Codificada por Lua ☾
Última Atualização: 06/11/2025
— Eu vou ficar, eu acho. — ele suspirou. — Mas do que você precisa?
— Monitoria. — respondi simplista.
— Cheol, a gente nem é da mesma área. — ele rebateu com um sorriso cansado.
— Mas eu lembro que você pediu monitoria. Só preciso de coordenadas. — passei as mãos nos cabelos.
— Você precisa procurar a coordenação do seu curso e pedir pelo monitor. Eles vão te dizer quem é. — ele segurou meus ombros. — Cheol, você não acha que é melhor você se concentrar nos estudos?
— Sem chance. Eu preciso do dinheiro. — suspirei. Hansol provavelmente falava sobre meu bico como músico em um dos bares da cidade. Eu tocava lá em pelo menos duas noites na semana e cantava em outros lugares nos dias livres. Estava matando por um estágio no aquário da cidade, o New York Aquarium, mas até agora nada. Só esperava conseguir concluir meu estágio supervisionado lá.
Hansol e eu éramos amigos de infância. Nossos pais se tornaram amigos quando os pais dele foram para a Coreia. A família dele estava sempre transitando entre aqui e lá, mas nós mantivemos contato. E quando ele disse que cursaria faculdade aqui, em Nova York, não hesitei em me inscrever no intercâmbio e vim para cá realizar meu sonho. E apesar de estarmos na mesma universidade, não estávamos no mesmo curso. Ele cursava Administração, e provavelmente não estava tão ferrado de grana quanto eu.
— Você já tá indo para casa? — perguntei, curioso.
— Sim, por quê? — ele quis saber.
— Se você fosse ao aquário, eu iria com você.
— Eu não tenho ido muito ao aquário. — ele sorriu... triste?
— Mas você não era um VIP? — ele ia ao aquário pelo menos duas vezes por mês. Dizia que gostava de observar os peixes.
— Ainda sou, mas não tô com tempo. Muitos trabalhos pra fazer. O aquário fica do outro lado da cidade, Cheol. — ele explicou.
— Então eu vou à coordenação e depois vou pra casa. — suspirei. — Obrigado e até mais, Vernon.
Trocamos um abraço contido e meu amigo se foi. Tomei o caminho da coordenação pensando se a senhora Linn ainda estaria lá e rezando para que estivesse.
— Senhor Choi. — ela me saudou assim que passei pela porta.
— Professora Linn. — fiz uma reverência com a cabeça. Era inevitável.
— O que o traz aqui? — ela quis saber.
— Bom, professora, eu preciso de monitoria. Me disseram que eu tinha que solicitar junto à coordenação. — sorri sem graça.
— Qual a disciplina? — ela perguntou já procurando algo na gaveta da mesa e tirando de lá um caderno pequeno.
— Microbiologia aquática.
— Senhor Choi, os monitores largaram essa disciplina pelo caminho e receio que a única monitora que ficou não esteja no país. — ela consultou o calendário na mesa. — Mas ela está para voltar. Posso entrar em contato com ela e avisar que tem um aluno.
— Desculpe, professora, mas... Monitora? — eu quis saber.
— Tem algum problema com mulheres em posições de poder, senhor Choi? — ela arqueou uma sobrancelha para mim.
— Nenhum problema, professora. — me apressei em negar.
— Então que bom. Porque o monitor dessa disciplina é a senhorita Andrews. Ela foi a melhor aluna da turma. E, como eu disse, foi a única que aceitou ficar. — ela explicou.
— Andrews... Andrews?
— Sim, senhor Choi. — ela sorriu. Eu deveria estar com o queixo caído demais pela coincidência. Andrews era simplesmente a herdeira do New York Aquarium. Engoli em seco e encarei a professora. — Não me olhe com essa cara. é, digamos, favorecida socialmente. Não é canibal, não vai lhe comer vivo, senhor Choi. — ela riu.
— É que o pai dela é dono do New York Aquarium, né? É importante. — murmurei.
— Vocês vão se dar bem. Tenho certeza. — ela apertou minha mão sobre a mesa.
Que bom que pelo menos um de nós tinha essa certeza.
— Tô saindo. — gritei para meus pais que tomavam café na sala de jantar.
— Ei, e o café? — Lola, nossa governanta, gritou de volta. Fui até eles e peguei uma torrada da mesa, espalhando geleia em cima.
— Tenho um aluno. — expliquei antes de morder a torrada.
— Nós sabemos, mas isso não justifica o fato de sair de estômago vazio. — meu pai rebateu.
— Eu pego um café na cafeteria do campus. Agora preciso realmente ir. — soltei um beijinho no ar.
— Juízo! — ouvi minha mãe gritar antes de sair para a garagem.
Vesti a jaqueta, arrumei a mochila nas costas, coloquei o capacete e subi na moto, uma Yamaha MT-10, com detalhes em azul marinho. Meu pai a odiava, mas foi ele que mandou trazer da Europa para mim. Como consequência, eu precisava avisar sempre que chegava a algum lugar depois de ter ido de moto. Era isso ou ter a polícia no local investigando se eu estava bem e viva.
Parei a moto no estacionamento, chamando a atenção dos outros alunos (como sempre), e mandei uma foto para meu pai, ostentando um joinha e os óculos escuros. Guardei o celular e fui encontrar a professora Linn, que me esperava na cafeteria. Tudo o que ela tinha me dito no dia do simpósio era “conversamos os detalhes no campus”. Desde então eu estava quase tendo um troço, meio por ansiedade, meio por ter sido arrancada das praias da Tailândia tão de repente. Peguei meu café e sentei ao lado dela.
— Tô aqui. — suspirei.
— Sinto muito por acabar com suas férias bem no meio do semestre. — ela respondeu irônica.
— Eu tava estudando. — murmurei.
— O senhor Choi Seungcheol me procurou para monitoria de Microbiologia aquática. — ela me ignorou e continuou. — Ele vai lhe encontrar na sala de estudos daqui — ela checou o relógio — dez minutos.
— Então eu preciso ir. — anotei o nome dele de qualquer jeito num guardando e levantei. — Tem alguma coisa que eu precise saber sobre ele?
— Ele é um dos nossos alunos do intercâmbio, veio da Coreia. Tenha paciência com ele. — ela pediu.
— Eu sempre tenho. — rebati.
— ... — ela chamou em tom de repreensão.
— É sério, professora. — sorri. Nem eu acreditava no que eu estava falando.
— Ele precisa muito da sua ajuda. — ela me lembrou.
— Disso eu sei. Só espero que ele se esforce. — suspirei. — Agora eu preciso ir.
A professora Linn me dispensou com um gesto de mão e eu segui caminho para a sala de estudos, o som pesado dos meus coturnos ecoando pelos corredores quase vazios da universidade. Empurrei a porta devagar e procurei por um asiático, era a única informação que eu tinha dele. Eu só esperava que ele fosse bonito como os que estavam ao meu redor dias atrás. O encontrei em uma das cabines individuais, com a cara quase enfiada em um livro.
— Choi Seungcheol? — perguntei baixinho. Ele, porém, pulou no lugar, assustado com minha chegada.
— Sim, senhorita Andrews. — ele respondeu. Entrei na cabine e fechei a porta.
— Primeiro, me chame de . — larguei a mochila no chão ao lado da cadeira e me sentei de frente para ele. — Segundo, eu poderia estar aproveitando ótimas praias, rodeada de homens bonitos com pouca roupa, mas voltei para te ajudar. Não faça eu me arrepender.
Seungcheol formou um bico nos lábios e murmurou alguma coisa em um idioma que julguei ser o seu nativo. O encarei com os olhos estreitos.
— Não é nada. — ele se apressou em dizer. — Eu vou me esforçar, senhorita... . Eu prometo.
— Assim eu espero. Eu fui a melhor da turma e nenhum aluno que me pediu monitoria reprovou. Você não vai manchar meu histórico, Seungcheol. — disse em tom de ameaça.
— Eu vou me esforçar. Eu preciso. — ele suspirou.
— Bom, agora vamos às regras. Teremos aulas duas vezes na semana. — tomei minha agenda em mãos e abri na página do calendário. — Eu tenho aula nesses dias e trabalho no aquário nos turnos livres, mas vou falar com o diretor Andrews pra me liberar.
Seungcheol sorriu ao meu lado.
— O que foi, Choi? — perguntei já suspeitando do que se tratava.
— É só que é engraçado ver você chamando seu pai de diretor. — o sorriso murchou e ele respondeu.
— Quando se trata do New York Aquarium, meu pai deixa de ser meu pai e passa a ser meu chefe. — expliquei. — É assim desde que eu comecei a cumprir turnos de trabalho como pesquisadora lá.
— Deve ser legal. — ele devaneou.
— É legal até não ser. Tive que cumprir parte do meu estágio em um pequeno projeto mais à frente na costa. Dirigia pelo menos 70 quilômetros por dia para ir e voltar, era uma viagem. O aquário já é longe de casa. — expliquei e suspirei. — Seja um bom aluno e coloque seu contato aqui. — entreguei meu celular a ele. — Eu vou fazer um calendário e te mando.
— Ah, . Por favor, se puder não colocar aulas às quintas e aos sábados, eu ficaria extremamente grato. Projeto extracurricular. — ele deu de ombros.
— Eu espero que sua atenção seja multifocal e você consiga manter a cabeça nas duas coisas, Choi. — ralhei, riscando a quinta do calendário.
— Se vamos fazer isso, você precisa confiar em mim, . — ele cruzou os braços sobre o peito, atraindo a atenção dos meus olhos curiosos.
— Frases que soam erradas se ouvidas fora de contexto. — eu ri. — Eu vou montar um calendário e te passo. Se tiver mais alguma objeção, me avise. Agora eu preciso ir.
Levantei e juntei minhas coisas.
— Vou esperar. — ele me sorriu. O encarei por alguns segundos e dei as costas, não podia ficar encarando o sorriso convidativo de Seungcheol. Talvez aquela monitoria não fosse uma ideia tão ruim assim.
Depois de dois dias discutindo sobre as aulas, os horários e o local onde iríamos estudar, finalmente teríamos nossa primeira aula. Combinei de encontrar Seungcheol na mesma cabine reservada da sala de estudos, mas ele estava me esperando do lado de fora, com um copo grande de café e um saco pardo nas mãos, a mochila pendendo no ombro, a ponto de cair.
— Não coloquei leite porque não sabia se você gostava. — ele sorriu.
— Se você planeja me bajular pra conseguir o estágio no aquário, esquece. É a universidade que escolhe os currículos que vão para lá, não nós. — tomei o café de sua mão e vi seu sorriso murchar. — Mas quem sabe você seja escolhido. É meu aluno, afinal. Se sua nota não melhorar, eu me ferro. Então é melhor você estudar.
Ele me entregou o saco pardo e encontrei um donut com cobertura de chocolate dentro.
— Você gosta de donut, né? — ele quis saber.
— Sim, mas eu sou intolerante à lactose. Então nada de chocolate pra mim. — devolvi o saco a ele. — Mas obrigada. — bebi um gole do café e senti o líquido aquecer meu corpo. — Agora vamos.
Entrei na biblioteca e logo procurei pela cabine reservada. Seungcheol entrou atrás de mim e se acomodou na cadeira. Tirou um caderno cansado da mochila e alguns livros.
— Eu preparei um material curto. — tirei as folhas impressas da minha bolsa e as entreguei a ele. Ele folheou as páginas e me encarou.
— Tem matéria do começo do período. — ele franziu as sobrancelhas.
— Eu sei, mas como não sabia a que passo tá a matéria e qual o seu nível de conhecimento, eu decidi começar do começo. Se você responder bem, a gente pula. — dei de ombros.
— Mas... — ele tentou protestar, mas pressionei meu dedo indicador em seus lábios, o silenciando. Seungcheol travou no lugar e arregalou os olhos para mim.
— Minha monitoria, minhas regras. Vamos começar.
Seungcheol estava respondendo bem à matéria. Pulamos algumas das aulas do começo do material e continuamos de onde ele realmente estava tendo dificuldade. Era difícil, eu precisava falar devagar e às vezes mais de uma vez até que ele entendesse. Malditas barreiras linguísticas. Era sexta, dia de aula, e eu estava esperando por Seungcheol no lugar de sempre, mas ele estava atrasado.
— Deus, onde esse moleque se meteu? — perguntei alto.
— Tô aqui. — Seungcheol entrou na sala, esbaforido, quase arrastando a mochila. — Desculpa o atraso, eu dormi demais. — ele confessou.
— Eu já tava quase indo embora. Se vai se atrasar, mande uma mensagem, Cheol. — o chamei por um apelido que fazia sentido na minha cabeça. Seungcheol era um nome grande demais para ser falado em certos momentos.
— Desculpe, . — ele pediu, sorrindo. — Não vai se repetir. Eu juro.
— Eu espero.
Tiramos o material da bolsa e continuamos de onde tínhamos parado na aula anterior. Seungcheol passou a aula toda com um sorriso besta no rosto.
— Nos vemos na quarta? — perguntei enquanto ele arrumava as coisas para sair.
— Sim. Até mais, . — ele deixou escapar o apelido que minha mãe usava. Eu nunca o tinha mencionado, mas parece que fez sentido na cabeça dele me chamar assim. Apenas sorri para ele e ele se foi.
Arrumei minhas coisas e saí, mandando uma mensagem para , uma das minhas melhores amigas, talvez a número um. Tinha combinado de almoçar com ela. Assim que saí do bloco, lá estava e sua pele branca cheia de tatuagens, me esperando na porta.
— Não respondi sua mensagem porque já estava aqui. — ela deu de ombros.
— não vinha com você? — olhei ao redor quando não encontrei a outra.
— Tá enrolada no TCC e no neném. — ela riu. Começamos a descer as escadas do bloco em direção ao carro dela.
— Aquela crente safada. — nós rimos. Porém um rosto conhecido passou por mim e chamou minha atenção. — Oi, Vernon, quanto tempo. — parei de andar para olhar para ele. — Não te vi no aquário desde que voltei.
— Oi, . — ele parou de andar alguns degraus acima. — Tenho andado ocupado, mas vou arrumar um tempinho. — ele sorriu aquele sorriso fofo que sempre estampava seu rosto.
