01
it’s just a spark, but it’s enough to keep me going
A vista era admirável.
As nuvens deslizavam rápida e graciosamente além da janela. O azul do céu a tranquilizava, quase a fazendo esquecer que estava em um avião. tinha medo de altura, não tanto dos aviões em si. E era irônico, pois quanto mais alto o avião voava, mais ela apreciava a beleza da paisagem e mais ainda desejava admirar.
Respirou fundo, encostando a cabeça na janela redonda. Seus dedos tamborilavam na coxa, numa tentativa falha de controlar a ansiedade. A garota não conseguia identificar exatamente o que sentia: nervosismo, ansiedade, medo… Se encontrava sozinha, sem sua mãe e sua irmã. E não tinha ideia do que o futuro poderia lhe trazer a partir do momento em que pisasse fora daquele avião. Tudo o que tinha consigo era uma mochila com algumas roupas, um celular quase sem bateria e algumas barrinhas de cereais que havia separado para comer durante a viagem.
Enquanto o avião atravessava algumas nuvens novamente, parou para refletir. Não tinha parentes em Londres para ficar e as poucas libras na carteira só dariam para cobrir despesas básicas. Logo, precisaria encontrar uma forma de se sustentar.
Balançou a cabeça com firmeza, tentando não pensar no desafio que a aguardava. Com isso, se virou para a paisagem e seus olhos se arregalaram diante do que via logo abaixo.
Havia chegado a Londres!
Seus olhos percorreram cada local, cada bairro visível à distância. Avistou o London Eye, os carros parecendo miniaturas nas ruas e as árvores pintando o Hyde Park com cores vivas. Olhou adiante e franziu os olhos.
Reconheceu o lugar imediatamente. Claro! O Big Ben.
Um sorriso iluminou seu rosto diante daquela vista. O lugar era incrível e ela só conseguia se lembrar de todas as vezes que sonhou em estar ali, e da felicidade ao finalmente juntar dinheiro suficiente para comprar a passagem.
Agora, após tanto tempo de espera e horas na mesma poltrona, se preparava para o pouso do avião, sentindo seu coração palpitar forte no peito.
— Certo. Respira fundo, — sussurrou para si mesma.
Sentiu o avião balançar ao tocar o chão e fechou os olhos por um instante, os abrindo logo em seguida. Observou as pessoas ao redor soltando seus cintos e fez o mesmo, mas com cuidado devido às suas mãos trêmulas.
Ouviu a voz da aeromoça anunciando o fim do voo e se levantou, pegando sua volumosa mochila no compartimento superior. Uma grande fila se formava em direção à saída do avião. Ao ver alguns passageiros começarem a andar, sentiu a ansiedade revirar seu estômago.
Seu desejo de explorar a cidade era evidente e percebia que as pessoas ao redor começavam a notar.
Quando chegou sua vez, olhou para o corredor e sorriu de leve.
Ali começava sua nova jornada.
Caminhou, sentindo o peso da mochila em suas costas. Ansiava por encontrar um lugar confortável para sentar e descansar adequadamente.
Quando tocou o solo londrino, percebeu a diferença até no ar.
Ao passar por uma das aeromoças presentes, foi recebida com um sorriso caloroso, o que só a animou ainda mais.
Dirigiu-se para o interior do aeroporto e suspirou. A sensação de arrepio percorreu seu corpo, causando calafrios. Não tinha ideia do que fazer a seguir, nem por onde começar. E, enquanto observava outras pessoas sendo recebidas com abraços calorosos, se sentia cada vez mais sozinha.
estava completamente sozinha.
Olhou ao redor e viu um jovem vendendo mapas da cidade.
Sem hesitar, foi até ele e comprou um. Entre todas as opções, o trem era a escolha mais próxima e rápida para chegar ao centro.
Dobrou o mapa com cuidado e o guardou no bolso da calça jeans, pronta para seguir rumo ao terminal. Vários táxis estavam alinhados, aguardando passageiros, então decidiu caminhar até a estação do aeroporto para economizar um pouco mais.
