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Hashirama Chronicles

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Capítulo 1

Capítulo 1: O Refúgio e o Cheiro de Terra Molhada

O som da chuva caindo pesado contra a copa densa das árvores era o único barulho capaz de abafar o eco distante dos tambores de guerra. A água escorria pelas folhas largas e retorcidas da floresta ancestral, caindo em gotas grossas que se misturavam ao solo batido, criando poças de lama escura ao redor das raízes expostas de uma árvore. Ali, exatamente no limite invisível onde a floresta densa do clã Senju encontrava as fronteiras fluviais e sinuosas do território Uzumaki, o mundo parecia ter parado no tempo. Era uma zona neutra, um canto esquecido pelos patrulheiros de ambos os lados, banhado por um silêncio tenso que só a tempestade conseguia quebrar.
, aos seus onze anos de idade, estava sentada sobre a madeira úmida e gélida de uma grande raiz. Seus longos e vibrantes cabelos vermelhos — a marca inconfundível do sangue nobre e antigo do clã Uzumaki — estavam completamente encharcados, grudando na testa e na gola da roupa simples de treino. O vento frio da noite fazia sua pele arrepiar, mas ela ignorava o desconforto. Suas mãos pequenas, embora já calejadas pelo manuseio precoce de armas, trabalhavam com uma habilidade impressionante para enrolar uma atadura limpa em torno do próprio antebraço direito.
Não era um ferimento grave, apenas um rasgo raso deixado por uma lâmina cega durante um exercício militar sob a supervisão rigorosa dos anciãos de seu clã. Naquela época, o mundo não dava margem para infâncias longas; cada criança aprendia a moldar chakra antes mesmo de aprender a ler com perfeição. No entanto, a verdadeira dor que pesava no peito da garota não vinha daquele corte. Vinha da fumaça que às vezes podia ver no horizonte, das orações silenciosas das mães ao amanhecer e do medo constante de ver o nome de seus parentes esculpido em pedras funerárias.
Um barulho de passos desajeitados e pesados rompeu a sinfonia monótona da tempestade. Folhas secas e galhos quebraram sob o peso de alguém que caminhava sem qualquer cuidado com a furtividade. nem sequer se deu ao trabalho de sacar a kunai presa à sua cintura. Ela conhecia aquele ritmo vacilante, a assinatura de chakra que, embora jovem, já transbordava uma densidade anormal e quente.
— Você demorou, Hashi — disse ela baixinho, a voz doce cortando o ruído dos pingos de chuva.
Hashirama, carregando a mesma idade, surgiu de entre as sombras dos arbustos altos. Ele não vestia a armadura pesada que os guerreiros adultos ostentavam nas linhas de frente; usava apenas o traje escuro de pano e o protetor de peito simplificado do clã Senju, que agora estava completamente manchado de lama e terra escura. Seu rosto oval estava limpo pelas gotas grossas da chuva, mas seus olhos castanhos transbordavam uma dor devastadora, profunda e totalmente incompatível com uma criança de onze anos.
Ele não disse absolutamente nada ao vê-la. Apenas deu dois passos cambaleantes para a frente, com os joelhos fraquejando, e simplesmente se deixou cair na terra molhada. Ele apoiou a cabeça no colo de , escondendo o rosto no tecido áspero da saia dela. Quase instantaneamente, os ombros largos do menino começaram a tremer. Era um choro sufocado, doído, que ele passou o dia inteiro segurando diante do olhar rígido de seu pai e do resto do clã Senju.
sentiu o peito se contorcer em uma dor física. Sem fazer perguntas, ela pousou a mão pequena sobre os cabelos castanhos e úmidos dele, acariciando os fios compridos com a paciência e o carinho que ele jamais encontraria no ambiente militar do próprio acampamento.

— O Kawarama... — a voz de Hashirama saiu abafada contra o tecido da roupa dela, rasgada por soluços amargos. — Ele era só meu irmãozinho, ... Ele não tinha nem idade para segurar uma lâmina direito! Ele estava assustado! E o meu pai... o meu pai disse na frente de todo mundo que ele morreu como um shinobi digno. Como se perder um filho fosse algo natural! Como se o valor de uma criança fosse medido por quantas batalhas ela aguenta antes de ser enterrada na lama!
O choro dele se intensificou, um desabafo rasgado de quem via a moralidade do próprio pai colidir violentamente contra o seu próprio coração sensível. continuou acariciando seus cabelos, sentindo o calor da febre emocional que queimava no garoto.
— Eu não aguento mais isso — continuou Hashirama, levantando o rosto banhado por uma mistura de lágrimas e água da chuva. Seus olhos castanhos procuravam os dela desorientadamente. — Eu conversei com um garoto no rio outro dia, no limite da floresta. O nome dele é Madara. Ele é do clã Uchiha, ... o nosso maior inimigo. Mas quando a gente conversou, ele pensava exatamente como eu! Nós jogamos pedras na água e sonhamos com um lugar onde as crianças não precisassem lutar, onde existisse uma vila protegida, onde ninguém mais precisasse ver os próprios irmãos morrerem... Mas o meu pai descobriu! Ele me usou para tentar emboscar o Madara! O meu mundo tá ruindo, . Meus irmãos estão morrendo e o sistema quer me forçar a odiar a única pessoa que entendeu a minha dor!
