0%
Topo ↑
Longfic

The Justice and Me

por

Tamanho da fonte

Prólogo


Quando um desejo é muito forte e sentido por muitas pessoas, ele pode ser atendido. A humanidade necessitava de justiça, para todos os lados que se olhava, coisas horríveis aconteciam, e por isso, quando desejaram que houvesse justiça, seu pedido foi atendido. Uma divindade criada para os humanos, a partir de seus próprios desejos, para punir os pecadores e defender os fracos. Salazar vive na terra há mais de 1000 anos, deus da justiça, a própria justiça, o significado de justiça, o justiceiro.
Enquanto transita pela terra, ele garante que haja justiça para todos, sua existência é a própria garantia disso. Mas a sede de justiça pelas próprias mãos afeta até mesmo os deuses, dizem que Salazar foi corrompido pelo ódio e se esqueceu de ser justo, se tornando apenas um vingador, um punidor. As lendas dizem que ele transita pela terra como um ser humano qualquer, mudando de nome e de cidade com o tempo, para nunca ser descoberto.
Seu ódio pelo que a humanidade se tornou transformou seu modo de enxergar justiça e, assim, ele não escuta mais os pedidos de justiça que chegam até ele, apenas o ódio da vingança, deixando que a justiça ocorra naturalmente apenas pela sua existência na terra.

— ? — Amélia sussurrava, a fim de despertar a amiga do que estava lendo.
— Hum? — A garota resmungou.
— O que está fazendo? A biblioteca já vai fechar. — Quando olhou para a janela, se deu conta que passara o dia inteiro lendo e já havia anoitecido.
— Esse maldito trabalho de justiça, origem da justiça e mitologias está me estressando demais, você acredita que haja um deus da justiça andando pela terra? — Indagou.
— Eu não, mas tem pessoas que acreditam, existem várias lendas, , não quer dizer que sejam reais. — tranquilizou a amiga. — O seu está muito mais divertido que o meu trabalho de direito constitucional, aliás, você podia me emprestar o seu e ser uma boa amiga. — sorriu, preferia mil vezes o trabalho de direito constitucional, que já estava pronto, do que essa loucura de mitos.
— Não copia, só se inspire, e antes de entregar me deixa ler pra ter certeza de que não vai estar igual — respondeu enquanto juntava seus livros.
— Não vou copiar, quero ver a estrutura do trabalho para me embasar — falou Amélia, enquanto seguia .
— Aqui, Srta. Parker, esse de mitologia eu vou levar, mas esses aqui eu já li. — entregou os livros à bibliotecária, que preencheu uma ficha e entregou para que a garota assinasse.
— Então, para onde vai? — ainda estava seguindo enquanto caminhava para a saída da faculdade.
— Para casa, pretendo terminar isso hoje — respondeu, tirando um pen drive da bolsa e entregando à amiga.
— Você ainda tem tempo para o fim do prazo, e não entendo por que entrou nisso se não gosta. — Amélia deu de ombros.
— Preciso das horas, era o menos bizarro que tinha disponível para agora, e os professores me mandaram fugir do padrão, era isso ou aquela palestra ridícula que o 9º período organizou semanalmente ensinando a como abrir o próprio escritório, sendo que todos herdaram de alguém.
— “Porque todos têm a mesma quantidade de horas no dia, basta querer” — disseram em coro.
— Bom, então te vejo segunda. — acenou enquanto corria para o seu carro, sorriu e continuou seu caminho a pé, descendo a estrada para sua casa.

