Revisada por: Saturno 🪐
Última Atualização: 27/07/2025Enquanto desviava das maldições que eram mandadas para ela com maestria, não deixava de revidar da mesma forma, se não pior. Precisou de toda a força do mundo para não perder o controle e se revelar, uma vez que sua melhor habilidade era também seu maior segredo.
Conforme procurava seu oponente, aproveitou para deixar corpos pelo caminho e não podia negar, gostava do que estava fazendo. Nesse momento lembrou do que ele havia dito. Mexer com esse tipo de magia era perigoso, viciava e ele temia por sua alma.
Não foi preciso correr muito, uma vez que o rastro de destruição que deixou conforme passou, não passou despercebido. Logo uma forma se materializa em sua frente, ela já sabia como era sua forma. Já havia o visto antes. Então não foi nenhuma surpresa quando sua figura horripilante apareceu em sua frente
— Olá, primo — a bruxa fala com um tom cínico. — Nos encontramos novamente.
Os moradores da casa vizinha eram vistos pouquíssimas vezes fora de suas casas, eles saiam apenas de manhã, para fazer sua pequena filha tomar banho de sol. Mas tão logo que apareciam, entravam em casa e não se arriscavam a sair novamente.
Por saberem que naquela casa havia uma família, enquanto o Sr. Banner saia para a rua, que já fora tomada de curiosos, sua esposa ligava para os bombeiros. Os demais vizinhos começaram a se juntar para tirar os escombros, aflitos pela família que morava ali. Depois de um tempo, perceberam um amontoado maior. Correram para aquele local e começaram a fazer a retirada das madeiras que cobriam o local.
Quando terminaram, uma surpresa. O bebê daquela família estava dentro do berço, deitada calmamente, como se nada estivesse acontecendo. Era como se um campo de força estivesse protegendo aquela pequena menina de cabelos pretos e com um olho de cada cor. O Sr. Banner foi na frente de todos, pegando a criança em seus braços, que não reclamou de ser pega por um estranho, muito pelo contrário, instantaneamente pegou os óculos do homem com suas pequenas mãozinhas.
Não tardou para os bombeiros chegarem, como a garota estava bem, sem nenhum arranhão, apesar dos escombros que estavam ali, ninguém sabe. Mas depois de horas de buscas, não encontraram os corpos dos pais da garota. A família Banner ficou com ela por alguns dias, na esperança de que seus pais retornassem, mas isso nunca aconteceu.
Dias depois, a assistência social a levou a um orfanato. Naquela noite, no mesmo dia, o ministério obliviou o casal e todos que participaram do resgate
A guerra havia acabado. Todos os bruxos do mundo comemoravam que Voldemort havia sido derrotado por Harry Potter, o garoto que sobreviveu a um Avada Kedavra. O dia que ficou marcado como o dia em que Voldemort fora derrotado, também ficou gravado como dia em que os pais de , se é que esse é o seu nome mesmo, foram mortos.
Ninguém sabe como aconteceu. No mesmo dia em que Potter fora levado até seus tios, fora encontrada em meio a escombros de uma casa em um bairro trouxa considerado o subúrbio de Londres. Não foi encontrado nenhum corpo junto dela, apenas ela. Um bebê de cerca de 1 ano, estava no meio de escombros.
Os trouxas que a encontraram relatam que ela estava calma e que não possuía um arranhão, apesar da destruição que a cercava, como se algo houvesse a protegido.
Alguns chamaram de sorte, outros de milagre, mas o termo correto seria magia.
Sem conseguirem qualquer contato com os antigos moradores do local, a garota foi para um orfanato no interior da Inglaterra. Onde teve uma infância considerada difícil.
Manifestou a magia pela primeira vez, apenas 3 meses depois de chegar no lar, quando fez seu bicho de pelúcia flutuar do chão até seu berço. Os funcionários do orfanato ficaram perplexos, mas tudo fora abafado com ajuda do ministério.
Um funcionário do ministério foi designado para acompanhar a garota desde esse dia, apagando todas as manifestações de magia dela. Porém, essa não foi uma boa ideia do ministério. Por ter sempre alguém por perto a vigiando, as crianças começaram a tratar mal, zombando e batendo nela sempre que tinham a oportunidade. O fato de ter heterocromia só piorava, sua pele era muito pálida, seus cabelos muito escuros, isso fazia com que a divergência de cores se destacasse muito em seu rosto. Há quem dissesse que isso a tornava única, mas, para , era quase como uma maldição, uma vez que um de seus olhos era de um azul brilhante e o outro castanho escuro.
