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Independente do Cosmos🪐

Última Atualização: Fanfic Finalizada

“Você sempre volta pro lugar onde te desafiaram pela última vez.”


A umidade do ambiente bateu contra o rosto de antes mesmo que ele cruzasse o portal da piscina olímpica. O cheiro familiar de cloro, suor e azulejo molhado invadiu suas narinas como um soco nostálgico. Fazia mais de um ano desde que pisara ali. Mais de um ano desde que tivera que sair de maca, com o ombro estourado e o orgulho em pedaços.
Mas agora, ele estava de volta.
E, aparentemente, não era o único.

— Olha só quem apareceu. Achei que você fosse só uma lenda do passado, tipo o Aquaman da CBDA. — A voz veio de trás, carregada de ironia e provocação. Uma voz que reconheceria em qualquer canto do mundo. Grave, debochada, com aquela calma irritante de quem sabe que te tira do eixo.

se virou devagar, como se o peso de meses de silêncio e raiva estivesse grudado em suas costas.
estava encostado na parede da piscina, os ombros largos ainda molhados, gotas escorrendo pelo peitoral até desaparecerem sob a barra da sunga preta. Tinha um sorriso nos lábios — e nos olhos também. Mas não era um sorriso amigável. Era o tipo de sorriso que vinha com farpas escondidas entre os dentes.
não respondeu de imediato. Deixou o olhar subir do peito de até o rosto, sem pressa. Sem esconder o incômodo. E talvez algo mais.

— Você ainda fala merda, . Não mudou nada.
— E você ainda finge que não gosta. — deu dois passos, parando perto o bastante para que sentisse o calor do corpo dele. Estavam separados por um palmo. Talvez menos. — Mas esse seu maxilar trincado está me dizendo outra coisa.

apertou a alça da mochila, como se isso pudesse conter o impulso de socar alguma coisa. Ou alguém. Ou... pior: encostar.

— Não confunde tesão com raiva. Eu continuo te odiando.
soltou uma risada baixa, rouca. O som vibrou no peito dele.
— Continua mentindo mal, .

A água nunca esteve tão quente. E o motivo estava na raia ao lado.
A primeira coisa que sentiu ao entrar na piscina olímpica foi o choque do cloro no nariz. A segunda, e mais perturbadora, foi a presença de do outro lado da borda, alongando os ombros como se soubesse que estava sendo observado. E claro que sabia.
sempre soube.
tentou ignorar o calor repentino subindo pela espinha. Desceu o corpo até a superfície fria da água e mergulhou, só para afastar o pensamento incômodo: não era só raiva o que sentia daquele desgraçado.

O treinador gritou as primeiras séries do dia, forçando ambos a entrarem juntos na piscina. A raia quatro e a raia cinco, lado a lado. Claro. Como se fosse destino. Ou tortura.
Eles mergulharam quase ao mesmo tempo — mas não juntos.
sentia o movimento de ao lado como se o corpo dele arrastasse ondas só para desequilibrar o seu ritmo. Cada braçada parecia um desafio. Cada virada de cabeça para respirar, uma provocação visual. Eles disputavam espaço, mesmo com linhas delimitando território. Como sempre tinham feito. Como se aquela piscina fosse pequena demais para os dois.
Na terceira série de cem metros, os corpos já nadavam tão próximos que quase se tocavam. Braço com braço. Ombro com ombro. Uma vez, roçou a perna na dele durante uma virada — e sentiu. Sentiu mais do que deveria.

Naquele momento, só existiam os dois.

deslizava pela água como se tivesse nascido dentro dela. sabia que era mais técnico, mais centrado, mas alguma coisa em fazia com que cada movimento parecesse fácil demais — irritantemente fácil.
Na borda, depois da quinta volta, ficaram lado a lado ofegantes, as gotas d' água escorrendo dos cabelos, da boca, do queixo. O mundo parecia quieto demais ao redor. Só o som da respiração deles preenchia o espaço.

— Ainda tá atrás — disse, com um sorriso enviesado.

inclinou a cabeça devagar, o maxilar contraído.
encostou os cotovelos na borda, virando o rosto até que ficassem perigosamente perto. Água escorria do cabelo até a boca dele.

