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(Caçar você como um selvagem)
Meus saltos batiam contra o chão com certa força enquanto eu caminhava com um destino certo, sem desviar das pessoas, elas que saíssem da minha frente. E elas saíam mesmo. Talvez fosse por causa do meu olhar, ou, quem sabe, da minha postura intimidadora totalmente chamativa de andar, com passos firmes e queixo erguido. É, eu não olhava para baixo e nem para os lados, a não ser que algo chamasse muita atenção. Como agora, achando exatamente o que eu queria.
Um homem, que olhava as pessoas passando. Ele estava encostado no capô do carro. Suas roupas me diziam que ele era dono daquele lugar, o rei mesmo, porque aquele ouro em seu pescoço não era falso, muito menos as pedras que faziam parte de seus anéis, que compunham aquela mão bonita. Suas botas de bico fino com uma biqueira de ouro na ponta e muito bem engraxadas me diziam que alguém deveria ter polido o couro delas com a língua. Já seus olhos , indicavam estar caçando alguém, provavelmente uma garota gostosa para foder, que obviamente não seria eu, porque meu negócio era um pouco diferente do habitual.
— !
A voz de me fez virar o pescoço para olhá-la, vendo minha amiga se aproximar com um sorriso.
— Pensei que tinha arranjado algo de mais interessante para fazer — brincou.
Sorri de lado com aquilo.
— Eu até tentei — rebati, fazendo a garota rir. — Quem é o gângster? — perguntei, me fazendo de sonsa, inclinando de leve a cabeça na direção do cara, para que soubesse de quem eu falava.
Eu sabia quem ele era, mas eu precisava fingir um pouco.
— Está falando do St. Jimmy? — Virou seu rosto bruscamente. Nem para disfarçar.
— Não sei. Esse é o nome dele? — Segurei o riso em minha garganta.
Então resolvi fazer o mesmo, dando de cínica. Se era para olhar, vamos olhar.
— É, o cara das joias.
— É o St. Jimmy mesmo. O nome dele é . Ele é o chefe do tráfico da região.
Ergui uma sobrancelha sobre aquilo, fingindo estar chocada. Era ele mesmo que eu queria.
— E também comanda outras coisas.
Fiz um pequeno bico, enquanto ouvia minha amiga falar sobre o cara, parecendo que sabia tudo sobre, até mesmo a cueca que estava usando hoje.
— Por que chamam ele de St. Jimmy?
Continuei com os meus olhos naquele homem, que, diga-se de passagem, era uma delícia. Ele estava distraído, olhando ainda as pessoas passando à sua frente, com até mesmo certo descaso no olhar.
— Não sei. É como ele se apresenta. Dizem que ele não gosta do nome de batismo.
riu fraco, me fazendo encará-la, tentando achar a graça.
— Jimmy é horrível, acho bem mais agradável...
St. Jimmy tinha uma placa bem grande de perigo pendurada em seu pescoço, mas isso não me intimidava nem um pouco. Queria chamar sua atenção, e era isso que eu faria. Estava afim de me divertir e sentir um pouco de adrenalina correndo em minhas veias àquela noite.
— , aonde você está indo? — soltou alto o suficiente para que eu ouvisse agora, mesmo de longe.
As pessoas me olhavam agora com certa surpresa por ver para onde eu estava indo, e isso só me fazia querer rir. Acho que o St. Jimmy assustava mesmo os outros. Uma pena, não é mesmo? Eu nunca fui muito uma pessoa de ter noção, mas a falta dela me fez chegar aonde estou hoje em dia, então estava ótimo.
Parei na frente do homem e o olhei de cima embaixo. Suas sobrancelhas se uniram, entendendo absolutamente nada. Então olhei por cima de seu ombro, encarando o Maserati do ano, preto com dourado. Sorri de lado minimamente, já virando e indo para a lateral do carro, e passando meu indicador pela lataria muito bem polida, deixando a ponta da minha unha arranhar ela de leve.
— Gostou? — perguntou.
Seu sotaque era forte, mostrando que não era dali. Britânico ou francês, quem sabe italiano, não sei ao certo, nunca fui boa com sotaques. Não o olhei, só vi que se aproximava pela minha visão periférica.
— É, bonitinho. Isso anda? — rebati, passando a língua em meus lábios lustrosos tingidos de vermelho.
Pude ouvir a risada fraca de , que já estava parando ao meu lado.
