— Oi, Hagrid, como foi ontem? — Eu e tínhamos um período livre de tarde e resolvemos ir até a sua cabana. Ele estava com as calças dobradas até os joelhos, catando algo no lago negro.
tinha me dito que viu sereianos dentro do lago pela janela do seu dormitório e aquilo me encantou, sempre tive muita curiosidade com criaturas mágicas diferentes, já que viemos de um local majoritariamente trouxa, era difícil ver criaturas mágicas com frequência, com exceção das nossas lobas e elfos domésticos.
— Garotas! — Ele deu um sobressalto, as mãos cheias de sanguessugas escorregando pelos dedos.
Se empertigou, tentando se ajeitar, sem saber se soltava os animais ou se limpava as mãos no colete.
— Pode ficar aí, Hagrid, só viemos dar um oi! — ergueu as mãos, sorrindo. Era tranquilizador ver minha irmã tão feliz.
— Ah, sim. Oi! Ontem foi tudo muito tranquilo, são animais extraordinários as suas lobinhas.
— Elas são lobas gigantes, Hagrid! — exclamei, rindo da maneira que ele falava, como se nossas “lobinhas” fossem cachorrinhas de colo.
— Elas já são adultas? — perguntou ele, colocando as sanguessugas em um balde que boiava perfeitamente equilibrado sobre a água.
— Ainda não.
— Pelas barbas, elas ficarão ainda mais lindas quando estiverem adultas!
— Com certeza, você conversou com elas? Falou das criaturas que elas não podem comer? — perguntei, o vendo mergulhar as mãos na água mais uma vez.
— Falei, sim. Passeei com elas hoje de manhã, mostrei uma caverna confortável que elas podem ficar, apresentei aos Centauros, mostrei os unicórnios e todos os tipos de árvores perigosas... Elas vão ficar muito bem. — Suas mãos voltaram com mais sanguessugas, que ele arrancava da pele quando elas grudavam e lavava na água antes de pôr no balde. — Quando tiverem outra aula livre, me mandem uma coruja e podemos ir juntos, vou mostrar onde elas estão ficando e vocês podem ir visitá-las sempre que quiserem.
— Nós podemos entrar livremente na Floresta... Proibida? — sabia que não, mas também sabia que aquele nome era tão sugestivo quanto dizer “Seja bem-vindo sempre que quiser”.
— Não, mas todos os alunos encrenqueiros entram. — Seu sorriso era divertido.
— Está insinuando que somos encrenqueiras, Hagrid? — perguntei, abrindo a boca de maneira fingida.
— Acreditem, meninas, sei que são princesas, mas a cara de vocês não engana ninguém.
Eu e minha irmã demos uma risada conjunta.
— Só a é encrenqueira, Hagrid. Eu sou boazinha, prometo! — falei, ainda rindo, o fazendo soltar uma risada também.
— Vou fingir que acredito, garotas... Vocês não deviam estar na aula?
— Temos uma hora livre, viemos ver como você estava, mas agora já vamos indo.
— Tudo bem. Se precisarem de algo, sabem onde me encontrar!
— Você já encontrou os Marotos? — perguntei, trançando seus cabelos sentada nos degraus da escadaria central, enquanto ela estava um degrau abaixo, analisando nossos horários no pedaço de pergaminho que nos deram.
— Não, você já?
— Minha primeira aula foi com eles, você não tem nenhuma aula com a Grifinória hoje?
Ela analisou os horários.
— Não tenho certeza, mas acho que Poções vai ser com eles, levando em consideração os nossos horários.
— Boa sorte — desejei de boa-fé, a fazendo virar o rosto em minha direção, os olhos brilhando em curiosidade. — Ah... você sabe, aqueles garotos sabem ser...
— Chatos, metidos, convencidos?
— É, era isso mesmo que eu ia dizer. — Senti minhas bochechas esquentarem.
— Catelyn Sansa Stark.
Soltei uma risada que ecoou pelo corredor quase vazio.
— O quê? — Eu adorava fazer isso com ela. sabia tudo, entendia tudo que passava em minha cabeça e mesmo assim eu me divertia fingindo que conseguia enganá-la.
— Para de se fazer de sonsa, . Você está caidinha pelo garoto Black.
— Deixa de ser besta, . Eu mal conheço ele! — Terminei sua trança e prendi com o prendedor de lobo que estava em meu cabelo. Roubei seu arquinho, o pondo em minha cabeça.
— Hmmm. — sabia que o silêncio era o meu maior inimigo nesses casos.
— Quero dizer, não vou negar que ele tem um certo charme, mas...
me interrompeu, soltando uma risada gostosa.
— É claro que ele tem um charme, maninha. Ele tem esse charme com todas. Por favor, toma cuidado com ele, tá bem?
— Sei me cuidar. E você, vai com calma com o Lupin. Não precisa devorar ele vivo no primeiro dia, viu? — Me levantei, vendo meus colegas de turma se aproximando de nós duas.
deu um sorriso maldoso.
— Tá bom, mãe.
A sala de Poções estava preparada diferente das outras, carteiras em duplas viradas na direção da mesa do professor em um semicírculo. Aimeé sentou-se com Ramona, e June sentou-se com Alex. Ao lado deles, havia uma mesa com um garoto sentado sozinho.
— Posso me sentar aqui?
Ele não respondeu, só acenou levemente com a cabeça. Era pálido, tinha um nariz pontudo e cara de poucos amigos, os cabelos eram negros e escorridos pelo rosto, compridos como o de Sirius Black, mas nem de longe eram descolados e glamurosos como o dele.
