Prólogo
Aquela deveria ser apenas mais uma noite pacata e tediosa na pequena Woodsboro. Era meio de semana e a maioria não se arriscava a sair de casa quando se tinha aulas aguardando cedo no dia seguinte, porém alguns se diziam corajosos o bastante para quebrar regras.
Casey Becker não fazia parte desse grupo. Ela jamais mancharia a imagem de boa moça que adorava estampar por onde passava. Seus pais tinham total confiança nela, até mesmo para deixá-la sozinha, sem sonharem que Steve, o namoradinho do time da escola, em breve chegaria para fodê-la no meio da sala de estar.
Mas é como dizem, os mais quietos são os piores e eu estava ali justamente para comprovar isso.
As sombras me ocultavam com maestria do lado de fora da casa. Era ridículo como a fraca iluminação das ruas contribuía para a perfeição de meus planos, sem mencionar, é claro, o fato de os Becker terem escolhido uma residência tão isolada e vulnerável.
Será que eles não assistiam filmes de terror?
Meu coração estava um tanto acelerado pela expectativa. Tudo precisava acontecer conforme o planejado, afinal, aquela era a primeira peça de um jogo. O jogo mais divertido de todos os tempos.
O toque da chamada pareceu infinito enquanto eu, reunindo toda a minha paciência, me mantinha aguardando. Sabia que Casey atenderia, a vadiazinha estava esperando Steven vir encontrá-la e uma ligação dele seria algo esperado por ela.
Abri um sorriso maldoso ao pensar sobre aquilo e ele se alargou quando, finalmente, a loirinha boazinha atendeu.
— Alô?
— Alô! Quem está falando? — Eu já tinha ensaiado aquele diálogo várias vezes em minha mente.
— Com quem você está tentando falar?
Ah, Casey. Tão previsível.
— Não sei.
— Bom, você ligou para o número errado. Acontece.
A ligação foi cortada e eu quase ri enquanto retornava a ligação.
Já esperava que a segunda tentativa fosse tão mal sucedida quanto a primeira, porém era tudo parte do jogo e eu não desistiria até chegar ao fim.
Na terceira chamada, Casey começou a revelar vadia que era. Mesmo enquanto preparava pipocas para comer em uma noite de filmes com o namoradinho, ela não hesitou em flertar com alguém completamente desconhecido.
— Qual é o seu filme de terror favorito?
— Ah, eu não sei.
— Vamos lá. Tem que ter algum.
— Halloween. Aquele do cara com a máscara, que persegue babás, sabe?
Se ela ao menos soubesse que eu podia vê-la brincando com as facas da cozinha naquele momento, entenderia a ironia em tudo.
— Sim. — Passei a língua pelos lábios, mesmo que ninguém pudesse ver. A adrenalina me agitou mais. Estava quase na hora.
— E o seu?
— Adivinhe. — Era patético como ela caía fácil na minha conversa.
— A Hora do Pesadelo! — A voz de Becker elevou uma oitava. Ela estava empolgada e aquilo tornava o jogo ainda mais interessante.
— Esse é aquele filme do cara com facas nos dedos?
— Sim. Do Freddy Krueger.
— Freddy, isso mesmo. Eu gosto desse filme. Ele é assustador. — Sorri de canto.
— Mas só o primeiro é bom. Os outros são péssimos. — Acompanhei enquanto ela andava pela casa, totalmente alheia ao que a aguardava. Isso fez meu sorriso aumentar.
— Então… Você tem namorado?
Pelo tom da nossa conversa, eu já imaginava qual seria a resposta de Casey.
— Por quê? Vai me chamar para sair?
Vadiazinha suja.
— Talvez. Você tem? — insisti, como se realmente tivesse interesse naquilo.
— Não.
Eu quis rir. Poderia até ter pena de Steven, mas ele era tão sujo quanto ela. Por isso, de certa forma, os dois se mereciam.
E mereciam o que estava prestes a acontecer.
— Sabe… Você nunca me disse o seu nome.
O sorriso ladino dela estava tão próximo. Precisei me conter para seguir com o plano.
