Revisada por: Saturno 🪐
Última Atualização: 14/12/2025(Caçar você como um selvagem)
Os saltos curtos da minha bota batiam contra o chão com certa força enquanto eu caminhava com um destino certo, sem desviar das pessoas, elas que saíssem da minha frente. E elas saiam mesmo, talvez fosse por causa do meu olhar, ou, quem sabe, da minha postura intimidadora totalmente chamativa de andar, com passos firmes e queixo erguido. É, eu não olhava para baixo e nem para os lados, a não ser que algo chamasse muita atenção. Como agora, achando exatamente o que eu queria.
Um homem, que olhava as pessoas passando. Ele estava encostado no capô do carro. Suas roupas me diziam que ele era dono daquele lugar, o rei mesmo, porque aquele ouro em seu pescoço não era falso, muito menos as pedras que faziam parte de seus anéis, que compunham aquela mão bonita. Suas botas de bico fino com uma biqueira de ouro na ponta e muito bem engraxadas me diziam que alguém deveria ter polido o couro delas com a língua. Já seus olhos , indicavam estar caçando alguém, provavelmente uma garota gostosa para foder, que obviamente não seria eu, porque meu negócio era um pouco diferente do habitual.
— !
A voz de me fez virar o pescoço para olhá-la, vendo minha amiga se aproximar com um sorriso.
— Pensei que tinha arranjado algo de mais interessante para fazer — brincou, o que me fez sorrir de lado.
— Eu até tentei — rebati, fazendo a garota rir. — Quem é o gângster? — perguntei, me fazendo de sonso, inclinando de leve a cabeça na direção do cara para que soubesse de quem eu falava.
Eu sabia quem ele era, mas eu precisava fingir um pouco.
— Está falando do Badlands? — Virou seu rosto bruscamente. Nem para disfarçar.
— Não sei. Esse é o nome dele?
Então resolvi fazer o mesmo, dando de cínico. Se era para olhar, vamos olhar.
— É, o cara das joias.
— É o Badlands mesmo. O nome dele é . Ele é o chefe do tráfico da região.
Ergui uma sobrancelha sobre aquilo, fingindo estar chocado. Era ele mesmo que eu queria.
— E também comanda outras coisas…
Fiz um pequeno bico enquanto ouvia minha amiga falar sobre o cara, parecendo que sabia tudo sobre ele, e isso não me surpreendia, sempre sabia tudo de todo mundo. Era mais eficiente que o Google.
— Por que chamam ele de Badlands?
Continuei com os meus olhos naquele homem, que, diga-se de passagem, era uma delícia. Ele estava distraído, olhando ainda as pessoas passando à sua frente com até mesmo certo descaso no olhar.
— Não sei. É como ele se apresenta sempre, dizem que ele não gosta do nome de batismo. —
riu fraco, me fazendo encará-la, tentando achar a graça.
— Badlands é horrível, acho bem mais agradável…
Badlands tinha uma placa bem grande de perigo pendurada em seu pescoço, mas isso não me intimidava nem um pouco. Queria chamar sua atenção e era isso que eu faria. Estava afim de me divertir e sentir um pouco de adrenalina correndo em minhas veias àquela noite.
Não fiquei ali, comecei a andar em direção àquele homem.
— , onde você está indo? — soltou alto o suficiente para que eu ouvisse, mesmo de longe como agora.
As pessoas me olhavam agora com certa surpresa por verem para onde eu estava indo, e isso só me fazia querer rir. Acho que o Badlands assustava mesmo os outros. Uma pena, não é mesmo? Eu nunca fui muito uma pessoa de ter noção, mas a falta dela me fez chegar onde estou hoje em dia, então estava ótimo.
Parei na frente do homem e o olhei de cima a baixo, vendo que suas sobrancelhas se uniram, não entendendo absolutamente nada. Então olhei por cima de seu ombro, encarando o Maserati do ano, preto com dourado, e sorri de lado minimamente. Me virei, indo para a lateral do carro e passando meu indicador pela lataria muito bem polida, deixando a ponta da minha unha arranhar ela de leve.
— Gostou? — perguntou.
Seu sotaque era forte mostrando que não era ali. Britânico ou francês, quem sabe italiano, não sei ao certo, nunca fui bom com sotaques. Não o olhei, só vi que se aproximava pelo reflexo do seu corpo na lataria do carro.
— É, bonitinho. Isso anda? — rebati.
Passei a língua em meus lábios, os deixando lustrosos, podendo ouvir a risada fraca de , que já estava parado ao meu lado.
— Posso te mostrar se quiser. — Tinha um tom bem sexy em sua voz.
Coitado. Ele não iria me seduzir com aquilo.
— Quero. — Então estendi minha mão em sua direção, o olhando agora. — A chave — pedi, abrindo e fechando meus dedos.
— Você não vai dirigir meu carro. — Uniu as sobrancelhas ao pronunciar tais palavras, como se eu tivesse acabado de ofendê-lo.
Acabei rindo daquilo.
— Iria ferir seu ego alguém colocando a mão no seu volante? — Ergui uma sobrancelha, com um sorrisinho no rosto. — Vamos, não seja um menino mimado. Posso deixar que sente no banco do carona se for comportado.
— Quem você pensa...
Meu indicador tocou seus lábios, indicando que ele deveria ficar caladinho, e logo sua mão bruta segurou meu pulso com força, me incomodando demais aquele contato. Naquele momento, meus olhos encararam os seus com intensidade, deixando bem claro que não deveria me tocar.
— Não se atreva a me tocar — rosnou irritado, jogando minha mão para longe dele.
— Ops, acho que já toquei. — Dei uma piscadinha, rindo fraco. — Sempre soube que muito dinheiro fazia o pau encolher.
A ponta da minha língua ficou rodeando meu incisivo, com meu sorriso mais aberto agora.
— O que você quer? — perguntou claramente irritado, certamente doido para me enfiar em uma cova rasa.
— Queria dar uma volta no seu carrinho, mas já desisti. Perdeu a graça — disse, jogando meu cabelo em seu rosto e saí andando, me desviando de .
estava parada de longe, com cara de quem tinha visto o próprio diabo plantado em sua frente. Aproximei dela e sua mãozinha pegou a minha e saiu me tirando daí, me obrigando a dar passadas curtas e rápidas para acompanhá-la. Assim que estávamos fora de vista do , minha amiga parou e se virou, me encarando muito brava.
— O que você pensa que estava fazendo? Ficou doido de vez?
Aquilo só me fez rir, vendo a garota toda nervosinha.
— Oswald não vai te proteger do Badlands se ele quiser fazer algo contigo.
Ozzy, meu velho marido, realmente não poderia me proteger ali naquele território, mas eu sabia me cuidar sozinho.
— Ele não vai fazer nada comigo, relaxa. — Joguei uma mecha de cabelo dela para trás de seu ombro. — Ozzy nem precisa saber que estive aqui. — A olhei de forma bem sugestiva.
— Mas ele vai saber se você aparecer em um saco preto — alertou.
Tudo o que fiz foi rir de novo.
— Você está nervosa demais. Vem, vamos procurar algo para beber.
A puxei pela mão para que entrássemos na enorme mansão. O lugar era enorme e estava tão lotado quanto o lado de fora. Tinha umas mulheres e homens nus dançando em pole dances em plataformas altas, e outros fazendo aquela dança com tecidos que vinham presos do teto. Tocava uma música sensual que eu não fazia ideia de quem estava cantando, mas dava vontade de mexer meu corpo lentamente junto à batida.
Paramos em um dos bares onde os bartenders faziam uns malabarismos com as coqueteleiras, além de serem gatos demais. Apoiei meus cotovelos no balcão, esperando qualquer um deles vir me atender, até que um moreno extremamente gato e sexy veio até o meu encontro.
— O que você deseja? — perguntou, e sua voz deliciosa me arrepiou.
— Você nu na minha cama com alguém, mas seria pedir demais no momento. Porém, quero um sex on the beach no momento. E, se possível, o seu número — pedi.
Vi que aquilo só tinha feito com que ele sorrisse de um jeito safado.
— Arranja alguém para nós, então — disse, rindo fraco, e saiu para fazer o meu drink.
— Sério, como você consegue essas coisas?
estava ao meu lado, me encarando de forma chocada.
— Se eu falasse isso para um bartender, ele iria rir da minha cara.
— O lance está no jeito que você fala, não o que você fala — contei a ela o grande segredo da coisa toda, como se já não soubesse daquilo. — E no olhar também. — Lhe dei uma piscadinha.
Minha amiga rolou seus olhos.
— Sinceramente, nunca vou entender — bufou, parecendo contrariada
Eu ri daquilo e até iria responder, mas minha linha de raciocínio foi cortada quando senti um corpo atrás de mim. Meus olhos desceram rapidamente para as mãos que me cercavam agora no balcão, reconhecendo os anéis na mesma hora.
Sorri.
Acho que eu tinha conseguido a atenção do Badlands. Sua respiração bateu na curva de meu pescoço, indicando que seu rosto estava bem perto da minha pele. Certamente estava sentindo como meu perfume era gostoso.
— É muito atrevimento seu vir ao meu território sem ser convidado e ainda se aproveitar da minha festa — sussurrou em meu ouvido.
Aquilo me arrepiou, mas isso não me abalou.
— Não sei do que está falando — rebati, de forma divertida.
me olhou, achando que eu estava falando com ela, então seus olhos se arregalaram vendo ali. Pisquei para ela, dando um sorriso de lado. Logo senti o corpo do sujeito que estava atrás de mim me empurrar de leve contra o balcão, indicando que não tinha gostado nada da minha resposta, mas se afastou um pouco em seguida, me deixando aliviado com aquilo.
Umedeci meus lábios, os sentindo levemente secos. Até que o bartender gato voltou com meu drink e um guardanapo com seu número. Coloquei o guardanapo em meu bolso. O olhar do barman ficou um pouco estranho quando viu o seu patrão me cercando como se eu fosse uma ovelhinha. Sorri para ele, que apenas assentiu com a cabeça e saiu andando para atender outras pessoas.
— Você está assustando as pessoas. Se afasta — mandei, já pegando meu sex on the beach e dando um gole.
não se afastou em nada e isso me incomodou, porque seu corpo estava quase tocando o meu.
— Hum, delicioso. Quer? — ofereci para ele, já que tinha enguiçado ali atrás de mim.
— O que você quer? — questionou.
Apenas dei de ombros, bancando o sonso.
— Você sabe que as mãos de velho Ozzy não podem te alcançar aqui.
Não me surpreendeu em nada descobrir de onde eu era, afinal, na verdade tinha até ficado um pouco decepcionado por não ter me reconhecido na hora.
— Talvez eu não queria as mãos dele em mim — respondi.
Virei de frente para , pegando o canudo de papel da minha bebida com a minha língua, o enroscando com ela.
— Talvez eu só queira me divertir.
Ergui uma sobrancelha, bebendo do meu drink enquanto olhava em seus olhos, que não pude identificar a cor por causa da luz vermelha.
— Jeito perigoso de se divertir — disse, me olhando de volta nos olhos.
Eu podia ver até mesmo sangue escorrendo por eles de tão assassinos que me encaravam.
— Posso te dar muita diversão se você quiser. — Chegou com seu rosto perto do meu.
Eu ri daquilo.
— Não quero ficar com você, . — Deixei seu nome sair pelos meus lábios de forma arrastada, vendo que agora ele tinha mudado totalmente o jeito que me olhava. — Mas você pode fazer parte da minha diversão.
— E como ela seria? — Quis saber, mas não se afastou.
Seus lábios quase tocaram os meus quando se moveram.
— Me deixe ver você transando com alguém — contei.
Senti meus olhos brilharem enquanto eu colocava o canudo da minha bebida entre nossos lábios e tomava mais daquele líquido doce. ficou me olhando por alguns segundos antes de rir fraco.
— Estou falando sério. Voyeur. Nunca experimentou? — perguntei, vendo como agora ele tinha entendido que eu realmente falava sério. — Você é gato e aposto que é gostoso. Seria uma delícia te ver fodendo loucamente com alguém. Você escolhe, não me importo se for com outro homem ou uma mulher.
— Você é louco, sabia?
Sua indignação me fez rir. Não seria a primeira e nem última vez que alguém me falaria aquilo.
— E por que não se junta a nós na cama?
— Transar com alguém não me excita. — Dei de ombros, não me importando com nada daquilo.
— E me escolheu por quê? — Seu olhar estava curioso sobre mim agora.
Sorri de lado.
— Isso é um mistério. — Levei meus lábios até seu ouvido e sussurrei tais palavras. — Você aceita? — perguntei, deixando a ponta de meu nariz passar por sua orelha de leve.
— Você vai se tocar enquanto observa?
Ri fraco.
— Talvez. Depende, se me der vontade na hora — respondi com sinceridade.
— Vou pensar no seu caso — disse, por fim, e se afastou de mim, já se virando de costas e indo embora.
— O que... O que... O que você falou com ele? — parecia estar se engasgando do meu lado perguntando aquilo. — Ele ia te beijar, garoto! Por que você não o beijou? Por Odin! Eu não te entendo!
— Às vezes nem eu entendo. Se um dia conseguir, me conta.
Dei um tapinha em seu ombro e saí andando para um lugar que desse para dançar agora. Parei onde achei espaço suficiente para nós dançarmos, sem que fosse muito apertado por causa da quantidade gente que tinha naquele lugar. O canudo estava entre meus lábios, enquanto meu corpo se movia de forma lenta de um lado para o outro, fazendo meu cabelo balançar junto. As pontas dos meus dedos batiam no vidro do copo como se tocassem as notas da música que ecoava pelo lugar. Passei a mão em minha nuca, a apertando de leve, não pensando em nada, apenas deixando o som entrar em meu corpo e o eletrizar do jeito que quisesse.
Ficamos ali por muito tempo, dançando, indo ao bar, pegando mais bebidas e voltando. Aquela noite até que estava sendo agradável e eu tinha conseguido o que queria, então iria aproveitar.
Fechei brevemente meus olhos, deixando meus lábios entreabertos, e nisso senti alguém tocando minha cintura. Abri meus olhos, vendo um cara, o qual não fazia ideia de quem era, agora dançando entre mim e . O olhei por inteiro. Ele era bonitinho, mas o fato de ter me tocado não me permitiu gostar dele. Eu tinha um leve problema com toques em meu corpo, ainda mais sem a minha permissão. Então isso me fez dar um passo para trás, abrindo espaço para o sujeito sair dali. Ele me olhou sem entender nada.
— Você está me atrapalhando a dançar — avisei, para se tocar logo e dar o fora.
Em vez de sair dali como um cara consciente faria, ele apenas pegou minha cintura com certa brutalidade, pronto para me arrastar para perto dele, mas não deixei que tivesse tempo para isso e lhe dei uma bela joelhada no saco, fazendo com que se curvasse para frente. O empurrei para o lado, para que saísse dali, só que sua mão bruta pegou meu pulso com força, então automaticamente joguei minha bebida em sua cara. Abusado!
Isso fez com que ele pegasse meu pescoço com força, me fazendo soltar o copo, deixando que caísse no chão, se espatifando em vários pedaços. Rapidamente meus dedos puxaram a lateral da minha camisa para cima, me permitindo pegar o canivete pequeno que eu tinha escondido ali, apertando o botão para sua lâmina abrir, e toquei com sua ponta exatamente onde ficava a carótida do homem, que agora me olhava com certa surpresa.
estava parada ao meu lado com sua típica cara assustada. Ela ainda não tinha se acostumado comigo depois de tantos anos?
— Garoto errado, gatinho — disse, mostrando que eu não tinha receio algum de afundar aquela merda em seu pescoço.
Ele não falou nada, apenas me soltou. Seus olhos viram algo atrás de mim. Então me empurrou de leve para trás. Antes de abaixar meu canivete, virei meu rosto, espiando por cima do meu ombro, vendo o Badlands bem ali, parado, com seu olhar assassino.
Sorri.
Então voltei a encarar o cara na minha frente e tirei a lâmina de seu pescoço.
— Seu…
Ele ia começar a falar algo, mas a voz de invadiu nossos ouvidos.
— Cale a boca antes que eu atire na sua cara — ordenou em um tom bem rude, o que gostei bastante.
— Acho que é hora de dar tchau — falei com o sujeito, acenando com a mão para ele sair logo dali, e foi isso que fez, sem falar nada.
Me virei, olhando para o Badlands agora.
— Obrigado, mas estava tudo sob controle — agradeci, dando um sorriso fechado.
— Eu percebi — soltou em tom de ironia.
Ergui uma sobrancelha.
— Ainda está querendo se divertir?
Olhei para a , já levando meus lábios até o ouvido de minha amiga.
— Vou brincar um pouco. Não precisa me esperar — avisei.
Os olhos da minha amiga se arregalaram.
— Toma cuidado — pediu.
Apenas assenti. Dei um beijo em sua bochecha.
Virei e ergui minha mão até a altura de minha cintura, esperando que a pegasse. Ele a olhou por um instante antes de pegá-la, e então me guiou por entre as pessoas daquela festa, que nos olhavam agora com muita atenção. Sabia que deveria me conhecer, mas Badlands era o dono da festa, e vê-lo com o "garoto do Ozzy" deveria atrair muita atenção.
Isso me fez sorrir.
(Eu vejo uma porta vermelha e quero pintá-la de preto)
Subimos as escadas lentamente, conforme as pessoas iam abrindo espaço para que nós passássemos. Estávamos carregando os olhares de todos no nosso caminho, era o que eu sentia, e isso fazia meu corpo esquentar, juntamente a um arrepio subir a espinha. Eu não olhava para os lados, apenas para frente, com cabeça erguida e queixo levemente levantado.
Às vezes virava seu rosto e me permitia ver seus olhos intensos invadindo os meus de forma como se pudesse ver a minha alma, e, naqueles segundos, o ar ficava preso dentro dos meus pulmões. Era como se ele pudesse enxergar minha alma e visse minhas verdadeiras intenções ali, mas aquilo não me intimidava ou me fazia parar.
Eu iria até o final.
Chegamos a um corredor que tinha uma iluminação verde escura. Ali não estava cheio como lá embaixo. Algumas pessoas estavam apenas conversando, fumando e bebendo, e outras se pegando, escorando pelas paredes e móveis, sem tempo a perder; algumas até mesmo transando ali mesmo, sem se importar com os demais ao seu redor. Meus olhos pegavam aqueles corpos, sentindo o tesão me tomando. Senti a mão de apertando a minha, indicando que não deveria olhar para eles, me fazendo estreitar os olhos de leve em sua direção.
Ciumento? Talvez.
Então paramos quando chegamos a uma porta de madeira tão escura quanto à noite. Senti a adrenalina correndo em minhas veias, ansioso para entrar logo ali, enquanto eu respirava fundo e apertava a mão do Badlands para que abrisse logo a porta e começássemos aquilo.
Porém nada aconteceu, e isso me fez erguer a cabeça para olhar em seu rosto, para tentar entender o motivo da demora.
— Quero que olhe dentro dos meus olhos a todo o momento, ou eu vou parar na hora e você não terá mais sua diversão.
Reprimi meus lábios com seu pedido.
— Então me prenda com eles — rebati, erguendo as sobrancelhas.
Fiquei olhando dentro dos seus tons intensos, que agora quase não dava para serem vistos por conta de sua pupila fortemente dilatada.
— Não será só com eles que irei te prender.
