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Independente do Cosmos🪐

Última Atualização: 20/02/2026

A visão de se afastar de John Walker nunca tinha agradado tanto a Bucky Barnes. Quem aquele loiro azedo pensava que era para não só se apossar do escudo de Steve Rogers, como também, a tudo o que seu melhor amigo representava?
Encará-lo por mais de dois segundos fazia com que o estômago de Barnes embrulhasse. E Buck tinha o estômago forte para os mais diversos tipos de situação.
Agradeceu aos céus quando Sam Wilson também parecia compartilhar do mesmo pensamento e aversão a cópia barata e mal feita de Rogers.
“Fiquem longe do meu caminho.”
Buck bufou alto ao recordar a ameaça de merda que John tinha dado. Ele não o intimidava, Buck sequer o achava perigoso.
Quem aquele merdinha achava que era para cogitar ameaçá-lo? Ele sequer sabia que Barnes podia matá-lo num piscar de olhos e sem ao menos se esforçar?
Aparentemente, não.
Algumas pessoas não tinham mesmo a noção do perigo em que se metiam, pensou Barnes com sua carranca habitual ao se ver distante o suficiente da mais nova dupla de fantoches do Governo Americano.

— Então, o que está pensando? — Sam, observando que cada vez mais o vinco entre as sobrancelhas do moreno afundava, resolveu interromper seus pensamentos. Bucky tinha o péssimo hábito de pensar demais e se perder em meio a sua mente.
— Eu sei o que temos que fazer. — Respondeu o Soldado, prontamente. Isaiah tinha sido claro como águas cristalinas quando pontuou que o pessoal de Barnes se tratava da HIDRA, e talvez o mais velho tivesse razão.
— Não leve isso para o pessoal. Não foi o que ele quis dizer. — Sam interviu.
— Não, ele falou da HIDRA. — Bucky expôs. — HIDRA era o meu pessoal. — Suspirou pesaroso. Parecia que sempre seria relacionado a organização nazista.

Não levou mais que dez segundos para Sam Wilson não só entender o que Barnes queria dizer, como também o que ele queria e pretendia fazer. Wilson se estapeou internamente, incapaz de pôr em palavras o quão inconsequente aquele mísero pensamento de Barnes era.

— Sem chance. — Foi tudo o que Sam limitou-se a dizer num praguejo baixo, enquanto caminhavam lado a lado pela rua um tanto solitária de Baltimore. — Sei onde quer chegar, não! — Franziu as sobrancelhas, irritado pela insistência de Bucky.
— Não se lembra da Sibéria? — Barnes rebateu, respirando profundamente. Também não lhe agradava o que deveria fazer, mas raras foram as vezes em que se sentiu inteiramente confortável com o que precisava ser feito.
— Então quer sentar em uma sala com esse cara? — Sam o encarou perplexo.
— S-Sim. — James hesitou por um milésimo de segundo.
O moreno mordeu o lábio inferior e se amaldiçoou internamente por não ter respondido a Wilson com mais segurança e convicção. Era óbvio que sua compostura a respeito do assunto determinaria se iriam ou não adiante com o que estava planejando.
— Então vamos. — Sendo vencido pelo cansaço e preferindo usar suas forças para quando fossem realmente necessárias, Sam decidiu que Buck venceria aquela batalha.
Wilson encarou Barnes. James parou de caminhar assim que se deu conta que o colega de trabalho estava concordando com toda a loucura que propusera. O peso de suas próximas palavras e tudo o que representava, contudo, enrijeceu seus músculos e uma dor no pescoço o atingiu automaticamente, como um espasmo muscular a um trauma não superado. Sam não sabia o que encontraria quando estivesse cara a cara com ele, mas esperava, de todo o coração, que não acabasse em mais uma confusão:

— Nós vamos falar com o Zemo.




esgotou-se de si mesma. Esgotou-se ao ponto de se sentir a pior pessoa do planeta. Chegou a ter náuseas de tão enjoada de ser ela mesma. Gostaria de ser qualquer outra pessoa no mundo, menos a miserável . A sensação era de estar se afogando. A impressão que tinha era de ter sido jogada contra sua vontade na mais profunda tempestade. Não aguentava mais ter de se levantar para que, logo depois, outra onda a tirasse novamente da superfície. E de novo, e de novo, e de novo...
Era difícil respirar quando todo o oxigênio que tinha parecia estar sendo arrancado de seus pulmões. Embora sua aparência estivesse perfeitamente em ordem, por dentro se via enfrentando seu maior inimigo.
E estava sozinha.
Estava tão cansada de estar sozinha.

— ... pode parecer difícil, mas não é impossível. E eu acredito em você. — piscou, sendo sugada pela realidade outra vez.
Dra. Cooper falava algo à sua frente e novamente não tinha prestado atenção. Sequer tinha notado que longos minutos tinham se passado. estava constantemente rodeada de pessoas, mas nunca esteve tão só. Murmurou um som inaudível, apenas para não parecer rude. Não que fosse necessário, a essa altura do campeonato, Deyse Cooper realmente não se importava muito com o silêncio de . A terapeuta se compadecia, se assim poderia dizer.
? — Dra. Cooper a chamou quando, após cessar seu discurso, a mais nova tinha, uma vez mais, se materializado para o mundo de seus pensamentos.
Cooper suspirou pesarosa, coçando os olhos cansados por baixo das lentes dos óculos. Observava viver no automático pelos últimos onze meses. Era angustiante e, por mais que tentasse ajudá-la, onze meses depois, continuava se esquivando, nunca dando nenhum tipo de abertura.
— Vai completar um ano, sabia? — murmurou. No momento seguinte, praguejou baixo, chiando em desaprovação.
Decidiu que a melhor coisa para esconder a careta de dor que fez ao se dar conta de que tinha falado em voz alta era bebericar seu café, que já estava um tanto frio. Foi impossível esconder o desgosto ao sentir o líquido já gelado tocar a ponta de sua língua.
— Você quer falar sobre isso, Rav? — Deyse Cooper tentou, como sempre vinha tentando.
Deixou sua xícara de chá de lado e apoiou os cotovelos na pequena mesa onde estavam. Se tivesse permitido qualquer outra abertura além de ser chamada por seu apelido, Cooper agora tocaria-lhe as mãos num claro sinal de apoio. Mas não permitira, e talvez nunca fosse.
— Não! — Respondeu ríspida e de imediato, recolhendo as mãos da ponta da própria xícara. Não tinha desenvolvido qualquer aversão a toque humano, só não se sentia confortável com Deyse. Tinha receio de se abrir com a terapeuta e acabar se arrependendo.

Veja bem, não era uma pessoa contra a terapia ou que pregava que era “coisa de louco”. Muito pelo contrário.
Na época dos Vingadores, quando ainda viviam na Torre de Tony Stark, teve todo um acompanhamento terapêutico para aprender a conviver com seu trauma e tinha gostado do resultado e de como enfrentou o que lhe assolava. Mas, com Deyse Cooper era diferente. Por mais que a médica informasse que nunca quebraria o sigilo em suas consultas, ela ainda era uma terapeuta que a CIA havia escolhido a dedo para cuidar de . Não conseguia confiar nela, não conseguia ver verdade em seus olhos preocupados. Deyse Cooper era apenas mais uma médica da sua agência.
Dra. Cooper era um meio para o fim.
precisava continuar trabalhando, precisava se manter ativa.
Ter consultas regulares, pelo menos duas vezes por semana — quando não estava em missão — era, basicamente, sua “condicional”.
A Alemanha podia tê-la aceitado sem muitas ressalvas, mas ainda era uma estrangeira. E tal como qualquer forasteiro, havia regras a serem cumpridas se desejasse continuar no país.
Cooper respirou fundo, puxando o máximo de ar que conseguiu para dentro de seus pulmões um tanto deteriorados pela nicotina, e encostou as costas no assento acolchoado do café onde estavam. Foi ideia da própria terapeuta mudar o cenário da consulta do dia, “respirar novos ares” foi o que ela disse para , que parecia apática a qualquer situação da vida.
A mesma garçonete que as serviu minutos atrás reapareceu com o pedido de Cooper e questionando se gostaria de mais café. A moça, que não aparentava ter muito mais que vinte anos, parecia agitada e enérgica quando despejou mais um pouco do líquido flamejante na xícara de .

— Não quero parecer intrometida. — A garçonete, Luiza, pelo que conseguiu ler em seu pequeno crachá, começou, ao chamar sua atenção. — Mas você não é uma Vingadora? — A pergunta retórica a sequer foi respondida. — Você sempre foi minha favorita! — Luiza exclamou em um pulinho contido.
Apoiou a garrafa de café na mesa e tirou seu celular do bolso do avental. deu um sorriso amarelo, desejando que ela fosse embora logo de uma vez.
— Quase nunca tinha nenhum objeto colecionável de você para vender, os poucos que tenho, eu mesma customizei sozinha. — A moça desbloqueou o celular e mostrou a foto de uma boneca feita de biscuit.
Os cabelos loiros, os olhos meio alaranjados com o uniforme esverdeado. Era cheio de detalhes e pegava até a parte que ficava em sua testa. achou engraçado se ver em uma boneca de biscuit, tão pequena e com a cabeça e olhos tão grandes. Completamente desproporcional, ela pensou, ainda avaliando o que a garçonete tagarelava sem parar. — E minha irmã adorava a Natasha, uma pena que ela morreu. Olha, eu até fiz a boneca dela com tod...

A partir da menção de Romanoff, gradativamente a voz da garçonete foi perdendo sentido em sua mente, assim como sua visão foi ficando turva e seu sorriso, embora fraco, se fechou numa linha fina e impassível. Toda a distração tinha chegado ao fim e a mulher, uma vez mais, se viu prestes a se afogar. Já era possível sentir seus pulmões inundados.

Sou uma assassina. — respondeu áspera e cruel, sua boca tão seca quanto a garganta, a visão tão desfocada quanto sua mente.
— O quê? — Luiza, a garçonete, parou sua frase no meio e a olhou, sem compreender o que ela queria dizer com isso. Intercalou os olhos confusos para a outra mulher que dividia a mesma mesa, e ganhou um singelo menear de cabeça em um pedido mudo de desculpas.
— Por isso você nunca encontrou nada meu para vender, não sou uma Vingadora. — Rav explicou como se fizesse sentido. — Sou uma assassina treinada. — Repetiu, agora com mais ódio e rancor na voz. — Já sequestrei, torturei e matei mais gente do que todos os dias que você tem de vida.

Devagar e com medo de fazer qualquer movimento brusco, Luiza bloqueou o celular e o guardou no bolso do avental, voltando a segurar a garrafa de café e perguntando, entre gaguejos, se gostariam de mais alguma coisa antes de pigarrear e sair o mais rápido possível de perto daquelas duas mulheres.
Antes de tudo isso, e ao fim da frase de , todavia, Deyse Cooper já estava repreendendo internamente a atitude da sua paciente. Como não podia se meter ativamente nas ações de , limitou-se apenas a encará-la com compaixão. Ela sabia o que estava fazendo.

— Ela só estava tentando ser gentil. — Dra. Cooper repreendeu a reação de , seus ombros estavam retraídos, contradizendo sua voz calma.
— Não pedi pela gentileza de ninguém. — A mais nova rebateu de imediato, correndo o olhar para qualquer canto da pequena cafeteria, que não as íris evasivas de sua terapeuta.

Teve que conter um gemido e um praguejo baixo ao notar, pela visão periférica, que Cooper tirava o maldito caderno da bolsa e o abria para fazer anotações. Sentia-se a porra de um experimento de novo, um que precisava, de tempos em tempos, de observações e adendos sobre como usar e como se comportar. Revirou os olhos inconformada, quando estava prestes a reclamar sobre o caderno, contudo, seus olhos passaram rapidamente pela pequena televisão ligada e fixada no topo da parede a sua lateral.
Foi então que ela viu.
Suas íris voltaram de imediato até a tela da TV e fixaram-se no objeto. Quando deu por si, sequer ouvia Deyse lhe chamar. levantou-se da mesa, quase derrubando o próprio café. O barulho da cadeira sendo arrastada brusca e rapidamente para trás parecia não ter sido o suficiente para trazê-la de volta à realidade; muito pelo contrário, só a fez apressar os passos em direção à TV.
No jornal da manhã da cidade de Berlim, era anunciado às pressas que um dos mais perigosos detentos havia acabado de escapar da prisão de segurança máxima do país, colocando toda a população em estado de alerta.
À medida que o jornalista revelava os fatos da situação, tudo ia piorando.
Dois rostos apareceram na tela, um de cada lado do jornalista. fechou as mãos em punhos, sentindo as unhas medianas rasgando-lhe a pele.
O novo Capitão América, John Walker, havia sido convocado pessoalmente para lidar com a situação caótica e alarmante que se iniciava em Berlim. Tanto o FBI, quanto a polícia local e a CIA, estavam sendo intimados a encontrá-lo o mais rápido possível e prendê-lo novamente. Foram as outras três fotos, no entanto, que fizeram com que sentisse o queimor das unhas ao entrar finalmente na carne das mãos, tirando-lhe sangue.
Seu celular tocou de imediato, assim que o jornalista mencionou o nome da CIA, como se fosse tudo combinado. Olhou a breve mensagem de texto que a tela brilhante reluzia e só notou o quanto as mãos tremiam ao tirar algumas notas da carteira e deixá-las em cima da mesa, onde Dra. Cooper ainda a aguardava.
A consulta terminou mais cedo do que o esperado, pensou.
Pisando fora da cafeteria e sentindo o vento gelado da manhã chicotear seu rosto, a mulher andou até seu carro e arrancou pneus, sem se importar com quantas leis de trânsito provavelmente iria infringir até o caminho de casa. Sua mente trabalhava rápida e energeticamente sobre a notícia recém-descoberta e, mesmo tentando não deixar transparecer a raiva crescente em seu peito, era uma batalha perdida. A mensagem em seu celular, contendo informações que a mídia ainda não sabia, contudo, foi a responsável por deixá-la tão transtornada.
estava flamejando em ira e tudo o que conseguia pensar era no que o noticiário de Berlim acabava de alertar e nas informações adicionais que a CIA tinha lhe dado:
Os principais suspeitos de terem ajudado na fuga de Heinrich Zemo eram nada mais, nada menos que Sam Wilson e James "Bucky" Barnes.