Havia deixado o aeroporto pouco mais de meia hora e, ainda sentada perto da janela do metrô, não conseguia deixar de sentir o êxtase tomando conta de todo seu corpo, só pela animação e ansiedade. não queria perder nenhum momento do seu primeiro dia.
Seus olhos vagavam pelas casas e bairros que passavam do outro lado.
Era uma vista sensacional.
Levantou o olhar para o céu, agora cinza, notando através da janela embaçada do metrô o quão gelado deveria estar do lado de fora.
Colocou sua mochila na cadeira ao lado e tirou sua touca preta, a ajeitando na cabeça para se aquecer.
Ao recostar nas almofadas confortáveis da poltrona do metrô, viu a cidade se aproximando lentamente e um sorriso começou a se formar em seu rosto.
Era final de tarde em Londres e a paisagem parecia que tinha saído de um filme. Rapidamente, pegou seu celular de um dos bolsos e apontou para o céu e a cidade, mas a pouca bateria restante só permitiu um clique antes de o aparelho desligar.
Que sorte! Pensou, jogando o celular na mochila de qualquer jeito e cruzando os braços com um ar emburrado.
Balançou a cabeça e sorriu; aquilo não a desanimaria. Não naquele lugar!
✈️🎡
O metrô parando fez com que despertasse.
Ajustou a mochila nas costas, pronta para desembarcar e seguiu para a porta de saída. E, ao pisar de degraus que a levavam para cima, olhou ao redor e percebeu que já estava no centro de Londres.
Caminhou quase correndo até a rua mais próxima e se deparou com a movimentação de carros, ônibus, motos e até bicicletas.
Tudo parecia tão real.
Na calçada onde estava, mal conseguia ficar quieta.
As pessoas passavam por ela como o vento, algumas esbarrando sem pedir desculpas, logo recuou até encostar o corpo na parede de uma das lojas do centro.
Respirou fundo e, apesar do nervosismo, decidiu se situar primeiro. Sua fome era gigante.
Olhou para o outro lado da avenida e atravessou até uma lanchonete, ignorando o tráfego intenso e arriscado. Alguns carros buzinaram e outros passaram resmungando algo incompreensível.
Ela fez uma careta e entrou no lugar, ouvindo o sininho característico tocar quando abriu a porta. Um sorriso escapou de seus lábios; era como uma cena de filme, clichê demais até.
Observou várias pessoas com suas refeições nas mesas coloridas ao redor e procurou por um lugar para se sentar. Como só havia espaço no balcão, se aproximou e se sentou em um dos bancos, avistando a garçonete loira se aproximando com um sorriso no rosto.
— Ei, boa tarde. O que gostaria de pedir? — disse, tirando um bloco branco e uma caneta do bolso do avental, com um sorriso irradiante.
, do outro lado, parecia um pouco mais à vontade.
— Um sanduíche e um suco, por favor — sorriu timidamente ao fazer o pedido, arranhando o sotaque britânico que havia tanto treinado e se permitiu observar o ambiente.
O lugar era acolhedor e as pessoas pareciam estar desfrutando do momento.
Olhou para a janela ao seu lado e observou a agitação lá fora, pessoas apressadas indo para o trabalho ou para casa, especialmente agora que o dia começava a escurecer. Sentiu uma leve pontada de saudade ao abaixar o olhar, pensando na sua casa e na sua família no Michigan.
Estar ali sozinha a fez perceber o quanto sentia falta da sua vida lá. Mal conseguia imaginar como estariam sua mãe e sua irmã naquele momento.
Sacudiu a cabeça com firmeza e notou um pequeno mural do outro lado do balcão. Com um pouco de esforço, estreitou os olhos para ler um anúncio preso ali.
Esticou o corpo para conseguir uma melhor visão e quase derrubou os copos ao ouvir a voz feminina ao seu lado.
