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Revisada por Nyx 🌙

Finalizada em: 04/04/2026

No matter what, I’ll stay with you!

30 de junho de 2026.


O piloto avisou que faltava uma hora para pousar na pista. Não demoraria muito para essa uma hora passar e eles chegassem ao aeroporto; dormia tranquilamente depois de muitas tentativas, e às vezes a ansiedade proporcionava isso. O staff que vinha sentado ao lado dele se esticou, olhou o relógio e antes de colocar o cinto avisou sobre o pouco tempo que restava.
O jatinho pousou. Ao passar pelo portão de desembarque, ele já podia ouvir seus fãs chamando por seu nome, cantando um trecho de sua música. Esperava que sua expressão de cansaço estivesse dominando seu rosto. Sorriu para elas aumentando a gritaria, pegou e entregou a mochila para o assessor e caminhou até elas. Com amor, deu atenção para cada uma, mesmo sabendo que demoraria para chegar ao hotel.

No hotel, se deu a calmaria de poder relaxar no quarto. Haveria um show que faria no país vizinho, mas antes queria pousar no país que o acolheu com tanto afeto e carinho no começo de sua carreira. Brasil. Ajeitou suas roupas em cima da cama e caminhou para um banho.
Já deitado em seu quarto, deslizando a tela do celular sem muita atenção, quando apenas parou em um vídeo seu. O ano era 2025 e ele cantava à capela uma de suas músicas que mais fez sucesso, bem ali na porta do hotel. Olhou para o céu limpo; o Brasil estava em ritmo de copa, e porque não fazer um pequeno show para alguns fãs.
Jake recebeu a mensagem, já havia previsto aquele pequeno momento de ideia de .
“Consegue um lugar para um show acústico? Não precisa de muito.”
“E como vamos divulgar.”
“Não sei, até lá pensamos.”
“Se quiser podemos deixar para quem estiver aqui na frente do hotel, e transmitimos na sua rede social.”
“Você é o melhor, Jake, pode fazer!”
“Te mantenho informado.
O almoço está de pé?”
“Claro!”
Então retornou ao seu descanso. Mais tarde, ainda teria que cumprir os horários de sua agenda. Uma entrevista e participar de uma gravação de Podcast, também aproveitou para escolher algumas músicas que iria tocar aquele pequeno show de última hora.

💛

Ali perto do hotel, um restaurante estava sendo terminado de ter suas decorações para a copa — é clima de festa verde e amarelo, não faria mal ter mais decoração. descia da mini escada, estava orgulhosa das bandeirinhas de Glitter que tinha colocado. A moça respirou fundo e foi vestir seu uniforme, logo eles iriam abrir. Dia cheio e corrido.
chegou em casa exausta, estava morrendo de dor nas pernas e ainda tinha que ir para a academia. Porém, quando entrou em sua casa, viu o tênis de sua prima posto ao lado da pequena sapateira que ficava na entrada do corredor. Cumprimentou seus pais e caminhou em silêncio até o quarto onde a garota estava.
Mexia no computador e ouvia a música de em um som razoável para que, de modo que passasse despercebida e se aproximasse mais dela. Próxima da prima ela a pegou pela cintura e levantou fazendo-a girar.
— Prima! — a menina falou gargalhando.
— Oi, pequena flor, como você está? — sentou na cama junto de sua prima.
— Bem, estou bem, minha mãe falou que não vou poder ir ao show do . — seus olhos marejaram. — Eu queria tanto ir. — chorou ao abraçar sua inspiração.
A pequena ideia era as meninas viajarem e assistirem o show, sairia caro, mas tinha tudo guardado para aquele momento.
— Calma, Bel, calma, vem aqui, deita aqui do meu lado. — se ajeitaram. — Tenho certeza que ele vai fazer outro show aqui no Brasil e aí você vai poder ir, e eu vou juntinha de você, vamos cantar todas as músicas, comprar todos os mimos dele e por fim sair gritando: eu te amo!”. — fez coceguinhas.
— Promete?
— Prometo.
e Clara Isabel eram bem mais que primas, se consideravam melhores amigas e irmãs. Mesmo com dezessete anos de diferença, era aquela mulher que acalmava aquele pequeno coraçãozinho que servia de inspiração. era filha única, tinha um serviço bom, fazia academia e terminava seu último semestre de letras, e mesmo a pequena sabendo que sua prima não era fã do , sabia que a mais velha fazia o que podia para agradá-la.
As duas adormeceram ali abraçadinhas uma na outra, Isabel nem mesmo tomou banho. se levantou, tomou seu banho e percebeu que pelo o horário a academia teria que ser recompensada no próximo dia.

