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Longfic

True Love's Kiss

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Parte I

— Onde é que você estava?! — perguntou Yuha da ponta da sua cama. Completamente vestida, maquiada e com sua bela cauda de raposa à mostra, minha amiga cruzou os braços e fez um bico ao me ver entrar em casa.
— A última aula atrasou, Yuha. Foi mal, de verdade — tentei me justificar enquanto pendurava a bolsa em um dos ganchos atrás da porta. — Fora que já tem muita gente lá fora.
Yuha não ia ficar nada feliz se nos atrasássemos por minha causa para as celebrações da noite. Podia até ter começado como uma tradição emprestada dos não-mágicos, mas o Halloween era coisa séria na Universidade das Artes Mágicas de Seul. Ou seja: era sinônimo de festas para todos os lados, organizadas pelos mais diferentes tipos de seres mágicos, muita bebida e, minha parte favorita, os doces.
Muitos doces.
Podia até ter gente que achava que doces ou travessuras era sem graça, até coisa de criança, mas era outro assunto com o qual o pessoal daqui não brincava. Era uma das principais atividades da noite e, quanto mais cedo a gente começasse, melhores as chances de, quem sabe, esbarrar em alguém especial antes do amanhecer.
— Eu sei, né! Seu professor poderia ter feito como todos os outros e liberado vocês mais cedo, . — Yuha se levantou e apoiou as mãos nos meus ombros, pronta para me empurrar até o banheiro com toda sua força de gumiho. — Anda, corre!
— Ei, calma aí! Eu ainda tenho que-
— Nada disso, marcamos de encontrar o pessoal já já — retrucou ela antes de bater a porta na minha cara. — Você tem 30 minutos!

🎃

Com um “empurrãozinho” da minha querida amiga, consegui me arrumar a tempo de chegarmos elegantemente atrasadas na Sociedade das Bruxas, a primeira parada da noite.
Yuha me cutucou, indicando um grupo grande, de seis meninos e outras três meninas, que já aguardava perto da fachada decorada com abóboras e caldeirões. Assim que nos reconheceu, um deles apontou para o próprio relógio e nos chamou com os dedos. Tentei me acomodar rapidamente, cumprimentando o pessoal.
Logo recebi uma olhada de cima abaixo e uma pergunta afiada:
— Fugindo do circo, ?
Meu sangue começou a ferver. Nunca tive problemas com grupos grandes. Eu realmente acreditava que havia força nos números — afinal, bruxas viviam em grupos — e ainda mais durante uma festa.
Esse grupo, no entanto, tinha um problema.
Um problema muito específico que atendia pelo nome de .
— Achei que você precisava de um pouco de graça nessa sua vida tão ranzinza — respondi sem perder tempo, virando o rosto para cravar meus olhos nos dele.
Considerando minha fantasia de mestre do picadeiro, essa era esperada. Eu já era craque nesse joguinho, tão familiar para mim quanto um feitiço para esconder um diário adolescente.