— Por que você quer tanto saber o meu nome? — Ela ia me dizer, estava apenas fazendo charme… Ou tentando.
Tudo o que eu sentia era sede.
Era chegada a hora.
— Para saber quem eu estou olhando.
Foi um desperdício eu não ter uma forma de eternizar aquele momento. A forma como Casey Becker paralisou ao ouvir minhas palavras, seu sorriso de putinha convencida se desfazendo, enquanto o pavor tomava conta de suas feições.
Eu poderia me deleitar num banquete daqueles e era tudo o que eu queria fazer.
— O que você disse? — A voz trêmula dela era música aos meus ouvidos.
— Quero saber com quem estou falando. — A mentira não seria engolida, o pânico já estava instaurado.
De repente, Casey esquecia o trato de deixar a porta de vidro aberta para o Steven entrar e passou a trancar todas as entradas da casa.
Mais uma vez, tão previsível.
Onde estavam todos os flertes? Os jogos de palavras? O atrevimento?
— Não desligue na minha cara! — rosnei, ao perceber que Becker o faria, porém era tarde demais.
Cadela insolente!
Sua corrida desesperada pela casa era piada.
O desespero era palpável quando Casey levou o telefone mais uma vez ao ouvido para atendê-lo.
— Sim?
— Falei para não desligar. — Dessa vez, meu tom era sério, acusatório.
Deu para ver o corpo dela se arrepiar.
Sorri com satisfação.
— O que você quer? — Espera… Ela estava chorando?
Aquilo só melhorava.
— Conversar.
— Então ligue para outra pessoa.
Bufei quando, pela quarta vez, Becker desligou na minha cara.
Minha vontade era a de afundar a cara dela naquele telefone.
Não desisti.
Casey chegou à cozinha mais uma vez, estava prestes a desligar a pipoca, que agora queimava no fogão.
— Escuta aqui, seu idiota…! — Sua voz estridente e chorosa quase me tirou completamente do sério.
Quem ela pensava que era?
— Escute você, sua vadiazinha de merda! Se desligar de novo na minha cara, vou te estripar que nem um peixe. Entendeu? — Meu rosnado a deixou ainda mais assustada.
— Isso é alguma… alguma brincadeira? — Eu poderia sentir pena, porém o fato de ela subitamente voltar a ser toda boazinha me deu ainda mais ânsia de chegar ao gran finale.
— Não. É mais como um jogo. Será que você aguenta, loirinha?
Dei risada com o impacto do apelido. Casey Becker, ainda mais desesperada, saiu testando e trancando portas e janelas outra vez. Ela até mesmo me ameaçou com a polícia antes de desligar de novo na minha cara!
Como se ninguém soubesse que seus pais haviam comprado aquela porcaria de casa afastada de todo mundo, e o motivo? Eram um riquinhos de merda, que odiavam se misturar.
Imagina o desgosto quando descobrissem o namorado pobre da filhinha única e perfeita.
Mesmo que Casey realmente conseguisse ligar para a polícia, eles demorariam tanto para chegar… Talvez eu devesse deixar, não é? Só para o jogo ficar mais excitante!
O soar da campainha arrancou um grito dela e a loirinha se contorceu toda, soltando a pergunta mais patética de todas.
Quem está aí?
Fala sério! Que merda era aquela?
E mesmo sabendo que era eu no telefone de novo quando o som a assustou outra vez, Becker atendeu.
— É sério que você perguntou quem está aí? Achei que assistia filmes de terror, loirinha! Nunca se pergunta esse tipo de coisa. É uma sentença de morte. — Sorri e me deliciei com o pavor exprimido em forma de soluços.
Eu havia repassado tudo que aconteceria na minha mente antes mesmo de acontecer, e nem em meus melhores sonhos a sensação era tão satisfatória.
Queria mais. Muito mais.
— Olha aqui, você já se divertiu, então por que não vai embora? Meu namorado vai chegar a qualquer momento e…
— Namorado? Achei que não tinha namorado. — Não contive uma risada debochada.
— Eu menti, tá legal? Eu tenho namorado e ele é enorme, e joga futebol, e vai acabar com você!
