Revisada por: Saturno 🪐
Última Atualização: 28/12/2025A neve caía intensa lá fora, o que fazia as ruas parecerem preenchidas por um cobertor branco e fofo, enquanto dentro de uma das pequenas residências o fogo crepitava na lareira e aquecia o pequeno Spencer Leone.
Abraçado ao próprio corpo, o olhar do garoto de apenas dez anos estava fixo nos presentes abaixo da árvore de Natal, enquanto a ansiedade tomava conta de si.
Precisava abrir logo os seus. Precisava descobrir se os pais haviam dado o boneco do Lanterna Verde que tanto insistiu, ou quem sabe seria a bola nova de futebol americano a qual babava todas as vezes que passava em frente à vitrine.
A curiosidade o corroía por dentro, e seus dedos chegavam a comichar, tamanha era a vontade de se aproximar e desfazer os pacotes muito bem arrumados.
Spencer conseguia ouvir a conversa entre seus pais na cozinha. Eles pareciam entretidos demais qualquer que fosse o assunto, e constatar aquilo fez uma ideia interessante surgir nos pensamentos do garoto.
E se ele os apalpasse?
Certamente não descobriria todos, mas ao menos poderia ter uma ideia de seus conteúdos.
Um pequeno sorriso de empolgação surgiu em seus lábios, e Leone espiou em direção à porta da cozinha entreaberta mais uma vez, a fim de se certificar de que os pais não sairiam de lá.
Então, da forma mais silenciosa que pôde, o menino se levantou do sofá e se aproximou da árvore de Natal.
Seus olhos varreram os presentes logo abaixo dela, à procura daqueles que continham o seu nome na etiqueta, então brilharam ao identificá-lo em um embrulho pequeno e retangular. Era vermelho e tinha um laço verde à sua volta.
Rapidamente, Leone pegou o pacote e começou a apalpá-lo à procura de qualquer dica do que poderia ser.
Claramente não era nenhuma das opções que havia pedido, mas não importava, desde que fosse algo legal.
Não conseguir nem um palpite atiçou ainda mais sua curiosidade, e seus dedos coçaram mais uma vez.
Que mal teria se abrisse apenas aquele presente? Havia outros ali, não é?
Sem conseguir se controlar, o garoto direcionou uma das mãos no laço, prestes a desfazê-lo.
— Spencer, o que você pensa que está fazendo, garoto? — A voz de sua mãe o fez pular de susto.
Leone olhou para trás, então a encontrou junto ao pai, de braços cruzados, apenas a alguns passos da entrada da sala de estar.
A ideia de adivinhar os presentes havia o entretido tanto que sequer se deu conta de que a conversa dos pais tinha cessado.
— E-eu… Nada. — Foi a única coisa a sair de sua boca.
— Não estava tentando abrir os presentes? — O pai ergueu uma sobrancelha em desafio, e Spencer largou o pacote que tinha em mãos de volta aos pés da árvore.
— Não. Eu estava só olhando, papai. — Sua voz ecoou trêmula e inocente.
— Ótimo, meu amor. — A mulher se aproximou do filho e o acariciou nos cabelos. — Afinal, você sabe o que acontece com garotos levados, não sabe?
Era estranho ver os olhos da mãe brilharem ao dizer aquilo, como se ela gostasse da ideia.
— Agora vá já pra cama. Já passou da hora. — O pai foi mais rígido e apontou em direção às escadas que levavam aos quartos.
Spencer então se levantou e, com os lábios trêmulos, se dirigiu aos pais apenas mais uma vez.
— Me desculpem, papai e mamãe. Não serei mais assim. Boa noite.
Lágrimas ameaçaram surgir em seus olhos, e o menino seguiu o mais rápido que pôde até o quarto. Não queria que os pais o vissem chorar.
— Christopher, você é duro demais com ele, amor. — Ainda conseguiu ouvir a mãe dizer.
— Ah, qual é? Nós dois sabemos que ele ia abrir aquele presente. Que mal há em assustá-lo um pouco? — Seu tom agora era de riso, muito diferente da maneira fria de antes, e Pamela o acompanhou.