— É um anúncio sobre aluguel de quartos — a garçonete comentou enquanto depositava o prato e o copo de suco no balcão. Observou-a seguir até o mural, arrancando o papel e entregando para a garota. — Parece que estão alugando por um preço bom. Quer dar uma olhada?
— Sim, por favor — respondeu, pegando o papel um pouco amassado.
Era um preço ótimo e ela conseguiria pagar pelo menos alguns dias.
Sorriu agradecida; pelo menos teria um lugar para ficar.
Dobrou o papel e o guardou. Assim que saísse, procuraria o local mencionado.
Permaneceu ali por algum tempo, tomando seu suco e mordendo o sanduíche com tranquilidade enquanto observava a cidade através da janela de vidro.
Perdida nos próprios pensamentos, nem percebeu quando a mulher do outro lado do balcão a observava com um sorriso divertido.
— Você não é daqui, né?
— Não, sou de Michigan — deu mais um gole no suco. — Por quê?
— Bom, você é educada e tem uma mochila grande — apontou para a mochila próxima aos seus pés. — O que te traz à Londres? Desculpa, mas parece um pouco perdida.
Soltou uma risadinha e riu junto, desviando o olhar.
— Pra ser sincera, nem eu sei. Sempre foi um sonho conhecer a cidade. Então, arrumei minhas coisas e tomei coragem pra vir até aqui.
— Uau, entendi — disse, se levantando para atender outro cliente. — Só um segundo.
A morena balançou a cabeça, concordando e terminou seu lanche, sentindo sua energia retornar gradualmente.
Antes de se despedir da atendente simpática, pegou novamente o anúncio e tentou ler o endereço, mas não tinha ideia de onde ficava.
Se levantou do banco, organizando suas coisas.
— Já vai? — a garçonete perguntou, fazendo levantar o olhar. Ela assentiu com um pequeno sorriso. — Saio em cinco minutos. Se quiser esperar, posso te levar até o apartamento.
— Claro, eu espero.
olhou ao redor e, decidindo esperar pela mulher, se sentou discretamente em uma mesa ao fundo, deixando espaço para novos clientes que pudessem chegar. Enquanto estava lá, procurou por uma tomada próxima, mas não encontrou nenhuma. Seu celular continuaria sem bateria por um tempo.
Retirou a touca para ajeitar os cabelos e notou a mulher saindo enquanto ajustava sua bolsa no ombro.
Olhou para e indicou com a cabeça a saída do local.
Na calçada, onde a agitação das pessoas já tinha diminuido, as duas seguiram em direção à praça mais próxima e continuaram caminhando. não tinha ideia de onde estava, apenas confiava que estava seguindo uma garota que não parava de falar um segundo sequer. Achou engraçado, pois, se não fosse por ela, ainda estaria se organizando em qualquer calçada.
— Então, tô ajudando uma garota que mal sei o nome — a loira comentou com um sorriso amigável no rosto.
respondeu com um sorriso.
— Bom, eu que deveria dizer isso, né? Tô seguindo uma garota que também não sei o nome — a imitou, abraçando o próprio corpo para se aquecer do frio e apertando o casaco. — Pode me chamar de .
— Certo, — repetiu o nome da garota e riu consigo mesma. acompanhou sua risada, achando a achando bastante divertida. — Sou . E é aqui que você vai ficar.
parou diante do pequeno prédio e observou os andares, notando algumas luzes acesas. Respirou fundo e curvou os lábios em um meio sorriso, se voltando para ao seu lado.
Naquele momento, se sentiu um pouco desanimada ao perceber que estaria sozinha outra vez.
Havia acabado de conhecer e ela parecia ser uma ótima pessoa.
— Nem sei como te agradecer — relaxou os ombros. — Obrigada mesmo. Se não fosse por você, nem sei o que estaria fazendo agora.
— Não precisa agradecer. Sério — balançou as mãos. — Vamos combinar assim: se precisar de alguma coisa, é só me ligar. Tenho meu número anotado aqui, pode pegar.
puxou sua pequena bolsa, a vasculhando até encontrar o pequeno pedaço de papel branco. O estendeu para e sorriu em despedida, se virando para ir embora.