Apesar de toda a infância difícil, ela era uma garota boa, nunca tratou ninguém mal e sempre respeitou a todos a sua volta, apesar das circunstâncias horríveis em que cresceu. Claro, ela cresceu achando que era louca ou que tinha algum problema, uma vez que nunca fora explicado para ela que tudo o que fazia ali era magia, ela apenas aceitava que coisa estranhas aconteciam com a morena, uma vez que desde que se conhecia como gente, esses eventos a rondavam.
Foi quando completou 8 anos que tudo mudou. Um garoto acabou irritando ao ponto de ela fazer o garoto flutuar pelo céu feito um balão. Aquele fato não poderia ser abafado com tanta facilidade, a garota precisava saber o que era, assim poderia se controlar, mesmo que sozinha. Na manhã seguinte do incidente, o funcionário que a acompanhava fora dispensado, uma vez que não estava sendo de nenhuma ajuda para o desenvolvimento da criança. Ao invés de substituir o funcionário, o ministério achou melhor tentar outra abordagem. Alvo Dumbledore, Minerva McGonagall e Severo Snape foram fazer uma visita ao orfanato da garota.
Sem o menor aviso, uma vez que ninguém ousava falar muito com a menina, nem mesmo as funcionárias do orfanato, ela fora colocada em uma sala com os três adultos olhando para ela.
— Bom dia, senhorita — diz a mulher. Ela estava sentada no meio dos dois homens, sua aparência lembrava uma mulher dura, mas havia um sorriso gentil em seu rosto.
— Eu juro que não sei o que aconteceu, eu não fiz de propósito — a criança começou se defendendo. — Eu sei que não sou bem tratada aqui, mas não me levem para o hospício, por favor!
— Calma, criança, não estamos aqui para lhe fazer mal, só queremos conversar com você — quem diz é o homem de cabelos pretos e nariz pontudo.
— Exatamente, você tem feito algumas coisas que não sabe explicar, correto? — agora, quem pergunta é o homem mais velho, de barba e cabelos brancos, suas vestes são coloridas, algo que nunca havia visto alguém usar na vida.
— Alvo, acho que seria de bom tom, nos apresentarmos para ela, não é mesmo? — Interrompe a mulher, antes de deixar que a menina respondesse. — Eu sou a Professora Minerva McGonagall — ela começou se apresentando. — Esse é o Professor Severo Snape — ela aponta para o homem de cabelos pretos. — E esse é o Professor Alvo Dumbledore.
assentiu, enquanto tentou absorver os nomes.
— Desculpe, mas... Professores?
— Sim, nós somos de uma escola para pessoas especiais — Professora McGonagall responde com simpatia.
— A senhorita não respondeu à pergunta… — Relembra Professor Snape
— Ah, claro — a garota se recompôs, mas ainda havia uma certa incerteza em sua voz. — Eu fiz sim, algumas coisas, mas a pessoa que ficava comigo sempre falava que não era nada. Mas… não é normal eu fazer uma pessoa voar feito um balão. É?
— Bem, para pessoas como você, eu, Minerva e Severo, é — respondeu Dumbledore.
— Eu, não sei se — a frase da garota foi interrompida por um gritinho seu quando o homem de cabelos pretos, Snape, pelo que ela se lembrava, tirou uma varinha do bolso e com um aceno, fez o vaso em sua frente se transformar em um globo de neve.
Maravilhada, a garota pegou o globo em suas mãos e o observou. No centro do globo havia uma garota de cabelos pretos e pele clara, muito parecida com a própria . A figura no centro do objeto parecia estar rodopiando, com um vestido que a própria morena nunca tinha visto, não havia neve em si, mas sim, uma espécie de glitter dourado que fazia com que a figura da garota parecesse ainda mais etérea.
— Acredita em nós agora? — Professor Snape perguntou, com um sorriso ladino, enquanto observava com atenção e contentamento o fascínio da pequena órfã.
— Sim… — ela disse baixo, com um leve rubor nas bochechas, por ter sido pega duvidando de… bruxos. — Essa escola… — começou ela, receosa. — Vocês podem me levar?
— Podemos — respondeu McGonagall, com um sorriso terno, fazendo a garota abrir um sorriso. — Mas não agora — o sorriso da menina se desfez mais rápido do que surgiu.
— Para entrar na escola, precisa ter 11 anos completos, minha criança — quem respondeu agora, foi Dumbledore.
— Mas achamos justo mostrar para você que não está sozinha — Professor Snape complementou. Algo na face seria do homem, despertara o interesse da criança, que se afeiçoou quase que instantaneamente com o bruxo.
