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Revisada por: Saturno 🪐

Última Atualização: 27/07/2025

A interação eletrostática entre duas cargas é determinada pelo produto de suas magnitudes e pela distância entre elas. Opostas se atraem, iguais se repelem. A intensidade dessa força cresce com o aumento das cargas e com a diminuição da separação.





— Vou deixá-la entrar só dessa vez, senhorita . — Tento sorrir quando Sr. Moseby me dá uma bronca em frente à classe de física inteira.
Quero dizer que a culpa do atraso são problemas de assuntos do próprio colégio, mas nunca que um homem tão pragmático quanto ele entenderia algo sobre arte. Em vez disso, vou em direção à minha cadeira de sempre, ao lado direito da sala, perto da janela, rodeada por minhas três melhores amigas: Taylor, Camille e Zoe.
— Desculpa o atraso, Sr. Moseby. — Escuto uma voz ofegante assim que sento, me virando para a figura que acabou de entrar.
— Mas será possível que vocês esqueceram a existência do relógio hoje?! — Vejo o rosto quase simpático do professor virar uma carranca assim que encara . — Não vou mais tolerar isso! Aliás…
Consigo ver as engrenagens no cérebro dele se moverem rapidamente ao largar a posição em frente ao quadro para encarar a turma inteira.
Não tem como vir algo bom disso.
— Para ficar mais claro o quanto que prezo por pontualidade: e , ficarão em detenção hoje.
— Mas, senhor… — Começamos, em uníssono, mas ele levanta o dedo, nos interrompendo.
— Não quero ouvir reclamações, ou serei obrigado a aumentar mais alguns dias. Garoto, vá se sentar.
O sorriso que Sr. Moseby abre, vitorioso, me faz querer xingá-lo na frente de todos os outros colegas. Em vez disso, observo a movimentação de até a cadeira, do outro lado da sala, desejando que ele tropece e caia antes mesmo de conseguir se sentar.
Eu não estaria nessa situação se ele não fosse incapaz de chegar no horário. Agora teria que adiar todos os meus compromissos depois da aula para dividir mais uma hora com um jogador de beisebol, o pior pesadelo que existe.