— Sou Stark — me apresentei, esticando a mão até ele, que olhou minha mão pairando no ar, pensou por um instante antes de finalmente ceder, apertando sua mão fria na minha.
— Severus Snape — disse ele com rapidez e voltou a sua atenção ao livro de poções que já estava aberto em sua mesa, pondo o seu braço na frente como se, além de não querer conversa comigo, não quisesse que eu visse o que rabiscava. Seu nome não me era estranho e eu tinha que decorá-lo para perguntar para mais tarde.
— Lá vem a horda de palhaços. — Alex se debruçou sobre a mesa, fingindo que não via Snape entre mim e ele, só para murmurar para mim. Segui seu olhar até a porta e vi os Marotos entrando.
James tinha um sorriso nos lábios enquanto respondia algo que Sirius havia dito, nenhum deles tinha me visto ali. Atrás deles, Remus procurava algo na bolsa que carregava os livros, os cabelos estavam ligeiramente mais longos do que eu me lembrava e, ao seu lado, um garoto adorável de bochechas rosadas acompanhava o sorriso de James como se ele tivesse ouvido alguma piada muito engraçada também.
— Os Marotos? — murmurei de volta, e seu olhar voltou-se para mim. Severus afastou o tronco da mesa, trazendo seu livro com ele para o colo, se recostando na cadeira, dando espaço para que eu e Alex conversássemos, desde que não o atrapalhasse.
— Já conhece eles?
— Conheci nas férias e...
— PRINCESA! — A voz de James ecoou pela sala de aula, Alex revirou os olhos para cima antes de voltar à sua posição original. Ele atravessou a sala de maneira estabanada até mim, enquanto eu me levantava, seus braços me erguendo do chão.
— Caramba, achei que não fosse te ver hoje! — Seu sorriso era galanteador e fisicamente impossível de não retribuir.
— Não é como se você fosse morrer.
— De saudades? Com toda a certeza!
— Acho que você está me confundindo, benzinho — respondi quando ele me pôs no chão, e segui para o próximo da fila, que era o garoto mais baixo que parecia estar feliz só de estar ali participando da conversa.
— Uau! — Pude ouvir ele sussurrar quando o abracei, e ouvi risadas de James e Sirius. — Sou Peter, princesa .
— Não me chame assim só porque seus amigos idiotas fazem.
Ele sacudiu a cabeça meio desnorteado enquanto olhava meu rosto de maneira realmente encantada, as bochechas ficando púrpura.
— Princesa. — Sirius fez uma pequena reverência quando chegou a sua vez de me cumprimentar.
— Black — respondi, fazendo o mesmo. — Preciso de um favorzinho de melhor amigo — sussurrei em seu ouvido quando nos abraçamos.
— Mas já?!
— Preciso de um contrabandista confiável de cigarros.
— A nicotina vai te matar, princesa. — Seus olhos negros sorriram maliciosos para mim, e eu empurrei seu ombro em resposta. — Vou ver o que consigo.
— Obrigada, lembre que minha irmãzinha sempre me escuta e talvez isso te dê a motivação necessária. — Pisquei em sua direção, e ele segurou um sorriso.
E então, ali estava o motivo das minhas noites mal dormidas, o protagonista de meus pesadelos, Remus Lupin.
Os deuses são testemunha da beleza dessa criatura. Ele deu um sorriso tímido ao vir até mim e seus braços me envolveram pela cintura, enquanto seu cheiro me enlaçava feito uma presa, um coelhinho fugindo de um lobo.
— Aqui está o meu maroto favorito — brinquei, falando a verdade apenas para ver como James reagiria, enquanto separávamos o abraço, meu corpo sentindo uma dor física, enquanto ele se afastava com seus olhos doces e um sorriso bonito em seu rosto.
— Ei! — James rebateu.
— Apenas verdades, Potter. Ele é quietinho, não fica se aproveitando de irmãs alheias por aí, é monitor... — A cada palavra que saía de minha boca, mais o rosto de Remus ficava vermelho e mais a boca de James abria de indignação.
Antes que James pudesse responder à altura, professor Slughorn entrou na sala com um sorriso no rosto.
— Vamos, vamos. Sentem-se que hoje teremos uma poção ótima pra aprender.
— Vem sentar com a gente, princesa. — James deu uma olhada para Severus com a sobrancelha franzida, como se reprovasse o local que eu tinha escolhido.
— Tô de boa, Potter. Vá pra lá. Vocês só vão me atrapalhar.
— Caramba, garota. Tinha esquecido como você é má.
— Você está muito acostumado com a — falei, mandando um beijinho pra ele enquanto voltava a me sentar ao lado de Severus.
— Não me admira que você foi pra Sonserina e ela pra Lufa-lufa — respondeu ele alto o suficiente para que eu ainda o ouvisse do outro lado da sala.
— Ficou magoado porque te rejeitei, baby? — Pisquei e alguns alunos fizeram um coro de “uuuuh”. James fechou a cara, enquanto os demais Marotos riam.
O professor pediu silêncio e começou a falar sobre a Poção Wiggenweld.
— Você devia ter ido pra lá, se é tão amiga deles — Severus falou baixinho, sem levantar a cabeça.
— Quero aprender alguma coisa, e isso não vai acontecer com aqueles quatro falando no meu ouvido.
— Então você é amiga deles mesmo?
— Acho que sim, nos conhecemos há pouco tempo — falei, abrindo o livro de poções na página indicada pelo professor. Notei que ele ficou quieto. — Por quê? Algum problema?
— Sim. Por favor, não fale comigo.
Ele que puxou assunto comigo!
