensílios e itens críticos arrastando pelas alças, se era para o sol queimar pra caralho sua testa; era melhor ter usado um boné! Tampava as bochechas e nariz por conta dos raios.

Foram os segundos a chegar porque Alessandra havia cumprimentado Henrique e Gabi, mas ambas ruivas estavam focadas nas bagagens e maletas tirando do porta-malas. Lydia carregava o cooler na destra enquanto Flora segurava suas roupas e uma pequena mochila. Cada uma em um canto.

O casarão era perfeitamente ajeitadinho, esverdeado numa cor simplesinha nada enraizada, telhado embutido cor marrom, portas, abre e fecha de verniz, mesa de sinuca e guarda-sóis. Tinha um pebolim mais à frente. Na distância observada era bem-visto averiguar cada detalhe do recinto, andando para explorar os espaços, Lily acabou preferindo cumprimentar as pessoas, depois se abstendo em olhar os cantos daquele consolador rancho, verificando um imenso lago — torcendo que não morasse jiboia —, atrás da casa. Um galinheiro abandonado e muros feitos em tijolinhos pequenos. Quando infelizmente foi atrapalhando um cutuque no ombro dela, era Gabriella ao lado de Lessandra.

Ribeiro cumprimentou a morena educadamente e jocosa, observando Flora dar um beijinho na bochecha dela. Ela queria vazar e ir saber do quarto, ademais não deu certo, porque o grupo teria de ficar reunido — fodam-se inimizades! Era hora da alegria, ninguém faria o clima estar pesado, o que Valadares fortemente torcia.

O trio de mulheres gargalhava entre si por um assunto vago, porém a paulista não queria prolongar muita conversa, queria sair logo! Uma pressão social lhe consumindo.

Lydia deslocou o cooler numa mesa perto da churrasqueira ante a proximidade da porta, ficando com suas roupas e balançando o campo de visão entre ângulos tortos. Sabendo se entrava na casa ou não.

— Aonde vai a gatona? Fique com as meninas! — A taróloga encarava sua amiga, desencadeada na exploração da chácara. Roupas carregadas no braço. — Está querendo saber do quarto?

— Sim.

— Antes precisaremos organizar porque nesta casa da família do Rique tem muitas camas em só seis quartos — falou Alessandra, droga! Ela iria dormir num beliche desconfortável em cima de outra pessoa? Torcia que não! — Eu iria dormir na cama de casal com o Luan, agora o resto não sei… — Admitiu sem destacar mais informações. Ah, tinha empecilho: os casais da casa buscavam privacidade — O que você acha, Gabi?

— Reunião aqui! — Valadares dera um grito chamando atenção de todos que estavam parados em certos espaços do ambiente. — Bora galera, rapidinho! — Todos iam se aproximando e Lydia, sem pensar, deixou de manter sua postura e decisão de entrar.

O que essa porra virou agora? Reality de putaria da MTV? Incrédula na bagunça entre os rapazes e garotas percebeu que Schiavon estava presente no meio deles, quem diria hein?! A ruiva evitou contato visual e aproximou-se na presença do gaúcho, porém nenhum se pronunciou ou tomou iniciativa para falar. Flora encarava seu ex-namorado indiferente prestando atenção no andar de Gabriella.

Gabi cogitava em quais pessoas ficariam em tais quartos, dificilmente haveria casais pelo lugar porque existiam somente dois naquele meio. Reparou nos youtubers se encarando e a mulher de cabelos cerejas desconfortável sem decisões de averiguar saídas; capitulando quais pessoas dariam em cada quarto. Valadares quando entendeu que Jerozolimski e Ribeiro ficaram se dando bem — lentamente —, seria razoável ambas no espaço? Henrique e ela ficariam no quarto principal, Luan e Alessandra no debaixo. Quanto a Raposito e Gemaplys? Bom, achou que ficaria melhor nesta sequência mesmo.

Balançando os curtos cabelos e apontando discretamente, a gaúcha enfim confirmou, milagre, saber que Lydia não havia movido sua boca para discutir com o Schiavon:

— Seguinte gente: organizamos os quartos de cada um do grupo! Vamos ver se estão de acordo — deu o ultimato. Semblantes incógnitos e surpresos, os rapazes se calaram por uns segundos. — Victor irá ficar com o Davi, Flor com a Lily. — Apontava para os distraídos que olharam automaticamente um para o outro. A reação de ambas as ruivas foi surpreendente, quanto o carioca e o gaúcho saudaram-se amigavelmente. Eram grandes amigos, deu certo. — A sorte é que estamos em oito. Então não precisaremos ficar aguentando a bagunça do outro! — Debocha tirando umas risadas.

— Assim ninguém fica cheirando o peido do outro. — O carioca soltou uma indireta de Umild. Recordando da viagem de Curitiba, fazendo que todos gargalharem — Quem sabe sabe, hein! — Riu.

— Porra, meu nobre, cheio das gracinhas! — Luan rebateu. — Explana não também!

— Cê nem tomou banho no primeiro dia da viagem, Raposito. — Debochou o youtuber mais velho — Querendo bancar o santinho, coisa feia hein? Vai pro inferno, fica brincando com os meninos!

— Ah, calma aí! — Se envergonhou nem gostaria de repensar nas traquinagens da última viagem entre o grupo. — Na minha opinião, Gabs, vai ser maneiro dividir o quarto com o Vito, estou tranquilo com isso.

— E quem vai ficar com o churrasco? — Rique entrosado no papo carregando uma das grelhas e o carvão em mãos. Ainda era cedinho pro almoço mas custava nada ter um bobalhão para lavar a louça ou tirar a mesa. As mulheres não estavam cumprindo somente esse serviço, homem também cuidava de prato! — Encher a barriga pode ser fácil mas ´ceis também vão limpar cozinha, seus vagabundos! — Disse aos homens, que escutaram as mulheres reagirem de modo jocoso.

— A salada vai ser minha, já dou o aviso! — Martins exclamou agitada. Vendo o amigo concordar e sair para a área de churrasqueira — O resto vai ficar com vocês mesmos, nós garotas precisamos de folga.

— Sobrou pra gente! — Victor revirava a cabeça em determinados lados. — Enfim, continue, Gabi!

— Bom ter me lembrado, vamos lá. — Tossiu se recompondo. Notando as ruivas se encarando num breve relance. — E vocês, meninas? Há problema dormirem no mesmo quarto?

Flora e Lydia no mesmo patamar, que grandioso momento. A vida é sempre engraçada, trazendo minhas duas ex-namoradas. Essas gurias adoram retornar da puta que pariu, incrível!’ O homem coçou sua barba, nervoso, reparando nas garotas, suspeitando a vontade de ir novamente atacar Ribeiro.

A paulista mordia o indicador optando em notar os chinelos invés das pessoas nos espaços naquele calor prestes a aumentar. Indecisa sobre aquilo ocorrendo sem nenhuma limitação nem queria dar satisfação para ninguém dali. Encarando a museóloga, reparou em como as duas ficariam deitadas na mesma cama, adormecendo com a inimiga que não se considerava inimiga, diga-se de passagem! Limpava os óculos e de supetão notava Victor acenar formalmente para ela sem querer chamar sua atenção. Ribeiro se afastou.

O horário acelerava e seguramente haveria muito o que fazer naquele pacato sítio, jogariam UNO, fariam lives ou zoaram na piscina feito criancinhas na beira do mar atacando areia no cabelo da outra. Contudo, atrapalhava Ribeiro o fato de conviver com Schiavon nos exatos dois fins de semana — a vontade de surtar era maior — miserável homem parando no segundo nela e sua outra ex.

Gabi captou Flora manifestar dizendo que estava tranquilo para dividir o quarto com Lydia, respondendo com a cabeça. Um posicionamento nada entusiasta reagindo naturalmente em uma pontada de insignificância.

— Olha, acho que estamos enrolando até demais! Bora se arrumar e ver os quartos, beleza? — De saco cheio, a ruiva andava para longe chegando na porta. Chocando todos pela impaciência. — Tô indo!

— Eu hein… maluca! — Freire olhava desconfiado rodando o dedo em volta da orelha. — Deve ter gostado não.

— Oh senhor, dai-me forças! — A gaúcha bufou, que merda de trabalho aquela doidinha arrumaria?

•••


Ultrapassando a chave na porta maciça dera a visão de quarto extremamente ajeitado sem desorganização, impressões perfeccionistas logo de cara. Lily carregando suas bagagens e jogando no canto do assoalho, desembaraçando os fios e soltando a juba avermelhada. Ao seu lado Jerozolimski conduziu para uma das camas — edredom azul turquesa e travesseiros vermelhos — ignorando qualquer empecilho.

Virando o rosto para um lado oposto a paulista retornava com suas bagagens jogando no colchão mais fácil; sentada na beira e apoiando o smartphone no criado-mudo, refletindo absolutamente nada por algumas horas: Eu mereço realmente me ferrar cada dia, jogaram pedra na cruz! Soprou brava, posicionando a destra na coxa, remexendo a cabeça para a cabeceira, olhando a parede.

Totalmente agindo na frescura, sabendo que a menina que namorou Victor ficaria em suas direções assim como ele. Lados bons e lados ruins na viagem, ninguém era panelinha, cada um estaria reunido mesmo gostando de ninguém ou com desentendimentos, algo que Lydia não sabia ter maturidade ou consciência. Resmungando implicitamente nada completa ou feliz naquele rancho.

Tirando o chapéu amarelo e limpando seus óculos com o pano da roupa, a outra mulher dobrava umas camisas enfileirando cada tecido e cor diferente. Lydia sob azáfama preguiça observava sua colega de quarto mais cuidadosa por seus pertences; conectando seu Motorola na tomada apoiado num criado-mudo decorado por um abajur, Flora por uns instantes chegava agachando no guarda-roupa, armazenando cuidadosamente. Ribeiro pegava suas peças igual relaxada, sem animação, nem dobrou!

Enojada no relaxo de Lydia, sentia-se habituando com uma porca desajeitada sem o mínimo de organizar e fazer pequenos esforços, ninguém merecia dormir com alguém desse tipo! Flora irritada pela falta de interesse em arrumar o dormitório cutucou a outra ruiva que dera espasmo, querendo socar o rosto dela. O cotovelo abaixado e cenho extremamente destacado em fúria, elas não dariam certo no mesmo canto. A Ribeiro nervosamente jogou o resto no travesseiro, bufando, quantos anos ela tinha por acaso?!

— Oh, garota, vem dobrar suas roupas também! — Jerozolimski abordava a paulista sem censura. — Tá achando que ficará de boa? Vai sonhando! Todo mundo vai contribuir! — Mesmo sendo cinco anos mais nova que Lydia, era mais responsável. Uma carranca amargurada no rosto da mais velha surgiu.

— Não enche o saco cara, me deixa quieta! — gritou empurrando a mulher. — Aff, insatisfação do caralho!

Flora pigarreou sem levar desaforo:

— Estava mentindo que se entendeu comigo? Huh, por essa já esperava!

— Nada a ver, quero um tempo, só isso! — argumentou histérica. Quem diria! Ribeiro sabendo disfarçar muito mal. — Vim para curtir e não trabalhar pra você, garota!

— Comigo não será dessa forma! — exclamou a levantando da cama, solicitando que organizasse. Oras, você dormia com a pessoa e ela não tinha a pachorra de organizar sua parte? Qual foi, não fode! — Vai, escolha sua parte: ficarei com a gaveta e você com o armário pode ser? — Lydia quis não dar atenção – Hein?

— Beleza, moranguinho, fico com essa parte! — Apelidou Jerozolimski em seguida, colocando uma pilha de roupas amassadas, ocupando espaço inteiro. Flora se distanciou num semblante caricato. — Me dê licença!

— Vou dar uma saída e conversar com a galera. — disse a ruiva baixinha, notando a outra segurando para não choramingar — Sortuda é a Gabi por aguentar essa retardada. — Sussurrou baixo, indo a porta.

Eu menti para a Gabi… Não presto mesmo, sinceramente vou aguentar ficar nesse quarto com essa chata mas nem fodendo! Mais e mais bufava, certamente aguentaria nem dois dias facilmente.

•••


Victor bebia limonada fresca gelada rente a borda da piscina com Luan e Davi, soltando um assunto relacionado a jogos e um futuro vídeo iceberg da comunidade que os amigos tinham. Faria sucesso? As possibilidades eram altas! O sol do amanhecer esquentava na camada azulada, molhando os pés descalços. Tirou sua regata, ficando com o peitoral nu.

O youtuber resolvera na pacificidade mínima excluir Flora mesmo que fosse presente no decorrer de finais de semana, impossível não notar aquele sorriso e gargalhada fofinha dela na longitude; meio cabisbaixo saboreando o suco, olhos piscando, mas posteriormente avistava a famigerada ruiva cenoura visualizando a paisagem das árvores e os patos da lagoa.

O modo da garota enroscar os fios de cabelo entre os dedos e contemplar belezas naturais havia mudado nada, sendo a mesma Flora que Schiavon conhecia nos anos de namoro saudável, tão surpreendente os raios solares brilhando em sua leitosa pele salpicada em pintinhas escuras. Valeu constar evidenciando benefícios do sábado avassalador batendo papo com suas amigas, naquele presente estado mantinha-se parada olhando o trio de homens, o youtuber rodopiava os olhos, constrangido.

Doeu, mas não matou perder Jerozolimski, porém a saudade dela que o matava! Tenso! Ficava linda mostrando os joelhos e coxas.

O impacto que causa quando notamos finalmente sobre aquela pessoa amada não ser mais nada. Victor para mim era lindo e o melhor homem do mundo, agora o vejo como nada. Parece uma paixão artificial, agora está me vendo daqui tomando limonada como se fosse desconhecida! Ele vai querer falar comigo? Não me importo, vou cumprimentar educadamente, na real, somos as mesmas almas incompatíveis, desde sempre fomos! E nem tão cedo outro rapaz me fará sentir o amor que ele me fez sentir antes dela. A museóloga coçava a face retraída olhando seu ex-namorado distanciado, risadas no fundo e amigos fazendo o que gostavam, não obstante o homem encarava a segunda ruiva perdida, num presságio bom.

Schiavon limpava a boca e apoiava seu corpo em qualquer canto do espaço, tirando os pés sob a água gelada da piscina mudando numa posição de lótus, realçando suas tatuagens e braços grossos. O carioca estalava os dedos ante ao rosto do mais velho fora voltando a terra, meio desnorteado:

— Oh, cara, cê desligou do nada, tá bem? — Freire questionou, enquanto o Pires esboçava o mesmo.

— Sim, mano. Me distraí, foi mal! — Ele se desculpou balançando a cabeça pelos ares. — O que estavam falando?

— Uma ideia de criar vídeo de iceberg sobre a tomoulis, acha bom? — elucidou o cantor que comentava sobre isso com o youtuber de cabelos encaracolados. — Temos uns conteúdos bons pra caralho!

— Igual o Chuckew ou Semydeus? — mencionou os nomes de outros criadores que acabou vendo em uns dias entediantes. — Parece uma boa, nunca cogitei em iceberg, tem coisa pra gente zoar, fazer narração cômica e zoar com o pessoal, tá ligado? — Victor achou esse tema demasiadamente genial.

— Nem precisa ser igual aos deles! Tu é criativo, pô, vai saber fazer. — Raposito tentava inspirar o amigo — Seja único.

— Beleza.

Reflexivo o homem demonstrava plenitude mas por uns estalos propositais decide encarar sua estrela perdida, querendo falar com ela. Uma pulga atrás da orelha: por quais personalidades ela havia se apaixonado? Transbordou essa inquirição, evaporando um sopro quente nos lábios; queria uma resposta certeira, já que Flora não pertencia mais em sua vida — soando algo muito glorioso — amorosa. Davi fora percebendo sua atitude inesperadamente, deixando Victor gaguejar desesperado.

O gaúcho engoliu em seco, nenhuma desculpinha seria válida nessa hora. Tinha logo que falar, era agora ou nunca, Jerozolimski poderia não ser mais uma namorada, mas conhecida, por assim dizer! Schiavon por sua vez não disse nada para denunciar. Luan também queria entrar no assunto, saber mais a fundo. No entanto, aquele trio foi se acomodando na conformidade que o mais velho trazia embora cômica. Esse propósito de chegar e perguntar qual pessoa a segunda ruiva apaixonou-se seria mesmo legal? Pensou.

— Por que vocês não se resolvem? — apontou o carioca ao gaúcho que faltava babar pela moça. — Ela aceita de boa, sei que vocês nao tem mais nenhum problema.

— Não sei, talvez.

— Levanta mano, vai lá! — O Pires deu um tapa em suas costas que o fez se mexer para os lados, de supetão, Victor se deslocou da piscina. — Boa, filho! Fala com a mina e se acertem, são amigos, sim?

