Capítulo 1
estava sentada na janela, o sol se pondo, enquanto adiava o máximo possível o inevitável: arrumar suas coisas. Os dias de verão estavam se aproximando do fim e, com eles, as férias também, o que significava que devia arrumar o seu malão o mais rápido possível para voltar à escola. Não é que não gostasse de lá, mas não podia negar o quão trabalhoso que era fazer isso.
Além disso, naquele ano, estava acontecendo na Grã-Betanha a Copa Mundial de Quadribol e todos os seus amigos bruxos estavam lá. Por ser nascida trouxa, seus pais não se importaram de a levar e não confiaram nos pais de seus amigos. Embora eles aceitassem a filha, não significava que eles eram muito favoráveis a essa história de magia. Ainda tinham a esperança de que ela se decidisse por uma carreira trouxa quando terminasse a escola, como uma engenharia da vida ou medicina. Mas eles não compreendiam que, para isso, ela teria que abdicar de uma parte de si. E, por isso, apesar de evitar discutir com eles, a perspectiva da vida que eles tinham para estava bem longe do que ela queria. A carta em cima da bancada era mais uma comprovação disso.
RESULTADOS NOS NÍVEIS ORDINÁRIOS DE MAGIA
Ótimo (O)
Péssimo (P)
Excede Expectativas (E)
Notas de reprovação
Deplorável (D)
Aceitável (A)
Trasgo (T)
RESULTADOS OBTIDOS POR CELINE BIANCHI
Estudo dos Trouxas O
Aritmancia E
Astronomia A
Defesa Contra as Artes das Trevas O Feitiços O
Herbologia E
História da Magia A
Poções O
Transfiguração O
Trato das Criaturas Mágicas E
A espera dos seus N.O.M.s tornaram cada chegada de uma coruja uma tortura e pior ainda era não poder demonstrar tanto interesse na frente de seus pais, já que aquilo era importante para seu futuro no mundo bruxo. Mas abrir aquela carta havia valido completamente a pena. Não esperava resultados impecáveis e, com isso, tinha um motivo para desistir de História da Magia e Astronomia, que sempre a deixavam entediada.
Respirou fundo, sabendo que não podia mais adiar, e fechou a história em quadrinhos que estava lendo (nem gostava tanto do Batman, mas tudo parecia mais interessante do que ajeitar o malão). Faltava uma semana para as aulas e ela tinha que deixar tudo pronto para receber apenas os novos livros que compraria na próxima semana no Beco Diagonal. Ah, e seu traje a rigor que, estranhamente, estava na sua lista de materiais.
Naquele momento, sua coruja Estrela entrou, trazendo o Profeta Diário, o jornal dos bruxos, e mais algumas cartas.
— Estava com saudades já. Fez boa viagem? — falou, enquanto Estrela pousava do seu lado, bicando carinhosamente o seu dedo enquanto lhe dava biscoitos.
Estava receosa de ler o jornal e ver várias notícias da Copa, então foi acender a luz para ler as cartas dos amigos:
, você não vai acreditar! Os lugares secretos que mamãe conseguiu eram do lado do camarote!
Mas fique tranquila que nós ainda iremos juntas para uma Copa Mundial de Quadribol — nem que seja do outro lado do planeta!
Papai me deu um dinheiro para a viagem e pretendo comprar um presente para você.
Espero que os búlgaros ganhem com aquele Vítor Krum! Quem diria que eu vou estar no mesmo ambiente que ele... Isso que é quadribol de verdade, e não aquelas bolinhas que os sonserinos batem com seus braços murchos.
Mal posso esperar para te encontrar logo! Mas já te aviso: não passei mesmo no N.O.M.s de Transfiguração. Pelo menos eu vou largar Adivinhação e espero que você largue alguma coisa para termos um tempo livre juntas. Por favor, estude menos. E não conte seus resultados para a minha mãe.
Até dia primeiro!
era a melhor amiga de desde o momento que elas foram colocadas na mesma casa e começaram a compartilhar o dormitório. Foi que, sem praticamente conhecer , a visitou na enfermaria depois de poucos dias de aula, quando ela desmaiou na aula de voo. Depois disso, viraram melhores amigas.
