"Quando duas almas finalmente se encontram, nenhum tempo ou distância pode separá-las."
-Antoine de Saint-Exupéry
Casa do Mago - 20h15
A noite estava pesada, carregada de um silêncio que parecia prender a respiração de Seokjin. Sentado ao lado da lareira, ele encarava as chamas como se nelas pudesse encontrar respostas. Namjoon permanecia de pé, observando-o com uma expressão grave, sabendo que a verdade que acabara de revelar ainda pulsava na mente do cavaleiro.
— Todas as suas reencarnações terminaram em tragédia, Seokjin — a voz do mago era baixa, mas cada palavra parecia pesar toneladas. — Você e Taehyung sempre se encontram, com nomes e classes diferentes, sempre se amam... e sempre são arrancados um do outro.
O cavaleiro fechou os olhos por um momento, os dedos apertando o tecido de sua calça. As imagens das vidas passadas que Namjoon lhe mostrará ainda queimavam em sua mente: ele e Taehyung em diferentes épocas, diferentes corpos, mas sempre os mesmos olhares apaixonados, os mesmos toques furtivos, as mesmas promessas murmuradas ao vento. E o mesmo fim cruel.
— Por quê? — sua voz soou rouca, repleta de desespero. — Por que o destino insiste em nos separar?
Namjoon se ajoelhou ao lado dele, os olhos escuros carregados de compaixão.
— Porque algo ou alguém não quer que fiquem juntos. Existe uma força impedindo esse amor de florescer até o fim, e eu ainda não sei quem ou o que está por trás disso.
Seokjin passou as mãos pelos cabelos, frustrado. Seu coração martelava com um medo crescente. E se esta vida não fosse diferente? E se estivessem condenados a repetir o mesmo sofrimento?
— Eu não posso deixar isso acontecer de novo — murmurou, mais para si mesmo. — Eu não posso perdê-lo outra vez.
Perdê-los…
Namjoon o encarou por um instante e depois se levantou, indo até uma das prateleiras repletas de pergaminhos antigos. Pegou um em particular e o estendeu para Seokjin.
— Eu também não quero que você perca — disse. — Por isso estou aqui. Por isso sempre tentei impedir esse ciclo. Desta vez, temos uma chance.
Seokjin pegou o pergaminho com as mãos ligeiramente trêmulas. Algo dentro dele queria acreditar. Queria agarrar essa possibilidade com todas as suas forças.
Mas, no fundo, o medo ainda o assombrava.
O destino os deixaria escapar desta vez?
Os dias se passaram desde a revelação de Namjoon, mas a mente de Seokjin estava longe de encontrar descanso. A cada noite, os sonhos vinham com mais força, fragmentos de vidas que ele nunca viveu e, ao mesmo tempo, reconhecia. Vultos, promessas quebradas, finais trágicos que sempre se repetiam. Em todas as visões, ele e Taehyung eram arrancados um do outro antes de terem a chance de serem felizes.
Em uma dessas noites, Seokjin viu-se em um campo dourado, o céu tingido de tons de vermelho e roxo ao entardecer. Ele correu, o coração acelerado, sabendo que alguém o esperava do outro lado. Quando finalmente o encontrou, Taehyung estava ali, de pé, sorrindo. Mas antes que pudesse tocá-lo, a cena se desfez, substituída por chamas consumindo um castelo, por gritos ecoando no vazio.
Ele acordou sobressaltado, o peito arfando. O suor frio escorria por suas têmporas enquanto tentava se agarrar às imagens que fugiam rapidamente de sua mente. O destino estava tentando lhe dizer algo? Seria apenas coincidência ou estavam fadados a sempre se perderem?
Na manhã seguinte, Seokjin confrontou Namjoon.
— Por que estou vendo isso? — Sua voz soava rouca. — Todas as nossas vidas... por que sempre termina assim?
Namjoon suspirou, parecendo pesaroso.
— Porque há algo que ainda não foi quebrado. O ciclo de vocês é antigo, Seokjin. Há forças que não desejam que fiquem juntos, mas também há forças que lutam para mudar isso. Você precisa decidir se está pronto para enfrentar esse destino... ou se vai permitir que ele se repita mais uma vez.
[...]
O silêncio no salão do trono era quase insuportável. A tensão pesava no ar, como se as próprias paredes sentissem o peso do que estava prestes a acontecer. Taehyung estava de pé no centro do salão, as costas eretas, as mãos pousadas sobre o ventre ainda discreto, mas que agora carregava um segredo impossível de esconder. Seu olhar não vacilava diante da fúria do rei.
Dorian estava diante dele, os punhos cerrados ao lado do corpo, os olhos incendiados de raiva. Morana, postada à direita do monarca, observava a cena com um sorriso satisfeito, como um espectador à espera do clímax de um espetáculo sangrento. Lyra e Jimin, ao lado de Taehyung, mantinham-se tensos, os olhos se movendo de um para outro, pronto para intervir se fosse necessário.