******


Libertar Zemo foi, com certeza, a parte mais fácil de todo o processo.
O difícil mesmo seria ter que conviver dias a fio na presença do Barão. A primeira coisa que Zemo fez ao ficar cara a cara com Bucky Barnes foi tentar ativar a programação do Soldado Invernal utilizando as palavras de comando, o que, por si só, já provava o quão perigoso e ardiloso o homem poderia ser.
Por sorte de Bucky e azar do Barão, as barreiras psíquicas que criou na mente de Barnes eram fortes e definitivas demais para que o Invernal ressurgisse em sua mente sob qualquer tentativa.
Bucky limpou a garganta excessivamente ao ser levado, traiçoeiramente, para um rumo que ele evitava, há onze meses, pensar.
era um assunto proibido e fatal. Seu nome, embora trouxesse um gosto doce, causava na mesma intensidade, um amargo no fim da boca. Se fosse fã da cultura pop, Barnes poderia dizer que vociferar o nome da mulher se igualava ao mesmo que dizer o nome de Voldemort em voz alta.
Tinha que tirá-la da mente, de uma vez por todas. Estava fazendo um ótimo trabalho em se manter ocupado demais para pensar na loira.
E o que com “ótimo trabalho”, queria dizer, péssimo. Buck pensava em o tempo todo, a todo momento. E quando a mulher não estava em sua mente consciente, ela aparecia em seus sonhos. Sendo seu objeto de maior desejo e destruição.
Na. Mesma. Proporção.
Incontáveis vezes durante todo esse tempo, o soldado tentou ir a encontros e conhecer gente nova, conforme a Dra. Raynor o incentivava a fazer. E, do seu próprio jeito, Barnes podia dizer que ele se esforçou bastante para obter êxito nesse ato.
O fracasso, embora não quisesse admitir, estava destinado a lhe perseguir.
Nenhuma das pessoas era , ao mesmo tempo em que parecia estar em todas elas.
Era frustrante e sádico.
Bucky procurava por pessoas com traços semelhantes aos da mulher, sejam eles físicos ou em sua personalidade. Sua última tentativa (e também fracasso) tinha sido menos de três dias atrás, ao, basicamente, ser obrigado por Yori Nakajima, seu vizinho rabugento e também amigo mais próximo, a ter um encontro com a garçonete do pequeno restaurante que sempre iam às quartas-feiras.
Barnes se esforçou em fazer dar certo. Havia notado, sempre que frequentava o local, os inúmeros olhares que Izzy furtivamente o lançava sempre que possível. Podia não estar confortável com como os relacionamentos nesse século pareciam funcionar, mas Bucky ainda sabia quando estavam flertando com ele. E, se fosse bem sincero, a pobre Izzy flertava demais. Não o mataria dar uma chance para ela. Quem sabe, se beijasse outra boca ou tivesse outro corpo embaixo do seu e entre seus lençóis, o sargento esqueceria da mulher que parecia ter marcado não só a sua mente, como também seu coração.
E, por incrível que pareça, o encontro com Izzy tinha sido, realmente, bastante agradável — vez ou outra, o homem sendo obrigado a omitir informações do passado: conversaram, beberam um pouco e jogaram batalha naval. Foi um encontro surpreendente, até. Sem música alta, lugares apertados e uma multidão da qual Bucky procuraria se esconder.
Até que, um comentário e seis palavras depois, tudo tinha ruído conforme as rachaduras se multiplicaram sem parar.
“Eu estou lendo a sua mente.”
Não que a mente do homem fosse o lugar mais divertido e seguro de se estar, no entanto, aquela possibilidade o levou, outra vez mais, diretamente a . A única capaz de ler sua mente e ele se sentir em paz com a possibilidade. O encontro com Izzy não durou muito mais que 20 minutos após o comentário, uma vez que Barnes se viu, mesmo inconscientemente, procurando qualquer semelhança entre a mulher à sua frente e . O homem preferiu acabar com o encontro e qualquer esperança que Izzy pudesse estar nutrindo, de uma vez por todas. Não era justo para ela estar em qualquer relacionamento onde não fosse desejada por inteira.
Buck sacudiu a cabeça excessivamente e ajeitou os óculos de sol no seu rosto, empurrando a armação pela ponte do nariz até o topo, protegendo as íris da luz forte do sol. Decidido a tentar, nas próximas horas, não pensar em ou em seu fracasso em esquecê-la, o moreno cravou os olhos no jatinho particular que o aguardava. Tanto Barnes quanto Sam descobriram ainda naquele dia que Zemo era bastante rico. Ter uma parte do aeroporto de Berlim interditada para a chegada do Barão, assim como a enorme e luxuosa aeronave de uso estritamente particular à espera deles, apenas confirmava que o sokoviano não mentira ou exagerava a respeito de sua fortuna ou título de realeza.
Zemo foi o primeiro a subir as escadas até a aeronave, murmurando o quão estranho era não ter Oeznik, seu mordomo, o esperando. Sam seguiu logo depois, com um sorriso debochado nos lábios e uma piada sarcástica escorrendo por sua língua. Bucky revirou os olhos, entrando logo em seguida, pronto para, quem sabe, refutar a piada de Wilson. Suas sobrancelhas vincaram em confusão e dúvida, contudo, ao ver Zemo de costas para eles e com as mãos para cima, como se tivesse alguém à sua frente acabado de detê-lo. Buck deu alguns passos a mais, se aproximando o suficiente de Sam para conseguir pender a cabeça e visualizar quem estava frente a frente com Zemo. Foi nesse momento, então, em que todo seu corpo começou a formigar e seu coração a bater tão rápido que seu peito passou a doer repentinamente.
Será que estava tendo um ataque cardíaco?
Ele, com todas as forças, desejou que sim.

— Wilson. — A voz fria e nada calorosa de reverberou pelo ambiente, cumprimentando propositalmente apenas Sam Wilson.

Ainda segurando a pistola apontada para Zemo com as duas mãos, a mulher inclinou majestosamente a cabeça, possibilitando sua visão dos outros dois homens que a encaravam como se estivessem vendo um fantasma.
Nenhuma palavra foi dita nos próximos minutos. Eles apenas se encararam com intensidade. Seus olhos sendo capazes de dizer coisas que a boca e o coração jamais teriam coragem de dizer.
Mas os olhos não mentiam.
Sam e foram os que mais mantiveram contato visual. A saudade e o constrangimento sendo um dos maiores combustíveis para a falta de palavras. E, embora o Falcão soubesse que a forma como se afastaram não condizia com o sentimento de amor e irmandade que ainda nutria pela mais nova, era impossível para Wilson não sentir a insegurança estampada nas íris de , em relação aos dois.
James Bucky Barnes, por outro lado, sequer piscou quando, por um milésimo de segundo, teve os olhos dela sobre si novamente.
Ele engoliu em seco e passou a mão suada excessivamente na lateral da sua calça, a luva de couro parecia não ser capaz de conter seu transpirar nervoso. sequer o olhou e, quando o fez, só sentiu o desprezo vindo da mulher. Barnes levou dois socos no estômago, de diferentes jeitos. O primeiro, por constatar que, embora conseguisse observar as mais diversas belezas e obras de arte espalhadas pelo mundo, ela continuava sendo a garota mais linda que seus olhos já viram. E o segundo, por só conseguir perceber, bem naquele momento, que não importava o quanto tentasse esquecê-la, era e continuava sendo a mulher da sua vida.
E por Deus, o soldado pensou com seus olhos já brilhando, como ela poderia estar mais bonita?
vestia um sobretudo vermelho que ia até próximo aos tornozelos. Por baixo dele, botas pretas de bico fino cobriam seus pés até acima dos joelhos. As coxas estavam cobertas por uma saia de couro preta, que continha uma fenda na lateral, deixando visível todos os detalhes da meia-calça preta que apaziguava o frio da manhã em sua pele desnuda e deixava à mostra a tatuagem de lobo por toda a parte frontal da coxa. Por cima de tudo isso, uma blusa de lã vermelha de gola alta, no mesmo tom de seu sobretudo, encaixava todas as peças de roupa que usava. Seu rosto carregava uma maquiagem suave, mas que intensificava ainda mais sua beleza, com os olhos puxados por um delineado preto e seus lábios pintados com um batom também vermelho. Os fios lisos e soltos, embora ainda curtos, agora batiam um pouco mais acima de seus ombros, deixando todos ainda mais surpresos por sua nova tonalidade.
Os fios antes loiros, agora estavam ruivos.
Wilson ousou pensar que estavam tão ruivos quanto os de Natasha Romanoff já foram um dia.

— Acredito que esteja com algo que não te pertence. — informou a Sam, debochada. Se nenhum deles tinha nada a falar, ótimo, então ao menos seu trabalho ali seria mais fácil, pensou. — Helmut Zemo, você está preso — continuou, destravando o pino de sua arma. Atiraria nele, se necessário fosse. — Pelo atentado à ONU, em 2016. Pelo assassinato do Rei T’Chaka, de Wakanda. Por invadir a base de segurança máxima da CIA e assassinar um dos nossos agentes. Por falsidade ideológica. E por não só ativar, como também soltar uma das maiores armas da Hydra. — Ela tomou uma grande lufada de ar. A pistola ainda apontada para o barão, apesar de suas mãos tremerem. — Embora você já saiba de tudo isso. — Puxando uma algema guardada estrategicamente na lateral de sua saia, deixando propositalmente seu distintivo da CIA exposto, ela se aproximou para prendê-lo.
— Se me permite dizer, em 2016 eu teria me entregado bem mais rápido se eu soubesse que essa bela senhorita seria a responsável por me prender. — Zemo disse cordial, estendendo as mãos de boa vontade para .

“Puta que pariu, eu vou matar esse sokoviano de merda” foi o que os pensamentos intrusivos de Barnes gritaram.

— Não força, Zemo! — Wilson o alertou, notando, pela visão periférica, que Bucky tinha dado um passo bastante duro em direção ao barão. — , precisamos dele. — Wilson disse, colocando a mão no tronco de Barnes, impedindo-o de se aproximar de Zemo.
— De todos, Wilson, eu achei que você fosse o mais inteligente. — suspirou, irritada. — Sabe quantos anos você poderia pegar por ajudá-lo a escapar da prisão?
— Ele não foi o responsável por isso. Eu fui. — Buck interveio, dirigindo a palavra diretamente a ela. Tentou deixar a voz o mais firme possível, apesar de algumas palavras terem saído baixas e sufocadas.
Você. rosnou furiosa. A mulher tirou os olhos de Sam e os fixou nele, a ira e a mágoa sendo a única coisa tomando conta de suas íris. — Você é tão irresponsável que não basta admitir para uma agente da CIA essa atrocidade, como também parece não temer as consequências disso!
Após algemar Zemo, deu um passo ao lado e tirou outra algema da lateral da saia.
James Barnes, você também está preso. Por conspirar contra a ONU e admitir ser cúmplice na fuga de Zemo. — Anunciou, embora não tenha saído do lugar.





Chegar perto dele significava estar vulnerável ao seu perfume amadeirado e a aura hipnotizante que sempre a embalava a esquecer tudo o que acontecia ao seu redor. poderia estar atuando muito bem que estar na presença de Buck não a afetava, a verdade, no entanto, a deixava irritada.
Consigo e com ele.
Preferiu focar na raiva do que em seu corpo e coração traidor que pareciam ter acendido depois de onze meses, apenas porque o viu.
Sua língua passou entre os lábios e um riso sádico se formou quando Buck não demonstrou nenhum tipo de reação a sua voz de prisão, a enfurecendo ainda mais.
O sargento sequer tentou se explicar ou, quem sabe, fugir.
sugou uma quantidade absurda de ar e seu rosto se retraiu numa espécie de carranca, deu o primeiro passo e o segundo em direção a ele. Não queria chegar perto, mas o pouco caso de Buck para seu trabalho a cegou.

— Ei, ei, ei. — Sam interviu se colocando na frente dela e abrindo o braço para distanciá-la um pouco de Barnes. — , estão produzindo mais super soldados. — Sam despejou de uma vez. Talvez, ele pensou, se soubesse o motivo de estarem com Zemo agora, ela não o prenderia de volta.
A ruiva sacudiu a cabeça em descrença e piscou rápido, direcionando sua atenção a Wilson.
— O quê? O quê você quer dizer com isso?
— O que você ouviu. — Sam prosseguiu. Ousou abaixar a mão que continuava suspensa no ar e deu um passo em direção a ela.
— Achamos que a HIDRA está por trás disso. — Foi a vez de Bucky se envolver, incapaz de continuar calado. — Por isso eu o tirei da prisão. — Justificou seu ato. — Ele conhece a HIDRA como ninguém.
— Se me permitem… — Zemo, que observava a discussão crescer, tentou se defender.
— Não! — , Bucky e Sam quase berraram e uníssono, interrompendo sua fala. Perplexo, o barão piscou os olhos e balançou a cabeça, derrotado.

Pelos minutos que seguiram, ouviu, detalhadamente, todos os fatos apurados por Sam e Barnes sobre os apátridas, sobre os novos super soldados, sobre a possível volta da HIDRA. não conseguia acreditar no que escutava, Wilson lhe mostrava as provas e os dados, mas ainda assim a mente da ruiva continuava em negação.
Não podia acreditar que depois de lutarem contra a porra de um alienígena genocida roxo, eles voltariam, simplesmente, para HIDRA.
Essa gente não cansava nunca? O lema “corte uma cabeça e outras duas nascerão no lugar” já estava bem fora de moda, constatou revirando os olhos.

— Eu não posso simplesmente permitir que ele saia do país. — murmurou para si mesma. Seus dedos seguravam a ponte do nariz e seus olhos estavam fortemente fechados. Sua cabeça trabalhava em várias possibilidades.
— E nós não podemos permitir que a HIDRA crie mais ameaças agora que os Vingadores não estão m…
— Não termine a sentença! — quase suplicou para Wilson, ainda de pálpebra fechada. Mencionar os Vingadores, era o mesmo que mencionar Romanoff e a ruiva não estava pronta para vestir a armadura perto daquelas pessoas. — Eu encontrei vocês, tenho que levar ele de volta.
— Espere aí. — Sam se deu conta apenas naquele momento. — Como diabos você nos encontrou? — A pergunta genuína fez não somente a ruiva voltar a mirá-lo com as íris cerradas, como também capturar a atenção de Zemo e Barnes.

Logicamente não havia como saber onde estavam, não tinham deixado rastro nenhum, Bucky se garantiu disso. E o sargento, por mais que odiasse admitir, era bom em sumir sem deixar rastro.
tinha a telepatia, no entanto, o soldado pensou.

— Vocês acharam mesmo que Wakanda daria um braço de vibranium a um assassino super soldado e não teria formas de rastreá-lo caso necessário? — Sua pergunta retórica escorreu em veneno e ódio, semicerrando os olhos. Aparentemente, não foi a telepatia que usara.
— Ei! — Sam a repreendeu de imediato.

Ouvir aquelas palavras cruéis foi como se James Barnes tivesse levado o terceiro soco naquele curto espaço de tempo.

— Sei que não quis dizer isso. Não seja cruel. — Wilson censurou sua escolha de palavras, quase como se tivesse ouvido os pensamentos de Barnes, saindo em defesa do amigo.
— E por que eu não iria querer? — A ruiva abriu um sorriso torto. — Tenho certeza de que ele é capaz de dizer coisas muito mais cruéis também. — Ela pontuou numa falsa divagação, apontando para Barnes com o queixo. — Eu mesma já fui capaz de ouvir uma coisa ou outra. — sussurrou um pouco alto, transparecendo a mágoa velada em sua voz. Ajeitou a postura com o próprio comentário e mordeu a ponta da língua.
Barnes levou o quarto soco. Talvez fosse melhor parar de contar, ele pensou.
— Do que você está falando? — Wilson questionou, visivelmente confuso. O Falcão sabia que e Bucky estiveram em um relacionamento no passado, sabia o quanto os dois pareciam estar apaixonados um pelo outro; o término, o motivo dele e como aconteceu, no entanto, ainda era um mistério para Sam.

Buck engoliu em seco, sua saliva mais parecendo arames farpados ao redor de sua garganta. O soldado não sabia se o murmurar de tinha sido proposital ou não para todos ouvirem, o que lhe incomodava, no entanto, era que aquilo ainda parecia magoá-la. E como não, ele pensou? Buck realmente tinha dito coisas horríveis à mulher da última vez em que se viram.

— Por que não pergunta ao seu amigo? — Ela respondeu sarcástica e dando um fim ao assunto, mesmo que Sam ainda quisesse respostas. — Droga, eu vou me arrepender muito disso. — girou os calcanhares e caminhou até Zemo, abrindo as algemas que o prendia logo em seguida. — Você — Apontou para ele. — Não sairá do meu campo de visão. — Prontificou.
— Ficarei lisonjeado em estar sempre preso sob seus lindos olhos, senhorita. — O barão respondeu cordial e ardiloso.

soltou um grunhido, levou o braço até o pescoço do homem e o empurrou grosseiramente até que estivesse sentado de qualquer jeito na poltrona acolchoada do jatinho, forçou a boca da pistola nos lábios do barão, a abrindo até que a arma tocasse a língua, enquanto continuava imobilizando violentamente o seu pescoço.

— Se soltar mais alguma gracinha ou flerte, eu cortarei sua língua, tá me entendendo?! — Rosnou ameaçadora, enrijecendo os músculos. Zemo assentiu devagar, assustado em ter qualquer reação mais agitada e levar um tiro na boca. — Ótimo, agora mantenha essa matraca fechada antes que eu a feche por você.
endireitou os tronco e voltou a atenção a Barnes e Wilson que continuavam a encarando. Alguma coisa, os dois pensaram em momentos diferentes, havia mudado em . Seu comportamento, suas ações, forma de falar e agir já não era o mesmo que o de antes. Ela parecia mais fria.
— O que você vai fazer? — Foi Bucky quem perguntou, impossibilitado de conter a expectativa crescente.

A mulher tirou o sobretudo vermelho, o jogando de qualquer jeito na poltrona do lado, expondo seu corpo esbelto e bastante marcado pela roupa. Tirou o celular do bolso do casaco e retirou o chip dele, pisando com força no pequeno objeto até destruí-lo; tirou o coldre da arma do interior da coxa, quase subindo a saia demais e se jogou na poltrona.

— Sou uma agente da CIA, estou me infiltrando na operação de vocês para coletar dados e os prender quando obtiver todas as provas de traição. — Ela respondeu como se fosse óbvio. — Para onde vamos? — Ela se aconchegou melhor na poltrona e fingiu relaxar, ignorando completamente o olhar de Barnes sobre seu corpo. Ou a reação do seu corpo ao olhar intenso de Bucky.

Quando a aeronave decolou vôo, fechou os olhos e aproveitou do silêncio, mesmo que constrangedor, para colocar todas as ideias em ordem. Não estava em missão nenhuma e, apesar de receber uma mensagem informando que Sam e Bucky eram suspeitos na fuga de Zemo, seus superiores tinham dado ordens estritas e diretas para que não se intrometesse nesse assunto.
Infelizmente a ruiva nunca fora boa em seguir ordens.
Wilson e Barnes representavam perigo a sua lealdade à agência, fora, com certeza, o conflito de interesses. Seus superiores estavam certos em partes, ela não podia negar. Seu plano, no entanto, constava em ajudar a acabar com a HIDRA e levar Zemo outra vez de volta à prisão, acabando com dois problemas de uma única vez. Talvez isso apaziguasse as consequências da decisão que tomou tão inconsequentemente.