Mesmo falando da Copa, sempre conseguia animá-la. Então, assim, passou para a segunda carta:
Querida ,
Espero que suas férias de verão estejam sendo explêndidas!
Hoje eu fui ao Beco Diagonal (eu sei que ainda falta uma semana...) e comprei tudo. Estou tão animada! Mesmo não tendo tirado um Ótimo no N.O.M. de Poções, e eu sei que o Snape não vai permitir que eu continue na turma... Mas, pelo menos, passei em todos os outros, embora esteja pensando se vou continuar com Transfiguração. Falo isso sem preocupações para você porque tenho certeza de que foi ainda melhor que eu.
Esses dias, eu passei em uma loja trouxa e vi o que vocês chamam de “tevevisão” (escrevi certo?) e estava passando umas imagens engraçadas e coloridas. E tinha um cachorrinho adorável que falava e tinha quatro amigos humanos. Os trouxas são tão interessantes! Vocês, por acaso, têm uma dessas em casa?
Estou ansiosa para te encontrar na estação. Falta tão pouco!
Beijos,
P.S.: Rob te mandou oi!
Apesar de sempre ter sido da Grifinória e elas dividirem o dormitório, as duas nunca se falaram muito até o ano anterior, quando se sentou com ela e em uma aula de Feitiços. Diferente de , que era pura energia e espontaneidade, era um pouco mais tímida, formando quase dois opostos, mas elas se davam muito bem. Robert era o irmão de , um ano mais novo e que estava na Corvinal, e, de vez em quando, saía com elas por insistência da irmã.
tivera o tato de não comentar sobre a Copa Mundial, apesar de provavelmente estar igualmente animada com o evento. E assim, sem poder mais evitar, pegou o Profeta, derrubando-o instantaneamente.
Não era possível.
Muito diferente da capa com o resultado da partida final, como ela esperava, uma grande caveira com uma serpente projetadas no céu estavam nas manchetes. O título da reportagem não ajudava a acalmar: CENAS DE TERROR NA COPA MUNDIAL DE QUADRIBOL. Apesar de ser nascida trouxa, sabia muito bem o que aquilo significava. Arrepios subiram por seus braços.
Aquela era a marca de Você-Sabe-Quem. A Marca Negra.
E se seus amigos estivessem feridos? Ou... pior?
Ela leu rapidamente as páginas, até encontrar que não houveram mortos, apenas alguns trouxas assustados. Seu coração começou a voltar ao ritmo normal.
Os gritos de seus pais no andar de baixo a despertaram daquele horror.
— Hugo, você sabe que as aulas começam semana que vem! Não podemos mais evitar, temos que levá-la àquele lugar horrível! — Era a voz estridente da mãe, mais uma vez, brigando com o pai. Sabia que estavam discutindo sua ida ao Beco Diagonal.
Não ia deixar mais nenhuma coruja, carta, preguiça e até mesmo notícias chocantes de impedi-la de arrumar suas coisas. Era melhor que seus pais não tivessem uma desculpa para mantê-la afastada de Hogwarts.
A caminho da estação King’s' Cross, encostou a cabeça na janela do carro, enquanto refletia sobre a última semana.
Hugo, seu pai, estava a levando para a estação, de modo que Janice, sua mãe, a tinha levado ao Beco Diagonal. Seu lado mágico parecia ser um fardo tão grande que eles precisavam dividir as obrigações.
Apesar da sua visita ter sido apressada, como sempre, por sua mãe, ficou apreciando o máximo que podia tudo ao redor. Aproveitou também para tentar sondar informações sobre as preocupações gerais, mas ouviu apenas comentários como:
— Esses repórteres estão ficando cada dia mais criativos!
— Foi uma pegadinha ridícula! Só para apavorar os torcedores.
— Não sei como o Ministério não capturou ninguém, será que tem dedo do ministro nisso?
Cada comentário era mais fantasioso que o outro, mas de uma coisa ela tinha certeza: ninguém estava levando isso a sério.
