Tamanho da fonte: |


Autora Independente do Cosmos ✨
Atualizada em: 29/06/2026

We Are The Champions ainda ecoava pelas arquibancadas do estádio.
Tudo ao meu redor estava azul e branco, representando o Manchester City como Campeão da Champions League e, como era um título inédito, todo mundo estava extasiado. A sensação de alívio e felicidade não deixava a expressão do meu rosto. Meus lábios estavam esticados em um grande sorriso desde o apito final, quando os torcedores uniram-se em um grito misto de comemoração e entoação do hino do time. Depois da entrega da taça, os familiares, a equipe técnica do clube e os jogadores dos times estavam dispersos pelo campo, a taça pesada passando de mão em mão para fotos coletivas e individuais dos jogadores. Eu estava prestes a sair procurando pela Sage, que se enfiou em algum lugar, quando ouvi uma voz infantil gritar por mim.
— Tia !
Me virei na direção da voz e encontrei Ronnie correndo ao meu encontro. Imediatamente, tomada pelo entusiasmo de vê-lo novamente, abri os braços bem a tempo de pegá-lo no colo quando ele pulou na minha direção. Envolvi seu corpo pequeno em um abraço apertado, nunca o suficiente para esmagá-lo, mas de um jeito que fosse possível eliminar toda a saudade que eu sentia dele, quando passava quase uma temporada inteira longe.
— Ah, que abraço mais gostoso! — exclamei, beijando as suas bochechas, escutando sua risada ecoar.
Suas mãos envolveram meu pescoço e enchi-o de mais beijos, antes que ele enjoasse e saísse correndo pelo campo, socializando com todos os outros jogadores. Ele era uma criança incrível e super comunicativa. O time inteiro tinha adotado-o como mascote do clube, eu no entanto, adotei-o como mascote da minha vida.
— Será que seu pai deixa eu roubar você para mim? — perguntei.
— Pra sempre? — Ronnie perguntou.
Eu ri, afastando a cabeça só um pouquinho para que eu pudesse vê-lo melhor. Estreitei os olhos e fingi pensar um pouco.
— Pra sempre é muito tempo — Phil respondeu antes de mim, surgindo em nosso campo de visão.
Lancei um olhar feio para ele e segurei Ronnie com mais força ainda, como se ele pudesse tomar o próprio filho de mim, mas ele tinha um sorriso no rosto, as bochechas rosadas e um ar de quem era campeão.
— Não escute seu pai, Ron — murmurei contra a bochecha dele. — Eu queria que você ficasse comigo pra sempre.
Phil riu, beijando o topo da minha cabeça. Ele era um dos meus amigos mais próximos e, apesar de nossas agendas serem muito divergentes, não conseguíamos nos encontrar tanto quanto dois amigos comuns em fase adulta conseguiriam, mas isso não afetava nossa amizade. Eu dava um jeito de vê-lo sempre que podia, se isso significasse que eu iria ver o Ronnie também.
— Achei que você não conseguiria vir — ele disse, olhando ao redor. — Seu primo te intimou?
Ele procurou meu primo entre as pessoas, mas não encontrou.
— Não — respondi, ainda segurando Ronnie no braço. — Tive uma lesão no joelho recentemente e fui liberada pelo resto da temporada, o que significa que eu consegui férias forçadas. E uma infinita sessão de fisioterapia.
Dei de ombros, sem precisar me estender muito, porque ele entendia a minha situação. Infelizmente, lesões eram muito comuns no futebol e eu não estava ilesa disso também. Não era a minha primeira lesão, mas eu simplesmente odiava não conseguir concluir uma temporada de jogos.
— Sinto muito — ele lamentou e eu assenti. — Esse é seu único motivo de estar mau humorada nos últimos dias?
Consegui captar o seu tom de voz e levantei a sobrancelha para ele. Ronnie prestava atenção em nós dois e não sei dizer se ele conseguia entender muita coisa. Eu achava impressionante como os dois se pareciam.
— Eu deveria ter outro motivo?
Phil abriu um sorriso, dando de ombros.
— Kai Havertz?