No dia seguinte, se levantou mais cedo, já que ia entrar mais cedo no trabalho, deu um beijo na menininha que dormia ainda e se despediu dos seus pais.
Aquele dia seria o dia, para . O percurso todo foi ouvindo sua playlist especial, e nessa playlist não podia faltar um de seus grandes amores, o grupo Bee Gees. Aprendeu com seu pai e seu avô a ter bom gosto musical, não que ela não gostasse de outros grupos e cantores, , gostava também das eletrônicas e também do Ed Sheeran — como não gostar desse cantor lindo? E não podia negar que gostava das músicas do , porém não era fã dele.
Saiu de seu carro colocando o alarme e foi se trocar. Quando sua chefe a chamou de canto, junto de outras três garotas.
— Bom dia, pessoal! — a chefe sorriu, fazendo uma pausa para observar cada uma delas. — Hoje, além do jogo, teremos um astro aqui no restaurante: vai almoçar conosco e acompanhar a partida. Vocês quatro vão atendê-lo. Posso contar com vocês?
— Pode contar comigo! — endireitou a postura e sorriu confiante.
— Ver o ? Que sonho! — uma das meninas bateu palminhas, empolgada.
— Que bom que estão animadas! — disse a chefe, rindo levemente. — Então, se arrumem rápido, porque em breve vamos abrir.
— Sim, chefe! — todas responderam em um coro.
não estava preparada para atender uma pessoa famosa, isso nunca tinha acontecido antes, e se seu inglês falhasse? E se esquecesse a forma correta de pegar um pedido? Estava começando a surtar quando escutou Beatrice a chamá-la avisando que já estava no estabelecimento, nem se deu conta de como o tempo passou rápido. Como combinado, quem ia anotar os pedidos e levar os pratos escolhidos seria , já as outras três ia ser encarregada de outras funções que ela tinha se esquecido.
“— Preciso tentar pegar algo do para a Bel, não posso esquecer-me dela.” Pensou e colocou sua prima em primeiro lugar.
— Bom dia, sejam bem-vindos, desejam ver o cardápio?
— Sim, por favor.
e todos que estavam ao redor da mesa passaram a decidir o que iriam escolher. Eles pediram e a garota levou os pedidos rapidamente; a olhava discretamente, a garota era muito bonita, uma beleza única, o doce timbre de sua voz e o sorriso singelo que mantinha desenhado em seus lábios o encantou de imediato. Aquela garota parecia que havia saído da canção mais encantadora ao se escutar e imaginar.
não conseguia negar para si mesmo que ficou a admirá-la inúmeras vezes, desde que ela sempre que levava algo que eles pediam até o momento em que ela comemorava discretamente as jogadas do jogo.
Aquele verde e amarelo combinava tanto com a pele dela que o encantava mais. De alguma forma, de algum jeito sentiu uma necessidade de poder conversar com ela, sobre qualquer coisa, qualquer assunto. Além de que… fazia um tempo que ele não conseguia fazer uma composição que na qual o agradava e olhando para ela, aqueles fios, o olhar o sorriso, trazia uma sensação, uma necessidade imensa de poder ao menos ter uma troca de assunto rápida.
Ela o encantou. Não entendia o motivo de tanto olhar em sua direção, afinal sua cabeça estava também focada no trabalho.
No fim do segundo tempo, se aproximou de e seu assessor, sorriu mantendo as mãos na frente de seu corpo antes de passar o aviso.
— Com licença. Elas já estão esperando você na salinha.
— São as meninas sorteadas pelo restaurante? — Jake perguntou.
— Isso, as cinco meninas que ganharam o pequeno sorteio.
— Eu vou ficar aqui. — o assessor se ajeitou na cadeira. — Você quer que eu acompanhe você?
— Não a He... — tentou ler o nome dela no crachá.
. — riu tímida.
— A me leva até o local. — se levantou.
Ela sorriu Com ele atrás de si o guiou até a sala, ficou lá enquanto o pequeno “M&G” aconteceria, ela ajudou guardado os presentes e também em algumas fotos, aproveitou aquele momento para poder mexer no celular e ficar vendo os vídeos de um de seus famosos — não tão famoso — favorito. Quando se deu conta das fãs já tinham sido atendidas e agora as outras três colegas de trabalho estavam aproveitando para tirar fotos com ele.
Rapidamente se aproximou dele, que já estava de saída com os presentes e o parou chamando por ele. virou para ela com um pequeno sorriso nos lábios e com uma simpatia de deixá-la boba.
— Oi. — ela disse tímida, nunca teve um contato com um cantor famoso da gringa.
— Oi.
— Eu sei que você precisa voltar para a mesa, mas queria pedir um favor.
— Pode falar.
— Eu tenho uma prima de dez anos, e ela infelizmente não vai conseguir ir ao seu show no México, então… — respirou fundo. — Eu não estou pedindo o ingresso. — Sorriu constrangida com a frase. — Eu só quero que você grave um pequeno vídeo para ela falando qualquer coisinha mesmo, eu vou agradecer e muito se você puder fazer isso.
— Eu achei realmente que era para você — foi sincero.
— Não. — balançou as mãos negando — Eu não sou sua fã, mas gosto muito das suas músicas, acho que não faz sentido, mas é a verdade. — o fez rir.
— Compreendo. Posso? — apontou pro celular.
— Sim, aqui. — entregou. — O nome dela é Clara Isabel, mas chama ela de Bel, ela gosta mais.
Bel. — Disse um pouco enrolado. — Oi, sua prima está aqui comigo e me falou que você é muito minha fã, é uma pena saber que você não vai ao meu show, mas saiba que mesmo assim tenho um carinho enorme por você, um beijo!
— Ela vai entender? — entregou o celular.
— Eu vou traduzir para ela, não precisa se preocupar, e muito obrigada, , muito obrigada mesmo!
— Por nada.
se desmontou de alegria, tinha conseguido o vídeo. Foi poucas palavras que ela trocou com o rapaz, porém foi aquela pequena conversa que fez se sentir especial para ele. Agora conseguiu compreender o porquê as meninas gostavam dele, ele era carinhoso e amoroso, mesmo estando cansado ou com fome — como era aquele momento — ele foi atencioso com ela. Voltou para seu trabalho alegre e sorridente não podia negar que tinha gostado daquela atenção que teve do cantor.
Com a vitória do Brasil, o restaurante entrou em festa e não pode negar que tinha gostado daquela alegria toda dos brasileiros. Queria ficar e sentir mais ainda aquela animação naquele espaço, mas a responsabilidade de canto o chamava de volta. Se despediu e agradeceu todos que trabalhavam no restaurante, principalmente .