— Quase… Enfim, vou papear com ela! — Schiavon tomou logo iniciativa.

Subindo as escadas e posicionando a destra no corrimão, o youtuber se deslocava da área da piscina indo encontrar a ruivinha distraída olhando o céu encostada no muro, mordendo os dedos da mão. A arquitetura do rancho era divina, realmente os familiares de Henrique eram perfeitos na estética residencial; descalços calcanhares pisando no assoalho estreito, pacifista sem caos imensamente. De mãos nos bolsos, ele caminhava até ela, sorrindo cordial para seu chapéu, querendo não pagar de estranho.

Victor expressava mero equívoco, propositalmente desistindo do nervosismo, tentava falar suavemente com sua ex-namorada mais recente que o cumprimentou normalmente como uma pessoa nunca vista. Flora virou-se para o homem, encostando os braços no muro e visualizando Schiavon esperando dizer algo; o gaúcho piscava as esmeraldas íris, constrangido — você não tem mais 12 anos, cara! — olhando nela uma chance para amenizar problemas entre eles.

A mulher impaciente bateu os sapatos, uma postura reta e ampliou os castanhos lumes sob os tons escuros dele, propagando uma música alta de pagodinho para churrasco. Já estava batucando e movendo loucura de festança entre os membros do lugar.

A ruiva falou primeiro deixando-o calado sem reagir:

— Oi, Victor.

— Er… oi! — Ambos se direcionaram num aperto de mão, coçando a nuca automaticamente. — Tudo bem?

— Sim, estou muito bem. — Que passagem nada surpresa, diferente de Lily não o xingava. Essa sim era uma mulher madura. — Você? — Apontou interrogando o mais velho.

— Que bom estar finalmente bem, acho que para mim está só indo.

— Entendi.

Chegou mais para frente de Jerozolimski.

— Vim me desculpar pelo que disse a você. — Nossa assim do nada? Grande avanço, hein! Bom, era compreensível, foi babaca até demais com quem não merecia. — Realmente, não foi em vão o que nós dois passamos juntos.

— Certo — falou monótona, formas de irritar um homem, dizendo calmamente que o problema não o afetou. A ruiva sequer mostrou fraqueza, isso sim que era superação! — Eu te perdôo, relaxa, não levo mais para o coração.

— Mesmo? — A sobrancelha erguida em dúvidas. — Nem parece.

— Ue, perdoei sim bobinho! — Riu debochada, provocando ainda mais em sua vozinha calma. — Eu, hein.

— Tá bom, então.

— O que vivemos irei ter com qualquer outro cara, né? — As palavras dele… ditas na boca dela, puta que pariu! Isso foi um dos maiores ataques diretos que se pode dar. — Por que devo estar chateada?

Isso é normal? Ouvir o que disse para alguém é uma coisa dolorosa, e ela repetir? Você agora sente a mesma dor dela? Caralho, estou sentindo meu peito machucado. Que pessoa merda eu sou! Bem feito! Havia aprendido sua lição, quem profere o mal sem ver leva facadas cem vezes mais!

Se lograsse uma volta no tempo, porventura faria outra ação e não diria nada daquilo para Flora, iria abraçá-la e decentemente ambos ficariam curados, mas nos carinhos e quentura de outras pessoas. Por que os homens nunca rastreiam na minúscula cabecinha deles que falar ou agir erroneamente também fere? Caem na ficha deles muito tarde então? A museóloga riu sem humor sabendo como tratava seu relacionamento terminado sem nenhuma melodia e festejando o final, como os filmes das princesas da Disney!

O youtuber abaixa sua cabeça praticamente acanhado; arrepiando os fios da juba curta, despenteada. Flora pousou a canhota no rosto dele, que havia aquecido seu peito — calma, nada romântico! Ela faria o quê? Na ventania transtornada e calorosa… os amigos rindo e bajulando.

Flora e Victor se entreolharam e calaram-se espontaneamente até que o gaúcho fizera a seguinte pergunta:

— Sabe? Tem algo que preciso descobrir.

— Descobrir? — A mulher retirou seus dígitos e fixou os orbes nos dele por uma terceira vez. Onde o mais velho quis chegar nessa informação? Quais vestígios trouxera? — Se eu te usei, algo desses?

— Não, claro que não! — repreendeu, suas mãos descontroladas e um incômodo na pele. A sombra imensa encobrindo a menor. — Bom… o que tenho para te finalmente questionar, er…

— Desembucha, cara! — Riu cortando o drama do youtuber agindo de modo abobalhado. — Fale, logo.

Um respirar levemente soltando, Victor precisava dessa resposta, queria largar desse demônio.

— Qual versão minha te agradou, garota?

— Versão? Tá falando de quê?

— Apaixonou-se por Victor ou Gemaplys?

Olha para ela rindo e tratando nossa história como nada, te entendo, Flora. Eu fui um perfeito arrombado, mereço isso, pode sacanear! Após fazer essa digníssima pergunta, recebera Jerozolimski caçoando de Schiavon. Ué, ele sempre foi a mesma pessoa, agora para Flora, quem ele era? Não era difícil explicar.

— Eu me apaixonei mesmo foi por uma imaginação que me provou ser nada. — Tirou os óculos de grau pendurando na camiseta que usava. Amarrando os cabelinhos num coque alto, rebolando os quadris e deixando as mãos na cintura. Vendo o semblante espantado do gaúcho. — No começo foi o Gemaplys, óbvio! Acho que minha admiração sempre foi ele, depois… acabou! O Victor provou que não fomos nada.

— Entendo — mentiu, nunca havia compreendido os sentimentos dela. — Você amava mais meu outro lado durante 4 anos?

— Sim.

— Ok, posso levar isso para vida.

— Eu nunca fui sua, Victor. — Querendo melhorar o clima ela o abraçou para não ser amarga e cruel. Ele retribuiu num gesto de ternura, algo elevado numa sintonia amigável. Sim, nunca foram amados ou feitos um para o outro. Lydia quem era dele? Ou quem precisava de amor próprio era ele? Bom, todos podem denominar que Ribeiro e Schiavon, eram significantes em outro ponto, faltava também ouvir aquele fantasma de cabelos vermelhos dizer. Era muito pior esconder para si, as duas tinham que falar. — A prova disso ser verídico foi quando nós dois terminamos, você pensa nela… ela quem você quer.

— Lydia?

— Está vendo? Nem mencionei e já citou o nome. — Riu divertida, os cantos avermelhados do rosto. Meio corada. — Fica por isso mesmo. Segue a sua vida, sigo a minha, ficamos na boa, ok?

— Por mim estou de boa — assumiu mesmo tendo uma quebra ao descobrir que sua menina acabara desejando seu lado figurativo das câmeras. Ela beijou e tornou-se um conforto, todavia não era literalmente a realidade de Schiavon. Amando o homem que a elogiou no Instagram e Twitch em uma conta alternativa. — Sempre vou estar aqui pra ti, enfim, vou curtir a piscina com a galera.

— Idem! — Assim se reconciliaram — Vá lá! Tenho que ajudar as garotas e o Rique no almoço.

— Realmente, temos muito para fazer. — Ele riu, beijando a testa da mais nova. — Tchau, até mais tarde.

— Tchau, Victor!

A museóloga sentiu o coração leve e limpo, nenhum rancor ou dor grave quando falavam de Victor. Assim seguiu, tirando umas fotos da casa e postando nos stories; sorte dela ter levado sua Polaroid, teriam fotos de sobra! Acenou para o youtuber e conduziu para o interior da casa; passando na porta.

•••


Faca deslizando pela couve e aroma de feijão subindo em uma das panelas, Alessandra cortava legumes e adicionava maionese na salada, enquanto Gabriella ia levemente passando a faca na tábua com o resto da couve, jogando num imenso vazio pote de sorvete com água dentro, deixando um pouco de molho. Lydia sentada no sofá de mal jeito apreciava o Raça Negra nas caixas de som, cantarolando “Cheia de Manias”, balançando o pé esquerdo e rindo. Os spikes da gargantilha vermelha reluzindo sob a luz, veementemente prateados. lindamente enfeitado era o lustre de candelabros pretos, algo rústico.

Deu para manter água na boca com aquelas carnes preenchidas de sal e tempero na brasa, o estômago implorava por um pedaço de picanha e coração de galinha. Lambendo os beiços e relembrando dos churrascos com André e Cecília bebendo Itaipava e tomando sorvete napolitano, domingos raros onde a pequena família se reunia com vizinhas, tudo bem que Lily fumava narguilé escondido — jovens sendo jovens, agindo feito uma rebelde sem causa — ou cheirava rapé no quarto após fazer os cabelos na prancha.

Atrás das paredes, era audível os rapazes fazerem piadinhas sujas e olhando a janela rapidamente notava alguns gravarem vídeos e boomerangs, que brega! Muito algo de 2018 e 2019.

Clima animado em euforia e muita curtição, no entanto a paulista fora pega de surpresa quando sua melhor amiga estressada pelo trabalho dobrado na cozinha e seu namorado mexendo no arroz — panela elétrica borbulhando, respeitava as ordens de sua parceira. Gabriella berrou o nome de Lydia, que parou de ficar na boa, levantando do sofá e direcionando na cozinha, mas não estava logo na hora de comer?

Ribeiro impaciente bufava posteriormente quando tiraram de seu conforto, ora essa a bonitona não iria ficar de rabo para cima coisa nenhuma! Valadares sobrepõe as mãos na cintura escorada na pia, notando também Alessandra gargalhando com Henrique que afiava uma das facas e coletava sal grosso, vendo que o serviço fora concluído — restava trabalhar na churrasqueira —, dando um breve até logo para as mulheres.

A ruiva perdidamente concentrada na música dançava os quadris no meio do pagode, contudo Gabi novamente dera broncas na amiga preguiçosa. Falando que ela e Martins não seriam as únicas ali. Lily se desculpou:

— Eu não estou acostumada a limpar e cozinhas nas viagens, Gabi! Foi mal.

Um riso sairia de seus lábios; sua amiga balançava a cabeça em negação, acreditando que pretexto não afetava.

— Amiga, deixe de corpo mole. ´Vamo lá, pegue o ralador na gaveta — ordenou, apontando o anelar para a gaveta. Em seguida dado sua ordem, Lydia entregava num sorriso ladino. — Isso mesmo, muito bem. — A fizeram gargalhar, cobrindo a boca. Repletamente constrangida. — Você agora fica responsável pela couve! Coloque na frigideira. — Preceitou na segunda vez. — Huh, espero que o almoço fique gostoso. — Soprou um fio de cabelo. As músicas trocavam para rock nacional.

— Tu cozinha bem demais, nenhum erro gata! — elogiava Martins, voltando a misturar os legumes e embrulhar a maionese. Continuando a papear encarregando em outra mesa — O que sabe fazer, Lydia?

— O básico. — Na verdade, era desastrosa na cozinha desde os seus quinze anos. Lydia queimava arroz, salgava carne ao extremo, enchia vinagre sem lavar salada, deixava óleo no fogão! Ela tentou aprender com os ensinamentos da vida, porém quando o assunto relacionava-se sustento, era loucura. — Sei lá.

Valadares dera um riso estridente como se a Ribeiro tivesse contado uma piada.

— Um dia quero ver isso, sabe que só eu cozinho em nosso apartamento — Ralava a cenoura agressivamente. Percebendo que o forno havia apitado. — Ótimo, termos o empadão! — Ficou feliz.

— Mudando de assunto, antes que fique com mais fome: essa casa existe quanto tempo? — perguntou a ruiva. Balançando as mãos lavadas. — Tão bem feitinha, nunca vi igual. — Ela não errou, era muito bonita.

— Segundo o Rique, desde a infância dele.

— Nossa, muito foda!

A estrutura da cozinha assemelhava casinha de avó requisitada, armários decorados por flores nas portas, xícaras de chá e porcelana acima, geladeira Electrolux, fogão de 8 bocas — com 2 fornos —, panos de prato onde eram desenhados ursinhos ou patos. Airfryer, cafeteira e uma mesa com toalha com frases.

Os azulejos de pastilhas verdes e assoalhos marrons. Um ambiente grande e reconfortante, a ruiva também degustar os vinhos enfileirados, querendo aproveitar uma casquinha. Será que tinha bom gosto? Brevemente ela adivinharia, Lydia amava um vinho europeu. Que viagem legal do cacete!

Concentrada no almoço, Gabi pausou minimamente para olhar a couve, vendo que estava no ponto, desligou o fogo. Ribeiro auxiliando em nada presumidamente acidental — escapou de cozinhar, ainda bem. — suspirando palavras e querendo logo vazar para comer. Os olhos dela arregalaram quando o curitibano anunciou sobre a picanha ser feita.

O estômago faltava pular do corpo, mas que garota faminta!

Apontando para a tábua de carne e linguiça, a paulista encostava e mordiscava lentamente saboreando a picanha, de vez em quando acenando para os rapazes. Soares cortava e na medida do tempo que organizava Lydia com sua fome de leão, devorava.

Aproveitando que o cooler estava acima de uma das mesas, encontrava uma lata de Monster; puxando o lacre da latinha preta e esverdeada, bebendo a amargura do energético. Procurando um espaço para sentar, dançando com as pernas na batida do Skank.

Luan ajudava sua namorada e Gabi com o carregamento das saladas logo o almoço estaria servido e todos reunidos. De pernas dobradas, a ruiva simplesmente perdeu-se em alguém nadando na piscina, os cabelos molhados e risos… Céus, era o Victor de sua imaginação! Zoando juntamente de Davi; seu peito batucando e testa suada, era lindo demais para Ribeiro.

O sol esquentava na sua pele, mastigando pesado no mesmo tempo que bebia seu energético. Os braços dele remexendo e dando pulinhos.

Cara por que esse filho da puta continua lindo demais para mim? Olha, devo estar muito cega! Hormônios fervendo e cabelo na camada dos lábios. A ruiva faltava para dilatar suas íris amendoadas, porém uma outra figura cobria a boca com ambas mãos dando um grito avisando que já era hora do almoço.

— Oh, seus doidos, hora do rango! — o loiro gritava, deixando a mulher se afastar com os ouvidos doendo. Schiavon e Freire acenaram molhados dentro d 'água. Dando atenção para o recado. — Vem!

— Porra, até que fim! — Raposito andava com os pés devagar até a borda, encostando e saindo da piscina, respingando muita água em seus cabelos tingidos. — Vambora, tô gritando de fome. — Ajudava seu amigo gaucho sair, pegando a destra do homem, que fizera o mesmo ato. — ´Tamo indo, Rique!

— Ufa, chegou a hora de comer. — O youtuber mais velho andava com o mais novo até as escadas. Notando Flora comer um pratinho de carnes e farofa. Notando a mesa repleta de comida. O grupo foi se sentando.

— Lily, vamos comer, amiga! — Valadares chamava sua amiga ruiva que jogava seu Monster vazio na lata de lixo. Notando a mesa de oito cadeiras, onde ela sentaria? — Aproveitem, gente, tudo fresquinho!

Num demasiado azar, a paulista carregava seu prato. Selecionando o que iria comer — farofa, arroz, feijão, couve frita, picanha, asinha de frango, maionese — contudo na sua direção era visível seu ex-namorado e a outra ruiva coleguinha de seu quarto. Jogando conversa fora e rindo. Ora essa, se deram bem? Um ranger de dentes explícito atraia os lábios da mulher de cabelos cerejas, que barrava encarar um ciúmes interno. Eles não eram mais um casal, mas falavam normal.

No mundo de Lydia isso era tecnicamente impossível, nenhuma relação aceitou que fossem amigos ou contato dos homens que atravessaram sua vida! Que dor do caralho, vida frustrante, onde juntou pessoas felizes que viveram o que ela sonhou!

Eram lindos conversando, as tatuagens de ambos combinados. Lily respirou fundo e virou andando seguindo em frente, buscando um lugar para sentar. A cadeira movimentada e sentada ao lado da gaúcha, garfo e faca acima da mesa.

Todos em cada lugar, alimentando-se. Curtindo a playlist, Lessandra gravava um vídeo rindo com eles e tirando fotos. Victor sentou com Luan, Flora na esquerda de Gabi e Davi com Henrique.

— Família unida, vida boa! — Fez hang loose após um outro stories gravado. O grupo sorrindo no fundo. — Tudo de bom para nós todos! — Dançava Martins de um lado para o outro, sentando e publicando o vídeo em seu perfil.

— Essa farofa tá muito boa também, viu? — falava o curitibano para a namorada. Cerrando com a faca um pedaço da carne. Mastigando levemente assim como também engolia. — Minha mulher sabe cozinhar!

— Obrigada, querido — gabou-se, dando risadinhas. Vendo os amigos gostando do momento.