A rua estava estranhamente deserta para uma sexta à noite, não que isso a incomodasse, mas era incomum. Assim que dobrou a esquina da rua de sua casa, sentiu algo encostando em suas costas.
— Cala a boca e dê meia volta. — Quando se deu conta de que aquilo era uma arma, ela só obedeceu.
— Olha, eu não tenho dinheiro, mas pode levar meu celular — disse, com a voz trêmula.
— Você acha mesmo que eu te observo todas as noites por causa de um celular? — A resposta do homem causou um frio na espinha de . — Você não tem dinheiro, mas aposto que o papai pagaria um preço alto para tê-la de volta. — Ele a puxou pelo braço e a jogou dentro de uma van, onde um outro homem amarrou suas mãos e colou uma fita em sua boca.
Havia uma onda de sequestros com filhos de ricos, mas isso acontecia apenas em bairros nobres, não via o pai desde os cinco anos, nem usava o mesmo sobrenome, jamais imaginaria que isso aconteceria com ela.
A situação era desesperadora, ela só sabia chorar, já que não podia gritar, o medo tomou conta de todo o seu corpo que não parava de tremer, ela sabia que provavelmente o pai nem se lembraria que tinha uma filha e ela ficaria lá a vida toda esperando pelo dinheiro do resgate, aquilo era injusto demais, ela passou a vida inteira sem receber qualquer coisa boa vindo do pai e agora era sequestrada por ser filha dele?
Quando pensou nisso, o medo e o desespero se transformaram em raiva, a raiva que ela havia sentido por todos os 20 anos em que esteve longe do pai, a raiva que ela sentia toda vez que ligava o noticiário e criminosos achavam que eram os donos do mundo e podiam fazer o que quiser sem serem punidos. Naquele momento ela desejou que aquelas lendas que ela estava estudando fossem reais, que existisse mesmo um deus da justiça muito zangado andando pela terra e punindo quem merecia ser punido, ela desejou que ela mesma pudesse fazer isso, ela faria seu pai pagar por tudo que fez e tudo que deixou de fazer por ela, faria aqueles criminosos pagarem pelo medo e desespero que ela estava sentindo enquanto eles riam, ela explodiria aquela van se pudesse sair viva, porque ela merecia viver, mas eles não, simplesmente por se acharem no direito de decidir o que fazer com a vida das outras pessoas.

De repente a van freia bruscamente, um clarão invade o lugar e ela só fechou os olhos.
— Por favor, tenha misericórdia! — Foi a última coisa que ela escutou antes dos gritos e do silêncio ensurdecedor. Ela permaneceu de olhos fechados, escutou as portas se abrirem e sentiu alguém desamarrando suas mãos, só abriu os olhos quando a fita foi removida da sua boca.
— Eu também odeio quando eles pensam que são Deus. — O homem que estava parado à sua frente usava uma roupa preta, seus olhos e cabelos eram igualmente pretos e pareciam enxergar sua alma. — Não tenha medo, eu vim porque te escutei e senti sua raiva, e agora falta o papai, mas isso você dá conta? — Ele deu uma piscadela e saiu da van, estendendo a mão para que ela saísse.
— O que você está falando? — perguntou, extremamente confusa, aceitando a ajuda daquele estranho.
— Todos os seres humanos são inferiores e medíocres, mas eu não os odeio, apenas os que se acham importantes demais. Dizem que parei de escutar, mas ainda escuto os corações com raiva quando outros decidem se vão tirar sua vida ou não, e eu escutei o seu — ele falava todas essas loucuras calmamente, como se fosse algo comum.
— Você escutou meu coração? Quem é você? — acreditava que estava falando muito mais alto do que estava, mas ela estava praticamente tossindo as palavras que saíam da sua boca.
— Você desejou que eu fosse real e não sabe quem sou? — O homem parecia estar zombando dela. — Eu sou a Justiça.
— Sa-salazar?
— Chame como quiser, não se lembrará de mim. — O homem tocou em sua cabeça e fechou os olhos.
— O que aconteceu? — Perguntou .
— Está tudo bem, alguém cuidou deles e eu te ajudei a sair da van, porque estava amarrada. — Ela estava mais confusa ainda. — Você quer companhia para casa?
— Eu… eu não conheço você, estou perto da faculdade, vou voltar para lá. — só queria que aquilo acabasse.
— Tudo bem, se cuida. — Ele acenou se afastando.
— Espera! — Ela o puxou pelo braço. — Como devo chamá-lo?
— Hã… . — O homem sorriu amarelo e continuou andando, até que desapareceu quando piscou.

