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✮⋆˙Independente do Cosmos✮⋆˙
Última Atualização: 27/07/25

tinha adentrado ao território inimigo, não encontrava-se mais em Durham, e sim em Chapel Hill. Não era comum que os estudantes da Universidade de Duke passassem seu tempo livre fora de seu campus, mas estava disposta a fugir de Jackson de toda e qualquer maneira.
E esse era o motivo para ela estar sentada em um bar onde, normalmente, os Tar Heels estariam comemorando alguma coisa.
Bebericou um pouco da cerveja que tinha comprado, permanecendo com a garrafa próxima a boca enquanto passava os olhos pelo local, em uma tentativa falha de achar algum rosto conhecido que pudesse lhe distrair das cenas que ainda rondavam sua mente.
Mas sabia que aquilo seria em vão.
Não possuía laços com ninguém da Universidade da Carolina do Norte desde que tinha entrado para a equipe de torcida da sua própria faculdade. A rivalidade entre as duas universidades era tanta, principalmente entre os Tar Heels e os Blue Devils, que sabia que se sua equipe ao menos sonhasse que ela estava ali, ouviria algumas poucas e boas.
Mas ela precisava sair de perto de Jackson e Cathy, e de qualquer outra pessoa que provavelmente sabia do belo par de chifres que agora possuía.
Seu — até então — namorado e sua colega de equipe vinham fodendo a sabe-se lá quanto tempo, e só de imaginar isso fazia com que ela se sentisse a pessoa mais estúpida. Como não tinha sido capaz de perceber?
E o pior, se não tivesse visto eles juntos, pelados na cama de Jackson, por quanto tempo mais continuaria sem fazer a mínima ideia do que eles estavam fazendo?!
Burra. Estúpida. Ignorante.
Sua cabeça continuava a repetir, mas estava disposta a ignorar. Ela não era a errada da situação, não tinha feito nada além de ter sido enganada.
Eles eram os culpados.
— Um beijo pelos seus pensamentos.
A voz rouca quebrou o redemoinho de lembranças na mente de , puxando-a bruscamente de volta à realidade. Ela ergueu os olhos devagar, como se decidisse se valia a pena dar atenção àquele tipo de interrupção.
O desconhecido estava ali, parado a poucos passos, a postura relaxada, quase preguiçosa, como se tivesse todo o tempo do mundo. A jaqueta da UNC aberta deixava à mostra uma camiseta escura justa no peito largo, e a forma como seus dedos brincavam distraidamente com o gargalo de uma garrafa sugeria que confiança era algo natural pra ele. Não forçada. Não performática. Ele sabia o efeito que causava.
Mas o que mais chamava atenção era a calma na maneira como a observava. Não havia pressa em seus gestos. Só um interesse claro e sem disfarces.
deu um meio sorriso, levando a cerveja à boca e bebendo devagar antes de responder.
— Você cobra caro pelos seus? Ou oferece algum tipo de desconto pra forasteiras? — Ela decidiu entrar no jogo.
O sorriso dele se alargou, satisfeito com a resposta.
Ela sabia que não devia dar moral pra ele, principalmente por ser um Tar Heel. Mas se todo mundo fazia o que não devia, por que ela não poderia também?
— Depende do que a forasteira está disposta a negociar. — Seu tom de voz se tornou ainda mais baixo, em um claro sinal de flerte.
— E se ela estiver mais interessada em esquecer do que em negociar?
Ele se aproximou, parando ao lado dela, os cotovelos apoiados no balcão como se já pertencesse ali.
— Então talvez ela precise de mais que um beijo.
virou-se um pouco, analisando-o de perto. Ele cheirava a cerveja, a menta e a uma provocação descarada que ela não sabia se queria aceitar ou desafiar. Talvez os dois.
— Não sei se você é a distração que eu preciso — murmurou, implicante.
— Mas talvez eu seja a que você merece — rebateu ele, a voz baixa, firme, como se estivesse fazendo uma promessa.
Ela riu. De verdade, pela primeira vez na noite. Um som leve e inesperado.
— Confiante demais pro próprio bem.
— Ou só convencido o bastante pra fazer você me beijar.
virou-se de frente pra ele, já mais próxima do que talvez devesse. A música do bar abafava o mundo, criando uma bolha invisível ao redor dos dois. Ela deixou a garrafa no balcão, as mãos livres, o olhar firme.