— Eu prefiro ficar atrás, se for pra te foder no final — disparou, olhando nos olhos dele.

O sorriso de sumiu por um instante.
Mas só por um instante.

— Então me pega. — Ele piscou devagar. — Vamos ver se consegue.


***


O vestiário estava quase vazio. Só os dois ainda ali.
O barulho dos chuveiros preenchia o espaço com um eco morno, e o vapor subia lento, se misturando ao ar denso. abriu o armário com mais força do que deveria, jogando a toalha no banco de madeira. O corpo ainda latejava da última série, e a presença de — mesmo sem estar à vista — era como eletricidade na pele.
Ele ouviu passos. E então, a voz.

— O seu tempo tá bom. Melhor do que antes da lesão.
não respondeu de imediato. Apenas puxou a camiseta e a jogou no banco. As costas nuas expostas ao ar quente. Sentia os olhos de nele. Sabia que estavam ali.
— Vai me elogiar agora? Achei que sua função era só me provocar.
riu, e odiou o arrepio que a risada causou.
— Provocar você é a minha parte preferida. Mas não quer dizer que eu não note quando você tá nadando bem... ou quando tá suando mais do que devia.
se virou com força, os olhos estreitos.
— Qual o seu problema?
estava mais perto do que deveria estar. Só de sunga, cabelo molhado escorrendo pelo pescoço. O olhar dele era diferente agora. Menos provocador. Mais... focado.
— Meu problema — ele disse, se aproximando — é que você volta pra esse lugar, finge que nada aconteceu e quer agir como se a gente fosse só dois idiotas competindo por tempo.
— Não somos? — devolveu, mas a voz saiu menos firme do que queria.
não respondeu. Simplesmente passou por ele, indo em direção ao banco onde a toalha estava jogada. O espaço era estreito. E no movimento de se abaixar, o ombro dele roçou na barriga de .

Foi um toque breve. Quase nada. Mas sentiu. Sentiu até a alma.

pareceu não se importar. Mas, ao se levantar, parou perto demais. A respiração deles agora se misturava.
— Você lembra daquela noite? — ele perguntou, baixo.
ficou imóvel. O coração disparando no peito.
— Não finge que não sabe qual.
deu um meio sorriso, umedecendo os lábios com a ponta da língua.
— Foi antes do seu ombro estourar. A última competição estadual. Você perdeu por milésimos… e depois veio me procurar no vestiário vazio. Lembra?


A água ainda escorria pelos cabelos de quando ele empurrou a porta do vestiário. Os olhos estavam vermelhos, de frustração, de cansaço, de não saber mais o que fazer pra vencer aquele maldito.
estava sozinho, sentado no banco, olhando o celular. Sem camisa. Com a medalha ainda pendurada no pescoço.
parou na porta. O peito subia e descia rápido. A adrenalina da prova ainda vibrando nos músculos. A raiva, fervendo.
— Você roubou a virada — ele disse.
— Você errou a largada — respondeu, sem olhar.
deu dois passos.
— Eu quase ganhei.
ergueu os olhos. Lentos. E sorriu.
— Quase.
O silêncio que se instalou foi estranho. Longo. Quente. O tipo de silêncio que só aparece quando algo está prestes a acontecer.
chegou perto. Mais perto do que deveria.
— Por que você sempre sorri assim quando fala comigo?
abaixou o celular. O olhar fixo.
— Porque você sempre fica assim quando eu sorrio.
o encarou, o maxilar travado. O rosto a centímetros. A respiração dele batia em sua boca.
E então se inclinou. Lento. Sem tocar. Mas próximo o suficiente para que sentisse.
— Se você não me odiasse tanto, ... a gente já teria se fodido aqui mesmo.
A frase ficou no ar como fumaça.
não respondeu.
Mas também não se afastou.
E naquele vestiário vazio, entre respirações e promessas silenciosas, quase aconteceu.
Mas alguém entrou.
E recuou.
E eles nunca mais falaram sobre aquilo.