— Uh, que medo. Me apavorei agora! — Ri ainda mais.
— É? Então vai embora! Ele já deve estar chegando. — Ela era burra ou o quê?
— Hmm, tem razão. O nome dele, por um acaso, não é Steve?
Assisti-la ficar ainda mais pálida não tinha preço.
— Como… como você sabe o nome dele?
— Acende a luz do pátio, loirinha.
Alguém realmente acreditava naquelas lágrimas? Há apenas alguns minutos, Casey Becker se oferecia para sair comigo e, de repente, era a namorada desesperada, tentando salvar o jogadorzinho de futebol de um destino já traçado, independente de seu sucesso ou fracasso na nossa brincadeira.
Como eu previ, Becker perdeu seu desafio. Desafio esse, que constava em responder perguntar sobre seus adorados filmes de terror.
A culpa era toda dela. Quem mandava não prestar atenção! Qualquer idiota sabia que o assassino original de Sexta-Feira 13 era a Pamela Voorhees e não o Jason.
Sua cara ao ver as tripas do namoradinho para fora era outra memória que eu gostaria de ter eternizado de alguma forma.
— Ei, ainda não terminamos! — Chamei a atenção dela e me diverti tanto que poderia gritar. — Última pergunta, Casey. Está pronta?
A vadia só sabia chorar e me pedir para deixá-la em paz.
— O jogo só acaba se você me responder. — Continuei a me deliciar com aquilo. — Em qual porta eu estou?
Outra vez, os olhos dela se arregalaram de surpresa e a loirinha não sabia em qual direção deveria focar.
— O quê?
— Vamos lá. Existem duas portas principais na sua casa, a da frente e a do pátio. Em qual delas eu estou? Responda corretamente e eu te deixarei viver.
Ou não.
Sorri enviesado.
— Não. Eu não vou fazer isso — Becker choramingou.
Chata pra caralho.
— Você quem sabe.
Porém, no fundo, era o que eu queria ouvir.
O barulho da porta de vidro estilhaçando a fez disparar até a cozinha e foi uma graça vê-la pegar uma faca dali. Como se ela, Casey Becker, a vadiazinha que se fazia de boa moça, fosse capaz de atrapalhar o fim do espetáculo.
Adentrei a sala de estar e procurei por ela. Conseguia ouvir sua respiração descompassada e os soluços que tentava conter.
A luz de um farol chamou minha atenção para a janela. Era o carro dos Becker se aproximando e quem estava do lado de fora, parada feito uma idiota, olhando?
Foi fácil chegar até o lado de fora sem que ela me visse.
Na primeira oportunidade, me joguei em cima da vadia e com satisfação enterrei minha faca em seu peito.
Ah, a sensação da carne sendo rasgada não tinha preço! A cara de choque, as exclamações de dor, o choro desesperado! O sangue para todo o lado!
O carro dos pais dela estava mais próximo e parou na entrada da casa. Precisava acabar logo com aquilo.
Becker me acertou com força. Urrei de ódio ao sentir meu corpo se lançar para trás e eu queria ter mais tempo para presenciar a cena daquela putinha se arrastando.
Como acreditavam naquele jeitinho de anjo? Aquela garota me enojava.
A alcancei sem dificuldade e quando estendi a faca para acertá-la, sua mão puxou a máscara que cobria meu rosto.
Foda-se. Ela já estava morta mesmo.
Desci a faca com ainda mais ódio. Perfurei seu corpo como se estivesse mesmo estripando um peixe. Só que a sensação era melhor. Era o paraíso!
Casey ainda segurava o telefone quando me levantei e puxei seu corpo por uma das pernas e a arrastei até uma das árvores. Eu ia pendurá-la e expor como deveria ter sido desde sempre. Todo mundo precisava ver como ela era por dentro. Podre, nojenta, suja.
Os gritos de desespero dos Beckers ao encontrarem a preciosa filha era como música para os meus ouvidos.
A adrenalina ainda pulsava em minhas veias enquanto eu me afastava da cena. Aquele era apenas o primeiro movimento de um jogo mortal que mergulharia a pacata Woodsboro em um pesadelo digno de um clássico de terror.
