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Revisada por: Júpiter

Última Atualização: 14/07/2025

sentiu o calor abafado lhe atingir assim que desceu as escadas do jatinho que lhe levaria até a ilha. Jihye tagarelava sobre alguma coisa, mas a mulher não estava com paciência para sua assistente naquela manhã. Odiava a sensação de sentir-se sufocada, e após o voo naquele avião minúsculo, somado ao clima e sol quente da Tailândia, ela encontrava-se particularmente mal humorada. Estava suada, impaciente e com os pés doendo em seu scarpin finíssimo.
Colocou os óculos de sol e chapéu para proteger-se dos raios solares, e adentrou o veículo que as aguardavam, que levaria toda a equipe da atriz até a pousada em que o filme seria gravado. Ficaria ali durante o período de, aproximadamente, três meses, enquanto realizava a experiência imersiva necessária para interpretar o papel que lhe foi oferecido. sabia que seria um desafio, mas estava animada por ter sido convidada — pela primeira vez — para dar vida à uma protagonista. O cachê era excelente e o filme seria uma adaptação cinematográfica de um livro já aclamado, o que deixou a crítica bastante ansiosa quando o anúncio foi feito.
O elenco, no entanto, permaneceu em segredo. Sequer sabia dos demais atores, tampouco sobre o par romântico que contracenaria com a mulher. Havia muitas suposições feitas pela mídia, é claro, mas nada confirmado até o momento. E, de certa forma, ela estava animada por poder adquirir novos amigos e contatos durante a experiência das gravações.
— Ei, Cho — Jihye chamou sua atenção, chacoalhando a mão em frente aos olhos da mais velha, que a encarou sem muita paciência —, Chany acabou de te ligar. Eu recusei como a srta. pediu.
bufou. Havia terminado definitivamente com Park ChanYeol há alguns meses, porém o vínculo foi difícil de ser quebrado. De início, a mulher reconheceu parte de sua culpa, mas após assinar o contrato do filme e aceitar passar alguns meses longe de casa, imaginou que ele a deixaria em paz. Infelizmente, relacionamentos humanos não são tão fáceis quanto parecem.
— Obrigada pela gentileza, Hye. Não quero ser incomodada durante as primeiras semanas de gravação, não quero que nada comprometa o meu desempenho.
Hye concordou, voltando a tagarelar sobre como estava melhor solteira e que estava radiante. A mais velha apenas riu de todo aquele fervor que sua assistente apresentava, claramente feliz e animada por poder acompanhar a chefe por alguns dias. Até mesmo o motorista encarava a menina através do espelho retrovisor, não contendo uma risada pela euforia.
No entanto, mesmo com toda a animação da garota, não pôde deixar de reparar a beleza daquele lugar. Haviam altas palmeiras cercando a orla, envoltas pela areia branquinha e com águas azuis cristalinas. A paisagem repleta de natureza substituía a usual Seul pela qual a estadunidense estava habituada todos os dias. Não havia muitas pessoas na ilha naquele momento, além da capacidade de turistas estar reduzida devido ao grande porte de gravação da série.
— Chegamos, senhoritas.
O gentil motorista conduziu a atriz e a assistente até a entrada da pousada, retirando as malas e bolsas destas, entregando-as até o gerente que as recepcionou. Prontamente, o homem mais velho se apresentou como Thahan Pornchanok, conduzindo ambas pelo local. Era uma ampla pousada praiana, em frente ao mar, local que também seria utilizado para as gravações. O rapaz confidenciou que acompanhava o trabalho de desde que ela era uma idol e aquilo a fez corar. Fazia tempo que não se recordava dos dias em girlgroup, treinando nas pequenas salas da antiga BigHit.
— Aqui é a sala de jogos, ao lado temos o spa e ali a recepção com a área externa de coqueteis, onde a equipe os espera — Thahan sinalizou, apontando para os locais.
observou a imensa sala de jogos, com pebolim, alguns videogames antigos e piscina de bolinhas. Ao lado, estava um spa enorme — que parecia bastante aconchegante —, com área para massagens e sauna, local que provavelmente passaria um bom tempo relaxando, como costumava fazer.