era parte da minha rotina desde que me entendia nessa faculdade. Lembro do dia, logo no início das aulas, que um dos meninos o trouxe para conhecer a mim, Yuha e o resto dos calouros daquele ano. Já que era um bruxo assim como eu, ele achava que íamos ter muito em comum.
Spoiler: não tínhamos. Ele simplesmente travou e decidiu me ignorar pelo resto da noite.
Com o tempo, descobri que ele estava na maioria das minhas aulas de feitiços — e fazia questão de me perturbar em todas elas. Se eu levantava a mão, ele logo erguia a dele para discordar de qualquer coisa que eu dissesse. Eu me preparava para cada aula para poder rebater cada um dos seus argumentos. Estávamos numa briga acirrada desde o início do ano pelo título de melhor bruxo do nosso ano e eu não pretendia desistir tão cedo.
— Quem ri por último ri melhor, . Principalmente quando eu conseguir o prêmio no fim do semestre.
Aquele atrevido! Contei até dez mentalmente, tentando não perder a razão.
— Com essa sua nota de poções, eu duvido muito — disparei.
— Como se a sua tivesse sido lá grande coisa. Suas notas de magia elemental também não ajudam muito, né, ou me enganei?
Eu estava prestes a rebater, quando um dos outros meninos interrompeu.
— Já terminaram?
Abri o maior sorriso que consegui. não ia estragar uma das minhas poucas noites de folga no ano.
— Por hoje — decretei, finalmente desviando os olhos.
— Eu juro, não consigo entender. — Ouvi Yuha comentar com uma das meninas ao nosso lado. — Em algum momento, esse jogo de cão e gato tem que ir para algum lugar.
— Tem sim — ela respondeu. — Para a cama. É muita tensão para duas pessoas.
— Vocês têm certeza mesmo que eles nunca ficaram? — um dos garotos perguntou.
— Ei! – protestei de cara feia. — De que lado vocês estão?
O coro de “de nenhum lado!” não se estendeu muito e, para o meu alívio, o grupinho se dispersou em conversas paralelas conforme a fila avançava. Provavelmente, tentando impedir que eu e esganássemos um ao outro logo cedo.
— Doces ou travessuras! — gritamos todos juntos quando chegamos na entrada da Sociedade.
Uma das garotas, que reconheci de alguma das eletivas de poções, riu e gesticulou para um grande bowl, que veio flutuando até nós. Meus olhos brilharam ao ver a profusão de embalagens coloridas através do vidro.
— Um pouco de açúcar para trazer mais... alegria para a noite, certo? — ela comentou.
Não hesitei quando o pote parou na minha frente — fui logo metendo a mão, tentando juntar o máximo de doces que conseguia com os dedos. Será que pareceria ansiosa demais se abrisse um deles logo ali? Doces bruxos eram os melhores.
— Essa aí sabe das coisas — ouvi outro veterano comentar. — Um bom doce faz mágica.

