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Independente do Cosmos🪐

Última Atualização: 06/06/2024

☀️🔥💘


O sol queimava a pele já bronzeada de .
Ela fechou os olhos por alguns segundos sentindo a brisa salgada do mar enquanto parte do seu guarda-sol fazia uma sombra minúscula em uma parte do seu corpo. Era o tipo de tarde que ela amava — céu azul, um mar cristalino e a sensação de que nada poderia estragar seu dia.
Seu grupo de amigos conversava animado enquanto bebiam uma cerveja gelada, ouviam uma música aleatória e alguns até flertavam entre si. E, além do grupo de amigos, tinham algumas pessoas que eram amigos de seus amigos, e aquilo formava um grupo de quase dez pessoas.
Mas aquilo não a incomodava. Até que gostava de se enturmar e conhecer pessoas novas.
sorriu de canto, balançando seus pés levemente na areia quente, deixando os grãos escorrerem pelos seus dedos. Ela ouvia o barulho das risadinhas e conversas se misturando com o som das ondas, e ela se permitiu relaxar.
Ou, pelo menos, tentou.
Porque sua paz foi rapidamente interrompida por uma voz que ela conhecia bem demais.
?
Seu corpo enrijeceu antes mesmo de virar o rosto. Ouvir seu nome ser chamado por um tom de voz que ela costumava ouvir todos os dias fez seu estômago revirar de um jeito que odiava.
Devagar, ergueu o olhar e encontrou os olhos de Joshua. Seu ex-namorado.
Ótimo. Exatamente o que faltava para estragar o dia.
Ele estava ali, parado a poucos passos de distância. Seus cabelos castanhos estavam bagunçados pelo vento e um par de óculos de sol presos no decote da camiseta. Bronzeado, com aquele maldito sorriso de canto que ela já havia amado pra caramba.
piscou rapidamente, se forçando a engolir sua irritação.
Ela queria sumir.
— Não achei que veria você por aqui — ele comentou, cruzando os braços. Parecia intrigado demais com a presença da garota.
Sum deu de ombros.
— Pois é. Acho que não é só você que gosta de praia.
O garoto deu uma risadinha baixa, conhecendo bem a acidez que costumava ter. Principalmente quando estava irritada.
— Me lembro bem disso.
Silêncio.
quis revirar os olhos. Ele sempre fazia isso — jogava um verde, esperando para colher maduro. E era algo que ela havia passado a odiar depois que terminaram.
— E aí, você veio só com seus amigos? — Joshua tentou o mais casual possível, mas o conhecia muito bem para saber que só estava querendo ser enxerido.
Ela virou o rosto rapidamente, tentando buscar com o olhar desesperado uma de suas amigas que estavam ali, mas para seu azar, todas estavam ocupadas; ou no mar, ou beijando alguém.
Ela prendeu a respiração por um segundo, lutando contra a vontade de dizer que não era da conta dele. Que ele não tinha que se preocupar com aquilo já que não eram mais nada um do outro.
Mas, ao invés disso, pressionou os lábios, pensando em algo que provavelmente a faria se arrepender depois.
— Na verdade… não. Eu tô com alguém.
Droga.
Sentiu o próprio estômago revirar assim que a frase escapou. Por que ela disse aquilo? Para evitar que ele se achasse importante? Para não parecer vulnerável?
De qualquer forma, era tarde demais. A merda já tinha sido jogada no ventilador.
Joshua arqueou a sobrancelha, claramente mais interessado do que antes.
E seus olhos quase brilharam em descrença.
— Ah, é? Quem?
A pergunta fez querer abrir um buraco no chão e se enfiar ali mesmo. Joshua continuava ali; colocou uma das mãos no bolso e vasculhou a feição de , como se soubesse que ela estava mentindo.
Mas, antes que a garota tentasse pensar em uma resposta para se livrar dele de uma vez, ouviu o barulho do cooler sendo remexido e uma voz que ela não conhecia interrompeu os dois.
— Oi, amor, desculpa a demora.
congelou.
Por um segundo, pensou se tinha mesmo alguém falando com ela e, quando olhou para o lado, sentiu o impacto de lábios beijando sua bochecha.
A garota petrificou.
E ela sequer sabia quem era aquele cara.
Um braço deslizou ao redor de seus ombros de forma despreocupada, quente contra sua pele. Ela sentiu um arrepio imediato subir pela nuca antes mesmo de se virar para encarar a pessoa — , amigo de Hanna, uma de suas melhores amigas —, que se sentou na areia, do lado de sua cadeira.
Ele continuava ali, sorrindo de canto, como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo.
