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Revisada por: Saturno 🪐

Última Atualização: 31/10/2025

O corredor dos vestiários estava quase vazio naquele início de fim de tarde, apenas o som distante de alguns jogadores e treinadores se despedindo ecoava pelos azulejos frios, o calor gostoso produzido pelo sol sendo substituído pela temperatura gelada devido às paredes mais grossas do prédio.
passou pelo grupo da sala de aquecimento com um sorriso cansado. Com a proximidade do Super Bowl, os treinos eram cada vez mais frequentes e exigiam dele cada gota de dedicação e esforço. Como quarterback, a pressão era ainda maior, porém ele não se importava, vencer era seu objetivo.
Ao avistar Beau, seu melhor amigo desde o momento em que entrou para o time, acenou e sorriu de leve. Ele já vestia o casaco e se preparava para ir embora, visto que os treinos por aquele dia haviam sido encerrados.
— Te vejo amanhã, cara. Vê se descansa. Vai dar tudo certo. — Beau sorriu de volta, com aquele jeito tranquilo de quem quer aliviar a tensão. Não precisava de muito para perceber que, mesmo cansado, continuaria até muito mais tarde no campo e se esgotaria até acertar suas jogadas com perfeição.
Cansou de flagrar o amigo e o obrigar a voltar para casa. Parecia que o quarterback vivia ligado no duzentos e vinte, porém isso não era bom. Ninguém queria a estrela do time tendo um ataque do mais absoluto nada no meio do campo.
— Valeu, Beau. Tô precisando mesmo desacelerar um pouco. — respirou fundo, sabia que ele tinha razão. — Até amanhã.
— Vai logo para casa. Não quero ter que voltar aqui só para te arrastar de novo.
soltou uma risada fraca.
— Não, mano. Relaxa. Eu tô quebrado demais hoje.
Beau estreitou os olhos, mas, por fim, assentiu. Eles se despediram com um toque de ombros, e seguiu sozinho em direção ao seu armário no vestiário.
Por mais exaustiva que fosse, aquela rotina parecia quase reconfortante: o cheiro familiar do couro das chuteiras, o som das travas de metal das portas se abrindo e fechando. Ele pertencia àquele lugar e isso era inegável.
No entanto, quando abriu seu armário, algo ali não estava certo, e o quarterback sentiu aquilo no exato momento em que o abriu.
Poucos segundos de observação foram necessários para que identificasse o que havia de errado.
Entre suas roupas e equipamentos, havia um pedaço de papel dobrado, preso com fita adesiva na parede interna. O jovem franziu a testa e estendeu a mão hesitante, porém acabou por puxar o bilhete com cuidado.
Um frio subiu por sua espinha, porém ele o ignorou, desdobrou o papel e leu.
As palavras pareceram ecoar na solidão daquele espaço.

“5th down. A contagem começou. Ninguém está seguro.”

piscou e negou com a cabeça. Só podia ser alguma brincadeira de mau gosto, talvez uma provocação de um rival, ou até um trote interno do time.
Encheria Trey de porrada, porque tinha cara de ser coisa dele. Quem mais escreveria aquele tipo de mensagem clichê de filme de terror slasher?
No entanto, por mais que tentasse, não conseguia rir daquilo. Algo no tom daquela mensagem, tão direta e carregada, fazia seu peito apertar. olhou em volta, como se buscasse ali alguém escondido e pronto para rir de sua cara, porém, quando isso não aconteceu, ele engoliu em seco, guardou o bilhete no bolso e fechou o armário devagar, então saiu do vestiário o mais rápido que pôde.
De repente, era como se o corredor parecesse mais longo do que o normal, e as luzes, menos acolhedoras.
Aquela lâmpada perto do bebedouro já estava piscando antes?
Com o coração ainda mais aflito, praticamente correu até a saída, e quando entrou em seu carro, parou com as mãos no volante e respirou fundo, numa tentativa de se acalmar.
A tensão não ia embora. pegou o bilhete mais uma vez e o releu.
Ele sabia que aquela contagem tinha começado, e talvez tudo não passasse de algo besta. Respirou fundo e ligou o carro.
Era isso. Precisava deixar aquilo de lado. Uma contagem idiota não podia deixá-lo abalado daquela forma.
O que não sabia, era o quanto cinco downs poderiam lhe custar.