— Não precisa fingir que esqueceu — disse agora, o olhar mais sério do que lembrava.
manteve os olhos nele. O corpo em alerta. A mente em negação.
— Foi só uma provocação.
— Foi quase um beijo.
Silêncio.
O coração de batia tão alto que parecia ecoar no vestiário. Ele não sabia o que doía mais: o passado, o presente, ou o que diabos aquela lembrança ainda causava nele.
Ele deu um passo pra trás. Finalmente quebrou o olhar.
— Você devia terminar seu banho.
— E você devia parar de fugir — disse, sem levantar a voz.

pegou a toalha e virou as costas.
Mas demorou dois segundos a mais do que devia.


“O corpo responde antes da mente. E o meu continua traindo a mim mesmo.”


se jogou na cama do alojamento com a toalha ainda úmida presa na cintura, os cabelos pingando no travesseiro e o peito arfando como se tivesse feito outra série de cem metros.
Mas não era cansaço físico.
Era .
Sempre .
Ele fechou os olhos e tentou apagar da memória o calor do vestiário, o roçar acidental da pele, o tom da voz que parecia sussurrado direto na espinha. Mas as imagens vinham, cruas e insistentes, como se o corpo dele quisesse guardar cada detalhe — mesmo que a mente tentasse esquecer.
Era sempre assim.
Desde o começo.

nunca foi só um rival. Ele era o caos disfarçado de controle. A tentação escondida atrás da raiva. E odiava o quanto aquilo ainda o desestabilizava.
Ele pensou em como foi fácil para dizer aquilo. Relembrar aquele dia. A quase aproximação. O quase beijo.

Quase.
A palavra que assombrava desde então.

Quase ganhou.
Quase não se lesionou.
Quase o beijou.
Quase ficou.

O celular vibrou em cima da mesa, interrompendo os pensamentos.

Mensagem de número desconhecido:
Você ainda nada bem. Mas continua fugindo pior ainda.
.

apertou os olhos com força, jogando o celular de lado.
Era claro demais. Provocação demais. estava se divertindo com aquilo.

Só que ele também estava certo.
fugia. Porque, no fundo, sabia que, se parasse… não ia mais conseguir dizer não.


***

Treino do dia seguinte – 7h00 da manhã

já estava na piscina quando entrou. E era estranho como ele sempre percebia a presença dele antes de vê-lo. Era como uma mudança de temperatura, uma energia densa no ar.
Hoje, não disse nada. Apenas caminhou até a borda, ajustando os óculos de natação, como se o que tivesse acontecido na noite anterior tivesse evaporado com o vapor do chuveiro.
Mas sabia que não evaporou. Estava ali. Entre os dois. Mais forte do que nunca.

— Prova de velocidade, rapazes — o treinador gritou. — Vocês dois. Juntos. Cinquenta metros. Reta final. Melhor de três.

Eles se entreolharam rapidamente. E dessa vez, viu nos olhos de algo diferente. Ainda havia desejo. Ainda havia provocação. Mas também havia um toque de urgência. Como se dissesse: então me alcança. Ou para de tentar.

Primeira largada.
quase empatou.

Segunda.
ganhou por três milésimos.

Na terceira, os dois se jogaram na piscina como se o mundo estivesse em jogo.

sentiu a raia se estreitar. Sentiu o corpo de roçar de leve no dele durante a virada. Sentiu os pulmões queimarem, mas não diminuiu.

Toque na borda.
Ficaram lado a lado, ofegantes, em silêncio.

— Foi por dois milésimos agora — disse, sem olhar.
— Foda-se. — tirou os óculos, ainda sem conseguir respirar direito.
virou o rosto para ele. Os olhos estavam intensos.
— Vai continuar fingindo que isso aqui é só competição?
passou a mão no rosto, empurrando os cabelos molhados pra trás. O ar entre eles parecia vibrar.
— Vai continuar fingindo que é só provocação?

riu. Um riso seco, baixo. E se aproximou um pouco.
Os rostos estavam perigosamente próximos de novo.
De novo.

— Talvez eu pare de fingir hoje à noite.
prendeu a respiração.

saiu da borda e nadou devagar até o outro lado da piscina, deixando com o peito pulsando e o sangue fervendo.


***

Mais tarde, no quarto, encarava o teto escuro sem conseguir dormir.
A frase ecoava na mente como um aviso.
Ou uma promessa.