💛

Jake estava acompanhando os passos de dentro do quarto. Cabelo molhado, bagunçado e a jaqueta apontada em cima da cama, terminava de passar perfume.
— Você não pode sair agora, tem que descansar, amanhã é seu show.
— Eu sei, mas é só dentro do hotel. — colocou sua jaqueta jeans.
— Está bem. — desistiu.
— Você conseguiu aquele favor que eu pedi?
— Sim, aqui está. — o homem entregou dois papéis. — E conversei com um dos homens que trabalhava aqui no hotel, só entregar para ele, que ele leva até o local.
— Obrigado, falarei com ele. — pegou um boné e óculos de sol.
Não ia falar com ele, queria entregar pessoalmente aqueles papéis, e ele também não queria ficar apenas no hotel queria ver como Goiânia era linda durante a noite. Saiu da hospedagem torcendo para que ninguém o reconhecesse no meio da rua, e caminhou tranquilamente sem medo de se perder nas ruas da cidade, andou distraidamente que ao perceber estava passando em frente ao restaurante que almoçou.
O vento trazia junto de si, uma doce melodia, com uma voz suave e doce, não precisava ser um especialista que ela nunca errava uma nota sequer, uma sintonia perfeita com a harmonia dos instrumentos. Ia em direção do som, era inevitável não se sentir atraído por aquela voz.
Quando se aproximou mais do local do pequeno show ao vivo, em um barzinho de esquina, ele parou e a olhou, sentada na pequena banquetinha, cantava uma música brasileira e alguns casais dançavam em frente do palco; atravessou a rua e entrou no bar pegou um cardápio e fingiu, literalmente, que estava escolhendo alguma coisa, porém estava prestando atenção na garota que o atendeu hoje pela manhã. Era admirável a voz dela, podia não entender nada da letra, mas entendia quando alguém tinha dom na voz.
Esperou pacientemente ela terminar a apresentação e ir embora para poder conversar com ela. Enquanto ele mexia em seu celular, a garota passou por ele rapidamente sem mesmo perceber que ele estava ali.
— Oi. — se aproximou.
— O-oi, .
— Você canta muito bem.
— Obrigada, conhecendo Goiânia? — tentou ter assunto, enquanto iam para o carro da garota.
— Sim, sair um pouco de noite ajuda às vezes.
— Deve ser difícil, não me refiro a ansiedade. — ela sabia, pois, a prima dela sempre falava. — Mas sim suas fãs, sair sem que elas percebam que é você. — parou do lado do automóvel.
— Às vezes sim, mas por sorte por enquanto tudo está tranquilo. Ah, e já ia me esquecendo. — apalpou o bolso da jaqueta.
— Isso aqui é para você. — entregou o pequeno envelope. — Por favor, não recuse. — lembrou que ela não era sua fã.
— Mas isso aqui, são dois ingressos para, espera. — olhou bem. — Aqui? Você não ia fazer nenhum show aqui.
— Com certeza, mas de última hora resolvi fazer um show bem simples. Apenas quem estiver na frente do hotel vai, mas eu quero que vocês estejam lá.
Os olhos de brilharam, brilharam mais que as estrelas aquela noite. Ia ser algo único para Clara, e não ia conseguir esconder a felicidade de poder ter o envelope em suas mãos.
— Obrigada! Posso te abraçar, né?
— Sim. — ele riu da pergunta.
O abraçou fortemente por ela e por sua prima, e pela primeira vez podia dizer que gostava um pouquinho do .
— Eu nem sei como agradecer a você, de verdade.
— Teria como me apresentar um pouco de Goiânia?
Era uma troca justa. concordou, pediu para que ele entrasse no carro enquanto ela guardasse sua bolsa — da academia que deixava no banco da frente — no porta-malas, entrou no automóvel e o levou para os lugares favoritos dela; andavam pela calçada ao lado dele, pela primeira vez naquele mês o tempo estava fresquinho, ele já tinha tirado seu boné e deixado no carro da garota. Os assuntos variavam tanto que nem mesmo sabia como conseguiram tantos assuntos assim.
— E depois de Goiânia e México, qual a próxima parada?
— Chicago talvez, não tenho muita certeza.
— Vejo que você não se atualizou na lista de show.
— Realmente eu não me atualizei. — soltou uma risada descontraída. — E você, já tentou colocar algum vídeo seu cantando nas redes sociais?
— Já coloquei. — caminhava até o trailer de lanche. — Mas não teve tanto amor assim, as pessoas não gostaram tanto.
— Como isso pode ser possível? — indignou-se. — Você canta tão bem. — encostou no trailer.
— Não muito, tenho muito que aperfeiçoar ainda. — esperava Johnny atendê-los. — Bom, aqui é o melhor lugar para comer, se você quiser algo eu posso traduzir para você. — sorriu educadamente.
— Hei, , boa noite, quanto tempo, não? — Jhonny se aproximou dos dois.
— Nem fale! Esse aqui é meu amigo... — pensou em um nome rapidamente. — Carlos. — ela sabia que o senhor à sua frente não conhecia o , mas era melhor prevenir do que remediar. — O de sempre para mim e o melhor lanche de carne para ele. — apontou para o cantor.
— Dois lanches saindo no capricho, podem sentar, eu levo até vocês.
— Obrigada.
— Carlos? — ele repetiu o nome, sua expressão de que não compreendeu nada a fez rir.
— Eu precisei inventar um nome para você, e por favor, quando ele trouxer o lanche não precisa falar, ele vai perceber que você não é brasileiro.
— Você que manda. — Sorriu.
Ficou boba com o sorriso do homem, era lindo demais e encantador; se perguntou muitas vezes de como não percebeu aquele sorriso quando assistia os vídeos com sua prima. Ele estava conquistando-a em uma única noite. Era impossível, isso não teria sentido, afinal ela nunca sentiu nada por ele... Ou sentiu, porém nunca quis assumir para si mesma?
— E do que é o lanche? — ele perguntou a fazendo sair de seus devaneios.
— O meu é vegano, já o seu é de carne, porém não sei se é bom então você vai descobrir sozinho.
— É vegana?
— Sim.
— Primeira vez que conheço uma garota vegana que pede um lanche de carne para um cantor.
— Tudo tem sua primeira vez. — sorriu prendendo seu cabelo em um coque frouxo. — Na verdade, eu me acostumei já, quando saio com minha prima eu compro para ela também.
— Eu tinha uma colega que também era vegana, mas ela tentava com todo lado “amigável” dela me fazer ser vegano também.
— Que amor, eu já sou de boa, assim nada de mais, não posso mudar tudo e todos. — foi sincera.
— Aqui está, dois lanches, um vegano. — entregou para . — E outro com carne. — entregou para “Carlos”. — Bom apetite.
— Obrigado. — agradeceu, pelo menos sabia dizer obrigado.
— Fiquei sem assunto. — ela assumiu.
— Você pode ficar até que horas aqui comigo?
— Bom, agora é dez horas, eu tenho mais meia hora, pois a minha prima vai me esperar, e ela já deve estar morrendo de sono.
— Se quiser ir para ficar com ela não tem problema. — mordeu seu lanche.
— Não, eu vou passar mais meia hora com você.
— Então vamos? Assim posso passar mais tempo ao seu lado.
— Vamos.
Aquilo realmente foi uma flertada entre os dois, e ainda mais vindo da parte dela. não sabia o que estava acontecendo, a quanto tempo não flertava com um homem e agora, fechando sua vida acadêmica e tentando ser uma cantora, flertava com um cantor famoso onde milhares de garotas queriam estar ali no lugar dela.
pagou os dois lanches e voltou para perto dele, que se desculpou por não poder pagar, afinal ele nunca imaginou que iria sair com uma garota depois de apreciar o show dela em um barzinho. Aquela noite se tornava inesquecível para eles, e com certeza iria fazer falta para ambos. Eles nunca se divertiram tanto assim, ainda mais que fazia um tempinho que não distraia a mente durante a Tour — sem contar os shows que ia de seus amigos e os restaurantes.