— Quem é você? — Joshua questionou, estreitando os olhos.
Ele já estava vermelho por estar levemente queimado, mas parecia ter virado um pimentão com o que estava acontecendo.
. Namorado dela.
quase engasgou. O quê?!
Joshua alternou o olhar entre os dois, com a expressão ainda mais desconfiada. Ela sentiu a mão de apertar suavemente sua coxa; um gesto pequeno, mas que queimou contra sua pele outra vez.
sentia o coração bater a mil, mas não sabia dizer se era por Joshua estar a confrontando, sendo que nem deveria ou se era pelo desconhecido — que ela precisava admitir que era um gato —, que estava a salvando da situação.
— Engraçado… Nunca ouvi falar de você.
Joshua alfinetou.
— Bom, isso diz muito mais sobre você do que sobre mim, né? — respondeu, claramente se divertindo com a situação. — E quem é esse cara, linda?
piscou algumas vezes, tentando acompanhar a rapidez com que as coisas estavam acontecendo. ainda tinha a mão grande e macia encostada em sua pele, e a maneira despreocupada como ele falava — como se realmente fosse seu namorado – fazia seu estômago dar voltas.
Ela observou o ex visivelmente desconfortável antes que pudesse responder.
— Eu sou o ex.
Ahhh soltou uma risadinha, assentindo, como se tudo fizesse sentido agora. — Então é por isso que você parece tão interessado.
O outro estreitou os olhos.
— Só achei curioso. Nunca ouvi falar de você e eu conhecia muito bem.
bufou, finalmente recuperando a voz.
Conhecia. Tempo verbal no passado.
sorriu de canto, deixando claro que estava amando o rumo que a conversa estava tomando.
— Exato. A questão aqui é que agora ela tá comigo.
Joshua apertou os lábios. Seus olhos analisavam a cena à sua frente, como se fosse o fim. podia ver sua mandíbula travada, e isso, bem no fundo, a fez sentir um prazer enorme.
— Que rápido, hein? — alfinetou outra vez.
A garota deixou uma risadinha escapar. Fala sério que ele queria mesmo falar sobre aquilo.
— Engraçado ouvir isso de você.
soltou uma risadinha baixa, como se soubesse do que se tratava e puxou um pouco mais para perto, como se precisasse deixar claro o quão íntimos eram.
Seu toque era firme e natural, como se conhecesse há muito tempo.
— Bom, amor, melhor a gente não dar muita atenção pra isso agora, né?
prendeu a respiração por um segundo. Porque raios toda vez que a chamava daquele jeito, seu coração parecia querer pular de dentro do peito?
Joshua observou a interação dos dois por um momento antes de soltar um riso seco, balançando a cabeça.
— Certo. Foi bom te ver, .
Deu meia-volta e se afastou pela areia sem esperar qualquer resposta da garota.
Assim que ele sumiu no meio da praia lotada, soltou o ar que nem tinha percebido que estava prendendo. Ela virou para com os olhos arregalados.
— Tá brincando que você entrou mesmo nessa?!
Ele riu, finalmente tirando a mão da sua coxa — e para ser sincera, ela quase protestou —, mas sem se afastar completamente.
— Só achei que você tava precisando de ajuda — deu de ombros.
— Eu nem te conheço direito!
— Ah, mas seu ex não sabe disso — piscou para ela.
cruzou os braços, estreitando seus olhos.
— E porque quis me ajudar?
Ele inclinou a cabeça, como se a resposta fosse óbvia.
— Eu tava entediado — deu de ombros. abriu a boca, incrédula. — E fala sério, o babaca quase explodiu de raiva.
Ela abriu a boca para tentar retrucar, mas parou. Porque, no fundo, ele não estava errado.
O pior era que ela sabia que deveria encerrar aquilo ali. Agradecer, seguir seu dia e esquecer que aquela loucura aconteceu. Mas quando sorriu de canto com um brilho travesso nos olhos, percebeu que não queria encerrar coisa nenhuma.
Deixou suas costas encostarem na cadeira de praia outra vez e riu fraquinho.
— Você tem um ponto.
puxou outra cadeira e se sentou do lado dela. ergueu uma sobrancelha, mas não reclamou.
— Então, namorada, o que fazemos agora?
Perguntou, parecendo bem interessado. Ele levou uma das mãos nos cabelos loiros, os bagunçando levemente. E o observou minimamente antes de virar o rosto para o mar.
era um gato, não podia negar.
Riu pelo nariz.
— Agora você volta pra onde quer que estava antes dessa loucura começar e eu finjo que nada disso aconteceu.
fez uma careta exagerada.
— Nossa, que frieza. E eu aqui achando que tínhamos algo especial.
revirou os olhos, com um sorrisinho ainda brincando nos lábios.
Ela o olhou novamente.