— É verdade? — a voz do rei cortou o silêncio como uma lâmina afiada. — Você carrega um filho?
Taehyung manteve o queixo erguido, mas não respondeu de imediato. Havia um brilho desafiador em seus olhos, um fogo que jamais se apagaria, não importa quantas vezes Dorian tentasse quebrá-lo.
— E se for? — devolveu, a voz firme, porém suave.
Dorian riu, mas não havia humor no som. Era um riso envenenado pela frustração e pelo orgulho ferido.
— Não se faça de tolo, Taehyung! Você sabe muito bem o que estou perguntando. Esse filho... — ele apontou para o ventre do elfo com um gesto brusco. — Esse filho é meu?
Um silêncio sepulcral se instalou. Todos os presentes pareceram prender a respiração ao mesmo tempo. Morana inclinou-se levemente para frente, os olhos brilhando com uma mistura de malícia e curiosidade. Jimin cerrou os punhos, pronto para agir se Dorian tentasse algo.
Taehyung, por sua vez, sustentou o olhar do rei por um longo momento antes de sorrir. Não um sorriso alegre ou afetuoso, mas um sorriso carregado de ironia, como se estivesse se divertindo com a ignorância do homem à sua frente.
— Você realmente quer saber, meu rei? — sua voz era um sussurro afiado como vidro quebrado. Ele inclinou a cabeça levemente para o lado, os olhos brilhando com pura provocação. — Então, escute bem: não, este filho não é seu.
A resposta veio como um golpe, e Dorian ficou imóvel por um segundo, como se seu cérebro estivesse processando o que acabara de ouvir. Então, sua expressão se transformou. Seus olhos se arregalaram, sua respiração se tornou irregular e seus lábios se curvaram em um rosnado de pura fúria.
— O quê? — Sua voz tremeu, carregada de incredulidade e ódio crescente.
Taehyung riu baixinho, um som que reverberou pelo salão como uma melodia proibida.
— Por acaso você se esqueceu? — ele sussurrou, inclinando-se levemente para frente, aproximando-se do rei. — Você nunca me tocou. Nunca se deitou comigo. Você me fez consorte, me prendeu nesta gaiola dourada, mas jamais conseguiu me possuir. Então me diga, Dorian... como poderia este filho ser seu?
O som que escapou da garganta do rei foi quase um rugido. Ele avançou um passo, a mão erguida como se estivesse prestes a golpear Taehyung. Mas antes que pudesse completar o movimento, Jimin se interpôs entre os dois, os olhos ardendo em desafio.
— Não ouse tocá-lo — a voz de Jimin foi baixa, mas carregada de uma ameaça inegável. — Se encostar um dedo nele, eu juro que...
Dorian olhou para o próprio filho, seus olhos chamejando de raiva e traição. Mas algo nele hesitou. Talvez fosse o fato de que Jimin não recuava. Ou talvez fosse a certeza de que, mesmo com toda sua autoridade, ele não poderia quebrar Taehyung da maneira que desejava.
O rei então voltou novamente para Taehyung, e sua raiva transbordava de maneira diferente agora. Não era apenas fúria, mas algo mais sombrio, algo profundamente ferido.
— Você me enganou — cuspiu. — Fez de mim um tolo diante da corte. Todos devem estar rindo de mim pelas minhas costas, sabendo que meu próprio consorte me traiu como uma meretriz vulgar!
Os olhos de Taehyung brilharam com algo perigoso.
— Não me compare às suas concubinas — sua voz era fria, como uma lâmina deslizando pelo pescoço do rei. — Eu nunca precisei me deitar com ninguém por status ou favor. O amor que vivi foi verdadeiro. Coisa que você jamais conhecerá.
O peito de Dorian subia e descia rapidamente, sua mente um turbilhão de pensamentos e emoções que ele não conseguia conter. Ele olhou para Morana, que permanecia em silêncio, apenas observando, os olhos astutos calculando cada detalhe. Ele olhou para Jimin, que não sairia do lado de Taehyung nem que o próprio inferno se abrisse ali. E, por fim, olhou para o próprio consorte, que permanecia ali, belo e altivo, sem medo de suas ameaças.
— Você vai pagar por isso, Taehyung — murmurou o rei, sua voz gélida, um aviso silencioso.
O elfo apenas ergueu o queixo, um brilho de desafio em seus olhos.
— Talvez — respondeu. — Mas, ao contrário de você, eu nunca fui um homem preso a correntes invisíveis. Você pode me ameaçar, Dorian, mas nunca poderá tirar de mim o que já é meu por direito.
Dorian deu um último olhar a ele antes de se virar e sair do salão, seus passos ecoando pesadamente pelo chão de mármore. Morana o seguiu, embora tenha lançado um olhar carregado de interesse para Taehyung antes de desaparecer pela porta.