Mais um homem misterioso na minha vida, não! Deuses antigos e novos, por favor, me faça ser menos curiosa e mais focada nos meus estudos. Obrigada.
— Foi você que falou comigo!
— Eu sei, peço desculpas. Não irá se repetir.
— Você tem algum problema com eles, é isso?
Severus não me respondeu, conjurou um caldeirão à sua frente e começou a fazer suas coisas.
Pelo canto dos olhos, vi Remus indo até o armário velho nos fundos da sala e corri até ele disfarçadamente.
— Qual é o problema de vocês com o Severus?
Ele se assustou comigo ali. Seus olhos percorreram meu rosto e desceram por meu ombro onde minha trança descia.
— É complicado. — Voltou sua atenção para o armário, onde ele pegava colheres de cobre para mexer o caldeirão. — Ele falou alguma coisa?
— Só disse que se eu era amiga de vocês, não era para eu falar com ele.
— Bom, isso resume bastante as coisas. Quer uma colher?
— Não quero as coisas resumidas, quero saber qual é o problema de verdade, dele ou de vocês.
— Nós não somos flor que se cheire, . E Snape também não é. Com o tempo, você vai saber qual flor é menos fedorenta e vai decidir qual você quer cheirar.
— E se eu não gostar de flores?
— Você vai ser mais feliz assim. Mas só pra você saber, Lily era melhor amiga dele e agora não fala mais com ele. Talvez você possa ver com ela qual é o problema de verdade.
— Quem é Lily?
Remus sorriu. Eu podia me derreter ali mesmo, uma poça de insignificância perto dele.
— Por Merlin, você é péssima com nomes. — Me entregou uma colher de cabo longo. — Lily é a garota que James está apaixonado. E Snape, nós falamos sobre ele no dia em que nos conhecemos. Tenta lembrar um pouquinho. E eu sou Remus, não sei se você está lembrada — brincou ele, mantendo o sorriso no rosto.
Desde o dia em que o conheci, minha cabeça vem zanzando de maneira estranha. Era recorrente o sonho em que eu estava perdida em uma floresta com Silver Springs e Remus aparecia com o rosto machucado, a linda pele arranhada e as roupas rasgadas. Eu nunca me esqueceria daquele nome, não levando em consideração toda a trajetória que minha família tinha com lobos e lobisomens.
— Achei que o seu nome fosse Aluado. — Devolvi um sorriso que fez o dele se abrir mais ainda.
— É, esse também serve.
— Alunos, aí no fundo. Venham, estou mostrando uma parte importante aqui — o professor falou em alto e bom som, e todas as cabeças se viraram para nós.
Voltei ao meu lugar, conjurei meu caldeirão sobre a mesa e me virei para Snape.
— Estou decidida a desvendar os mistérios que rondam você e os Marotos. Seria mais fácil se você me falasse o seu lado e me desse a possibilidade de ver os dois lados da briga.
— Não. — Sua voz era suave e calma.
— Eles te chamaram de alguma coisa...?
Não sei explicar o motivo, mas Severus me despertava curiosidade, havia alguma coisa naquela casca misteriosa e silenciosa que me fazia querer saber mais. O fato de os Marotos não gostarem dele só me deixava mais doente, como se o fato de poder haver algum motivo sombrio me despertasse ainda mais curiosidade. Ele era tão calmo e brando, era difícil imaginar ele fazendo mal a alguém.
— Por favor, princesa. Pare. Não tenho amigos e não quero amigos.
— Não me chame de princesa.
— Perfeito, não te chamo de princesa e você para de falar comigo. Não é um ótimo trato?
Bufei irritada e antes de virar o rosto, mesmo que por um segundo, pude notar um pequeno sorriso surgindo em seus lábios, que logo foram comprimidos em uma linha reta.
No fim da aula, enquanto eu juntava minhas coisas e observava Severus sair da sala tão rápido quanto o próprio professor, notei que todos os Marotos estavam em volta da minha mesa.
Aquilo parecia um círculo de problemas. Já não bastava ser conhecida pela escola toda como sendo da realeza, os garotos populares ainda ficavam zanzando em volta de mim feito abelhas, e eu não era uma a porra de uma margarida.
— O que vocês querem agora?
— Vamos dar uma festinha de boas-vindas hoje — James disse, cruzando os braços. — Coisa fina, pra pouca gente.
O olhei de cima a baixo com cara de poucos amigos.
— Vocês... fazendo festa pra pouca gente? Tão querendo enganar quem?
Remus sorriu de novo, sabendo que eu estava certa, e Peter, que ainda me olhava admirado, abriu a boca como se eu tivesse adivinhado a fórmula para a poção do morto-vivo.
— Gostaríamos que convidasse a sua irmã.
— Vocês gostariam, ou
você gostaria? — respondi afiada e um sorriso malicioso surgiu em seu rosto bonito.
— Você decide.
O ignorei.
— Precisa levar alguma coisa?
— Apenas a sua presença ilustre, sua irmã e suas amigas gatinhas da sonserina também são bem-vindas.
— Onde e quando?
— Às dez. Na frente do retrato de esqueleto de unicórnio, no terceiro andar.
— Nós literalmente chegamos ontem aqui. Não sei onde fica isso.
— A gente busca vocês, não é, Aluado? — Sirius passou o braço pelo pescoço do amigo até então calado.
— Claro. — Ele sorriu sem graça ao responder.
— Ótimo. Até logo então.
— Ei, ei, calma, princesa. — Sirius segurou meu braço delicadamente. — Estamos indo a Hogsmeade. Quer alguma coisa da Dedos de Mel?
Uni as sobrancelhas, olhando cada rostinho bonito que me encarava. Eu conhecia a loja, era uma franquia grande.