Spencer entrou no quarto e afundou a cabeça no travesseiro. No fim das contas, eles quem haviam sido maldosos, e pensar naquilo fez um desejo novo surgir em seu coração.
Pais maldosos também deveriam ser punidos.
Na manhã seguinte, Spencer foi acordado com o cheiro de biscoitos recém assados e rapidamente calçou os chinelos para correr até a cozinha.
Assim que desceu as escadas, encontrou os pais na sala de estar.
— Bom dia, querido. Com fome? — Pamela apontou o prato com biscoitos e um copo generoso de leite posto em cima da mesinha de centro.
— Sim, mamãe. — Se aproximou e pegou um biscoito de forma tímida, então o levou à boca e mordeu. Ainda estava quentinho e o chocolate derretia em sua boca. Leone fechou os olhos, lambeu os lábios e tomou um gole generoso de leite. — Estão muito gostosos, mamãe. Obrigado.
A mulher sorriu.
— Que bom. Eu fiz pra você.
Os três permaneceram em silêncio por alguns minutos, enquanto o menino comia e os pais o observavam.
Assim que terminou, Christopher se aproximou de Spencer com uma expressão calorosa, muito diferente da noite anterior.
— Quer abrir seus presentes?
O sorriso iluminou as feições do garoto.
— Sim! — Ele se levantou empolgado, mas parou no meio do caminho ao lembrar do prato sujo em cima da mesinha.
— Deixe que a mamãe leva. — Pamela fez um sinal para pará-lo, e mesmo estranhando um pouco aquilo, Spencer seguiu para os pés da árvore.
O embrulho vermelho estava de volta em suas mãos e dessa vez Leone não fez cerimônia para arrancar o laço e desfazer o pacote.
Não era o boneco do Lanterna Verde, mas eram duas HQs, e aquilo fez o menino sorrir ainda mais.
— Papai, eu amei!
— Podemos ler juntos se você quiser. — Christopher o observava ainda com a expressão calorosa.
— Sim! Por favor. — Spencer ficou ainda mais empolgado com a ideia, então procurou o próximo presente.
Havia o seu nome em um outro embrulho vermelho, mas foi um pacote pardo que chamou sua atenção.
Era ainda menor que o anterior, não estava tão bem embalado, mas o que estava escrito fez o menino pegá-lo rapidamente.
“Para o meu amigo, Spencer Leone.Pamela e Christopher se entreolharam ao não reconhecerem aquele pacote.
Do Papai Noel.
Merry Axe-Mas”.
— Será que foi coisa do seu irmão? — a mulher indagou do marido, que deu de ombros.
— Provavelmente.
Spencer mal percebeu a interação entre os pais e rasgou o pacote pardo. Seus olhos brilharam ainda mais ao ver o que era.
— Que maneiro! Olha, papai! — E mostrou a ele uma fita de vídeo game.
Christopher a pegou da mão do filho. Na etiqueta colada havia a silhueta de um Papai Noel que segurava um machado. Logo abaixo dele, as palavras formavam a frase: Merry Axe-Mas.
Pamela franziu o cenho, ainda mais confusa.
— Posso jogar, papai? Posso, por favor?
O homem trocou mais um olhar rápido com a esposa e acabou por dar de ombros mais uma vez.
— Claro. Mas não deixe muito alto. Sabe que incomoda a sua mãe.
Spencer mal ouviu a última parte e correu até o vídeo game. Ele sequer deu atenção aos outros presentes que ainda o aguardavam embaixo da árvore, estava empolgado demais com a ideia de um jogo novo.
Assim que o nome do jogo apareceu na tela da televisão, Leone ajeitou sua postura para focar toda a sua atenção nela.
Os olhos brilhavam como nunca, e os pais não estranharam o comportamento, afinal, era assim sempre que ele ganhava um jogo novo.
Spencer soltou uma exclamação animada quando percebeu se tratar de um jogo natalino em 2D, onde o personagem conduzido por ele seria ninguém menos que o Papai Noel.
Equipou o bom velhinho com o saco e o que parecia muito ser um pé de cabra e deu início à fase um.
