Apenas nuvens cinzas apareceram no céu aquela manhã. A previsão dizia que, no horário do treino, tudo estaria de acordo para todos os pilotos: o sol iria aparecer e a chuva só cairia no fim da tarde.
O rock ecoava pelo quarto, um volume baixo, acompanhando alguns exercícios e pronto para a sessão com a Anika. Duave e mais tranquilo, queria estar em perfeita forma naquele momento.
O relógio marcava 9h. Já pronto, desceu para a garagem com os fones ainda pendurados no pescoço — e encontrou, logo de cara, a cena que mais via desde que voltara: Felix e Anika, frente a frente, travando mais uma das suas discussões sem fim.
— Ele não vai forçar o ombro hoje, Brandt. Já chega o que vocês fizeram ontem.
— Ninguém forçou nada, Weiss. Ele treinou dentro do que foi autorizado.
— É engraçado que seu conceito de “autorizado” muda dependendo do humor dele.
encostou na parede, cruzando os braços, só observando com um meio sorriso no rosto.
— Vocês dois de novo? — comentou, com voz preguiçosa. — Juro que se um dia vocês se beijarem no meio de uma briga, eu não me surpreendo.
Anika rolou os olhos, mas não disfarçou o leve rubor nas bochechas. Felix, por outro lado, respondeu seco:
— Cala a boca e entra no carro.
riu, se aproximando com passos calmos.
— Calma, Bruder. Vai ver ela só quer o melhor pra mim. Afinal... ela é a única que faz você ficar com o rabinho entre as pernas.
Anika já estava no carro, no banco traseiro. Felix bufou e seguiu à frente, sem olhar para trás e apenas ria de mais uma discussão entre eles.
•
O carro o aguardava na garagem, já posicionado para a primeira saída. O macacão, justo nos pontos certos, parecia apertar junto à responsabilidade do momento. E o capacete... aquele capacete novo parecia pulsar nas mãos, como se carregasse não só a proteção, mas tudo que ele era.
George passou por ele, com um leve aceno de cabeça e um sorriso rápido.
— Boa corrida, .
— Pra nós — respondeu, sincero.
Dois pilotos, um mesmo escudo no peito. Nada mais precisava ser dito.
— Tudo pronto , o carro está a sua espera.
— Vamos, eu estou pronto também.
Caminharam até o automóvel. Uma movimentação, um pequeno tumulto perto dos equipamentos fez Brandt arquear a sobrancelha. Desconfiado, ele se aproximou.
— O que está acontecendo aqui? Não falaram que estava tudo certo pro começar?
— O compressor de ar parou. Tínhamos testado horas antes, mas agora... — explicou um dos técnicos da Mercedes.
— Era o que faltava. E ninguém veio ver isso ainda?
— Estamos tentando...
Digitou algo no celular, provavelmente tentando resolver com apoio. Brandt já começava a ficar impaciente.
O seu rádio tocou, estava terminando de tomar um bom café. Em plena sexta-feira de treino e uma ocorrência para si.
— ! A Mercedes tá pedindo apoio no box quatro. Deu problema na alimentação do compressor de ar. Parece simples, mas querem alguém de confiança.
Sem delongas, respondeu com um "ok" seco. Prendeu o cabelo com uma caneta e seguiu firme. Passos decididos entre caixas de ferramentas e cabos no chão. Caminhava como quem já sabia o caminho.
De longe, a movimentação era clara. Brandt de cara fechada. com o macacão meio aberto, amarrado na cintura, copo d’água em mãos, aguardava de braços cruzados. O capacete ao lado, ele parecia entediado.
O macacão cinza-escuro com o logo do autódromo bordado no braço direito a destacava do restante da equipe Mercedes. Agora atraía seus olhares para todos após cumprimentá-los. Agachou-se ao lado do equipamento, puxou as ferramentas da cintura e trabalhou com agilidade. As unhas feitas contrastavam com a graxa que manchava seus dedos.
Com um leve assobio, o compressor voltou à vida. O ponteiro da pressão subiu, e a rotina no paddock voltou ao normal.