— Como vocês vão para lá?
— Infelizmente, não podemos contar — Peter respondeu. Pela primeira vez, consegui ouvir sua voz de verdade, porém ele fraquejou quando o observei de cima a baixo. Eu sabia ser bem assustadora quando queria. — ... A-ainda. — Completou ele, gaguejando.
— Entendi. Estou gostando de você, Peter. Acho que é o mais confiável desse grupinho apocalíptico...
— É sério?! — perguntou ele animado, os olhos brilhando de excitação.
— Não ouve nada que ela diz, Rabicho. Essa mulher é... perigosa — Remus disse, por fim, passando o braço pelo ombro do amigo e o afastando de mim, como se quisesse protegê-lo. Eu gostava de Remus mostrando o seu lado engraçadinho, não sei se isso era muito bom.
Soltei uma risada forçada, uma risada de “bruxa má” como diriam os trouxas.
— Ah, não Remus! Ficou com ciúmes porque está perdendo o primeiro lugar? — Fiz um biquinho e seus olhos se prenderam em meus lábios por alguns segundos antes de sorrir.
— É, acho que sim.
— Que merda, isso me deixa em quê? Terceiro lugar?! — James perguntou indignado, me fazendo rir.
— Você e Sirius estão empatados em último lugar. Um porque beijou a minha irmã, e o outro porque
quer beijar.
— Foi você que pediu! — James argumentou, soltando uma risada.
— E você podia ter dito não. — Ergui as sobrancelhas, cruzando os braços, e James bufou, fingindo indignação.
— Não vou lutar por um lugar melhor contigo, o meu primeiro lugar é no coração da sua irmã — Sirius disse de maneira galanteadora, me fazendo girar os olhos nas órbitas enquanto seguia para a porta, os deixando para trás.
— Me poupe, Black. Minha irmã não vai cair nesse papinho de pobre apaixonado. Conhecemos gente da sua laia lá em Durmstrang.
Saí pelo corredor, subindo as escadas e ouvi passos vindo atrás de mim.
Nem mesmo o Senhor da Luz podia me fazer ficar em paz com esses garotos atrás de mim.
— Sua irmã pediu marshmallows de animais — Sirius disse quando eles se aproximaram.
— Azuis com formato de lobo vão te dar pontos extra — respondi com calma, abraçando meu livro de poções sobre o peito.
— E o que
te faz dar pontos extra? — insistiu ele, e eu estava torcendo para que ele estivesse fazendo aquela pergunta pelo amigo.
— Pirulitos
cherry-bomb. — Apertei o passo, querendo me livrar deles. — Até mais, otários.
Dei uma última olhada no espelho, checando meu look. Uma blusa amarela soltinha com decote ciganinha e manga 3/4 e uma saia jeans com um cinto preto largo, minhas pernas compridas estavam à mostra e nos pés um all star amarelo que combinava com a blusa.
— Vocês têm certeza de que não querem ir? — perguntei à Marjorie e Louisa, que estavam deitadas na cama, lendo revistas de fofoca juntas.
— Ah, sim. Festas dos marotos não são muito a nossa praia — Marge respondeu.
— Vai lá e se diverte bastante. Amanhã queremos saber as fofocas. — Lou piscou para mim.
— Tudo bem, até mais.
Saí pela tampa do barril no horário combinado com minha irmã e dei de cara com dois Marotos do lado de fora me esperando.
Remus usava uma camiseta de botões creme com uma jaqueta jeans por cima, calça jeans de lavagem clara e um all star branco malcuidado nos pés. Estava lindo, minha irmã morreria quando o visse, do mesmo jeito que eu estava ao ver Sirius Black com sua blusa branca, uma jaqueta de couro por cima, calça jeans rasgada nos joelhos e uma bota preta de couro surrado.
O charme que exalava daquele homem era digno de estrelas de Hollywood, um talento nato.
— Princesa. — Sirius fez uma reverência exagerada, me arrancando um sorriso.
— Almofadinhas — falei, lhe dando um beijinho no rosto quando ele se aproximou. Era óbvio que seu perfume era ótimo e o calor da sua mão em minha lombar fez minhas pernas amolecerem. Mas mantive a compostura, indo até Remus e lhe cumprimentando também.
— Achei que iriam buscar primeiro — comentei.
— A sala comunal dela é perto de onde a festa está acontecendo. É caminho — Remus explicou quando começamos a andar. Subimos dois lances de escada.
— Entendi, então vocês já estavam na festa? Saíram só por nossa causa?
— É, na verdade todo mundo chegou meio cedo, acho que estavam ansiosos por uma festa de boas-vindas. Todo ano tem — Sirius explicou.
— Legal. E quando acontece a próxima?
— Acho que no Halloween. A não ser que alguém faça alguma festa de aniversário antes... Quando é o aniversário de vocês? — perguntou Sirius ao meu lado, com mais de uma cabeça de altura da minha. E olha que eu e somos conhecidas por sermos altas em nossa família.
— Ah, já passou. É em julho, durante as férias. — Dei de ombros.
— Que pena, menos um dia de festas clandestinas — Remus comentou do meu outro lado, com as mãos no bolso da calça.
— Ou um motivo pra nos vermos durante as férias. — O sorriso de Sirius era ladino.
— Você acha que estaremos nos falando até as férias do ano que vem?
Eu tinha a impressão de que aqueles garotos eram populares demais para nosso próprio bem, e que logo eles iriam enjoar de nós, o calor da novidade se dissipando feito a fumaça de uma fogueira recém apagada. Todo aquele joguinho era fogo de palha, e a partir do momento em que eles pudessem nos riscar da sua lista, eles partiriam para outra.