Na faculdade, ela ligou para sua mãe e para a polícia, explicando o que havia acontecido. Foram à delegacia e depois sua mãe a levou para casa.
— Tome um banho e descanse, foi um longo dia — sua mãe disse antes de sair do quarto. não acreditava no que havia acontecido, ela havia sido salva pelo deus da justiça após sentir raiva de seu pai e dos bandidos. E o que ele quis dizer com ela dava conta do pai? Aquilo tudo havia sido uma loucura, mas ela estava viva, então ela fechou os olhos e agradeceu a Deus por ter atendido o pedido de justiça e ter criado o deus da justiça.

estava feliz por ter feito alguns lixos pagarem pelos seus crimes, a polícia jamais seria capaz de puni-los do jeito que ele iria punir, mas por hoje bastava tudo que havia sido feito.
— Onde estava? — perguntou , assim que abriu a porta.
— Trabalhando. — respondeu, tentando ignorar a existência do ceifador.
— Nós recebemos uma carta, você deixou uma ponta solta. — se levantou do sofá e entregou o papel dourado na mão de .
— Não deixei pontas soltas, peguei todos os criminosos e enviei para a sala dos pecadores e apaguei a memória da garota. — Ele abriu o papel e leu o que estava escrito.
— Então, por que recebeu a carta dourada? — estava mais curioso do que preocupado, sabia que era minucioso.
— A garota se lembra de mim… — murmurou.
— Você não apagou a memória dela? — estava chocado.
— Eu tenho certeza de que sim, mas aqui diz para identificar o motivo dela se lembrar e resolver, mas acima de tudo protegê-la…
— Porque se ela morrer, você tem que dar sua vida para ela. Duro demais ser um deus. — zombou dele.
— E você também não pode matar humanos ou deixá-los morrer se não for a hora deles. — retrucou .
— O que vai fazer? — perguntou o ceifador, se jogando no sofá.
— Eu tenho que localizá-la, mas fui até ela porque ela pediu por mim. — O deus suspirou, isso significava que ele só poderia encontrá-la caso ela chamasse novamente.
— Você tá brincando? Ela chamou por Salazar? — estava mais chocado ainda, há séculos as pessoas não o chamavam por ele.
— Ela desejou que eu fosse real e fizesse todos eles pagarem. — O próprio não podia acreditar, mas estava satisfeito por ter sido lembrado por um humano.
— Em pleno século 21, um humano desejou que você fosse real? Inacreditável, estamos regredindo? — estava sorridente, enquanto o ceifador estava incrédulo. — E então, o que vai fazer? — perguntou.
— Encontrá-la.