Jihye observava tudo, bastante animada, mesmo que fosse passar alguns dias fora para resolver questões burocráticas dos contratos e parceiros com . A jovem estadunidense de ascendência coreana era uma fenômeno, uma exímia atriz, modelo e ex-cantora. Por onde passava, destacava-se em meio ao seu talento e carinho pelo que fazia. Fez parte de um girlgroup chamado ColorWay, em que fez amigas de longa data, Camille Wang e Jasmin Park, mas infelizmente, estavam afastadas após o disband.
balançou a cabeça, tentando se livrar das memórias que a invadiram, principalmente porque isso a fazia recordar de alguém que preferia esquecer. Estava em outro país e a última coisa que precisava era ficar melancólica por um ex-namorado e ter outro incomodando-a sem parar em ligações.
Thahan deixou ambas na área externa em que serviam-se os coqueteis, despedindo-se. sentiu-se um pouco deslocada, ao passo que todos estavam vestidos com roupas praianas. A mulher vestia um traje preto, que embora fosse de tecido leve, estava extremamente quente devido ao calor, deixando-a ainda mais desconfortável. Quando saiu de Seul, estava muito frio, sequer atentou-se em verificar o clima, muito menos Jihye, que estava extremamente ansiosa com a viagem.
— Minha estrela! Você chegou, finalmente. Estávamos te aguardando.
O diretor, Park SungBin, puxou a mulher delicadamente pelo braço, pedindo atenção do elenco, formando uma roda com os jovens atores. reconheceu alguns rostos, que sorriram animados em sua direção, ao passo que ela gentilmente retribuiu. Jihye cumprimentou todos a sua volta conjuntamente a mais velha, parando ao lado de .
— A equipe está quase completa… Ah, céus, onde está Park? Tenho um anúncio a fazer.
Um aroma amadeirado invadiu as narinas de , arrepiando todos os seus pelos corporais. Aquele perfume característico e cafajeste poderia ser reconhecido por ela em qualquer lugar do mundo a qualquer hora. Quase que instantaneamente tudo ficou ainda mais desconfortável, como se o ambiente tivesse encolhido. Ela não poderia acreditar no que estava acontecendo, aquilo só poderia ser alguma coincidência.
Disposta a convencer-se que estava tudo bem, a mulher respirou fundo e olhou para trás, na direção que o diretor havia falado. Instantaneamente, seus olhos cruzaram com olhos amendoados e castanhos, acompanhados de um sorriso já conhecido pela garota. Em passos curtos, ele caminhou até a direção de todos, o que pareceu uma eternidade para . Ela sentiu suar frio quando a distância não era mais um impeditivo para ambos, ao passo que o homem juntou-se ao elenco agora completo.
Ah, antes que eu me esqueça, , este é Park Jimin, ele será seu par romântico durante as filmagens.



encarava impacientemente os ponteiros do relógio que se mexiam de forma gradativa, ao passo que ajeitava a gola da camisa pela terceira vez naquela tarde. Suas mãos tremiam de certa ansiedade, tensa pelo início do projeto e das filmagens, mas também por saber com quem contracenaria. Não seria apenas a parte profissional, em vista das festas e algumas imersões para socialização que o elenco faria. Ela aceitou o projeto sabendo dessas particularidades, mas a figura ilustre que lhe faria companhia pela primeira vez, lhe fizera hesitar.
Ao redor, os outros membros da equipe de produção estavam ocupados organizando os últimos detalhes da gravação, indiferentes ao olhar tenso de . Jihye tagarelava, alheia à confusão mental da mais velha. Nervosa, ela tentou focar no cenário paradisíaco à sua frente, com as águas salgadas e azuis, mas seus pensamentos estavam presos em uma única questão: como poderia reencontrá-lo após aquele término tão conturbado e caótico?
