I
We Are The Champions ainda ecoava pelas arquibancadas do estádio.
Tudo ao meu redor estava azul e branco, representando o Manchester City como Campeão da Champions League e, como era um título inédito, todo mundo estava extasiado. A sensação de alívio e felicidade não deixava a expressão do meu rosto. Meus lábios estavam esticados em um grande sorriso desde o apito final, quando os torcedores uniram-se em um grito misto de comemoração e entoação do hino do time. Depois da entrega da taça, os familiares, a equipe técnica do clube e os jogadores dos times estavam dispersos pelo campo, a taça pesada passando de mão em mão para fotos coletivas e individuais dos jogadores. Eu estava prestes a sair procurando pela Sage, que se enfiou em algum lugar, quando ouvi uma voz infantil gritar por mim.
— Tia !
Me virei na direção da voz e encontrei Ronnie correndo ao meu encontro. Imediatamente, tomada pelo entusiasmo de vê-lo novamente, abri os braços bem a tempo de pegá-lo no colo quando ele pulou na minha direção. Envolvi seu corpo pequeno em um abraço apertado, nunca o suficiente para esmagá-lo, mas de um jeito que fosse possível eliminar toda a saudade que eu sentia dele, quando passava quase uma temporada inteira longe.
— Ah, que abraço mais gostoso! — exclamei, beijando as suas bochechas, escutando sua risada ecoar.
Suas mãos envolveram meu pescoço e enchi-o de mais beijos, antes que ele enjoasse e saísse correndo pelo campo, socializando com todos os outros jogadores. Ele era uma criança incrível e super comunicativa. O time inteiro tinha adotado-o como mascote do clube, eu no entanto, adotei-o como mascote da minha vida.
— Será que seu pai deixa eu roubar você para mim? — perguntei.
— Pra sempre? — Ronnie perguntou.
Eu ri, afastando a cabeça só um pouquinho para que eu pudesse vê-lo melhor. Estreitei os olhos e fingi pensar um pouco.
— Pra sempre é muito tempo — Phil respondeu antes de mim, surgindo em nosso campo de visão.
Lancei um olhar feio para ele e segurei Ronnie com mais força ainda, como se ele pudesse tomar o próprio filho de mim, mas ele tinha um sorriso no rosto, as bochechas rosadas e um ar de quem era campeão.
— Não escute seu pai, Ron — murmurei contra a bochecha dele. — Eu queria que você ficasse comigo pra sempre.
Phil riu, beijando o topo da minha cabeça. Ele era um dos meus amigos mais próximos e, apesar de nossas agendas serem muito divergentes, não conseguíamos nos encontrar tanto quanto dois amigos comuns em fase adulta conseguiriam, mas isso não afetava nossa amizade. Eu dava um jeito de vê-lo sempre que podia, se isso significasse que eu iria ver o Ronnie também.
— Achei que você não conseguiria vir — ele disse, olhando ao redor. — Seu primo te intimou?
Ele procurou meu primo entre as pessoas, mas não encontrou.
— Não — respondi, ainda segurando Ronnie no braço. — Tive uma lesão no joelho recentemente e fui liberada pelo resto da temporada, o que significa que eu consegui férias forçadas. E uma infinita sessão de fisioterapia.
Dei de ombros, sem precisar me estender muito, porque ele entendia a minha situação. Infelizmente, lesões eram muito comuns no futebol e eu não estava ilesa disso também. Não era a minha primeira lesão, mas eu simplesmente odiava não conseguir concluir uma temporada de jogos.
— Sinto muito — ele lamentou e eu assenti. — Esse é seu único motivo de estar mau humorada nos últimos dias?
Consegui captar o seu tom de voz e levantei a sobrancelha para ele. Ronnie prestava atenção em nós dois e não sei dizer se ele conseguia entender muita coisa. Eu achava impressionante como os dois se pareciam.
— Eu deveria ter outro motivo?
Phil abriu um sorriso, dando de ombros.
— Kai Havertz?