O desejo pelo desconhecido, pelo errado e por esquecer a catástrofe anterior aumentando a cada respiração rasa que escapava de seus lábios entreabertos.
— Então para de falar e faz.
Ele não hesitou ou esperou por uma segunda confirmação.
Diminuiu o resto da distância entre eles, uma mão pousando na cintura dela — quente, firme — e a outra subindo devagar até a nuca, puxando-a para um beijo sem aviso, direto e faminto. respondeu no mesmo ritmo, como se aquele impulso fosse o que ela precisava para finalmente calar o turbilhão dentro da cabeça.
Beijá-lo era esquecer Jackson. Esquecer Cathy. Esquecer Durham.
Era estar ali, no agora, e nada mais.
Quando o ar começou a faltar, ele encostou a testa na dela, ainda sorrindo.
— Isso foi o beijo ou a negociação?
— Foi só um teste — respondeu , ofegante. — Precisava ter certeza que você não faria eu me arrepender da minha decisão. O resto… pode ser no banheiro?
Ele arregalou os olhos por um instante, surpreso, antes de rir. Um riso rouco, satisfeito.
— Você é perigosa, Blue Devil.
Ela o puxou pela mão, atravessando o bar com um propósito claro. No corredor estreito perto dos fundos, ela empurrou a porta do banheiro unissex e entrou primeiro, olhando por cima do ombro como um convite.
Ele não demorou a seguir.
Assim que ele trancou a porta, suas mãos estavam nela novamente, e os beijos vieram ainda mais urgentes. o empurrou contra a parede azulejada, subiu os braços ao redor do pescoço dele e o puxou para mais perto, colando seus corpos com a intensidade de quem precisava sentir outra coisa que não fosse dor ou mágoa.
As mãos dele deslizaram pelas costas dela, apertando, explorando. Ela prendeu a respiração quando ele roçou os lábios pela curva do pescoço, e por um momento, tudo desapareceu: o barulho, o mundo, o passado.
— Me diz até onde você está disposta a ir. — Ele soprou contra sua pele, distribuindo beijos pelo local.
Seus dedos se embrenharam no cabelo dele, levantando sua cabeça e fazendo-o encará-la.
— Até o fim.
Um gemido satisfeito escapou dos lábios dele antes que voltasse a beijá-la, agora com mais urgência, como se as palavras dela tivessem liberado uma espécie de permissão invisível. Os corpos se colaram mais ainda, e o mundo lá fora deixou de existir completamente.
As mãos dele exploravam sua cintura, subindo com intenção e cuidado, como se estivesse memorizando cada curva, cada reação. apertou os punhos contra as costas dele, puxando-o ainda mais para si, seu corpo respondendo instintivamente àquela avalanche de sensações que ela nem lembrava mais que era capaz de sentir.
As respirações estavam aceleradas, os movimentos cada vez mais sincronizados, e quando ele a puxou ainda mais para perto, fazendo-a sentir toda a extensão do seu membro duro e deixando claro o quanto a desejava, foi como acender mais um fósforo em um incêndio prestes a consumir tudo.
jamais teria imaginado que terminaria sua noite assim, prestes a transar com um desconhecido em um bar qualquer de Chapel Hill. E, ainda assim, não havia hesitação em seus gestos, só a urgência desenfreada de receber tudo o que ele estava disposto a dar.
Os dedos dele desceram até o meio de suas pernas, provocando a boceta que já encharcava a calcinha e o short de , e arrancando um gemido dela.
levou as próprias mãos até o short, querendo se desvencilhar dele, mas o som estrondoso interrompeu seus movimentos como um choque elétrico.
A batida forte na porta ressoou pelo banheiro despertando-os em um lembrete impiedoso de que não estavam em uma bolha de desejo, mas num bar barulhento em Chapel Hill.
— Tem gente esperando, porra! ABRA A PORTA AGORA! — A voz grossa e impaciente veio do outro lado, carregada de autoridade e irritação.
Os dois se afastaram num pulo, ofegantes, os corpos ainda quentes, roupas desalinhadas e os olhos em chamas, como se o mundo inteiro tivesse parado por um instante.
Ele encostou a cabeça na parede, soltando um riso abafado, meio incrédulo.