— Vou esperar. — sorri de volta. Ele acenou e sumiu no bloco. Quando voltei a olhar para , ela estava sorrindo. — O que foi?
— Parece que estamos todas enroladas com asiáticos. Bee, eu, você... — ela devaneou enquanto continuava a andar até o carro. Apenas a segui.
— Vernon é apenas um amigo. Ele é o VIP do aquário. — expliquei.
— Aquele pra quem o título foi criado e você infernizou o tio George por semanas até ele reconhecê-lo? — ela riu. Eu realmente tinha feito aquilo, mas eu tinha dez anos e ninguém podia me parar (nem julgar).
— Por Deus, . Ele vai ao aquário no mínimo duas vezes por mês. Você sabe como é longe e o preço da entrada. Era o mínimo que eu, uma criança, podia fazer por outra criança. — expliquei.
— Mas , eu não falei do Vernon. — ela riu.
— Cadê sua sombra, hein, ? — mudei de assunto.
— Em aula. Deixou o carro aqui para você dirigir e foi. — ela explicou e colocou a chave na minha mão.
— Então você é minha responsabilidade hoje? — parei de andar e destravei o carro.
— É melhor você cuidar bem de mim, . — ela deixou a ameaça implícita.
— Ou sua sombra vai o que, ?
— O Mingyu? Provavelmente vai chorar junto comigo. — entramos no carro rindo.
— Eu cuidei de você antes mesmo de te conhecer. Hoje não vai ser diferente. — sorri para ela e fomos almoçar.
Assim que peguei o celular para desligar o barulho irritante, vi uma mensagem de Seungcheol dizendo que não poderia ir à aula naquele dia, mas que estudaria na biblioteca quando fosse possível. Tudo isso acompanhado de um emoji com um sorriso que mostrava todos os dentes, como ele já tinha sorrido para mim uma vez. Respondi um OK e, como não tinha aula, decidi passar o dia no aquário. E já que ia passar o dia lá, resolvi dormir mais um pouco antes de ir, então reprogramei o despertador e me agarrei aos lençois.
O celular tocou duas horas depois e eu levantei de um pulo. Me arrumei e tomei meu café, indo para o aquário em seguida. Foi um dia estressante, um dos leões-marinhos estava doente e foi um trabalho enorme tratá-lo. Exausta, resolvi sair sozinha para comer alguma coisa diferente, então subi na moto e rumei para um lugar que eu conhecia. Parei rente ao meio-fio e desci, cansada demais para me importar em tirar a jaqueta. Tirei o capacete e entrei no aconchegante restaurante que ficava a meio caminho de casa. Me joguei em uma das cadeiras e suspirei.
— ? — Lily, uma das garçonetes, uma conhecida, se aproximou. — Achei que ficaria na Tailândia até o fim do mês.
Sim, eu meio que contei a todo mundo que passaria dois meses na Tailândia. Estava empolgada. No final, meus planos foram frustrados.
— Eu ia, mas a professora me ligou. Um aluno precisava de monitoria. Atrapalharam minha pesquisa de campo. — saquei o celular do bolso e comecei a mostrar a ela algumas das fotos que eu tinha tirado. Eram lindas paisagens, até que cheguei na última, a foto que eu tinha mandado para : o tanquinho de Luke. — Esse aqui se chama Luke Ishikawa Plowden. Ele é ator. Até me mostrou alguns pôsteres das novelas que ele fez.
— Então eu acho que você vai gostar do nosso músico. Ele tem uma boca bonita assim. — ela olhou na direção do palco. — Ele só tá fazendo uma pausa. Agora, me deixe ir buscar seu pedido. — ela riu. Fiz meu pedido e fechei os olhos, até que acordes suaves me despertaram. Olhei na direção do pequeno palco e meu queixo simplesmente caiu.
Seungcheol estava ali, vestindo uma calça de alfaiataria e uma camiseta de botões que pareciam lutar com o peito forte, ambas pretas, o cabelo arrumado de um jeito bonitinho e tocando o violão enquanto cantava suavemente. Fiquei bons minutos parada, encarando a cena, e então os olhos dele caíram sobre mim. Ele se atrapalhou na música e parou de cantar, mantendo os dedos trabalhando no violão. Arqueei as sobrancelhas para ele e ele sorriu pequeno, sem graça. Lily voltou com meu pedido e eu comi encarando a cara deslavada de Seungcheol.
Assim que acabou a apresentação, ele agradeceu ao público e se aproximou da minha mesa.
— Oi, . — ele sorriu.
— Então esse é seu estudo na biblioteca? É aqui o seu projeto extracurricular? — alfinetei.
— Olha, , eu posso explicar.
— Ah, eu tenho certeza de que pode. — o interrompi. Seungcheol sentou na cadeira de frente à minha e começou a falar.
— Eu moro no dormitório, sou bolsista, mas eu preciso me manter. Estar aqui tem custos e minha família não pode me ajudar... — ele suspirou e se interrompeu. — Quer saber? Esquece. Você não entenderia. Nasceu em berço de ouro, afinal.
Respirei fundo e controlei minhas próximas palavras. De que adiantaria explicar que, mesmo nascida rica, eu me esforçava ao máximo em tudo o que fazia? Os meus argumentos seriam invalidados pelo meu minicurso na Tailândia (e mesmo que uma parte dos custos tenha sido paga com o dinheiro que ganhei com meus turnos no aquário, ele ainda alegaria que era dinheiro do meu pai) e por minha moto importada parada do lado de fora. Só ia me estressar e estressá-lo.
— Já terminou? — perguntei. Ele franziu as sobrancelhas para mim. — Quer comer alguma coisa?
— Não preciso da sua caridade, . — ele cruzou os braços fortes sobre o peito e virou o rosto, orgulhoso. Ah, Seungcheol, para de ceninha. Fica fofo.
— Estou oferecendo como amiga. Pode me pagar depois, se isso fizer você se sentir melhor. — dei de ombros.
— Somos amigos? — ele perguntou e eu chutei sua canela por debaixo da mesa. — Ai! Eu já comi. O lanche tava no meu contrato quando aceitei tocar aqui. — ele explicou com um tom quase indignado.
— Se já tiver terminado, posso te dar uma carona. Tem um capacete reserva na bolsa. — sorri.
— Você não mora aqui perto? — ele quis saber.
— Sim, mas eu gosto de andar à noite por aí. Me relaxa. — dei de ombros.
— Sua moto é aquela com detalhes azuis parada lá fora? — ele esticou o pescoço. Apenas confirmei com a cabeça. — Você tá sonhando se acha que eu vou subir naquela coisa.
— Ei! Não fala assim da Max. — protestei.
— A moto tem nome? — ele perguntou risonho.
— E quem não tem? — cruzei os braços sobre o peito. — Vai querer ou não, Seungcheol?
— Eu passo. Vou de Uber. — ele sacou o celular do bolso e clicou na tela várias vezes. Captei o momento em que seus olhos arregalaram e ele me encarou. — Pensando bem, acho que vou aceitar.
— Preço dinâmico? — perguntei e ele me confirmou com um sorriso cansado. — Pegue suas coisas, eu vou pagar minha conta.
— Você adora dar ordens por aí, não é? — ele perguntou já se levantando.
— É meu esporte favorito. — o dispensei com um gesto de mão. Pedi a conta a Lily e paguei encarando seu sorriso sugestivo.
— O Choi vai com você? — ela perguntou.
— Seu músico é meu aluno, Lily. Acredita nisso? Vou levar o folgado até o dormitório da universidade e depois vou pra casa. — suspirei.
— E só? — Lily segurou o riso.
— O que pensa de mim, Lily? — perguntei com uma falsa expressão de ofensa. — Ele é bem gatinho e tal, mas é meu aluno.
— E se não fosse?
— Bom... Esquece. — ri para ela e ela sorriu de volta.
— Do que estão rindo? — Seungcheol perguntou voltando à mesa já vestido em um casaco enorme.
— De você. Vamos. Tchau, Lily. — dei as costas e esperei que ele me seguisse. Tirei o capacete da bolsa e o entreguei. Seungcheol o colocou totalmente desconfiado. Subi na moto e esperei que ele subisse atrás de mim. Max era alta atrás, mas ele conseguiria. Senti seu peso na moto, mas não senti sequer suas mãos em meus ombros. — Planeja ir assim, sem se segurar em nada?
— Eu vou ficar bem. — ele respondeu confiante. Dei de ombros e acelerei sem sair do lugar. Imediatamente senti as mãos de Seungcheol em minha cintura e seu corpo colado ao meu. — , estamos seguros nessa coisa?
— Eu piloto Max há anos e sigo viva, não é? Confie em mim. — sorri sem que ele pudesse ver.
— Se algo acontecer comigo, procure o Hansol da Administração. Ele vai saber pra onde enviar meu corpo. — ele quase gritou por cima do ronco da moto.
— Pare de ser um bebê chorão. — eu ri e nos coloquei na rua. Seungcheol foi até o dormitório agarrado em mim e não me soltou nem mesmo quando chegamos. — Cheol, pode me soltar.
— , eu acho que não consigo. — ele praticamente sussurrou.
— Vai ter que conseguir. Eu preciso ir para a minha casa. Tenho que dormir. — toquei suas mãos em minha cintura. Os dedos estavam gelados e firmes. E os braços dele pareciam encaixar bem ali onde estavam.
— Pode me dar um minuto? Acho que minha alma ficou em alguma parte do caminho. Ela deve tá chegando. — ele pediu, respirando pesado.
— Vamos, Seungcheol. Solte devagar. — comecei a levantar seus dedos que firmemente seguravam o pulso. — Você consegue.
Seungcheol continuou imóvel por quase um minuto. Quando seu calor começou a me incomodar, resolvi tomar medidas.
— Seungcheol, se você queria me abraçar, era só ter pedido. O que mais quer, um beijo? — perguntei divertida.
— Boa noite, . — ele partiu o abraço e rapidamente desceu da moto, parando ao meu lado para me entregar o capacete. — Obrigado. Até a próxima aula.
Ele desejou e entrou desajeitado no dormitório, como se não estivesse sentindo as pernas. Ri de seu andar, guardei o capacete na bolsa e voltei para casa. Entrei rindo sozinha e encontrei meu pai lendo na sala de estar.
— Boa noite, papai. — beijei seu rosto e sentei ao seu lado.
— O que você quer, ? — ele perguntou sem tirar os olhos do livro.
— Por que acha que quero alguma coisa? — perguntei ofendida. — É por isso que os filhos não são mais carinhosos, sabia?
— Pare de enrolar e diga o que quer, . — meu pai riu e me encarou.
— Vou levar meu aluno para ter monitora no aquário no domingo. Pode pagar uma diária a ele? Se não puder, pode descontar do meu. — me apressei com o pedido.
— Por que se importa tanto com esse garoto? — meu pai quis saber.
— Ele precisa aprender para manter a bolsa.
— E...
— E precisa do dinheiro. — dei de ombros.
— E... — meu pai insistiu.
— Não tem mais e, pai. É isso. — respondi confusa.
— Ele é um bom garoto?
— Eu sempre faço amizades com pessoas boas. — cruzei os braços sobre o peito.
— Então agora ele é seu amigo? — meu pai sorriu atravessado.
— Ele pode ir ou não, pai? — perguntei, impaciente.
— Pode. Vou avisar à recepção. Céus, você é impaciente igual a sua mãe. — ele me sorriu. — Mas o que eu não faço por você?
— Eu sou sua única filha, você tem que fazer tudo por mim. — beijei seu rosto e levantei. — Obrigada, pai.
— Juízo. — ele gritou enquanto eu subia as escadas para o meu quarto.
Pensei em mandar uma mensagem para Seungcheol, mas ele ainda devia estar congelado no dormitório, então preferi deixar para o dia seguinte. Daria tempo.
Cheol
O celular tocou ao meu lado e eu atendi ainda meio sonolento.
— Já acordou? — perguntou do outro lado sem ao menos dizer bom-dia.
— Agora já. — respondi e chequei as horas. O relógio marcava sete da manhã. De domingo. Domingo.
— Ótimo. Escova os dentes e vem pro aquário. Você tem trinta minutos pra chegar aqui. Eu te pago um café quando você chegar. — ela despejou. Pulei da cama assim que ouvi a palavra “aquário”.
— , o que tá acontecendo? — perguntei já procurando uma roupa.
— Ia fazer alguma coisa hoje, Seungcheol? — ela quis saber. A voz beirava a impaciência.
— Não, mas...
— Então cala a boca e vem. Você tem trinta minutos. — ela lembrou e desligou.
— Mandona. — reclamei para a ligação já encerrada.
Tomei um banho rápido e estava escovando os dentes quando o celular tocou de novo. .
— Traga um calção de banho ou sei lá o que você usa. Vamos mergulhar e você não pode estar nu dentro do macacão. — ela começou em tom de ordem, mas a voz foi perdendo força, como se estivesse... Envergonhada?
— ... — tentei responder, mas, novamente, ela já tinha desligado. — Deus, que mulher difícil. E por que eu tô deixando ela mandar em mim? — perguntei para ninguém. A resposta parecia ser simples: era . A herdeira do aquário. Era por isso que eu deixava ela me distribuir ordens, não é?
Arrumei uma mochila com uma roupa extra e o short que eu usava na natação e saí de casa. Usei o dinheiro que tinha ganhado na noite anterior para pagar um táxi e cheguei ao aquário com dez minutos de atraso. me esperava na porta com um café na mão. O cabelo escuro estava preso em um rabo-de-cavalo que voava com o vento da manhã. Ela vestia uma blusa do New York Aquarium e um short que deixava suas coxas à mostra. Minha boca secou por um momento e eu precisei respirar fundo antes de me aproximar.
— Bom dia. — desejei.
— Dia. Eu ia te avisar ontem, mas acabei esquecendo. — ela respondeu e me entregou o café e um saco de papel pardo. — Pedi um latte e uma rosquinha. Espero que goste.
— Latte é o meu favorito. — sorri. esboçou um sorriso e encarou o chão. — Mas o que estamos fazendo aqui tão cedo?
— Dê seu nome e sobrenome na recepção e pegue seu crachá. Hoje você é temporário do aquário. Sua monitoria é aqui. — ela me encarou com um sorriso vitorioso.
— Espera, eu vou receber por esse dia?