Capítulo 1


Um dia após aquele acontecimento, ainda se perguntava se o que havia vivido era real. Decidiu que sairia para tentar espairecer e não ficar pensando sempre naquilo, ela se incomodava mais com o fato de ter acontecido por culpa do seu pai, do que por ter supostamente conhecido o Deus da Justiça. Após sair de casa, resolveu caminhar em um parque próximo dali, observava as paisagens e as crianças brincando, de certa forma aquele era um lugar confortável de se estar. Até que esbarrou em alguém, distraída.
— Desculpe. — Disse, o homem sequer estava olhando para ela, até aquele momento.
— O que disse? — Ele parecia surpreso.
— Eu pedi desculpa por ter esbarrado no senhor. — Respondeu.
— Você consegue me ver?! — O homem alto, usando um terno preto e com uma espécie de pergaminho em mãos, parecia incrédulo.
— E por que não veria? — estava confusa pela reação do homem.
— Como você se chama? — Ele abriu o pergaminho para ler.
— Por que eu te diria meu nome? Eu não te conheço, me dá licença. — Ela saiu andando irritada, o homem percebeu que não havia nenhuma mulher que tivesse idade próxima à dela naquela lista, ele tinha certeza de que estava invisível, ela não poderia vê-lo e muito menos esbarrar nele. Imediatamente ele foi para casa, precisava notificar o acontecido. Enviou uma mensagem para que todos se reunissem e assim foi feito.
— Por que tanta urgência, Stefan? — estava sentado no sofá da sala, enquanto todos os ceifadores estavam de pé. — Espero que seja importante, senão…
— , uma humana me viu enquanto eu estava invisível. — Todos presentes naquela sala demonstraram espanto, mas não como , que pulou do sofá.
— Como ela era? — Perguntou.
— Jovem, mais ou menos dessa altura…— Descreveu, subindo a mão até seu peito. — Eu não reparei muito na aparência, fui verificar o nome no pergaminho e ela saiu andando.
— Como uma humana o enxergou estando invisível? — Jace, outro ceifador, perguntou.
— Onde você a encontrou? — Perguntou , ignorando a pergunta de Jace.
— Em um parque… — Stefan abriu seu pergaminho. — Empire, ao lado do condomínio Antares.
— Por que você está interessado em saber onde ela está? Temos que saber o motivo dela tê-lo visto enquanto estava invisível! — Jeremy bufou.
— Ele tem um motivo, Jeremy. — Disse , que parecia estar adorando aquilo tudo.
— Só vamos descobrir como isso aconteceu, quando a encontrarmos. Quero todos vocês procurando por ela nas proximidades do parque e do condomínio. — Ordenou ele.
— Não somos seus empregados, . — Reclamou Jeremy, fazendo rolar os olhos.
— Os ceifadores têm missões, diferente de você que fica o dia todo em casa e só sai pra bater em alguém. — Disse . — Sinto muito, mas vai ter que cuidar disso sozinho, amigo. — Completou, dando duas batidinhas no ombro do homem, que bufou. — Faça um relatório e encaminhe para a chefia, Stefan, enquanto isso vai procurar pela garota, já que se for quem ele está pensando que é, é responsabilidade dele. Depois de enviar o relatório, aguardaremos ordens. Por enquanto, voltem ao trabalho. — Ordenou e os demais ceifadores concordaram.
— Você tira a minha autoridade, não se esqueça que eu sou um deus. — Disse em tom ameaçador.
— Você é um deus, não o Deus, e se você quiser voltar a ter autoridade, volte a agir como um. Somos amigos, quase irmãos, sempre estarei ao seu lado, mas no trabalho temos regras e alguém tem que dar as ordens. — Respondeu . — Não fique zangado comigo, na volta de trago donuts. — Completou, acenando enquanto saía pela porta. respirou fundo, tinha que encontrar a garota.

