Prologue
O corredor dos vestiários estava quase vazio naquele início de fim de tarde, apenas o som distante de alguns jogadores e treinadores se despedindo ecoava pelos azulejos frios, o calor gostoso produzido pelo sol sendo substituído pela temperatura gelada devido às paredes mais grossas do prédio.
passou pelo grupo da sala de aquecimento com um sorriso cansado. Com a proximidade do Super Bowl, os treinos eram cada vez mais frequentes e exigiam dele cada gota de dedicação e esforço. Como quarterback, a pressão era ainda maior, porém ele não se importava, vencer era seu objetivo.
Ao avistar Beau, seu melhor amigo desde o momento em que entrou para o time, acenou e sorriu de leve. Ele já vestia o casaco e se preparava para ir embora, visto que os treinos por aquele dia haviam sido encerrados.
— Te vejo amanhã, cara. Vê se descansa. Vai dar tudo certo. — Beau sorriu de volta, com aquele jeito tranquilo de quem quer aliviar a tensão. Não precisava de muito para perceber que, mesmo cansado, continuaria até muito mais tarde no campo e se esgotaria até acertar suas jogadas com perfeição.
Cansou de flagrar o amigo e o obrigar a voltar para casa. Parecia que o quarterback vivia ligado no duzentos e vinte, porém isso não era bom. Ninguém queria a estrela do time tendo um ataque do mais absoluto nada no meio do campo.
— Valeu, Beau. Tô precisando mesmo desacelerar um pouco. — respirou fundo, sabia que ele tinha razão. — Até amanhã.
— Vai logo para casa. Não quero ter que voltar aqui só para te arrastar de novo.
soltou uma risada fraca.
— Não, mano. Relaxa. Eu tô quebrado demais hoje.
Beau estreitou os olhos, mas, por fim, assentiu. Eles se despediram com um toque de ombros, e seguiu sozinho em direção ao seu armário no vestiário.
Por mais exaustiva que fosse, aquela rotina parecia quase reconfortante: o cheiro familiar do couro das chuteiras, o som das travas de metal das portas se abrindo e fechando. Ele pertencia àquele lugar e isso era inegável.
No entanto, quando abriu seu armário, algo ali não estava certo, e o quarterback sentiu aquilo no exato momento em que o abriu.
Poucos segundos de observação foram necessários para que identificasse o que havia de errado.
Entre suas roupas e equipamentos, havia um pedaço de papel dobrado, preso com fita adesiva na parede interna. O jovem franziu a testa e estendeu a mão hesitante, porém acabou por puxar o bilhete com cuidado.
Um frio subiu por sua espinha, porém ele o ignorou, desdobrou o papel e leu.
As palavras pareceram ecoar na solidão daquele espaço.
“5th down. A contagem começou. Ninguém está seguro.”
piscou e negou com a cabeça. Só podia ser alguma brincadeira de mau gosto, talvez uma provocação de um rival, ou até um trote interno do time.
Encheria Trey de porrada, porque tinha cara de ser coisa dele. Quem mais escreveria aquele tipo de mensagem clichê de filme de terror slasher?
No entanto, por mais que tentasse, não conseguia rir daquilo. Algo no tom daquela mensagem, tão direta e carregada, fazia seu peito apertar. olhou em volta, como se buscasse ali alguém escondido e pronto para rir de sua cara, porém, quando isso não aconteceu, ele engoliu em seco, guardou o bilhete no bolso e fechou o armário devagar, então saiu do vestiário o mais rápido que pôde.
De repente, era como se o corredor parecesse mais longo do que o normal, e as luzes, menos acolhedoras.
Aquela lâmpada perto do bebedouro já estava piscando antes?
Com o coração ainda mais aflito, praticamente correu até a saída, e quando entrou em seu carro, parou com as mãos no volante e respirou fundo, numa tentativa de se acalmar.
A tensão não ia embora. pegou o bilhete mais uma vez e o releu.
Ele sabia que aquela contagem tinha começado, e talvez tudo não passasse de algo besta. Respirou fundo e ligou o carro.