Ela encarou os números escritos, guardando o papel no bolso do jeans surrado antes de entrar no prédio.
Na recepção, um senhor de idade estava sentado com um jornal nas mãos, aparentemente concentrado.
— Em que posso ajudar, minha jovem? — ergueu os olhos cansados e sorriu. Por um momento, sentiu seu coração se aquecer com aquele gesto familiar.
— Preciso de um quarto. Se não for pedir muito, o mais barato que tiver, por favor.
Deu um minucioso sorriso amarelo e se aproximou do balcão. Odiava estar naquela situação, sentia que a qualquer momento estaria dependendo de alguém e isso era o cúmulo para ela.
Era triste demais.
— É nova na cidade, não é? — comentou, se dirigindo ao mural repleto de chaves. Ele retirou um par delas, com uma etiqueta preta e estendeu para — Não é nada luxuoso, mas você pode ficar à noite ou quantos dias precisar.
— Perfeito. Muito obrigada — sorriu e tirou a mochila das costas para pagar pela estadia.
Ela começou a contar suas libras, mas parou ao ver o senhor estendendo as mãos, recusando o pagamento.
Estreitou os olhos.
— Não, querida. Não se preocupe com isso agora. Vá descansar e quando estiver de saída poderá acertar comigo — ele piscou e apontou para a escada que levava aos quartos disponíveis.
suspirou aliviada, balançando a cabeça e seguiu para descansar. Não sabia o nome daquele senhor, mas quase quis abraçá-lo pela generosidade.
No corredor, colocou a chave na fechadura e entrou no quarto.
Quando o trancou, se permitiu encostar na porta e escorregar até se sentar no chão.
Se sentia exausta. Cansada, com sono e, principalmente, com saudades de casa.
Se sentia perdida, sem rumo e começava a se questionar se havia tomado a decisão certa ao deixar tudo para trás e embarcar nessa viagem. Seria difícil começar ali, em um lugar desconhecido, sozinha.
Ao estar ali sentada, observou atentamente o quarto em que estava. Era pequeno, mas aconchegante e bem organizado. Havia uma cama com um criado-mudo no canto, uma janela com um móvel embaixo onde uma televisão estava posicionada e uma portinha em frente à cama, provavelmente levando ao banheiro.
Com um impulso dos braços, se levantou e caminhou em direção à cama, onde colocou a mochila pesada. Pegou uma toalha de banho e uma muda de roupa leve, pronta para um banho revigorante.
Respirou fundo, tentando acalmar seus pensamentos.
precisava planejar cuidadosamente como começaria a se manter para não acabar nas ruas ou até mesmo voltando para sua cidade natal. Com poucas mudas de roupa na mochila e poucas libras, estava incerta sobre como as coisas seriam dali em diante.
— Será que foi mesmo uma boa ideia? — murmurou.
Se deixou cair sobre a cama arrumada e sentiu algumas lágrimas aquecendo suas bochechas geladas pelo frio da noite. Estava assustada, muito assustada. Se sentia incerta sobre o que iria acontecer, con medo de passar fome, frio e não ter um lugar para dormir. Tinha medo de que tudo desse errado e acabasse voltando frustrada para Michigan com seus planos arruinados.
Agora, só queria o abraço reconfortante de sua mãe, Lenna. E se ao menos aquilo fosse um pesadelo, desejava acordar.
Fungou algumas vezes e enxugou as lágrimas que teimavam rolar por seu rosto. Não podia se permitir continuar pensando daquele jeito. Tinha ido para Londres com um propósito claro: além de conhecer a cidade, iria se reinventar ali. Planejava crescer e construir um futuro melhor para sua família.
Decidida, balançou a cabeça para afastar os pensamentos negativos.
Pegou suas roupas e seguiu até o banheiro, ansiosa por um bom banho e descanso.
Afinal, aquilo era só o começo e estava determinada a fazer as melhores lembranças na cidade da Rainha.