— É sério, , a minha vida está uma loucura. — escutou a amiga rir do outro lado da linha. — Você ainda ri?
— Um esquisitão esbarra em você no parque e você diz que sua vida está uma loucura, mas ontem após ter sido sequestrada você disse que estava tudo em ordem. — não conseguia evitar o riso.
— Acho que isso foi o mais normal da semana, sei lá, eu tô vendo umas coisas estranhas… — notou uma mulher encarando as crianças que estavam no brinquedo. — Agora eu tô vendo uma esquisitona encarando criancinhas.
— Acho que você deveria se mudar, isso sim, todos perto da sua casa estão sendo esquisitos. — Sugeriu
— E para onde eu iria? Agora mesmo, depois do que aconteceu, que a minha mãe não para de pegar no meu pé. Eu só vim aqui sozinha porque é do lado do trabalho dela. — suspirou, mas ainda prestando atenção na mulher.
— E como vai ser para ir pra faculdade? — Perguntou .
— Ela vai me levar e me buscar, como se ela fosse superforte para evitar que sequestradores armados sequestrassem nós duas. — As duas riram, notou que a mulher se aproximou de uma das crianças e puxou a pulseira do braço da menina. — Ei! — Gritou. — Devolve a pulseira dela! — Ela se levantou e foi até a mulher, que olhou para ela como se fosse devorá-la. Todos presentes a encaravam.
— Está falando comigo? — A mulher perguntou.
— Sim, estou! Eu vi você puxando a pulseira da mão da criança. — Respondeu, com raiva.
— Por que uma criança de 8 anos iria querer uma pulseira de diamantes que é única no mundo inteiro? Provavelmente ela iria perder em alguns segundos. — Respondeu a mulher, rindo.
— Você está bem? — Perguntou a monitora dos brinquedos.
— Aquela mulher pegou a pulseira da menina. — Disse, apontando para onde a mulher estava.
— , não tem ninguém ali. — A monitora parecia assustada, ao contrário da mulher, que parecia com raiva.
— Exatamente, não tem ninguém aqui, ninguém consegue me ver, por que você está vendo? — Indagou, enquanto se aproximava da garota. — Eu não gosto de ser vista por pedaços de lixos como você, principalmente sem saber o motivo. — A mulher se aproximou o bastante para colocar a mão no pescoço de , que sentiu que iria sufocar, e ela nem parecia estar fazendo força. Quando a mulher apertou seu pescoço, acreditou que iria morrer, lembrou do deus que salvou sua vida no dia anterior e pediu sua ajuda, porque ela não queria morrer assim. Mas ela se lembrou que ele não escutava mais pedidos de ajuda, então seria inútil, porém era sua única chance.
— Sa…la…zar — Murmurou, fazendo a mulher inclinar a cabeça.
— Salazar? Ele não está ouvindo, querida! E todos vão acreditar que você teve um ataque cardíaco, não é incrível? Infelizmente, você teve azar de conseguir me enxergar enquanto eu apenas me divertia um pouco. — A mulher riu. De repente o tempo parou, todas as pessoas pararam de se mexer, menos as duas.
— Penelope. — Uma voz grave invadiu os ouvidos das duas mulheres, e elas conheciam aquela voz. — Solte a garota.
— E por que eu faria isso, Salazar? — Retrucou.
— Porque estou mandando. — Sua voz soava firme.
— Por que a protege? Ela só precisou chamar uma vez e você veio, o que aconteceu com o poderoso Deus da Justiça? — A mulher zombava dele.
— Que bom que se lembra que sou o poderoso Deus da Justiça.
— E você deveria se lembrar que sou a Deusa do Desejo. — Retrucou.
— Não mais, agora você é apenas a Ganância, o que não diminui sua força, mas não se autodenomine deusa. — Ele se aproximou das duas. — Solte a garota e te deixo ir. — Penelope não tinha a intenção de brigar com outro deus naquele dia, fora atrás da pulseira por puro capricho, nem poderia dizer que foi por ganância. Ser vista não estava em seus planos, nem encontrar-se com Salazar. Ela apertou o pescoço de com mais força por alguns segundos e a colocou no chão.
— Fique fora do meu caminho, garota. — Disse, antes de desaparecer. tossia e se aproximou dela para ajudá-la, fazendo o tempo voltar ao normal.
— Você está bem? — Perguntou, ajudando-a a caminhar até o banco e sentar-se.
— Você veio porque chamei? — Indagou.
— Na verdade, eu estava procurando por você. Pode me dizer o que aconteceu? — Perguntou, enquanto sentava ao lado dela.
— Eu estava aqui, sentada, falando com minha amiga pelo celular, quando aquela mulher apareceu e tomou a pulseira da menina, eu tinha que fazer algo a respeito, mas ela parecia não esperar que alguém a visse. — Explicou.
