Por
Londres, seis anos antes...
Eu não queria estar ali.
Na verdade, eu odiava eventos como aquele. Reuniões de ex-alunos sempre me pareceram uma ideia terrível — uma sala cheia de pessoas relembrando o passado, comparando carreiras, postando fotos como se uma noite fosse suficiente para apagar o tempo. A maioria já havia seguido em frente, e mesmo assim, naquela noite, todos pareciam desesperados para reviver algo que, para mim, já tinha acabado fazia tempo.
E, mesmo assim, lá estava eu.
— Se continuar com essa cara, vão achar que você veio forçada — Mariana riu, cutucando meu braço.
— Eu fui forçada — revirou os olhos e ergueu a taça.
— , pelo amor de Deus. Você trabalha o dia inteiro, vive exausta... Você merecia sair um pouco, se distrair — insistiu Mariana.
— Preferia estar dormindo — murmurei.
— Relaxa, — segurou meu braço com um sorriso esperançoso. — Talvez seja até divertido.
Duvidava muito.
As luzes suaves banhavam o ambiente com um brilho elegante. Havia mesas decoradas com capricho e um grande painel digital mostrando fotos antigas da nossa turma. O som de risadas e conversas enchiam o ar, entrecortado por abraços e reencontros. Nostalgia estava no ar — e eu definitivamente não estava no clima para isso.
— Uau, eles realmente se esforçaram — Mariana comentou, pegando uma taça de espumante da bandeja de um garçom.
— Tudo isso para fingirem que ainda são jovens — resmungou, bebendo um gole.
Suspirei e cruzei os braços, já planejando a hora exata em que diria que estava cansada e escaparia pela porta dos fundos. Mas antes mesmo de bolar um plano, uma movimentação na entrada me fez virar o rosto.
E então eu o vi.
Lewis Hamilton.
O burburinho na sala diminuiu por alguns segundos, como se todos tivessem prendido a respiração. Não era exatamente uma surpresa vê-lo ali — ele também era parte daquela turma — mas, sem dúvida, era o ex-aluno mais famoso da noite.
A última vez que o vi pessoalmente, ele era um garoto de 18 anos com um sorriso confiante e um brilho nos olhos sempre que falava de corridas. Agora… ele era um homem. Um homem com um terno perfeitamente alinhado, a barba aparada no limite entre casual e sofisticado, e uma postura de quem sabia exatamente o impacto que causava ao entrar em qualquer ambiente.
Mas aquele olhar… aquele olhar ainda era o mesmo. Intenso. Curioso. Um pouco inquieto.
— Bom, agora as coisas ficaram interessantes... — Mariana sussurrou ao meu lado, arqueando uma sobrancelha.
soltou um sorriso malicioso e cruzou os braços, como quem estava prestes a revelar um segredo antigo.
— Eu sempre disse que ele tinha uma queda por você. Lembra, Mari? Ele vivia tentando chamar a atenção da na escola.
— Vivia mesmo — Mariana concordou, rindo. — Fazia comentário em tudo que ela falava, sentava perto só pra implicar… a gente sempre desconfiou.
Revirei os olhos, segurando a taça de espumante com mais força do que o necessário.
— Ele gostava era de me irritar, isso sim — retruquei, tentando manter a voz firme, mas sentindo o calor subir pelo pescoço.
— Claro, — disse, com ironia escorrendo pelas palavras. — Porque meninos adolescentes implicam com garotas por quem eles não têm interesse, né?
— Ah, não começa — resmunguei, desviando o olhar antes que elas vissem o pequeno sorriso traidor que se formava no canto da minha boca.
— Acho que você não vai embora tão cedo, — completou, triunfante.
Revirei os olhos, mas no fundo… elas estavam certas. Tentei desviar o olhar, tentei parecer indiferente. Falhei.
Lewis caminhava pelo salão cumprimentando ex-colegas, distribuindo sorrisos polidos e apertos de mão. Era cordial, mas seus olhos vasculhavam o ambiente, como se estivessem procurando alguma coisa. Ou alguém.
E então, ele me viu.
O olhar dele passou rápido por mim. Por um segundo, achei que fosse só mais uma varredura visual, mas ele voltou. E dessa vez, não desviou.
Ficou ali, me olhando. Me reconhecendo. Aquela intensidade adolescente ainda estava ali, mas agora havia algo mais maduro, mais denso. Como se o tempo tivesse lapidado não apenas seu talento, mas também a maneira como ele olhava o mundo e as pessoas.
Inclinei a cabeça, tentando manter a compostura, e levei a taça de espumante aos lábios.O sorriso dele surgiu devagar, como se estivesse lembrando de algo que só ele sabia. Um daqueles sorrisos que pareciam ensaiados, mas que ainda guardavam uma faísca de verdade.
Não retribuí.
— Meu Deus, ele está vindo para cá — Mariana apertou meu braço.
— Isso vai ser interessante. — tentou esconder a empolgação, mas falhou miseravelmente.
Respirei fundo, se era para enfrentar isso, que fosse com uma taça na mão e a cabeça erguida.
— Meninas.
A voz dele era a mesma, mas mais grave, mais firme. Maturidade e confiança escoravam cada sílaba. Levantei os olhos e lá estava ele, parado bem à minha frente. Mais perto do que eu estava preparada. Tentei não demonstrar, mas algo dentro de mim se desestabilizou.
— Hamilton — Mariana foi mais rápida, sorrindo com aquele ar travesso que ela sempre usava quando sentia o cheiro de caos. — Olha só, o superstar resolveu nos agraciar com sua presença.
Ele riu baixo, aquela risada abafada que eu lembrava dos tempos de escola.