.
Ele disse o nome da garota de um jeito tão casual que fez um arrepio subir pelos braços de .
— Você é do tipo que gosta de implicar, né?
— Só pra manter as coisas interessantes — deu um sorriso travesso, sem tirar os olhos de . — E você parece estar se divertindo mais do que quer admitir.
Ela tentou manter a expressão séria, mas não conseguiu evitar sorrir minimamente. Pior que ele estava certo, tinha alguma coisa que estava a deixando intrigada demais naquele garoto.
— Acho que você tá entendendo as coisas um pouquinho errado.
— Tudo bem, namorada. Vou deixar você no controle. Por enquanto.
Ela revirou os olhos. Não conseguia acreditar no que havia se metido.
— Vamos ver então quanto tempo você consegue continuar com isso.
Comentou, descrente de que pudesse ser tão insistente por muito tempo.
Ele se inclinou para trás, parecendo confortável. Abaixou os óculos escuros e virou o rosto em sua direção.
— Pode deixar. O jogo só tá começando, amor.

☀️🔥💘

segurava um drink enquanto caminhava pela faixa de areia com do seu lado e o grupo de amigos um pouco mais na frente.
Desde mais cedo, quando Joshua a importunou e resolveu ser seu salvador, os dois engataram em uma conversa sem fim e cheia de implicâncias. Discutiam sobre os mais variados assuntos, desde o melhor sabor de sorvete até os lugares mais insuportáveis que já tinham visitado. Mas, tinha algo muito confortável na presença dele.
Algo que não sabia se devia se preocupar.
— Você acha mesmo Santa Monica insuportável? — arqueou uma das sobrancelhas. — Não tem como não gostar daqui.
riu e balançou a cabeça, bebericando um pouco o líquido no copo.
— Eu não disse insuportável no sentido ruim — respondeu, olhando o mar brevemente. — Só que é o tipo de lugar onde você tropeça em um turista perdido a cada cinco passos. Não é bem o meu tipo de férias.
Ele soltou uma risadinha, se afastando um pouco mais da água.
— Então por que veio pra um lugar que ia ter exatamente o que você detesta?
a olhou, adorando implicar em qualquer oportunidade.
respirou fundo. Ele sempre tinha um bom ponto.
— Acho que eu tava precisando mudar a rotina um pouquinho.
— Hmm… — o loiro murmurou. — E acabou esbarrando com seu ex pé no saco.
— Lá vem você de novo com isso…
Os dois riram. balançou a cabeça.
— Só tô dizendo, que sorte, hein — a empurrou de leve pelos ombros. — Pior que ele virou uma sombra desde que te encontrou. O cara tem cara de quem não sabe quando se afastar.
suspirou, mas não pôde evitar rir também.
— E isso é um saco. Não sei mais o que fazer.
deu de ombros, ainda sorrindo travesso.
— Dá um soco na cara dele. Às vezes funciona — disse, simples. Como se não fosse nada demais e estivesse acostumado a fazer aquilo.
arregalou os olhos.
!
— Ok, talvez não seja a melhor ideia… Mas você sabe, uma ameaça nunca é demais.
deu uma risada nervosa, olhando em volta. Ela queria mudar de assunto, mas um pontinho no canto da sua visão a fez congelar.
Olhou para o quiosque de bebidas perto da praia e lá estava Joshua, os observando como se soubesse exatamente onde ela e estariam a cada segundo.
Claramente tentando disfarçar sua perseguição.
percebeu a mudança na expressão da garota e seguiu seu olhar.
— Ótimo, o stalker voltou — comentou, tentando aliviar a tensão que sentia.
Ela respirou fundo outra vez.
— Ele não vai parar, né?
— Acho que podemos tentar forçar isso.
sorriu de canto, como se estivesse confiante demais com o que estava pensando. Então, sem mais nem menos, se aproximou de , colocando as duas mãos em sua cintura e a puxou para cima, carregando a garota no colo.
Continuou a andar com a garota em seus braços.
! — gritou.
Involuntariamente, a garota passou os braços pelo pescoço do garoto, que gargalhou.
— Que foi, namorada? Não tá gostando?
— Me coloca no chão, você é maluco! — falou, um pouco mais baixo. — Eu vou cair assim!
— Não vai, não. Eu tô aqui pra te salvar a qualquer momento — piscou para ela.
O coração da garota aqueceu com o que ele havia dito. Quando olhou para o garoto, sorrindo abertamente, deixando claro que se divertia com o que acontecia, seu estômago revirou.
Mais uma vez.
Não sabia exatamente o que aquilo significava, mas tinha algo no garoto, no jeito que ele a olhava, no modo como se aproximava, que a fazia esquecer, por um momento, que nada daquilo era verdade.
— Me coloca no chão, — repetiu.
Ele balançou a cabeça.
— Não confia em mim?
perguntou, brincando, mas ainda sem soltar. o olhou, sorrindo minimamente antes de desviar o olhar para o mar.
— Isso é sério? Você é maluco!
— E você parece tá adorando isso tudo — a apertou de leve, fazendo soltar um resmungo engraçado. — Só mais um pouquinho, ele ainda tá olhando.
revirou os olhos, mas o sorriso não conseguia sumir do seu rosto. Sentiu o calor da proximidade de e, mesmo tentando não demonstrar, ela sabia que estava se deixando levar pela situação.
Ele era imprevisível, divertido e engraçado. Impossível não gostar de estar junto dele.
— Só queria um pouco de paz — murmurou, fingindo drama. Ele riu.
— Com você presa aqui no meu abraço e eu fazendo você perder o resto da sua dignidade? Impossível — comentou.
se afastou ligeiramente, só o suficiente para encará-lo com os olhos estreitos, mas sem conseguir segurar a risada logo depois.
— Você não tem mesmo vergonha, né?
— Vergonha é para os fracos, — balançou a cabeça, a descendo levemente dos seus braços. — E você, pelo visto, só tá com medo de não conseguir resistir.
— Resistir a que?
A garota perguntou, ajeitando a roupa e os fios teimosos do seu cabelo.
— A mim, ué.
Seu coração se descompassou e deixou os olhos caírem sobre o rapaz, que a olhava mais divertido do que antes. Tinha que admitir que conseguia ter um charme diferente, com aquele jeito de ser e os benditos olhos verdes brilhantes que fariam qualquer pessoa se apaixonar.
— Dá pra parar com isso?
— Achei que você tava gostando, namorada — alfinetou, rindo fraquinho.
retrucaria, mas Hanna se aproximou afobada, chamando os dois.
— Ei, vocês dois! Querem jogar vôlei?
E os dois trocaram um olhar divertido, antes de saírem correndo em direção aos amigos.

