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Revisada por Nyx 🌙

Última Atualização: 04/06/2026


A glamorosa Londres finalmente se despedia do inverno mais rigoroso e solitário de todos.

Não fora fácil para algumas famílias superarem suas ruínas, tanto materiais quanto sentimentais. Até a coroa britânica teve seus altos e baixos na estação mais gelada do ano. Após o falecimento do rei George III, teve-se a perda do primeiro herdeiro do nosso príncipe regente, ainda no ventre de sua esposa. Se já estava sendo complicado para a nossa rainha, Charlotte lidar com a perda do marido. Não podendo contar com uma criança para alegrar seus dias, só lhe restava suas festas da corte para distrair a mente. A trágica notícia, por sua vez, ajudou a abafar os escândalos causados pelo príncipe libertino , o sexto na linha de sucessão, em meio a outros 14 irmãos.

E nem vou mencionar o baile natalino, oferecido pelo visconde falido lorde Bourbon, que lhe custou quase o pequeno dote de sua graciosa filha única. Será que este ano, lady Bourbon consegue casar-se? Só me pergunto qual o lorde aceitaria desposar uma donzela, cujo dote pequeno vem acompanhado de tantas outras dívidas e terras improdutivas? Após dois anos sendo rejeitada por todos os homens da nobreza, devo admitir que fora uma sábia decisão mandá-la para o campo no verão passado. Pobrezinha, não teve a sorte suficiente de nascer com a beleza de vossa mãe. Pelo menos com sua distância dos holofotes da sociedade, vosso pai não continuaria sendo a chacota de 1827.

Felizmente, minha estação favorita se acendia com toda pompa e circunstância.

A primavera era o renovar das esperanças para todas as donzelas.

Principalmente para aquelas em seu primeiro ano de apresentação à rainha. Sim, meus caros leitores, a temporada de casamentos está de volta. E eu, sigo curiosíssima para saber se este ano, o intocável conde, lorde Bridgerton, se renderá a alguma joia rara. Mas se não houver nenhum casamento de sua parte, ainda temos vossa irmã caçula, que fará a tão planejada estreia. Soube que a doce lady Bridgerton, passou todo o outono em aulas particulares de piano e harpa. E como sabemos, a vossa tia lady Violet Bridgerton, tem experiência em conseguir bons pretendentes, afinal não é todo dia que se casa oito filhos. Mas claro que o fato de seus sobrinhos terem um título mais elevado garante a atenção de todos.

Me parece que essa família não brinca mesmo quando o assunto é casamento.

E por falar em tal assunto. Quem acaba de ficar viúvo e disposto a casar-se novamente, é vossa graça, lorde Tenebrae, o duque de Whosis. Fato este, devido ao incêndio acidental em sua casa de campo que resultou no falecimento de sua esposa. É uma pena que ela não o tenha deixado um herdeiro em cinco anos casados.

O que significa oportunidades para as damas que sonham em ser duquesas.

Entretanto, a maior novidade de todos foi a ascensão da família Sollary, sem títulos de nobreza, porém com uma fortuna de causar inveja até em vossa majestade. Contudo, será que todos os diamantes do cofre da família e o dote de duzentas mil libras anunciadas serão capazes de atrair um casamento satisfatório para sua filha ? Pelo menos a jovem dama é bela como o desabrochar das flores, no amanhecer da primavera.

Façam suas apostas, meus senhores da aristocracia, pois este ano teremos muitas informações para compartilhar e segredos para descobrir.

Ansiosos para a estação do amor?

Lady Lewis.


Conte-me seu sonho
Conte-me os pequenos desejos em seu coração.
- Genie / Girls' Generation





Para todas as donzelas em vosso ano de debut, impressionar a rainha é a maior de vossas preocupações.

Sabemos que o mínimo gesto de vossa majestade, pode significar o ganho ou a perda de um matrimônio promissor. Nosso exemplo sempre lembrado é de vossa graça, lady Daphne, a duquesa de Hastings. Entretanto, receio que esta história dispensa mais comentários desta singela autora, já que lady Whistledown obteve a oportunidade de vivenciar toda a trama. Fora realmente uma pena que ela tenha se revelado, contudo tal ato abriu-me as portas para que eu me apresentasse a vós. Um conselho? Não fiquem afoitos em descobrir quem eu sou, pois nem pelos diamantes da coroa, revelaria minha real identidade.

Então voltemos ao foco inicial.

As belas moças que nesta manhã se aprontavam para apresentar-se à vossa majestade, a eterna rainha Charlotte. Uma delas, que pertencia à família mais casamenteira de toda Londres, se encontrava em vossos aposentos apreciando o belo vestido em vosso corpo. Encomendado por vossa tia lady Violet e confeccionado pela mais talentosa modista do país, mademoiselle Tatou. O toque de vossas mãos no tecido de linho em vosso corpo a fez suspirar de ansiedade.

Bridgerton levantou o olhar encontrando vosso reflexo no espelho.

Manteve-se imóvel para que a vossa criada terminasse o penteado, que lhe fazia nos longos cabelos castanhos claros. O dia em que tanto esperava havia chegado e mesmo com o olhar seguro de quem estava preparada para encantar vossa majestade, internamente vosso coração se mantinha acelerado e aflito. Cometer o menor deslize diante de toda corte, poderia custar a reputação de vossa família. E por mais que vossos primos tivessem tido casamento afortunados, sabemos que em nossa sociedade, um erro vale muito mais que mil acertos. Essa era a pressão que a doce moça vivia em vossos pensamentos. E esta autora que vos conta, adora compartilhar os inúmeros erros da nossa aristocracia.

Um singelo sorriso apareceu no canto de vosso rosto assim que vossa tia deu dois toques na porta.

— Está pronta, minha querida? — lady Violet olhou-a com carinho e sorriu de volta.
— Sim, estou pronta. — ela tomou impulso para se levantar da cadeira, e logo vossa criada se afastou — Deseja-me sorte, Judith?
— A senhorita não precisa, já nasceu preparada para isso, lady Bridgerton. — disse a criada transmitindo confiança em vosso olhar.
— Agradeço o encorajamento. — vosso sorriso ficou um pouco mais largo e aparente, após um profundo suspiro, se dirigiu para a porta.

No hall de entrada da casa, estava o impaciente lord Bridgerton, conhecido agora por se tornar o novo conde de Whatnot. Devo confessar que a inesperada morte de vossos pais fora um tanto estarrecedora para todos. E devido ao trágico acontecimento, vossa mudança de Derbyshire para Londres fora rápida e discreta. Bem, não tão discreta assim, já que houve um anúncio de minha parte dois dias antes de vossa chegada.

— Ah, finalmente, , estamos a um passo de nos atrasarmos. — reclamou ele, ao olhar novamente para o relógio de bolso, que sempre mantinha consigo.
— Falando assim, irmão, vou achar que está ansioso para ver vossas pretendentes deste ano. — manteve o sorriso ao rosto, com o olhar sereno para ele, sabia que o irmão era impaciente quando o assunto era esperar — Com sorte e menos exigência de vossa parte, podemos nos casar juntos em uma mesma cerimônia, não seria perfeito?
— Não estou interessado em casamentos este ano, ou melhor, apenas em um, o vosso. — retrucou ele, sem se importar com a indireta da irmã — Me preocupo com o vosso futuro primeiro, depois decidirei sobre mim.
— Se continuar assim, poderá perder a oportunidade de viver um grande amor. — retrucou, convicta de vossas palavras — Irmão, não deverias continuar apegado às amarguras do passado.
— Não deverias se preocupar com assuntos que não lhe ajudam a encontrar um bom marido. — revidou ele.
— Ambos devem se preocupar com vossos futuros. — lady Violet olhou para vossa sobrinha — Você está bela e sei que impressionará a todos, — então olhou para ele — E vós, trate de pensar nas palavras de vossa irmã, todo homem deve ter responsabilidades de também construir uma família e ter herdeiros.

engoliu seco.

Por ser assombrado por vosso passado, o coração do nobre conde se encontrava fechado a sete chaves, todas perdidas pelas inúmeras viagens que fez em companhia do primo Colin. Esta autora, possui uma ponta de curiosidade em descobrir que passado sombrio seria este. Se relacionado com o coração, será que temos um Bridgerton que sofre de alguma desilusão amorosa?

Logo descobrirei!

— Vamos. — ele engoliu seco e estendeu a mão, para que elas seguissem na frente para a carruagem.
— Vamos. — assentiu lady Violet, com vossa sobrinha mantendo a mão direita pousada em vosso braço.

Uma família já estava a caminho da grande apresentação. Então seguimos adiante para um lugar ainda mais divertido e barulhento que as festas privadas de lady Danbury.

A luxuosa casa da família Sollary.

Transbordando o resplendor de uma vossa decoração que imitava singularmente os palacetes francesas, esbanjando um carpete vermelho pela entrada como nos palácios reais e grandes lustres de cristais no teto. A história de como o senhor Frederick Sollary, passou de um simples marinheiro que trabalhava no porto de Liverpool para um importante e bem-sucedido homem de negócios ainda permanecia inexplicada. Sendo sorte ou trabalho duro, o fato é que este senhor agora detinha uma das mais invejáveis fortunas do país.

Entretanto, mesmo com todo esse sucesso financeiro, nem tudo são flores e esta família passava por problemas internos com a repentina doença de vossa esposa, a senhora Marie. De raízes francesas e fortes traços africanos, a bela mulher o havia presenteado com seis lindas filhas e o pequeno caçula que herdaria vossa fortuna. Ao contrário de uma certa Bridgerton que fora esperta o suficiente para colocar nomes em vossos filhos em ordem alfabética, após o nascimento da primogênita , os nomes de vossas irmãs que seguiram foram de flores apreciadas pelos vossos pais.

A segunda mais velha é Rose, tendo somente um ano de diferença entre vosso nascimento e de vossa irmã e sendo impedida de debutar por vosso pai, por considerá-la ainda jovem demais. Em seguida temos a impetuosa Daisy com vossos quatorze anos, considerada a artista da família, com vossos doces poemas sendo recitados pela casa. Depois as gêmeas idênticas Lily e Camellia, com doze anos de pura travessura, se aproveitavam do benefício para deixar vossas outras irmãs malucas e desnorteadas quando trocavam de lugar uma com a outra. A mais nova das meninas de apenas 7 anos, era a pequena e delicada Jasmine, com vosso olhar meigo e o apego ao coelho de pelúcia que ganhara da mãe logo ao nascer. E encerrando a fábrica de filhos, temos Bowlmer, o filho da herança que continha apenas dois anos de idade.

Talvez pela quantidade de filhos que tivera com vossa esposa, contando com os muitos abortos que Marie sofreu ao longo dos anos entre os nascimentos que vingaram. Sua saúde foi ficando mais frágil até que na gravidez do filho caçula, o dr. Green lhe aconselhou a se precaver mais e não engravidar novamente. Devo contar-lhes, caros leitores, que não tem sido fácil para nossa debutante Sollary cuidar de vossos irmãos e ainda se concentrar em ter uma boa imagem diante da corte.

Devemos desejar sorte a ela?

! — Daisy gritou o nome da irmã, ao se aproximar da escada — A RAINHA NÃO IRÁ ESPERÁ-LA.

Não que Daisy estivesse irritada com a demora de vossa irmã.

Mas toda a agitação em vossa casa devido ao evento, lhe causou um inesperado bloqueio criativo que a deixara nervosa há dias. E se imaginar na mesma situação nos próximos anos, causava-lhe ainda mais surtos internos. Entretanto, não era a única que se sentia em desequilíbrio. Não seria a primeira vez que o pai em questão apresentaria a donzela diante da rainha, mas seria a primeira vez do senhor Sollary diante de toda a corte naquelas circunstâncias. Um peso estava sobre vossos ombros, ainda mais por saber que ainda teria mais cinco filhas para encontrar bons maridos.

— Não precisa gritar, Daisy. — apareceu no topo da escadaria, com a cabeça erguida e o olhar de reprovação para a irmã — Já estamos prontas, papai.

Logo Rose apareceu ao vosso lado e juntas desceram os degraus.

com vossa respiração mais lenta tentando manter-se calma diante de toda a pressão que sentia para não desapontar vossos pais e irmãos. Cabelos mais soltos e uma tiara de pérolas, combinada ao vestido de seda amarelo no tom pastel. Já a vossa irmã, Rose, com um singelo vestido rosa também de seda, ostentava as pérolas em vosso pescoço. Um mimo do senhor Sollary que tinha o prazer em agradar vossas filhas com pequenos presentes em momentos oportunos.

— Ambas estão mais belas do que já são, uma pena que vossa mãe não possa... — o senhor Sollary parou por um momento, reprimindo a angústia em ter a esposa impossibilitada de frequentar os ambientes festivos dos nobres.

Algo que ele mais desejava era apresentar a mulher de vossa vida para a sociedade e mostrar a beleza que o conquistou em apenas um sorriso. Um brilho cheio de orgulho surgiu em vosso olhar, ou voltá-lo para . A primogênita fora vosso braço de apoio nos momentos mais caóticos desta família e agora, pensar em entregá-la a um homem desconhecido, lhe estremecia internamente. Porém, mesmo com o cuidado extremo de um bom pai zeloso, vosso dever de garantir um bom futuro a todas as filhas e também ao pequeno herdeiro, vinha em primeiro lugar.

— Então, vamos para o palácio. — disse ele, voltando o olhar para a senhorita Moore, a preceptora de vossos filhos menores — Senhorita Moore, cuide bem dos meus filhos, por favor.
— Não se preocupe, senhor, tudo continuará na mais perfeita ordem. — garantiu ela.
— Por que não posso ir, papai? — Jasmine se agarrou nas pernas do pai com um olhar tristonho.
— Minha pequena. — ele a pegou no colo sem cerimônias e sorriu para ela — Prometo que um dia a levarei comigo, mas enquanto não puder ir fique e ajude a senhorita Moore a cuidar de vosso irmão. Combinado?
— Combinado! — assentiu, abrindo um sorriso largo para o pai.

Ele a colocou de volta ao chão.
E assentiu com o olhar para a senhorita Moore levá-la para vossos aposentos.

— Estou curiosa para saber como é o palácio da rainha. — comentou Lily, sentindo vosso coração pulsar mais forte.
— Eu entro primeiro na carruagem! — disse Camellia, ao sair na frente a passos apressados.
— Assim não vale! — Lily reclamou começando a correr atrás da irmã.
— Ei, as duas, parem com isso. — as repreendeu .
— Deixa-as, querida, só estão se divertindo. — disse o senhor Sollary, segurando o riso ao observar a empolgação das filhas.
— Elas podem acabar se machucando com essas brincadeiras. — retrucou .
— Ainda se preocupa com elas, irmã? — Rose riu de leve — Deverias se preocupar consigo mesmo, hoje é vosso dia de ser conhecida por todos. Será que Lady Lewis falará de nossa família amanhã?
— Não dizendo palavras constrangedoras como da última vez, já me darei por satisfeita. — retrucou — vosso ato de indagar nosso pai sobre a nossa fortuna, foi deselegante.
— Não me importo com vossas perguntas impertinentes, minha querida, nada que ela disser mudará o fato de eu ser um dos homens mais ricos de toda Londres. — a voz do senhor Sollary ficou um pouco mais firme e assertiva.

Algo que transmitiu à vossa filha a segurança que necessitava para enfrentar a corte. Todos acomodados nas duas carruagens da família, seguiram para o palácio real. As duas filhas mais velhas acompanhadas pelo pai na primeira, e as outras três na segunda. Claro que estar na companhia das gêmeas bagunceiras não era lá a preferência de Daisy, que encontrava em vossos pequenos livretos de poesia o escape das loucuras de ser uma Sollary.

E que rufem os tambores, meus leitores...

Pois a temporada de casamentos se iniciava com todas as carruagens sendo estacionadas na grande entrada do jardim frontal do palácio. As flores da primavera perfumavam todos o lugar que aos poucos fora ficando bastante movimentado pelos nobres de Londres. Todos os convidados se reuniram no salão real e ao sinal de vossa majestade, as apresentações deram início.

E aqui vamos nós para mais uma longa fila de donzelas a se curvar para a rainha na esperança de um pequeno elogio, ou até mesmo um sorriso talvez. Confesso que se eu estivesse na pele dessas moças, estaria mais do que nervosa.

— Senhorita Freya Whitehall, apresentada por vossa madrinha a honorável lady Featherington. — soou a voz do cavalheiro, que segurava com cuidado os pequenos papéis em vossa mão.

Logo que as portas se abriram, a face de uma senhorita assustada se colocou diante de todos. Vossos passos eram um tanto quanto pesados e trêmulos, sendo seguida por vossa madrinha que forçava um sorriso no rosto. Se era sorte ou destino vossas filhas terem encontrado bons maridos, eu não posso afirmar, mas que a honra fora mantida, isso eu concordo. Ainda mais por nossa Penélope agora desposada por Colin Bridgerton.

Enfim, neste momento apenas um olhar era o mais importante.