Hashirama segurou o tecido da roupa de com força, os nós dos seus dedos ficando brancos pelo esforço. Ele parecia um naufragado se agarrando à última tábua de salvação em meio a uma tempestade sem fim.
não hesitou. Ela segurou o rosto dele com as duas mãos, ignorando a lama nas bochechas do garoto, e obrigou-o a olhar diretamente para ela. O brilho vermelho e inabalável dos olhos da garota Uzumaki refletia a determinação de um povo que recusava a dobrar os joelhos diante do desespero.
— Escuta aqui, Hashirama — disse ela com uma firmeza que fez o menino prender a respiração. — Esse sonho não é uma loucura. Não importa o que o seu pai diga, não importa o que os anciãos do meu clã ou do clã Uchiha pensem. O mundo lá fora pode estar queimando em ódio e se matando por terra, mas enquanto essa ideia continuar viva dentro de você, a guerra não venceu. Você vai construir essa vila, Hashi. Você vai mudar essas regras idiotas. Eu sei que vai.
Hashirama piscou devagar, a respiração aos poucos desacelerando à medida que o calor das mãos dela parecia dissipar o frio congelante do seu desespero.
— Você... você realmente jura que acredita nisso? — ele sussurrou, a voz falhada, buscando uma âncora para a própria sanidade.
— Eu juro pela minha própria vida — respondeu sem piscar, dando um sorriso pequeno e corajoso que iluminou aquele canto sombrio da mata. — E eu vou estar ao seu lado até que essa paz aconteça. Vou ser o seu escudo e a sua voz quando você achar que não tem mais forças. Nem que eu tenha que te arrastar até essa tal vila.
Pela primeira vez naquele dia nefasto, uma fresta do sorriso bobo e sincero de Hashirama surgiu no canto dos seus lábios, quebrando a rigidez de sua dor. Ele fechou os olhos e recostou a testa no ombro dela, agradecendo em silêncio pela existência de Uzumaki.

Anos Depois

O barulho da chuva caindo contra o mesmo tronco de árvore secular serviu como uma ponte invisível através do tempo. As gotas batiam na casca grossa com a mesma cadência, mas o mundo ao redor havia se transformado de maneira irreversível.
Sete anos haviam se passado desde aquela noite.
agora tinha dezoito anos. A garotinha que tentava estancar os próprios cortes com ataduras simples havia dado lugar a uma mulher de presença marcante e habilidades formidáveis. Suas mãos não tremiam mais. Enquanto aguardava no mesmo ponto de encontro, suas palmas brilhavam com uma aura suave e esverdeada de chakra médico, aplicando um selo sutil no próprio ombro para fechar um desgaste muscular decorrente de horas seguidas de patrulhamento.
As roupas simples de infância haviam sido substituídas pelo traje tático completo do clã Uzumaki: a cota de malha flexível, as proteções reforçadas nos antebraços e coxas, e a espiral vermelha proeminente bordada no tecido que cobria suas costas. Ela era agora uma das kunoichis e especialistas em Fūinjutsu mais respeitadas de seu clã, uma guerreira cujas cadeias de chakra eram capazes de imobilizar invocações inteiras. Mas, apesar da maturidade e da armadura, seus olhos vermelhos continuavam guardando a mesma chama inquebrável da infância.
O farfalhar da folhagem se fez ouvir novamente. O estalar de galhos secos não trazia mais os passos incertos de uma criança, mas a pisada pesada, calculada e absurdamente densa de um adulto exercendo o topo de sua forma física.
ergueu o olhar. O menino franzino da memória havia se tornado um homem de estatura imponente, com ombros largos e uma presença espiritual que fazia o próprio ar ao redor parecer mais denso. A lendária armadura vermelha de placas de ferro do clã Senju que ele ostentava estava coberta de marcas profundas — ranhuras de espadas Uchiha, queimaduras de estilo fogo e crostas espessas de lama e sangue seco. O nome de Hashirama Senju já ressoava como uma lenda temida por todo o continente, o "Deus dos Shinobi" cuja arte do Mokuton podia remodelar campos de batalha inteiros.
Contudo, para , o homem que caminhava a passos lentos até ela não era uma lenda imortal. Era o mesmo rapaz que carregava as cicatrizes de uma guerra infinita na alma.
Hashirama parou a poucos metros de distância. A chuva escorria pela ponta das suas longas mechas de cabelo castanho, caindo sobre o peitoral de ferro. A sua expressão era de uma exaustão monumental, o olhar distante de quem tinha passado as últimas doze horas contemplando a carnificina de mais um vale tingido de vermelho.