Lyra soltou um suspiro profundo, virando-se para Taehyung, os olhos preocupados.
— Isso foi insano — murmurou. — Mas, ao mesmo tempo... brilhante Taehy.
Taehyung finalmente permitiu que seu corpo relaxasse um pouco, um cansaço súbito se abatendo sobre ele. Ele pousou uma mão protetora sobre o ventre e sorriu levemente.
— Eu não poderia mais viver com essa mentira — disse baixinho. — Ele precisava saber. Agora, nós devemos estar preparados para o que virá a seguir.
E, no fundo, todos sabiam que Dorian não deixaria isso barato.
[...]
A inquietação tomava conta de Taehyung. Nos últimos dias, ele sentia algo diferente em seu ventre—um pulsar duplo, uma energia que não poderia ser explicada apenas pela presença de um único bebê. O curandeiro havia afirmado que sua gravidez estava dentro do esperado, mas seu instinto dizia o contrário. Ele sabia que ali havia mais de uma vida.
Lyra notou sua expressão distante enquanto ajeitava as almofadas no divã. A dama de companhia aproximou-se, pousando uma mão delicada sobre a dele.
— O que há, Alteza? Tem estado tão pensativo ultimamente…
Taehyung hesitou por um momento antes de falar, sua voz saiu baixa, quase um sussurro:
— Eu sinto que há dois.
Lyra franziu o cenho, sem entender de imediato.
— Dois…?
O elfo levou a mão ao ventre, acariciando-o com ternura e preocupação.
— Não é apenas um bebê, Lyra. Eu sei que são dois. Eu posso senti-los, como se suas presenças sussurrassem para mim… mas o curandeiro não percebeu.
Os olhos da mulher se arregalaram ligeiramente. Ela não duvidava das palavras de Taehyung—havia algo nele, uma sensibilidade mágica que a fascinava e a assustava ao mesmo tempo.
— Então precisamos encontrar alguém que possa confirmar isso — disse Lyra, sua mente já trabalhando em uma solução.
Taehyung assentiu, já sabendo exatamente quem poderia ajudá-lo.
— O Papai Melian. Ele já passou por isso antes… Ele entenderia.
Lyra engoliu em seco. Buscar o Consorte Melian significava que Taehyung teria que sair do castelo em segredo, ainda mais agora que Dorian estava mais atento a cada movimento seu. Mas olhando para a expressão determinada do consorte, ela soube que nada o impediria.
— Então, vamos chegar até ele de alguma maneira — declarou Lyra, decidida a proteger Taehyung em qualquer circunstância.
O elfo soltou um suspiro aliviado e apertou a mão dela em gratidão. Ele precisava de respostas e não descansará até tê-las.
[...]
A carta chegou ao amanhecer, selada com o brasão do reino Prateado. Taehyung a encarou por longos minutos antes de reunir coragem para abri-la. Seus dedos deslizaram sobre o selo verde, rompendo-o com um suspiro pesado. Ele conhecia aquela caligrafia. Era a letra do rei Galandriel.
"Meu amado filho,
Palavras jamais serão suficientes para expressar o peso que carregamos desde que deixamos você partir. Achamos que fazíamos o certo, que um casamento garantiria seu futuro e manteria a paz entre os reinos. Mas fomos cegos. Em nossa preocupação com o povo, esquecemos de olhar para você, para seu coração e sua felicidade. Nossa última visita nos abriu os olhos, e a dor que vimos refletida em você nos consome desde então.
Agora sabemos que esperamos tempo demais para agir. E o destino nos deu uma nova chance, uma nova razão para tentar nos redimir. Recebemos a notícia da sua gravidez, e isso nos trouxe alegria e medo. Sabemos que o lugar onde esta pode não ser seguro para você e para as vidas que agora carrega. Então, por favor, permitanos corrigir nossos erros. Permita-nos estar ao seu lado, não como reis, mas como seus pais.
Se você aceitar, enviaremos uma comitiva para buscá-lo. Se não puder partir, então iremos até você. Mas não ficaremos mais parados enquanto você sofre sozinho.
Com amor e arrependimento, Seus pais, Galandriel e Melian."
Os olhos de Taehyung passaram por cada linha várias vezes, o coração em tumulto. Ele sentia raiva, saudade e esperança misturadas de maneira avassaladora. Por meses, esperou uma demonstração de que ainda importava para eles. Agora, quando estava tão frágil, eles finalmente o buscavam. Mas seria o suficiente?
[...]
Os portões de Sollaria se abriram para a chegada imponente do Consorte de Yinsia. Cavalgando à frente de uma pequena comitiva de guardas élficos, Melian exalava uma presença que poucos ousariam desafiar. Sua túnica dourada refletia a luz do sol, mas seu semblante carregava a frieza de uma tempestade prestes a se formar. Não era apenas um líder chegando a um reino estrangeiro – era um pai em busca de seu filho.