E, como se não bastasse, horas depois, estou sentada no refeitório do colégio, tentando ignorar a conversa elétrica de minhas amigas sobre querer estar no meu lugar. Duvido. Ninguém ia querer ficar em detenção.
Existem muitas coisas que somos obrigados a superar se queremos manter uma boa amizade, e no caso da nossa, com certeza, é a paixão avassaladora que elas têm por beisebol. Não as culpo, estamos em Atlanta, nessa cidade é impossível não ter visto um jogo sequer, a cidade inteira quase para quando Atlanta Braves entra em campo.
Já eu, por outro lado, tento rever minha lista de afazeres, anotando todas as tarefas que precisarei delegar para cumprir o horário extra.
Suspiro indignada com meu destino.
— Se eu não for pro baile por algum jogador de beisebol, juro que me mato. — Você disse isso no ano passado também, Camille — rebati, riscando mais um item na lista do comitê. A sensação de completar cada ponto do checklist me deixava radiante, pelo menos isso aquela detenção ridícula não iria tirar de mim.
— E continua viva, o que é uma pena — completou Taylor, dando uma garfada no próprio almoço.
— Mas esse é o nosso último ano, tem que ser o melhor baile de todos. — Ela brinca com os cachos, enrolando no dedo.
— Graças a mim, que tenho mil coisas pra resolver e ainda sou obrigada a ouvir vocês só falarem em jogador.
— E seu par para o baile? Já pensou nisso? — O sorriso diabólico da Taylor é irritante. Na verdade, sei que está fazendo de propósito.
— Não tenho tempo para isso agora, quem sabe mais para lá. — Dou os ombros, antes de, finalmente, começar a almoçar. — Aliás, romance dá dor de cabeça, ainda mais com jogador de beisebol.
— Já que você gosta tanto de organizar, poderia usar seus superpoderes de líder do comitê e dar uma ajudinha, né?
— Que tipo de ajuda, Zoe? — Encaro-a confusa e observo a malícia quando lambe os lábios. Conheço esse movimento, nada bom vem depois dele.
— Tipo… fazer os meninos chamarem a gente? — Ela ergue uma sobrancelha. — Vocês querem que eu seja… o cupido de vocês?
— Só até o fim do baile — disse.
— Só até o pedido acontecer. — Continuou Taylor. — Só até você parar de ser tão ranzinza. — Completou Camile.
— Ok, então quer dizer que agora, além de organizar o baile, tenho que organizar a vida amorosa de vocês também?
— Não é bem amorosa… Pode dar só um empurrãozinho.
Dou uma risada forçada, negando com a cabeça. Elas não podem estar falando sério.
— Eu até cogitaria isso — completo mentalmente que não cogitaria não —, se não tivesse que passar mais uma hora presa em uma sala por conta de uma ideia genial que tiveram em relação ao baile, me fazendo atrasar.
— Não se sinta mal, Noemi. Eu sei que ele está bem ruim em física, isso parece uma espécie de vingança do Sr. Moseby — Zoe sussurra a última parte, parecendo contar a maior fofoca de todos os tempos. Rolo os olhos, mastigando devagar. Não preciso ser confortada.
— Ouvi dizer que o treinador quer que ele melhore a nota ou vai ser deixado de fora nas finais.
— Para isso, vai ter que aprender a chegar no horário. — Queria esmagar o crânio dele como estou fazendo com as batatinhas cozidas.
— E ele precisa melhorar, é o melhor rebatedor que temos.
Estou pronta para soltar mais alguma acidez, quando escuto meu nome ser anunciado nos alto-falantes do colégio. Recolho minha bagunça às pressas e me dirijo até a sala do orientador educacional.
Nada no mundo me prepararia para o que iria ouvir dentro daquele cubículo de 9m² que ele chama de sala. Cada palavra dita por aquele homem jogava ainda mais lenha na minha raiva, que só notei quando amassei o bloco de notas em minha mão.
Assim que fui liberada, atravessei o colégio como um furacão para o lugar que não queria estar: no campo de beisebol. Ou melhor, para o vestiário do campo de beisebol.
Gostaria de registrar que, em condições normais, isso nunca teria acontecido.
Ou teria, não sei.
Assim que entro no ambiente, encontro cerca de seis garotos conversando, interrompida por uma série de assobios enquanto procuro meu alvo principal. Encontro-o de frente para mim, próximo do armário, falando com outro jogador. Ignoro todos os chiados ao redor, determinada a estrangular aquele cretino, o empurrando pelo peito levemente definido, o fazendo bater as costas no armário atrás de si.
As mãos do garoto seguram o nó da toalha com rapidez e só então noto como está vestido — ou falta de vestimenta. Tento não olhar para baixo, o encarando nos olhos. Seus cachos curtos estão molhados, escorrendo gotículas de água que se espalham pelo corpo inteiro.
Que condenação.
— Está maluca?
— Qualquer pessoa que não tenha o sobrenome deve sair imediatamente — digo em voz alta, sem quebrar o contato visual com o rapaz em minha frente. Noto seus olhos arregalados mudarem para um sorriso largo, e a vontade de amassá-lo como batatinhas me invade novamente.
Noto os passos apressados e, mesmo entre piadinhas, os outros saem.
— Se queria me ver pelado, era só dizer, .
— Irônico esse comentário vindo da pessoa que implorou pra ter mais tempo comigo! Se não fosse por você, eu não estaria nem em detenção. — Solto-o, tomando consciência da proximidade que estamos, começando a andar de um lado para o outro.
— Mas justamente por mim agora não está mais. Então, ao que devo a sua presença? — Ele se virou para pegar alguma peça de roupa no armário e dou graças a deus, seguindo na tentativa de não o encarar demais.
— Você só se esqueceu que vou ter que bancar sua professora particular!
Eu sei que minha voz está alterada neste ponto, mas não consigo me importar menos. Como uma boa aluna, aprendi de imediato que estar no mesmo ambiente que elevava meus níveis de estresse em segundos.
— Olha, você não precisa me ajudar com nada, ok? Foi só um acordo que consegui fazer com o Sr. Moseby para não perder os treinos. Vou estudar em casa para aumentar a nota e você tem todo tempo do mundo para organizar seu baile.
— Se você conseguisse aumentar a nota sozinho, já teria feito isso.
— Oushe… — A maneira dramática que ele colocou a mão no peito, parecendo que tinha levado um tiro, denunciou o quão ofendido estava. Levanto a mão, o interrompendo mesmo assim.
— E o Sr. Moseby é quem vai escrever minha carta de recomendação para a bolsa da faculdade, então nós temos um problema. — Respiro fundo, voltando a andar em círculos.
Lembro da conversa com as meninas no almoço. Era loucura cogitar aquilo, entretanto, se eu ia ser obrigada a ter que conviver com aquele garoto por mais algumas horas semanais e o ajudar a se manter no time, ele teria que fazer alguma coisa por mim. Sabia o que, claro, resolver problemas era minha especialidade, mas havia o potencial de isso dar errado.
Encarei-o novamente, calculando minhas próximas palavras.
— Tenho uma proposta para fazer isso funcionar.
— Não vou te dar lições para dar em cima de alguém. — Ele voltou a mexer em algo no armário, de costas pra mim. Meu deus, perderia meu réu primário fácil.
— Como é que é?!
— Tipo nos filmes, sabe?
— Cala a boca! — esbravejo. Só que, quando vira em minha direção novamente, noto o sorriso que exibe. É claro que o canalha está se divertindo com toda a situação. — Preciso que me ajude a juntar alguns jogadores com minhas amigas.
— Meu deus! Isso é muito pior. — passa as mãos pelo rosto, rapidamente, parecendo desacreditado no que ouviu.
Eu não estou crendo nas palavras que proferi.
— É pegar ou largar! Sei que se não recuperar sua nota vai ter que sair do time nos próximos jogos.
— E a solução é ter que bancar o casamenteiro?
Nós vamos. Maluca vou estar se deixar você cuidar disso sozinho. Estamos de acordo?
Ele revira os olhos, ignorando a provocação, se aproximando para pegar na mão que estendo.
— Estamos. Agora pode sair ou vou ter que abrir essa toalha na sua frente?


Continua...


Nota da autora: Essa história está comigo já tem alguns anos e decidi colocar ela no papel agora kkkkk. Veja, a ideia começou com 3 capítulos, depois 5 e já temos 8. Então assim, durante a revisão, pode aumentar ou diminuir, mas espero que vocês se divirtam com esses dois, assim como me divirto escrevendo sobre eles. É meu maior objetivo! E não se esqueçam de comentar!!!! Até o próximo capítulo, menor que três.

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