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Codificada por: Calisto

Finalizada em: 12/01/2026
A ansiedade em sua vida começara dia 27 de julho de 2022.
deu mais um gole no café, rolando as notícias do twitter, e todas falavam exatamente a mesma coisa: Shawn Mendes havia anunciado uma pausa e estava voltando para casa.
A vida estava diferente: ela já havia se formado, estava em seu novo consultório e tivera dois relacionamentos frustrados, o que era uma média boa para seus 24 anos. Sim, as coisas haviam mudado bastante, mas as batidas do seu coração ao lerem aquele nome não tanto, para o seu azar.
Então, ela começou a ser assombrada por aquela sensação de que, em qualquer esquina de Pickering, poderia esbarrar no cantor.
Em sua imaginação, ele ainda tinha mais ou menos sua altura e um cabelo com franjinha, mas aquele Shawn não existia mais e estava há um tempo fora de sua vida. E, como era impossível não acompanhar a vida do antigo amigo, ela não sabia se era o momento para os dois se reencontrarem, por mais que seu coração se apertasse toda vez que pensava no que ele poderia estar passando.
A população da cidade não era enorme, mas grande o suficiente para que ela tivesse conseguido evitar esbarrar nele por pouco mais de um mês. Até a maldita mensagem.

Aaliyah: , dia 15 às 20h lá em casa.
Aaliyah: Eu quero um presente sim, não vou vir com desculpa de que não precisa.