— Você realmente sabe como quebrar as regras, hein?
ajeitou o cabelo, passando as mãos pelos fios desalinhados, e devolveu um olhar malicioso que misturava desafio e diversão.
— Obrigada por isso, Carolina do Norte. Acho que te devo uma.
Ela saiu primeiro, sem olhar para trás, com a sensação de que, por mais caótica que aquela noite tivesse sido, pelo menos agora ela estava no controle de sua vida outra vez.
Enquanto ela caminhava para longe, sentindo a adrenalina misturada com o desejo que ainda dominava seu corpo, a risada dele a alcançou pelo corredor.
— Não terminamos isso, Blue Devil.
Ela hesitou por um segundo, um sorriso torto se formando nos lábios, antes de desaparecer entre a multidão.


Winnie, Nori e Zoya estavam sentadas no tapete felpudo e redondo do quarto de , com expressões que oscilavam entre a incredulidade e um leve desgosto.
— Ei, não me olha assim — protestou , apontando para a careta indignada de Zoya.
— Você beijou alguém da UNC, . Isso é praticamente uma traição à pátria.
O tom dramático arrancou risos das outras duas, enquanto Zoya cruzava os braços, visivelmente ofendida em nome da Universidade de Duke.
mordeu o lábio inferior, interrompendo a risada, enquanto sua mente voltava para a noite passada e o que quase tinha acontecido com o desconhecido em Chapel Hill.
Nori arqueou a sobrancelha.
— Tem mais, né? Tá na cara.
Era óbvio que a presidente da Zeta Tau Alpha, e sua melhor amiga, saberia que ela não estava contando toda a verdade.
hesitou por um segundo, mordendo o lábio inferior, antes de se render.
— Tá, eu talvez tenha ido com ele até o banheiro.
Três pares de olhos arregalados se voltaram para ela ao mesmo tempo.
— Talvez? — Zoya quase gritou.
— E ele talvez estivesse quase, hm… me dedando. Mas alguém bateu na porta e a coisa parou por aí.
— Você ia transar com alguém daquela faculdade?
O tom de Zoya era descrença pura.
— Ué, ninguém nunca morreu de pegação interclasse — murmurou , dando de ombros como se estivesse contando o que comeu no café da manhã.
, isso vai contra tudo que a gente representa! A Zeta. Duke. O mínimo de decência!
— Não vem com essa. Você já transou com um cara de Clemson porque ele tinha covinhas.
— Isso foi uma vez e totalmente irrelevante! — Zoya rebateu, indignada.
Winnie riu alto.
— Ele era gostoso, pelo menos? — Winnie perguntou, com a seriedade de quem estava avaliando uma questão super importante.
— Óbvio que é isso que te interessa — Zoya retrucou, revirando os olhos.
— Ué, se ela vai pegar o inimigo, a gente quer saber se valeu a pena — Nori deu de ombros, prática como sempre.
riu, e o sorriso que escapou foi mais largo do que ela gostaria de admitir ao lembrar do desconhecido.
— Muito. Alto, tipo… bem alto. Ombros largos. Porte de atleta — disse, fazendo um gesto sugestivo com os dedos. — E um beijo que me fez esquecer que o Jackson e a Cathy merecem ir para a puta que pariu.
— Ai, então valeu a pena — decretou Nori, como se fosse juíza de tribunal universitário.
Zoya bufou, inconformada.
— Valeu a pena? Que nojo! Era um estudante da UNC.
— É isso que eu chamo de diplomacia entre rivais — comentou Winnie, catando a pantufa de e erguendo-a no ar como se brindasse.
— Eu precisava de um reset, ok? — disse , sincera. — E aquele cara, bom, ele parecia saber exatamente o que estava fazendo.
— Parecia ou sabia? — Nori estreitou os olhos.
— Sabia — respondeu , cruzando as pernas, a expressão divertida. — Só não terminei de confirmar por motivos de força maior.
Zoya colocou as mãos na cabeça, num drama digno de novela.
— Eu não acredito que você ia perder sua virgindade patriótica com um Tar Heel.
— E o que caralhos seria isso?
As quatro caíram na gargalhada, até Zoya, que tentou segurar, mas acabou rindo também.
— Ok, mas sério — voltou Winnie. — Ele era do time?