🎃

Desci as escadarias da Toca das Raposas, sorrindo com minha bolsinha ainda mais cheia. Yuha e as outras meninas tinham entrado para falar com alguns de seus colegas de classe, o que poderia demorar, então prometeram me encontrar logo depois.
Procurei um banco mais à frente na rua e sentei sem pressa, pronta para descansar os pés. Respirei fundo, fechando os olhos. Já era aquele momento da noite, então. O grupo começava a se dividir, esbarrando em um ou outro conhecido pelo caminho.
Ainda faltavam alguns outros pontos que participavam doces ou travessuras, sem falar nas festas para aproveitar. Eu me pus a conferir meu saldo de açúcar da noite, procurando algo que pudesse me dar mais energia dentro da bolsa.
— Cansou rápido dessa vez, hein? — uma voz familiar me interrompeu.
Não era possível. Tudo que era bom realmente durava pouco.
— Você não tem mais ninguém para perturbar não, ?
— Ninguém tão divertido como você. — Ele sentou ao meu lado, cruzando os braços atrás da nuca. — Além do mais, perdi os garotos de vista. Anda, o que você tem aí nesse seu saco sem fundo?
Ele indicou minha bolsinha, pousada bem no espaço entre nós, com um gesto da cabeça.
— Não. De jeito nenhum — neguei, tentando puxar o acessório de volta para mim. — Você não é nem louco. Pegue você seus próprios doces.
— Ah, qual foi! — Ele se ajeitou, puxando o tecido com uma das mãos. — É só um—
— Já me basta essa perturbação toda durante a semana—
Nem consegui impedir: quando me dei conta, estava de pé e tinha me dado as costas. Alguns passos adiante, ele se virou para mim, erguendo um doce entre os dedos. Ele ainda fez questão de abrir a embalagem e colocar a porcaria na boca toda de uma vez. Depois de engolir, um sorriso vitorioso decorava seus lábios.
Filho de uma—
— Céus, tem como você ser mais infantil? — suspirei, balançando a cabeça. Por mais que eu odiasse admitir, era só um bombom. Não adiantava fazer drama, e a noite ainda seria longa.
Passei alça da bolsa pelo corpo e levantei, decidida a dar meia volta, continuar andando, a fazer qualquer coisa que me tirasse dali. Não vi nenhum dos rapazes na casa, então talvez tivessem se afastado da Toca das Raposas. Ou talvez as meninas já estivessem acabando. Com sorte, conseguiria reencontrar alguém mais adiante e evitar ficar sozinha com até o fim da noite.
— Como se você me desse folga. Eu preciso retribuir na mesma moeda — ele disse quando passei por ele, meus olhos fixos na multidão a frente. — Aliás, eu quase reprovei na última prova de Poções porque me distraí por sua causa!
— Até parece. O que eu tenho a ver com isso? — respondi, bufando. Onde estavam esses garotos quando a gente mais precisava deles? — Conta outra, vai.
— Mas é sério — ele continuou. — Seu caldeirão explodiu e eu fiquei debatendo se devia te ajudar a limpar antes do professor voltar. Mas aí a minha poção já tinha passado do ponto.
Minhas botas travaram no asfalto e me virei para trás.
— Como é que é?
— E eu já sou bem ruim na matéria, então— — cobriu a boca com os dedos, desviando o olhar. — Não era para eu ter dito isso. Ou isso! Ai, caramba!
Mas o que...
Não havia um universo em que me admitiria algo assim. As palavras fluíram sem pausa, quase como...
Quase como ele estivesse enfeitiçado.
Minha mente foi juntando pedaços da noite. A implicância. A parada na Sociedade das Bruxas. O doce que ele roubou da minha cesta.
, olha para mim.
Ele sacudiu a cabeça.
— Nem pensar.
Era lógico que ele iria dificultar a minha vida. Segurei seu rosto entre as duas mãos.
, olha para mim — mandei outra vez. — O que. Você. Comeu?
Ele piscou uma, duas vezes.
— E—era só um bombom! Um roxo, tipo... — Ele remexeu mais uma vez o interior da minha bolsinha. — Não é possível que só tinha um... desse, desse aqui! Foi um desse aqui.
Rasguei a embalagem metalizada com pressa. À primeira vista, era apenas um bombom de chocolate normal. A cor marrom, a textura cremosa que derretia em contato com a pele. Trouxe o doce para mais perto do rosto, inspirando fundo pelo nariz.
Bingo. Aí estava: mesmo mascarado pelo açúcar e o cacau, havia o resto de um cheiro muito familiar. Como o cheiro de terra molhada logo depois de uma tempestade, levemente elétrico.
O cheiro de um feitiço.
Meu coração acelerou. Eu precisava ter certeza e só poderia ajudar se soubesse exatamente no que ele tinha se metido. Respirei fundo, me concentrando, e mordi metade do doce.
— Ficou doida?!
Ignorei os protestos de , focando no sabor do chocolate. Já tinha provado muitos venenos e feitiços escondidos em comidas para saber que algo estava fora do comum.
Pesquei um lenço dentro da bolsa para cuspir o pedaço fora o mais rápido possível.
Essa não.

