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Revisada por Nyx 🌙

Última Atualização: 20/04/2026


Los Angeles, CA

— É aqui? – indaguei a ao meu lado.
Ela apenas concordou com a cabeça em um aceno rápido, e engoli seco. Levei as minhas mãos até as grades que dividiam o público do palco. Ficaríamos próximas. Muito próximas. Aquilo fez com que meu coração viesse parar na minha boca e engoli seco. Eu não me sentia preparada.
Conforme o tempo passava, as fãs se amontoavam atrás de nós. E sei que no fim, tudo valeria a pena. O calor predominou, da mesma forma que a vontade de fazer xixi. No entanto, ignorei tudo. Daria conta disso depois.
Foi questão de algumas horas para que todas as luzes se apagassem e uma gritaria insuportável me abraçasse, mas também gritei. A adrenalina corria pelo meu corpo, e eu só sabia rir, me movimentar e gritar — sabendo que eu não teria voz no dia seguinte.
Assim que os primeiros acordes começaram, nem notei o quanto sorria. O quanto meu coração batia forte e o mix de emoções que predominava em meu corpo.
Até que ele apareceu.
E aí sim, consegui distinguir quais eram as minhas emoções. Minha boca estava seca, minhas mãos bambas e pernas fracas. Pisquei algumas vezes, tentando recobrar os meus pensamentos, as minhas ideias.
Ross Lynch surgiu no palco sob um feixe de luz. Era como se ele já fizesse parte daquele lugar — como se tudo tivesse sido construído ao redor dele.
A mão de veio até a minha e eu segurei de volta como se precisasse disso para viver.
Começamos a cantar juntas, ao passo que a multidão fez o mesmo. Não poupei a minha voz, e nem ao sentir a letra da música quando pude fechar os meus olhos. Mas, assim que os abri, notei que ele me olhava.
Não, sua burra. Ele não está olhando para você.
Engoli em seco, me sentindo sozinha no meio de tantas pessoas por alguns instantes, pois Ross mesmo com o microfone grudado na boca, movimentando uma das mãos no ritmo da música, ele não tirava os olhos de mim.
Não conseguia entender o que acontecia diante dos meus olhos, tanto que me sentia petrificada. Era como se eu estivesse grudada naquele chão e só visse ele diante dos meus olhos.
Provavelmente era só impressão, pensei.
Muitas garotas passam por isso no show das suas bandas favoritas.
A primeira música acabou, e logo a próxima começou.
Engoli em seco e apertei a mão de contra a minha. Era a minha favorita. Uma das músicas que fez com que eu ouvisse a banda no repeat.
A Kiss.
O ritmo mudou. As luzes ficaram mais baixas, mais quentes. O tipo de iluminação que faz tudo parecer mais próximo... mais íntimo. Por mais que a música fosse animada.
Meu coração acelerou de um jeito diferente.
Acompanhei com meu olhar Ross caminhar pelo palco devagar, às vezes ele levava o microfone até a boca, às vezes o tirava e movia os braços, fazendo com que o público fosse a loucura.
E novamente nossos olhares se encontraram e eu engoli seco com isso.
Nunca me arrependi tanto de não ter comprado uma garrafinha de água maior.
Passei a língua pelos lábios, e observei ele andar pelo palco. Se virar de costas, interagir com a banda e voltar a atenção para o público que gritou.
It’s just the curve upon the lips, the hips
E ele movimentou o quadril. A gritaria foi intensa e acabei rindo.
Nothing the matter with a kiss, a kiss
Engoli em seco, com o calor subindo pelo meu corpo e eu tinha certeza de que estava vermelha. Mordi meu lábio inferior, fechando os olhos momentaneamente e aproveitando a música.
— Hm, quem quer um beijo?
Ouvi Ross perguntar no microfone e abri os olhos assustada. Ele deu alguns passos, pulou do palco no chão na nossa frente e a gritaria foi insana. Meu corpo foi apertado pela movimentação mais brusca das meninas que estavam atrás, e acabei fazendo uma careta com isso.
Seu olhar se direcionou a mim mais uma vez. E meu coração deu cambalhotas. Era como se ele parasse e voltasse a bater de forma frenética. Ele deu mais alguns passos na minha direção, e a partir daquele momento o mundo rodou em câmera lenta. A aproximação do seu corpo com o meu fez com que eu sentisse o calor emanando dele, era surreal. Mantive minha boca entreaberta como se fosse o único jeito capaz de respirar.
E aconteceu.
Nossos lábios se chocaram. E foi rápido. Muito rápido. Não consegui mover os meus braços, ou ter qualquer outra reação. Apenas senti o calor dos lábios dele nos meus e um silencio absurdo ao nosso redor.
It’s just a little kiss
Ele deu um risinho com o microfone nos lábios e sozinho voltou ao palco. O meu corpo ainda estava travado, era como se eu precisasse de uma dosagem altíssima de realidade pra que pudesse voltar ao normal. No entanto, senti o toque de no meu ombro.
— Tá tudo bem? – ela perguntou bem próxima a minha orelha.
Não sei como responder essa pergunta.
Na verdade, não sei o que pensar de agora em diante. Ross Lynch havia me beijado em um show. Ok, ele não tinha sentimentos por mim, mas ele havia me escolhido no meio de tantas meninas.
E o que elas pensariam a respeito disso?
Eu seria a nova odiada no meio das fãs?
A música terminou e eu me perguntava como terminaria aquele show. Ross Lynch me beijou, e ainda de lá de cima do palco, me dava algumas olhadas, como se checasse se eu estava bem.
E não, eu não estava bem.




Continua...


Nota da autora: Sem nota.

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