— Bem provável — respondeu , pensativa. — A jaqueta azul clara não deixava dúvidas. E ele tinha uma confiança que só os atletas universitários tem, sabe?
— Me diz que pelo menos era lacrosse, ou sei lá, natação — murmurou Zoya, já com os olhos fechados como se se protegesse da resposta.
— Não faço ideia, Z, eu estava mais preocupada em beijá-lo do que questionar sobre a vida acadêmica dele.
Zoya gemeu.
— Você ia transar com um Tar Heel no banheiro de um bar. Isso vai me assombrar para sempre.
— Relaxa — respondeu, pegando uma almofada e jogando na direção da amiga. — Se serve de consolo… ele me chamou de Blue Devil.
— Não serve — Zoya retrucou na hora.
riu.
— Desde quando você virou puritana, Z? Você já transou no banheiro.
Foi Nori quem perguntou, arqueando a sobrancelha com leve ironia.
— Eu não virei, não tô julgando a por quase ter transado com um desconhecido no banheiro, juro que não — disse Zoya, com um suspiro. Os olhos foram até , como se quisesse garantir que ela acreditasse. — O meu problema é que foi com um Tar Heel.
se encostou melhor na parede. A conversa seguia, mas parte da mente dela ainda estava no bar da noite anterior. No jeito como ele a puxou pela cintura com uma confiança absurda. No beijo firme, no toque quente, no momento em que tudo ao redor pareceu sumir por alguns minutos.
Ela não se arrependia. Nem um pouco.
— Mas qual é o real problema com isso? — Winnie perguntou, franzindo o cenho. — Tipo, ok, vocês competem, odeiam perder, gritam “vai pro inferno, Carolina” nos jogos. Mas não é como se fosse crime federal duas pessoas de faculdades rivais ficarem.
Zoya ficou em silêncio por alguns segundos. A boca abriu, fechou, abriu de novo. Até que finalmente falou:
— Tá, desculpa. Não devia ter reagido assim. É que… — Zoya mordeu o lábio inferior, incerta de continuar. — Eu tive uma situação com alguém da UNC. Anos atrás. Deu ruim. Eu não falo muito sobre isso, e a última coisa que eu quero é que passe por isso depois de um término fodido, mas os caras de lá são escrotos.
levantou da cadeira, se sentindo tocada pela preocupação da amiga, e seguiu até Zoya, abraçando-a.
— Obrigada por se preocupar, mas eu só precisava sair de Durham — explicou , soltando o ar pela boca como se estivesse revivendo o peso da noite anterior. — Jackson e Cathy conseguiram me fazer de idiota por tempo suficiente. Eu só queria respirar sem ver nenhum dos dois.
— E aí encontrou um cara gostoso, misterioso e disposto a ajudar — Nori disse com uma piscadinha.
— Eu encontrei uma distração — corrigiu , mas seu tom foi mais suave do que firme. — E por alguns minutos, funcionou. Ele me fez esquecer.
Nori se aproximou, se juntando ao abraço.
— E os caras daqui também são uns escrotos — retrucou Winnie.
— Ainda quero socar a cara do Jackson.
— Entra na fila — murmurou , sorrindo de canto. — Mas o Tar Heel tá fora da lista, tá? Ele não fez nada além de me fazer gozar mentalmente.
! — as três gritaram ao mesmo tempo, escandalizadas, e ela apenas riu.
— O que foi? Eu não consegui gozar de verdade, então me deixa ao menos manter a fantasia viva.
— Ok, mas se ele aparecer de novo… — Winnie começou, divertida.
— A gente vai querer todos os detalhes — completou Nori.
Zoya apenas rolou os olhos, mas dessa vez, sem amargura.
deixou a cabeça cair contra a parede, sorrindo sozinha. Por mais bagunçada que a noite anterior tivesse sido, uma coisa era certa: ela precisava de uma pausa. E se essa pausa usava jaqueta da UNC e beijava como se o mundo fosse acabar… então talvez ela estivesse no caminho certo para esquecer quem realmente merecia ser esquecido.

🤸🏻‍♀‍🏈📣

suspeitou que o dia seria uma merda assim que notou as nuvens cinzentas se aproximando de Durham. A equipe de líderes de torcida e o time de futebol americano raramente treinavam no mesmo lugar — a menos que o clima os forçasse a isso —, e nesse caso todos se reuniam no Pascal Field House.