Embora estivesse muito preocupada com todos os seus amigos que estiveram na Copa, não pôde negar que tinha esperança de a Marca Negra abafar um pouco os gloriosos tempos de jogo. Talvez um pouco egoísta da sua parte, mas não podia negar a inveja de todos que tinham frequentado o evento, especialmente agora que sabia que o perigo não parecia ter sido real.
Comprando seu vestido para cumprir a categoria de vestes a rigor, só pode ouvir pais e alunos comentando:
— Mas que grande jogada do Krum!
— Não acredito que a Bulgária perdeu por tão pouco!
— Perdi 10 galeões para aquele Bagman. Apostei que o jogo duraria uma semana! Ah, aquele apanhador Búlgaro não deixa pra ninguém!
— Não tinha dúvidas que a Irlanda ganharia, foi pa!, da goles e pum!, balaço pra longe e ah! Era um golaço!
Alguns comentários a faziam rir e até era bom para ficar por dentro do assunto quando encontrasse seus amigos. Mas, ah, tudo parecia um enorme lembrete do evento que não pôde ir!
Seu pai puxou o freio de mão e Estrela começou a piar, de modo que acordou de seu devaneio. Ajeitaram suas coisas em um carrinho e foram em direção às plataformas 9 e 10. Ali, de vez em quando, sem nenhum trouxa passar, um bruxo atravessava para a plataforma 9 ¾, onde esperava o expresso para Hogwarts.
Quanto mais perto chegavam da barreira, mais nervoso seu pai ficava. sabia o quão nervoso ele ficava com magia e, por isso, viu o alívio palpável quando ela avistou .
— AY!
— LINE!
As duas amigas foram se abraçar, quase derrubando os carrinhos e fazendo uma grande confusão. Antes mesmo que terminassem de se cumprimentar, Hugo falou:
— Bom dia, Sr. e Sra. Carter. Olá, . Olha a hora. Melhor vocês irem andando e eu também. O trânsito vai ficar muito ruim. Você fica bem com eles, certo, filha?
O pai estava quase suplicando e nem deixou responder para sumir em um piscar de olhos.
— Oi, Sr. Carter. Como vai, Sra. Carter? — cumprimentou . Ela adorava o pouco que conhecia dos pais de e sonhava que, ao se tornar maior de idade do mundo trouxa (um ano depois do mundo bruxo), ela ganharia maior liberdade para visitar a amiga e seus pais.
— Olá, ! — disse a Sra. Carter. — Vamos, apenas 15 minutos para o trem partir e temos muitos malões para deslocar.
Para não chamar atenção dos trouxas, e foram na frente e atravessaram a barreira. O casal Carter apareceu logo depois. e foram direto achar uma cabine para colocar seus malões, depois, voltaram para se despedir. Os pais de sempre trataram como outra filha, mesmo eles se encontrando poucas vezes. A melhor delas havia sido quando passou o Natal com eles no terceiro ano. Esse ano, ia passar o Natal em casa, como todos os outros, à exceção desse especial natal com magia.
Estavam já voltando para o trem, quando ouviram alguém chamar:
— , , esperem!
Elas olharam para trás e lá estava chegando toda elegante com sua coruja e seu malão. Ao seu lado, estava um garoto alto que demorou muito para perceber que era Robert. Até maio, o menino tinha a sua altura.
Os quatro se cumprimentaram, todos vestidos de trouxa.
— Ei, adivinhem! — Rob comentou, animado. — Virei monitor!
— Papai e mamãe ficaram muito orgulhosos — falou, genuinamente feliz pelo irmão, mas havia uma pontadinha de chateação em sua voz.
— Mandou bem, dependendo do ponto de vista — disse, dando de ombros.
— Parabéns, Rob! Sabe, você daria uma excelente monitora também, — tentou falar, delicadamente. Era difícil dizer isso quando ela mesma era monitora que havia sido escolhida no lugar de .
ficou meio constrangida ao perceber o quanto estava sendo transparente.
— Claro que não — ela rapidamente colocou. — Eu não teria coragem para brigar com os alunos.