— E vai aprender. — ela suspirou. — Você só pensa em dinheiro. Sinceramente, Seungcheol.
me deu as costas e se dirigiu à recepção, me dando a perfeita visão de sua cintura modelada e sua bunda naquele short. Aquelas curvas não tinham origem ali, eu tinha certeza. Ela não se parecia em nada com o padrão das norte-americanas. Me adiantei até a recepção e fiz meu cadastro, como ela tão impacientemente me ordenou.
— A senhorita Andrews está lhe esperando no laboratório. O Oliver o levará até lá. Tenha um bom dia, senhor Choi. — a recepcionista desejou. Agradeci com uma reverência contida, arrumei a bolsa no ombro e acompanhei o rapaz que me esperava. Antes de ir, passamos em um banheiro para que eu trocasse a blusa pela farda do aquário, e logo depois tratei de tomar meu café enquanto ele dobrava em incontáveis corredores até abrir uma porta branca.
— Senhorita Andrews. — ele chamou. estava de costas, mas tinha vestido o jaleco apropriado para o local.
— Obrigada, Oliver. — ela virou e sorriu para ele, e eu sorri junto, como se aquele sorriso tivesse sido para mim.
— Laboratório incrível. — elogiei. Com certeza era melhor que o da Universidade.
— Vista o jaleco e se aproxime. Vamos analisar umas amostras e depois vamos mergulhar para pegar outras. — explicou nosso cronograma.
Larguei a bolsa em uma bancada, vesti o jaleco e me aproximei para ajudar. Ela estava sempre mexendo em alguma coisa e me dizendo em detalhes o que estava fazendo, estava mesmo disposta a me fazer passar na disciplina. Porém minha cabeça estava disposta a não se concentrar no que ela falava, mas em como ela falava. O movimento dos lábios, os gestos, o tom de ordem que fazia minha nuca arrepiar, e as coxas. As santas coxas no short curto.
— Entendeu, Seungcheol? — ela perguntou sem tirar os olhos do microscópio. — Seungcheol? — ela chamou de novo quando demorei para responder.
— Ah, sim. Entendi. — confirmei sem saber do que realmente se tratava.
— Duvido. — ela sussurrou. — Faça a próxima. Eu já volto.
saiu do laboratório e eu fiquei lá, perdido, encarando as lâminas, tentando entender o que ela tinha feito para fazer o mesmo.
— Terminou? — ela perguntou, me assustando.
— Bom... Não? Eu meio que não entendi. — sorri fraco.
— Então não devia ter dito que entendeu. — ela suspirou e sentou no balcão ao lado do microscópio. Meus olhos automaticamente caíram sobre as coxas expostas; a pele era bronzeada, talvez resultado das tais semanas passadas na Tailândia. — Se puder olhar para os meus olhos, talvez você aprenda alguma coisa. — alfinetou.
Fiz o que ela pediu: encarei seus olhos amendoados, de um tom de marrom que muito me lembrava chocolate amargo. Mas desviei rapidamente para suas pernas, voltando aos seus olhos em seguida.
— Você é um safado, Seungcheol. — ela reclamou e usou o jaleco para cobrir as pernas. — Concentre-se.
começou a ditar o que tinha feito nas lâminas e eu não tive outra opção senão fazer o que ela dizia. Depois que terminei o primeiro, ela me abandonou no laboratório, alegando que iria arrumar nossas roupas de mergulho. Tratei de terminar o que fazia e esperei que Oliver fosse me buscar.
O dia estava prometendo ser incrível.
Nos momentos em que saí da sala, mandei mensagens para e fui checar as roupas de mergulho. Pedi a Oliver para separar uma que ele achava que coubesse em Seungcheol e o esperei na entrada de funcionários no tanque dos leões-marinhos-da-califórnia.
— Estou aqui. — ele disse, a voz vindo de trás de mim. Oliver estava em seu encalço.
— Vamos coletar as amostras, ver os pinguins e então faremos uma pausa para o almoço. — avisei. — E antes que pergunte, faz parte da sua diária e não vai ser descontado do seu pagamento.
— Onde eu deixo isso? — ele perguntou e levantou a mochila que trazia no ombro.
— Tem um armário no vestiário. Está com a sunga? — perguntei e ele negou com a cabeça. — Então vá vestir. Seu macacão tá aqui. — apontei para o material ao meu lado.
Seungcheol saiu com Oliver e voltou bons dez minutos depois, com um short próprio para natação e sem blusa, o tronco exposto e as coxas e a bunda fartas marcadas no tecido colado do short. Engoli em seco e tratei de encarar seu rosto.
— O macacão. — apontei para o equipamento em um banco próximo. Virei de costas e tirei a blusa do aquário e o short da farda, eu estava com o biquíni por baixo, afinal. Comecei a vestir o macacão de costas para Seungcheol, ouvindo os sons do seu esforço.
— ? — ele me chamou. Terminei de vestir meu macacão e o fechei até a cintura, o encarando em seguida. Seungcheol estava com o macacão no meio das coxas, tentando fazer o tecido passar pela bunda e pelo volume quase indecente que ele tinha entre as pernas.
— Você não é o primeiro que fica excitado na minha frente, Seungcheol. — suspirei e me aproximei dele.
— Mas eu não... — ele tentou protestar.
Levei a mão até próximo de seu membro e ele se afastou em um rompante.
— Não quero tocar em você. Se eu quisesse, eu pediria. — estiquei a mão novamente e puxei o resto do zíper para baixo, fazendo o macacão afrouxar em seu quadril. Aproximei o corpo e puxei o macacão para cima, o deslizando pela bunda grande, o peito forte dele fazendo pressão no meu corpo. — Termine e entre.
Juntei o cilindro de oxigênio e a máscara e entrei no tanque dos leões-marinhos. Alguns se aproximaram e o que eu ajudei a tratar me deu uma narigada carinhosa. Eu não era treinadora de nenhum deles, mas estava sempre por ali, fazendo pesquisas.
— Eles comeram? — Seungcheol entrou no tanque.
— Não. Tenha cuidado, vão comer você. — larguei o leão-marinho e caminhei até ele. — Claro que comeram. Temos um programa de resgate dos animais. Eles estão sempre bem alimentados e têm um tratamento pra ter condições mais próximas da vida marinha.
— Isso é legal, . — ele sorriu.
— Esse lugar é incrível, Cheol. — tentei sorrir de volta. — Está pronto?
Seungcheol apenas me confirmou com a cabeça e terminamos de nos paramentar para mergulharmos.
Descemos pelas pedras na beirada e mergulhamos. Munida dos potes de amostras, recolhi algumas do fundo do tanque enquanto via Seungcheol rodopiando igual a uma foquinha feliz na água. Quando ele finalmente nadou ao meu lado, segurei seu braço e lhe entreguei um pote, sinalizando para subirmos. Assim que sentei em uma pedra, Seungcheol apareceu ao meu lado.
— , segura isso aqui para mim. — ele pediu e, concentrada em me livrar do cilindro de oxigênio, apenas estiquei uma mão. Seungcheol colocou um ofiuroide no meu braço. Quase gritei antes de constatar do que se trava.
— Por que o tirou de lá, Seungcheol? — perguntei enquanto mexia nos tentáculos finos.
— Porque são bonitinhos. — ele respondeu e se aproximou mais, já livre do cilindro e com o macacão pendendo na cintura.
— Coloque-o de volta. — coloquei o pequeno animal em seu ombro. Seungcheol sorriu com todos os dentes e brincou com um tentáculo. Segurou o bichinho com uma mão e, em um mergulho rápido, soltou-o na água, voltando à superfície. Ele balançou os cabelos molhados, espalhando água ao redor. — Cheol, pare com isso. — protestei, o que o fez rir alto.
— O que vamos fazer agora? — ele quis saber.
— Primeiro, você precisa se secar. — juntei os potes. — Depois, vamos ver os pinguins e então almoçar.
Seungcheol se apressou em sair da água e subir nas pedras, me ajudando a ficar de pé. Eu escorreguei em uma pedra e Seungcheol me segurou antes que eu encontrasse o chão. Meu peito coberto apenas pelo biquíni esbarrou no dele, nu, e minha respiração saiu quase em um ofego. A pele de Seungcheol parecia ser quente por natureza.
— Vai, antes que você pegue um resfriado. Eu vou tirar o macacão e te espero na porta. — sugeri com o rosto próximo demais do dele.
Relutantemente, ele me soltou e saímos para o acesso dos funcionários. Seungcheol correu para o vestiário e pedi que Oliver o acompanhasse. Tirei o macacão e vesti minha roupa, arrumei o cabelo e corri para o laboratório. Deixei as amostras e peguei o celular que tinha deixado lá, dentro de uma espécie de pochete que eu carregava. Quando voltei ao tanque dos leões-marinhos, Seungcheol tinha se secado e penteado os cabelos. Atrás dele, encontrei Oliver com um sorriso sugestivo.
— Pronto?
— E animado. — ele respondeu.
Caminhamos até o tanque dos pinguins e entramos. Nosso trabalho ali era simples: precisávamos checar um a um para ver se estavam no peso certo e se não tinha nada de errado com eles.
Na metade do trabalho, meu celular tocou e me apressei em atender.
— Estou aqui, mas o novato não quer me deixar entrar. — resmungou.
— Passe o telefone. — pedi. Houve uma movimentação e ouvi a voz do funcionário da recepção. — Querido, ela é uma Chevalier. Ela tem passe livre aqui. Libere ela e quem estiver com ela. — suspirei. Ouvi o pedido de desculpas do funcionário e voltou à linha.
— Obrigada. Estou entrando. — ela agradeceu.
— Estou com os pinguins. — avisei e desliguei.
Seungcheol continuava checando os pinguins um a um para ver se estavam bem. Parecia uma criança feliz demais em estar ali.
Aproveitei que ele estava fazendo o trabalho que era meu e comecei a anotar algumas coisas no tablet que usava para anotações do aquário. Era uma boa maneira de adiantar relatórios. Oliver entrou minutos depois, seguido de e do rapaz que estava com ela no dia do simpósio, a sombra.
— ! — ela me abraçou. A abracei de volta, mesmo não sendo muito fã de contato. Encarei o rapaz alto atrás dela e ele me encarou de volta, sem nenhuma expressão no rosto, os olhos puxados ilegíveis.
— E aí, sombra? — sorri para ele.
— Ex-sombra. — ele respondeu.
— , para de irritar ele. — sorriu, era perceptível que estava feliz demais. — Ele já deixou de ser minha sombra. Agora, é pior que isso.
— Ei! Eu sou seu namorado, . — ele protestou.
— Alguém finalmente te colocou no eixo? — perguntei. O rapaz suspirou audivelmente e negou com a cabeça.
— Acho que eu que tô tirando ele do eixo. Não é, Mingyu? — sorriu para o namorado. Acabei sorrindo com ela. Eles eram fofos juntos. — Então, vamos almoçar?
— Ah, eu só preciso que Seungcheol termine de checar os pinguins e podemos ir. — apontei para Seungcheol por cima do ombro. — Vocês se conhecem, Mingyu?
— Trocamos umas ideias, jogamos juntos… Você sabe. O grupo dos intercambistas. — o mais alto explicou e deu de ombros.
— Mingyu anda colado com o namorado de Bee. São melhores amigos. — explicou. — Aliás, precisamos marcar para almoçar. Nós três.
— Eu estou presa ao Seungcheol e ao aquário até o fim do semestre, mas vou arrumar um tempo pra isso. — suspirei.
— Ele é fofo, né? — perguntou e me virei minimamente para ver Seungcheol imitando o andar dos pinguins.
— Sim, dá vontade de segurar a cabeça dele debaixo d’água até as bolhas pararem de subir. — sorri para ela. Mingyu, parado do outro lado de , me olhou de olhos arregalados.
— , para com isso. Coitado do menino. — riu. — Você nem teria força para segurá-lo. Já viu os braços dele?
— E o peito e o abdômen. — respondi baixinho e quase, repito, quase suspirei. esticou as mãos e apertou o ar. — Sim, . — imitei seu gesto. Não queria assustar Mingyu, então guardei meu comentário para mim, mas tenho certeza de que estava pensando o mesmo: peitos. Aquele era um gesto meio que nosso e quase ninguém o entendia, com exceção de Bee. Aquele peitoral certamente me tiraria o estresse… A imagem dos braços fortes e do abdômen marcado de Seungcheol voltaram à minha cabeça sem a minha permissão e balancei a cabeça para tentar espantar os pensamentos. — Cheol, hora do almoço!
Seungcheol olhou o último pinguim e fez uma anotação no tablet que eu tinha conseguido para ele, caminhou até nós e sorriu para .
— Teremos companhia? — ele perguntou com uma voz cordial. — E aí, Mingyu? — ele e a sombra de trocaram um cumprimento de mão estalado, o ato mais hétero que eu tinha visto da parte de Seungcheol.
— Só trocaram uma ideia, né? — apontei para os dois.
— Não é muito, . Somos conhecidos. — Seungcheol sorriu para mim. Então ele se virou para Mingyu e os dois começaram a conversar animados, caminhando Deus sabe para onde.
— Vamos segui-los ou deixamos eles se perderem e vamos almoçar? — perguntei a .
— Infelizmente tenho que ir atrás do Mingyu. Ele está com a chave do carro. — ela suspirou. Suspirei também e comecei a seguir os dois.
— À direita. — gritei a coordenada e Seungcheol a seguiu sem deixar de falar com o amigo.
— Eu perdi meu namorado para o seu namorado, ? — perguntou atrás de mim.
— Ele não é meu namorado. — rebati rápido demais.
— Ainda não? — ela insistiu.
— Não vai ser, . — a olhei por cima do ombro. — À direita, Cheol. — gritei, mas parecia que Mingyu sabia para onde estava indo.
— E os gatinhos da Tailândia? — ela mudou de assunto.
— Tudo. Pena que é longe. — suspirei.
— Que Mingyu não me escute, mas os pratos principais são bons? As entradas eram maravilhosas. — riu.
— Nem te conto. Não quero confusão com a sombra. — respondi também rindo. Continuamos a andar até o carro; ela sentou ao lado de Mingyu na frente e um Seungcheol sorridente sentou ao meu lado no banco de trás.