Parte II

Mais alguns segundo daquilo e, de tanto andar de um lado pro outro, abriria um portal na calçada. Entre as voltas, seus olhos me procuravam, pedindo uma resposta.
— Bem, a boa notícia é que você não foi envenenado. A má é que está enfeitiçado — informei, sem fazer mais rodeios, e me acomodei no banco outra vez. — Provavelmente é uma pegadinha ou algo do tipo.
— Provavelmente?!
Minha curiosidade abafava as preocupações dele. Que tipo de feitiço estava naquele doce? Quem tinha encantado o bombom? E por quê?
— O que exatamente você está sentindo? — As engrenagens no meu cérebro buscavam um ponto de partida para trabalhar.
— Parece que perdi meu filtro — ele definiu depois de alguns segundos, sentando-se ao meu lado. — Cada pensamento, cada desejo... é como se tudo só saísse da minha cabeça. Não consigo controlar. Até mesmo isso! Nunca na minha vida eu consegui analisar algo nessa rapidez.
Um doce com um feitiço da verdade, talvez?, analisei comigo mesma.
— Tem dor de cabeça? Alguma sensação estranha pelo corpo? — continuei.
fez que não com a cabeça. Menos mal, concluí. Se o único efeito do bombom era sair dando com a língua nos dentes, podia realmente ser um feitiço da verdade. Talvez ele causasse alguma confusão por aí por falar demais, mas nada em que se machucaria gravemente.
Parecia inofensivo o suficiente para uma noite. Não vou perder meu tempo com hoje, repeti comigo mesma.
— Se é só isso, acho que dá para esperar passar. — Limpei uma sujeira imaginária do short da fantasia e ajeitei a cartola na minha cabeça, prestes a me levantar. Enquanto isso, tentava convencer os mecanismos da minha mente a se acalmarem. — Agora vou procurar as—
segurou meu pulso.
— Você não pode me deixar aqui sozinho.
Mas pelos céus-
— Dá para segurar esse drama? — reclamei, puxando minha mão de volta. — Você não corre risco de vida e, se for uma pegadinha, não deve demorar—
— Não deve demorar?!
— É só um feitiçozinho de nada! — rebati.
— De nada?! Você não entende!
— Pelos deuses, , o que é que eu não entendo?! — gritei frustrada.
arregalou os olhos. Pelo canto do olho, reparei que atraíramos os olhares de uma pequena plateia do outro lado da rua. Cocei a garganta, abaixando o olhar, e suspirou.
— Não dá para deixar passar — sussurrou ele, chegando mais perto de mim no banco. — Porque isso... — apontou para si mesmo de cima a baixo. — Isso aqui não é real.
Esse cara devia ter bebido. Não tinha outra explicação.
— O que exatamente isso quer dizer, ? — Apertei a ponte do nariz, prestes a perder a paciência com tantos comentários vagos.
— É tudo fachada— explicou. — Coisa de família, sabe?
Ah.
Porque não bastava ser inteligente (e tremendamente irritante), ele tinha algo que minhas muitas horas de estudo e trabalho duro jamais poderiam comprar: influência.
Não era só sobre magia — era poder de verdade, que datava de gerações antes dele. Qualquer ser mágico já tinha ouvido falar da família . Era uma linhagem de bruxos tradicional, que existia desde que o mundo era mundo e mantinha sua influência até hoje. Nem o nosso departamento da universidade fugia das garras deles.
— Os mais fortes, os mais poderosos e tudo o mais, certo? — comentei.
Se tinha algo de que aquela família vivia, além de muita grana, provavelmente era de aparências. Algo que, pelo visto, nem mesmo podia se dar ao luxo de não seguir.
Senti meu coração apertar dentro do peito. Porcaria de história.
— Os próprios — ele confirmou com um riso sem graça. — Se alguma coisa rolar e eles ficarem sabendo... — sacudiu a cabeça. — Não quero nem pensar sobre isso.
Eu realmente tinha um fraco por histórias tristes — e mais ainda por um problema para solucionar. Ainda me perguntava qual era o feitiço naquele bendito chocolate.
Repeti mentalmente um dos lemas de Introdução à Magia, aula do primeiro período, como um mantra. Assim como uma poção possuía um antídoto, todo feitiço e encanto tinha uma maneira de ser revertido.
Suspirei, me dando por vencida.
— Bom, nesse caso, a notícia mais ou menos é que dá para resolver — declarei. — Mas precisa descobrir o que tem nesse chocolate primeiro.