— Não podia perder a chance de ver velhos amigos — disse, com um leve encolher de ombros. Ergui uma sobrancelha, sem pensar.
— Velhos amigos? — repeti, com um meio sorriso. — Engraçado... não lembro de você ser tão presente assim.
Ele inclinou levemente a cabeça, o olhar preso no meu, como se estivesse procurando por algo que talvez ainda estivesse ali. O canto da boca dele subiu em um sorriso calmo, mas carregado de algo mais, uma lembrança, talvez.
— Bom, algumas pessoas são difíceis de alcançar — disse, com aquele tom leve que ele sempre usava quando queria parecer casual demais para o que realmente sentia.
O comentário ficou no ar por um instante, e eu senti minhas defesas se erguerem automaticamente. Respirei fundo, mantendo a expressão impassível.
— Talvez você esteja tentando compensar agora — murmurei, devolvendo a provocação. Riu baixo, como se gostasse do jogo, mas eu não estava jogando. Não de verdade.
Ele continuava sorrindo. Antes que pudesse retrucar, um ex-colega o chamou de longe, ansioso demais para conversar com a celebridade da noite. Lewis nem olhou de imediato, ainda estava focado em mim.
— Vou até lá em um minuto — disse ao outro, mas os olhos ainda estavam nos meus.
Senti a respiração prender por um segundo. Havia um desafio mudo ali, como se estivéssemos testando um ao outro. Ele ergueu a taça em minha direção, como um brinde sutil.
— Vou até lá em um minuto — disse ao outro, mas os olhos ainda estavam nos meus.
Senti a respiração prender por um segundo. Havia um desafio mudo ali, como se estivéssemos testando um ao outro. Ele ergueu a taça em minha direção, como um brinde sutil.
— Foi bom te ver, .
E então se afastou. Soltei o ar que nem percebi que estava prendendo.
— Isso foi intenso — Mariana murmurou, ainda olhando na direção dele.
— Não foi nada — retruquei, pegando outra taça de espumante.
— Nada, né? Só o Lewis Hamilton, capa da GQ, Met Gala de terno bordado, já saiu com metade das modelos da Victoria’s Secret... — comentou, e Mariana completou com um risinho:
— Dizem que ele estava com aquela Cindy Kimberly esses dias. E teve um boato com a Nicki Minaj também... você viu?
— Vi — murmurei, tentando soar indiferente.
— E vamos combinar, ele tá ainda mais bonito ao vivo. Tipo, surreal. — Mariana girou a taça na mão. — Nem parece real. — Bufei, fingindo que não era comigo.
— Vocês estão exagerando.
— A gente só tá dizendo o óbvio — respondeu, dando de ombros. — E tentando entender como você tá de pé depois desse olhar que ele te lançou.
Elas perceberam a minha expressão e logo suavizaram o tom, mudando de assunto com naturalidade. Como se pressentissem que eu precisava de um pouco de normalidade.
— Você viu que a Dona Judith se aposentou? — Mariana perguntou, mexendo na taça de espumante.
— Finalmente, né? — riu. — Acho que ela já devia estar ensinando quando a escola foi construída.
— A mulher tinha tanta autoridade que até o diretor baixava a cabeça — completei, e as duas caíram na gargalhada.
— Lembra quando ela te pegou colando na prova de química, ? — Mariana perguntou, apontando pra mim com um sorriso malicioso.
— Eu não estava colando! — retruquei, rindo. — Eu só... olhei para o lado com intenção acadêmica.
— Claro — revirou os olhos. — E eu sou médica formada em Hogwarts.
Soltei uma risada curta e, pela primeira vez naquela noite, me senti menos deslocada. A conversa foi fluindo, do trabalho no hospital às nossas desventuras escolares, até ouvir novamente aquela voz.
— E então, o que vocês andam fazendo da vida?
Levantei os olhos e lá estava ele. De novo. De volta ao nosso pequeno círculo. Mariana sorriu, claro, animada demais com aquilo tudo.
— Eu sou dona de um café, e trabalham juntas no hospital — ela se adiantou, como sempre fazia quando queria conduzir a conversa. — As duas salvam vidas todos os dias.
— Exagero dela — riu.
— Mas sim — acrescentei, com um sorriso contido —, somos da área da saúde. Eu sou técnica de enfermagem.
— E eu sou a chefe dela — completou, dando uma leve cotovelada no meu braço. — Enfermeira chefe. Mas ela que segura as pontas na maioria dos plantões, viu? — Olhei pro lado, desconcertada.
— adora dramatizar — murmurei.
Lewis arqueou uma sobrancelha, visivelmente surpreso — e, talvez, um pouco impressionado.
— Técnica de enfermagem? Parece um trabalho bem importante. — Dei de ombros, tentando não me afetar.
— Alguém tem que fazer.
Ele me observou por alguns segundos. Não de um jeito invasivo, mas como se estivesse tentando montar o quebra-cabeça — a menina da escola, a mulher diante dele, tudo o que o tempo moldou sem que ele visse.
— Sempre quis isso? — perguntou, a voz mais baixa, mais atenta. Hesitei.
— Nem sempre. Mas a vida acontece, né?
Sorri de leve. Aquele sorriso que carregava histórias que não se contavam em encontros casuais.
— Isso acontece mesmo — ele disse, com um brilho diferente nos olhos. Algo entre melancolia e respeito. Como se entendesse mais do que dizia.
, como sempre, puxou assunto:
— E você? Como é a vida de superstar? — Lewis soltou uma risada baixa.
— Menos glamourosa do que vocês imaginam.
— Ah, qual é — Mariana provocou — deve ser no mínimo interessante.