E sabemos o quanto vossa majestade tem sido ainda mais criteriosa ao longo dos anos. Se na última temporada não obtivemos sucesso em encontrar o novo diamante raro, ando lutando contra meu lado racional para manter as esperanças nesta primavera. Assim que o olhar desinteressado da rainha se voltou para a janela, a jovem que mal conseguiu reverenciá-la se afastou juntamente com lady Featherington.

— Senhorita Bridgerton, apresentada pela tia a muito honorável viúva, viscondessa lady Bridgerton. — mais uma vez o cavalheiro proclamou.

Ao abrir as portas, todos os olhares curiosos já se direcionaram para a dama que com vossa idade e delicadeza adentrava o lugar com um sorriso singelo no rosto. realmente havia nascido para aquele momento, ser o destaque das atenções e apreciada por todos. Assim que se colocou diante da rainha, lentamente fez a vossa reverência, mantendo o olhar abaixado e a respiração controlada. Uma movimentação de vossa majestade causou inquietação em todos. Assim que a rainha Charlotte se levantou de vosso trono e se aproximou dela, sentiu o vosso coração acelerar.

— Impecável, como era de se esperar. — as palavras da rainha alegraram aquele coração aflito.
— Eu realmente ouvi isso? — sussurrou, para vossa tia ao reverenciar novamente.
— Sim, minha querida, continua sorrindo, os olhares estão em vós. — respondeu lady Violet, orgulhosa de vossa sobrinha.

Acredite, vossa majestade, esta autora aqui também não esperava menos que a perfeição desta família. Porém, pelo que entendi, ainda não encontramos o nosso diamante e ainda faltam muitas donzelas a serem apresentadas. Apesar de surpresa pelo que ouvira, se sentia ainda mais honrada por cada palavra. Algo que significava um futuro trabalho ao irmão, afinal vossa irmã agora estava em foco.

— Apresentando mais uma vez, a senhorita Bourbon. — anunciou o cavalheiro — Sendo apresentada pelo pai, o honorável viúvo conde, lorde Bourbon.

Todos já sabiam o que apareceria ao abrir as portas.

O primeiro passo de foi tão silencioso que até pode-se ouvir a reação de surpresa de vossa majestade. O mesmo vestido da temporada passada não fora o causador, mas sim a bela jovem que se apresentava com ele. Será que lord Bourbon tinha uma filha gêmea escondida e esqueceram de trocar os nomes no anúncio? Se não, a estadia na casa de campo ao norte da Escócia, havia-lhe feito muito bem. Principalmente por estar aos cuidados de vossa excêntrica tia Poppy. Assim que a jovem se curvou diante da corte, sentiu um pulsar mais forte de vosso coração, assim como vossas mãos que seguiam trêmulas.

Desapontar vosso pai pela terceira vez não era algo que deveria acontecer.

— Impressionante. — disse vossa majestade, mantendo-se assentada, porém deixando escapar um sorriso leve de satisfação.

Até mesmo as sardas em vosso rosto se tornaram um charme, além dos chamativos cabelos ruivos que eram a marca registrada desta família. Agora sim a senhorita Amélia Bourbon finalmente se parecia com a falecida mãe. Talvez ainda haja esperança para esta bela fênix que ressurgiu das cinzas. Não é o diamante que eu busco nesta temporada, mas tão brilhante quanto.

— Apresentando, a senhorita Sollary, acompanhada pelo pai, o honorável senhor Frederick Sollary.

A voz do cavalheiro soou mais uma vez.

Atraindo a atenção de todos os curiosos para conhecer a filha mais velha do burguês. Assim que abriram as portas, o olhar admirado de vossa majestade se fixou na bela jovem que adentrou o lugar a passos sutis e seguros. O brilho de vossa pele negra atraiu ainda mais os olhares de alguns nobres solteiros, assim como a delicadeza de vosso sorriso que herdara da mãe. Ao se curvar em reverência a vossa majestade, manteve também o olhar abaixado. E mais uma vez, a rainha Charlotte se levantou de vosso trono e deu poucos passos até ela.

Tocando em vosso rosto, a fez se levantar.

Um olhar orgulhoso e um sorriso no canto do rosto, foram o suficiente para mostrar o quanto a burguesa havia lhe chamado a atenção. Após receber um leve beijo na testa, reverenciou novamente e se afastou com vosso pai, seguindo para onde vossas irmãs estavam.

E eis aí, meus caros leitores, o diamante bruto que eu tanto procurava.

Lady Lewis

Você brilhou radiante em um curto período de tempo como um relâmpago
Você iluminou o mundo por um instante.
- Thunder / EXO





E chegamos ao momento mais aguardado por toda a aristocracia.

O baile de abertura da temporada na Casa Danbury.

Há quem diga que este evento consegue ser ainda mais desejado, que uma tarde no solário de vossa majestade. Tenho que confessar que nossa rainha Charlotte já teve vossos dias de glória ao oferecer grandes bailes para corte. Será que a desfocada esposa do príncipe regente está sendo treinada para quando chegar a vossa hora? Afinal, ninguém vive para sempre. Uma noite memorável em que todas as jovens debutantes poderão demonstrar vossa beleza e charme. Nobres, inocentes e esperançosas, todas treinadas desde o nascimento para viver este momento. O que me atiça a curiosidade de quais donzelas receberão convites para uma dança, e quem sabe uma possível corte no dia seguinte. Então me volto para as três pedras preciosas que chamou-me atenção na apresentação de vossa majestade.

Contudo, antes de atentarmos a cada uma delas.

Seguimos para os nobres cavalheiros que também compõem nossa história. O primeiro deles é o silencioso Duque de Whosis, vossa graça, Tenebrae. Mais sério que o habitual, chegara acompanhado do vosso amigo Robert Magnus, o ilustre Marquês de Hamilton. Ambos solitários em vossas vidas amorosas e atentos às belas donzelas que já integravam o grande salão da Casa Danbury.

— Aqui está o filho do meu melhor amigo. — disse Lorde Bourbon, ao se aproximar dos cavalheiros, se referindo ao Marquês.
— Lorde Bourbon, que surpresa vê-lo aqui. — Robert disfarçou o desconforto pela aproximação do homem — Soube que estava em vossa casa de campo na Escócia.

O Marquês tentou agir com naturalidade, pois sabia da fatídica situação financeira do homem. Lorde Bourbon, por vossa vez, engoliu seco, ao se lembrar que tal propriedade não lhe pertencia mais, e sim ao marido burguês de vossa irmã. A quem devia mais do que os vestidos usados por vossa filha.

— Me ausentei rapidamente para buscar minha filha. — Lorde Bourbon apontou discretamente para , que estava com vossa tia do outro lado da sala, conversando com Lady Danbury.
— Estou impressionado com a beleza revelada de vossa filha. — comentou o Marquês — O que acha, Whosis?
— Vossa graça, Duque de Whosis. — Lorde Bourbon se mostrou sem graça por não cumprimentá-lo de início — Perdoe-me por minha indelicadeza, e meus sentimentos por vossa perda.
— Está tudo bem, Lorde Bourbon. — manteve-se sério no olhar — Se me derem licença cavalheiros, preciso tomar um ar.

Mais do que um ar…

Nosso Duque queria apenas se afastar de todo aquele ambiente que lhe trazia lembranças de vossa falecida. Vossa história com Lady Margareth era de brilhar os olhos de qualquer pessoa, ambos se conheceram na infância. Cortejaram-se ao construir uma amizade sólida durante longos anos, até que a jovem finalmente chegou à idade do casamento. Este sim fora o relacionamento mais aguardado e desejado por ambas as famílias. Entretanto, o fatal incêndio foi de partir o coração. E agora? Temos um homem frio e solitário que se convenceu a casar-se novamente para apenas obter um herdeiro e levar a diante a linhagem da família.

— Hum… acho que o jardim já está ocupado. — a voz do príncipe soou próximo ao canteiro de margaridas — Whosis.
— Vossa alteza. — fez uma breve reverência com a face — Não deverias estar à vista dos guardas reais?
— Ah. — se espreguiçou de leve e sorriu de canto — Ando fugindo destes inconvenientes… não é fácil ser um príncipe!

moveu o vosso olhar para o rapaz à vossa frente. Foram muitas as vezes que abrigara o amigo em vosso castelo, para que não fosse castigado por vossa mãe.

— Mas e quanto a vós? — o olhou, curioso — Soube que procuras uma nova esposa, aqui no jardim não encontrará nenhuma.
— É apenas o primeiro baile, ainda tenho tempo para encontrar alguma dama que sirva ao propósito. — respondeu ele, voltando o olhar para o horizonte — E vós? Acredito que não seja somente dos guardas que está fugindo.
— Ah não, não mesmo. — riu — Mães… conseguem ser piores que os guardas, isso eu lhe garanto. Não aguento mais ser parado a cada dois passos por uma mãe que deseja ter vossa filha transformada em uma princesa.
— Agradeça à vossa majestade por isso. — segurou o riso.

Mas das poucas vezes que se divertia, era graças aos infortúnios de e as loucas histórias de Magnus.

— Ahh. — bufou de leve — O anúncio da rainha sobre meu casamento nesta temporada tem me deixado com insônia, agora preciso pensar em algum plano para me livrar disso.
— Que tal não se envolver mais com escândalos? — o olhou — Para um príncipe, deverias ser mais prudente com vossos atos.
— Vai mesmo me dar sermão? És meu amigo ou meu pai? — lançou-lhe um olhar desconfiado.
— Sou vosso amigo, o vi nascer e crescemos juntos, mas quase lançou uma guerra entre reinos por se envolver com uma senhora casada. — o duque o chamou à razão de vossa travessura mais perigosa até o momento.
— Vossa majestade tem mais 13 filhos, por que preciso seguir a tradição? — se mostrou frustrado — Às vezes não queria ser um príncipe.
— Tente negociar com vossa majestade, talvez um acordo. — sugeriu .
— E que tipo de acordo poderia ser? — indagou ele, interessado nas palavras do amigo.
— Não me vem à mente, mas vossa alteza é inteligente e sagaz para pensar em algo. — completou , afastando-se dele e seguindo mais adentro do jardim.

ficou pensativo por um tempo, então retornou para o salão. Precisava enfrentar as mães e mostrar aos guardas reais que estava se comportando, como manda o figurino. Bem, meus caros leitores, se nada der certo para a maioria das donzelas nesta temporada, sabemos que pelo menos um casamento há de acontecer.

— Por favor, , apenas estou a te pedir que sejais menos exigente. — manteve o controle do tom de vossa voz, irritada por vosso irmão rejeitar o quinto nobre que se aproximava dela — Assim não somente vós, como também eu ficarei solteira nesta temporada.
— Não estou sendo exigente, , só me preocupo com o vosso futuro. — a olhou com zelo — És minha irmã preciosa e quero que faças o melhor dos casamentos.
— Estou impressionada em como se parece com Anthony. — comentou Lady Violet — Confesso, que és mais responsável que ele, quando Daphne fez vossa apresentação, mas em termos de exigência, está no mesmo nível.

Mesmo com todos os olhares para nossa preciosa Bridgerton. A mesma continuara parada ao lado de vosso irmão desde que chegara ao baile. Frustrante para ela e um alívio para ele. No entanto, toda a resistência por parte dele, só aumentava ainda mais o interesse dos cavalheiros presentes.

— Estive com Anthony há alguns dias e conversamos bastante sobre os nobres que provavelmente estariam aqui. — compartilhou com elas o motivo de vossa resistência a permitir a aproximação dos cavalheiros.
— Não acredito. — Lady Violet sussurrou desacreditada por estar vivendo a mesma cena com vossos sobrinhos.
— Preciso me refrescar um pouco, poderia pegar limonada para mim? — pediu dando um sorriso forçado.
— Claro, irmã, me espere aqui. — assentiu ele, se afastando.
— Vou fingir que não estou te vendo se afastar de mim, e irei conversar com Lady Danbury. — disse Lady Violet, dando um sorriso encorajador à sobrinha.
— Agradeço a ajuda, minha tia. — se afastou dela, mais do que depressa e se misturou entre os nobres do lugar.

A jovem estava realmente sentindo-se sufocada por vosso irmão. E precisava por si mesma, fazer uma pesquisa de campo. sonhava em casar-se por amor, ou algo próximo a isso, assim como vossos pais e tios. E mesmo que achasse improvável uma pessoa se apaixonar verdadeiramente por outra em apenas uma estação, ela tinha em vosso coração a certeza de encontrar o amor naquele lugar.

O que de fato, poderia acontecer.

se afastou mais do que necessário. O que a levou acidentalmente esbarrar em vossa graça, o Duque de Whosis.

— Perdoe-me, vossa graça. — disse ela, ao senti-lo ampará-la com a mão direita.
— Está tudo bem. — disse ele, dando um passo para se afastar dela — A senhorita se machucou?
— Não, eu estou bem. — levantou vosso olhar para ele — Agradeço a preocupação, vossa graça.

Dentro do vosso coração, ansiava sentir algo.

Porém, nem mesmo uma simples brisa passou por vosso corpo. Das poucas histórias que vossa mãe contara sobre a primeira vez que viu o vosso pai, sempre fantasiava o momento, mostrando que a primeira troca de olhares de um casal, era a chave para os sentimentos deles. sabia quem era o homem à vossa frente, e não se imaginava casando-se com alguém, apenas para lhe dar filhos. Talvez, seja exatamente por isso que não sentira a mágica que tanto esperava.

— Whosis, estava à vossa procura. — o Marquês se aproximou deles, movendo vosso olhar para ela — Senhorita Bridgerton.
— Lorde Magnus. — fez uma breve reverência e se afastou deles.
— Meu amigo, estar a se inclinar para a Bridgerton? Seguirá os passos do vosso primo Hastings? — brincou Robert, rindo baixo — Tens meu apoio, viu como ela se apresentou diante da rainha.
— Não, não a estava cortejando. — voltou vosso olhar em direção aos casais que dançavam no centro do salão.
— Tem certeza… impecável foi a palavra que vossa majestade utilizou. — enfatizou Magnus — E estou a me impressionar com vossa beleza vista de perto.
— Não será ela. — garantiu .
— E está considerando alguma? — retrucou Robert, rindo baixo — Meu amigo, não podes continuar mantendo vosso luto e mentindo para si mesmo que fará um novo casamento.
— Fique tranquilo, me casarei nesta temporada. — manteve o olhar fixo em algum lugar que lhe mantinha longe das memórias de vossa falecida.

Magnus suspirou fraco.

Ele sabia que vossa graça ainda não havia deixado o luto. Entretanto, a vida continuava e como um bom amigo, Robert tinha a incumbência de encorajá-lo a seguir em frente. Mas será que um novo amor conseguia se sobrepor ao forte amor do passado? Estou começando a considerar em dar minhas condolências a triste dama que for desposada por vossa graça.

— Não vai acreditar… mas tenho por mim que Lorde Bourbon quer me empurrar vossa filha. — comentou o Marquês — Devo admitir que este ano ela está realmente mudada, a própria rainha enfatizou isso, mas não quero me associar a uma família em decadência.
— Está à procura de uma esposa por vosso dote? — perguntou , intrigado com as palavras do amigo.
— Não que minha família esteja com problemas, mas ter um sogro com dívidas não é uma sábia decisão. — explicou Magnus, dando uma risada rápida — Mas, agora olhando para o senhor Sollary, estou curioso para saber quem será o felizardo a se casar com vossa filha, além de bela, temos um dote de 200 mil libras.

Sendo por amor ou apenas por interesses financeiros e sociais, sabemos que o segredo para se obter um bom casamento é saber escolher. A quem diga que se casar com um amigo é a chave para um relacionamento de paz e prosperidade. Outros, consideram o ditado que diz que os opostos se atraem. Contudo, meus caros leitores, sabemos que o coração é um campo minado, afinal nem sempre a primeira impressão é a que vale.

E talvez o amor possa ser encontrado da forma mais desastrosa possível.

Ainda relutante em deixar a irmã só, caminhou pelo grande salão até ser parado por Lady Featherington, acompanhada de vossa afilhada, Freya Wintehall.

— Lorde Bridgerton. — disse Lady Featherington, com um sorriso no rosto — Que prazer vossa presença aqui. Deixe-me apresentar minha afilhada, Freya Wintehall, vosso pai é um militar sir Wintehall, deve conhecer.
— Boa noite, milady. Boa noite, senhorita. — se esforçou para ser educado e cordial.

Mas no fundo só desejava ser resgatado dali.

Ter que fingir dar atenção a senhora a vossa frente e a jovem que mais parecia estar com medo de tudo e de todos, o deixava em agonia. E fora longos minutos até que Lady Featherington encontrou no Marquês Magnus, uma oportunidade melhor para apresentar vossa afilhada. Um alívio para Lorde Bridgerton que não sabia mais o que pensar sobre as inúmeras qualidades falsas que a Lady inventara para deixar a jovem mais atraente. Finalmente, ele se aproximou da mesa de bebidas, não percebendo que alguém estava ali também.

— Por que essas temporadas me deixam tão irritado? — sussurrou para si, enquanto pegava o copo de cristal com limonada para a irmã.
— Disse algo? — uma voz feminina soou bem próximo.