— Por que não nos conta a onde vamos? — Sam tentou outra vez.
— Não sei como chamar isso, mas essa parte parece importante. — A ruiva se deixou ouvir a voz irritante de Zemo soar suave, como se minutos atrás não tivesse sido ameaçado de ficar sem a língua. Contanto que o barão não a irritasse, ele tinha o seu aval para fazer da vida de Sam e de Barnes um inferno. Era reparação histórica, chegou a conclusão. — Por que o nome da bela senhorita ao lado está no topo da sua lista?

conteve o instinto de abrir os olhos de imediato, curiosa e confusa sobre o que o barão falava, e fingiu apenas um suspiro, como se estivesse em um sono pesado. Não ficou com Bucky muito depois de trazerem todos de volta para saber que de que lista Zemo estava falando. Decidiu então, se manter quieta para tentar descobrir do que falavam.
Bucky, que até então observava, recluso, todas as ações do barão, olhou de relance para a ruiva que dormia, agradecendo aos céus por não ter aqueles olhos azuis curiosos e desconfiados sobre si. Saltou de onde estava e segurou com violência o pescoço de Zemo com a mão de vibranium.

— Se tocar nisso de novo, eu te mato. — A ameaça no tom baixo e perigoso de sua voz saiu enquanto ele se aproximava do rosto do barão e comprimia ainda mais a passagem de ar de seu pescoço. Antes de sentar novamente, de frente para Sam, ele olhou para poltrona do outro lado do estreito corredor do jatinho, captando o momento em que suspirava e se aconchegava mais.
— Me desculpe. — Zemo disse brando, apesar de não ter nenhuma gota de remorso em sua voz. — Eu entendi que é uma lista de nomes. Pessoas que foram machucadas pelo Soldado Invernal. — O barão completou quando notou os olhos semicerrados da ruiva frente a ele. Ela não estava dormindo, ele deduziu. Fingia dormir apenas para escutar a conversa e Zemo tiraria proveito disso fazendo o que sabia de melhor: plantar a discórdia.
— Não força. — Bucky engoliu em seco, seus olhos traidores rapidamente indo até ela. — Esse é seu último aviso.
— Sinto muito. — Novamente o Barão repetiu. — Acredito que até mesmo o Soldado Invernal tenha ficado apaixonado por sua beleza, já que além de viva, ela não aparenta ter nenhuma sequela.

Inúmeras imagens de lutando contra ele, contra o Soldado Invernal, passou por sua mente perturbada e distorcida. Todas as vezes em que a socou, que atirou nela ou lhe atingiu com facas; todas as vezes em que sua mão de metal tinha a estrangulado até quase tirar sua vida.
Simultaneamente, enquanto todas as vezes em que a machucou passava como um pesadelo em que era incapaz de acordar; todos os beijos trocados, as carícias feitas, o amor cultivado, a paixão intensa, o corpo dela nu sobre o seu, os gemidos, as lamúrias de prazer… Uma imagem ia se intercalando com a outra. Hora James conseguia vê-la gemer de dor, para que automaticamente fosse mudado, como uma televisão sintonizada em duas emissoras ao mesmo tempo, para seu gemido de prazer com seu corpo por cima do seu.
Aquilo parecia ter sido o ápice para Barnes.
Os avisos e repreensões verbais não pareciam surtir efeito em Zemo, talvez então, o sargento pensou que quebrar aquele nariz arrebitado fosse o suficiente para começar o processo de educá-lo.

— Ok. — Bucky limpou a garganta. — Já chega! — Suspirou audivelmente, seus punhos cerraram e ele partiu para socar aquele rosto prepotente.
— Ei! Ei, ei! — Wilson se pôs na frente do amigo, o impedindo de machucar o barão, por mais que a ideia fosse tentadora.
— Que palhaçada é essa? — fingiu acordar e os olhou confusa. — Se forem ficar exibindo seus níveis de testosterona, me avisem para que eu possa me jogar, sem paraquedas, desse avião. — Advertiu, encarando um a um. — Eu já vi esse caderno… — Constatou, notando o pequeno caderno jogado no chão. Deveria ter caído.
— Era do Steve quando foi descongelado. — Wilson respondeu a mulher, com os olhos também presos no pequeno objeto. Lembrava-se claramente de ver o amigo andando para lá e pra cá anotando coisas. — Você ouviu? O que achou? — Referindo-se às indicações musicais que deu a Rogers e que viu o loiro escreveu no caderno, Sam o perguntou.
— Gosto de música dos anos ‘40… — Barnes desviou os olhos. Ele não tinha sequer tentado ouvir, mas era bom demais discordar de Wilson e deixá-lo irritado.

E foi o que aconteceu. Sam parecia pessoalmente ofendido com a confissão do moreno, defendendo seu gosto musical por Marvin Gaye. Zemo, não perdendo a chance de se meter onde não foi chamado, passou, também, a elogiar o cantor a quem Sam se referia, deixando o Falcão de olhos estreitos.

— Posso te indicar alguns ótimos cantores também, já que percebi estar aceitando recomendações. Tenho ótimas sugestões para corações partidos e términos. — O barão bebericou seu champanhe, levantando sugestivamente uma de suas sobrancelhas em direção ao soldado.
— Cala a boca. — Bucky agitou levemente a cabeça e revirou os olhos.
— Bucky não sabe o que é ter um coração partido, Zemo. — não conseguiu conter o timming perfeito para alfinetar o homem. — Ele é a pessoa que parte corações.
— Então a senhorita deve ter um repertório muito vasto para poder compartilhar, já que parece entender de corações partidos. — Zemo bebericou outra vez seu champanhe. Os olhos azuis de se sobressaíram e suas pupilas dilataram com a resposta do barão.
Ela, definitivamente, não estava esperando por aquilo.
Olhou de soslaio para os outros dois homens ao mesmo tempo em que queria evitar contato visual. Mexeu-se desconfortável na poltrona que até minutos atrás era a coisa mais macia que já tinha sentido. Bebericou sua água, sentindo a garganta seca. se remexeu mais uma vez e fechou os olhos, pronta para ignorar a alfinetada que Zemo tinha dado a ela.
Como seu cérebro e sua boca não cansava de fazê-la passar por situações difíceis:
— Ouça Grenade do Bruno Mars. — Ela agradeceu por já estar de olhos fechados para que ninguém notasse as lágrimas teimosas que já se faziam presente. Sua voz embargada, no entanto, não passou despercebida por nenhum deles. Principalmente por Bucky. tratou de limpar a garganta antes de continuar. — Acredito que não irá entender a letra, mas ele é um bom cantor do meu tempo de vida. Lembrem-se que de todos, eu sou a única que continua na casa dos vinte.
— É uma intensa e dolorosa escolha de música. — Zemo pontuou, tranquilo. — Bruno Mars não é um cantor qualquer, eu diria. — Ele maneou a cabeça para Buck. — Para os jovens de hoje, ele é considerado um escritor de sentimentos. Deveria levar essa sugestão em consideração, Barnes, pelo visto a moça entende bem de corações partidos.
— Deus! — exclamou esgotada. Não era do tipo religiosa, mas estava rezando para que aquele avião caísse de uma vez por todas. — Você não vai calar a boca nunca?
— Dá para falar de uma vez por todas para onde estamos indo? — Wilson, parecendo que havia pegado no ar o desconforto da amiga, tentou, outra vez mais, mudar o rumo do assunto.

Antes de se entregar ao completo sono, ainda de pálpebras fechadas, ouviu quando Zemo os informou que iriam para o santuário mais fora da lei de todo o mundo. Para falar a verdade, não se surpreendeu ao saber que iriam a Madripoor, ou que todos tinham que ir disfarçados, visto que jamais seriam aceitos em suas reais identidades, não. O que pareceu mexer com seu humor, piorando ainda mais a circunstância em que tinha se metido, foi Zemo deixar explícito que James teria que se tornar alguém que ele considerava estar no passado.




Wakanda
2016


Wakanda era, de fato, um dos lugares mais bonitos, calmos, pacíficos e seguros em que e Bucky já haviam pisado.
Isso até Killmonger aparecer na fronteira do país, dias atrás, com a intenção de reivindicar o trono que sempre pertencera a T'Challa. O caos se instaurou mais rápido do que gostaria de admitir, e o que antes era um lugar tranquilo, logo se transformou em um país tempestuoso, inquieto e instável sob o curto reinado de Erik Killmonger.
Mas havia sido tempo suficiente.
Tempo suficiente para abalar a família de T'Challa, que acreditava que ele havia morrido batalhando por seu trono. O suficiente para afetar os anciões do conselho — que, embora não apreciasse, sabia que apenas tentavam proteger seu país. Mas, acima de tudo, o retorno de Killmonger, com toda a confusão e horror que trouxe consigo, colocou e Bucky em perigo.
Muito mais Bucky do que .
James ainda estava na criogenia desenvolvida por Shuri quando tudo começou a ruir diante dos olhos de , e ela se viu sozinha — mais uma vez — em um país estrangeiro, sem ninguém para lhe oferecer apoio ou palavras de conforto.
Quatro meses haviam se passado desde que Steve, Sam, Natasha e Wanda partiram de Wakanda, e, consequentemente, o mesmo período em que James estava em coma induzido na criogenia, buscando se livrar, de uma vez por todas, do Soldado Invernal.
Por isso, quando Killmonger assumiu o poder em Wakanda, a primeira ordem do então novo "Rei" foi que Bucky fosse despertado. Erik queria o controle do Soldado Invernal para si, como se o poder do Pantera Negra que ele acabara de adquirir não fosse suficiente.
Naquela noite, trancada no laboratório de Shuri, ao lado do corpo adormecido e inconsciente de Barnes, estava pronta para protegê-lo com tudo o que tinha. Seus ombros relaxaram momentaneamente quando viu Ayo entrar pelas portas do local. No entanto, o alívio durou menos de cinco minutos, pois logo a segunda no comando das Dora Milaje informou que tanto ela quanto James precisavam deixar Wakanda o mais rápido possível.
tremeu ao receber essa ordem de sua nova superior — afinal, durante toda sua estadia em Wakanda, além de ser diretamente responsável por eliminar o Soldado Invernal da mente de Bucky, ela estava treinando junto com as Dora Milaje. Quando não estava dormindo — o que fazia por pouquíssimas horas, para a frustração até de Ayo —, passava seu tempo treinando com as Doras, tanto em combate físico quanto no domínio crescente de seus poderes telepáticos e telecinéticos. E, quando não estava treinando, estava no laboratório de Shuri, com o dispositivo acoplado em suas têmporas, entrando na mente de Bucky para ajudá-lo.
Todo o tratamento de Bucky precisou ser interrompido às pressas, embora faltasse pouco para ser concluído. Com a ajuda de Shuri, o progresso na mente de Bucky estava sendo mais fluido do que todos esperavam, o que era um alívio. No entanto, ainda era cedo demais.
Enquanto aprendia a usar toda a força de sua telepatia, descobriu que entrar na mente das pessoas sempre acarretava projeções diferentes, embora o cérebro e suas terminações nervosas fossem os mesmos em todos. Ela testou essa habilidade com Shuri uma vez e, ao entrar na mente da princesa, viu que Shuri se projetava ao lado dela em uma sala vasta e tecnológica, com um enorme computador no centro — quase idêntico ao seu próprio laboratório. Sua próxima cobaia foi Ayo, que se projetava ao lado de como se estivessem no fundo de um poço, cercadas por enormes tijolos de vidro, cada um representando uma memória, uma emoção ou um controle do seu cérebro.

Com Bucky Barnes, porém, foi diferente.

Tudo sempre era diferente com ele.
A projeção de Bucky era feita em um corredor completamente branco e iluminado, que parecia não ter fim. De cada lado do corredor, havia portas. Dia após dia, enquanto se projetava ao lado de James dentro da própria mente dele, trancava todas as portas que reconhecia como pertencentes à Hydra. Por coincidência — ou talvez não —, cada palavra de ativação do Soldado Invernal estava cravada em uma dessas portas. Sempre que passava por uma delas, uma memória traumática de tortura ou assassinato cometido por aquele alter ego de Barnes o atingia. Ela nunca levava menos de uma semana em cada porta, lutando para fechá-la de uma vez por todas.
Esse processo teria durado menos tempo se, no meio do percurso, não tivesse começado a desviar sua atenção do que precisava ser feito para simplesmente passar mais tempo com Bucky. Sempre que podia, ela o levava para memórias felizes que ele nem sabia que ainda existiam.
E foi assim que, a cada nova palavra eliminada da programação, e Bucky se tornaram amigos. Confidentes. E, sem muito esforço e de forma bastante orgânica, algo mais nasceu entre eles. Um carinho e uma preocupação genuína, que antes não existiam. Um desejo e uma determinação de ajudá-lo que, embora fosse o principal motivo de permanecer em Wakanda, agora estavam potencializados.
Eles já não sabiam mais o que eram naquele ponto do caminho. Mas, com certeza, não eram mais apenas amigos.
adorava passar todo o tempo possível com Bucky, mas algo chamava sua atenção. Ela notava — e em um desses muitos dias, conseguiu observar com clareza — uma porta mais distante das demais. Por algum motivo, Barnes nunca estava disposto a entrar naquela porta, nem sequer mencioná-la.
Era uma porta de carvalho, de um vermelho sangue intenso. , apesar dos protestos de James, já havia parado diante dela algumas vezes.
Em escritas distorcidas, como se tivessem sido feitas à mão, com unhas arranhando repetidamente a madeira grossa, havia uma palavra.
A última palavra.

Vagão de Carga.