— E para informar que conseguimos uma... autorização especial — completa Dumbledore, com um ar levemente brincalhão em sua voz
— Autorização especial?
— Sim, visto que a senhorita claramente é uma exímia bruxa, achamos melhor que, durante as férias escolares, como estamos em nossas casas, você passasse esses meses com um de nós. Assim conseguimos ajudá-la a controlar sua magia — McGonagall explicou, deixando a garota excitada com a ideia de conseguir estudar magia durante as férias da escola.
— Se a senhorita quiser, é cla...
— Eu quero, quando eu vou? — Perguntou a criança, interrompendo Dumbledore, que soltou uma risada fraca, animada com a ideia de passar 3 meses longe daquele orfanato horrível.
— Venho buscá-la amanhã de manhã — respondeu Dumbledore — Ficará comigo no primeiro mês, seguido de Minerva e o último será Severo — a garota assentiu, guardando a informação, mal conseguindo se conter de felicidade.
Os bruxos se levantam, fazendo a garota se levantar também, por impulso. Alvo foi o primeiro a se retirar, acenando com a cabeça para , dando uma piscadinha marota, arrancando uma risadinha da menina. A próxima é Minerva, que passou a mão pelos cabelos pretos de , murmurando um “nos vemos em breve”. O último foi Severo, que apenas acenou, levemente frio para ela antes de virar as costas e ir embora. Quando ele estava quase saindo pela porta, o chamou
— Professor Snape? — Ela o chamou baixo, quase como um sussurro, por sorte, ele ouviu. Virou-se para ela de supetão, sua capa, pareceu voar quando ele se abaixou, ficando da sua altura, esperando que ela falasse, pacientemente. — Acho que isso lhe pertence — ela estendeu o globo de neve, que ainda estava sem suas mãos
— Pode considerar como um presente de aniversário, afinal, hoje é o seu, não é mesmo? — ele a respondeu docemente, possivelmente por não ter mais seus amigos de olho. A garota acenou com a cabeça, surpresa por alguém se lembrar de seu aniversário. — Feliz aniversário senhorita , nos vemos em breve — ele bagunçou rapidamente os cabelos lisos da garota, que soltou uma risada infantil, antes de sorrir de lado e se juntar a seus companheiros, que observavam a cena ao longe, mas que não cometeram nada quando o amigo se juntou a eles, com a máscara fria em seu rosto novamente.
Com rapidez e ansiedade, Olívia pegou sua pequena mala e desceu as escadas do pequeno sobrado, deixando sua mala ao lado da porta e a abrindo antes que o bruxo se anunciasse na casa.
— Senhor Dumbledore, bom dia — o saudou, com um grande sorriso no rosto. Seu coração parecia que ia sair de sua boca, tamanha animação.
— Bom dia, senhorita . Está pronta? — O bruxo de barba branca tinha um sorriso simpático em seus lábios.
Ela apenas assentiu, agarrando a pequena mala improvisada com suas roupas. Ninguém do orfanato saiu para se despedir. Ninguém notaria sua ausência, uma vez que nunca faziam muita questão de saber de sua existência. então deu um passo para fora da casa, olhando para os lados com certa curiosidade.
— Senhor… Como nós vamos?
— Vamos usar um método chamado Aparatação. Foi assim que cheguei aqui, mas acho que a senhorita percebeu. — Ele deu uma leve piscada marota, como se soubesse que a criança estava observando as janelas. O bruxo pegou a mala de e começou a andar lentamente para longe do orfanato, enquanto ela o seguia de perto.
— Aparatação?
— Sim, é um método que nós bruxos usamos para nos mover pelo mundo. É considerado uma mágica complexa. É necessária uma licença especial dada pelo ministério quando fazemos 17 anos. — assentiu e parou ao lado do homem, que estava observando os arredores de forma despreocupada. — Agora, segure minha mão, sim? Vou aparatar com você. A primeira vez pode ser levemente desconfortável, mas você se acostuma. — A pequena bruxa engoliu em seco, mas segurou a mão de Dumbledore com firmeza. Um instante e uma leve ânsia de vomito depois, estava dentro da casa de Dumbledore.
A residência era exatamente como ela imaginava que a casa de um bruxo excêntrico seria. Tetos altos, relógios que giravam ao contrário, livros que se organizavam sozinhos, e uma chaleira que cantarolava. ficou parada na entrada, olhos arregalados.
— Bem-vinda ao meu lar, minha cara. Espero que não se importe com o caos. A casa tem personalidade própria, receio. — Dumbledore guiou-a para um quarto que foi preparado para ela. Tão colorido e excêntrico quanto o resto da casa. Havia uma pequena cama de solteiro, uma poltrona, uma estante de livros e um guarda-roupas.