— É intensa — ele admitiu, num tom um pouco mais sério. — Corridas, eventos, entrevistas... Sempre viajando. Às vezes nem lembro de onde estou.
Observei-o. Ele falava com leveza, mas havia cansaço escondido em cada palavra. Lewis Hamilton, o homem que parecia ter o mundo — e talvez carregasse mais peso do que deixava transparecer.
— Mas não trocaria por nada, certo? — perguntei, a curiosidade escapando antes que eu conseguisse conter.
Ele voltou o olhar para mim. E sorriu — não aquele sorriso ensaiado de sempre. Um mais contido, mais verdadeiro.
— Não. Mas às vezes… sinto falta de coisas mais simples.
Por um segundo, pareceu que falava de outra coisa. Como se dissesse mais do que dizia. Outro chamado ao longe interrompeu o momento.
— Bom, eu vou lá — avisou, antes de se afastar outra vez. Mas não sem lançar um último olhar na minha direção. Um olhar que ficou.
Fiquei parada por um instante, observando-o se afastar. E por mais que eu tentasse negar, havia algo dentro de mim despertando. Algo antigo. Algo perigoso.
e Mariana se entreolharam, cúmplices. O tipo de olhar que não precisava de legenda. Suspirei. Já sabia o que viria a seguir.
— Tá. E o que foi isso? — Mariana quebrou o silêncio com a sobrancelha arqueada e a expressão que gritava: "não me engana".
— Isso o quê? — retruquei, tentando soar casual, pegando mais uma taça de espumante. Eu definitivamente ia precisar de mais álcool.
— Isso — apontou sutilmente com o queixo. — Você e ele. Essa energia. Essa troca de olhares cinematográfica.
— Que troca de olhares? — bufei, forçando uma firmeza na voz que eu não sentia nem um pouco. Mariana riu.
— , por favor. Ele olhou pra você como se tivesse visto um fantasma sexy do passado. Ou, sei lá, uma epifania de cabelo solto.
— Vocês estão vendo coisa — insisti, embora o calor subindo pelo meu pescoço denunciasse o contrário.
apenas revirou os olhos e pegou minha mão com um aperto leve.
— Tudo bem se for coisa. Mas que tem coisa, tem. — E eu não respondi. Porque, no fundo, sabia que era verdade.
— Certo, chega de enrolação. Vamos dançar — Mariana anunciou, já puxando minha mão.
— Eu passo — murmurei, recuando meio passo, mas sem muita convicção.
— Ah, nem pensar — surgiu do outro lado, os olhos brilhando. — Agora é a nossa vez de brilhar.
— Vai, — Mariana reforçou, com aquele sorriso que sempre me desarmava desde os 14 anos. — Por nós!
Suspirei. Mas, no fundo, já estava vencida. Entreguei minha taça a e fui com elas até o centro da pista.
A batida de Motivation da Normani explodia pelos alto-falantes — sensual, poderosa, impossível de ignorar. No início, deixei que elas me guiassem, rindo dos movimentos exagerados de Mariana, do gingado leve de . Mas aos poucos, fui me soltando. O espumante ajudava. O calor também.
Mas era outra coisa.
Era aquele olhar.
Eu podia senti-lo em mim. Queimando.
Quando levantei os olhos, não tive dúvidas: ele ainda estava lá. Lewis. Do outro lado do salão, com um copo na mão e os olhos cravados em mim como se eu fosse a única coisa que existia naquele espaço.
O olhar dele era lento. Feroz. Descarado. E eu... dancei para ele.
Deixei meu corpo seguir a música. Os quadris desenhavam curvas, os braços soltos, os cabelos caindo quando joguei a cabeça para trás. Mariana me girou com um riso alto, gritou algo que eu não entendi, porque, naquele momento, só havia uma coisa que importava: o jeito como ele me olhava.
Como se quisesse atravessar a multidão e me ter ali mesmo.
Passei a língua pelos lábios, o coração acelerando. Me virei de costas, dançando com mais intenção, como quem responde a um chamado invisível. Era um jogo. E eu acabava de aceitar as regras.
Quando Señorita começou a tocar, algo em mim soube.
Ele viria.
Vi quando Lewis se afastou do grupo, copo deixado para trás, passos firmes e lentos, como se o salão inteiro existisse só para nos conduzir. Ele atravessou o caminho sem desviar os olhos de mim. Tinha aquela postura que sempre teve, de quem sabia exatamente o efeito que causava. Mas agora, ele a usava só para mim.
Meu coração disparou. E quando senti sua presença atrás de mim, a voz dele veio baixa, quente, perto do meu ouvido:
— Posso?
— Achei que você não dançasse — provoquei, sem virar.
— Com você, eu danço o que for.
As mãos dele tocaram minha cintura. Firmes. Quentes. Respeitosas. E meu corpo… cedeu. Nos encaixamos como se aquele momento tivesse sido ensaiado a vida inteira. Os quadris se moviam em sintonia, os corpos colados, as respirações em descompasso.
— Uau — ouvi Mariana sussurrar, antes de se afastar com . — A gente que não atrapalhe.
Nem olhei, não conseguia. Porque tudo em mim estava focado nele, desde o toque, a respiração, o cheiro da pele quente e do perfume amadeirado.
— Você dança bem — murmurei, tentando soar casual. Falhei.
— Você me inspira — ele disse, roçando os lábios perto da minha orelha.
Arrepios.
Minhas mãos deslizaram pelas dele, que ainda repousavam na minha cintura. Meus olhos fecharam por um instante, só para sentir. A música parecia ter desacelerado. Os movimentos ficaram mais lentos, mais íntimos, mais perigosos.