— Mais um confronto no Vale das Fronteiras — a voz dele ressoou grave, rouca pelo uso prolongado e pelo grito de comandos no meio do caos. — O Madara e eu... nós nos enfrentamos diretamente hoje, . As florestas que eu criei foram queimadas pelo Katon dele em questão de segundos. Toda vez que nossas lâminas se cruzam, a ideia daquela vila parece uma ilusão infantil de dois garotos que não entendiam a gravidade do mundo.
se levantou da raiz da árvore, a postura ereta e graciosa. Ela não disse uma palavra imediata. Caminhou lentamente na direção dele, encurtando a distância até estar a um passo do peito largo coberto pela armadura de placas. Sem se importar com o sangue frio que sujava o metal ou com a lama congelante que cobria os braços dele, deu um passo à frente e envolveu a cintura de Hashirama em um abraço apertado e protetor.
Hashirama estancou, surpreso, antes de deixar soltar um longo suspiro que pareceu esvaziar todos os seus pulmões. Ele envolveu os braços fortes ao redor das costas dela, enterrando o rosto na curvatura do pescoço de , exalando o ar quente contra a pele dela. O cheiro familiar de terra molhada, misturado ao calor reconfortante e à energia vital sem fim que fluía do chakra Uzumaki dela, agiu como o único bálsamo capaz de desacelerar o ritmo frenético do seu coração e acalmar a mente atormentada do líder Senju.
— Não é uma ilusão — sussurrou firme perto do ouvido dele, sentindo as placas de ferro da armadura dele frias contra o seu peito. — O garoto do rio continua bem aí dentro, Hashirama. E você não está sozinho nessa luta. Nunca esteve.
Hashirama afastou o rosto devagar, o suficiente para conseguir encará-la nos olhos. O carinho e a cumplicidade da infância há muito haviam se transformado em algo imensamente mais profundo, mais intenso e urgente. Ele observou os traços maduros do rosto dela, a coragem estampada nos lábios e o brilho dos seus olhos.
— Eu não sei o que restaria de mim se você não estivesse aqui, — ele confessou, a voz caindo para um tom íntimo e vulnerável. Ele ergueu a mão grande e calejada, tocando a curva do rosto dela com uma delicadeza quase inacreditável para alguém com tanto poder destrutivo. — Você é a única âncora que me impede de me afundar nesse mar de sangue. Quando tudo ao redor cheira a morte, você é a minha única certeza de vida.
A tempestade finalmente começou a dar trégua, abrandando para uma garoa fina e constante que trazia o perfume fresco das folhas lavadas e do solo fértil. A névoa baixa subia do chão da floresta, cobrindo os pés dos dois enquanto a luz prateada da lua cheia conseguia, enfim, romper a camada de nuvens escuras, iluminando a clareira com um brilho suave e misterioso.
Hashirama mantinha a palma da mão quente encostada na bochecha de , os polegares acariciando a pele macia dela. A distância ínfima entre seus corpos estava impregnada de uma tensão silenciosa, acumulada ao longo de anos de encontros furtivos, olhares trocados em reuniões de aliança e o medo constante de que qualquer um daqueles dias pudesse ser o último.
— O meu pai se foi, mas os anciãos do clã continuam pensando apenas em retaliação e domínio — Hashirama voltou a falar, sua voz era um murmurho abafado pela noite. — Eles olham para o clã Uchiha e não conseguem enxergar seres humanos que também choram por seus mortos. Eles só veem alvos. E o Madara... o Madara está se afundando cada vez mais nessa escuridão, cego pela perda dos próprios irmãos. Às vezes, quando o meu Mokuton emerge da terra e esmaga as linhas inimigas, eu sinto uma dor insuportável no peito. Eu me pergunto se não estou apenas alimentando a mesma roda de ódio que matou o Kawarama.
levou sua mão livre até a dele, cobrindo os dedos grandes e calosos de Hashirama. Ela deslizou seus dedos entre os dele, entrelaçando-os com uma força que demonstrava que nada naquele mundo seria capaz de separá-los.
— Eles enxergam a guerra porque nasceram e foram moldados por ela. Eles são incapazes de ver qualquer coisa além das muralhas dos próprios acampamentos — disse , encarando-o sem vacilar. — Mas você é diferente, Hashi. O seu Mokuton não é um jutsu feito simplesmente para a destruição. Ele traz a vida, ele faz árvores gigantescas e florestas inteiras nascerem onde antes só existia terra estéril e cinzas de queimadas. O seu poder é um símbolo de criação. Se você que é a esperança deixar a peteca cair e desistir, aí sim o ciclo de dor venceu para sempre.
Hashirama deixou escapar uma risada curta e soprada, um som rouco que misturava um alívio gigante com a habitual ironia que ele reservava para si mesmo. Ele deu um passo à frente, encostando a própria testa na dela, fechando os olhos para absorver a sensação de paz que a presença de emanava. O chakra dela, denso e acolhedor, parecia envolver o dele em uma dança harmoniosa — a vitalidade dos Uzumaki nutrindo as raízes dos Senju.