Assim que se virou para responder quem quer que fosse. Um desequilíbrio de vossa parte com vossa mão trombando no braço da jovem, derrubando em vosso vestido o líquido do copo.

— Perdoe-me, senhorita. — disse ele, ainda surpreso com o que causara.
— Está tudo bem. — a voz dela permaneceu vossave e baixa.
— Aqui, pegue, por favor. — esticou vosso lenço para que ela se secasse.
— Agradeço, senhor. — a jovem pegou o lenço e tentou secar parte do vestido que estava molhada.
— Oh, céus, o que houve aqui? — se aproximou deles, olhando o vestido da jovem — Irmão, presumo que minha limonada esteja… senhorita, desejas ajuda?
— Temo que este vestido não veja mais nenhuma festa. — brincou a jovem, rindo do ocorrido.

se pegou intrigado pela reação da moça, e admirado com o sorriso que ela dera. Ela permanecera o tempo todo com a face abaixada, levantou o olhar até ele, que finalmente pode ver vosso rosto.

— Me lembro do vosso rosto, senhorita Sollary, não é? — perguntou , vasculhando em vossos pensamentos o rosto de todas as jovens que viu na apresentação da rainha.
— Sim, Sollary. — afirmou a jovem burguesa, mantendo o olhar em .
querida, está tudo bem? — o senhor Sollary se aproximou deles, voltando o olhar para o vestido molhado da filha — Oh, céus, o que houve aqui.
— Apenas um acidente, papai, nada mais do que isso. — respondeu — Podemos ir para casa?
— Claro, minha querida. — o senhor Sollary olhou de forma séria e intimidadora, para — Lorde Bridgerton, com vossa licença.
— À vontade e mais uma vez, perdoe-me pelo infortúnio causado, senhorita Sollary. — se sentiu estranho pela forma em que o senhor Sollary o olhou.
— Sem problemas. — fez uma breve reverência juntamente com o senhor Sollary.

Assim que pai e filha se afastaram. vosso olhar voltou-se para vossa irmã, que mantinha um sorriso escondido no canto do rosto.

— Por que me olhas assim, irmã? — perguntou .
— Porque estou por demasiado ansiosa pelo dia de amanhã. — respondeu ela.

não estava assim por si mesmo.

Ela estava ansiosa por vosso irmão. Após anos vendo vosso irmão rejeitar fortes candidatas e nunca esboçar nenhuma reação diante de alguma dama, dentro de vossa mente fértil e observadora, havia reparado na forma em que reagiu ao sorriso de . Juntando isso a uma pequena ajuda de vossa parte, sabia que poderia causar distrações a ele, para que enfim pudesse escolher vosso futuro marido em paz.

--

Longe dali e se escondendo do próprio pai, Bourbon apenas almejava encontrar um lugar silencioso para finalmente respirar com tranquilidade. Sentindo um peso em vossas costas e vendo vosso pai a oferecer como um objeto para os nobres de vosso círculo de amizades. A jovem apenas ambicionava não mais desonrar vosso pai por não estar casada. Mas também desejava ser feliz em vosso futuro, tendo um bom marido.

— Finalmente silêncio. — sussurrou ela, ao adentrar a grande biblioteca da casa.

Ela deu alguns passos até o vitral da janela, e respirou fundo. Vosso coração pesado pelas circunstâncias da vida, lhe deixara triste de tempos em tempos. Algo que era escondido apenas por vosso sorriso meigo e gentil. Adentrando mais o lugar, deslizou vossos dedos pelos livros de uma estante, até que ouvi barulhos vindos da porta. O medo de ser pega invadindo cômodos da casa da anfitriã, a fez se esconder. Porém, do ângulo em que estava, vossos olhos conseguiram com clareza e perfeição, avistar os pecadores que profanavam a biblioteca de Lady Danbury.

Poderiam dizer: Inacreditável.

Claro, se um dos envolvidos em questão, não fosse o príncipe em pessoa. Mas o nosso libertino favorito, estava aquecendo ainda mais vossa noite no corpo de uma criada desconhecida. Me pergunto como ele havia escapado mais uma vez dos olhares dos guardas reais. Mais ainda, dos olhares da nossa querida anfitriã. fechou os olhos e se encolheu ainda mais, pedindo aos céus para que as contravenções alheias não lhe manchassem a reputação.

Alguns passos foram ouvidos do corredor, e de imediato se afastou da criada. Eles esperaram alguns instantes então ela saiu primeiro. Antes que vossa alteza pudesse se retirar, adentrou o lugar com vosso olhar sério e repreensivo ao amigo.

— Não me olhe assim, Whosis, é mais forte do que eu. — levantou as mãos em rendição.
— Saiba que a moça possui honra, tanto quanto as nobres do salão, deverias ser mais respeitoso. — manteve o tom sério.
— Eu sou, meu amigo, desta vez, juro que estava me comportando muito bem em meu canto. — retrucou — Deverias ser mais flexível e menos enfadonho, podes ser cinco anos mais velho do que eu, mais não precisa ser assim.
— Assim como?
— Sem graça. — respondeu ele — Está decidido, vou te levar para se divertir amanhã.
— Considerando a vossa forma de diversão, temo pela minha integridade agora. — foi sério em vossas palavras, porém arrancou risadas do príncipe.
— Estou apenas lhe convocando para assistir a uma luta. — ajeitou as vestes em vosso corpo — Nos vemos amanhã.

Assim que se retirou da biblioteca. permaneceu por mais alguns minutos com vossas memórias do primeiro baile da Lady Danbury que participou após vosso casamento. Riu de leve, ao lembrar-se da anfitriã perguntando sobre os herdeiros do casal. Em meio a vossa nostalgia pessoal, vossa atenção fora despertada por um barulho vindo dos fundos. Se movendo silenciosamente na direção, paralisou-se ao se deparar com caída ao chão. A pobre senhorita, tentando erguer o corpo, acabara tropeçando e caindo por definitivo.

— A senhorita está bem? — se moveu para ajudá-la a se levantar, porém parou no caminho — Permita-me ajudá-la.
— Sim, vossa graça. — assentiu ela, com o olhar assustado e temeroso.

a amparou com cuidado, ajudando-a a se erguer.

— Está machucada? — perguntou ele novamente, ao ver gotículas de sangue no chão.
— Acho que, minha perna… — olhou para baixo, vendo uma mancha de sangue em vosso vestido.
— Permita-me examinar? — perguntou ele novamente.

Ela assentiu com a face.

Assim, se abaixou e elevou um pouco as camadas de vosso vestido. Um rasgo havia sido causado em vossa perna, o que explicava o sangue.

— Devemos retratar ao vosso pai. — disse o duque preocupando-se com a moça.
— Vossa graça, por favor, não diga nada ao meu pai, eu lhe imploro. — ela o olhou ainda mais temerosa — Se ele souber que estive aqui e sozinha, estarei perdida.

Sempre há um momento na vida em que nos deparamos com as escolhas a serem feitas. Há quem diga que somos livres para fazermos nossas escolhas, entretanto, somos também prisioneiros de vossas consequências. já havia lido em meu jornal sobre a lastimável situação de Lorde Bourbon. Mais ainda, vossa graça também sabia sobre as duas temporadas de fracasso na vida da doce .

Agora cabia a ele fazer vossa escolha: o que é o certo a ser feito, ou o que é o necessário a se fazer.

E quanto a vós, estimados leitores, já se encontraram nesta mesma situação?

Eu confesso que estou curiosa para saber o que acontecerá a seguir.

Lady Lewis


Em meio a uma tempestade posso tropeçar
Nessa luta precária para o amor, mesmo com medo devemos acabar com a tempestade
Temos que começar de novo
Você não está sozinha, e nem eu solitário novamente
Eu tenho vós.
- Destiny (Korean ver.) / Super Junior





No amor e na guerra tudo é válido...

Esta é uma frase de efeito que ouvi recentemente. Contudo, será que as mesmas estratégias de batalha valem para a conquista de um casamento perfeito? Sabemos que a melhor defesa é o ataque, e no que depender das mães vorazes em ter um príncipe como genro; o que vossa alteza mais terá são opções para escolher.

E, caros leitores, o baile da casa Danbury tem acontecido muitos encontros e desencontros que me rendiam mais do que apenas relatos. E nossa noite ainda não terminou, pois na biblioteca duas pessoas ainda viviam uma incógnita em vossas vidas. Vossa graça, o Duque de Whosis se mantinha com o olhar preocupado para a perna ensanguentada de , que se mantinha com o olhar abaixado e o coração acelerado.

— Não posso deixá-la assim, senhorita, devemos cuidar desse ferimento. — retirou um lenço de vosso bolso e amarrou na perna da moça, na altura do ferimento.

Em um piscar de olhos a porta se abriu, causando-lhes um frio na barriga. O rosto de Lady Danbury se revelou a eles, com um olhar curioso e espantado. deu um pulo, erguendo vosso corpo. continuou sentada ao chão, sentindo vossa perna latejar em dores, por dentro o pavor em ser exposta pelo acidente lhe consumia por inteiro.

— Lady Danbury, devo explicar-lhe a situação. — iniciou vossa graça mantendo a firmeza.
— Não me deves explicação, vossa graça, conheço-o muito bem desde que veio ao mundo e sei o quão honrado és, e considerando o estado da senhorita Sollary, vejo que um acidente ocorreu em minha biblioteca. — Lady Danbury manteve a serenidade no rosto, com um sorriso de canto intrigante, voltando o olhar para a perna da garota — Eu aconselho a vossa graça se retirar e esquecer o ocorrido, deixe que vossa anfitriã se responsabilize a partir de agora.
— Lady Danbury?! — o olhar dele ficou confuso.
— Devo pedir novamente?! — ela deixou o olhar mais sério para ele.

Assim, sem relutar, assentiu e se retirou do recinto.

— Lady Danbury… — a voz de falhou um pouco.
— Não precisa se explicar, minha querida, fatalidades acontecem e não é a primeira jovem que encontro em uma situação comprometedora. — ela deu alguns passos se aproximando — Mas como conheço muito bem vossa graça, sei que não devo preocupar-me com o ocorrido.
— Agradeço, senhora. — abaixou o olhar mais uma vez.
— Fique onde está, chamarei uma criada para lhe ajudar e pedirei ao dr. Green que lhe examine.

Sim, Lady Danbury.

Não deves se preocupar com o ocorrido, sabemos que vossa graça é um gentleman, comparado ao príncipe libertino que quase profanou o solo de vossa biblioteca. Assim, nossa anfitriã chamou uma das criadas para amparar a jovem Sollary e levá-la a um dos quartos de hóspedes. Em instantes o doutor adentrou o ambiente acompanhado de Lorde Bourbon, com o olhar surpreso pelo estado da filha.

— Lady Danbury, meus sinceros agradecimentos pelo socorro prestado a minha filha e as mais desculpas pelo transtorno causado. — Lorde Bourbon manteve-se próximo a anfitriã.
— Não se preocupe, Lorde Bourbon, acidentes acontecem e o que importa é que não se feriu gravemente e está bem agora, os deixarei à vontade, ainda tenho um baile acontecendo em minha casa. — a astuta Lady se afastou dele, mantendo-se apoiada em vossa bengala e se retirou do quarto.

Ao finalizar o curativo na perna da jovem, o doutor lhe receitou um frasco para vossas dores latentes. Com a retirada do homem, Lorde Bourbon se aproximou de vossa filha e sentou na beirada da cama. O olhar preocupado deu olhar para a ternura e compreensão, dentro de si, o aflito pai sabia que a vossa adorável filha sentia-se pressionada a não desapontá-lo novamente.

— Minha querida, estavas a esconder-se novamente? — perguntou ele, ao segurar a mão da filha.
— Senti-me um tanto quanto envergonhada dos olhares de todos para mim, sei dos comentários sobre nossa situação e que nenhum nobre irá se interessar por mim levando em consideração meu dote. — ela deixou vossa voz mais baixa e vossave, tinha traços de frustração.
— Não se sinta assim, minha querida, a culpa é toda minha, contudo não deixarei que carregue este fardo, lhe farei o melhor dos casamentos nem que isso me custe a vida, terás um bom marido. — jurou ele, com um tom emocionado, segurando vossos sentimentos de culpa.
— Obrigada, meu pai. — sorriu de leve para ele.

Logo, vosso olhar se voltou discretamente para a porta, que estava entreaberta. Foi por alguns segundos, mas a jovem Bourbon conseguiu ver nitidamente o rosto de Tenebrae a lhe observar em silêncio do lado de fora do quarto. Será que vossa graça estava mesmo preocupado com a doce donzela? Ou haveria outro interesse em questão?

Enfim, logo saberemos, pois nada fica oculto de Lady Lewis.

Ainda no salão, na companhia de vossa tia, sugeriu partirem para casa. Confesso que me surpreendeu o vosso olhar constante na senhorita , quando vosso pai se aproximou de Lady Danbury para agradecer o convite e se retirar do baile. Mais ainda nossa preciosa que em vossa mente, vossos planos de conquista e casamento para o irmão lhe fervia a criatividade. Ela não se importava em ter na família uma donzela sem títulos, apenas desejava dar uma força ao destino que resolveu apresentar alguém que despertou um olhar mais profundo no conde de Whatnot.

— Devemos ir então. — disse , num tom impaciente — Já que a única coisa que pude fazer neste baile, foi beber uma limonada, ou melhor, nem isso, já que meu irmão a derramou no vestido de alguém.
— Não foi algo proposital, irmã, e sabes disso. — ele bufou de leve e a olhou — Vamos, o fato de não ter dançado com ninguém só aumentará o desejo dos nobres em conhecê-la melhor.
— Vossa alteza, não o havia visto aqui. — comentou Lady Violet intrigada pela presença do príncipe.
— Este é um que pretendo manter bem distante de vós, . — comentou , ao sentir vossa irmã apoiar a mão direita em vosso braço.
— Não precisas se preocupar, irmão, se há uma coisa da qual não ambiciono, é casar-me com um libertino. — assegurou ela, com firmeza — Sei que há casos de recuperação em nossa família, mas considerando os casos da realeza, não acho que vossa alteza tenha salvação, então…
— Sinto-me aliviado por vossas palavras, irmã. — abriu um sorriso singelo de satisfação.

Estava mais do que surpreso pelas palavras da irmã.

E não somente ele, como eu também. Nossa impecável desejava sim fazer um bom casamento como vossa prima Daphne, e já se dava por satisfeita em casar-se com um Duque também, ou talvez um Marquês. Para vosso irmão, era um alívio saber que a Bridgerton caçula não se deixara levar pela ambição de ser uma princesa.

Se a noite havia terminado para a família Bridgerton, para nosso libertino príncipe só estava começando. Após se perder dos olhares da guarda real, seguiu clandestinamente para uma modesta casa na rua mais quente e pecaminosa da cidade. Sua sede por uma noite de diversão e prazer o levou para o Madame Gastine, o mais luxuoso cabaré parisiense que temos em um meio londrino. E vossa alteza tinha vossa própria entrada privativa que o levava ao quarto de Genevieve LéChant, o affair oculto de .

— Vossa alteza demorou, achei que não viria mais. — comentou ela, ao se afastar da janela e se aproximar dele de forma sinuosa.
— Jamais a deixaria me esperar. — sorriu de canto com um olhar desejoso.

Sabemos que a noite de nosso príncipe seria em claro e cheia de malícias.

Ainda me pergunto como consegui descobrir vossos segredos antes de vossa majestade e como ele conseguia os esconder da realeza.

--

Já na casa de Sollary, adentrava o vosso quarto sendo seguida pelas curiosas gêmeas que não se cansavam de fazer lhe perguntas. A primogênita entendia bem vossas irmãs, por ser uma novidade em vossas vidas, porém vosso cansaço mental a consumia por dentro.

— Lily, Camellia, eu prometo que amanhã pela manhã lhes contarei tudo, mas agora só desejo repousar-me. — vosso olhar compreensivo se voltou para elas, que fizeram uma cara de abandono — Por favor, estou com dores de cabeça pela noite turbulenta que tive.
— Prometes que vai mesmo nos contar tudo? — reformou Lily, deixou o olhar brilhoso aparente.
— Prometo. — assentiu ela, com um sorriso singelo.

As gêmeas assentiram eufóricas, começando a fazer suposições sobre a noite da irmã pelos corredores do segundo andar. Logo após a criada ajudar-lhe a se trocar e se retirar, o senhor Sollary deu dois toques na porta da filha, pedindo permissão para entrar. permitiu a vossa entrada e ficou a observar as expressões preocupadas de vosso pai.

— Desejas algo, papai? — perguntou ela, intrigada.
— Esta noite representa uma mudança em nossa vida, minha querida, certamente seremos convidados a mais bailes e recepções, isso me preocupa não só por vossas irmãs, como também por vós. — ele deu um passo adentrando o quarto e deixou a porta entreaberta — O que achastes desta noite?
— É tudo muito novo para todos nós, papai, a fortuna, minha apresentação, a ideia de uma corte e um casamento com nobres. — ela tentou ponderar em vossa opinião, mas por dentro sentia medo do que poderia acontecer no dia seguinte.