— Ela realmente não esperava, sequer esperava por mim, Penelope não pode ser vista quando está invisível, apenas por outros seres sobrenaturais, assim como o ceifador que você esbarrou mais cedo. — se lembrou do homem que parecia chocado por ter sido visto por ela.
— Agora entendi por que ele ficou tão surpreso, ele era um ceifador? — Perguntou, assentiu.
— Por algum motivo você consegue vê-los, mesmo estando invisíveis, e eu não consegui apagar a sua memória.
— Sim, eu me lembro exatamente de tudo. Mas até te encontrar, eu nunca tinha visto nada estranho como pessoas invisíveis.
— O mais estranho é que Penelope não pode ser vista nem por mim, se eu passasse por esse parque e ela estivesse aqui, passaria despercebido. Ela foi banida há séculos, e há séculos procuramos por ela, sequer consegui vê-la em sua forma original.
— Ela também é uma deusa? — Perguntou , perdida naquela situação.
— Não mais. — Suspirou . — De qualquer forma, você tem que vir comigo. Não que eu me importe com você, mas você estará em perigo se encontrar com Penelope de novo e recebi ordens para encontrá-la e apagar a sua memória, e até descobrir como fazer isso, você vem comigo. — Ele a puxou pelo braço.
— Eu não vou para lugar… — Antes que ela pudesse terminar, eles teleportaram do parque para uma casa. — Nenhum… — Murmurou .
— Você não tem escolha. — Respondeu ele, soltando sua mão.
— Que lugar é esse? — Perguntou , sendo ignorada por que deitou no sofá.
— Em breve alguém vai aparecer para resolver. — Disse, pegando um livro que estava na mesa de centro. esperava que um deus fosse bem diferente de como ele era, por mais que quisesse gritar com ele para levá-la de volta, ela decidiu esperar, queria evitar que cenas como a de hoje se repetissem. Enquanto esperava, andava pela casa e observava as pinturas, cada uma com um nome de país embaixo.
— São de algum pintor famoso? — Perguntou. ergueu o olhar para ver do que ela estava falando.
— São meus, todos os países que já morei. — Respondeu.
— Sério? Uau! — Ela observou que havia datas, imaginou que fosse o período em que ele esteve no lugar. — Você ficou bastante tempo na Itália, gostava de lá?
— Uhum, sinto falta da música. — Murmurou.
— Ah, verdade! Despacito é ótima! — Brincou , se levantou e a encarou.
— Essa música sequer é italiana, eu deveria imaginar que uma humana seria ignorante ao ponto de confundir um Porto Riquenho com um Italiano. — Resmungou.
— Calma, , ela só está curtindo com a sua cara. — Disse , entrando na casa.
— Parece que deuses não têm senso de humor. — Murmurou ela.
— Não se preocupe, ele é ranzinza assim há séculos. — Brincou . — E você é?
— . — Respondeu ela.
— Muito prazer, ! Me chamo , sou um ceifador como o que você esbarrou hoje mais cedo, moramos aqui porque todos os ceifadores devem morar em um templo de um deus. — Explicou, enquanto mostrava a casa. — Mas como ainda não criou seu próprio templo, vamos onde ele vai. — Sorriu.
— E por que eu estou aqui? — Perguntou ela.
— Eu adoraria saber, sendo bem sincero, nunca aconteceu isso desde que eu estou nessa profissão, e eu nem me lembro quando foi que comecei.
— Há 2056 anos. — Disse .
— Você sabe quando me tornei ceifador? — sorriu.
— Sim, há 2056 anos deixei de ter paz na minha vida. — Resmungou ele, fazendo rolar os olhos e rir fraco.
— Bom, de qualquer forma, você deve ficar aqui até recebermos ordens do que fazer. — estendeu o braço para que se sentasse no sofá.
— Ordens? De quem? Achei que ele dava as ordens. — Disse ela, enquanto se sentava.
— Ordens de cima. — Respondeu .
— De Deus? — estava chocada.
— Pode se dizer que sim, nós o chamamos de Todo Poderoso, porque fica um pouco confuso com os outros deuses, mas Ele é o nosso chefe e… — o interrompeu.
— Falando em outros deuses, quando a encontrei, Penelope estava segurando-a pelo pescoço, se eu demorasse um pouco mais ela estaria morta. — Disse.
— O que? Você encontrou Penelope? — assentiu.
— Ela encontrou, na verdade.
— E a deixou escapar?
— O que eu poderia ter feito? Tinha que salvar a vida da humana aí. — deu de ombros.
— Salvou a vida dela? — suspirou.
— Uhum, pela segunda vez, na terceira pode pedir música. — Brincou ela.
— Não haverá terceira. — Resmungou ele. — Não sou anjo da guarda, da próxima nem pense em me chamar, não irei escutar. — riu, quando de repente a campainha tocou.
— Está esperando alguém? — Perguntou o ceifador, negou com a cabeça. caminhou até a porta para abrir, assim que abriu, uma mulher desesperada entrou na casa.
— Cadê ela? — Perguntou, aflita.