O castelo estava em um estado de tensão evidente, sussurros percorrendo os corredores enquanto Melian avançava com passos firmes. Ao entrar no grande salão, Dorian o aguardava no trono, reclinado com arrogância e um meio sorriso de escárnio nos lábios. Morana estava ao lado, vestida de forma impecável, com olhos atentos e um ar de triunfo silencioso.
— Que honra receber o ilustre Consorte de Yinsia — Dorian disse, a voz carregada de sarcasmo. — Espero que a viagem tenha sido confortável. Mas confesso que estou surpreso por vê-lo. Não recebemos aviso de sua visita.
Melian parou a poucos metros do trono, a postura impecável, os olhos faiscando de indignação.
— E eu estou surpreso por não ter sido informado da real situação de Taehyung. Como ousa esconder de mim que meu filho está sofrendo neste castelo? Como ousa trancafiá-lo, humilhá-lo e tratá-lo como se fosse um prisioneiro?
O sorriso de Dorian se alargou, mas não alcançou os olhos.
— Seu filho? — Ele soltou um riso baixo. — O mesmo filho que você entregou de bom grado para este casamento? O mesmo filho que deveria honrar o seu papel, mas ao invés disso se envolve em traições e desonras?
Os punhos de Melian se cerraram, e sua aura mágica tremulou no ar como uma faísca prestes a incendiar tudo ao redor.
— Não ouse falar de honra, Dorian, quando você não tem nenhuma. Eu permiti esse casamento pensando no bem de nossos povos, mas nunca autorizei que você torturasse meu filho! Nunca permiti que o tratasse como se fosse menos do que o príncipe que é!
Dorian se ergueu de seu trono lentamente, descendo os degraus com a postura de um predador.
— Taehyung pertence a este reino agora. Ele é meu consorte, e as decisões sobre ele cabem a mim. Se ele tentou fugir, se quebrou suas obrigações, então é justo que enfrente as consequências.
Melian deu um passo à frente, aproximando-se o suficiente para que seus olhares se enfrentassem como lâminas cruzadas.
— As consequências? Você fala de punição quando foi você quem o condenou a uma vida infeliz? Seu ciúme doentio, sua arrogância e sua obsessão pelo controle são as verdadeiras correntes que o prendem! Mas eu lhe aviso, Dorian: se algo acontecer a Taehyung, não haverá tratado, não haverá diplomacia, não haverá guerra que me impeça de tomá-lo de volta. Ele pode ser seu consorte, mas antes de tudo, ele é meu filho.
O salão ficou em silêncio absoluto. Morana, que até então observava em silêncio, pigarreou, tentando recuperar o controle da situação.
— Majestade, talvez possamos resolver isso de forma mais… civilizada — ela sugeriu, lançando um olhar calculado para Dorian. — O príncipe está em repouso. Com o devido cuidado, tenho certeza de que ele poderá esclarecer tudo a respeito desses boatos e evitar mal-entendidos.
Dorian lançou um olhar duro para ela, mas algo na fúria de Melian o fez hesitar. No fundo, o rei sabia que não podia simplesmente descartar as palavras do Consorte de Yinsia sem consequências.
— Muito bem — ele disse, recuando ligeiramente. — Você quer ver seu filho? Então seja bem-vindo a este castelo, Consorte Melian. Mas lembre-se: ele pertence a Sollaria agora.
Melian não respondeu. Não precisava. O fogo em seus olhos dizia tudo: se Taehyung estivesse ferido, nada impediria sua fúria.
[...]
A noite estava densa quando Melian adentrou os aposentos de Taehyung. A lareira queimava de forma preguiçosa, lançando sombras suaves pelas paredes, e o consorte real estava sentado em uma poltrona próxima à janela, envolto em um manto grosso. Ele não se virou imediatamente ao ouvir a porta se abrir, como se já soubesse quem era.
— Então, finalmente decidiu aparecer? — A voz de Taehyung era baixa, mas carregada de mágoa.
Melian deu alguns passos hesitantes em direção ao filho, mas manteve uma distância respeitosa. Seu olhar se suavizou ao ver o estado do jovem elfo. A palidez de sua pele, a magreza acentuada, os olhos inchados de noites mal dormidas. Ele era apenas a sombra do filho que ele lembrava.
— Meu menino…
— Não me chame assim! — Taehyung se levantou abruptamente, virando-se para encará-lo. Seus olhos, outrora brilhantes e cheios de vida, estavam nublados de tristeza e ressentimento. — Você não tem o direito.
Melian fechou os olhos por um momento, respirando fundo antes de continuar.
— Eu sei que te magoei… Eu sei que sua dor tem parte da minha culpa. — Ele hesitou, sua voz vacilando. — Mas eu estou aqui agora.
— Agora? Agora?! — Taehyung riu, mas era um riso amargo, sem alegria. — Depois de meses de silêncio, depois de me entregarem a um homem que nunca me amou, depois de me deixarem sozinho nesse castelo podre, você vem aqui e diz que está ‘aqui agora’?