Era isso. Precisava deixar aquilo de lado. Uma contagem idiota não podia deixá-lo abalado daquela forma.
O que não sabia, era o quanto cinco downs poderiam lhe custar.
passou pelo grupo da sala de aquecimento com um sorriso cansado. Com a proximidade do Super Bowl, os treinos eram cada vez mais frequentes e exigiam dele cada gota de dedicação e esforço. Como quarterback, a pressão era ainda maior, porém ele não se importava, vencer era seu objetivo.
Ao avistar Beau, seu melhor amigo desde o momento em que entrou para o time, acenou e sorriu de leve. Ele já vestia o casaco e se preparava para ir embora, visto que os treinos por aquele dia haviam sido encerrados.
— Te vejo amanhã, cara. Vê se descansa. Vai dar tudo certo. — Beau sorriu de volta, com aquele jeito tranquilo de quem quer aliviar a tensão. Não precisava de muito para perceber que, mesmo cansado, continuaria até muito mais tarde no campo e se esgotaria até acertar suas jogadas com perfeição.
Cansou de flagrar o amigo e o obrigar a voltar para casa. Parecia que o quarterback vivia ligado no duzentos e vinte, porém isso não era bom. Ninguém queria a estrela do time tendo um ataque do mais absoluto nada no meio do campo.
— Valeu, Beau. Tô precisando mesmo desacelerar um pouco. — respirou fundo, sabia que ele tinha razão. — Até amanhã.
— Vai logo para casa. Não quero ter que voltar aqui só para te arrastar de novo.
soltou uma risada fraca.
— Não, mano. Relaxa. Eu tô quebrado demais hoje.
Beau estreitou os olhos, mas, por fim, assentiu. Eles se despediram com um toque de ombros, e seguiu sozinho em direção ao seu armário no vestiário.
Por mais exaustiva que fosse, aquela rotina parecia quase reconfortante: o cheiro familiar do couro das chuteiras, o som das travas de metal das portas se abrindo e fechando. Ele pertencia àquele lugar e isso era inegável.
No entanto, quando abriu seu armário, algo ali não estava certo, e o quarterback sentiu aquilo no exato momento em que o abriu.
Poucos segundos de observação foram necessários para que identificasse o que havia de errado.
Entre suas roupas e equipamentos, havia um pedaço de papel dobrado, preso com fita adesiva na parede interna. O jovem franziu a testa e estendeu a mão hesitante, porém acabou por puxar o bilhete com cuidado.
Um frio subiu por sua espinha, porém ele o ignorou, desdobrou o papel e leu.
As palavras pareceram ecoar na solidão daquele espaço.
“5th down. A contagem começou. Ninguém está seguro.”
piscou e negou com a cabeça. Só podia ser alguma brincadeira de mau gosto, talvez uma provocação de um rival, ou até um trote interno do time.
Encheria Trey de porrada, porque tinha cara de ser coisa dele. Quem mais escreveria aquele tipo de mensagem clichê de filme de terror slasher?
No entanto, por mais que tentasse, não conseguia rir daquilo. Algo no tom daquela mensagem, tão direta e carregada, fazia seu peito apertar. olhou em volta, como se buscasse ali alguém escondido e pronto para rir de sua cara, porém, quando isso não aconteceu, ele engoliu em seco, guardou o bilhete no bolso e fechou o armário devagar, então saiu do vestiário o mais rápido que pôde.
De repente, era como se o corredor parecesse mais longo do que o normal, e as luzes, menos acolhedoras.
Aquela lâmpada perto do bebedouro já estava piscando antes?
Com o coração ainda mais aflito, praticamente correu até a saída, e quando entrou em seu carro, parou com as mãos no volante e respirou fundo, numa tentativa de se acalmar.
A tensão não ia embora. pegou o bilhete mais uma vez e o releu.
Ele sabia que aquela contagem tinha começado, e talvez tudo não passasse de algo besta. Respirou fundo e ligou o carro.
Era isso. Precisava deixar aquilo de lado. Uma contagem idiota não podia deixá-lo abalado daquela forma.
O que não sabia, era o quanto cinco downs poderiam lhe custar.