💛

O carro parou a duas quadras do hotel, deixando o homem com seu boné e óculos de sol em plena meia noite, do lado de fora do carro.
— Então é aqui que nos despedimos. — saiu do carro e apoiou na janela.
— Acho que sim, mas você vai me ver no show então, até.
— Até! — ele deu uma piscadinha.
— Ah, ! — o chamou. — Você consegue voltar para o hotel?
— Eu acho que sim, é para lá, né? — apontou para a esquerda.
— Não, entra no carro, eu levo você.
— Eu vou te atrasar. — entrou no carro.
— Está tudo sob controle, mandei uma mensagem para minha prima.
Não ficava muito longe de carro, e como estava de noite as ruas estavam mais tranquilas. o deixou um pouco antes do hotel, assim ninguém ia ver ele descendo do carro e também não iam ver a menina. se despediu da garota com um beijo na bochecha, a deixando tímida.

💛

A cantora chegou em casa à meia noite e meia, seus pais tinham saído para jantar desde o horário que ela tinha finalizado sua pequena apresentação. Tirava a jaqueta fininha que usava enquanto ia em direção ao seu quarto, e não pôde deixar de rir quando entrou no cômodo. Ali estava sua prima tentando aprender a tocar uma música do em seu violão.
— Oi, princesinha.
— Oi, Ellie. — soltou o instrumento e a abraçou. — Você trouxe pizza!
— Sim e não foi só isso, eu preciso que você faça duas coisas, ok?
— Ok.
— Primeiro fecha os olhos e abre uma mão, segundo não pode gritar mesmo se for a maior felicidade da sua vida, pois está muito tarde e tem gente dormindo.
— Combinado.
colocou o ingresso nas mãos da garota e deixou que ela tentasse adivinhar primeiro antes de abrir os olhos. Os dedos passaram pelo envelope, abriu devagar e segurou suas pulseirinhas, ela não acreditou quando sentiu. Seu coração de fã já sabia o que era.
— Eu não acredito! É o ingresso pro show do ! Obrigada, prima. — pulou no pescoço da mais velha.
— Sinceramente, Bel, eu não fiz nada. — mexia no celular procurando o vídeo. — Foi essa pessoa aqui que fez.
Mostrou à garotinha o vídeo. Bel, agradeceu por compreender o básico do inglês, sempre falou da importância, mas foi a primeira vez que pôde sentir o quão importante era saber ao menos compreender e se comunicar.
— Você conseguiu um vídeo do . — estava emocionada.
— Sim, ele foi lá onde eu trabalho e mais tarde ele me entregou os ingressos.
— Então vamos no show dele? Que show? Não tem nada na lista de shows dele.
— Ele me disse que é um pequeno show, aqueles tipos de shows improvisados, sabe? — viu a garota concordar com a cabeça. — Com isso, quando eu fui conversar com ele sobre você e que não poderíamos ir até o México ver o show dele, ele preparou isso. — apontou para as pulseiras.
— Tudo faz sentido agora, só tem um problema.
— Qual?
— Eu não tenho roupa para ir.
— Daremos um jeito amanhã, mas agora nossa única preocupação. — pegou dois pedaços de pizza. — É comer antes que esfrie.
Saber que ela estava feliz por um único show era gratificante demais. Terminaram suas respectivas pizzas e depois foram dormir. O dia seguinte seria apenas delas, e claro que ia fazer aquele dia ser especial, não só para sua prima.

Com o calor daquela manhã, acordou e foi para um banho rápido, enviou uma mensagem para sua chefe verificando se realmente a folga dela estaria programada para aquela data, e como se fosse mágica, tudo estava dando certo para aquele momento entre eles três.
iria ao um show no qual nem fazia questão de se arrumar toda, então por que ela marcou um SPA para ela e sua prima? Sim, não estava mais pirando, ela realmente tinha entendido o porquê evitou demonstrar tudo aquilo antes, é que ela não tinha tempo para pensar em coisas de fãs e amava escrever seus enredos, para bônus de apresentação. Entretanto, sabia que nunca na vida teria uma chance, não até aquele dia trinta de junho começar.
— Bom dia, flor do dia, vamos acordar porque temos muito que fazer hoje! — acordava a garotinha.
— Mas está cedo, Ellie.
— Eu sei, meu amor, mas hoje é o show do seu cantor favorito.
— Vamos! — pulou do colchão no chão.
Tomaram um café da manhã bem reforçado, com tudo que elas tinham direito, se despediram dos donos da casa e foram para o SPA; no meio do caminho a prima mais velha ligou para sua tia avisando que ia levar a garotinha para o show do e não teria como dizer não, pois já tinha os ingressos na mão. Receberam massagem, limpeza de pele — na verdade, quem mais precisava era , Clara só recebeu por ser um mimo a garotinha. De lá compram roupas para ir ao show principalmente blusa do queridinho, dito de uma forma amável, de sua prima. E com a ideia de Isabel, as duas saíram de casa com as roupas combinando.

💛

Estava um sol que poderia fritar um ovo ali. As garotas estavam próximas ao hotel, Bel não compreendeu muito bem, porém apenas continuou seguindo os passos de . Junto das outras fãs elas ali ficaram, até Jake aparecer. Ele entregou as mesmas pulseiras para as garotas ali e deu instrução para irem ao local onde seria o pequeno show.
Seguiram junto do montinho de fãs, até chegarem a um salão bonito e bem reservado, sentaram-se nas cadeiras quase que contadas para a quantidade de fãs, e ali esperaram.
Logo a frente à luz focou no palco, apareceu com o violão em suas mãos e um sorriso fofo nos lábios. Lindo! Camisa branca e um jeans por cima. As garotas gritaram e o aplaudiram.
Aos poucos ele começou a cantar e conversar com elas, algumas músicas cantava — aprendeu de tabela, já Clara conhecia todas e não errava nenhuma. Como uma meet and greet, ele desceu, conversou com elas, tirou foto e deu autógrafo. Principalmente com Clara Isabel, ela teve uma atenção mais afetiva, não saiu de lá sem um abraço levando consigo o perfume de em seu cabelo.