E eu ansiava por cada segundo.
Casey Becker não fazia parte desse grupo. Ela jamais mancharia a imagem de boa moça que adorava estampar por onde passava. Seus pais tinham total confiança nela, até mesmo para deixá-la sozinha, sem sonharem que Steve, o namoradinho do time da escola, em breve chegaria para fodê-la no meio da sala de estar.
Mas é como dizem, os mais quietos são os piores e eu estava ali justamente para comprovar isso.
As sombras me ocultavam com maestria do lado de fora da casa. Era ridículo como a fraca iluminação das ruas contribuía para a perfeição de meus planos, sem mencionar, é claro, o fato de os Becker terem escolhido uma residência tão isolada e vulnerável.
Será que eles não assistiam filmes de terror?
Meu coração estava um tanto acelerado pela expectativa. Tudo precisava acontecer conforme o planejado, afinal, aquela era a primeira peça de um jogo. O jogo mais divertido de todos os tempos.
O toque da chamada pareceu infinito enquanto eu, reunindo toda a minha paciência, me mantinha aguardando. Sabia que Casey atenderia, a vadiazinha estava esperando Steven vir encontrá-la e uma ligação dele seria algo esperado por ela.
Abri um sorriso maldoso ao pensar sobre aquilo e ele se alargou quando, finalmente, a loirinha boazinha atendeu.
— Alô?
— Alô! Quem está falando? — Eu já tinha ensaiado aquele diálogo várias vezes em minha mente.
— Com quem você está tentando falar?
Ah, Casey. Tão previsível.
— Não sei.
— Bom, você ligou para o número errado. Acontece.
A ligação foi cortada e eu quase ri enquanto retornava a ligação.
Já esperava que a segunda tentativa fosse tão mal sucedida quanto a primeira, porém era tudo parte do jogo e eu não desistiria até chegar ao fim.
Na terceira chamada, Casey começou a revelar vadia que era. Mesmo enquanto preparava pipocas para comer em uma noite de filmes com o namoradinho, ela não hesitou em flertar com alguém completamente desconhecido.
— Qual é o seu filme de terror favorito?
— Ah, eu não sei.
— Vamos lá. Tem que ter algum.
— Halloween. Aquele do cara com a máscara, que persegue babás, sabe?
Se ela ao menos soubesse que eu podia vê-la brincando com as facas da cozinha naquele momento, entenderia a ironia em tudo.
— Sim. — Passei a língua pelos lábios, mesmo que ninguém pudesse ver. A adrenalina me agitou mais. Estava quase na hora.
— E o seu?
— Adivinhe. — Era patético como ela caía fácil na minha conversa.
— A Hora do Pesadelo! — A voz de Becker elevou uma oitava. Ela estava empolgada e aquilo tornava o jogo ainda mais interessante.
— Esse é aquele filme do cara com facas nos dedos?
— Sim. Do Freddy Krueger.
— Freddy, isso mesmo. Eu gosto desse filme. Ele é assustador. — Sorri de canto.
— Mas só o primeiro é bom. Os outros são péssimos. — Acompanhei enquanto ela andava pela casa, totalmente alheia ao que a aguardava. Isso fez meu sorriso aumentar.
— Então… Você tem namorado?
Pelo tom da nossa conversa, eu já imaginava qual seria a resposta de Casey.
— Por quê? Vai me chamar para sair?
Vadiazinha suja.
— Talvez. Você tem? — insisti, como se realmente tivesse interesse naquilo.
— Não.
Eu quis rir. Poderia até ter pena de Steven, mas ele era tão sujo quanto ela. Por isso, de certa forma, os dois se mereciam.
E mereciam o que estava prestes a acontecer.
— Sabe… Você nunca me disse o seu nome.
O sorriso ladino dela estava tão próximo. Precisei me conter para seguir com o plano.
— Por que você quer tanto saber o meu nome? — Ela ia me dizer, estava apenas fazendo charme… Ou tentando.
Tudo o que eu sentia era sede.