— Posso te mostrar se quiser. — Tinha um tom bem sexy em sua voz.
Coitado.
— Quero. — Então estendi minha mão em sua direção, o olhando agora. — A chave, garoto — pedi, abrindo e fechando meus dedos.
— Você não vai dirigir meu carro. — Uniu as sobrancelhas ao pronunciar tais palavras que me fizeram rir.
— Iria ferir seu ego uma mulher colocando a mão no seu volante? — Ergui uma sobrancelha com um sorrisinho no rosto. — Vamos, não seja um menino mimado. Posso deixar que sente no banco do carona se for comportado.
— Quem você pensa…
Meu indicador tocou seus lábios, indicando que ele deveria ficar caladinho. Logo em seguida, sua mão bruta segurou meu pulso com força, me incomodando demais aquele contato.
— Não se atreva a me tocar — rosnou irritado, jogando minha mão para longe dele.
— Ops, acho que já toquei. — Dei uma piscadinha, rindo fraco. — Sempre soube que muito dinheiro fazia o pau encolher.
A ponta da minha língua ficou rodeando meu incisivo com meu sorriso mais aberto agora.
— O que você quer? — perguntou claramente irritado, doido para me enfiar em uma cova rasa.
— Queria dar uma volta no seu carrinho, mas já desisti. Perdeu a graça — disse, jogando meu rabo de cavalo quase em seu rosto e saí andando, me desviando de .
estava parada ao longe, com cara de quem tinha visto o próprio diabo plantado em sua frente. Aproximei dela e sua mãozinha pegou a minha e saiu me tirando daí, me obrigando a dar passadas curtas e rápidas para acompanhá-la. Assim que parecia estarmos fora de vista do , minha amiga parou e se virou, me encarando.
— O que você pensa que estava fazendo? Ficou doida de vez?
Aquilo só me fez rir, vendo a garota toda nervosinha.
— Oswald não vai te proteger do St. Jimmy se ele quiser fazer algo contigo.
Ozzy, meu velho marido, realmente não poderia me proteger ali naquele território, mas eu sabia me cuidar sozinha.
— Ele não vai fazer nada comigo, relaxa. — Joguei uma mecha de cabelo dela para trás de seu ombro. — Ozzy nem precisa saber que estive aqui. — A olhei de forma bem sugestiva.
— Mas ele vai saber se você aparecer em um saco preto — alertou.
Tudo o que fiz foi rir de novo.
— Você está nervosa demais. Vem, vamos procurar algo para beber. — A puxei pela mão para que entrássemos na enorme mansão.
O lugar era enorme e estava tão lotado quanto o lado de fora. Tinha umas mulheres nuas dançando em pole dance em plataformas altas, e outras fazendo aquela dança com tecidos que vinham presos do teto, eu não sabia o nome daquilo. Tocava uma música sensual que eu não fazia ideia de quem estava cantando, mas dava vontade de mexer meu corpo lentamente junto à batida.
Paramos em um dos bares onde os bartenders faziam uns malabarismos com as coqueteleiras, além de serem gatos demais. Apoiei meus cotovelos no balcão, esperando qualquer um deles vir me atender, até que um moreno extremamente gato e sexy veio até o meu encontro.
— O que você deseja? — perguntou. A sua voz rouca deliciosa me arrepiou.
— Você nu na minha cama com alguém, mas seria pedir demais no momento. Porém, quero um sex on the beach no momento. E, se possível, o seu número — pedi, vendo que aquilo só tinha feito com que ele sorrisse de um jeito safado.
— Sério, como você consegue essas coisas?
estava ao meu lado, me encarando de forma chocada.
— Se eu falasse isso para um bartender, ele iria rir da minha cara.
— O lance está no jeito que você fala, não o que você fala — contei a ela o grande segredo da coisa toda, como se já não soubesse daquilo. — E no olhar também. — Lhe dei uma piscadinha.
Minha amiga rolou os olhos.
— Sinceramente, nunca vou entender — bufou, parecendo contrariada.
Eu ri daquilo e até iria responder, mas minha linha de raciocínio foi cortada quando senti um corpo atrás de mim. Meus olhos desceram rapidamente para as mãos que me cercavam agora no balcão, reconhecendo os anéis na mesma hora.
Sorri.
Acho que eu tinha conseguido a atenção do St. Jimmy.