Por isso era tão importante que eu e não nos deixássemos levar por um romancezinho de escola, já tínhamos passado por isso antes. Mas isso não nos impedia de nos divertir um pouco, afinal, aqueles garotos eram divertidos na dose certa. Talvez não tão certa assim, o suficiente para nos fazer perder um tempinho.
— Mas que audácia, Stark! Não esperava isso vindo de você. — Ele fingiu estar surpreso, pondo as mãos sobre a boca.
— Ah, qual é, Sirius... Vocês só estão dando bola pra gente porque somos carne nova no pedaço.
— Esse seu pensamento me magoa — disse ele, parando na frente de uma parede lisa.
— Bom, em julho do ano que vem a gente vê como isso vai estar — respondi, parando também, esperando que em algum lugar por ali devia ser a porta da sala comunal da sonserina.
— Vou te dizer como vamos estar em julho do ano que vem: você vai nos convidar para o seu aniversário e vai me apresentar para a sua família como seu namorado. Eles vão ficar felizes pra caralho, já que eu sou de linhagem nobre, e a gente vai ter que dedicar toda a nossa simpatia pra fazer eles esquecerem que Remus vai estar lá também, namorando a sua irmã.
Remus tapava o rosto, não com vergonha, mas com uma cara de “pelo amor de Merlin, só cala essa boca”. Eu não consegui segurar um sorriso que escapou com toda aquela idiotice.
— Ah, é? E quem vai lidar com meu irmão mais velho primeiro? Porque Bram não dá bola pra linhagens de sangue puro, ele só quer ver as irmãs mais novas com caras legais — falei, colocando as mãos para trás, vendo Sirius abrir um sorriso enorme.
— Nós somos caras legais — respondeu com simplicidade.
— Sério? Eu só vejo quatro caras que acham que são donos da escola.
— Você está errada, princesa.
— Só falta você mijar em mim pra marcar território, Sirius.
Sirius abriu a boca para responder, mas fomos interrompidos por uma enorme estátua de cobra que surgiu do chão e abriu uma passagem de porta. Minha irmã saiu de lá belíssima e com cara de poucos amigos. Ela usava um vestido preto básico, meias arrastão e coturnos, os cabelos soltos e naturais como os meus, levemente ondulados.
Quase pude ouvir o cérebro de Remus pegando no tranco, as engrenagens tentando funcionar, enquanto minha irmã vinha me abraçar primeiro.
— Quem vai mijar em quem? — perguntou ela, indo cumprimentar Sirius.
— Ninguém vai mijar em ninguém, parece conversa de louco — respondeu ele, tentando se livrar das garras de minha irmã.
— Depois eu te coloco por dentro do assunto, , mas, pra encurtar... Sirius acha que seremos amigos até o nosso aniversário ano que vem.
Enquanto eu falava, minha irmã segurava o rosto de Remus e tascava um beijo em sua bochecha, de modo que, quando se afastou, além do garoto estar completamente desnorteado, ainda havia a marca dos lábios dela em um formato perfeito de beijo. Parecia ter sido desenhado.
Sirius se aproximou de mim e baixou a boca até meu ouvido.
— Isso sim é mijar pra marcar território — sussurrou.
— Essa é a minha irmã. Diz pro seu amigo que o baque é forte — respondi, e ele sorriu, afastando o rosto, balançando a cabeça.
— Sirius acha que seremos amigos até ano que vem? Esse charminho deles vai passar quando a poeira baixar... Quando a gente deixar de ser novidade e as pessoas perceberem que não somos da realeza porra nenhuma, essa palhaçada vai acabar.
Eu sabia que também pensava assim, o que era meio óbvio levando em consideração a popularidade deles naquela escola. Já tínhamos passado por isso antes, amizades vem e vão, alguns são para sempre. É claro que mantínhamos contato com algumas amigas já de Durmstrang, mas essa situação era bem diferente. Não queria ser preconceituosa, mas, por se tratar de meninos, era, sim, algo difícil de acreditar.
— Vocês duas são osso duro de roer. — Sirius bufou. — Aluado, me ajuda aqui.
— Ah, cara. Acho que falar não vai adiantar muito. É melhor a gente só provar que mantemos nossa palavra... Sei lá.
Remus era pacífico e tranquilo, às vezes mostrava alguma parte de si que me fazia entender o motivo dele fazer parte daquele grupo, mas, na maioria das vezes, ele era só um cara legal.
A festa estava realmente animada. Havia música, pessoas dançando, uma mesa de bebidas e quitutes, e muita fumaça.
— Vem, quero te mostrar uma coisa antes de você fugir de mim — Sirius falou perto de meu ouvido por causa da música, segurou minha mão e puxou, contornando os seres dançantes ali perto. Me levou até a mesa de comidas, pegou um pote grande tampado e me entregou.
— Não acredito! Que rápido. — Soltei uma risada enquanto abria a tampa, vendo uma quantidade exorbitante de marshmellows azuis em formato de lobinhos muito fofos.
Peguei dois e enfiei na boca ao mesmo tempo, o recheio de mirtilo fez meus olhos girarem de prazer. Sirius riu da minha cara, então peguei um e levei até a sua boca, ele engoliu seco antes de aceitar.
Mastigou olhando em meus olhos, tão profundamente que me fez tremer na base, seus olhos negros me desmantelando em pedaços.
— Ok. Não é tão ruim quanto eu pensei.
— Você pensou que fosse ruim?!
— Eu ainda acho que são ruins, só não tanto quanto eu pensei. — Ele sorriu, se encolhendo quando viu minha mão voando ao seu encontro.