Soltei um “ah” quase inaudível, entendendo agora o que ele queria dizer. Eu e o atacante alemão jogamos pelo mesmo clube, o Chelsea, sendo, obviamente, ele do time masculino e eu do feminino. A maioria das meninas conheciam a maioria dos meninos e, por sermos todos do mesmo clube, era muito comum estarmos no mesmo evento, às vezes. Nós nos aproximamos com segundas intenções, mas nada nunca foi para frente e acabamos desenvolvendo uma amizade normal, mas os tablóides britânicos adoravam uma fofoca, mesmo as de naturezas duvidosas. Saíram notícias sobre nosso relacionamento inexistente e, nos últimos dias, Havertz começou a aparecer publicamente com uma modelo. Um momento depois, as páginas de fofocas sobre celebridades do futebol encheu os sites de rumores sobre nosso término. Um término que nunca existiu.
— Me surpreende que você acredite em tablóides — respondi, revirando os olhos. — Eu e o Havertz nunca tivemos nada.
Ronnie ficou agitado nos meus braços.
— Tia , eu quero descer — ele pediu.
Fiz um bico com o pedido, mas beijei suas bochechas fofas mais uma vez e deixei que ele descesse dos meus braços. Ele disparou a correr até Haaland, um pouco atrás de nós.
— Ei, Haaland — Ronnie chamou. — Achei que você fosse uma garota!
Phil e eu rimos, assistindo ele brincar com o atacante noruoguês e depois desaparecer entre as pessoas no campo.
— Estou muito desatualizado da sua vida — ele disse, se virando para mim. — O que anda rolando, afinal?
Eu estava prestes a responder alguma coisa, quando a voz de Sage me interrompeu.
— Ei, desde quando seu primo ficou tão< gostoso?
Ela se materializou bem do meu lado livre, oposto ao que Phil ocupava, com uma expressão meio indecifrável, os olhos fixos em algum ponto azul do campo. Eu olhei para ela rapidamente, tendo a plena noção do que ela tinha acabado de me perguntar e, já sabendo quem ela estava encarando com tanto gosto, olhei na mesma direção que seus olhos permaneciam e, dessa vez, encontrei meu primo socializando com dois dos seus amigos do time, trocando fotos com a taça da Champions.
— Ele é o mesmo de sempre — respondi, sem notar nenhuma diferença.
Minha melhor amiga, e também minha principal colega de time, revirou os olhos para mim e sorriu, um dedo apontando em riste para mim.
— Você diz isso porque ele é seu primo — ela apontou o óbvio. — Espere só até eu encontrar o… ah, olha ele ali! Vai me dizer que ele não ficou mais gostoso desde a última vez que você o viu?
Indiscreta como sempre era, Sage parou de apontar o seu dedo indicador para mim e apontou para o outro lado do campo. estava andando despretensiosamente até esbarrar em Bernardo Silva e, como quem não tinha nada melhor para fazer, chutou a perna enfaixada do outro, testando se ele estava mesmo sentindo dor. Bernardo se afastou, reclamando, e a cena quase me arrancou uma risada.
— Eu…
— Espera aí, o que eu perdi? — Phil se adiantou, confuso.
Nunca falei para ele sobre minha possível paixão platônica pelo seu amigo e colega de time. Eu achava um gostoso, claro, e nós sempre mantivemos as coisas entre nós profissionais, mas eu não resistia em provocá-lo um pouco toda vez que tinha a chance de esbarrar com ele. Era divertido, apesar de só servir para alimentar a minha atração, e não o contrário.
— Ah, oi, Foden! — Sage o notou, cumprimentando. — Você perdeu tudo, querido, deixa eu te atualizar: eu acho o Aymeric Laporte, primo dessa gata aqui, um gostoso. Não um gostoso mediano ou algo do tipo, mas que entra na categoria de gostoso pra caralho. E ela acha o mesmo do . A diferença é que eu não sei o que essa anta está esperando, porque é óbvio que ele também quer comer ela.
— Sage! — repreendi, acertando-a com uma cotovelada.