Nunca tinha visto aquela pequenina cantar tanto e tão alto igual aquele dia. Os olhos castanhos dela brilhavam com tanta intensidade, suas pequenas bochechas estavam coradas até demais, quem diria que um dia poderia ver sua prima cantando com tanto amor em meio a lágrimas que fez questão de enxergá-las. No fundo sentiu uma felicidade imensa dentro de seu coração por ter conhecido ontem.
Quando o show terminou, saiu do local onde elas estavam e foi para um cantinho mais calmo, sua prima questionava se já iam embora, mas como queria que fosse surpresa não respondeu referente a pergunta dela e fez a pequena gargalhar. Na noite anterior, antes de entrar em casa, leu o pequeno bilhete, havia um momento único que proporcionaria para Clara, sendo assim…
— Prima, aonde vamos? Eu não estou entendo nada. — era tão inteligente que dava até orgulho.
— Calma, está muito afobada você, viu. — fez coceguinhas na barriga dela. — Logo você vai saber. — elas seguiam o segurança.
— Fiquem aqui, por favor.
O segurança geral do evento se aproximou da sala dele e conversou com um homem, explicou e perguntou se era verdade e após ter a confirmação, deixou as garotas se aproximarem e entrarem no local.
— Oi! — colocou a garrafinha de água em cima da mesinha.
! — Clara disse quase em um sussurro. — Você é a melhor prima do mundo! — envolveu a cintura da mais velha com seus braços. — Obrigada!
— Ela entende um pouco de inglês, mas não é muito. — comentou. — Não vai abraçá-lo? — ela conversou com a prima em inglês.
— Oi, . — Clara estava envergonhada.
O momento foi tranquilo, entretanto, especial, os três ficaram sentados juntos e Clara foi perdendo a timidez com o tempo da conversa. Clara cantou algumas músicas junto dele e lógico que ela fez sua prima cantar sua música favorita. Acabou que quem mais se divertiu ali foi o , por conta das conversas que Clara tinha, e eventualmente se lembrou de sua irmã e que às vezes precisava traduzir algumas coisas para ela, normal e ele nem se incomodou.
— Prima, eu posso ir ao banheiro? — cochichou no ouvido em português.
— Sim, eu levo você.
— Não, você fica, eu reparei que o banheiro é ali na frente.
— Ok, eu vou com você até a porta.
— Também não precisa, eu consigo ir sozinha. — se levantou do sofá.
— Independente ela. — ele comentou.
— Muito. Às vezes acho que ela nem precisa de mim. — foi sincera. — Ela é minha irmã de coração, ai faço tudo por ela.
— É nítido isso, o jeito que você cuida dela e da atenção, é admirável.
corou, e abaixou o rosto, deixando seus fios caírem em seu rosto. se aproximou mais dela, fazendo com que aquele pequeno espaço sumisse; tirou o cabelo do rosto dela e segurou o queixo dela a fazendo olhar em seus olhos.
— Não só esse jeitinho seu com ela, mas sua voz, seus olhos, suas risadas, tudo em você é admirável. — acariciou o rosto dela.
não falou, apenas sorriu, um sorriso tímido e com suas bochechas mais coradas ainda. Não queria sair dali ou que sua prima voltasse logo, aquele toque suave era tão único que podia ter a certeza que o tempo estava parado. E foi ali que ela teve a certeza de que ela não só amava as músicas dele, mas também o amava.
se aproximou mais de , fecharam os olhos sincronicamente, sentiram suas respirações se misturarem; seus lábios se tocaram calmamente deixando todo aquele sentimento que sentiam ontem à noite se manifestar hoje naquele beijo demorado e intenso. Intenso não de segundas intenções, mas sim de amor indescritível. separou seus lábios, sem afastar seus rostos, contudo pode ver um modesto sorriso nos lábios dele.
, eu não sei se fizemos o certo.
— Eu também não, mas eu gostei e não queria ter evitado esse nosso beijo.
— Eu também não, mas não vamos poder nos ver depois disso, e você irá voltar para o caminho da sua tour.
— Mas isso não quer dizer, que deveríamos ter evitado esse beijo. Eu tive a melhor sensação ontem, o melhor sentimento, um que eu nunca tinha sentido antes. — segurou a mão dela. — Eu, não sei se conseguiria ficar sem você do meu lado, consegue me compreender?
— Sim, é como se nós nos conhecemos há anos e tudo, tudo se torna aquele momento... Como se tivéssemos conhecido há tempos e só agora nos encontramos.
— Exatamente.
— Mas não podemos! Temos vidas diferentes, temos rotinas diferentes, isso é impossível. — se levantou.
— Não é impossível. — foi atrás dela e segurou as mãos da garota.
— É sim, e você sabe, tenho certeza de que tudo isso foi momentâneo, e logo você vai esquecer em menos de uma semana. — seus olhos estavam marejados.
, não é verdade.
— Prima. — Clara entrou no camarim — Está tudo bem?
— Sim, vamos embora, o tem que ir viajar para outro show.
— Mas já?
— Sim, se despede dele, pequena.
— Tchau, . — o abraçou. — Obrigada.
— Por nada, Bel. — deu um beijo no topo da cabeça.

💛

Um mês depois.
Não foi fácil para dizer aquelas palavras naquele dia, ela pensava inúmeras vezes sobre sua atitude e não conseguia esquecer aquele beijo. Muito menos para , sentia que precisava vê-la, voltar para o Brasil e poder sentir seus lábios colados nos dela.
Estavam deitados em seus quartos, olhando para o céu. As mesmas estrelas iluminavam os dois, mesmo separados por quilômetros de distância. Naquela noite, escutava uma canção que parecia traduzir exatamente o que sentia.
Talvez fosse apenas uma ilusão, uma daquelas pequenas loucuras que o amor provocava, mas eles jurariam que as estrelas desenhavam no céu as silhuetas um do outro. Aquela ideia fazia o coração de ambos bater mais rápido, enquanto seus pensamentos atravessavam o oceano em busca do outro.
Perguntavam-se por que não podiam simplesmente ir ao encontro um do outro, por que aquele amor insistia em existir mesmo com toda a distância entre eles.
No fundo, porém, havia uma verdade silenciosa: talvez aquele amor não estivesse ali para ser vivido… apenas para ser sentido.
Eles não conseguiam mais viver longe um do outro, não aguentavam mais aquelas saudades ali no peito. Precisavam se ver, matar aquela saudade. Precisavam desse amor.

💛

Setembro de 2026.

postava um vídeo cantando a música do antigo grupo Tribalista, de todos seus vídeos que ela postou aquele foi o que mais teve repercussão, chegando até o produtor de — que já tinha mostrado o canal dela — ele ligou para a mulher e quem atendeu era ninguém mais e ninguém menos que o namorado dela. O Jake conversou e convenceu que ela fosse para o estúdio dele fazer uma audição e gravar umas prévias e caso ela os passasse iam gravar um álbum dela.
Alegremente a garota aceitou, e avisou seus pais, a melhor coisa foi que suas aulas tinham terminado e ela finalmente tinha se formado, e aquela viagem não iria atrapalhar em nada. viajou até o estúdio que ele tinha em sua casa em New Jersey.
Era outono então tudo estava em tons quentes, as árvores com suas folhas alaranjadas e alguns galhos estavam sem suas folhas. As pessoas andavam elegantes pelas ruas com seus copos de café e sinalizando para o táxi. Seu namorado foi direto para o Vertigo, uma loja de um cara que ele admirava, e enquanto isso a garota foi para o estúdio.