"Talvez eu pare de fingir hoje à noite."
ouviu as palavras repetindo dentro da cabeça durante horas. Como se tivesse deixado um aviso plantado sob a pele, queimando devagar. A tensão não passava. Não com o corpo ainda pulsando, o sangue quente de mais um treino onde o toque foi acidental... mas não inocente.

Ele tentou dormir. Não conseguiu. Tentou esquecer.
Mas tudo em era feito pra ser lembrado: a voz baixa, os olhos que nunca desviavam, o cheiro de cloro e provocação misturado à pele bronzeada.
E agora, o pior: a dúvida.

Ele viria?
Seria quem apareceria naquela madrugada, batendo à porta, com o mesmo sorriso cínico e um olhar que dizia você quer tanto quanto eu?
Ou seria quem iria ceder primeiro?

00h48.
Nada.

01h12.
Ainda nada.

se levantou e foi até o banheiro do alojamento. Encarou o próprio reflexo por tempo demais. O rosto estava tenso, os olhos vermelhos — não de sono, mas de frustração. De desejo reprimido. E talvez… de medo.
Porque ele sabia: se aparecesse, não teria força pra mandar embora.

Mas ele não apareceu.

E odiava o quanto isso também doía.

***

Dia seguinte – Piscina externa, treino livre

O sol queimava sobre a pele, mas a água seguia fria. nadava sozinho, fora do horário oficial. Precisava extravasar. Pensar. Ou, pelo menos, cansar o corpo o suficiente pra parar de pensar.
Estava na décima volta quando viu o vulto na borda.
.
Sentado com os braços apoiados nos joelhos, óculos de sol, cabelos presos num coque baixo. Observava. Quieto. Como se tivesse todo o tempo do mundo. Como se fosse ele quem ditava o ritmo do dia.
parou e se apoiou na borda.

— Vai só ficar me encarando ou vai nadar?
ergueu uma sobrancelha.
— Achei que queria espaço.
— E você respeita isso agora? — respondeu, sem esconder o sarcasmo.
sorriu.
— Eu disse que talvez parasse de fingir. Não que ia te pressionar.
Silêncio.

mordeu o lábio inferior. Olhou pro lado.
— Você não apareceu. — A frase escapou antes que pudesse ser engolida. Baixa, crua, quase magoada demais.
se levantou devagar. Desceu até a beirada da piscina e agachou ali, os olhos agora sem nenhuma provocação. Só verdade.
— Não fui porque… se eu entrasse naquele quarto, não ia sair com a cabeça limpa para competir depois.
encarou.
— E você precisa da cabeça limpa?
deu um meio sorriso.
— Pra nadar? Sim.
— E pra mim? — perguntou, a voz mais baixa agora.
— Pra você, … — piscou devagar — Eu nunca tive.

O silêncio que veio depois era denso. Vivo. O tipo de silêncio que grita.
Mas se afastou da borda. Voltou a nadar.
E ficou ali.
Ambos se afogando, sem que ninguém tivesse tocado ninguém.


“Alguns corpos disputam medalhas. Outros, se pertencem.”


A piscina estava cercada de silêncio.
Era como se todos os sons — apitos, gritos, vozes — tivessem desaparecido no instante em que se posicionou sobre o bloco de largada. O corpo em tensão. Os olhos fixos na raia. E, ao lado dele, . Postura impecável. Silhueta afiada. Respiração controlada.
Mas sabia. Sabia que ele também estava segurando algo por dentro. Talvez tanto quanto ele mesmo.
Essa era a última chance. A última seletiva.
Quem vencesse, representaria o país na prova individual do Mundial.
Era tudo o que tinha perseguido nos últimos anos. Mas, de repente, o maior obstáculo não era o tempo.
Era o que viria depois.
Ou pior: o que poderia não vir.

— Prontos...

O apito soou.