Ambas as ruivas entreolharam-se por uns instantes, notando que Flora fitava o gaúcho, que apoiava o garfo num pedaço de sobrecoxa. Lydia profundamente odiava os caminhos lidados; suportando querer roer os dedos! E nem se tivesse chance para morder a coxa de frango igual um cachorro vira-lata. Porra, que climao! Torceram para não rolar alguma briga entre os membros da viagem.

Gabriella ficou meio silenciada, no meio de vozes observava quanto era satisfatório ter cozinhado. Tudo era delicioso na mesa.

— Como foram as semanas de vocês? — A gaúcha de cabelos longos puxou assunto. — Boa?

— Hm, mediana — respondeu Lydia, disfarçando grosseria. Mesmo não sabendo mentir que a primeira semana no estado sulista foi um maior furacão! — Primeiro dia na faculdade, foi maneiro, a festa também.

Victor tossiu quase engasgando, ih rapaz, o assunto da festa!

— Deu para notar que se deu bem, guria — comentava o Pires. — Eu ainda amo os seus beats.

— Valeu.

— Arrasa muito, papo reto — o cantor elogiava mais. — Cê tem álbum próprio?

— Engavetado mas tenho. — Gesticulava as mãos e bebia o copo de Fanta Laranja. Lily curtia o assunto — Logo divulgo.

— Calma, ela quem produziu os beats do seu álbum, Luan? — Schiavon apontava ao amigo, chocado. Ele não pode mentir que amou as canções, não esperava que a produção fosse dela. — Nem fodendo!

— Er… foi, por que? — Vish, transformaria um climão na mesa! — Incomoda, você?

— Não, que daora! — Riu forçado num gaguejar. — Muito legal, Lydia.

— Huh, precisa agradecer assim desse jeito não. — Ironizou jocosa, balançando o pescoço embora sua gargantilha incomodasse. — O projeto foi legal e dei parabéns, na verdade, nós dois fizemos um bom trabalho.

Uau, sentiu foi? Que lindo! A ruiva deu uma provocada mordendo os lábios e piscando secretamente ao gaúcho. Olha como implicava, parecendo duas criancinhas idiotas! Victor fingiu que não era com ele.

— Me diga: quanto tempo anda fazendo música? Desde eu nao ter mais falado contigo? — Droga, que alfinetada fodida! Logo, agora? — Ou muito antes? — A boca remexeu, os olhos ampliaram nos dela. Sentiram cheiro de uma encrenca gigantesca. — Fala aí!

— O que você está dizendo, louco? — Afetada, deu-se de boba. — Faço música na época que eu quiser.

O carioca riu quando a patada foi dada:

— Caralho, Vito!

— Ah, irmão, cala a boca! — murmurou, não havia dado certo a provocação. — Então, tá bom. — Olhou a mulher de soslaio, num desprezo. — Quis perguntar mesmo.

— Francamente, não me importa. — Ribeiro notou que estava bem alimentada e decidiu sair. — Obrigada, mas preciso ir.

— Como assim, amiga? — Uma delicada canhota tocava o pulso, Valadares entendeu o que era logo de cara. — Nós vamos ficar juntos!

— Obrigada, mas não quero.

— Mas..

— Porra, me deixa em paz, Gabi! — gritou, quando olhou a mesa inteira, o grupo ficou embasbacado. Ela tremia de raiva, muita merda em cima dela: Flora e Gabi dando patadas, Victor no meio, muitas perguntas e obrigações. Lydia queria enfartar. — Ah, falou!

Abaixou sua cabeça, retirando-se. Carregando seu prato e indo a cozinha para lavar, pronto! Tinha que surtar justo na melhor coisa que poderia ter entre melhores — conhecidos — amigos? Porra, que zoado! Lydia sobrecarregada tentava não choramingar e entrar em pânico, abrindo a torneira, jogando detergente na bucha e esfregando os talheres e prato na maior raiva; sentindo a destra coçar.

Socializar e compreender que nada mais do passado consistia no presente nunca era eficaz de se deixar, Victor continuaria assombrando e importunando Lydia em muitos mundos e distâncias. Porém a ruiva no âmbito de louça suja e deixando as porcelanas no escorredor, notava aquela sombra alta vier, quieta e mais estressada no calorão da residência; o youtuber quis tomar iniciativa foi então que veio de acordo:

— Oh, garota!

— O que foi? — Trincou os dentes, saindo da pia e andando para direção da sala. — Quando vai deixar de ser criancinha, cara?

— Não foi proposital, dessa vez foi uma pergunta. — Fez de vítima, ajeitando os óculos da cara. Aqueles cabelinhos úmidos, nossa… por que, homens nerds tem esse charme? — Na real, vim falar normal.

A ruiva ficou sem jeito, que porra de comportamento era aquele? Quem estava tentando enganar?

— Normal? — A paulista ficou em choque. — Aham, conta outra.

— Senta e relaxa, vai! Me escuta. — Um mandato autoritário, fizera arrepiar. — Isso que peço.

— Babaca!

Ela visualizou o homem a frente de si, no pior momento. Nem imaginou que ficaram parados na multidão de centenas de pessoas conhecidas, não obstante, afastaram-se num canto isolado. Agora sentados e nenhum assunto para discutir, Victor queria xingar pra caralho e Lydia dar umas boas bofetadas na cara dele, só que… Foi outra coisa, sentados e nenhum contato visual; silenciados.

O youtuber se aproximando, querendo se desculpar por chamar sua atenção e novamente perturbar a mulher. Porque havia magoado e mentido para ele, ficado com um idiota que sempre teve ódio em saber que existia.

A ruiva sentava desengonçada na cadeira pequena da mesa de vidro, mãos posicionadas em cada joelho. Qual papo eles teriam? Nem soube!

Eles seriam mesmo amigos, recomeçariam? Foi quando o gaúcho chegou para o lado dela e a paulista, num deliberante asco, foi saindo de perto. O youtuber cabisbaixo de mãos nos bolsos da bermuda, a beatmaker chacoalhando os pés.

Lily falou primeiro:

— Qual sua vontade de vir falar comigo?

— Não sei. — Realmente pela confusão mental, ignorava-se em saber sua real intenção. — Talvez por ninguém estar conversando agora, então te vi.

— Huh, sem graça — proferiu amarga. — Pensei que iria novamente bostejar como sempre faz!

— Difícil quando a mulher transtornada ferra com a vida da gente — alfinetou, diretamente navegando em seus cabelos cerejas. — Você não admite que também foi otária. Simplesmente me traiu e, no final, está sozinha porque, estando nesse temperamento, claramente nenhum homem vai querer mesmo!

— Tudo isso pra me atacar?

— Não é um ataque, é uma afirmação!

— Beleza… — A voz seca e nada entusiasta. — Me desculpa por ser um demônio na terra, então!

— Na moral, por que me traiu com o Murilo? — Ela havia desbloqueado aquela transa sem história, após o Schiavon insistir. Isso a fez sentir-se mesmo horrível. Porém, não fez nada de errado — fez sim! — Usou o babaca do primeiro namorado num momento onde era fisicamente para a ruiva. — E por que nunca me disse quem era ele?

— Murilo? — Nossa, ressuscitou esse satanás do além. A ruiva foi pega de surpresa, todavia um mínimo acontecimento regressou. Agora bateram suas ocultas lembranças que o cérebro não processava — Ah, puta que pariu… me lembrei!

— Lembrou, né? — Ergueu a voz — Olha aí!

— Mas nós dois…

— Você quis ele! Quis isso acontecer!

— Infelizmente, insistiram, para mim, ter alguém físico, terminamos, o meu corpo sujou, no final nem voltei com ele! — Admitiu, os calcanhares arranhando o piso. Ambos na mesa da cozinha, não apresentando muito a conversa agitada. — Na verdade, aquele que sonhei foi você, após tantos anos, quem eu quis foi você. Nenhum outro homem, somente você! — Palavras de uma clássica mulher arrependida com o rabo entre as pernas — Porém, não havíamos feito nada para acontecer! Porque fomos imaturos! Nós dois erramos, é isso! Cara, não tem mais…

— Isso te dói Lydia? — perguntou agressivo. — Dói? — Questionou pela segunda vez. O dedo apontando no coração de Ribeiro — Você se arrepende ou fica negando sempre estar errada?

— Quê?

— Admite, nosso relacionamento não foi nada!

— Ele poderia ser — Sim! E provavelmente um relacionamento demasiadamente harmônico, contudo era idealização da própria ruiva. Em suas trocas de mensagens e ligações, Schiavon não era um youtuber ou grande estrela, era o amor de sua vida. Ela dedicava amá-lo, Victor também idealizou a paulista. Achando que seria sua única companheira e mulher. — Mas foi ilusão e no final restou mágoas, culpa e dor! Sequer deve ter imaginado quanto chorei, pensando em você com outro alguém.

— Idem! — Soltou o ar dos pulmões, os braços erguidos. Observando a visão de cima. Aquele final ensolarado este que clareava árvores na janela. Lydia e Victor na beira do silêncio avassalador— Diferente de você, me ocupo.

— Oras, também me ocupo!

— Mas continua uma trouxa.

— Sou trouxa por finalmente buscar ser feliz? — Isso certamente não era saudável e nem legal de se ouvir. O gaúcho sempre em mágoas desejava benefícios e alegrias para sua ex-namorada, de uma hora para outra só queria o mal dela! Cadê a lógica? — Tenho meu início de atriz finalmente, estou morando num ambiente limpo e menos complicado. Eu tenho meus amigos, tenho meu dinheiro! Posso ainda ser desconhecida? Ué, posso, quem não é? — Interrogou ofendida. — Trouxa é você nesse egocentrismo fodido! Eu hein. — Oh louco, mas que patada! — Estranho!

— Heh, só está gostando de se aparecer, garota — Provocava na intenção corriqueira. — Tu sempre manteve aquela caverna e quintal de mato. — Colocava os óculos no rosto que se atreveram cair na ponte do nariz — Vai continuar ficando dentro de casa…

Discutir com pessoas que não aceitam suas mudanças era perda de tempo e mais acúmulo de estresse. Lydia não concedeu as humilhações e deboches do gaúcho; restou a mulher interromper da seguinte forma:

— Victor? Como todo respeito, vai tomar no seu cu! — Apertava os punhos levantando de onde sentava. Encarando o mais velho, inteiramente furiosa! Não merecia palavras tão esdrúxulas sobre o passado dela. Lydia mudou, mas Victor não! Continuava um mero crianção, qual o significado de mostrar que ela só se “aparecia”? Por não ser conhecida como ele? — Voltando aquela pergunta sobre doer: quer saber? Na verdade, não só me adoece, Victor! — Lydia tomava conta de nostalgias enquanto viveu aprisionada no dormitório, naquele meio de mato — Me destrói você não ser mais o mesmo de antes! — Não aguentou e ficou diretamente no seu campo de visão, amendoados sob esmeraldas. — Sinto muito, mas é isso que penso. — Demonstrava sua indignação. — Tá?

— Quem era minha pessoa pra ti então?

— Não sei, talvez a que idealizei? Será? — Foi sincera, abrindo a boca sem pausas. — O que realmente machucou quando acabamos nem foi só isso… Foi a porra do futuro! Foi quando chegou aquela sensação de você ficar famoso, cheio de fãs, com muitas garotas e nenhuma, saber quem você é de verdade. Pois a mulher que esteve no seu caminho, não pôde ficar ao seu lado. Ela foi a única que soube te conhecer de todas as formas, mesmo presa no computador, tive um dos melhores pedaços de você.

— Sou um youtuber, lógico que teria fãs — propositalmente gabou-se. Não mostrando um egocentrismo ou que amava dinheiro, mas quem realmente de fato considerava ao mundo — Todos amam os meus vídeos e sabem quem sou eu, ninguém me odeia, ninguém tem problema comigo! — Cruzou os braços tatuados, ventania correndo mesmo que pouca — Eu sou real para eles.

— Sabe quem não te viu só como uma figura de internet, assim como eles e talvez amou a sua verdadeira pessoa?

— Quem?

— Eu! — Ribeiro não deixou de manifestar quais reações ela teve quando assistiu aos vídeos de Gemaplys, todos conheciam ele como alguém divertido, engraçado, humorado e bom colecionador. Todos amavam suas músicas, contudo Lydia fora a primeira a conhecer o verdadeiro Schiavon — Fui eu quem amou! Os seus vídeos para mim não têm mais graça! Enquanto falava besteira e humorizava milhares de pessoas, mostrando seu rosto e sorrindo. Atrás da tela, ficava sentindo vontades incontroláveis de chorar, tremedeiras e aflição só de escutar sua voz. Meu peito doía e pensava: “Caralho, que filho da puta! Por quê? Não é mais assim? Ele agora zomba de mim por uns idiotas que fizeram minha cabeça, deve nem saber que existo!” Só de ver seu rosto! Me dava apertos no peito, ansiedade, falta de ar, nojo e desgosto, meu coração só batendo de decepção.

— Por que tudo isso?

— Os seus vídeos são lembranças dolorosas, Victor! Aquela pessoa não existe mais na minha vida. Ela não é quem me fazia rir, quem me desenhava, quem diariamente me elogiava, aquele onde falava quanto era especial, porque era dele. Eu lembro de quando apaziguava meus problemas sempre que chorava. — Voltava a se acalmar, garganta dolorida. Rachando e secando, mas perfuraram agulhas dentro de si. Cercada em um amor digital complexado — Ah…

— Vai, fala! — Abanou uma das mãos. — O que mais? Eu realmente fui assim, também te amei, mas sabe quem…

Ela o interrompeu pela segunda vez:

— Você me confortava sempre em nossas ligações! Me ajudou a crescer nos projetos. Me dizia que viajaria e moveria o mundo por mim! — Lydia suspirou, contorceram-se suas lágrimas para não gritar ou desesperar-se à toa análoga uma criancinha mimada. — Cada parte sua amei, mesmo contentando com pouco! Mesmo nervosa, ausente, intensa e engolindo tanta merda da minha família. Você encobriu a maldita solidão que ainda me circula. — Ribeiro notava que sua voz se converteu para um choro preso, coçando a pálpebra. Um batuque vibrante cortando um peito maculado de rancor. O homem esboçou nenhuma reação, somente quis escutar — O cara que tranquilizava minhas noites, aliviava os medos e me desenhava não existe mais! Vejo nele um rancoroso, amargo, egoísta, babaca e ignorante! Eu vejo um ser humano que só está focado na atenção dos outros, facilmente alguém que gosta de receber amor platônico, mas no fundo odeia qualquer merda! Só quer fama besta.

— Isso é mentira, não sou assim!

— Está me provando o contrário! — ela respondeu. — Quem você está revelando para mim, então?

— Oh garota, você tá paranoica! — elucidou disfarçando seu emocional. — Acho que nem a Flora deve pensar isso.

— Porque você era diferente, mas no final, decepcionou igual. — Novamente outra patada épica! — Já se perguntou em quem ela se apaixonou? Pelo Gemaplys ou você?

— Foi, na verdade, pelo Gemaplys…

— Não, nós duas amamos o mesmo, porém em realidades distintas — sibilou. A textura do chão coçando os pés descalços — Eu tive muita raiva acumulada. Ela só percebeu que não era sua pessoa certa, admito em como gostaria de estar nela e sentir você pessoalmente. — Tossiu. Revivendo o assunto de poucos minutos — Essa personalidade dos vídeos e das canções que inúmeras pessoas amam. O cantor emocionando jovens, recebendo cartinhas e presentes, uh, aquele desenvolvedor de jogos e o humor extremamente ácido? Não foi por ele que me apaixonei! Achava ter realmente amado sua figura on-line, mas me enganei! Sabe por quê?

— Por que? — Fingiu não dar a mínima, mas sabemos que ele ligava até demais. — O que viu de tão diferente? — O gaúcho mais se intrigou.

— Quem eu realmente amei foi Victor Barcellos Schiavon. Foi o Victor, ele era um significado lindo e inspirador para mim quando mal tinha inscritos ou qualquer merda! — Aquela incerteza do homem quando uma fã aleatória tinha entregado flores. Então, Ribeiro amou — mesmo que esconda o sentimento da paixão incurável — quem ele mostrou. O coração dela sentiu e reconheceu — Nunca foi pelo Gemaplys, Yung Li ou aquele abobalhado dos canais de gameplay! Eu amei o Victor do início ao fim, seja uma versão ilusória ou não, naquela época. — Dizia.

— Nossa, Lydia, nem sei o que pensar…

— Eu posso afirmar que: implorei, dediquei, sofri, desejei. Fiquei com vários, mas nenhum deles me fez esquecer! Quando te magoei foi mesmo um choque, poderia ter a oportunidade de me desculpar, mas você não aceitará. — Esticou uma das mãos e respirou. Os tons cerejas suando devido ao calor. Sentindo um frio na pele. — O mundo contigo era colorido e belo. Posso não ter te visto na vida real? Sim, mas o meu coração soube quem era você. Uma pena ter só dito pra você exatamente nesse momento! — Assim ela finalizou, deixando o youtuber incrédulo, sem motivos para refutar ou debater. Na verdade, queria abraçá-la e beijá-la. Mas não pôde fazer!