— Tenta de novo, mas com o adaptador reserva — orientou ela, firme, ao técnico mais novo, que assentiu sem hesitar.
a observava de longe. Encostado no fundo do box, segurava o capacete com a mão esquerda. O cenho levemente franzido — não por desconfiança, mas por curiosidade. Não estava acostumado a ver alguém fora da equipe mexendo com aquele nível de segurança e desenvoltura. Ainda mais alguém... como ela.
— Tudo em ordem.
— Obrigado — disse Felix, genuinamente.
— Não precisa agradecer. Se precisarem de novo, é só chamar.
— Seu nome?
— . — Sorriu. — Boa corrida!
E sumiu entre os boxes, deixando um leve rastro de perfume adocicado.
— Vou começar.
— Estarei na escuta, Bruder.
parou diante do carro, aguardando o engenheiro retirar o volante. A pintura, o número trinta, o logo da Mercedes — era bom estar de volta.
Retirou os fones e entregou para Brandt. Abaixou o olhar. O cockpit estreito pareceu ainda menor, e um arrepio percorreu seu corpo. Leves contrações no braço esquerdo voltaram a incomodar. Respirou fundo e encarou. Era um ritual, um que conhecia tão bem.
Com firmeza, apoiou as mãos na borda, ergueu a perna direita, depois a esquerda, e então veio o momento mais delicado: o encaixe do corpo.
Desceu devagar, sentindo os músculos arderem. Seus olhos fixaram-se em um único ponto, buscando concentração e cautela. Comprimiu os lábios — a dor era intensa.
Quando os ombros finalmente se ajustaram no assento e a costela estabilizou no espaço, ele moveu o braço esquerdo com o máximo de esforço.
O engenheiro então devolveu o volante. esticou a mão direita e o encaixou com firmeza. O estalo seco do travamento foi quase uma confirmação: ele estava pronto.
O starter foi acionado. dirigiu até o grid destinado a ele. Apertou os dedos contra o volante, fez sua pequena reza. Estava de volta, no exato ponto onde havia parado. A viseira abaixada, o capacete refletia o céu nublado.
O rádio em seu ouvido trazia as últimas instruções técnicas de Felix Brandt, mas ele já não ouvia com clareza. A mente estava em outro lugar, estava pensando apenas nele e no seu desempenho.
As luzes a sua frente começaram a acender uma a uma, até a quinta luz ficar vermelha, e consigo o som da largada. Ele acelerou como sabia fazer, como fazia antes. A adrenalina tomou conta. Estava se saindo melhor do que esperava.
Mas bastaram alguns segundos para a dormência surgir. A dor subia pela escápula, encostava no ombro. O braço começava a reclamar.
Ignorou. Psicologicamente, se forçou a seguir.
A primeira volta foi limpa. Até boa. Um leve sorriso escapou por baixo do capacete.
— Treinando assim já posso ver a taça em suas mãos, Digga — soltou Felix no rádio.
A próxima parada era no pit. Uma rápida checagem.
Ao retornar pra pista, foi como se a dor tivesse esperado esse momento. Uma pontada, aguda, irritante, queimando até a alma. Apertou os lábios e soltou um ar tentando fazer a dor sumir de dentro de si, mas não adiantou.
A voz de Brandt surgiu novamente, mas agora tudo soava embaralhado. Como se o rádio estivesse em outro idioma.
A primeira volta tinha sido estável. Agora, ele sabia: era que tremia por dentro.
O coração batia tão alto quanto o motor. A respiração estava presa em seu peito, como se o culpado fosse o macacão. Seu capacete já não era mais o melhor, estava pequeno, sufocante. O suor escorrendo pela nuca, frio como um gelo, mesmo com o cockpit fechado e a ventilação ligada.
O pânico se esgueirava pelas fissuras da autoconfiança. sentia as mãos suarem dentro das luvas, os dedos formigarem, o peito afundar como se estivesse em queda livre.
Aquela curva que havia feito tão bem, passou ser turva e desafiante.