— São ótimos, viu? Você está proibido de comer do meu pote. Sai.
— Não, não seja tão má! Mais um, vai. Pelo trabalho que deu pra ficar catando os lobinhos azuis.
Soltei uma risada alta.
— Você falando desse jeito, até acredito que não usou magia para separar!
— Eu tive o trabalho de dizer
accio! — Sorriu novamente, se encolhendo de outro tapa.
— Pode ir enganar outra hoje, Black. A minha cota de mentiras já excedeu com você me falando besteiras esse tempo todo.
— Você não me dá uma abertura, hein? — Fez um biquinho falso.
— Sem abertura você já faz isso, imagine se eu facilitar as coisas!
Ele sorriu, roubando mais um marshmellow do meu pote.
— Quer beber alguma coisa?
— Eu não sou muito fã de bebida alcoólica. Mas se você conseguir uma coisa mais leve pra mim, eu agradeceria.
— Um refrigerante?
— Não, Black. Uma coisa bem levinha, que vai me deixar
muito calma e dançante — falei, unindo meu indicador e o polegar em um movimento de pinça e levei aos lábios, como se estivesse segurando uma pontinha muito pequena e puxando ar.
— Caralho, Stark. — Ele ergueu as sobrancelhas, surpreso. Perdeu a fala por um segundo, desnorteado, olhando para os lados. — Porra, deixa comigo.
Saiu correndo feito um louco, e quando ele finalmente saiu do meu campo de visão, vi Pepper e Tobias acenando para mim. Fui até meus novos amigos ainda abraçada em meu balde de marshmellows.
Assim que colocamos os pés dentro da sala, Sirius puxou minha irmã para o lado onde havia comida e imediatamente me vi preocupada, esticando o pescoço para tentar acompanhá-los.
— Ei, relaxa. Sirius é um cara legal, ele não vai fazer nenhuma merda, eu prometo. — Remus segurou meu braço para se aproximar.
— Se alguma coisa acontecer com ela, eu mato vocês quatro.
— Nada vai acontecer, vai ter que descontar sua raiva em outra coisa — disse ele de maneira serena, acenando para um James realmente animado que se aproximava.
— Gêmea má! — Me abraçou com vontade, os olhos brilhantes por trás dos óculos de grau charmoso que ele usava, os cabelos tão bagunçados que parecia um ninho de pelúcios, mas combinava tão bem com sua personalidade caótica que não parecia estranho.
— Meu maroto menos preferido! — Ele fez uma careta quando se afastou.
— Isso machuca, sabia? Sorte sua que você é gata.
— É, você não é nada mal também.
Ele sorriu convencido.
— É você que vai me ajudar com a Lily?
— Não, é a minha irmã. Ela com certeza é mais jeitosa do que eu.
— Você está tentando se escapar de mim? — perguntou James, com os olhos semicerrados, pondo a mão sobre o queixo.
— Com toda a certeza. Só quero beber um whisky de fogo e relaxar um pouco, e você quer que eu banque o cupido com uma garota que eu nunca nem vi?
— Ela estava na sala de aula hoje. — James girou os olhos pra cima, enquanto Remus sorria do drama do amigo.
— E por que não me mostrou ela lá? — Pus a mão em minha cintura, unindo as sobrancelhas.
— Porque hoje era sobre você, princesa. — Piscou, tentando ser galanteador. Bufei.
— Estava tentando me usar pra fazer ciúmes por tabela?
— Lily não sente ciúmes do James, só sente asco e repulsa — Remus disse, rindo, e James empurrou o amigo, o fazendo se desequilibrar o suficiente para que ele visse a marca de beijo em sua bochecha.
— O que é isso?? Eu também quero! — perguntou, segurando Remus pelo queixo, me mostrando o desenho perfeito de minha boca gravado ali.
Soltei uma risada e o rosto de Remus ganhou um tom avermelhado adorável.
— Me traz uma bebida e você ganha um desses também.
James não contou tempo, saiu correndo pelo salão.
— Quer que eu tire? — indiquei a marca de batom.
Remus pareceu pensar por um segundo.
— Não, gosto que as pessoas pensem que eu tenho alguma chance.
Querido, você tem todas as chances do mundo, será que vou ter que escrever isso na testa?
Eu não entendia muito bem qual era o negócio de Remus, ele era claramente um cara bonito, era popular, mas não era babaca como os amigos, era monitor e divertido. O que o fazia pensar que era pior do que os outros? O que o fazia pensar que sua presença não era válida como a dos outros?
— Você tem tanta chance quanto qualquer um, Aluado. Vem, vamos tirar isso pra não parecer que estou marcando território. — Levei minha mão até o seu rosto. Eu podia tirar com magia, mas queria uma desculpa para tocá-lo. Assim, me aproximei dele e espalhei a marca com o dedão enquanto analisava cada detalhe do seu rosto, a coloração avermelhada das suas cicatrizes, os cílios longos, a barba feita que arranhava minha mão, os lábios vermelhos, o maldito cheiro que me despertava sentimentos impossíveis de decifrar. Havia algo ali, uma tensão, uma fagulha, algo que era difícil de ignorar.
— Tenho algo pra você. — Ele estava tão perto de mim que nem precisava falar mais alto.
Dei um passo para trás quando a marca estava suficientemente espalhada. Remus pôs a mão no bolso e retirou um pirulito em forma de cereja.
— Mentira! — Peguei o pirulito da sua mão e retirei a embalagem, fazendo com que o doce soltasse uma leve fumaça, como se o cabinho da cereja fosse um pavio, e o coloquei na boca, sentindo as pequenas explosões estalarem em minha língua. — Obrigada, Aluado! Merda, fazia tempo que eu não comia um desses.