💛

Ficou sentada na sala de estar enquanto esperava ele descer de seu aposento, o que não demorou muito. Logo os dois foram para o pequeno estúdio, como haviam conversado Ellie — o apelido que sua prima a chamava, passaria ser seu nome artístico — cantou algumas músicas do Ed Sheeran e até mesmo do , o que a fez se sentir um pouco insegura, mesmo assim, ela optou por cantar a música que chegou até o produtor e assessor de Jake.
— Você precisa da letra? — ela indagou.
— Essa é a mesma que você postou em seu canal?
— Isso. — sorriu.
— Eu a tenho aqui traduzida. Pode começar a hora que estiver pronta. — passou segurança.
respirou fundo, ia cantar uma versão diferente, uma adaptação dela mesmo para a música do grupo. Pegou o violão que estava ao seu lado afinando as cordas e suavemente sem olhar para frente começou a cantar.
E novamente ele escutou aquela melodia sendo cantarolada pela mesma mulher que o conquistou naquele pequeno bar, entretanto sabia que a música estava diferente poderia não compreender muito o idioma, mas o ritmo estava bem calmo sendo tocada com toque de tristeza, aquela não era a que ele tinha conhecido há alguns meses. Aproximou-se de Harrington e o cumprimentou, os dois trocaram algumas palavras referente à garota e voltaram a prestar atenção na cantora.
Quando Ellie terminou de cantar, ela levantou a cabeça e olhou para frente e o sorriso que estava em seus lábios após escutar o elogio do homem, foi desfeito lentamente ao ver ao lado do produtor, a fez sentir tudo de novo, tudo o que tinha controlado meses atrás e achado que tudo tinha feito perfeitamente e conseguido esquecer aquele sentimento intenso.
— Vamos dar uma pausa, eu preciso fazer algumas ligações. — Jake falou segurando o botão.
— Ok — foi à única coisa que conseguiu pronunciar.
Saiu da cabine, sabendo que ele ia querer conversar com ela e não só ele queria conversar, ela também. Queria matar as saudades de alguma forma, de algum jeito, seja do jeito que for.
— Oi. — disse acanhada.
— Oi.
— Como estão indo os shows?
— Ótimos, cada um se torna incrível e inesquecível. Mas apenas um me marcou.
Ela entendeu e engoliu a seco, suas mãos gelaram. Ela não queria falar daquele dia agora, nem se lembrar dele.
— Eu imagino.
— Imagina mesmo? — se aproximou. — Se lembra também?
— sua voz saiu inaudível e com toque de súplica que ele não fizesse aquilo. — Impossível eu não me lembrar.
— Eu não esqueci em menos de uma semana, eu nunca ia conseguir esquecer você, . — segurou o rosto dela.
Seu nome soava tão sexy e encantador quando ele falava, o sotaque canadense era tão adorável de se escutar.
— Mas e você? Se esqueceu de tudo? — não se referiu às lembranças, mas sim aos sentimentos.
, eu.... — foi interrompida por uma voz masculina grossa.
, Amor! — ecoava pelo pequeno corredor que ia até o estúdio. Os dois se afastaram. — Te achei. Jake falou que você estaria aqui. — selou rapidamente seus lábios. — Prazer, sou Henrique, você é tal do cantorzinho que a Clara gosta, né?
— O nome dele? — olhou para a namorada.
. — falou no mesmo tom que a prima sempre falava. Brava e irritada. Ele não era um cantorzinho.
¬— Uou, desculpa se você também fica sentimental. — disse no idioma de origem. — Foi um prazer em conhecê-lo, mas tenho que levar minha namorada para almoçar. — Estendeu a mão. Apertaram as mãos.
— Tchau, . — Ellie disse com tristeza no olhar.
— Tchau.
Que droga.
Será que não existia sequer um momento para eles dois? Um instante a sós, longe de todos, onde pudessem conversar sem pressa.
Onde pudessem matar aquela saudade que parecia apertar o peito dos dois. Onde, finalmente, pudessem se declarar de verdade.

💛

Naquele mesmo dia Jake Harrington ligou para Ellie pedindo que daqui dois dias ela fosse até a casa dele e deixando bem claro que era sozinha já que da última vez, seu namorado causou um alvoroço na frente do portão da casa do produtor. Dito isso, ela concordou até porque não queria mesmo que houvesse outra confusão na casa do seu futuro produtor.
— Henri, precisamos conversar. — sentou na cama.
— Diga, meu amor, você quer fazer certas coisas? — a beijou com segundas intenções.
— Não. — levantou.
— O que foi? Você viu que eu estava certo. — falou com todo seu ego.
— O quê?
— Ah, , essa sua história de querer ser famosa, cantar, ter uma tour, meu amor, você sonha em ser uma Sabrina sendo que, me desculpa — ajeitou na cama, — você não tem potencial para isso. Fique comigo, você vai passar o tempo todo em casa apenas em casa.
— Eu… você só pode estar louco, Henrique, eu nunca largaria meu sonho para agradar homem nenhum, muito menos você. Eu acho, na verdade, eu tenho certeza, eu não tenho mais nada contigo, foram os três meses mais alucinados da minha vida! Como eu tive a coragem disso?! — prendeu o cabelo, a discussão lhe deu um calor.
— Você só pode estar de brincadeira.
— É a verdade.
— E como vai ficar nesse quarto?
— Me viro como sempre fiz, vou pegar minhas coisas. — passou a guardar tudo naquele mesmo instante.
— Você vai se arrepender.
— Nunca, Deus me defenderá!
— Pelo menos o caminho está livre, tem várias mulheres que me querem, eu fiquei com você só por... — movimentou as mãos em um vai e vêm. — Ao menos nisso você é boa.
— Você é um nojento e babaca, Henrique. Nossa! Adeus!
Saiu com classe. Não estava magoada — na verdade, não havia outra palavra capaz de definir o que sentia naquele momento. Afinal, seu coração ainda pertencia a .
Seguiu para o hotel que havia reservado para aquela semana nos Estados Unidos.

💛

Dois dias depois. Quinze minutos para cinco da tarde.