— Gostou de conversar com o seu não amigo? — perguntei tal qual uma mãe pergunta a seu filho de 6 anos.
— Parece que você tá com ciúme, . — ele sorriu e puxou a barra do meu short.
— Mingyu disse que todos vocês intercambistas meio que se conhecem. — tentei desviar do assunto e me afastei dele no banco.
— Conheço algumas pessoas do grupo. O Mingyu. O Wonwoo, e consequentemente a Bee. — ele foi listando.
— A Bee? — virou no banco.
— Quem não conhece a , ? — perguntei. — Aquela caça-pontos.
Bee estava na vida de desde sempre e vivíamos nos alfinetando, mas nos dávamos bem. Ela me chamava de novata sempre que podia, e eu inventava alguma coisa relacionada à sua obsessiva busca por pontos extras. estava sempre no meio, rindo de nós.
— Ela roubou o Wonwoo de mim. — Mingyu reclamou.
— Como você reclama, Mingyu. — rebateu. — Dirige rápido que eu tô com fome.
Todos rimos e Mingyu foi até o restaurante reclamando baixinho. Pedimos uma mesa e sentamos parecendo dois casais em um encontro duplo.
— . — Seungcheol chamou baixinho. — Você disse que a gente ia almoçar no aquário.
— Mudança de planos. — sussurrei de volta. — Eu pago o seu, depois a gente vê.
— Você sabe que eu não gosto disso. — ele murmurou.
— Problema seu. — o cutuquei na costela.
— O casal vai ficar de sussurro até quando? — perguntou.
— Só estávamos falando sobre o almoço. — Seungcheol respondeu antes que eu pudesse protestar sobre não sermos um casal.
— Quer ir para outro lugar? — me perguntou com um sorriso discreto.
— Vamos ficar. Já nos entendemos. Não é, Cheol? — olhei para ele com uma ameaça no olhar.
— Sim. — ele sorriu, mas me pareceu meio medroso. — Eu vou ao banheiro.
— Eu vou com você. — Mingyu se levantou.
— Mingyu tá parecendo um adolescente quando arranja um novo amigo. — eu ri.
— Na verdade, ele tá com um pouco de medo de você. — riu. — Me mandou uma mensagem assim que chegamos. — ela me mostrou o celular.
— Medroso. — cruzei os braços sobre o peito e riu mais. Observamos os dois voltarem conversando animados, falando alto em uma língua que eu já tinha escutado Seungcheol falar. Certamente coreano.
— Viraram melhores amigos? — perguntou com uma pitada de ciúme na voz.
— Bee me roubou o Wonwoo. — Mingyu deu de ombros e sentou ao lado de .
— E aí você vai me roubar o Seungcheol? — perguntei, me dando conta de que tinha soado errado. — Eu preciso do meu aluno até o fim do semestre. — tentei me corrigir, mas, pelo sorriso de , parecia que era tarde demais.
— Você não vai se livrar de mim tão fácil, . — ele sorriu e bateu o ombro no meu.
— Ótimo, arrumei uma pedra no meu coturno.
Depois do almoço, nos deixou de volta no aquário e Cheol e eu nos ocupamos com as pesquisas. Estávamos indo para nossa última atividade do dia, rindo e conversando em um dos corredores, quando Cheol parou de repente.
— Hansol, o que faz aqui? — Seungcheol perguntou ao rapaz que estava sempre no aquário. Não éramos melhores amigos, mas eu sempre conversava com ele quando ele aparecia por aqui.
— Vocês se conhecem? Cheol, esse é o seu Hansol da Administração? — perguntei aos dois.
— Oi, Cheol. Oi, . — Vernon sorriu pequeno. — O que você faz aqui, Cheol? Eu sou um visitante VIP, eu tô sempre aqui.
— Isso é verdade, Seungcheol. — concordei com Vernon.
— Monitoria. E a me conseguiu uma diária aqui. — Seungcheol explicou. — Achei que você tivesse ocupado demais pra vir ao aquário.
— Eu achei um tempo. Precisava espairecer. — ele me encarou e sorriu. Acabei por sorrir de volta. Ele era fofo e tinha um sorriso acolhedor. — Vocês passaram o dia juntos? — Vernon quis saber.
— Infelizmente. — suspirei.
— Ei! Se não me queria por perto, não devia ter trazido a monitoria para cá. — Seungcheol me cutucou no ombro.
— E que outra escolha eu tinha? A professora Linn me amarrou a você até o fim do semestre. — revirei os olhos. Vernon apenas ria de nós.
— Você já não consegue mais viver sem mim, . — Seungcheol esbarrou o ombro no meu de novo.
— Credo. Não vejo a hora de esse semestre acabar. — suspirei e me virei para Vernon. — Seungcheol vai checar as focas e nós vamos dar uma volta. — estendi a mão para ele e ele me estendeu o braço como um bom cavalheiro. — Tente não matar nenhum dos animais. Oli vai com você. A responsável vai saber o que fazer. — disse a Seungcheol.
— Tchau, Cheol. — Vernon acenou por cima do ombro enquanto eu o arrastava (e me arrastava) para longe dali. — Como foi a Tailândia?
— Aulas, Sol, praias, homens bonitos e nada do frio que tá aqui. — sorri para ele. — Colocamos dois ofiuroides no tanque da experiência de vida marinha. Você precisa ver. Vou te mostrar e depois vou atrás de Seungcheol. Lembrei que preciso fazer uma coleta para pesquisa e não avisei à responsável nem ao irresponsável.
Mudei a direção do nosso caminhar e o levei até o pequeno tanque onde as pessoas podiam interagir com os bichos apenas colocando a mão na água. Soltei o braço dele e segurei em sua mão gelada, talvez por conta do frio. Com a mão livre, peguei o pequeno bichinho e puxei Vernon para baixo.
— , tem certeza de que isso é seguro? — ele franziu as sobrancelhas, uma expressão de incerteza no rosto.
— Se não fosse, não estaria aqui ao alcance das crianças, Vernon. — rebati. Virei o dorso de sua mão para cima e coloquei o disco com tentáculos ali. Vernon esticou os dedos, como se estivesse com nojo, e lentamente virou a mão até que o ofiuroide caísse de volta na água.
— Quer lavar a mão? — perguntei, rindo.
— Eu encontro o caminho para o banheiro. — ele riu também. — Você devia ir. Está quase na hora de fechar.
— Te vejo na próxima. — o ofereci um abraço. Eu não gostava muito deles, mas os oferecia para pessoas específicas. — Não demore tanto a me achar.
— Vou te procurar assim que chegar.
— Cuidado na volta. E até mais. — pisquei para ele e fui encontrar Seungcheol, que estava junto da treinadora imitando os movimentos de uma foca.
— Já voltou? — ele se espantou.
— Preciso fazer uma coleta aqui. Lembrei depois que te dispensei. — suspirei. — Vernon odiou os ofiuroides.
— Ele é meio sensível. — Cheol riu.
— Só não tá acostumado. — rebati enquanto me ocupava de pegar os potes de amostra.
— Precisa de ajuda na coleta? — ele ofereceu.
— Não. Termine aí e vá se trocar. Te espero na saída e te dou uma carona de volta. — colhi minhas amostras rapidamente e saí antes que Seungcheol pudesse protestar.
Fechei o laboratório, troquei de roupa, peguei minhas coisas e fui encontrar Seungcheol na saída.
— Pronto pra ir? — perguntei. — Vamos comer alguma coisa. Eu pago.
Ele abriu a boca para protestar, mas eu pressionei dois de meus dedos em seus lábios.
— Se você disser mais uma vez que não precisa da minha caridade, eu juro por Deus que te faço um corte e te jogo no tanque dos tubarões. — ameacei.
Ele afastou meus dedos que pressionavam seus lábios e cruzou os braços.
— Eu vou com você, mas eu pago o meu.
— Nem pensar. Minha mãe diz que quem convida, paga. E eu já te convidei. — pressionei um dedo em seu peito.
— Tá, tá. Você venceu. Mas na próxima eu pago.
— Fechado. — estendi a mão e ele a apertou.
— E como vamos? — ele perguntou com um bico adorável nos lábios.
— Max tá no estacionamento. — sorri.
— Você não espera que eu suba naquela coisa de novo, não é? — ele arregalou os olhos.
— Espero sim.
— Não posso. Não trouxe casaco e a noite esfriou. — ele deu uma desculpa.
— Eu tenho um moletom no meu armário que eu acho que cabe em você. Se não se importar...
Cheol passou a mão no rosto e suspirou.
— Você tem jeito pra tudo, não é, ?
— Faço o que posso. — dei de ombros. — Não saia daqui. Eu já volto.
Corri para dentro do aquário, aproveitando que ainda tinha alguém lá dentro, e fui até meu armário. Puxei o moletom de lá e voltei correndo para Seungcheol. Quando o estendi a peça, ele me olhou desconfiado.
— Você usando rosa, ?
— É por isso que tá aqui. Só uso em caso de emergência. Agora cale a boca e vista. — semicerrei os olhos para ele. — O que quer comer?
— Não sei. Escolhe você. — ele arrumou as mangas do moletom. Estava um pouco apertado nos braços, mas ia servir.
— Vou parar no primeiro lugar que servir um hambúrguer. — decretei. — Vamos.
Segui caminho para o estacionamento e destravei o alarme de Max. Seungcheol vinha logo atrás de mim, suspirando a cada dois passos. Ignorei seu protesto velado e subi na moto. Senti sua mão em meu ombro e o peso do seu corpo balançar a lataria. Em seguida, seus braços se acomodaram ao redor da minha cintura e eu levei um segundo para apreciar a sensação. Era boa.
— Pronto? — perguntei alto por conta do capacete. Ele apenas fez um joinha com uma das mãos que estavam ao redor da minha cintura.
Acelerei Max e nos coloquei na rua. Seungcheol agarrado a mim só me passava uma sensação maior de segurança. Ri sozinha com o pensamento, de como estava me sentindo confortável com ele. Parei na primeira hamburgueria que encontrei e desliguei a moto. Seungcheol levou uns segundos para me soltar, como na primeira vez que tinha estado naquela garupa.
— Tudo bem aí? — tirei o capacete e perguntei.
— Sim. — ele suspirou e desceu da moto, me entregando o capacete. — Você não podia ser uma garota rica normal que anda em uma Ferrari? Eu me sentiria mais seguro.
— Mas eu tenho um carro. — rebati risonha. — Eu só prefiro o vento na pele.
— Comprasse um conversível, . — ele negou com a cabeça.
— Baixo demais, Cheol. E pare de reclamar. Já chegamos. Vamos, entre. — o incentivei. Desci da moto e o segui pela porta do lugar de iluminação fraca. A garçonete disse certa vez que deixava o ambiente mais acolhedor. Escolhi uma das mesas e sentei, Seungcheol sentando à minha frente.
— Boa noite. — um rapaz de sorriso bonito se aproximou e nos entregou o cardápio. Agradeci com um sorriso e Cheol apenas o encarou, maneando a cabeça como se o reverenciasse. — Assim que escolherem, é só chamar. Meu nome é Alex. — ele piscou para mim.
— Obrigada, Alex. — agradeci com um sorriso. Folheei o cardápio e escolhi rapidamente. — Quando escolher, pode chamar. — avisei a Seungcheol.
— Acho que sai mais rápido se você chamar. — ele enfatizou com um bico nos lábios.
— Se já tiver escolhido, eu posso fazer isso. — rebati.
— Esse. — ele apontou para o cardápio. Estiquei o braço e Alex prontamente se aproximou.
— Um 1313 e um 1317, Alex, no meu nome, . E um copo d’água, por favor. — pedi. Ele murmurou um “já volto” e se foi. Seungcheol o encarou enquanto ele saía e voltou a me olhar. Tirei minha grande companheira, a enzima lactase, da bolsinha de remédios que eu carregava e esperei que Alex trouxesse a água.
— O que é isso? — Cheol perguntou enquanto eu engolia o remédio.
— Anticoncepcional. — respondi sem pensar. Seungcheol arregalou os olhos e evitou me olhar.
— Desculpa, eu não quis ser intrometido.
— Relaxa, Cheol. Eu tô brincando. É só a lactase pra eu conseguir comer sem passar mal. — esclareci. — Se bem que cairia como uma luva se Alex...
— Sexo casual, ? — ele baixou o tom da voz e apoiou os cotovelos na mesa.
— É bom às vezes. — dei de ombros.
— Você estava na Tailândia. O que fazia lá? — ele mudou de assunto.
— Além de sexo casual? — perguntei e ele confirmou com a cabeça. — Um minicurso complementar sobre pinguins-africanos. E você, como veio parar aqui?
— Hansol e eu somos amigos de infância, então quando ele disse que estudaria aqui e não na Coreia, eu quase me matei de estudar pra conseguir vir pra cá. — ele sorriu.
— Vernon é um fofo.
— Vocês já... — ele deixou a pergunta no ar.
— Não, Seungcheol. O que pensa de mim? — perguntei fingindo ofensa.
— Que você é solteira. — ele deu de ombros.
— E sou mesmo. Mas não. Vernon e eu nunca tivemos nada. Ele é um amigo. — sorri.
— Prontinho. — Alex se aproximou com nossos pedidos. — Se precisar de mais alguma coisa, é só me chamar. — ele se dirigiu especificamente a mim com um sorriso sugestivo.
— Vai querer mais alguma coisa, querido? — apertei a mão de Seungcheol em cima da mesa. Ele me olhou em silêncio por uma fração de segundos e olhou para Alex que tinha perdido a cor do rosto.
— Por enquanto não. Obrigado, Alex. — Seungcheol agradeceu. Alex maneou a cabeça e se afastou. — Achei que...
— Ele tem atitude, mas não. — suspirei. — E obrigada.
— Disponha. — ele sorriu pequeno.
Começamos a comer em silêncio e aproveitei o momento para mandar uma foto de Seungcheol de moletom rosa para que estava insistindo que ele era fofo.
— Você realmente parece fofo assim. — comentei.
— Está tirando fotos minhas? — ele quis saber.
— te achou fofo. Só estou atualizando ela.
— Eles são legais, ela e Mingyu. — Cheol sorriu. — Como se conheceram?