☀️🔥💘

nunca imaginou que Santa Mônica pudesse ser tão quente como estava sendo naquele dia. E, enquanto as ondas quebravam perto deles, o grupo de amigos estava reunido na área de vôlei da praia, separando as equipes e prontos para uma partida que, desde o início, já parecia mais uma competição engraçada do que um jogo sério.
Ela ajeitou o óculos escuro no topo da cabeça e aqueceu a bola nas mãos antes de levantar para o saque.
Do outro lado da rede, esticou os braços, relaxado, com o sorriso mais despreocupado do mundo desenhado em seus lábios.
— Aposta quanto que você erra o saque? — provocou, dando uma piscadela.
revirou os olhos, tentando ignorar a piadinha. A verdade era que ela estava tentando de tudo para manter a barreira de conhecidos entre eles dois, por mais que fosse incrivelmente difícil com o jeito irritante de .
— Aposta quanto que eu miro na sua cara?
Os amigos soltaram risadinha, já percebendo que aquilo ia ser mais uma troca de provocações do que um jogo.
jogou a bola para cima e acertou um saque pesado. Para a surpresa de todos, nem tentou defender; só ficou parado, a observando totalmente impressionado.
Bom, ele não esperava que ela realmente fosse boa no jogo.
— Caramba. Que força, amor.
A garota sentiu o rosto esquentar e alguns olhares se viraram em direção à ela na mesma hora.
— Amor?
Louis, um de seus colegas, perguntou, franzindo a testa no mesmo instante.
— Desde quando isso?
Kelsea arqueou as sobrancelhas, interessada. E antes que pudesse responder, se aproximou minimamente, com o mesmo sorrisinho convencido no rosto.
— Ah, vocês não sabiam? A gente tá bem nessa fase apaixonada — disse, como se fosse óbvio, mandando um beijinho no ar para , que sentiu que explodiria a qualquer instante.
Arregalou os olhos.
— Você…!
Ela queria muito esganar por continuar com aquilo bem na frente dos seus amigos. Até iria, não fosse pelo puxão de Hanna em seu braço.
As duas se afastaram um pouquinho do falatório.
— Como assim, ? — a amiga tinha os olhos arregalados. não sabia nem o que pensar. — Achei que vocês nem se conheciam.
Hanna soltou uma risadinha.
É porque realmente não nos conhecemos! quase gritou aquilo, mas apenas deu um sorrisinho sem graça, olhando rapidamente para .
— Acho que… Aconteceu?
Para ser bem sincera, a garota queria mais do que tudo dizer a verdade para sua amiga. Não queria sustentar aquela mentirinha por muito tempo porque sabia bem que coisas assim nunca davam certo. Em contrapartida, não tinha muita certeza se alguém ali no meio conhecia seu ex namorado além de Hanna, e agora, .
E, se seu namoro de fachada fosse descoberto, com toda certeza Joshua encheria ainda mais o seu saco. E, de quebra, ficaria fazendo piadinhas para jogar na sua cara sempre que pudesse.
Bom, não tinha mesmo para onde correr.
— Como assim aconteceu?! Me conta isso direito!
Respirou fundo, tentando encontrar uma resposta convincente.
— Ah… Você sabe, o de sempre. A gente começou a conversar e… Aconteceu.
Hanna arregalou os olhos, claramente chocada.
, você tá me dizendo que tá com o e não me contou nada?
— Não é bem assim…
Murmurou, mas agora a amiga a olhava com ainda mais empolgação do que antes.
— Eu sabia que tinha alguma coisa rolando! Vocês dois estavam cheios de conversinha depois que aquele estrume do seu ex foi embora — soltou, cruzando os braços. Ela ainda olhava para . — Mas eu tô muito feliz por você, amiga. é super atencioso como amigo, com você então ele vai ser um cavalheiro daqueles.
arqueou a sobrancelha. ? Cavalheiro?
Ela quase gargalhou.
Mas, ao invés de fazer isso, só suspirou, sorrindo de leve.
Hanna a abraçou de lado e segundos depois o grupo já as chamava para começar o jogo.
— Vocês duas vão jogar ou vão ficar de segredinho aí?
Hanna segurou a mão de e a puxou de volta para a área do jogo.
— Vem, vamos ver se seu namorado vai te deixar ganhar.
, que segurava a bola dessa vez, sorriu com o comentário da amiga e ao ver sua namorada se aproximando.
— Depende… O que eu ganho se deixar?
Uma onda de “Ihhh” foi ouvida entre algumas risadinhas.
Ele sabia muito bem que só estava tirando do sério um pouco mais e precisava confessar que aquilo o divertia insanamente.
A garota fechou os olhos por um segundo, respirando fundo antes de encarar o falso namorado um pouco mais à frente.
— Só cala a boca e joga, .
Ele soltou uma risadinha divertida e girou a bola nas mãos.
— Como quiser, gatinha.