— Você sempre fala como se fosse a coisa mais fácil do mundo... mesmo quando a terra tá tremendo e o mundo tá caindo aos pedaços ao nosso redor.
— Não é fácil. Nunca foi e nunca vai ser — respondeu num sussurro, sentindo a respiração quente e pausada dele roçar seus lábios. — É só a verdade. E eu vou continuar aqui, do seu lado, para te lembrar dessa verdade quantas centenas de vezes forem necessárias.
Quando Hashirama abriu os olhos novamente, a sombra de dúvida e o cansaço esmagador haviam sido completamente varridos de sua feição. No lugar, queimava uma determinação feroz e apaixonada. Ele não recuou um milímetro. Em vez disso, segurou a cintura dela com mais firmeza e encurtou a fresta de espaço que restava entre eles, selando seus lábios nos de em um beijo profundo, lento e carregado com todo o peso dos anos de espera.
Não houve qualquer hesitação. O toque de suas bocas trouxe a confirmação definitiva de que a ligação entre eles há muito tempo tinha deixado de ser apenas a cumplicidade de dois garotos que brincavam nas margens de um rio. Era um amor moldado na dor, temperado pelo aço das batalhas e fortalecido por um propósito inabalável. O beijo era uma promessa viva de resistência contra a barbárie do mundo shinobi.
Quando se separaram lentamente, buscando o ar, a respiração de ambos estava descompassada. Hashirama mantinha os braços ao redor dela, recusando-se a soltá-la, como se temesse que pudesse se dissipar feito fumaça na névoa da floresta.
— Naquela vila... — Hashirama começou a dizer, a voz grave e embargada por uma emoção genuína, enquanto seus olhos brilhavam sob a luz da lua. — Quando nós finalmente fizermos aquela trégua e a paz se tornar realidade... eu não quero que você esteja lá apenas como uma guerreira ou uma aliada do clã Uzumaki. Eu quero você ao meu lado diante de todos. Quero que você seja a minha esposa, .
sentiu o coração dar um salto violento contra as costelas, um calor intenso subindo por seu rosto em meio ao ar gelado da madrugada. Um sorriso radiante e verdadeiro — o mesmo sorriso confiante que tinha sido a luz do Senju desde a infância — se abriu em seus lábios. Ela ergueu a mão e deu um tapa brincalhão na placa de ferro da armadura do peito dele, antes de puxá-lo pelo colarinho de pano para mais um beijo rápido e estalado.
— Trate de não ser atingido por nenhuma flecha Uchiha e sobreviva às próximas batalhas primeiro, seu garoto do rio — provocou ela com os olhos brilhando de carinho. — Depois que a vila estiver de pé, eu penso no seu pedido de casamento.
Hashirama jogou a cabeça para trás e soltou aquela sua risada alta, aberta e contagiante — a gargalhada expansiva que a guerra tinha tentado calar, mas que sempre conseguia resgatar. Naquele momento, sob a copa da árvore secular e o céu prateado, eles sabiam que, não importava o quão sangrento fosse o amanhã, o futuro deles já estava entrelaçado.


Capítulo 02

Capítulo 2: O Peso da Proteção

O cheiro de enxofre e ozônio impregnava o ar na clareira do Vale dos Pinheiros. As copas das árvores centenárias haviam sido reduzidas a destroços carbonizados após horas de confronto ininterrupto entre a vanguarda Senju-Uzumaki e as forças de elite do clã Uchiha. No centro do caos, o metal das armas tinia sem cessar, acompanhado pelas explosões retumbantes de jutsus elementais que rasgavam o solo batido.
movia-se pelo campo de batalha com uma precisão cirúrgica. Seus cabelos vermelhos, desatados pela fúria do combate, pareciam uma chama em movimento no meio da fumaça densa. Com o braço esquerdo estendido e a base firme na terra, ela moldou um fluxo denso e dourado de chakra. De suas palmas sobressaíram as correntes de selamento características do clã Uzumaki, avançando como serpentes de luz que imobilizaram com facilidade três invocações de grande porte enviadas pelas linhas inimigas. Ela garantiu a brecha perfeita para que os batedores avançassem. Sua leitura tática era impecável; ela estava no controle absoluto de seu setor.
Contudo, a poucos metros dali, a visão de cercada por inimigos acionou um gatilho sombrio na mente de Hashirama. Ele havia acabado de repelir um ataque de grande escala usando o Mokuton, mas, ao olhar para o lado e ver uma lâmina Uchiha passar a milímetros da proteção do ombro de , o sangue do líder Senju congelou. Ele não viu uma kunoichi de elite executando uma contenção de nível mestre; viu o corpo inerte de seu irmão Kawarama na lama. Viu a possibilidade da única pessoa que mantinha sua sanidade ser arrancada dele.