As nuvens deslizavam rápida e graciosamente além da janela. O azul do céu a tranquilizava, quase a fazendo esquecer que estava em um avião. tinha medo de altura, não tanto dos aviões em si. E era irônico, pois quanto mais alto o avião voava, mais ela apreciava a beleza da paisagem e mais ainda desejava admirar.
Respirou fundo, encostando a cabeça na janela redonda. Seus dedos tamborilavam na coxa, numa tentativa falha de controlar a ansiedade. A garota não conseguia identificar exatamente o que sentia: nervosismo, ansiedade, medo… Se encontrava sozinha, sem sua mãe e sua irmã. E não tinha ideia do que o futuro poderia lhe trazer a partir do momento em que pisasse fora daquele avião. Tudo o que tinha consigo era uma mochila com algumas roupas, um celular quase sem bateria e algumas barrinhas de cereais que havia separado para comer durante a viagem.
Enquanto o avião atravessava algumas nuvens novamente, parou para refletir. Não tinha parentes em Londres para ficar e as poucas libras na carteira só dariam para cobrir despesas básicas. Logo, precisaria encontrar uma forma de se sustentar.
Balançou a cabeça com firmeza, tentando não pensar no desafio que a aguardava. Com isso, se virou para a paisagem e seus olhos se arregalaram diante do que via logo abaixo.
Havia chegado a Londres!
Seus olhos percorreram cada local, cada bairro visível à distância. Avistou o London Eye, os carros parecendo miniaturas nas ruas e as árvores pintando o Hyde Park com cores vivas. Olhou adiante e franziu os olhos.
Reconheceu o lugar imediatamente. Claro! O Big Ben.
Um sorriso iluminou seu rosto diante daquela vista. O lugar era incrível e ela só conseguia se lembrar de todas as vezes que sonhou em estar ali, e da felicidade ao finalmente juntar dinheiro suficiente para comprar a passagem.
Agora, após tanto tempo de espera e horas na mesma poltrona, se preparava para o pouso do avião, sentindo seu coração palpitar forte no peito.
— Certo. Respira fundo, — sussurrou para si mesma.
Sentiu o avião balançar ao tocar o chão e fechou os olhos por um instante, os abrindo logo em seguida. Observou as pessoas ao redor soltando seus cintos e fez o mesmo, mas com cuidado devido às suas mãos trêmulas.
Ouviu a voz da aeromoça anunciando o fim do voo e se levantou, pegando sua volumosa mochila no compartimento superior. Uma grande fila se formava em direção à saída do avião. Ao ver alguns passageiros começarem a andar, sentiu a ansiedade revirar seu estômago.
Seu desejo de explorar a cidade era evidente e percebia que as pessoas ao redor começavam a notar.
Quando chegou sua vez, olhou para o corredor e sorriu de leve.
Ali começava sua nova jornada.
Caminhou, sentindo o peso da mochila em suas costas. Ansiava por encontrar um lugar confortável para sentar e descansar adequadamente.
Quando tocou o solo londrino, percebeu a diferença até no ar.
Ao passar por uma das aeromoças presentes, foi recebida com um sorriso caloroso, o que só a animou ainda mais.
Dirigiu-se para o interior do aeroporto e suspirou. A sensação de arrepio percorreu seu corpo, causando calafrios. Não tinha ideia do que fazer a seguir, nem por onde começar. E, enquanto observava outras pessoas sendo recebidas com abraços calorosos, se sentia cada vez mais sozinha.
estava completamente sozinha.
Olhou ao redor e viu um jovem vendendo mapas da cidade.
Sem hesitar, foi até ele e comprou um. Entre todas as opções, o trem era a escolha mais próxima e rápida para chegar ao centro.
Dobrou o mapa com cuidado e o guardou no bolso da calça jeans, pronta para seguir rumo ao terminal. Vários táxis estavam alinhados, aguardando passageiros, então decidiu caminhar até a estação do aeroporto para economizar um pouco mais.