Na verdade, fazia alguns anos desde que e Jimin haviam se visto pela última vez, e ainda assim, a memória dele permanecia tão nítida quanto o dia em que ela decidiu desaparecer de sua vida. Óbvio que a mulher havia amado imensamente seu ex-namorado Park ChanYeol e sido muito feliz com o rapaz em meio a este período, mas era inegável o quanto Park Jimin era marcante. Agora, o destino — ou talvez uma cruel ironia sádica do universo — os colocava frente a frente novamente. Eles fariam parte do mesmo projeto por bons meses e seriam obrigados a socializar.
Por um momento, cogitou a quebra de contrato, mas Jimin não valia tantos milhões.
— Srta. -ssi — um dos assistentes chamou sua atenção, e consequentemente, de Jihye, que estava ao seu lado e parou de falar —, precisamos de você para começarmos sua maquiagem. Poderia aguardar no camarim? Em breve as maquiadoras vão para lá.
Ela assentiu e acenou para Jihye, que se despediu da chefe com cordialidade, desejando-lhe boa sorte. A menina lhe passou algumas informações antes de ir, informando as burocracias que resolveria pela chefe. riu consigo mesma; às vezes, a energia da sua jovem assistente era contagiante. Lhe fazia ter saudade dos seus dezoito anos, quando era apenas uma trainee cheia de espírito e energia para conquistar o mundo.
Em meio aos pensamentos, a estadunidense dirigiu-se lentamente até a sala de figurinos e camarins, ao passo que os saltos altos Louboutin ecoavam pelo chão de madeira. Mesmo em meio àquela ilha paradisíaca, não deixava a classe de lado. Pelo menos, não até imergir de fato no papel que faria, na doce e jovem escritora que interpretaria, Kim NamYoon.
Ela de fato não tinha nada a ver com . Uma romântica incurável, em busca de mais um enredo para chamar de seu, vai à uma ilha paradisíaca, tendo que dividir a mesma cama com um rapaz mal-educado que, aparentemente, lhe detestava. Podia parecer um roteiro clichê, mas o livro era realmente maravilhoso. A obra era de autoria de Jasmin Park, melhor amiga de e ex-integrante do mesmo grupo que a mulher participava. Reconhecia o talento da amiga, que havia emplacado um sucesso literário na Coreia do Sul — e em vários países do ocidente.
sacudiu a cabeça e livrou-se das distrações mentais, sentindo uma súbita mudança no ambiente em que estava. Ela podia perceber o ar denso, carregado de expectativa e uma possível tensão na sala de figurinos, que, até o momento, estava vazia. Sua respiração vacilou por um segundo, ao passo que seus olhos se fixaram na figura que se sentou em frente ao espelho, mexendo distraidamente no celular. Jimin.
Ele havia entrado por outra porta, por isso ela não o havia visto. O rapaz, aparentemente, já estava trajado com o figurino, com uma camisa branca colada e levemente desabotoada, acompanhada de jeans simples, permanecendo com a mesma aura que sempre a atraíra. Aquele sorriso pretensioso e despreocupado nos lábios dele só fez a tensão no ar aumentar, ao passo que ele a encarou através do espelho. Seus olhos, porém, mostravam que ele também estava ciente do impacto daquele momento, mordendo o lábio em retrospecto.
Por um breve instante, o tempo pareceu parar. O que ela deveria dizer? Uma saudação amigável? Fingir que nada aconteceu entre eles? Havia apenas os dois ali e aquela sala não era grande. Seria falta de educação destratá-lo, mas impossível fingir que nada havia ocorrido. E, no fim das contas, ela conhecia bem demais seu ex-namorado. Sabia que ele não deixaria que ela tivesse um segundo de paz sequer durante aquele projeto.
No entanto, antes que pudesse formular qualquer frase, Jimin levantou-se devagar e virou-se de frente para ela, encarando-a. desviou o olhar, tentando concentrar-se no reflexo no espelho atrás de Jimin, mas o peso da presença dele era impossível de ignorar. Ela odiava o quanto ele ainda a afetava e só podia torcer para a equipe entrar naquela sala e acabar com aquela sensação de tensão. Jimin, porém, sorriu de lado, com aquele sorriso meio torto que ela conhecia bem demais. Ele cruzou os braços e seus olhos brilhavam com uma malícia velada, deixando o silêncio cada vez mais palpável.