Faltava apenas aquela porta e aquela palavra para que a programação e a influência do Soldado Invernal fossem completamente eliminadas da mente de Bucky. Tudo estava caminhando bem para que , com a permissão de Barnes, atravessasse aquela porta, o ajudasse a encarar o que estava ali dentro e a trancasse de uma vez por todas.
Até que, como mencionado, Erik Killmonger chegou a Wakanda e abalou não apenas o país, mas também o mundo inteiro de .
Na madrugada, às pressas, Ayo conduzia por corredores e passagens secretas dentro do palácio, para que ela fugisse com Bucky. seguia logo atrás da Dora, levando a criogenia de Bucky ao seu lado, suspensa por sua telecinese. A contragosto, ela havia iniciado o processo forçado e rápido de despertar de James. Enquanto acompanhava Ayo, ajustava novamente o dispositivo em suas têmporas para entrar na mente de Bucky.
Na época, ainda não sabia, mas não precisaria de nenhuma tecnologia para manipular a mente das pessoas. Contudo, naquele momento, Shuri havia desenvolvido aquele dispositivo, e Bucky também possuía dois deles implantados — um em cada têmpora — durante as primeiras semanas de tratamento.
Ayo a levou até uma cabana próxima à fronteira do país, perto da Tribo Jabari, e assegurou que, pela manhã, assim que conseguisse um transporte seguro para tirá-los de Wakanda, voltaria para buscá-los. Assim, passou a madrugada ao lado de Barnes, que ainda estava desacordado e suando frio, devido ao despertar urgente.
A cabana, no entanto, não era tão segura quanto Ayo havia previsto. Em algum momento da noite, quando o céu começava a ganhar tons alaranjados e o azul escuro se dissipava, dando à lua sua última hora de protagonismo, sentiu uma imensa quantidade de auras os cercando, como se fossem presas fáceis demais para serem caçadas.
Claro que, sendo , ela demonstrou a todos os enviados de Killmonger que mexer com ela e ameaçar aqueles que amava era uma péssima escolha. Enquanto estava conectada à mente de Bucky, se projetando telepaticamente para ele, saiu da cabana e lutou — não apenas fisicamente, mas também usando sua telecinese — contra todos os guerreiros que tentavam derrubá-la para chegar até James.
Ela não contou a Bucky os detalhes do que estava acontecendo, embora ele sentisse que algo estava errado consigo. apenas explicou que precisavam deixar o país com urgência. Não revelou que, enquanto o ajudava, lutava ao mesmo tempo contra o chefe de segurança da Tribo da Fronteira — também marido de Okoye — e seus soldados, criando um campo de força ao redor da cabana onde o corpo de Bucky estava, e se preparando telepaticamente para enfrentar o que havia por trás da última porta na mente dele.
Dentro da projeção telepática, Barnes, percebendo a urgência de , concordou que não havia mais como postergar. Juntos, eles atravessaram a porta vermelho-sangue com a inscrição "Vagão de Carga", feita em arranhões. Ao adentrarem o ambiente mal iluminado e úmido, Bucky o viu sentado no meio da sala, descansando na máquina de lavagem cerebral à qual tantas vezes fora forçado a se submeter.
Lá estava o Soldado Invernal, encarando e Bucky com um sorriso predatório e assassino nos lábios. Era por isso que Barnes temia entrar por aquela porta. Ao longo do tempo, ele havia enfrentado seus maiores medos e traumas, e fazia sentido que o pior e mais aterrorizante de todos fosse, justamente, seu cruel alter ego.
olhou ao redor e rapidamente entendeu que, para fechar aquela porta, o Soldado Invernal precisaria ser eliminado ali. Às pressas, explicou isso a James. Enquanto falava, por uma fração de segundo, sua projeção astral imitou o mesmo movimento de desvio que realizava fora da mente de Barnes, enquanto lutava contra os soldados que a atacavam.
Bucky a olhou confuso, pedindo que explicasse o que realmente estava acontecendo. No entanto, o tempo corria contra eles, e quanto mais rápido Barnes lidasse com aquilo, mais rápido conseguiria se concentrar em apenas uma tarefa. Sem perder mais tempo, ela avançou contra a persona do Soldado Invernal para neutralizá-lo. Talvez, se sua mente não estivesse focada em tantas coisas ao mesmo tempo, ela conseguiria ao menos nocauteá-lo. Não fazia sentido que o Invernal ainda fosse tão forte ali, não quando quase 90% do controle mental de Bucky já pertencia a ele mesmo, e não mais a ninguém.
Então, num lapso de entendimento, enquanto era atingida por golpes do Soldado Invernal e se preparava para ser enforcada pela mão de metal dele, olhou para Bucky Barnes. Ele ainda estava parado à porta, praticamente do mesmo jeito de quando entraram, com uma expressão de pavor e desespero. O Soldado Invernal estava ganhando porque o subconsciente de James ainda temia seu alter ego e sua crueldade. Sentindo-se sobrecarregada, tanto dentro quanto fora da mente de Bucky, , entre ofegos, disse a ele que o Soldado Invernal não tinha mais controle. Ele só estava vencendo porque Barnes deixava o medo prevalecer, e o Invernal se alimentava desse medo.
A luta, fora da mente de Bucky, onde continuava batalhando com maestria para protegê-lo, também se intensificava. Ela estava exausta, sua cabeça doía como se estivesse sofrendo uma hemorragia interna, e, ao conseguir um segundo para recuperar o fôlego, sentiu a primeira gota de sangue escorrer de sua narina. Isso só acontecia quando se sobrecarregava demais, e de fato, era o que estava acontecendo. Nunca antes havia usado todas as suas habilidades em conjunto e ao mesmo tempo.
usava a telepatia para se projetar na mente de Bucky, a telecinese para criar um campo de força ao redor da cabana onde o corpo inconsciente dele estava — além de usá-la para se defender naquele campo repleto de soldados caídos —, sua força física para o combate corpo a corpo, e sua mente para criar táticas de ataque e defesa.
Era demais. Tudo acontecendo ao mesmo tempo.
Muito mais do que ela conseguia suportar por tanto tempo. Por isso, em ambos os lados, ela começava a perder o foco e a força.
O Soldado Invernal estava vencendo dentro da mente de Bucky, enquanto os soldados da Tribo da Fronteira a derrubavam e tentavam, com golpes, destruir o campo de força que ela mantinha ao redor da cabana. Ela gritou por Bucky dentro da mente dele, pedindo uma ajuda que sabia que só ele poderia lhe conceder. Mas Barnes estava paralisado, olhando para o Invernal com receio e dor, como se não estivesse pronto para encarar seu pior pesadelo.
Talvez ele nunca estivesse.
No entanto, a voz suplicante de fez algo muito maior aplacar aquele sentimento de horror que dominava seu peito. Ele não entendia muito bem como ela conseguia se projetar na mente dele, ou como, mesmo sendo tudo mental, ele se sentia tão vivo ali dentro. Mas... o que aconteceria se o Soldado Invernal realmente a machucasse?
O que aconteceria no mundo fora da mente de Barnes, se, naquele momento, o Soldado Invernal a matasse?
Ele não queria saber. Deus, ele sequer queria imaginar.
Ele jamais estaria disposto a descobrir.
Por isso, no segundo seguinte, quando viu seu alter ego acertar o rosto de com o punho de metal, uma onda de coragem, determinação e raiva o atingiu de todos os lados. Quando Bucky piscou, já estava em cima de sua projeção, tirando o Soldado Invernal de cima da mulher caída e desorientada.
Nos dois planos — o astral e o real — sacudiu a cabeça, sentindo-se zonza. Limpou o rastro de sangue que escorria de seu nariz e se levantou com esforço.
Fora da mente de Bucky, viu os soldados que ainda estavam de pé, batendo suas lanças de vibranium contra o campo de força que ela mantinha para proteger James. Dentro da mente do Sargento, assistiu à luta entre ele e o Invernal, percebendo quando, como espelhos, Bucky e seu alter ego usavam os mesmos golpes e táticas de defesa. Desde o primeiro dia em que se projetou na mente de Barnes, havia notado que ele se via com o braço esquerdo normal, como era antes da queda — antes do metal frio e ensanguentado que a Hydra implantou nele.
E aquela luta — em ambos os lados — estava longe de ser justa.

— Parem — sussurrou, parada em ambos os planos, observando os diferentes cenários onde Bucky parecia cada vez mais em perigo. — Parem! — Ela repetiu, para ninguém em particular e, ao mesmo tempo, para todos, como um aviso de que não aguentaria muito mais.

E ela realmente não aguentaria.
Suas mãos foram até a cabeça, deslizando pelos fios curtos de cabelo e os puxando levemente no processo. A pressão dentro de si aumentava, como a lava de um vulcão prestes a explodir. Quanto mais tentava pedir para que parassem, mais a lava queimava seu interior a cada segundo.

— Parem… — Ela sussurrou novamente, fechando os olhos nos dois planos em que se mantinha firme, mas se sentia fraca.

Havia algo dentro dela que a fazia sentir como uma força da natureza prestes a explodir, uma bola de destruição que não conseguia explicar. E agora, enquanto seus pés pareciam presos no lugar e ela era forçada a observar sem poder fazer nada, a impotência despertava o desespero e a raiva.
E a raiva, para , sempre era o pior dos sentimentos. Pouco a pouco, o controle foi escapando de seus dedos. Se os soldados da Tribo da Fronteira tivessem prestado atenção nela, ou se até mesmo Bucky e o Invernal a olhassem no plano astral por um segundo, todos veriam pequenas rachaduras começando a se formar em sua pele. Por baixo desses cortes sutis, uma luz âmbar brilhava intensamente, tão potente quanto suas íris ficavam quando ela atingia o ápice de suas habilidades. A raiva aumentava por não ser ouvida, por tentar se mover e continuar presa, por aquela energia dentro de si esmagando seu peito e impedindo-a de respirar. As auras dos soldados, as auras de James e até mesmo a do Invernal, atingiam-na como milhões de facas cegas e enferrujadas.
Doía.
Machucava.
Despertava o pior dela.
Em um último aviso, antes que tudo ruísse, gritou:

— PAREM! — Suas mãos, que estavam em seu cabelo, se abriram no ar ao mesmo tempo em que uma explosão psiônica irradiava de seu corpo, destruindo tudo ao redor num rompante.

Os soldados da Tribo da Fronteira foram lançados metros adiante, e as grandes árvores ao redor foram arrancadas de suas raízes.
Dentro da mente de Barnes, naquela projeção astral, tanto ele quanto o Invernal foram lançados pela mesma explosão psiônica, que parecia ter abalado toda a estrutura. desmaiou um segundo depois, em ambos os planos — o astral e o real — deixando um rastro de destruição ao redor da cabana na floresta, perto da fronteira, e na projeção astral da última porta na mente de Bucky.





Quando o jatinho de Zemo pousou em uma pista privada, já era noite. não tinha ideia de que horas eram, mas aparentava ser tarde. Já estavam em Madripoor, era impossível não conseguir distinguir o ar e aspecto do lugar.
Era como estar em outro mundo sem precisar sair do planeta.
Embalados em um silêncio, dessa vez bastante agradável, todos se preparavam para levantar e finalmente poder respirar o ar fora do cubículo em que estavam presos nas inúmeras horas que se seguiram.

— Você trouxe um uniforme de combate, apenas por precaução? — Sam deu início a conversa, questionando a . Todos os olhares novamente a reação da mulher.
— Não. — Suspirou sincera. — Meu plano tinha sido elaborado em apenas prender o Zemo e dar uma surra em vocês dois. — Deu de ombros. — Bom, talvez não em você… — Meneou o queixo para Sam. — Mas nele, com certeza! — Pendeu a cabeça do lado, referindo-se a Barnes. — Esqueci de adicionar a possibilidade de uma mala de mãos para caso decidisse me juntar a criminosos e sair do país. — Debochou, cerrando os olhos na direção dele.
Outch! — Sam levou as mãos até o peito em um falso drama. — Para quem não me viu nos últimos onze meses, você não aparenta ter gostado muito do nosso reencontro.
— Barnes e eu não precisaremos de disfarce. — Zemo tomou a dianteira, imaginando que a discussão poderia tomar bastante do seu tempo. — Já tenho pessoas com algumas peças de roupas para vocês — comunicou a e Sam.
— Não quero nada vindo de você — declarou. Pensar na possibilidade de aceitar, por menor que fosse, qualquer ajuda do barão a deixava profundamente irritada. Por mais que Zemo tentasse a todo custo ditar que o passado tinha ficado para trás, era rancorosa demais e ela jamais esqueceria que Zemo não só tinha ativado a programação do Soldado Invernal em Bucky, no passado, como também ter o ordenado a matá-la.
— E pretende se misturar em Madripoor vestida desse jeito? — Bucky, já de pé, virou para ela, arqueando sugestivamente a sobrancelha em desafio.

Embora Barnes tivesse chegado a conclusão que não amaria ninguém como a amava, a constatação não alterava em nada o incômodo que crescia fervendo no seu estômago sempre que tinha que se referir a ele ou para ele.
Para ele não importava muito, para falar a verdade. Só queria, qualquer que fosse, a interação com ela, já que tinha percebido que seu silêncio e desprezo pareciam bem piores do que como a maneira que ela estava o tratando.
A ruiva, aproveitando do fato que seu sobretudo estava pendurado na parte de trás da poltrona que a aconchegava minutos atrás, levantou de imediato, esticando os lábios em um sorriso forçado e o encarou de olhos estreitos, antes de dizer:

— Não, Barnes. — Ela quase cuspiu o nome dele. — Não pretendo entrar em Madripoor assim. — Aceitando silenciosamente o desafio do sargento, a mulher simplesmente cruzou os braços ao redor do blusão de lã que estava por dentro da saia colada em seu corpo, e puxou a peça de roupa para cima. — Pretendo entrar assim. Está bom o suficiente para você? — Piscou debochada.

Puta que pariu.
Talvez Bucky tenha esquecido como respirar, ou talvez seu coração tenha resolvido que aquela era uma boa hora para parar de bater.
tirou a porra da blusa, deixando a porcaria de um sutiã preto e rendado, que ia até metade de sua barriga, amostra. E que inferno era aquele, Barnes podia ver claramente seus bicos eriçados pelo frio repentino que ela provavelmente passou a sentir. Não foi só isso, no entanto. Os bicos estremecidos de seus seios avantajavam as extremidades de dois... objetos? em cada lado, não que Barnes conseguisse distinguir agora o que era aquilo, mas, definitivamente não eram só os bicos que ele tanto colocava a língua meses atrás…
Ok, ele se estapeou internamente vendo para onde seus pensamentos iam. Sacudiu a cabeça em negação e passou os olhos por ela, observando que agora, entre os peitos, um desenho novo chamava sua atenção.
A tatuagem era impressionante: uma serpente detalhadamente desenhada, suas escamas finamente traçadas, enrolava-se ao redor de uma espada. A lâmina da espada era fina e elegante, com a ponta ligeiramente avermelhada como se acabasse de perfurar algo. A serpente, com os olhos penetrantes e a língua bifurcada ligeiramente exposta, parecia viva, quase como se estivesse prestes a deslizar pela pele de .
Bucky ficou hipnotizado pela imagem, seus olhos traçando cada linha e curva. A combinação da espada e da serpente evocava força e perigo, simbolizando perfeitamente a complexidade de . Ele sentiu uma mistura de emoções ao ver aquela tatuagem, uma marca permanente que ela escolhera, um símbolo novo que ele não conhecia.
Quase teve vontade de perguntar quando tinha feito aquela. Barnes não gostava muito de agulhas, por motivos óbvios, mas não conseguia esconder o quão fascinado ficava a cada nova tatuagem que a mulher fazia em seu corpo. O desenho estava intrincado no centro do peito e acabava quase que na metade da barriga, o que o fez seguir, descaradamente, os olhos em linha reta até encontrar seu novo motivo de perdição.
E também de clareza para um questionamento não muito distante.
Seu olhar foi imediatamente atraído para a joia em seu umbigo. O pequeno cristal brilhava contra sua pele, destacando-se de uma maneira que fazia seu coração acelerar. Ele sentiu uma onda de ciúme e tesão passar, os sentimentos se entrelaçando e o deixando confuso e ansioso. O piercing no umbigo, tão inesperado e provocante, era um lembrete de como ela havia mudado e de todas as coisas novas sobre ela que ele ainda não conhecia.
Enquanto observava, a memória de um vislumbre anterior voltou à sua mente – os objetos que ele havia visto marcando os bicos dos seios dela. A conclusão atingiu-o como um raio: ela também tinha piercings lá.
O pensamento o deixou ainda mais louco de desejo e ciúme, imaginando quem mais tinha tido a chance de ver esses novos adornos e o que isso significava para ela.

— Nem fodendo. — James passou a língua pelos lábios que pareciam estar mais secos que o próprio Saara.
— O que você disse? — Sem tirar o sorriso debochado e vitorioso do rosto, o mirou, agora sendo ela a desafiá-lo.
— Eu disse que nem fodendo que você vai assim! — Barnes repetiu, se aproximando dela, muito menos adepto ao jogo que ele mesmo parecia ansioso para começar a jogar. O super soldado parecia ter esquecido que além de velho demais para isso, não havia um pingo de sanidade em sua mente.
— Sinto lhe informar, Sarg. estalou o apelidinho nos lábios. — Mas você não manda em mim. — Dito isso, e para aplacar o frio que eriçava seus pelos e seu tronco a amostra — sem contar os seus seios, como Barnes bem não parava de indiscretamente olhá-los — a ruiva passou o sobretudo vermelho pelos braços.
Mas o deixou aberto propositalmente.

Ao passar pelo corredor estreito, ela viu que ele estava parado bem no meio, bloqueando seu caminho. Sem hesitar, ela firmou os ombros e continuou em frente, decidida a não desviar. Quando chegou onde ele estava, ela o encarou brevemente antes de dar um passo firme à frente, batendo propositalmente o ombro contra o dele. O impacto foi suficiente para empurrá-lo para o lado, e ela seguiu em frente, sem olhar para trás.
O contato foi rápido, mas a mensagem era clara: ela não estava disposta a ceder.

— Sua beleza e seu condicionamento físico, certamente, agradarão muitos olhares. — Zemo iniciou, botando mais lenha na fogueira.

Os quatro saíram um a um do jatinho particular e um carro bastante luxuoso já os esperava do lado de fora da pista. O barão precisava admitir que não estava em seus planos ser preso naquele momento em Berlim, ou que a adição de a equipe lhe agradava, no entanto, aquela parte mais ardilosa de Zemo parecia estar desfrutando, com prazer, aos efeitos que a ruiva causava em Barnes.

— Ah, você é realmente o exemplo perfeito de um cavalheiro, não é? — ironizou, não contendo o revirar de olhos.
— Vim de família nobre — Zemo justificou, mesmo notando o sarcasmo em sua voz.

Por um breve momento, foi esperado que Sam e James vestissem as roupas apropriadas para o que a noite aguardava. Zemo apressou os passos para sentar no banco da frente do carro quando Wilson e Buck voltavam já trajados, deixando os outros três decidirem como seria a logística atrás. Sam entrou primeiro, deixando impossibilitado que mantivesse distância de Barnes, pois, para falar a verdade, a possibilidade de ele sentar ao lado da carranca ambulante que era Bucky, também não o agradava em nada.

— Sei que não é necessário perguntar, mas todos sabem o que fazer caso algo dê errado? — Sam, sempre muito ameno e preocupado, questionou. Todos responderam em um murmúrio baixo e contido. — ... — Wilson a observou no meio do carro, notou que ela quase grudava o corpo ao seu, na inútil tentativa de não esbarrar um centímetro em Barnes. — Preciso que dê sua arma ao Buck — falou de uma vez, se odiando por não facilitar na sua reconciliação com a mulher.
— Nem pensar. — Ela vincou as sobrancelhas e respondeu de imediato.
— Qual é, … — Wilson, outrora tolerante às brincadeiras, agora exibia uma expressão cansada e decidida. — Você sabe que precisamos disso. Só dê logo sua arma para ele. — Seus olhos, antes cheios de leveza, agora refletiam uma seriedade pesada, como se estivessem carregados com o peso de muitas frustrações. Uma tensão se formava em sua mandíbula, denotando a determinação de mudar o tom da conversa.