O objetivo era simples: conduzir seu personagem pelas casas, onde, em vez de deixar presentes, ele coletava souvenires.
Leone achou aquilo divertido demais, principalmente quando percebeu que as bolinhas que pulavam para dentro do saco de presentes eram na verdade cabeças de pessoas mal-criadas.
Ele riu como nunca antes, e seus pais, mesmo sem verem, concluíram que não havia nada demais com o jogo, então passaram a trocar presentes entre si.
Com a primeira fase concluída, Spencer entregou as cabeças coletadas e recebeu um upgrade, onde o bom velhinho ganhava uma nova arma, a qual o agradou muito: era um machado de cabo reforçado e a lâmina vermelha.
Perfeito.
Na fase seguinte, as coisas ficaram mais… gráficas. O Papai Noel não tinha misericórdia e agora pernas e braços se juntavam às cabeças decepadas.
Leone estava em êxtase. Nunca havia jogado algo tão bom.
Seus olhos acompanhavam os flashes da tela com euforia, as mãos se moviam ágeis no controle, e enquanto conduzia seu personagem para as fases seguintes, Spencer sequer notou a movimentação na porta de entrada da casa.
— Ele tá quieto demais, você não acha? — Pamela e Christopher haviam ido até a cozinha para pegarem xícaras de chocolate quente e bebiam devagar.
— Ah, é normal, Pam. Nessa idade, a gente esquece até de respirar quando encontra algo legal pra brincar.
A mulher fez uma careta.
— Mas não sabemos quem deu aquilo a ele. E se for algo mal-intencionado?
— Mal-intencionado? Você tem cada uma. — Christopher riu.
Ela continuou a olhá-lo com preocupação, e o homem tocou sua mão livre para tranquilizá-la.
— É sério. Não há com o que se preocupar. Provavelmente foi o Andrew que deu. Sabe o quanto ele gosta dessas coisas natalinas e meio esquisitas ao mesmo tempo.
— Tem razão. Mas por que ele mesmo não veio entregar o presente? Achei que ia aparecer vestido de Papai Noel, como faz todos os anos.
Chris fez uma careta. De fato, o irmão estava meio atrasado.
— Ele vem. Só deve ter tido algum imprevisto.
— Você acredita mesmo nisso? — Pamela ergueu uma sobrancelha.
— Claro. O And jamais deixaria o Natal passar em branco assim.
A mulher sorriu.
— Confio em você. — Então bebeu um pouco do chocolate quente, e o marido imitou o gesto.
Passaram mais alguns minutos desfrutando da bebida quente, e a única coisa que se ouvia eram os sons estrangulados do novo jogo de Spencer.
— Filho, dá pra abaixar isso? — Pamela gritou, da cozinha, mas não obteve resposta.
Christopher fechou a cara.
— Que moleque inacreditável. — Largou a caneca para ir até a sala, mas Pam o interrompeu.
— Não, deixe que eu vou, querido.
Sem deixá-lo responder, ela seguiu para a sala, xícara em mãos e tudo.
— Spencer, abaixe o som, filho. Seu pai e eu mal estamos conseguindo conversar.
O garoto nem se mexeu, continuou vidrado no jogo. Agora enfrentava uma freira gigante e usava o machado de forma quase inútil, até atingir o ponto certo.
— Spencer!
Pamela estava prestes a se aproximar e desligar aquela porcaria, porém foi interrompida pelo soar da campainha.
Abriu a porta sem sequer olhar pelo olho mágico, e sua expressão se iluminou ao ver a figura do outro lado da porta.
Trajava uma roupa de Papai Noel um tanto grande demais para ele, carregava o que parecia um saco pesado e usava uma maquiagem um tanto inusitada para o personagem, mas quem era Pam para julgar?
— And, finalmente! Eu e o Chris já estávamos preocupados! Entre, entre! — Deu espaço para que entrasse, e ele o fez sem hesitar.
Enquanto caminhava a passos largos para dentro da casa, um barulho metálico tilintava de dentro do saco.