— Sabe, — o rapaz a encarou dos pés à cabeça, com a voz baixa e carregada de sarcasmo —, nunca pensei que você aceitaria um papel como esse. Três meses em uma ilha isolada, lidando com... distrações. — Ele levantou uma sobrancelha, como se o duplo sentido fosse uma piada particular. — Como ChanYeol vai ficar sabendo disso?
Ela sentiu o sangue subir ao rosto, mas se recusou a demonstrar qualquer fraqueza. Sabia que falar sobre ChanYeol era apenas um pretexto para que ela comentasse acerca de sua vida amorosa. Jimin estava a sondando e coletando informações para desestabilizá-la.
— Distrações nunca foram um problema para mim — respondeu ela, tentando manter o tom frio e controlado, cruzando os braços. — Especialmente quando são tão… previsíveis.
Jimin riu com escárnio, inclinando-se um pouco mais perto, como se o peso de suas palavras fosse algo trivial. Ele estava se divertindo. E ela, odiando a sensação de estar em meio a um de seus joguinhos de novo. Algumas coisas nunca mudaram, aparentemente.
— Claro, porque você sempre foi tão boa em manter o foco, não é? — Ele inclinou a cabeça, com os olhos fixos nos dela. — Ou, pelo menos, fingir que está no controle.
O sarcasmo escorria das palavras de Jimin, como se ele estivesse testando os limites de , vendo até onde poderia ir — ou até onde ela aguentava. , no entanto, respirou fundo, lutando para não cair na provocação. Ele sempre soube como tirá-la do eixo, mas ela não estava disposta a dar esse gostinho a ele. Apesar de tudo, ela sabia contornar aquela situação. Foram muitos anos de prática lidando com aquele homem pretensioso e convencido, que se escondia atrás de uma máscara de doçura e sedução.
— Talvez você esteja me confundindo com outra pessoa — respondeu ela, com a voz afiada como uma lâmina —, alguém que realmente se importe com o que você pensa, o que não é meu caso.
Jimin sorriu ainda mais, enquanto o olhar dele tornou-se predatório, à medida que o sul-coreano dava um passo à frente, encurtando ainda mais a distância entre os dois. A proximidade entre ambos era quase inexistente agora. O camarim minúsculo parecia sufocá-los em meio àquela tensão, quase que palpável. Ele abaixou o tom da voz, como sempre vazia, demonstrando a respiração quente roçando o ouvido dela.
— Eu sei exatamente quem você é, — murmurou, a voz carregada de insinuação. — E não acho que tenha mudado tanto quanto quer fazer parecer.
sentiu o corpo todo reagir à proximidade dele, ao passo que uma onda de calor percorreu sua pele. As palavras de Jimin, embora envoltas em sarcasmo, traziam uma familiaridade desconcertante, como se ele estivesse cutucando uma ferida que ela ainda não conseguira cicatrizar. Nenhum dos dois, na verdade. Mas ela não ia deixá-lo ter o controle. Aquele era seu momento de brilhar e desfrutar do papel que tanto almejara.
— E eu acho que você continua acreditando que é irresistível, Park Jimin — rebateu ela, com os olhos agora fixos nos dele. — Vamos ver quem realmente mudou depois desses três meses.
Antes que Jimin pudesse responder, a porta da sala se abriu de repente, e os maquiadores entraram com todo o alvoroço habitual. A tensão no ar entre os dois pareceu se dissipar momentaneamente, afastando-os abruptamente, tomada pela movimentação da equipe ao redor deles.