A tensão entre os dois amigos era como uma névoa pesada que pairava no ar, obscurecendo a atmosfera alegre que costumavam compartilhar. Sam, com um olhar sério e determinado, fazia uma solicitação à mulher, que embora se movesse para cumprir o pedido, exibia uma postura rígida e emburrada.
A ruiva colocou a mão por dentro da saia e tocou no final do coldre que prendia a arma em seu corpo, a expressão de irritação clara em seu rosto. Só tinha consigo aquela arma e mais duas pequenas facas para se defender.

— Escolha de lugar interessante — Bucky alfinetou, os olhos traidores seguindo como cães famintos para onde a mão dela foi. A voz firme, mas com uma ligeira rouquidão traía sua fachada de indiferença.
— Continue olhando para cá e logo descobrirá onde escondi minhas facas também! — desprendeu a arma e jogou sob seu colo.

Bucky engoliu em seco, algo dentro dele se debatendo para saber onde as malditas facas estavam guardadas e se, quem sabe, ele poderia tocá-las — ou deixá-la usá-las nele, ele ainda não tinha entrado em um consenso interno quanto aquilo. —
Puta merda, ele estava muito fodido.
James ajeitou a pistola entre os dedos e a segurou, sentindo o quão quente o metal estava.
Todo aquele calor vinha dela, vinha do meio das pernas dela…
Ele sentiu a corrente elétrica de um pensamento inapropriado percorrer sua mente, mas, com um gesto rápido, balançou a cabeça em negação, como se quisesse afastar aquela ideia. Foi como se estivesse tentando dissipar as nuvens escuras que se formavam, o movimento foi uma tentativa desesperada de manter sua mente focada e suas intenções puras, mesmo diante da tentação que ameaçava desviá-lo do caminho correto.

— Vamos lá, não fique com todo esse bico. Armas e facas? Todos nós sabemos que você é muito mais poderosa sem isso! — Sam ofereceu um sorriso leve e ousou empurrar delicadamente a amiga emburrada.

ouviu as palavras de Wilson, sabendo o que o homem queria dizer e, instantaneamente, sentiu um frio percorrer sua espinha. Seus olhos arregalaram por um breve momento antes de conseguir controlar sua expressão. A ruiva disfarçou a inquietação repentina, mas suas mãos, que antes descansavam em seu colo, ficaram trêmulas e se pegou procurando por refúgio nos bolsos do sobretudo, escondendo-as. O sorriso confiante que tentou formar antes de responder o Falcão, não chegou ao olhos:

— Eu sou, não é mesmo? — confirmou, tentando manter a voz firme.

Ela desviou o olhar, fixando-o em um ponto indefinido no chão do veículo, como se estivesse procurando por alguma resposta ali. Um leve rubor coloriu suas bochechas, expondo o turbilhão interno que tentava esconder. Suas respostas, a partir daquele momento, se tornaram mais curtas, quase monossilábicas, a mulher sequer deu o trabalho de prestar atenção nas informações que Zemo passou a detalhar minutos depois.
O nó crescia latente e avassalador em seu estômago, gostaria de acreditar que o motivo de não abrir o jogo agora era porque conseguia dar conta sozinha, e não por vergonha.
A verdade, no entanto, era outra: ela só não estava pronta para assumir ainda.
Bucky estreitou rapidamente os olhos, sendo incapaz de não observá-la atentamente. Por mais que odiasse admitir, a conhecia bem demais para não notar que, algo na sua fala e nas ações seguintes, parecia estranho. Antes que conseguisse descobrir o que tinha desencadeado aquela reação na ruiva ao seu lado, porém, o veículo foi perdendo velocidade e, pelas janelas fumês, a Cidade Baixa de Madripoor foi ganhando forma. Eles haviam chegado e o que quer que Barnes tentasse descobrir, teria que ficar em segundo plano.
Primeiro, ele teria que deixar sair algo que ainda sussurrava palavras cruéis e confusas na sua mente.
Antes de qualquer coisa, Bucky Barnes deveria voltar a ser o Soldado Invernal.





— Precisava mesmo ter deixado o sobretudo no carro? — O tom falsamente controlado de Buck não conteve o ciúme que escorria por seus lábios.
— Olhe para essas pessoas, soldado. — rebateu, andando ao lado de Zemo. Já tinham saído do veículo e agora caminhavam por uma rua repleta de pessoas. — Eu chamaria mais atenção com aquela peça vermelha do que estou chamando agora. — A ruiva completou, sorrindo de canto.
— Não é o que está parecendo — Barnes murmurou mais para si mesmo.

Seus olhos vidrados na imagem de só a deixando para encarar um idiota ou outro que continuava a olhando como se fosse devorá-la. era a mulher mais linda e sexy que Barnes teve o prazer de conhecer, e tudo piorava ainda mais porque a mulher não só parecia ter ciência, como também se aproveitava disso.
E por Deus, aquela fenda na mini saia colada de couro, a bota indo até acima dos joelhos… Ela andando por aí apenas com aquele sutiã completamente rendado e com tecido suficiente para cobrir um pouco mais que os mamilos.
Como Barnes conseguiria se concentrar assim? O Soldado Invernal deveria ser apático e não esboçar reação nenhuma. Mas Barnes tinha a ligeira impressão de que, mesmo se estivesse sendo controlado pelo Invernal agora, até ele estaria deslumbrado e profundamente incomodado com a situação.

— Chegamos — Zemo alertou adentrando o pub um pouco lotado e avistando o bartender que os levaria até Selby. — Lembrem-se, continuem no personagem.
— Vou me misturar e fazer a varredura do local. — deu três passos mais rápidos em direção aos homens e disse um pouco mais baixo, apenas para que eles a ouvissem. Zemo e Sam assentiram sem olhar para trás, entendendo o que ela estava fazendo. Barnes, por outro lado, a olhou por cima dos ombros refreando os passos, não a deixaria sozinha nem fodendo.
Pronto para obedecer… Soldado Invernal? — Barão Zemo o chamou alto em russo, sem olhá-lo. Não era um bom momento para deixá-lo próximo à ruiva, Zemo constatou.

A máscara apática e rígida de Barnes escondia suas feições, mas não conseguia esconder a tempestade que começava a aumentar e rugir dentro dele. Seguiu Zemo e Sam a contragosto, encostando no balcão que separava o bar do restante do ambiente assim que pararam. Girou os calcanhares ficando de frente para Wilson e Zemo, e meneou a cabeça para os lados, a procurando como um predador faminto por sua presa.
Assim que conseguiu encontrá-la, dançando sob a música alta que agora começava, se arrependeu de começar a procurá-la em primeiro lugar.
Ela dançava de forma provocativa, atraindo olhares de todos ao redor. Homens se aproximavam com sorrisos insinuantes, tentando captar sua atenção, e mulheres observavam com uma mistura de inveja e admiração.
Seus olhos seguiam cada passo que dava, e o sentimento de ciúme queimava mais ferozmente a cada vez que ela passava as mãos pelo corpo e rebolava os quadris.
Reconhecimento do perímetro uma porra, ele pensou, agitado e com as pupilas dilatadas, o sargento teve que conter o ímpeto de jogar tudo para o alto e arrastá-la o mais longe possível dos olhares ao redor.
Ele cerrou os punhos, tentando manter a compostura. Sob o disfarce, ninguém poderia ver o músculo que saltava em sua mandíbula tão tensa. Ele sabia que deveria agir normalmente, que qualquer demonstração de emoção poderia deixar tudo a perder. Mas era impossível ignorar a onda de ciúme que o inundava.
James Barnes tinha noção de que Zemo e Wilson conversavam algo com o bartender, que os dois homens tentavam um encontro com a tal Selby a quem Zemo tanto mencionou ter poder e ser a chave para descobrirem quem estava por trás do supersoro e do retorno da HIDRA. Nada, para o sargento, parecia ter mais importância do que gravar cada movimento que fazia.

Descansar, soldado — Zemo o chamou, ficando frente a frente com Barnes e atrapalhando sua visão. O Barão semicerrou os olhos discretamente olhando, por cima dos ombros, para onde o soldado não parava de encarar. — Fique aqui e não o deixe fazer nenhuma besteira. — O barão se direcionou a Wilson. Embora não fosse adepto a ter reações mal educadas, Zemo bufou baixinho.
— Você deveria ir dançar com ela. — Sam se aproximou com um copo de whiskey puro na mão, apontando com o objeto discretamente para . Só o sabor marcante e forte daquela bebida seria capaz de tirar o gosto do que quer que ele tenha sido obrigado a beber segundos atrás, por culpa de Zemo.
— Eu não danço — Barnes respondeu ríspido, de imediato.

Quando jogou a cabeça para trás, inclinando o corpo para se encostar no homem atrás de si e teve a cintura fina coberta pelas mãos masculinas, envolvida na música e na batida sensual que a fazia remexer o quadril devagar, Barnes sentiu uma pontada aguda de dor. Ele odiava o modo como todos refletiam magneticamente atraídos por ela, como se ele não estivesse ali, invisível e impotente. O sentimento de possessividade era avassalador, conflitante com a necessidade.

— O cara atrás dela também não, mas ele não parece se importar muito com isso. — Sam tentou, outra vez mais, abrir os olhos do amigo. Não sabia o que tinha acontecido com eles, mas a cada segundo que passava ao lado dos dois, ficava mais nítido que o assunto mal resolvido entre eles era, nada mais, nada menos, do que um sentimento que nunca havia partido.
— Ela não me quer por perto, Sam. — James suspirou alto. Ele tentou desviar o olhar, focar em outra coisa, mas seus olhos sempre voltavam para ela. A máscara apática do Invernal oferecia um escudo, mas não era suficiente para esconder a intensidade de suas emoções. A cada gesto provocante de , o ciúme aumentava.
— Eu aposto que na verdade ela o quer bem perto, só não sabe como pedir. — Wilson abriu um sorriso malicioso e o empurrou de leve.
— Não posso sair do disfarce. — Uma parte dele queria atravessar a sala e reivindicá-la, afastando todos aqueles que ousavam desejá-la. Mas ele sabia que não poderia. Não agora. Não sob disfarce. Então, ele continuou a observar, lutando contra o desejo de protegê-la, de tê-la só para si.
Sam bufou, cruzando os braços enquanto via dançar com outro homem. Buck, do seu lado, parecia prestes a morrer de ciúmes. Wilson revirou os olhos, tendo uma ideia logo em seguida, que o fez sorrir de canto:
— Bom, eu posso. — Sam virou sua dose de uma vez, batendo o copo no vidro do balcão propositalmente. Deu o primeiro passo em direção a amiga quando a mão imponente e de vibranium de Barnes o segurou no ombro e o prendeu no lugar.
— Se aproxime dela e eu te mato. — O soldado rosnou, alternando os olhos estreitos entre o amigo e a ruiva, permitindo que Wilson soltasse uma risada alta e descrente, não levando sua ameaça a sério.

E então, como se soubesse que estava sendo observada, olhou em direção a Bucky, seus olhos brilhando por um momento antes de ela desviar o olhar novamente, se amaldiçoando por ter sido pega o fitando.
Bucky sentiu um raio de esperança, uma conexão silenciosa que talvez só ele pudesse perceber. Mas a dúvida persistia, corroendo sua confiança. Será que ela sabia que ele estava quase morrendo de ciúmes por vê-la dançando com outro homem? Será que ela sentia mesmo isso ou tudo era fruto da sua imaginação? Será que seu corpo também respondia aos mesmos efeitos que o deles quando estavam próximos ou quando estava o observando?
Estava fodido.
Barnes respirou fundo, tentando conter a careta que lutava para se formar em seu rosto. O disfarce poderia cobri-lo do mundo exterior, mas não poderia cobri-lo de suas próprias emoções. E ali, naquele bar, cercado por olhares desejados e sorrisos insinuantes, James desejou baixinho que Sam estivesse certo. Que também o quisesse tão perto quanto ele a queria naquele momento.
E em todos os outros, pelo resto de sua vida.
dançou mais alguns segundos com o homem que quase marcava sua pele, tamanha era a força que aplicava em sua cintura, e se desvencilhou de seus toques quando ele tentou beijá-la. Essa atitude repentina não condizia com o comportamento que vinha tendo nos últimos onze meses. Na realidade, esteve em tantas camas e com tantas pessoas, que a mulher nem lembrava-se do rosto de cada um. Desesperada para sentir algo que não o vazio que ecoava em seu peito, quando não estava atolada de trabalho, ela se metia em festas para beber até esquecer seu nome e parar na cama com alguém.
Cada encontro casual era uma tentativa desesperada de manter a mente ocupada, uma fuga temporária da dor constante. Mas naquele bar, ao sentir a proximidade de outro alguém, algo dentro dela paralisou. Ela sabia que ele estava ali, observando-a com uma intensidade que a queimava por dentro, e isso a incomodou mais do que gostaria de admitir.

— Vou pegar uma bebida. — Disse hesitante, seus lábios incapazes de corresponder ao beijo que se aproximava. O olhar penetrante, que parecia queimar todo o seu corpo, a prendia, como uma corrente invisível que a impedia de seguir em frente. Não parecia certo com ele a observando daquela forma.

A ruiva não deixou que o homem protestasse ou tentasse segurá-la, apenas saiu o mais rápido possível e seguiu para o balcão do bar, se aproximando discretamente de Wilson.

— Nem todos estão armados. — bebericou o drink que chegou a alguns minutos. Sua boca sendo escondida pelo copo colorido. — Contei cinco guardas, até agora. Dois ao norte, um atrás de Barnes e dois próximos à saída. — Completou seu raciocínio, tomando um gole relativo da bebida.
— Uau. Você conseguiu ver isso tudo enquanto deixava aquele cara se esfregar em você? — James olhou para com um sorriso irônico, seus olhos, embora tentassem continuar apáticos, transbordavam um brilho de irritação.
— O que? — A ruiva fingiu surpresa. Um sorriso sardônico criou vida em seus lábios, virou o resto do drink e ainda com aquele maldito sorriso, se inclinou para perto dos rapazes. — Acho que viu errado, porque claramente quem estava se esfregando nele era eu.

A tensão entre eles, dessa vez, tinha ficado quase insuportável. A música alta e as risadas ao redor não conseguiam mascarar a eletricidade que passava nos olhares trocados. Uma guerra silenciosa de quem desviava o olhar primeiro se iniciou e Sam riu em escárnio observando a dinâmica, mas sem achar tanta graça assim. Era engraçado e patético, e se pudesse comparar, diria que estava numa comédia romântica de roteiro ruim e previsível: eles acabariam na cama a qualquer momento.
Um burburinho cresceu por todo o bar, os obrigando a interromper a guerra silenciosa que travavam, e Zemo apareceu em seu campo de visão, com um homem o segurando pelo cotovelo e o empurrando até o bar. ainda não tinha se revelado como parceira dos três, então pediu outro drink e encarou o que acontecia, pronta para lutar, se necessário.

— Você não é bem vindo aqui. — Ele rosnou em tom de ameaça ao barão.
— Não tenho negócios com o Mercador do Poder. — Zemo começou, puxando com certa brutalidade e força seu braço do toque dele. — Mas se ele insiste, pode vir falar comigo… — Apontou sugestivamente para Barnes, que endireitou a postura e mirou o homem que ameaçava seu suposto dono. — Ou traga Selby para falar comigo. Diga que já estou cansado de andar por esse bar de procedência duvidosa à sua espera.

No meio tempo, o mesmo homem que dançava com apareceu a segurando por trás e depositando beijos por seu pescoço e colo, aproveitando-se da vantagem de ser quase o dobro do tamanho dela. se deixou levar pelas carícias que agora não despertavam nenhuma reação positiva ao seu corpo. Precisava continuar deixando ser tocada, pois estava perto o suficiente para ouvir a conversa de Zemo com os rapazes sobre o Mercador do Poder e algo relacionado a todo reino precisar de um rei. Ela revirou os olhos, sem saber exatamente se para o drama do “Rei de Madripoor” ou para o homem com cheiro de álcool que falava, ao pé do ouvido, coisas que deveriam deixá-la excitada, mas que agora só fazia seu estômago embrulhar.

Soldado Invernal. Ataque. — O ar ficou carregado de tensão e adrenalina quando Zemo ordenou que o Invernal atacasse.