☀️🔥💘

O sol já não estava tão quente como mais cedo e o céu já tinha os tons alaranjados do fim de tarde. Mas aquilo não desanimava nem um pouco o grupo de amigos que continuava jogando vôlei na beira da praia.
A faixa de areia em que estavam estava cheia de marcas das corridas e pulos, e a gargalhada que volta e meia surgia de cada um ali só tornava tudo ainda mais engraçado, com comemorações exageradas e brincadeirinhas bobas.
já tinha as bochechas coradas e não estava tão diferente dele.
— Acho que você tá errando de propósito só pra chamar minha atenção.
Ela rolou os olhos, se posicionando para a próxima jogada.
— Você realmente se acha, né?
— Só constato os fatos, meu amor — piscou, convencido. quase deu o dedo do meio no mesmo instante.
Ele lançou a bola que tinha parado do seu lado da rede para o outro e sacou com rapidez. Um dos jogadores do time de lançou de volta para ele e o jogo continuou quase frenético. Todos ali vibravam animados.
Era nítido que não perdia a chance de provocar a garota.
Então, um dos jogadores do time dele recebeu a bola branca, lançando em direção à . E ali ela viu a oportunidade perfeita.
Com um movimento rápido, acertou um ataque firme direto no ombro de . O impacto fez um som seco e arrancou um resmungo exagerado dele.
— Ai, !
Ela abriu um sorriso satisfeito, inclinando a cabeça de lado.
— Doeu, namorado?
O time inteiro começou a rir da situação e segurou o ombro como se tivesse levado um golpe fatal.
— Isso foi golpe baixo — dramatizou, massageando o local.
— Isso foi um aviso.
Ela retrucou, fingindo inocência. estreitou os olhos, mas o sorrisinho brincalhão nos lábios entregava que ele adorou a resposta.
soube exatamente que ele não pararia tão cedo.
— Vou precisar de um beijinho pra sarar, gatinha.
A garota cruzou os braços, fingindo pensar.
— Hm, sabe o que poderia ajudar?
— Um beijinho mesmo?
sugeriu, achando graça na pose durona de . No fundo, bem no fundo, estava gostando de todo aquele namoro de mentirinha.
— Não. Um pouco de gelo direto na sua cara de pau.
Mais uma vez as risadas inundaram o lugar em que estavam e até mesmo as pessoas que já tinham voltado a jogar, quando ouviram as provocações, começaram a rir.
— Ah, é assim?
E antes que a garota pudesse reagir ou até mesmo continuar com aquela troca de insultos leve, correu em direção a garota, como se fosse um atacante em um time de futebol americano.
, não!
Mesmo tentando fugir, não teve a menor chance. Em um movimento rápido, ele a pegou no colo outra vez, apertando e a girando no ar enquanto ela se debatia, rindo mais alto ainda.
— Agora você vai ver, namorada falsa!
— Me solta, seu doido!
gargalhava, tentando empurrar o garoto, mas sem sucesso. fingiu que ia mordê-la no ombro, fazendo um barulho exagerado e ela se contorceu, gritando entre as risadas.
Se não fosse um namoro de verdade mesmo, qualquer um ali diria que poderia ser o começo de um. Menos os dois, claro.
— Para com isso! — ela exclamou mais uma vez, em meio as mordidinhas de em seu braço.
Os dois continuaram se debatendo, rindo sem parar enquanto os amigos ao redor assistiam, se divertindo tanto quanto eles.
— Vocês estão parecendo duas crianças — Hanna revirou os olhos, mas não deixava de rir junto. E, para ser sincera, até que estava gostando de ver sua melhor amiga derretendo um pouco o iceberg que tinha dentro do peito, junto de .
Depois de Joshua, só Hanna sabia como havia se fechado para relacionamentos amorosos.
Ele finalmente colocou a garota no chão, mas ainda a segurou firme, aproximando o rosto dela com um sorrisinho travesso.
— Última chance pro beijinho.
bufou, ainda tentando recuperar o fôlego. Então, com um movimento rápido, se aproximou um pouco mais e deu um tapinha de leve no rosto de .
— Pronto. Tá sarado.
O garoto a olhou, incrédulo.
— Você me paga por essa, namorada.
— Tô morrendo de medo.
Ela zombou, soltando uma risadinha. a apertou de leve na cintura, ainda com o mesmo sorriso convencido nos lábios que costumava usar, e se afastou brevemente para mais uma partida.
E, no fundo, foi impossível não sentir um friozinho na barriga com o toque dos dedos dele bem na sua pele.

☀️🔥💘


Anoitecendo.