Soltei um “ah” quase inaudível, entendendo agora o que ele queria dizer. Eu e o atacante alemão jogamos pelo mesmo clube, o Chelsea, sendo, obviamente, ele do time masculino e eu do feminino. A maioria das meninas conheciam a maioria dos meninos e, por sermos todos do mesmo clube, era muito comum estarmos no mesmo evento, às vezes. Nós nos aproximamos com segundas intenções, mas nada nunca foi para frente e acabamos desenvolvendo uma amizade normal, mas os tablóides britânicos adoravam uma fofoca, mesmo as de naturezas duvidosas. Saíram notícias sobre nosso relacionamento inexistente e, nos últimos dias, Havertz começou a aparecer publicamente com uma modelo. Um momento depois, as páginas de fofocas sobre celebridades do futebol encheu os sites de rumores sobre nosso término. Um término que nunca existiu.
— Me surpreende que você acredite em tablóides — respondi, revirando os olhos. — Eu e o Havertz nunca tivemos nada.
Ronnie ficou agitado nos meus braços.
— Tia , eu quero descer — ele pediu.
Fiz um bico com o pedido, mas beijei suas bochechas fofas mais uma vez e deixei que ele descesse dos meus braços. Ele disparou a correr até Haaland, um pouco atrás de nós.
— Ei, Haaland — Ronnie chamou. — Achei que você fosse uma garota!
Phil e eu rimos, assistindo ele brincar com o atacante noruoguês e depois desaparecer entre as pessoas no campo.
— Estou muito desatualizado da sua vida — ele disse, se virando para mim. — O que anda rolando, afinal?
Eu estava prestes a responder alguma coisa, quando a voz de Sage me interrompeu.
— Ei, desde quando seu primo ficou tão< gostoso?
Ela se materializou bem do meu lado livre, oposto ao que Phil ocupava, com uma expressão meio indecifrável, os olhos fixos em algum ponto azul do campo. Eu olhei para ela rapidamente, tendo a plena noção do que ela tinha acabado de me perguntar e, já sabendo quem ela estava encarando com tanto gosto, olhei na mesma direção que seus olhos permaneciam e, dessa vez, encontrei meu primo socializando com dois dos seus amigos do time, trocando fotos com a taça da Champions.
— Ele é o mesmo de sempre — respondi, sem notar nenhuma diferença.
Minha melhor amiga, e também minha principal colega de time, revirou os olhos para mim e sorriu, um dedo apontando em riste para mim.
— Você diz isso porque ele é seu primo — ela apontou o óbvio. — Espere só até eu encontrar o… ah, olha ele ali! Vai me dizer que ele não ficou mais gostoso desde a última vez que você o viu?
Indiscreta como sempre era, Sage parou de apontar o seu dedo indicador para mim e apontou para o outro lado do campo. estava andando despretensiosamente até esbarrar em Bernardo Silva e, como quem não tinha nada melhor para fazer, chutou a perna enfaixada do outro, testando se ele estava mesmo sentindo dor. Bernardo se afastou, reclamando, e a cena quase me arrancou uma risada.
— Eu…
— Espera aí, o que eu perdi? — Phil se adiantou, confuso.
Nunca falei para ele sobre minha possível paixão platônica pelo seu amigo e colega de time. Eu achava um gostoso, claro, e nós sempre mantivemos as coisas entre nós profissionais, mas eu não resistia em provocá-lo um pouco toda vez que tinha a chance de esbarrar com ele. Era divertido, apesar de só servir para alimentar a minha atração, e não o contrário.
— Ah, oi, Foden! — Sage o notou, cumprimentando. — Você perdeu tudo, querido, deixa eu te atualizar: eu acho o Aymeric Laporte, primo dessa gata aqui, um gostoso. Não um gostoso mediano ou algo do tipo, mas que entra na categoria de gostoso pra caralho. E ela acha o mesmo do . A diferença é que eu não sei o que essa anta está esperando, porque é óbvio que ele também quer comer ela.
— Sage! — repreendi, acertando-a com uma cotovelada.
Ela fez uma careta, mas não se arrependia de despejar todas aquelas informações em cima de Phil. Minha melhor amiga deu de ombros, me desafiando silenciosamente a desmenti-lá, sabendo que eu não faria isso, porque era tudo verdade.