A sua resposta fez meu corpo esquentar e uma parte da minha mente se acendeu em alerta também. Eu sabia que ele poderia estar falando aquilo de forma literal, já que eu era casado com Ozzy e poderia me usar como barganha para algum dos seus negócios, mas me mantive ali, o encarando com um olhar desafiador. Eu nunca fui de recuar e agora não seria diferente.
— Iremos ver — o desafiei, deixando meus olhos mais intensos nos seus.
Um pequeno sorriso apareceu nos lábios de Badlands, e eu olhei para ele por um momento bem curto, antes de voltar a fitar seus olhos, que tinham um toque de malícia. Não queria negar e não iria, eu gostei disso. Fazia meu corpo desejar dar o próximo passo, o qual poderia ser simplesmente para a minha morte.
Finalmente abriu a porta do quarto. O lugar tinha uma iluminação rosa, bem gostosa, que oscilava para vermelho e depois voltava para o rosa.
Meus olhos encararam um homem de pé na janela. Ele tinha um corte de cabelo curto e estava penteado totalmente para trás, os fios eram tão escuros quanto a porta do lugar, a qual fechei atrás de mim. Tinha um belo divã de frente para a cama, a qual ficava posicionada exatamente no meio do quarto enorme, com sua estrutura de ferro que a fazia parecer um enorme cubo.
Umedeci meus lábios novamente, os sentindo secos, assim como minha boca, em pura ansiedade. me olhou, então meus olhos se encontraram com os dele. Deixei um pequeno sorriso aparecer.
O homem se aproximou de nós em passos lentos. Ele vestia um roupão preto e longo que deslizava pelo chão. O tecido era fino e leve, mostrando que não tinha nada em seu corpo além dele, pois marcava os bicos de seus peitos e as curvas de seu quadril. Ele parou na nossa frente e tocou o rosto do Badlands, o puxando suavemente para si, então o beijou.
Respirei fundo, apreciando a cena, sentindo os dedos de se soltando dos meus lentamente para segurar a cintura do outro homem. Então dei uns passos para trás até sentir o divã batendo em minhas pernas e me sentei ali de forma confortável, deixando minhas pernas cruzadas e apoiando a lateral de meu tronco no braço do estofado.
pegou a bunda do homem com vontade, fazendo o tecido do roupão se encolher em sua palma. Respirei fundo com aquilo, o ar quente em meus pulmões, meus olhos vidrados no que estava acontecendo. Meu olhar subiu pelo corpo do sujeito, porém me deparei com o olhar penetrante de Badlands me encarando de forma intensa. Tinha um aviso em suas íris, o qual ordenava que eu olhasse apenas para ele. Soltei o ar de forma pesada e apertei levemente minhas coxas uma contra a outra.
Badlands o beijava com fervor enquanto suas mãos o tocavam com brutalidade, em tom de posse, como se quisesse mostrar o que ele queria fazer comigo, mas não podia. Bem, era pelo menos isso que eu queria pensar, e era divertido também imaginar que aquele homem me queria.
Mordi meu lábio inferior, deixando a carne deslizar pelos meus dentes vagarosamente, vendo as mãos dele agora de forma sutil, o que era bem contraditório, passarem pela gola do roupão daquele homem, o fazendo deslizar por sua pele até cair no chão, deixando seu corpo nu totalmente escultural à mostra.
As mãos do sujeito abriram o restante dos botões da camisa de e a empurraram para trás, fazendo a peça ficar presa em seus cotovelos, revelando seu corpo escultural, gostoso e com cicatrizes que me fizeram babar. Meu olhar percorreu lentamente pelo corpo do gângster, gravando cada linha, cada marca, o tom de sua pele sob a luz que oscilava de cor. Ah, meu corpo ficou mais quente.
Ele soltou o homem apenas para tirar sua camisa de vez e quando voltou a pegá-lo, o puxou para cima com suas mãos fortes, apanhando a bunda volumosa dele e o cabelo em sua nuca, fazendo os fios se enrolarem em seus dedos. Então o beijando com ferocidade, dessa vez fechando seus olhos.
Respirei fundo mais uma vez. Aquele beijo parecia tirar o ar de qualquer um.
Badlands caminhou até a parte de trás da cama, empurrando os travesseiros com as pernas, e deitou o homem ali. Ele começou a beijar todo seu corpo, o alisando, apertando, chupando sua pele e mordendo. O homem gemia baixinho, enquanto jogava sua cabeça para trás, principalmente quando abocanhou seus mamilos com extrema vontade, enquanto sua mão apertava o outro. Seus dedos subiram e adentraram a boca dele, fazendo seus gemidos sair abafados. O homem chupou os dedos de com vontade, até mesmo segurou seu pulso, fazendo os dedos entrarem mais.
Meus olhos estavam brilhando fervorosamente com aquela cena.
Os dedos de escorregaram para fora daqueles lábios finos e desceram. E pelo gemido mais forte que o homem deu, certamente Badlands havia o invadido. Fiquei arrepiado e suspirei, apertando minhas coxas uma contra a outra, sentindo como elas estavam ficando quentes e minha calça apertada. Respirei mais forte, sentindo o desejo de apertar a minha ereção.
— Vai, pega ele com vontade. — Meus lábios se moveram de forma muda naquele comando, apenas desejando, sem de fato declarar.
Os olhos ferozes de , que me encaravam, pareciam ter lido os meus lábios.
Sua boca deslizou pelo peito do homem, fazendo o bico dele escapar, voltando a aparecer molhado e bem duro. Lambi os meus lábios, puxando um pouco de fôlego com a imagem, deixando meus olhos se fixarem nos de , tão intensos dentro dos meus que me devoravam com ele. Eu queimei um pouco mais naquele momento. Ele era perigoso, e aquilo me excitava ainda mais.
Engoli em seco quando suas mãos pegaram a cintura do sujeito, o virando de bruços. Vi Badlands separar as nádegas do homem e em seguida e se abaixando, deixando seu rosto na altura dela e descendo, o lambendo lentamente, sem tirar seus olhos dos meus, agora tirando um gemido gostoso do rapaz.
Praticamente arfei com a cena e apertei ainda mais minhas coxas, agora segurando o estofado do divã. Meu pau estava ficando dolorido naquele momento por estar o apertando com minhas pernas daquela forma.
Então ele começou a dar um beijo grego no homem com vontade, olhando dentro dos meus olhos, me deixando cada vez mais excitado com sua intensidade. Sentia os gemidos do homem me invadindo, como se pudesse sentir a língua de fazendo aquilo comigo. Eu estava fodidamente arrepiado. Meus batimentos estavam mais fortes, causando mais calor em meu corpo.
O rosto dele subia e descia em movimentos precisos, até que se afundou mais entre as nádegas, arrancando gemidos mais fortes do homem, que se retorcia de prazer na cama. Minha calça ficou ainda mais apertada com aquilo.
Céus, estava uma delícia. E eu estava quase deixando meus dedos invadirem minhas roupas e me tocarem, mas não ia fazer isso, não agora pelo menos, precisava de mais. Eu tinha que chegar ao meu limite para fazer tal coisa.
— Eu vou gozar, Badlands — o homem avisou, gemendo alto e jogando a cabeça para trás, pegando os lençóis e os puxando com certa força. — Badlands! — arfou mais alto.
não parava, continuava beijando aquela região com ferocidade, ao passo que começou a fodê-lo com o dedo, enquanto me olhava. Minha respiração até mesmo falhou e eu quase gemi fraco com aquilo.
Não para.
Pedi com o olhar. Sentia como eu estava ficando mais duro com aquela cena na minha frente e eu mesmo estava começando a chegar perto do precipício.
O homem arqueou sua coluna em prazer, gemendo forte, antes de seu corpo cair sobre o colchão, tomando fôlego por ter se desfeito sobre os lençóis de seda, gozando lindamente.
Mordi meus lábios com força, os soltando e fazendo um bico. Respirei agora como se tivesse acabado de submergir de um mergulho profundo. Lambi meus lábios, sentindo minha boca muito seca. Eu precisava beber algo. Sentia até que estava ligeiramente tonto.
Levantei daquele divã, percebendo que tinha sido um erro quando senti que minhas pernas estavam trêmulas por causa da pressão que fiz nelas antes. Então parei por um instante, segurando no braço do estofado, fechando meus olhos rapidamente e os abrindo, sabendo que agora precisava dar uns passos mais firmes. Foi isso que fiz em seguida, indo até um balde que tinha champanhe. Segurei o pescoço da garrafa, a puxando para fora do gelo com certa força, sentindo como até minhas mãos estavam trêmulas. Tive que colocar a garrafa dentro do balde de volta para que não caísse e quebrasse. Aquele desgraçado tinha me fodido, e embora uma parte minha tenha adorado, outra odiou, porque tinha sido… intenso.
Tirei o rótulo de alumínio de sua tampa rapidamente e tentei puxar o arame que a envolvia, mas meus dedos escaparam.
— Precisa de ajuda? — a voz rouca e extremamente sexy de soou em meu ouvido.
Fiquei arrepiado. Maldito.
Seu corpo encostou no meu, me fazendo sentir sua ereção bem dura contra a minha bunda. Travei o maxilar, segurando o ar com força em meus pulmões. Joguei meu corpo para frente e apoiei minhas duas mãos sobre a mesa, me afastando dele mesmo que agora tivesse perdido todo o espaço que tinha antes, ficando preso contra a mesa. Não era bom ter um gângster atrás de mim daquele jeito, aquilo podia acabar de um jeito terrível.
— Não me encosta, por favor — pedi, em voz baixa.
Tentei ser educado com ele, sabendo que qualquer palavra errada daquele momento podia dar muito errado.
— Algum problema nisso? — perguntou, mas também não me encostou como antes.
— Eu não gosto que me toquem, só isso — avisei.
Abaixei um pouco a cabeça, tentando não imaginar aquele homem atrás de mim com aquele pau extremamente duro.
— Não é nada pessoal — garanti.
— Aconteceu algo para isso? — Quis saber.
Ele se afastou agora e veio para o meu lado, pegando o champanhe e o abrindo com agilidade e brutalidade.
— Gosto de ter controle do que acontece com meu corpo — respondi, dando um sorrisinho fechado.
Então peguei a taça e a ergui para que pudesse me servir.
— De parar na hora que eu quiser — completei.
Meu olhar subiu até encontrar o dele, porém desviei em seguida, olhando para a taça que estava em minha mão, enquanto a enchia lentamente para não gerar muita espuma.
— Obrigado.
Dei um gole generoso e peguei a garrafa depois que se serviu.
— Não pararam na hora que você quis?
Sua pergunta me fez apenas virar e sair andando. Sentei novamente no divã.
— Você já acabou?
Mudei de assunto, olhando para o homem deitado na cama, se recuperando.
riu fraco, atraindo atenção dos meus olhos. Apenas bebi mais um pouco do meu champanhe, esperando pelo restante do show. Seus olhos estavam em mim e tinham um jeito meticuloso, como se estivesse olhando cada detalhe meu, ou pensando no que tínhamos acabado de conversar, tentando descobrir o que tinha por trás das minhas palavras. Aquilo poderia incomodar muita gente, mas não me incomodou. Gostei como fazia aquilo, era como se estivesse me decorando e desvendando. Ele não iria conseguir descobrir nada mesmo. Apenas deixei que ficasse me olhando. Se era aquilo que desejava fazer, pois era tudo que conseguiria de mim, só me olhar e nada mais. Não era nada pessoal, eu fazia isso com todos, ninguém conseguia se aproximar de mim, pois não permitia tal coisa ser feita.
Eu era o Rei intocável.
Era como Ozzy me chamava. Ele gostava de usar isso para fingir que tinha domínio sobre mim, como se fosse por causa dele que eu não deixava as pessoas me tocarem, usando um papel com nossos nomes assinados para se vangloriar que eu era seu. Eu não era dele e nem de ninguém. Às vezes nem eu mesmo era dono de mim, quem dirá uma pessoa. Porém Ozzy sabia disso lá no fundo, mas por vezes fazia questão de esquecer, e eu não me importava também, afinal, era ótimo para os negócios. O problema do ser humano é o fato dele sempre querer ser proprietário de algo, a sensação do poder os deixa excitados, e quando você tira isso de suas mãos... A coisa toda muda de figura.
As pessoas são capazes de tudo para ter poder sobre as coisas, e podia ver claramente nos olhos do Badlands que ele não era diferente; nem eu era para ser totalmente franco. Afinal, quem não gosta de poder, nem que seja o menor deles? Nem que seja o simples poder de escolher o que deseja tomar ou o que comer. Qualquer coisa. Fazíamos isso o tempo inteiro sem nos dar conta. Prive uma pessoa e ela te mostrará quem é, ou dê poder a ela que você poderá ver sua verdadeira face. No caso, já tinha o poder, e agora eu estava vendo o que ele era capaz de fazer se eu tirasse isso de suas mãos.
Vamos, me surpreenda, Badlands.
Era o que meus olhos falavam para ele.
Segui seus movimentos, o vendo pegar uma enorme taça lotada de diferentes tipos de camisinhas. Ele veio caminhando lentamente em minha direção, com sua ereção fortemente marcada em sua calça justa bem na altura do meu rosto. parou na minha frente. Me permiti descer meu olhar por seu corpo, vendo com mais detalhes as suas cicatrizes, suas curvas, seu belo corpo definido e forte. Ele sabia que era gostoso e abusava disso.
Encarei a taça estendida na minha frente. Ele queria que eu escolhesse qual deveria usar.
Estava achando que me deixar no controle o faria tê-lo de volta? Ou estaria apenas me provocando? Talvez os dois, não dava para saber quando não o conhecia direito, mas ele não me pareceu ser gentil, não parecia ser de seu feitio, muito menos submisso.
De qualquer forma, eu precisava escolher qual camisinha iria usar para poder me divertir.
Peguei uma de morango e a ergui para ele.
— Pega mais.
Sua voz baixa e rouca me fez erguer meus olhos para encarar os seus tons intensos.
— Pretende foder ele quantas vezes essa noite? — perguntei para saber quantas eu deveria escolher.
Aquilo o fez sorrir de lado, safado.
— Quantas vezes você quiser.
Sua resposta quase me fez unir as sobrancelhas, mas me mantive, e enfiei a mão no pote, pegando várias.
— Que guloso — comentou, rindo fraco.
Acabei soltando uma pequena risada.
Então soltei elas de volta na taça e apenas comecei a passar meu indicador pelos pacotinhos, escolhendo quais ele poderia usar. Peguei uma hot e outra sensível, que era mais fina. Fiz um pequeno bico, pensando em pegar mais, porém só fiquei com aquelas três na mão mesmo. Qualquer coisa escolhia mais depois. Então lhe entreguei os preservativos. pegou e os colocou no bolso da calça, enquanto se virava e colocava a taça em uma mesa ali perto. Logo em seguida, ele voltou a apanhar os pacotinhos de seu bolso, vendo quais eram, fazendo um biquinho de leve em seus lábios perfeitamente desenhados.
— Você já provou essa de morango? — perguntou, dando uns passos lentos para mais perto de mim.
— Já. É gostosinha, doce e tem um cheiro de chiclete de morango, dá vontade de chupar ainda mais — comentei, sorrindo de leve.
Meus olhos o encaravam, parado na minha frente.
— Hum, quer dar as honras?
Seu tom safado me fez rir de leve, mas não deixei de olhar para o volume que ainda marcava sua calça preta.
— Não, obrigado. Eu apenas vejo de longe mesmo — disse, apontando com o indicador para ele e depois para o homem.
— Ok.
Ele riu fraco e se afastou.
(Olhe para mim e diga que você gosta disso)
Tive a bela visão de tirando os sapatos e depois abrindo sua calça e a abaixando juntamente com a cueca. Deixou aquela bela cena à mostra para mim, seu corpo era perfeito. Cada detalhe dele parecia ter sido feito propositalmente para deixá-lo extremamente gostoso. Umedeci meus lábios, olhando sua pele extremamente mordível. Meus olhos subiram por suas costas largas, que tinham algumas pequenas cicatrizes, as quais deveriam ser deliciosas de lamber e arranhar.
No momento seguinte, peguei seus olhos me encarando por cima do seu ombro. Sorri de lado, sem esconder que estava mesmo olhando seu belo corpo escultural. Ele riu fraco daquilo, aquela risada nasalada e bem sexy que me fez morder o canto do meu lábio inferior. Não tinha como mentir, Badlands era um puta gostoso. E eu queria ver aquele outro homem igualmente delicioso sentando em com vontade, rebolando em seu pau bem gostoso, enquanto os dois gemiam bem alto para mim.
A ideia já fez minha calça ficar mais apertada.
caminhou lentamente até a cama, ainda de costas para mim, me deixando bem curioso sobre o que ele estava escondendo ali.
Seu pau era pequeno? Era isso?
Meus dentes se rasparam em meu lábio inferior bem curioso para ver o que ele tinha. jogou as camisinhas na cama e pude ver seu braço se movendo, certamente fazendo com que seu pênis ficasse totalmente duro novamente para colocar a camisinha. Pelo barulho que ouvi depois de um dos pacotinhos sendo rasgados, eu tive certeza de que era aquilo mesmo que estava fazendo antes.
Respirei fundo, ansioso para ver logo o meu show.
Senti o cheiro da camisinha de morango de longe, porque o seu aroma era realmente bem forte. Sorri por ele ter seguido o que falei sobre ela ser gostosa e dar mais vontade de chupar por causa do gosto. Bebi mais um pouco do champanhe, acabando com o resto da taça, então a coloquei de lado.
Vi subindo na cama, ainda de costas, para mim e se abaixando sobre o rosto do homem, o beijando. A mão dele rapidamente subiu para a nuca Badlands e segurou o seu cabelo ali com certa força. Logo se levantou, ficando de joelhos sobre o colchão, puxando aquele homem para cima, fazendo com que se ajoelhasse também. Hum, eu daria um nome para aquele homem para aquilo ficar mais interessante. Lambi meus lábios.
— O chame de Richard — pedi. — Mas se quiser pode ser Rich também.
Mesmo ele não respondendo, eu sabia que tinha me ouvido. O homem passou seus dedos com as unhas curtas pelas costas de , deixando sua pele vermelha e marcada, descendo até a bunda dele e a pegando com vontade. Gostei dele.
Isso mesmo, se aproveita desse corpo.
Então Rich o empurrou para que caísse de costas na cama, e a cabeça de Badlands ficou para fora do colchão, deixando seu pescoço exposto e seus olhos nos meus. Desci meu olhar para a bela escultura que era seu corpo e meus olhos se deliciaram ao ver aquele monumento, que estava vermelho por causa da camisinha, totalmente duro e exposto para mim. Ele era grande e robusto, faria um estrago em Richard.
Peguei a garrafa de champanhe e bebi no gargalo mesmo, sem paciência para colocar na taça, enquanto olhava o homem beijando e lambendo o pescoço do Badlands. Ele desceu pelo seu peito e barriga muito bem desenhada. Vi sua língua passar por trás de seu pau de , indo de baixo para cima, até colocar a cabeça dele em sua boca e descer de novo, o engolindo por inteiro.
Ergui levemente meu rosto, puxando o ar, olhando aquela cena que já fez minhas coxas esquentarem e o tesão voltar.
soltou o ar em forma de um gemido baixo. Meus olhos desceram para os seus, que me olhavam fixamente. Aquele tom feroz extremamente intenso que estava me roubando o ar.