sentia o corpo arrepiar vez ou outra pela brisa fria do mar, agora que o sol já estava indo embora. Poucas pessoas andavam pela faixa de areia e algumas estavam sentadas nos quiosques ali perto. Algumas luzes amareladas estavam espalhadas pela extensão da praia, deixando a paisagem ainda mais bonita de se ver.
Era possível ouvir o barulho das ondas quebrando, sentir a maresia acariciando a pele e uma música baixa tocando em algum lugar mais afastado.
Mas ali, no centro da área improvisada de vôlei, só restavam e . Seus amigos tinham voltado para a casa de praia que haviam alugado há um tempo, mas nenhum dos dois quis ser o primeiro a sugerir que fizessem o mesmo.
— Se eu fizer mais três pontos seguidos, você admite que sou melhor — desafiou, girando a bola nas mãos antes de sacar. Ele adorava fazer aquilo.
riu pelo nariz, se preparando para rebater.
— E se eu fizer três pontos seguidos, você para de me chamar de namorada o tempo todo — fez uma careta, ajeitando o rabo de cavalo. — Sério, isso é irritante.
colocou uma mão no peito, fingindo estar profundamente ofendido.
— Irritante? É carinhoso. Romântico, até.
Ela revirou os olhos, mas o canto dos seus lábios quase fez um sorriso aparecer.
— Romântico, sei. Joga logo!
O garoto balançou a cabeça e lançou a bola para cima antes de sacar com precisão. correu para alcançar, rebatendo mais uma vez. O jogo continuou por um tempinho com os dois correndo pela areia sem perder a competitividade e, principalmente, as provocações.
— Vai ser difícil pra você aceitar que eu sou melhor mesmo — o loiro comentou, depois de defender mais um ataque dela.
— Você fala demais, .
Retrucou, pulando para cortar a bola de volta para o lado dele. O impacto foi certeiro e ele, mesmo tentando, não conseguiu salvar a jogada. se virou para a garota, indignado.
— Isso foi pura sorte!
Gritou.
— Eu chamo de habilidade! — ela gritou de volta.
Os dois riram fraquinho. Era notável que ambos ali estavam adorando toda toda a provocação que acontecia e ainda mais em estar aproveitando a companhia um do outro.
— Quer fazer uma aposta? — sugeriu, cruzando os braços depois de pegar a bola da areia. arqueou uma sobrancelha.
— Que tipo de aposta?
Ele sorriu, aquele sorriso provocador que sempre usava para testar a paciência dela.
E que sorriso… quase disse em voz alta.
— Se eu ganhar… Você admite que tá adorando esse lance de namoro falso comigo.
Ela riu, abaixando o corpo rapidamente.
— E se eu ganhar?
— Aí eu paro de te chamar de namorada — ele levantou as mãos em rendição. Ela fingiu pensar por alguns segundos antes de responder. Até que estava sendo interessante ouvir a chamando daquele jeito.
— Fechado!
Ela jogou a bola para o alto e bateu com força, determinada a vencer. estava animada e estar ali com o garoto parecia deixar tudo ainda mais divertido, precisava admitir.
lançou a bola para outra vez; os dois estavam bem focados.
— Vai precisar de mais do que isso pra ganhar de mim, amor — provocou, desviando de um ataque. resmungou.
— Você não fica quieto?!
Ele gargalhou. Então, a garota aproveitou a brecha que teve quando virou o corpo levemente, correndo para lançar a bola de volta, mas assim que deu um passo mais firme para o lado, seu pé escorregou, virando em um ângulo muito estranho.
Sentiu a dor no segundo seguinte.
Ai! — gritou.
Antes que percebesse, seu corpo foi direto no chão. Sentiu parte dele batendo na areia morna. não pensou duas vezes e correu em direção à garota.
! — se abaixou ao seu lado, nitidamente preocupado. — Ei, o que aconteceu? Você se machucou?
Ela respirou fundo, apertando o tornozelo instintivamente. A careta de dor no seu rosto era inevitável.
— Acho que virei o pé… — murmurou, sentindo a garganta secar. — Droga, isso dói.
— Merda — passou a mão pelos cabelos, claramente aflito. Suas mãos foram de encontro ao local que doía. — Deixa eu ver.
Os dedos do garoto acariciaram o tornozelo de , olhando com atenção e virando o local com delicadeza. Foi impossível que ela não levasse seus olhos no rosto de ; cabelos loiros bagunçados, as bochechas coradas pelo sol de mais cedo e seus olhos verdes mais brilhantes do que antes.
Seu estômago revirou em mil cambalhotas.
— Consegue mexer os dedos?
respirou fundo e tentou mexer, sentindo um incômodo forte, mas suportável.
Só então desviou o olhar.
— Consigo, mas dói pra caramba.
Ele soltou um suspiro aliviado, sentando ao lado dela na areia. Ainda assim parecia tenso.
— Tem que tomar mais cuidado, desastrada.
— Nossa, obrigada pela empatia — resmungou, tentando apoiar os cotovelos.
Nos segundos que tentava se ajeitar na areia, não percebeu que a observava minimamente, decorando cada detalhe da beleza que tinha e ele não podia negar.
Como é que nunca tinha percebido nela antes?
Ignorou o que a garota havia falado, sentindo que não tinha qualquer necessidade em retrucar. Passou um dos braços por baixo de suas pernas e outro pelas costas, a erguendo no colo sem qualquer esforço.
arregalou os olhos.
O quê… Ei! Eu consigo andar!
— Fica quieta e deixa eu te ajudar, namorada — respondeu, firme, mas com um sorrisinho de canto. bufou e foi inevitável conseguir evitar o calor subindo pelo rosto ao sentir a proximidade do corpo do garoto com o seu.
— Você só quer um motivo pra me carregar no colo de novo.
Ele riu fraquinho, a ajeitando em seus braços uma última vez antes de seguir em direção à orla da praia.
— E se eu disser que sim?
quis muito retrucar ou fazer uma piadinha de volta. E ela achou que também fosse fazer o mesmo, mas quando viu a expressão um pouquinho mais séria logo depois da sua resposta, a garota sentiu o corpo esquentar ainda mais.
Talvez ele não estivesse brincando sobre aquilo.