Era chegada a hora.
— Para saber quem eu estou olhando.
Foi um desperdício eu não ter uma forma de eternizar aquele momento. A forma como Casey Becker paralisou ao ouvir minhas palavras, seu sorriso de putinha convencida se desfazendo, enquanto o pavor tomava conta de suas feições.
Eu poderia me deleitar num banquete daqueles e era tudo o que eu queria fazer.
— O que você disse? — A voz trêmula dela era música aos meus ouvidos.
— Quero saber com quem estou falando. — A mentira não seria engolida, o pânico já estava instaurado.
De repente, Casey esquecia o trato de deixar a porta de vidro aberta para o Steven entrar e passou a trancar todas as entradas da casa.
Mais uma vez, tão previsível.
Onde estavam todos os flertes? Os jogos de palavras? O atrevimento?
— Não desligue na minha cara! — rosnei, ao perceber que Becker o faria, porém era tarde demais.
Cadela insolente!
Sua corrida desesperada pela casa era piada.
O desespero era palpável quando Casey levou o telefone mais uma vez ao ouvido para atendê-lo.
— Sim?
— Falei para não desligar. — Dessa vez, meu tom era sério, acusatório.
Deu para ver o corpo dela se arrepiar.
Sorri com satisfação.
— O que você quer? — Espera… Ela estava chorando?
Aquilo só melhorava.
— Conversar.
— Então ligue para outra pessoa.
Bufei quando, pela quarta vez, Becker desligou na minha cara.
Minha vontade era a de afundar a cara dela naquele telefone.
Não desisti.
Casey chegou à cozinha mais uma vez, estava prestes a desligar a pipoca, que agora queimava no fogão.
— Escuta aqui, seu idiota…! — Sua voz estridente e chorosa quase me tirou completamente do sério.
Quem ela pensava que era?
— Escute você, sua vadiazinha de merda! Se desligar de novo na minha cara, vou te estripar que nem um peixe. Entendeu? — Meu rosnado a deixou ainda mais assustada.
— Isso é alguma… alguma brincadeira? — Eu poderia sentir pena, porém o fato de ela subitamente voltar a ser toda boazinha me deu ainda mais ânsia de chegar ao gran finale.
— Não. É mais como um jogo. Será que você aguenta, loirinha?
Dei risada com o impacto do apelido. Casey Becker, ainda mais desesperada, saiu testando e trancando portas e janelas outra vez. Ela até mesmo me ameaçou com a polícia antes de desligar de novo na minha cara!
Como se ninguém soubesse que seus pais haviam comprado aquela porcaria de casa afastada de todo mundo, e o motivo? Eram um riquinhos de merda, que odiavam se misturar.
Imagina o desgosto quando descobrissem o namorado pobre da filhinha única e perfeita.
Mesmo que Casey realmente conseguisse ligar para a polícia, eles demorariam tanto para chegar… Talvez eu devesse deixar, não é? Só para o jogo ficar mais excitante!
O soar da campainha arrancou um grito dela e a loirinha se contorceu toda, soltando a pergunta mais patética de todas.
Quem está aí?
Fala sério! Que merda era aquela?
E mesmo sabendo que era eu no telefone de novo quando o som a assustou outra vez, Becker atendeu.
— É sério que você perguntou quem está aí? Achei que assistia filmes de terror, loirinha! Nunca se pergunta esse tipo de coisa. É uma sentença de morte. — Sorri e me deliciei com o pavor exprimido em forma de soluços.
Eu havia repassado tudo que aconteceria na minha mente antes mesmo de acontecer, e nem em meus melhores sonhos a sensação era tão satisfatória.
Queria mais. Muito mais.
— Olha aqui, você já se divertiu, então por que não vai embora? Meu namorado vai chegar a qualquer momento e…
— Namorado? Achei que não tinha namorado. — Não contive uma risada debochada.
— Eu menti, tá legal? Eu tenho namorado e ele é enorme, e joga futebol, e vai acabar com você!
— Uh, que medo. Me apavorei agora! — Ri ainda mais.
