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Longfic

The Justice and Me

por

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Prólogo


Quando um desejo é muito forte e sentido por muitas pessoas, ele pode ser atendido. A humanidade necessitava de justiça, para todos os lados que se olhava, coisas horríveis aconteciam, e por isso, quando desejaram que houvesse justiça, seu pedido foi atendido. Uma divindade criada para os humanos, a partir de seus próprios desejos, para punir os pecadores e defender os fracos. Salazar vive na terra há mais de 1000 anos, deus da justiça, a própria justiça, o significado de justiça, o justiceiro.
Enquanto transita pela terra, ele garante que haja justiça para todos, sua existência é a própria garantia disso. Mas a sede de justiça pelas próprias mãos afeta até mesmo os deuses, dizem que Salazar foi corrompido pelo ódio e se esqueceu de ser justo, se tornando apenas um vingador, um punidor. As lendas dizem que ele transita pela terra como um ser humano qualquer, mudando de nome e de cidade com o tempo, para nunca ser descoberto.
Seu ódio pelo que a humanidade se tornou transformou seu modo de enxergar justiça e, assim, ele não escuta mais os pedidos de justiça que chegam até ele, apenas o ódio da vingança, deixando que a justiça ocorra naturalmente apenas pela sua existência na terra.

? — Amélia sussurrava, a fim de despertar a amiga do que estava lendo.
— Hum? — A garota resmungou.
— O que está fazendo? A biblioteca já vai fechar. — Quando olhou para a janela, se deu conta que passara o dia inteiro lendo e já havia anoitecido.
— Esse maldito trabalho de justiça, origem da justiça e mitologias está me estressando demais, você acredita que haja um deus da justiça andando pela terra? — Indagou.
— Eu não, mas tem pessoas que acreditam, existem várias lendas, , não quer dizer que sejam reais. — tranquilizou a amiga. — O seu está muito mais divertido que o meu trabalho de direito constitucional, aliás, você podia me emprestar o seu e ser uma boa amiga. — sorriu, preferia mil vezes o trabalho de direito constitucional, que já estava pronto, do que essa loucura de mitos.
— Não copia, só se inspire, e antes de entregar me deixa ler pra ter certeza de que não vai estar igual — respondeu enquanto juntava seus livros.
— Não vou copiar, quero ver a estrutura do trabalho para me embasar — falou Amélia, enquanto seguia .
— Aqui, Srta. Parker, esse de mitologia eu vou levar, mas esses aqui eu já li. — entregou os livros à bibliotecária, que preencheu uma ficha e entregou para que a garota assinasse.
— Então, para onde vai? — ainda estava seguindo enquanto caminhava para a saída da faculdade.
— Para casa, pretendo terminar isso hoje — respondeu, tirando um pen drive da bolsa e entregando à amiga.
— Você ainda tem tempo para o fim do prazo, e não entendo por que entrou nisso se não gosta. — Amélia deu de ombros.
— Preciso das horas, era o menos bizarro que tinha disponível para agora, e os professores me mandaram fugir do padrão, era isso ou aquela palestra ridícula que o 9º período organizou semanalmente ensinando a como abrir o próprio escritório, sendo que todos herdaram de alguém.
— “Porque todos têm a mesma quantidade de horas no dia, basta querer” — disseram em coro.
— Bom, então te vejo segunda. — acenou enquanto corria para o seu carro, sorriu e continuou seu caminho a pé, descendo a estrada para sua casa.

A rua estava estranhamente deserta para uma sexta à noite, não que isso a incomodasse, mas era incomum. Assim que dobrou a esquina da rua de sua casa, sentiu algo encostando em suas costas.
— Cala a boca e dê meia volta. — Quando se deu conta de que aquilo era uma arma, ela só obedeceu.
— Olha, eu não tenho dinheiro, mas pode levar meu celular — disse, com a voz trêmula.
— Você acha mesmo que eu te observo todas as noites por causa de um celular? — A resposta do homem causou um frio na espinha de . — Você não tem dinheiro, mas aposto que o papai pagaria um preço alto para tê-la de volta. — Ele a puxou pelo braço e a jogou dentro de uma van, onde um outro homem amarrou suas mãos e colou uma fita em sua boca.
Havia uma onda de sequestros com filhos de ricos, mas isso acontecia apenas em bairros nobres, não via o pai desde os cinco anos, nem usava o mesmo sobrenome, jamais imaginaria que isso aconteceria com ela.
A situação era desesperadora, ela só sabia chorar, já que não podia gritar, o medo tomou conta de todo o seu corpo que não parava de tremer, ela sabia que provavelmente o pai nem se lembraria que tinha uma filha e ela ficaria lá a vida toda esperando pelo dinheiro do resgate, aquilo era injusto demais, ela passou a vida inteira sem receber qualquer coisa boa vindo do pai e agora era sequestrada por ser filha dele?
Quando pensou nisso, o medo e o desespero se transformaram em raiva, a raiva que ela havia sentido por todos os 20 anos em que esteve longe do pai, a raiva que ela sentia toda vez que ligava o noticiário e criminosos achavam que eram os donos do mundo e podiam fazer o que quiser sem serem punidos. Naquele momento ela desejou que aquelas lendas que ela estava estudando fossem reais, que existisse mesmo um deus da justiça muito zangado andando pela terra e punindo quem merecia ser punido, ela desejou que ela mesma pudesse fazer isso, ela faria seu pai pagar por tudo que fez e tudo que deixou de fazer por ela, faria aqueles criminosos pagarem pelo medo e desespero que ela estava sentindo enquanto eles riam, ela explodiria aquela van se pudesse sair viva, porque ela merecia viver, mas eles não, simplesmente por se acharem no direito de decidir o que fazer com a vida das outras pessoas.