O sol já se escondia atrás das arquibancadas quando o apito final ecoou pelo campo. O céu, tingido de laranja e roxo, parecia arder acima da grama cortada rente, onde o cheiro de suor, terra e metal se misturava no ar pesado do fim do treino. As linhas brancas pintadas pareciam feridas frescas sobre o verde escuro do gramado.
limpou o rosto com a manga da camisa, a respiração ainda entrecortada. As últimas repetições tinham sido mais intensas do que o normal, o técnico não aliviava para ninguém, principalmente com o Super Bowl batendo à porta, e exprimia até a última gota de seus jogadores.
Para o quarterback, a pressão era uma velha conhecida. Desde moleque, quando mostrou aptidão para o futebol, esperavam dele nada menos que o melhor. Não estavam errados, mas, mesmo assim, aquela pressão toda nunca deixava de pesar. Seu corpo e sua mente reclamavam, e era como se estivesse sempre à beira de um colapso.
Ele jogou o capacete no chão e ficou ali por alguns minutos, sentindo o frio da brisa contra a pele quente. Apesar da constante cobrança, o campo era o único lugar onde tudo parecia fazer sentido. As jogadas, os gritos, os passes milimétricos. Era ali que ele se sentia no controle, onde pertencia.
No entanto, ultimamente, nem aquilo parecia suficiente para silenciar o eco das palavras que carregava no bolso desde o fatídico dia no vestiário.

“5th down. A contagem começou. Ninguém está seguro.”

tentou ignorar o arrepio que percorreu sua nuca. Continuava a repetir que só podia ser uma piada. Um trote idiota. O tipo de brincadeira que alguém achava engraçado fazer na semana mais importante da temporada, ou até mesmo uma armadilha de seu time rival para desestabilizá-lo. Afinal de contas, se ele não estivesse focado cem por cento nos jogos, o restante da equipe ficaria desestabilizada. Todas as armações de jogo eram baseadas em sua atuação em campo e necessitavam dele para sua execução.
Não importava quantas vezes tentava enterrar as lembranças daquelas palavras. Mesmo assim, o bilhete continuava lá, enfiado em seu bolso, dobrado, úmido de suor, queimando como chumbo contra a coxa.
Por que ele carregava aquilo para cima e para baixo?
Não sabia dizer.
Talvez medo de tornar tudo real. Afinal, enquanto ninguém mais soubesse, tudo não poderia passar de viagem da sua cabeça.
— Boa, ! — Beau gritou do outro lado do campo, o despertando de seus pensamentos, e ajeitou o capacete debaixo do braço. O sorriso dele era fácil, o mesmo desde os tempos em que entraram juntos no time. — Se continuar assim, a gente ganha de lavada.
forçou um sorriso e tentou ignorar o quanto de repente o bilhete parecia pinicar sua pele. — Se o técnico não me matar antes — brincou, desmontrando que ainda recuperava o fôlego.
Beau riu e bateu nas costas dele.
— Você é a estrela do time. Ninguém vai querer te matar até o fim da temporada. Agora anda logo. O pessoal tá indo pros vestiários. Vamos antes que fechem o chuveiro quente.
assentiu, mas demorou a sair do campo. Se Beau soubesse a ironia das palavras que havia dito.
Enquanto seu amigo e os outros se afastavam, ele olhou em volta e constatou que apenas Marcus Taylor ainda estava ali. O reserva da defesa, sempre o último a sair. Estava sentado na endzone, o capacete largado ao lado, os cotovelos apoiados nos joelhos enquanto ele parecia se perder em pensamentos.
— Ei, Marcus! — chamou, preocupado. — Tá tudo certo?
Marcus levantou o olhar, um meio sorriso cansado.
— Só pensando.
— No jogo?
— No técnico, no jogo, na vida. — Ele soltou uma risada seca. — Tô achando que nasci pra ser reserva mesmo.
se aproximou, negando com a cabeça, e deu um leve tapinha em seu ombro. — É claro que não nasceu. Você é bom. Só precisa parar de duvidar de si mesmo.
Marcus assentiu, mas não respondeu. O silêncio se alongou entre os dois. O vento arrastava folhas e papéis pelo campo vazio, e, por um instante, sentiu o peso daquele lugar em silêncio total.
Sentia que algo estava errado, mas ele não sabia dizer o quê.
— Amanhã é outro dia, Marcus. Vai descansar.
— É. Amanhã é outro dia. — Marcus desviou o olhar por cima do ombro, como se algo o distraísse. Depois forçou um sorriso cansado.
o deixou ali e seguiu com Beau.
— E aí? O garoto vai aguentar? — Beau perguntou, chutando uma garrafa vazia no caminho.
— Vai, sim. — respondeu, mesmo sem acreditar totalmente. — Só tá nervoso.
Eles riram de alguma piada aleatória, e, por um instante, tudo pareceu normal outra vez, o barulho de chuteiras contra o asfalto, o cheiro de desinfetante vindo dos vestiários, o som distante do técnico gritando com alguém no corredor.
O tipo de caos que chamava de rotina.
Mas, quando olhou por cima do ombro, Marcus ainda estava lá, imóvel, o corpo recortado contra o horizonte alaranjado.
A imagem ficou gravada na cabeça de muito tempo depois de ele ter ido embora.