Havia deixado o aeroporto pouco mais de meia hora e, ainda sentada perto da janela do metrô, não conseguia deixar de sentir o êxtase tomando conta de todo seu corpo, só pela animação e ansiedade. não queria perder nenhum momento do seu primeiro dia.
Seus olhos vagavam pelas casas e bairros que passavam do outro lado.
Era uma vista sensacional.
Levantou o olhar para o céu, agora cinza, notando através da janela embaçada do metrô o quão gelado deveria estar do lado de fora.
Colocou sua mochila na cadeira ao lado e tirou sua touca preta, a ajeitando na cabeça para se aquecer.
Ao recostar nas almofadas confortáveis da poltrona do metrô, viu a cidade se aproximando lentamente e um sorriso começou a se formar em seu rosto.
Era final de tarde em Londres e a paisagem parecia que tinha saído de um filme. Rapidamente, pegou seu celular de um dos bolsos e apontou para o céu e a cidade, mas a pouca bateria restante só permitiu um clique antes de o aparelho desligar.
Que sorte! Pensou, jogando o celular na mochila de qualquer jeito e cruzando os braços com um ar emburrado.
Balançou a cabeça e sorriu; aquilo não a desanimaria. Não naquele lugar!
O metrô parando fez com que despertasse.
Ajustou a mochila nas costas, pronta para desembarcar e seguiu para a porta de saída. E, ao pisar de degraus que a levavam para cima, olhou ao redor e percebeu que já estava no centro de Londres.
Caminhou quase correndo até a rua mais próxima e se deparou com a movimentação de carros, ônibus, motos e até bicicletas.
Tudo parecia tão real.
Na calçada onde estava, mal conseguia ficar quieta.
As pessoas passavam por ela como o vento, algumas esbarrando sem pedir desculpas, logo recuou até encostar o corpo na parede de uma das lojas do centro.
Respirou fundo e, apesar do nervosismo, decidiu se situar primeiro. Sua fome era gigante.
Olhou para o outro lado da avenida e atravessou até uma lanchonete, ignorando o tráfego intenso e arriscado. Alguns carros buzinaram e outros passaram resmungando algo incompreensível.
Ela fez uma careta e entrou no lugar, ouvindo o sininho característico tocar quando abriu a porta. Um sorriso escapou de seus lábios; era como uma cena de filme, clichê demais até.
Observou várias pessoas com suas refeições nas mesas coloridas ao redor e procurou por um lugar para se sentar. Como só havia espaço no balcão, se aproximou e se sentou em um dos bancos, avistando a garçonete loira se aproximando com um sorriso no rosto.
— Ei, boa tarde. O que gostaria de pedir? — disse, tirando um bloco branco e uma caneta do bolso do avental, com um sorriso irradiante.
, do outro lado, parecia um pouco mais à vontade.
— Um sanduíche e um suco, por favor — sorriu timidamente ao fazer o pedido, arranhando o sotaque britânico que havia tanto treinado e se permitiu observar o ambiente.
O lugar era acolhedor e as pessoas pareciam estar desfrutando do momento.
Olhou para a janela ao seu lado e observou a agitação lá fora, pessoas apressadas indo para o trabalho ou para casa, especialmente agora que o dia começava a escurecer. Sentiu uma leve pontada de saudade ao abaixar o olhar, pensando na sua casa e na sua família no Michigan.
Estar ali sozinha a fez perceber o quanto sentia falta da sua vida lá. Mal conseguia imaginar como estariam sua mãe e sua irmã naquele momento.
Sacudiu a cabeça com firmeza e notou um pequeno mural do outro lado do balcão. Com um pouco de esforço, estreitou os olhos para ler um anúncio preso ali.
Esticou o corpo para conseguir uma melhor visão e quase derrubou os copos ao ouvir a voz feminina ao seu lado.
