CAPÍTULO UM
“ rode up on the afternoon train, it was sunny”
A mulher de cabelos ruivos parecia meio dispersa em meio à multidão. Guardou alguns papéis na primeira divisão de sua bolsa. Papéis esses que mais cedo, tinham tirado boas lágrimas dela.Alison Fitiz agora assinaria apenas com o seu nome “Alison”, porque tinha acabado de assinar os papéis de seu divórcio, com seu ex-marido, Louis Fitiz. Assinar apenas foi o ponto final de uma história que já tinha acabado há mais de dois anos.
e Louis foram casados por 6 anos, e durante esse tempo a mulher aprendeu que amar não era o suficiente para seu marido, que para ele doar todo seu ser, tudo que lhe era valioso nunca seria o suficiente.
Mas agora, tudo isso acabou. A ruiva esperava no portão de embarque ansiosamente, não via a hora de se despedir daquele local e iniciar um novo rumo para sua história. E para esse recomeço tinha escolhido a tão “conhecida” cidade de Folk.
Folk era a cidade natal de sua mãe e durante toda a sua infância escutou histórias mágicas e deslumbrantes sobre o local. Sua mãe contou sobre como o mar se quebrava nas rochas do local, como lá todo dia parecia ensolarado, mesmo naqueles nublados, foi lá que sua mãe deu seu primeiro beijo embaixo de um salgueiro com seu pai. E assim toda uma história de amor e companheirismo desenrolou.
Essa era uma das justificativas para pensar tanto na cidade com tanto afeto. Sempre que sua vida parecia sem sentido, sem rumo, ela pensava que talvez se refugiar em Folk fosse a solução. E agora esse desejo se concretizava.
Ela abriu os olhos vagarosamente, se acostumando com o sol que adentrava a janela do avião. A aeromoça tocou no seu ombro de forma gentil avisando que eles já haviam chegado ao destino final.
Dentro do táxi, , se sentia um pouco confusa, não tinha feito reserva em nenhum hotel ou coisa do tipo, não conhecia ninguém, apenas tinha suas malas e uma vontade de viver imensamente. Ao passar rapidamente pelas ruas da cidade pode vislumbrar pequenas lojinhas locais, pessoas sentadas em mesas adornadas em cafés, gente caminhando, coisas típicas de uma pequena cidade como aquela.
Influenciada pelo pessoal local, a mulher pediu para descer do automóvel e parou em frente a uma aconchegante cafeteria, antes de resolver qualquer coisa era necessária uma boa xícara de café. Ao adentrar o local, sua presença foi pronunciada pelo som de uma sineta em cima da porta, algumas pessoas se viraram instintivamente para encarar quem estava no local, mas logo retornaram às suas conversas corriqueiras.
Ao notar que todas as mesas estavam lotadas, a mulher resolveu se sentar no balcão disponível no local, apoiou suas malas perto do seu banco e pegou o cardápio à sua frente. Havia inúmeras opções de cafés e guloseimas, e todas pareciam ótimas, o que fazia com que ela ficasse mais indecisa no que pedir.
A garçonete parada em sua frente, segurando um pequeno bloco de papel, parecia impaciente, pois rolava os olhos e mascava de forma alta um chiclete. baixou o cardápio para dar um pequeno sorriso simpático à mulher a sua frente, de forma a amenizar aquela situação. Foi neste momento que sua atenção foi tomada por um homem que sentou ao seu lado.
O homem usava uma camisa de linho branco, com as mangas dobradas até o cotovelo, seus cabelos pretos estavam penteados para trás e seu olhar tinha uma certa vividez, que com certeza chamou a atenção de .
— Se eu tivesse que pedir algo pela primeira vez aqui, seria os cinnamon roll. — Deu um sorriso galanteador.
— São bons?
— O quê? São incríveis. Você tem que experimentar. Ah, também temos o nosso típico café com canela, é uma ótima bebida para acompanhar.
— Então vai ser isso, pode me trazer cinnamon roll e uma xícara média de café com canela. — disse de forma decidida. Assim que a garçonete se afastou, a mulher voltou a atenção para o homem ao seu lado. — Prazer, meu nome é , mas pode me chamar de .