— Por que demorou tanto? Aconteceu alguma coisa? — Pamela fechou a porta atrás dele, que fez uma careta e sinalizou com a mão como se não fosse nada. — Chris, o And chegou! — gritou, para que o marido escutasse, e observou o cunhado olhar em volta da casa com curiosidade.
Estranhou aquele comportamento, Andrew já havia ido até lá inúmeras vezes e conhecia cada canto daquela casa.
Sem falar naquela maquiagem, que realmente estava bizarra. Um palhaço vestido de Papai Noel era algo excêntrico demais até para Andrew. Sem falar que toda vez que ele sorria, a fileira de dentes sujos e até meio ensanguentados fazia Pamela querer vomitar.
Como se o olhar dela o atraísse, o palhaço se voltou para Pam, e a forma como a encarou a arrepiou inteira, de um jeito muito ruim.
Ele então desviou para a televisão ao escutar o som alto vindo dela, apontou para o menino jogando e segurou um controle imaginário para imitá-lo. Ele digitou febrilmente, fez caretas irritadas, apontou para Leone e riu sem som algum.
— A-And, por que essa maquiagem de palhaço? E-eu não entendi. — Pamela tentou controlar a voz e não parecer tão trêmula.
Se sentia idiota demais, afinal, não tinha como aquele palhaço medonho ser o Andrew.
Ele ergueu um dedo longo como se tivesse uma ideia, a luva branca manchada com um vermelho que não tinha como não ser sangue, e pediu um segundo para revirar o saco que carregava.
Pamela assentiu e permaneceu imóvel, sem saber exatamente o que fazer. Havia um desconhecido que ela deixou entrar em sua casa, e Christopher não saía da cozinha nunca.
— E-Eu vou ver o… o… — O palhaço por fim retirou algo de dentro do saco e estendeu a Pam o que parecia ser um recorte de jornal. — Ah, tá. Tudo bem.
A mulher conteve a tremedeira o máximo que pôde, porém foi impossível não exclamar horrorizada quando esticou o recorte e entendeu do que se tratava.
Aquele palhaço à sua frente não era mesmo Andrew Leone, era o palhaço Art. Um assassino em série que espalhava o caos por Miles County.
Art apontou para si mesmo e agitou as mãos como se dissesse “SURPRESA!”.
De fato, aquela era uma e tanto.
O medo se estampou nas feições de Pamela, seu corpo entrou em estado absoluto de alerta, e quando a mulher estava prestes a se virar e sair correndo dali, de repente, era tarde demais.
De dentro do saco, Art tirou um machado tão afiado quanto aquele da televisão. E, imitando o gesto do Papai Noel, acertou Pamela em cheio no peito, só para arrancar a lâmina e golpear de novo, e de novo, até o peito estar completamente aberto.
Ela gritou, depois se afogou e agonizou enquanto seu corpo se sacudia, até não fazer mais nenhum movimento. A morte a abraçou de uma maneira tão rápida que o próprio palhaço fez uma careta desapontada e a golpeou na cabeça uma última vez, deixando um talho perfeito no rosto da mulher, em diagonal.
Quando Art tornou a erguer o machado, Christopher apareceu na porta da cozinha e encarou a cena em completo horror.
— Pam! Ah, meu Deus! Que tipo de psicopata você é? Pam! — Ele fez menção de correr até a esposa, mas logo entendeu que ela estava sem vida e tentou correr para o andar de cima.
Art apontou para ele e fez o sinal negativo, em reprovação àquela atitude, então fingiu ajeitar a barriga de Noel imaginária antes de seguir atrás de Christopher.
O homem estava quase no último degrau, quando o machado o atingiu no calcanhar direito.
Ele caiu com um estrondo, Art o agarrou pelo pé ensanguentado e cravou os dedos no ferimento para puxá-lo escada abaixo.
— Não! Por favor, não! Poupe a mim. Nós temos um filho pra criar. Poupe a mim!
Por meio segundo, o palhaço parou e parecia que ia ceder. Mas então ele abriu um sorriso sinistro, puxou Christopher até o pé da escada e, posicionado com uma perna de cada lado do corpo do homem, o golpeou na barriga.