Com um aceno da varinha, a mala de se abriu e suas roupas foram sozinhas sendo colocadas dentro do armário.
— Isso é… para mim? — Ela não conseguia acreditar que, pela primeira vez na vida, estava tendo um quarto só para ela. Caminhou até a estante de livros, parecia uma coletânea de livros que pareciam ser para a idade dela, como “Contos de Beedle, o Bardo”.
— É claro! Não achou que não teríamos um quarto apenas para você, achou? — Na verdade…. — Ela coçou a cabeça, levemente sem graça, fazendo o bruxo rir baixo.
— Venha, quero te mostrar uma das minhas guloseimas favoritas. — Dumbledore saiu do quarto, sendo seguido por , que não conseguia parar de observar como aquela casa parecia viva. Quando se deu conta, estava na sala novamente, com o bruxo mostrando para ela se sentar em uma poltrona macia. — Vamos começar com algo simples. Já experimentou feijõezinhos de todos os sabores?
pegou um com cuidado.
— Parece inofensivo... — Mastigou. — Urgh! Isso tem gosto de... cera de ouvido?
Dumbledore deu uma gargalhada contida.
— Sim, essa é uma possibilidade. E talvez o mais leve entre os sabores perigosos.
Entre risos e pequenas demonstrações mágicas, ele explicou o básico: o que era magia, o que era o Ministério, as escolas e, principalmente, que ela era especial.
— Você tem um talento raro. A maioria das crianças manifesta magia acidental de tempos em tempos. Você, , manifesta com precisão... e intensidade. Isso é tanto um presente, quanto uma responsabilidade.
Ela ouviu em silêncio, absorvendo tudo como se estivesse sonhando acordada.
O segundo mês foi completamente diferente. A casa da Professora Minerva McGonagall era silenciosa, rígida, meticulosamente organizada. tentou não bagunçar nada, mas isso era difícil quando você era uma criança mágica curiosa.
— Não toque naquele vaso, ele foi enfeitiçado para detectar mentiras — advertiu Minerva, ao vê-la se aproximar.
Assim como na casa de Dumbledore, também tinha um quarto apenas para ela. A estante de livros, no entanto, tinha alguns títulos um pouco mais complexos, como “Hogwarts, uma história”. Parecia que esses livros eram mais para estudo, diferente dos contos que tinha na casa de Dumbledore. A casa de Minerva era menos… mágica. Como ela morava em uma aldeia trouxa, nomenclatura essa que aprendeu com a professora, ela evitava usar magia dentro de casa, para evitar que algum vizinho visse e os denunciasse.
— Eu posso ser uma bruxa mesmo sem vir de uma família mágica? — Foi a primeira pergunta que fez, quando descobriu que não era necessário ter pais bruxos para ser um.
— Claro que pode. Sua origem não define seu valor. O que você faz com sua magia, sim
Durante as semanas, Minerva a ensinou a respirar fundo antes de qualquer reação. A controlar os impulsos mágicos. Lições sobre ética, respeito, limites. Falaram sobre nascidos-trouxas, bruxos que se casavam com trouxas, sobre a diversidade do mundo mágico. Cada descoberta era um universo novo na mente da menina, que não podia deixar de pensar nas enormes possibilidades que lhe aguardavam quando finalmente pudesse estudar magia.
A menor presença de magia não decepcionou , pelo contrário, como não havia tantos estímulos mágicos, ela conseguiu mais facilmente aprender a se controlar. E, como Minerva sempre dera muito valor ao conhecimento, acabava deixando a garota ler um livro ou outro sobre transfiguração, assunto que deixara a garota extremamente intrigada. McGonagall não poderia ter ficado mais satisfeita, uma vez que era a matéria que lecionava em Hogwarts.
Em uma das noites, enquanto procurava pelo livro de transfiguração básica que estava tentando ler, percebeu que havia um gato sentado na poltrona que a professora normalmente ocupava.
— Um gato? Não sabia que McGonagall tinha um. — Sua frase morreu em sua garganta, pois, em um piscar de olhos, viu o felino se transformar na professora, a fazendo cair sentada, de olhos arregalados, arrancando uma leve risada da professora. — E-eu vi isso em um dos livros de transfiguração. A senhora é uma animaga!?
— Sim, senhorita. — Minerva se sentou na poltrona, agora em sua forma humana, enquanto tomava uma xícara de chá.
— Eu… posso ser uma também!? — A curiosidade e a vontade de poder se transformar em um animal só aumentavam, e as perguntas também.