Merda. estava jogada na cama depois de um longo dia de consultas quando viu a mensagem. Aaliyah era uma força da natureza que nunca deixara ir, mesmo que seu irmão tivesse se afastado há uns três anos.
E ela nunca perdoaria se faltasse seu aniversário de 19 anos com a desculpa de… bom, com qualquer desculpa.
Por isso, no dia 15, estava colocando um vestido marrom não muito justo e nem muito solto, marcado com um cinto rosa bebê que combinava com seus saltos plataforma. Era a quarta tentativa de roupa que ela testava, e agora não havia mais volta. Com as mãos levemente trêmulas, pegou sua jaqueta jeans, o presente e saiu para o ar morno de uma noite de fim de verão.
Não precisou pedir um uber, porque era Pickering. Com um fone de ouvido e boa vontade, você chegava a todos os lugares da cidade, e um desses locais era a casa dos Mendes.
Por um segundo, ela parou de frente para o portão, observando a casa. sentia que não haveria volta depois de entrar na festa, que algo dentro de si seria mexido de forma incorrigível. Mas não havia escolha, por isso ela forçou um sorriso e avançou para aquele espaço que um dia havia lhe sido tão familiar.
A casa não estava tão cheia quanto esperava: apenas alguns familiares, o namorado de Aaliyah, algumas meninas do time de hóquei da época da escola, algumas de suas novas amigas que já não reconhecia tanto. Pessoas espalhadas pela casa, assim como os balões dourados com escritos “19”. Na janela, a faixa escrita “FELIZ ANIVERSÁRIO”, com algumas estrelas. Claro que não se espantou com as várias bebidas espalhadas pela casa: agora Aaliyah poderia beber legalmente.
Mal pensou no nome da garota e foi sufocada por um abraço.
— Eu não acredito que você veio! Eu tinha certeza que você iria lançar alguma desculpa de que estava ocupada com o escritório e depois nunca mais me ver!
Aaliyah já estava levemente alterada, mas estava radiante em um vestido dourado e saltos pretos, sorrindo de orelha a orelha, o carinho transbordando em seus olhos.
— Eu pensei em faltar — confessou —, mas não sabia se estava pronta para lidar com seu ódio eterno contra mim.
— Ainda bem que sabe. Vem, meus pais vão ficar felizes em te ver.
se deixou ser arrastada, neutralizada por aquela presença tão intensa, até parar de frente para dois rostos gentis e familiares.
— Oi, Manny, Karen — a mulher falou gentilmente, ao mesmo tempo em que Aaliyah exclamou:
— Olha quem apareceu!
, querida! — Karen foi a primeira a falar, puxando-a para um abraço. — Quanto tempo! Para uma cidade tão pequena, sinto que mal nos encontramos, só vejo sua mãe no mercado toda quarta-feira!
— Estava com saudades — ela disse, sorrindo.
— E nós de você — Manny falou. — Como vai, ? Soube que você começou o seu escritório.
— Sim, estou muito contente. Cansada, claro, mas feliz por realizar esse sonho.
— Ah, garota esperta. Você merece — Karen falou, abrindo aquele sorriso maternal que a abraçava só com um olhar.
— E o que é isso na sua mão? Espero que seja um presente.
— É exatamente isso. — riu, estendendo o embrulho. — Espero que goste.
Aaliyah revirou a embalagem e deu um grande sorriso quando viu seu interior.
— Cookies! Eu adoro seus cookies!
— Eu lembrei de você falando algo assim da última vez que nos vimos — falou, sorrindo.
— E ainda bem que lembrou. — Aaliyah a puxou para outro abraço. — Obrigada.
, espero que aproveite a festa. Não vamos ficar tanto para deixar os jovens se divertirem.
— Até parece que você não é cheia de energia, Karen — brincou.
— Sim, mas agora nossa família cresceu. Vamos subir daqui a pouco para cuidar do Oreo.
— Oreo?
— Meu novo bebezinho. Ah, ele é uma fofura, depois vou te levar para conhecer!
As duas já estavam se afastando, quando ouviram a voz de Karen novamente.
! — A garota se virou, sorrindo. — Depois não esquece de procurar o Shawn. Ele vai ficar feliz de vê-la.
O sorriso de congelou no rosto, o ar se tornando mais rarefeito, enquanto ela fingia que aquele comentário tinha sido a coisa mais normal a se escutar.
— Pode deixar.
Karen sorriu, feliz, e a analisou por outro ângulo: uma mãe preocupada que estava vendo seu filho sofrer.
Uma mãe que acreditava que ela podia ser de ajuda, só que isso era bem improvável.
A garota afastou esses pensamentos enquanto seguia Aaliyah para o cabideiro, onde deixou sua jaqueta no meio de tantas outras. E já estava sendo arrastada para perto das garotas do time de hóquei da aniversariante, distribuídas no centro da sala pelos sofás e pufes, que discutiam a partida do ano passado, em que foram campeãs estatais.
— Oi, meninas! Lembram da ?
— Você também estudou em Pine Ridge, não foi? No ano de Shawn? — comentou uma das meninas loiras, Tina, se ela se recordava bem.
— É verdade! Ela sempre aparecia para torcer nos jogos dele — comentou uma morena.
— Você estava no jogo do ano passado também, né? Ele faltou porque estava fazendo turnê ou sei lá, mas você foi, eu lembro — Penny, a antiga capitã, afirmou. Não era uma pergunta.
— Sim, eu fui — respondeu, ainda um tanto sobrecarregada com tanta informação.
— Ótimo, alguém finalmente vai poder opinar sobre aquela falta e vamos mudar de assunto.
O corpo de reagiu à voz antes mesmo de se virar e ver seu dono. Quando seus olhos encontraram os olhos castanhos, suas mãos estavam trêmulas, mas seu corpo, um terrível traidor, a impulsionou em um dos clássicos abraços que sempre trocavam.
A sensação foi de voltar no tempo, para uma época de cookies pós treino de hóquei, de passar tardes revisando o texto do musical de primavera, de horas fingindo estudar matemática, quando na verdade estavam vendo um filme de Harry Potter. Para Karen aparecendo no quarto para entregar um balde de pipocas. Para sua própria mãe expulsando-os do telhado depois que eles tentaram assistir uma chuva de meteoros de lá. Seu rosto se afundou mais no corpo dele, que no momento estava com cheiro de perfume e algo que ela conhecia, da época da faculdade… maconha.
Ela se afastou bruscamente, percebendo o que estava fazendo. Aquele cheiro… em suas memórias, ele cheirava a amaciante, mas aquele não era o Shawn que ela convivera. Na sua frente, estava alguém que o mundo inteiro conhecia, mas ela não mais.
Suas bochechas ficaram vermelhas quando ela percebeu as amigas de Aaliyah observando seu afastamento brusco.
— Desculpa, não sei o que deu em mim — ela justificou, abrindo um sorriso amarelo.
— Não precisa se desculpar. Até parece que não nos abraçamos antes — ele falou, dando um aperto em seu braço que a fez relaxar um pouco do nervosismo, mas fez seu coração acelerar por outras razões.
? — Penny a chamou de volta para a realidade. — E aí? Foi falta ou não?
— Ahn… o quê?
— Qual é, . — Aaliyah sorriu para ela. — Quando aquela loira grandona insuportável de Havergal claramente agarrou a gola da Charlie. — Ela apontou para a morena.
forçou sua memória para o jogo que acontecera há mais de um ano atrás. Meu Deus, como ela se lembraria de um momento tão específico? Se lembrava de ver Aaliyah marcando, Manny comemorando e…
Ela olhou para a cara de Penny e lembrou de uma feição similar, mas muito mais vermelha e irritada assim que viu sua amiga caída no chão, depois de ser agarrada.
— Aquilo com certeza foi falta.
— Obrigada! — Aaliyah gritou.
— É óbvio que foi! Aquela juíza estava claramente comprada, merda de times de cidade grande! — Penny exclamou, e todas as meninas reclamaram juntas.
As meninas se distraíram com aquele debate e o corpo de sentiu a reaproximação dele.
— Mas e aí? Como andam as coisas? E a faculdade?
— Ah, já terminei. Comecei um consultório próprio agora.
— Jura? Nossa, que fantástico!
— É, não é nada demais. Sabe como é, o mercado de psicopedagogia está em alta.
— Na verdade, eu não sei como é — ele respondeu, com um sorriso adorável e confuso que a fez rir.
— Não importa. — Ela abanou o ar com uma mão. — É só um dia a dia normal. Atender os pacientes, às vezes comprar algo no mercado, lutar contra a vontade de pedir uma torta na cafeteria.
— Parece um dia bom — ele falou.
— Com certeza nada comparado a de um astro. — Ela revirou os olhos, antes de congelar no lugar.
— Não precisa ter medo de tocar nesse assunto — ele disse, baixo.
— Eu… não sei como você quer tratar isso — ela confessou.
Shawn se sentou no braço de um sofá, olhando para o teto. Ela se sentou em um puff perto dele, olhando-o um pouco mais de baixo do que geralmente já olhava. Assim, as olheiras ficaram bem visíveis.
— Eu também não sei. Mas estou fazendo terapia para descobrir isso. — Então, ele voltou a olhar para com um sorriso. — Você poderia ser minha terapeuta, você faz desconto para conhecidos?
— Eu… O que… Shawn! — ela exclamou, nervosa. — Um: um terapeuta não pode atender conhecidos, é contra o código de ética. Dois: eu nunca te daria um desconto, você tem mais dinheiro do que eu! Inclusive, eu faria uma taxa de 10% a mais pela sua grana.
— Interesseira.
revirou os olhos, segurando um sorriso. Ele tornava tudo tão… fácil. Como se o tempo não tivesse passado e ele não tivesse ficado famoso e arrumado uma namorada igualmente famosa para si.
Mas o tempo tinha passado.
— E aí, vocês topam um uno alcoólico? — Tina perguntou aos dois.
— Quem perder mais vezes vai ter que estrear o Just Dance! — Aaliyah completou, sorrindo. — Vou chamar o Jordan.
— Isso foi contra mim, não foi? Só porque eu perdi as últimas cinco partidas? — Shawn perguntou, fazendo sua melhor expressão de cachorrinho abandonado.
— Imagina, nada pessoal. — Ela sorriu, nada convincente.
Ele soltou um suspiro, balançando a cabeça.
— Vamos logo com isso, eu não quero dançar muito tarde.