— Quem olha para a carinha de anjo da também acha que não, mas pobres os alunos que decidem falar perto dela em véspera de prova. — respirou fundo, de forma drama, fazendo a olhar furiosa.
Ajudaram a colocar suas coisas dentro da cabine, agora Estrela na companhia de Relâmpago, o gato agitado e cinzento de , e Manhoso, a coruja gentil e malhada de . Ouviram o apito do trem e se despediram de Robert, que ia receber as instruções de monitor, e , que tinha que instruir os monitores mais novos e depois patrulhar os corredores por um tempo.
, uma outra amiga das meninas, chegou e cumprimentou todos, logo se instalando no compartimento com as outras meninas. Quando fechou a porta, se despedindo delas, todas já estavam conversando.
Ela e Robert seguiram pelo corredor, passando pela família Weasley, em que o filho mais novo, Ronald, se ela não estava enganada, gritava:
— Mamãe! Que é que vocês três sabem que nós não sabemos?
Passaram rápido por ali e chegaram no carro dos monitores, que era maior que o normal para poder receber todos.
— Ah, Sr. Blanck, Srta. , vocês chegaram! — o monitor da Lufa-Lufa do mesmo ano que ela, Cedrico Diggory, os cumprimentou. Ele era o exemplo de bom aluno, bom monitor, bom amigo, bom tudo. Às vezes, dava até nervoso o quão perfeito ele era, mas, nesses momentos, abstraía o resto e observava um pouco sua beleza. Não que fosse tããão frequente. Mas fazer o quê se o garoto realmente era bom em tudo, até na aparência?
Levaram quase uma hora para todas as funções dos monitores serem apresentadas para os mais novos, além de relembrada para os mais antigos. Depois, teve a apresentação dos monitores chefes de cada casa, além de terem relembrado algumas das regras mais importantes. Após todo esse discurso, eles finalmente foram liberados. começou patrulhando as cabines do fundo com Joanne Miller, a nova monitora do quinto ano da Grifinória e, depois, inverteria com Kyle (o monitor do seu ano e seu amigo) e Jonathan, o novato.
A nova monitora era uma menina tímida, mas determinada, sempre atenta, o que fez com que tivesse que segurar a risada várias vezes, como quando Joanne espiava dentro de uma cabine e logo depois voltava a conferir, como se tivesse pegando os colegas de surpresa.
Depois de um tempo que elas consideraram suficientemente bom, elas trocaram com os meninos, se despediram e cada um foi para sua cabine.
se acomodou do lado de e de frente para e , que comiam sapos de chocolate. Droga, ela tinha perdido o carrinho de guloseimas.
Sabendo o que estava pensando, lhe ofereceu um dos seus sapos de chocolate.
— Dividimos uns extras para você — ela disse como se não fosse nada.
sorriu, agradecida, para as meninas e começou a comer, exalando felicidade pelo doce na boca. Conferiu a figurinha e viu que tirou Salazar Slytherin.
— Alguém ainda não tem? Eu tenho 3 desse.
— Ah, acho que é o último fundador das casas que falta para Rob! — falou, e a amiga lhe entregou a figurinha. — Inclusive, quem são os monitores chefes desse ano, ?
— Ah, os esperados — ela falou meio embolado, ainda mastigando. Engoliu o chocolate e continuou. — Reed da Grifinória, Devens da Lufa-Lufa, Boot da Corvinal e Plínio da Sonserina.
— Que papo chato, . AH, LINE, OS SEUS PRESENTES! — se lembrou, saltando da cadeira imediatamente para alcançar o malão, assustando o gato de , Froz, que pulou na cara de .
— Ah, me desculpa! — disse, tentando tirar o gato, que só fixou as garras na cara de sua vítima. Quando finalmente Froz foi retirado, uma descabelada, arranhada e um pouco assustada estava agora no assento. Mesmo assim, ainda olhava para o bichinho com o maior amor.
— Me desculpa — choramingou de novo, mas agora pegando a varinha e murmurando alguns feitiços de cura que, apesar de não estarem no nível de Madame Pomfrey, foram muito bons.
— Uau, , seus feitiços estão melhorando muito! — elogiou a colega.