— Ah, que ótimo, já estão aqui! — exclamou uma das maquiadoras, se aproximando rapidamente. — Temos que começar os preparativos para a próxima cena.
aproveitou a distração e se afastou, dando um suspiro silencioso de alívio. Não olhou para Jimin de novo, mas sabia que ele a observava, com aquele sorriso arrogante ainda preso no rosto. Sentou-se na cadeira e deixou que a equipe cuidasse de sua maquiagem, conversando cordialmente com as maquiadoras. Jimin jogava seu charme para algumas delas, que obviamente, caíam. Ele era um homem irresistível e sabia disso.
Park Jimin havia sido o primeiro homem de sua vida em muitos aspectos; nunca havia se entregado daquela forma a alguém. Foi o primeiro a lhe tocar, namorar e que realmente fez planos em meio a carreira de idol. Infelizmente, era um relacionamento oculto até mesmo da empresa, a antiga Big Hit Entertainment. No entanto, o romance desapareceu à medida que a distância aumentara. Conforme passavam cada vez menos tempo juntos, era notável o abismo entre os dois. O ciúme cresceu e deu lugar à desconfiança, e logo, o amor acabou.
Ou estava apenas adormecido.
estava claramente irritada, mas não deixaria aquilo comprometer a imersão na sua personagem. Ela viveria uma escritora de romances apaixonada pela vida, embora desacreditada do amor, que conheceria um renomado fotógrafo divorciado e amargurado, que estava na ilha também a trabalho. Ambos precisariam dividir o mesmo bangalô graças a uma tempestade na ilha e um problema na reserva dos quartos. Entretida pela premissa da obra, aproveitou o tempo sentada para ler o roteiro e pensar como faria cenas românticas com aquele que um dia foi seu namorado. Sem contar nas cenas de sexo, que eram picantes. E, a propósito, ele era incrível naquilo.
Toda essa experiência seria uma tortura psicológica. Para ambos.
ajustou a gola da camisa novamente, um gesto que traía o nervosismo por trás de sua fachada controlada. A impaciência crescia com o passar lento dos minutos, cada segundo arrastando consigo uma onda de ansiedade que ela tentava, em vão, sufocar. Os ponteiros do relógio eram implacáveis, assim como as lembranças que ela lutava para manter distantes. O cenário paradisíaco da ilha era apenas um borrão em sua mente, enquanto os outros membros da produção se moviam ao redor, ocupados com os preparativos. , no entanto, sentia como se estivesse em um mundo à parte, presa em seus próprios pensamentos.
A decisão de desaparecer da vida de Jimin não fora fácil — e ele nunca a perdoaria por isso —, mas necessária. E durante esse tempo, ela havia seguido em frente — ou, ao menos, tentara. O relacionamento com Park ChanYeol havia sido uma tentativa sincera de recomeço, um ponto de estabilidade em meio ao caos emocional que havia deixado para trás. No entanto, por mais que estivesse feliz, algo em Jimin sempre a perturbava, algo além de mera nostalgia. Talvez fosse a intensidade com que tudo havia acontecido, ou talvez fosse o fato de que alguns sentimentos, por mais que tentemos enterrar, continuam a queimar sob a superfície.
Quando a maquiagem fora finalizada, ela rapidamente vestiu o confortável figurino, indo em direção ao set de filmagens. O corredor que levava até a área de gravação externa estava repleto de movimentação, com pessoas passando apressadas, carregando equipamentos, ajustando luzes e fazendo anotações. Era uma coreografia caótica, mas ensaiada, em que cada membro da equipe sabia exatamente seu papel. seguiu por ali, observando o frenesi ao seu redor, tentando manter sua mente ocupada com qualquer coisa que não fosse a presença de Park Jimin a poucos passos de distância.
À medida que se aproximavam do set, o murmúrio das conversas aumentava, e ela viu o diretor, SungBin, parado ao lado de uma mesa de controle, discutindo algo com o operador de câmera. Ele era conhecido por seu perfeccionismo, cada cena minuciosamente pensada, cada detalhe considerado. Ele gesticulava enquanto explicava sua visão, olhos brilhando de entusiasmo.
! Jimin! — O diretor acenou para eles, interrompendo a conversa para recebê-los. — Prontos para começar?
