Revisada por: Saturno 🪐
Última Atualização: 31/10/2025Tentava ignorar seus próprios pensamentos, que sussurravam em seus ouvidos todas as coisas que ela mais temia que acontecessem. Seu peito se apertava a cada segundo, seus olhos seguravam lágrimas, então ela se reprimia, engolindo em seco e repetindo mentalmente o mantra que conhecia desde que se entendia por gente.
Silenciosa como uma gata. Esperta como uma raposa. Certeira como uma cobra.
Precisava agir de forma racional, só assim teria alguma chance contra o que lhe aguardava.
, no entanto, nunca havia encontrado tanta dificuldade em ouvir os comandos que seu cérebro esbravejava. Pela primeira vez, ela era apenas emoção.
Uma enxurrada de lembranças tomou conta de sua mente, seus punhos se apertaram ainda mais. Seus batimentos cardíacos triplicaram, mas aquilo não tinha tanto a ver com a adrenalina, mas sim a perspectiva de algo que estava bem diante de seus olhos, porém a garota nunca havia conseguido admitir para si mesma.
Aumentou a frequência de seus passos, esgueirando-se na penumbra, escondendo-se em meio às sombras e aproveitando o disfarce que estas lhe forneciam.
Subitamente, um frio subiu por sua espinha, fazendo com que olhasse para trás antes que o amuleto em seu colar esquentasse, lhe alertando que ela precisava ser mais rápida.
Quando chegou ao único lugar em que a luz se infiltrava com maior intensidade, uma risada ecoou em um tom diabólico que a arrepiou por inteira.
— , nós estávamos esperando por você — cantarolou, fazendo com que a garota desistisse de tentar se esconder nas sombras e se aproximasse.
A primeira coisa que identificou foi a silhueta maligna, que ria de suas reações, logo depois percebeu outras ao seu redor, mas ainda não foi a isso que ela se ateve.
Como se um ímã a puxasse, olhou na direção dele, o responsável pela confusão entre razão e emoção, porém não havia tempo para conflitos internos ou certezas recém descobertas.
Um grito de dor ecoou dos lábios da garota ao perceber o estado em que ele se encontrava. Aquele, que sempre se mostrava tão forte. Aquele, que lhe arrancava sorrisos mesmo nos momentos mais estranhos e até mesmo inconvenientes. Aquele, que muitas vezes havia sido sua fortaleza em meio ao caos. Não conseguia aceitar vê-lo daquela forma indefesa, tão frágil, beirando a inconsciência.
— — ele conseguiu sussurrar, fazendo o coração dela se aquecer a princípio para logo depois se apertar e um nó se formar em sua garganta.
— Bill — o choro ficou entalado em sua garganta, trazendo um tom esganiçado à sua fala.
— Fuja, . Não deixem que te levem, por favor — disse, com urgência, e a garota sentiu as lágrimas por fim descerem de seus olhos, molhando toda a extensão de suas bochechas.
— Não posso, Bill. Eu prometi que nunca deixaria você — não sabia como livraria ambos daquela situação, mas sentia que morreria por ele, se fosse necessário.
— Que reencontro mais romântico e comovente — o tom de deboche incitou a raiva de , fazendo com que segurasse sua varinha com mais firmeza. — É uma pena que vou ter que acabar com ele — acrescentou.
Os acontecimentos seguintes se transformaram em um completo borrão. Em um instante, esqueceu de tudo, até mesmo de quem era, então se rendeu à imprudência e se lançou naquela batalha, mesmo sabendo da derrota iminente. Seus gritos ecoavam como música aos ouvidos daquela que era a sua maior ameaça. As risadas que recebia em resposta só demonstravam o quanto aquilo era divertido para seus inimigos.
Seu olhar, mais uma vez, seguiu em direção a Bill e o arquejar dele fez com que sentisse uma nova onda de fúria tomar conta de si.
Então, tão subitamente quanto veio, a raiva foi substituída pelo pavor e este veio seguido pelo desespero quando os olhos de distinguiram um lampejo de luz verde.