Ela fez uma careta, mas não se arrependia de despejar todas aquelas informações em cima de Phil. Minha melhor amiga deu de ombros, me desafiando silenciosamente a desmenti-lá, sabendo que eu não faria isso, porque era tudo verdade.
— Você e o ? — Phil indagou, olhando para mim e para onde estava, parecendo pensar sobre alguma coisa que não compartilhou comigo. — Como eu não sabia disso?
Sage riu e se adiantou a responder.
— Você é um pouco, sabe, lerdo também.
Ele nem sequer se ofendeu com o comentário. Eu não diria que ele era lerdo, mas talvez um pouco desatento. As duas coisas podiam parecer ter o mesmo significado, mas para mim, não.
— Você não sabia disso porque não tinha nada para contar. — Me antecipei, revirando os olhos. — O que eu podia ter dito? Que eu acho seu colega de time atraente e que estamos em um jogo de sedução?
— É um começo — Phil disse. — O Laporte sabe disso?
— Eu acabei de dizer para você que não tem nada para ninguém saber — retruquei.
Sage riu de novo e lancei um olhar feio para ela, que parou de rir e fingiu fechar a boca com um zíper. Senti uma mão pousar no meu ombro e me virei, encontrando um John Stones alegre.
— Ninguém sabe o quê? — ele perguntou, se metendo.
Ele se apoiou com um braço nos meus ombros e no de Phil, o último se virando para ele, disparando a pergunta:
— Você sabia da e do ?
Stones se virou para o amigo.
— Que está na hora deles resolverem essa tensão sexual entre eles? — O inglês disse. — Todo mundo sabe disso, cara.
— Eu não sabia disso — Phil avisou.
— Só pode ser cego — Stones rebateu, balançando a cabeça. — Qualquer um podia ver que, quando esses dois estão no mesmo ambiente, praticamente se comem com os olhos.
Lancei um olhar feio para ele e tirei sua mão dos meus ombros. Sage observava tudo com um ar de divertimento puro, porque ela gostava de se divertir às minhas custas.
— Cala a boca, Stones — murmurei.
— Ele não está errado, está? — minha melhor amiga rebateu.
Bufei, esfregando o rosto com as duas mãos.
— Você devia ir parabenizá-lo — Stones sugeriu. — Tenho certeza que ele está esperando por isso.
Mordi a minha bochecha, pensando sobre isso. É claro que eu iria parabenizá-lo em algum momento, eu só estava esperando que ele ficasse um pouco mais sozinho, porque tinha gente demais cercando os jogadores.
— Ou talvez por outra coisa também — Phil acrescentou.
— Ei, você acabou de descobrir e já está me zoando? — reclamei, dando um soco leve em seu braço.
Ele deu de ombros.
— Tenho licença poética como seu melhor amigo para te zoar sobre qualquer coisa — ele rebateu. — Inclusive, sobre sua falta de atitude. Há quanto tempo isso está acontecendo?
— Desde o di… — Stones ia responder, mas fui mais rápida em interrompê-lo e tirar o sorrisinho provocador do seu rosto.
— Não é da sua conta. Você não está merecendo o posto de melhor amigo nesse momento.
— Ei! — Sage interviu, encarando Phil seriamente. — Eu sou a melhor amiga dela! Ele nem mesmo se abalou. As coisas quase nunca abalavam-o, na verdade, então eu estava acostumada com suas reações.
— Nós dois podemos dividir esse posto — o meio-campista disse. — Podemos voltar para a questão inicial aqui?
— O fato dela finalmente dar para o ? — Sage questionou e olhou para mim. — Os parabéns, é claro.
Por incrível que pareça, eu ri. Empurrei ela com um ombro, tendo certeza que ela fez aquele trocadilho de propósito, porque nada do que Sage fazia era inocente.
— Ei, tia ! — A voz de Ronnie me alcançou, interrompendo a conversa. — Vem me pegar!
Ele deu duas batidinhas na minha perna e saiu em disparada, esperando que eu corresse atrás dele para brincar. Seu sorriso irresistível não me deixou dizer não; era uma ótima oportunidade para fugir daquela conversa onde eu estava sendo o tema principal.