🏈


O campo estava deserto quando o relógio passou das dez da noite.
As luzes altas tremeluziam e lançavam reflexos brancos e frios sobre a grama recém-cortada. Sombras se esticavam e contorciam entre as traves e os cones de treino, projetando formas grotescas no gramado molhado pelo orvalho da noite.
Um vento frio arrastava as folhas secas e fazia o zumbido das lâmpadas parecer um sussurro constante, quase humano. Ao longe, o som ritmado dos trens que cortavam a linha dava àquele espaço abandonado um peso ainda mais surreal.
Era incrível como aquele campo durante a noite parecia o cenário perfeito para um filme de terror.
Barney, o segurança noturno, avançava devagar enquanto fazia sua ronda habitual. A lanterna balançava em suas mãos e lançava círculos de luz que mal penetravam a névoa baixa que se agarrava ao chão. Cada passo rangia nas grades metálicas da arquibancada, e o som proveniente de seus fones de ouvido tocando um rock dos anos 80 parecia quase explodir no silêncio absoluto do estádio. Ele movia a cabeça no ritmo da música e tentava não mergulhar na onda de tédio que expedientes como aquele carregavam. Mas havia algo diferente naquela noite e Barney não sabia explicar. Uma sensação de que o ar estava mais denso, carregado de uma certa expectativa, como se o próprio campo estivesse esperando por algo.
Talvez fosse apenas o cansaço batendo à porta. Ele não havia dormido o suficiente durante o dia e lá estava o resultado.
No entanto, quando a luz da lanterna cortou a névoa na endzone, Barney viu uma silhueta imóvel. À primeira vista, parecia apenas alguém deitado, talvez um jogador que dormira ali depois de uma festa, ou treino pesado. Era estranho porque nos três meses em que trabalhava ali ainda não havia acontecido, mas sempre havia uma primeira vez, não é mesmo? O segurança hesitou, o peito apertado de uma forma inexplicável, então pausou a música e, seu celular e chamou:
— Ei! Tá ouvindo? O campo já fechou!
Nenhuma resposta. Apenas o vento assobiando pelo estádio vazio e o zumbido baixo das lâmpadas.
Ele respirou fundo, engoliu em seco e deu passos mais firmes. Não estava louco, havia mesmo alguém ali.
Cada um de seus passos de repente parecia ecoar exageradamente no espaço vazio. Seus batimentos aceleraram e as mãos suaram frio.
Ele só estava tentando juntar dinheiro para dar uma vida melhor à sua família, tudo o que menos queria era ser atacado por algum maluco, ou perder o emprego por conta de um jogador inconsequente.
Quando a luz da lanterna finalmente iluminou o suposto rosto, no entanto, o ar desapareceu completamente de seus pulmões.
O corpo estava virado de costas, o pescoço dobrado num ângulo impossível. O capacete estava cravado até quase cobrir o queixo, como se alguém tivesse usado força brutal para encaixá-lo. O uniforme estava manchado de sangue e tinta vermelha, o cheiro metálico veio como uma onda e misturava ao suor e à grama úmida, queimando as narinas do segurança.
No chão, escrita em spray vermelho, havia a palavra “SAFETY”.
Ao lado dela, uma fita preta formava o número 5 de um jeito grotesco e perfeito em contraste com a grama.
O coração de Barney disparou. Ele tropeçou para trás, a lanterna girou em sua mão e derramou feixes de luz tremidos sobre o corpo.
— Santo Deus… — Sua voz falhou e se tornou um fio de terror puro. As mãos tremiam tanto que ele mal conseguiu segurar o rádio. — Temos um corpo aqui… no campo… ele tá…
O resto se perdeu em um chiado estridente do aparelho, que agora parecia insistir em gritar sobre o silêncio mortal do estádio.
A névoa se enrolava ao redor da endzone como uma cortina, e o corpo permanecia lá, imóvel, cruelmente perfeito, como se tivesse sido colocado em cena para que todos vissem. O vento trouxe mais uma vez o odor de sangue, suor e tinta, e, por um instante, Barney jurou ouvir um riso distante, abafado, vindo de algum lugar entre as arquibancadas.

