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Codificada por: Sol ☀️

Finalizada: 12/05/2026.



Eu percebi que estava perdido assim que pus os olhos nela.
Só não achei que seria tanto.
Maldito dia que aceitei fazer isso, maldito dia que entrei nesse maldito buncker, curioso com uma carta com selo federal e um carimbo de “confidencial”.
Meu coração parecia querer sair pela boca, o suor nas têmporas escorria a ponto de fazer cócegas e minha respiração era difícil de controlar, mas eu precisava fazer silêncio. Precisávamos de silêncio se eu quisesse ajuda-la. E eu queria, Deus, era uma necessidade tirá-la de lá antes que fosse tarde demais. Antes que a descartassem como um ratinho de laboratório que não passou nos testes.
estava dentro de um cesto de roupas sujas, um cesto grande e com rodinhas, um cesto que eu não devia estar guiando para fora, já que era um dos recrutados para analisar os experimentos e não para retirar roupa suja do local. E mesmo assim estava lá, suando feito um doido e carregando o cesto abarrotado de roupas fingindo normalidade e contando com a sorte enquanto estava debaixo de toda aquela roupa suja fugindo daquele local abominável que fazia testes com ela como se fosse a coisa certa a se fazer.
E eu precisava tirá-la de lá. Ela merecia uma segunda chance.
Nunca conseguiria conviver com minha consciência limpa sabendo que não tentei, não fiz tudo o que estava a meu alcance para tirar aquela mulher de lá.
Os outros experimentos já estavam fadados ao fim: os tanques de repouso, onde permaneceriam em descanso até o momento que sua habilidade fosse necessária. estava fadada ao descarte. Fadada ao incinerador. Era desumano deixar que aquilo acontecesse sem pelo menos tentar tirá-la de lá.
Não tive tempo de planejar algo realmente concreto e mirabolante, era uma situação de “agora ou nunca” e concordamos que o agora era a melhor opção.
Por isso, agora eu estava sentindo meu coração subir pela garganta enquanto usava um macacão cinza de serviços gerais e empurrava o cesto no meio do corredor desejando que ninguém me parasse, me reconhecesse ou viesse falar comigo.
Quando a porta do elevador dos funcionários se abriu e me vi em uma garagem com vários caminhões estacionados, soltei um suspiro de alívio empurrando o cesto para dentro de uma caçamba aberta.
Deu tudo certo.
Caralho.
Deu tudo certo!
Conseguimos.
Liguei o caminhão que estava com a chave na ignição e dirigi por um caminho subterrâneo que parecia infinito, um túnel com quilômetros de comprimento. Parei o caminhão quando vi uma passagem vertical com escadas, era a nossa saída. Andamos pelo deserto que parecia uma paisagem de Breaking Bad durante o que me pareceram horas antes de encontrarmos uma lanchonete de beira de estrada.
E só ali, quando finalmente estávamos livres, que me abraçou. Os braços magros em volta de meu pescoço, os olhos fundos de cansaço e um sorriso que me mostrava que tudo ficaria bem, porque estávamos juntos.
Aquele olhar doce e aquele sorriso, foi por isso que valeu a pena.



A porta de correr abriu-se com a minha presença, preenchendo o ambiente com o som de borracha deslizando, válvulas de ar comprimido e trancas de aço destravando.
Dentro do laboratório havia uma aura esquisita que nunca dissipava, pessoas andando em dupla para um lado e para o outro, todas vestidas com roupas de proteção extremamente vedadas, todas com medo de qualquer tipo de exposição, com medo de ser a próxima vítima. Acho que era essa a aura estranha: medo e apreensão.
Quando me viu, Dra. Chaves não sorriu, apenas maneou a cabeça de modo afirmativo. – Sabia que você não conseguiria ficar longe por muito tempo, Dr. .
Havia um tom convencido em sua voz.
– Eu nunca tinha visto nada igual – acrescentei.
– Eu sei.
Estávamos instalados em um deserto no meio de Albuquerque, era um buncker subterrâneo que funcionava há anos fazendo experiências radioativas em seres humanos.

Sim, seres humanos.