— Salva pelo gongo — Sage murmurou e disparei a correr atrás da mini versão de Phil Foden.


Ronnie tinha mais energia do que eu esperava.
Ele corria com as perninhas pequenas ao redor de todo campo, ziguezagueando entre as pessoas, e só consegui pegá-lo duas vezes em toda essa corrida. Outras crianças, filhos dos outros jogadores, se juntaram à brincadeira. Ronnie também gostava de parar e de se meter nas fotos e vídeos alheios, aparecendo em todo lugar, falando com qualquer pessoa que via pela frente. Foi me dispersando dessa maneira que consegui, finalmente, parar para falar com meu primo, a quem eu não via desde a entrega da taça.
— Obrigado, de verdade, por ter vindo — ele disse, seu sorriso discreto característico surgindo nos lábios. — Eu sei que você não é muito fã do Manchester City.
Descartei seu agradecimento com um gesto. Eu podia mesmo não ser muito fã do time, mas porque eu tinha crescido sendo torcedora fiel do Chelsea. O melhor dia da minha vida foi quando consegui entrar para o time feminino. Mesmo assim, nada me impedia de estar nos jogos do City, usando a camisa que ele me deu de presente, com nosso sobrenome atrás, e o seu número.
— Eu sempre vou te apoiar, independente do time — eu disse, sorrindo, abraçando-o rapidamente.
Ele retribuiu o meu abraço e beijou a minha bochecha assim que se afastou. Crescemos juntos a maior parte do tempo, porque nossas mães eram muito próximas e não conseguiam ficar muito tempo longe uma da outra.
— O mini Foden está te cansando? — ele riu, vendo as crianças brincarem.
— Se o Phil investir nesse garoto, ele vai driblar todo mundo — respondi.
Meu primo concordou com um aceno e se distraiu olhando para algo atrás de mim, por cima do meu ombro. Franzi o cenho e virei o rosto rapidamente, para procurar o que ele tanto olhava, encontrando Sage conversando com Bernardo Silva e Walker.
— Ahn… — Limpei a garganta, chamando a atenção dele. — Perdi alguma coisa?
Não sei quando começou toda essa atração de Sage pelo meu primo, mas até então, sempre achei que a atração dela fosse unilateral. Aymeric era mais reservado do que eu e quase nunca demonstrava seus interesses e, embora eu o conhecesse melhor do que qualquer outra pessoa, jamais tive o interesse de me atentar para entender se ele podia retribuir as investidas de Sage.
— Não, claro que não — ele respondeu rápido demais, desviando o olhar para mim.
Seus ombros ficaram meio tensos. Ele estava tendo dificuldade de manter os olhos longe dela e eu sorri com isso.
— Ela fez a proposta de novo, não foi? — arrisquei.
Laporte bufou, concordando com um aceno muito lento. Eu ri, tentando imaginar o que ele tinha dito dessa vez. Sage nunca desistia. Ela estava sempre fazendo uma proposta indecente diferente para ele toda vez, na esperança que ele fosse aceitar algum. Acho que ela achava divertido as reações dele.
— Sabe, eu posso falar com ela, se isso estiver sendo desconfortável para você — sugeri, falando sério.
Meu primo olhou para mim e abriu um sorriso.
— Está tudo bem — ele me tranquilizou. — Eu posso lidar com a Sage.
Eu não tinha muita certeza daquilo, mas resolvi dar um voto de confiança. Ele era grande o suficiente para encontrar meios de resolver as próprias coisas, mesmo comigo duvidando da maioria delas.
— Soube da sua lesão. — Mudou de assunto, olhando rapidamente para os meus joelhos expostos. — Sinto muito por isso.
— Tudo bem — tranquilizei-o com um sorriso. — Vou estar recuperada a tempo da próxima temporada.
Ele assentiu e, como sempre fazíamos, trocamos um high five de apoio e logo em seguida, ele beijou a minha testa, uma forma de demonstrar o seu carinho abertamente. Cresci como filha única, mas Aymeric sempre foi como um irmão para mim. Seu desejo de carreira acabou me influenciando a me tornar uma jogadora profissional também, indo contra o legado dos meus pais, que eram modelos e atores famosos na França.