Mas, com um pouco de sorte, a chuva só viria no fim da tarde.
E, com ainda mais sorte, Jackson não tentaria puxar assunto com ela.
Infelizmente para , aquele não era um dia de sorte.
A tempestade desabou antes mesmo do horário do almoço, e as duas equipes acabaram confinadas no Pascal para o treino. E se os olhares insistentes que Jackson lançava em sua direção significavam alguma coisa, era que ele estava prestes a falar com ela.
E essa era a última coisa que ela queria.
Determinada a evitar o capitão do time — que, por coincidência nada agradável, também era seu ex-traidor —, não hesitou em inventar uma pequena desculpa para Lola, a capitã das líderes de torcida, só para sumir dali o mais rápido possível.
Ela lançou um olhar discreto para Nori e Zoya, tentando não alarmá-las, já que pedir para sair mais cedo de um treino não era nada comum para .
Mas ela devia ter previsto, nada daria certo naquele dia. Na verdade, nada vinha dando certo naquele mês.
Assim que saiu do chuveiro no vestiário do Card Gym, teve vontade de dar meia-volta e se afogar no ralo. Porque ali, parado diante do seu armário, estava Jackson.
Ele não disse nada, mas seus olhos cravaram nela assim que ela entrou. Talvez fosse culpa do par de chifres invisíveis que ele havia lhe colocado, e que, por alguma maldição cósmica, o faziam saber instintivamente onde ela estava.
apertou a toalha contra o corpo com força, amaldiçoando-se mentalmente por não ter levado as roupas limpas com ela para o box. Se já tivesse se trocado, poderia simplesmente sair dali sem dirigir uma palavra a ele e deixar que Nori ou Zoya buscassem sua bolsa depois.
Mas ela não podia sair de toalha.
A única alternativa era fingir que Jackson não existia e caminhar até o armário como se ele fosse invisível. E foi exatamente o que ela fez.
, você não vai falar comigo? — perguntou Jackson, em um tom baixo, quase confuso, como se não compreendesse o motivo do silêncio dela.
precisou morder o lábio para não rir. Aquilo só podia ser piada.
— Eu sei que você está um pouco chateada, mas é sério isso? Vai simplesmente me ignorar?
Ela não respondeu. Apenas destrancou o armário, pegou suas roupas e se virou para ir até o banheiro se trocar, determinada a não passar mais nenhum segundo na presença dele.
Não importava que ele já tivesse visto seu corpo dezenas de vezes enquanto namoravam, que já tivesse beijado e tocado cada centímetro dele. Jackson havia perdido qualquer direito sobre ela no instante em que escolheu enfeitar sua testa com um belo par de chifres.
Mas antes que conseguisse dar dois passos, sentiu a mão dele prender seu pulso. se virou com raiva, deixando todo o desprezo que sentia escorrer pelo olhar.
— Me solta — rosnou, com a voz grave e contida.
Ele a soltou imediatamente.
— Não temos nada pra conversar.
Jackson a olhou com incredulidade, como se ela fosse a irracional da história. Aquilo só inflamou ainda mais sua fúria.
— Para com isso, ... Eu sou seu namorado.
Dessa vez, ela não conseguiu segurar a risada. Foi um riso seco, ácido, que sacudiu seus ombros e trouxe lágrimas involuntárias aos olhos.
— Você era o meu namorado, Jackson.
A verdade pareceu finalmente pesar sobre ele. Jackson passou os dedos pelos cabelos, bagunçando-os num gesto nervoso, enquanto a fitava com uma expressão de arrependimento.
... aquilo foi um erro, por favor, me perdoa — implorou, dando um passo em sua direção. — A gente tinha brigado, e aí a Cathy apareceu... eu não estava pensando direito.
Ela o encarou em silêncio por alguns segundos, como se tentasse entender em que momento os dois haviam se perdido no caminho.
— Tudo bem.
Um sorriso genuíno começou a se formar nos lábios de Jackson, aliviando a tensão de seu rosto. Ele levantou a mão e tocou o rosto de com delicadeza, acariciando sua bochecha com a palma quente.
— Eu juro que isso não vai acontecer de novo.
— Eu sei que não vai — respondeu ela, tranquila. — Até porque nós não estamos mais juntos.