O seu ar bateu na curva de meu pescoço, indicando que seu rosto estava bem perto da minha pele, sentindo como meu perfume doce era gostoso, certeza.
— É muito atrevimento seu vir ao meu território sem ser convidada e ainda se aproveitar da minha festa — sussurrou em meu ouvido.
Aquilo me arrepiou, mas isso não me abalou.
— Não sei do que está falando — rebati de forma divertida.
me olhou, achando que eu estava falando com ela, então seus olhos se arregalaram vendo ali. Pisquei para ela, dando um sorriso de lado. Logo senti o corpo do sujeito que estava atrás de mim me empurrar de leve contra o balcão, indicando que não tinha gostado nada da minha resposta, mas se afastou um pouco em seguida, me deixando aliviada com aquilo.
Umedeci meus lábios, os sentindo levemente secos. Até que o bartender gato voltou com meu drink e um guardanapo com seu número. Coloquei entre os meus peitos. O olhar do barman ficou um pouco estranho quando viu o seu patrão me cercando como se eu fosse uma ovelhinha. Sorri para ele, que apenas assentiu com a cabeça e saiu andando para atender outras pessoas.
— Você está assustando as pessoas. Se afasta — mandei, já pegando meu sex on the beach e dando um gole.
não se afastou em nada e isso me incomodou, porque seu corpo estava quase tocando o meu.
— Hm, delicioso. Quer? — ofereci para ele, já que tinha enguiçado ali atrás de mim.
— O que você quer? — questionou.
Apenas dei de ombros, bancando a sonsa.
— Você sabe que as mãos do velho Ozzy não podem te alcançar aqui.
Não me surpreendeu em nada ele ter descoberto de onde eu era.
— Talvez eu não queira as mãos dele em mim — respondi.
Me virei de frente para , pegando o canudo de papel da minha bebida com a minha língua, o enroscando com ela.
— Talvez eu só queira me divertir. — Ergui uma sobrancelha, bebendo do meu drink e olhando em seus olhos, que não pude identificar a cor por causa da luz vermelha.
— Jeito perigoso de se divertir — disse, me olhando de volta nos olhos.
Eu podia ver até mesmo sangue escorrendo por eles de tão assassinos que me encaravam.
— Posso te dar muita diversão se você quiser. — Chegou com seu rosto perto do meu.
Eu ri daquilo.
— Não quero ficar com você, . — Deixei seu nome sair pelos meus lábios de forma arrastada, vendo que agora tinha mudado totalmente o jeito que me olhava. — Mas você pode fazer parte da minha diversão.
— E como ela seria? — quis saber, mas não se afastou.
Seus lábios quase tocaram os meus quando se moveram.
— Me deixe ver você transando com alguém — contei, sentindo meus olhos brilharem enquanto eu colocava o canudo da minha bebida entre nossos lábios, tomando mais daquele líquido doce.
ficou me olhando por alguns segundos antes de rir fraco.
— Estou falando sério. Voyeur. Nunca experimentou? — perguntei, vendo como agora ele tinha entendido que eu realmente falava sério. — Você é gato e aposto que é gostoso. Seria uma delícia te ver fodendo loucamente com alguém. Você escolhe, não me importo se for com outro homem ou uma mulher.
— Você é louca, sabia?
Sua indignação me fez rir, não seria a primeira e nem última vez que alguém me falava aquilo.
— E por que não se junta a nós na cama?
— Transar com alguém não me excita. — Dei de ombros, não me importando com nada daquilo.
— E me escolheu por quê? — Seu olhar estava curioso sobre mim agora.
Sorri de lado.
— Isso é um mistério. — Levei meus lábios até seu ouvido e sussurrei tais palavras. — Você aceita? — perguntei, deixando a ponta de meu nariz passar por sua orelha de leve.
— Você vai se tocar enquanto observa?
Ri fraquinho.
— Talvez. Depende se me der vontade na hora — respondi com sinceridade.
— Vou pensar no seu caso — disse, por fim, e se afastou de mim, já se virando de costas e indo embora.
— O que... O que... O que você falou com ele? — parecia estar se engasgando do meu lado perguntando aquilo. — Ele ia te beijar, amiga! Por que você não o beijou? Por Odin! Eu não te entendo!
— Às vezes nem eu entendo. Se um dia conseguir, me conta.