Ninguém entenderia o quanto amar Schiavon não foi besteira, não foi nada platônico. Eles existiriam um para o outro, a ruiva conheceu quem seu coração mostrou, quem verdadeiramente era o gaúcho atrás de câmeras e edições malucas!

— Meu sonho era que você fosse a única, mas você quebrou a porra do meu coração!

— E você quebrou o meu!

— Lydia, realmente acha que deveríamos ser amigos?

— Amigos? Você tem algum parafuso solto? — Indagou hostilizada. — Vai se foder, ser sua amiga deve ser uma merda, depois de tudo!

— Realmente.

Lily ficou estática por um segundo, ignorando a raiva e voltando raciocinar:

— Espera, por que amigos?

— Por isso.

Ele então chegou mais perto de seu rosto e lascou um abraço na mulher, fortemente. Os dois querendo chorar, os dois querendo se beijar, mas não faria sentido, fizeram merda! E agora? Poderiam expressar isso nem um abraço, Lydia sentiu o calor de Victor. Aquele corpo encaixado no dela, não deu para segurar. Chorou, o casal estava a ponto de chorar, enquanto abraçados, Victor e Lydia pararam por uns segundos, mas depois daquele abraço o homem virou para ela e disse.

— Vai depender de nós mesmos!

Lydia voltava a respirar:

— E-eu…

— Me desculpa, desculpa por tudo.

Victor saiu, deixando sua fantasma calada.




"Nunca pensei que sentiria falta do agridoce
Eu desperdicei esse anos
E perdi meu senso de gosto
Porque todos os seus amantes acabam desaparecendo
E te deixam sozinha na bagunça que você criou
E todas as cores que se transformarem em cinza não significarão nada”


Feel Something — Jaymes Young


JOGANDO UMA PARTIDA DE UNO COM AS MENINAS, aproximadas na piscina vendo os rapazes darem mergulho e xingando mutuamente. Lydia mostrava o bloqueio tirando a vez de Alessandra; ficando Gabi e Flora — Valadares com 4 cartas e Jerozolimski comprando mais duas — lançando a carta de número 08 amarela, agora o jogo iria ficar desafiador! A ruiva mais nova olhou que não tinha nenhuma amarela e nem do mesmo número.

Gabriella jogava duas, ficando somente com três em mãos, Lily odiava perder: "Heh, quero ver aguentarem essa!" Atrevida sem estribeiras, lançou a +5, pronto, a taróloga teria que comprar mais cartas! Um riso seco vindo de sua lábia, Alessandra retornou na partida. Ribeiro dera um leve riso, enxergando suas 4 cartas; prestes fechar a partida, estreitos foram seus olhos na mesa.

Flora escolhia azul; foi quando Lydia jogou suas últimas cartas e gritou UNO, ganhando pela quinta vez. Olha, só! Tinha uma sorte de ouro, essa menina, hein? Batia a destra na madeira empolgada, tirando risadas das outras mulheres.

A Valadares indignada havia desistido e Martins somente levava na boa, aquela ruivinha tinha mesmo uma habilidade descomunal quando o assunto era estratégia. Escapando um palavrão sem querer, a museóloga cruzava as pernas embaixo da cadeira olhando os homens relaxando na piscina, o sol diminuiu — exceto a quentura na pele, manchando feridas e extremamente de costas vermelhas.

Lydia havia trocado suas roupas por um biquíni vermelho marsala, realçando o decote dos seios e a beleza de sua cintura retangular, brevemente a brisa fustigando madeixas avermelhadas, plenitude em si.

No entanto, a paulista não parou de recordar da cena onde Victor lhe abraçou se desculpando, querendo ter sua amizade depois de brigas, discussões e xingamentos. Seu coração amoleceu, sentiu mudanças nele? Quis repensar no passado e excluir na medida que pode encarar o contratempo no presente. Suas palavras não mais eram fatais ou agressivas, eram melancólicas, buscando redenção.

Mas ela soube tê-lo magoado e prejudicado também, Ribeiro iria se desculpar pelos atos que cometeu naquele turbulento passado com Schiavon? Iria crer que se arrependeu por suas amizades doentias? As razões eram claras: perdoar e seguir nunca consiste em ser justo, a mágoa permanece! Não obstante, procuraria soluções para aquilo que desacreditou de imediato, Lydia e Victor quiçá mereciam outra chance — não sendo mais um casal, eles mantendo-se como amigos? — dependeria da percepção da ruiva, entendendo finalmente como lidaria com isso.

Claro, nada prático, convenhamos!

Estalando os dedos em sua cara, a mulher voltava focar nas outras amigas não parando de reclamar sobre suas habilidades no jogo, Lydia fingia que era nada com ela, dando aquela de sonsa. Gabi enfim dissera algo quebrando completamente o silêncio:

— Ganhou de novo sua safada! — Bateu em seus ombros. Um semblante cômico destacava-se. — Me ensine suas estratégias na próxima. Vou precisar compensar as meninas.

— Nem me fale, deveria ganhar um troféu por essas partidas — Jerozolimski debochou. — Gente…

— Huh, dei sorte! — Convencida e dando-se por vencida, riu sôfrega. — Só posso dizer isso!

"Ela mudou de uma hora para outra? O que deu nessa louca?" A outra ruiva indagava esquiva, querendo adivinhar a causa de tanto exibicionismo. Lydia horas antes localizava-se agressiva e grosseira, numa fração de segundos parecia se importar com nada; somente brincando e rindo, algo não batia, certo?

O trio de mulheres tomava atenção em deslumbrar a vista aquática da piscina, Gabriella gravava um vídeo abraçando Flora mandando beijos na câmera, fazendo caretas. A gaúcha desfrutando o baralho de UNO em cima da mesa teve outra ideia: jogar uma partida de tarô com Jerozolimski e Ribeiro e saber como categorizar o equilíbrio de ambas as garotas.

Foi quando reparou na paulista saindo da cadeira, porém impediu que saísse propondo um jogo astrólogo com sua outra melhor amiga.

Cutucando o ombro de Lydia, entendeu que a ruiva olhava demais para Victor por algum motivo específico — quer dizer, nem um pouco especifico para início de conversa — será que havia rolado um envolvimento amoroso? Gabi questionava intrinsecamente, pois sua amiga sequer pertence aos sorrisos abertos; porque Lily costumava manter o semblante neutro fechado.

Talvez o oráculo diria os fatos emocionais! Ninguém escondia de Gabriella Valadares, respostas das estrelas e deuses na ponta da língua. Flora aceitou participar da jogatina, Alessandra pediu licença querendo dar um mergulho.

Sentando-se novamente e atenta no que a taróloga iria proporcionar para as duas, ela entregava um adendo para as ruivas:

— Mentalizem suas situações que o oráculo dará tudo que precisam!

— É mesmo necessário? — questionou Ribeiro de carranca expressiva. — Os planetas querem uma folga, deixe um desconto!

— Nunca irei parar, querida! — Bateu os cotovelos na mesa, estreitando os olhos na ruiva obstinada. — Ok, sabia que não teria apenas o Uno nessa mesa. Vamos lá, gatinhas, respirem fundo comigo.

Mais adiante foram esticando suas mãos no baralho, inspirando levemente. Gabriella segurava as cartas juntando uma na outra, meditando e soando palavras que jamais gostava de soltar em voz alta.

Mostrando um trio de cartas douradas novamente o 9 de paus, 3 de espadas deram sinais, porém uma intrusa chamou atenção: a temperança.

Uma imagem de um arcano feminino com dois jarros nas mãos, vestindo um traje vinho, reluzentes as penas de suas asas tais como sua coroa de flores rosas. Torceram para que não viesse bomba! Lydia e Flora nem cogitaram ter outros focos; o que Gabi mostraria? Tenso!

Grudados ficaram os orbes das mulheres nas cartas, fixadas no brilho que causavam.

— Primeiro começarei analisando a Lily — Bateu uma palma rapidamente, um sopro entre os lábios. — O 9 de copas representa: "cardápio dos desejos realizados". Nela se indica alguém feliz e satisfeito. — De fato estranhíssimo, porque aquela ruiva estava longe de ser alegre, entretanto mudanças foram anunciadas, não é mesmo? — Aqui está dizendo explicitamente que sabe bem o que busca e quer!

— O universo não mentiu! — balbuciou impressionada escondendo um orgulho próprio. — Se eu não tivesse buscado, estaria morrendo de fome e presa no escuro.

— Amiga, no caso, esta carta reflete o momento presente — explicou Gabriella. — Provavelmente trará boas energias daqui para frente, mas lembre-se que o tarô não é livre-arbítrio, isso dependerá de si mesma!

— Quê?

— Sim, senhorita!

— Tá certo, deixo passar.

— A temperança fala algo mais contrário, vamos explorar com mais calma — Diretamente sua resposta estava no alcance. — Essa carta traz ideias de paciência e de saber quando é o momento certo de agir ou de esperar.

— Devo aguardar mais? — indagava Lily sem compreender rapidamente — Pelo quê?

— Bom, pelos seus sonhos — concluiu a leitura de Ribeiro, transferindo para a de Flora. — Agora, vamos para você, minha querida amiga Florzinha! — Tocava de relance em suas bochechas, reagindo à museóloga numa careta engraçada. — O conselho da temperança está sendo o mesmo para Lily, mas… O seu caminho, pode ser muito bem-visto se quiser!

Flora piscava duplamente os lumes castanhos surpresa, sem nenhuma fala para citar.

— As deusas e meus guias sabem o que dizem! — Compatíveis foram as pintinhas de seu nariz se mostrando. O sol estava procurando sumir assim nascer o luar, portanto tinham que serem rápidas. — Isso faz sentido, amiga?

— Faz! — Riu de maneira sutil e não muito empolgada. — Quero um semestre de vitórias e dinheiro.

— Preste atenção no 2 de espadas, vai gostar de sua leitura — Valadares inquiriu, a museóloga calou-se querendo adivinhar qual bomba estaria chegando na próxima semana. — Sua vida profissional está tranquila, no entanto, possivelmente irá enfrentar dilemas emocionais…

— Dilemas? — Flora embasbacou, seria algo relacionado com sua nova colega de quarto? Observava Ribeiro apertando as cordas de sua roupa de banho. Aguardando Gabi terminar para refrescar antes do entardecer sumir. — Me deu nervos à flor da pele, caramba, garota! — Sempre uma notícia caótica.

— Relaxe, princesa — amansou a ruivinha, batendo os dedos na mesa. — Achará uma solução.

— Beleza!

— Em resumo, vocês duas precisam se encontrar e viver. — Retirou as cartas e organizou no lugar que estava. — Foi isso! — Enfim, aproveitou para descansar.

— Legal, gostei bastante — a paulista ufanou sem rótulos, notando o gaúcho parado na multidão. — Garotas, me deem licença, vou nadar antes que o sol suma. — Se despedia.

— Ok? — Estranhava Flora, pois a mulher de cabelos cereja inevitavelmente não disfarçava a observação em Schiavon. — O que deu nela, Gabi?

— Também estou me perguntando. — Roeu um dos dedos, notando-a andar rebolando em direção à piscina, espirrando água e rapazes mergulhando. Palavrões e cabelos sacudindo. — Muito suspeito!

•••


Submergido na densidade da água, o gaúcho relaxava os sentidos escorado na borda da piscina apreciando nuvens escuras resplandecentes, eram mínimas estrelas surgindo, todavia alternou-se a temperatura do fluido — se aquecendo — ligando os holofotes embaixo da camada.

A lua veio para sua morada excluindo o sol. Victor numa fração de segundos resolveu investigar o comportamento besta de seus amigos: Davi cambaleava após tomar 3 latas de Heineken e Luan o sustentava no ombro; era nenhuma surpresa que em todas as viagens alguém saia bêbado ou vinha aprontar uma imbecilidade.

Entoando uma música aleatória de Bruno e Marrone, por vezes cambaleava e ria alto, eufórico de alegria! Luan jogava respingos na feição do homem mais novo que rejeitou pigarreando um xingamento, Alessandra — igual em toda roda de amigos teve obrigatoriamente que gravar o momento; só assim para uma resenha virar sensacional e inesquecível!

O Pires acudiu Freire, que saiu da piscina e deitou no chão sussurrando qualquer merda: "Jéssica, volta pra mim!" Quem caralhos era Jéssica? Ixi, viajou!

Desfrutando a tragicomédia do amiguinho bêbado, Victor negava com sua cabeça por um semblante meramente jocoso. No entanto, a visiva silhueta de uma figura ruiva em tons cerejas nada familiar, aparecendo belíssima com seu biquíni deslumbrante onde era significativo o alheamento do mais velho.

Embora Lydia tivesse um busto médio e fosse magra, não deixava de ser sensual para alguns. Henrique ativou a cascata embaixo da profundidade que rapidamente deixou o movimento barulhento d’água.

Ribeiro ergueu seu pescoço no lado direito, suportando a calorosa noite, aterrizando fios das madeixas molhando suavemente; onde seus músculos relaxaram deitados na temperatura gélida de sua carne.

Saindo da escadinha e navegando, as pernas acelerando, posteriormente ritmicamente os pés trabalham sincronizadamente, quase comparada a uma sereia encantadora!

Molhadas eram suas avermelhadas cabeleiras submersas e movimentadas enquanto boiava poucos segundos. Schiavon mentalizou consigo aquele fantasma divagando nos espaços somente inertes sob ela, o youtuber lavou sua feição rosado pela luminosidade dos raios solares, pálpebras ardendo pelo cloro.

Lily andou batendo os pés na profundidade — os outros rapazes também não conseguiram se distrair pela dança corporal da mulher — Victor queria virar para outra direção, mas falhou.

"Ela sabe bastante como tirar um homem do sério!" A testa respingando suor, ele a qualquer custo ignorava avistar a beatmaker, entretanto sequer parou em perceber que alguns haviam se afastado. O carioca saiu com o outro gaúcho e por um instante: Ribeiro e Schiavon agora ficaram a sós!

O homem girou de lado contrario e por ali um silêncio sem rodeios surgira, tocando seus calcanhares no fundo, áspero e escorregadio. A mulher ruiva também recuou, notou mais presença e quando sentiu um ombro encostado sobre o dela, acabou tomando susto, vendo que o youtuber no qual havia afogado seus demônios nas palavras entre horas passageiras.

Eita que inusitado! Juntinhos e sem iniciar um assunto. Lydia apenas piscava e Victor rangeu os dentes, puta merda, agora tornou-se muito tenso!

Cadê todo mundo? Quem socorreria ambos do constrangimento, baseou-se em reconciliação, mas como faz isso? A ruiva queria não o avacalhar e o ex-namorado de anos esquentando interiormente, imagina se acontecesse uma cena de filme com musiquinha brega no fundo? Porra, era a idealização mais imbecil e ridícula para Lydia! Ele desviou e ela cabisbaixa.

Dedos chocando um contra o outro, foi então que Victor deixou de ser lerdo, começando um assunto relacionado o sumiço do pessoal que por fim fizera a mulher se envolver:

— Nos abandonaram, puta que pariu nem vi!

— Pode crer. — Dera um sopro para o alto. — As minas estavam na mesa e, num pulo, geral vazou!

— Sei lá, talvez a Lessandra deve ter começado a live dela. — Alongava o papo, brincando com a água com os dígitos. Sua pele estava demasiadamente queimada do sol, isso que acontecia quando ficava horas dentro da piscina! — Ai! — Sentiu a ardência do braço. — Sol desgraçado! — Certo, onde ele queria chegar? Teorizava a paulista que tentava buscar sua atenção, mesmo fingindo não insinuar-se romanticamente para o gaúcho. — O que vai fazer? Ficar moscando ou ir ver os outros?

— Moscando o caralho, eu hein! — Rebateu no estilo clássico que habituava a folgados interesseiros. — Ei, cê tá aparecendo o Majin Boo, com a pele rosinha desse jeito! — gargalhou o vendo balançando a cabeça em negação.

— Boa tentativa de me zoar, garota! — Jogou água em sua cara querendo tirar proveito. Vendo a cara dela toda molhada. — Agora tu engoliu água, otária!

— Filho da puta! — Riu alto, começando os dois fazendo guerrinha, o barulho estrondoso. Victor indo até a ruiva que reagia divertida e provocante, começou a bagunçar seu cabelo, posteriormente ela fez o mesmo querendo o afogar, puxando seu pescoço para baixo — Vou te matar! — Gritou o afogando lentamente. Muito bonitinho, hein? Nem pareciam ter a idade que aparentavam! — E agora?