E os corpos mergulharam.
A água cortou sua audição como uma navalha. O mundo virou som abafado e resistência líquida.
nadava como se estivesse fugindo. Braçadas perfeitas, respiração controlada, viradas calculadas.
Mas sentia ao lado.
Sentia cada movimento dele, como uma extensão da própria raiva, da própria excitação. A disputa entre eles nunca foi só sobre velocidade — era uma conversa muda de músculos, pele e desejo contido. Era a única linguagem que conheciam bem demais.
Últimos metros.
A parede se aproximando.
Braçada final.

Os dois emergiram ao mesmo tempo. O placar ainda processando. O silêncio da torcida era mais barulhento que qualquer grito.

Resultado:
1º lugar –
Tempo: 47.98

2º lugar –
Tempo: 48.01

Três milésimos.
De novo.

encarou o telão por longos segundos. Respirou fundo. O gosto da água misturado ao gosto da derrota, mas o olhar dele foi direto pra .

A piscina ainda reverberava os aplausos da arquibancada, mas caminhava em silêncio. As costas nuas, a toalha amarrada na cintura e o gosto da derrota preso na garganta.
Três milésimos.
Era tão pouco.
E, ao mesmo tempo, significava tudo.
Ele empurrou a porta do vestiário com força. O som metálico ecoou pelas paredes frias. A luz era branca demais, o ar abafado demais. O vapor dos chuveiros ainda pairava no ambiente como uma cortina.
Jogou a touca e os óculos dentro do armário, a respiração ainda acelerada. O corpo latejava da prova, mas o que incomodava mais era outra coisa. Era o que se arrastava dentro do peito. A tensão que não saía. O nome que não queria dizer em voz alta.
E então ele ouviu os passos.
Lentos.
Firmes.
Reconhecíveis.
entrou no vestiário como se não fosse apenas o vencedor da prova — mas como se soubesse que essa não era a vitória que realmente importava.

— Você nada melhor com raiva — ele disse, encostando-se ao armário do lado.
não respondeu. Só virou o rosto, lento, os olhos cravados nele.
— Três milésimos, . Só isso.
soltou uma risada seca, sem humor.
— Você veio aqui pra esfregar na minha cara?
deu um passo.
— Eu vim aqui porque a gente não tem mais nada pra fingir.

Outro passo.

— Você perdeu a prova. Eu perdi o controle. A gente pode resolver os dois agora.
ficou imóvel. O maxilar trincado. O peito subindo e descendo rápido.
A toalha ainda presa na cintura.
O corpo ainda úmido, quente, furioso.

— Vai se foder, .
— É o que eu tô tentando fazer desde o primeiro dia que te vi.
se virou. Rápido.
— E o que te impediu?
se aproximou até não sobrar espaço entre eles. O peito colado. O ar vibrando.
— Você. Sempre você.

E então ele o beijou.
Nada suave. Nada gentil.
Foi um beijo de raiva, de orgulho ferido, de desejo amontoado em cada fibra do corpo. respondeu com os dentes, a língua, a urgência de quem segurou por tempo demais. As costas bateram no armário com um estrondo metálico, e ele gemeu contra a boca de , as mãos agarrando os ombros molhados.
As bocas se chocaram sem preâmbulo, como se todo o tempo que passaram se evitando tivesse chegado ao limite de saturação. Era um beijo que não pedia permissão, só cobrava o que era devido.
sentiu o mundo girar. A língua de invadiu sua boca com firmeza, explorando como se quisesse decorar cada canto, cada som abafado. O metal gelado do armário encostou em suas costas quando o pressionou ali, os quadris colando de forma agressiva, sem espaço, sem ar.

Ele gemeu, alto, involuntário.

O corpo inteiro aceso, os pelos dos braços eriçados, a ereção pulsando sob a toalha úmida que ainda o cobria. Os dedos de seguravam sua cintura com tanta força que pareciam deixar marcas — e desejava que deixassem.

— Você sabe o que eu quero — murmurou entre o beijo. — E você quer igual. Para de fingir.
agarrou o rosto dele com ambas as mãos e puxou para mais um beijo, dessa vez mais selvagem. As línguas duelavam, cada respiração era um puxão de desejo puro.
— Então toma — sussurrou, baixo, como um desafio. — Tira essa porra de toalha. Agora.
não hesitou. Com um puxão firme, a toalha deslizou pelas pernas de e caiu no chão com um baque úmido.