Ellie terminava de colocar sua meia-calça preta, calçou sua bota de cano longo e vestiu seu casaco. Pegou uma pequena pastinha que tinha algumas letras escrita por ela mesma e colocou em sua bolsa; depois de pagar um carro ela esperou pacientemente já que tinha chegado quinze minutos antes do horário combinado com Harrington, e ele estava em um telefonema muito importante. Enquanto ela o esperava, ficou tocando acordes aleatórios no violão que estava lá.
— Oi. — disse ao entrar no estúdio pessoal.
— Oi, Jake.
— Ansiosa? — sentou-se em sua cadeira, de frente para ela.
— Sim, até demais.
— Eu conversei com alguns amigos meus e falei sobre o seu talento. Mostrei aquela gravação que fizemos de você cantando nos dois idiomas e também contei que você posta vídeos fazendo covers e até músicas suas. — ele deu um gole na água antes de continuar. — Depois de ouvir tudo, eles pediram para que eu levasse você ao mesmo estúdio onde gravei os álbuns do Ed e do , para gravar o seu primeiro álbum. Também vamos entrar em contato com alguns cantores que você gosta para possíveis participações… depois você pode me passar os nomes. E, claro, incluir algumas músicas suas também. — Harrington sorriu de leve. — O que acha?
— Acho perfeito, estou até sem palavras. — seus olhos brilhavam. — Tem artistas brasileiros também que queriam fazer uma gravação de uma música deles.
— Pode passar também. — entregou papel e caneta. — Eu converso com eles, e as músicas escritas por você mesmo, já sabe qual vai gravar?
— Sim, tenho as cópias delas aqui e eu posso entregar para você. — disse escrevendo. — Todas elas eu cheguei a registrar lá no Brasil, por questão de medo de plágio.
— Sem problemas, você fez o certo, vou ver como podemos prosseguir. Você vai querer regravar uma do ?
— Dele não, talvez não agora. — foi tão rápida a resposta, tão direta, parecia que foi programado.
— Está bem.
Não falou mais nada, e a resposta dela foi totalmente ao contrário do que ele tinha imaginado.
Passaram um bom tempo conversando sobre o álbum, e alguns shows que ela faria, que pediu para começar com coisas simples, já tinha seu público no canal e não podia negar que já passava de mil inscritos, mas não queria começar na suíte do presidente, afinal, queria ganhar tudo aos poucos do jeito que sempre sonhou.
A caminho do apartamento que estava no endereço, os seus pensamentos estavam apenas nele, o que não era diferente com . Ela se perguntava se teria alguma coisa para fazer para matar toda aquela saudade que ela sentia dele, principalmente depois do britânico descobrir que ela estava namorando. Não queria parecer precipitada e pedir o número dele para Jake até porque isso não seria eticamente correto.
Estava com desejo de vê-lo mais uma vez, de poder escutar sua voz dizendo seu nome no sotaque mais gentil que pode ouvir, dizer que era e ainda é louca por ele e que deixou seu medo falar mais alto, fazendo assim ficarem longe um do outro. De todas as formas desejava que ele fosse até ela, de alguma maneira, e que trouxesse junto de si aquela felicidade que ele a deu em Goiânia. Precisava dizer a ele que queria aquele amor, e daria um jeito para mantê-lo mesmo em meio aos shows deles, seja do jeito que for, eles iam permanecer juntos.
Quando o relógio marcou seis e meia, Jake entregou o bilhete para Ellie e confirmou para ela que um de seus amigos — aqueles que ele tinha conversado antes, iria fazer uma reunião com ela, ensinar algumas coisas para a futura estrela do pop.