☀️🔥💘

Era possível ver de longe as luzes amareladas espalhadas pela casa e pela enorme árvore no quintal. Assim como também era possível sentir o cheirinho da carne recém assada do churrasco que seus amigos provavelmente estavam fazendo.
Aquilo com toda certeza despertaria ainda mais animação da parte de , mas com em seus braços, não era como se o que acontecia ali importasse mais do que o bem estar dela.
Seus olhos passearam pelas pessoas ao redor da churrasqueira, sentadas em cadeiras de praia e até com cervejas na mão.
E bom, foi aí que surgiu carregando , como se fosse a coisa mais natural do mundo.
— Ué, tínhamos um príncipe encantado no grupo e eu não sabia? — um dos garotos brincou, arrancando risadinhas ali.
O loiro mais alto se limitou a revirar os olhos.
— Não é nada disso!
gritou, se remexendo nos braços de que só a segurou com ainda mais firmeza.
— Se mexe muito e eu te jogo na piscina — murmurou próximo ao seu ouvido, baixo o suficiente para que só ela pudesse ouvir.
A garota bufou.
— Você não teria coragem.
Ele ergueu a sobrancelha.
— Quer testar?
ficou em silêncio por alguns segundos, pressionando seus lábios. Sabia que era doido o suficiente para realmente jogá-la na piscina e ela não queria pagar para ver.
Sua reação fez o garoto soltar uma risadinha vitoriosa.
Hanna, do outro lado da varanda, quando viu a cena se aproximou preocupada.
— Ok. O que foi que aconteceu?
— Nossa atleta aqui torceu o pé tentando me vencer no vôlei — respondeu, exagerando até demais. — Parece que eu ganhei, né?
— Não valeu. Você nem tinha ganhado ainda — resmungou.
— Mas, você torceu o pé antes de completar os três pontos, então tecnicamente…
— Cala a boca, ! — rebateu, cruzando os braços.
Ele riu outra vez, assim como algumas pessoas ali fizeram.
— Eu vou pegar um gelo pra isso aí — Hanna comentou, se afastando.
ainda tinha a garota nos braços. Andou um pouco mais e a colocou em um sofá externo com cuidado, longe dos olhares, mas antes que pudesse se ajeitar, ele pegou uma almofada e ergueu seu pé lesionado para apoiá-lo ali.
— Tá confortável, princesa?
lançou um olhar mortal.
— Se eu tivesse alguma coisa aqui pra jogar em você agora, eu jogava — murmurou.
— Boa sorte com isso, você tá impossibilitada — deu uma piscadela, ainda sorrindo.
Então jogou o corpo do seu lado no sofá, se ajeitando ali. soltou um suspiro, mas era difícil conter o sorrisinho no canto de seus lábios com ali.
Era irritante demais como ele conseguia ser um idiota e fofo ao mesmo tempo.
Ele esticou as pernas, colocando os braços por trás da cabeça, como se estivesse disposto a passar a noite ali.
— Tá vendo só o que eu faço por você? — virou o corpo minimamente para ela. — Isso aqui é dedicação.
bufou, mas riu fraquinho logo depois.
— Você só tá querendo marcar ponto comigo.
— Bom, o placar tá empatado agora — sorriu de lado. E percebeu seus olhos brilhando um pouquinho mais. — Quer me ajudar a desempatar?
Ela arqueou uma das sobrancelhas.
— Nem pensa nisso.
— Nem um pouquinho?
… — cruzou os braços, o olhando mais séria do que antes, mesmo não conseguindo por muito tempo. Que droga! Ele era bom em fazê-la sorrir.
— Tá, tá. Só tô puxando papo até o gelo chegar — suspirou. soltou outra risadinha e olhou para o próprio pé apoiado na almofada.
— Sabe o que é pior?
— O que?
— Realmente achei que ia ganhar de você. E olha que eu nem tava fingindo — o empurrou pelo ombro. sorriu.
— Olha, fiquei impressionado — levantou as mãos. — Você leva a sério esse negócio de competição mesmo.
Ela riu outra vez, virando o rosto para ele.
— Você ainda não viu nada.
— Tô ansioso pra ver, então — murmurou. E, por meio segundo, não era como se estivesse brincando.
ficou em silêncio, só repassando na mente tudo o que havia acontecido naquele dia. E como estava sendo louco demais. Se perguntava vez ou outra como nunca havia percebido em , mesmo com tantos amigos em comum.
E também se perguntava o mesmo.
Eles ficaram ali por alguns milésimos de segundos, só ouvindo a música ecoando pelo quintal e as conversas misturadas com as risadas animadas.
percebeu que a observava, mas não era do jeito provocador e brincalhão de sempre.
Ele só a olhava.
Curioso. Atento.
Calmo demais.
— Que foi? — perguntou baixinho.
— Nada — o garoto respondeu, mas sem desviar o olhar. — Acho que tô um pouco confuso por você ter acertado uma bola em mim com força, por tentar me esganar em todas as oportunidades e eu ainda estar aqui. Do seu lado.
riu fraquinho, sem graça. Suas bochechas começaram a arder.
— Você é meio masoquista então — fez uma careta. Ele deu um risinho leve, inclinando a cabeça.
— Ou só meio burro mesmo. Tô achando legal ficar aqui com você. Tá muito melhor do que imaginei que seria — confessou.
não respondeu de imediato, apesar de sentir o coração dar alguns saltos dentro do peito. Desviou o olhar brevemente, tentando se concentrar em qualquer outra coisa que não fosse os olhos verdes e brilhantes de sobre ela.