Obviamente, aquela havia sido uma pergunta retórica. Prontamente seu foco já voltava para as telas à sua frente, em que as prévias da cena piscavam em tons de azul e dourado, capturando a beleza do cenário à beira-mar que serviria de plano de fundo para o primeiro dia de gravações.
parou ao lado de Jimin, a alguns metros do diretor, mantendo uma distância cuidadosa entre eles. O som das ondas quebrando à distância criava um contraste curioso com a agitação da equipe técnica. Havia algo quase surreal naquele cenário, como se a natureza indiferente lá fora estivesse em desacordo com o turbilhão de emoções que fervia dentro dela. Inquieta, ela manteve os olhos fixos na figura do diretor, que agora estava detalhando a sequência inicial para a equipe de filmagem.
— Vamos começar com uma tomada ampla — disse SungBin, com os braços cruzados enquanto observava as câmeras sendo posicionadas. — Quero captar o momento exato em que vocês dois se encontram. Preciso de algo sutil, mas cheio de tensão. Aquele tipo de silêncio que fala mais do que palavras.
Ao ouvir isso, o peito de apertou. Era como se ele soubesse exatamente o que estava acontecendo entre ela e Jimin, como se a tensão que SungBin queria capturar na tela fosse a mesma que se arrastava entre os dois fora dela. Park, no entanto, parecia divertir-se, de forma indiferente. Isso a deixava ainda mais furiosa.
A equipe de maquiagem e figurino se aproximou novamente para ajustar os últimos detalhes antes de começarem. Uma assistente cuidava do cabelo de , enquanto outro membro da equipe verificava as roupas de Jimin. Eles não trocaram uma palavra sequer, mas a presença dele ao lado dela era esmagadora. Era como se cada movimento dele ecoasse dentro dela, trazendo lembranças de um passado que ela não conseguia mais ignorar.
O diretor, contudo, chamou a atenção deles novamente:
— Certo, vocês vão caminhar em direções opostas e então, lentamente, um vai notar o outro. Quero expressões contidas, mas que deixem transparecer o impacto para o público.
assentiu, sentindo o peso da cena. Ela sabia que aquilo ia além da atuação. Como ela lidaria com isso diante das câmeras? Seria capaz de fingir tão bem quanto precisava? Jimin, ao seu lado, parecia calmo, confiante como sempre. Ele era bom naquilo. Era bom em esconder o que sentia, em controlar as emoções.
Os dois se posicionaram conforme instruído, as câmeras já ajustadas. A equipe se dispersou um pouco, deixando o espaço livre para que a cena fosse executada. olhou ao redor rapidamente, vendo as faces concentradas de operadores, assistentes de câmera e técnicos de som. Todos aguardando o momento em que o diretor diria “ação”. Mas, para ela, aquela palavra seria o sinal de que o passado voltaria a assombrá-la.
Ação!
Os passos de ecoaram suavemente contra o chão de madeira da área externa. O vento suave do mar fazia com que seu cabelo balançasse levemente, mas ela não sentia o frescor da brisa. Sua mente estava afogada na cena, mas, ainda assim, todos os seus sentidos estavam aguçados para a presença de Jimin, mesmo sem olhar para ele. A tensão era palpável, mas ela estava tentando se concentrar e daria seu melhor. Pelo menos, dentro das condições atuais.
Corta! Muito bom.
SungBin foi revisar a cena, ao passo que e Park ainda permaneciam um de frente para o outro. Às vezes, cenas simples poderiam levar alguns takes até estarem realmente boas, ou simplesmente, até transmitir o sentimento que o diretor almejava para o projeto.
— Então, como serão nossas cenas de amor? — Jimin perguntou, ao passo que seu tom casual revelava uma provocação subjacente. — Estou ansioso para isso.
Park inclinou-se levemente para frente, como se estivesse interessado na resposta dela. Ela não esperava que ele fosse interagir com ela em meio aos demais colaboradores, mesmo que sua voz estivesse tão baixa que apenas ela o ouvia. Aos demais, era uma mera interação de elenco. Para eles, uma guerra fria, dominada por sentimentos inacabados.