No papel marcava sete horas para ela estar no lugar de encontro. Sem hesitar, a garota concordou e se despediu de seu mais novo produtor. Esperava o carro chegar em seu destino enquanto falava com sua mãe no telefone; a mulher vibrava de emoção do outro lado da linha, ela dizia palavras que nem mesmo sua filha compreendia.
— Chegamos, moça.
— Mãe eu ligo mais tarde, tenho uma reunião agora.
— Se cuida, beijo, eu te amo.
— Pode deixar, beijo também te amo.
— Desculpa, quanto deu?
Pagou o motorista e agradeceu pela gentileza. Depois que o porteiro a deixou entrar, ela caminhou até o elevador esperando as portas metálicas abrirem. Ellie silenciou o celular depois de tocar a campainha do apartamento, esperava por qualquer pessoa abrir a porta, menos ele, .
— É, isso só pode ser brincadeira.
— Oi. Eu achei que você não ia vir, o Jake falou que era eu?
— Não, meu Deus, eu estava passando mal, ele nem sequer falou quem era o amigo dele.
— Se não quiser ficar comigo vou entender, você tem que voltar e ficar com seu namorado. — não gostava de falar sobre aquele detalhe.
— Eu quero, quer dizer, posso? Está frio aqui fora.
— Sim. — deu espaço para ela entrar. — Quer alguma coisa?
— Não, estou bem. — colocou a bolsa no sofá. — Jake disse que era importante, mas agora eu não sei que nível de importante é. — deu a deixa para ele explicar.
— Eu achei que poderíamos conversar, e quem sabe nos tornarmos amigos, mesmo depois de tudo.
— Amigos? — ela não sabia se tinha compreendido direito ou se estava ficando perdida nas palavras.
— Sim, porque você está bem agora. — se referiu ao Henrique. — Siga-me, por favor. — pediu.
— Eu realmente estou bem, mas eu não entendi. — pensou rapidamente. — Ai, meu Deus, você está falando do Henrique.
— Dele mesmo.
— Olha, , eu e o Henrique terminamos a dois dias atrás, e sinceramente. — o acompanhou com os olhos. — Eu não gostaria de tocar nesse assunto.
— Eu entendo e respeito. São para você. — entregou um buquê de rosas vermelhas. Não podia negar que estava feliz em saber que ela não namorava mais.
— São lindas. Obrigada, . — admirou o buquê. — Onde eu posso colocar?
— Pode deixar aqui. — pegou o buquê.
— Obrigada.
— Eu fiz esse jantar para nós dois, mas confesso que achei que teria que comer sozinho.
— Não vai mais.
— É um prato vegano, ok não tão vegano, mas o seu é um Yakissoba, porém sem carne eu me certifiquei disso, de sobremesa eu não sei o que fazia, então eu optei por uma salada de frutas. — fez rir. — Eu sei, não combina, mas normalmente quem pensa nessas coisas é a minha mãe e o apartamento não é meu. — os dois riram. — Eu achei mais prático fazer esses dois pratos. Você toma vinho?
— Sim, eu tomo, e a salada de frutas está perfeita, eu amo salada de frutas. — assumiu e não conseguia segurar o riso. — Você é incrível.
— Dizem isso. — abriu a garrafa de vinho e se serviu e serviu . — Mas é a primeira vez que escuto você dizendo isso.
Estavam se sentindo à vontade, como naquela noite em Goiânia. Conversavam e riam, não tinha como dizer que não desejavam aquele momento há meses. Quando descobriu que Harrington ia chamar para fazer um teste no seu estúdio particular, ele resolveu então tirar aquela semana que ela estaria em New Jersey para ficar ao lado dela e tentar se reconciliar.
O prédio havia sido alugado — se é que se podia dizer assim — apenas para aquela semana.
Depois do jantar, os dois subiram para o terraço. Sentaram-se em um grande sofá sob uma cobertura, enquanto flores e pequenas árvores em vasos decoravam o amplo espaço, deixando o ambiente ainda mais tranquilo.
— Decidiu todos os detalhes com o Jake?
— Sim. — ela se ajeitou no peito do rapaz. — Até vamos regravar algumas músicas.
— Isso é bom, e vai lançar as suas?
— Sim, acho que estou ficando ansiosa. — sorriu. — E os shows eu não sei lidar com isso. — se virou para ele toda animada. Seus olhos tinham um brilho que só conseguiu compreender e estava completamente feliz por ela. — Eu não sei se consigo, abrir um show com milhares de pessoas ali, cantando para eles. — virou de bruços apoiando seu corpo em seus braços. — Se eu já estou nervosa agora imagina no dia. Mas vou cantar uma que amei compor, aquela que minha prima fez eu cantar para você. — sorriu.
Glory Days. — falaram juntos.
— Você canta maravilhosamente bem, sei que todos vão querer saber mais sobre você. — acariciava o rosto dela, tentando acalmá-la. — Já sabe qual show vai abrir?
— Ainda não, eu quero fazer minha formatura primeiro, e trabalhar em mais músicas.
— Posso dar uma sugestão?
— Claro.
Ela escutou atentamente, e aceitava a ideia com o decorrer da explicação, ela ajustava algumas coisas e incrementava algo na ideia que o fez achar perfeito. Ia ser uma correria, mas ia se ajustar tudo. Estavam ansiosos principalmente por saber que iriam passar mais tempo juntos.
Naquela noite, os dois conversaram sobre tudo que aconteceu nesses meses que não se viram, ela também falou sobre o término com Henrique e por fim dormiram juntos — claro dentro do quarto dele e sem mais.
Dias depois, na mesma semana em que ela estava em New Jersey, acordou mais cedo, saiu comprando algumas coisas para o café da manhã e voltou para o apartamento. Foi até o quarto verificar se ela permanecia dormindo, ajeitou toda a mesa do terraço do prédio, com direito a bolo de chocolate e algumas cerejas; amava cerejas. Colocou o buquê em cima da mesa no local onde ela iria se sentar e por último levou o café e o leite, já que os brasileiros são os únicos que misturavam o café com algo a mais, e voltou para acordá-la.
— Bom dia. — deu um selinho na garota.
— Bom dia, , mas já? Que horas são?
— Quase nove horas, além disso, temos muito que organizar, certo? Vem, o café da manhã está esperando por você.
— Ok, está bem.
Se levantou e colocou o seu casaco quentinho, quando chegou na copa não encontrou a mesa pronta, se perguntou se em algum momento ele falou que ia sair para tomar café da manhã ou se ia fazer o café da manhã, a qual é, o sono estava grande demais naquele pequeno corpo.
? — o chamou.
— Vem, só me seguir. — estendeu sua mão.
Apenas confiou e o seguiu. E mais uma vez estavam no terraço daquele prédio. Ficou surpresa com tudo que estava naquela mesa e o agradeceu com um beijo.
— Eu queria fazer um pedido. — deu um gole em seu café.
— Pode fazer.
— Eu sei que parece e é muito repentino, mas eu não consigo mais deixar de imaginar minha vida sem você. — foi sincero. — Então junto desse buquê. — apontou e ela pegou. — Quero lhe pedir em namoro, , você aceita namorar comigo?
— Sim! — seu sorriso demonstrava toda a felicidade ao escutar aquele pedido.

💛

22 de setembro. Las Vegas.

O lugar estava lotado. Fãs cantavam algumas músicas de enquanto aguardavam sua entrada no palco.
No camarim, ele terminava de abotoar a camisa enquanto ajustava o salto prateado.
Pouco antes, ela havia cantado a terceira música que abria o show dele. E foi naquele pequeno intervalo que a pediu em namoro.
não podia negar: tinha sido a coisa mais linda e simples que já tinha vivido — exatamente como sempre sonhou.
— Estou pronta, o que acha? — disse ao bater na porta. Ela estava com outra roupa uma especial para aquela música que cantaria ao lado dele, a menina vestia um cropped de manga longa prata — que por sinal brilhava bastante, e uma saia branca, seus fios estavam enrolados.
— Linda como sempre. — a envolveu em seus braços. — Vamos? A noite é sua. — selou seus lábios e depois a puxou pela mão.
Pegou o microfone dela e entregou para ela e pegou seu violão. Ele subiu no palco, primeiro levando seus fãs à loucura, gritavam tantos “Eu te amo, , não sabia se ia conseguir controlar toda aquela emoção, afinal ela também era fã dele e todos, ou a maioria, já imaginavam que eles eram namorados.
Escutou seu nome ecoando pelas caixas de som, alguns fãs também gritavam por ela. “Ellie!” Era o momento do começo da sua carreira. Fez o sinal da cruz rapidamente e subiu para o palco.
E ali ao lado de , se sentiu segura. Cantaram juntos a música que ele fez especialmente com ela “Whatever it takes”.
— Viu, eu falei que elas iam gostar de você. — cochichou no ouvido dela. — No matter what, I’ll stay with you! — voltou a cantar olhando para ela.
beijou sua bochecha, arrancando gritos da plateia e deixando com as bochechas coradas.
Naquele momento, entre luzes, música e milhares de vozes ao redor, percebeu que sua história estava apenas começando.




Fim.


Nota da autora: Oi! Agradeço por ler a história, só que a sua presença aqui fez uma grande diferença.
Espero que cada personagem tenha agradado você.
Eu escrevi no ano de Copa, o que estamos e acho isso incrível, entretanto ela foi criada em 2018 e olha lá… kk, casou perfeitamente.
Nosso tem um pouquinho de vários cantores que eu gosto e mesmo assim tentei deixar ele mais maleável para se ajustar com o seu cantor favorito.
Muito obrigada, Beth e estrelarte por fazer parte da fanfic. 💜


Se você encontrou algum erro de codificação, entre em contato por aqui.

Não se esqueça de deixar um comentário para a autora!


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