Por mais que vosso dote fosse tão chamativo quanto a vossa beleza, Sollary ainda era uma senhorita simples e sem títulos de nobreza. Da classe burguesa e com culturas familiares bem diferentes da nobreza e vossas rígidas formalidades.

— Não entendo o motivo de não poder casar-me com alguém de nosso nível. — indagou ela.

A filha dedicada também possuía sonhos e nos mais profundos dele, existia um amigo de infância chamado Sir Nikolai Graham. O jovem rapaz, para conquistar o direito de desposar a moça, assentiu a continuar o legado do pai no meio militar, se tornando um cavaleiro de vossa majestade. Mas claro que o senhor Sollary desejava algo mais seguro para vossa filha que uni-la a um homem com chances de morrer em batalha.

— Sabes o que penso sobre sir Nikolai, não a deixarei se casar com um militar. — repetiu ele num tom mais firme — Acredito, minha querida que se apaixonará por vosso futuro marido, há muitos nobres interessados e vós, estou certo de que um deles despertará vosso interesse.
— Metade deles está interessado em meu dote. — corrigiu ela, sendo realista.
— Por isso serei ainda mais criterioso. — alegou o pai, confiante em vosso instinto de julgar as pessoas.
— Confio no senhor, meu pai, só não acho que estou preparada para entrar neste mundo da aristocracia. — confessou.
— Eu prometo, minha querida, que farei a melhor escolha para vós. — vosso pai sorriu com carinho — Não a entregarei para qualquer um, será para o homem que conquistar o vosso coração.

já havia se convencido que um romance entre ela e Nikolai jamais aconteceria. Mas relutava na ideia de se casar com um Lorde. Ser desposada por um nobre lhe causava arrepios negativos e inseguranças das quais não desejava sentir.

Temia pela infelicidade.

Nada como uma manhã de primavera com as flores perfumando a casa para sentir que a sorte está do vosso lado. É o que o senhor Sollary sentiu ao receber a visita de vários nobres em vossa casa, com presentes significativos para a primogênita. Até mesmo vossas irmãs se surpreenderam com tamanho interesse em nosso diamante bruto. O olhar surpreso de para o Marquês de Hamilton diante dela com uma singela caixinha de joias de presente, foi o ápice da manhã na casa dos Sollary. E quem diria que um dote de 200 mil libras compraria o mais crítico dos nobres de Londres.

Estou ainda mais curiosa pelo desenrolar dessa história.

E vós, caros leitores? O que acham disso?

— Senhorita Sollary. — o Marquês fez uma breve reverência, assim que os outros foram conduzidos até a porta pelo mordomo Park — Senhor Sollary, é uma honra ser recebido em vossa casa.
— Agradeço a visita e pelo presente. — assim que o senhor Sollary assentiu com o olhar, Moore pegou a caixinha das mãos do homem e a entregou para a primogênita.

sorriu para a mulher e pegou a caixinha, abrindo-a em seguida. Dentro continha um par de brincos de diamantes, o que impressionou a todos na sala de visitas da casa.

— Agradeço Lorde Magnus, é muito bonito. — disse ela um pouco vergonhosa pelo presente.
— Confesso que estou curioso para conhecê-la, senhorita, o vosso olhar é encantador. — disse, mantendo um tom suave e espontâneo na voz.

As irmãs de entraram em cochichos pela cena diante delas, empolgando-se pela irmã ter atraído um Marquês sem o menor esforço.

— Devemos oferecer-lhe chá com biscoitos?! — perguntou Rose, tentando não se mostrar afoita pela ocasião.
— Rose?! — em um sussurro repreendendo-a, o olhar de voltou-se para a irmã.
— Vossa irmã nos deu uma boa ideia. — o senhor Sollary voltou o olhar para o homem à vossa frente — Aceitas biscoitos Lorde Magnus?
— Não desejo incomodar-lhes, mas se isso significa mais tempo a presença de vossa filha, aceito o convite.

Intrigante.

É a única palavra que me vem à mente.

Seguindo para outro lugar, após rejeitar a praticamente todos os nobres que visitaram a irmã, se trancou no escritório da casa dos Bridgertons. Boatos de constantes visitas à casa dos Sollary logo pela manhã, havia lhe deixado irritado de uma forma inexplicável. E com isso, um gatilho para colocar em prática vosso plano de manter o irmão distraído. Com um pedido desesperado para a tia, seguiu na companhia de vossa criada pessoal Judith em direção a loja da modista.

— Senhorita Bridgerton, que surpresa em vê-la aqui, acabo de lhe fazer dois vestidos. — comentou a mademoiselle Tatou, com o olhar curioso.
— Desta vez, mademoiselle, a encomenda não é para mim. — explicou a jovem determinada — Sei que possui as medidas de todas as donzelas da cidade e principalmente da casa Sollary.
— Sim, e qual o propósito de vossas palavras? — perguntou a modista, interessada na história.
— Bem, meu irmão é um tanto tímido e não saberia lidar com tal situação, então estou aqui para encomendar um vestido em vosso nome para a senhorita . — explicou, com clareza.
— Hum… entendo, e há uma urgência neste pedido? — indagou ela.
— Sim, gostaria que fosse o mais rápido possível e vosso melhor modelo, e que junto, entregue esta carta, por favor. — respondeu , esticando a mão que segurava a carta — É de suma importância que ela saiba que é um presente de Lorde Bridgerton.

Mademoiselle Tatou assentiu mantendo a discrição. O primeiro passo havia sido dado. E nossa pérola não deixaria a oportunidade passar.

--

Alguns dias passaram, com mais e mais nobres a visitar a casa dos Sollary.

O que me recheava de boatos para saborear. O frescor do final de uma tarde calorosa era tudo que nossa sociedade londrina desejava. Em vossa carruagem a família Bridgerton seguia para um jantar na casa do Marquês, Lord Brook, em comemoração ao vosso aniversário.

— Ainda não entendo o motivo de aceitarmos tal convite, não somos da família e o acho um homem asqueroso. — fez uma careta.
— Querida, ele em pessoa convidou o vosso irmão e terão outros nobres nesta recepção. — explicou Lady Violet — Então, mantenha um sorriso no rosto, precisas continuar encantadora.
— Infelizmente com todas as rejeições de meu irmão, até mesmo Lady Lewis tem colocado em dúvida as palavras de vossa majestade sobre mim, a culpa é toda vossa, . — vossas palavras transbordavam irritação.
— Apenas estou a proteger-te de um futuro descontente. — assegurou ele.

bufou de leve e voltou o olhar para a janela.

Ao chegarem ao palacete de Lorde Brook, foram recebidos por vosso anfitrião que mostrou-se animado pela presença de . Ela, por vossa vez, não esboçou reação nenhuma, apenas manteve o olhar desinteressado em vossos elogios. Confesso que recepções assim são minhas favoritas, principalmente quando todas as pessoas interessantes estão presentes. Uma delas é nosso príncipe libertino com vossos guardas reais, que sempre o perdia de vista. E fora numa dessas escapadas que avistou uma bela paisagem a observar as estrelas no jardim lateral do lugar. Nada mais, nada menos que Bridgerton, após conseguir fugir dos assuntos entediantes do vosso anfitrião.

— Sozinha em um jardim não é uma boa referência a uma donzela. — comentou ao se aproximar dela.
— Invadir a privacidade alheia também não é uma boa referência a um príncipe. — ela voltou o olhar para ele — Vossa alteza não deverias estar sob o olhar dos guardas reais?

Ele sorriu de canto, totalmente surpreso pelas palavras da garota.

— Todos precisam de um pouco de ar, quando se sentem sufocados. — argumentou.
— Infelizmente, devo concordar com vossa alteza. — ela bufou de leve e voltou a olhar o horizonte.
— Estou curioso para saber o que a sufocou esta noite. — comentou ele, mantendo uma distância significativa — No baile de Lady Danbury estava mais radiante e determinada a ser vista por todos.
— Vossa alteza estava a me vigiar? — ela o olhou, intrigada.
— Após ser apresentado a quase todas as senhoritas do baile, não pude deixar de me intrigar por não tê-la se apresentado a mim. — respondeu.
— E achas que tenho ambições em casar-me com um príncipe? — ela cruzou os braços, admirada por aquilo.
— Sempre achei que fosse o sonho de qualquer donzela. — explicou.
— Pois saiba, vossa alteza, meus planos para o futuro passam bem distantes de um casamento com um príncipe de tal fama. — disse ela, segura de vossas palavras.
— E no entanto, nem mesmo um vislumbre de casamento tens, a não ser que o pretendente seja Lorde Brook. — supôs ele, rindo baixo — Estarias inclinada a casar-se com um Marquês como ele?
— O que vossa alteza tens de interesse nisso? — contra perguntou ela, se irritando.
— Nada, apenas curioso, já que correm boatos que vosso irmão tem rejeitado todas as propostas de casamento que recebeu. — o príncipe manteve um sorriso de deboche escondido no canto do rosto.
— Meu irmão apenas considera o que é melhor para mim, afinal após as palavras de vossa majestade, a própria Lady Lewis concordou ao me colocar como uma pérola rara que nenhum homem jamais sequer imaginou tocar. — retrucou.

As palavras de bateram forte no orgulho do homem à vossa frente. Despertando ainda mais interesse. Quem seria tal senhorita a vossa frente, que não se deixava seduzir por vossa coroa de príncipe?

sentiu o coração pulsar mais forte.

— Suas palavras me impressionam, mas o fato é que todos têm desistido de obter a chance de tocá-la graças ao vosso irmão. — contra-argumentou ele — E sejamos honestos, quem desejarias possuir uma pérola quando se pode ter um diamante bruto?

tocou no ponto exato.

Era uma realidade que subjetivamente dividia todos os olhares com . E isso a fazia temer por vosso plano, pois o presente do vosso irmão ainda não lhe fora entregue, entretanto a esperança continuava e a Bridgerton não se deixaria abater pelas palavras dele.

— O que desejas, vossa alteza?! — perguntou ela.
— Vós! — disse ele, num tom mais baixo.
— O quê?! — ela se assustou com tal resposta.
— Desejo que me ajude. — explicou ele, melhor — Há alguns dias venho pensando sobre isso, és a única que não me olhas com ambição e já deixaste bem claro a vossa posição…
— E o que isso tem a ver com o fato de querer minha ajuda? — perguntou ela.
— Precisas voltar a ser o centro das atenções e ser desejada por todos os nobres, e eu preciso me livrar das mães que me oferecem vossas filhas como um objeto de arte, além de mostrar a vossa majestade que estou levando a sério a ideia de um casamento. — ele continuou com vossa linha de raciocínio — Podemos fingir que estou a cortejar-te, assim voltas a ser a pérola desejada, neste tempo eu terei alguns momentos de paz e posso lhe ajudar a encontrar o melhor marido que podes ter. O que acha?
— E quando eu encontrar o tal pretendente, o que fará? — perguntou ela, curiosa pela vossa habilidade em planejar tal situação.
— Direi a vossa majestade que estou sofrendo e que o amor não é para mim, então posso me recolher longe de Londres para curar meu coração e ganhar mais tempo. — vossas palavras faziam parecer fácil vosso plano — Então, temos um acordo?

Ele esticou a mão para que ela apertasse.

O olhar de tinha uma ponta incomum de intensidade, que causava estranheza interna em . Ela estava temerosa que tal acordo pudesse prejudicá-la ao invés de ajudar. Entretanto, pensando bem, ter um príncipe interessado em vossa pessoa, poderia elevar ainda mais vosso nível de exigência para um bom marido.

Sim ou não, qual será a vossa resposta?

Lady Lewis

"Someone call the doctor."
- Overdose / EXO





A vida era cheia de decisões a serem feitas.

Quando acordamos, temos que decidir por nos levantarmos ou permanecermos deitados. Ao longo do dia várias questões se colocavam diante de nós com apenas uma opção a escolher. E chegara o momento em que uma escolha deve ser tomada pela Bridgerton. Aceitar ou recusar a oferta do príncipe libertino.

— Então?! — insistiu ele, mantendo vossa mão esticada.

por um curto espaço de tempo, analisou todos os prós e contras daquela proposta, e por um leve surto interno proveniente das atitudes do irmão, ela esticou vossa mão e apertou a do príncipe.

— Somente para encontrar o pretendente ideal para mim. — frizou ela, vossas condições — Nada além disso, e terá que agir como se realmente estivesse a me cortejar, para que todos acreditem.
— Como quiser, senhorita Bridgerton. — assentiu ele, mantendo um olhar curioso para ela.
— Desejo-lhe sorte para quando enfrentar meu irmão, pois tenho certeza de que ele não irá aceitar nem um pouco. — ela soltou vossa mão e se afastou dele — Devo retornar, antes que alguém nos veja aqui.
— Mal posso esperar para colocar em prática nosso acordo. — disse ele.

não esboçou nenhuma reação de expectativa ou ansiedade, pelo contrário, se mostrou totalmente desinteressada. Ela reverenciou sutilmente e retornou para o interior da casa, assim que passou pela porta, esbarrou em vossa graça o duque de Whosis.

— Perdoe-me, vossa graça. — disse ela, no susto, em um tom mais baixo.

Estava parcialmente temerosa.

Talvez ele tivesse visto-a com o príncipe, talvez não. Para seria uma desonra se tal boato fosse pronunciado, principalmente por mim, Lady Lewis. Mas é claro que no meio desse turbilhão de acontecimentos, o que mais desejo é ver tudo dando certo no final para minhas três pedras preciosas. O raro diamante bruto, ; a desejável pérola intocável, ; e o sublime rubi inesperado, que ressurgiu das cinzas como uma fênix, .

— Aconselho a senhorita, que deves ficar longe de possíveis problemas. — disse o duque, sabendo muito bem a quem se referia — Algumas pessoas podem interpretar mal aquilo que está diante dos olhos.

sentiu um frio passar por vosso corpo. Estaria ele falando de vossa alteza? Eu não duvido nem um pouco.

, irmã, estava a te procurar. — se aproximou de ambos, com um olhar desconfiado — Vossa graça.
— Lord Bridgerton. — fez um leve aceno com o olhar para ele.
— Algum problema aqui?! — voltou o olhar para vossa irmã.
— Não, irmão, apenas estava tomando um ar, quando retornei para dentro e meu caminho se cruzou com o de vossa graça. — respondeu ela, com um tom sereno e moderado.
— Whosis. — o som da voz do príncipe logo atrás deles, fez com que o coração de acelerasse um pouco — Estou a te procurar, meu amigo.
— Agora me encontrou. — o olhar sério de se voltou para o amigo.
— Lord Bridgerton, senhorita Bridgerton. — o príncipe agiu com naturalidade, para que nenhum dos dois desconfiasse de vossa aproximação com a jovem.

Agir assim em meio a situações comprometedoras era uma habilidade invejável de vossa alteza.

— Vossa alteza. — fez uma breve reverência com a face, juntamente com vossa irmã — Vamos, irmã?!
— Sim. — assentiu ela, e antes que se afastasse mais, olhou para e sorriu gentilmente — Agradeço a vossa graça pelo conselho.

assentiu com o olhar e permaneceu em silêncio.

— Que conselho recebeste do duque? — perguntou , ao se afastarem mais dos cavalheiros.
— Não contarei. — respondeu ela, sorrindo de canto.
— E por que não? És minha irmã, não deveria haver segredos entre nós. — questionou ele, intrigado.
— Como se me contasse todas as conversas que participou em vossa ida ao clube. — retrucou ela, segurando o riso.
— Há conversas entre cavalheiros que uma dama não deve saber. — explicou ele.

soltou uma risada ponderada e manteve o olhar para frente. Enquanto seguiam pelo salão em direção a vossa tia.

— Desculpe-me, irmão, mas este é um assunto que jamais saberá. — relatou ela, não se importando com a curiosidade alheia.

Logo o olhar de , avistou , que se mantinha acompanhada de vossas irmãs gêmeas. A família Sollary também haviam sido convidados a tal jantar de aniversário do lord Brook. Se afastando sorrateiramente de vosso irmão, que fora preso em uma conversa obstinada com o insistente anfitrião. A Bridgerton caçula se aproximou da primogênita, a fim de obter informações.

— Um prazer vê-la novamente, senhorita Sollary. — disse ela, abrindo um sorriso singelo.
— Senhorita Bridgerton, não é?! — puxou em vossa memória o nome associado ao rosto da jovem à vossa frente.
— Sim, por favor, pode me chamar de , não precisamos ser tão formais assim, estamos na mesma situação aqui. — disse ela, num tom suave e gentil.
— E que situação seria?! — perguntou Lily que estava ao lado da irmã, com um olhar curioso e intrigado.
— A de uma donzela esperançosa e aflita com as exigências de nossa família a realizar um bom casamento. — explicou — Ou haveria alguma outra situação?
— Creio que não. — a primogênita Sollary riu baixo — Podes me chamar de também, e confesso que minhas preocupações realmente são essas.
. — sussurrou .
— Estas são minhas irmãs Lily e Camellia. — apresentou , e apontando de leve — A que está acompanhando meu pai ali é Rose, e Daisy certamente está perdida perto da mesa de doces.
— Com certeza ela está na mesa de doces. — comentou Camellia.
— A gente podia ir até ela. — sugeriu Lily com um olhar sapeca.
— Não me vão irritar a Daisy e arrumar confusão, não podemos envergonhar nosso pai. — as repreendeu de imediato.
— Não se preocupe, irmã, não faremos nada que vá comprometer o nome de nossa família e atrapalhar vosso futuro casamento com lord Magnus. — disse Lily já se afastando e puxando Camellia consigo.