Tomado por um pavor irracional, Hashirama cometeu um erro crasso de julgamento.
— Retaguarda! — a voz de Hashirama ressoou com o poder devastador de seu chakra, sobrepondo-se ao barulho das explosões. — Quatro homens na ala oeste, agora! Removam a da linha de frente! Reagrupem-na no acampamento médico imediatamente!
A ordem, gritada com autoridade suprema e um desespero mal dissimulado, reverberou por todo o setor.
estancou. O choque e a humilhação atingiram-na com mais força do que qualquer jutsu inimigo. Os shinobi de guarda, confusos pela ordem direta do líder do clã, hesitaram por um segundo, mas avançaram para interceder. A quebra de ritmo na barreira de selamento deu margem para que os inimigos se reestruturassem, forçando as forças Uzumaki a recuarem sob um comando que nem sequer havia saído de seus próprios capitães.
— Hashirama, o que você está fazendo?! — a voz de cortou o ar, cheia de incredulidade, mas ele já se projetara para a frente de seu batalhão, cobrindo a retirada que ele próprio havia forçado.
A volta para o acampamento principal foi marcada por uma atmosfera densa e sufocante. A batalha fora vencida, mas o preço moral cobrado na ala oeste deixara uma fenda visível entre os aliados.
O sol começava a se pôr no horizonte quando a marcha dos feridos alcançou a área das tendas centrais. Hashirama, com a armadura riscada e o rosto sujo de cinzas, mal esperou para entregar os relatórios de combate aos oficiais. Ele caminhou apressado em direção à ala médica improvisada, com os olhos fixos na silhueta de , que carregava uma caixa de suprimentos com a mandíbula travada.
— ! Espera, por favor — chamou ele, a voz desprovida da postura de comandante, carregada apenas da angústia de um homem que sabia que havia pisado em falso.
Ela não parou. Manteve o passo firme em direção à sua tenda, ignorando os olhares curiosos dos soldados que limpavam suas armas ao redor.
— , me ouve! — Hashirama alcançou-a na entrada do posto médico, tentando tocar em seu ombro com cuidado. — Eu só fiz aquilo porque a ala esquerda estava ficando cercada... As correntes de selamento estavam drenando seu chakra e eu não podia arriscar que...
virou-se de golpe, arrancando o braço do contato dele. Seus olhos vermelhos faiscavam com uma firmeza tão gélida que fez o líder Senju dar um passo involuntário para trás.
— Não ouse mentir para mim, Hashirama — disse ela, mantendo a voz num tom baixo e controlado, mas afiada como uma lâmina de chakra. — A ala esquerda estava sob controle. As minhas correntes mantiveram a linha intacta. Você não deu aquela ordem por motivos táticos. Você deu aquela ordem porque olhou para mim e não viu uma kunoichi do clã Uzumaki capaz de lutar. Você viu um fardo. Viu alguém frágil que precisa ser trancada numa gaiola para que você se sinta seguro.
— Não é isso! Você sabe o que você significa para mim, eu não suportaria ver—
— Você me desrespeitou na frente dos meus comandados e dos seus soldados — interrompeu ela, com o peito subindo e descendo pelo ritmo da respiração. — Você usou sua autoridade para me desarmar no meio de uma estratégia de selamento. Eu passei a vida inteira treinando para estar ao seu lado na construção dessa paz, não para ser tratada como uma porcelana que você esconde quando a guerra fica feia.
— , me desculpa... — ele deu um passo à frente, com as mãos abertas num gesto de súplica. — Por favor, vamos conversar a sós.
— Não há nada para conversar agora — ela respondeu, encarando-o nos olhos com uma decisão inabalável antes de virar de costas e puxar a lona da tenda. — Não me procure hoje, Hashirama. E não tente me pedir desculpas até entender a diferença entre amar alguém e anular essa pessoa.
A lona da tenda caiu, isolando-a. Hashirama permaneceu parado na poeira do acampamento, de braços caídos, encarando o tecido fechado enquanto o silêncio da noite começava a se instalar.
A noite caiu fria sobre o acampamento principal do clã Senju. A névoa da floresta se infiltrava entre as estacas de madeira, mas a atmosfera dentro da tenda do comando era ainda mais densa e sufocante.
Hashirama estava encolhido no canto mais escuro do espaço, sentado sobre uma esteira de palha com os joelhos dobrados contra o peitoral da armadura. O homem que, horas antes, havia comandado batalhões e feito a terra tremer com seu Mokuton, agora parecia uma sombra de si mesmo. Seus ombros estavam caídos, a cabeça repousava entre as mãos e uma aura palpável de melancolia absoluta impregnava o ar ao redor.
— Ele não comeu nada — disse um dos oficiais Senju, falando em tom baixo e apreensivo na entrada da tenda. — Tentamos entregar o relatório de perdas da ala oeste e a escala dos patrulheiros para a madrugada, mas ele apenas suspirou e virou para a parede.