Enquanto Dra. Chaves me guiava pelos corredores do local, me mostrando cada detalhe da operação, uma garota me trouxe uma roupa de proteção à radiação exatamente igual a que quase todos usavam.
– Não precisa usar o tempo todo, o pessoal aqui é meio paranoico. Todos os protocolos de proteção são seguidos à risca e você vai ter que respeitá-los também.
Ela me mostrou tudo, e deixou apenas os experimentos para o final.
Ela usava essa palavra para não falar “pacientes” porque pacientes lembrava todo mundo que eram pessoas e não ratos brancos em um laboratório tentando achar a cura do câncer, e sim criar uma bomba nuclear para ser utilizada em guerras pelos Estados Unidos.
Mas quem era eu para julgar? Meu nome estava em todos os arquivos do projeto agora, se aquilo caísse, eu cairia junto.
Fui chamado porque sou um dos poucos especialistas em radiação que fala mais de três línguas.
Fui chamado porque havia um experimento que não tinha dado sinais de ter qualquer efeito colateral. Nenhum. Efeito. Colateral.
Bom, era difícil pensar em um lugar que parecia muito com o laboratório em Hawkins não ter uma pessoa com superpoderes lá dentro e foi exatamente isso que chamou a minha atenção, como uma pessoa teria tanta força para aguentar esse tipo de experiência?
Era um sobrevivente. Minha primeira sugestão era de que essa pe... esse experimento provavelmente estava absorvendo a radiação de um jeito que não deveria estar acontecendo. Como aquele mutante brasileiro de X-men que tem a sua força vinda do sol, talvez esse seja um problema maior do que qualquer um aqui imagina e, principalmente, perigoso para ambos, o experimento e os recrutados.

A Ala de Isolamento C era separada por um corredor que era guiado por um elevador horizontal, cada Ala era separada pelo tipo de reação que a radiação causava.
A Ala de Isolamento A continha os experimentos com reações físicas e mentais que não tinham mudança drástica no DNA, ou seja, pareciam pessoas normais quando vistos pela primeira vez. Telecinese, telepatia, controle de elementos, qualquer coisa desse tipo.
A Ala de Isolamento B continha apenas os que tinham tido reações que os deixavam com aparência não humana... Pense em Hulk, o Coisa, a Fera, Hellboy, Mística, Noturno, esse tipo de personagem. É, mudança drástica de DNA.
A Ala C era exclusiva para os experimentos que demoravam para demostrar seus efeitos colaterais e nesse momento estava com apenas um quarto ocupado.
O experimento 013.

– Treze, tem alguém que eu quero que você conheça. – Chaves falou no interfone instalado na porta do quarto branco. Ela espiava o quarto por uma pequena abertura de vidro na altura dos olhos.
Nenhuma resposta.
A doutora deu um olhar significativo para o segurança do quarto e ele apenas acenou afirmativamente, abrindo a porta com um cartão que apitou e acendeu uma luz verde.
No quarto, tudo que eu vi foi uma mulher de uns vinte e cinco anos sentada em uma cama de solteiro, com as pernas apertadas contra peito, olhando para uma parede cheia de desenhos bonitos.
Desenhos feitos com giz de cera mas que tinham uma beleza ímpar difícil de ignorar, o giz marcado com tanta força que parecia tinta em pasta, quase pinceladas como de Van Gogh, era magnífico.
Porém, mais magnífico do que os desenhos, eram os olhos da mulher que virou o rosto para mim quando Dra. Chaves disse algo que não consegui prestar a atenção.
Eu não estava preparado para o impacto que aquele experimento teria sobre mim.
Experimento.
Eu precisava lembrar que ela era apenas um experimento do governo e não uma mulher gostosa pra caralho que Deus claramente havia caprichado nos detalhes.
As sobrancelhas grossas, o cabelo cor de palha, o nariz empinado e os lábios curvilíneos com uma pintinha no canto superior esquerdo.
Porra.
Eu definitivamente estou ferrado. Assim como eu sabia que estaria assim que aceitei esse trabalho.
Sua voz era grave e baixa quando vi seus lábios se movendo.
Você é o novo idiota que vai me examinar? – Seu russo era impecável e provavelmente era a sua língua materna.
Não consegui conter um sorriso, não quando vi suas sobrancelhas grossas erguendo-se com curiosidade enquanto seus olhos desciam por meu corpo.
Eu nunca tinha visto uma mulher tão linda na minha vida.
Sim. – respondi, já que o seu idioma era um dos que eu era fluente.
E o que você tem de diferente dos outros?
Nada. Absolutamente nada.
Bom, pra começar, eu falo a sua língua.
Ela balançou a cabeça, como se falasse “grande merda”, e isso só me fez sorrir mais.
Só pode ser brincadeira... – resmungou ela, enquanto Dra. Chaves tomava notas, observando cada detalhe da nossa primeira interação.
Me dê algum crédito, eu sou um cara legal.
Seus olhos faiscaram em minha direção, um brilho intenso tomou conta deles e aquilo fez um arrepio atravessar minha espinha.
De caras legais e boas intenções o inferno está cheio.
Merda. Merda. Merda. Eu estou fodido.


Continua...


Nota da autora:


☀️


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