De repente a van freia bruscamente, um clarão invade o lugar e ela só fechou os olhos.
— Por favor, tenha misericórdia! — Foi a última coisa que ela escutou antes dos gritos e do silêncio ensurdecedor. Ela permaneceu de olhos fechados, escutou as portas se abrirem e sentiu alguém desamarrando suas mãos, só abriu os olhos quando a fita foi removida da sua boca.
— Eu também odeio quando eles pensam que são Deus. — O homem que estava parado à sua frente usava uma roupa preta, seus olhos e cabelos eram igualmente pretos e pareciam enxergar sua alma. — Não tenha medo, eu vim porque te escutei e senti sua raiva, e agora falta o papai, mas isso você dá conta? — Ele deu uma piscadela e saiu da van, estendendo a mão para que ela saísse.
— O que você está falando? — perguntou, extremamente confusa, aceitando a ajuda daquele estranho.
— Todos os seres humanos são inferiores e medíocres, mas eu não os odeio, apenas os que se acham importantes demais. Dizem que parei de escutar, mas ainda escuto os corações com raiva quando outros decidem se vão tirar sua vida ou não, e eu escutei o seu — ele falava todas essas loucuras calmamente, como se fosse algo comum.
— Você escutou meu coração? Quem é você? — acreditava que estava falando muito mais alto do que estava, mas ela estava praticamente tossindo as palavras que saíam da sua boca.
— Você desejou que eu fosse real e não sabe quem sou? — O homem parecia estar zombando dela. — Eu sou a Justiça.
— Sa-salazar?
— Chame como quiser, não se lembrará de mim. — O homem tocou em sua cabeça e fechou os olhos.
— O que aconteceu? — Perguntou .
— Está tudo bem, alguém cuidou deles e eu te ajudei a sair da van, porque estava amarrada. — Ela estava mais confusa ainda. — Você quer companhia para casa?
— Eu… eu não conheço você, estou perto da faculdade, vou voltar para lá. — só queria que aquilo acabasse.
— Tudo bem, se cuida. — Ele acenou se afastando.
— Espera! — Ela o puxou pelo braço. — Como devo chamá-lo?
— Hã… . — O homem sorriu amarelo e continuou andando, até que desapareceu quando piscou.

Na faculdade, ela ligou para sua mãe e para a polícia, explicando o que havia acontecido. Foram à delegacia e depois sua mãe a levou para casa.
— Tome um banho e descanse, foi um longo dia — sua mãe disse antes de sair do quarto. não acreditava no que havia acontecido, ela havia sido salva pelo deus da justiça após sentir raiva de seu pai e dos bandidos. E o que ele quis dizer com ela dava conta do pai? Aquilo tudo havia sido uma loucura, mas ela estava viva, então ela fechou os olhos e agradeceu a Deus por ter atendido o pedido de justiça e ter criado o deus da justiça.

estava feliz por ter feito alguns lixos pagarem pelos seus crimes, a polícia jamais seria capaz de puni-los do jeito que ele iria punir, mas por hoje bastava tudo que havia sido feito.
— Onde estava? — perguntou , assim que abriu a porta.
— Trabalhando. — respondeu, tentando ignorar a existência do ceifador.
— Nós recebemos uma carta, você deixou uma ponta solta. — se levantou do sofá e entregou o papel dourado na mão de .
— Não deixei pontas soltas, peguei todos os criminosos e enviei para a sala dos pecadores e apaguei a memória da garota. — Ele abriu o papel e leu o que estava escrito.
— Então, por que recebeu a carta dourada? — estava mais curioso do que preocupado, sabia que era minucioso.
— A garota se lembra de mim… — murmurou.
— Você não apagou a memória dela? — estava chocado.
— Eu tenho certeza de que sim, mas aqui diz para identificar o motivo dela se lembrar e resolver, mas acima de tudo protegê-la…
— Porque se ela morrer, você tem que dar sua vida para ela. Duro demais ser um deus. — zombou dele.
— E você também não pode matar humanos ou deixá-los morrer se não for a hora deles. — retrucou .
— O que vai fazer? — perguntou o ceifador, se jogando no sofá.
— Eu tenho que localizá-la, mas fui até ela porque ela pediu por mim. — O deus suspirou, isso significava que ele só poderia encontrá-la caso ela chamasse novamente.
— Você tá brincando? Ela chamou por Salazar? — estava mais chocado ainda, há séculos as pessoas não o chamavam por ele.
— Ela desejou que eu fosse real e fizesse todos eles pagarem. — O próprio não podia acreditar, mas estava satisfeito por ter sido lembrado por um humano.
— Em pleno século 21, um humano desejou que você fosse real? Inacreditável, estamos regredindo? — estava sorridente, enquanto o ceifador estava incrédulo. — E então, o que vai fazer? — perguntou.
— Encontrá-la.

Continua…
Nota da autora
Oieee, essa é primeira fic aqui no site, espero muito que gostem <3 (01/07)
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