— Você e o ? — Phil indagou, olhando para mim e para onde estava, parecendo pensar sobre alguma coisa que não compartilhou comigo. — Como eu não sabia disso?
Sage riu e se adiantou a responder.
— Você é um pouco, sabe, lerdo também.
Ele nem sequer se ofendeu com o comentário. Eu não diria que ele era lerdo, mas talvez um pouco desatento. As duas coisas podiam parecer ter o mesmo significado, mas para mim, não.
— Você não sabia disso porque não tinha nada para contar. — Me antecipei, revirando os olhos. — O que eu podia ter dito? Que eu acho seu colega de time atraente e que estamos em um jogo de sedução?
— É um começo — Phil disse. — O Laporte sabe disso?
— Eu acabei de dizer para você que não tem nada para ninguém saber — retruquei.
Sage riu de novo e lancei um olhar feio para ela, que parou de rir e fingiu fechar a boca com um zíper. Senti uma mão pousar no meu ombro e me virei, encontrando um John Stones alegre.
— Ninguém sabe o quê? — ele perguntou, se metendo.
Ele se apoiou com um braço nos meus ombros e no de Phil, o último se virando para ele, disparando a pergunta:
— Você sabia da e do ?
Stones se virou para o amigo.
— Que está na hora deles resolverem essa tensão sexual entre eles? — O inglês disse. — Todo mundo sabe disso, cara.
— Eu não sabia disso — Phil avisou.
— Só pode ser cego — Stones rebateu, balançando a cabeça. — Qualquer um podia ver que, quando esses dois estão no mesmo ambiente, praticamente se comem com os olhos.
Lancei um olhar feio para ele e tirei sua mão dos meus ombros. Sage observava tudo com um ar de divertimento puro, porque ela gostava de se divertir às minhas custas.
— Cala a boca, Stones — murmurei.
— Ele não está errado, está? — minha melhor amiga rebateu.
Bufei, esfregando o rosto com as duas mãos.
— Você devia ir parabenizá-lo — Stones sugeriu. — Tenho certeza que ele está esperando por isso.
Mordi a minha bochecha, pensando sobre isso. É claro que eu iria parabenizá-lo em algum momento, eu só estava esperando que ele ficasse um pouco mais sozinho, porque tinha gente demais cercando os jogadores.
— Ou talvez por outra coisa também — Phil acrescentou.
— Ei, você acabou de descobrir e já está me zoando? — reclamei, dando um soco leve em seu braço.
Ele deu de ombros.
— Tenho licença poética como seu melhor amigo para te zoar sobre qualquer coisa — ele rebateu. — Inclusive, sobre sua falta de atitude. Há quanto tempo isso está acontecendo?
— Desde o di… — Stones ia responder, mas fui mais rápida em interrompê-lo e tirar o sorrisinho provocador do seu rosto.
— Não é da sua conta. Você não está merecendo o posto de melhor amigo nesse momento.
— Ei! — Sage interviu, encarando Phil seriamente. — Eu sou a melhor amiga dela! Ele nem mesmo se abalou. As coisas quase nunca abalavam-o, na verdade, então eu estava acostumada com suas reações.
— Nós dois podemos dividir esse posto — o meio-campista disse. — Podemos voltar para a questão inicial aqui?
— O fato dela finalmente dar para o ? — Sage questionou e olhou para mim. — Os parabéns, é claro.
Por incrível que pareça, eu ri. Empurrei ela com um ombro, tendo certeza que ela fez aquele trocadilho de propósito, porque nada do que Sage fazia era inocente.
— Ei, tia ! — A voz de Ronnie me alcançou, interrompendo a conversa. — Vem me pegar!
Ele deu duas batidinhas na minha perna e saiu em disparada, esperando que eu corresse atrás dele para brincar. Seu sorriso irresistível não me deixou dizer não; era uma ótima oportunidade para fugir daquela conversa onde eu estava sendo o tema principal.
— Salva pelo gongo — Sage murmurou e disparei a correr atrás da mini versão de Phil Foden.