Que merda de homem fodidamente gostoso.
Suas belas mãos subiram para seu peito, o apertando e depois descendo por sua barriga e indo até o cabelo curto de Richard, o segurando e impulsionando seu quadril de leve contra a boca do rapaz, a fodendo.
Por que até as mãos dele tinham que ser bonitas? Se foder, viu.
O seu gemido rouco e baixo chamou minha atenção novamente para seus olhos, me fazendo ficar mais excitado. Era como se ele me chamasse para ficar olhando apenas para aqueles olhos enquanto me engolia com eles.
Soltei o ar por entre meus lábios, vendo suas pernas se abrindo e as dobrando para cima e seu quadril indo de novo, fodendo deliciosamente a boca de Rich. Porra, desgraçado gostoso. Suas coxas eram deliciosas também. Teria alguma coisa nele que não seria bonito?
Aquilo me fez suspirar.
— Geme para mim — sussurrei, voltando a olhar em seus olhos.
— Eu poderia gemer mais se fosse você me chupando, mas eu posso imaginar isso. — Sorriu de lado de forma maliciosa. — Mesmo que não seja a mesma coi…
Aquilo pareceu incomodar Richard, já que ele o chupou com mais vontade agora, arrancando de um pequeno gemido, e depois ele sorriu safado. Apenas estreitei meus olhos em sua direção. Aquele joguinho não iria funcionar comigo. Badlands achava mesmo que iria me convencer a me juntar a eles só por me fazer achar que seu prazer seria maior se fosse eu no lugar daquele homem? Ele estava muito enganado quanto a isso. Se um dia achasse que iria transar comigo, com toda certeza não seria nessa vida, ou então teria que ser muito mais convincente que aquilo. Não era daquele jeito que a banda tocava.
Rich pegou de jeito, porque agora ele estava mesmo gemendo e sentindo a boca do rapaz em seu pau. As caras de prazer que fazia eram deliciosas e a forma como me olhava me fazia apertar mais as minhas coxas, sentindo como estava queimava no meio delas, meu pau duro e latejando.
Badlands fechou os olhos e jogou sua cabeça mais para trás, arqueando um pouco a sua coluna enquanto gemia e segurava o cabelo do homem, fodendo a sua boca mais rápido agora. Minha respiração estava ficando pesada e minha boca seca. Meu pau pulsava como se eu fosse mesmo gozar por causa do que via.
Os gemidos dele eram muito gostosos, puta merda!
Aquela voz dele saindo levemente rouca estava acabando comigo. Aquele homem já podia ser interditado, porque… Nossa! Minhas unhas cravam no estofado vendo a veia de seu pescoço saltando quando gemeu mais alto. Senti vontade de lamber. Seus olhos se abriram, me pegando de jeito, fazendo meu corpo queimar de dentro para fora. Podia sentir minha roupa colada contra minha pele que fervia.
— . — Meu nome saiu por seus lábios pela primeira vez e foi em forma de um gemido baixo e sôfrego, fazendo meu pau pulsar com mais vontade. — Eu vou gozar para você.
Caralho.
Sua voz rouca me rasgou por inteiro, e minha calça ficou ainda mais apertada. Engoli em seco, olhando para o homem que o chupava ferozmente.
— Olha para mim — mandou.
Meus olhos se voltaram rapidamente para ele, vendo o tanto de prazer que estava transbordando por eles. Minha boca e lábios estavam secos e eu até queria pegar a champanhe, mas não conseguia me mover, era como se eu estivesse preso naquele divã.
Desgraçado!
Então gemeu mais alto, contraindo seu abdômen e afundando seu quadril no colchão, fechando seus olhos e soltando o ar que parecia ter ficado preso em seu peito, que agora descia e subia rapidamente.
Abri meus lábios minimamente, quase gemendo quando senti aquela onda de prazer absurda me tomando. Fechei meus olhos, sentindo meu corpo tremendo. Meu pau ainda pulsava, mas melado agora. Droga. Filho da puta gostoso. Tinha me feito gozar só com ele sendo chupado, sem que eu me tocasse. Minha respiração estava pesada e meu corpo quente e suado. Minha mente estava travada com a sensação que eu sentia naquele momento.
Passei a mão em meu pescoço e desci pela minha clavícula, indo até o ombro, e o apertei, sentindo como a musculatura estava rígida por eu ter me segurado inteiro contra aquele estofado. Soltei o ar, que saiu trêmulo como todo o resto do meu corpo. Abri meus olhos, vendo que Badlands me olhava de um jeito diferente agora. Ignorei aquilo e o arrepio que correu em minha espinha por conta daquela merda. Peguei a garrafa de champanhe, bebendo uns bons goles dela, sentindo o líquido gelado até mesmo doer, descendo pela minha garganta, que estava apertada, assim como minhas coxas uma contra a outra.
Desci a garrafa e a coloquei de lado.
Eu queria levantar para esticar as pernas, mas achei que não iria conseguir me colocar de pé naquele momento, então apenas as desdobrei e estiquei minhas pernas, deixando as costas dos meus saltos curtos tocarem no chão, relaxando um pouco. Ouvi o riso fraco de , e o olhei com a cara fechada. Ele sabia o que tinha me causado, e não tinha graça nenhuma. Maldito sabia do poder que tinha, e que eu tinha perdido o meu.
Encarei Rich agora, e ele tinha um sorriso de vitória por ter feito o Badlands gemer bem gostoso e ainda mais gozar daquele jeito. Sorri para ele de volta pelo trabalho bem feito. Nisso, o homem se levantou e foi até o balde de champanhe, abrindo o outro que tinha ali dentro e colocando um pouco na taça, tomando um gole. Depois caminhou em minha direção e estendeu a garrafa. Peguei a taça, deixando que me servisse. O rapaz se inclinou na minha direção, deixando seu rosto próximo ao meu, e eu pude sentir o cheiro de morango vindo de seus lábios. Ele sorriu olhando dentro dos meus olhos.
— Me dá um beijo? — pediu simplesmente.
Aquilo me fez rir de forma nasalada, sabendo o que queria fazer. Eu gostei da ideia de provocar com Rich.
— Senta — falei, indicando com a cabeça para ele se sentar ao meu lado.
O homem colocou a garrafa do lado da minha. Dei um belo gole no champanhe que me serviu, sentindo que estava mais gelado e gostoso. Então deixei a taça de lado junto às garrafas e me virei, olhando para o rapaz nu, sentado ali, encarando , e eu fiz o mesmo. Ele nos olhava com atenção, querendo entender o que estava acontecendo. Sorri de lado para o homem e me ajeitei no divã, sentando sobre minhas pernas dobradas e com o indicador puxei o rosto de Rich pelo queixo para se virar em direção ao meu. Umedeci meus lábios e passei a língua pelos dele, sentindo o gosto bom que estava ali. Olhei em seus olhos e juntei nossos lábios vagarosamente, deixando as minhas pálpebras abaixarem lentamente enquanto minha língua tocava a sua em um beijo totalmente sem pressa com aquele gosto bom de morango.
Minha mão contornou o maxilar do rapaz até descer para seu pescoço e ir até sua nuca, a apertando de leve e o puxando para mim. Fui deitando meu corpo para trás e puxando Richard comigo, que já vinha se virando e se encaixando entre as minhas pernas, as quais abri para ele se colocar ali. Senti sua mão vindo até o meu pau e o apertando, sentindo certamente que o tecido da minha calça estava molhado, riu de leve.
— Nossa… — sussurrou entre o beijo.
Ri fraco. Ele então rompeu o beijo e levou seus lábios até meu ouvido.
— Não o deixe saber que você está assim, ou vai se achar até a décima geração dele.
Aquilo me fez rir um pouco mais.
Ouvimos Badlands limpar a garganta.
— Sim — falei, virando meu rosto e o encarando.
Vi que não parecia muito feliz sentado na cama. Tinha funcionado a provocação.
— Até onde eu saiba era só para você ficar olhando — disse, claramente contrariado.
Lambi os meus lábios e mordi a ponta da minha língua com os incisivos, dando um sorriso travesso.
— Ops — soltei, como se tivesse feito uma travessura. — Não soube negar o pedido dele.
Fiz um biquinho. Badlands revirou os olhos e se levantou da cama, já pegando suas roupas do chão.
— Hey, onde você vai? Não acabou — declarei rapidamente.
— Para mim acabou — disse ríspido, já vestindo sua roupa de costas para mim.
Uni as sobrancelhas com aquilo, ficando levemente irritado. Richard saiu de cima de mim e eu me levantei. Pensei em falar umas besteiras para o Badlands, mas, como ele mesmo disse, as mãos do Ozzy não podiam me alcançar ali, então eu estava sem proteção nenhuma e em desvantagem em seu território.
Ok, se ele não queria mais fazer nada, não tinha mais nada para mim ali.
Arrumei minha calça e saí daquele quarto sem olhar para trás, deixando a porta aberta mesmo, porque eu não me daria ao trabalho de fechar aquela bosta. Meus saltos curtos batiam com força contra o chão de madeira do corredor e mesmo com a música alta tocando lá embaixo, eu conseguia ouvir o som das minhas passadas pesadas e largas.
Eu deveria saber que ele era um idiota e que não sabia se divertir. É esse o tipo de homem que o Badlands era, que nem todos os outros do mesmo ramo. Babaca. Só porque ele não podia me tocar, ficou puto que o homem fez aquilo. Eu entendi como as coisas funcionam para .
Senti uma mão forte segurar meu pulso quando eu já estava no meio da escada. Não pensei, foi puro reflexo, me virei com a minha mão livre fechada, socando o nariz de quem é que fosse que tinha ousado me tocar, e vi que era o próprio Lúcifer ali. Meus olhos se arregalaram. Eu tinha acabado de fazer merda e só me toquei nisso quando vi o sangue descendo por entre os dedos de Badlands enquanto seus olhos me encaravam.
Precisava sair dali… agora! Ou o meu corpo seria o próximo a ser encontrado na baía.
Desci as escadas apressado, já olhando para os lados e vendo no bar, conversando com umas meninas. Fui até ela rapidamente, esperando que ou um dos seus capangas não me pegasse no caminho.
— Vamos embora, agora! — falei com , já segurando sua mão.
— Meus Deus, o que você fez? — perguntou assustada quando me viu ali antes da hora.
— Merda — respondi simplesmente.
Saí, puxando minha amiga e peguei o casaco que estava sobre o braço do sofá quando passamos por ele e o vesti, colocando o capuz e olhando para trás. Não avistei ninguém, mas provavelmente estavam me caçando agora.
Ozzy iria querer me enforcar quando soubesse o que arrumei naquela festa.
Corremos para o lado de fora da casa. Andamos de mãos dadas mais lentamente agora, tentando não atrair os olhares, e eu encostei minha cabeça no ombro dela, como se fosse um amigo embriagado sendo levado embora. me segurou pela cintura, me ajudando na encenação toda. Era por isso que aquela garota era minha amiga, ela me entendia sem precisar falar nada.
Saímos do lugar e já avistamos Javier do outro lado da calçada, no carro, fumando de forma despreocupada. Fomos até lá e entramos pela porta de trás.
— Vamos para casa, por favor — pedi calmamente.
O motorista me olhou pelo retrovisor, mas não falou nada.
— O que você fez, ? — ousou perguntar mais uma vez.
— Depois falamos sobre isso — declarei.
Ela concordou com a cabeça. Depois de alguns minutos, chegamos em casa e minha amiga foi direto para o quarto de hóspedes. Eu segui para o escritório, onde sabia que Oswald estava me esperando. Joguei aquele casaco no chão ao lado da porta antes de entrar, e passei a mão em meu cabelo, o jogando para trás, então entrei. Os olhos azuis do velho viraram em minha direção e ele me olhou por inteiro, com suas mãos repousando sobre sua barriga.
— Conseguiu o que queríamos? — Foi a primeira coisa que me perguntou.
— Preciso de mais tempo — contei, dando de ombros, fazendo uma careta.
Ozzy uniu as sobrancelhas.
— Soquei o nariz dele sem querer. Não sabia que era ele.
— — soltou, em tom de repreensão. — Já disse para parar com esse comportamento agressivo, isso nunca te leva a nada!
Abaixei minha cabeça com aquilo, suspirando, sabendo que não estava errado. Eu estava frustrado com a situação toda.
— Olha para mim — pediu.
O encarei.
— Você quebrou o nariz dele?
— Não sei — suspirei. — Não fiquei lá para ver o estrago. Eu saí correndo, a estava comigo e só tinha o Javier lá comigo. Não tinha como fazer muita coisa.
Ozzy concordou com a cabeça.
— Precisamos dar um jeito nessa bagunça e conseguir o que queremos.
— Vou conseguir — prometi, sentindo meus olhos brilhando. — Só preciso de tempo.
— Tome um banho e troque de roupa. Vamos comer algo — convidou.
Suspirei e concordei com a cabeça.
(Lobos estão chegando) You are yet another wolf who eats his kids for breakfast
(Você é outro lobo que come seus filhos no café da manhã)
Oswald segurou minha mão, dando um sorriso, e me puxou para perto dele, passando seus dedos pela lateral de minha cintura como se me abraçasse. Forcei o meu mais belo sorriso, esperando que estivesse sendo o suficiente para enganar quem é que fosse ver naquelas malditas fotos. Homem de negócios com seu belo marido. Aquilo sempre me dava vontade de vomitar.
Enfim, eterna hipocrisia. Foda-se também.
Segurei os dedos dele, os tirei disfarçadamente de minha cintura e os entrelacei com os meus. Ozzy me olhou, dando um pequeno sorriso, ele sabia muito bem que odiava que me tocassem sem a minha permissão, mas ainda assim gostava de fazer umas gracinhas às vezes na frente dos outros, só porque eu não podia reclamar com isso. Abusado.
Estávamos chegando a um evento de uma exposição de artes, muita gente rica e famosa estava ali, tinha paparazzi por todos os lados, pessoas querendo se aproximar, curiosos e fãs se algum famoso que estava ali ou iria comparecer. Eu estava no meio do caos.
Algo atraiu minha atenção naquele meio de flashes.
Outro carro parando, um que eu conhecia. Badlands. O que ele estava fazendo ali? Quase perguntei aquilo em voz alta para meu marido, mas me mantive calado, apenas vendo um segurança abrindo a porta do Maserati preto e dourado. saiu do lado do motorista, com uma roupa social extremamente linda, em vinho, com uns desenhos em um tom mais escuro que não consegui identificar o que era de tão longe. Ele fechou seu blazer com seus belos dedos cheios de anéis e passou a mão em seu cabelo, que estava perfeitamente penteado para trás. Maldito homem que parecia a porra de um Deus Grego. Queria chutar a sua cara para ver se ficava um pouco feio e facilitava as coisas, mas aposto que ficaria sexy se tivesse uma cicatriz em seu belo rosto.
Não, nada disso. Péssima ideia.
Reparei que seu nariz não estava machucado com o soco que eu havia dado, mas também já tinha passado tempo para se curar, tinha mais de quinze dias desde nosso primeiro encontro. Pelo menos achava que não tinha quebrado.
Então fiquei olhando a forma como andava. Era despreocupado, vagando como se não se importasse com o mundo ao seu redor, atraindo todos os olhares em sua direção, deixando que nós, reles mortais, pudéssemos vislumbrar seu pequeno sorriso. era totalmente magnético, e todo mundo podia ver isso naquele momento enquanto caminhava. Ele não precisava chamar atenção, ela vinha naturalmente em sua direção, como se ele estivesse reluzindo um ouro puro. Seu olhar intenso tocando tudo ao seu redor, de maneira tão natural que chegava a ser torturante algo do tipo ser tão lindo de se admirar.
Aquele simples ato que me mostrou a forma que ele me aprisionou naquela noite, e agora era como se meus olhos não conseguissem escapar dele nem por um momento. Ele me atraía de uma forma sombria mesmo que isso não devesse acontecer, porque eu simplesmente não podia me dar àquele luxo. Eu estava entalado de merda até o pescoço para poder realmente olhar para de outra forma agora. Eu simplesmente não podia. Porém, ainda assim, eu estava ali, parado, no meio daquelas pessoas ricas e esnobes, olhando Badlands como se ele fosse a porra de um Deus. O odiei por isso e guardei aquele sentimento para poder lembrar disso todas as vezes que fosse preciso. Ainda conseguia ouvir suas palavras nitidamente em minha mente, onde declarava que não me prenderia apenas com seus olhos. Aquele maldito sabia o poder que tinha sobre as pessoas, e eu não poderia jamais demonstrar que tinha aquilo sobre mim também, ou poderia ser a minha queda.
E naquele tumulto, na entrada da galeria de artes, com um evento enorme acontecendo, seus olhos se encontraram com os meus. Meu ar congelou, veio com um arrepio forte em minha espinha. Meus tons se misturaram nos dele naquele milésimo de segundos, onde todo o som se extinguiu, e apenas o mistério e o perigo podiam ser palpáveis ali. Percebi seu maxilar travando de forma sutil. Não tinha ideia do que ele estava pensando, mas eu quis saber.
Então eu quebrei aqui e desviei o olhar. Segui para dentro do enorme prédio espelhado junto de Ozzy, querendo sair um pouco da vista daqueles fotógrafos irritantes. Odiava ser uma celebridade para eles só porque meu marido era um empresário famoso na cidade, pelo menos era isso que mostrava ser, ninguém sabia o que ele fazia por baixo dos panos.
— Por que o Badlands está aqui? — perguntei, assim que estávamos distantes de qualquer pessoa relevante que pudesse ouvir aquela conversa.
— O convidei. É bom para os negócios — disse com ironia.
Estreitei meus olhos em sua direção, com raiva daquela maldita frase.
— E não me avisou por quê? — Quis saber.
Já senti que meu rosto estava ficando na cor da minha roupa, bem vermelho.
— Pensei que tinha visto o nome dele na lista de convidados que lhe enviei.
Aquilo me fez morder a minha bochecha por dentro.
— Você nem a abriu, não é?
— Suas listas de convidados são sempre enormes, cheias de gente desnecessária. Não perdi meu tempo para olhar — rebati, virando meu rosto.
Um garçom parou ali para nos servir algum champanhe que não consegui ver o rótulo.
— Então pare de reclamar como um garotinho mimado. Você está ficando vermelho — avisou.
Meus olhos se reviraram com aquilo.
— Por que você não dá uma volta para esfriar a cabeça e fuma um daqueles seus cigarros fedorentos? Tente também se desculpar com o Badlands — provocou, porque tinha ficado putinho por eu não ter lido sua maldita lista.
— Vou mesmo. Dá licença — falei, soltando sua mão com brutalidade, a jogando praticamente contra sua perna.
Saí andando por entre os convidados, não fazendo questão de falar nenhum deles. Eram convidados de Ozzy e não meus, ele que fosse cordial com aqueles imbecis engravatados. Sabia que não gostavam de mim por causa do meu jeito, por eu não me importar com quem eram e nem quantos números tinham em suas contas, e aquilo era ótimo, porque eu não gostava deles também.
Bebi o resto do champanhe e entreguei a taça vazia para qualquer pessoa que passou por mim. Parei em uma das enormes janelas de vidro e abri meu blazer, pegando meu cigarro fedorento, como Ozzy gostava de chamar, e acendi, tragando com força e soltando a fumaça para cima, enquanto batia meu pé no chão, irritado com aquela situação. Eu deveria contornar aquilo e tentar mesmo falar com aquela noite, mas não tinha me preparado para isso e odiava profundamente ser pego de surpresa, e Oswald sabia muito bem disso. Não custava nada ter me avisado quando sabia que eu não tinha paciência para suas listas de mais de cinquenta páginas.