E de fato, duas horas depois, todos gritavam instruções (em graus maiores e menores de alcoolismo) para Shawn e Penny em sua performance de Poker Face.
— Levanta o braço. É o direito, cara!
Tentando seguir as instruções de Aaliyah, Shawn quase bateu a mão na cara de Penny que, por sua vez, desabou no sofá atrás deles. A configuração da sala cheia de pufes não era exatamente a ideal para uma performance daquelas.
Mesmo assim, todos aplaudiram audivelmente ao final, como se fosse o próprio show da Lady Gaga. Aquele era o efeito de Shawn, o seu maldito charme, driblando até sua nota baixa no jogo.
— Charlie! — Aaliyah gritou, olhando para a amiga com um sorriso enorme.
— Toxic?
— Óbvio!
As duas pularam alguns pufes enquanto Shawn tentava recuar para o sofá. Quando enfim o alcançou, ele se jogou no seu prêmio, arrancando uma risadinha de uma sentada no braço do sofá, a perna quase encostando no braço do garoto.
— Você foi muito bem — ela debochou.
— É, nunca fui muito das performances corporais, geralmente é só meu violão e eu.
— Uma pena, está desperdiçando seu óbvio talento.
— Estou achando que você quer dançar — ele replicou, estreitando os olhos na direção dela.
— Claro que não! Eu não perdi o jogo.
— Nem Aaliyah e Charlie. — Ele apontou as duas com a cabeça, completamente envolvidas na dança.
— Mas eu sou bem mais velha que essas jovens meninas, não tenho mais idade para isso.
— Caramba… nem se eu me oferecer para dançar junto?
Aquilo ligou um alerta na cabeça de .
— O que você tem em mente?
— Algo familiar e divertido, como… o musical de primavera de 2012.
— Não! — Ela colocou a mão na frente da boca, tampando um sorriso.
— Sim! Vamos, , foi a primeira vez que estrelamos uma peça juntos.
Ela desviou o olhar para a performance das meninas, fingindo apreciá-las enquanto ganhava tempo para fugir. Quer dizer, ela deveria fugir, certo? E não sentir uma vontade absurda de dançar com seu ex melhor amigo de infância o único musical que estrelaram juntos antes que ele começasse a chamar atenção.
Ah, quem ela queria enganar? Era óbvio que ia acertar dançar com ele.
— Meu Deus, como você é insistente! Tá bom, eu danço!
Nessa mesma hora, a sala explodiu de aplausos dos outros convidados que haviam se aproximado para ver a dança.
— Tá legal, quem é o próximo?
— Nós! — Shawn anunciou, erguendo o braço de e fazendo com que a mulher se arrependesse imediatamente da decisão.
Aaliyah ergueu uma sobrancelha.
— Certeza, velhote? Não vai forçar a coluna?
Mas o comentário apenas arrancou uma risada de Shawn, que logo pegou o controle e digitou a música, gerando um friozinho na barriga de enquanto as pessoas começavam a reconhecer.
— Shawn! Eu me lembro de você nessa peça! — Aaliyah falou, subitamente animada, a bebida deixando-a ainda mais espontânea.
— Então vai se lembrar dessa performance. — Ele falava para a irmã, mas sorria para , erguendo uma mão para ela.
A mão que ela aceitou.
Os primeiros acordes de You're The One That I Want encheram a sala e, é claro, os dois não conseguiram se conter apenas em dançar.
I got chills… there multiplying. And I’m losing control — Shawn começou a cantar, a voz meio rouca, mas um sorriso no rosto. — ‘Cause the power you’re supplying it's electrifying!
riu enquanto a plateia aplaudia a dança e a cantoria dele. Então, pigarreou antes de começar a sua parte:
You better shape up ‘cause I need a man and my heart is set on you! — Assobios tomaram a plateia. — You better shape up, you better understand, to my heart I must be true!
Então as vozes dos dois, bem mais amadurecidas do que aos 13 anos, começaram a harmonizar para o refrão.
You're the one that I want! — Os dois cantaram juntos, como se ainda fossem os adolescentes que fizeram a peça, que ensaiavam ali, naquela sala mesmo, cada cena que tinham.
Eles mantiveram a dança e o canto (mesmo que às vezes perdesse o ar, afinal, não apresentava peças há uma eternidade), e a plateia foi se juntando e cantando junto.
Até que levou um susto com o que a tela mostrou que seria o próximo passo da coreografia depois do segundo refrão.
Que jogo era aquele que queria que ela literalmente pulasse em cima de Shawn, encaixando as pernas ao redor do quadril dele? As bochechas dela esquentaram só de pensar.
Mas Shawn não parecia ligar. Na verdade, abriu um sorriso e estendeu os braços, prontos para ela se jogar neles. E eles pareciam muitos bons de serem pulados. Mais tarde, ela culparia o álcool.
Então, antes que mudasse de ideia, seu corpo estava fora do chão e ela flutuou antes que sentisse mãos quentes a segurarem firmemente pela cintura, antes que suas pernas se enrolassem nele como se fizessem isso todo dia.
Ela conseguia sentir cada parte em que seus corpos se encostavam, cada pedaço parecendo prestes a entrar em combustão. Ela sentia tudo, e tinha a impressão que lembraria desse tipo de calor mesmo quando estivesse internada idosa em um asilo (ou principalmente nesse momento).
deveria se sentir envergonhada, deveria se recompor e parar com aquilo, mas Shawn começou a girá-la, e, com isso, girar o álcool que estava em seu corpo, deixando sua visão levemente turva por alguns segundos.
— Shawn! — ela gritou, parando de cantar. — Me solta ou eu vou vomitar!
— Desculpa — ele falou, com um sorriso torto, antes de cuidadosamente postá-la no chão.
O frio súbito atingiu seu corpo em cada local que ele não mais encostava. se sentia triste, mas ao mesmo tempo aliviada: conseguia agora se concentrar para terminar a música e a dança.
De acordo com o vídeo, a dança seguia com ela ainda em cima dele, mas os dois improvisaram, relembrando a coreografia bem mais inocente do tempo da escola.
— You're the one that I want! — Os dois cantaram, terminando na clássica pose final de 10 anos antes: ela com uma mão na cintura e a outra esticada para ele que, ajoelhado no chão, depositava um beijo na mão estendida. Gotas de suor escorriam da testa dos dois, lembrando-os que ainda era verão.
Os amigos de Aaliyah aplaudiam loucamente enquanto a irmã de Shawn o abraçava e outras pessoas escolhiam a próxima coreografia.
— Nossa, , tinha esquecido que você que tinha feito essa peça com meu irmão, você canta tão bem!
— Ah, obrigada! Estou surpresa que alguma coisa saiu da minha garganta depois de tantos anos apenas cantando no chuveiro.
— Se serve de consolo, o chuveiro tem sido meu único público há um tempo — Shawn falou, com um sorriso que não chegava aos olhos.
Sua expressão fez se lembrar da gravidade da situação. Nervosa, ela achou melhor desviar daquela seriedade.
— Sempre achei os condicionadores um pouco apáticos, mas os shampoos são grandes entusiastas.
Shawn a encarou, de olhos arregalados, antes de cair na gargalhada mais genuína que ela havia escutado na noite.
— Por Deus, como você chegou nessa conclusão?
— Os condicionadores são um público escorregadio! E os shampoos fazem bolhas.
— Ah, sim, como não pensei nisso antes? — ele falou, ainda no meio de uma risada.
olhou em volta, para aquela casa, para Aaliyah e Jordan, seu namorado, que imitavam os amigos na nova coreografia da vez (Umbrella), e para Shawn, que ria tão abertamente que fez seu coração acelerar.
Aquilo fez com que o sorriso de morresse. Coração acelerado? Não, ela se prometeu que sentiria o oposto daquilo. Mas estava arriscando demais, já era muito tempo ao lado de Shawn e seu charme perigoso.
— Infelizmente, eu preciso ir embora — ela anunciou a conclusão que seu cérebro chegara.
A risada de Shawn morreu, deixando-a levemente culpada.
— Mas já?
— Amanhã marquei com uma amiga cedo lá em casa, preciso ter energias para socializar.
— Ninguém precisa dormir de fato. Isso é uma invenção para vender remédio — Shawn falou, brincando, embora ainda meio tristonho.
— Fale isso para seu corpo quando ele morrer depois de 11 dias sem sono!
— Isso é um desafio?
Eles sorriram um para o outro, antes de Shawn a puxar para um abraço inesperado.
Era o terceiro contato na noite, ela recebia tanto calor que tinha a impressão que poderia morrer de hipotermia depois que eles se separassem.
— Não some de novo — ele sussurrou.
— Foi você quem sumiu da última vez — ela respondeu, tentando se manter bem humorada, mas a pontinha de acusação escapando na voz.
— Foi, não foi? — Ele suspirou entre seus cabelos. — Seu número ainda é o mesmo?
— É sim.
— Então eu vou te mandar mensagem e você não vai conseguir escapar de mim.
— Ok — ela respondeu, sem acreditar muito. Achava que era apenas efeito do álcool.
— Estou falando sério, .
— Caramba, Shawn Peter Raul Mendes! Já entendi a seriedade, não precisa me chamar de .
Ela sentiu a risada de Shawn vibrar do corpo dele para o dela, antes de ser afastada daquele abraço.
— Vou te mandar mensagem perguntando se você chegou — ele falou, sério.
— Aham.
— E amanhã vou te mandar bom dia. E alguma notícia sobre o campeonato de hóquei.
— Mal posso esperar — ela respondeu, com um sorriso irônico.
Mas quando ele a encarou, o sorriso se transformou em um verdadeiro. Eles ficaram alguns segundos se encarando, e decorou cada novo detalhe do rosto dele que havia mudado. Se perguntou se ele estava fazendo o mesmo, e achou melhor não saber.
Sacudiu a cabeça, quebrando o contato visual.
— Foi bom te ver, Shawn, agora tenho que dizer para sua irmã que vou embora.
— E depois, se você sair viva disso, responder minha mensagem perguntando se chegou bem em casa.
Ela revirou os olhos, sorrindo mais abertamente por causa do álcool, ou por causa dele.
— Mal posso esperar pelo seu bom dia — ela falou, antes de se virar de costas e se impedir de olhar para trás.