Tudo ao meu redor estava azul e branco, representando o Manchester City como Campeão da Champions League e, como era um título inédito, todo mundo estava extasiado. A sensação de alívio e felicidade não deixava a expressão do meu rosto. Meus lábios estavam esticados em um grande sorriso desde o apito final, quando os torcedores uniram-se em um grito misto de comemoração e entoação do hino do time. Depois da entrega da taça, os familiares, a equipe técnica do clube e os jogadores dos times estavam dispersos pelo campo, a taça pesada passando de mão em mão para fotos coletivas e individuais dos jogadores. Eu estava prestes a sair procurando pela Sage, que se enfiou em algum lugar, quando ouvi uma voz infantil gritar por mim.
— Tia !
Me virei na direção da voz e encontrei Ronnie correndo ao meu encontro. Imediatamente, tomada pelo entusiasmo de vê-lo novamente, abri os braços bem a tempo de pegá-lo no colo quando ele pulou na minha direção. Envolvi seu corpo pequeno em um abraço apertado, nunca o suficiente para esmagá-lo, mas de um jeito que fosse possível eliminar toda a saudade que eu sentia dele, quando passava quase uma temporada inteira longe.
— Ah, que abraço mais gostoso! — exclamei, beijando as suas bochechas, escutando sua risada ecoar.
Suas mãos envolveram meu pescoço e enchi-o de mais beijos, antes que ele enjoasse e saísse correndo pelo campo, socializando com todos os outros jogadores. Ele era uma criança incrível e super comunicativa. O time inteiro tinha adotado-o como mascote do clube, eu no entanto, adotei-o como mascote da minha vida.
— Será que seu pai deixa eu roubar você para mim? — perguntei.
— Pra sempre? — Ronnie perguntou.
Eu ri, afastando a cabeça só um pouquinho para que eu pudesse vê-lo melhor. Estreitei os olhos e fingi pensar um pouco.
— Pra sempre é muito tempo — Phil respondeu antes de mim, surgindo em nosso campo de visão.
Lancei um olhar feio para ele e segurei Ronnie com mais força ainda, como se ele pudesse tomar o próprio filho de mim, mas ele tinha um sorriso no rosto, as bochechas rosadas e um ar de quem era campeão.
— Não escute seu pai, Ron — murmurei contra a bochecha dele. — Eu queria que você ficasse comigo pra sempre.
Phil riu, beijando o topo da minha cabeça. Ele era um dos meus amigos mais próximos e, apesar de nossas agendas serem muito divergentes, não conseguíamos nos encontrar tanto quanto dois amigos comuns em fase adulta conseguiriam, mas isso não afetava nossa amizade. Eu dava um jeito de vê-lo sempre que podia, se isso significasse que eu iria ver o Ronnie também.
— Achei que você não conseguiria vir — ele disse, olhando ao redor. — Seu primo te intimou?
Ele procurou meu primo entre as pessoas, mas não encontrou.
— Não — respondi, ainda segurando Ronnie no braço. — Tive uma lesão no joelho recentemente e fui liberada pelo resto da temporada, o que significa que eu consegui férias forçadas. E uma infinita sessão de fisioterapia.
Dei de ombros, sem precisar me estender muito, porque ele entendia a minha situação. Infelizmente, lesões eram muito comuns no futebol e eu não estava ilesa disso também. Não era a minha primeira lesão, mas eu simplesmente odiava não conseguir concluir uma temporada de jogos.
— Sinto muito — ele lamentou e eu assenti. — Esse é seu único motivo de estar mau humorada nos últimos dias?
Consegui captar o seu tom de voz e levantei a sobrancelha para ele. Ronnie prestava atenção em nós dois e não sei dizer se ele conseguia entender muita coisa. Eu achava impressionante como os dois se pareciam.
— Eu deveria ter outro motivo?
Phil abriu um sorriso, dando de ombros.
— Kai Havertz?