— Senhor, não pode fumar aqui dentro.
Um dos seguranças parou do meu lado, me olhando com aquela cara de bunda.
— Posso sim. Reclama com o Ozzy — mandei.
Coloquei o cigarro entre meus lábios e traguei com força, encarando o sujeito.
— Vou ter que pedir para se retirar.
Aquilo me fez rir da sua cara, ele não sabia quem eu era.
— Querido, acho que você ainda não entendeu. Eu sou o dono da festa, vou fumar aqui dentro e onde mais eu quiser.
Expliquei bem pausadamente para ver se ele conseguia entender a situação.
— Desculpe, senhor. Eu não sabia — lamentou.
Rolei meus olhos sem paciência.
— Ok, tanto faz.
Gesticulei com a mão para sair dali logo, porque eu estava ficando mais irritado ainda.
O homem apenas assentiu com a cabeça e se retirou. Então me encostei na janela e fiquei ali fumando e olhando os convidados, alguns até torciam o nariz para mim, e a minha vontade era de dar o dedo do meio para eles com um belo sorrisinho em meus lábios. Cuzões. Ainda me perguntava o motivo de estar fazendo parte daquilo tudo, mas logo em seguida eu me lembrava que era bom para os negócios.
Badlands parou perto de um dos quadros que tinha uma enorme placa de acrílico o sustentando e ficou me olhando através dele. Aquilo me fez querer rir. Porém, seus olhos magnéticos e intensos nos meus, me fizeram respirar fundo, puxando um pouco mais de ar. Inalei mais fumaça e a soltei pelo nariz sem desviar meu olhar dele. Sim, sabia que deveria ir falar com ele, mas agora estava fumando, me matando lentamente, enquanto o olhava e às vezes deixava meus olhos descerem por aquele homem inteirinho. Desgraçado delicioso.
Lambi meus lábios depois que traguei meu cigarro pela última vez e joguei a guimba dentro de um copo vazio que tinha ali perto, em uma mesa alta. Soltei a fumaça para cima e comecei a caminhar por entre as pessoas, indo em direção ao , mas um sujeito parou ao lado dele e eles começaram a conversar. Droga. Seus olhos me encararam de relance, e apenas desviei meu caminho, indo até o bar e pedindo um coquetel de frutas vermelhas. Fiquei ali esperando minha bebida, até que vi a presença de Badlands ao meu lado, mas ele não me olhou.
— Bourbon sem gelo — pediu ao outro barman que lhe atendeu.
— Você realmente gosta de coisas fortes — falei, atraindo sua atenção.
— Desculpa, te conheço? — Sua pergunta ridiculamente infantil me fez morder minha bochecha por dentro.
— Não. — Sorri sem mostrar meus dentes para ele. — Apenas te confundi com outro babaca — completei, pegando meu coquetel que foi servido e saí dali.
Passei por entre as pessoas tomando minha bebida com vontade pelo canudinho de papel colorido e parei ao lado de Ozzy. Ele me encarou e torceu o nariz, certamente por sentir o cheiro de cigarro vindo de mim. Rolei meus olhos, entediado.
— Badlands não quer falar comigo — anunciei, antes que me pedisse para fazer aquilo de novo. — Não tem como me desculpar com quem não quer desculpas.
— O que ele te disse? — Quis saber, me olhando com atenção.
Apenas bebi meu coquetel, fazendo um barulhinho irritante com o canudo.
— Pare de sugar essa porcaria como se fosse leite.
Ergui uma sobrancelha.
— Mas é leite com vodka — rebati, rindo um pouco.
Oswald respirou fundo, tentando ter paciência, e prendeu os lábios em uma linha reta, me encarando.
— Ele fingiu que não me conhece, só isso.
— Então se apresente novamente — disse, como se fosse simples.
Suspirei de forma cansada.
— Vamos lá falar com ele. — Segurou minha mão.
— Pare de me tratar como criança, Ozzy. Isso me irrita — declarei, voltando a beber meu coquetel.
— Muitas coisas te irritam. Mais uma não fará diferença.
Ele literalmente estava me puxando pela mão, enquanto eu dava passos de má vontade ao seu lado, rolando os olhos, em um puro tédio. Paramos ao lado de , que parecia admirar uma das esculturas à sua frente, a minha favorita. Um homem nu que parecia estar saindo de dentro da parede. A prisão de corpos humanos, de Matteo Pugliese. Era lindo.
Badlands virou para nós, seus olhos ficaram exclusivamente em Oswald como se eu nem ao menos existisse. Poderia jogar minha bebida em sua cara naquele momento? Poderia, mas isso daria mais merda ainda. Então apenas fiquei tomando meu coquetel, fazendo um barulho irritante com o canudo de propósito.
— Olá, Badlands. — Ozzy lhe estendeu a mão.
O homem a pegou, dando um aperto firme.
— Olá, Ozzy — Badlands cumprimentou de volta.
— Quero lhe apresentar meu marido.
Fiz uma careta com aquelas palavras sendo ditas e com a mão do velho me pegando pela cintura, quase me empurrando na frente dele.
— Esse é .
Apenas bebi o resto do meu coquetel, fazendo aquele barulhinho irritante ainda mais alto no fundo do copo, então Ozzy o tirou da minha mão com certa brutalidade. Eu ri fraco da sua atitude. Velho ranzinza.
— Prazer em conhecê-lo, .
estendeu a mão em minha direção bem cínico, dava para ver em seus olhos que parecia se divertir com aquilo.
— Oi — respondi seco, olhando para sua mão e não a pegando.
Ele recolheu a mão em seguida. Senti Oswald me apertando por causa daquele meu comportamento e dei a mínima para aquilo. Odiava que ele tivesse passado por cima de mim para se aproximar de Badlands. Eu tinha dito que precisava de mais tempo e que iria fazer as coisas do meu jeito, mas não! Ozzy tinha que se meter.
— Bela exposição, Ozzy. Gostei bastante dessa escultura, estou pensando em levá-la para colocar em minha sala — elogiou, quebrando o clima que tinha se formado ali.
— Fico contente que esteja gostando. quem escolheu todas as peças dessa noite. Ele tem um ótimo gosto para arte. Inclusive essa foi uma das suas favoritas. — O velho começou a socializar como se eu não estivesse ali.
me olhou agora nos olhos.
— Realmente, você tem um excelente gosto. A peça é deslumbrante — disse, me encarando daquele jeito intenso dele.
Fiquei arrepiado.
— Você já falou com um dos agentes? — Ozzy perguntou.
— Ainda não falei com nenhum deles — declarou, seu olhar voltou para o meu marido.
— Se quiser, posso te mostrar outras bem interessantes também — soltei em um tom de provocação.
Atrai o olhar dos dois, mas antes que me respondesse, meu celular tocou.
— Licença. — Dei um sorrisinho sem sal.
Peguei o iPhone em meu bolso, já dando as costas e saindo dali. O nome de Lana estava na tela. Uni as sobrancelhas por conta daquilo, a mulher não costumava me ligar, só mandava mensagens quando era extremamente necessário, o que queria dizer que deveria ter algo de muito errado acontecendo.
— Alô. — Atendi logo.
— Guns, desculpa estar incomodando, mas um dos meninos sumiu.
Aquilo me fez parar de andar no mesmo instante.
— Como assim sumiu, Lana? — perguntei, tentando entender aquilo.
— Ele saiu ontem para um programa e não voltou. Os rapazes da esquina falaram que a placa era de Boston.
Aquela informação me fez travar o maxilar com força.
— Não posso pedir para eles irem lá.
É, eu sabia disso, era outro território, porém agora entendia o motivo de estar me ligando.
— Me manda a foto da placa — pedi.
O meu pessoal sempre tirava foto dos carros quando alguém saíam com os clientes, era algo que pedi para fazerem desde o começo, além de servir para a segurança, elas me rendiam alguns trunfos.
— Quem foi que sumiu?
— O Keshi.
Apenas balancei a cabeça, mesmo que não pudesse ver. Eu sabia quem era o garoto.
— Ok, vou trazer ele de volta — avisei e encerrei a ligação.
Logo recebi a mensagem com a foto e olhei a hora que foi tirada. Já a mandei para o meu contato, pedindo para rastrear para onde o carro tinha ido e lhe passando alguns detalhes adicionais. Guardei o celular de volta no bolso e voltei para Ozzy que continuava conversando com Badlands. Toquei de leve no ombro do velho e levei meus lábios até seu ouvido.
— Preciso resolver alguns assuntos, não sei que horas vou voltar — declarei apenas para que ele me ouvisse.
Oswald me olhou.
— Tudo bem. — Só falou isso, lendo em meus olhos que tinha dado merda com um dos meus garotos.
— Tchau. — Acenei para , que balançou a cabeça.
— Foi um prazer lhe conhecer — disse de um jeito falso.
Eu sorri para ele da mesma forma.
Então saí dali apressado, seguindo para o lado de fora, já mandando mensagem para o Javier trazer o carro para a frente do prédio, pois eu precisava ir para casa. Bufei irritado com aquela bosta toda. Se tinha uma coisa que eu odiava que fizessem era mexer com meus garotos. Toque na minha mercadoria, mas não nos meus meninos! Bando de babacas que não sabiam desfrutar das coisas de forma educada, tinham que achar que eram seus e fazerem o que tivessem vontade. Imbecis de merda mesmo.
Assim que saí, Javier já estava na porta, os flashes voltaram a bater, e eu grunhi de raiva com aquilo, querendo varar minha mão naquelas câmeras infernais. Entrei pela porta de trás, me jogando no banco e puxando meu terno com força, batendo a porta igualmente. O motorista não falou nada, apenas seguiu para casa, enquanto eu fumava um cigarro atrás do outro, impaciente para chegarmos logo, enquanto pensava nas coisas. Em Badlands principalmente. Porra, ele era um babaca! Eu não deveria nem estar me preocupando com nada! Mas seu desprezo tinha me incomodado além da conta e a vontade que sentia era de enfiar meu punho fechado dentro da sua boca.
Bufei, revirando meus olhos com aquele pensamento.
(Não minta, você tem me estudado (é))
With those eyes, you're a hundred degrees, uh
(Com esses olhos, você tá a cem graus, uh)
O carro parou e eu saí dele em um pulo, já abrindo a porta de casa com força, fazendo com que batesse na parede e causasse um estrondo. A governanta apareceu assustada, me olhando sem entender o que estava acontecendo, mas não falou nada, apenas foi lá e fechou a porta delicadamente.
Subi para meu quarto e arranquei aquele blazer, jogando as minhas coisas em cima da minha cama e segui para meu closet. Peguei apenas uma calça jeans preta e uma camiseta da mesma cor, me trocando rapidamente, e calcei um par de coturnos, dobrando a barra da calça, deixando um pedaço da minha canela à mostra. Coloquei um par de luvas de um couro bem fino, não queria sujar minhas unhas, porque sangue era uma merda de tirar dos cantinhos.
Abri uma gaveta e apertei um botão que tinha no fundo da de cima, fazendo uma porta se abrir no fundo do armário. Empurrei meus casacos e entrei ali. A sala se acendeu quando pisei nela por conta do sensor de movimento. Era o lugar onde eu guardava meus brinquedinhos.
Parei na frente de um mostruário repleto de pistolas de todas as cores e tipos. Peguei uma cromada toda desenhada com arabescos, coloquei sobre a mesa de centro e abri a gaveta ali embaixo, pegando alguns cartuchos recarregados dela. Virei agora para outra mesa que tinha ali com o tampo de vidro, olhando as facas que tinham embaixo, apanhei duas karambit totalmente pretas. As coloquei junto às outras coisas e fui pegar os coldres para as armas. Os prendi em minhas pernas e cintura, mas parei, olhando os de ombro. Ponderei com a cabeça e o coloquei, pegando duas glocks e as prendendo ali. Vai saber como seria minha noite, e estar armado nunca é demais. Coloquei as karambit em minhas coxas, uma de cada lado, e a taurus em minha cintura. E, por fim, peguei também dois socos ingleses, os guardando nos bolsos, eu não ia machucar a minha mão batendo na cara de gente bosta.
Prendi meu cabelo em um coque bem alto e senti uns fios ficarem soltos na nuca por ele estar curto. Foda-se. Deixei meus dedos passarem pelo meu pescoço e encarei meu reflexo no espelho que tinha dentro da sala, vendo como eu estava. Perfeito, eu diria. Pronto para fazer um babaca implorar pela própria vida.
Virei e saí, fechando a porta quando passei por ela. Peguei meu celular e cigarro sobre a cama, e vi que tinha uma mensagem do meu contato, me passando o endereço de onde o carro estava e por onde tinha passado nas últimas vinte e quatro horas.
Ótimo.
Desci para o galpão onde ficavam os carros. Eu poderia ir com meu Bugatti, porém se o arranhassem, eu ficaria com um ódio eterno. Então caminhei apressado até meu Mustang 68 SS preto. Entrei nele e abaixei o quebra-sol, fazendo a chave cair em cima das minhas coxas. A enfiei na ignição e dei partida, saindo lentamente da vaga e seguindo até o portão, que se abriu quando apertei o botão do controle no chaveiro.
Segui para Boston o mais rápido que consegui, parando no motel safado onde o cara tinha estado. Desci do Mustang com o cigarro entre os lábios e segui até a recepção, empurrando a porta, que logo tocou um sininho, me denunciando. Não tinha ninguém. Puxei o livro de registro, vendo o nome de Keshi ali e a hora de entrada. Um garoto apareceu, me olhando por inteiro.
— Posso ajudar? — perguntou, torcendo o nariz por causa da fumaça do meu cigarro.
— Uhum — falei, tirando o rolinho branco de meus lábios, e virei o livro para ele. — Qual quarto que ele estava? — Apontei para o nome do garoto.
— Não podemos dar informações dos hóspedes.
Aquilo me fez rolar os olhos, e eu quase soltei uma risada.
— Cara, eu não estou pedindo — disse simplesmente. — Ele trabalha para mim, é um dos meus garotos e está desaparecido desde ontem. Você fala qual é o quarto que ele esteve, ou vou arrombar todas as portas desse motel. Acho que não vai querer que eu troque tiros com a polícia, a qual tenho certeza de que vão chamar. Então, me fala logo qual é a porra do quarto. — Sorri amigavelmente para ele, que já se sentou ao computador, enquanto traguei meu cigarro com força.
— Quarto 29. Final do corredor do segundo andar. Ainda não deram check-out, e não foi feita limpeza no quarto, por estar com a placa de não perturbe — avisou, e apenas me virei e saí andando, puxando a porta com força.
Joguei a guimba do meu cigarro na poça de água que tinha ali e segui até o quarto 29, já sacando a minha taurus, a destravando e engatilhando caso precisasse atirar logo. Parei na frente da porta e bati, encostando minha cabeça de lado dela para ver se conseguia ouvir alguma coisa lá dentro, e tudo que escutei foi música tocando, nada além disso.
— Keshi, sou eu. Abre a porta — pedi, e nada. — Keshi — chamei de novo e fui olhar pela janela, mas lá dentro estava escuro e a cortina estava fechada.
Então voltei para a porta e girei a maçaneta, estava aberta. Empurrei ela lentamente para que abrisse, e não consegui ver nada ali dentro. Acendi a luz, vendo o cômodo todo bagunçado, tipo, muito mesmo. Até o abajur estava jogado no chão, mas não tinha ninguém ali dentro. Respirei fundo e caminhei por ali, me abaixei e olhei embaixo da cama, achando um par de saltos ali, sabendo que deveria ser de Keshi, era o tipo que ele gostava.
Levantei e fui até o banheiro, ligando a luz. A cortina do box estava fechada.
Não esteja morto, Keshi.
Pedi umas cinco vezes mentalmente, e fui em passos lentos até lá, puxando logo a cortina quando meus dedos a alcançaram.
Vazio.
Suspirei aliviado. Sai dali, olhando no armário também. Vazio. Menos mal, ainda tinha chance de o garoto estar vivo.
Me mandei daquele motel e fui para o outro endereço que o meu contato tinha me enviado, estacionando na frente de um enorme portão, e ao fundo era um galpão. Bufei com aquilo. Aquela porra deveria pertencer a Ramsey. Ela comandava tudo naquela região. A questão ali era se ela sabia o que estava acontecendo ou não. Poderia entrar de forma amigável e perguntar, mas o tanto que odiava aquela mulher não cabia em mim tinha hora. E não duvidava nada que também pudesse ser uma provocação, aquela peste amava me arrancar a porra do juízo.
Dane-se essa porra. Manobrei o carro, o deixando mais escondido.
Sabia que entrar ali sem permissão poderia acarretar uma guerra entre nós, mas não era como se aquilo já não existisse. Então fui até a mala do carro e peguei o pé de cabra que tinha ali dentro.
Segui até o portão e arrebentei a fechadura dele, o abrindo. Entrei no lugar e corri em passos silenciosos até o galpão, indo para a parte de trás dele, e abri a porta que tinha ali com o pé de cabra. Segui em passos lentos, agora ouvindo umas conversas paralelas.
Avistei um sujeito parado bem perto, então só bati com o pé de cabra na lateral de sua cabeça com toda a minha força, fazendo com que caísse do chão já morto, ou apenas desmaiado, tanto faz. Passei por cima do corpo e vi outro cara, estava fumando encostado em umas caixas grandes. Então peguei minhas karambit, uma enfiei em seu ombro, me puxando para cima, passando as pernas por sua cintura, e com a outra rasguei seu pescoço, fazendo o sangue jorrar, e seu corpo caiu para frente. Puxei minhas pernas para trás, apoiando meus pés na base de suas costas antes de atingir o chão. Fiquei ali abaixado, vendo se alguém tinha nos visto, mas ninguém pareceu notar.
Levantei, andando pelo lugar, guardado minhas karambit, e achei Keshi. Ele estava preso por correntes, ainda estava de pé, ou quase isso, além do seu belo rosto estar todo machucado. Travei meu maxilar com aquela porra. Fui até lá e tentei soltá-lo, mas precisava dar um tiro nas correntes. O garoto se mexeu, olhando por cima e me vendo ali, e então sorriu. Fiz sinal para que fizesse silêncio, e, pela forma que seus olhos se abriram mais, eu soube que tinha alguém vindo por trás de mim naquele momento. Sorri de lado.
Já me virei, abaixando e vendo um cara tentando me socar. Soquei seu estômago, fazendo se curvar e cair no chão por causa da forma que veio para cima de mim. Logo atrás, tinha outro homem que vinha para me socar também, mas lhe dei um belo chute no saco e bati com minhas mãos abertas em seus ouvidos, o deixando totalmente tonto. Dei um giro e um salto, chutando a lateral de seu rosto, fazendo com que caísse no chão. Virei de novo a tempo de ver o que eu tinha socado antes vir em minha direção, então bati com a minha mão aberta em sua garganta, tirando seu ar, e peguei uma minha karambit com a outra mão e passei em seu pescoço, fazendo o sangue espirrar em meu rosto e peitos.
Senti uma mão agarrar minha coxa. Olhei para baixo, e o homem tentou me derrubar, mas só virei e enfiei a karambit em sua nuca e puxei com força, sentindo a lâmina pular no osso da sua coluna com isso. O empurrei para que caísse no chão. Guardei a lâmina e peguei meus socos-ingleses. Mais um homem veio se aproximando.