Um número desconhecido, que ela logo descobriu ser o novo número de Shawn, a mandou uma mensagem perguntando se ela chegou bem em casa. E mandou bom dia no dia seguinte, como prometido. A partir de então, os dois começaram a se falar todo dia. Fosse com um tik tok que mandassem um para o outro ou uma mensagem aleatória do que estavam fazendo, já sorria ao ver a notificação, sabendo de quem seria.
O mês de setembro terminou, e o outono começou em Pickering. Claro que, em outubro, apenas um assunto era o mais comentado: o Halloween. Aaliyah criou um grupo e colocou todos os envolvidos no uno alcoólico, mandando apenas uma mensagem bem clara.

Aaliyah: vocês vão sair comigo no dia 31 para pegarmos doces. E COM FANTASIAS!

No dia do Halloween, então, já estava vestindo uma perfeita imitação de Verônica Sawyer, de um de seus musicais favoritos, ajeitando o delineador enquanto acompanhava aos murmúrios a música que saía de seu celular, quando recebeu uma mensagem. Abriu um sorriso antes mesmo de vê-la.

Shawn: Pode passar aqui em casa?

sorriu com a mensagem. Era legal sentir proximidade de um de seus melhores amigos novamente, mesmo que isso viesse junto com borboletas no estômago.

: Claro. Chego em 15.

E, precisamente 15 minutos depois, a mulher estava batendo na porta dos Mendes. Há pouco tempo, jurou que isso nunca mais aconteceria na sua vida, e já era a segunda vez em menos de dois meses.
Foi Karen quem abriu a porta, com um sorriso, um chapéu de bruxa e um pote de doces na mão.
— Doces ou travessuras! — Então, ela arregalou os olhos e seu sorriso cresceu. — ! Ah, querida, você está tão bonita!
— Obrigada, Karen. — Ela sorriu, levemente tímida. — Vim encontrar Aaliyah e Shawn para sairmos para pegar os doces.
— Aaliyah foi na frente com Charlie, comprar alguma coisa que é melhor eu nem saber. — Ela revirou os olhos, segurando um sorriso. — Mas Shawn está lá em cima. Por que você não vai chamá-lo? Lembra onde fica o quarto?
Ah, ela lembrava. Eram poucos detalhes relacionados a Shawn que sua mente conseguiria esquecer. sentiu o nervosismo invadir seu corpo e forçou um sorriso.
— Claro, já volto.
Ela passou por Karen, entrando na sala agora bem mais arrumada e vazia sem os enfeites de aniversário. Mas dessa vez ela seguiu direto para o segundo andar.
A cada degrau, sentia que estava invadindo a privacidade do amigo, ao mesmo tempo que se recordava ter feito isso tantas vezes antes. Era apenas natural, mas eles não eram mais os mesmos. A cada foto pendurada na parede, cada ranger de degrau, as memórias iam voltando, até ela se ver parada na frente da porta dele.
limpou as mãos na roupa, sentindo-as suadas de nervoso, e bateu naquela simples porta de madeira que guardava tanto dentro dela.
— Entra.
Engolindo seco, ela empurrou a porta.
Tudo estava exatamente igual. As paredes marrons, a luz amarelada, os violões pendurados na parede, os quadros, o armário aberto, a cama de casal. E, no centro de tudo, Shawn vestido de Harry Potter, como era em todo Halloween. Isso tirou um sorriso de , o corpo relaxando.
— Você não sabe ser criativo não? — ela zombou, mas estranhou quando ele não sorriu de volta. Ela fechou a porta atrás de si, ainda o olhando, tentando ler sua expressão. — Você tá bem?
— Não muito, na verdade. — Ele abriu um sorriso fraco, mas não a olhava nos olhos.
se aproximou de Shawn, passando por ele e se sentando na cama. Ela deu dois tapinhas, convidando-o a se sentar ao lado dela. Com um suspiro, ele soltou o corpo ali.
— Agora, me conta o que houve.
— Achei que você tinha dito que pessoas conhecidas não podiam ser terapeutas dos outros.
— Nem começa! — revirou os olhos. — Você que me chamou aqui, e isso se chama amizade. Pode ir falando. — Ela deu uma pausa. — Quer dizer, se quiser ir falando.
Ele abriu um sorriso e olhou para os próprios pés, o óculos de Harry Potter deslizando um pouco por seu nariz.
— Eu sei que combinamos de sair hoje com todo mundo — ele começou, tristonho —, mas eu não acho que consigo.
Ela esperou que ele dissesse mais alguma coisa, mas Shawn ficou em silêncio. Ela então respondeu:
— Tudo bem.
Ele olhou para ela, em choque.
— Tudo bem? Sem mais perguntas?
— Se você não quiser falar mais nada, então sim, sem mais perguntas. — Ela deu de ombros.
— Mas… eu vou estragar seu Halloween!
— Na verdade, eu estava com muita vontade de ficar em casa e assistir Harry Potter e o Cálice de Fogo, então você acabou de salvar meu Halloween.
Logo, a expressão chocada dele mudou para um sorriso aberto de verdade.
— Vou pegar o notebook e pedir pra minha mãe fazer uma pipoca. Como antes.
— Como antes — ela respondeu, sorrindo, antes de pegar o celular e procurar o contato de Aaliyah.

: Me perdoa, mas eu e Shawn não vamos conseguir ir hoje. Depois eu te explico melhor.