Simples praticamente desdenhou, tentando manter a compostura. — Seremos dois estranhos se apaixonando em uma ilha por conta de algumas adversidades. O foco deve ser a química entre os personagens. Nada pessoal.
Jimin cruzou os braços, rindo consigo mesmo. Era inegável o quanto ele se divertia tirando os últimos resquícios de juízo daquela mulher.
— Pena que a química já está bem estabelecida entre nós — ele alfinetou, enquanto um sorriso malicioso surgiu em seus lábios. — Só que a sua atuação não parece tão convincente. Está mais para uma competição de quem consegue ignorar a tensão.
apertou os lábios, tentando ignorar a maneira como seu coração disparava. Encarou as próprias unhas, perfeitamente feitas em tons de vermelho vivo, ao passo que fantasiava estrangulá-lo com as próprias mãos. Parecia ser ainda mais difícil manter a compostura com todos ao redor. Ela apertou os dedos das mãos e o encarou sem um pingo de paciência:
— A única competição aqui é atuar com profissionalismo. Não estou aqui para jogar os sentimentos do passado na mesa.
Jimin tombou a cabeça.
— E eu não sou apenas uma lembrança do passado, certo? — Ele ergueu uma sobrancelha, claramente se divertindo. — Você pode tentar se convencer disso, mas não é fácil esquecer algo que foi tão... intenso.
A provocação de Jimin estava testando seus limites e sabia que deveria recuar. não era uma pessoa explosiva, mas também não beirava a calmaria. Não podia colocar tudo a perder porque seu ex-namorado era imaturo e implicante. Havia um contrato milionário em seu nome e uma expectativa com aquela adaptação literária.
— Intensidade não é o que eu estou buscando agora, Jimin.
Ele soltou uma risada baixa, enquanto sua confiança permanecia inabalável.
— Você sabe que não pode simplesmente me ignorar. Um olhar, um sorriso, e já vejo que a sua armadura está começando a ruir.
— Você, como sempre, está sendo arrogante e pretensioso — ela retrucou, cruzando os braços, mas seu corpo estava em alerta.
Enquanto isso, a tensão entre eles apenas crescia.
— Não sou apenas uma lembrança — Jimin respondeu, se aproximando um pouco mais, seus olhos fixos nos dela. — Talvez eu tenha mudado, mas você ainda é a mesma mulher que me deixa fascinado. Você sempre teve esse jeito de me tirar do eixo, .
O silêncio que se seguiu era carregado de uma intimidade desconfortável. queria dar um passo para trás, mas se viu paralisada. Aquela admissão era, definitivamente, a última coisa que precisava naquelas circunstâncias.
— Aqui eu não sou sua ex-namorada. Sou uma atriz e você vai ter que se contentar com isso.
Jimin sorriu, mas havia uma nota de desafio em seu olhar.
— Então vamos ver quem consegue manter a máscara por mais tempo. Posso ser uma distração, mas também posso ser seu maior apoio. Como sempre fui.
As palavras dele pairaram no ar, e sentiu o coração disparar. O que havia entre eles não poderia ser simplesmente esquecido, mas ela estava determinada a não deixar que isso interferisse na gravação. No fundo, sabia que o que estava prestes a acontecer poderia não ser apenas uma atuação. A cada cena que se aproximava, a linha entre atuação e realidade ficava cada vez mais tênue. Antes que pudesse pensar em uma resposta e prolongar aquela discussão, os membros da equipe passaram a circular, apressados para a próxima cena. se afastou de Jimin, mas a lembrança daquela conversa, da tensão e da conexão que ainda existia, permaneceu com ela.



Continua...


Nota da autora: Sem nota.

Nota da beth: A vai ter que ser muito forte mesmo, pq se já no primeiro dia de gravação ele já tá assim, imagina quando as gravações forem avançando? Imagina ter que filmar as cenas de casal? Ansiosa!!!!!

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