Ele me pegou pelo pescoço com as duas mãos e isso me fez socar seu nariz, e quando foi para trás, soquei sua costela, chutei seu joelho e o segurei pelo casaco para que não fosse para longe, então bati com o solado da minha bota por dentro do seu joelho, o fazendo se ajoelhar. Soltei seu casaco e dei a volta por ele, o agarrando pelo cabelo, e o puxei para trás com força, acertando com meu joelho em sua nuca, quebrando seu pescoço.
Alguém me agarrou por trás, me dando uma chave de pescoço. Joguei meus pés para cima, segurei nos braços da pessoa com força e depois desci meus pés juntos por entre as pernas do idiota, puxando todo o nosso peso para frente e fazendo ele rolar por cima de minhas costas e cair na minha frente, já me soltando. Peguei seu braço e o torci com força, o quebrando quando tentou pegar sua arma, e isso o fez deitar no chão. Pisei com força em sua garganta e bati com o outro pé o bico da minha bota no chão, fazendo uma lâmina pular do calcanhar, então a enfiei em seu ouvido com força, o fazendo gritar. A tirei e a bati no chão, fazendo retrair quando tinha apertado o calcanhar dela com o bico da outra.
Me abaixei quando ouvi o barulho de tiro. Guardei os socos-ingleses, já pegando minhas glocks, correndo e me escondendo. Comecei a atirar de volta, acertando uns filhos da puta. Então aproveitei e atirei na corrente que prendia Keshi para ele sair do meio do tiroteio. O garoto se arrastou pelo chão e foi para um canto, se encolhendo lá. E nesse meio segundo de distração, um homem me pegou pela cintura, me levantando muito alto e me lançou de costas no chão com força. Aquela porra me arrancou o ar, mas não pensei muito e atirei bem no meio da sua cara, sentindo seu sangue espirrar em mim.
Me coloquei de pé, puxando o ar, sentindo minhas costas doerem, mas não parei apesar da dificuldade para respirar. Saí correndo para atirar em mais quem estivesse no meu caminho, até que cheguei a Keshi. Parei ao seu lado, vendo se estava bem. Passei a mão em seu rosto e encostei minha testa na sua.
— Você sabe atirar? — perguntei, e ele concordou com a cabeça. — Ótimo. Toma. — Entreguei uma glock para o rapaz. — Está conseguindo andar?
— Mais ou menos — respondeu ,olhando para as próprias pernas, onde sua calça estava rasgada e suja de sangue.
— Ok, eu te ajudo, mas você atira. Confio em você, garoto. — Pisquei para ele, que logo engoliu em seco.
Me coloquei de pé e o puxei para cima, passando seu braço ao redor do meu pescoço e segurando com força seu pulso. Então começamos a andar. O rapaz foi atirando nos caras que conseguia, enquanto eu nos escondia para conseguir sair logo dali. Até que um homem parou na nossa frente, e quando Keshi foi atirar, a arma deu vácuo. Sem munição. Meus olhos se arregalaram com aquilo, então puxei a minha taurus, mas não tinha sido rápido o suficiente, porque ele atirou no garoto, fazendo ele cair para trás. Aquilo me deu muita raiva, e eu meti três tiros na sua cabeça.
— Merda, Keshi — disse, me abaixando e vendo sua barriga sangrando agora. — Aguenta, ai caralho. — O peguei de novo como antes. — Pressiona isso e não para.
— Eu não sabia que levar um tiro queimava tanto — declarou, com uma voz de dor.
— Queima como o inferno! — falei, com um sorriso de lado. — Mas você vai ficar bem.
Então o puxei, conseguindo sair do galpão. Andei com a gente o mais rápido que consegui até meu carro, e, quando finalmente chegamos, coloquei Keshi deitado no banco de trás. Uns homens já corriam até nós, atirando. Atirei de volta, antes de entrar no lado do motorista e sair dali cantando pneus. Dirigi o mais rápido que meu Mustang conseguia, ouvindo os gemidos de Keshi no banco de trás, e assim que atravessei a fronteira de Boston, parei em um posto.
Desci do carro e fui até a mala, pegando uma caixa que tinha ali dentro. Abri a porta de trás e entrei, me colocando entre as pernas de Keshi e tirando a mão de sua barriga. Liguei a luz interna, que iluminava muito mal. Eu precisava estancar aquilo, ou ele ia morrer até chegarmos à cidade. Joguei a caixa no chão do carro e peguei álcool e um mordedor.
— Vai queimar ainda mais. Morde isso. — Enfiei o mordedor em sua boca.
Assim que ele o mordeu, joguei o álcool em sua ferida para limpar um pouco e sequei com um pano que tinha dentro da caixa, ouvindo o garoto berrar de forma abafada. Peguei uma pinça, então a enfiei lá dentro, ouvindo os gritos agonizantes de Keshi. Fazer o quê? Eu tinha esquecido de repor as ampolas de anestesia. Senti a ponta da pinça bater em algo e a virei, abrindo e pegando a bala. Segurei sua barriga, então puxei de uma só vez. Keshi urrou de dor e logo coloquei minha mão em cima do buraco, o segurando um pouco para aliviar com a pressão. Com a outra mão, apanhei o álcool e joguei mais um pouco, então tampei com o pano.
— Faz pressão — pedi.
Quando sua mão trêmula pegou o pano, o soltei. Minhas mãos vasculharam a caixa em busca da agulha e da linha, achando rapidamente. Assim que consegui colocar a linha, voltei até sua barriga e limpei o ferimento o máximo que deu, então o suturei, ouvindo os gemidos e gritos do garoto. Minha respiração estava forte, mas minha mão firme. Se tinha uma coisa que meu pai havia me ensinado, era ter frieza nesses momentos, pois ele tinha me feito suturar todos os seus ferimentos depois que fiz oito anos.
Ainda conseguia me lembrar das lágrimas de pavor escorrendo em meu rosto, minhas mãos pequenas tremendo enquanto ouvia sua voz grossa me mandando parar com aquilo e prestar atenção no que fazia. E foi assim até as lágrimas pararem e minhas mãos ganharem firmeza. Isso continuou por anos até ele morrer, mas, depois disso, eu também não parei, sempre suturava minhas meninas e meninos quando precisavam. Tinha ficado rápido com tanta prática, e meus nós tinham ficado perfeitos.
Cortei a linha assim que acabei e encarei Keshi, que suava frio, enquanto seus olhos de oceanos me encaravam vermelhos por causa de seu choro. Seu corpo tremia. Sorri de leve para ele e levei minha mão suja com sangue até seu rosto, o acariciando para que ficasse calmo, já tinha acabado. Tirei o mordedor de sua boca, vendo como seus lábios finos estavam inchados agora, e até mesmo machucados. Seus olhos se fecharam de leve e ele suspirou.
— Você vai ficar bem — avisei, deixando meu corpo ir para frente, toquei de leve sua testa suada com meus lábios, e isso o fez respirar fundo. — Ninguém faz mal para meus meninos — sussurrei para ele. — Qual era o nome dele?
— Era ela. Ramsey — murmurou, com a voz trêmula, me fazendo travar o maxilar.
— O que ela fez? — Quis saber, me afastando um pouco e olhando em seus olhos.
— Me levou para o motel, nós transamos, e, quando acordei, já estava naquele galpão, amarrado.
Concordei com a cabeça, apenas ouvindo.
— Ela queria saber de você e do Badlands.
Uni as sobrancelhas.
— O motivo de você ter ido atrás dele.
— O que você disse? — questionei, com meus lábios se retraindo.
— Nada. Não sabia nem que você estava com ele. — Seus olhos encaravam os meus tons sombrios. — Então ela me bateu, achando que estava escondendo as coisas.
— Não estou com ele — declarei rapidamente. — Vou cuidar disso depois. Agora fica bem, ok? — pedi, me afastando um pouco e passando meus dedos pelo seu rosto de novo.
— Obrigado — agradeceu, dando um pequeno sorriso, e eu o retribuí.
Aquilo não era nada bom. Ramsey sabendo que eu tinha ido atrás do Badlands... Aquela filha da puta ia me foder! Precisava pensar em algo para ver se as coisas andavam para algum lado pelo menos.
Peguei um analgésico na caixa e entreguei para Keshi tomar que iria aliviar um pouco a dor que estava sentindo. Tirei minhas luvas sujas, as joguei no chão do Mustang e desliguei a luz interna.
Saí do carro e bati a porta, indo para o lado do motorista e entrando de novo, já dando partida. Peguei um cigarro e o acendi, tragando com força, enquanto voltava para a estrada, indo para o Òlah Bliss. Pensava sobre o que tinha rolado naquela noite, e que Ramsey estava se metendo onde não tinha sido chamada. Eu sabia o que estava fazendo. Queria que o cerco se fechasse para nós, mas eu não iria permitir que isso acontecesse, nem que realmente começasse uma guerra pelos territórios, mesmo que fosse uma delícia tirar Boston de suas mãos nojentas.
Assim que cheguei à cidade, tive que passar pelo centro dela para chegar ao Òlah Bliss, e avistei de longe o Maserati de vindo em direção ao meu naquela via de mão dupla. Seus olhos intensos ficaram fixos no meu carro, me encarando, enquanto os meus faziam a mesma coisa, sabendo que ele estava me vendo todo sujo de sangue mesmo por trás do meu vidro escuro. Não tinha muita expressão em seu rosto, assim como no meu. Apenas nos encaramos sérios naqueles segundos que nossos veículos se cruzaram, e olhei pelo retrovisor ele indo embora.
Franzi meus lábios, porque não era nada bom ele ter me visto naquele estado. Não queria que tivesse ideia de quem eu era. Queria que achasse que era só o garoto do Ozzy, como todo o resto. Era bom para os negócios assim, para que isso não interferisse nas minhas coisas e nem nas do velho. Não era bom para sua reputação ter um marido que passeava pelas ruas da cidade parecendo Carrie, a estranha. Isso trazia problemas, muitos, por ele ser uma pessoa pública. Esperava que aquilo não atrapalhasse nossos planos.
Parei na frente do Òlah Bliss, e Lana já apareceu na frente dele rapidamente. Desci do Mustang e abri a porta de trás, mostrando Keshi ali. O olhar da mulher desceu por todo o meu corpo e depois para o garoto, já chamando os caras para pegá-lo. Esperei que o fizessem e bati a porta, já seguindo para dentro do lugar. As meninas me olharam assustadas, o estabelecimento estava fechado por causa do sumiço de Keshi.
Passei pelo balcão e peguei um copo de shot, enchendo de tequila. Virei aquilo de uma só vez, fazendo uma careta. Lana parou na minha frente, me estendendo uma toalha, a qual peguei e passei em meu rosto, pescoço e peito, me limpando daquele sangue melado que estava colado à minha pele, o cheiro me deixava um pouco enjoado agora, depois que toda a adrenalina estava passando.
— Nenhum veículo de Boston está autorizado a tirar ninguém daqui, ok? — pedi, e a mulher concordou com a cabeça. — Foi a Ramsey. E agora, provavelmente vai tentar nos atacar de novo, então, por favor, tenham atenção redobrada.
— Tudo bem — disse, com um suspiro. — Sua mãe não gostaria de nada disso se pudesse te ver agora.
Aquilo me fez dar um sorriso triste.
— Na época dela, não tinha a Ramsey. — A lembrei, me servindo de mais uma dose de tequila e virando de uma só vez.
— Ela nunca quis essa vida para você, Guns. Sempre disse para seguir seus próprios passos e não os do seu pai.
Suspirei pesado, apoiando minhas mãos no balcão e esticando meus braços, abaixando minha cabeça.
— Eu sei disso. Mas queria que eu fizesse o quê? Fui criado no meio disso. Meu pai me ensinou a ser desse jeito, não foi como se tivesse muita escolha — comentei, com a voz baixa.
— Nós sempre temos escolhas. Assim como todos estamos aqui por escolhas, e você nunca os obrigou a isso, assim como sua mãe. — Aquilo me fez erguer a cabeça, encarando bem seus olhos. — Você é brilhante com negócios e ótimo comerciante, podia abrir qualquer tipo de comércio que isso lhe traria dinheiro.
— O negócio não é dinheiro, Lana — confessei a ela, dando um sorriso fraco. — É vocês. Como que eu os deixaria?
Isso a fez sorrir de forma doce.
— Nós teríamos que nos virar sem você, mas iríamos sobreviver. — Sua mão segurou a minha e fez um carinho leve. — Também iríamos sentir muito a sua falta.
Deixei meu polegar passar pelo seu.
— Vocês são a minha família. Tenho medo que se percam se eu não estiver aqui, principalmente os garotos. — Prendi meus lábios em uma linha reta.
— Os rapazes são bagunceiros demais, adoram uma briga, mas eles têm juízo.
Aquilo acalmava um pouco meu coração.
— Pense sobre isso. Você tem o mundo nas suas mãos, não precisa dessa vida se não quiser.
— Vou pensar — prometi.
(Não há problema quando estou na equação)
Presence noted, observation
(Presença notada, observação)
I'm not new here, reborn creation
(Eu não sou novo aqui, criação renascida)
Come and find me, sending location
(Venha me encontrar, enviando a localização)
— Eu não quero ir, Ozzy! — reclamei pela milésima vez, me encarando no espelho com aquela camisa off white.
— O Badlands nos convidou. Você vai sim.
Aquilo me fez revirar os olhos de novo, e de novo.
— Larga de ser mimado. E vê se dessa vez peça desculpas a ele e não haja que nem uma criança emburrada — disse, naquele tom mandão.
Fiz uma careta para aquele velho chato e mandão. Às vezes ele era simplesmente insuportável, e eu me questionava o motivo de ainda estar ali. No final, eu apenas permanecia.
— . — Soltou, em advertência.
— Ele não facilita — rebati bem emburrado, cruzando meus braços.
— Então facilite para ele — falou, como se fosse simples.
— Claro, olha a minha cara de quem facilita para macho babaca — comentei, fazendo Oswald rir. — Qual é, Ozzy!? Por que não pode ser do meu jeito?
— Porque do seu jeito o seu punho fechado acabou no nariz do Badlands. Então, agora vamos! — Saiu andando, me deixando sozinho no meu quarto.
Grunhi irritado e peguei meu celular e carteira de cigarros em cima da cama e marchei para fora, indo atrás de Ozzy. Aquilo era ridículo, sério! Por que ele não me deixava fazer do meu jeito? Teria dado certo se não fosse um babaca também.
Que ódio!
Fomos para a frente da casa, onde Javier já nos esperava no carro. Entrei, ou melhor, me joguei, de má vontade no banco de trás e cruzei meus braços, sentindo o olhar de Oswald em mim, mas o ignorei totalmente. Queria pegar um cigarro e fumar até meus pulmões sufocarem com a fumaça, só que isso iria fazer com que brigássemos antes mesmo de chegarmos ao clube do Badlands.
Então apenas fiquei de braços cruzados a viagem inteira, sem falar nada, apenas ouvindo Ozzy tagarelando sobre assuntos que me deixavam totalmente entediado. Ele era a pessoa que resolvia os acordos de forma cordial, cheio de classe e com palavras bonitas. Eu era quem resolvia as coisas por baixo deles, quem pegava a porra da sujeira e ficava com ela entalada até o pescoço, que não tinha medo de enfiar a mão na merda e faria de tudo para manipular as coisas para que fossem tudo ao nosso favor. Era bom em controlar o mundo ao meu redor. Por isso precisávamos que eu me aproximasse do Badlands.
Paramos na frente do clube Luvli, a porta estava lotada de gente querendo entrar. O lugar chamava bastante atenção, certamente os DJ’s e as bebidas deveriam ser bons, o que me despertou certa curiosidade para ver como era lá dentro. E isso me fez abrir a porta antes que Javier o fizesse. Já fui andando na frente, deixando Ozzy para trás, pouco me importando com ele quando tinha me feito passar raiva antes de sair de casa. Ele queria que eu viesse? Ok, ali estava eu.
Parei na frente do segurança, que me olhou por inteiro, e esperei logo que me deixasse passar, porque não iria ficar naquela fila enorme nem por nada. Falei meu nome, e o homem passou um rádio para alguém. Não consegui ouvir a resposta, mas ela foi me dada assim que tirou a cordinha que me impedia de passar e me deu passagem. Oswald tocou minha cintura, entrando comigo, mas continuei fingindo que ele nem sequer existia.
Meus passos cessaram quando me deparei com o enorme lugar que parecia o verdadeiro coliseu. Era oval e os camarotes ficavam em cima, em cabines separadas por andares e sessões, um ao lado do outro, como se fossem apartamentos que cercavam o lugar. Tinha uma passarela bem no meio que ligava de um ponto ao outro. Embaixo dela, no centro de tudo, ficava o DJ em um piso suspenso que girava lentamente acima da pista de dança que era gigante. Um pessoal fazia malabares com fogo em umas cabines de vidro nas paredes debaixo, o bar cercava toda a pista, e certamente lá em cima o pessoal deveria ser servido por garçons.
— Vem, vamos subir. Badlands reservou um camarote para nós — Ozzy falou em meu ouvido, já me puxando pela cintura para seguir com ele.
— Não. Eu não vou ficar em uma caixa de vidro dançando sozinho. Vou ficar aqui embaixo. Se quiser subir e ficar lá sentado, ok, mas vim aqui para me divertir — anunciei, tirando sua mão de minha cintura.
— Faça o que quiser. Garotinho difícil — reclamou e saiu andando.
Rolei meus olhos mesmo que não tivesse visto e fui me enfiando entre as pessoas. O lugar estava extremamente lotado, mal dava para se mexer ali, mas não me importei, queria ficar na bagunça hoje, mesmo que não curtisse as pessoas me tocando, mas ficar dançando sozinho em um camarote era muito sem graça.
Os outros me esbarrando me faziam rir naquele momento, mas achava ótimo como se desculpavam com isso também. Até que eram educadinhos. Joguei meus braços para cima e fiquei movendo meu corpo de um lado para o outro, dançando, rindo e cantando.
Passei os dedos em meus fios, sentindo eles grudarem já em meu rosto por estar começando a suar. Sorri com aquela sensação e desci com a mão por cima de minha camisa, que, apesar de ser larga e feita de um tecido leve e bem gostosinho, estava colando em meu corpo quente, mesmo que os botões estivessem abertos até abaixo da minha barriga. Ela estava para dentro da minha calça de couro, que estava me deixando com ainda mais calor.
Até que meus olhos pegaram algo dentro de um dos camarotes mais baixos. Badlands. Ele estava com aquele olhar intenso me encarando, vendo como me mexia. Aquilo só me fez passar a mão em meu cabelo, o jogando para trás, e deixei meus dedos virem e passarem pela lateral do meu rosto, e depois em meu pescoço, descendo pela minha clavícula e indo para o meio de meus peitos que estavam bem à mostra. Isso tudo sem tirar os olhos de . Podia ser loucura, mas parecia que aquele seu olhar tinha ficado mais pesado sobre meu corpo.
Sua mão levou o cigarro que tinha entre seus dedos até seus lábios, o tragando lentamente, estreitando o olhar em minha direção, deixando o cigarro queimar bem, então o tirou de seus lábios e logo a fumaça saiu pelo seu nariz, pairando ao seu redor. Maldita criatura sexy do inferno. Ele não podia simplesmente se engasgar com aquela fumaça? É, bem que podia, sim.