Os dedos dele subiam e desciam pela curva da minha cintura como se falassem uma língua que só a pele entendia. E eu entendi.
Me virei devagar, agora de frente para ele. Os rostos próximos demais. O olhar de Lewis percorreu meu rosto, depois minha boca, e voltou para meus olhos, carregado de desejo contido.
— Se continuar dançando assim... — ele disse com um sorriso de canto.
— O quê? — perguntei, num sussurro.
— Não vou conseguir esperar até o fim da música.
Sorri.
Nem eu.
Mesmo no meio da pista, cercada por memórias da adolescência e olhares alheios, eu soube: a noite ainda estava só começando.
— Você sempre teve esse olhar — ele disse de repente.
— Que olhar? — franzi a testa.
— O de quem gosta de um desafio.
Abri a boca para rebater, mas hesitei. Talvez... ele estivesse certo. Coloquei as mãos nos ombros dele no mesmo momento em que ele firmou as dele na minha cintura. Os dedos se tocaram. Um leve deslizar que incendiou tudo ao redor.
O salão virou borrão, só havia Lewis. E eu.
Ele me puxou para mais perto. Dançávamos colados. Cada passo era uma promessa. A mão dele deslizava pelas minhas costas com uma intimidade antiga, como se tivesse todo o direito do mundo. Meus quadris encontravam os dele em um compasso perigoso. Um jogo que a gente fingia não jogar, mas estávamos queimando.
Então, ele inclinou o rosto até meu pescoço.
— Sabia que eu gostava de você no ensino médio? — sussurrou. Meu coração tropeçou.
— Tá brincando.
— Não mesmo. Você nunca me deu bola. Sempre parecia inalcançável. — Minha garganta secou.
— E agora? — arrisquei. Ele chegou mais perto, os lábios perigosamente próximos do meu ouvido.
— Agora eu não sou mais o garoto de antes.
Aquilo me atravessou. A menina que fingia não se importar com ele — mas se importava — acordou dentro de mim. E, pela primeira vez, ela não estava fingindo.
— Tem alguém te esperando em casa? — ele sussurrou, quebrando o torpor.
— Isso é uma pergunta casual… ou você está mesmo interessado na resposta?
— As duas coisas — ele riu baixo, roçando a boca perto da minha pele. Minhas mãos deslizaram pelo peito dele.
— E você? Tem alguém te esperando?
— Não.
A forma como ele disse… era certeza.
— O tempo foi generoso com você, Hamilton — falei, a voz mais baixa, mais trêmula do que eu queria admitir. Ele sorriu, encostando a testa na minha.
— Digo o mesmo pra você.
Mas aquilo não era só um elogio, era confissão, fome. O olhar dele desceu até minha boca, depois voltou para meus olhos. E naquele instante, eu soube. Se eu não saísse dali agora… algo aconteceria.
E o mais louco?
Eu não queria sair.
Os dedos dele encontraram minha nuca com uma delicadeza perigosa. Me puxou. Encostou ainda mais nossos corpos e fui eu quem tomou a iniciativa.
O beijo explodiu entre nós.
Quente. Intenso. Irresistível.
As mãos dele me agarraram pela cintura com força, me puxando como se o mundo estivesse desabando em volta. Meus braços se fecharam ao redor do pescoço dele. Nossas bocas se encontraram com precisão e pressa, como se anos de silêncio estivessem sendo queimados ali.
Não sei se alguém viu. Se alguém comentou.
Mas, naquele momento? O mundo podia acabar, porque tudo que eu queria… era aquilo. Era ele.
Quando nos afastamos, ainda ofegantes, o ar entre nós era pura eletricidade.
— Você nunca foi fácil de esquecer, sabia?
A frase me atravessou como um raio silencioso. Eu devia responder, fazer uma piada, mas nada saiu. Porque, no fundo, eu sabia. Ele também nunca saiu completamente da minha cabeça. Lewis se inclinou, a voz baixa roçando perto do meu ouvido:
— Vamos sair daqui?
Eu deveria hesitar, mas meus pés já tinham decidido. Peguei o celular e mandei uma mensagem rápida para Mariana:
"Não me esperem. Falo com vocês amanhã."
Guardei o telefone. Peguei minha jaqueta numa cadeira próxima e quando levantei os olhos, ele já estava me olhando. Como se tivesse certeza de que a resposta já estava dada no momento em que eu o beijei.
— Vamos — disse. Sem pensar. Sem arrependimento.
O sorriso dele cresceu, lento, perigoso. E então, sem olhar para trás, eu o segui para fora da festa. Deixei tudo ali: regras, receios, limites. Porque eu sabia exatamente o que estava fazendo e sabia também: depois daquela noite, nada mais seria igual.
O Mercedes-AMG preto brilhava sob a luz do estacionamento. Ele abriu a porta com aquele jeito despreocupado e intenso que sempre teve. Quando nossos olhos se encontraram, um arrepio percorreu meu corpo, era elétrico, instintivo.
Entrei no carro tentando parecer no controle. Tentando fingir que meu coração não estava em descompasso. Ele deu a volta, assumiu o volante com calma. Silêncio. Mas não era desconfortável, era um silêncio cheio. Tenso. Carregado de tudo que ainda não havia sido dito, mas sentido.
As luzes de Stevenage refletiam no painel, dançando sobre a pele dele, desenhando sombras nos contornos do rosto. Passei as mãos pela saia do vestido, disfarçando o formigamento que tomava conta de mim.
Lewis dirigia com uma serenidade provocadora. Uma mão no volante, a outra descansando no câmbio. E então, aconteceu.