O youtuber xingava de modo cômico a mulher que sorria ácida para si, puxando seus cabelos de levinho. Impedindo aquela violência arquitetada, jogou Lydia para sua direção, pegando seus braços e levando-a distanciadamente.

Riram e nem pareciam que haviam se matado de xingamento e provocação. Era uma alegria momentânea e lembranças dessas tinham que estar na história complexa de mágoas deles; o coração de Lydia purificará do rancor assim como o de Victor? Antes de terminar a brincadeira, Schiavon puxava a Ribeiro colada em seu corpo, merda! Eles iam se beijar? Não, impossível!

— Agora, o quê? — A desafiou olhando sem parar essa onde respirava ofegante pelo impacto. — Hum?

"Droga, me fodi!" Lydia ficou presa e sem para onde sair, um ar de hortelã saindo dos lábios. O semblante corado e um formigamento na barriga: "Ele quer se bancar de conquistador? Tá fazendo muito mal. Nossa cara… que coisa fofa me encarando, não seria justo mentir assim!" Os pensamentos lascivos de querer devorar a boca dele por beijos ou dar um chupão lhe alfinetaram contudo o deu um empurrão.

— Qual foi, Victor! — Esquivou do mais velho sem dar mais palco naquilo, embora quisesse demais o beijo dele. — Ok, beleza, você ganhou! — Desistiu de aproveitar a piscina saindo pelas escadas.

— Fraca! — Riu da cara dela o vendo dar o dedo do meio. — Espero que a gente se ame de novo. — Resmungou observando ela sumir do ambiente.

Eles sentiram algo inovador, restava ver como andaria para frente.




“Ela não é
Do tipo de mulher que se entrega na primeira
Mas melhora na segunda e o paraíso é na terceira
Ela tem força, ela tem sensibilidade
Ela é guerreira, ela é uma deusa, ela é mulher de verdade

Ela é daquelas que tu gosta na primeira
Se apaixona na segunda e perde a linha na terceira
Ela é discreta e cultua bons livros
E ama os animais, tá ligado, eu sou o bicho

Minha mente, nem sempre tão lúcida
É fértil e me deu a voz
Minha mente, nem sempre tão lúcida
Fez ela se afastar, mas ela vai voltar
Mas ela vai voltar”

Ela vai voltar (Todos os defeitos de uma mulher perfeita) — Charlie Brown Jr



MUITA DANCINHA GENÉRICA E RISOS ESGANIÇADOS GRAVADOS ATRÁS DE UMA TELA PARA UM CHAT SE DIVERTIR! Alessandra e Gabriella interagiam com o público em frente às câmeras gesticulando os braços e imitando um animal. Flora deitou em um sofá distante, assistindo elas sendo palhaças. Claramente jogavam no kinect da sala alguma música do Just Dance, sendo uma das mais genéricas possíveis; nada relevante de preocupação, tudo em seu devido lugar! Tudo de bom nelas.

Jerozolimski cheirava a si mesma e percebia que deveria obrigatoriamente tomar uma ducha quentinha para aquietar os nervos e calafrios que sua companheira de quarto havia lhe distribuído. Um dia evaporando e lembrava uma eternidade, doeram os músculos das pernas! A mais nova ergueu-se para fora do sofá tampando o rosto para não ser identificada pela câmera do notebook de Alessandra, ignorando a plateia.

A sintonia de rebolados e giros após inúmeras palmas, quadris rítmicos. As duas gaúchas contagiaram o público virtual mesmo que um amiguinho bêbado gargalhava falando molenga. Restava Victor e Luan gravarem o momento, sendo este o ritual do grupo: se o seu melhor amigo cair na desgraça ou tropeçar no degrau de uma escada, não socorra, abra sua câmera e filme!’ Uma garrafa de Skol vazia embaixo do sofá. O homem acenou educadamente, saindo do local correndo tampando a cara.

No banheiro mais afastado do casarão, a ruiva devido uma ansiedade espontânea, hiperventilava com leves tonturas, abanando suas mãos porquanto reparava na curta memória de sentir batucar seu peito quando aquele maldito gaúcho nerd zombava de sua feição encharcada de água, chegando quase em seu rosto… respirando e assentindo espécies de novos contatos íntimos, no entanto, negou!

Lily, trancada no chuveiro, olhava ao ralo pingando o restante do líquido escorrendo por sua juba, deslocando os calcanhares. Sua pele era friorenta e arrepiada; não entendia as circunstâncias que a levaram nesse ponto.

Ribeiro alcançou sua destra na válvula jorrando uma temperatura gostosa sob o rosto e cabeça, tirando o biquíni, torcendo e apoiando as peças de banho na vidraça do box. Dava sutilmente para enxergar sob a fumaça abafada — unhas grudadas nos ombros acariciando os braços e mãos — linhas de sua cintura. Ela supostamente desejava uma companhia naquele banho não somente na piscina.

O modo brincalhão despertando entre eles e a risada singela adocicada que protestou no clima. Ela nunca havia presenciado felicidades com o ex-amado na vida real, pois ocorria justamente entre mensagens e chamadas de vídeo. A forma deles encarando ambas cores de olhos, mesclando tons âmbares nos tons esmeraldas, sequer um flerte gravitacional, todavia um final de fúria, será?

Lydia prescrevia uma nostalgia de cinco anos atrás, onde era belíssimo ligar para Victor em noites frias ou quando tinham nada para dizer ouvindo canções favoritas. Querendo a mão dele esfregando em sua face; um rosto salgado choramingando deitado em seu leito. Aquilo crescia nela um incontrolável tesão.

Uma quentura e molhado entre as pernas juntamente por um afago implicitamente excitado, querendo encostar levemente nos grandes lábios e clitóris, no entanto, a paulista recusou erguendo a cabeça. Não, seria idiotice masturbar-se para um filho da puta daqueles ou será que continuava sendo um?

Valeria desejar e cogitar nele, uma quimera onde estariam outra vez se agarrando? Beijando e fodendo iguais dois animais selvagens? Lily soprou para o teto decepcionada pelos acordados eróticos sonhos.

As cenas irreais mais a convém estimulando sexualidade, não obstante, negava com sua cabeça em balanços. Focando em outra alternativa, a mulher pescava em cima da saboneteira uma bucha espirrando sabão líquido baseado em aromas de frutas vermelhas, criando uma espuma fofa e colorida.

Passando calmamente nos cotovelos, braços, ombros e antebraços. Indo para seu pescoço e clavícula exercitando os músculos, quando iria ensaboar seios e nádegas, revinha a sensação anterior e vontade incontrolável de se tocar: Puxa vida! Mas o que diabos está havendo comigo? A textura áspera coçava os mamilos e mais sua pele arrepiou!

Lydia gostava tanto de se pagar como uma tonta que o creme na cabeleira derreteu sem perceber, quase cegando sua visão. Ela queria… Queria repetir o momento, Lydia queria — sentir ele inteiro dentro dela — Schiavon compartilhando seu banho!

Jaziam-se exatamente uns bons anos que Ribeiro não se masturbava com frequência, mas naquela hora fora impossibilitado segurar embora seguindo distrações a beleza do youtuber lhe guiavam num abismo sexual sem nenhuma linha racional! A ruiva engolia em seco, porém os dígitos de sua canhota iam rapidamente aos cantos que havia explorado minutos atrás. Merda, quando foi a última vez que fez isso?

Ah, lembrou vagamente: foi em meados de abril de 2018, quando o relacionamento virtual tinha seus últimos dias para ter seu desfecho. Nossa… aquela última ligação quente! Schiavon tinha vergonha nenhuma de elogiar sua cinturinha e bunda. Ih caralho! Agora ela teria logo de entregar a essa lembrança.

Como o seu corpinho pode ser lindo assim gata? Porra, gostosa demais! — Outrora combinavam sempre entre meia-noite e por vezes duas da manhã para transarem mesmo sem toques físicos ou com aquela loucura na cama, inúmeras fantasias que o casal desenhava na mente.

Sabiam que a melhor forma de pensar no sexo também poderia ser mentalmente? Lily testou isso e comprovou. Porque mesmo que tenha feito apenas com um cara pessoalmente, a sensação de imaginar a balançar o colchão da cama era menos decepcionante.

Desça mais sua câmera… — O gaúcho implorava para que seu fantasma de cabelos cerejas na época demonstrasse mais perversão. Ela recordava muito bem o quanto adorava encostar-se no travesseiro completamente nua. Sua língua divertindo-se nos beiços e mordiscando.

O homem delirando e dizendo entre gemidos quão era devastadora sua vontade de beijar sua amada, tirando sua camisa para ela mostrando o tronco definido e suas poucas tatuagens. Ele descendo até os joelhos, rindo malicioso.

A melhor parte com certeza era seu semblante safado por trás das lentes de seus óculos quadrados. Análogo como um personagem saído de um eroge. Lydia tremia suas pernas e mais os bicos do peito coçaram! O relógio havia batido e a mulher ficava com o telefone apoiado na cabeceira; sorrindo pequeno e levando suas mãos na região íntima inteiramente úmida e rosada.

Sob as costas meio arqueadas para frente, ela moderadamente abriu suas pernas e foi tocando e tocando sua boceta gemendo olhando para trás, sem parar de arranhar sua coxa através das unhas afiadas da mão direita e os dígitos da esquerda trabalhando no clitóris.

Ele perdido naquele paraíso atrevido! Estocando lentamente e agredindo na entrada profundamente, acelerando e deixando bem mais realista. A beatmaker e o youtuber atingiram um clímax intenso e ritmado.

O rosto do mais velho quase chorando de tanto que sua amada excitava-o naquelas voluptuosas posições, seu pau nem aguentava!

Sabe como estou agora, Lily? — ele perguntou.

Sei… Eu sei muito bem! — Ria lasciva, continuando e sequer parando o ato. — Encoste mais, amor.

Batidas na porta fizeram a paulista acordar para vida, notando ter sido observada tampando a boca envergonhada. Ao tentar se recompor e tirar a água do corpo; assim fechando o chuveiro, pegou sua toalha enrolando contra o corpo.

Mais batidas — bem violentas agora — se protestavam. Lydia jogou a madeixa para os lados e correu para verificar, abrindo devagar… Vish, adivinhem quem era? Flora! Numa carranca estressada aguardando a madame sair do banheiro.

A mais velha de bochechas rosadas e testa queimando notou a colega de quarto suspeitar de sua demora. Jerozolimski não poderia recusar seu pensamento que era bem mais atraente do que ela. As olheiras muito fundas e fios caindo gotas d’água. A visualizar de cima para baixo.

Esquivando da fixação que a museóloga ficava lhe abordou com sua grosseria proposital:

— Tá querendo me dar agora, filha?

— Hã? É o quê? — A museóloga boquiaberta e totalmente enojada com as palavras machistas da outra mulher. — Oh garota, você tava fazendo o quê nesse banheiro? — Sobrepôs os punhos na cintura.

Lydia, quase cuspindo, ignorando um breve engasgo, revirou a cara, cogitando em uma resposta decente. Fomos carregados de aprendizado sobre quão tempo exagerado passa rápido; no caso da paulista, passava uma eternidade em seus delírios. E quem disse que Jerozolimski tinha direitos de intromissão? Não pode ter mais privacidade nessa viagem? A mais velha se irritou com sua burrice!

— Tomando banho, sua jeca! — Deslizou a cabeça embaixo de seu braço, trocando de lugar escorando na parede fria. Xingando num ataque ardiloso a baixinha escabreada — Na boa, pare de me encarar! Isso está ficando bizarro. — Afinal, o que elas tinham para transformar o desentendimento nessa rivalidade? Que ridículo! — Aff, quanta curiosidade hein! — Bufava limpando o rosto molhado com os dedos.

— Heh, consigo perceber! — debochou a museóloga sabendo delicadamente os sons estranhos no banheiro. — Já quero dizer também de antemão: pare de me insultar, fiz nada contigo.

— Insultando você?

— Não tente dar uma de sonsa, mano! — rebateu fazendo a máscara de vitimismo da outra ruiva despencar. — Bonitinho querer disfarçar sua invejinha por mim e novamente soltar os cachorros! Eu não tenho nada mais com o Victor e sugiro que me respeite mesmo me desprezando, é o mínimo!

Oh garota implicante viu? Vou me segurar até quando para não voar no pescoço dela? Um trincar entre os dentes rachando por dentro da boca. Eu nem falei do Victor. Revirou os olhos se afastando mais um pouco.

Noutro acontecimento, a ruiva de tons cenoura enquanto lia os movimentos dos lábios de seu ex-namorado absorvia suas palavras confusas, expressando um formato de linguagem nunca vista por ela.

Victor repensava em qual personalidade Flora tinha se apegado e mais apertava seu coração, querendo secar o céu da boca!

Agora observando Lydia agindo que nem uma adolescente com ciúmes dos amiguinhos, concluiu que era mesmo uma alma gêmea para o homem — dois chatos e bobocas em ascensão, convenhamos! — porque cinco anos separados numa tela significaram muitas coisas nos primórdios.

A paulista buscava espaço deixando que sua colega de quarto falando sozinha, mas invés de calar a boca e não discutir ela meteu o seguinte ultimato:

— Ah, garota, vai logo tomar seu banho e mete o pé! — Ela recolheu o biquíni molhado e roupas limpas saindo do cômodo. — Pode usar, beleza? — Bateu as mãos nos quadris passando reto. Flora estava se achando demais para seu gosto.

Eita, mas como essas duas iriam dar trabalho em simplesmente dois finais de semana!

•••


Estrelas luminosas e uma espreguiçadeira na varanda, assim relaxava Victor solitário sem nenhum ressentimento, pegando alguns sorrisos distraídos ao lembrar da cena com Lydia. Nada era pacato e jamais se arrependeria da viagem; fez um bem danado para sua caixola!

Para um início de amizade era reconfortante conter novas lembranças no arco desastroso de ambos, mas incertezas da mudança descuidam sem pestanejar.

Schiavon, devido sua pele ardida e vermelha, recusava tocar nas feridas e ao contrário dos amigos dançando e gargalhando, o youtuber se apresentava desacompanhado no quintal. Mandando fotos da vista para um grupo do WhatsApp com Jean, Rodrigo e Leandro.

Um emoji de risadas e figurinhas em GIF também zombando de sua cara queimada, lendo as mensagens devagar, notava o grupo agitado e compartilhando vídeos engraçados — era como se favorecer humor tornasse rotina — de humor edgy.

O Ximenes mencionava o assunto da viagem, mas Victor não dera muitos espaços de interação, ele disse que o sol estava um inferno, Davi chorando bêbado no chão, quase um clima assustador na hora do almoço.

Lily gostaria de socorro naquela hora e quando Victor percebeu que era chance de uma redenção, notou os marejados lumes brilharem como nunca na vida! E seu abraço tinha aquecido eles.

A retribuição de um carinho físico por alguém nunca vista e tocada por ele, havia sonhado em vidas anteriores que encontrasse a ruiva choramingando em seu ombro na primeira interação fora da internet; sentindo ela ser mais baixa que o gaúcho, caminhando de mãos dadas pelas ruas e beijando levemente os doces lábios rosados da mulher no anoitecer.

Embora Itapecerica seja uma cidade feia, ele não ligaria para os asfaltos ou bares insalubres, seu interesse era Lydia e apenas em Lydia! Uma pena terem vacilado.

Contando as estrelas silenciosamente, o gaúcho suspirava para o alto e coçava suas pálpebras irritadas, queria estar imóvel, em contrapartida, acabou virando o rosto para trás notando que seus amigos conversam alto e bebem agitados. Porventura… deveria trocar a chatice de ser transparente e movimentar-se na multidão!

Capaz de não sair daquela rotina de trancar as portas do quarto e mixar o dia inteiro no FL Studio — jurava também alterar seus typebeats invés de logo mandar para o Bife. Será que futuramente os projetos musicais deixariam de ser piadinhas e focados em passagens cotidianas?

Acho que ela merecia uma canção, e se eu cantasse? Pensou inquieto com as mãos nos bolsos. Estalando os dedos dentro deles. Victor sorria e falava com sua pessoa, até que foi pego de surpresa.

Ribeiro chegava usando um vestido florido amarelo de cabelos amarrados com fios jogados para cima.

— Mas que puta tédio nessa casa! — ela resmungava frente a parede, tomando um copo descartável com caipirinha e vodka balalaika. Lydia estranhamente conseguia ser a mais sóbria do grupo. — Uh! — Esfregou o braço no nariz tirando o suor da face. — Sorte minha não mais ter problemas de raiva. — Reclamou baixinho porque sua colega de quarto, após encher o saco dela no banheiro e dar aquela patada no carro, também entrou no quarto invadindo o espaço pessoal da mais velha, jogando no Switch em cima de sua cama.