Buck semicerrou os olhos e um vinco se formou no meio da testa, seus sentidos ficando em alerta máximo, os olhos fixos na imagem de Zemo. James avançou no primeiro homem que tocou no ombro do barão, torcendo o braço com o seu de vibranium e o arrastando para longe.
O primeiro dos atacantes tentou acertá-lo com uma garrafa de vidro quebrada, mas Barnes agarrou o objeto no ar e o quebrou como se fosse um galho seco. Com um movimento fluido, ele girou o corpo e deu um soco no estômago do agressor, que voou para trás, batendo na parede com um som surdo. Mais dois homens se aproximaram, um deles com uma faca. James desviou da lâmina com facilidade, sua agilidade quase sobre-humana. Ele agarrou o braço do atacante e, com um puxão violento, deslocou o ombro do homem, que gritou de dor antes de desmaiar com um soco no rosto.
Enquanto derrubava o terceiro homem com um chute poderoso que o lançou vários metros adiante, os olhos do sargento se estreitaram, e uma raiva fria tomou conta de seu ser. Viu de relance quando o homem beijava o pescoço de e apalpava sua bunda, alheio à carnificina ao redor. Ele não podia permitir que aquilo continuasse.
Com um movimento rápido, os músculos de seu corpo se contraindo com uma força impressionante, ele avançou chegando por trás do homem que beijava e o pegou, com o braço de vibranium, pela nuca. O movimento foi rápido e bruto, arrancando-o de perto dela com uma força violenta. O homem olhou para James com surpresa, mas antes que pudesse reagir, o soldado desferiu uma joelhada em seu estômago o derrubando logo em seguida. Barnes o pegou pelo colarinho, não dando tempo para que ele se recuperasse e o jogou contra o balcão, derrubando garrafas e copos, estrangulando seu pescoço com a mão de vibranium.

— Zemo, mande ele parar — sussurrou entre dentes, mirando na imagem de Barnes que, apesar de estar estóica, ela o conhecia bem demais para ignorar como as íris dele estavam carregadas de dor por estar fazendo aquilo.
Bucky olhou para Zemo, esperando que o barão comandasse ao Invernal que o ataque parasse, mas, quando o sokoviano não o interrompeu, Barnes apertou mais os dedos de vibranium ao redor do pescoço do homem que, a esta altura, choramingava pela própria vida.
O Soldado Invernal não hesitava, não parava, e se Helmut Zemo não comandasse, Bucky teria mais uma vítima em suas mãos e mais um nome em seu caderno.
— Zemo, mande ele parar… Agora! — Dessa vez, Sam que rosnou para o barão.
— Fiquem no personagem ou o bar se vira contra nós. — Alertou Zemo, num sussurro. Sam estava prestes a interromper o show de horrores gratuito que o amigo dava e , por mais que tentasse, não conseguia esconder a surpresa e irritação em seus olhos. — Muito bem, soldado. — Finalmente Zemo libertou Buck daquele castigo.
Muito embora o sargento soubesse que a surra que tinha dado no último homem vinha mais do ódio de Bucky Barnes do que do Soldado Invernal.
— Selby vai vê-los agora. — O bartender que atendera Wilson e Zemo retornou, no momento em que a multidão ao redor parecia notar que o perigo os rondava, abrindo uma roda ao redor dos três homens que pareciam criar um espetáculo.

Barnes estava no centro do caos, sua respiração pesada e seus punhos ainda cerrados. Ao redor dele, os homens caídos gemiam de dor ou permaneciam inconscientes. Uma mistura de medo e culpa se formou em seu peito ao perceber o quão fácil foi sucumbir à raiva e ao ódio que existiam dentro de si. Seus olhos encheram de lágrimas. Ele se viu diante da realização perturbadora de que a linha entre fingir e ser era muito tênue, e que a sombra da escuridão do Soldado Invernal podia ser uma ameaça.

— Tudo bem? — Wilson olhou com preocupação para o amigo, percebendo o esforço que ele fazia para esconder os olhos turvos.
Bucky nada respondeu. Suas íris, embora embaçadas pela água, não ousaram se desprender de e da reação que ela tivera ao vê-lo, tão facilmente, voltar ao que um dia ele jurou nunca mais ser. James fungou grosseiramente, espantando as lágrimas que o impedia de ver com clareza e se obrigou a apenas oferecer um aceno nada confiante a Wilson andando logo atrás de Zemo.
— Ele está bem, não está? — Preocupado, Sam sentiu a necessidade de reforçar a pergunta à pessoa responsável por aniquilar o Soldado Invernal de vez da mente do sargento.
— O Invernal não vai voltar, Sam. — endireitou a postura, sua voz, no entanto, denunciava o quão afetada tinha ficado. — Eu me assegurei disso, o que eu fiz na mente dele foi bastante invasivo e definitivo.
— Mas você consegue senti-lo agora? — A passos curtos, deixando que Zemo e Barnes se afastasse um pouco mais para maior privacidade, Wilson estava ao lado de que o acompanhava sem encará-lo. — Por que não parecia nada definitivo segundos atrás.
o olhou de relance e baixou a cabeça, pensativa. A conexão mental que compartilhava com Barnes não existia mais, mas ela podia afirmar com segurança que aquele não era o Invernal. Havia dor, arrependimento e culpa demais nos olhos turbulentos de Bucky.
— Confie em mim. Tirei completamente o controle que o Invernal tinha sobre ele. Isso não quer dizer, no entanto, que Bucky não consiga lembrar ou fazer o que fazia antes. Há coisas que ficam impregnadas demais em nosso DNA para serem esquecidas. — Assegurou, ainda sem olhá-lo nos olhos.

Quando Sam entendeu que deu o assunto por encerrado, a encarou por alguns segundos antes de voltar a interpretar o Tigre Sorridente que Zemo jurara que era a sua cara. Mas Sam não podia negar o sentimento de inquietação crescente dentro de si. Embora tivesse se passado meses sem manter contato com a ruiva, ele a conhecia bem demais para não perceber que algo estava errado. Cada olhar desviado, cada resposta vaga acendia um alarme silencioso em sua mente. A distância emocional estava clara. estava escondendo algo, e essa percepção encheu Sam de preocupação e um leve desconforto. O peso de um segredo não revelado pairava entre eles, tornando o reencontro agridoce e deixando Wilson com uma sensação incômoda de que precisava descobrir o que estava acontecendo.
Os quatro entraram no que mais parecia o covil de Selby. Localizado no porão do bar em que estavam, o local era abafado, com pouca iluminação e um tanto espaçoso. Ainda que armas, drogas e dinheiro estivessem por todo lugar, os cercando em zombaria.
Deixaram que Zemo conduzisse a conversa, afinal, ele era o que mais conhecia e já tivera mantido contato com Selby. Assim, com a ladainha de Zemo, descobriram que o super soro estava sendo produzido em Madripoor, por um cientista chamado Dr. Wilfred Nagel sob as ordens do Mercador do Poder.
Quando a mulher loira e de meia idade se cansou de oferecer todas as respostas que Zemo queria de graça, ela desviou os olhos para , bem ao lado do Tigre Sorridente, semicerrando os olhos.
A ruiva discretamente passou a mão pelo ombro de Sam e colou seus corpos, fingindo um semblante chapado antes de começar a depositar beijos em seu pescoço. Não tinha outra explicação ou disfarce plausível que não levantasse suspeita de sua presença. Se Sam tinha que interpretar um cafetão, pegaria o papel de uma de suas prostitutas. Além do mais, esconder o rosto entre a curva do pescoço do Falcão era uma ótima tática para não ser reconhecida.
Madripoor podia ser o antro da criminalidade e nenhum vingador tinha pisado ali, mas antes de se juntar ao clube das winx, tinha contato com todo tipo de gente.
conseguiu notar os músculos retesados do homem, bem como sua respiração presa ao sentir seus lábios em sua pele e sua postura desconfortável. Droga, se Wilson continuasse assim Selby entenderia o que estava acontecendo.
forçou uma risada alta e enroscou a mão por dentro do terno que o amigo usava, levando os lábios até a orelha, “Você é um cafetão, Wilson. Entre na porra do personagem” Foi o que ela sussurou deixando uma modida singela em seu lóbulo.
Selby ponderou a desconfiança em seus olhos estreitos, deixando a sensação um pouco de lado quando o Tigre Sorridente abriu um sorriso malicioso e passou a mão pela saia curta da prostituta drogada, parando em sua bunda, que travava uma batalha difícil tentando tirar sua roupa.

— Você quer um quarto? — Selby provocou, passando a língua pelo lábio inferior.
— Estamos bem. — Desconfortável não só com a situação, mas também por estar levando a porra da sua personagem a sério demais, e pelo olhar fuminante que Barnes lançava para eles, Wilson murmurou contido.
— Tudo bem então. — Selby deu de ombros. — Eu adoro assistir, de qualquer forma.

As mãos de ainda estavam por dentro do terno de Wilson quando o telefone do homem começou a vibrar com constância. A ruiva se afastou de súbito, seu corpo reagindo por reflexo antes mesmo que sua mente pudesse registrar. Imediatamente tentou recompor-se soltando um sorriso que não chegava aos olhos bem preparados e uma risada fingida.
O fascínio e excitação de Selby se tornou desconfiança e suspeita em milésimos de segundos. Qualquer pessoa ao seu redor não notaria a nuance de mudança que a ruiva tivera, mas Selby estava a anos naquele ramo. Uma prostituta chapada nunca teria reflexos tão astutos e, mesmo se tivesse, ela nunca tentaria fingir que não os tinha. Algo estava errado, ela pensou, intimando que a ligação do Tigre Sorridente fosse atendida no alto falante.
A situação se tornou caótica muito mais rápido do que tinham imaginado. No momento em que, no fim da chamada, Sarah chamou o nome de Sam, Selby parecia ter compreendido o que aquilo se tratava. Mas, se tudo o que estava ruim podia piorar ainda mais, ao lado de , quando prestes a matá-la, mas não antes de ordenar que seus homens matassem todos eles, Selby foi atingida por uma bala bem no peito.
Assim, fugiram do porão de Selby, não sem antes derrubar os homens que escoltavam a mulher. Do lado de fora do bar, já de volta a rua fria e com cheiro de droga e álcool da Cidade Baixa, seus passos contidos e rápidos entregavam o quão nervosos estavam. Precisavam sair dali o mais rápido possível, não poderiam levar a culpa pelo assassinato de Selby. A sensação de que todos os encaravam queimava suas peles e a adrenalina formigava seus corpos.
foi a primeira a perceber que algo acontecia, apressou os passos para alertar os rapazes, mas não obteve sucesso. Sua voz foi totalmente aplacada pelos tiros que vinham por toda parte.
Por reflexo a ruiva se inclinou e colocou a mão entre o rosto, se protegendo. Os tiros chegavam por toda parte e ela sentiu quando mãos másculas a suspenderam rapidamente. Olhou em volta assustada, Buck a levantava e se colocava a sua frente como um escudo humano.
Era como estar em um clube de tiro onde o alvo estava em suas costas. Vinha de todos os lados e a todo o momento tentavam os acertar.

— Droga! — Bucky arquejou, impedindo com seu braço de vibranium que uma bala atingisse as costelas da ruiva.
, faça alguma coisa! — Wilson bradou assustado, correndo como podia com os sapatos desconfortáveis que fora obrigado a calçar.
— O quê? — A ruiva ofegou, tirando uma faca do meio dos seios e jogando no pneu da moto que os seguia. O motociclista perdeu o equilíbrio, despencando da moto e criando uma barreira para as outras que vinham logo atrás.
— Faça algo! Crie um campo de força, faça-os voar para longe! — Sam gesticulou enérgico com as mãos, imitando, mesmo que atrapalhadamente, um dos poucos gestos que ela fazia ao usar suas habilidades.

olhou por cima dos ombros, o vento cortante chicoteava seu rosto e bagunçava os fios curtos, não dava para prendê-los numa trança com esse tamanho. O rugido da única moto que os seguia, aproximando-se rapidamente fez seu coração acelerar ainda mais. Curvou o tronco, tirando sua última faca da lateral da bota e parou de correr.
Quando a moto estava a poucos metros de distância, deu um salto corajoso para o lado, levantando a faca e mirando com precisão. O som agudo de metal encontrando a pele fina do pescoço do piloto ecoou pela rua quando a lâmina perfurou sua artéria, jorrando sangue por todos os lados.
O impacto fez a moto derrapar violentamente, lançando faíscas enquanto o metal raspava contra o asfalto. O piloto, pego de surpresa, perdeu o controle e foi jogado ao chão com um baque surdo, a moto finalmente parando em uma confusão de metal e fumaça.
respirou pesadamente, apoiando o peso nos joelhos flexionados, buscando um ar que nunca chegava em seus pulmões. Estava cansada e seus pés latejavam sob a bota de salto alto e bico fino. Aquele calçado, por mais lindo e sensual que fosse, definitivamente não tinha sido criado para correr. As pernas da mulher tremiam em protesto e se não tivesse tão dispersa nos próprios murmúrios, teria notado um homem atrás de si prestes a atirar.
Seu corpo retesou e seus olhos fecharam em reflexo com o som oco e profundo da pólvora expelindo a bala a quilômetros por hora. Abriu os olhos, olhando ao redor e encontrando Bucky e Sam alarmados correndo em sua direção, ao mesmo tempo que um homem caía atrás de si e Zemo aparecia entre a escuridão com uma pistola em mãos.

— Obrigada. — A ruiva levou uma mecha de cabelo para atrás da orelha e agradeceu ao barão por ter salvo sua vida. — Mas isso não muda nada. — Completou ácida.
— Sei que não. — Zemo acenou de leve, jogando a pistola para mulher que a pegou no ar e conferiu quanta munição ainda restava.
— Por que não fez nada? — Barnes se aproximou dos dois, irritado. Seus olhos, no entanto, não desviavam da ruiva.
— O que você quer dizer com isso? — enfiou a nova pistola entre o meio das pernas e a acoplou em seu coldre. — Eu parei as duas motos. — Ergueu o rosto até encará-lo, transparecendo obviedade.
— Não sem antes nos deixar quase virar peneiras! — James passou as mãos repetidas vezes pelos cabelos curto, sentindo falta do antigo comprimento. A adrenalina ainda o deixava agitado, o que facilitava que a irritação se esvaísse por sua boca sem nenhum pudor. — Sei que não estamos no nosso melhor momento agora. Mas você poderia tê-los parado! — Repetiu, gesticulando rápido, deixando claro sua inquietude. — Está tão irritada assim que por orgulho nos deixaria morrer ao invés de usar seus poderes para nos salvar?!
— EI! Deixa ela em paz! — Sam se intrometeu, endireitando a postura e se colocando de frente ao amigo que já estava a dois passos de distância da ruiva. As palavras duras de Bucky haviam a atingido como uma faca e Wilson pôde ver a dor em seus olhos brilhantes, mesmo que ela tentasse disfarçar.
abraçou o próprio corpo, sentindo-se exposta e vulnerável de repente.
– Eu não faço mais isso.
Barnes abriu a boca duas ou três vezes seguidas, os dedos formigando.
– O que quer dizer com isso? Como assim não faz mais isso?
— Eu não posso fazer mais isso, ok?! — Gritou, incapaz de controlar a própria reação. Seu peito apertou, assim como sua cabeça ficou duas vezes mais pesada e a náusea já tomava conta da sua boca.
— Eu te vi, literalmente, desintegrar uma pess… Não, um alienígena cinza. Isso! Eu te vi fazer aquele alienígena virar pó. – Sam riu sem humor, confuso, alternando seu olhar entre a amiga e Barnes. Lembrava-se piamente da imagem do alien tendo todas as partículas separadas, uma a uma, pela telecinese dela.
Apesar de sua tentativa, não conseguiu evitar que seus olhos enchessem de lágrimas a menção ao assunto.
– Depois de Westview… Depois de Wanda e Visão — Seus lábios já estavam trêmulos e sua expressão tensa.
girou o corpo até que ficasse de costas para eles. Não sem antes fechar os olhos, sentindo-se enjoada demais para lidar com o semblante compadecido de Zemo. A mulher levou uma das mãos até a nuca e puxou todo o cabelo curto para cima, deixando amostra aquele pedaço de pele.
– Eu ganhei isso… — Havia hesitação perceptível presente não só na sua voz, quanto em sua ação.
Nunca tinha mostrado a ninguém. Nunca tinha sequer mencionado o assunto. Nem mesmo sua terapeuta sabia disso, não que tivesse a certeza de que em seu dossiê estivesse explícito. só pareceu chegar a um consenso interno de que fingiria que nunca tinha acontecido.
Mas aconteceu, e ali, naquela rua escura e nojenta da Cidade Baixa, a mulher se sentiu pressionada o bastante para mostrar o que tinha passado.
– O que é isso? — Os pensamentos de James ganharam vida antes mesmo que ele conseguisse conter os próprios passos até finalmente estar diante dela, a mão humana coçando para tocar sua pele. O soldado nunca tinha visto nada parecido ao que a mulher mostrava, embora conseguisse notar a cicatriz ao redor e o símbolo da S.O.W.R.D no centro do objeto pentagonal.
– Isso… — sugou o ar com força e fechou ainda mais as pálpebras, transformando seu rosto inteiro num semblante dolorido. — Isso é o upgrade da coleira inibidora de habilidades que eu fui obrigada a usar em 2016. – Debochou.
James não a tocou, mas ela conseguia sentir seu corpo formigando pela proximidade. Era estranho ter procurado por qualquer tipo de sentimento durante todos esses meses e voltar a sentir apenas com a pessoa responsável por quebrar seu coração.
Sam arqueou as sobrancelhas, arfando.
– Mas por que você iria querer colocar isso em você? Esse método me parece bem invasivo. — A sensação que tinha era que a resposta àquela pergunta não o agradaria.
voltou à posição inicial rapidamente, fazendo um gesto de indiferença.
– Pensar que eu tive alguma escolha sobre isso é ingenuidade demais, até mesmo para você, Sam.
Por um breve segundo, todos se encararam, muito mais disposta a continuar fingindo que nada tinha acontecido; Sam e Bucky tentando digerir e assimilar o que a mais nova confidenciou.
Um aperto fino tomou conta do peito de Barnes, o fio de clareza finalmente iluminou sua mente o deixando paralisado. Ele desviou seu olhar apavorado do chão para a mulher.
– Eles te… obrigaram?
sentia a cabeça doer e embora tenha lutado não muito tempo atrás, seu corpo parecia debater-se em angústia por estar tendo essa conversa alí, no meio de uma rua deserta, com Sam e Bucky a encarando horrorizados e Zemo, mais atrás, compadecido.
Definitivamente seu pior pesadelo ganhando vida.
Seu olhar estava distante e seu tom de voz saiu baixo, pesado. Não queria continuar com o assunto.
— Então não, não consigo mais usar meus poderes.
James soprou o ar de seus pulmões pelo nariz, passando a língua pelo lábio inferior. Sua visão ficando cada vez mais turva. Não foi essa sua pergunta.
– Eles te obrigaram?
– Mas consigo me defender sozinha, não precisam se preocupar comi...
! — O sargento cortou-a, muito mais desesperado pela resposta do que gostaria de admitir.
A ruiva engoliu o bolo que se formou na garganta, desviando os olhos marejados para Sam. Temia que se encarasse Bucky naquele momento, desmoronaria como no dia em que tinha sido forçada a colocar aquele microchip na nuca. Ela não daria aquele gostinho a ele, não depois de como aconteceu, mas tentar fugir do assunto só faria com que Barnes a pressionasse mais.
piscou rápido, na inútil tentativa de apartar as lágrimas dos olhos. A ação, contudo, teve seu efeito contrário e a ruiva se viu passando a mão no rosto com agressividade e rapidez.
– Não foi indolor, se é isso que quer saber.