— Você tem HBOMax? Eu só tenho Netflix e Disney — Shawn falou, voltando pro quarto com o notebook.
— O rico aqui é você — ela replicou, mas passou a conta dela mesmo assim.
Pouco depois, Karen havia deixado o pote de pipoca com um de seus sorrisos maternais, Shawn e deitaram lado a lado na cama de casal, como tantas vezes antes (exceto que antes ele não tinha 1,90m de altura) e a música do quarto filme preencheu o quarto.
A Copa Mundial de Quadribol estava começando quando Shawn soltou, de repente:
— Eu ainda não consigo estar em meio de multidões.
— Tá tudo bem, você não é obrigado a me contar nada — respondeu.
— Mas eu quero falar. — Ele se levantou e pausou o filme, antes de se virar para ela. — Estou tendo ataques de pânico.
ficou quieta, oferecendo seu espaço de escuta. Shawn voltou a se sentar na cama e apertou as duas mãos juntas, nervoso.
— Eu cancelei uma turnê inteira, . Milhares de fãs decepcionados, centenas de pessoas que seriam empregadas perdendo essa renda, essa expectativa. Tudo porque tem algo errado comigo.
— Não tem nada de errado com você — ela respondeu, irritada por ele falar tão mal de si mesmo. Ele abriu um sorriso.
— Obrigado, eu sei que você provavelmente tem razão, mas é difícil pensar direito quando você se sente sobrecarregado e tendo esses ataques… sabe por que eu voltei? — ele perguntou de repente, e ela só negou com a cabeça. — Eu comecei a estragar essa coisa de cantar e aí… eu percebi que, tirando isso, eu não tinha nada. Nada mesmo. Nenhum hobbie, nenhuma outra coisa que desse sentido pra minha vida. Nos últimos anos, minha vida girou ao redor de uma carreira que eu estou arruinando, um relacionamento que já está arruinado… por Deus, , eu te afastei!
Ele respirava pesado, os ombros indo para cima e para baixo rapidamente. nem pensou antes de se atirar nele, o abraçando.
— É claro que você tem uma vida! Você é um filho e um irmão incrível, um grifinório que adora Harry Potter, que sempre foi bom no hóquei e no teatro musical, o próprio Troy Bolton! Um cara carinhoso que adora qualquer coisa na natureza, que é gentil com qualquer coisa que respira. Esse é você, para além da sua carreira, para além de qualquer relacionamento, e por isso, não importa se a gente se afastar, eu sempre vou voltar para o meu melhor amigo.
se afastou, e agora eram os ombros dela que se mexiam rapidamente enquanto ela arfava. Os dois se encararam intensamente, muitas emoções transbordando, a tensão crescendo entre os dois, até que Shawn abriu um sorriso triste.
— Acho que isso até descreve alguém que eu já fui, só não sei se eu ainda sou essa pessoa.
— E você voltou para cá para ser, né? Então toma seu tempo, faça o que te fizer bem. Você sabe que está cercado de pessoas que te amam e vão te apoiar. Se descubra, se reconecta, quem sabe até começa um ramo novo?
— A merda é que, mesmo que cantar em público me dê quase vontade de explodir hoje em dia, parece ser a mesma coisa que me mantém respirando. Isso não faz sentido, faz?
— É confuso — ela admitiu —, mas talvez você só precise ressignificar? Sabe, cantar não precisa estar associado a uma obrigação. Como fizemos no aniversário de Aaliyah.
— Aquele dia foi divertido. — Ele sorriu, mas voltou a abaixar a cabeça. — Eu tentei cantar e compor sem pressão, mas tudo o que eu tento compor fica ruim.
— Se você tá categorizando como ruim, então ela ainda tem algum significado de trabalho pra você. A música não precisa ficar boa.
Os olhos dele se estreitaram.
— Por acaso vocês terapeutas têm alguma matéria na faculdade sobre como consolar cantores fracassados? Você falou igualzinho à minha psicóloga.
soltou uma gargalhada.
— Sim, Shawn, nós temos. Inclusive você foi tema de uma aula nossa, por isso temos tanta experiência.
— Tenho medo de você estar falando sério — ele respondeu, erguendo uma sobrancelha.
Ela sacudiu a cabeça, ainda sorrindo, antes de pegar na mão dele.
— Obrigada por compartilhar como você tava se sentindo comigo.
— Obrigado por ouvir. — Ele sorriu.
— Conta comigo sempre que precisar. Você não precisa estar sozinho enfrentando tudo isso.
— Então você não vai me deixar sozinho enfrentando o Voldemort? — ele perguntou, sério.
— Posso ficar com a pipoca assistindo e torcendo por você? — Ela ergueu o pote já na metade.
Shawn abriu um sorriso maior e despausou o filme, voltando a se sentar colado com ela na cama.
— Acho que serve por hoje.
E eles continuaram a assistir aquele filme que eles sabiam cada frase decorada. Em algum momento da prova do labirinto, os olhos de começaram a se fechar. Com a consciência apagando, ela agarrou um braço macio e deitou a cabeça em algo que era melhor que um travesseiro. De algum lugar distante, ela ouviu uma risadinha e sentiu um beijo na testa enquanto era ainda mais aconchegada.
— Eu não te mereço. — Ela pensou ouvir antes de se entregar para o mundo dos sonhos.