A curva S de Senna. A traseira deslizou um pouco, nada tão grave para quem estava vendo de fora.
Felix cerrou o punho, angustiado ao ver tudo pela tela.
Ele sentiu o medo, aquela mesma sensação de cinco anos atrás. estava inseguro. Na descida para o Lago, ele precisou tirar o pé. Seu braço queimava, ele tentava manter tudo em ordem dentro dele, sentia sua respiração ficar ofegante.
— , está tudo certo ai?
— Tudo certo — mentiu descaradamente.
A segunda volta foi um desastre. Tempos baixos. Desempenho miserável. Dor e angústia altíssimas. Tentava ir além, mas estava travado, o medo e a ansiedade estavam tomando controle do piloto.
Nada impressionante, nada próximo do que já tinha feito no passado. Na verdade, era um dos piores da sessão. O suor se acumulava sob as pálpebras, e ele piscava rápido tentando manter o foco. A cada curva, uma dúvida. A cada aceleração, um fantasma.
Felix ouviu a respiração dele — e entendeu. Velhos amigos entendem sem palavras.
— Vamos encerrar essa. Só controle e aquecimento. Nada mais — ordenou.
Sem querer admitir, já estava encostando o carro. Queria sair. Respirar.
Completou a volta devagar. No fim da reta, soltou um suspiro longo. Tirou a mão esquerda do volante por um segundo. Arrependeu-se no mesmo instante. A dor confirmou: não era só memória. Era real. Era física. Era tudo.
Parou nos boxes. Não disse nada. Só olhou para Felix por trás do visor.
E foi o suficiente.
Deixou o capacete na bancada e saiu furioso. Não com a equipe, não com Brandt, mas consigo mesmo. A frustração pesava nos ombros.
Felix foi atrás, sem dizer nada. não foi pra sala da equipe, nem pro box — só andou. Quando o cheiro de café bateu, entrou na copa sem pensar. Encostou as mãos na bancada, respirando fundo. Serviu-se em silêncio, tentando não perder o controle.
— , bruder.
— Fiz meu pior tempo, Felix. O braço tá um lixo. Não vou conseguir correr.
— Você voltou pra pista depois de cinco anos. Tá esperando o quê? Magia?
baixou o olhar. A voz embargada.
— Eu me preparei. Me esforcei. Mas isso aqui… tá me engolindo.
Felix se aproximou, firme.
— Eu vi você entrar naquele carro. Eu vi lá na Stille Strecke. Se tem alguém que aguenta isso, é você.
— Você não entende...
— Não preciso entender. Eu tô aqui. Como sempre estive.
Silêncio. Então largou o copo, e o abraço veio. Nada ensaiado, nada dito, apenas a amizade deles.
— Me avisa quando quiser voltar pro hotel.
— Valeu, bruder.
— Tamo junto, sempre.
Felix saiu. ficou, respirando, tentando juntar os cacos. Um tempo depois ele saiu dali e caminhou até o box quatro, agora mais calmo e com um semblante um tanto mais tranquilo.
Agradeceu a equipe toda da Mercedes, um pequeno discurso e logo entrou na sala que ali tinha. Felix tinha ficado do lado de fora conversando com Anika, talvez novos exercícios ou aquela discussão de sempre deles.
estava sentado no sofá, com fone e ouvindo uma banda no aleatório, a figura feminina parada quase que na frente dele o chamou a atenção. Um sorriso sublime o cabelo amarrado num rabo de cavalo e o uniforme bem cuidado mas com algumas manchas.
— Olá! — retirou o fone.
— Oi, podemos conversar?
— Sim.
Imaginou ser uma fã, queria uma foto e um autógrafo, o que tudo bem afinal ele já estava acostumado com isso.
Entretanto, o formato do rosto lhe era familiar, apenas não se recordava direito.
— Eu não pude evitar de ouvir a conversa sua.
— Minha conversa?
— Sim, com o Felix, lá na copa dos funcionários do autódromo.
— Você é a , não?