— Muito prazer, , me chamo … apenas mesmo. — Deu de ombros. — Posso chutar que você não é daqui.
sentia que o homem do seu lado parecia ser uma boa pessoa, mas todo cuidado era pouco, então resolveu não entregar tantas informações assim de uma vez só.
— Eu vim visitar alguns parentes, coisa rápida. E você é daqui?
— Moro aqui desde que nasci, sendo assim, já faz uns 30 anos. Quando você entrou, eu logo percebi que não era daqui… — fez uma breve pausa para escolher as palavras certas, sem parecer atrevido — E-eu nunca tinha te visto pela cidade, então achei que seria interessante ser receptivo.
— Você é sempre tão receptivo com todo mundo?
— Às vezes.
Nesse momento, houve um silêncio, mas era um silêncio diferente daquele que conhecia, ele não era incômodo ou ensurdecedor. Era um silêncio de contemplação. Ela encarou cada detalhe da feição do homem à sua frente, era de uma beleza que ela julgou nunca ter visto antes.
Havia alguma coisa nele, que penetrava nela e era capaz de chegar até a sua alma. Mas, ela logo tratou de espantar esse tipo de pensamento, era arriscado demais ter intimidade com alguém que ela mal conhecia, ainda por cima sendo um homem.
— Aqui está!
A garçonete interrompeu a troca de olhares servindo o pedido de . Quando experimentou o doce, teve certeza que tinha ótimo gosto para comida, porque realmente era delicioso. O pequeno pão doce derretia na boca e deixava um gosto de açúcar com canela no final, o que acabava por combinar totalmente com o café.
Ela gostaria de repetir isso mais vezes.
Em meio a goles de café, e prolongaram sua conversa, e ela acabou contando que sua mãe morou ali por boa parte da infância e adolescência. O que mais chamou a atenção da mulher foi a forma com que a escutava, sem interromper, prestando atenção a cada palavra ou gesto que eram emitidos por ela. E ao final, ele fazia algum comentário. E poderia ser a grande carência de sua parte falando aqui, mas se Louis ao menos uma vez a escutasse...
Nesse momento, recordou as inúmeras vezes que iniciaram uma briga, porque ela “falava demais.” Uma coisa nisso tudo era certa, Louis nunca encostou a mão sobre ela, mas, mesmo assim, ele estraçalhou o coração de da pior forma que uma pessoa pode fazer.
A tristeza e o desânimo dominaram o corpo da mulher, então ela decidiu que já era o momento de ir embora. Ao olhar pelos vidros do local, notou que já estava entardecendo e ela nem havia percebido.
— Bom, foi um prazer te conhecer. Acho melhor eu já ir indo — Se levantou e buscou por suas malas ao redor de seu banco, nesse momento também se levantou.
— Se quiser, posso esperar junto com você o táxi chegar. — Pegou uma mala que estava próximo a ele. — Deixa que eu te ajudo.
— Ah, não tem necessidade disso… — Agora não tinha como voltar atrás de sua mentira — É-é que bom, eu decidi não ficar na casa da minha família, para não incomodar, entende? — concordou.
— Então você vai ficar no único hotel que tem na cidade, no Standard, é um ótimo lugar, eu posso te levar até lá. — falou com certa suavidade, mas logo se arrependeu. — Desculpa me intrometer assim, caso você quiser, eu posso te levar até lá.
— Olha, , muito obrigada, mas realmente não precisa se preocupar. — Pegou delicadamente a mala que estava na mão dele.
— Tudo bem, nos vemos por aí então. — Engoliu seco. Ele realmente queria vê-la de novo, para garantir isso, pegou um pequeno papel em seu bolso e pediu uma caneta emprestada a garçonete. — Se precisar de qualquer coisa, seja o que for mesmo, pode me ligar, aqui esse é o meu número. — Deu um pequeno sorriso de canto.
— Muito obrigada, — Depositou um rápido beijo na bochecha do homem e partiu rumo ao hotel.
concluiu que sua mãe estava certa, a cidade era encantadora, aconchegante e acima de tudo, gentil. E ela estava certa de que era isso o que ela queria para sua “nova” vida. Além, é claro de um bom banho neste momento.
Então ela chamou um táxi e pediu para que ele a levasse ao hotel que seu mais novo amigo havia comentado. Se tinha bom gosto para comida, deveria ter para conforto, não?