Mas, infelizmente, se pegou sorrindo.
E aquilo não era um bom sinal.
— Isso faz parte do namoro de mentira também? — brincou. balançou a cabeça.
— Não. Isso é coisa minha mesmo — afirmou.
A garota mordiscou os lábios, mesmo sem perceber. Depois de um tempinho, finalmente resolveu olhá-lo mais uma vez, mas ainda tinha seus olhos sobre ela, com um dos braços apoiados no encosto do sofá, o sorriso convidativo nos lábios…
Quase a deixando mais vulnerável do que estava.
Ele, meio sem perceber, estendeu a mão, ajeitando uma mecha do cabelo de que caía em seu rosto. A garota congelou por um segundo, surpresa demais com aquele gesto e, logo depois, sentiu seu rosto esquentar.
não afastou a mão na mesma hora e deixou que seus dedos roçassem de leve na lateral do rosto da garota.
— Você tá vermelha — observou, sorrindo de canto.
— É o calor da churrasqueira — rebateu sem pensar duas vezes, engolindo em seco.
Claramente mentindo.
Ele deu uma risadinha.
— Claro. A churrasqueira tá do outro lado do quintal, mas tudo bem.
Ambos sorriram.
E aquela foi a deixa para que o loiro se aproximasse um pouquinho mais. O suficiente para que entendesse o que ele queria fazer.
O suficiente para que seu coração quase explodisse.
E foi aí que Hanna apareceu, abrindo a porta de vidro da varanda.
— Olhem o que eu achei! Uma garrafa de vinho! Não achei gelo, mas acho que… — Hanna gritou, animada e empolgada. Só até ver o que estava prestes a acontecer ali, com e . Seu rosto ficou de outro tom. — Serve? Meu Deus! Atrapalhei alguma coisa?!
afastou o rosto em uma velocidade que nem sabia que era capaz de atingir. Os olhos arregalados da garota foram em direção à Hanna, — que agora segurava a garrafa de vinho como se fosse uma arma do crime.
suspirou, agindo naturalmente demais para o que iria acontecer. Encostou a cabeça no sofá, frustrado e rindo ao mesmo tempo.
— Não — respondeu, antes que pudesse falar algo. — Quer dizer, quase. Mas tá tudo bem. A gente sobrevive.
o empurrou no ombro.
— Cala a boca.
Hanna ainda olhava para os dois mais divertida do que antes. Se aproximou com a garrafa, os olhos curiosíssimos sobre eles.
— Eu ia mesmo só trazer o vinho. E talvez fofocar um pouco.
— Ótimo timing alfinetou. Ela fez uma careta.
Faltava pouco para enfiar sua cabeça na almofada.
— Vocês são muito estranhos juntos, sabia? — a amiga comentou, entregando a garrafa para , que logo a colocou no tornozelo. — Mas tipo, estranhos de um jeito fofo. Sei lá.
— Isso é um elogio? — murmurou, meio abafado.
— É o que tem pra hoje — Hanna deu de ombros e depois olhou para . — Não estraga tudo, loirinho. Vai com calma.
— Mais calmo que eu, impossível, Hanninha — deu uma piscadela, recebendo um bagunçar de cabelos da amiga.
— Você é o puro caos — retrucou, fechando os olhos minimamente. riu fraquinho, como se fosse um elogio.
Hanna deu uma última olhada sugestiva nos dois, suspirou como quem sabia que não adiantaria dizer muita coisa e voltou para dentro da casa.
ainda não sabia que colocava o vinho gelado no tornozelo ou se escondia o rosto de , que a olhava outra vez.
O garoto estava calmo, como sempre costumava estar. O semblante de que nada o preocuparia o suficiente.
Eles ficaram em silêncio por alguns segundos.
— Acho que a gente quase se beijou — comentou, como se não fosse nada demais. sentiu o rosto queimar mais do que antes.
— Ahn, é. Acho que sim — murmurou, encarando a garrafa agora, esquecida no seu colo.
— Você ficou nervosa?
Ela quase engasgou. Claro que tinha ficado!
Ela ia beijar !
Ergueu o olhar vagarosamente, surpresa com a pergunta.
tinha um sorrisinho de canto.
— Muito, pra ser sincera.
Riram fraquinho, desviando os olhares. Pareciam adolescentes, mas precisam confessar que estavam adorando tudo aquilo.
bateu as mãos nas coxas, soltando o ar.
— Acho que a gente devia abrir esse vinho antes que ele esquente.
— Ou antes que alguém apareça estragando tudo outra vez — completou, fazendo a garota rir outra vez.
Não deixou que ela fizesse menção em tentar levantar. Pegou a garrafa das mãos de , deixando que seus dedos encostassem nos dela por um segundo a mais. Assim, se levantou para procurar algo para abrir o vinho.
Antes de se virar, olhou para uma última vez, deixando aquele bendito sorriso à mostra como sempre.
— Não se preocupa, tá? — disse, com os olhos verdes nela. A garota piscou algumas vezes, sem entender. — Quando eu for tentar de novo, você vai saber.
E sumiu pela casa à dentro, deixando ali atordoada.
E, também, doida para que ele não demorasse para tentar novamente.

Continua...


Nota da autora: E aqui temos mais uma atualização de AY! Esses dois estão me deixando maluquinha já kkk Espero que vocês gostem e não deixem de comentar <3


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