No canto escuro da rua, um par de olhos castanhos observava a acalorada confissão que se desenrolava a poucos metros de distância. A penumbra era sua aliada, escondendo sua presença dos demais. Estava imóvel, quase fundido com as sombras, respirando suavemente para não trair sua posição. Em uma dança de possibilidades, se perguntou se realmente valeria a pena se mostrar. Seus negócios não ficariam a salvos se revelasse sua identidade, não com a presença de e sua capacidade de entrar na mente das pessoas.
Foi então que decidiu dar um passo à frente, saindo das sombras com uma autoridade silenciosa. Seus negócios estavam a salvo, assim como ela. não apresentava perigo aos seus planos.

— Isso é perfeito! — Sua voz ressoou e interrompeu a discussão.
Todos se voltaram bruscamente, surpresa e choque estampados em seus rostos ao reconhecerem a figura que emergia da escuridão. rapidamente tirou a arma do coldre ficando em posição de ataque.
Bucky deu dois passos adiante, não confiando no que seus olhos viam:
— Sharon?!




Carter tirou o capuz que cobria seu cabelo dourado, revelando por completo sua identidade, e apontou a arma para os quatro, focando sua atenção inteiramente em Zemo.

— Você me custou tudo. — Seus passos duros e incisivos se aproximavam de Zemo, pronta para capturá-lo.
— Sharon, espera! — Wilson andou lentamente até a frente do barão, temendo qualquer decisão que a loira tomasse. — Alguém recriou o soro do super soldado e Zemo tem uma pista. — Despejou, da mesma forma como tinha feito com . Sam torcia para que o senso de moral e justiça de Carter continuasse o mesmo, caso contrário, outra luta começaria.
— Então, o que você faz aqui? — Barnes se apressou em questionar o que se passava pela mente de todos. Afinal, de todos os lugares do mundo, encontrar Sharon em Madripoor não era bem o esperado.
— Eu roubei o escudo do Steve, lembra? — A loira estreitou os olhos e encarou Barnes como se ele fosse burro. — Eu também roubei as asas para você… — Apontou para Sam com a pistola. — Para que pudesse salvá-lo... — Bucky agora estava na mira da arma. — Dele. — O cano da pistola voltou para seu status quo, sendo apontado com rancor para Zemo.
revirou os olhos para o que Carter dizia, erguendo os lábios em um sorriso ínfimo.
— Esqueceu de mim, treze?
— De você eu roubei só o namorado, nove. — Sharon tentou provocá-la, mordendo o lábio inferior com um sorriso de canto.

A interação das duas de repente deixou todos tensos.
Exceto por Zemo, todos entendiam ao que Carter se referia. estalou a língua com um sorriso debochado nascendo perverso, se aproximando ainda mais de Carter. A altura das duas era quase a mesma, embora fosse um pouco maior. No entanto, esse mero detalhe passaria despercebido, levando em consideração ambas posturas determinadas.
já não sentia mais nada por Rogers há anos, mas não mentiria, quando descobriu que Steve tinha beijado Sharon enquanto ainda estavam juntos, aquilo a machucou de formas que ela jamais seria capaz de entender. Naquela época, perdidamente apaixonada pelo antigo Capitão América, achava que ninguém mais a amaria. No tempo em Wakanda, enquanto não estava ajudando Buck, um dos passatempos favoritos da mais nova era imaginar o que faria com Carter caso a encontrasse pessoalmente outra vez.
Ah, o universo! Sempre tão cruel e com um senso de humor peculiar, como derrubar um balde de tinta justo quando você terminava de pintar a parede.

As íris azuis de estavam vazias, mas sua resposta era rápida e certeira.
— E mesmo assim ele implorou para ficar comigo. — Zombou, com seu sorriso crescendo à medida em que o da loira vacilava. — E durante todos os dois anos seguintes, ele me ligava dizendo que me amava, me pedindo para voltar e admitindo que você tinha sido um dos maiores erros da vida dele. sussurrou a última parte se aproximando ainda mais, os lábios das duas quase se tocando, mas nenhuma parecia disposta a recuar.

O ambiente de repente ficou silencioso o suficiente para que só as respirações fossem ouvidas. Sam engoliu em seco, os olhos agitados do Falcão observava com crescente apreensão enquanto as duas se encaravam, os rostos vermelhos de raiva e as vozes se tornando cada vez mais baixas, duras entre a troca de palavras. O medo de que uma briga feia irrompesse bem diante de seus olhos fazia seu coração bater mais rápido. Suas mãos tremiam ligeiramente, e ele sentia uma tensão incômoda no estômago, como se estivesse prestes a presenciar um desastre iminente. Ele se perguntava o que poderia fazer para impedir que a situação escapasse completamente do controle.

— Temos que fazer algo para separá-las. — Wilson não conteve o suspiro.

Barnes estava absorto, a mente distante e meio confusa. O Soldado mal registrava as palavras que saiam da boca de Sam, perdido em seus próprios pensamentos. Embora não tivesse sussurrado tão baixo assim, sua super audição o permitiria escutá-la mesmo que nenhum som fosse emitido. A confissão da ruiva girava em sua mente como um disco riscado, repetindo incessantemente.
Steve ligava para ela durante o tempo em Wakanda, pedindo que o aceitasse de volta.
Um incômodo ligeiro se instalava em seu peito, trazendo consigo uma sensação desconfortável que não conseguia ignorar. Durante todo o tempo em que estiveram em Wakanda, ele e compartilharam momentos em que acreditava ser sinceros e honestos. Eles estavam juntos, afinal de contas. No entanto, ela nunca mencionou essas ligações e ter ciência disso o deixou ligeiramente pertubado e insuficiente.
Desde o início, quando percebeu que estava interessado pela garota do seu melhor amigo e que ela correspondia aos seus sentimentos, Barnes se sentia culpado e transbordava insegurança. Não conseguia entender por que havia decidido ficar com ele, quando Steve sempre fora a escolha óbvia e superior. Steve era tudo o que ele não era mais – carismático, confiante, um verdadeiro líder, não depois da Hydra, da tortura, do Soldado Invernal.
Outra vez aquela mesma nuvem de vulnerabilidade e insegurança pairava em seu corpo, se estendendo dessa vez sobre as lembranças que tinha junto com ela. Por dentro, seu coração batia acelerado, e a mente girava em torno das mesmas perguntas: Por que escondeu isso dele?
Os pensamentos rodopiavam em sua cabeça, uma confusão de sentimentos e inseguranças. Mas, por mais que tentasse, não conseguia se livrar da sensação de que, no final das contas, Steve sempre seria a melhor opção. E se a mulher nunca tinha mencionado suas tentativas de reconciliação, era porque no fundo, Bucky pensou, também sabia disso.

Os pensamentos do sargento foram violentamente interrompidos pela voz melodiosa de Zemo, sua postura impecável e seu tom carregado de um sarcasmo refinado.

— Entendo que a visão de duas mulheres graciosamente tentando arrancar os cabelos possa ser perturbadora para alguns de vocês. Mas não é todos os dias que testemunhamos uma lição tão vívida sobre as consequências da traição. E quem sabe, talvez aprendamos algo valioso sobre a natureza humana.

jogou a arma para o lado, esperando qualquer reação da loira e sem quebrar o contato visual. A ira tomava conta de todas as suas células. Faíscas invisíveis de ódio e lembranças passavam entre os olhos que não se desviaram. O ar carregado com a tensão de um reencontro há muito esperado.
soltou o ar pelo nariz, passeando a língua pela boca antes de mover os lábios em um biquinho teatral, tocando a boca na dela, ridicularizando-a
Aquela parecia ter sido a gota d’água para Sharon, que durante todo o tempo em que se refugiara em Madripoor havia construído um senso de respeito e autoridade inquestionável. Não estava mais nos Estados Unidos e, certamente, não era mais uma simples agente de mesmo patamar que ouviria as provocações e desrespeitos sem uma punição. Estava na hora de ser colocada no seu devido lugar. Carter jogou a arma para o lado, entregando-se para a batalha que sabia ser inevitável.

Sharon atacou primeiro, rápida como uma serpente, lançando um soco direto ao rosto de . A ruiva desviou com a agilidade de uma dançarina, agarrando o braço de Carter e torcendo-o para trás. A loira grunhiu de dor, mas não se rendeu, girando seu corpo e desferindo um chute que acertou o abdômen de . O impacto fez cambalear, mas ela recuperou o equilíbrio instantaneamente. Sem perder tempo, avançou com uma série de golpes rápidos. Sharon bloqueou alguns, mas não conseguiu evitar um gancho certeiro que fez sua cabeça virar com força.
O som abafado de punhos contra carne ecoou pela rua esquisita e mal iluminada. Sharon estava ficando frustrada, cada movimento mais desesperado que o anterior. Ela tentou agarrar o cabelo de , mas a agente respondeu com uma cotovelada no queixo, forçando Carter a soltar.
A luta era uma dança brutal de habilidade e força, cada movimento carregado de anos de ressentimento e rivalidade. estava no controle, seus movimentos precisos e calculados. Ela era uma tempestade de graça letal, enquanto Sharon começava a vacilar, seu desespero evidente.
Finalmente, viu a abertura. Com uma rapidez quase sobrenatural, ela agarrou Sharon pela garganta e a empurrou contra a parede, prendendo-a. Sharon tentou lutar, suas mãos agarrando o braço de , mas a força da adversária era inabalável.
levantou o punho, pronta para desferir o golpe final. Carter, ofegante e sem saída, olhou para ela com uma mistura de medo e ódio. Mas então, a ruiva parou. Seus olhos queimavam com uma intensidade feroz, mas ela não se moveu.

— Eu poderia acabar com você agora — murmurou, a voz baixa e controlada, mas carregada de ameaça. — Mas não vou. Sabe por quê?
Sharon engoliu em seco, incapaz de responder. soltou-a, deixando-a deslizar pela parede até o chão. deu um passo para trás, observando Sharon com um olhar de desprezo e superioridade.
— Porque quero que você saiba que sou melhor. Sempre fui. E agora, você também sabe.
Então, em gesto de completa indiferença, a ruiva ajustou a roupa no corpo virou-se sem olhar para trás, e pegou sua arma, a acoplando no coldre entre as pernas, e a de Carter, jogando o objeto em direção a loira derrotada e humilhada, uma lembrança viva de sua própria fraqueza.
— Isso não acabou. — Carter disparou em uma risada sem humor, as íris fixas na ruiva que exalava indiferença.
notou quando, a contragosto, Sharon aceitou a ajuda de Sam para levantar. Céus, como era bom resolver as coisas na porrada, a ruiva chegou a conclusão
— Mal posso esperar pelo segundo round. — A voz de saiu firme e carregada de determinação.




A mansão para a qual Sharon os conduziu na Cidade Alta, assegurando ser um local seguro, exalava uma elegância opulenta. Cada cômodo estava repleto de arte monumental e histórica, com quadros protegidos por vidros blindados exibidos como jóias preciosas no meio dos ambientes. O piso de mármore refletia a luz suave das lâmpadas de cristal, enquanto as paredes estavam adornadas com molduras douradas e detalhadas. Colunas majestosas sustentavam o teto alto, que era decorado com afrescos intrincados. O local havia sido transformado em uma imensa galeria de arte, especializado em peças roubadas, ostentando uma coleção invejável de exclusivos e originais. Estatuetas antigas e vasos valiosos estavam dispostos em vitrines iluminadas, enquanto tapeçarias raras pendiam dos corredores. Cada peça parecia contar uma história de seu próprio roubo e viagem secreta até ali, criando uma atmosfera de mistério e exclusividade.
Não era o que tinham planejado ou esperado ao pisarem em Madripoor, mas a aparição de Carter havia mudado toda a dinâmica. Por mais que tivesse percorrido o caminho tortuoso desde a rua sombria da Cidade Baixa até aquele ambiente luxuoso, ela continuava a se opor à ideia de confiar na loira. No entanto, Sam e Bucky pareciam indiferentes aos seus protestos, focados apenas na promessa de segurança que Sharon oferecia.
podia não conseguir mais usar todas as suas habilidades, mas a ruiva ainda tinha a capacidade de sentir as auras das pessoas. E algo lhe dizia que Sharon Carter escondia alguma coisa, uma sensação de desconfiança que se enraizava em seu instinto. As paredes da mansão, adornadas com arte valiosa, refletiam uma história de segredos e traições que pareciam ecoar o comportamento enigmático de Carter.
Enquanto caminhavam pelos corredores, observava cada movimento de Sharon com olhos atentos e desconfiados. A galeria de arte, com suas peças roubadas, parecia um reflexo das camadas ocultas da anfitriã. Quadros protegidos por vidros blindados e estátuas antigas em vitrines luxuosas contavam histórias de sua origem ilícita, espelhando a suspeita que sentia.
A iluminação suave destacava cada detalhe das molduras douradas, das tapeçarias raras, e dos afrescos intricados no teto. sentia uma inquietação crescente, uma certeza silenciosa de que Sharon Carter não era confiável. Cada peça de arte roubada parecia sussurrar segredos sobre sua verdadeira natureza, reforçando a sensação de que haviam entrado em um jogo perigoso, onde a confiança poderia ser fatal.
Na ala leste da mansão, mais distante da galeria e próximos do clube interno de negociações para o mercado ilegal de todo tipo de comércio, os cinco seguiram por um imenso corredor com diversas portas distribuidas por todo caminho. Sharon não fez questão de apresentar aquele novo ambiente, apenas os levou a uma porta mais distante e entrou sendo seguida por eles. Foi deduzido, num consenso interno, de que Carter estava morando ali também, visto que todo o ambiente gritava sua personalidade. Ela os deixou na sala de visitas, com um pequeno sofá de canto e um roupeiro perto da janela, o mini bar estava ao canto e repleto das mais diversas bebidas.
Zemo, por ser o único a se julgar apto o suficiente a não precisar de uma troca de roupas, foi até o balcão e sentou-se. Serviu o próprio copo com um dos whiskys mais fortes e mais velhos que encontrou e limitou-se a se reservar em seus próprios pensamentos, em silêncio. teve que acompanhar o barão, sentando-se ao seu lado e se servindo. Seu copo, por sua vez, continha o triplo do líquido do que o de Zemo. A ruiva virou o banco, apoiando as contas no balcão do mini bar e apoiou o braço esquerdo nele, bebendo de uma única vez o whisky. O sabor amargo e forte não foi o suficiente para tirar-lhe uma reação contrária a não ser a da satisfação por sentir o álcool descer queimando por sua garganta e esquentando todo seu corpo. Calada, viu Sam e Bucky conduzir a conversa com Carter e pedir mais uma vez por sua ajuda. Não conseguiu segurar o revirar de olhos e o grunhido irritado que escapou de seus lábios.

