Prólogo
— Senhoras e senhores… McFLY! — o apresentador anunciou e o estômago de Dougie revirou. Aquela apresentação era uma das principais para que a banda decolasse. O desfile da Victoria’s Secret era repercutido mundialmente e os meninos esperavam, ansiosamente, que sua música também.
Harry estava posicionado no centro do palco devido à instalação da bateria, Dougie estava quase ao seu lado no piano, enquanto Danny e Tom estavam espalhados pela passarela. A contagem do baterista foi iniciada e, em segundos, Dougie começou a tocar o piano. Depois de todos se levantarem pelos arranjos iniciais, Tom começou a cantar.
— Anne Boleyn she kept a tin, which all her hopes and dreams were in, she plans to run away with him forever… — o loiro cantou e a plateia gritou. — Leaves a note and starts to choke, can feel the lump that's in her throat it's raining and she leaves her coat in silence…
Dougie se levantou e pegou o baixo do tripé e foi para o meio da passarela. Quando a parte mais animada da música começou, as modelos começaram a aparecer. Particularmente, aquela era uma das músicas favoritas do baixista no novo álbum, a escolha de performá-la no desfile foi dele, inclusive.
Uma das modelos mexeu no cabelo de Dougie e ele interagiu com ela, fazendo-o rir. Logo depois, Danny e Tom também interagiram com a mulher. Na parte do baixista, o público se animou e os gritos começaram a se intensificar.
— People marching to the drums, everybody's having fun to the sound of love... — Dougie começou a cantar enquanto Danny e Tom se animaram e começaram a desfilar junto das modelos. — Ugly is the world we’re on, if I’m right then prove me wrong I’m stunned to find a place we belong…
Dougie foi até a plataforma onde a bateria de Harry estava e os dois tocavam juntos animadamente a canção. “Transylvania”, apesar de parecer sombria, era uma música animada e Dougie a amava. Os dois guitarristas voltaram para o início do palco para que as modelos tivessem destaque, afinal, o dia era delas.
Dougie, o mais animado dos quatro, logo voltou ao centro da passarela para brincar com as modelos. O baixista pulava, fazia poses e atuava com as mulheres. O dia estava incrível para todos eles, mas a noite do garoto se iluminou ao ver a mulher mais linda daquela noite, Emilia Brown. Mesmo aquele momento sendo o que ele cantava, Dougie fez questão de acompanhá-la e apresentá-la para o público.
— Racing, pacing in the dark, she's searching for a lonely heart… — O cantor e a modelo fizeram uma brincadeirinha de encostar um no outro e animar mais ainda o público. Dougie sorriu para ela e Emilia decidiu entrar na brincadeira. — She finds him but his heart has stopped, she breaks down…
Assim que o cantor cantou a próxima parte, ela interpretou a música. Dougie a levou de volta e, quando a música fez referência à rainha, ele fez uma reverência boba para Emilia.
A after party do desfile estava repleta de atores, cantores e estilistas do mundo inteiro. Os integrantes da banda estavam extasiados. Danny, Tom e Harry estavam encantados com aquele pessoal, enquanto Dougie parecia estar hipnotizado por uma pessoa em especial.
— Vai até ela, cara — Harry o encorajou. O baixista riu e foi até o bar onde Emilia estava.
— Whisky? É forte. — A risada rouca da modelo o entorpeceu.
— E você tem idade pra beber? — Ela o encarou.
— Tenho — ele disse, orgulhoso. Naquele ano, havia, finalmente, se tornado maior de idade. — Eu vou querer um também.
O barman rapidamente trouxe o pedido do músico e os dois beberam em silêncio.
— Você foi bem lá no palco.
— Bem? — a americana deu risada. — Eu fui, provavelmente, a melhor em palco.
— Você é modesta — o britânico sorriu.
— Realista, prefiro dizer. E também direta — ela lhe deu um sorrisinho. — Então, o que te traz aqui, Dougie Poynter?
— Então você sabe quem eu sou?
— É claro — ela deu risada. — Vocês tocam na rádio toda semana.
— Fico feliz — ele riu. — Trabalhamos muito para…
Dougie foi impedido de falar, pois a modelo se aproximou dele o suficiente para sussurrar em seu ouvido.