— Ela quase morreu bem na minha frente. — eu ri. — Eu sempre a via nos jantares de gente rica, mas meu pai nunca me deixava falar com ela. Como ele disse, eu sou meio “sem tempo” — fiz as aspas no ar —, então eu provavelmente não saberia como falar com ela por conta da morte dos pais dela e tal. No meu primeiro dia do segundo semestre, era uma caloura. Eu tava descendo do carro e ia atravessar o estacionamento para ir para o meu prédio. Assim que parei na calçada pra esperar um carro passar, a surgiu ao meu lado lendo o plano de aulas e simplesmente continuou andando. Prevendo o desastre, eu segurei ela pelo braço com força. Ela me encarou confusa, mas quando viu o carro passando, se deu conta do que ia acontecer. Então ela simplesmente me abraçou pelo pescoço e disse “Salvou nossas vidas, somos eternamente gratos”.
— Como os ETs de Toy Story? — ele riu.
— Exatamente. — ri também, achando fofa a forma como ele simplesmente pegou a referência que eu demorei para pegar na época. — Desde então, não me largou. Nem eu a larguei.
— Mingyu comentou algo sobre isso. — ele revelou.
— Enquanto falavam em coreano?
— Eu não podia falar na sua língua, . Você ia ver que eu tava falando mal de você. — ele sorriu largo.
— Traidor. Eu te arrumo uma diária e é assim que você me agradece? — perguntei.
— Aliás, obrigado por isso. — ele pareceu sincero. Dei de ombros, como se não fosse nada. — Quando acabarmos de comer, posso te pagar um sorvete?
— Você me deve um sorvete. Maracujá com chocolate. — decretei. — Vamos, termine de comer. Tem uma sorveteria ótima no caminho para o dormitório.
Cheol sorriu e terminou de comer em silêncio. Um silêncio que não era desconfortável entre nós. Pedi a conta e um Alex com um semblante triste a trouxe para mim. Paguei e deixei uma gorjeta para ele. Cheol e eu subimos na Max e eu tomei o caminho do dormitório, parando numa sorveteria pequena e aconchegante que eu conhecia.
— Maracujá com chocolate para a moça. — Cheol pediu à atendente. — E cereja para mim.
— Cereja?
— Você vai ter que provar. É o melhor. — ele sorriu.
A moça nos entregou nossas casquinhas e nos sentamos em um banco na frente do local.
— Prova. — ofereci meu sorvete a ele e praticamente empurrei o sorvete em seus lábios. Seungcheol fez uma careta para o azedo do maracujá e sorriu para o doce do chocolate. O movimento de sua língua sobre os lábios parecia quase convidativo.
No que você tá pensando, ?
— Sua vez. — ele me ofereceu seu sorvete. Provei fazendo careta. Não era muito fã de cereja.
— Bom, mas prefiro o meu. — decretei.
— Vamos precisar sair outra vez para você provar outros sabores. — ele disse displicente.
— Se você pagar… — dei de ombros.
— Então está aceitando sair comigo? — ele perguntou com um sorriso fraco no rosto.
— Por que não? Amigos saem juntos, não é? — respondi e vi seu semblante mudar para… decepção? Não, eu estava vendo coisas.
— Precisamos ir. Daqui a pouco não me deixam mais entrar no prédio. — ele tentou sorrir.
— Vamos. — coloquei o resto da casquinha na boca, ficando com as bochechas cheias. O sorriso de Seungcheol aumentou e ele levantou.
— Vamos, esquilinha. — ele me estendeu a mão. Segurei sua palma fria e Seungcheol brincou com meus dedos, medindo minha palma na sua.
— Achei que sua mão fosse menor. — brinquei. Ele riu quase com deboche. Um riso que parecia prometer alguma coisa, eu só não sabia o que era.
— Vamos, . — ele soltou minha mão. — Você me tirou da cama antes das 8. Eu tô cansado.
— Quer que eu te coloque na cama? — sorri e coloquei o capacete, subindo na moto.
— Você vai deitar também? — ele perguntou, também subindo na moto e se abraçando à minha cintura.
— Você tá realmente cansado, não é? — perguntei por cima do ombro. — Segure-se.
Seungcheol apertou o abraço na minha cintura e eu pilotei o resto do caminho até o dormitório. Quando chegamos, ele desceu e me entregou o capacete.
— Obrigado por hoje. — agradeceu com um sorriso.
— É sempre bom ajudar um amigo. — pisquei.
Por que era isso que ele era, um amigo. Não é?
— Boa noite, amiga. — ele desejou. — Te devolvo o moletom assim que lavar. — ele avisou.
— Não precisa. Eu lavo em casa. — respondi rápido demais.
— Se queria sentir meu cheiro, era só ter pedido, . — ele devolveu a provocação do dia em que lhe dei uma carona pela primeira vez.
— Boa noite, Seungcheol. — acenei e rumei para casa.
O dia tinha colocado muitos pensamentos na minha cabeça e tudo o que eu precisava no momento era descansar.
Desci as escadas, indo até a sala de jantar, encontrando meus pais tomando café juntos.
— Oi, mãe. — beijei o rosto dela e passei por meu pai. — Oi, pai.
— Eu não ganho beijo? — ele protestou.
— Bom, aí depende. — sentei em uma das cadeiras de frente para minha mãe que já sorria para mim.
— De quê? — meu pai quis saber.
— Está pretendendo abrir vaga para temporários nessas férias? — sorri para ele.
— Respire fundo, querido. O cheiro no ar é o cheiro do golpe. — minha mãe riu.
— Tem alguém para indicar. — meu pai disse sério; não foi uma pergunta.
— Meu aluno da monitoria. Ele é do intercâmbio da universidade e tá precisando de uma grana. — comecei a passar geleia nas torradas. — Aquele que fez uma diária lá no aquário.
— O asiático? — ele perguntou e eu confirmei com a cabeça. — Oliver me falou algo sobre.
— E então, pai? — ergui as sobrancelhas.
— Esse garoto é bom mesmo? — meu pai perguntou.
— Confie no meu potencial, homem. Ele ainda é meu aluno. — reclamei.
— Ele é bonitinho? — minha mãe perguntou.
— Mãe, esse não é o ponto.
— Então ele é bonito. Você não me engana, . — ela riu.
— Ele tem ombros largos, um abdômen sarado, uma boca que eu provavelmente beijaria, mas isso não vem ao caso, mãe. — mordi uma torrada.
— E quando vai trazê-lo aqui? — foi meu pai quem perguntou.
— As entrevistas são no aquário. Não tem porque eu trazê-lo aqui. Não estamos namorando. — franzi as sobrancelhas.
— Ainda. — minha mãe enfatizou. — E vocês não estudam juntos? Podia trazê-lo para estudar aqui um sábado desses. Depois podem tomar um banho de piscina...
— E aí eu posso afogá-lo... — murmurei. — Quando posso levá-lo ao escritório? — perguntei a mamãe. Ela era psicóloga e especialista em gestão de pessoas. A responsável pelas contratações do aquário.
— Eu vou organizar os alunos do estágio primeiro e então te falo. — mamãe sorriu. — Pense sobre estudar no sábado.
Olhei para meu pai e ele apenas me encarava em silêncio. Claramente não estava gostando da ideia de mamãe. Às vezes, meu pai ainda me tratava como se eu tivesse oito anos, como se ainda fosse a garotinha que queria ser uma princesa sereia, como a Ariel.
— Eu peço para arrumarem a mesa lá fora, papai. Ele não vai subir para o meu quarto. — avisei e segurei sua mão sobre a mesa, tentando controlar a vontade de rir.
— Você não tem mais cinco anos, . E ele não é seu primeiro namorado. — meu pai suspirou.
— Ele nem é meu namorado, pai. — esclareci.
— Você é adulta, sabe se cuidar. — ele refletiu.
— Quer saber? Eu tô saindo. Tá impossível conversar com vocês hoje. — levantei da cadeira e saí. Peguei minha mochila e todos acessórios da moto e fui para a aula. Seungcheol estava me esperando perto da minha vaga de sempre no estacionamento. — O que foi? — perguntei com o pouco de paciência que me restava.
— Bom dia, . — ele sorriu e seus olhos ficaram menores. Quando não respondi, ele suspirou e continuou. — Pensei que poderíamos ter uma aula extra nesse sábado. Se você estiver livre, é claro. Pode ser na lanchonete aqui perto, já que a nossa biblioteca fecha.
— Ou pode ser na minha casa. Minha mãe quer te conhecer. — suspirei sem acreditar que estava propondo aquilo. Parecia que minha mãe e Seungcheol estavam ligados.
— A senhora Andrews quer me conhecer? Mas por quê? — ele franziu o cenho.
— Eles cismaram que você é meu namorado. — entreguei meu capacete a ele e saí andando, tentando achar meu fone na minha mochila. Seungcheol me seguiu com meu capacete nas mãos.
— Mas o que...
— Pois é, também não entendi. — peguei meu capacete de volta. — Só leve seus livros e sua roupa de banho. Começamos às 10. É um bom horário?
— Roupa de banho?
— Mamãe disse para tomarmos banho de piscina. Tomara que não esteja frio demais. — dei de ombros. — Enfim. Te mando o endereço por mensagem. Tchau. — e beijei seu rosto.
Então me dei conta do que tinha feito. Seungcheol arregalou os olhos para mim e eu apenas pisquei devagar, dando as costas e saindo dali o mais rápido possível. Toda aquela conversa em casa não tinha feito bem para a minha cabeça.
O sábado amanheceu ensolarado apesar do vento frio.
Abri os olhos e sentei na cama, ainda pensando se aquela aula extra era realmente uma boa ideia. Meu celular despertou para me avisar que se eu ficasse mais cinco minutos na cama, não conseguiria me arrumar antes que Seungcheol chegasse.
Depois de tomar um bom banho, vesti o biquíni, um short jeans e uma camiseta qualquer. Peguei meu celular, os materiais e desci para esperar por ele. Dez minutos antes do horário, ele chegou acompanhado por uma Lola que sorria.
— , esse rapaz disse que veio estudar com você. — o olhar dela dizia que ela não acreditava em nós.
— Veio sim, Lola. Obrigada.
Lola entortou um sorriso e empurrou Seungcheol na minha direção.
— Bom dia. — desejei. — Já tomou café? — ele apenas negou com a cabeça. — E acordou mudo?
— Bom dia, . — ele riu.
— Então vamos comer. — dei as costas e segui para a sala de jantar. A mesa do café ainda estava posta e, pela porta que dava para a cozinha, vi mamãe transitando e distribuindo ordens enquanto ria com Lola. — Ignora a Lola. Ela quer me ver casada, descalça e grávida antes de morrer, palavras dela.
— Isso é muito específico. — Seungcheol franziu as sobrancelhas.
— Eu estou cercada de mulheres doidas. — suspirei. No mesmo instante, mamãe entrou no cômodo.
— Ah, você deve ser o Seungcheol. — ela se adiantou e o abraçou pelos ombros. — Amélia Andrews, muito prazer.
— Mamãe, a cultura do Seungcheol não é de contato. — alertei.
— Mas a minha é. — ela rebateu e partiu o abraço, porém mantendo as mãos nos ombros dele. — Seja bem-vindo, querido. Me diga, tem alguma coisa que você não come? Estamos preparando o almoço.
— Mamãe, nem sequer tomamos café.
— Você me responde depois. — ela sorriu para ele e me encarou. — Por que não estão comendo?
— Porque a senhora chegou bem quando íamos nos sentar. — puxei a cadeira. — Vem, Cheol.
Minha mãe fez questão de puxar a cadeira ao meu lado para Seungcheol e serviu café na xícara dele. Depois saiu, lembrando a Seungcheol de dizê-la caso não comesse alguma coisa, tudo para o almoço.
— Você não tem muitos amigos, não é, ? — ele me acusou. Sim, porque foi uma acusação. Ele disse entrelinhas que eu sou antissocial.
— Homens? Não. O mais próximo de um amigo é o Vernon. E ele nunca veio aqui. — expliquei.
— Isso explica porque sua mãe tá tão animada. — ele riu.
— Ela tá animada porque, na cabeça dela, ela já é sua sogra. — expliquei enquanto servia café para mim, já que minha mãe fez isso apenas por Seungcheol.
— Bom, então acho que vamos ter que namorar. Não quero decepcioná-la. — Seungcheol disse casualmente.
Levantei o rosto para olhar para ele e quase derramei o café do bule tamanho foi o susto com sua frase.
— Desculpe, o quê?
— Estou brincando, . Fique calma. — ele desconversou, mas parecia corado. Eu mesma estava, tenho certeza disso. Podia sentir o rosto quente e um calor no pescoço, mesmo com o vento frio que entrava pela persiana. Engoli um gole de café como quem engolia um punhado de areia. A ideia de beijar Seungcheol assim que as aulas acabassem estava rondando minha cabeça há uns dias. E parece que era recíproco. Ou não, e ele estava realmente me zoando.
Seungcheol comeu em silêncio, mal erguendo o olhar para mim, vez ou outra olhando na direção da cozinha para encontrar Lola acenando para nós.
— Coma o que quiser. Eu vou esperar na piscina. Lola te leva até lá. — levantei e me dirigi para uma das mesas com guarda-sol na área da piscina. Os materiais já estavam todos lá. Aproveitei para mandar uma mensagem para .
Me:
Se eu enlouquecer, apague nossa conversa e destrua esse celular.
👸🏻:
O QUE FOI?
Me:
Meia-noite eu te conto hahaha
Seungcheol tá aqui em casa. Falamos depois.
Eu sabia que era ansiosa, e ela não me deixaria em paz a menos que eu tivesse um bom motivo para adiar a conversa.
— Pronto. — Seungcheol se aproximou acompanhado por uma Lola que sorria.
— Se precisarem de alguma coisa, é só me chamar. — Lola avisou e saiu. Seungcheol sentou à minha frente e abriu o caderno.
Quando me preparei para começar a falar, meu celular tocou. . Desliguei. Menos de dez segundos depois, ela ligou de novo. Desliguei outra vez. Ela insistiu.
— Não vai atender? — Cheol perguntou e apontou para o celular.
— Eu queria começar a aula. — suspirei.
— Ela não vai parar, . — ele riu. Tomei o celular nas mãos e atendi.
— Eu disse que ligava mais tarde. — murmurei.