Soltei um “ah” quase inaudível, entendendo agora o que ele queria dizer. Eu e o atacante alemão jogamos pelo mesmo clube, o Chelsea, sendo, obviamente, ele do time masculino e eu do feminino. A maioria das meninas conheciam a maioria dos meninos e, por sermos todos do mesmo clube, era muito comum estarmos no mesmo evento, às vezes. Nós nos aproximamos com segundas intenções, mas nada nunca foi para frente e acabamos desenvolvendo uma amizade normal, mas os tablóides britânicos adoravam uma fofoca, mesmo as de naturezas duvidosas. Saíram notícias sobre nosso relacionamento inexistente e, nos últimos dias, Havertz começou a aparecer publicamente com uma modelo. Um momento depois, as páginas de fofocas sobre celebridades do futebol encheu os sites de rumores sobre nosso término. Um término que nunca existiu.
— Me surpreende que você acredite em tablóides — respondi, revirando os olhos. — Eu e o Havertz nunca tivemos nada.
Ronnie ficou agitado nos meus braços.
— Tia , eu quero descer — ele pediu.
Fiz um bico com o pedido, mas beijei suas bochechas fofas mais uma vez e deixei que ele descesse dos meus braços. Ele disparou a correr até Haaland, um pouco atrás de nós.
— Ei, Haaland — Ronnie chamou. — Achei que você fosse uma garota!
Phil e eu rimos, assistindo ele brincar com o atacante noruoguês e depois desaparecer entre as pessoas no campo.
— Estou muito desatualizado da sua vida — ele disse, se virando para mim. — O que anda rolando, afinal?
Eu estava prestes a responder alguma coisa, quando a voz de Sage me interrompeu.
— Ei, desde quando seu primo ficou tão< gostoso?
Ela se materializou bem do meu lado livre, oposto ao que Phil ocupava, com uma expressão meio indecifrável, os olhos fixos em algum ponto azul do campo. Eu olhei para ela rapidamente, tendo a plena noção do que ela tinha acabado de me perguntar e, já sabendo quem ela estava encarando com tanto gosto, olhei na mesma direção que seus olhos permaneciam e, dessa vez, encontrei meu primo socializando com dois dos seus amigos do time, trocando fotos com a taça da Champions.
— Ele é o mesmo de sempre — respondi, sem notar nenhuma diferença.
Minha melhor amiga, e também minha principal colega de time, revirou os olhos para mim e sorriu, um dedo apontando em riste para mim.
— Você diz isso porque ele é seu primo — ela apontou o óbvio. — Espere só até eu encontrar o… ah, olha ele ali! Vai me dizer que ele não ficou mais gostoso desde a última vez que você o viu?
Indiscreta como sempre era, Sage parou de apontar o seu dedo indicador para mim e apontou para o outro lado do campo. estava andando despretensiosamente até esbarrar em Bernardo Silva e, como quem não tinha nada melhor para fazer, chutou a perna enfaixada do outro, testando se ele estava mesmo sentindo dor. Bernardo se afastou, reclamando, e a cena quase me arrancou uma risada.
— Eu…
— Espera aí, o que eu perdi? — Phil se adiantou, confuso.
Nunca falei para ele sobre minha possível paixão platônica pelo seu amigo e colega de time. Eu achava um gostoso, claro, e nós sempre mantivemos as coisas entre nós profissionais, mas eu não resistia em provocá-lo um pouco toda vez que tinha a chance de esbarrar com ele. Era divertido, apesar de só servir para alimentar a minha atração, e não o contrário.
— Ah, oi, Foden! — Sage o notou, cumprimentando. — Você perdeu tudo, querido, deixa eu te atualizar: eu acho o Aymeric Laporte, primo dessa gata aqui, um gostoso. Não um gostoso mediano ou algo do tipo, mas que entra na categoria de gostoso pra caralho. E ela acha o mesmo do . A diferença é que eu não sei o que essa anta está esperando, porque é óbvio que ele também quer comer ela.
— Sage! — repreendi, acertando-a com uma cotovelada.
Ela fez uma careta, mas não se arrependia de despejar todas aquelas informações em cima de Phil. Minha melhor amiga deu de ombros, me desafiando silenciosamente a desmenti-lá, sabendo que eu não faria isso, porque era tudo verdade.