Melian deu mais um passo à frente, a dor estampada em seus traços delicados.
— Eu nunca quis te abandonar.
— Mas abandonou! — Taehyung gritou, sua voz quebrando. — Você me entregou como se eu fosse um objeto, uma peça de um jogo político. Fez isso porque era mais fácil do que lutar por mim. Porque o seu povo importava mais do que seu próprio filho!
O silêncio que se seguiu foi pesado, cortado apenas pela respiração acelerada de Taehyung. Melian abaixou a cabeça, seus olhos brilhando com lágrimas não derramadas.
— Eu pensei que estava fazendo o que era certo… Que garantir um lugar para você ao lado de um rei te traria segurança. Mas eu estava errado. — Ele ergueu os olhos novamente, firmes, mas cheios de arrependimento. — Quando estive aqui pela última vez, vi o que Dorian fez com você. Vi o que você se tornou… E isso me destruiu.
Taehyung apertou os punhos, seu corpo tremendo com uma enxurrada de emoções conflitantes.
— Eu não preciso da sua piedade, Melian. Não agora. — Sua voz era fria, mas havia um tremor sutil em suas palavras.
— E eu não estou aqui para oferecer piedade. Estou aqui porque ainda sou seu pai.
Porque eu te amo e porque não vou mais fechar os olhos para o que está acontecendo. — Melian se aproximou, seu olhar firme. — Você está esperando um filho. Meu neto.
O olhar de Taehyung se suavizou por um instante, seus braços envolvendo instintivamente o próprio ventre.
— Eu senti que não era apenas um bebê… Eu sei que são dois. — Ele sussurrou, quase para si mesmo.
Melian pareceu surpreso, mas logo assentiu, como se aquilo fizesse sentido.
— Os curandeiros não perceberam?
— Não. Mas eu sinto. Eu sei. — Taehyung finalmente olhou diretamente para Melian, seus olhos azuis brilhando com uma emoção nova. — Eu não sei o que fazer. Não sei como protegê-los.
Melian se aproximou ainda mais e, hesitante, pousou uma mão delicada sobre o ombro do filho.
— Então deixe que eu te ajude. Não posso apagar os erros do passado, mas posso garantir que você e essas crianças nunca estejam sozinhos de novo.
O olhar de Taehyung oscilou entre resistência e necessidade. Uma parte dele queria empurrar Melian para longe, mas outra, desesperada, ansiava pelo amor e proteção que ele sempre quis receber.
A batalha dentro dele durou um longo instante, até que ele fechou os olhos e, com um suspiro trêmulo, permitiu que Melian o puxasse para um abraço apertado. Um abraço que, por tanto tempo, ele desejou, mas nunca teve coragem de pedir.
[...]
1 mês e 2 semanas depois…
A floresta de Zianol pulsava com uma energia própria, um mundo vivo que sussurrava segredos aos que se dispunham a escutá-los. Seokjin caminhava ao lado de Namjoon, seus olhos atentos aos detalhes ao redor. Cada folha, cada galho retorcido e cada raiz parecia guardar uma história. O vento soprava levemente, carregando o perfume amadeirado da terra úmida e o aroma sutil de ervas desconhecidas.
— Escute, Seokjin — disse Namjoon, sua voz grave e tranquila. — A floresta tem vida própria. Ela acolhe aqueles que a respeitam e repele os intrusos.
Seokjin assentiu, observando o mais velho se abaixar próximo a um arbusto de folhas prateadas. Namjoon arrancou uma única folha e a esfregou entre os dedos, liberando um cheiro cítrico e refrescante.
— Esta é a folha de Lumevar — explicou. — Misturada com água morna, pode curar feridas leves. Mas se triturada e exposta ao luar, torna-se um veneno mortal.
Seokjin pegou a folha e sentiu a textura fina entre os dedos. Ele tinha muito a aprender. Desde que chegara a Zianol, sentia-se como um estrangeiro em meio a um reino de mistérios.
Eles continuaram caminhando, e Namjoon mostrou outras ervas e flores, cada uma com um propósito, seja para curar, fortalecer ou, em mãos erradas, destruir. Era fascinante, mas algo dentro de Seokjin estava inquieto.
Era a terceira noite seguida que sonhava com Taehyung.
Não eram sonhos comuns. Eram vislumbres. Vislumbres de algo que parecia real, como se, em algum lugar, Taehyung também o estivesse sentindo.
No primeiro sonho, ele vira o elfo deitado em seu leito, segurando algo junto ao peito, os olhos marejados de lágrimas. No segundo, o ouvira sussurrar seu nome no vento, quase como um chamado. Mas na última noite, o sonho havia sido diferente. Ele vira Taehyung em meio a uma tempestade, cercado por sombras. Uma presença ameaçadora se escondia além do véu nebuloso, mas antes que pudesse entender o que era, ele acordara.