Me movi, ajeitando a postura. Minha mão roçou na dele. Um toque leve. Acidental. Mas nenhum de nós se afastou. Ele virou o rosto, me olhou, só por um segundo, mas pareceu durar o bastante pra me desmontar. Havia intensidade naquele olhar. Promessa.
Um sorriso lento apareceu no canto dos lábios dele antes que voltasse os olhos para a estrada e foi aí que senti: o calor dele me invadindo. Tomando cada espaço entre nós como se já fosse dele.
Com uma calma ensaiada, ele afastou a mão do câmbio e pousou os dedos na lateral da minha coxa.
Meu coração deu um salto.
Virei o rosto pra ele, sentindo a respiração tropeçar no caminho. Ele olhou de novo, e dessa vez não houve pausa. Nem dúvida.
O rosto dele se aproximou. Devagar. Controlado. Intenso e mesmo com o carro em movimento, o tempo parou quando os lábios dele tocaram os meus.
Um beijo breve. Mas firme. Quente. Meu corpo inteiro reagiu — como se tivesse esperado por aquilo. Quando ele se afastou, o sorriso ainda estava ali, nos lábios, nos olhos.
— Você me deixa distraído — ele disse, a voz mais baixa, rouca. E eu nem lembrava como se respirava.
O polegar dele começou a desenhar círculos lentos no tecido do meu vestido. Tentei fingir que não sentia, mas o arrepio que percorreu minha espinha denunciou tudo.
Então, ele estacionou. O carro parou em frente ao hotel. Cortou o motor. E ficou ali, me olhando.
Um silêncio denso caiu entre nós. Mas não era hesitação. Era decisão.
Encarei aquele olhar por segundos demais. Podia dizer alguma coisa ou recuar, mas não disse. Soltei o cinto e saí do carro. Ouvi o clique da porta dele se abrindo logo depois.
Quando olhei por cima do ombro, ele sorria. Um sorriso calmo. Confiante. Perigoso.
E me seguiu até a entrada do hotel. O saguão parecia longe demais para o que estávamos sentindo. Atravessamos como quem sabia para onde estava indo, mas, principalmente, como quem sabia o que queria encontrar ao chegar.
Entramos no elevador e foi só as portas se fecharem que tudo mudou. O silêncio do espaço apertado carregava mais eletricidade do que o ar podia suportar. Eu estava encostada na lateral, tentando fingir calma, mas então ele se aproximou.
Sem palavras.
Sem permissão.
O corpo dele se encostou ao meu com uma segurança ensaiada, como se soubesse exatamente o efeito que causava. Seu olhar me prendeu antes que qualquer pensamento racional pudesse escapar. E então ele me beijou.
Mais faminto.
Mais urgente.
Minhas costas bateram suavemente na parede do elevador, e as mãos dele vieram direto para a minha cintura. Me puxou com firmeza, colando nossos corpos. A boca dele explorava a minha com precisão, como se cada segundo fosse um território novo a ser conquistado.
Respondi ao beijo com a mesma fome. Minhas mãos deslizaram pelo peito dele, subiram pela nuca, puxando seus cachos com leveza. Eu arfava entre um beijo e outro, tentando respirar, mas era impossível com ele ali — quente, colado, decidido.
Lewis deixou um rastro de beijos pela linha do meu maxilar até meu pescoço. Senti a pele arrepiar sob sua respiração quente.
— Você tem ideia do que tá fazendo comigo? — ele sussurrou, a voz grave, os lábios roçando meu pescoço.
— Tenho. — Minha resposta saiu trêmula, mas firme. — Porque é exatamente o que você tá fazendo comigo.
Ele sorriu contra minha pele e voltou a me beijar, como se aquela resposta fosse tudo o que ele precisava ouvir.
A mão dele subiu devagar pelas minhas costas, os dedos pressionando com intensidade, sem pressa. Eu me afundei nele. No beijo, no toque, na entrega inevitável.
O elevador apitou.
As portas se abriram com um som que parecia distante demais para o que estávamos sentindo. Ele me encarou, os olhos dilatados, a respiração entrecortada.
— Vem comigo — disse, estendendo a mão.
E eu fui.
Segui Lewis pelos corredores do hotel como quem atravessa um limiar invisível, e irreversível.
O som de nossos passos era abafado pelo carpete. Nenhum de nós dizia nada, mas o silêncio falava alto. Quando a porta do quarto se fechou atrás de nós, o mundo inteiro pareceu desaparecer.
Dentro do quarto, o silêncio se quebrou pela minha própria respiração.Não sei quem se moveu primeiro. Talvez ele. Talvez eu. Mas, num piscar de olhos, colidimos.
Os lábios dele tomaram os meus com uma urgência crua. Nada de sutileza. Nada de joguinhos. Foi direto, intenso — como se estivéssemos segurando aquilo há anos. Lewis me puxou pela cintura, colando nossos corpos com força. Um gemido escapou da minha boca, e ele o engoliu com a boca faminta. Ele não me beijava. Ele me consumia.
As mãos dele exploravam minhas costas como se quisessem decorar cada curva, cada espaço. Eu agarrei os ombros dele, afundando os dedos no tecido da camisa, querendo mais. Querendo tudo.
A boca dele desceu para o meu pescoço e eu me arqueei, sentindo meu corpo inteiro incendiar. Os toques vinham sem pressa, mas com precisão cirúrgica, como se ele soubesse exatamente onde apertar para me fazer perder o controle e estava funcionando.
Senti os dedos dele alcançarem o zíper do meu vestido. Ele o puxou devagar. Torturante. O tecido deslizou pelos meus ombros, pernas, e caiu no chão com um sussurro.
Minha pele ardeu sob o olhar dele.