— Ah, só os de cura. Estou pensando em ser uma Curandeira do st. Mungus um dia, então andei treinando. Mas muito obrigada — , que estava ainda mais envergonhada agora, afirmou timidamente. Enquanto isso, ainda tentava fazer carinho em Froz.
— Enfim, aqui estão! — disse, colocando alguns objetos em suas mãos.
analisou a miniatura de um jogador de vermelho que voava na sua mini vassoura.
— Ah, esse é o Vítor Krum! — comentou, parecendo perder a timidez e se esquecer do incidente. — Me arrependi tanto de não comprar a miniatura dele! Ah, o jeito que ele capturou aquele pomo…
— Ele fez uma Finta de Wronski e tudo. Ah, ele é sinistro em campo! Tinha acabado de levar um balaço, estava em desvantagem e, mesmo assim, capturou o pomo. Bom, eles perderam, mas que captura!
começou a pular nos bancos e tentar imitar as manobras, enquanto elas se desviavam de todos os braços e pernas que vinham sem aviso em suas direções. nem teve tempo de sentir inveja de não ter visto ao vivo, só medo de ser atingida.
— Poxa, nem contei pra vocês! — disse, se sentando, subitamente séria.
— O quê? — questionou, sem poder conter o interesse.
— Decidi tentar me inscrever no time de quadribol novamente!
— , isso é ótimo! — falou, realmente feliz pela amiga.
Quando estava no segundo ano, fez o teste para artilheira e rapidamente entrou no time, pois era realmente muito boa, mas, no dia da final, ela ficou tão chateada que perdeu que bateu com a vassoura na cara de um lufano que estava a provocando. Madame Hooch deu falta e tirou 20 pontos da Grifinória, mandando aprender a controlar seu comportamento, se não seria proibida de jogar. Mas a menina, no entanto, respondeu:
— Não precisam me proibir de nada, eu saio por conta própria, seus panacas! — E saiu mostrando o dedo feio, o que lhe gerou uma semana de detenção.
No ano seguinte, ela foi substituída por Katie Bell, uma menina um ano mais nova, e jurou que não voltaria para o time e que eles iriam muito mal sem ela. Bom, isso realmente estava acontecendo até que, finalmente, no ano passado, a Grifinória ganhou e, ao que parecia, isso havia feito baixar a bola.
— Eu pensei melhor e eu era imatura — continuou. — Assistir a Copa Mundial me fez perceber que eu não quero desistir do Quadribol e que me controlar para jogar até que vai valer a pena.
As meninas brindaram com suco de abóbora na cabine pela volta de e conversaram sobre todas as possibilidades de vitória da Grifinória que agora estava sem Olívio Wood, o goleiro.
— Quem sabe a artilheira que sair vai para o gol — disse, presunçosa.
— Isso é horrível de se dizer! — disse, embora torcesse para a amiga jogar como queria.
— É apenas inevitável — replicou, dando de ombros.
— Só tente não dizer coisas “inevitáveis" perto de Angelina e Alícia — falou, se referindo às outras duas sextanistas. — Não quer elas te evitando de novo, certo?
Quando saiu do time, as duas meninas, também artilheiras novas, ficaram um mês sem falar com ela, o que foi bem desconfortável, já que dividiam o mesmo dormitório.
Naquele momento, a escuridão começou a adentrar na cabine.
— Puxa vida, já estamos chegando! Vamos trocar de roupa logo, eu tenho que ajudar os alunos novos a desembarcarem do trem!
— Ai, , desde o ano passado, perdemos você para os pirralhos! — falou, dramática.
— Ei, meu irmão tá entre eles! — protestou, rindo.
— Então você concorda que são pirralhos — colocou.
— Em nome do meu irmão, eu diria pestes — ela falou, maliciosa, fazendo todas rirem, até , que protegia tudo e todos.
— Bom, eu vou lá com as minhas pestes.
saiu com suas coisas pelo corredor, onde algumas poucas pessoas já se espreitavam para fora, também ansiosas.
“Caramba, como é bom estar de volta!”, ela pensou.