Ele sorriu satisfeito e retirou um para si, enquanto James se aproximava equilibrando três copos muito cheios. Tomei meu copo inteiro em um único movimento e roubei o copo de James.
— Baixa aqui — falei e ele abaixou o rosto. Tasquei um beijo em sua bochecha, deixando uma marca similar à marca de Remus. — Você não vai falar com essa garota hoje. Não vai nem olhar na direção dela. E vai arranjar uma garota bonita pra beijar. Combinado?
Ele me olhou com as sobrancelhas franzidas, a confusão nítida em seu rosto bonito.
— Dá um tempo pra ela sentir falta, perceber que perdeu algo importante, que você amadureceu.
Remus soltou uma gargalhada ao meu lado.
— James não amadureceu, . — As risadas preenchiam cada espaço entre as palavras.
— Azar o dele, ela vai pensar que sim. Potter, nem uma espiadinha, nem uma piscadinha, nada. Não estou falando pra ignorar, mas mostra que ela não te afeta mais, que você finalmente aceitou que ela não quer nada com você, entendeu?
— Tá bem. Consigo fazer isso. — Ele parecia estar fazendo anotações mentais sobre aquilo.
Tobias estava lindo usando uma camisa preta de botões, um cinto com spikes, calça jeans dobrada e um nike branco de cano alto nos pés. Ele sorriu quando me aproximei e deu um beijinho em minha bochecha.
Pepper estava gatíssima também, usava um vestido estilo jardineira vermelho com uma blusa branca por baixo que combinava perfeitamente com suas botas também brancas.
— Pelos deuses, como eu fui parar com os amigos mais gatos dessa escola? — Segurei a sua mão e fiz ela dar uma voltinha, suas bochechas ficando levemente coradas.
Coloquei meu balde de marshmellows sobre a mesa e engatamos uma conversa sobre as pessoas que estavam na festa, Pepper e Tobias me colocando por dentro de todas as fofocas. Em certo ponto, minha irmã se aproximou e a apresentei a eles, e assim continuamos durante um bom tempo, minha irmã e meus novos amigos colocando os assuntos em dia, Pepper me mostrou a ex de Tobias e, em troca, ele me mostrou todos os carinhas que Pepper já tinha ficado.
Até o momento em que Sirius se aproximou com o meu pedido, um baseado perfeitamente bolado e intocado, como se ele tivesse ido atrás da erva e feito aquilo só porque eu pedi.
— Princesa — disse ele, levando o cigarro até minha boca e fazendo uma cabaninha enquanto conjurava uma chama na ponta de sua varinha. Traguei forte.
— Black — respondi com a voz afetada, a fumaça ainda presa em minha garganta. Seus olhos brilharam em minha direção, depois ele percebeu que estava sendo mal-educado e se virou para meus amigos.
—
Peppermint,
Toby.
Em um primeiro momento, eu não sabia dizer se eram apelidos carinhosos ou irritantes, mas ambos tiveram reações positivas, mesmo que eu tivesse minha desconfiança de que Tobias não gostasse tanto assim de Sirius. A convivência parecia ser sustentável.
— Cigarros são proibidos, mas uma ervinha é bem servida? — perguntou ele em meu ouvido, um sorriso ladino em seu rosto.
Soprei a fumaça em seu rosto antes de responder, e aquilo o fez alargar ainda mais o sorriso.
— Pra sua informação, isso aqui é usado em poções, é plantado na estufa da escola, até os trouxas usam de forma medicinal.
— Puts, você é uma lufana mesmo, não tem como negar — brincou ele. — Pra sua informação, em Hogwarts não tem
isso plantado nas estufas.
— Não?!
— Não, tive que obter de maneira ilegal, assim como a maioria das coisas que eu forneço com tanta facilidade. — Passou as mãos no cabelo, o jogando para trás, indicando o balde no centro da mesa. Ele pareceu se lembrar de algo e entregou uma carteira de cigarros à minha irmã.
Passei o baseado para Tobias. Ele tragou e passou para Pepper, e assim o grupo inteiro foi dando um trago.
— Isso seria romântico se você não fizesse pra todas.
— Não faço pra todas, princesa.
— Só para as bobas que caem no seu papinho? — Dei um sorriso charmoso e notei seus olhos presos por tempo demais em minha boca. Ele foi distraído por , que lhe passava o baseado. Aceitou.
— Você tem que parar de achar que eu sou esse tipo de cara. — O baseado de movia conforme ele falava, preso em seus lábios.
— O tipo que dá em cima de todas, ou o tipo que acha que é santo, mas não é?
Assim que ele tragou, peguei o baseado da sua boca e levei até a minha, enquanto ele acompanhava tudo com os olhos e soltava mais um sorriso frouxo.
— Você me machuca, princesa — disse, enquanto a fumaça fugia entre as palavras, fechando os olhos e pondo as mãos sobre o peito.
— É isso que a Casa Stark faz, Black. — Dei dois tapinhas em seu rosto antes de tragar mais uma vez. — É bom você já aprender, antes que seja tarde demais.
— Porra, assim você não está me ajudando.
— Como é? — Soltei a fumaça antes de passar para Tobias, que estava em uma conversa animada com Pepper, e Remus, que havia se aproximado da rodinha também. Pude notar de longe James se agarrando com uma garota de cabelos negros no fundo da sala, definitivamente não era a Lily.
— Tudo que você faz me deixa curioso, princesa. Vai ser difícil não ficar interessado.