Lord Magnus?! O marquês?!

Foi o pensamento que veio sobre a mente de , seguido de uma paralisia mental repentina. Ela não queria acreditar que vosso plano que mal havia iniciado, corria riscos de ser frustrado.

— Não deixei de atentar às palavras de vossa irmã, perdoe-me a indiscrição, mas está a ser cortejada pelo lord Magnus? — perguntou .
— Bem, ele tem feito muitas visitas para o chá da tarde. — respondeu de forma subjetiva.
— Estás a gostar dele?! — a Bridgerton não conseguia controlar vossa curiosidade.
— Haveria algum interesse da senhorita em lord Magnus, para este tipo de indagação? — respondeu com outra pergunta.

se viu sem reação. Mas pensando com mais cuidado.

— Bem, só uma indagação, atualmente eu já estou sendo cortejada. — respondeu ela, se beneficiando levemente do acordo com o príncipe — Só não posso dizer quem é, não antes do cavalheiro em questão conversar com meu irmão.
— Ah… desejo-lhe sorte então. — sorriu gentilmente e voltou vossa atenção para frente.

Logo vosso olhar cruzou com o de lord Bridgerton. Que indiscutivelmente não conseguia parar de olhá-la. Por dias tentava entender o que acontecia internamente consigo. Quanto mais ele tentava focar vossos pensamentos, mais a imagem do sorriso da senhorita Sollary invadia vossa mente.

— Sou curiosa sobre o vestido assassinado pela limonada. — brincou com vossas palavras — Devo imaginar que foi perda total?!
— Sim, a criada tentou recuperá-lo, mas a seda realmente não resistiu. — explicou num tom mais baixo — Mas está tudo bem, era somente mais um vestido e o que importa é que não me machuquei.
— Gostaria de lhe convidar para um chá no sábado pela manhã, como um pedido formal de desculpas. — ofereceu , com um olhar amigável — E não aceito vossa recusa.
— Bem, isso me deixou um tanto surpresa, mas aceitarei de bom grado. — assentiu a jovem Sollary, não tendo outra escolha.

Uma peculiar conversa deu início entre as duas damas, que em poucos minutos sentiram certa afinidade em alguns pensamentos sobre o futuro de vossas vidas. Intrigante como uma amizade pode nascer nos momentos mais inesperados.

--

Do outro lado da sala, nosso libertino favorito mantinha uma conversa cordial e interessante com vossa graça. O duque por si estava preocupado com as constantes abordagens das mães londrinas ao vosso amigo, principalmente após vê-lo tão próximo de nossa pérola no jardim.

— Deverias ser mais cuidadoso. — disse ele ao amigo.
— Falas do que agora? — voltou vosso olhar para ele, confuso por aquelas palavras — Juro que estou me comportando.
— Estar no jardim com uma senhorita sozinho é se comportar?! — o duque manteve o olhar sério para ele.
— Oh, vós nos viu? Eu juro que não foi proposital, amigo. — tratou de se explicar — Foi algo como, lugar errado e hora errada.
— Não consigo confiar em vossas palavras. — colocou a mão nos bolsos da calça, voltando o olhar para lord Brook que se aproximava de Bridgerton — vossos atos podem prejudicá-la.
— Imagine se Lady Lewis menciona algo sobre a pérola intocável estar sendo cortejada pelo príncipe libertino. — ele soltou uma gargalhada boba.
— Estou a falar sério. — reforçou .
— Eu também, meu amigo. — deixou vosso olhar um pouco mais sério — Estou a considerar uma corte a senhorita Bridgerton. É de boa família, uma nobre impecável e de beleza rara também, se devo escolher uma dentre muitas, por que não ela?
— Por que ela?! — indagou o duque.
— Pensando logicamente, vamos por eliminação. — disse ele, iniciando vossa linha de raciocínio — Apenas três donzelas chamaram a atenção de vossa majestade, descartamos o diamante bruto da burguesia, pois um príncipe só pode se casar com alguém na nobreza, o rubi inesperado nem mesmo um dote deve possuir, e não quero ter que lidar com as dívidas do lord Bourbon, o que me resta? A pérola intocável.

soltou um suspiro cansado ao ouvi-lo.

— Ficarei de olho em vós, meu amigo, podes ser da realeza, mas não deixarei que brinque com os sentimentos dessa moça. — advertiu o duque num tom mais firme.
— Fique tranquilo, meu amigo, se há algo que não pretendo, é brincar com os sentimentos da senhorita Bridgerton. — assegurou o libertino, dando um sorriso de canto — Mas e quanto a vós? Já se inclinou para algumas das donzelas nesse salão?
— Não. — respondeu, porém com o olhar fixo em um ponto específico do lugar.

E qual seria esta coordenada geográfica?

A lateral esquerda do grande salão, ao lado do pai e totalmente recolhida em vossos pensamentos mantendo o olhar em um vaso de cristal que tinha ao lado. A senhorita Bourbon. Fora no mínimo intrigante que lord Brook tenha convidado o falido lord Bourbon, talvez pela amizade de longa data que ambos tinham e por consideração o convite tenha chegado a eles. Mas ali estava mais uma vez o bom pai tentando encontrar um bom marido para vossa graciosa filha.

— E para onde olhas tanto? — perguntou com vossa curiosidade.
— Para lugar nenhum. — voltou o olhar para o amigo — Irás daqui novamente para o Palácio de Buckingham?
— Estava com a esperança de me abrigar em vossa residência. — pediu o príncipe indiretamente — Não quero ter que proferir um relatório completo dos meus passos para vossa majestade antes de me recolher.
— Terá que enfrentá-la em algum momento, meu amigo. — comentou .
— Quanto mais eu puder evitar, melhor. — ele sorriu de canto.

Mais à frente, lady Bridgerton observava vossa sobrinha a conversar com a primogênita Sollary. Algo muito surpreendente para ela e preocupante também.

— É impressionante as coisas que Lady Lewis tem dito sobre vossa sobrinha. — comentou lady Danbury, ao se aproximar de lady Violet.
— Sim, a classificou como a pérola intocável. — assentiu lady Violet — Acho que me sinto um pouco mais aliviada, lembrando-me de quando minha Daphne estava nesta mesma situação com Anthony a impedindo de escolher o melhor para ela, pelo menos Lady Lewis tem sido ponderada em vossas classificações.
— Há de concordar comigo que a classificação está correta, não consigo imaginar irmão mais protetor que vosso sobrinho, lord Bridgerton. — lady Danbury riu de leve.
— Outra preocupação é esta superproteção, ele precisa se focar em escolher uma bela esposa, porém segue inclinado aos assuntos de vossa irmã. — a tia Bridgerton soltou um suspiro cansado.
— Bem, quanto a isso posso lhe ajudar novamente. — o tom sinuoso soou na voz dela.
— O que sugere? — lady Violet voltou o olhar para a mulher.
— Bem, veja vossa graça, o duque Tenebrae. — ela voltou vosso olhar para a direção de que ainda conversava com o príncipe — O conheço desde pequeno e sei o quanto foi difícil vossa perda, nesta temporada haverá um casamento na casa de Whosis e vossa sobrinha podes vir a ser a noiva.
— Ainda não havia pensado sobre isso. — comentou lady Violet — Vossa graça é um homem tão silencioso e reclinado a não frequentar bailes da sociedade.
— Admito que vossos pais o criaram como uma pessoa reservada e reclusa, mas tenho certeza que a doçura de vossa sobrinha podes quebrar qualquer gelo que tenha naquele coração frio. — insistiu lady Danbury — Posso afirmar que podemos aceitar um convite de jantar, tenho certeza que vosso cozinheiro deve saber preparar um bom pernil de carneiro ao molho de alcaparras.
— Podes acreditar que meu cozinheiro é cheio de especialidades. — assentiu a Bridgerton com o olhar esperançoso.

Há quem diga que quando um não quer, dois não brigam. Neste momento, há muitos que querem uma coisa, e outros que querem outra. Planos e acordos continuam rolando ao longo deste jantar. Uma lástima é que nenhum deles se aplica ao nosso anfitrião que insiste em demonstrar certo interesse em cortejar nossa preciosa Bridgerton. Mas será que o marquês, lord Brook, conseguirá competir com uma realeza na jogada?

Se aproximando da mesa de doces, que finalmente conseguira se afastar do pai, parou em frente a bandeja de Manjar Turco. Vosso olho brilhou de leve por ver vossa sobremesa favorita. Algo que havia definido quando finalmente a provara em um chá do solário de vossa majestade quando criança. Ela pegou um e mordiscou com delicadeza. Não se dando conta da aproximação de mais uma pessoa.

— Isso é gostoso?! — a voz de soou um pouco confusa em vossa pergunta.
— Sim?! — voltou o olhar para ela, segurando a vergonha pelo momento.
— Isto seria uma resposta? Pois soou como uma pergunta. — comentou ao se aproximar delas, segurando o riso.
— Perdoe-me. — se encolheu com timidez — Sim, este é o doce mais gostoso que já comi.
— Hum. — manteve o olhar para a bandeja de manjar turco, pensando se arriscaria ou não experimentar tal doce.
— Eu particularmente não gosto, prefiro o tradicional muffin de chocolate. — comentou ao desviar o olhar para a vossa sobremesa favorita — Apesar de ser tradicionalmente servido na hora chá, me atrevo a comê-lo a qualquer momento do dia.
— Devo comentar que vosso olhar para a bandeja de muffins me assusta um pouco. — comentou , rindo baixo.
— Estou a me perguntar se o marido que a desposar terá que disputar vossa atenção com algum muffin. — brincou , fazendo-as rir.
— Sinto-me admirada pelo vosso comentário. — riu mais um pouco — E por ser tão bem humorada.

manteve a suavidade no rosto e finalmente pegou um pedaço de manjar turco.

— Bem, não tenho costumes com doces, mas vendo o olhar de ambas para esta mesa, agora entendo o motivo de Daisy nunca sair de perto dela. — comentou a primogênita Sollary, de forma descontraída.
— Um pouco de açúcar não faz mal a ninguém. — comentou , em vossa coragem de manter-se conversando com as donzelas que se aproximaram dela — É o que faz vosso dia não ser amargo.
— Devo concordar com a senhorita Bourbon. — disse — Principalmente em dias chuvosos ou no inverno.
— Ah, por favor, podes me chamar de , não precisas ser tão formal assim. — disse a jovem.
. — a Bridgerton abriu um sorriso gentil para ela.
— Podes me chamar de . — disse a Sollary.

Elas olharam entre si e logo soltaram alguns risos ponderados, então voltaram a atenção para a mesa de doces à vossa frente. E, mais uma vez, pego me surpresa com os acontecimentos deste não tão desastroso jantar.

Agradeço ao lord Brook por proporcionar-me tal evento.

--

E um novo dia se inicia para nossas pedras preciosas.

Em vosso quarto, manteve vossos pensamentos distantes. Não conseguia parar de pensar nos constantes olhares de vossa graça. E sim, meus caros leitores, não fora somente eu quem reparou nisso. Mas também nosso rubi inesperado conseguiu sentir uma certa intensidade vinda do olhar de Tenebrae em vossa direção. Estou a me consumir de curiosidade para saber os pensamentos do duque em relação a nossa lady falida.

Sua atenção fora despertada assim que a criada, a única que sobrara para servir vossa família, deu dois toques na porta e adentrou o quarto com uma carta nas mãos.

— Franchy, algum problema? — perguntou ela, olhando-a atentamente.
— Uma carta chegou para a senhorita. — disse a criada esticando o envelope.

assentiu ao pegar o envelope de vossa mão e sorriu em agradecimento.

— E meu pai?! — perguntou ela.
— Saiu logo cedo, senhorita, não sei para onde. — respondeu prontamente.
— Agradeço, Franchy, não irei sair do meu quarto por agora, pode ir. — continuou ela.

A criada assentiu e se retirou do quarto, fechando a porta. ficou um pouco estática ao reconhecer o brasão da casa de Whosis no selo do envelope. Um frio passou por vossa barriga, assim como o acelerar de vosso coração.

--

Outra manhã de surpresas se inicia na casa de Sollary.

desfrutava de um café da manhã pomposo e divertido com os comentários de vossas irmãs sobre o jantar da noite anterior. E as inúmeras gargalhadas de Daisy, provocadas pelos comentários das gêmeas, conseguiam ser ouvidas até por vosso pai do escritório. Até mesmo Rose possuía vossos comentários a serem feitos. E a maioria deles se resumiam em lord Magnus. Algo já notado por vossa irmã mais velha.

E claro por mim também.

— Senhorita Sollary. — uma das criadas se aproximou da mesa de café no jardim.
— Sim?! — a olhou.
— Chegou uma encomenda para a senhorita, pedi ao entregador que a deixasse na sala. — explicou a criada — Não queria incomodar o vosso desjejum.
— Agradeço o cuidado, Constance. — se levantou — Terei que me ausentar, meninas.
— E não irás sozinha. — disse Lily levantando-se junto — Estou curiosa para saber o que mandaram desta vez.
— Deixe de curiosidades, Lily, certamente fora mais um presente de lord Magnus para ela. — comentou Rose, como se estivesse certa do que dizia.
— E se não for? — retrucou Camellia — Também quero saber.
— Andas mencionando muito o lord Magnus. — comentou Daisy, com um tom debochado — Acaso ambiciona roubar a corte de nossa irmã?
— Como ousas insinuar isso?! — Rose se mostrou ofendida pelas palavras da irmã.
— Não estou dizendo mais do que a realidade em que observo. — retrucou Daisy.
— Parem as duas. — elevou um pouco vossa voz — Não estou em corte com lord Magnus, Daisy, nosso pai deu-me livres poderes de escolha e ainda não a fiz… O fato de receber presentes de tal cavalheiro não indica nada.

se afastou dela com o olhar sério e se dirigiu para a sala.

Sendo seguida, claro, por vossas irmãs curiosas. Ao chegar, se aproximou da impressionante caixa branca com um laço lilás. Um tanto grande para ser um simples presente. Ao abrir, se deparou com um deslumbrante vestido que fez até mesmo os olhos de vossas irmãs brilharem.

— Será que este presente está mesmo à altura de lorde Magnus?! — comentou Lily boquiaberta.
— É de seda, como aquele vosso que se perdeu. — disse Camellia ao alisar o tecido — E esta parece ser ainda mais nobre que a outra.
— Não acho que o marquês tenha bom gosto para presentear nossa irmã assim. — comentou Daisy.

De fato, ela não havia simpatizado com tal homem.

— Tem um cartão. — disse Rose, ao pegar um envelope escondido no fundo da caixa, entre os papéis de embrulho.
— Abra e veja de quem é. — disse Lily, com extrema curiosidade.
— Verei sozinha em meus aposentos. — recolheu tudo e colocou novamente na caixa, então se retirou da presença de vossas irmãs.

Assim que chegou em vosso quarto, fechou devidamente a porta. Sentou-se em vossa cama e olhou atentamente o envelope. O brasão da família Bridgerton estava sob o selo, que foi aberto com cuidado. Retirando a carta dentro, começou a ler.

“Sei que um simples vestido não estará à altura das desculpas que mereces. Menos ainda de vossa beleza que me encantou desde o primeiro momento. Mas aqui estou eu a enviar-te este singelo presente para que possa finalmente ter a minha mente em paz.

Mais uma vez, peço-lhe desculpas.

Lord Bridgerton.”

Aqui temos mais uma pedra preciosa sem reação, e mais uma carta inesperada. Me inquieta pensar na realidade que não fora lord Bridgerton que escrevera e sim vossa irmã com vossos planos em ação. Mas nossa dedicada não sabe disso, o que me motiva ainda mais em olhar com atenção para este possível casal.

Será que teremos o casamento de um Bridgerton com alguém da burguesia?

Ou esta conquista será do marquês de Hamilton, lord Magnus?

Que as apostas comecem!

Lady Lewis

Mesmo com vós na minha frente
Eu não sei o que fazer
Para as pessoas que estão apaixonadas
Por favor, me diga como vós começou a amar.
- Hello / SHINee




Se existe uma coisa que traz esperança a um soldado em meio a guerra, é receber a carta da pessoa amada. Ler as palavras de encorajamento e apoio, forma uma barreira invisível de construção que fortalece a esperança do indivíduo.

Nossas pedras preciosas não são soldados, mas a guerra que elas travavam contra o tempo e a pressão da sociedade, produz basicamente o mesmo desespero sutil, de como se estivesse em um campo de guerra. E assim estava com vosso coração acelerado segurando o envelope sem a coragem de abri-lo. Qual o motivo para vossa graça lhe enviar uma carta? Era a pergunta que lhe martelava a cabeça. Não a condeno, meus caros leitores, pois assim como o nosso rubi inesperado, eu também me pergunto qual seria a motivação de Tenebrae para tal ato.