— É um anúncio sobre aluguel de quartos — a garçonete comentou enquanto depositava o prato e o copo de suco no balcão. Observou-a seguir até o mural, arrancando o papel e entregando para a garota. — Parece que estão alugando por um preço bom. Quer dar uma olhada?
— Sim, por favor — respondeu, pegando o papel um pouco amassado.
Era um preço ótimo e ela conseguiria pagar pelo menos alguns dias.
Sorriu agradecida; pelo menos teria um lugar para ficar.
Dobrou o papel e o guardou. Assim que saísse, procuraria o local mencionado.
Permaneceu ali por algum tempo, tomando seu suco e mordendo o sanduíche com tranquilidade enquanto observava a cidade através da janela de vidro.
Perdida nos próprios pensamentos, nem percebeu quando a mulher do outro lado do balcão a observava com um sorriso divertido.
— Você não é daqui, né?
— Não, sou de Michigan — deu mais um gole no suco. — Por quê?
— Bom, você é educada e tem uma mochila grande — apontou para a mochila próxima aos seus pés. — O que te traz à Londres? Desculpa, mas parece um pouco perdida.
Soltou uma risadinha e riu junto, desviando o olhar.
— Pra ser sincera, nem eu sei. Sempre foi um sonho conhecer a cidade. Então, arrumei minhas coisas e tomei coragem pra vir até aqui.
— Uau, entendi — disse, se levantando para atender outro cliente. — Só um segundo.
A morena balançou a cabeça, concordando e terminou seu lanche, sentindo sua energia retornar gradualmente.
Antes de se despedir da atendente simpática, pegou novamente o anúncio e tentou ler o endereço, mas não tinha ideia de onde ficava.
Se levantou do banco, organizando suas coisas.
— Já vai? — a garçonete perguntou, fazendo levantar o olhar. Ela assentiu com um pequeno sorriso. — Saio em cinco minutos. Se quiser esperar, posso te levar até o apartamento.
— Claro, eu espero.
olhou ao redor e, decidindo esperar pela mulher, se sentou discretamente em uma mesa ao fundo, deixando espaço para novos clientes que pudessem chegar. Enquanto estava lá, procurou por uma tomada próxima, mas não encontrou nenhuma. Seu celular continuaria sem bateria por um tempo.
Retirou a touca para ajeitar os cabelos e notou a mulher saindo enquanto ajustava sua bolsa no ombro.
Olhou para e indicou com a cabeça a saída do local.
Na calçada, onde a agitação das pessoas já tinha diminuido, as duas seguiram em direção à praça mais próxima e continuaram caminhando. não tinha ideia de onde estava, apenas confiava que estava seguindo uma garota que não parava de falar um segundo sequer. Achou engraçado, pois, se não fosse por ela, ainda estaria se organizando em qualquer calçada.
— Então, tô ajudando uma garota que mal sei o nome — a loira comentou com um sorriso amigável no rosto.
respondeu com um sorriso.
— Bom, eu que deveria dizer isso, né? Tô seguindo uma garota que também não sei o nome — a imitou, abraçando o próprio corpo para se aquecer do frio e apertando o casaco. — Pode me chamar de .
— Certo, — repetiu o nome da garota e riu consigo mesma. acompanhou sua risada, achando a achando bastante divertida. — Sou . E é aqui que você vai ficar.
parou diante do pequeno prédio e observou os andares, notando algumas luzes acesas. Respirou fundo e curvou os lábios em um meio sorriso, se voltando para ao seu lado.
Naquele momento, se sentiu um pouco desanimada ao perceber que estaria sozinha outra vez.
Havia acabado de conhecer e ela parecia ser uma ótima pessoa.
— Nem sei como te agradecer — relaxou os ombros. — Obrigada mesmo. Se não fosse por você, nem sei o que estaria fazendo agora.
— Não precisa agradecer. Sério — balançou as mãos. — Vamos combinar assim: se precisar de alguma coisa, é só me ligar. Tenho meu número anotado aqui, pode pegar.
puxou sua pequena bolsa, a vasculhando até encontrar o pequeno pedaço de papel branco. O estendeu para e sorriu em despedida, se virando para ir embora.