— Não quero saber, Dougie Poynter. Mas te espero mais tarde no quarto 712 do Royal Housegards.
Dougie nem mesmo teve tempo de respondê-la, já que Emilia rapidamente foi conversar com outras pessoas as quais ela achava mais interessantes.
Por volta da meia-noite, Emilia recebeu uma ligação da recepção, avisando-a que o baixista estava lá. A ansiedade de Poynter para chegar até o quarto fez com que ele se sentisse um idiota. Parecia um garoto de quinze anos que estava prestes a perder a virgindade.
— Poynter — ela lhe deu um sorrisinho.
— Brown.
A modelo o puxou para dentro do quarto e os dois se juntaram imediatamente. Emilia pouco se importava com o que ele queria falar, ela apenas queria seu corpo por cima do dela. Nada mais que isso.
Rapidamente, Dougie a puxou para seu colo e a mulher retirou sua blusa. O baixista, no entanto, não teve trabalho algum ao apenas desenlaçar o robe da modelo.
O corpo de Emilia era lindo, Dougie sabia e via com seus próprios olhos naquela noite. Ele a teria só para si. Os beijos que ele distribuía em seu pescoço a faziam gemer, requerendo por mais, enquanto ela o arranhava nas costas.
Em passos enrolados, Douglas foi até a cama e se pôs, finalmente, por cima. Aquela noite deveria ser considerada, conquanto, incrível para os dois. E era essa imagem que Dougie queria ter de Emilia. Mas ela mudaria.
Três meses depois de seu encontro com Emilia, o baixista recebeu uma mensagem da modelo. Dizia que estava em Londres e que queria encontrá-lo, se ele pudesse. O tom autoritário havia sumido, no entanto, Dougie ainda tinha intenções de repetir o que viveram no dia do desfile.
— Você está saindo cedo do ensaio por quê? — Fletch apareceu no encalço do baixista.
— Vou encontrar uma amiga — ele disse baixinho. — E está tudo bem para o show no final de semana.
— Sem gracinhas, Dougie — Fletch pediu. Era difícil mantê-los sem se meterem em problemas. Dougie principalmente.
O restaurante que Emilia havia escolhido, é claro, era de primeira classe. Dougie agradecia aos deuses que tinha condições de pagar por qualquer coisa que pedisse ali.
— Pensei que fosse pedir para que nos encontrássemos em seu hotel. — Ele apareceu, assustando a modelo.
Emilia estava verde. Parecia que estava prestes a vomitar.
— Está tudo bem? — o garoto inquiriu. — Quer que eu chame ajuda?
A modelo revirou os olhos e ele soube que tudo estava bem.
— Eu estou grávida — ela disse de uma vez, pegando o baixista de surpresa. — E eu vou tirar isso.
Emilia Brown estava grávida de Dougie Poynter. E ela iria tirar aquilo. Dougie, entendia, acima de tudo, que aquilo era uma decisão dela. No entanto, faria de tudo para que o destino da criança não fosse o aborto.
— Grávida? — Ele respirou fundo. Céus, como contaria à sua mãe e à sua irmã? Como contaria para Fletch e os meninos? — Emilia…
— Eu não posso, tá legal? — ela se defendeu. — Isso aumenta meu corpo cada vez mais! Meus seios incharam, minha bunda está flácida e eu tenho barriga.
— Emilia, você está gerando uma pessoa em você. É claro que o bebê…
— Não fale isso — ela o advertiu. — Eu não vou ter. Nunca quis ter um filho, minha carreira e meu corpo vêm em primeiro lugar.
Ela parecia sentir nojo. Dougie nunca tinha pensado em ser pai tão cedo, mas ele sempre quis. Queria ter uma casa repleta de crianças e uma família. Era claro que Emilia não era a mulher com quem ele construiria sua família.
— Emilia, por favor. Tenha essa criança — ele pediu. — Depois você pode sumir de nossas vidas. Eu pago todos os seus procedimentos estéticos, se preciso.
— Eu não quero que você me pague. Eu tenho dinheiro — a modelo resmungou. — Só quero tirar isso de mim.
— Por favor, Emilia — ele pediu. — Você pode sumir. Não vou revelar nada sobre você, digo que contratei uma barriga de aluguel, qualquer coisa.