Ele estava nu.
Molhado.
E duro.
olhou para ele como quem olha um prêmio. Ou um vício.

— Caralho, ...

riu, um riso rouco, com os olhos fechados, a cabeça encostada no metal frio.
Mas tremeu quando sentiu a palma quente de envolvê-lo, devagar, como se estivesse descobrindo o peso do que sempre quis. A mão deslizou lenta, o polegar passando pela glande já úmida, arrancando um suspiro arrastado do fundo da garganta de .

— Porra... — arfou. — Faz alguma coisa. Para de olhar.
— Eu tô gravando com os olhos — disse, ajoelhando-se.

E então, sem mais um som, ele envolveu o membro de com a boca quente e profunda.
arqueou o quadril, os olhos virando para cima. A língua de se movia com maestria, firme e úmida, sugando na medida exata entre ritmo e tortura. Uma das mãos segurava a base, a outra subia lentamente pela barriga dele, roçando as unhas de leve — um toque de arrepio, contraste ao calor que engolia seu prazer.
— Isso... assim mesmo... — gemeu, entrecortado, os quadris já se movendo, querendo mais fundo, mais rápido.
gemeu contra ele, o som vibrando ao redor da carne, aumentando a intensidade como uma descarga elétrica. agarrou os cabelos molhados dele, guiando, puxando com força, sentindo-se à beira.
E quando chegou lá, gozou com violência, o corpo tremendo inteiro, a testa encostada no armário, o nome de escapando em meio a gemidos baixos e suados.

Mas não parou.

Levantou-se, ofegante, os lábios úmidos e os olhos escuros de desejo.
Virou contra o armário de metal, o som do baque ecoando no vestiário. As mãos pressionando suas costas, a boca roçando seu pescoço suado. A ereção de , quente e latejante, se encaixava entre suas coxas, pedindo… implorando.
— Fala. — rosnou. — Fala que você me quer.
virou o rosto, ofegante, bochechas rubras, olhos dilatados.
— Eu quero. Porra, eu quero. Me fode logo.
cuspiu na palma da mão e se preparou rápido, sem hesitar. afastou as pernas, os cotovelos apoiados no armário, o corpo entregue.
Quando o penetrou, foi devagar. Firme. Lento. Intenso. gemeu longo, o som ecoando no vestiário vazio como uma música de vitória e rendição. A sensação de ser preenchido, de finalmente sentir por inteiro, fez seu corpo tremer.
— Merda... você é tão apertado... — arfava, enquanto se movia com ritmo crescente, as mãos cravadas na cintura de .
Cada estocada era um golpe certeiro, profundo. gemia, arfava, e pedia mais. Pedia tudo. Sentia os testículos batendo contra sua pele, sentia os corpos suados se chocando, o som indecente da fricção preenchendo o espaço.
— Vai... mais fundo... — ele pedia, os dedos arranhando o metal do armário.
obedecia, os movimentos ganhando força, intensidade. A mão direita escorregou para frente, envolvendo o pau de outra vez, masturbando no mesmo ritmo da penetração.
Eles estavam alinhados.
Em força.
Em ritmo.
Em fúria e prazer.

E quando gozaram, foi juntos.

arqueou o corpo inteiro, um gemido estrangulado escapando, os olhos fechados com força. grunhiu contra sua nuca, o gozo jorrando dentro dele com estocadas finais, firmes, precisas.
Silêncio.
Respiração.
Coração disparado.

se afastou alguns centímetros, a testa encostada nas costas de , ainda recuperando o fôlego.
— Três centésimos — ele disse, com a voz rouca.
— Vai se foder — respondeu, rindo de leve. — Mas não agora. Tô sem forças.
passou os braços ao redor dele por trás, abraçando.
— Você perdeu por pouco.
virou o rosto.
— Eu ganhei outra coisa.



FIM


Nota da autora: Essa não só é a primeira vez que escrevo com o tema de Esportes, como também me aventuro a sair da minha zona de conforto e escrevo uma short totalmente BL. Espero que tenham gostado e, aos poucos, a Polaris está voltando ao mundinho da escrita.


Se você encontrou algum erro de codificação/revisão, entre em contato por aqui.


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