— Você e o ? — Phil indagou, olhando para mim e para onde estava, parecendo pensar sobre alguma coisa que não compartilhou comigo. — Como eu não sabia disso?
Sage riu e se adiantou a responder.
— Você é um pouco, sabe, lerdo também.
Ele nem sequer se ofendeu com o comentário. Eu não diria que ele era lerdo, mas talvez um pouco desatento. As duas coisas podiam parecer ter o mesmo significado, mas para mim, não.
— Você não sabia disso porque não tinha nada para contar. — Me antecipei, revirando os olhos. — O que eu podia ter dito? Que eu acho seu colega de time atraente e que estamos em um jogo de sedução?
— É um começo — Phil disse. — O Laporte sabe disso?
— Eu acabei de dizer para você que não tem nada para ninguém saber — retruquei.
Sage riu de novo e lancei um olhar feio para ela, que parou de rir e fingiu fechar a boca com um zíper. Senti uma mão pousar no meu ombro e me virei, encontrando um John Stones alegre.
— Ninguém sabe o quê? — ele perguntou, se metendo.
Ele se apoiou com um braço nos meus ombros e no de Phil, o último se virando para ele, disparando a pergunta:
— Você sabia da e do ?
Stones se virou para o amigo.
— Que está na hora deles resolverem essa tensão sexual entre eles? — O inglês disse. — Todo mundo sabe disso, cara.
— Eu não sabia disso — Phil avisou.
— Só pode ser cego — Stones rebateu, balançando a cabeça. — Qualquer um podia ver que, quando esses dois estão no mesmo ambiente, praticamente se comem com os olhos.
Lancei um olhar feio para ele e tirei sua mão dos meus ombros. Sage observava tudo com um ar de divertimento puro, porque ela gostava de se divertir às minhas custas.
— Cala a boca, Stones — murmurei.
— Ele não está errado, está? — minha melhor amiga rebateu.
Bufei, esfregando o rosto com as duas mãos.
— Você devia ir parabenizá-lo — Stones sugeriu. — Tenho certeza que ele está esperando por isso.
Mordi a minha bochecha, pensando sobre isso. É claro que eu iria parabenizá-lo em algum momento, eu só estava esperando que ele ficasse um pouco mais sozinho, porque tinha gente demais cercando os jogadores.
— Ou talvez por outra coisa também — Phil acrescentou.
— Ei, você acabou de descobrir e já está me zoando? — reclamei, dando um soco leve em seu braço.
Ele deu de ombros.
— Tenho licença poética como seu melhor amigo para te zoar sobre qualquer coisa — ele rebateu. — Inclusive, sobre sua falta de atitude. Há quanto tempo isso está acontecendo?
— Desde o di… — Stones ia responder, mas fui mais rápida em interrompê-lo e tirar o sorrisinho provocador do seu rosto.
— Não é da sua conta. Você não está merecendo o posto de melhor amigo nesse momento.
— Ei! — Sage interviu, encarando Phil seriamente. — Eu sou a melhor amiga dela! Ele nem mesmo se abalou. As coisas quase nunca abalavam-o, na verdade, então eu estava acostumada com suas reações.
— Nós dois podemos dividir esse posto — o meio-campista disse. — Podemos voltar para a questão inicial aqui?
— O fato dela finalmente dar para o ? — Sage questionou e olhou para mim. — Os parabéns, é claro.
Por incrível que pareça, eu ri. Empurrei ela com um ombro, tendo certeza que ela fez aquele trocadilho de propósito, porque nada do que Sage fazia era inocente.
— Ei, tia ! — A voz de Ronnie me alcançou, interrompendo a conversa. — Vem me pegar!
Ele deu duas batidinhas na minha perna e saiu em disparada, esperando que eu corresse atrás dele para brincar. Seu sorriso irresistível não me deixou dizer não; era uma ótima oportunidade para fugir daquela conversa onde eu estava sendo o tema principal.
— Salva pelo gongo — Sage murmurou e disparei a correr atrás da mini versão de Phil Foden.