— Eu sou ansiosa. — ela rebateu. — O que Seungcheol fez? Aliás, o que ele faz aí?
— Clase. Y dijo que tendríamos que ser novios porque no quería desagradar a mamá. — respondi em espanhol. Era uma língua que eu dominava e amava desde a escola.
— , eu não falo espanhol. — ela ralhou do outro lado da linha.
— Aí já não é problema meu. — eu ri. — Eu disse que ligava mais tarde.
— Até lá, ela já teria me matado. — uma voz masculina, que eu julguei ser de Mingyu, respondeu do outro lado. — Ela me bate quando vocês não contam as fofocas completas. — ele dedurou .
— Tente não morrer nem matar o Mingyu, OK? Ligo depois. Preciso fazer o Seungcheol passar na cadeira. Tchau. — sem esperar pelo surto de , eu desliguei.
Quando levantei o olhar para Seungcheol, ele me encarava com os braços cruzados na altura do peito, marcado em uma camisa de um tom de marrom claro que muito combinava com o tom da pele dele. Se a intenção dele era parecer amedrontador, falhou. Ele só me parecia atraente.
— Em espanhol? — ele questionou.
— Eu não podia falar numa língua que você entende. Você ia saber que eu estava falando mal de você. — dei de ombros. — E como sabe que é espanhol? Não me diga que você fala espanhol.
— Eu já fiquei com uma mexicana. E eu moro no dormitório, tem gente de todo lugar lá. Identifico, mas não sei falar. — ele sorriu. Em uma reação automática, cruzei os braços também, em uma posição de puro ciúme quando ouvi suas primeiras palavras, mas os separei assim que me dei conta do que tinha feito. Seungcheol não era meu, não é? Eu não tinha esse direito, tinha?
— Vamos, precisamos acabar a matéria. Sua prova é em alguns dias. — peguei o material e um livro.
Passamos pelo menos duas horas imersos na matéria. Vez ou outra Lola nos levava água ou suco com a desculpa de nos manter hidratados, mas eu sabia que era apenas uma ordem da minha mãe para saber o que estávamos fazendo. Em dado momento, mamãe se aproximou.
— O almoço está quase pronto. — ela sorriu para nós. — Pedi para fazerem uma coisa simples, já que você não me disse nada, não é, mocinho? — ela apontou para um Seungcheol que ria e riu também.
— Desculpe, senhora Andrews. — ele pediu.
— Por favor, me chame de Amélia.
Encarei minha mãe com as sobrancelhas franzidas. Ela nunca era amigável assim. Algo de errado não estava certo.
— Venham lavar as mãos e vamos almoçar. Depois, vão se divertir. Já estudaram demais por hoje. — ela quase ordenou e saiu.
— Ouviu, sua mãe, não é, ? — Cheol riu.
— Você só quer se livrar da matéria, não é? — acusei de forma velada.
— Mas…
— Tudo bem, você tá se saindo bem. Vamos almoçar. — levantei da cadeira onde estava sentada pelas últimas duas ou três horas e rumei para o banheiro social. Precisava lavar o rosto e me preparar para "me divertir" com Seungcheol. Isso soa errado e tentador.
Quando saí do banheiro, mamãe e Cheol já estavam à mesa. Lola estava de pé, com os olhos atentos nas reações de Seungcheol perante a "coisa simples" que minha mãe tinha mandado fazer: um verdadeiro banquete.
— , e seus respectivos namorados vêm almoçar aqui? — perguntei quando vi os diferentes pratos na mesa.
— Eu só queria que Seungcheol provasse coisas diferentes. — mamãe sorriu. — Seu pai não vem, então seremos apenas nós.
Cheol olhou da minha mãe para mim e de mim para Lola parada um pouco atrás da minha mãe.
— E Lola. Pega um prato e senta aí, Lola. — sentei no meu lugar de sempre, ao lado do meu pai, que sempre ficava na cabeceira. Agora eu tinha Cheol ao meu lado.
— Minha , delicada como sempre. — Lola riu, mas fez o que eu falei e sentou ao lado da minha mãe. Mamãe fechou os olhos por um breve momento, fazendo a oração que às vezes ela fazia. Como filha de latinos, era ligada à religiosidade, mesmo que nem sempre. Cheol a encarou de sobrancelhas franzidas e me encarou.
— Deve estar rezando. — expliquei. — Na verdade, ela só está repetindo "faça mal ou faça bem, em nome de Jesus, amém".
Seungcheol riu uma gargalhada gostosa que me fez sorrir minimamente. Ele franziu levemente o nariz e os olhos ficaram ainda menores. Era fofo. Encarei Lola e ela estava sorrindo para mim.
— Agora que já abençoamos a comida, vamos comer. — mamãe disse animada.
Tomei meus talheres e começamos a comer em silêncio, ouvindo sons de satisfação de Seungcheol. Ele comeu bem, como se já não comesse uma comida feita em casa há muito tempo. Parei de comer, me servi de uma taça de salada de frutas e fiquei observando ele comer.
— Tá satisfeito? — perguntei quando ele largou os talheres.
— Está tudo uma delícia. — ele sorriu. — Obrigado, senh… Amélia. Obrigado, Lola. — ele mandou a cabeça na reverência contida que eu tinha aprendido a identificar.
— Você pode vir sempre que quiser, querido. — minha mãe sorriu e alcançou a mão dele por cima da mesa, apertando carinhosamente.
— Bom, agora que acabamos, vou descansar. — quebrei o "clima" do momento e levantei.
— Vão descansar lá fora, o clima está agradável. — mamãe incentivou. — Se precisarem de alguma coisa, é só chamar.
— A senhora não vai? — Cheol quis saber.
— Ah, não, querido. Vou ajudar Lola. Podem ir. — ela sorriu.
Vendo a total entrega da minha mãe a Seungcheol, saí da sala de jantar, me desfiz da blusa que usava no caminho e deitei de biquíni e short em uma das espreguiçadeiras do lado de fora da casa. Cheol veio logo atrás de mim, também se desfazendo da blusa, a pele brilhando com o pouco Sol.
— Está me lembrando o Booboo Stewart em Crepúsculo. — comentei assim que ele deitou na cadeira ao meu lado.
— É a primeira vez que alguém faz essa comparação. — ele riu. — Foi original, .
— Tento sempre o meu melhor. — sorri.
Cheol fechou os olhos e esticou o corpo na cadeira, e em pouco tempo ouvi seu ressonar baixinho. Ele tinha dormido. Fiquei observando seu peito subindo e descendo com a respiração calma e os fios de sua testa, que já estavam compridos demais, caindo sobre seus olhos fechados. Era lindo, eu precisava admitir. Fechei os olhos e tentei descansar, mas meus olhos curiosos sempre se abriam para espiar Seungcheol. Em uma das minhas espiadas, peguei minha mãe nos observando da porta da cozinha. Ela apontou para Seungcheol e eu indiquei que ele estava dormindo. Então ela sumiu e voltou com uma toalha, a colocando cuidadosamente no peito nu de Seungcheol.
— E eu? — perguntei em um sussurro. Minha mãe apenas deu de ombros e saiu. E no minuto que ela saiu, Seungcheol abriu os olhos.
— Eu dormi, não foi? — ele perguntou com os olhinhos apertados.
— Um pouco, e minha mãe veio te cobrir. — apontei desgostosa.
— Será que ela não queria se juntar a nós? — ele perguntou, ainda parecendo sonolento.
— Eu vou chamar. — levantei da espreguiçadeira e entrei em casa. — Seungcheol acordou e tá perguntando se a senhora não quer sair.
— Não quero atrapalhar vocês. — ela sorriu sugestiva.
— Não tem o que atrapalhar. Vamos. — e saí de volta sem esperar por ela. Logo ouvi os passos de dona Amélia atrás de mim.
— Você deveria ter dormido mais, Seungcheol. — minha mãe comentou enquanto saía. — Quer que eu peça para preparem o quarto de hóspedes?
— Ah, não precisa se preocupar, Amélia. — Seungcheol respondeu tímido.
Neguei com a cabeça, completamente frustrada pela preocupação excessiva da minha mãe e resolvi entrar na água. Tirei o short sob os olhos atentos de Seungcheol e sumi na água da piscina. Quando voltei à superfície, Seungcheol estava se preparando para entrar.
— Posso? — ele perguntou.
— Você sabe nadar, não é? — dei de ombros.
— ! — minha mãe ralhou. — Isso são modos?
— Seungcheol tá acostumado. — sorri para ele e ele me sorriu de volta. — Preciso falar com a .
Saí da água, peguei a toalha que minha mãe tinha levado para Seungcheol e me sequei o máximo que pude. Vesti o short, enrolei a toalha no cabelo, deixei minha mãe e Seungcheol conversando na beira da piscina e entrei em casa. Precisava beber alguma coisa, uma cerveja, quem sabe. Mas não eram nem cinco da tarde, minha mãe surtaria. Então peguei uma lata de refrigerante e bebi quase em um gole, o gás fazendo minha cabeça doer. Assim que me recuperei, peguei o celular e liguei para minha amiga.
— Está em casa? — perguntei quando ela atendeu.
— Estamos. — foi Bee quem respondeu.
— E Mingyu?
— Foi resolver uma coisa com o nen… Com o Wonwoo. — outra vez.
— E cadê a ? — eu tinha ligado para ela, afinal.
— Corrigindo um texto urgente. Boo mandou agora. — explicou.
— Eu vou aí mais tarde. Precisamos conversar.
— Precisamos mesmo! — gritou ao longe.
— Se o alarde continuar, eu nem vou. — ameacei.
— Você não tá louca! — gritou de novo.
— Tchau, . — me despedi em tom de riso.
Reuni forças para sair e encontrar o corpo seminu de Seungcheol banhado pelo Sol do fim da tarde, mas encontrei apenas minha mãe.
— Pra onde ele foi? — perguntei me referindo a Seungcheol que claramente tinha sumido.
— Eu ofereci um banheiro para que ele tomasse um banho. O coitado estava cheirando a cloro. — mamãe sorriu. Eu conhecia aquele sorriso. Ele me dizia que algo estava errado. — Eu disse a ele que você o levará de carro até o dormitório. Está ficando tarde, os ônibus não são seguros.
— Como a senhora pode saber? Há quanto tempo não anda de ônibus, dona Amélia? — perguntei com as mãos na cintura.
— Há muito tempo, dona . Mas eu já andei o suficiente para saber que transporte público no sábado à noite não é nada bom. — ela levantou da cadeira. — Agora vá tomar um banho. Eu e seu pai estamos de saída. Ele precisa visitar uma pessoa. Voltaremos amanhã à noite. — e se foi.
Eu sabia que o sorriso me dizia que algo estava errado. Eles viajariam e ela só estava me avisando agora. Suspirei de cansaço e resolvi subir para tomar banho. Assim que entrei no quarto, tirei o short que usava, ficando apenas com o biquíni. Desamarrei a tira que prendia o biquíni ao meu pescoço e estava prestes a tirá-la para entrar no banheiro quando Seungcheol saiu de lá com uma toalha enrolada na cintura, o peito nu ainda úmido do banho e recebendo as gotinhas de água que pingavam do seu cabelo molhado.
Travei no meio do quarto, segurando o biquíni com os braços contra o peito e Seungcheol, quando notou minha presença, travou também. Ele moveu os olhos ao redor, provavelmente se dando conta de que estava no meu quarto e voltou a me olhar, se demorando em minhas pernas descobertas.
— Em minha defesa, sua mãe me deu as instruções para o banheiro. Eu só segui. — ele se defendeu.
Analisei Seungcheol novamente. A pele estava levemente dourada por conta do pouco Sol que ainda entrava pela grande janela do meu quarto. Minha respiração pesou e senti minha pele arrepiar, talvez ansiosa por mais contato. Mas empurrei a vontade para longe e virei de costas para ele.
— Por Deus, segure essa toalha. Eu vou tomar banho. Se vista e me espere lá embaixo. — comecei a andar para o banheiro e passei rápido por ele. — Só me espere lá embaixo, Cheol.
Entrei no banheiro e tranquei a porta. Me apoiei na pia e respirei fundo, nervosa, ansiosa.
Eu não devia estar sentindo aquilo, devia?
Seungcheol era só meu aluno, não era?
Espantei os pensamentos e tratei de tomar banho. Vesti um conjunto de moletom simples, arrumei uma muda de roupa em uma mochila e desci para encontrar Seungcheol sentado no sofá, visivelmente assustado, encarando os próprios pés.
— Está pronto? — chamei sua atenção.
— , me desculpa.
— Já passou. — fiz pouco caso, mas evitei olhar em sua direção por muito tempo. A visão do corpo nu coberto apenas pela toalha ainda estava na minha cabeça, eu precisava me concentrar para não cometer uma loucura. — Se estiver pronto, podemos ir.
— Eu vou de ônibus. — ele relutou.
— Nem pensar. Minha mãe me mataria. — suspirei. — E eu tenho que passar na . Então vamos.
Dei as costas e ouvi os passos pesados de Seungcheol me seguindo para… para onde eu ia mesmo? Minha cabeça estava travada na imagem do corpo de Seungcheol coberto com a toalha.
O carro. A garagem. É isso.
Entrei no carro, um Jeep, e abri a porta para Seungcheol ocupar o banco do carona.
— . — ele chamou baixinho.
— Não peça desculpas de novo. — disse com a voz firme. — Foi culpa da minha mãe.
— Eu devia… — ele suspirou quando eu apertei seu joelho.
— Eu já entendi. Pode parar. Ou eu te coloco pra correr atrás do carro. — brinquei, mas ele não riu.
Cheol foi até o dormitório no mais completo silêncio, encarando a rua pela janela, como se estivesse em um clipe musical dos anos 2000. Ele tinha um olhar triste e um bico nos lábios bonitos.
— Está entregue. — disse assim que parei o carro, o assustando.
— Obrigado por hoje. E me desculpa. — ele pediu outra vez. Então, em um ato que eu creio que tenha sido impensado, Seungcheol se esticou, beijou meu rosto e saiu do carro em seguida, sem ao menos me dizer tchau.
— Você ainda vai me deixar louca, Seungcheol. — reclamei e acelerei o carro para a casa de . Assim que parei o carro, Dorota me recebeu.