— A própria. — Sorriu ao ser reconhecida por ele. — Eu sei que não é da minha conta e me desculpe por isso, mas . — Deu dois passos na direção dele. — Você não precisa se martirizar assim, você é um dos melhores pilotos. Eu sei que temos bons pilotos hoje em dia, mas nossa!
— Obrigado pelas palavras, mas não é tão fácil assim.
— Não posso imaginar que não seja, cada um tem sua dor e sua história.
— Exatamente.
Ele colocou o fone de lado, pela primeira vez alguém lhe disse o que sempre pensou. Ninguém nunca entenderia o que ele sente, o que ele passou e ainda passa!
— Só sei que quando temos uma grande dificuldade não podemos deixar ser vencidos, então queria saber se você não pensou nem um pouco em sair dessa sua rotina.
— Minha… rotina?
— Sim. Ir para um lugar que tirasse você do seu mundo, um lugar diferente. Desculpe, eu sou uma total estranha para você e, olha, você pode me mandar ir embora quando quiser.
— Não, continue, eu não pensei em sair da minha zona de conforto.
— Tenta, hoje ou amanhã antes da corrida de colocação.
— , eu nem sei pra onde ir aqui. — Tirou um risinho dela. — Só conheço o caminho do hotel para o autódromo e olhe lá.
— Se você não se incomodar, tem um evento de JDM aqui em São Paulo hoje à noite. — Ela encostou na parede. — Posso passar o endereço para você se quiser.
Como se uma pequena lembrança tivesse passado à sua frente. Levemente aquele flashback apareceu diante de seus olhos.
•
O ano era 2006, tinha chegado da igreja com seus pais. Um banho rápido e pijama no corpo, ele desejou boa noite ao seus pais e caminhou para o quarto. Esperaria cinco minutos e logo sairia pela janela, deixando na cama um boneco de lençol e cobertor fingindo ser ele.
Aquela manhã ele havia recebido um convite de seus amigos, com o dobro da sua idade. Haveria um JDM no bairro vizinho ao seu e ele não poderia perder. Ver um Supra e até mesmo um Nismo de perto seria seu sonho realizado.
Ele confirmou a presença mesmo sem seus pais saberem da existência desse encontro.
Pulou a janela, abriu o portão delicadamente e saiu correndo com um sorriso no rosto, seu plano tinha dado certo.
Dez minutos, o tempo suficiente para seu pai passar no quarto dele. Entrou caminhou até a cama, e percebendo algo estranho, não havia movimento de respiração na coberta.
— Schatz! Vem aqui!
— O que? Por que essa gritaria no quarto do nosso filho?
— Olhe bem, olhe para essa cama.
Amara se aproximou da cama, puxou o lençol e ao mesmo tempo levou sua mão à boca, estava surpresa tanto quanto seu marido.
correu tanto até o local de encontro com seus amigos que não reparou que deixou a chave de casa cair na rua.
Ele iria dirigindo, junto de outros quatro adolescentes no carro, que era do pai de um dos seus amigos.
O local estava lindo, as luzes dos faróis iluminavam a pista e as calçadas. Os donos dos carros ficaram do lado de fora deixando eles expostos para qualquer um que quisesse ver. Os olhos do pequeno brilhavam como as estrelas daquele céu lindo.
Ele chegou perto de um Nismo Z33, lindo, preto todo bem cuidado. Seu coração acelerou no mesmo momento que ouviu ele ser acelerado, aquele motor o levava a loucuras.
— Um dia eu vou correr com um carro desse.
— Até lá, você vai precisar ter bastante dinheiro — um de seus colegas falou.
— Vou ter.
— Bom pelo menos você sabe correr — o loirinho comentou.
— Você? Pequeno assim, sabe correr? — o dono do carro questionou todo incrédulo.
— Ele é um dos melhores pilotos de Kart, tem essa altura toda — era alto. — E trouxe a gente naquele Civic.
— Hm. — Olhou para o cara ao seu lado, era seu irmão, olhares que irmãos compreendem de longe. — Aceita um racha?
— Racha?!
arregalou os olhos, era um convite e tanto para um garoto de onze anos.