Ele não disse nada. Não precisava. Os dedos passaram pelas laterais do meu corpo, e os lábios seguiram o mesmo caminho, deixando rastros quentes por onde tocavam, mas eu não queria estar em desvantagem.
Minhas mãos subiram até o peito dele, sentindo os músculos retesados sob o toque. Comecei a desabotoar sua camisa, um botão por vez, tentando manter algum controle — e falhando completamente. A respiração dele ficou mais pesada a cada centímetro revelado.
Quando empurrei o tecido para os lados e toquei a pele quente sob meus dedos, quase perdi o ar.
Passei as palmas das mãos pelo abdômen dele, sentindo cada linha firme, cada músculo tenso. Ele murmurou algo rouco contra o meu pescoço, incompreensível, mas suficiente pra me fazer arrepiar inteira.
Assim que tirei a camisa dele por completo, Lewis segurou meu rosto com as duas mãos e me beijou. Dessa vez, foi diferente.
Mais profundo. Mais possessivo. Mais... nosso. Mas ainda sem pressa. Como se o tempo, enfim, tivesse parado pra nós.
As mãos dele desceram pelas minhas costas com firmeza, até alcançarem a curva dos meus quadris. O toque era tão quente que queimava, mesmo com o tecido da calcinha entre nós.
Os dedos dele deslizaram pela lateral da peça. Nossos olhares se encontraram.
Deslizei a peça pelas pernas, deixando-a cair no chão junto às roupas que já começavam a se espalhar pelo quarto. Quando ergui os olhos, ele sorria daquele jeito... perigoso. Com promessa nos olhos e certeza nas mãos.
Levei as mãos até a cintura dele, sentindo a tensão sob a pele. Soltei o cinto com calma, puxando a fivela devagar. Queria testar os limites dele, e os meus.
Lewis prendeu a respiração, os olhos fixos nos meus, enquanto eu desabotoava a calça. Ao puxar o zíper, senti os músculos dele contraírem sob meu toque e eu gostei disso. Muito.
Fiz a calça deslizar por suas pernas. Restava apenas uma última barreira entre nós. Quando levantei os olhos mais uma vez, o que vi me fez tremer. Desejo cru. Intenso. Selvagem.
Levei as mãos até o elástico, e empurrei para baixo — lenta, firmemente. O sorriso dele desapareceu. No lugar, surgiu aquele olhar escuro. Ardente. Como se ele estivesse prestes a me consumir inteira.
E então...
Me ajoelhei diante dele, com os olhos ainda presos aos dele. Não havia vergonha ali, nem hesitação. Só a certeza de que eu queria aquilo. De que queria experimentar ele.
Lewis estava completamente entregue ao momento, o peito subindo e descendo devagar, como se o simples fato de me ver ali já fosse o suficiente para bagunçar todo o controle que ele fingia ter. Minhas mãos subiram pelas coxas dele, pressionando levemente a pele firme, sentindo cada músculo tenso sob meus dedos.
Ele soltou um suspiro baixo, rouco, abafado, quase um gemido. Eu sorri.
Com um toque suave, comecei a explorar o caminho entre o desejo e a provocação. Meus dedos envolveram com delicadeza seu pau, meus lábios se aproximaram com reverência.
E então, eu o engoli com a boca, devagar, sentindo o calor e o peso dele, sentindo o corpo dele reagir instantaneamente ao toque.
Lewis prendeu a respiração de novo. As mãos vieram até meu cabelo, num gesto instintivo, mas respeitoso, como se não quisesse me guiar, mas se ancorar.
O chupei com lentidão no início, observando cada reação dele. O modo como os olhos fechavam por um segundo, como os lábios entreabriam, como o corpo inteiro dele parecia tremer debaixo das minhas mãos. Cada som que escapava da garganta dele era um prêmio.
A cada novo movimento, aprofundava mais o ritmo, o chupando cada vez mais rápido, explorando, sentindo, ouvindo os sinais que o corpo dele me dava.
Lewis gemeu meu nome e aquilo me atravessou de um jeito novo. Como se não fosse apenas prazer. Era entrega.
Uma das mãos dele escorregou pelo meu rosto, a outra ainda entre os fios do meu cabelo. Ele tentava conter os sons, mas não conseguia, gemia cada vez mais alto. E eu também não queria que conseguisse.
A tensão aumentava em cada músculo dele. O corpo curvando sutilmente, o maxilar contraído, a respiração cada vez mais errática. Até que ele puxou meu rosto com gentileza, os dedos deslizando pelo meu queixo.
— … — a voz falhou, baixa e trêmula. — Se você continuar, eu…
Mas eu só sorri contra ele. Porque era exatamente isso que eu queria.
Senti o corpo dele estremecer sob meu toque, os dedos apertando meu cabelo com mais força, a respiração saindo entrecortada, ele estava perto. Muito perto.
E foi aí que eu parei.
Me afastei devagar, ainda olhando para ele, os lábios inchados, a respiração quente. Um último beijo suave em sua coxa, como um ponto final carregado de intenção.
Os olhos dele se abriram com força, escuros, dilatados, sem entender por um segundo.
Até perceber. Até ver o que eu tinha feito.
Um sorriso torto surgiu nos lábios dele, e dessa vez, foi quase perigoso.
— Você gosta de provocar, né?
Antes que eu respondesse, ele já estava me puxando. Me ergueu com facilidade, as mãos firmes nas minhas coxas, e me fez rir entre suspiros pela surpresa e pelo arrepio que percorreu minha espinha.
— Agora é minha vez — ele murmurou, a voz grave, carregada. E, num movimento rápido, me jogou na cama.