O youtuber surpreso naquela presença especial da mulher novamente reparava nela agitada, intrometida, querendo puxar outro assunto com Lydia. Todavia ela deu as costas, depois lentamente resolveu sentar no chão de pernas fechadas. Ela sequer aparentava estar contente, diríamos que de saco cheio dos outros para sermos mais convincentes.

Ribeiro não suportava guardar para si mesma essas lições de moral que Gabriella citou sobre respeitar outro sofrimento, enquanto Flora se dava bem com Victor embora ambos tenham finalizado sua falsa história amorosa, mas aumentava um ciúmes incompreendido nela? Supera! Ela tinha que jogar essa merda no lixo, iria beneficiar muitas qualidades e aberturas de outro ciclo — mesmo sem Victor.

Ele minucioso nos pormenores dela largava o celular por um tempinho para querer dar atenção naquela mulher que trocava olhares mínimos com o gaúcho, porque Lily odiava quando o peito apertava e um redemoinho de solidão frustrante carregava abstinência em si, pesquisando nela mesma veredictos de tudo ultrapassando sua cabecinha tola tremendas bobagens!

O chão duro sustenta a friagem. Victor ergueu mais as palmas frente a feição suando; arrependendo-se por ignorar uso de protetor solar, a ruiva brincava enrolando seus fios cerejas soprando para baixo, chega de corpo mole, deveria logo reagir!

Situando-se na presença da paulista fora primeiramente tencionando licença, dando espaço para ele a ruiva ficava de costas fazendo então Schiavon o mesmo, imitando sua ação, calhetas que isto seja uma maneira de Lily querer conversar sem incomodidade — cara… as lembranças quentes no banheiro! — na dupla de corações em processo de reconstrução.

A analogia de estarem separados na tela, agora era composta por ambos grudados sem olhares diretos nos rostos, dando um drama no clima, talvez mistério.

— O fim dessa noite parece muito lento, não acha? — De joelhos contra o rosto, o gaúcho levantou a cabeça no ombro dela em um semblante inquieto. Será que também estava igual? Nada animado?

— Tira esse cabeção do meu ombro! — Ela o empurrou de leve com a canhota vendo que havia se desculpado rapidamente. — Safadinho você, hein? Querendo se acomodar em mim. — Riu juntamente desenhado no contorno de seus lábios um sorriso premeditado. — Sobre essa noite, para mim está neutra. Queria aproveitar com as meninas e aparecer na live mas… — Mas implorava, persistia e segurava para dizer que estava com vontade dele. De encostar nele com mais pressão… O beijar pra cacete. — Ah, isso não é assunto seu, Victor! — Uau, que espertinha era Ribeiro camuflando o óbvio! Pena que homens como o gaúcho eram sonsos para compreender facilmente, contudo foi tentando abrir novamente outras emoçoes sem cessar. — Foda-se! — Bufou remexendo a cabeça.

— Ok, beleza. — Uma ansiedade querendo arrombar sua portinha de novas chances, em contrapartida optou pela possibilidade de ir alongar-se sem pressas. — Tentei ser maneiro contigo, mas cê fica cortando, poxa! — O antojo da noite vindo com força, aquela conversinha fiada ficou cogitando a beatmaker.

— Na moral, pra ti, essa noite tá significando o que?

Significa eu querer calar sua boca essa noite naquele jeito que sempre falamos em madrugadas. Nesses cinco anos brigamos, discutimos, choramos; vacilamos, mas puta que pariu! Que mulher ruim de olhar, caralho eu quero muito mais do que ficar olhando… mas insiste em passar a vontade!

Caralho, o que minha mente quer? Para mim era uma vacilona, no passado essas mágoas insistiram que era uma grande filha da puta traidora… mas por algum motivo quero ter você, quero chorar no seu ombro e dizer que me arrependo mas não em abraços. Fazer muito mais!

Os seus olhos, o seu corpo naquele biquini… Porra o seu cheiro! Tá ainda fingindo? Sabe que estou morrendo e mais te dando mole, garota!


Puta merda, em anos nunca imaginou que ficaria agindo igual um cachorro no cio, nem se reconhecia!

— Uma bosta! — Cruzou as pernas se segurando, pois lembrar daquele biquíni fez suas calças darem sinais. Limpando a garganta, retornando em sua grave meio suavizada. — A sua?

— Idem… sabe quando diversão tem preço de validade? Basicamente assim que me sinto! — disse ela fechando suas pernas e balançando os pés. — Eu devo ser careta e desacostumei ficar com amigos.

— Faz sentido para quem morava no quarto — alfinetou a vendo reagir de modo indiferente em um muxoxo nada satisfatório. — Você demorou para se socializar, tudo bem estar nessa ainda.

— Realmente.

— Me pego lembrando das vezes quando chorava nas ligações, literalmente desesperada. — Um assunto delicado veio à tona. Como esquecer de Lily assustada com o futuro? Implorando para sair de casa, viver como alguém normal. Victor se esforçando em deixar sua fantasma de madeixas cerejas, segura. — Odiava te ver triste, era horrível!

Uma vez Ribeiro havia se auto-mutilado e perdido a fome. Vomitando e dependendo de água, ela não tinha contado no entanto… as cicatrizes dos cortes aparecendo sem querer para Victor. Ele parou tudo por sua amada no passado; por sorte ela tinha parado de fazer isso com sua pele — mesmo que sua depressão grave a perturbasse tão nova.

— Sim. — Por que ele foi citar este assunto? Lembrar justo daquilo? — Vivia na coitadolândia e destruí minha vida por causa dos merdas que chamo de pais, conheci você, fiz mais besteira e agora… tudo parece um sonho. — Ela queria tentar não se abrir, porém Victor acabou sendo mais forte! — De forma alguma jurava que respiraria na cidade ou abriria mão dos malditos que me criaram! Passei anos fantasiando o que gostaria em meu caminho. Porque nada existia, nada era real em minha cabeça.

— O que achava ser irreal?

— Posso classificar: destinos, amores, amizades, propósitos, alternativas e esperanças? — indagou numa voz inalterada acompanhada por um semblante amolado.

As cartas de baralho cigano gostavam de mostrar que estradas harmoniosas dariam espaço na vida da ruiva, mas garantiu-se na derrota quando levou diversos socos gratuitamente análogos como levar 50 tiros nas costas, morrendo fraca!

Invejava demais quem visualizava na tela do meu celular dançando e rindo com amigos e podendo ter noção de aproveitar sem preocupações de morrer aos 40 anos estripado e morto numa cama dura!

A paulista assomou seus maçantes dias onde recuava para movimentar o corpo, doendo cada osso e respirando de mau estado! Que vida desgraçada: vocês procuram em mim iniciativas e paz? A única paz na qual insiste me achar, será aquela onde eu finalmente vou perder meu fôlego, capturada nos sonhos e lentamente morrer! Estrondoso fora seus gritos com a matriarca que lhe esnobava humilhando com diversas palavras suas fraquezas.

Correu longemente dos braços de Cecília, batendo a porta de seu dormitório muitíssimo agressivo; posteriormente arranhando suas pernas, afobando lágrimas no travesseiro. Lily tomando banho sentada no chão, abraçando a si mesma, flertando com a lâmina do barbeador. Desenhando marcas em ambos pulsos onde seus cortes se aprofundam nas veias — bloqueando e destruindo suas artérias.

Carmesim era o sangue escorrendo e zarpando no ralo, mesclando na água morna do banho. Realmente, combater depressão e traumas de lares desconstruídos raramente buscou ser viável; aceitava estar se fodendo, na cabeça dela era melhor concordar sobre isso continuar sendo a mesma merda, os anos passando e tornando-se vasta em memórias que nunca viveria de novo.

Oh, lástima do caralho! Agradeceu levantando seu rosto para as nuvens brancas de um céu azulado quando tudo acabou.

Lydia era guerreira no final das contas, sinceramente poder se reconciliar com Victor — embora num processo maluco demonstrou ainda conhecer inúmeras choradeiras; representações de suas feridas.

Entretanto considerou o fato dele acolher e mitigar suas noites insuportáveis, mencionado na discussão anteriormente:

Ele me desenhava, me tirava risos, me ajudava nos projetos. Nossas ligações e intenções no relacionamento eram beiradas no mundo que deletava meus arredores; a conexão quase faltava alastrar eternamente nos espaços feridos em corações perfurados de ódio, porém na realidade onde quem ama profundamente vira impossibilidades de uma amizade.

Contradizendo um pouco… e se o amor tiver segundas chances? Porque ninguém curou minhas feridas e saberia mais de quem sou como Victor sabe. Nem Gabriella e nem ninguém poderia me curar sem informações reais, apenas ele pode!


Foi certamente uma surpresa os dois iniciarem justo naquela viagem rústica métodos de refletirem.

O gaúcho e a paulista investigaram suas almas calorosas submetendo-se ao ambiente de um lado ele gostaria de novamente abraçá-la e de outro ela desenvolveu um medo de foder com o clima, mas qualquer ser humano entende sobre não controlar sentimentos ou mandar nos desejos do âmago.

Schiavon transpirou escalando em uma montanha de ocorrências singulares nunca em cinco anos mostradas e foram jogadas no ar quando teve seu final tardiamente; apresentadas em um sábado inteiro!

Ribeiro engoliu respostas cortantes e fora humilhada com explícitas razões, no entanto quis bancar de inocente negando que todos erraram. Lydia precisava crer no erro para censurar a dor? Isso nem se faz!

Conservados na perdição ficaram silenciados por um instante mas o youtuber logo articulou:

— Alguma coisa faltou se tornar realidade, não acha?

— O que exatamente?

— Sobre amar.

— Amar nesse mundo binário foi nomeado como extinção — Essa fórmula misantrópica de analisar dela, fizera Victor se arrepiar. Se amar foi comprovado extinto, por que eles se chocaram novamente? Você sabe dizer Lydia? Claro que não sabe! — Os homens quando nos destroem saem ganhando, são vangloriosos por cabaços! Eles não vêem lágrimas e dores femininas, quando iludem viram heróis. — Desabafou sem cortes gesticulando as mãos em uma voz amarga exausta.

Falando uma verdade absoluta onde na sociedade homens que usam mulheres vivem dormindo como bebês, onde traem e não sofrem. Pode até ser uma concepção voltada na misandria, contudo tem como pensar distintamente?

— A gente se humilha, fica emocionalmente dependente, daí eles dão mais risada, quando entra outra namorada para se aproveitar do que eles tem a oferecer, choram! Juro que se uma mulher agir como metades desses machos hipócritas porcos agem, são apedrejadas e xingadas, por isso nunca mais me envolverei intensamente com outros caras! Preferi sair, papear, transar e cair fora! — Porra, ela se queimou sem perceber, que passado feio!

— Caralho, garota, eu sou esse homem? — Ela se ofendeu pelo argumento generalizado, na verdade isso foi desnecessário. Porque ela também fez o mesmo com Victor, ela o magoou, então quis trazer uma interpretação errônea no assunto. — Você me destruiu e está orgulhosa? Pelo que sei foi arrependimento, logo essa misandria que trouxe nesse discurso também foi hipócrita! — Em anos ele soube dizer uma coisa inteligente, avanço! — Estou achando que nesse tempo soube mais se contentar na atenção mínima, do que em si mesma nesse quesito. Mano… se fosse ao contrário?

— O que? Me magoar e trair? — Ah não, ela perguntou isso mesmo? — Sei lá!

— Não seria diferente.

— Cara, mas não disse que você foi igual a todos os homens que conheci. — Caiu na fixa dela que isso foi mesmo escroto, assim se desculpando. — Foi mal.

— Vou ser muito honesto contigo, Lydia. — Alterando a posição que se encontrava o homem ficou rente a sombra da ruiva cabisbaixa. Ele relaxou os ombros e suspirou calmo. Não querendo voltar às brigas, mostrando paciência. — Quando soube do Murilo e aqueles idiotas que foram seus amigos me humilhando, pode crer que nunca foi uma mulher desprezível para mim. Eu nunca generalizei ou tratei mal. — Victor estreitou suas íris verdes nas castanhas, chorosas. — O problema esteve nos dois.

Porque a sociedade mal amada contaminou sua ex-namorada mas acreditava naquilo ser um erro antigo. Os homens que ela se relacionou depois dele eram lembranças vagas. Se apegou na geração do Tinder, não obstante enxergava na ruiva uma reconstrução de caráter. E gostaria de esclarecer que nenhum homem era ele. Schiavon ama Ribeiro, se ele não amasse, nem falaria com a doidinha frustrada.

— Sim. — Revirou os olhos apertando os braços. — Eu posso ter beijado o Umild mas sinto nada por ele, vimos que éramos amigos! Agora você, bom… O Victor Schiavon que me mostra, não parece ser…

— Ele parece sim.

— Parece?

— Vou provar que está errada, garota!

— Como?

O youtuber abruptamente fizera a beatmaker se levantar, droga! A interação havia se colado para algo intimidante. Sua barba coçando o rosto dela e uma respiração descompassada, os dígitos da canhota foram localizados em suas bochechas avermelhadas limpando seu pranto.

Victor tocava em suas pálpebras, orelhas e fios de cabelo — querendo arrancar o prendedor e soltar — de Ribeiro. Ela afastou lentamente os pés… Ambos estavam prestes a chegar em um profundo beijo, foi quando a ruiva pegou sua mão direita e entrelaçou seus dedos nela.

Lily moderadamente fechou os olhos e abriu sua boca, portanto nada os atrapalharam! Ficou algo confortável e provavelmente iam se entregar: vamos isso é o que vocês querem! A consciência deles torcia mentalmente, ela não se segurou, enfim o beijou agressivamente.

O lábio encostado no outro, gemendo chorosa! Lydia sentiu sua destra ir para cima encostando na parede, enquanto o gaúcho retribuia beijos lentos e quentes; chegando a encostar sua intimidade em seu corpo quando enrosca sua perna em seu quadril.

Foi aumentando e a língua do homem dançava contra a dela; ponderando a cabeça nas opostas direções.

Mordendo o pescoço quando parava de beijar, ademais era tarde! Eles haviam quebrado regras e Victor saberia que Lydia voltaria para ele — o contato foi quebrado.

— Puta que pariu! — Ofegante, a paulista saiu dos delírios e o empurrou constrangida. O fogo interior deixa-a sem estribeiras. Tentando processar mas gaguejava que nem maluca. — F-Finge que nada aconteceu! — Ribeiro correu, deixando Victor estático limpando a saliva.

— Ei, espera! — Correu atrás da mulher, naquele fim noturno.




“Amor sem sexo
É amizade
Sexo sem amor
É vontade

Amor é um
Sexo é dois
Sexo antes
Amor depois

Sexo vem dos outros
E vai embora
Amor vem de nós
E demora”

Amor e Sexo — Rita Lee



PULAVA O CORAÇÃO DA RUIVA CONSTERNADA PELO HOMEM QUE FULMINOU CHAMAS APRAZÍVEIS, SALTITANDO QUASE FORA DO PEITO VERTIGINOSO. Victor e Lydia haviam se beijado ferozmente sem qualquer interrupção estritamente, isto era completamente imperfeito de cada lado! Eles careceriam de segundas chances? A história romântica deles teria uma continuação sem finais complexos?

Retornando à conjuntura do acontecimento daquelas poucas horas; Lily fugiu das mãos e toques do Schiavon, assim como uma criancinha brincando de esconde-esconde, achou um canto nada discreto na rústica casa. Escondida, distanciada dos amigos e somente fixada pelo youtuber.

A longa cabeleira avermelhada foi liberta para que ocultasse o semblante derrotado por beijar quem em vidas passageiras foi destruído e magoado, homem este que nunca lhe abandonaria, mas por falta de imaturidade e descuido… ele partiu, mas brigou para desabafar.

Seus sentimentos jogados no ar e gritos machucando sua garganta implicando com a ruiva que outrora rebatia das piores formas contra o gaúcho — as atitudes assemelham-se às nostalgias do colégio, trancando-se na sala de música, abaixando sua cabeça, lacrimejando por não ter nenhuma amizade. — Refutaram, discutiram, choraram neste meio tempo, agora chegariam de uma só vez na direção oposta!

Um espaço minúsculo nem cobria direito a mulher querendo se esconder embaixo da mesa, tremendo de nervoso, batucando os dedos na boca, respirando de mau jeito.

Os olhos ardidos, exaustos porque encontrava-se averiguando uma saída menos catastrófica, sinceramente, foda-se, ninguém escolhe quando sinais de formatar do zero um amor sem maldade nenhuma vem para te dar um forte tapa na cara sem avisar! Victor amou intensamente o beijo deles, porque foi muito mais singelo e doce.

As sinfonias fatais foram também súplicas quentes porque ele notou o quanto Lydia era viciante!