Tobirama Senju soltou um estalo de língua impaciente, ajustando a proteção de metal em seu queixo. Seus olhos vermelhos e afiados varreram o estado lamentável do irmão mais velho.
— Saiam todos — ordenou Tobirama, a voz fria e cortante não admitindo réplica. Os guardas e oficiais reverenciaram rapidamente e se retiraram, aliviados por deixarem a bomba no colo do segundo no comando.
Tobirama deu três passos largos para dentro da tenda, parando diretamente diante do irmão encolhido.
— Levanta daí, Hashirama — disse ele, cruzando os braços sobre o peito. — O relatório dos batedores indica que as forças dos Uchiha estão se reorganizando ao norte. O Izuna e o Madara vão lançar uma ofensiva total ao amanhecer. Precisamos definir a formação de barreira e a distribuição do chakra médico.
Hashirama nem sequer ergueu a cabeça. Apenas soltou um gemido abafado contra os joelhos.
— Não tem formação de barreira sem a ... — murmurou Hashirama, a voz totalmente embargada e dramática. — Eu estraguei tudo, Tobirama. Ela me odeia. Ela olhou para mim como se eu fosse um monstro insensível... Eu só queria proteger a mulher que eu amo e agora ela nunca mais vai olhar na minha cara. Pode mandar os Uchiha me levarem, eu não sirvo para ser líder de nada.
Tobirama fechou os olhos por um segundo, respirando fundo e massageando a ponte do nariz para não perder o resto do autocontrole que lhe restava.
— Você é inacreditável — soltou Tobirama, o tom oscilando entre a incredulidade e a irritação pura. — Nós estamos às vésperas da batalha mais decisiva de toda a nossa história. O clã inteiro depende da sua força e da sua liderança amanhã cedo, e você está entregue à desolação por causa de uma briga de casal que você mesmo provocou por ser um idiota sentimental?
— Eu não sou um idiota sentimental! — Hashirama ergueu o rosto de golpe, os olhos vermelhos e dramáticos. — Eu tive medo, Tobirama! Você sabe o que é ver a pessoa que mantém sua alma de pé no meio de cinco lâminas Uchiha?!
— Sei o que é ver uma guerreira do clã Uzumaki executando o trabalho para o qual ela foi treinada! — rebateu Tobirama, elevando a voz um tom acima do normal. — A é uma especialista em selamento de nível mestre. O Fūinjutsu dela é o único motivo pelo qual o nosso flanco esquerdo não foi atropelado pelas invocações do inimigo. Quando você deu aquela ordem absurda de retaguarda, você não a protegeu; você desarmou a nossa melhor defesa e humilhou uma aliada de elite na frente das tropas.
Hashirama abaixou a cabeça novamente, o choque daquelas palavras caindo sobre ele como uma marretada. Ele sabia que o irmão estava coberto de razão.
— Eu sou um lixo... — resmungou ele, voltando a se encolher.
— É, você foi um completo imbecil — concordou Tobirama sem qualquer piedade. — E como eu recuso me deixar morrer amanhã porque o meu irmão e comandante decidiu morrer de desgosto num canto da barraca, eu vou resolver essa bagunça agora. Fique aí e veja se ao menos veste o resto da armadura direito.
Sem esperar por uma resposta, Tobirama virou-se sobre os calcanhares e saiu da tenda de comando, ajustando a gola de pele branca sobre a armadura azul. O ar frio da noite atingiu seu rosto enquanto ele caminhava a passos firmes e decididos em direção à área dos Uzumaki.
A tenda de suprimentos e selamento do clã Uzumaki estava iluminada apenas por duas lanternas de óleo. O cheiro de tinta de pergaminho fresca e ervas medicinais preenchia o ambiente.
estava sentada diante de uma mesa baixa de madeira, traçando fórmulas complexas de Fūinjutsu em longos rolos de papel com um pincel fino. Suas mãos eram firmes, mas a rigidez no seu maxilar e o brilho intenso nos seus olhos vermelhos mostravam que a raiva e a mágoa da tarde ainda queimavam vivas dentro dela.
A lona da entrada foi erguida sem cerimônia. nem precisou olhar para saber quem era; a presença de chakra gélida e refinada do estilo água era inconfundível.
— Se veio tentar passar o pano para a estupidez do seu irmão, pode dar meia-volta, Tobirama — disse ela, sem pausar a pincelada no pergaminho.
Tobirama entrou, deixando a lona cair atrás de si. Ele observou a precisão dos símbolos que ela desenhava antes de se aproximar e parar do outro lado da mesa.
— Eu não vim defender o Hashirama — disse Tobirama, com sua voz calma e desprovida de qualquer floreio emocional. — Ele foi um idiota completo hoje à tarde. A ordem que ele deu foi taticamente errada, interferiu na sua autoridade e comprometeu a eficiência da barreira no flanco esquerdo. Ele agiu como um civil assustado, não como um comandante de guerra.
parou o pincel por um segundo. Ela ergueu os olhos, ligeiramente surpresa pela honestidade brutal e direta de Tobirama.