Caí de costas sobre o colchão, rindo sem fôlego, o corpo ainda em brasa, mas o riso logo morreu nos meus lábios quando o vi se aproximar.
Lewis pairava sobre mim, os cabelos um pouco bagunçados, o peito subindo e descendo rápido, como se o controle que ele tanto exibia estivesse prestes a desmoronar. Os olhos fixos nos meus como se eu fosse o único foco do universo dele naquele instante.
E talvez eu fosse.
— Agora você vai entender o que é provocação — ele disse, e o tom da voz dele me fez esquecer como se respirava.
Lewis se abaixou sobre mim, os joelhos afundando o colchão dos dois lados do meu corpo. As mãos deslizaram pelas minhas coxas nuas com uma calma irritantemente deliciosa, como se me tocasse só pra me ver implodir por dentro e estava funcionando.
Seu olhar prendeu o meu com força antes de baixar os lábios para minha pele. Começou pelo meu pescoço, onde deixou um beijo lento, depois outro. A boca dele seguiu descendo pelo colo, o centro dos meus seios, a barriga. Cada parte de mim recebia atenção, calor e desejo.
Eu me arqueava em resposta, os dedos agarrando os lençóis, a respiração falhando, mas ele parecia ter todo o tempo do mundo e isso me enlouquecia.
Quando chegou entre minhas pernas, Lewis ergueu o rosto, os olhos fixos nos meus.
— Quero ouvir você.
Não era um pedido, era um aviso. Uma promessa. Um desafio.
E então ele tocou minha boceta.
Primeiro com os lábios, um beijo lento, quase casto, como se estivesse reverenciando. Depois com a língua, quente, habilidosa, precisa. O toque era firme, mas cuidadoso. Como se ele estivesse escrevendo uma carta com a boca e eu fosse o papel.
Meu corpo inteiro reagiu com um tremor incontrolável. Um arrepio percorreu minha espinha, e o ar escapou dos meus pulmões com força.
Lewis me chupava como se estivesse com fome. Como se tivesse esperado por aquilo por tempo demais. Cada movimento dele era medido, mas entregue. Como se ele quisesse mapear minhas reações, entender onde começava meu controle e onde ele podia destruí-lo.
Minhas mãos buscaram os lençóis, tentando me ancorar em algo sólido. Depois, voaram para os cabelos dele, afundando entre os cachos. Um gesto instintivo, desesperado. Eu me arqueava involuntariamente, os quadris buscando mais contato, mais pressão, mais dele, mas ele não apressava nada. Só me dava o que queria quando eu já não conseguia pedir.
— Lewis... — o nome escapou entre um gemido trêmulo, e eu senti quando ele sorriu contra mim. Um sorriso cheio de certeza. De vitória.
E então ele intensificou.
A pressão. O ritmo. O toque. O prazer crescia como uma onda — lenta, gigantesca, prestes a me engolir, era muito intenso. Cada novo movimento era um empurrão para o abismo e eu não queria voltar.
Ele me chupava com mais rapidez, mais entrega, guiando cada sensação até que eu estivesse completamente vulnerável. Entregue. Aberta.
O calor entre minhas pernas queimava. O som dos meus gemidos se misturava com a respiração dele e Lewis continuava. Como se quisesse me quebrar e refazer ao mesmo tempo. Como se o único objetivo dele fosse me fazer chegar ao limite e atravessá-lo comigo.
Lewis subiu pelo meu corpo com beijos lentos, demorados, a boca ainda úmida com meu gosto, o olhar escuro, intenso, carregado de satisfação. Seus lábios encontraram os meus novamente, e naquele beijo… eu senti tudo.
O corpo dele ainda colado ao meu, o calor da respiração dele contra minha pele, os dedos passeando devagar pela lateral do meu rosto como se quisesse guardar aquela versão minha, despida, entregue, real.
Então ele parou apenas o suficiente para encostar a testa na minha, ainda com o fôlego descompassado.
— Isso foi só o começo — ele murmurou contra a minha boca.
E eu estava pronta para tudo.
Lewis deslizou as mãos pelos meus quadris com firmeza, os olhos cravados nos meus como se estudasse cada reação — como se quisesse ver até onde eu aguentava antes de implorar.
O corpo dele se encaixou sobre o meu, pesado, quente, denso de intenção. Quando me beijou de novo, não foi suave. Foi urgente. Um beijo que roubava o ar, com dentes roçando, línguas em guerra e respirações misturadas. Como se já estivéssemos no meio do ato — e, de certa forma, estávamos.
As mãos dele agarraram minhas coxas e me puxaram com força, abrindo espaço entre nós. Senti quando ele roçou seu pau na minha boceta— o calor, o peso, a expectativa suspensa. O controle dele era frágil, o meu, já tinha ido embora.
E então ele entrou.
Fundo.
De uma vez.
— Caralho... — foi tudo o que ele murmurou, a voz falhando contra minha pele.
Soltei um gemido alto, a cabeça tombando contra o travesseiro, os dedos se prendendo aos lençóis.
Lewis começou a se mover com um ritmo certeiro, cadenciado. Cada estocada arrancava de mim um suspiro, um gemido, um novo arrepio. As mãos dele percorriam meu corpo como se quisessem deixar marcas. Como se dissessem: “Essa noite, você é minha.”
— Você tá me deixando louco — ele sussurrou entre os dentes. — Sente isso, …
— Eu tô sentindo — arfava. — Me fode direito.
Aquilo acendeu algo nele. As mãos apertaram mais forte, e o ritmo acelerou. Ele grunhia baixo, a boca colada no meu pescoço, me mordendo de leve entre as palavras abafadas.