— E olha só quem está aqui! — Uma voz chamou a nossa atenção. — Laporte!
Virei meu rosto na direção da voz, encontrando um Grealish bastante animado. Seu sorriso era tão contagiante que se espelhou no meu rosto também e eu praticamente avancei contra ele.
— Jack!
Ele me abraçou com força, rindo da minha falta de jeito. Mas não havia ninguém melhor para me agarrar em um abraço desajeitado do que Jack Grealish.
— Já faz um tempo que não te vejo — ele disse enquanto eu me afastava, dando um tapinha fraco no ombro do meu primo. — Ainda bem que esse cara aqui te convenceu a vir. Vai ficar pra nossa comemoração?
— A comemoração envolve um coma alcoólico? — perguntei, com uma sobrancelha arqueada.
Meu primo balançou a cabeça, levantando uma mão em rendição.
— Não da minha parte.
Jack deu de ombros.
— Não posso prometer nada.
Ele não podia mesmo. De todo mundo da equipe do City, ele era quem mais bebia por todo mundo. Já o encontrei bêbado algumas vezes por muito menos, agora que conseguiram um título inédito, um título da Champions League, eu acreditava que ele realmente fosse beber como se não existisse amanhã.
— Não sei, talvez eu…
Atrás dele, vi conversando com alguém da equipe técnica. Sua silhueta de lado era completamente atraente, chamando a minha atenção quando eu estava prestes a dizer para Jack que eu não tinha certeza se iria pra comemoração. Sage com certeza não negaria se eu lhe estendesse o convite, tudo para ficar ainda mais perto de Aymeric, e não me deixaria recusar por igual motivo, esse envolvendo um certo português.
— Ainda não resolveram isso? — ouvi a voz dele Jack me perguntar e voltei a olhar para ele, confusa.
— Isso o quê?
— Você e o ?
— Espera aí, o quê? — Aymeric indagou, olhando rapidamente para onde eu estava olhando um segundo antes e alternou entre olhar pra Jack e olhar para mim, esperando uma resposta. — O que tem você e o ?
Lancei um olhar feio para Grealish e mordi a minha bochecha internamente. Aymeric não se metia na minha vida e nem nada, mas eu preferia que ele não soubesse sobre meu interesse por um colega de trabalho seu.
— Nada — respondi, categórica.
Porque era verdade. Não tinha nada entre eu e o , apesar daqueles idiotas acharem o contrário.
— Cara — Jack riu, dando outro tapinha nas costas do meu primo —, você é cego? Sua prima e o nosso garoto ali estão praticamente se comendo há meses!
— Ei! — protestei.
— Se comendo com os olhos, óbvio, não acho que eles chegaram na parte de se co…
— Jack — ralhei, fuzilando-o com os olhos.
Meu primo estreitou as sobrancelhas, como se estivesse tentando entender uma fórmula matemática, mas as contas não estavam fazendo sentido.
— Você e o ?
Cruzei os braços.
— Qual o problema?
— Eu achei que você estava com o Havertz? — ele disse, incerto sobre o tom de pergunta ou afirmação, mas acabou soando mais como uma pergunta.
Revirei os olhos e descruzei os braços, jogando-os para cima em um gesto impaciente.
— Porra, vocês precisam parar de acreditar em tabloides — afirmei, umedecendo os lábios. — Eu nunca tive nada com o Havertz.
— Você vive dizendo isso sobre o também — Jack zoou.
Dei um chute, acertando a perna dele, observando sua expressão mudar para reclamar.
— Tá tudo bem por aqui?
Fomos surpreendidos pela presença repentina do dono do assunto, surgindo apoiando-se entre o ombro de Jack e o de Aymeric, ficando de frente para mim. Nós três olhamos pra ele.
— Claro, por que não? — Jack quem respondeu, com um ar de escárnio e me encarando com certa ironia.
Acho que congelei. Não esperava que ele fosse aparecer ali de repente, não quando estávamos no meio de um assunto que envolvia o seu nome e agora estava ali, bem na minha frente, sorrindo. Meu primo olhou pra mim e pareceu entender alguma coisa, algo que deve ter estampado no meu rosto, porque virou pra Jack e disse:
— Vamos perturbar os outros.