— Céus… O que faço? — perguntou para si mesma, sentindo o corpo trêmulo.

Com cuidado, ela rompeu o selo e abriu o envelope, retirando a carta que havia dentro. Desdobrando o papel, respirou fundo para começar a leitura.

“Senhorita Bourbon,

Venho por este dizer que senti-me aliviado por tê-la visto melhor na noite anterior. Segui estes dias preocupado com vossa condição física devido ao acidente passado.

Para ser honesto, nem mesmo sei o motivo de estar lhe escrevendo esta carta, nem se fará alguma importância para a senhorita.

Espero que continue bem e saudável.

Tenebrae
duque de Whosis.”

Assim que terminou de ler, pode perceber que a letra do duque estava um pouco trêmula nas últimas linhas. Será que somente naquele momento estaria ele se atentando ao que redigia na carta? Sendo ou não, o fato é que vossa graça foi até o final e o envelope com vosso selo chegou às mãos do nosso rubi.

— Por que meu coração está acelerado?! — a jovem se perguntou — É somente uma carta, que não significa muita coisa.

Vosso destino parecia até então incerto.

Por mais que participasse de bailes com vosso pai, nenhum cavalheiro se aproximou dela, nem mesmo uma visita para o chá. Como se o elogio de vossa majestade em vossa apresentação fosse ignorado e abafado, pelas dívidas e má administração financeira do vosso pai. Se havia uma coisa que poderia tirar de positivo de tudo aquilo, foi a inesperada amizade que desenvolveu na última noite com as outras pedras preciosas. Quem diria que um assunto relativamente insignificante como doces e sobremesas, seria um gancho para a aproximação de nossas meninas?!

Estou mais do que ansiosa pelo chá da tarde de sábado.

--

Mas antes disso, temos um jantar para organizar e um duque para impressionar.

Nossas casamenteiras seguiam com o plano a todo vapor e lady Danbury teve o prazer de convocar vossa graça para comparecer à casa dos Bridgertons na sexta à noite. O que não fora tão difícil assim, já que tinha um profundo respeito por ela. Entretanto, em todo plano há alguns riscos e mais, chances de imprevistos acontecerem e foi o que aconteceu naquela noite.

— Bem-vindo, vossa graça. — lady Violet fez uma breve reverência assim que o convidado especial fora anunciado e se pôs diante dos anfitriões.

Em segundos o mordomo anunciou outra pessoa, um tanto quanto inesperada.

— Vossa alteza?! — disse , vendo o príncipe se apresentar, colocando-se ao lado do amigo, com um sorriso presunçoso no rosto.
— Bem-vindo também, vossa alteza. — lady Violet, deu um sorriso de surpresa — É uma honra tê-lo em nossa casa, e muito inesperado também.
— Perdoem-me por tê-lo trazido comigo, vossa alteza tem estado hospedado em minha casa e como um bom anfitrião, não poderia… — parecia escolher bem as palavras em vossa mente.
— Não tem o que se desculpar, vossa graça. — disse lady Violet, mantendo o sorriso no rosto — É uma honra tê-los aqui nesta noite.
— Boa noite. — disse ao adentrar a sala de visitas, com um sorriso mimoso — Vossa graça, vossa alteza.

A doce Bridgerton havia combinado com vossa tia.

Uma entrada singela após a chegada do convidado. Assim poderia deixá-lo mais instigado. Porém, o que a jovem não contava era com a presença do príncipe de última hora. Claro que ela ainda não havia se atentado para as intenções de vossa tia com o convite de jantar para vossa graça. Mas se levar em conta o inoportuno interesse do marquês lord Brook em vossa pessoa, ela estava grata por ser o duque, o convidado da noite. Para , poderia ser mais tolerável casar-se com Whosis, mesmo com o fantasma de vossa falecida podendo assombrá-la. Pois pior, seria ter que encarar um homem quinze anos mais velho que ela e totalmente asqueroso a vosso ver.

Ao sinal do cozinheiro, lord Bridgerton como o atual homem da casa, conduziu todos para a sala de jantar. Assentados à mesa, fora colocada propositalmente pela tia ao lado de vossa graça, com o príncipe assentado na cadeira de frente para ela. não se conteve em observar os inúmeros olhares da realeza para a vossa irmã. Olharem esses seguidos de expressões claras de ciúmes, sempre que se dirigia a vossa graça com um sorriso delicado.

— Então, vossa graça, ouvi dizer que vosso palacete em Whosis está em reforma. — comentou , puxando assunto.

Talvez ele também tivesse despertado um certo interesse em permitir uma corte entre vossa irmã e vossa graça. Como é vantajoso ter bons antecedentes. Não é, caros leitores?! A reputação de nosso Tenebrae era de invejar qualquer homem da nobreza londrina. Íntegro, sincero, responsável e um tanto quanto misterioso também. Devo admitir que esta última qualidade é a que mais desperta entre as donzelas o interesse e atração. Não só nelas, como também em vossa autora, que vos escreve.

— Tenho aproveitado a temporada em Londres por este motivo, logo a casa de Whosis terá uma nova senhora, e deve estar apresentável para recebê-la. — respondeu ele.
— Então, vossa graça pretende mesmo desposar uma donzela nesta temporada? — voltou vosso olhar interessado para ele.

O que deixou um pouco desconfortável em vossa cadeira. Afinal, a Bridgerton mal havia aceitado vossa proposta e já estava a se interessar por vosso amigo. Vosso olhar se voltou cruzado para o duque, que devolveu com um olhar sereno e tranquilo.

— Devo honrar o nome dos meus pais, senhorita Bridgerton. — o duque voltou o olhar para ela, permanecendo sério — Mas não sou o único a casar-me até o final desta estação.
— Ah sim, lembro-me bem do anúncio de vossa majestade. — comentou lady Violet — Vossa alteza também está à procura de um bom casamento.
— Não acredito que vossa alteza com um espírito livre, tenha mesmo a intenção de tal coisa. — disse , soando com espontaneidade.
— Talvez por não ter ainda encontrado uma donzela que paralise meus pensamentos. — retrucou o príncipe — Não até agora.

Ele fixou mais vosso olhar em , deixando-a constrangida.

— Mas não sou o único que procuro por um amor que proporcione intensidade à vida. — ele olhou para — Soube pelo jornal de Lady Lewis, que também está com planos de casar-se, lorde Bridgerton.
— As pessoas têm dado muitos ouvidos para o que esta pessoa diz. — retrucou .
— Bem, ainda assim, é um tanto impressionante as palavras que ela menciona em vosso jornal, parece nos conhecer melhor que nós mesmos. — disse , olhando discretamente para vossa alteza — Confesso que tenho minhas curiosidades para saber quem é ela.
— Tens certeza de que é uma mulher?! — perguntou curioso pelas percepções dela sobre o assunto.
— E vossa graça não?! — o olhou — A forma em que ela escreve sobre as pessoas, certamente é como os olhos femininos enxergam a sociedade.
— Bom, da última vez que alguém começou a contar sobre a vida de todos da nossa Londres, conseguimos descobrir a verdade por trás de lady Whistledown. — comentou — Então é questão de tempo para que a rainha ofereça novamente uma boa quantia para que revelem mais essa identidade.
— Não acho que Lady Lewis fará tal coisa, nem por todas as joias da coroa. — retrucou , rindo baixo.
— E por que tem tanta convicção? Por acaso és a Lady Lewis?! — perguntou , olhando-a com atenção.
— Não acho que minha irmã tenha tempo para vigiar a vida dos outros e sair escrevendo sobre as pessoas. — a defendeu, prontamente.

Entretanto, a jovem já tinha vossa resposta na ponta da língua.

— Acredite, vossa alteza, se eu fosse Lady Lewis, minhas palavras sobre o senhor não seriam tão sutis como são atualmente. — disse ela, com firmeza no que pronunciava — Mas quem sabe não possa ser uma de vossas irmãs mais novas, pois ela parece ser vossa fã.
— Minhas irmãs também não dispõem de tempo para coisas fúteis como essa. — contra-argumentou ele.
— Ah, por favor, vamos deixar o assunto de Lady Lewis longe do nosso jantar, para não atrapalhar a digestão. — pediu lady Violet, num tom carismático, voltando vosso olhar para o duque — O que achou do nosso cordeiro, vossa graça?
— Saboroso, lady Bridgerton, vosso cozinheiro realmente é muito habilidoso. — respondeu , mantendo-se sério como desde o início do jantar.

Tudo havia ocorrido razoavelmente bem. Na medida do possível é claro.

E mesmo com o imprevisto de vossa alteza, o duque se mostrou bastante agradecido pelo jantar. Claro que lady Bridgerton queria mais, ela queria uma reação positiva no olhar de vossa graça que se manteve todo o momento sereno e assustadoramente distante. Sendo conduzidos novamente para a sala de visitas, comentou sobre o notório talento de com as teclas do piano. O que resultou em um pedido irrecusável de , para que tocasse um soneto de Mozart para todos.

— Devo confessar que há muito não toco. — disse num tom baixo, desviando um olhar de reprovação para que o colocou naquela situação.

Assim que vossa graça começou a dedilhar as teclas do piano. O príncipe, com vossa discrição, se aproximou sorrateiramente de , que se mantinha sentada em uma poltrona próximo a janela. Não há como negar que o duque tinha sim um certo charme, que acidentalmente chamou a atenção de nossa pérola. Mas quando um libertino está no jogo…

— Estou perplexo pela forma em que me trataste à mesa. — comentou , mantendo o tom baixo para que somente ela o ouvisse.
— Acho que podemos desfazer nosso acordo. — disse ela.
— Como assim?! — ele se mostrou confuso.
— Com a visita de vossa graça hoje, certamente haverá comentários de Lady Lewis que despertará a atenção de todos para mim novamente. — ela manteve vosso olhar no homem que tocava o piano — Bem, devo agradecer-lhe por comparecer ao jantar, imaginar que eu possa estar sendo disputada por um duque e um príncipe, é mais do que imaginei.
— Então é isso?! Estais a cogitar a ideia de casar-se com Whosis? — indagou ele — Notei a forma como o olhou no jantar.
— Confesso que inicialmente não cogitava tal ideia, mas após o jantar na casa de lord Brook e ver que vossa graça se mostrou preocupado comigo, a ponto de não condenar-me por nos ver juntos, mas aconselhar-me a ter cautela… — se lembrou com clareza do olhar do duque para ela — É exatamente isso que espero em um cavalheiro.
— Preocupação?! — indagou o príncipe.
— Não. — respondeu ela — Eu espero segurança, proteção e amor.
— Achas que ele poderia amar-te? Conheço o Tenebrae desde a infância, ele sempre teve os pensamentos voltados para vossa falecida esposa. — argumentou ele, tentando manter o foco.

Por dentro estava mais do que raivoso pela mudança de planos da Bridgerton. E não era pelo fato dele voltar a ser abordado pelas mães desesperadas. Mas sim, pelo fato de a pérola intocável ter a possibilidade de ser cortejada por outro homem.

— Bem, o amor se constrói com o tempo. — alegou ela.

Vossa alteza engoliu seco as palavras da jovem e se afastou, ao dar o último gole do vinho em vossa taça. A noite seguiu. Assim que ambos os convidados se retiraram para a casa de , passara todo o caminho em silêncio, e com o olhar distante do amigo.

Algo que intrigou o duque.

— Posso entender os motivos do vosso silêncio?! — perguntou , assim que adentraram a casa.
— Não há nada para ser dito. — retirou o paletó e se dirigiu para a escada.
— Como se eu não vos conhecesse. — o duque riu — O que há com vós, meu amigo?
— Vais mesmo cortejar a Bridgerton? — perguntou , voltando o olhar para o amigo.
— Não achas que seria o melhor para ela? — perguntou de volta.
— Melhor do que o quê? — se mostrou impaciente pela subjetividade do amigo.
— Melhor do que um simples acordo com um príncipe libertino que podes brincar com os vossos sentimentos. — foi mais claro e direto — Achas que não notei?!
— Então além de nos espionar, ouviu nossa conversa?! — bufou de leve — Vossa graça me impressiona, tal cavalheirismo, achas mesmo que podes fazê-la feliz?
— E vós poderia? — colocou as mãos no bolso, mantendo o olhar sereno para o amigo — Pare de agir como se realmente estivesse com ciúmes da senhorita Bridgerton, nós dois sabemos que no meio da noite sairá desta casa e se encontrará com a vossa amante.

As palavras do duque foram como uma adaga no orgulho do príncipe.

— É isso que tens a oferecer a ela? Infidelidades após retirá-la de vossa família e prometer amor eterno diante do bispo? — continuou Tenebrae, mantendo a seriedade de vossos argumentos.
— Então achas que não posso ser um homem de uma só mulher? — o encarou de frente, sentia a vossa garganta queimar de raiva por aquilo.
— Prove-me, e terá minha permissão para cortejar a senhorita Bridgerton. — disse o duque, como vossa palavra final.
— Não és o irmão dela. — confrontou vossa alteza.
— Bem, seja racional, entre um príncipe libertino e um duque de boa reputação, para quem achas que ele concederia a mão da irmã? — os argumentos de eram um fato irrevogável — Como eu disse, não deixarei que brinque com a senhorita Bridgerton, eu vos conheço muito bem para saber que ela sairia machucada dessa história.

Antes que o príncipe pudesse argumentar, se afastou seguindo para vosso escritório.

— Desafio aceito, Whosis. — gritou o príncipe.

Mesmo que não soubesse o que realmente estava sentindo pela Bridgerton, havia um fato importantíssimo em questão. O olhar singelo e delicado dela estava lhe tirar o sono. Estaria nosso libertino se inclinando aos encantos sutis de nossa pérola intocável? E o que dizer de mais um protetor em vossa vida? Confesso que nunca imaginei ouvir de vossa graça tais palavras. Será que ele realmente estaria decidido a casar-se com nossa , para que o príncipe não a fizesse sofrer?

Estou admirado por vosso lado protetor, vossa graça, porém ainda há muito para acontecer e só estamos no início da primavera. Ainda não me esqueci da inesperada senhorita Bourbon.

Preparem vossas xícaras de porcelana chinesa, pois o chá logo será servido.

Lady Lewis.

Por que eu preciso de vós
mesmo sabendo que vou me machucar?
- I Need U / BTS





Dentre todas as obrigações de uma singela senhora casada, a que mais lhe agradava era receber convidados em vossa casa. Seja para um vasto banquete para a aristocracia ou um simples encontro com as amigas.

E naquela tarde de sábado, nossa pérola intocável estava desfrutando do gosto de preparar um chá da tarde para vossas duas novas amigas. Sim, meus caros leitores, vos leram corretamente. Duas. Pois também havia enviado um convite formal para a doce , convidando-a para a ocasião. O coração de Bridgerton estava um tanto quanto ansioso, e olhar constantemente para o relógio havia se tornado notório para vossa tia.

— Está muito nervosa, . — disse lady Violet, impressionada com o estado da sobrinha.
— Minha tia, confesso que estou mesmo. — se sentou no sofá contendo vossos impulsos de olhar o relógio novamente — É minha primeira vez dando um chá para minhas amigas, apesar de serem somente duas, minha mente fervilha de preocupação. Não me esqueci de nada, não é?
— Claro que não, está tudo impecável. — disse a tia, dando um sorriso reconfortante — Tenho certeza que quando estiver em vossa casa, oferecerá recepções impecáveis.
— Só de imaginar, sinto minhas mãos trêmulas. — a jovem sorriu de leve e manteve o olhar para a porta.

Assim que o mordomo anunciou a chegada das visitas. se levantou para recebê-las. Um sorriso gentil no rosto e um olhar meigo para elas, que adentraram o espaço observando toda a arquitetura ao vosso redor. se mostrou mais tímida e acanhada, por vosso jeito de ser. Já não se mostrou impressionada com o luxo da residência, afinal, a vossa era ainda mais estonteante e monumental.

— Sejam bem-vindas. — disse , esticando a mão para que sentassem.
— Agradecemos o convite. — se pronunciou, movendo vosso olhar para — Não é?!
— Sim. — o rubi inesperado se sentou ao lado dela — Sua casa é muito bonita, lady Violet.
— Agradeço o elogio e deixarei as senhoritas à vontade. — a tia Bridgerton se afastou — Tenho uma visita para realizar a casa de lady Danbury.

Querida Violet Bridgerton, nós sabemos muito bem o teor da vossa visita. Entre planos e acordos, vosso principal objetivo é realizar um bom casamento para vossa sobrinha. Mas será que realmente vossa graça, o duque de Whosis, é o cavalheiro ideal para tal papel? Ainda tenho minhas dúvidas.

— Estou feliz por terem vindo. — comentou — Conversamos tão pouco no jantar de lord Brook.
— Sim, se retirou cedo naquele dia. — olhou para a moça.
— Não estava me sentindo muito bem. — explicou ela.