— Menina Andrews! — ela me abraçou. — Por onde andou?
— Estou atrelada a um coreano que não mede 1 metro e 80 e que precisa de monitoria, Dory. — suspirei.
— E ele está tirando seu sono mais do que devia? — ela perguntou sugestiva.
— Quem me dera fosse como você está pensando. Seria mais fácil. — suspirei.
— Momento das garotas? — ela perguntou. Apenas confirmei com a cabeça. — Já levo alguma coisa para você. Sem lactose. Já sei.
Dory me encaminhou para as escadas e eu subi quase me arrastando. Parecia que Seungcheol tinha me dado um beijo de dementador e levado com ele toda a minha energia. Meu corpo se arrepiou ao lembrar da pele do meu aluno (se eu não dissesse o nome dele, o impacto seria menor, não é?) e eu abri a porta do quarto de e me joguei na cama aos pés de .
— Ih, mais uma apaixonada. — ela alfinetou, mas eu estava sem força para reagir. — , você tá bem?
— Acho que não. — respondi contra o colchão e virei o rosto para encará-la. — Eu estou sentindo coisas, . — confessei.
— Borboletas? — perguntou. — , você tá apaixonada?
— Tomara que seja só fogo porque o Seungcheol é um gostoso. — suspirei de novo.
— Então dê…
— Ah! — gritou, interrompendo . — Chega. O que aconteceu hoje?
— Mamãe o mandou tomar banho no meu quarto e eu o vi saindo de toalha. — minha boca secou de repente. — Eu estava tirando o biquíni.
— Deveria ter aproveitado a oportunidade. Poucas roupas, cama perto… — murmurou.
— Bee, o que aconteceu com você? — perguntei assustada.
— Amiga, eu acho que você deveria se permitir. — pontuou como se estivesse lendo um texto de autoajuda. — Você já faz da vida dele um inferno. Aproveita um pouco.
— E se eu dormisse aqui? — me espreguicei na cama de , ignorando sua fala. Eu estava pronta para isso. A mochila estava no carro. Eu só não tinha avisado a antes. — Meus pais viajaram, não quero ficar sozinha.
— A cama é minha. — protestou.
— Eu sei, caça-pontos. — fiz careta.
— É bom que você me conta do comecinho pra eu saber quando você se apaixonou pelo Seungcheol. — riu, já indo até o closet buscar o colchão reserva que ela mantinha lá apenas para mim.
— Eu tô preocupada porque ela não tá negando que se apaixonou, . — Bee comentou ao meu lado.
E eu também não respondi. Eu só queria dormir e começar um novo dia, rezando para que tudo aquilo sumisse.
— Hansol, tem um minuto? — perguntei, me aproximando do meu melhor amigo.
— Bom, depende. Vai ser realmente um minuto? Preciso estudar. — ele suspirou. Estava com o cabelo bagunçado e os óculos insistiam em cair do rosto.
— Nossa, se eu for atrapalhar, é melhor nem começar.
— Dramático. Vamos, me conte. Sobre o que quer conversar? — ele sentou em um dos bancos no caminho e me puxou para fazer o mesmo. Sentei e passei as mãos no rosto.
— Eu... Eu acho que estou gostando de alguém.
— E isso é ruim? — ele franziu as sobrancelhas para mim. Olhei para o além antes de responder aquilo que eu estava demorando demais para admitir.
— Quando esse alguém é Andrews, é sim.
Esperei por uma resposta dele, mas recebi apenas um silêncio ensurdecedor. Quando o encarei, ele estava estático, olhando para mim, o que parecia ser uma lágrima acumulada no canto do olho.
— Hansol, tá tudo bem? — perguntei preocupado.
— Tá, tá sim. — ele desviou o olhar, piscando rápido.
— O que você não tá me contando? — deslizei no banco e o encarei de perto.
— Sai, Cheol. — ele me empurrou rindo, mas ainda parecia... Triste? Chateado?
— Não. Tá acontecendo alguma coisa e eu não tô pegando. Eu não vou sair até você me contar.
— Estávamos falando de você e... — ele hesitou. — Da .
— O que tem a ? — perguntei.
— Você disse que estava...
— Eu sei o que eu disse, Hansol. — o interrompi. — Hansol, você gosta da ? E eu estou perguntando sobre gostar de forma romântica.
— Ela é uma boa amiga.
— Não foi isso que eu perguntei, Hansol. — as peças estavam encaixando na minha cabeça e o resultado daquela conversa estava cada vez mais claro. — Vamos, seja sincero.
— Quando eu tinha uns sete anos, em uma das nossas vindas para cá, eu fui ao aquário pela primeira vez. — ele suspirou. — Ela estava com uma blusa de sereia e os cabelos tinham leves cachos nas pontas. Meus olhos não conseguiam desviar.
— Você gosta dela desde os sete? — quase gritei e ele me repreendeu com o olhar.
— Ela tinha uns oito anos, parecia maior que eu, mas quem disse que isso importava? Desde então, eu vou ao aquário sempre que posso. — ele continuou. — É por isso que sou um visitante VIP. Foi a que me deu o título. — ele riu sem humor. Eu nem consegui expressar alguma reação.
— E por que você nunca disse nada? — perguntei quando meu cérebro voltou a funcionar.
— Que chance eu teria?
— Com certeza teria mais chance se tivesse dito alguma coisa. Hansol, eu não tô acreditando nisso. — passei as mãos sobre o rosto.
— Ela nunca tinha sorrido pra mim daquele jeito. — ele murmurou.
— O quê?
— No dia que nos encontramos no aquário e vocês estavam juntos... Ela nunca sorriu pra mim daquele jeito. — ele reforçou.
— Então você não vai ao aquário ver os peixes.
— Não. Vou ver a sereia. — ele sorriu.
Fiquei encarando o chão por um longo minuto. Estava me sentindo mal. Hansol era quase meu irmão, minha cabeça estava confusa, me dizendo que aquilo talvez não fosse o certo.
— Ei, fica tranquilo. — ele bateu o ombro no meu. — Se em todos esses anos ela nunca sorriu para mim daquele jeito, isso não ia mudar agora. Não era pra ser eu. Era pra ser você.
— Isso não me tranquiliza.
— Mas deveria. E você precisa dizer a ela, Cheol. — ele brigou. — A sereia já está na sua rede. — e riu.
— Foi uma comparação ruim. — avisei.
— Eu sei, mas você entendeu o recado e é isso que importa. — ele sorriu e encarou o chão. — Eu vou ficar bem, acredite.
— Que baixo astral é esse aqui? — se aproximou de nós. — Tá tudo bem, Vernon?
— Tá sim, . Leve o Seungcheol daqui antes que eu brigue com ele pra sempre. — ele tentou sorrir.
— Você não vai conseguir se livrar de mim tão fácil. — o abracei pelos ombros.
— Vá estudar e deixe a orgulhosa. Some daqui. — Hansol se livrou do meu abraço.
— Finalmente alguém que me apoia. Obrigada, Vernon. — ela levantou as mãos como se agradecesse a alguém no céu. — Vamos, Seungcheol. Tchau, Vernon.
quase me arrastou até a biblioteca. A confissão de Hansol ainda martelava minha cabeça e acho que deixei transparecer.
— Tá tudo bem, Seungcheol? Vernon tá bem? Vocês parecem bem esquisitos hoje. Não que você não seja esquisito na maior parte do tempo... — ela pontuou com um bico nos lábios que hoje estavam com um leve tom de vermelho. Será que ele sempre esteve ali e só agora eu reparei?
— , você tá de batom? — perguntei ignorando sua pergunta.
— É um tint. Roubei da . — ela explicou. — Mas tá tudo bem? Com você e o Vernon.
— Vai ficar tudo bem. — tentei sorrir tranquilo.
— Acho bom. É sua última aula antes da prova. Infelizmente não sou o Harry Potter e não tenho felix felicis para te dar. Então sua boa nota só vai depender de você. — ela largou a mochila no chão da nossa sala reservada de sempre na biblioteca e sorriu para mim. Parecia normal na medida do possível depois do nosso momento no quarto dela.
— Obrigado pela confiança, . Era tudo o que eu precisava agora. — suspirei.
— Trouxe um simulado. — ela colocou uns papéis sobre a mesa. — Vamos, me mostre do que você é capaz.
Ah, . Se eu tivesse a oportunidade…
— , sobre sábado… — arrisquei.
— O que aconteceu sábado? — ela desconversou. — A prova, Seungcheol. Se concentre.
Respirei fundo e tomei as folhas nas mãos. tinha passado por cima do que acontecera. Só me restava fazer o mesmo. Se é que eu ia conseguir.
Estava sentada em um dos bancos das mesas do campus, tentando estudar enquanto Seungcheol estava em aula. Receberia o resultado da prova naquele dia e eu já estava mais nervosa que ele.
Tentei me focar na minha matéria. Faltava pouco para acabar o semestre (e a faculdade) e eu precisava manter o foco. Tinha empurrado as coisas para o fundo e estava tentando focar no que importava.
— Respire, . Nenhum aluno te deixou nervosa assim. O que tá acontecendo com você? — perguntei para mim.
— Às vezes eu me pergunto o mesmo. — a voz de Seungcheol surgiu ao meu lado.
— E o resultado? — ignorei a brincadeira dele. Seungcheol virou a prova devagar, a mão cobrindo o resultado. Tomei o papel de suas mãos, quase o rasgando, e senti o peso sair de meus ombros. A+. — Cheol, um A+. — em um rompante de felicidade, pulei em seu colo, o abracei pelo pescoço e enrolei as pernas em sua cintura, confiando totalmente em Seungcheol para me segurar.
— E eu nem precisei da felix felicis. — ele murmurou. Senti seu nariz em meu pescoço, o que fez um arrepio percorrer meu corpo. Me afastei minimamente e segurei seu rosto com as duas mãos. Cheol encarou meus lábios e sorriu pequeno. O larguei e coloquei os pés no chão antes que eu fizesse uma bobagem enorme. Eu não estava sentindo nada. Tinha empurrado para o fundo, não é?
— Precisamos comemorar. Vamos jantar. — decretei.
— , pare de tentar me comprar com comida. — ele riu.
— É você que se vende fácil. — rebati.
— Eu que devia te pagar um jantar. — ele encarou o chão.
— Considere como um agradecimento por não ter manchado meu histórico.
— Você definitivamente não confiava em mim, não é? — ele riu.
— Ainda bem que sabe. — eu ri. — Vamos, eu sei de um restaurante perfeito.
— Restaurante? O que aconteceu com os hambúrgueres? , eu não tô vestido pra isso. — ele disse, preocupado.
— Para com isso. Essa roupa tá ótima.
E estava mesmo. Seungcheol vestia uma calça jeans escura, uma camiseta preta sem detalhes que se agarrava aos seus braços e carregava consigo uma jaqueta jeans.
— Estou parecendo um estudante. — ele rebateu.
— Que bom. É isso que você é. E nem vai precisar subir na Max hoje. Eu vim de carro. — sorri.
— … — ele quis protestar.
— Cala a boca, Cheol. Vamos. Já sei até onde ir. — tomei sua mão na minha e o arrastei até o carro. Seungcheol começou a olhar ao redor ao ver a movimentação de pessoas na rua.
— Eu conheço esse lugar… — ele devaneou.
— É a Broadway, Seungcheol. — esclareci. — Aqui fica um dos meus restaurantes favoritos na cidade.
— Eu não vim vestido pra isso. — ele riu.
— Ligar para The View Restaurant & Lounge. — dei o comando ao painel do carro. Seungcheol estreitou as sobrancelhas para mim.
— The View, Rose, boa noite. — Rose, responsável pelas reservas, me atendeu.
— Rose, sou eu, . Andrews. — completei para esclarecer quem falava. — Consegue uma mesa pra dois? Estou chegando.
— ! Já voltou da Tailândia? — ela riu. Sim, mais uma que sabia da minha viagem.
— Voltei. Precisavam de mim. — encarei Seungcheol com um meio sorriso ao meu lado.
— Estou pedindo ao Carlos para reservar uma mesa. Bem na janela. E já se preparar para o menu…
— Sem lactose. — dissemos juntas e ela riu.
— Cinco minutos, Rose. Até mais. — e desliguei.
— Você tem o número salvo. — Cheol se espantou.
— Eu disse que era meu restaurante favorito.
Entrei na galeria que levava ao estacionamento e encarei um Seungcheol de boca aberta para o prédio onde ficava o The View. Era uma torre alta de onde se tinha uma vista linda da cidade. Descemos do carro e eu me permiti passar as mãos no corpo de Seungcheol para tentar desamarrotar a roupa que ele vestia.
— Você disse que tava bom. — ele formou um bico.
— Está. Só tá amarrotado. — reforcei a pressão das mãos em seu casaco. — Pronto. Vamos subir.
Tomei sua mão e o puxei para o elevador. Assim que viu a grande janela ao redor que nos oferecia uma vista de 360° da cidade, seu queixo caiu. Era bonito ver seus olhos brilhando.
— ! — Rose chamou atrás de mim. Me virei sem soltar a mão de Seungcheol, estava com medo de perdê-lo.
— Rose! — sorri para ela. — Voltei. — ela sorriu de volta e apontou com o queixo para Seungcheol. — Um amigo.
— Bem-vindos ao The View. Vou guiá-los até a mesa. — ela piscou. Segui Rose e praticamente arrastei Seungcheol até a mesa. Ficamos bem na janela e ele continuava admirado com a vista.
— Cheol? — chamei. Ele pareceu nem ouvir. — Seungcheol! — estalei os dedos na frente de seu rosto.
— Aqui é lindo. — ele sorriu para mim. — Obrigado, . — ele apertou minha mão em cima da mesa.
— Não por isso. Olha, pode comer o que quiser. Fique à vontade. — sorri. Estava toda sorrisos, feliz com a aprovação do meu aluno. Aquilo me mostrava que eu ainda era competente.
— Eu nem sei o que comer. — ele suspirou.
— O buffet é livre. — indiquei.
Ele levantou tímido e foi até a mesa com diversos pratos, se serviu e voltou. E fez isso várias vezes durante o tempo que ficamos lá. Seungcheol não conseguia parar de olhar para a janela e depois para mim, com um sorriso agradecido. Pedi uma sobremesa para nós e dividimos uma taça. Rose estava sempre de olho e parecia rir de mim. Eu também riria. Estava sorrindo demais, logo eu, que sempre andava de cara feia por aí.