— Assim?
— Mais.
Ele me virou com brutalidade calculada, me deixando de lado, depois de bruços.
Agarrou meus quadris e me puxou de volta com força, me fazendo gemer alto, completamente exposta, entregue.
— Olha como você me deixa — ele disse com a voz grave, uma das mãos escorregando pelas minhas costas até a nuca, me empurrando de leve contra o colchão.
— Então me mostra do que é capaz — rebati, sem fôlego, sem filtro.
E ele mostrou.
Os quadris bateram contra mim com força, com ritmo, com raiva contida. E eu aceitava tudo.
Ofegante.
Descomposta.
A boca aberta em gemidos que já nem reconhecia.
O quarto se encheu do som da nossa pele se chocando, da cama rangendo, do nosso sexo molhado, suado, impiedoso. Era cru, urgente. Era como se nossos corpos estivessem tentando apagar anos de distância em poucos minutos de brutalidade deliciosa.
Quando senti a tensão se acumular outra vez, agarrei o travesseiro e gemi o nome dele com tanta força que quase doeu. Ele se inclinou sobre mim, a respiração quente no meu ouvido.
— Goza pra mim. Agora.
E eu fui. Me desfiz inteira contra ele, tremendo. Despedaçada. Lewis me puxou de volta, deitando de costas e me levando com ele.
— Sobe — ele ordenou, a voz rouca, a boca entreaberta.
Me acomodei sobre seu pau sem pensar, as pernas tremendo, o corpo ainda em colapso e comecei a me mover. Lenta. Depois mais rápido. Ele segurava meus quadris, guiando meus movimentos, gemendo baixo com a boca colada entre meus seios.
— Você fica tão linda assim — ele disse, os olhos presos aos meus. — Mexe desse jeito. Ah!
E eu obedeci, montei nele como se quisesse deixá-lo marcado. Como se meu corpo pudesse se vingar cada segundo que ele passou longe do meu.
O suor escorria pelas nossas peles, os músculos dele retesando sob minhas mãos. E quando ele estremeceu debaixo de mim, os olhos fechados, a boca aberta num gemido rouco, eu soube que ele tinha gozado.
Fundo.
Dentro.
Com tudo.
Lewis caiu de costas no colchão, o peito subindo e descendo com violência. Eu escorreguei para o lado, o corpo exausto, a pele quente demais, os cabelos grudados na testa.
Ficamos ali.
Em silêncio.
O quarto cheirando a sexo. A gente ainda ofegante, longe de qualquer palavra. Era isso, desejo cru, saciado até o osso e o gosto salgado da pele dele ainda na minha boca.
🏎️👧🏻
O quarto ainda estava mergulhado em penumbra quando abri os olhos, sentindo o lençol macio contra a minha pele nua. Por alguns segundos, fiquei ali, imóvel, encarando o teto, tentando lembrar onde exatamente estava. Mas não demorou.
O cheiro dele ainda pairava no ar. O calor nos lençóis, já morno, parecia carregar resquícios da noite anterior, os toques, os sons abafados, a forma como ele dizia meu nome com a voz rouca. Estava tudo ali. Impresso na minha pele, mas havia algo errado. Um silêncio diferente. Frio.
Virei o rosto devagar e o vazio ao meu lado confirmou o que meu corpo já sabia. Lewis não estava ali. O lençol do lado dele estava liso, frio de um jeito que só o tempo deixa. Ele tinha ido embora há muito tempo e, por algum motivo, aquilo doeu.
Uma fisgada aguda, repentina. Inexplicável. Ou... nem tanto.
Eu não era esse tipo de mulher que se apegava a um momento, a uma noite, aquilo era pra ter sido só isso. Uma noite.
E Lewis Hamilton... nunca foi o tipo de homem que ficava, eu deveria ter previsto.
Suspirei e me sentei devagar, sentindo o lençol deslizar pelo meu corpo ainda sensível, marcado por ele em lugares que nem sabia que podia ser tocada daquele jeito.
Foi então que vi sobre o travesseiro, um bilhete.Meus dedos hesitaram antes de pegá-lo. A caligrafia era rápida, inclinada. Familiar. Impessoal.
A noite foi ótima, mas precisei viajar a trabalho. Nos vemos por aí.
Sem um nome, um número. Sem um "me liga".
Só isso.
Fechei os olhos, e engoli em seco. Senti os dedos apertarem o papel sem perceber. Era pra ser só uma noite, sem expectativas ou promessas. Então por que aquilo incomodava tanto? Não deveria doer, mas doía.
Soltei um suspiro pesado, um daqueles que a gente dá quando tenta convencer o próprio corpo a esquecer o que o coração insiste em sentir. Meu corpo ainda vibrava com as lembranças. Mas a mente… a mente já começava a gritar.
E foi então que me atingiu como um raio. Meu coração gelou, eu não tinha me prevenido. Senti o estômago virar, e um arrepio gelado subiu pela coluna.
Como é que eu, uma profissional da saúde, vacilei desse jeito?
ISTs.
Gravidez.
Levei as mãos ao rosto, frustrada. Quase furiosa comigo mesma. Agora eu deveria estar no hospital, ou numa farmácia qualquer, tomando a pílula do dia seguinte e o coquetel de prevenção. Um comprimido. Um protocolo simples. E o problema estaria resolvido. A vida seguiria seu curso.
Mas o dia passou rápido demais. Caótico demais. Intenso demais.
E no meio de tudo isso… eu simplesmente... esqueci. E continuei esquecendo. Um dia. Depois o outro. Um lapso que parecia inofensivo, mas que, sem que eu soubesse, mudaria completamente o curso da minha vida.