Enchendo a palma da canhota e jogando sua franja longa — uma carranca ruborizada e vulnerável. Ribeiro batia os calcanhares no assoalho, completamente encolhida, até que de súbito, Schiavon pousava os dígitos em suas costas, atrapalhando sua infantilidade.

Ninguém com mais de vinte anos pode escapar das consequências da vida, não é verdade? Maior burrice querer ser covarde, ele não iria mordê-la!

Inevitável tirar os olhos daquele vestido irrevogavelmente belo nas linhas de seu esbelto corpo. Estranhamente, o fato de cores vibrantes e brilhosas combinarem na ruiva, apesar dela possuir um estilo bagunçado — variando do alternativo para básico colorido —, sem nem ver métodos atraentes.

Ele a puxou para cima, guiando na sua contiguidade; as madeixas tortas pelo elástico, o gaúcho canalizava o semblante estressado da paulista. Virando para frente do homem, querendo correr, ademais, foi rápido.

Não haveria saídas enquanto duraria outra intimidade entre os confusos emocionalmente, porquanto a linguagem dos olhos desmente qualquer indicativo de refusão, hipnotizada ficara no homem sem reagir ou manifestar nenhuma justificativa para sair dela.

Lily amoleceu, inspirando devagar, e o youtuber serpenteava a cabeça para os lados. "Por favor, me aceite essa noite! Mesmo sendo a única, eu quero te mostrar que você é unicamente quem preciso por toda a minha vida.’’ O gaúcho brincava com sua mente, borbulhando suas reais intenções com a ex-namorada.

Se ela assumiu o fato de ter ficado e caído fora nos encontros, Victor torceu para que nesse encanto fosse muito mais que um simples encontro habitual.

A ruiva empalideceu, cismando que isso acabaria em sexo de reconciliação ou uma noite aleatória dormindo na mesma cama ou cheirando perfume vindo das camisas longas que usaria dele — sua primeira noite sensual com aquele escroto que merecia apanhar feio! Mas sabem que Lydia não jogaria esse convite fora, certo? Estava na cara que iriam transar.

Os corpos responderam imediatamente ao feitiço safado dos quadris, movendo-se para a esquerda e com beiços mordiscados quase sangrando devido ao nervosismo.

— V-Vito… melhor não! — Uau, Lydia o chamando pelo apelido? Que ousada! — Isso será um erro do caralho, nenhum dos dois se merecem. — Fazendo-se para quebrar o clima, a paulista balançou a cabeça para os lados. Assustada, suportava transpirar dentro da roupa que vestia. — E tu sabes disso…

— Me chamou de Vito? — provocou, sussurrando em seu ouvido devido ao volume gravemente ensurdecedor da sala. Ficaram em outra parte do casarão, não obstante ninguém escapou da sonoridade poderosa das cantorias do pessoal. — Que gracinha me chamar assim, não esperava! — Riu todo besta.

— Para com essa merda, nem tem cara que faz isso! — reclamou numa vozinha fina, sedenta, com medo de que fosse se entregar rapidamente, porque falar sempre era uma tarefa prática, mas escutar era pior. — Tá passando vergonha assim, vai me matar de rir. — Forçava a risada, mas o jeitinho de gargalhar, vish, ele conhecia bem essa risadinha. A clássica risadinha de demônio que animava os momentos íntimos das calls. Ele havia advertido Ribeiro uma vez que tinha ficado de pau duro com ela, rindo e provocando.

Quando tiveram a primeira semana do término do relacionamento, os sextings e fotos pervertidas sumiram, portanto Victor nunca excluiu uma das pastas — seguras e trancadas com senha — do celular. Era uma lista dedicada para homenagear o corpo da ruiva, frequentemente mandando beijos ou mordendo o dedo na câmera enquanto atrevidamente batia siriricas.

Ela o perturbava bem mais quando ela empinava de quatro na cama e os cabelos iam descendo quase no final das costas! Porra, isso foi torturante — umas madrugadas bem gostosas. Ela abriu a boca dizendo que o amava; Schiavon viciou na punheta, no entanto, se culpava porque outros idiotas futuramente iriam desvalorizá-la.

O último vídeo mostrava a paulista dançando no início, apertando os seios no meio e finalizava rindo sapeca, esfregando a região íntima na cama, batendo violentamente. Audíveis os gemidos padecendo a temível hedonista luxúria daquele fantasma de longos cabelos cerejas, sem contar os brincos de cruzes brilhosas e negras balançando conforme os seios e quadris. Onde estavam eles? Lydia não usava mais!

Victor matava a saudade em friorentas noites na cama, olhando sua ex-amada dançar e arquear suas costas na tela do celular, gemendo seu nome e rindo, capetinha, sequer ignorou o tom da gargalhada; e quando a beatmaker fez isso — pode negar, mas nenhuma vez foi proposital — reconheceu eficaz.

Ah, cairia nada em um papinho de cu doce, queria dar mole, fazer papel de trouxa, óbvio que não faria! Um agarrão bruto na cintura da ruiva tirou-a de afares, levando seus calcanhares para os dele. Olha que filho da puta!

Quase suas pernas ficavam bambas e seu íntimo úmido implorava ser merecidamente explorado — dois malditos tarados!

— Essa risada… — Fragmentou um personagem desentendido, porém descia sem pressa nas coxas da mulher que suava frio. Atiçando os instintos selvagens que ela controlava. — Acha que me engana com ela?

O hálito fresco de sua boca corria sob o canto de sua boca. Traçava as linhas da cintura subindo e convenientemente brincava na ponta dos dedos nos arredores dos mamilos, em contrapartida, escolheu segurar e puxar os fios das madeixas vermelhas. Algo que mais ruborizou suas bochechas.

Caralho, que coisa boa!

— Onde você está querendo chegar? Não toque nas minhas bochechas! — Buscou perdição enquanto ele sorria bobinho para a paulista, gostando daquelas mãos grossas com dedos compridos. Lily expressava careta, mas interpretava mal-estar, odiando porque era muito ao contrário. — Isso está tão bom… — sussurrava, querendo piedade de sua alma. Ela havia se transformado minimamente. — Ah! — Arfou.

— Sei que você me quer, Lily! — proferiu baixinho, tateando o polegar no meio de seu lábio. — Não minta assim na minha cara, se rejeitasse nem estaria fugindo de mim, né? — Huh, olha como é fraca!

— Vai se foder! — xingou, dando-se por vencida, puxando seus pulsos e os erguendo para os lados em um semblante bravo, algo que costumava ser muito fofo explicitamente! — Estamos tentando ser amigos e quer me comer? Está me tirando? — Jogou os braços dele para longe. Reclamando dos queimados que arderam através do aperto sádico na região sensível captada pelo sol. — Eu, hein!

O youtuber, fazendo-a calar a boca, ergueu sua face para ele, pressionando suavemente sua raiz do cabelo suavemente logo quebrando seu argumento:

— Amigos também fodem! — Olha que homem sacana, agora tudo acabou para Lydia! Schiavon riu falando especialmente na linguagem que somente a ruiva sabia decor. A frase excitou mais do que horas atrás. Eles tentavam serem amigos mas quem disse que sexo consistia em amor? Rita Lee avisou: ’amor sem sexo é amizade, sexo sem amor é vontade.’ Desde o começo sequer faltou vontade — Tô mentindo?

Nesses anos inteiros, descubro você falando sacanagem e brincando com a minha cara? Agindo como eu? Mas que porra seremos quando acabar essa transa? Sei que foi um relacionamento passado e nenhum homem era comparado. Agora está me chamando para sua cama… Victor mal sabe que estou perdida nele, sinto-me uma sonhadora.

Concepções orgulhosas analisando como aquele gaúcho implorava por ela; todavia, e as consequências? Eles transariam e viveriam normalmente? Impossível, pioraria até demais essa merda!

Silenciando a paulista, o gaúcho notava as íris castanhas abrindo e fechando excessivamente — Anda, Lydia! Você sabe que ele te conhece melhor que sua melhor amiga. O dono do fantasma iria confessar seus pecados mais sujos naquela noite, gostaria de arrancar o traje amarelo e ter seu corpo pessoalmente.

Ribeiro já queria roer uma das unhas por ter se metido nesse buraco!

— Se fosse assim, estaria pegando quase todos os meus amigos! — refutou entre vozes sensuais, jogando na mesma intenção de Victor. Puxando o cós de sua bermuda, a canhota derrubou hastes do óculos redondo de seu rosto barbudo. A carinha igualzinha no vídeo especial de inscritos. — Hum… que fofinho, não?

— Fofinho? — Oh, cacete, precisava apertar o máximo suas pernas quando ela levou subitamente o indicador no lado esquerdo da barba. Uma gota d'água descendo nas laterais da testa, Lydia puxou seu rosto para o dela, notando o homem que também se encurralou naquele buraco. — Garota, assim você me quebra.

— Ok, soube me convencer e ganhou, campeão! — Trazendo o mais velho para seus lábios, deu um selinho estalado. Agora o clima iria melhorar, pois quando acender o fogo necessário, resta apagar! — Venha me beijar, amiguinho. — Foi simplesmente naquela hora em que sua destra caçou o couro cabeludo, tirando um gemido de Schiavon.

Lily mostrou os dentes lambendo o centro deles, aproveitando o semblante confuso dele.

O youtuber logo vulnerável fez a ruiva morder seus cantos do lábio, puxando numa lentidão; num piscar de olhos, sentiu a perna esquerda da mulher enroscar na sua cintura.

— E aí?

— Cala a boca, idiota!

Agarrando o corpo frágil para si mesmo, Lydia instantaneamente pulava em seu colo sem avisar nada, carinhosamente riscando suas coxas nuas com unhas afiadas. Ele beijava a paulista como nunca na vida, tão significativo o fato de estar romanticamente envolvido com quem sempre sonhou — sem querer projetar sua fantasia em outros corpos — investindo nos benefícios daquele fantasma de seu passado.

Os cabelos vermelho-cereja enfeitando seus ombros enquanto arqueava a coluna mais para frente dele; Victor descendo as alças de seu vestido e indo nos beijos, onde ela ponderava a cabeça para a direita e sistematicamente lambia seu rosto nos mínimos segundos enquanto paravam o contato.

Lydia perdeu-se realmente na quimera mais aguardada: finalmente conquistei meu sonho de beijar e foder contigo sem precisar de cobaia. Disse mentalmente no entanto por fora queimava nas mãos dele e os bicos de cada sensível seio ia eriçando, molhando a vagina, abrindo seu clítoris embaixo dos tecidos íntimos!

Ribeiro o fez adentrar em seu peito atravessando o traje, o gaúcho a rodopiava contra a parede, barulhos de saliva e tapas.

O youtuber aterrisa de volta ao chão, devorando mais sua boca, que tesão descontrolado da porra! Encararam-se e permitiram respirar num breve instante, mas antes que Victor tirasse os dígitos do bico de um dos peitos, Lydia deu o adendo sem denunciá-lo ou afastar seus gestos.

A ruiva então proclamou rapidamente como um vulcão prestes explodir:

— Me leve pro seu quarto!

— Hã? — sibilou comparando sua face extremamente sufocada com a dele. Agora daria muita encrenca? Não porque ninguém mais cantava e ria dentro da casa. Ficaram minutos flertando e rindo que todas as luzes apagaram. Nos vidros da sala era possível visualizar Raposito dormindo feito pedra no sofá. — Caralho geral esqueceu que ainda estamos acordados! — Se assustou pelo tempo perdido. Algo que a fez rir suave. — Mas tem certeza? Cê tá ligada que a Gabi ou a Flora irão descobrir. — Putz isso era verdade, teria muito o que contar!

Gabriella e Henrique provavelmente estão fazendo o mesmo que Lydia e Victor, Luan e Alessandra também. Seria possível caber mais um "casal" nesse rolê?

— Foda-se, tu por acaso gosta de te fazer de burro quando tem uma gata na tua? — As mãos na cintura denominavam sua indagação, Victor sempre cheio de manias pervertidas, que facilmente eram quebradas. Algo irritante, por assim dizer, Gabi e Flora nem deveriam ser mencionadas numa hora daquelas. — Eu fico na sua e me pergunta dos outros? Qual foi! — Deu sermão no gaúcho que acenou negativo com um biquinho e olhinhos estreitos igual a um cachorrinho pedindo ração. — Olhe bem para mim, Vito.

— Tem certeza?

— Por mim, ficaria mexendo no celular ou aguentando a chatinha que terminou por uns dias. — Lydia balançou os quadris sensualmente para os lados, andando no centro dele. Comparecendo na pose blasé, esfregando o joelho em direção ao seu pau. Metida e sádica, gargalhando no sofrimento dele. — Mas o seu corpo está querendo outra companhia, hum? — Lambeu sua bochecha, indo para cima, mordendo a orelha sem muita força. — Qual vai ser, amiguinho? — Cochichou sem-vergonha, ficando atrás dele, continuando nas lambidas e mordidas. Nossa, quanto tempo Schiavon esperou por isso? — Vamos…

Ah, puta que pariu, ela tá chegando próxima ao meu pau, o que eu faço? Essa fantasminha me paga! Nervoso, ficando extremamente quente embaixo, notou que uma protuberância voltou a crescer no meio de suas pernas, marcando mais do que deveria na bermuda!

A paulista orgulhosa foi mais naquela região, invadindo brutalmente a entrada e caçando sua peça íntima quase suja de pré-gozo.

Lily riu, análoga a uma bruxinha sapeca — dominando seu pescoço com chupões e beijos — satisfeita pelo efeito causado! Victor grunhiu indo para trás quando ela brincava com sua glande, arranhando com leveza.

Habilidades em masturbação não são consideradas dons para Ribeiro, todavia, chegara no auge, também ficando com repleto tesão completamente agressivo, dançando com o polegar na cueca do youtuber puxando mais para baixo, a ruiva movimentava no vai e vem sentindo pegajoso e gostoso de tocar — podendo ser até gostoso de montar!

Brincava no subconsciente do mais velho, puxando o rosto dele para si, notando a feição desejada, selando beijos quentes, servindo-se daqueles gemidos afáveis.

Schiavon queria tirar a canhota dela, embora fosse mais resistente, porque ter uma noite erótica com essa mulher era um pedido inusitado, pois ambos participaram para matar essa tensão sexual, descontaria toda sua raiva — disfarçada em perversidade — nela.

Victor mostraria quem era o homem de verdade afundando Lydia na cama sem pena! Droga, agora a punheta estava acelerando, não iria aguentar.

A beatmaker tentava puxar para fora, mas impediu quando entrou em sua roupa íntima, tirando os dígitos melados de dentro. O membro ereto pulsando, implorando por mais, queria gozar sem limite algum.

— Você não presta! — exclamou ofegante olhando para ela num semblante maquiavelico, porra aquela ereçao latejando doia para um santo caralho! — Está pensando em se safar, gostosinha? — Debochou.

— Relaxa somos amigos, não somos?

Victor agarrou seu pulso fazendo-a retornar para a parede:

— Se orgulha disso? — Apontou para seu estado deplorável, vendo seu fantasma chupar os dedos voluptuosos acenando positivamente. — Seu demônio de crucifixo e saia!

— Que apelido foi esse?

A ruiva teimava perfeitamente em ajoelhar-se perante o homem, suando frio, entortando o lábio. Coitado, ela aprontaria! Levantando a cabeça, querendo deleitar-se em Victor, provavelmente livraria do peso encarando Ribeiro, chupando-o até sufocar, porque aquela boquinha faria muitas atrocidades.

Petrificando o dígito na braguilha da bermuda que caiu num sobressalto apressadamente, Schiavon teve um espasmo envergonhado pelo jeito que gemia. Chegando com o nariz sob a ponta do íntimo, a paulista mostrava sua língua saboreando as laterais, depois seguidamente a glande, cuspindo saliva da forma mais sexy possível!

Victor jogou a cabeça para trás satisfeito com aquela visão dela enfiando seu pau na garganta, brincando com os testículos, empurrando a cabeça de Lydia para frente, cogitando em empurrá-la violentamente, mas foi em vão.

Ela viajava em cada estocada — fechando as pernas quentes, não aguentando mais os squirts que o youtuber causava — era gostoso transformar um rostinho meigo em tesão absurdo.

Lily foi empurrada, acelerando mais o boquete, dançando com a ponta da língua, contudo, era injusto gozar assim, estava muito cedo para atingir o clímax, foi quando o homem implorou para que ela parasse.

Semicerrando a visão inconfundível, fizeram logo o pedido da mulher, querendo estar em seu quarto.

— Você venceu! — O mais velho segurou seus ombros enquanto Lydia limpava os cantos melados da boca. Por que ela não estava mais com aqueles brincos? Só aquele cabelão vermelho escuro de Pequena Sereia e a vista de uma calcinha toda encharcada. — Como é diabólica, puta que pariu! — Se orgulhou dela, pressionando seu pescoço e discretamente querendo degustar aquela visão de sua ex-namorada de pernas arreganhadas. — Me siga, temos poucos segundos! — Dera a ordem, puxando sua canhota, depois carregando-a em seu colo.