De fato, ainda não se sentia bem, entretanto o problema não era mais físico e sim sentimental. Por mais que não quisesse criar nenhuma expectativa sobre a carta de vossa graça, vossos impulsos internos foram maiores e nosso rubi inesperado ousadamente escrevera uma carta resposta que acredito eu, estar sendo entregue ao duque neste exato momento.

O fato é, que isto ocorreu antes dela ler alguns de meus relatos sobre o jantar na casa do Bridgertons, envolvendo vossa graça e nosso libertino príncipe. Peço que não me culpem por relatar tal evento fechado, afinal, tem sido este o real motivo para o mal-estar da senhorita Bourbon. Os inúmeros pensamentos negativos lhe tomaram. Quem poderia competir com a pérola intocável de família conceituada? Uma simples donzela de pai endividado?

— Estou sentindo um olhar curioso vindo de vós, . — comentou , após serem servidas pela criada — Há algo que queira perguntar?
— Bem, andei lendo sobre um jantar em vossa casa. — confessou , segurando o riso — Está a ser cortejada por quem? O duque ou o príncipe?
— Este é um segredo que em breve saberão, mas devo confessar que me impressionou as palavras de Lady Lewis sobre o assunto. — sorriu de leve.
— Espero que possa fazer um bom casamento, ambos parecem ser bons homens. — disse , controlando vossas frustrações.

Mas é claro que um duque jamais olharia para alguém como eu. Pensou ela.

— Agradeço vossas palavras, minha amiga. — a olhou com gentileza — E vós? Soube que vosso pai lhe conseguiu uma corte.
— Conseguiu?! — a olhou também com curiosidade.
— Bem… Eu não sei exatamente quem é tal cavalheiro, meu pai apenas disse que há um nobre interessado em mim e que ambos estão discutindo sobre os trâmites, mas não mencionou o nome. — respondeu ela, se encolhendo um pouco.

Internamente vossos devaneios de uma donzela desesperada a fizeram imaginar que pudesse ser Tenebrae. Fantasia essa que terminou após a leitura do meu jornal esta manhã.

— Hum… — começou a pensar — Quem poderá ser? Eu avistei vosso pai conversando com muitos nobres nos últimos eventos, descartamos o marquês de Hamilton por estar interessado em .

controlou vosso olhar inconformado e continuou.

— O duque e vossa alteza também. — disse com segurança, por aparentemente estar sendo cortejada por ambos — Quem mais sobrou?
— Tem o sir Ulrich — comentou — Eu o vi a conversar com vosso pai, .
— Ele não é tão ruim assim. — acrescentou — Militares conseguem ser extremamente atraentes de farda.

Vosso comentário fez as outras rirem envergonhadas juntamente com ela.

— Que não seja lord Brook. — disse num tom mais baixo — Tenho calafrios ao olhar para aquele homem.
— Não desejo tal senhor nem para minha pior inimiga. — concordou — Não podes de nenhuma forma, casar-se com um homem como aquele.
— Será que o lord Magnus não teria um amigo? — observou , projetando em vossa mente algumas ideias — Posso perguntar a ele... E que tal promovermos um passeio entre casais?
— Uma excelente ideia, assim teríamos a oportunidade de conhecer melhor nossos pretendentes. — se empolgou um pouco — E ao mesmo tempo encontrar um bom cavalheiro para .
— Sim. — olhou para a amiga ao lado — Não vamos deixá-la passar por isso sozinha.
— Exato. — concordou .
— Nunca imaginei ter amigas tão maravilhosas como ambas. — sorriu com delicadeza — Mas… há um problema.
— Qual? — disse e , juntas em coral.
— Se o encontro é de casais, acho que terá um problema por estar em um triângulo. — disse ela, num tom inocente.

Elas caíram em gargalhadas de imediato. No entanto, nosso rubi inesperado tinha razão em vossas palavras.

— Então, quem escolheria, ? — perguntou , ao pegar um dos biscoitos que fora servido.

tomou um gole do chá em vossa xícara, pensativa na resposta. Por um lado, vossa opção mais segura seria a vossa graça, entretanto a sutil demonstração de ciúmes de vossa alteza lhe deixou um tanto quanto curiosa.

— Bem… acho que convidaria o duque. — o som da vossa voz soou de forma envergonhada, e talvez com traços de dúvida.

desviou o vosso olhar para a xícara de porcelana em vossa mão. Disfarçando a tristeza, mas se esforçando para se sentir feliz pela amiga. Se havia uma pessoa que merecia ser tão feliz quanto ela, seria as duas jovens que lhe acompanhara naquele chá. E por mais que não tivesse o privilégio de ter os olhares do duque de Whosis para ela, saber que eram de a deixava um pouco conformada.

— Mas vamos mudar o foco. — sentiu algo de estranho na amiga, então rapidamente desviou vosso olhar para — Como tem sido as visitas de lord Magnus? Prometeu que me contaria tudo neste chá.

se sentiu um pouco constrangida pela insistência da amiga. Pobre diamante bruto, mal sabia ela que a amiga ainda tinha esperanças de transformá-la em vossa cunhada. A Bridgerton não se dera por vencida, e queria saber as estratégias do inimigo para assim atacar da melhor forma possível.

— Ele é um cavalheiro… O que mais posso dizer? — deu uma mordiscada no restante do biscoito em vossa mão.
— Detalhes, , quero detalhes. — insistiu — Só cavalheiro não quer dizer nada.
— A princípio, lord Magnus é um homem muito educado e pelas pesquisas de meu pai, é honrado e vosso marquesado vem há mais de dez gerações, o que mostra que é de boa família. — explicou a moça — Eu confesso que não me importava em casar-me com alguém de minha classe, nunca ambicionei ter algum título de nobreza, mas meu pai…
— Bem, para vós é mais fácil, , pelo dote que vosso pai ofereceu. — comentou , ao se servir de mais chá — Olhe para minha situação, até mesmo entre os nobres, a fortuna da família conta muito.
— Isso não há o que discutir. — concordou , ao se aproximar da mesa de centro — Deixe me servi-la adequadamente, . Preciso aprender a ser uma boa anfitriã.
— Posso lhe assegurar que é o melhor chá que já participei. — disse com sinceridade em vossas palavras.
— Agradeço pela honestidade, confesso que estava ansiosa e nervosa pela vinda de ambas hoje. — disse , ao se sentar novamente — Temendo fazer algo errado.
— Estamos entre amigas, mas quero muito ser convidada quando casar-se com vossa graça. — brincou — Ou se tornar uma princesa.

Elas riram de leve.

Entretanto permaneceu pensativa. Até aquele momento a jovem não havia-se atentado para a profundidade que a palavra princesa representava. Ela apenas via como um libertino de tal fama e pouco respeito pela vossa posição diante da coroa britânica.

Mais algumas conversas surgiram entre elas, até que e se despediram da amiga. A senhorita Bourbon seguiu para vossa casa acompanhada da amiga, que lhe insistiu por levá-la em vossa carruagem, que depois seguiu para a casa Sollary. Claro que nosso diamante bruto fora recebida por uma enxurrada de perguntas de vossas irmãs sobre a tarde que passara com as amigas.

Uma tarde refrescante e cheia de risos entre nossas lindas pedras preciosas. Algo que marcou o início de uma forte amizade. Mas me atento para o plano de Bridgerton e Sollary em favor da amiga, uma raridade encontrar pessoas assim que se preocupam com a felicidade alheia, mas a senhorita Bourbon havia tido essa sorte.

--

Um pouco distante dali, sendo servido de um legítimo vinho francês estava nosso príncipe libertino no clube dos nobres cavalheiros, entre conversas com os muitos senhores que se divertiam pelo lugar. Logo avistou uma cena que o deixou desconfortável. Lord Bridgerton em uma conversa aparentemente interessante com vossa graça, o duque.

— Cavalheiros, que surpresa vê-los aqui. — disse ao se aproximar dele, e puxar uma cadeira para se sentar.
— Vossa alteza. — o Bridgerton deu um leve aceno com a cabeça.
— Whosis. — o príncipe olhou para o amigo, ainda com vosso desafio entalado na garganta — Não é de frequentar o clube, o que aconteceu?
— Bem, lord Bridgerton me convidou para uma conversa sobre a ascensão dos burgueses em nossa sociedade, deseja se juntar a nós, ou tal assunto não lhe agrada? — manteve o olhar sereno para o amigo, pois o conhecia muito bem.
— Agradeço o convite. — aceitou de bom grado — Deveríamos chamar o marquês de Hamilton também, já que ele anda frequentando muito a casa do senhor Sollary.
— Sabe de algo, vossa alteza? — perguntou , controlando vosso interesse.
— Bem, só comentei os fatos relatados por Lady Lewis. — se explicou o homem — Mas aposto que nosso amigo está mais interessado no dote, apesar do diamante ser tão belo quanto a classificação que recebera.
— Acho indelicado a forma em que Lewis menciona as pessoas. — comentou o Bridgerton.
— É uma lástima que não aproves, acho subitamente divertida a forma em que ela escreve. — defendeu o príncipe.
— Achas que é uma mulher também? — perguntou .
— Bem, após a pontual avaliação da senhorita Bridgerton, tomei a liberdade de ler com mais atenção as palavras do jornal, devo admitir que um homem não teria tal olhar para tantos detalhes. — explicou .
— Interessante. — voltou o olhar para os cavalheiros que jogavam cartas na mesa adiante deles.
— Senhores, foi um prazer, mas preciso retornar para casa. — o Bridgerton se levantou da poltrona e olhou para o relógio de bolso — Acho que o chá de minha irmã deve ter finalizado.
— Um chá entre damas?! — perguntou , curioso.

assentiu com a face e se afastou dele, seguindo vosso caminho. O príncipe manteve o olhar no amigo, em vossa mente fervia de perguntas sobre qual tipo de conversa realmente o duque havia mantido com lord Bridgerton antes de vossa aproximação.

— Pare de tentar adivinhar e comece a agir como um cavalheiro de verdade. — se levantou da poltrona em que estava e o olhou sério — Não houve nenhum assunto sobre o jantar, menos ainda sobre a senhorita Bridgerton, mas saiba que depois daquela noite, não será comigo que deves se preocupar.
— Do que estás a falar?! — perguntou , com um olhar confuso.
— Soube que vosso primo, o marquês de Baux, está vindo para Londres. — respondeu — Me parece que há intenções de encontrar uma nobre inglesa para desposar.
— Não sabia de tal fato. — disse ele.
— Acho que deverias voltar para casa, e averiguar com vossa majestade. — se afastou do amigo seguindo para a saída.

O príncipe ajeitou o corpo na cadeira e controlou vossa respiração. August Grimaldi não era somente um mero marquês ou vosso primo distante, ele também era o príncipe de Mônaco. E como tal, na mesma posição social, havia uma grande rixa entre ambos que fazia tudo ficar ainda mais interessante.

Será que nosso triângulo verdadeiramente não é entre um duque e um príncipe, entretanto, entre duas altezas?

Mal posso esperar pelo cogitado passeio entre casais.

Lady Lewis.

Eu nunca me senti assim antes,
Como se minha respiração fosse parar.
- My Answer / EXO





Em um mundo cheio onde a Revolução Industrial vem a cada dia sendo uma mudança constante. Quando uma pequena peça indesejável cai dentro de máquina a vapor travando toda a vossa engrenagem, o resultante desta equação é um colapso no sistema. E era exatamente assim que nosso libertino sentia ao receber a notícia da visita de vosso primo, o príncipe de Mônaco.

— Desejo alguns minutos com vossa majestade. — disse ao se apresentar diante da rainha.
— Olha só quem ainda está vivo. — o soar irônico da mulher assentada ao trono, deixava o ambiente mais tenso — Lembrou-se que tens uma casa?
— Por favor, majestade. — pediu ele, mantendo o olhar baixo.
— Não estou inclinada a aceitar vosso pedido, volte daqui alguns dias. — disse ela, mantendo o tom suave.
— Posso então pedir alguns minutos de atenção de uma mãe para um filho? — ele levantou vosso olhar e a encarou.

A rainha respirou fundo, não sabia os motivos do filho, mas estava curiosa.

— Todos, deixe-nos a sós. — ordenou ela.

Assim que vossas damas de companhia se retiraram com os demais criados, ela voltou o olhar atento para ele. Analisando todas as vossas expressões.

— Diga agora, o que o trouxe a presença de vossa mãe. — indagou ela.
— É verdade que Grimaldi está vindo para Londres? — ele fora direto e preciso.
— Ah, então é por isso que está aqui. — ela soltou uma gargalhada maldosa, mantendo o tom ponderado — Está preocupado com a concorrência? Não será o único príncipe da estação.
— És a minha mãe, deveria ser mais condescendente comigo. — reclamou ele.
— Se fosse um filho de orgulhar o coração de uma mãe. — retrucou ela — Foi-me enviada uma carta direta de Mônaco, não pude recusar e vosso primo deve chegar em alguns dias.

se manteve em silêncio, irritado com tal confirmação.

— Eu vos conheço, , se está tão nervoso pela vinda de August é porque está com medo de perder algo para ele. Ambos sempre foram assim desde pequenos, para provocar-lhe, August conquistava tudo que lhe atraía o interesse. — a rainha começou a formular vossas teorias em vossa mente — Devo entender que tenhas uma donzela em mente que lhe tenha roubado os olhares?
— Não existe tal donzela. — disse ele, relutante consigo mesmo em admitir algo muito provável.
— Vou fingir que acredito por saber sempre quando mente para mim. — ela sorriu de leve — Pois agora vejo que estás a mentir para si mesmo.

Vossa majestade mesmo em vossos momentos extravagantes, tinha uma sutil sabedoria nos momentos precisos. vosso olhar clínico para o filho a deixava entender tudo o que ocorria com o jovem libertino. Algo que lhe deixou com um misto de preocupação e alívio.

se retirou da presença de vossa mãe e seguiu em direção ao clube. Se sentia tão sufocado internamente que precisava de breves momentos de diversão. Assim que chegou, fora servido por um dos funcionários e permaneceu um pouco distante, ficou observando alguns cavalheiros apostarem na mesa de cartas.

— Vossa alteza?! — a voz de Robert Magnus soou ao lado dele — Tem frequentado bastante o clube.
— Marquês, digo o mesmo de vós. — tomou um gole do vinho em vossa taça — Veio jogar esta noite?
— Não, não jogo às segundas, apenas aos finais de semana. — contou o homem.
— Na vida não se perde em ter um pouco de controle. — comentou o príncipe — Veio ver a má sorte de alguns cavalheiros?
— Sim. — ele riu — Há um jogador que me deve e deu-me certeza de pagar tal dívida hoje.
— Bem, desejo-lhe sorte para que recebas. — ele voltou vosso olhar para a mesa de jogos.
— Ouvi os boatos sobre vossa alteza estar interessado na senhorita Bridgerton. — comentou o marquês, entrando no assunto.
— As pessoas têm comentado muita coisa sobre mim ultimamente. — não deu importância àquilo.
— Então é verdade?! — o olhar curioso de Magnus se voltou para ele.
— Por que tanta curiosidade? — o olhou intrigado pela insistência do homem.
— Bem, sabes que estou a cortejar a senhorita Sollary. — iniciou ele vossa explicação.
— E o que isso tem relacionado a vossas indagações? — o príncipe continuou desconfiado do homem ao lado.
— A senhorita Sollary convidou-me inesperadamente para um passeio ao parque no próximo domingo, um passeio entre casais do qual a senhorita Bridgerton estará presente acompanhada do duque de Whosis. — contou o homem com um ar presunçoso.

Cedic controlou vossa raiva momentânea e tomou o último gole em vossa taça a deixando no móvel ao lado.

— Interessante, presumo que eu não deveria saber de tal passeio. — insinuou o príncipe — Afinal, é vosso amigo.
— Bem, achei que ele já havia mencionado isso a vós, alteza. — vossas intenções não pareciam tão generosas assim, ainda mais se tratando dele — A senhorita Sollary me pediu para levar um amigo que pudesse apresentar a uma amiga e…
— Será um prazer participar. — o interrompeu.
— Vossa alteza fora a única pessoa que me veio à mente. — alegou ele — Já que Whosis já tem vossa companhia.
— Agradeço a consideração, só gostaria que mantivesse a discrição até o encontro. — pediu ele.

--

Sete dias nunca passaram tão lentamente quanto naquela semana. E quanto mais se aproximava do momento planejado pelas pedras preciosas, mais o coração de se apertava. Nosso doce rubi não se sentia pronto para ver o duque ao lado da amiga. E quanto mais a pobre donzela se forçava a não pensar em tal homem, mais a imagem de tocando vosso tornozelo lhe invadia a mente, deixando vosso corpo em sensações de arrepios.