Assim como aconteceu com Pamela, um golpe só não foi o suficiente. Ele continuou acertando e acertando até ver os intestinos de Chris saltarem para fora. Então ele os arrancou e colocou em volta do pescoço, como um belo souvenir.
O palhaço parou para admirar sua cena. Apontou para Pamela, apontou para Christopher e direcionou o olhar para o último sobrevivente.
Spencer enfrentava o último estágio do jogo, onde um chefão gigante tomava a forma de um padre.
Conseguiu quebrar a cruz sagrada e havia enfiado um dos pedaços bem em seu olho, o cegando. Ainda assim, ele era muito forte, e o personagem de Leone carregava o machado em seu estado mais avançado, afiado, poderoso.
Sabia que precisava de um golpe certeiro no pescoço. Decepá-lo era a única opção para finalizar o jogo.
Respirou fundo, a concentração toda focada naquela tela de televisão, e Spencer viu a oportunidade perfeita, então a agarrou.
Com a arma firme em mãos, avançou e golpeou o pescoço do padre uma, duas, três vezes, até ver sua cabeça rolar no chão.
O som foi tão real que de repente parecia que tinha caído ao seu lado.
Os créditos do jogo rolaram, ele tinha vencido.
E quando se virou para comemorar, correr até os pais e comer mais uma pratada de biscoitos, Spencer Leone tropeçou em algo e caiu com um baque surdo no chão.
Franziu o cenho. Teria ganhado a bola de futebol e o pai a jogou para ele em algum momento.
Procurou o objeto com o olhar e então desejou não o ter feito.
Não havia tropeçado em uma bola e sim na cabeça decepada de seu pai.
O grito ficou sufocado na garganta. Spencer se encolheu, então se levantou e notou o que seus olhos viciados no jogo não haviam visto.
Ali no sofá, sentados como se o assistissem, estavam os corpos de seus pais. O de Christopher sem a cabeça, apontando para a televisão, o de Pamela com a face voltada para cima e o peito aberto de um jeito tão grotesco que Leone quis vomitar.
Seu corpo inteiro tremeu em uma mistura de pavor, tristeza e revolta.
A mesinha de centro estava posta. Biscoitos ensanguentados e um copo de leite sujo nas beiradas acompanhavam um pequeno bilhete.
“Merry Axe-Mas, Spencer”.O grito ficou preso na garganta, as lágrimas escorreram, então o garoto se virou bruscamente ao sentir uma presença bem atrás de si.
Com um sorriso macabro nos lábios, o palhaço Art ergueu uma das mãos e acenou com os dedos. Depois indicou os pais do garoto mortos de forma grotesca, imitou a expressão de Spencer ao encontrá-los e desatou a rir sem emitir nenhum som.
— Vai embora daqui, seu palhaço horrível. Isso não tem graça nenhuma! — Num rompante de coragem, Leone disse e viu o palhaço fazer uma careta ultrajada.
Ele fez gestos como quem reclamava da falta de hospitalidade, pegou o saco e jogou sobre os ombros em mais um tilintar grotesco, então caminhou até a porta.
Spencer se deixou chorar desesperado, não sabia o que fazer. Seus pais estavam mortos, e tudo era culpa dele e daquele jogo idiota.
Sua dor era tanta, e o luto era tamanho que o menino não percebeu quando Art parou na soleira da porta, olhou para o machado caído no pé da escada e voltou para pegá-lo.
Afinal, o assassino não deixava vítimas para trás. E pedir para os pais serem punidos era tão vil quanto todas as pessoas naquele condado.
Saltitante, Art largou o saco no chão e seguiu até o garoto.
Um golpe seco foi desferido em seu pescoço, o sangue jorrou por toda a sala, e enquanto Spencer Leone se engasgava, Art apontava ele, apontava o “Game Over” na TV e ria.
Quando finalmente a vida se esvaiu por completo de sua última vítima, o palhaço comeu os biscoitos do prato, bebeu o copo inteiro de leite, então guardou o machado de volta no saco e fechou a porta da casa atrás de si.
Afinal, a noite de Natal estava apenas começando, e ele tinha outras visitas para fazer.