Me virei para não olhar para ele, porque eu não ia ficar mesmo encarando. Para quê? Eu sabia o que acontecia depois, e não estava afim que ficasse rodando meus pensamentos… de novo. Então continuei dançando ali na minha, totalmente despreocupado. Depois de um tempo, fui comprar uma bebida no bar. Peguei qualquer drink que tivesse bastante gelo, porque eu estava morrendo de calor.
Voltei para a pista e decidi ficar bem no meio dela, porque o chão suspenso do DJ ficava em cima e isso não permitiria que ninguém dos camarotes me visse ali independente do nível ou lado que estivesse. Minha camisa já começava a ficar levemente molhada, e sabia que certamente deveria estar quase transparente, mas eu não parava de dançar. Talvez quando meus pés começassem a doer naquele par de botas eu poderia enfim parar, mas, enquanto isso, nem morto!
Girei meu corpo e abri meus olhos, então dei de cara com . Olhei para minha bebida. Será que tinha droga nela? Ou ele estava mesmo ali com sua camisa aberta até abaixo de seu peito, deixando seu belo corpo definido à mostra e o colar com um pingente de fire heart old school caído no meio dele. O seu perfume invadiu meus pulmões com força, e isso me fez constatar que era real mesmo. Minha língua passou pelos meus lábios e meus olhos subiram até encontrar seus tons intensos, vendo que me olhava daquela maneira, como se fosse capaz de ver a minha alma. Ignorei totalmente o arrepio que aquilo me causou e apenas tomei um gole do meu drink, mexendo mais o meu corpo na batida da nova música que tocava.
Então Badlands entrou na minha e começou a dançar também, mas sem me encostar, tinha uma distância segura, porém relativamente perigosa entre nós. Sorri de leve e relaxando aos poucos, porque, sim, eu tinha ficado levemente nervoso por ele ter aparecido ali do nada. Não gostava de ser pego de surpresa, mas uma parte minha queria de fato que estivesse exatamente onde estava. Aquilo era perfeito.
Eu poderia jurar que estava ficando doido, mas achava que tinha visto um sorriso mínimo se formar naqueles lábios perfeitos que aquele desgraçado tinha. Eu tentava a todo custo achar um defeito em seu corpo, mas acho que o defeito estava exatamente ali, não ter um. Dava até raiva. O filho da puta além de ser gostoso, ainda dançava bem. Constatar aquilo me fez morder a ponta da minha língua. Meu olhar caiu para seu peito, que estava brilhante por causa do suor que começava a tomá-lo. Então apertei o copo em minha mão para ocupar meus dedos, que, de forma malcriada, queriam tocar sua pele.
Em uma solução fácil e prática, apenas me virei de costas para ele, jogando meu cabelo para o lado e movendo meu quadril de um lado para o outro sem a menor preocupação com nada ao meu redor. Se Ozzy visse aquela cena, queria que ele se fodesse quando me encheu a porra do saco para vir àquele clube.
Olhei por cima do meu ombro no exato momento que senti chegando mais perto pelo calor do meu corpo ter ficado maior por causa do pouco espaço que tinha agora. Soltei o ar pelos meus lábios, achando que ele iria segurar minha cintura e me puxar contra seu peito, mas não, ele nem sequer esbarrou em mim, apesar da distância quase inexistente naquele momento. Passei a mão em meu cabelo e joguei um pouco a cabeça para o lado, enquanto passava a língua em meus lábios. Logo um sorriso veio ao sentir sua respiração pesada contra a minha pele, me causando arrepios.
— Está afim de se divertir de outro jeito? — aquela voz rouca e estupidamente sexy perguntou em meu ouvido.
Estremeci por dentro. Maldito.
— Qual jeito? — Quis saber, virando meu rosto para o lado que o dele estava, e isso nos deixou ridiculamente perto.
— Não teria graça se eu contasse. — Sorriu de lado, de um jeito safado, me deixando curioso.
— Isso é jogo sujo — rebati.
— Ah, não é mesmo. — Riu nasalado, me olhando, e seu olhar desceu para meus lábios. — Então?
— Vamos logo — disse, por fim, entregando a minha curiosidade e clamando que não me ferrasse por causa daquilo.
Virei, e ele saiu andando pelo meio das pessoas. Apenas o segui. Não como em sua festa, onde segurou minha mão, dessa vez sem contato. Era bem melhor assim, me fazia ficar no controle da situação e eu gostava bastante disso.
Passamos por uma porta, que nem ao menos tinha notado a existência até o momento, e descemos uma escada onde a iluminação vinha debaixo para cima em tom azul piscina, deixando minha roupa na mesma cor. Pelo menos o caminho não era estranho e nem parecia que estava me levando para um lugar tão bizarro. O máximo que conseguia imaginar era uma parte reservada da boate para sexo, logo quando parecia que adorava isso. Mas fiquei surpreso quando um segurança abriu uma porta dupla para nós, revelando ali um cassino. O lugar parecia ter vindo direto de Vegas, na verdade era bem parecido com os salões que tinham por lá.
Badlands me olhou, esperando pegar minha reação, e tudo o que fiz foi erguer uma sobrancelha para ele. Então voltamos a caminhar, agora mais lentamente, entre as pessoas que o cumprimentavam com sorrisos e acenos. Ele era realmente uma estrela por onde passava? Aquilo me fez rolar os olhos em um tédio genuíno. Até que paramos na frente do caixa.
— Um milhão para nós — pediu, e a mulher toda tatuada, linda pra caralho, nos deu as fichas em duas maletinhas prateadas. — Onde você quer começar? Dados? Roleta? Poker?
A última opção fez praticamente meus olhos brilhantes.
— Poker, sem dúvidas — falei, e já fui andando para uma das mesas.
Badlands se quisesse que me seguisse.
Sentei em uma das mesas que tinha lugar vago e já peguei meu cigarro, o acendendo com meu zippo de estimação. Ele era preto, mas tinha uma placa de ouro no meio na parte da frente, com um besouro em steampunk esculpido, suas asas eram abertas, e, no meio dele, o corpo em si tinha engrenagens movidas a vapor. Era algo diferente e peculiar, que o tornava um dos itens que eu mais gostava de possuir.
Soltei a fumaça do meu cigarro para cima e abri a minha maleta, já colocando minhas fichas para fora, separando em pilhas pelas cores e valores, colocando de forma decrescente em uma linha reta na minha frente, em perfeita simetria umas com as outras.
Levei o cigarro até meus lábios, o deixando ali por alguns segundos, tragando lentamente, até que ergui os olhos e vi me encarando do outro lado da mesa. Aqueles olhos intensos cravados em minha carne como se pudesse passar através dela. Eu queria entender como alguém podia ter o olhar tão penetrante daquele jeito, mas a resposta era bem clara. Melhor não perguntar.
A mesa estava completa, então Badlands ficou de fora algumas rodadas apenas observando, certamente tentando me ler para saber quando blefava ou não. Como eu me movia quando tinha uma mão boa ou ruim. O jeito que meus olhos piscavam por causa das cartas que eram abertas sobre a mesa. Então apenas me diverti com aquilo, intercalando as formas como me movia de propósito em certos momentos, a fim de fazer com que ficasse confuso e não soubesse o que realmente se passava na minha mente naquele momento.
Ele não esboçava reações conforme o decorrer das partidas, que eu ganhava em sua maioria. Isso o tornava tão difícil de se lidar quanto eu. Quando a maioria das minhas emoções transbordavam em minha pele, quando guardava as suas embaixo de sua face marmórea apesar de seu olhar ser visceral, aquele era o único lugar o qual alguém poderia conseguir desvendar aquele homem. Sabia que não deveria questionar o que existia debaixo daqueles orbes, mas às vezes minha curiosidade me fazia pensar sobre aquilo. Então, no momento seguinte, já dispersava tudo isso e fingia que tal coisa jamais havia acontecido. Sabia que estava traindo a mim mesmo dessa forma, mas ninguém saberia daquilo além de mim.
Um lugar ficou livre, e Badlands se sentou, fazendo minha respiração ser puxada com certa força. Agora o jogo começaria a ficar bom, porque algo me dizia que ele era tão bom naquilo quanto no resto que fazia. Ele era um maldito desgraçado e tinha que falhar em algo, e eu esperava que pelo menos fosse nas cartas, porque sinceramente odiava perder.
Antes do croupier dar as cartas, fizemos o blind, empurrei duas fichas verdes para frente que valia vinte mil cada, só para começar mesmo. E Badlands jogou logo uma preta que valia cem mil. Ele estava querendo intimidar os outros jogadores, inclusive eu. Mas aquilo não me abalou em nada, apenas fiquei encarando seus olhos do mesmo jeito que fazia com os meus. Então as cartas foram dadas. Olhei as duas minhas em apenas um pequeno movimento de meu polegar. Interessante. Meu olhar foi para , que já me encarava fixamente. Estava me vigiando? Ergui uma sobrancelha para ele, em um questionamento claro daquilo. Ele não esboçou nada.
Filho da mãe.
Aumentei a aposta, jogando uma ficha preta e mais uma verde, encarando Badlands, dois dos jogadores desistiram, apenas mais um decidiu entrar naquele jogo, igualando a aposta. Três cartas sobre a mesa foram abertas, e meu olhar continuou sério sobre elas. aumentou a aposta, o outro jogador desistiu, e eu dobrei. Mais uma carta foi aberta. Aumentamos mais a aposta. Meus olhos foram para os seus, que encaravam os meus com atenção. E, por fim, a última carta foi virada para cima. Aquilo não estava sendo apenas um jogo de aposta, Badlands queria ver até onde eu poderia ir, suas apostas altas eram como pressão, onde ele testava a minha sanidade e coragem. E, felizmente, o que me faltava de sanidade, eu tinha de coragem.
Empurrei mais algumas fichas para frente, encarando bem o meu oponente, esperando para ver se ele iria correr, pagar ou dobrar. apenas pagou, e, nisso, virei minhas cartas, e ele fez o mesmo em seguida. Então dei um sorrisinho, vendo que tinha blefado, e eu levei tudo. Suas cartas não eram boas, mas valeu a tentativa.
— Você não vai querer fazer esse jogo comigo, Badlands — falei com ele, o provocando mesmo.
— Será que não? — rebateu, me fazendo erguer uma sobrancelha.
— Então, paga pra ver. — Estreitei de leve meus olhos em sua direção, e acendi mais um cigarro.
Começamos mais uma rodada. Eu fumava despreocupado enquanto jogava, olhando para na maior parte do tempo, e seus olhos queimavam em mim. Aquilo até me incomodaria, mas algo nele me fazia gostar do jeito que me olhava. Parecia que estava tentando ver o que tinha por baixo da minha pele, o que tinha a esconder, querendo ler os meus segredos mais profundos, descobrir de quem era o sangue que passava por minhas mãos. Mas ele não descobriria, tudo o que precisava saber era apenas o meu nome, nada além disso.
Seguimos as rodadas ganhando, perdendo, mas o que estava em evidência era que estávamos dominando a mesa. Parecia que nem ao menos existiam os outros jogadores, era nós dois ali, disputando quem iria mais longe. O problema ali era que claramente não tínhamos limite. Estávamos chegando a um nível onde as apostas estavam ficando cada vez mais altas, quando já começamos colocando duzentos mil na mesa apenas para a entrada. Até que, em um momento, parei.
— Por que você não oferece algo a mais do que dinheiro? — sugeri, olhando para ele com a sobrancelha arqueada em tom de desafio.
— Ok. — Chegou mais para frente e jogou a chave de seu Maserati na mesa. — Quero o isqueiro. — Apontou para o objeto, que estava sobre a minha caixa de cigarros, me fazendo travar o maxilar.
— Hm. De alguma forma eu vou andar em seu carro — debochei e peguei meu isqueiro de estimação, o colocando no meio das fichas.
— Veremos, então — disse, em provocação.
Nisso virou suas cartas lentamente, e eu fiz o mesmo.
— É ótimo jogar com você. — Piscou para mim, já pegando tudo que estava no centro da mesa.
Meu olhar desceu para o meu isqueiro, que agora estava em sua mão, sentindo a raiva me tomar por causa daquilo. Eu não estava acreditando que tinha acabado de perder o meu isqueiro para aquele sujeito. Meu besouro de steampunk! Era único. Tinha mandado fazer exclusivamente para mim. Precisava recuperar ele de volta!
Então começamos mais uma rodada, e sabia que meus olhos continham raiva, não tinha muito como esconder aquilo. Ainda mais na minha jogada, que começou a ficar mais agressiva. Eu odiava perder, especialmente quando era algo que eu gostava muito! No caso, o meu zippo.
— O que você vai apostar agora? — Badlands perguntou, quando chegamos à última aposta, com um tom de sarcasmo mesmo.
— Se você ganhar, pode ter uma hora comigo para fazer o que quiser. — Soltei, de um jeito venenoso, conseguindo tirar uma expressão de surpresa dele. — Se perder, vai me devolver o isqueiro. — Ele riu fraco com isso.
— Não, não vou. Não apostei ele — disse, pegando o zippo sobre a mesa e guardando em seu bolso.
Então tirou seu colar de fire heart, o mesmo que sempre o vi usando.
— Você vai ter que passar uma hora comigo. — Colocou o objeto no meio das fichas.
— Talvez nos seus sonhos — rebati e virei minhas cartas.
as olhou e depois me encarou com um olhar diferente, que não soube decifrar o que era, mas não virou suas cartas, apenas as empurrou em direção ao croupier, indicando que tinha perdido. Peguei as fichas e o colar, o colocando dentro do bolso da minha camisa. E, naquele momento, Ozzy entrou no lugar. Era hora de ir embora.
Então me levantei e apontei para minhas fichas.
— São suas — falei com , que então olhou por cima de seu ombro. — Nos vemos por aí.
Ele apenas balançou a cabeça e fez um sinal para o croupier pegar as fichas. Eu ainda estava com raiva do meu isqueiro, mas sabia que não iria me devolver, ainda mais depois do que falou. Então tinha que engolir aquilo e sair daí antes que eu fizesse qualquer besteira, tipo tentar roubar meu zippo. Podia mandar fazer outro, mas não era a mesma coisa. Não seria mais exclusivo.
Caminhei até Oswald, que olhava ao redor, admirando o lugar, e logo seu olhar parou em mim, que estava já na sua frente. Ergui as sobrancelhas e lambi meus lábios, indicando que era a hora da gente se mandar dali, fazer um teatrinho básico seria ótimo. O velho entendeu exatamente o que quis dizer, às vezes ele me conhecia até mais do que deveria. Então sua mão pegou a minha de forma possessiva, me puxando para perto e me levando para fora daquele lugar como se eu fosse uma criança má e tivesse me comportado muito mal. Olhei por cima de meu ombro, encarando Badlands, que olhava a cena toda de um jeito bem sério. Pensei em dar um sorriso ou piscar um olho de forma travessa para ele, mas apenas me virei para frente, como se tivesse medo que Ozzy fosse pegar qualquer deslize meu.
Seguimos para fora do clube, e o nosso carro já estava na porta, nos esperando. Entrei primeiro, me jogando no banco já perto da outra porta, abaixando o vidro, porque eu simplesmente adorava o vento soprando meu rosto, bagunçando meu cabelo, o fazendo ir para todos os lados possíveis.
Javier dirigiu de volta para nosso lado da cidade assim que Oswald deu a ordem para onde deveríamos ir.
— Conseguiu algo? — Ozzy perguntou logo, com sua curiosidade nata.
— Talvez — respondi, com um sorrisinho de lado. — Tenho certeza de que ele me notou dessa vez. — Dei uma piscadinha divertida, mas sabia que tinha feito isso desde a primeira vez que nos encontramos.
— Ele quem te chamou para descer? — O velho me olhava, já virando de lado no banco, me olhando por inteiro.
— Foi. — Fiz o mesmo que ele. — Me perguntou se estava afim de me divertir. Eu disse que sim. — Levantei de leve meus ombros.
— E nem ao menos passou pela sua cabeça que ele queria fazer outra coisa contigo? — Seu questionamento foi sério.
Eu sabia que Oswald não gostava que as pessoas me tocassem, ainda mais se fosse alguém que nem o , isso tirava o seu respeito perante aos demais.
— Badlands não é nem louco de me tocar, Ozzy. Relaxa. — Rolei meus olhos e virei meu corpo, encarando a paisagem que passava borrada pelo lado de forma. — Ele já viu o que acontece se me encostar.
— Um soco no nariz não impediria ele de fazer qualquer coisa que quisesse contigo. — Aquilo me fez travar o maxilar. — Sabe que é perigoso você ficar longe dos meus olhos.
— Eu sei me cuidar muito bem sozinho, Ozzy.
Lhe lancei apenas um olhar para parar com aquela merda de proteção ridícula, eu não precisava daquilo, e ele sabia muito bem.
— Preciso proteger o que é meu.
E odiava quando ele falava aquele tipo de coisa, porque nós dois sabíamos muito bem que, apesar de morar na sua casa, eu jamais seria uma de suas propriedades.
— Só tome cuidado, Badlands é perigoso.
— Conheço a fama dele, assim como você conhece a minha. Não preciso de proteção — disse bem sério para ver se parava com aquela bosta de uma vez.
— De qualquer forma, sempre vou fazer isso, você querendo ou não.
Minha vontade foi de mandá-lo tomar no cu naquele exato momento. Mas apenas peguei meu maço de cigarro, não me importando se aquilo iria irritar aquele velho, porém, quando fui pegar meu isqueiro, me lembrei que tinha perdido naquele jogo idiota.
Inferno!
Se falasse qualquer coisa sobre aquilo, Oswald ainda ficaria mais irritado por eu ter perdido, então guardei o cigarro de volta no maço, como se tivesse desistido da ideia por causa do jeito que me olhou. E meu olhar desceu para dentro do bolso da minha camisa, vendo o colar de rebater à luz por um momento, quando o carro passou por baixo de um poste de luz, então meus dedos tocaram o coração, e eu respirei fundo com aquilo, sentindo um arrepio correr todo meu braço.
Algo naquele homem me fazia perder o controle, e eu não sabia o que era. O que eu estava pensando? Era ridículo aquilo. Mas eu tinha uma sensação estranha que me tomava, algo em me fazia querer saber quais eram os seus demônios que estavam com ele a todo momento. De qualquer forma, eu nunca poderia saber quais eram, tudo o que precisava era apenas uma coisa dele.
Às vezes, simplesmente odiava estar naquela posição, por mais que tudo o que ela me desse fosse ótimo, mas o preço para aquilo tinha sido alto.
Minha liberdade. Sabia que estava preso agora.
(Espero que um de vocês volte para me lembrar de quem eu era)
When I go disappear
(Quando eu estiver partindo)
Ozzy falava qualquer coisa sem parar, enquanto eu fingia que escutava, apenas balançando minha cabeça, comendo minha torrada com geleia de pimenta. Ela era a minha favorita, doce, mas ardia no final. Algo que eu gostava de assemelhar a mim mesmo. Poderia ser doce por algumas vezes, só que no final eu sempre queria queimar tudo à minha volta.
Logo meus olhos foram para aquele velho, me perguntando por mais quanto tempo aguentaria sem desejar colocar fogo nele e em toda a sua mansão. Uma hora eu ficaria entediado, e quando isso acontecia, nunca acabava bem. Para as outras pessoas no caso.