— Ela quem? — Perguntou , sendo empurrado pela garota.
— ! — correu até a amiga.
— ! O que você está fazendo aqui? — Perguntou , sendo abraçada pela amiga.
— Eu rastreei seu celular pelo iCloud, você gritou com alguém e sumiu da ligação, de repente estava no parque e depois aqui, eu vim atrás, vai que você tivesse sido sequestrada de novo. — Suspirou.
— E o mais prudente para você, foi vir até aqui e não chamar a polícia? — Perguntou , arqueando a sobrancelha.
— Eu mandei o endereço para minha irmã e disse que se eu não desse notícias era para ela mandar a polícia, mas primeiro eu tinha que conferir. — Explicou-se, pegando o celular para enviar uma mensagem para a irmã. — Enfim, você tá bem? — Perguntou, assentiu. — Quem são esses homens bonitos? — Sussurrou.
— Ah, eu sou e esse é o , somos amigos da . — Respondeu , estendendo a mão para ela.
— Desde quando? — Perguntou, apertando a mão do ceifador.
— Desde hoje, eles estão me ajudando com um trabalho, pode ficar tranquila! — Disse , puxando a amiga e levando-a até a porta.
— Por que está me expulsando? — arqueou uma sobrancelha.
— Depois conversamos, agora você precisa ir. — sussurrou, assentiu.
— Tchau, ! — Disse , acenando, a garota acenou de volta, antes de fechar a porta na sua cara. — Desculpe por isso, ela se preocupa bastante. — Explicou , suspirando. — Não se preocupe, achei uma graça! — sorriu. — Ah, ela não vai mais se lembrar desse endereço quando chegar a uma certa distância. — Completou, dando uma piscadela. — Ugh, como um ceifador parece tanto um raio de sol? Você me enoja. — Resmungou . — Ignore-o. — Disse , fazendo rir. Stefan entrou na sala depressa e entregou uma carta nas mãos de . — Ei! É a garota! — Exclamou, quando se deu conta de que estava ali, e ela acenou para ele. — Temos resposta? — Perguntou , apenas negou com a cabeça enquanto lia a carta. — O que é, então? — Se você calar a boca e me deixar ler, eu já te respondo. — Resmungou , a presença de ali deixava Stefan nervoso, e já estava de saco cheio da situação, a sua simpatia já havia se esgotado e a paciência também, só queria resolver isso logo para mandar a humana de volta ao lugar dela. — E então, ? — estava impaciente. — A situação é a seguinte: nunca existiu uma humana que pudesse localizar uma deusa banida, coisa que nem nós podemos fazer, e não existe nenhuma humana que possa ver ceifadores invisíveis e não ter a memória apagada como ela. — Explicou . — Disso já sabemos. — rolou os olhos, estava ansiosa e começou a roer as unhas. — Não existe um meio de apagar as memórias dela, e as ordens são de protegê-la a todo custo, aqui diz que existe um plano maior para ela e que ela deve morar conosco, sob sua proteção. — cerrou os olhos esperando as reações. — O QUE?! — saltou do sofá e correu até . — Nem pensar, eu não vou morar em uma casa com deuses e ceifadores, eu não vou! — Ela cruzou os braços. — Eu não vou proteger uma humana, eu os odeio. — Disse , se aproximando de , que apenas estendeu a mão para que ele lesse a carta. — Sem chances. — Completou, soltando a carta no ar. — São ordens, . — engrossou a voz e não reconhecia o “raio de sol” que estava falando com ela há poucos minutos. — Mas existe o livre-arbítrio e ela escolheu não ficar. — Disse ele, concordou com a cabeça. — Não podemos deixá-la decidir isso, , sinto muito! — suspirou. — Daremos uma semana para se organizar e iremos te buscar. — Mas eu tenho uma vida! — Ela reclamou. — Não vai deixar de viver sua vida, mas precisa ser protegida, não somos os únicos interessados em descobrir o porquê de você conseguir todas essas coisas, sinto muito, você não tem escolha.

— xx —


Do outro lado da cidade, Penelope reunia todos os seus capangas, humanos e ceifadores. — Chefe, qual é o motivo da reunião? — Perguntou um dos homens. — Uma humana me viu enquanto estava invisível e revelou minha localização para Salazar. — Disse, tirando os óculos de sol e os encarando com olhos amarelos. — Quero que descubram quem ela é e como ela conseguiu isso. — E como faremos isso, chefinha? Não saberíamos por onde começar! — O nome dela é , comecem por aí, como vão descobrir não me importa, mas essas são as suas ordens! ANDEM! — Gritou, os homens se curvaram e saíram do local. — Se for preciso, vou destruir essa garota.
Continua…
Nota da autora
Oieee, essa é primeira fic aqui no site, espero muito que gostem <3 (01/07)
Se você encontrou algum erro de codificação, entre em contato por aqui.