— Devo trazer a conta? — Carlos perguntou.
— Sim, mas não mostre a ele, Carlos. — eu ri.
— Você está me mimando. — Seungcheol riu.
— Aproveite. São seus últimos mimos. O semestre acabou, bonitão. — o lembrei. Seungcheol riu de lado, me dizendo alguma coisa que eu não estava entendendo. Carlos me entregou a conta e eu busquei as notas na carteira, deixando uma gorjeta para ele. Acenei para Rose quando saímos do restaurante e descemos no elevador sem olhar um para o outro, o clima parecia ter mudado.
— Você vai me deixar em casa? — Seungcheol quis saber.
— Não, você vai andando até a Saint Peter. — entrei no carro. Seungcheol se apressou em entrar.
— Não brinca, . — ele reclamou com um bico.
— Você faz cada pergunta, Seungcheol. — suspirei. Seguimos o curto caminho até o dormitório em silêncio. Quando chegamos, parei rente à calçada e desci do carro. — Bom, é isso. Parabéns pela aprovação.
— Obrigado por esse semestre, . — ele sorriu.
— Você tá entregue. E eu tô indo. — acenei e me preparei para sair, porém, não andei muito.
— . — Cheol chamou. Apenas o olhei silêncio. — Nossa relação aluno/professora não é oficial, né? — ele perguntou baixinho.
— Claro que não, Cheol. Eu nem sequer sou formada, e mesmo que fosse, não teria licença pra isso. Por quê? — franzi as sobrancelhas.
— Porque eu vou te beijar agora.
Sem me dar tempo para processar a informação, Seungcheol grudou os lábios nos meus. Tinha o gosto bom de alguma coisa que ele tinha tomado. Quando reagi, me agarrei à primeira coisa que senti: a barra de sua camisa. O puxei mais para mim e ele deslizou a mão por minha nuca. Não evitei sorrir entre o beijo. Ele se separou minimamente de mim e sorriu.
— Eu queria fazer isso há tanto tempo. — e suspirou.
— Isso foi bom. — sorri contra seus lábios. — Mas que tal mais uns beijinhos? — sugeri. A quem eu queria enganar, afinal? — Não esperamos esse tempo todo por um beijinho sem graça, não é?
— Espera… Ei! , meu beijo não é sem graça. — ele protestou.
— Eu estou dizendo que esse foi. — pontuei. Seungcheol selou meus lábios devagar, a língua roçando meu lábio inferior sem pedir passagem.
— Quer entrar? — ele apontou a porta por cima do ombro. — Lá dentro teremos mais... Privacidade.
— Pervertido. — bati em seu ombro. — Vamos.
Seungcheol riu, tomou minha mão na sua e me arrastou pelos corredores. Abriu a porta do que eu achava ser seu quarto e me puxou para dentro. As paredes eram claras e a decoração era simples, nada mais que duas camas e duas mesas para estudo abarrotadas de papéis e livros.
— Antes que pergunte, meu colega de quarto viajou ontem. — ele sorriu ladino.
— Eu não estava, de fato, me importando com isso. — dei de ombros e voltei a me aproximar dele. Apoiei meus braços em seu pescoço e ele me segurou pela cintura, sempre com um sorriso de canto. Aproximei meu rosto de seu pescoço o máximo que pude e inspirei.
— Seu cheiro é bom. — puxei alguns fios de sua nuca que estavam compridos demais. Cheol aproximou o nariz do meu pescoço e o passou pela minha pele, me causando um arrepio.
— O seu também. — ele murmurou.
— Cheol, você me prometeu um beijo menos sem graça. — sorri.
Seungcheol deslizou o nariz por minha mandíbula até chegar à minha boca e tomou meus lábios quase com fome. Sua língua pediu passagem e se enroscou à minha, me arrancando um gemido que se perdeu na boca dele. As mãos fortes apertaram minha cintura e ele praticamente me arrastou até sua mesa de estudos, me colocando sentada (inclusive, em cima de alguns livros) e se encaixando entre minhas pernas. Precisando de um momento para respirar, parti o beijo e ele imediatamente voltou a beijar meu pescoço, deixando pequenas mordidinhas que eu esperava que não ficassem roxas. Apertei seus ombros em puro desespero e senti seu sorriso em minha pele.
Cheol se separou de mim e olhou em meus olhos, olhando para cama de solteiro em seguida. Acompanhei seu olhar e voltei a olhar para ele. Nossos olhares se encontraram e ele arqueou as sobrancelhas em um convite mudo. Uma parte de mim me dizia que aquilo estava indo rápido demais, mas outra parte afirmava com convicção que já queríamos aquilo há muito tempo, pelo menos eu queria. A voz intrometida de ecoou na minha cabeça, então eu sorri e mordi o lábio inferior, dando a ele a confirmação que ele queria. Cheol me pegou no colo e me carregou na pequena distância até a cama. Me colocou deitada com delicadeza e se colocou acima de mim, apoiando o peso do corpo nos braços para não deixar aquela quantidade absurda de músculos pesar no meu pobre corpinho, uma perna entre as minhas e a outra apoiando o corpo no chão. O volume indecente que ficou preso no macacão do aquário estava ali, se pressionando contra minha coxa. Arrastei meus dedos por dentro da blusa que ele usava e ele sorriu, me beijando rapidamente.
— Não estamos indo rápido demais? — ele quis saber.
— Se você acha que sim, podemos parar. — tirei minhas mãos de seu tronco. Seungcheol ficou de joelhos, mantendo meu quadril entre os joelhos, e tirou a camisa, expondo o peito forte, voltando a prensar meu corpo com o seu. Uma mão escorregou para dentro da minha blusa e encontrou abrigo na pele quente da minha cintura.
— , se você não quiser, a gente para. — ele soprou no meu ouvido.
— Você tem camisinha? — ignorei a fala dele.
— Não. — ele me encarou com o cenho franzido. — É você a aventureira.
— Isso foi uma crítica? — perguntei ultrajada. — Saia de cima de mim, Choi.
— , eu...
— Saia, Seungcheol. — empurrei seu ombro. Seungcheol levantou, ficando de pé ao lado da cama. — Eu sempre fico com caras responsáveis. Se eles não tiverem proteção, é o fim da linha. — levantei e arrumei a roupa amarrotada.
— , me desculpa. — ele pediu com um bico nos lábios.
— Passar bem, Seungcheol.
— ...
Dei as costas e saí do quarto ouvindo seu protesto. Entrei no carro e dirigi para casa. Era melhor tomar um banho frio e dormir. A noite definitivamente tinha acabado. E não tinha sido como eu esperava.
Estava tal qual um personagem de The Sims, parado no meio do campus, totalmente perdido em relação a tudo. À vida, a ... A única certeza que eu tinha era que eu precisava pedir desculpas. Dois dias tinham se passado desde o nosso incidente e não tinha sequer respondido minhas mensagens. Assim que ouvi o ronco do motor de Max ecoar no estacionamento, corri até ela.
— , precisamos conversar. — a interceptei antes que ela descesse da moto.
— Não temos nada para falar. O semestre acabou, as aulas acabaram, você foi aprovado, parabéns. — ela disse seca.
— , me desculpa pelo que eu disse...
— Passou, Seungcheol. — ela deu de ombros, mas evitava me olhar nos olhos. — Agora, se me der licença, vou entregar meus comprovantes de horas extracurriculares.
Ela desceu da moto e me deu as costas, sumindo entre os alunos. Suspirei cansado e resolvi seguir na direção contrária. Precisava tomar um café e pensar. Assim que me virei, vi Mingyu e sua toda sua altura saindo do prédio da biblioteca central. Fui até ele. Ele namorava uma das amigas da , provavelmente saberia me ajudar.
— Mingyu, preciso da sua ajuda. — disse sem ao menos cumprimentá-lo.
— A tá brava com você. Mingyu não vai te ajudar. — interrompeu ao lado dele.
— Cara, o que você fez? — Mingyu suspirou. — Não que não esteja sempre com raiva, porque ela parece sempre brava, mas o que você fez?
— Ele praticamente disse que é uma piranha. — Bee apareceu atrás do casal.
— ! — protestou.
— Eu já pedi desculpas. Eu não quis dizer aquilo. — suspirei. — Eu tô muito arrependido mesmo, . Eu gosto de verdade da , e eu não sei mais o que fazer. Não posso pedir ajuda ao Hansol e...
— Chega, Seungcheol. — me interrompeu. — Já entendemos que você tá arrependido. Mas eu não vou te dizer que ama High School Musical. Não vou te dizer que ela ama cantar, mesmo que vocês provavelmente nunca tenham ouvido.
encarou as unhas, com uma expressão de desgosto totalmente falsa.
— Não vamos te contar que adotou uma tartaruga do aquário. Ela se importa com as coisas. — Bee soltou a informação e olhou para o céu.
— Não vamos te dizer que no fundo, bem no fundo, é uma romântica. Ela só não admite. — largou o braço de Mingyu e segurou o braço de .
— Eu poderia beijar vocês agora. — brinquei.
— Mas não vai. — Mingyu se colocou entre nós. — Vai sumir daqui e vai pensar num jeito de fazer a te desculpar.
— Eu já sei até como.
Finalmente era dia de tocar no bar/restaurante em que encontrei quando furei a monitoria. No dia em que a abracei pela cintura pela primeira vez. No dia em que ela me ouviu cantar.
Eu estava contando com a ajuda de e Mingyu para levarem até o local. O resto eu fazia.
Estava nervoso, tremendo, quando Lily se aproximou.
— Se acalme, músico. Vai infartar antes que chegue aqui. — ela riu.
— Se é que ela vem, Lily. — suspirei.
— Fique calmo e não estrague tudo. — ela apertou meu ombro e saiu. Estava tudo pronto: o violão, os microfones, a música. Só faltava a atração principal: .
Depois de um tempo esperando, mais ou menos 30 minutos, Lily entrou no “backstage” sorrindo.
— Ela chegou. Não está muito feliz de estar de vela da amiga, mas chegou. Reclamou que não tem música, que tá com fome... Daquele jeito. — ela riu.
— Só o normal da . — dei de ombros, mas estava nervoso, não podia negar.
Respirei fundo, fiz uma oração esperando que alguém superior estivesse me ouvindo, e saí para o palco. Peguei o violão e sentei no banco. , com o garfo a meio caminho da boca, o soltou no prato e encarou , que apenas sorriu. Em seguida, ela me encarou e ergueu uma sobrancelha. Apenas sorri para ela e me preparei. Era agora ou nunca.
Comecei os acordes de Start of Something New, a primeira música do primeiro filme do High School Musical. fechou os olhos e mordeu um sorriso.
(Vivendo no meu próprio mundo)
Didn't understand
(Não entendia)
That anything can happen
(Que tudo pode acontecer)
When you take a chance
(Quando você dá uma chance)
Estendi o microfone reserva para que me acompanhasse, cantando a parte da Gabriela. Ela relutou, mas a cutucou nas costelas. olhou de cara feia para ela e depois voltou a me olhar.
— Aceita ser minha Gabriela? — insisti em lhe oferecer o microfone.
— Vai, . — insistiu.
suspirou pesado, mas levantou e pegou o microfone que eu tão insistentemente lhe oferecia. Respirou fundo antes de continuar:
(Eu nunca acreditei no que eu não podia ver)
I never opened my heart
(Eu nunca abri meu coração)
To all the possibilities, oh
(Para todas as possibilidades, oh)
A voz de era leve e melodiosa, e ela negou com a cabeça quando terminou de cantar o primeiro verso. Seguimos cantando a música em sintonia, como se tivéssemos ensaiado por meses. Parecia que ninguém mais existia, apenas e eu (e ao fundo filmando) tão grande era a sintonia. Quando cantamos o último verso, a plateia ali presente explodiu em aplausos e eu sorri verdadeiramente para .
— Seungcheol. — gritei por cima do barulho e estendi a mão para ela, em uma referência direta ao filme.
— . — ela respondeu e apertou minha mão. Aproveitei para puxá-la em minha direção e a abracei pela cintura, não encontrando resistência.
— Me desculpa, . De verdade. — pedi. — Eu tô muito feliz que você aceitou ser minha Gabriela.
— Você tá falando da música ou... — ela deixou a frase no ar.
— Estou falando de tudo, de cantar comigo, de… namorar? — mordi o lábio inferior.
— Só espera que eu não fique indo embora como ela? — ela me abraçou pelo pescoço.
— Seria bom se não fosse. — sorri e levantei meu braço com a pulseira que tinha o mesmo pingente que o dela. Era dado às pessoas que adotavam tartarugas no aquário, em uma espécie de apadrinhamento. — Somos pais de uma tartaruga.
— Como você… — ela deixou a frase morrer.
— Oliver me ajudou. — sorri.
— Olha, Cheol, desde que você entenda que eu tenho um passado, mas que sou responsável, bom, eu não vou embora. — ela suspirou.
— Eu vou entender. Juro.
— Então eu fico. — ela sorriu e selou meus lábios.
O restaurante todo, que estava em silêncio e eu não tinha percebido, explodiu em palmas de novo.
— Eu só tenho uma pergunta. — ela me encarou. — Como sabia sobre HSM? Eu nunca te disse nada.
Olhei para e apontei com o queixo. apenas escondeu o rosto atrás do ombro de Mingyu, que resolveu se levantar e arrastar a namorada consigo.
— Aquela traidora. — resmungou antes que eles se aproximassem.
— Então estão namorando? — Mingyu perguntou.
— Não até o tio George aprovar. — riu. Encarei e ela confirmou com a cabeça. Quem diria que Andrews, tão livre e segura de si, precisava da aprovação do pai para namorar.
— Eu sei o que você está pensando, Seungcheol. Consigo ver no seu rosto. — ela apertou minha bochecha. — Papai “aprova” meus namorados sim. Eu sou a única herdeira Andrews. Ele quer saber com quem eu ando.
— Então se ele disser não...
— Vai ser problema dele. — ela riu. Era a confirmação de que eu precisava: estava tão envolvida quanto eu. Felizmente.
Continua...
Nota da autora: sem nota!
Boa leitura!
Boa leitura!
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