Aquilo mexeu comigo e ele percebeu, mesmo assim, fiz questão de não baixar a guarda.
— Acho que você já se enfia em problemas demais, Almofadinhas.
— Acho que eu sei a quantidade de problemas que eu consigo enfrentar, .
Achava que não sabia, mas não queria responder isso a ele. Por esse motivo, eu apenas dei de ombros.
— Boa sorte, então — falei ao mesmo tempo em que uma
música conhecida começou a tocar.
Apontei para na mesma hora em que ela apontou para mim.
—
SON OF A GUN — falamos ao mesmo tempo e caímos na risada, puxando minha mão para a pista de dança, fomos no ritmo da música, passo a passo, devagar.
You walked into the party
(Você entrou na festa)
Like you were walking onto a yacht
(Como quem entra em um iate)
Your hat strategically dipped below one eye
(Seu chapéu estrategicamente inclinado cobrindo um dos olhos)
Your scarf it was apricot
(Seu cachecol era da cor de damasco)
Pepper se juntou a nós, dando risada, e apenas os três garotos ficaram na nossa mesa, cada um observando uma garota. Não era loucura minha, Tobias olhava Pepper com um entusiasmo acima da média, batendo palmas no ritmo da música.
Remus parecia avoado, perdido em pensamentos, enquanto minha irmã dançava segurando minha mão, eu a fazendo girar, e ela fazendo o mesmo comigo.
You had one eye in the mirror
(Você tinha um olho no espelho)
As you watched yourself gavotte
(Enquanto assistia a si mesmo dançando)
And all the girls dreamed
(E todas as garotas sonhavam)
That they'd be your partner
(Que seriam sua parceira)
They'd be your partner and
(Seriam sua parceira e)
Não tive como não olhar Sirius na próxima parte da música, seus olhos negros me queimando com tanta intensidade que eu ficava sem ar, mas eu apenas ria, porque estava leve e calma depois de fumar.
You're so vain
(Você é tão egocêntrico)
You probably think this song is about you
(Provavelmente acha que essa música é sobre você)
You're so vain
(Você é tão egocêntrico)
I bet you think this song is about you
(Aposto que você acha que essa música é sobre você)
Don't you? Don't you?
(Não acha? Não acha?)
A festa terminou logo depois das três da manhã, as pessoas tinham que ir saindo em pequenos grupos para despistar os professores, que faziam guarda junto ao zelador chato e sua gata. Por fim, minha irmã saiu com os seus colegas da Lufa-lufa, que me prometeram que cuidariam dela, Sirius Black indo junto e me dando uma piscadinha ridícula quando saiu.
Fiquei para trás com James, Peter e Remus. Não vi Peter a festa toda, mas não sabia dizer se era pela sua altura, ou se ele estava trabalhando para manter a festa organizada, enquanto os três idiotas curtiam. De qualquer maneira, fomos os últimos a sair.
A entrada da sala comunal da Sonserina era muito perto dali. Quando chegamos, James puxou Peter disfarçadamente para longe, me fazendo rir, enquanto Remus parecia querer cavar um buraco no chão para se enfiar dentro.
— Me desculpa pelos meus amigos. Eu juro que eles são legais, só precisam de um pouquinho de noção às vezes — disse ele, dando um sorriso enquanto coçava a nuca sem realmente saber o que dizer.
— Você não precisa se desculpar cada vez que seus amigos fazem uma besteira, Aluado.
— Eu sei, mas às vezes eu me sinto na obrigação. — Ele sorriu, lambendo os lábios no processo.
Eu queria beijar Remus Lupin. Isso era um fato.
Eu não queria me envolver com ninguém, mas era difícil negar a mim mesma que não existia nada entre nós, não quando ele me visitava em sonhos e meu corpo parecia querer derreter cada vez que ele sorria para mim. Eu não estava sendo ingênua, só queria beijá-lo. Sentir seus lábios nos meus.
E sabia que ele também queria, havia muita química rolando ali para ser desperdiçada desse jeito. Por esse motivo, dei um passo em sua direção, enquanto seus olhos mediam meus passos. Ele não era idiota, entenderia os sinais.
Não me decepcionei quando vi suas mãos seguindo na direção de minha cintura, causando um frio tão intenso em minha barriga que me fez sorrir. Seu olhar desceu lentamente pelo meu rosto, encontrando minha boca, e ele deu mais um passo em minha direção, fazendo o espaço entre nós ficar mínimo. Levei uma de minhas mãos em sua nuca, mergulhando meus dedos em seus cabelos, o fazendo piscar devagar e aproximar os lábios dos meus. Porém, antes que o beijo acontecesse, senti seu tronco se afastando. Suas mãos que antes puxavam minha cintura de maneira firme, agora estavam pousadas nas laterais, me empurrando levemente para trás.
— Que merda. Desculpa. — Sua respiração era pesada, quente. — Me desculpa, . Não posso fazer isso.
Aquilo desmoronou tudo que havia sido construído dentro de mim.
— Isso o quê? Me beijar? — Minha mão escorregou de sua nuca e dei um passo para trás.
— Me envolver, isso não é certo com você.
— Do que é que você está falando, Remus? — Minha voz saiu degolada, falhando como se uma rachadura tivesse aparecido por minha casca dura e resistente. Eu sabia que não devia ter baixado a guarda, mesmo pensando que Remus fosse um cara mais doce e menos idiota do que os seus amigos.
— Acho melhor sermos só amigos. Eu não quero... não quero te machucar.
— Acho que é meio tarde pra isso — respondi, empurrando a porta que havia se solidificado quando me aproximei. — Boa noite.