Lambi meus lábios, que estavam levemente melados por causa da geleia, suspirando de leve. Meus olhos se voltaram no mesmo instante para a tela do meu celular, que se acendeu com a notificação de mensagem que havia chegado. Uni as sobrancelhas por ser de um número desconhecido, curioso para saber de quem era. Então limpei minha mão no guardanapo e peguei meu iPhone.
Aquilo me fez sorrir de lado e logo mandei uma mensagem para falando que iriamos nos divertir hoje e que era para colocar uma roupa para ficar bem gostosa. Ela me respondeu em seguida rindo e falando que já iria escolher o que usaria, me arrancando uma risada baixa. Soltei o aparelho sobre a mesa, vendo o olhar do velho Ozzy sobre mim.
— Nixon morreu. Sabe de algo sobre? — perguntei.
Apoiei meus cotovelos nos braços da cadeira e meu queixo em minhas mãos com os dedos entrelaçados, os juntando embaixo dele enquanto olhava para o homem à minha frente.
— Não, apenas que estava metido com o Kayobe. Já sabíamos o que iria dar — comentou, tomando seu café preto de forma despreocupada. — Você sabe como ele lida com os problemas.
— Sei. Um tiro na cabeça a queima roupa. Clássico dele. — Rolei meus olhos, ele poderia ser mais original. — Isso quando o assunto é particular. Não sei como foi que Nixon morreu, mas não importa. — Dei de ombros com aquilo, não era assunto meu. — Vai ter uma disputa hoje. Vou correr.
— Não tem necessidade de você participar, não seja ganancioso. Já tem bastantes territórios.
Respirei profundamente ao ouvir aquilo.
— Mais um nunca é demais — falei, esticando meu braço e pegando minha xícara de café, dando um pequeno gole. — De qualquer forma, não estou pedindo a sua permissão, estou apenas avisando para saber caso meu corpo apareça por aí. — Pisquei um olho para Ozzy.
— … — Usou um tom de advertência.
— Eu vou, Ozzy. Você querendo ou não. — Deixei claro, colocando minha xícara de café de volta sobre o pires. — Você não se mete nos meus negócios, e eu não me meto nos seus. Lembra? — O velho respirou profundamente.
— Vai com a Ferrari? — Seu questionamento me fez sorrir de lado.
— Não. Vou com o Dodge Maximus. Mandei os meninos mexerem no motor dele. Quero ver como ficou — expliquei.
Oswald sorriu também.
— Você não joga para perder, né? — Aquilo me fez rir e o olhar de forma intensa. — É por isso que te escolhi. Não existem opções para você. É ganhar ou ganhar.
Aquilo me fez lembrar que havia perdido para naquele jogo de poker.
— Não gosto de perder mesmo.
Comi o resto da minha torrada, dando fim àquele assunto.
Vesti uma camisa de manga longa com um tecido fino, ela era preta com azul marinho e branca, tipo como se fosse uma estampa de galáxia. Coloquei uma calça jeans escura de cintura bem alta. E, por fim, calcei um par de botas. Parei na frente do espelho, me olhando, e passei a mão em meu cabelo, o jogando para trás como se ele fosse mesmo ficar lá, mas logo os fios vinham para frente e caíram pelas laterais de meu rosto. Paciência, vai ficar assim mesmo.
Caminhei até meu armário e abri o cofre, lá dentro tinha algumas joias que eu gostava de usar, mas essa noite só peguei meu relógio favorito todo em prata, uns anéis, mas parei, olhando o cordão de ali separado das outras coisas, em uma caixa pequena de vidro. A apanhei e tirei ele dali de dentro, deixando meu polegar passar pelo fire heart prateado. Torci meus lábios, então o coloquei no meu pescoço sem pensar muito, sentindo o pingente gelado parar em meu peito. Coloquei a caixa de volta no lugar e fechei o cofre.
Saí do meu quarto, deixando a porta aberta mesmo, pois minhas mãos estavam ocupadas carregando meu celular e meu maço de cigarros, juntamente a um isqueiro de plástico que eu tinha comprado por ter ficado puto por ter perdido o meu zippo para Badlands. Eu precisava conseguir ele de volta.
— Já vai? — Ouvi a voz de Ozzy quando passei na frente de seu quarto, mas acabei parando ali. — Hm, está bonito. Tentando chamar atenção do Badlands? — Tinha provocação em sua voz.
— Já. Vou buscar a ainda — avisei.
Me olhei com o seu elogio, dando de ombros, eu estava até que normal hoje.
— Essa noite meu negócio é outro. — Pisquei um olho para o velho, dando um sorriso de lado.
— Boa sorte, querido. — Piscou um olho de volta para mim, me fazendo rir.
Então apenas fui embora.
Peguei meu carro na garagem e dirigi até o prédio que morava. Ela estava toda linda me esperando na porta. Sorri para minha amiga, e a garota logo entrou, pulando no banco do lado do carona e me dando um selinho como sempre fazíamos quando nos encontrávamos.
Já saí dali rapidamente, enquanto minha amiga tagarelava algumas fofocas para mim, me atualizando das coisas. Ela era ótima nisso, sempre sabia de quase tudo, por isso sempre lhe perguntava tudo que queria saber. era praticamente a minha espiã secreta, como eu gostava de dizer, e isso lhe tirava umas boas risadas.
— Colar novo?
Sua pergunta me fez segurar o volante com um pouco de força.
— Um adereço gótico, ou presentinho do Ozzy?
— Um adereço gótico — respondi a brincadeira mesmo que o colar não fosse nada gótico, ele era simples e até mesmo delicado.
— Espera… — Aquilo me fez segurar o ar. — Ele é do Badlands? Meu Deus, ! Vocês? Não! Sim! Ah! Por que não me contou?!
Eu a olhei no mesmo instante, rapidamente voltei a encarar a rua.
— Que tipo de loucura você está pensando, garota? — Quis saber, dando um pequeno riso.
— Que vocês estão juntos e ele te deu o colar de estimação dele! Isso nunca saiu do pescoço dele, !
Minha amiga falava super empolgada no banco do carona, como se aquilo fosse algo ótimo, e a minha única reação foi torcer o nariz.
— Céus, você criou essa fanfic toda agora na sua cabeça? — A olhei com um tom de riso e até mesmo sorri. — Não, não é nada disso. Eu só ganhei esse colar em um jogo de poker — expliquei para que ela não surtasse ainda mais.
— Nossa, que coisa mais sem graça. Preferia a minha fanfic, é muito mais legal. Tem mais emoção, sabe. E agora você estaria indo encontrar com ele nesse racha escondido do Ozzy, e então, depois da corrida, vocês fariam amor no banco de trás do seu carro… — A interrompi rapidamente.
— Meus ouvidos! Eles queimam! Transar com o no banco de trás do meu carro? Quê? — Uni as sobrancelhas, fazendo uma cara terrível só de imaginar aquilo. — Amiga, eu não transo, esqueceu?
— É, eu esqueço que você não aproveita a melhor parte da vida. — Ela suspirou, rolando seus olhos. — Mas beija, e podia dar uns beijos nele.
— Claro, e depois disso meu lindo império se perde em chamas. — E agora foi a minha vez de rolar os olhos. — Nunca vai rolar nada entre eu e o .
— Acho fofo você chamando ele pelo nome, parecem íntimos — agora ela disse sério, não tinha o menor resquício de riso em sua voz, e isso me pegou.
Talvez eu não devesse chamá-lo assim.
— Não gosto de chamar ele de Badlands. Mas você está certa. Chamá-lo pelo seu nome verdadeiro requer uma intimidade que eu nunca terei com ele — falei em um tom baixo e até mesmo suspirei de leve sobre aquilo.
— Não tem porque não quer, porque claramente ele te notou não foi nem uma, mas sim três vezes.
Aquilo não queria dizer muita coisa, só que novamente estava certa. De fato, ele tinha me notado, e eu tinha gostado. Acho que essa estava sendo a pior parte.
— É, acho que ele notou. — Sorri de leve para minha amiga sem mostrar os dentes.
mudou de assunto, notando que eu estava desconfortável em falar sobre por algum motivo que nem eu estava conseguindo entender naquele momento e só não queria pensar sobre isso. Eu precisava seguir o plano, só isso. E seria exatamente isso que eu iria fazer hoje caso o encontrasse, e como iria se seguir nos nossos próximos encontros, porque haveriam mais.
Assim que chegamos, o lugar estava lotado. Era muita gente mesmo, algumas conhecidas, e outras eu não fazia ideia de quem eram. , meus olhos e ouvidos sobre pernas, já estava me falando que Ramsey e Kayobe estavam ali também, mas o nome que queria ouvir, não foi dito.
Eu estava mesmo querendo que estivesse ali? Ah, me faça o favor, .
Me poupe.
Revirei meus olhos com esse pensamento. Só que ainda assim meu olhar passava por toda a galera em busca dos tons intensos daquele homem.
— Você está procurando ele, né? — perguntou, perto do meu ouvido, me fazendo encará-la rapidamente.
— Quem? — Dei de louco, porque era o melhor a se fazer.
— Fazendo o sonso para cima de mim, ? — Colocou suas mãos na cintura e ergueu as sobrancelhas, fazendo um pequeno bico.
Continuei com a minha cara de desentendido.
— Badlands.
Fiz uma careta com aquele nome.
— E desde quando fico procurando alguém? — questionei, respirando fundo. — Vou ver se arranjo algo para beber — avisei.
Saí andando rapidamente dali, passando pelo meio das pessoas, tentando não esbarrar nelas. Achei um isopor cheio de bebidas, mas optei por um refrigerante. Não estava afim de beber hoje.
Voltei até e fiquei ali com ela, junto de mais algumas pessoas. Eu estava entretido na conversa, quando uma criatura repugnante se aproximou como se fosse a rainha de tudo ali. Ramsey. Ela parou na minha frente, e eu apenas a ignorei enquanto bebia meu refrigerante de limão. Seu perfume estava me enjoando, e estava cogitando mandar ela sair dali.
— O bonequinho de luxo do Ozzy está aqui. — Sua voz era irritante, seu tom me dava nojo.
A ignorei totalmente.
— Seu dono te mandou aqui para quê?
Naquele momento, ela conseguiu finalmente atrair meu olhar. Queria enfiar a mão na cara dela.
— Desculpa, mas por que você está falando comigo mesmo? — questionei, a olhando por inteira, até voltar para sua cara sebosa. — Você está atrapalhando a conversa que estava bem amistosa. Dá licença. — Fiz um gesto com a mão para que fosse embora.
— Pensei que poderíamos ter uma conversa amistosa — rebateu, fazendo um biquinho.
Hipócrita do caralho. Ela queria ver se eu iria voar na cara dela pelo que fez com Keshi. Certamente era isso que queria, mas não lhe daria esse gostinho nem por nada! Mesmo que estivesse cheio de vontade de fazer isso naquele exato momento. Mas sabia o que isso iria causar, ainda mais onde estávamos. Ramsey queria que os outros ficassem do seu lado, e alegaria que a ataquei por nada. Conhecia bem o jogo daquela cobra, e não o jogaria. Suas provocações não iriam me atingir.
Bebi mais um pouco do meu refrigerante enquanto olhava para Ramsey, percebendo como o clima estava pesado ali. Todos estavam calados e nos olhando, e pareciam que nem respiravam, era como se uma bomba fosse explodir a qualquer momento, e provavelmente estavam esperando isso de mim. Não os julgava, eu era explosivo mesmo. A mulher me olhou novamente por inteiro, então se virou e foi embora. Voltei a olhar para as pessoas que estavam ali perto e elas me encaravam de volta.
— Sobre o que estávamos falando mesmo? — perguntei, como se nada tivesse acontecido, mas sentia a raiva dentro de mim ferver.
Eu odiava aquela mulher.
Parei na frente da linha que tinham feito no asfalto e olhei para o lado, encarando o vidro escuro do carro de Ramsey, então virei meu rosto para frente, esperando os outros corredores. Acelerei o meu Dodger, fazendo ele balançar todo por causa da potência do motor. Apenas fiquei olhando para o asfalto, esperando a corrida começar. Vi os outros carros chegarem.
Meus olhos foram para uma moto parada mais na frente, que tinha uma antena de raposa presa, e na traseira dela tinha um latão enorme de tinta. O circuito seria feito na hora. Ótimo, iríamos correr pelo meio da cidade movimentada, não seriam ruas fechadas. Se queríamos aquele lugar, teríamos que conhecer ele como realmente era. Um garoto furou o galão de tinta que já começou a vazar rapidamente, e a moto saiu dali marcando o caminho. Então,em seguida, foi dada a largada.
Acelerei tão forte que a frente do Maximus levantou um pouco e saí na frente, vendo Ramsey vindo feroz atrás de mim. Segui a trilha de tinta no chão, saindo do lugar que nós estávamos, e entrando na avenida que estava movimentada para aquela hora da noite. Eu sabia que não eram civis, era o pessoal do Nixon tentando atrapalhar a gente. Olhei pelo retrovisor e vi Kayobe tentando passar Ramsey, os dois brigando, fazendo zig zag por entre os carros, enquanto eu estava na frente, cortando a avenida rapidamente.
Dei um sorrisinho com All For Us começando a tocar no som, e isso me fez acelerar mais, apenas prestando atenção na trilha de tinta que estava no asfalto. Até que vi a moto mais na frente fazendo a curva e entrando em uma outra rua. Eu estava em cima para fazer a curva, e estava passando muitos carros. Então pisei no freio e puxei o de mão, soltando do pé, e acelerei, fazendo o Dodge entrar de lado na curva, enquanto controlava o freio e o acelerador, mas um carro preto passou por dentro da minha curva de forma suave, me ultrapassando sem a menor dificuldade. Filho da puta! Soltei o freio e acelerei.
Kayobe e Ramsey ainda brigavam, um batendo no outro, que nem duas crianças em um brinquedo de carrinho bate bate.
Idiotas.
Não demorou muito para ela fazer Kayobe bater o carro, restando nós dois e mais outros dois corredores. Tinha um que ainda estava mais atrás. Meus olhos foram para o carro da frente, e logo senti meu Maximus sendo empurrado, vendo que aquela peste da Ramsey estava atrás de mim. Diminuí a velocidade bruscamente, fazendo aquela babaca vir com tudo na minha traseira, isso fez com que eu perdesse um pouco o controle, mas amassou todinha a frente do seu carrinho de caixa de cereal, enquanto o meu o máximo que fez foi arranhar a lataria. Acelerei rapidamente recuperando o controle, e o outro carro me passou, agora eu estava por último.
— Vai se foder, Ramsey! — reclamei, indo atrás dos outros dois agora.
Os alcancei rapidamente, e ficamos os três costurando a cidade, cada um tomando a liderança um momento. Até que chegamos à ponte e uni as sobrancelhas, vendo que ela estava erguida pela metade. Só pode ser sacanagem! Foda-se essa porra. Acelerei ainda mais, ganhando velocidade rapidamente, vendo o carro que estava em primeiro desistir, mas o segundo seguiu, saltando, e eu estava muito perto dele, tanto que quando o meu Dodge subiu, ele passou por cima do preto, caindo na frente. Meu coração acelerou demais e eu dei um grito, segurando o volante com força para não perder o controle da direção.
Segui a marcação da tinta, até que avistei pelo retrovisor Ramsey aparecendo de novo. Aquela mulher era pior do que barata! Que inferno. Ela começou a fazer a mesma coisa que fez com Kayobe, a bater na lateral do carro preto que estava tentando desviar dela, e, por um momento, uni as sobrancelhas, vendo quem era.
— . — Seu nome saiu de forma silenciosa de meus lábios.
Então segui a direção que estava fazendo, como se o cercasse e estivesse ajudando Ramsey para tirá-lo da corrida. Quando aquela barata maldita foi bater de novo no carro do Badlands, eu joguei para o lado e freei bruscamente, fazendo ela bater novamente na minha traseira, mas dessa vez com tanta força que meu carro rodou, me tirando da pista. E foi como se tudo tivesse acontecido em câmera lenta. O carro preto passando na minha frente, o vidro se abaixando, os olhos intensos de me olhando com suas sobrancelhas unidas, enquanto meus dedos apertavam o volante com mais força, e o carro de Ramsey capotando logo atrás de mim, passando direto e por sorte não me acertando. Bati de lado em um poste e minha cabeça acertou o vidro, me deixando tonto, e tudo se apagou por um momento.
Tinha um zumbido em meu ouvido. Abri meus olhos, sentindo as coisas girando ainda, e eu não estava dentro do meu carro. Um perfume familiar invadia meus pulmões, junto a um cheiro forte de gasolina. Uni as sobrancelhas e vi que estava me carregando em seus braços e me colocou no banco do carona de seu carro. Minha cabeça estava doendo, e eu mal conseguia pensar direito. As coisas ainda estavam meio confusas. Badlands deu a volta e entrou no lado do motorista, dando partida e saindo dali. Mantive meus olhos nele, sentindo a tontura ir passando aos poucos, até que ouvi uma explosão, que fez o chão tremer. Adeus, meu Dodge Maximus.
— Por que me ajudou? — perguntei baixo, mas ainda assim minha voz passou por cima da música que tocava.
me olhou por alguns segundos com aquele seu olhar que parecia engolir a minha alma.
— Por que você me ajudou? — questionou de volta, e eu retraí meus lábios, me virando no banco e olhando para a janela agora. — Sabia que não iria me responder.
— Você também não respondeu — retruquei e meus dedos foram até seu colar que estava em meu pescoço.
Será que ele tinha visto?
— Você tem que parar de aparecer assim na minha vida — avisou, como se estivesse me dando uma bronca.
Aquilo me fez respirar profundamente.
— Se você quer que eu desapareça... — sussurrei e lambi meus lábios com certa força — não deveria ter me tirado daquele carro.
— Você não entendeu. Eu não quero que desapareça, só que não atravesse na minha frente parecendo um tornado e levando tudo consigo quando vai embora — respondeu bem sério
Aquela merda arrancou o ar dos meus pulmões, e meu maxilar travou.
— Para o carro — pedi.
Ele só fez o que pedi. Abri a porta, mas o olhei.
— Obrigado pela ajuda — agradeci, porque se não fosse por ele eu teria virado churrasco.
— Nós podemos dividir esse território. — Ofereceu rapidamente antes que eu saísse. — Provavelmente você teria ganhado se não tivesse me ajudado.
— Foi escolha minha te ajudar, eu perdi. É seu agora — falei, saí e fechei a porta, atravessando a rua rapidamente mesmo que ainda estivesse tonto.
Então apenas peguei meu celular no bolso de minha calça e liguei para falando o que aconteceu, e avisei que estava indo embora. Ela disse que iria comigo. Encerrei a ligação e chamei um Uber.
Sentei no meio fio e tudo o que queria era a porcaria de um maldito cigarro, já que o meu tinha ficado no carro. Abaixei a cabeça e o colar de balançou diante dos meus olhos. Por que eu estava usando aquela porcaria? O segurei com força e arranquei aquilo do meu pescoço, o jogando longe, vendo ele cair no meio da rua a alguns metros de distância.
— Vai se foder, ! Vai se foder! — xinguei, levantando irritado, indo até aquela droga de colar e o peguei, arrumando o elo que tinha aberto.
Passei meu polegar pelo coração e respirei bem fundo, o colocando de volta em meu pescoço. Eu não iria ficar pensando nele e nem em nada do que tinha acontecido essa noite. Apenas não podia. Seguiria com o plano e só.