— Sim. — Minerva colocou a xícara na mesa ao lado. — Mas é um campo avançado da magia. Apenas alguns dominam. E todos são registrados no Ministério.
— Por que precisam ser registrados?
— É simples, já imaginou o que aconteceria se um animago não registrado tivesse más intenções?
— É verdade. — A garota suspirou, não achava justo ter que ficar falando para o ministério o que ela deixava ou não de fazer, mas não discutiu, sabendo que a bruxa era muito seguidora das regras.
— Agora, vá dormir, criança, está tarde. Amanhã você pode voltar a ler os seus livros, sim? — assentiu, murmurando um boa noite para a professora antes de ir para o seu quarto, com a cabeça cheia de ideias para os seus próximos anos.
A mudança foi brusca. A casa era escura, as cortinas sempre fechadas, o cheiro constante de poções pairava no ar. se sentiu intimidada ao chegar, mas foi recebida com um silêncio curioso. Sobre a mesa, havia uma caneca com seu nome.
— Não espere brincadeiras aqui. E não toque em nada sem permissão — advertiu Snape, logo na chegada. assentiu, enquanto ia para seu quarto.
Nos primeiros dias, ele parecia distante. Mas, pouco a pouco, percebeu pequenos gestos: ele deixava livros específicos à mostra, fazia poções que aliviavam suas insônias e, certa noite, colocou um frasco com tinta encantada em sua mesa.
— Para sua caligrafia — disse seco. — Não conte aos outros.
Dos lugares onde passou, a casa de Severo foi a que mais gostou. Talvez por ter a liberdade de explorar a casa, sem tocar em nada, é claro. Ou pelo simples fato de ter paz, poder ir para qualquer lugar. A relação dos dois era muito tranquila, e isso agradava muito . Ela se sentia em casa, e isso nunca a deixou tão feliz.
Numa noite chuvosa, enquanto ambos liam em silêncio, encontrou um livro grosso sobre guerras bruxas. As imagens de duelos, corpos e destruição a deixaram sem ar.
— Professor... por que os bruxos brigavam entre si? Não eram todos do mesmo lado?
Snape olhou por cima do livro, olhos semicerrados.
— A ignorância é uma praga, Srta. . Nem todos os bruxos buscam o bem. Alguns querem poder. Outros, pureza de sangue. Poucos… justiça.
— Mas… por quê? Alguém ensina eles a serem assim?
— Às vezes, herança. Às vezes, escolha. A senhorita deve aprender a distinguir o que vem do mundo... e o que vem de si mesma.
— Isso parece coisa que o Dumbledore diria — ela murmurou baixo, ainda folheando o livro em suas mãos.
Snape quase sorriu.
— Ele é péssimo em guardar esses discursos só para si.
Conforme os anos foram passando, a relação dos dois foi ficando cada vez mais casual. Era como se o bruxo ranzinza fosse amolecendo conforme fosse ficando com a criança. Sempre aparecendo em seu aniversário para dar algum presente. Cada vez que ela ia até sua casa, Snape era cada vez menos criterioso. Com a promessa de que não contasse a ninguém, até deixara a garota começar a preparar poções simples. Ele, assim como Minerva, já havia percebido que a garota tinha uma grande vontade de aprender e se esforçava para isso. Tanto que ambos estavam deixando ela ler livros mais avançados, de acordo com os anos que foram passando.
Foi numa manhã em que o céu parecia mais claro que o habitual. Uma coruja cinza pousou na janela e bicou o vidro com impaciência. e Snape estavam no porão, a garota estava observando o bruxo fazer algumas poções antes do ano letivo começar, quando ouviu o barulho ao longe e correu para abrir. Um envelope bege com um lacre vermelho a aguardava.
— Hogwarts... — sussurrou.
Ela correu até Snape, tomando cuidado para não esbarrar em nada
— Eu fui aceita! Eu... eu vou mesmo!
Snape apenas assentiu.
— Vista-se. Vamos ao Beco Diagonal. Precisará de materiais. E não faça escândalo.
Mas quando ela saiu correndo para se trocar, ele permaneceu parado por um instante, encarando o envelope em suas mãos com uma sombra de orgulho nos olhos.
O trem a esperava, imponente e mágico. se despediu de Snape na plataforma.
— Professor… obrigada. Por tudo.
— Não diga isso em voz alta em Hogwarts. Tenho uma reputação a manter. — Ele piscou maroto para a garota, que apenas assentiu com um sorriso de lado antes de entrar no trem, encontrando logo uma cabine vazia e se sentou. Pela janela, viu Snape virar as costas e desaparecer na névoa da estação.


