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Codificada por Lua ☾
Última atualização: 01/06/2026

Daisy


A música fazia o chão inteiro da fraternidade vibrar. Não era apenas a música, mas as conversas e risadas que ecoavam pela casa. Haviam algumas luzes vermelhas atravessavam a fumaça artificial espalhada pela sala, muitas pessoas dançando juntas — um pouco apertadas graças ao espaço —, além de garrafas abertas em todas as superfícies possíveis, conjuntamente aos copos coloridos e garrafas de cerveja barata.
Era exatamente o tipo de caos que costumava amar. Não apenas pelo o que aquilo representava, mas pela liberdade que exalava. Fazia seis meses desde a última vez que havia estado ali. Seis meses desde Briar, do adeus à Olivia e da rotina das duas como melhores amigas. Seis meses desde o "término" desagradável com Dean Di Laurentis. Seis meses desde o adoecimento de seu pai, e consequentemente, desde a fatídica briga com sua mãe. E a única coisa que ela desejava, era que ele tivesse deixado toda aquela história para trás. Todo aquele drama.
não estava desacostumada a receber olhares, mas sabia que algumas pessoas haviam a reconhecido. Não era apenas o vestido dourado contrastando com a pele branca levemente bronzeada e os cabelos ruivos; era realmente um cochicho e burburinho costumeiro de quando algo poderia escalonar para uma fofoca. Mas não se fez necessário, em vista de que alguém esbarrou nela. Quando ela levantou o olhar para encarar, as palavras faltaram no loiro a sua frente:
— Foi mal, eu—
A voz morreu quase que imediatamente. Dean Di Laurentis congelou no meio da sala, encarando-a com uma expressão indecifrável. O copo de cerveja permaneceu na mão direito, mas ele pareceu apertá-lo. Os olhos claros ficaram arregalados, presos nela como se estivesse vendo uma assombração. E talvez estivesse mesmo. Porque tinha desaparecido sem olhar para trás no semestre anterior, depois de desistir do amor de verão que tivera com o loiro. E era notável o quanto aquilo o havia ferido.
Não era sobre o término. Dean não era um homem de namorar, de qualquer forma; mas era inegável que seu ego fora ferido por ela, uma pessoa que já conhecia e confiava há tantos anos. E talvez esse fosse o grande pilar dos problemas que ambos enfrentaram no relacionamento: eram muito parecidos. Incapazes de aprofundar-se sentimentalmente na vida um do outro, sem que houvesse manipulação ou vulnerabilidade envolvido. Mesmo que se conhecessem há muito tempo, não se permitiram aprofundar e mostrar suas vulnerabilidades.
?! — Dean finalmente soltou, incrédulo.
Ao redor deles, algumas conversas começaram a cessar discretamente. Porque, querendo ou não, as pessoas perceberam a tensão formando-se no ar. Até mesmo Beau, que estava ao lado do amigo, deu um passo para deixá-lo de frente à garota. Ele era o único que sabia absolutamente sobre tudo, afinal.
, por sua vez, abriu um sorriso pequeno e controlado. Não queria perder a classe em seu retorno, ou deixar explícito para todos sobre a tensão quase que palpável com o loiro. Aquela era uma história privada somente à eles.
— Oi, Dean.
Só isso. Mas foi o suficiente pra ele parecer perder completamente a linha de raciocínio. E então ela sentiu o olhar de forma intensa, quase que queimando sobre sua pele. Mas nenhuma outra palavra saiu dos lábios do loiro, que apenas saiu dali em completo silêncio.
Não foi o que ela esperava, mas não fora tão ruim quanto havia fantasiado. Sabia que acabaria deparando-se com ele em algum momento, principalmente tratando-se de uma festa. Só não imaginou que Dean realmente falaria com ela após... tudo.
— Ah, meu Deus. A vadia voltou!
Uma voz feminina e estridente se fez presente. Olivia Palmer recebeu sua amiga com pulinhos, animada ao ver em sua frente após tanto tempo. Ela praticamente se jogou em cima de em um abraço forte e carinhoso, ao passo que a ruiva riu pela primeira vez desde que adentrou por aquela porta.
De verdade dessa vez.
— Você 'tá bêbada, Palmer?
A menina dá uma gargalhada gostosa, como se fosse óbvio, em um tom de voz divertido:
— Bastante! Mas emocionalmente lúcida para receber minha melhor amiga.
Olivia segurou o rosto dela dramaticamente, arregalando os olhos. Espalmou cada uma das mãos sobre as suas bochechas antes de prosseguir, de forma levemente dramática.
— Olha pra você, ! Cabelo maior. Fez tatuagem. Parece que você aprontou nessa viagem!
— Talvez. — deu de ombros com uma risadinha.
— Gostosa. Respeito!
Ambas riram e se encaminharam até a cozinha, indo em direção às garrafas de cerveja. amava Olívia com todo seu coração, mas tópicos familiares ainda eram delicados para serem discutidos abertamente. Então a situação de seu regresso a casa fora classificado como um intercâmbio para estágio, e não para cuidar de seu pai adoentado e da sua família desfuncional.
Falar sobre George, seu pai, nunca fora difícil, mas sua mãe, Camila, era um tópico delicado. Aqueles semestre não fora um período nada fácil, mas foi muito importante para ela estar ao lado do pai naquele momento.
tomou um longo gole da cerveja amarga antes de prestar atenção nas perguntas incessantes da amiga, pois queria afastar-se dos devaneios:
— Você voltou pra ficar? Você sumiu, eu fiquei tão preocupada, não me respondeu... Você vai me contar tudo sobre o estágio, né? Sabe que estou curiosa...
O barulho da festa continuava ao redor delas. passou o dedo indicador ao redor do bocal da garrafa, sorrindo de forma involuntária:
— Sim e sim. Mas calma, Liv. Uma coisa de cada vez.
Olivia praticamente explodiu em felicidade, animada em ter sua melhor amiga de volta. Ela não parou de tagarelar, fazendo uma espécie de recap dos últimos meses para a amiga, incluindo fofocas, boatos e novidades. E apesar de tudo isso, ainda se sentia a mesma de antes.
Só não sabia que tudo estava prestes a mudar.




Continua...


Nota da autora: Sem nota.


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