(Me diga o que é pior)
Living or dying firs
(Viver ou morrer primeiro)
Quase arranquei aquela máscara de coelho branco da minha cara, já puto da vida que aquela merda de festa não tinha atingido o objetivo que eu queria. Era para o Badlands ter vindo. Não tinha enviado um convite formal, mas tive garantias de que ele ficou sabendo do evento. Porém ele não tinha aparecido.
Já passava das três da manhã, e ainda não o tinha visto em nenhum lugar. Tudo bem que era uma festa de máscaras de animais, algo bem específico e peculiar, mas tinha sido proposital, porque eu sabia que ele não iria aparecer no território que não era dele sem ser convidado de forma que todos o reconhecessem ali. Aquilo era frustrante. Sabia que tinha sido um babaca com ele, mas esperava que realmente aparecesse, só que, pelo visto, tinha acabado com tudo. Ozzy tinha razão, aquele meu comportamento nunca me levava a muitos lugares, não os que eu deveria ir pelo menos.
O pior de tudo era que eu tinha planejado aquela festa por duas semanas pensando em cada detalhe, o que faria, como as coisas iriam acontecer, o que eu falaria quando o visse. Pensei até em quais seriam suas opções de máscara. Leão. Tigre. Lince. Onça. Pantera. E o imaginei com todas, e em cada versão vestia uma roupa diferente, mas em todas o imaginava de social, apenas as cores e as estampas que mudavam. Em todas as vezes que pensei nele, que foram muitas, sabia que estaria gostoso de qualquer jeito, que conseguiria ver seus olhos intensos pelos buracos da máscara, e então seus lábios perfeitamente desenhados iriam sorrir ao me ver com aquela máscara de coelho branco, uma pequena criatura indefesa, trajando branco, uma camisa de tecido fino quase transparente, de botões, com eles quase todos abertos e uma calça jeans clara de cintura alta, que deixava minha bunda bem marcada. Era como se eu tivesse pronto para o abate. Badlands me veria destacado no meio das pessoas e saberia que estava vestido daquele jeito para ele. Mas isso não aconteceu! Porque ele não foi!
Enfiei a mão dentro do bolso e peguei o meu maço de cigarro, já tirando um e colocando entre meus lábios. Girei a pedra do isqueiro de plástico para que a chama se acendesse, mas ele apenas fez uma pequena fagulha. Então tentei de novo, e de novo, mas não acendia. Bufei irritado com aquilo e joguei aquela merda longe.
Saí andando, passando por entre as pessoas apressado, esbarrando nelas, porque não saíam da minha frente, estavam bêbadas e chapadas demais para isso. Para mim, aquela festa já tinha dado o que tinha que dar: nada.
Por mais que eu olhasse para os lados e ainda tivesse a esperança de achá-lo no meio dos outros, tudo o que via eram máscaras com rostos por baixo delas que não me interessavam. Cachorro, gato, sapo, urso, lebre, guaxinim, coruja, e a última que vi foi um lobo. Rolei meus olhos. Eu só queria beber até cair para ver se assim ficava menos pior.
— E aí? Ele veio?
, com sua máscara de raposa, surgiu na minha frente, me dando um susto como se tivesse aberto um portal vindo direto do inferno.
— Não — respondi irritado. — Me empresta seu isqueiro, por favor — pedi.
Ela já o tirou debaixo da alça larga de sua blusa, me entregando. Acendi o cigarro e a devolvi.
— Valeu — disse, depois de tragar bem fundo. — Eu deveria ter pegado o número dele. Fui um idiota.
— Você deveria tê-lo beijado em vez de ter socado o nariz dele! — rebateu, me fazendo rolar os olhos. — Fala sério, . Eu não acredito que você dispensou ele.
— Tá, tá.
Abanei minha mão no ar, não querendo ouvir aquilo de novo e respirando fundo, pensando no que fazer.
— Não gosto desse silêncio, sua mente é perturbada demais e quando você fica calado, logo sai alguma merda — falou preocupada.
Eu só sorri, achando aquilo engraçado, mas sabendo que ela tinha total razão. Então algo brilhou na minha mente. Mordi a ponta da minha língua e peguei meu celular que estava no bolso de trás da minha calça. Mandei uma mensagem para um contato meu, perguntando se ele sabia por onde Badlands estava andando. E logo ele me passou um endereço. Gostava disso, de agilidade. Sabia que poderia ter mandando mensagem antes para saber se estava vindo, mas eu queria mesmo era ter encontrado ele ali.
Comecei a andar rapidamente, já saindo da boate que estava dando a festa. Eu sabia que não deveria estar fazendo aquilo e que era loucura, mas sempre soube que faltavam muitos parafusos em minha cabeça.
perguntou o que eu ia fazer, mas não respondi, apenas falei que deveria ficar ali. Ela não rebateu, e eu apenas entrei no meu carro, dando o endereço para Javier. Seus olhos me encararam pelo retrovisor e eu apenas abaixei o vidro, tragando meu cigarro e soltando a fumaça.
Meu pé balançava na batida da música que tocava no rádio, enquanto o vento soprava forte meu rosto e meu cabelo. Eu pensava no que ia fazer, mas nada parecia bom, então deixei para improvisar na hora, quando chegasse e visse a situação que me encontraria.
Depois de meia hora, Javier parou na frente de uma casa de stripper. Aquilo me fez torcer o nariz. Sério? Suspirei e desci do carro, pedindo para que me esperasse por ali, que eu não deveria demorar muito.
Parei na porta do lugar e tirei minha máscara, o segurança me olhou de cima embaixo e abriu a porta para que eu entrasse. Tinha um pequeno hall ali com a luz vermelha acesa e uma cortina que parecia ser da mesma cor, que certamente separava a entrada do salão. Passei meus lábios um sobre o outro e coloquei minha máscara de volta. Arrumei o cabelo, o jogando para o lado.
Vamos lá!
Meus dedos puxaram a cortina e eu entrei no lugar.
As luzes coloridas batiam na minha roupa, e a neon que tinha por toda a parte me fazia parecer um farol azul claro ali dentro. Mas não parei ou me escondi, até porque não tinha como fazer aquilo, qualquer um veria um coelho branco correndo. Umedeci meus lábios, olhando para os lados, procurando o maldito cara. Mas ele não estava por ali, então segui até o balcão, e uma loira veio me atender.
— Você sabe onde o Badlands está? — perguntei, porque todos ali deveriam saber quem ele era.
— Andar de cima, ele está em uma das salas privadas — avisou, e eu concordei com a cabeça. — Ele não gosta quando interrompem o show particular dele.
Aquilo me fez rir nasalado.
— Obrigado.
Segui andando até a entrada do segundo andar, vendo uma chave de acesso pendurada no cinto do segurança. Caminhei até lá e esbarrei nele, pegando o cartão disfarçadamente.
— Desculpa — pedi rapidamente, colocando a mão no ombro dele.
— Tudo bem — respondeu rapidamente.
— Acho que você pode me ajudar. O Badlands mandou me chamar, mas a garota que me passou a informação não falou em qual das salas ele estava, só me passou o cartão de acesso — falei, mostrando o cartão para ele.
Ele passou um rádio fazendo aquela mesma pergunta para alguém.
— Ele está na 38 — responderam, e o segurança apenas me confirmou, já tirando a corda para que eu passasse.
Agradeci e subi, dando de cara com mais um segurança ali. Falei com ele que era meu primeiro dia e que não sabia como funcionava, então o sujeito foi gentil em me explicar por qual corredor deveria seguir para chegar até a sala que estava. Apenas balancei a cabeça e segui até lá. Então entrei sem fazer barulho. Mordi meu lábio inferior, vendo Badlands sentado de costas para a porta, em um sofá, assistindo uma mulher seminua dançando em um pequeno palco no pole dance.
Caminhei até lá com cuidado para meus sapatos não fazerem barulho e parei atrás dele. A mulher tinha me visto, mas não me olhou, continuou encarando Badlands enquanto dançava para ele. Então sutilmente coloquei minhas mãos em seu ombro e fui descendo com elas pelo seu peito definido por cima da camisa, que estava quente. Seu rosto se virou para baixo, encarando minhas mãos, e fui abaixando meu troco até levar meus lábios em seu ouvido.
— Eu estou tão chateado com você — sussurrei em seu ouvido, e ele pareceu bem surpreso em ouvir minha voz.
— Que pena — rebateu, me fazendo morder a ponta de minha língua por seu descaso. — Como me achou? — Foi seco comigo.
— Como não te achar? — questionei, com um tom provocante.
— O que você quer? — Quis saber, ele estava sendo ríspido.
Apenas tirei minhas mãos dele por causa daquilo.
— Assim você me magoa, — disse, como se tivesse ficado triste.
— Se você tivesse um coração, talvez poderia ficar magoado.
Aquilo me fez rir fraco, ele tinha razão.
— E é Badlands para você.
Ergui uma sobrancelha, então fiz um sinal para a garota sair. Ela parou de dançar e se mandou dali pela mesma porta que entrei. Dei a volta no sofá e peguei um controle sobre a mesa que era do led da sala, fazendo as cores pararem de mudarem e ficarem apenas vermelhas.
Virei para , e o olhei por inteiro, vendo que tinha um certo volume em sua calça, certamente por causa da garota que estava dançando ali antes. Seus olhos intensos me fitaram lentamente por inteiro, de um jeito que me fez sentir calor.
Começou a tocar You should see me in a crown, e isso me fez sorrir de lado. Me aproximei de Badlands, apoiando meu joelho no sofá ao lado de sua perna e segurando o tecido de minha camisa, a puxando lentamente para cima, deixando minha pele ficar exposta aos poucos. Suas mãos foram para trás, segurando a guarda do sofá, declarando que não me tocaria.
— Bite my tongue bide my time — cantei junto à música.
Com a outra mão, segurei seu ombro, levando minha outra perna para a lateral de seu corpo, deixando que ficasse entre elas. Seus olhos desceram até minha barriga, que estava exposta, vendo uma pistola branca presa no cós da calça. Então subiu seu olhar até meu rosto, pegando meus olhos por baixo da máscara.
— You should see me in a crown — sussurrei, dando um sorriso de lado.
— I'm gonna run this nothing town — ele cantou junto à música, sua voz deliciosa me arrancando um arrepio. — Watch me make'em bow. One by one by. One.
Eu não tinha ideia como aquele homem conseguia ser tão sexy.
— One by one by. — Soltei, agora bem perto dos seus lábios, deixando meu rosto de lado para a máscara não tocar em sua pele.
Levei meu rosto para a lateral do seu.
— Não estou aqui para te matar, Badlands — contei em seu ouvido. — Pode pegar a minha arma se não confia em mim.
Sua mão realmente pegou a minha pistola, tirando o cartucho dela e puxando o ferrolho para que a bala que estivesse engatilhada caísse, então jogou tudo no chão de forma bruta.
— Quanta desconfiança. Você ainda não sabe o que posso ter em minhas costas — provoquei.
— Você socou meu nariz só porque eu te toquei, imagina o que pode fazer se eu me distrair por um segundo. — Aquilo me fez morder a bochecha por dentro. — Me mostra o que tem atrás — pediu, me olhando, esperando que eu mostrasse.
— Me desculpe por aquilo, amor. Não foi intencional, foi apenas reflexo, e eu achei que fosse algum idiota querendo encher o meu saco — expliquei, o que era totalmente verdade, se soubesse que era ele, nunca queria feito aquilo. — E sobre o que tem minhas costas… Por que você não olha? — Desci meu corpo, sentando em seu colo, sentindo como ele ainda estava duro.
— Você não gosta que te toquem — lembrou daquilo, me fazendo sorrir.
— Não sem a minha permissão, e estou te dando uma.
Minha mão apertou de leve seu ombro e deslizou por ele, indo até sua nuca, fazendo meus dedos se perderem em seus fios macios.
— A não ser que você não queira. — Completei.
Então seu olhar desceu pelo meu corpo e sua mão esquerda soltou o sofá, vindo até minha cintura. Senti as pontas de seus dedos, que estavam gelados contra a minha pele quente, me tirando um arrepio por onde eles iam passando, subindo, deslizando, indo para trás dela com sua mão forte e grande, levando o tecido para cima e deixando minha pele mais exposta. Seus olhos encaravam meu corpo, como se estivesse decorando, e talvez estivesse mesmo. Até que apertou a lateral de minha cintura sem o menor aviso, me fazendo pular em seu colo com um pequeno susto, tirando uma risada nasalada dele. Seus dentes morderam seu lábio inferior e eu apenas suspirei com aquilo.
— Tão sensível — comentou, com seus olhos subindo lentamente até encontrarem os meus. — Ou apenas assustado?
Sua pergunta me fez umedecer os lábios.
— Achou alguma coisa? — rebati, estreitando meus olhos, então sorri de lado.
— Uhum — murmurou, agora encarando os meus lábios. — Um coelhinho assustado. — Sorriu de lado.
— Será que ele está assustado?
A minha língua passou pelos meus dentes e movi meu quadril sobre o seu na batida da música, vendo respirando fundo com aquilo, senti até sua mão tornear minha cintura com certa pressão até a parte de trás, verificando mesmo se eu não estava armado ainda.
— Você vai me caçar, Badlands? — perguntei em seu ouvido, dando um riso fraco.
— Para com isso. Você está me deixando excitado e não vamos fazer nada — rosnou, segurando minha cintura com força.
Gemi em pura provocação.
— Não vamos? — Puxei seu cabelo com força, fazendo seu pescoço ficar exposto. — Posso ver o quanto você está excitado comigo? — pedi, com uma voz baixa.
Agora minha outra mão tocou seu peito e já foi descendo.
— Sai de cima de mim, — mandou bem bravo.
Antes que eu respondesse ou me mexesse para sair dali, vi uma luz verde piscar na porta, indicando que alguém tinha aberto. Minha mão saiu de seu peito e foi lentamente para minha perna, onde tinha uma faca de combate em um coldre que ficava no cano da minha bota. Meus dedos pegaram o cabo dela, enquanto meus olhos estavam na porta. No segundo que ela abriu, a primeira coisa que foi revelada tinha sido uma arma com um silenciador, eu soube que era para matar um de nós dois.
O homem entrou e apontou em nossa direção. Então, em apenas um movimento rápido, puxei a faca da bainha e a atirei no pescoço do sujeito, bem no meio, e joguei meu corpo para trás, levando comigo, sentindo sua mão apertar ainda mais minha cintura. Mesmo assim, ouvi o som do disparo e algo molhou minha roupa. Olhei para baixo, vendo o tecido branco e minha pele manchada, e rapidamente encarei Badlands. Ele tinha uma careta em seu rosto e sua outra mão em seu ombro, que sangrava.
Merda.
— Eu iria perguntar se está tudo bem, mas a resposta está sangrando. — Soltei, saindo de cima dele.
Peguei minha arma no chão, colocando o cartucho de volta e indo até a porta, arrancando minha faca que estava enfiada na garganta do sujeito, acabando de matar o desgraçado.
— É um dos seus? — perguntei, claramente irritado, já destravando a pistola e apontando para , que me olhava de volta nada feliz.
— Se fosse para te matar, eu mesmo faria isso — rebateu nervoso, também ainda segurando o seu ombro, então se levantou. — Para de apontar essa merda para mim.
Ergui uma sobrancelha e tombei minha cabeça de lado com um pequeno bico.
— Sua faca me fez ter certeza de que nunca devo confiar em você — comentou, se aproximando, enquanto eu já dava uns passos para trás, mantendo uma distância dele.
— Ótimo, eu também não confio em você, amor — rebati.
Ele sorriu de um jeito debochado. Encarei o homem morto, não o reconhecendo.
— Sabe quem é? — Apontei com a faca pingando sangue para o cara.
— Hm — murmurou e se abaixou, olhando o rosto dele. — É um dos capangas do Kayobe…
— Ozzy tem uma boa relação com ele.
Então, logo não era a minha morte que estava sendo encomendada ali.
— Era para mim — disse, por fim, e ergueu a cabeça, me olhando. — Você está sexy sujo com o meu sangue e vestido assim.
Sádico do caralho.
Aquilo me fez soltar o ar e rolar meus olhos, já travando a minha arma e a guardando de volta no cós da calça.
— Uma pena que ele errou o tiro — debochei, dando um sorrisinho, e me lançou um olhar mortal. — Pegou no ombro?
— Sim, mas foi de raspão. — Tirou a mão, me mostrando sua camisa queimada pelo tiro.
Aquilo deveria estar ardendo.
— Nada demais, não precisa se preocupar, amor.
Estreitei os olhos com a sua ironia.
— Não estou preocupado — falei, me aproximando dele e limpando minha faca em sua camisa. — De nada por ter salvo essa sua linda cabecinha — disse, com meu rosto perto do seu, levemente de lado para a máscara não tocar nele e nossos lábios ficarem próximos. — Nos vemos por aí? — perguntei, guardando minha faca.
Afastei, dando uns passos para trás, sentindo meus saltos curtos afundando no carpete molhado de sangue.
— Talvez — ele respondeu.
E no momento que fui me virar para ir embora, me pegou pela cintura e, com a outra mão, tirou minha máscara rapidamente. Antes que eu falasse qualquer coisa sobre aquilo, seus lábios se juntaram aos meus com força. Respirei fundo por causa daquilo, conseguindo sentir o cheiro do seu perfume misturado ao de sangue que estava no ar.
Minhas mãos estavam espalmadas em seu peito como se fossem afastá-lo com brutalidade e sentindo sua camisa preta molhada, mas logo meus dedos torceram o tecido e soltei um suspiro, abrindo minha boca e deixando sua língua entrar vagarosamente, como se estivesse apreciando aquilo. Meus lábios contornaram os seus lentamente, enquanto minha língua percorria por cima da sua em uma dança sexy junto à batida da música que tocava no momento. Sua boca tinha um gosto de menta, certamente um chiclete ou bala que deveria estar mascando a pouco, e o toque de sua língua era fodidamente gostoso, quente, macio, erótico, assim como seus lábios sobre os meus.
Suas mãos alisavam minha cintura e me puxavam para mais perto, fazendo meu peito se prender com o seu. Senti sua camisa molhando a minha com o sangue que estava nela, e isso me fez arfar, ficando arrepiado. Seu beijo era gostoso, lento e parecia estar apreciando aquilo tanto quanto eu. Subi uma de minhas mãos até seu rosto, alisando seu maxilar, que se movia lentamente conforme o beijo, e o contornei com as pontas de meus dedos, indo para seus fios e se perdendo ali do mesmo jeito que eu me perdia naquele beijo, soltando um pequeno suspiro. Chupei sua língua antes de soltá-la e mordiscar seu lábio inferior. Me afastei dele, olhando nos seus olhos, que me encaravam daquele jeito intenso dele.
Sentia meu corpo vibrando de um jeito que me fazia querer respirar fundo para recobrar cada sentido meu.
Então peguei minha máscara de sua mão e a coloquei de volta em meu rosto. Me virei e saí dali sem falar nada, ou sabia que provavelmente o beijaria novamente. Assim que cheguei ao corredor, sorri de lado, passando meu polegar por debaixo do meu lábio inferior, ainda sentindo o gosto da boca de em minha língua.
O desgraçado tinha mesmo que beijar bem?
— Acho que sujaram a sala 38 — avisei para o segurança, apontando para trás enquanto ele me olhava todo sujo.