— Fico feliz que ao menos alguém nesta aliança tenha um pingo de juízo tático — respondeu ela, o tom ainda afiado. — Ele me tratou como se eu fosse uma criança indefesa que precisa ser escondida. Eu passei a minha vida inteira sangrando e treinando pelo clã Uzumaki para estar na linha de frente, Tobirama. Eu não sou um troféu frágil do seu irmão.
— Eu sei disso — disse Tobirama, encarando-a com o respeito frio que reservava apenas aos shinobi verdadeiramente capazes. — E o clã Senju reconhece a sua força. Sem o seu selamento amanhã, o nosso plano de contenção para as tropas do Izuna não funciona. Se você não estiver na linha de frente, nós vamos ter perdas dobradas.
soltou o pincel sobre o suporte de cerâmica e cruzou os braços, encostando-se na cadeira.
— Então vá dizer isso ao seu irmão. Porque se ele tentar me mandar para a retaguarda de novo amanhã, eu mesma uso minhas correntes para prender ele numa árvore antes de ir para a batalha.
Um esboço quase imperceptível de sorriso de canto surgiu nos lábios de Tobirama.
— Eu pagaria para ver isso — admitiu ele. — Mas a questão, , é que o Hashirama está incapacitado. Ele está encolhido no canto da tenda, imprestável para o planejamento tático do amanhecer porque acha que destruiu a única coisa que importa para ele neste mundo.
desviou o olhar, o peito apertando levemente contra a sua vontade.
— Isso é problema dele. Ele precisa aprender a separar os sentimentos dele da responsabilidade de liderar.
— Ele é um sentimental incapaz — concordou Tobirama, avançando um passo e apoiando as mãos na mesa. — Mas você sabe melhor do que qualquer pessoa neste acampamento o porquê dele ter agido daquele jeito. O Hashirama viu o Kawarama e o Itama serem despedaçados quando era uma criança. Ele carrega a culpa de cada morte deste clã nas costas. Quando ele olhou para você no meio daquela confusão e viu as lâminas Uchiha perto, ele não enxergou a kunoichi brilhante do clã Uzumaki. O cérebro dele surtou no trauma antigo de ver quem ele ama virar um cadáver na lama.
fechou os olhos devagar, engolindo em seco. As palavras de Tobirama, embora ditas sem nenhum drama, acertaram em cheio o ponto mais vulnerável do seu coração. Ela conhecia aquele trauma. Ela esteve lá no dia em que o Hashirama chorou no colo dela na infância.
— Ele errou feio na execução — continuou Tobirama, a voz baixando um tom. — Mas o medo dele não vem de duvidar da sua capacidade, . Vem do pavor absoluto de viver em um mundo onde ele construa aquela tão sonhada vila de paz, mas não tenha você ao lado dele para ver isso acontecer. Você é a única âncora que mantém aquele idiota são. E amanhã nós precisamos do "Deus dos Shinobi" focado, não de um homem quebrado.
O silêncio reinou na tenda por longos segundos. O som do vento lá fora parecia o único ruído na noite.
respirou fundo, soltando o ar devagar. Ela olhou para os pergaminhos de selamento sobre a mesa e depois voltou o olhar para o irmão mais novo de Hashirama.
— Você é muito manipulador quando quer, Tobirama — disse ela, embora o tom rígido da sua voz tivesse se dissolvido.
— Eu sou apenas pragmático — respondeu Tobirama, ajeitando a armadura. — O acampamento precisa de vocês dois alinhados ao amanhecer. Ele está na tenda central. Se quiser dar um soco na cara dele antes de perdoá-lo, eu garanto que ninguém vai intervir.
Tobirama não esperou por uma resposta. Virou de costas e deixou a tenda médica, sabendo que sua missão pragmática estava cumprida.
permaneceu sozinha por alguns instantes. Encarou o pergaminho de selamento à sua frente, a tinta negra desenhando fórmulas que amanhã salvariam dezenas de vidas no campo de batalha. Soltou um longo suspiro, guardou o pincel de madeira e levantou-se. Ela ainda estava brava pela humilhação tática, mas a lógica fria de Tobirama havia desarmado a parte mais afiada do seu orgulho: o medo de Hashirama não vinha da arrogância de um líder, mas das cicatrizes de uma criança traumatizada que ainda sangravam.
Caminhando a passos silenciosos pela grama úmida, atravessou o acampamento. As fogueiras começavam a baixar, deixando o ambiente sob uma penumbra fria. Na entrada da tenda central de comando, os dois guardas Senju menearam a cabeça com um respeito aliviado ao verem a Uzumaki passar. Eles sabiam que ela era a única pessoa capaz de tirar o comandante daquele transe.
ergueu a lona e entrou.