— Aceita, bruder, para de pensar.
— Ele aceita — o loirinho respondeu por .
— Ótimo, vai ser contra meu irmão. Linha reta, ganha quem chegar primeiro nas latas pegando fogo. — Estavam no fim da rua, uma de cada lado. — Vou no banco de carona, quero ver isso de perto. — Jogou a chave para pegar.
— E se ele ganhar a corrida?
— Como assim?
— A não se faz de desentendido, qual vai ser o prêmio dele?
Os irmãos riram.
— Vamos correr, e depois disso veremos seu prêmio, garotão — o outro irmão falou.
— Fiquem quietos e não atrapalhem meu momento!
entrou no carro com o dono ao seu lado, o carro era de respeito tanto por dentro quanto por fora.
Ajustou o banco, o retrovisor e fez — como de costume, sua pequena oração.
Acelerou e o ronco do V6 o fez ir a loucura.
— Inacreditável! — o loirinho comentou olhando para o lado oposto.
O carro saiu arrancando depois da sinalização abaixar. segurava firme os volantes, mas como se conhecesse há anos aquele caminho e confiasse naquele carro. Ele chegou em instantes na marcação. Os irmãos, sem entender como um garoto de onze anos conseguia controlar tão bem um volante, desceram do carro parabenizando o menino.
— Esse é seu prêmio. — O irmão mais velho entregou uma chave. — Ao completar seus dezoito anos e tirar sua carta, vá à nossa casa. — O irmão dono do Nismo entregou o endereço. — E lá você retirará seu prêmio.
— Só pode ser brincadeira.
— Não brincamos com isso.
— !
Aquela voz estrondosa fez todos pararem de falar e gritar, os olhares alheios foram até e o dono da voz: seu pai.
— , o que você pensa que está fazendo? — ele advertia a cada passo que dava. — Se você quer correr que faça isso da forma decente! Não criei você para quebrar leis!
•
tinha chegado mais perto dele estalando os dedos, Felix também estava junto, havia entrado dois minutos atrás na sala.
— Tava lembrando de algumas coisas.
— Não tem que dá explicação. — Sentiu que sua ajuda não seria bem-vinda. — Qualquer coisa estou por aí, nos corredores. Com licença, até às 16h.
— Até.
Os dois se despediram de . Instantemente olhou para Felix.
— Eu sei que tem mais um treino às 16h, mas podemos abafar com panos quentes o que aconteceu? Tentar dizer a mídia que vamos deixar a potência realmente para domingo?
— Vejo o que consigo, mas e você?
— Eu vou descansar, tentar relaxar e ver se distraio a mente.
— Muito bem, você é quem manda. Vou lá avisar a empresa. — Revirou os olhos.
— Valeu, Felix.
Viu o amigo acenar como quem dizia “não precisa agradecer” e se retirar da sala.
Às pressas, recolheu seu fone e correu para os corredores do autódromo Ayrton Senna; olhou para os lados a procura de , foi quando ele a viu, mais distante do corredor leste, conversando com uma equipe e aparentemente dando instruções.
Caminhou até ela, esperando-a terminar a reunião e poder conversarem.
— Oi, que bom vê-lo.
— Não faz tanto tempo.
— Isso é verdade, mas quer alguma coisa? Aconteceu algo para o segundo treino?
— Não, não precisa se preocupar assim. Eu quero falar sobre aquele evento, JDM.
— Ah, não é bem um evento. — Começou a caminhar para um lugar mais tranquilo sem pessoas andando por perto. — É algo mais… discreto, sabe? Ilegal.
Ele riu, era como se a vida o chamasse novamente.
— Não sei se você quer se misturar com algo assim — ela concluiu.
— Me passa o endereço, eu vou.
— Faz assim me encontra aqui por volta das dez da noite. Te levo até lá. Pode ficar no estacionamento, não tem problema.
— Combinado, eu te espero às dez.
Às 22h em ponto ele estaria lá, esperando por ela, por aquele JDM, já que fazia um bom tempo que não ia em um.