E Jack foi, sem reclamar. Como se entendesse qual era a intenção de Aymeric e sequer protestasse. O problema é que não foi nada discreto.
— Tinha maneira mais discreta de nos deixar sozinhos — disse, quebrando o gelo.
Soltei uma risada baixa, relaxando, minha cabeça balançando de um lado para o outro enquanto eu xingava mentalmente aqueles dois idiotas por me deixar naquela situação.
— É, eu… — Dei de ombros, sem saber como completar, então eu olhei pra ele e sorri, sentindo meu coração acelerar. Sempre que eu o via era um evento pro meu pobre coração. — Oi.
Ele esticou o sorriso.
— Oi.
Com uma mão, apontei pra camisa dele e para o nosso redor, sem tirar os olhos dele.
— Tríplice Coroa¹, hein? — murmurei. — Parabéns pelo título.
— Vindo de uma blue, eu acho que isso significa muito — me zoou, e eu revirei os olhos com humor. se aproximou um passo. Ele não tirava os olhos de mim nem mesmo por um segundo. — Você vem comemorar com a gente?
Senti um peso diferente com a pergunta. Vindo de Jack, parecia normal, mas vindo de , era como se eu não conseguisse recusar. Eu queria comemorar com eles algo que nem era do meu time e da qual eu nem fazia parte, mas me deixava feliz que eles tivessem conquistado. Eu sabia como era dar o melhor de si em campo e, muitas vezes, sair com o gosto da derrota por um simples detalhe. Chegar na final já tinha sido difícil, chegar pra perder era bem pior pra nossa cabeça, por mais que isso fizesse parte do nosso trabalho.
— Depende, isso é um convite?
— Se isso fizer você aceitar, sim — respondeu, sem hesitar.
Ele me estendeu uma camisa, que eu nem percebi que estivera segurando antes. Aceitei, esticando a peça de roupa, o azul do uniforme citizen preenchendo o meu campo de visão e, quando virei, o nome e o número dele estava ali, estampado. Meus lábios foram lentamente formando um sorriso ladino.
— Você tá me presenteando com uma camisa com seu nome? — Ele concordou com um aceno. — Vamos, você sabe que eu não posso usar isso.
Era praticamente, sei lá, uma regra universal? Não vestir uma camisa que não é do seu time, principalmente se você joga para o time rival.
— Não em público — respondeu, e notei o seu tom sugestivo por trás da resposta.
Sage tinha razão em duas coisas, e eu nunca admitiria pra ela em voz alta por diversas razões, mas, 1: ele estava mesmo mais gostoso desde a última vez que eu o vi. E isso foi há alguns meses. E, 2: como ela, também não sabia o que eu estava esperando. Ela vivia flertando com meu primo abertamente, toda cheia de atitude, mesmo que ainda não tenha acontecido nada, enquanto eu levava aquilo como se não fosse correspondido.
Porque era.
E ele acabou de deixar isso bem claro.
— Convite aceito — respondi, no mesmo tom sugestivo, e levantei a camisa em demonstração. — Mas essa camisa vai precisar de um autógrafo.
Ele riu e pegou a minha mão.
— Eu te dou bem mais do que só um autógrafo, — prometeu. Ele se aproximou só mais um pouco, seu rosto a centímetros do meu, mas foi sua boca que ficou perto do meu ouvido. — Mas só depois de ter vestida com ela.
Meu corpo inteiro esquentou. Não fosse pelo cenário que estávamos no momento, acho que não me importaria de cair ali mesmo nos braços dele. Mas mesmo quando a voz de Ronnie invadiu meus ouvidos, junto a risada das outras crianças, me trazendo de volta para aquela realidade, não me importei.
Eu ia vestir aquela camisa para ele.
Uma hora ou outra.




Continua...


nota estrelada da autora: Sem nota!

Barra de Progresso de Leitura
0%


Se você encontrou algum erro de revisão/codificação, entre em contato por aqui.