Ela encarou os números escritos, guardando o papel no bolso do jeans surrado antes de entrar no prédio.
Na recepção, um senhor de idade estava sentado com um jornal nas mãos, aparentemente concentrado.
— Em que posso ajudar, minha jovem? — ergueu os olhos cansados e sorriu. Por um momento, sentiu seu coração se aquecer com aquele gesto familiar.
— Preciso de um quarto. Se não for pedir muito, o mais barato que tiver, por favor.
Deu um minucioso sorriso amarelo e se aproximou do balcão. Odiava estar naquela situação, sentia que a qualquer momento estaria dependendo de alguém e isso era o cúmulo para ela.
Era triste demais.
— É nova na cidade, não é? — comentou, se dirigindo ao mural repleto de chaves. Ele retirou um par delas, com uma etiqueta preta e estendeu para — Não é nada luxuoso, mas você pode ficar à noite ou quantos dias precisar.
— Perfeito. Muito obrigada — sorriu e tirou a mochila das costas para pagar pela estadia.
Ela começou a contar suas libras, mas parou ao ver o senhor estendendo as mãos, recusando o pagamento.
Estreitou os olhos.
— Não, querida. Não se preocupe com isso agora. Vá descansar e quando estiver de saída poderá acertar comigo — ele piscou e apontou para a escada que levava aos quartos disponíveis.
suspirou aliviada, balançando a cabeça e seguiu para descansar. Não sabia o nome daquele senhor, mas quase quis abraçá-lo pela generosidade.
No corredor, colocou a chave na fechadura e entrou no quarto.
Quando o trancou, se permitiu encostar na porta e escorregar até se sentar no chão.
Se sentia exausta. Cansada, com sono e, principalmente, com saudades de casa.
Se sentia perdida, sem rumo e começava a se questionar se havia tomado a decisão certa ao deixar tudo para trás e embarcar nessa viagem. Seria difícil começar ali, em um lugar desconhecido, sozinha.
Ao estar ali sentada, observou atentamente o quarto em que estava. Era pequeno, mas aconchegante e bem organizado. Havia uma cama com um criado-mudo no canto, uma janela com um móvel embaixo onde uma televisão estava posicionada e uma portinha em frente à cama, provavelmente levando ao banheiro.
Com um impulso dos braços, se levantou e caminhou em direção à cama, onde colocou a mochila pesada. Pegou uma toalha de banho e uma muda de roupa leve, pronta para um banho revigorante.
Respirou fundo, tentando acalmar seus pensamentos.
precisava planejar cuidadosamente como começaria a se manter para não acabar nas ruas ou até mesmo voltando para sua cidade natal. Com poucas mudas de roupa na mochila e poucas libras, estava incerta sobre como as coisas seriam dali em diante.
— Será que foi mesmo uma boa ideia? — murmurou.
Se deixou cair sobre a cama arrumada e sentiu algumas lágrimas aquecendo suas bochechas geladas pelo frio da noite. Estava assustada, muito assustada. Se sentia incerta sobre o que iria acontecer, con medo de passar fome, frio e não ter um lugar para dormir. Tinha medo de que tudo desse errado e acabasse voltando frustrada para Michigan com seus planos arruinados.
Agora, só queria o abraço reconfortante de sua mãe, Lenna. E se ao menos aquilo fosse um pesadelo, desejava acordar.
Fungou algumas vezes e enxugou as lágrimas que teimavam rolar por seu rosto. Não podia se permitir continuar pensando daquele jeito. Tinha ido para Londres com um propósito claro: além de conhecer a cidade, iria se reinventar ali. Planejava crescer e construir um futuro melhor para sua família.
Decidida, balançou a cabeça para afastar os pensamentos negativos.
Pegou suas roupas e seguiu até o banheiro, ansiosa por um bom banho e descanso.
Afinal, aquilo era só o começo e estava determinada a fazer as melhores lembranças na cidade da Rainha.