— Você está distraído — observou Namjoon, tirando-o dos pensamentos. — O que te preocupa tanto?
Seokjin hesitou. Não sabia explicar. Como poderia dizer que sentia Taehyung sem sequer vê-lo? Como poderia dizer que os sonhos pareciam mais do que meras lembranças?
— Eu... acho que ele está tentando me dizer algo — murmurou.
Namjoon o encarou por um momento e suspirou, como se já esperasse aquela resposta.
— O vínculo entre vocês é mais forte do que imagina — disse. — Não se trata apenas do presente, Seokjin. Essas conexões transcendem o tempo. São ecos de vidas passadas.
O guerreiro engoliu em seco. A ideia de que ele e Taehyung estavam entrelaçados em um destino antigo o assustava. O medo crescia dentro de si. Em cada sonho, sentia um fio invisível os unindo, mas também sentia algo tentando cortá-lo.
Namjoon pegou um pequeno frasco de vidro preso ao cinto e o entregou a Seokjin. — Mantenha isso perto de você ao dormir — aconselhou. — É um preparado que fortalece a mente e abre os sentidos para entender melhor o que os sonhos tentam dizer.
Seokjin aceitou o frasco, sentindo um peso desconhecido na consciência. Algo estava prestes a acontecer, e ele precisava estar preparado.
Porque, no fundo, sabia que o tempo estava se esgotando.
[...]
Seokjin já se acostumara à vibração das árvores, ao sussurro do vento entre as folhas, ao brilho etéreo das criaturas noturnas que deslizavam na penumbra. Mas naquela noite, algo estava diferente. O ar estava denso, carregado de uma energia opressora que eriçava os pelos de sua nuca.
Ele se movia com cautela entre os troncos retorcidos, atento a qualquer som que rompesse a sinfonia natural da floresta. Namjoon o ensinara sobre os perigos daquele lugar, sobre as plantas que poderiam curar ou matar, sobre os animais que caminhavam entre o mundo físico e o espiritual. Mas nada o preparara para o que estava prestes a enfrentar.
Um rugido rasgou o silêncio, reverberando entre as árvores como um trovão abafado. Seokjin congelou, os olhos vasculhando a escuridão até que os viu: dois pontos luminosos e ferozes, cravados na penumbra como brasas ardentes. A criatura emergiu das sombras com uma velocidade aterradora, um ser de presas longas e garras curvas, seu corpo revestido de escamas escuras que refletiam a pouca luz do luar.
Seokjin sacou a espada, o coração batendo frenético contra as costelas. O monstro rosnou, uma névoa esverdeada escapando de suas narinas – veneno. Ele não podia deixar que aquilo o atingisse. Com um movimento ágil, girou a lâmina e atacou, mirando as patas traseiras para desequilibrar a criatura. Mas era rápida, mais do que ele imaginava.
As garras se cravaram em seu ombro, rasgando a carne e jogando-o ao chão. A dor foi lancinante, um calor abrasador se espalhando pelo ferimento. Seokjin cerrou os dentes, rolando para longe do ataque seguinte, mas a fraqueza já começava a se instalar. O veneno se espalhava, lento e cruel.
Ele tentou se erguer, mas o monstro avançou novamente, pronto para desferir o golpe final. Então, um uivo cortou a noite. Um som primal, carregado de poder e fúria. A floresta estremeceu.
Namjoon.
A criatura hesitou por um instante, e foi o suficiente. Da escuridão, um vulto negro e feroz surgiu em uma investida brutal, cravando presas afiadas na carne do monstro. A batalha foi selvagem, brutal, mas Seokjin já não conseguia acompanhar. O veneno pulsava em suas veias, cada batida de seu coração era um tormento. Seu corpo tombou para o lado, a consciência se esvaindo como areia entre os dedos.
A última coisa que viu foram olhos dourados pairando sobre si, e a sensação reconfortante de que estava seguro.
Namjoon o carregou através da floresta em sua forma de lobo, os músculos tensos pelo medo e pela urgência. O sangue de Seokjin manchava seu pelo, quente e pegajoso. Ele sabia que o tempo era curto.
Ao chegar à cabana, transformou-se de volta, deitando Seokjin na cama com cuidado. Suas mãos buscaram ervas curativas, unguentos, qualquer coisa que pudesse desacelerar o efeito do veneno. Mas ele precisava de ajuda. Não poderia fazer isso sozinho.
Foi então que pegou um pergaminho e uma pena, escrevendo apressadamente:
“Yoongi, Seokjin está ferido. O veneno é forte e não sei se posso contê-lo por muito tempo. Ele precisa de ajuda, e sei que você fará o que for necessário. Akari levará esta carta até você.
Não demore. Ele precisa dele.
Namjoon.”