🎃

— Então esse é seu covil secreto? — disparou assim que abri a porta.
Acendi as luzes do meu quarto, o último lugar em que gostaria de estar na noite de Halloween — ou de mostrar para meu principal concorrente. Ele só estava ali por conta da minha curiosidade e do meu coração mole. Se ele não queria correr muitos riscos, era ali o lugar mais seguro em que eu poderia trabalhar.
mapeou o espaço com os olhos, demorando-se no meu lado do cômodo. Na minha estante lotada, uma das prateleiras torta para um dos lados. Na minha escrivaninha bagunçada, os frascos e potes com ingredientes empilhados por todo o tampo. Ele e seus dedinhos curiosos estavam a um passo de puxar um ramo de ervas da pequena horta na janela.
— Engraçadinho — respondi, indo até a mesa para acender a luminária. — Só... não toque em nada, tá legal?
ergueu as mãos, rendido, e não esperou um convite: se deitou, bem à vontade, na minha cama. Senti os cantos da minha boca se retorcerem. Céus, que isso fosse rápido.
Tratei logo de reunir os potes com ramos secos de alecrim e artemísia para preparar uma poção reveladora. Busquei um caldeirão pequeno em um canto, um pilão em outra parte do quarto. Já tínhamos feito poções para confirmar a presença de venenos ou feitiços algumas vezes em sala, e o exercício repetido me ajudou a retomar um pouco da calma.
Não fossem os olhos ansiosos de que praticamente queimavam minha nuca, tirando boa parte da minha concentração.
— Então. — Limpei a garganta. Quem sabe a conversa desse a ele algo pra fazer que não fosse me encarar ou fuxicar enquanto eu amassava as plantas. — “Nada disso é real”... O que exatamente isso quer dizer?
— Você não perde tempo, hein? — rebateu , e dei de ombros.
— Sou uma pessoa curiosa — me limitei a responder, sem tirar os olhos do meu trabalho.
— Dá para perceber na sala de aula — respondeu ele com um suspiro. — Significa que eu tenho um papel a cumprir. Sou o futuro da família . — As palavras foram rápidas, é claro, mas cuidadosas. Como se tivessem sido ouvidas muitas vezes. — O herdeiro perfeito não pode exatamente sair causando confusão por aí.
— Mas não é para isso que serve esse poder todo? — questionei enquanto jogava tudo no caldeirão. — Fazer o que quiser e varrer as consequências para debaixo do tapete?
— É isso que você pensa sobre mim, ? — A voz de parecia muito mais perto de mim do que deveria estar, e me virei devagar para reclamar, mas as palavras me fugiram.
Não sabia dizer se tinha sido a pergunta ou a proximidade que me pegara de surpresa. Ele estava logo atrás de mim, e eu sentia sua respiração ainda quente roçar minha pele.
— Eu não-
Quer dizer, ele realmente tinha poder e grana, coisas que eu tinha ciência que me faltavam em muitos momentos naquela universidade. Mas, em alguma medida, eu sabia que ele se esforçava. Quantas vezes já ouvi algum dos nossos amigos em comum reclamar que simplesmente não apareceu em alguma saída por causa de algum trabalho ou prova? E, por mais que me doesse admitir, dava para ver nas aulas que era um cara inteligente. Ele não estaria competindo pelo prêmio no final do semestre se não conseguisse me acompanhar em boa parte das matérias.
Era isso que eu realmente pensava sobre ele?, repeti mentalmente. Felizmente, não insistiu na minha resposta.
— De qualquer forma, as histórias circulam rápido demais nessa universidade, . A bronca que eu ia levar não ia sumir — ele continuou. — Ou a punição que estivessem a fim de me dar no momento.
Assenti em silêncio. Só consegui reunir um fiapo de voz e dignidade momentos depois, apenas para pedir a que me passasse a garrafa de água perto da cabeceira. Tínhamos um feitiço para descobrir.
— Mas você não baixa a guarda nunca? — perguntei finalmente quando ele a entregou, e derrubei um pouco no caldeirão. — E seus amigos?
— Os caras me conhecem de antes da universidade, então não sei se perceberam quando algo mudou do lado de fora — explicou. — Acho que só estranharam quando fui para a especialização em feitiços.
se meteu no meio do processo, murmurando um Ignis, um feitiço de aquecimento, para o caldeirão. Agora que a infusão já estava em andamento, era uma questão de tempo até podermos usá-la para confirmar o feitiço que estava no bombom.
— E o que você queria fazer? De verdade? — continuei.
— Eu não sei ao certo — contou. — Eu sempre gostei de história da magia, então... Acho que isso.
— Então quer dizer que em alguma realidade paralela você não me perturba em magia elemental ou algo assim? — impliquei. Com o canto do olho, vi que a poção já tinha chegado no ponto.
— Algo assim. — Ele riu baixinho. — Sabe, essa é a primeira vez que você conversa comigo sem ameaçar me jogar uma varinha ou me transformar em um sapo.
— Não se acostuma — rebati.
Resgatei um dos pedaços que sobraram do maldito chocolate que me colocou nessa situação na minha bolsa. Se minhas suspeitas estivessem certas, a poção reagiria mudando de cor, indo do verde para o azul. Poderia reverter o feitiço da verdade com outro encantamento e seguir com o resto da minha noite.
Porém, nada aconteceu quando joguei o chocolate lá dentro.
— Estranho — murmurei. Talvez precisasse de mais material, então coloquei outro pedaço na infusão.
Nada outra vez.
— Então isso... — começou .
— Não é um feitiço da verdade comum.
Continua…
Nota da autora
Ei, você! Espero que tenha gostado dessa atualização. Vou amar ouvir o que achou de ver um pouco mais da e do !

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