A mão dele caiu, como se suas palavras tivessem o atingido como um soco. Ele recuou, atordoado.
— Mas...
— Eu não vou continuar com alguém que me traiu, que quebrou a minha confiança — disse firme. — Eu não vou continuar com você, Jackson.
— Você vai jogar fora tudo o que a gente viveu?
— Você é quem jogou.
Jackson ainda estava lá, parado como um idiota entre os bancos do vestiário, como se o mundo estivesse desabando pela primeira vez na vida dele.
Quando passou por ele, determinada a sair dali, ele finalmente falou:
— Eu ainda te amo, .
Ela parou.
Virou-se com calma, e encarou ele nos olhos com uma mistura de desgosto e tédio. Não havia tristeza em seu rosto. Só exaustão. Um tipo de cansaço que nasce quando você já esperou tudo de alguém — e ele ainda assim conseguiu te decepcionar mais uma vez.
— Você me ama? — Ela riu. Um riso amargo, de quem escutou a coisa mais ridícula do dia. — Sério isso, Jackson?
Ele não respondeu.
— Porque, olha... se isso é amor, eu tô feliz de não ter mais o seu.
Jackson deu um passo em sua direção, hesitante.
— Eu não queria terminar com você. A gente brigou, e... e a Cathy tava lá. Eu estava me sentindo sozinho. Foi um erro. Eu me arrependi no segundo seguinte. Mas eu te amo, . Isso não muda.
Claro que muda, Jackson. — A voz dela subiu, firme, sem pedir licença. — O que muda é que, se você me amasse de verdade, você teria me respeitado. Você teria dito: ", eu não tô bem, acho que a gente precisa conversar." Você teria terminado antes de foder outra pessoa.
Ela se aproximou, os olhos cravados nos dele.
— E não vem com esse papo de "foi um erro". Você sabia o que estava fazendo. Você só não achou que ia ser descoberto. Você não me amava, você me tinha. E achou que isso era o bastante.
Ele tentou falar, mas ela ergueu a mão, cortando o gesto.
— Você podia ter terminado. Eu teria me virado. Teria chorado, me trancado no quarto por uns dias, seria consolada por Winnie, ouvido as merdas da Nori e os conselhos da Zoya. Mas eu teria me levantado com alguma dignidade.
A voz dela falhou, só por um segundo, e ela odiou isso. Mas não recuou.
— Só que você preferiu sujar tudo. A relação que a gente construiu, os dois anos que a gente viveu. Você jogou tudo na lama. Fez eu me sentir pequena. Fez eu me sentir ridícula. Traída.
Ela respirou fundo, o queixo firme, mesmo com a garganta embargada.
— Eu fui uma boa namorada pra você. Eu te apoiei. Eu estive do seu lado até quando você não merecia. E você pouco se fodeu. Você não acabou só com o que a gente tinha. Você acabou com a nossa amizade, Jackson.
Ela deu um passo atrás.
— E o pior de tudo é que nem foi por amor. Foi por covardia. Por egoísmo.
Silêncio.
— O assunto acabou aqui. Assim como a gente.
Ela se virou e saiu, sem olhar para trás.
Mas, por dentro, tudo ainda pulsava. Não era amor. Não era saudade.
Era raiva. Era nojo. Era um orgulho ferido gritando dentro dela.
Porque, no fundo, ela já sabia que o relacionamento tinha terminado muito antes daquela traição. O amor tinha acabado no silêncio das últimas semanas. Nos beijos sem gosto. Nos "te amo" que não diziam mais nada. Ela só tinha continuado ali por hábito. Por medo. Por lealdade a uma versão antiga deles.
Ela já não amava Jackson fazia tempo. E agora tinha certeza.
Mas o que doía — o que realmente cortava fundo — era o fato de ele ter manchado tudo. De ter cuspido em algo que, um dia, foi bonito. Era saber que os dois anos que ela passou se doando, tentando, acreditando... acabaram resumidos a uma noite qualquer com outra pessoa.
Era isso que doía.
Não era o fim.
Era a sujeira que ele deixou no caminho até ele.




Continua...


Nota da autora: Em minha defesa, esse plot existe faz muitooo tempo e eu, finalmente, tirei o querido da gaveta.

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