fechou a blusa de manga comprida de flanela enquanto Shawn passava rápido no gelo, seguido por Aaliyah, Penny, Charlie e Tina, além de Brian, Matt e Ian, alguns dos amigos mais antigos de Shawn de quem lembrava da época da escola. Junto, desengonçado, seguia Jordan, com quem mais se identificava naquele momento. De alguma forma, eles acabaram no ringue de gelo de Pine Ridge, alugado por Shawn depois de um pedido especial ao seu antigo treinador — que o adorava.
Não fazia muito sentido que estivesse ali, a única que não ia jogar, mas Shawn ficou uma semana a enchendo de mensagens até ela aceitar. E o fato de ele fazer tanta questão da presença dela… fazia coisas com seu coração.
E ele parecia tão feliz no gelo, com seus amigos mais antigos. Tão leve. Nada dos sentimentos ruins do Halloween, apenas duas semanas antes. Não que os sentimentos tivessem sumido, ela sabia que não funcionava assim, mas ele estava tendo um dia bom, e isso era mais do que ela podia pedir.
Aaliyah gritou alguma coisa para Brian quando ela marcou um ponto, mandando o disco para dentro da rede, e aplaudiu. Eles já estavam há mais de uma hora jogando quando Penny simplesmente se jogou no gelo.
— Desisto! Não tenho mais a mesma idade de antes, a mesma atleticidade, o rendimento caiu.
— Você parou de jogar ano passado — Ian apontou, patinando para perto dela.
— Penny tem razão, hora de mudar esse jogo — Brian disse, patinando até alcançar suas coisas e tirar três garrafas de cerveja de lá. Ele abriu um sorriso travesso. — Hora da verdadeira brincadeira.
— É isso aí! — Shawn gritou, então se virou para a arquibancada. — Nem adianta se esconder, , pode vir para cá agora!
— Eu?! — Ela quase se engasgou. — Você sabe que eu sou péssima patinando, especialmente envolvendo bebidas.
— Sim, eu nunca vou esquecer meu aniversário de dezesseis. — Ele sorriu. — Mas você só precisa chegar no meio. Vamos, eu te ajudo.
Enquanto Brian derramava cerveja na boca de Matt, calçou os patins e tentou, terrivelmente, se equilibrar até a entrada do ringue, e as luzes intensas e brancas não ajudavam muito o seu caminho.
— Vem. — Shawn surgiu rapidamente na sua frente, patinando com destreza, um pouco de suor escorrendo de seu rosto. — Não vou te deixar cair.
— Certeza que não posso ficar andando só na beirada? — perguntou, embora tivesse aceitado a mão de Shawn.
— A cerveja não vai chegar na beirada.
— Droga. — Ele riu da cara irritada dela.
, estamos em um impasse — Matt anunciou, apontando para Brian.
— Por que eu sempre sou chamada para esse tipo de coisa? — ela reclamou, as pernas bambas enquanto tentava se aproximar, agarrada em Shawn como se ele fosse uma boia salva-vidas atirada no mar revolto.
— Faz parte da sua profissão, não? — Penny argumentou.
— Não, literalmente não faz — ela disse, revirando os olhos, mas aliviada de, enfim, conseguir chegar ao centro. Mesmo assim, não largou Shawn. De precaução.
Matt abriu um sorriso, arrancou a garrafa da mão de Brian e apontou para ela.
— Diga-me: Shawn levou ou não levou um fora da Lauren Loonis na sétima série?
— Tô te falando, foi da Mallory Pritz! — Brian reclamou, tomando a cerveja de volta para si.
— Hm, na verdade não. — deu de ombros. — Matt tem razão, foi um fora bem feio da Lauren no aniversário do Patrick no boliche. Ele era fissurado pelo cabelo colorido dela.
— Eu disse! — Matt falou, empurrando Brian de brincadeira.
— Eu poderia ter respondido isso, sabe? — Shawn reclamou, apertando a mão de .
— Mas é muito mais divertido descobrir pela que você tinha uma quedinha por garotas de cabelo colorido — Aaliyah completou, sorrindo.
— Ah, não, era só a Lauren — enfatizou. — Mas, em defesa dele, tudo ficava bem naquela garota.
— E pensar que hoje ela é mãe — Tina disse, sacudindo a cabeça, incrédula. — E daí que ela engravidou com 23? Pra mim, é gravidez na adolescência.
— Um brinde à não gravidez na adolescência! — Brian exclamou, passando a garrafa para Ian.
— Definitivamente um brinde para isso — Charlie concordou.
nem viu em que momento a garrafa parou em sua mão, mas ela não reclamou ao tomar um bom gole. Passou a cerveja com um sorriso para Shawn, que também deu um longo gole. Ela tentou não encarar muito conforme a garganta dele se mexia.
— Vamos brincar de duas verdades e uma mentira. — Não foi uma pergunta. Aaliyah sorriu. — Eu começo.
— Lá vem. — Tina revirou os olhos, sorrindo.
Aaliyah começou a patinar ao redor dos amigos, com o dedo na boca enquanto pensava até que abriu um sorriso, parando logo ao lado de Jordan, o abraçando.
— Eu nunca pulei de paraquedas. Eu nunca fiz uma tatuagem. — Ela pensou bem e teve uma ideia. — Eu escrevi uma fanfic famosinha com o Harry Styles.
Os amigos se entreolharam, fixando o olhar em Charlie, Penny, Tina, Shawn e Jordan, que tinham mais conhecimento da garota.
— Ela nunca pulou de paraquedas — Shawn confirmou.
— É, ela sempre teve medo de altura — Penny disse, enquanto a amiga mostrava um sorriso misterioso.
— Ela sempre teve um crush meio absurdo no Harry, mas escrever? — Tina virou a cabeça, com os olhos estreitos.
Para , a expressão de Aaliyah continuou a mesma, mas um leve tremor de olhos fez Charlie bater uma palma.
— Ahá! Ela entregou, ela tem uma fanfic famosa com o Harry!
— Eu não acredito que você tem uma fanfic famosa e nunca me contou. — Shawn a olhou, chocada. — Você já escreveu alguma sobre mim?
— Credo, claro que não! — Ela fez uma careta.
— Mas voltando ao importante… então a mentira é sobre não ter tatuagem.
Penny arregalou os olhos.
— E você nunca contou pra gente? Eu confiava em você!
— É uma tatuagem secreta — Jordan falou, dando uma piscadinha.
Todos fizeram barulho de ânsia de vômito enquanto Aaliyah dava um beijo em Jordan, depois tomando um gole da cerveja. Ian pigarreou, chamando a atenção de todos.
— Minha vez. — Ele encarou cada um ali, criando um suspense antes de falar: — Eu só desmaiei uma única vez. Minha bebida favorita é limonada rosa. Eu prefiro praia do que piscina.
— Você já desmaiou — Matt falou, rapidamente. — Apagou total naquele jogo em Toronto.
— É mesmo! Cara, fiquei assustado pra caralho — Shawn completou. — E tenho quase certeza que foi a única vez.
— O que nos resta limonada rosa e praia ou piscina — falou, ganhando um sorriso de Shawn.
— Ele de fato adora limonada rosa. Lembra que ele tinha medo de tomar na escola e ser chamado de bicha? — Brian apontou, sério.
— É, aquela merda de escola…
— Mas será que é a favorita dele? — Penny falou, deixando o comentário de Shawn para lá, mas percebeu que ele ficou um pouco abalado.
Certas memórias ainda doíam mais do que ela poderia saber. Por isso, ela apertou a mão dele, em apoio. Ele sorriu, ainda olhando para Brian, e apertou a mão dela de volta.
— Matt, quantas vezes fomos na praia com Ian? — Brian perguntou.
— Sei lá, chuto umas cinco?
— Mas a lua de mel dele foi na Tailândia — Shawn relembrou.
— Mas a mulher dele mandou, e aí não resta opção, né? — Matt deu de ombros.
Ian assistia à discussão com um sorriso mínimo no rosto. Por fim, Tina chamou a atenção de todos, irritada.
— Merda, vamos decidir logo! Eu voto na limonada, quem tá comigo?
Aos poucos, confusos, algumas mãos foram se erguendo com os votos. Aaliyah, Penny, Charlie, Jordan. foi influenciada e ergueu a mão também, levando a de Shawn junto. Ian abriu um sorriso.