Com um assovio cadente, a ave apareceu na penumbra da noite, ele amarrou o pergaminho na pata de Akari e sussurrou uma ordem. O corvo grasnou, batendo as asas e desaparecendo à noite.
Agora, tudo o que restava era esperar – e torcer para que não fosse tarde demais.
[...]
Algumas horas mais tarde…
A noite estava densa quando Akari cortou os céus, suas penas escuras se misturando à escuridão como sombras vivas. O corvo desceu silenciosamente até a janela do assassino, onde Yoongi aguardava, sempre atento a qualquer notícia. Ao ver a ave, seu coração se apertou—nenhuma mensagem vinda daquele caminho poderia trazer boas novas.
Com dedos firmes, mas tensos, ele pegou a carta amarrada à pata de Akari e a abriu sob a luz fraca das velas. A caligrafia era de Namjoon, mas o conteúdo era o que mais importava.
“Yoongi, Seokjin está ferido. O veneno é forte e não sei se posso contê-lo por muito tempo. Ele precisa de ajuda, e sei que você fará o que for necessário. Akari levará esta carta até você.
Não demore. Ele precisa dele.
Namjoon.”
O papel tremia em suas mãos.
— Jimin! — Yoongi chamou com urgência.
Jimin surgiu no quarto em poucos instantes, acompanhado de Lyra. O príncipe não precisou perguntar nada—o olhar de Yoongi dizia tudo. Ele pegou a carta e leu em silêncio, os olhos se arregalando e a respiração falhando.
— Não… — A voz de Jimin quebrou, um sussurro carregado de horror. — Seokjin…
Lyra levou as mãos à boca, sentindo o choque atingir seu peito como uma onda fria.
— Precisamos contar a Taehyung — disse Yoongi, já se preparando para sair.
Taehyung estava sentado com Melian quando a porta do salão foi aberta de forma abrupta. O príncipe Jimin entrou primeiro, seguido de Yoongi e Lyra, todos com expressões tensas. Taehyung sentiu um arrepio percorrer sua espinha antes mesmo que dissessem algo.
— O que houve? — Ele se levantou lentamente, o instinto de proteção já se manifestando.
Jimin hesitou por um instante, mas não havia como suavizar aquilo.
— Seokjin está ferido. Gravemente ferido. Foi atacado… Yoongi recebeu uma mensagem. Ele pode não resistir.
O impacto daquelas palavras foi brutal. O corpo de Taehyung perdeu as forças, e se não fosse por Melian segurando-o, ele teria desabado no chão. Um aperto insuportável tomou conta de seu peito, e a respiração tornou-se errática.
— Não… não… — Ele levou as mãos ao ventre, sentindo o peso de uma dor que parecia transpassá-lo. — Eu… preciso ir até ele…
— Tae, você precisa se acalmar — Lyra segurou sua mão, mas ele a puxou de volta.
— Não me peça isso! — Ele gritou, lágrimas descendo por seu rosto. — Eu não posso ficar aqui enquanto ele morre! Eu não posso!
Melian segurou o rosto do filho com as duas mãos, olhando diretamente em seus olhos.
— Você não está sozinho, meu pequeno. Vamos encontrar um jeito… Mas o tempo estava contra eles.
[...]
A decisão foi tomada rapidamente. Jimin e Yoongi ajudariam Taehyung a fugir do castelo. Eles sabiam que Dorian jamais o deixaria partir, muito menos agora, com a gravidez descoberta. Era um risco enorme, mas Taehyung não via outra escolha.
O plano começou ao cair da noite. Com Lyra criando distrações dentro do castelo, Jimin e Yoongi guiaram Taehyung pelos corredores escuros, evitando guardas e olhos curiosos. Cada passo era um teste para os nervos, cada sombra parecia uma ameaça.
Eles quase conseguiram.
Mas então, a armadilha se fechou.
— Levem-nos! — A voz de Dorian soou como um trovão no corredor quando os guardas surgiram de todos os lados.
Havia sido um erro subestimar a vigilância do rei.
Jimin sacou a espada, pronto para lutar, mas Taehyung colocou a mão em seu braço, impedindo-o.
— Não. Não vale a pena. — Sua voz estava trêmula, mas determinada. Ele olhou para Dorian, os olhos transbordando ódio e desafio. — O que vai fazer agora, majestade? Me prender como um pássaro enjaulado? Me deixar definhar aqui enquanto ele morre?
Dorian não respondeu de imediato. Seus olhos brilharam de fúria e frustração.
— Vocês me enojam — ele rosnou. — Leve-o para os aposentos do consorte. Guardas, certifiquem-se de que ele não saia de lá novamente.
E assim, a esperança de fuga se desfez, deixando apenas o desespero e a incerteza sobre o destino de Seokjin.
[...]
A fúria do rei ressoava pelos corredores como uma tempestade furiosa. Guardas foram enviados em todas as direções, e quando Taehyung foi finalmente capturado, arrastado de volta ao castelo como um prisioneiro qualquer, o ar parecia pesado, sufocante. Seu corpo tremia, mas não de medo—era raiva, frustração, desespero. Ele tinha chegado tão perto. Tão perto de escapar.