— É? Então vai embora! Ele já deve estar chegando. — Ela era burra ou o quê?
— Hmm, tem razão. O nome dele, por um acaso, não é Steve?
Assisti-la ficar ainda mais pálida não tinha preço.
— Como… como você sabe o nome dele?
— Acende a luz do pátio, loirinha.
Alguém realmente acreditava naquelas lágrimas? Há apenas alguns minutos, Casey Becker se oferecia para sair comigo e, de repente, era a namorada desesperada, tentando salvar o jogadorzinho de futebol de um destino já traçado, independente de seu sucesso ou fracasso na nossa brincadeira.
Como eu previ, Becker perdeu seu desafio. Desafio esse, que constava em responder perguntar sobre seus adorados filmes de terror.
A culpa era toda dela. Quem mandava não prestar atenção! Qualquer idiota sabia que o assassino original de Sexta-Feira 13 era a Pamela Voorhees e não o Jason.
Sua cara ao ver as tripas do namoradinho para fora era outra memória que eu gostaria de ter eternizado de alguma forma.
— Ei, ainda não terminamos! — Chamei a atenção dela e me diverti tanto que poderia gritar. — Última pergunta, Casey. Está pronta?
A vadia só sabia chorar e me pedir para deixá-la em paz.
— O jogo só acaba se você me responder. — Continuei a me deliciar com aquilo. — Em qual porta eu estou?
Outra vez, os olhos dela se arregalaram de surpresa e a loirinha não sabia em qual direção deveria focar.
— O quê?
— Vamos lá. Existem duas portas principais na sua casa, a da frente e a do pátio. Em qual delas eu estou? Responda corretamente e eu te deixarei viver.
Ou não.
Sorri enviesado.
— Não. Eu não vou fazer isso — Becker choramingou.
Chata pra caralho.
— Você quem sabe.
Porém, no fundo, era o que eu queria ouvir.
O barulho da porta de vidro estilhaçando a fez disparar até a cozinha e foi uma graça vê-la pegar uma faca dali. Como se ela, Casey Becker, a vadiazinha que se fazia de boa moça, fosse capaz de atrapalhar o fim do espetáculo.
Adentrei a sala de estar e procurei por ela. Conseguia ouvir sua respiração descompassada e os soluços que tentava conter.
A luz de um farol chamou minha atenção para a janela. Era o carro dos Becker se aproximando e quem estava do lado de fora, parada feito uma idiota, olhando?
Foi fácil chegar até o lado de fora sem que ela me visse.
Na primeira oportunidade, me joguei em cima da vadia e com satisfação enterrei minha faca em seu peito.
Ah, a sensação da carne sendo rasgada não tinha preço! A cara de choque, as exclamações de dor, o choro desesperado! O sangue para todo o lado!
O carro dos pais dela estava mais próximo e parou na entrada da casa. Precisava acabar logo com aquilo.
Becker me acertou com força. Urrei de ódio ao sentir meu corpo se lançar para trás e eu queria ter mais tempo para presenciar a cena daquela putinha se arrastando.
Como acreditavam naquele jeitinho de anjo? Aquela garota me enojava.
A alcancei sem dificuldade e quando estendi a faca para acertá-la, sua mão puxou a máscara que cobria meu rosto.
Foda-se. Ela já estava morta mesmo.
Desci a faca com ainda mais ódio. Perfurei seu corpo como se estivesse mesmo estripando um peixe. Só que a sensação era melhor. Era o paraíso!
Casey ainda segurava o telefone quando me levantei e puxei seu corpo por uma das pernas e a arrastei até uma das árvores. Eu ia pendurá-la e expor como deveria ter sido desde sempre. Todo mundo precisava ver como ela era por dentro. Podre, nojenta, suja.
Os gritos de desespero dos Beckers ao encontrarem a preciosa filha era como música para os meus ouvidos.
A adrenalina ainda pulsava em minhas veias enquanto eu me afastava da cena. Aquele era apenas o primeiro movimento de um jogo mortal que mergulharia a pacata Woodsboro em um pesadelo digno de um clássico de terror.
E eu ansiava por cada segundo.