Dei um tapinha em seu ombro e saí andando para um lugar que desse para dançar agora. Parei onde achei espaço suficiente para nós duas dançarmos sem que fosse muito apertado por causa da quantidade gente que tinha naquele lugar. O canudo estava entre meus lábios enquanto meu corpo se movia de forma lenta de um lado para o outro, fazendo meu rabo de cabelo volumoso balançar de um lado para o outro. Minhas unhas longas batiam no vidro do copo como se tocasse as notas da música que ecoava pelo lugar. Passei a mão em minha nuca, apertando de leve, não pensando em nada, apenas deixando o som entrar em meu corpo e o eletrizar do jeito que quisesse.
Ficamos aí por muito tempo, dançando, indo no bar, pegando mais bebidas e voltando. Aquela noite até que estava sendo agradável e eu tinha conseguido o que queria, então iria aproveitar.
Fechei brevemente meus olhos, deixando meus lábios entreabertos, e nisso senti alguém tocando minha cintura. Abri meus olhos, vendo um cara, o qual não fazia ideia de quem era, agora dançando entre mim e . O olhei por inteiro. Ele era bonitinho, mas o fato de ter me tocado não me permitiu gostar dele. Eu tinha um leve problema com toques em meu corpo, ainda mais sem a minha permissão. Então isso me fez dar um passo para trás, abrindo espaço para o sujeito sair dali.
Ele me olhou sem entender nada.
— Você está me atrapalhando a dançar — avisei, para se tocar logo e dar o fora.
Em vez de sair dali como um cara consciente faria, ele apenas pegou minha cintura com certa brutalidade, pronto para me arrastar para perto dele, mas não deixei que tivesse tempo para isso e lhe dei uma bela joelhada no saco, fazendo com que se curvasse para frente.
O empurrei para o lado para que saísse dali, só que sua mão bruta pegou meu pulso com força, então automaticamente joguei minha bebida em sua cara.
Abusado!
Isso fez com que pegasse meu pescoço com força e já soltei o copo, deixando que caísse no chão e se espatifando em vários pedaços. Senti os cacos até mesmo rebaterem contra a pele de minha perna. Rapidamente, meus dedos puxaram a lateral da minha saia jeans para cima, me permitindo pegar o canivete pequeno que eu tinha escondido ali. Apertei o botão para sua lâmina sair e toquei com sua ponta exatamente onde ficava a carótida do homem, que agora me olhava com certa surpresa. estava parada ao meu lado, com sua típica cara assustada. Ela ainda não tinha se acostumado comigo depois de tantos anos?
— Garota errada, benzinho — disse, mostrando que eu não tinha receio algum de afundar aquela merda em seu pescoço.
Ele não falou nada, apenas me soltou. Seus olhos viram algo atrás de mim. Então me empurrou de leve para trás. Antes de abaixar meu canivete, virei meu rosto, espiando por cima do meu ombro, vendo o St. Jimmy bem ali, parado, com seu olhar assassino.
Sorri.
Então voltei a encarar o cara na minha frente e tirei a lâmina de seu pescoço.
— Sua…
Ele ia começar a falar algo, mas a voz de invadiu nossos ouvidos.
— Cale a boca, antes que eu atire na sua cara — ordenou em um tom bem rude.
Eu gostei bastante daquilo.
— Acho que é hora de dar tchau — falei com o sujeito, acenando com a mão para ele sair logo dali.
Foi isso que fez, sem falar nada. Me virei, olhando para o St. Jimmy agora.
— Obrigada, mas estava tudo sob controle — agradeci, o olhando de baixo, já que, mesmo com salto, ele ainda era mais alto do que eu.
— Eu percebi — soltou em tom de ironia.
Ergui uma sobrancelha.
— Ainda está querendo se divertir?
— Sempre quero me divertir. — Sorri abertamente para ele.
Olhei para a , já levando meus lábios até o ouvido de minha amiga.
— Vou brincar um pouco. Não precisa me esperar — avisei.
Os olhos da minha amiga se arregalaram.
— Toma cuidado — pediu.
Apenas assenti. Dei um beijo em sua bochecha.
Virei e ergui minha mão até a altura de minha cintura, esperando que a pegasse. Ele a olhou por um instante antes de pegá-la. Então me guiou por entre as pessoas daquela festa, que nos olhavam agora como se fôssemos celebridades. Tinha ciência de que alguns ali deveriam saber quem eu era, mas St. Jimmy era o dono da festa, e vê-lo comigo atraía muita atenção.
Isso me fez sorrir.