O cenário era exatamente o que Tobirama descrevera. As velas estavam quase apagadas, lançando sombras longas pelas paredes de tecido. No canto mais escuro, sentado sobre o chão de terra batida com os joelhos dobrados e os braços cruzados sobre a cabeça, Hashirama parecia uma estátua de melancolia. A aura de opressão e tristeza ao redor dele era tão densa que o ar parecia difícil de respirar.
caminhou devagar e parou bem na frente dele. As pontas de suas botas táticas quase tocavam os joelhos do Senju.
— Você pretende passar a noite inteira aí fingindo que é uma pedra, ou vai me ajudar a organizar a formação de selamento do flanco esquerdo? — a voz dela soou clara, cortando o silêncio do lugar.
Hashirama estremeceu. Ergueu o rosto devagar, os olhos castanhos arregalados e surpresos, ainda fundos e manchados de dor. Ao ver parada diante dele — sem a rigidez assassina da tarde, mas com o olhar firme e acolhedor —, a respiração dele falhou.
— ... — a voz dele saiu rouca, quase um sopro desajeitado. — O Tobirama foi falar com você, não foi? Ele... ele deve ter dito um monte de besteiras...
— O Tobirama disse a verdade — interrompeu ela, cruzando os braços e mantendo a postura ereta. — Ele disse que você agiu como um idiota sem visão tática e que humilhou uma das suas melhores especialistas em Fūinjutsu no meio de uma batalha decisiva.
Hashirama abaixou a cabeça de imediato, encolhendo os ombros como se tivesse levado um golpe físico.
— Ele tá certo... — murmurou ele com a voz embargada. — Eu fui um imbecil, . Eu vi aquelas lâminas perto de você e o meu peito travou. Eu não consegui pensar na formação, não consegui pensar no clã... Eu só pensei que, se você morresse ali, nada do que eu estou construindo faria sentido. Eu sinto muito. Me perdoa... por favor.
observou a figura imponente do "Deus dos Shinobi" totalmente desarmado aos seus pés. A raiva que ainda restava dentro dela evaporou por completo, dando lugar a uma compaixão profunda. Ela se ajoelhou na terra fria, ficando na mesma altura dele, e estendeu as mãos para segurar o rosto dele com firmeza.
— Eu não preciso do seu pedido de desculpas pelo seu medo, Hashirama — disse ela, obrigando-o a encará-la nos olhos. — Eu entendo o seu trauma. Eu estava lá quando o Kawarama morreu, eu vi você chorar no meu colo e sei o quanto dói carregar o peso deste clã. Mas você precisa entender uma coisa, de uma vez por todas: eu não sou o Kawarama. Eu não sou uma criança indefesa que precisa ser trancada em uma gaiola para sobreviver.
Hashirama piscou devagar, sentindo o calor familiar das mãos dela contra a sua pele gelada.
— Eu sou do clã Uzumaki — continuou ela, a voz carregada de uma orgulhosa e inabalável determinação. — Eu lutei ao seu lado para chegar até aqui. Minhas correntes são a sua defesa, e meu chakra é o seu suporte. Se você me tirar da linha de frente por medo, você não está me protegendo; está tirando de mim o direito de lutar pelo nosso futuro. Você entende isso?
Hashirama engoliu em seco. A clareza das palavras dela atingiu-o no peito como uma iluminação. Ele ergueu as próprias mãos calosas e cobriu as mãos de que seguravam seu rosto, apertando-as com um carinho desesperado.
— Eu entendo — confessou ele, a voz firmeizando aos poucos. — Eu juro que entendo. Me desculpa por ter duvidado da sua força... Isso nunca mais vai acontecer. Eu nunca mais vou tentar afastar você do meu lado no campo de batalha.
— É bom mesmo — respondeu ela, permitindo que um pequeno e quente sorriso finalmente surgisse em seus lábios. — Porque se tentar me mandar para a retaguarda de novo, eu uso minhas correntes para te prender na árvore mais alta da floresta antes de ir lutar.
Hashirama soltou um suspiro longo e aliviado, a aura sombria que o envolvia se dissipando instantaneamente. Ele encostou a testa na dela, fechando os olhos e absorvendo a sensação mágica de ter a sua âncora de volta.
— Combinado — sussurrou ele, dando uma risada curta e leve. — Amanhã nós lutamos juntos. Lado a lado. E depois que derrotarmos as linhas dos Uchiha... nós vamos fundar essa vila.
— Juntos — reafirmou , selando a promessa com um beijo calmo e profundo que afastou o resto da escuridão daquela noite.
Continua…
Nota da autora
Mais um capítulo dessa história incrível que eu estou amando demais! Esse capítulo trouxe esse lado protetor e ao mesmo tempo “difícil” do Deus Shinobi. O Hashirama é um dos personagens mais incríveis da história de Naruto e sempre me encantou esse jeito dele, nunca pensaríamos que um dos caras mais fortes da obra teria uma personalidade tão peculiar hahah Muito obrigada por lerem, espero que estejam gostando, deixem os comentários pra eu saber a opinião de vocês!

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