— Limonada rosa é minha bebida favorita.
Vários xingamentos ecoaram pelo ringue, enquanto Brian e Matt comemoravam com Ian.
— Eu nem quis votar, foi ela quem levantou minha mão! — Shawn exclamou, indignado, enquanto passavam a garrafa de cerveja para ele.
— Agora que você sabe a verdade, você nega — Aaliyah falou, sacudindo a cabeça em reprovação antes de receber uma garrafa também.
, sua vez! — Penny falou, sorrindo.
— Eu?! — O que ela iria dizer? Olhou ao redor, para os rostos ansiosos para descobrir mais uma mentira. Pigarreando, continuou: — Ok, eu… já fiz um piercing. Eu nunca tive uma quedinha por um colega de cena. Eu já vi uma mulher vomitar e vomitei junto.
— Ah, a do piercing é verdade! Eu lembro que você postou no close friends — Aaliyah denunciou, fazendo se xingar por esquecer desse detalhe.
— Um piercing? Onde? — Tina falou, vasculhando o rosto de , como se tivesse deixado algo passar.
— Ah, pra ver esse piercing, ela teria que tirar a blusa. E o sutiã — Aaliyah falou, com um sorriso sacana.
O rosto de pegou fogo.
— Aaliyah!
Ao mesmo tempo, ela sentiu a mão de Shawn se fechar mais fortemente ao redor da sua. Ela olhou para ele, tentando ler sua expressão, mas falhando.
— Eu acho que…
O que quer que Charlie fosse falar, foi interrompido pelo toque do celular de Ian, que foi correndo atender.
— Cara, já são quase dez da noite! — Brian falou, olhando o próprio celular em choque.
— Temos que liberar o espaço até as dez, né? — Penny perguntou, recebendo vários acenos positivos. — Então vamos dar o fora daqui!
Todos começaram a patinar rapidamente para fora do ringue. olhou para Shawn, desesperada.
— Não me solta, por favor.
— Nunca. — Ele piscou para ela.
Com calma, ele foi patinando ao lado dela, segurando sua mão enquanto as pernas dela mantinham a mesma consistência de uma gelatina. Quando finalmente saíram do ringue e se permitiu respirar de novo, uma eternidade parecia ter passado.
Sem patins, eles pegaram as coisas, apagaram as luzes, fecharam as portas e acabaram indo parar no lugar onde tudo parecia sempre terminar: o gramado.
— Minha nossa, aquela torre está pedindo para ser escalada, cara! Você não concorda? — Brian falou para Shawn, e os dois sorriram abertamente um para o outro.
— Vocês são dois merdinhas mentirosos, duvido que tenham realmente escalado a torre — Matt falou, revirando os olhos, com uma das três cervejas na mão (que já estavam nos seus minutos finais).
— Pera, vocês dois escalaram a torre de energia? — Penny perguntou, chocada.
— Eles dizem que escalaram, tem uma diferença — pontuou.
— Eles costumam dizer muita coisa — Aaliyah concordou com a amiga, matando uma das cervejas e jogando a garrafa dentro de uma sacola. — Cara, eu adoro esse lugar!
— É lindo, né?
levou um susto ao escutar o sussurro de Shawn no pé do seu ouvido. Os amigos continuaram discutindo, mas os dois só olhavam para o céu, nenhum outro barulho chegando até eles.
— É, é sim — ela concordou.
Eles caminharam um pouco mais, se afastando do grupo, os olhos ainds grudados no céu estrelado.
— Eu vi seu documentário, sabia? — ela confessou, sem conseguir encará-lo. — E foi tão estranho você mostrar esse lugar! Tantos momentos que tivemos nessa cidade que a maior parte do mundo nem conhece, agora transmitida para milhões de pessoas.
— Relaxa, eu não contei para ninguém que sua primeira ressaca foi aqui.
Ela deu uma cotovelada nele, rindo, mas o riso morreu cedo entre os dois.
— Você parecia tão feliz gravando o documentário.
— E eu estava. Em parte. — Ele chutou uma pedra, que saiu rolando pela grama. — Mas parte de mim já estava mostrando os sinais de que eu não aguentaria.
— Você está mais feliz? Aqui?
— São felicidades diferentes — ele confessou. — Ainda sinto falta dos palcos, por mais que não consiga ainda me imaginar em um. Porque o que é Shawn Mendes sem um violão e sua voz?
— Sabe, eu fiquei pensando nisso depois que eu saí da sua casa no Halloween. — se deitou na grama, deixando mais fácil para seu pescoço. Escutou o peso de Shawn cedendo ao seu lado logo depois. — E eu tive uma ideia. Todo ano, eu tenho participado do coral de Natal de Pickering, ajudando com as crianças e tals. É divertido, sabe? Emocionante. É uma chance para eu me reconectar com a música, de não abrir mão dessa parte de mim mesmo sabendo que eu nunca poderia fazer disso minha carreira.
— Você poderia — Shawn interveio.
— Não, não poderia. Mas a questão não é essa. — Ela suspirou, tirando um pedaço de grama que estava pinicando seu braço. — A questão é que talvez possa te ajudar, sabe? A se conectar com a música para além do profissional e das expectativas, só… uma cidade pequena, com crianças que mal sabem quem você é ou que, se souberem, vão ficar encantadas com sua ajuda. Onde ninguém vai saber te julgar sobre se você atingiu a nota perfeita, é só para ser sobre a comunidade. — Ela encarou Shawn, sentindo-ss subitamente boba. — Não que você precise ir, foi só uma ideia, entende?
O corpo de Shawn rapidamente entrou no campo de visão dela conforme ele se ajeitava nos cotovelos.
— Entendo. Entendo muito bem. Obrigado por ter pensado em mim, eu vou considerar.
Ela abriu um pequeno sorriso, que logo morreu em seu rosto. A tensão entre os dois crescia conforme o silêncio se estendia, mas eles não desviavam o olhar um do outro. Pareceu uma eternidade até Shawn decidir falar.
— Você vomitou depois de uma paciente do seu professor vomitar também. Foi no primeiro ano da sua faculdade.
— Como? — Ela também se ajeitou nos cotovelos, sua mente demorando a entender de onde ele estava tirando aquilo, até que ela se lembrou do jogo. — Ah, sim. Você lembrou.
— Eu nunca esqueceria nada que você me contou. — Ele abriu um sorriso e afastou uma mecha de cabelo do rosto dela. — O que nos deixa com duas verdades e uma grande mentira: você já teve uma quedinha por um outro ator da escola. Quem?
As bochechas de pegaram fogo conforme ela era confrontada pela maior verdade que escondera em toda sua vida. Mas ela já tinha bebido cerveja, o céu estava bonito, e talvez por isso ela tenha decidido encará-lo, até que ele percebesse.
E ela viu a mudança nos olhos dele quando ele percebeu.
— Ah — ele disse, simplesmente.
— É.
— Eu… nunca soube.
— Era a intenção. — Ela abriu um sorriso.
— Não acredito que você teve um crush em mim há tantos anos! Foi na época de Grease?
— É, não precisa ficar se achando — ela reclamou, emburrada, voltando a se largar na grama e olhar o céu.
Mas o rosto sorridente dele voltou a entrar em seu campo de visão.
— Até quando?
— Oi?
— Até quando esse crush durou?
— Isso não importa! — Ela reclamou, sentindo que seu corpo entraria em combustão. Ali estava, o primeiro caso do mundo de uma mulher que se autoexplodiria por vergonha.
— Importa sim! Vai, até quando? O ensino médio?
ja havia cavado a própria cova. Olhando o rosto sorridente e curioso de Shawn e com o coração batendo na garganta, ela decidiu logo se jogar para o fundo dela.
— Não sei se de fato terminou. — basicamente gaguejou a resposta.
Ela observou o sorriso dele conforme ele absorvia as palavras. Seu sorriso brincalhão, doce e provocador começava a se transformar em uma cara de choque, até que ele ficou sério. Era tão estranho vê-lo assim, só fez seu nervosismo triplicar.