. — o olhar de para a amiga, seguido de um sorriso a deixou mais reconfortante — Boa tarde.
— Boa tarde, . — se encolheu um pouco e manteve o olhar baixo, ao perceber a presença de vossa graça ao lado da amiga — Boa tarde, vossa graça.
— Boa tarde, senhorita Bourbon. — a voz de soou como um sino para ela.

sentiu vosso corpo estremecer de leve, segurando vossos sentimentos reprimidos. Como poderia estar tão inclinada a um cavalheiro em tão pouco tempo, ainda mais sendo alguém tão inalcançável como vossa graça. Havia um toque de esperança para este coração aflito?

não chegou ainda? — perguntou , olhando à vossa volta, percebendo os olhares das pessoas para eles.
— Ainda não. — respondeu , tentando não olhá-los.
— Devemos esperá-los então. — olhou para o duque, que discretamente mantinha o olhar no rubi.
— Sim, não seria cordial iniciarmos nosso passeio já que marcamos com vossa amiga. — assentiu o duque.

Ambas assentiram. Felizmente não precisaram esperar tanto pela chegada do segundo casal. Entretanto, a surpresa de lord Magnus fora vosso amigo acompanhando nosso príncipe libertino. Os olhos arregalados de , deram lugar a vossa expressão boquiaberta, já sempre inexpressivo voltou o olhar para que na teoria, seria o par de naquele encontro. Por dentro, nosso duque sentiu um gosto amargo como se estivesse recebendo o troco de vossa alteza.

— Boa tarde, senhoritas e vossa graça. — disse o príncipe, dando um sorriso de canto presunçoso.

Ambos reverenciaram cordialmente e as jovens donzelas seguiram na frente. Todos surpresos com o acontecimento, recebendo mais olhares intrigados ainda. Estou curiosa para saber como este passeio ao final de uma tarde de domingo vai terminar. Afinal, nossos casais ainda não estão de fato definidos e há a ausência de um certo lord Bridgerton.

Que rufem os tambores, pois meus dedos estão ávidos a escrever mais este capítulo cheio de planos, acordos e paixões ocultas.

, de onde vossa alteza surgiu em nosso encontro? — perguntou , sentindo vosso coração acelerado, pelos olhares marcantes do príncipe para ela.

Ela demonstrou em vosso olhar uma pequena insatisfação, pois aquele dia havia sido preparado com tanto cuidado nos detalhes. Que agora se sentia frustrada por lord Magnus não ter convidado vosso irmão como sugeriu a . Claro que nossa pérola intocável estava planejando causar uma pequena distração e troca de casais para que vosso irmão tomasse o lugar do marquês e obtivesse o prazer de passar uma tarde com a Sollary.

E no final, não estaria em falta com já que lord Magnus também era um bom partido para ela, de boa família e várias posses.

— Eu juro que não sei o que houve. — disse , num tom mais baixo para que os cavalheiros atrás não ouvissem — Eu pedi para ele convidar o lord Bridgerton, como indicou.
— Deverias ter convidado pessoalmente. — bufou de leve.
— Eu?! — se impressionou com as palavras da amiga — E o que vosso irmão iria pensar de mim? Sendo cortejada por um, enviando convites a outro?
— Meu irmão não pensaria tal coisa, pelo contrário, acharia curioso e viria. — retrucou — Estamos aqui para ajudar , e não para me deixar em uma situação estranha.
— Não se preocupem comigo, acho que já me conformei com o casamento às escuras que meu pai está a promover. — manteve o olhar baixo a todo momento, escondendo vossa profunda tristeza.
— Não digas isso, , vamos reverter esta situação de alguma forma. — olhou para .

A Sollary por vossa vez não entendeu tamanha revolta da amiga, por algo que ela não tinha culpa. Imprevistos acontecem e dizem que quem manda nessas situações é o destino. Que neste momento está mesmo pregando algumas peças na vida das três. A senhorita Bridgerton começou a pensar o que poderia fazer para ajudar a amiga e afastar lord Magnus de , se ao menos vosso irmão estivesse ali, poderia projetar um plano B para deixar tudo em ordem como imaginou inicialmente.

Meus caros leitores, ando impressionada com nossa casamenteira amadora. Será que ela conseguirá obter sucesso?

— Confesse que está surpreso com minha presença. — cochichou o príncipe para vossa graça.
— O que faz aqui, ?! — perguntou ele.
— Fui convidado por um amigo e estou curioso para conhecer nosso rubi. — a voz dele soou com uma sutil ponta de malícia.

O que atraiu o olhar atravessado de , que parou para encará-lo.

— O quê? Não me diga que não gostou da minha mudança de opinião. — manteve o olhar de confronto para o amigo — Apesar de não ser o melhor em administração, lord Bourbon ainda é um homem muito respeitado e vossa filha se revelou ser tão bela quanto a mãe.
— Aonde quer chegar?! — reforçou , ardendo de raiva por dentro.
— Ser o sexto na linha de sucessão me dá vantagens de não ser obrigado a desposar uma princesa ou duquesa, acho que viscondessa seria uma boa ideia… — ele manteve o sorriso de canto.

pela primeira vez não mediu a consequência de vossos atos, pela primeira vez agiu por impulso e sem pensar duas vezes, socou a cara de vossa alteza. Algo que chocou a todos os presentes no lugar. Até mesmo a mim. Vossa graça, como consegues guardar tamanha ousadia dentro de vós? Ando inquieta em descobrir vossos reais sentimentos por nossa delicada senhorita Bourbon. Quando finalmente voltou a si, notou os olhares assustados de para ele, o que o fez se sentir um tanto envergonhado por vossos atos.

— Agora sei vosso ponto fraco. — disse , rindo daquilo, ao sentir o gosto de sangue no canto da boca.
— Vossa alteza?! — se abaixou e tocou de leve o rosto do príncipe, então voltou vosso olhar para o duque — Vossa graça?!

Em vossa mente nossa pérola imaginava ser a causa de tamanho gesto de agressividade. Mal ela sabia que o verdadeiro motivo era vossa aparente amiga rejeitada pelos nobres da sociedade.

— Deixe-me ajudá-lo. — disse lord Magnus ao se aproximar do príncipe.
— Perdoem-me por meus atos, preciso me retirar. — reverenciou com o olhar e se afastou deles com pressa.
— O que houve?! — perguntou , ainda perplexa com tal cena.
— Um desentendimento. — olhou para , mantendo o sorriso presunçoso.

Algo que a fez desaprovar com o olhar sério para ele.

— Bem, perdoem-me, mas este passeio também encerrou para mim. — ela se afastou deles, seguindo em direção ao duque que já estava a uma distância considerável.
— Acho melhor seguirmos para casa também. — aconselhou , voltando o olhar para lord Magnus — Poderias me levar?
— Claro, farei isso. — o marquês sorriu de leve e lhe deu o braço.
, eu… — tentou se explicar.
— Não se preocupem, eu a levarei para casa, se me permitir é claro. — disse o príncipe sendo cordial.
— Agradeço, vossa alteza. — disse .

A senhorita Bourbon sabia que a vossa alteza não estava ali por ela, mas sim pela amiga, entretanto jamais negaria tal ato vindo dele. Talvez sendo vista em vossa companhia poderia ser algo positivo para vossa imagem que é somente lembrada pela falência financeira do pai. Cada casal seguiu para vossa direção, e permaneceu por um tempo em silêncio olhando fixamente para , que se sentiu envergonhada.

— Vossa alteza está a me constranger com o olhar. — confessou a moça com o soar tímido da voz.
— Perdoe-me por tal indelicadeza de minha parte. — ele desviou o olhar para o lado.
— Sem problemas. — ela manteve o olhar curioso nele — Posso lhe fazer uma pergunta? Um tanto pessoal?
— Diga. — ele voltou a olhá-la.
— O senhor tem sentimentos pela senhorita Bridgerton? — indagou ela, extraindo do fundo vossa ousadia.
— O que a faz pensar isso? — manteve a suavidade no olhar.
— A forma como a olha, é exatamente a mesma forma que meu pai olhava a minha mãe. — explicou ela.
— E como seria essa forma? — ele se viu curioso pela observação da moça.
— Uma mistura de encantamento e desejo. — revelou a Bourbon — É como uma mulher sempre espera ser olhada pelo marido, por isso eu acho que esteja apaixonado por ela.
— Para haver um casamento ambos devem estar apaixonados. — argumentou ele, de forma evasiva.
— Nem todos conseguem a sorte de casar com alguém que ama. — revelou a moça, se lembrando do arranjo do pai — Algumas estão a própria sorte de conseguir pelo menos um bom casamento.
— Tenho certeza de que fará um bom casamento, senhorita Bourbon. — assegurou ele, com firmeza nas palavras.
— O senhor sabe de algo? — perguntou ela, se deixando ficar esperançosa.
— Apenas sei que não serei eu a desposá-la, mas tenho minhas convicções de quem seja. — ele voltou o olhar para frente e continuou a caminhar.

se mostrou pensativa e permaneceu em silêncio, sendo acompanhada por ele. Na mente dela, inúmeras perguntas e inseguranças surgiram a cada passo em direção a vossa casa.

— Terei o prazer de vê-la no Vauxhall? — perguntou o príncipe.
— Não tenho certeza, senhor. — respondeu ela — Não ando com disposições para os muitos eventos sociais que estão surgindo nesta temporada.
— Acredito que especialmente este devas comparecer e adiantado, lhe peço que me conceda a primeira dança. — pediu ele ao olhá-la.
— Vossa alteza, eu… — ela não sabia como reagir.

Afinal, seria vossa primeira dança em toda a temporada e talvez a única.

— Quero lhe retribui o favor. — completou ele de forma enigmática.
— Que favor?! — vosso olhar ficou confuso.

Continuando a caminhar, o príncipe permaneceu em silêncio ocultando a explicação de vossas palavras.

Vossa alteza, não é somente nosso rubi que está em curiosidades aqui! Será o que estou pensando?

Seguindo na direção oposta, estava vossa graça que fora alcançado pela senhorita Bridgerton, a deixando no portão de vossa casa. Ele manteve-se ao longo do percurso com o pensamento distante e constante silêncio. Algo que a deixou intrigada e confusa, afinal se fosse por vossa causa, o duque não estaria tão frio assim. Então por quais motivos ele socaria o rosto de vossa alteza? Uma forte indagação surgiu.

— Mais uma vez, perdoe-me por meus atos, asseguro que não irá se repetir. — ele fez uma breve reverência para ela.
— Não me preocupo com isso, vossa graça, mas com os motivos que o levou a isso. — assegurou a Bridgerton — E pelo que vejo em vosso distante olhar, certamente eu não sou a causa de tal ato.
— Não quero que aches que esteja lhe dando falsas esperanças. — pronunciou ele — Entretanto…
— Não sou a nobre dama que despertou vossa atenção. — completou , já entendendo em partes aquele enigma — Confesso que me inclinei para vossa companhia por vossos conselhos na festa de lord Brook e por saber que és um homem honrado… Mas uma mulher sabe exatamente quando um homem está interessado por ela.
— Gostaria de saber a razão do convite de hoje. — indagou ele, olhando-a curioso.
— Confesso que não havia outra opção a não ser convidar o príncipe. — ela voltou o olhar para o chão — E eu...

Não queria dar o braço a torcer e convidar vossa alteza no lugar do duque.

— Não queria demonstrar que o acordo de ambos ainda estava contando. — concluiu o duque precisamente.
— Como o senhor sabe sobre isso?! Vossa alteza lhe contou? — ela arregalou os olhos surpresa.
— Não, mas acidentalmente eu ouvi no dia em que ambos estavam no jardim. — confessou ele, com serenidade — Estava curioso para saber até onde chegaria com o plano, e me impressionou o fato de vossa alteza tê-lo levado com tanta seriedade.
— Ele fez isso? — por essa não esperava.
— Sim. — assentiu o duque — Acho que este será nosso último encontro, então.

Ele tomou impulso para se retirar.

— Vossa graça. — o chamou, com uma ideia insana em vossa mente.
— Sim?! — ele voltou o olhar para ela.
— Sou dessas pessoas céticas que só acredita vendo, poderia lhe pedir um último favor? — pediu ela.
— Se estiver ao meu alcance?! — disse ele.
— Gostaria que me acompanhasse ao Vauxhall na próxima semana. — esclareceu ela vosso pedido inusitado.
— O que pretende com isso? — indagou o duque, disfarçando um sorriso intuitivo no rosto.
— Confesso que estou confusa quanto aos meus sentimentos por vossa alteza, e saber que ele está mesmo interessado em mim, é um tanto perturbador, a considerar por vossa sutil conduta com as mulheres. — disse ela vossas considerações — Tenho medo do que posso sentir por ele e sair machucada nessa história, mas preciso de respostas e…
— Vou ajudá-la quanto a isso. — ele demonstrou segurança no olhar — Lhe asseguro que não deixarei que vossa alteza seja leviano com vossos sentimentos, farei o que for preciso para fazê-lo declarar o que realmente sente por vós.

Um brilho de esperança surgiu no olhar de , seguido de alívio por saber que poderia contar com o duque neste ousado plano de ataque ao libertino.

--

Ainda pelas ruas de Londres, se sentiu um pouco indisposta e pediu para que lord Magnus chamasse o pai. Enquanto o nobre marquês se afastou, deixando-a sozinha próximo a entrada da igreja. Aquela fora um sutil estratégia para se desviar do caminho e seguir para uma confeitaria modesta e pouco movimentada, em uma rua estreita e isolada. O coração da jovem estava acelerado por tamanha ousadia sem saber se vossa carta teria uma resposta.

Entretanto, logo ao entrar no estabelecimento, sentiu uma suave brisa passar por vosso corpo ao avistar lord Bridgerton assentado em uma mesa aos fundos, bebericando vosso chá. A passos lentos e cautelosos, ela se aproximou dele, tentando deixar em evidência o vestido em vosso corpo.

— Lord Bridgerton. — disse ela, ao se colocar diante dele — Agradeço por ter vindo.
— Senhorita Sollary. — ele se levantou e puxou a cadeira à frente para que ela assentasse.
— Agradeço. — se sentou, respirando fundo e colocando vossos pensamentos em ordem.

Desde o dia em que recebera o presente do irmão de vossa amiga, vossos pensamentos a respeito disso lhe perturbavam as noites de sono.

— Confesso que estou curioso para saber o motivo de tal convite. — disse ele, em vossa inocência — Ouvi boatos de que estaria em um encontro de casais nesta tarde, e a presenciar o pôr-do-sol, acredito que tenha sido proveitoso, cheguei a achar que não viria.
— Para ser honesta, não durou muito tempo e… precisei inventar uma desculpa para encontrar-te. — ela manteve vossa respiração tranquila, apesar dos batimentos acelerados.
— O que nos traz aqui, a senhorita vem sendo cortejada por lord Magnus e ser vista neste lugar com outro não lhe trará bons olhares. — ele foi prudente em vossa colocação, e se preocupava com a honra da dama a vossa frente.
— Eu não consegui imaginar outra forma de estar em vossa presença se não esta. — alegou ela, buscando as palavras em vossa mente — Mas não notou algo familiar em mim? O motivo pelo qual estamos aqui.
— Não. — se manteve confuso, olhando-a com atenção, mas sem entender do que ela mencionava — Peço que sejas mais clara.
— Sendo honesta, não me importo com os olhares. — disse ela, deixando transparecer vossa coragem — Parte da minha vida fui invisível para todos, quando olham para mim só enxergam a quantia do meu dote.

Ele se manteve em silêncio e pensativo. As palavras dela tinham fundamento e relevância.

— Mas o vestido em meu corpo, meu senhor, ele é o motivo de estarmos aqui. — explicou ela.
— O que tem o vestido? — perguntou ele.
— Vejo que não se lembra, ou não quer se lembrar. — ela se levantou da cadeira — Perdoe-me por fazê-lo perder o vosso tempo.

não queria acreditar que fora tão tola a ponto de pensar que lord Bridgerton teria algo a mais que um simples pedido de desculpas pelo suco derramado. E se sentiu envergonhada por promover tal encontro oculto.

— Espere. — ele segurou de leve vossa mão, parando-a — Por favor.
— Sou eu quem devo desculpas por meu comportamento. — vosso olhar sincero e gentil a fez render-se.

Sentindo-se internamente estremecida pelo cavalheiro à vossa frente.

— Não lembro de nenhuma ligação que posso ter com o vestido em vosso corpo, mas estou feliz por estarmos aqui. — ele finalmente declarou vossos iniciais sentimentos relacionados ao momento em questão — Confesso ter ficado curioso em saber vossos pensamentos sobre o cavalheiro que lhe estragou um vestido…
— Não entendo como podes não admitir o óbvio. — ela retirou de vossa bolsa de mão a carta que recebera juntamente com o vestido — E sinto-me decepcionada por estar diante de um cavalheiro que não assume vossos próprios atos.
— Ainda não entendo do que falas?! — ele continuou confuso — Se for mais clara, talvez.
— Serei clara lhe devolvendo isso. — ela colocou a carta em cima da mesa — Em breve receberá o vestido, por motivos óbvios não o devolverei agora.

Ela se afastou dele, retirando-se do lugar.

Devo considerar que nem tudo está perdido e aguardar ansiosamente pelo Vauxhall? Nada como uma noite mágica para finalmente resolver as coisas entre nossos embaralhados casais.

Lady Lewis

Quanto mais vós me perturba
Mais eu gosto de vós
E eu não sei o porquê.
- Yeowooya / Lunafly




Continua...


Nota da autora: Welcome to Pâms' Fictionverse!!!


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