— Hum, que romance clichê! — Afrontosa colocava a cabeça no peito dele.

•••


Corrompidos na penumbra da sala, nada era visível para a dupla de fogosos marchando lento, sem criar rastros ou evidências daquele caso sigiloso, eles na surdina murmurando palavrões na combinação de pequenas gargalhadas.

O corredor despojado da claridade sequer dava para enxergar mãos, apenas linhas de enormes sombras — exceto um ronco ensurdecedor de uma figura carioca prestes a enfrentar uma ressaca no dia seguinte.

Únicas noções de segurança para Victor e Lydia acompanhados na rápida andadura do prazer! As portas trancadas e quartos silenciosos, pronto, tudo estava mais que perfeito.

O homem ordenava ao seu fantasma ir ao seu dormitório aberto, cochichando para ela que não se aguentava de rir do amigo bêbado dorminhoco no sofá, localizando-se em sua direção sem embargo. Claro, era inexplicável experimentar uma noite sexual com quem fez sofrer por míseros anos em desilusão.

Ademais, o passado continua sendo finalizado: Se amigos também fodem, o que impede de matar a saudade do que será visto numa primeiríssima vez? Teorizou a ruiva cabisbaixa por uns segundos.

Aquele quarto era mais extenso e aconchegante. Ela desejou querer voltar no tempo e solicitar para Valadares trocar, mas a que custo? Isso certamente acabaria em um desastre fodido se não restasse.

Num pulo, Schiavon fechou a porta sem reparar no barulho assustador que havia causado; dali percebeu sua ex-amada engatinhando para baixo das pernas dele, rebolando os quadris, voltando ao seu campo de visão, tocando em seus peitorais cobertos por sua camisa; enquanto ele prensava os dedos nas nádegas redondinhas da mulher arfando.

Lily respirava faltando ritmo, mas estremecia profundamente, sentindo que iria flutuar nos carinhos dele.

O gaúcho gruda ambas as cordiais mãos da paulista na barra de sua camisa — outrora brincando nos mamilos queimados do sol — assim erguendo os braços, notando o tecido encontrar sua cabeça, sendo retirada e jogada no chão.

Novamente a tamanha visão pecadora das tatuagens e barriga tampouco definida; porra, essa havia revirado seu subconsciente, sendo tratada nunca por ele com tanta brandura.

Victor enroscava sua língua na dela, saboreando o paladar selvagem da beatmaker encarregada de desejo, enquanto o beijo que sua fantasma de cabelos cerejas acometia segredos eróticos de cinco anos reservados, lábios chocando e gemidos demasiadamente mais altos e famintos!

Os seios esfregando e batendo, batuques no coração. A barba espetando e coçando, fechados eram seus olhos quase choramingando, bárbaros!

Portando em busca da cama, o youtuber levava sua fantasma, desacelerando os beijos, rendendo sua perna direita enrolada no quadril, balançando o corpo dela cuidadosamente, quando a prendeu no colchão, madeixas decorando os lençóis azul-marinho e almofadas pretas.

Respondendo ao contato, ela abriu mais espaço enquanto Schiavon deslizava nas coxas, indo para os chinelos que automaticamente caíram.

Lydia, reagindo deliciosamente, suava frio, virando a cabeça para os lados conforme os beijos desciam pelas coxas e o calor insuportável que procurava nas vestimentas a atrapalhava para o cacete.

No entanto, ficou louca quando a barba de Victor coçava sua região íntima úmida, deslizando o dedo indicador pelo tecido da calcinha sufocante. Afastando para frente, impressionado pela vagina excitada e o clitóris duro!

— Você continua linda, assim como lembrava! — Uma voz sedenta olhando totalmente sua beleza erógena. O nariz, sentindo o frescor que trouxera, além de lindo e delicioso, sabia ser cheiroso até embaixo. Caralho, que amiguinha! — Não mudou nada… Isso me traz muitas recordações. — Sibilou, pegando seu joelho esquerdo, enfiando a língua ferina na entrada. Imaginando o rostinho vermelho e tampando os gemidos com a destra.

Lydia mexeu o quadril, sentindo a língua do homem dançar dentro dela.

— A-Ah, merda! — Piscava involuntariamente as retinas desgovernadas, arrastando os calcanhares, virou festa para o gaúcho. Haja sanidade para impedi-los. — Filho da puta… está me fazendo mudar de ideia e gostar de ti? — O xingava na intenção. Querendo interpretar um papel de convencida para cima dele. — Meu Deus!

Lydia mal enxergava outros horizontes se não fosse aquele cretino lambendo e enfiando polegar e indicador em sua boceta pegajosa, era a porra do homem que ela sempre quis amar pessoalmente! Schiavon, por sua vez, ia tirando sua calcinha na mesma sintonia da perna levantada.

Afundando os joelhos no colchão, permitindo que se levantasse, Lydia descia as alças do vestido, simplesmente contendo o apoio dele, também se livrando do costume. Olhou rápido o busto médio, mas a deitou, voltando a masturbá-la.

Traçando o ponto sensível em movimento anti-horário, introduzindo por vezes na textura aveludada da vulva algo que Lydia havia citado nos sextings antigos quando era um casal!

O youtuber encantava-se pelo semblante penetrante que a ruiva alicerçava na brutalidade violenta e fatal que consumia nos paraísos semelhantes à duração de filmes longos — a televisão ligada como suporte — em madrugadas friorentas. Poderia rolar essas cenas o resto da vida se fosse saudável!

Um casal engajado em uma atividade amorosa, que mal aparentava ter afeição um pelo outro, trocava beijos de maneira intensa e apaixonada, como se o tempo não fosse uma preocupação.

Entrelaçaram seus corpos, enquanto um dos membros utilizava os dedos insistentemente na cavidade da mulher, alternando com mordidas sutis na extremidade de seus lábios, deixando diversas marcas e chupões em seu pescoço, nuca, costas e tórax.

Declarando poesias corporais na escultura soberana e magnífica apenas para si, proporcionando conforto em seus braços, envolvendo-os, e separando as pernas de maneira segura.

Lily, hipnotizada, gruda suas unhas novamente em Vito. Este nomeado pelo apelido ignora a seriedade porque horas viciantes de tesão ficariam uma chatice batendo contra a realidade, os broxariam.

Suas fotos exibindo a cinturinha retangular e peitos sorrindo não conseguem mais ser excitantes, pois tenho estas duas coisas na minha frente! Formigava suas pernas e abriu sua boca querendo o hálito da ruiva. Dançando com a cabeça e arfando nos incômodos das garras afiadas que Ribeiro possuía; suas palmas grossas, meio suadas, pressionaram coxas e subiram nos quadris, nos instantes em que sua língua chegava entre o nariz e canto da boca!

Isso duraria uma eternidade… mas foda-se, qualquer segundo com ela, qualquer gemido e balançar corporal, me destrói. Porra, Lydia, queria solicitar para voltar se eu pudesse! Ele deu sorte por se queimar, então nenhum sinal de marcas suspeitas ficaria evidente.

Queixos próximos e um sorriso malicioso, todavia, desmanchou na imensidão singela, olhares melancólicos implorando montar em seu corpo, livrando daquela bermuda esquentando seu ex-amado, retornando na camada dos ombros largos, acenando positivamente para empurrar seu leito, ficando sob ele.

Entrelaçando cada dedo — textura grossa na macia sensível. O gaúcho era lentamente empurrado para trás, impactando onde ela se localizava, fascinado na deliberante visão californiana de juba brilhosa, sentada na virilha de quem agora numa terceira vez dominaria, Victor notando o braço pousando no seio esquerdo da fantasma: Toque com força!

Ela pediu, concentrada no aspecto mordaz do mais velho. Isso o acendeu, que severamente fora hostil, preenchendo o seio, soltando e pegando na intensidade cruel, vendo lamúrias aumentando igualmente às que o youtuber transmitia com ela rebolando sem cessar.

Schiavon adorou escolher devorar o seio em leves mordidas e lambidas, delineando a mesma ação no direito que balançava ritmicamente. Em contrapartida, era mais saborosa a intimidade úmida da paulista sujar as poucas roupas que o youtuber vestia.

Indo num momento importuno, arqueou o quadril, apalpou o rígido pau saltando para fora quando ela, sem mais nem menos, desceu juntamente da cueca, notando a grossura e veias pulsando; surpreendida por encontrar aquele pau em frente de seu rosto, trazendo a bermuda para fora dos tornozelos, inerte em um canto aleatório da cama, assim eles conhecendo seus corpos na realidade!

— Quem é a fracassada? — Jocosa, ela provocou, deixando somente seus peitos em sua cara. As lentes dos óculos precisavam de descanso. — Huh? Você nem sequer tirou seus óculos, idiotinha! — Os tirou apoiando-se em um criado-mudo rente à cabeceira.

Ela riu, virando de costas, contendo a bunda avantajada.

— Prefiro mesmo ser um idiota nessa cama! — Embora tivesse chances de querer logo puxar os cabelos fortemente e bater nela. Preferia admirar ela mordendo o dedo, mas que costas maravilhosas! — Fui bem o bastante? Parece que não, gatinha! — Abraçava por trás, mordendo sua orelha, envolvendo os toques no seio direito, fungando em seu pescoço. — Ainda falta…

— Me foder! — Sua nuca na clavícula do mais velho. — É mesmo certo? — Indagou, preocupada.

— Os dois, nesse meio tempo, ditaram nenhuma regra! — Nisso era certeiro, afinal, era uma transa baseada somente em tesão acumulado. Cada um ficaria no seu canto, será que ficariam? — Transamos e acabou. Continuamos amigos, ninguém fica sabendo, porque quem tem você… — Ribeiro, num alarde, foi dando espaço em sua entrada chocada entre sua glande, finalmente calando sua boca. Victor beijando mais o pescoço, arrepiando mais. — Sou, eu! — Jogou a mulher de quatro, prestes a meter nela.

Esperando achar na gaveta uma camisinha que não fosse a mais estragada do posto de saúde — graças a Deus era de farmácia! — colocava sem pressa e atrevidamente chocava nos grandes lábios, fodeu para ela! Ribeiro manteve a bunda erguida, sabendo que essa viagem teria um fim muito marcante.

O homem encheu a destra com seus fios cerejas, entrando moderadamente, ainda não dando início, fazendo sua fantasma gritar assustada, rapidamente aliviada, sentindo que sua boceta precisava daquilo imediatamente!

— Vito…

— Posso me mover?

Caralho, não deve mais voltar, quero acabar essa merda… Não acredito que estou transando com quem magoei em apenas um dia! Que mundo esquisito. Olhava para baixo, mordendo seu lábio que num despertar iria rachar ou sangrar. Nunca tive sexo com quem nem sei mais o que sinto, isso seria considerado amor? Raiva? Vingança? Amizade? Estou perdida e nem por uma eternidade quero estar confusa!

Ela anunciou para o gaúcho manhosa, balançando positivamente e ardendo internamente.

— Vai, logo! — Voltou para o mais velho que segurava mais em cima da cintura. — Me fode!

Dito e feito, acelerava as estocadas em sua boceta sem pena, fazendo-a gritar muito mais alto, sem ligar para as consequências. Sentindo ir para frente e para trás, os testículos batendo.

A mulher estremeceu, querendo rodopiar a vista, porque transar com Schiavon era loucura, após cinco anos de flertes e brincadeiras!

Ela se deitou para ele. Victor fodendo sua ex-namorada loucamente, gemendo em conjunto. Notando o colchão vibrar e sentir que eles gozaram, mas ele não parava, evitava a dor.

Era quente e macio. Viciante e sobrenatural. Lydia querendo mais e Victor tratando a situação muito esforçadamente, tudo era uma onda de loucuras… Que sexo iria competir com o deles? Chegando ao orgasmo, enfim disse estar quase no ápice.

O homem também não iria aguentar, era momento.

— A-ah, vou… eu vou… — Lydia afinava a voz, enquanto ele mordia seu pescoço.

— Relaxa, eu estou indo, Lily! — Ele a puxou para frente gozando e gritando na mesma medida. — Cacete!

Os dois cansaram percebendo a vagina da ruiva pingar excessivamente, saindo de seu canal vaginal. Deitado virado de lado, respirando profundamente! Porra o que foi isso realmente? Sem palavras!

•••


Raciocinar era impossível depois de tudo aquilo rolando e quão insano se prenderam no desejo. Lily nem adivinhou suas expectativas vivenciadas na sua cara, havia queixado internamente os riscos. Exaustiva, averiguando o forro branco decorativo do teto, lacrimejando e coçando a barriga, desligada mentalmente, resolvendo crer em mais nada, em seu lado existia uma figura gaúcha vestindo uma camisa verde longa e calça tactel, pois acabara de esfriar o dormitório.

Pela falta de vestimenta, a ruiva também queria alguma coisa para usar, pegava mal estar pelada, já viu o que tinha de ser aproveitado!

Oferecendo uma delas: short curtinho vermelho, camiseta da Playstation, larga demais para ela. Toda alegria dos homens baseia-se em posicionar fantasias de uma garota atraente usando suas roupas, independente se fosse camiseta andando nua ou casaco que mal servisse direito no corpo. Continuavam lindas para eles; aflorava paixão e agregava orgulho de saberem que elas seriam deles cedo ou tarde.

A paulista havia agradecido de bom grado, entre várias camisetas oficiais de gemaplys, aquela foi a única menos desbotada.

Trocando as roupas, Lydia por fim inspirou quatro vezes, aliviando os músculos e tendões do pé, bocejando e jogando sua coluna alinhadamente no colchão, focando no teto posteriormente. Os braços esticados juntamente com um semblante tedioso, sem assunto, sem comentários; quietude ampla.

Ribeiro questionava honestamente se recompensaria dormir ao lado dele, mas nas habituais normas sempre partia, nem recordando o rosto de quem havia transado na noite anterior, contudo, tratava-se de Victor.

Ele deitava virado contra a parede, mexendo no celular grudado na tela, anotando no bloco de notas desfechos de alguma canção pré-finalizada. Domingo se iniciou na madrugada, ambos faltavam sono.

A ruiva chamava a atenção do youtuber, lhe abordando carinhosamente, largando o celular de lado. Engraçado como Schiavon, sem os óculos, tinha uns luzeiros menores e nariz enorme, detalhes estranhos, mas legais.

Como ficaram duas horas sem assunto, a mulher tentava se esforçar sem parecer entediada no recinto:

— Oi, cê tá bem?

— Acho que sim — assoprava para cima, cotovelos embaixo da cabeça. — E tu?

— Sei lá, de repente uma dor de cabeça fodida revisitou! — Reclamou numa expressão neutra, saracoteando os tornozelos de lados opostos, atendida na escuridão. Nem era maluquice dela, porém, horas atrás, mal era real, acreditava ter vivido um what if. Mas relembrou que não era nada irreal, queria logo dormir! — Nem sei mais o que falar… Quero dormir e fingir ser delírio esquizoide meu, tudo isso!

— Por quê? — Havia ficado preocupado. — Fui escroto e sente que me aproveitei?

— Nah, nada a ver — o repreendeu, negando em um aspecto indiferente. — Estou a fim de estar quieta.

— Então tá! — Deu de ombros, insistir pioraria, melhor deixar a moça dormir. — Boa noite.

— Uhum, boa noite.

Encarando de relance, quase dormindo para frente, ela havia fechado os olhos chorosos, auxiliando os cabelos avermelhados a ficarem em meio ao seu rosto. Victor ajeitava o lado da mulher, subindo mais a coberta, deixando almofadas e travesseiros sem atrapalhar. Lily queria dizer que o amava — Victor também — em vez disso, era mais razoável conter sua visão adormecida, singelamente o homem havia ficado maravilhado, entrepondo sua destra no rosto gélido, sorrindo, vendo-a tranquilamente apagar.

Você foi estrela brilhante, foi prêmios na estante… Foi beijos distantes, amiga fiel — entonava algo surgido absolutamente do nada, inventando um ritmo. Alisando seu rosto salgado. Letras que vinham da boca do youtuber, mas que coincidentemente significavam algo futuro! — Me promete dançar com as nuvens no ar, você foi cedo demais, eu tive receio demais! Mas que egoísmo pensar, o tempo não volta atrás. — Almejou que cantaria aquilo dedicado para ela, no entanto, de coração.

Lydia se tornaria sua amiga fiel — amor verdadeiro restaurado.


Continua...


Nota da autora: Essa história é dedicada a todos os fãs de carteirinha do Vito, e sentirão saudades das eras yung li. Também quero dedicar para aquelas fanfiqueiras que amam um clichê de celebridade, sei como amariam estar na situação da Lydia.

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