🏈


As sirenes cortavam o campo com flashes de azul e vermelho, tingindo a grama de cores grotescas. A fita policial isolava a cena de crime e o vento a fazia estalar no ar.
O local já estava cercado por policiais, peritos, paramédicos e curiosos.
Barney havia sido amparado pelos policiais e prestava depoimento sentado na parte de trás de uma ambulância. Um cobertor havia sido colocado sob seus ombros, e sua expressão era a de choque. Nunca sequer havia visto um cadáver, quem dirá descobrir uma cena grotesca como aquela.
Não a esqueceria nunca, tinha certeza.
Parte da equipe de peritos fazia o exame perinecroscópico do cadáver, enquanto a outra analisava o local do crime e os auxiliares do legista se preparavam para a remoção do corpo. A palavra “SAFETY”, pintada com spray vermelho, ardia como uma marca de fogo no chão, o número 5 desenhado com fita preta logo ao lado traziam um peso assustador àquela cena.
não conseguia tirar os olhos dali desde que havia chegado.
Um de seus colegas de time tinha enviado uma mensagem no grupo deles do whatsapp e dizia ter visto uma movimentação com carros de polícia no estádio ao passar pelo local, e a curiosidade de o venceu.
Em questão de minutos, ele e Beau encaravam tudo sem conseguir acreditar que aquilo havia acontecido.
O estômago de se revirava. O barulho das vozes, dos rádios, das câmeras, tudo parecia distante, abafado, como se o mundo tivesse mergulhado embaixo d’água.
“5th down. A contagem começou. Ninguém está seguro.”
A lembrança daquele bilhete o golpeava como uma faca, perfurava seu cérebro e se repetia num eco macabro.
Marcus Taylor havia sido o primeiro.
A imagem dele sentado com aquele olhar desolado, sem esperanças de que um dia sairia do banco do reserva voltou aos seus pensamentos.
Não era justo. Marcus era tão jovem, tinha uma carreira inteira pela frente, e não havia mentido quando disse que ele era bom, só lhe faltava mais confiança.
Achava que o veria melhor no dia seguinte, não prestes a ser ensacado e levado ao IML.
Beau segurou no ombro de , mas ele não conseguiu reagir. O sentimento de revolta misturado ao medo crescente o deixava distante e o sufocava.
fixou o olhar na endzone, onde as luzes piscavam freneticamente. Um frio percorreu sua espinha.
De repente, ele jurava que, mesmo com toda aquela movimentação, conseguia sentir algo observando. Algo quieto, à espreita, apenas esperando seu próximo movimento.
— Vamos embora, — Beau murmurou. — Eles não vão deixar a gente ficar aqui.
Ele assentiu devagar, mas seu corpo se recusava a obedecer. Apenas quando um policial o questionou se tudo estava bem foi que ele se afastou, depois de apenas concordar mecanicamente.
Caminhou como um fantasma até o estacionamento e recusou quando o amigo se ofereceu para acompanhá-lo até sua casa. Queria poder compartilhar o que sentia com alguém, porém, ao mesmo tempo, algo lhe dizia que não era seguro.
Beau tentou insistir, porém acabou cedendo e se afastou para ir até onde sua moto estava estacionada. O campo atrás de parecia morto. A grama de repente não era mais tão verde.
Ele respirou bem fundo antes de abrir o carro e se sentou no banco do motorista. Suas mãos trêmulas se posicionaram no volante e permaneceram ali, enquanto ele encarava o vazio.
O bilhete antigo ainda estava no bolso, amassado, úmido, carregando o peso de cada uma daquelas palavras.
Puxou-o com cuidado e leu de novo, sob a luz amarelada do painel.
“5th down.”
Agora fazia sentido.
O número 5 no chão. Marcus Taylor na endzone.
finalmente entendeu o que o assassino quis dizer desde o começo.
Não se tratava de uma brincadeira, muito menos uma artimanha do time rival.
Era a porra de uma contagem regressiva.
respirou fundo e tentou não entrar em pânico.
No entanto, quando olhou para o banco do passageiro através do espelho retrovisor, o ar sumiu dos pulmões.
Havia outro papel lá.
Dobrado com perfeição, repousava sobre o banco como se tivesse sido deixado há poucos segundos. Ele olhou em volta de imediato, o estacionamento vazio, a respiração acelerada, o corpo em estado de alerta.
Com a mão trêmula, estendeu os dedos e pegou o bilhete.
Não queria abri-lo. Temia o que encontraria, e talvez se não o fizesse, aquele pesadelo deixaria de ser real.
No entanto, sabia que não adiantava, então respirou fundo para reunir cada gota de coragem que tinha e, por fim, desdobrou o papel.
A caligrafia era a mesma. Letras fortes, firmes, pretas.
Mas, dessa vez, a mensagem era diferente.

“5th down.
A defesa falhou.”


O coração de disparou. Um nó trancou sua garganta.
O papel caiu de sua mão, e ele ficou ali, imóvel, sentindo o pavor crescer como um som grave dentro de sua cabeça.
A contagem havia começado. E agora, ele fazia parte dela.


Continua...


Nota da autora: Eu já disse que amo escrever slasher? Juro, fico empolgada demais.
Espero que estejam gostando. Comentem pra eu saber!
Happy Halloween!
Ste a.k.a. Saturno. ♥

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