A modelo o encarou em choque.
— Você tem dezoito anos — ela disse, assustada. — Como quer um filho?
— Não sei — ele disse. — Só peço que mantenha. Todos os custos podem ser meus, se você quiser. É só me direcionar as contas.
O celular da modelo apitou e ela parou de prestar atenção no que ele dizia.
— Eu tenho que ir, Douglas. — A modelo ajeitou sua bolsa e se levantou.
— Por favor, pense no assunto.
Dois dias depois, Dougie recebeu uma mensagem da modelo avisando-o que manteria o bebê. E também o avisou que lhe enviara, por correio, as contas dos médicos e o ultrassom.
Ainda em choque sobre a responsabilidade que havia escolhido ter, o baixista saiu do camarim, decidido a contar aos amigos da banda que seria pai. Ele, Douglas Poynter, que não sabia nem mesmo como trocar uma fralda, seria pai!
— Viu um fantasma, docinho? — Harry perguntou em um tom brincalhão.
— Caras… — Todos que estavam em preparação pararam para lhe dar a devida atenção. Até mesmo Fletch. — Eu vou ser pai.
Seis meses depois, quando Emilia já quase não conseguia andar de tão grande que sua barriga estava, de quão inchados estavam seus pés, ela estava morando com Dougie. O cantor exigiu que a modelo dividisse a casa com ele nos últimos meses de gravidez.
— Dougie… — ela o chamou ao sentir a primeira contração. — Eu acho, ah!
O baixista rapidamente ajeitou sua postura e ligou para a médica de Emilia. A doutora lhes avisou que, se o intervalo de tempo das contrações diminuísse, era para levá-la ao hospital. Aos poucos, as contrações iam diminuindo e o baixista as anotava em sua mão.
— Estamos indo para o hospital. Kara vai nascer — ele anunciou.
— Ela não vai se chamar Kara — a mulher resmungou.
— Ela vai, Emilia — Dougie disse indiferente. Por dentro, o garoto estava em surto. Sua filha nasceria em breve.
Todos da família — entende-se por sua mãe e Jazzie — e da banda estavam avisados. O músico rapidamente chegou à garagem do prédio e ajudou Emilia a se ajeitar no carro.
Em menos de quinze minutos, os dois adentraram o hospital. A modelo já estava em trabalho de parto e os levaram para o quarto. A obstetra de Emilia estava à espera dos dois quando entraram no quarto.
— Pronta? — dra. Clarke perguntou.
— Sim. Não vejo a hora de tirar isso de mim — a modelo suspirou.
A expressão da médica foi clara para Dougie. O baixista levantou as sobrancelhas e suspirou fundo.
— Você está nervoso, papai? — ela falou com ele.
— Mais que tudo no mundo. — Ele sentiu sua mão tremer. A doutora riu e, a partir daquele momento, a atenção foi dada à modelo e à Kara.
Depois de alguns empurrões, Dougie conseguiu ver a cabeça da criança e, aos poucos, sentiu seu corpo ficar mole. A cena não era das mais confortáveis para se ver, mas ele nem ligava. Tudo que queria era segurar Kara e sentir tudo que sua mãe dizia que ele sentiria.
O choro estridente da bebê cortou os urros da modelo e Dougie sentiu seu estômago girar. Sabia que aquele choro significava vida. E aquela criança seria sua vida, dali em diante.
— Papai… — a obstetra sorriu. — Sua princesinha quer lhe conhecer.
Dra. Clarke colocou Kara nos braços do pai e ele se sentou na poltrona do quarto. Dougie soltou a respiração que não sabia que prendia e suas lágrimas saíram. Sentia tudo que sua mãe havia dito. Sentia, mais que tudo, medo. Aquele ser humaninho com os gritos estridentes dependia dele mais que tudo.
Kara segurou o grande dedo do pai e estabeleceram, naquele momento, o elo entre os dois. A menininha com poucos fios loiros na cabeça parou de chorar, fazendo com que o baixista chorasse. Era o maior amor do mundo, ele sabia. Sabia também que seria difícil, mas ver aqueles dedinhos segurando sua mão fizeram tudo valer à pena.
— Bem-vinda a este mundo feio, querida — ele disse baixinho. — Seremos eu e você por toda eternidade.