Dorian o esperava no salão principal, o rosto contorcido em um misto de incredulidade e ira. A sala, normalmente fria e austera, parecia ainda mais opressora sob o olhar de fogo do rei. Taehyung foi jogado de joelhos no chão de pedra, seu cabelo bagunçado caindo sobre os olhos. Mesmo machucado e sujo, sua postura ainda era altiva.
—Você ousou tentar fugir de mim? — Dorian rosnou, dando passos lentos até ele. — Você me desonra, humilha esta corte, trai o seu próprio povo?
—
Seu povo nunca me quis aqui — Taehyung rebateu, sua voz cortante. — E você... nunca me tratou como algo além de um troféu.
A resposta só aumentou a ira do rei. Sem aviso, Dorian desceu um tapa ardente contra o rosto do elfo, o som ecoando pelo salão. Taehyung virou o rosto com o impacto, mas não demonstrou fraqueza. Seu coração batia acelerado, e uma parte de si sabia que aquilo não terminaria ali.
— Você se acha intocável por causa dessa... abominação que carrega? — O rei cuspiu as palavras. — Um filho bastardo, fruto de traição! Filho de outro bastardo.
Os olhos de Taehyung brilharam de escárnio, apesar da dor em sua face.
— Não tanto quanto você.
Dorian avançou sobre ele de novo, mas antes que pudesse encostar a mão, Morana se aproximou, sua presença foi serpenteando entre os dois como veneno.
— Majestade... — sua voz era doce, traiçoeira. — Talvez seja prudente não feri-lo ainda mais. Ele está debilitado. Devemos pensar no futuro.
O rei apertou os punhos. A raiva estava em seu olhar, mas Morana sabia que o envenenamento correto das palavras poderia direcioná-la para algo pior do que um simples castigo físico.
— O que sugere, minha querida? — Dorian perguntou, sem desviar os olhos de Taehyung, que ainda permanecia de joelhos, desafiador.
— Um exemplo. Uma lição inesquecível. O castelo inteiro precisa saber o que acontece com aqueles que ousam desobedecê-lo. — Morana se inclinou perto do rei, sussurrando algo que Taehyung não conseguiu ouvir, mas que fez o monarca esboçar um sorriso sombrio.
O consorte sentiu um calafrio subir por sua espinha. Ele sabia que qualquer coisa que
Morana estivesse tramando não seria boa. Seu coração batia forte contra o peito, o instinto gritava para lutar, para escapar de novo, mas agora ele estava completamente à mercê de Dorian.
O rei deu um passo para trás e o observou como se estivesse decidindo qual punição seria mais adequada. E então, ele finalmente falou:
— Amanhã ao amanhecer, todos verão do que sou capaz. Você não tentará me humilhar novamente, Taehyung. Seu lugar será definido de uma vez por todas.
O silêncio pesado caiu sobre a sala. Taehyung manteve o olhar fixo no rei, recusandose a mostrar medo. Mas por dentro, uma tempestade se formou.
Ele sabia que algo terrível estava por vir. E pelo bem da sua família, lutaria até o fim.
Mostraria a todos que além de herdeiro de um reino, ele era um guerreiro. Se Morana era como uma serpente, ele seria seu predador.
Taehyung podia estar ajoelhado no chão frio daquele salão, o corpo fraco pela dor e pelo cansaço, mas sua essência permanecia intacta. Seus olhos, embora sombreados pelo sofrimento, ainda carregavam o brilho de um rei coroado, de um guerreiro não vencido.
As correntes apertavam seus pulsos, mas não podiam prender sua vontade. O ar ao seu redor parecia carregado de algo invisível, algo que os guardas ao redor sentiam, mesmo sem entender. Eles tentavam ignorar o arrepio em suas peles, o estranho peso que pairava no ambiente.
Morana olhou-o, um sorriso satisfeito nos lábios.
— Você está acabado, Taehyung — sussurrou ela, se aproximando. — Não importa o que faça, não tem para onde correr.
Ele ergueu os olhos para ela, e foi naquele instante que Morana sentiu. O erro que acabara de cometer.
Porque Taehyung não era um prisioneiro.
Ele era um ser mágico, um descendente de linhagens antigas, de poderes que nem mesmo ela compreendia completamente. Ele era aquele que, mesmo em correntes, mesmo ferido, exalava uma presença que fazia o coração de qualquer um hesitar.
— Eu posso estar preso — sua voz soou baixa, rouca, mas implacável. — Mas não significa que você venceu.
O ar pareceu vibrar ao seu redor. Sua força estava ali, sob a pele pálida, nos ossos quebradiços, na dor que queimava como um lembrete de que ele ainda estava vivo.
E enquanto estivesse vivo, lutaria.
[...]