Até que ele abriu um sorriso tímido.
— Não acredito que corri atrás de Lauren Loonis quando você estava lá.
— Eu não tinha o cabelo colorido — ela respondeu, tentando brincar, mas a voz quase falhou ao sair da garganta. Por Deus, ela era uma mulher adulta! Confessar um crush não significava nada demais.
Nada demais até o polegar dele traçar toda a sua mandíbula e lançar arrepios que desceram por seu corpo inteiro.
— Obrigado. Desde que tudo aconteceu, eu sinto que você tem sido uma âncora para mim. Longe de tudo, sem expectativas, e sempre tão cuidadosa. Ainda por cima, nunca deixou de ser sincera comigo, mesmo agora. Eu só posso te agradecer.
— Não faço isso por qualquer sentimento bobo que eu tenha, faço isso porque você é meu amigo — ela disse, erguendo o queixo, fazendo questão de deixar claro.
— Não acho um sentimento bobo. — O olhar dele caiu sobre os lábios dela.
As borboletas em seu estômago pareciam tentar forçar uma saída a qualquer custo, a agitação interior sendo totalmente contrastante com a calma com que Shawn colou os lábios nos seus.
O mundo explodiu. Podia ter beijado dezenas de bocas na vida, mas nenhuma a deixara tão tonta quanto a dele. Shawn colocou a mão por trás da cabeça de e a puxou mais firmemente em sua direção, abrindo sua boca com a língua. Ela agarrou na lapela dele como se a vida dela dependesse daquele beijo não acabar, e talvez dependesse.
Em algum momento, Shawn tombou para trás na grama, e, incapaz de se separar de , ele a puxou por cima de seu corpo. Ele era quente e forte, como ela havia sentido em todos os abraços por tantos anos, mas agora tudo parecia diferente, tinha um peso tão maior. Ela fantasiou muitas vezes aquele momento, e nada parecia nem arranhar a superfície da realidade. Shawn Mendes era, finalmente, seu.
Ela afastou rapidamente a boca da dele quando entendeu seus próprios pensamentos, olhando-o no fundo dos olhos.
— Não quero que ache que, só porque me beijou, eu vou esperar uma declaração da sua parte.
— Eu sei, você é sensata demais para isso. — Ele abriu um sorriso, injustamente lindo olhando-a apoiado nos cotovelos com o cabelo bagunçado e os lábios inchados. Mas então ele suspirou. — Não vou mentir, eu estou fodido para caralho para entrar em um relacionamento, provavelmente.
— E eu não vou mentir e dizer que não esperava isso. — desviou o olhar para baixo. — Mas não vou mentir e dizer que não me magoa.
Ela sentiu o dedo dele a forçando a olhar para cima, para o sorriso reconfortante que ela tanto conhecia.
— Ei. Mas isso não significa que eu não quero ver aonde isso nos leva. Eu te acho tão incrível, , a garota mais incrível que eu já conheci. Depois da minha mãe e da minha irmã — ele acrescentou, tirando uma risada dela. — Você é tão gentil e parece ter as melhores respostas na ponta da língua. É divertida e tem uma voz linda, por mais que negue. Tão linda quanto você. — Seu olhar percorreu o rosto da mulher, deixando-a tonta. — Eu quero explorar isso, desde que você me prometa que não vou perder sua amizade.
— Não vai. Eu tentei, e como tentei, não te perdoar por ter se afastado de mim, mas você consegue ser convincente pra caralho, né? — Os dois riram. — A sua amizade já é parte de mim, Shawn. Nada pode mudar isso.
— Então vamos tentar. Porque, sendo honesto, você está me confundindo há algum tempo, desde que nos reencontramos — ele confessou. — E pensar em um piercing secreto no seu umbigo me deixou excitado pra cacete.
Embora seu útero parecesse prestes a explodir de tesão, ela abriu um sorriso misterioso para ele, mordendo o lábio antes de falar.
— Na verdade, são dois piercings. Um em cada mamilo.
Nada poderia tê-la preparado para o olhar que tomou o rosto dele segundos antes de Shawn avançar para a boca dela, faminto. Assim como os lábios, as mãos dele partiram sem receio para explorar a pele dela. Como havia pouca coisa exposta, começaram a correr para dentro da blusa quadriculada de flanela. Quando os dedões encostaram nos piercings por cima da blusa, ambos gemeram audivelmente.
— Gente, vocês não acreditam no que o Brian arrumou! Ele… Puta merda! — Aaliyah exclamou.
Os dois se separaram como se puxados à força e encararam a irmã de Shawn, que estava boquiaberta. pulou para fora do colo de Shawn.
— Aaliyah…
— Quer saber? Não sei se fico surpresa, mas não quero detalhes. — Ela ergueu as mãos para o alto, como que se estivesse se rendendo. — Só vim avisar que Brian conseguiu umas vodcas, mas voltem para… o que quer que seja isso.
Aaliyah voltou correndo, deixando e Shawn para trás. Eles se encararam, de olhos arregalados, então caíram na gargalhada.
— Meu Deus, na frente da sua irmã, que vergonha! — colocou as mãos na frente do rosto, presa entre a risada e a vontade de desaparecer.
— Você acha que ela esperava “o que quer que seja isso”? — ele perguntou, fazendo aspas com as mãos ao repetir as palavras da irmã.
— Acho que eu vou morrer hoje — ela disse, ainda escondida em sua vergonha.
Shawn afastou delicadamente as mãos dela, tirando-a da escuridão para uma visão do rosto feliz dele.
— Por favor, não morra. Acabei de descobrir como é delicioso te beijar.
Puta merda, aquele homem era um perigo. Ela sentiu a vontade de se atirar nele surgir novamente, mas sacudiu a cabeça.
“O que quer que seja isso” vai precisar continuar depois. Em outro lugar.
— Com mais privacidade — ele concordou.
— E, de preferência, uma cama.
Os olhos dele faiscaram e uma das mãos dele se firmou na cintura dela.
— Definitivamente uma cama.
— Mas agora… Agora nós vamos beber a vodca do Brian enquanto vemos nossos amigos tentando fingir que Aaliyah já não contou tudo para eles.
— E vamos ter uma ressaca embaraçosa que vai durar quase todo o domingo.
— Não precisa ser quase todo o domingo. De tarde podemos estar bem — ela disse, passando uma unha por cima da blusa dele.
Ele sorriu, um sorriso faminto que ela estava conhecendo e aprendendo a adorar.
— De tarde estaremos ótimos.
Ambos sorriram. Shawn pegou a mão de , estrelaçou e depositou um beijo, antes de puxá-la de leve em direção aos amigos deles, de volta para a realidade, mostrando que aquilo não estava acabado.
A vida não possui oportunidades perfeitas. poderia se arrepender de não ter se declarado para Shawn antes. Recear que estivessem juntos em um momento que parecia fadado ao fracasso.
Mas ela estava ali, cercada de tantas pessoas que ela agora considerava suas amigas, feliz. Porque ela sabia que se lamentar só iria afastar aquele sentimento bom do momento, da vitória, como se ela tivesse ganhado uma maratona bem longa.
Talvez não desse certo. Talvez ela não fosse o amor da vida dele. Talvez ele voltasse ao mundo da fama e a esquecesse de novo. Tantas eram as possibilidades, e ela não poderia adivinhar.
Mas poderia escolher viver aquele momento.


FIM


Nota da autora: Olá!
Obrigada por ter chegado até aqui e ter usado seu tempo para ler essa história, espero que tenha gostado!
Essa foi a primeira história que eu escrevi com alguém real, e de presente para minha amiga oculta, Dora. Espero que ela tenha gostado (depois de todas as minhas pesquisas sobre o Shawn kkkkk) e que você goste também!
Beijos, até a próxima <3

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