Zemo lançou um olhar enviesado, com seus olhos astutos e venenosos, da ruiva para a loira, tentando decifrar a profunda antipatia que ela sentia pela mulher.
— Eu podia jurar que vocês eram amigas.
bufou, decidindo ignorar o comentário do mais velho e continuar em seus pensamentos.
— Sério, sempre achei que vocês tinham muito em comum. — Bebericou seu drink lentamente. — Além do gosto para namorados, obviamente.

virou outra vez o líquido de seu copo em um único gole e bateu com força o vidro no balcão, chamando a atenção dos outros para eles. O interesse repentino dos outros não foi o bastante para refrear seus próximos passos. A ruiva levantou da cadeira, se aproximou de Zemo e girou o banco que o barão estava sentado, o deixando frente a frente dela. estreitou os olhos azuis, o encarando tão de perto pela primeira vez. Um sorriso maldoso ameaçou surgir em seu rosto, mas ela o conteve. inclinou o tronco apoiando as mãos uma de cada lado da bancada atrás do mais velho, o encurralando em seus próprios braços. Se antes estavam próximos, agora, após se inclinar ainda mais, seus narizes quase se tocavam, ela podia sentir a respiração do barão ficando entrecortada. Ele estava ficando nervoso com sua reação. Ótimo, ela pensou.
Wilson se levantou do sofá onde descansava e rapidamente interceptou os passos determinados e impetuosos de Barnes. Bucky, com os olhos fixos em e Zemo, avançava com uma expressão dura, os lábios cerrados em uma linha fina. O ciúme ardia em seu peito, alimentado pela proximidade irritante entre a ruiva e o barão. Cada gesto de parecia uma provocação direta a ele.
Barnes não conseguia ignorar a forma como se inclinava perigosamente perto de Zemo, como se desafiando os limites. A visão do barão, encurralado entre os braços dela, fez o sangue de Bucky ferver. Ele sentia um impulso avassalador de intervir, de arrancar Zemo daquela posição e colocá-lo em seu lugar.
O ciúme não era apenas uma faísca, era um incêndio que consumia sua razão.
Wilson percebeu o conflito interno de Bucky, a tensão acumulada em cada músculo. Sabia que a impulsividade de Barnes poderia transformar a situação em um caos completo. Colocou uma mão firme no ombro do amigo, tentando acalmar a tempestade que via em seus olhos.

— Calma, Bucky — disse Sam, a voz firme, mas tranquilizadora. — Não é o momento para isso.

Barnes relutou, os olhos ainda fixos em e Zemo. A proximidade deles era um espinho em sua mente, uma provocação que ele não conseguia simplesmente ignorar. Mas as palavras de Wilson, o toque firme no ombro, serviram como um ancla, puxando-o de volta à realidade.
Até mesmo ele não estava entendendo o que a amiga pretendia, mas Sam estava notando que talvez seu erro fosse esperar dessa as mesmas atitudes que a do passado teria. O blip tinha mudado metade da população que voltou a vida, com não seria diferente, ele deduziu.

Resolveu intervir, dando dois passos adiante.
— Está tudo bem aí?
— Super. — murmurou entre dentes, sem tirar os olhos de Zemo. — Só pensando se aquele pegador de gelo é amolado o suficiente para arrancar a língua desse filha da puta sem que ele se afogue no próprio sangue. — Levou as íris até o objeto mencionado e então, o sorrisinho malvado que estava aprisionado em sua mente, saiu por seus lábios, deixando amostra seus dentes brancos e perfeitos.
— Tenha modos, nove. — Sharon se intrometeu. — Ao menos o leve para longe do carpete, eu o troquei ontem e não quero nada manchado de sangue. — Advertiu antes de sair.
— Sem sangue no carpete. Anotado. — A ruiva repetiu baixinho.
Zemo engoliu em seco, hiperventilando de repente.
— Ficarei calado de agora em diante.
A ruiva retirou as mãos do balcão atrás do barão, libertando-o da prisão que havia criado. Sua mão deslizou até o ombro dele, apertando-o com força, de forma nada agradável ou amigável.
— Bom garoto. — Disse, com um tom de voz carregado de desprezo e superioridade, antes de dar as costas e caminhar até o banheiro ao lado.




Aproveitando que Bucky já estava sem o uniforme de combate e vestido de forma mais apropriada para o ambiente, Sam sentou ao lado do amigo, seguindo seu olhar até encontrar a ruiva. Ela, embora já vestida com outra peça de roupa, parecia procurar algo nos cabides disponíveis.

— Vai me contar agora o que houve entre vocês dois? — perguntou Sam, a voz suave, mas curiosa.
— Não aconteceu nada. — James soltou o ar pelo nariz, claramente incomodado.
— Com certeza até eu sou um mentiroso melhor que você. — Sam respirou profundamente, seguindo novamente o olhar do amigo até a ruiva, que parecia ter se cansado de olhar as roupas disponíveis e ia até o banheiro novamente.

Durante todo o voo e os primeiros momentos em Madripoor, Wilson havia evitado tocar no assunto, mas agora estavam com tempo, em um lugar calmo e seguro. Estava na hora de começar a tentar encaixar as peças do quebra-cabeça que os dois amigos haviam deixado jogados e embaralhados pelo caminho.

— Nós terminamos. — murmurou Bucky, fechando os olhos para a triste realidade em que se encontrava.
— Até onde eu sei, você era louco por ela. E pela reação que teve ao vê-la dançando com aquele cara no bar, ou quando ela ficou próxima a Zemo, posso afirmar com clareza que você ainda é.
— Eu continuo louco por ela. — ele confessou baixinho e rendido, sabendo que não tinha mais idade para negação.
— E o que aconteceu entre vocês? — Sam tentou de novo. — Porque ela parece mais magoada do que aborrecida. — Wilson não queria tomar lados na briga dos amigos, mas sabia que, pelo comportamento da amiga, o que quer que tenha acontecido ainda a corroía.
— Eu fui um idiota. — respondeu cansado.
— Isso você vem sendo desde Washington em 2014, preciso que seja mais específico. — Sam tentou brincar, empurrando de leve seu ombro no dele.

Bucky desviou os olhos traidores que novamente estavam presos nela como um ímã sendo atraído ao seu pólo e olhou para os próprios pés. A imagem da última noite juntos, aquela em que pôs fim no mais próximo que ele teve de felicidade nos últimos setenta anos, passava como um disco arranhado por sua mente. Tirou o celular do bolso, hesitante. Abriu a tela e procurou pela música que mais cedo a ruiva tinha indicado. Era uma simples música, mas que ele não tinha tido coragem de procurar por ela enquanto estavam no jatinho de Zemo, até aquele momento.

— Ela me pediu para escolher.

Agora, com a tela iluminada em suas mãos, ele tocou o link e leu a letra que se desenrolava na tela. As palavras da música eram dolorosamente claras, cada verso um espelho do coração partido de . Ela falava sobre amor perdido, escolhas que machucavam, e a sensação de ser deixada para trás. Bucky sentiu cada palavra como um golpe, compreendendo finalmente o que ela havia sentido. A realidade da dor de , agora encapsulada em palavras e melodia, fazia com que o arrependimento de Bucky se aprofundasse. Ele percebeu o quanto a havia magoado, o quanto a sua decisão tinha despedaçado o coração dela.

— E eu não a escolhi.

O arrependimento misturava-se à sensação de que tinha feito a coisa certa no momento em que aconteceu. A dualidade de sentimentos o estava matando por dentro, pois, embora tivesse feito o que achava certo e o que seu coração pedia na época, as consequências de ter perdido para aproveitar os últimos momentos com seu melhor amigo em vida continuavam a assombrá-lo.
Sam acenou de leve, pois, embora Bucky não tenha entrado em detalhes, lhe dando apenas duas frases, ele entendeu o que elas significavam e o peso delas. O Falcão virou os olhos até a amiga e se perguntou o que teria feito caso algo parecido acontecesse com ele. Não saberia o que fazer e apreciou a lealdade de Buck com Steve, mesmo que isso o tenha feito perder o que considerava o amor da sua vida.

— Eu sinto muito, Buck. — Sam disse, a voz suave e compreensiva. — Às vezes, a vida nos coloca em situações impossíveis.
— E agora, ela... ela... — Bloqueou de vez a tela do celular e o guardou no bolso do terno, a voz carregada de tristeza e arrependimento.
— Ela está magoada. — Sam disse, optando pela sinceridade, tentando fazer com que Barnes entendesse a reação da amiga. — Em nenhuma das vezes que a vi com alguém, foi a primeira escolha. Isso a machuca profundamente.

Bucky abaixou a cabeça, sentindo o peso das palavras de Sam. A compreensão de que nunca tinha sido a prioridade para os outros, e agora ele também a tinha decepcionado, tornava sua culpa ainda mais insuportável.

— Eu nunca quis machucá-la, Sam. — Declarou, a voz quase um sussurro.

Barnes levantou o olhar para Sam, a culpa preenchendo todo seu organismo e lhe causando as mais diversas repulsa. Sabia que uma hora ou outra precisaria enfrentar seu passado e suas escolhas, não apenas por , mas por ele mesmo.

saiu do banheiro com a maquiagem refeita, o delineado puxado e os lábios retocados de vermelho. Por sorte, Sharon até tinha bom gosto com roupas e tinha maquiagem disponível no banheiro. escolheu um visual que exalava confiança e um toque de rebeldia. Ela vestia um vestido preto justo, que deixava uma porção significativa de pele à mostra, adicionando um ar ousado ao conjunto, feito de um material semelhante a couro, que abraçava suas curvas e terminava bem na metade de suas coxas. Por cima do vestido, ela usava uma jaqueta de couro preta, clássica e com zíperes prateados, que adicionava uma camada de atitude ao visual. Nos pés, optou por botas pretas de salto alto grossos, que alongavam suas pernas e adicionavam altura, tornando-a ainda mais imponente. As botas, com acabamento aveludado, contrastavam suavemente com o brilho do vestido, mas não a impediria de correr se necessário.

— Então, vamos mesmo passar a noite inteira aqui?

Bucky havia perdido completamente a capacidade de falar, bem como o controle sobre seu queixo caído. Os olhos do sargento estavam fixos em , cheios de uma mistura de admiração e surpresa, como se estivesse vendo uma visão.
Sam, notando o estado quase hipnotizado do amigo, decidiu tomar a dianteira da situação. Com um sorriso brincalhão, ele se aproximou de e soltou uma provocação leve, trazendo a atenção para si.

— Uau, você está parecendo uma vampira gótica!

deu de ombros e riu do que o amigo disse, uma parte de si obstinada a negar que sentia falta da sua companhia e em como Wilson tornava tudo mais leve. A ruiva sentiu seu corpo inteiro acender pela forma como Bucky a encarava. Por mais que quisesse negar e se debater contra isso, fugir do sentimento ou da maneira como seu corpo respondia a ele, era impossível ignorar a intensidade daquele olhar.
Sam, percebendo a persistente falta de reação do amigo, riu e deu um leve empurrão em Bucky, tentando trazê-lo de volta à realidade.

— Cara, vai dizer alguma coisa, senão ela vai achar que você virou uma estátua! — brincou Sam, seu tom cheio de camaradagem.

James piscou, envergonhado por seus olhos traidores não disfarçarem o quanto aquela visão dela o afetava. Ele estreitou as palpebras, pensando rápido no que falar para não parecer ainda mais um completo idiota.

— Aposto que sei até onde escondeu a arma. — Debochou, se obrigando a desviar os olhos dela, a voz saindo mais rouca e carregada de tensão do que pretendia.
Aparentemente ele falhara nessa missão também.

tentou manter a compostura, lutando contra o impulso que seu interior teve ao ouvir a voz grave e sensual dele. O desejo e a raiva se misturavam em um turbilhão dentro dela. Revirou os olhos, disposta a não dar o braço a torcer, e abriu um sorriso ladino, decidida a provocá-lo mais antes de sair finalmente da sala e ir em direção à festa.

— Você pode perguntar isso ao primeiro cara que colocar a mão por debaixo da minha saia hoje à noite. — respondeu, sua voz carregada de desafio e uma pitada de malícia.

se virou para sair, mas não antes de lançar um último olhar para Bucky, um olhar que misturava ódio e amor reprimido. Cada passo que dava a afastava fisicamente dele, mas a conexão emocional, carregada de memórias e sentimentos não resolvidos, mantinha-os irremediavelmente ligados.
Bucky observou-a se afastar, cada movimento seu um lembrete doloroso do que perdera. Sua mão cerrou em um punho, lutando contra o desejo de ir atrás dela, de puxá-la para si e acabar com a distância entre eles.

Sam balançou a cabeça em negação, incapaz de interromper as próprias ações ou o sorriso arteiro em seus lábios, ter aqueles dois por perto seria mais cômico do que poderia imaginar.

Tsc. Tsc. Tsc… Idiota desde 2014.



A boate estava lotada, um mar de corpos se movendo em sincronia com a batida pulsante da música. As luzes estroboscópicas criavam flashes de cor que dançavam pelas paredes e pelos rostos suados dos frequentadores. O ar estava pesado com o cheiro de perfume, álcool e a inconfundível nota amarga das drogas que circulavam livremente. A música, alta e imersiva, fazia o chão vibrar e o coração bater no ritmo dos graves profundos.
No centro da pista de dança, se destacava. Seu corpo se movia com uma fluidez hipnotizante, cada movimento uma expressão de sua tentativa desesperada de se perder na música e esquecer seus problemas. A jaqueta de couro fora abandonada em algum lugar, e o vestido justo de couro preto brilhava sob as luzes, destacando suas curvas. Ela segurava seu quarto drink da noite, um líquido âmbar que prometia um alívio temporário do turbilhão de pensamentos que a assombrava.
Em volta dela, a multidão era um caos organizado de pessoas dançando, corpos roçando uns nos outros, cada um perdido em sua própria busca por prazer ou esquecimento. Mãos se erguiam no ar, cabeças balançavam ao ritmo da música, e risadas ecoavam entrecortadas por gritos de excitação. Bandejas com copos de bebidas coloridas passavam de mão em mão, e em alguns cantos mais escuros, transações discretas aconteciam, trocando dinheiro por pequenos pacotes de pó ou comprimidos.
levou o copo aos lábios, tomando um gole grande, sentindo o calor do álcool descer por sua garganta. Seus olhos estavam semicerrados, não pelo efeito da bebida, mas pela concentração em se manter afastada de qualquer pensamento relacionado a Bucky Barnes. Cada batida da música era uma tentativa de afogar a memória de seu olhar intenso, de sua voz grave que a fazia tremer por dentro.
Ela sentia os olhares sobre si, admirativos e desejosos, mas nenhum deles importava. Tudo o que ela queria era se perder naquele momento, esquecer a dor e o desejo que lutavam dentro dela. Outro gole, e ela fechou os olhos, deixando a música tomar conta de seu corpo, movendo-se ao ritmo sedutor e libertador das batidas. A sensação de estar sendo observada queimou toda sua pele e a ruiva se viu obrigada a abrir os olhos e olhar ao redor, procurando quem a encarava. Não demorou muito para que encontrasse um par de olhos azuis frios e turbulentos cravados em cada movimento que fazia.
Quem ele achava que era? Que direito James tinha de tratá-la daquela forma? Ele tinha decidido ir embora. Ele não a quis mais. Ele que terminou tudo.
Por que diabos, então, parecia que o soldado estava incomodado ao vê-la dançando?
suspendeu o copo na direção do sargento, brindando ao ar e virou tudo de uma vez. Embora aquele fosse apenas seu quarto drink, o que tinha tomado mais cedo parecia ter se misturado à bebida colorida de agora e seu corpo já dava claros sinais de embriaguez. Estava se sentindo leve, o sorriso estava estampado no rosto embora não tivesse motivos. gostava dessa sensação. Gostava de estar no controle de suas ações ao mesmo tempo em que o filtro em sua mente parecia ter sido desligado.
E oh, ela sabia exatamente o que estava fazendo, precisaria de muito mais álcool para lhe deixar inconsciente. só… Estava relaxada e o passado parecia não mais alcançar-lhe. Era bom. Sentia-se livre.

— Você deveria ir dançar com ela.
Sam repetiu a frase pela segunda vez na mesma noite, torcendo para que agora Barnes não encontrasse nenhuma outra desculpa.
Bucky o encarou, muito mais incomodado do que cansado. Num lampejo de coragem e determinação, virou o copo de whisky que tinha em mãos e o empurrou no peito do amigo, que segurou o objeto com as sobrancelhas arqueadas.
James não o respondeu, embora toda a cena deixasse claro o que pretendia fazer. E para ser justo, ele não ia até , estava confortável demais apenas a comendo com os olhos e imaginando em sua mente distorcida o que falar e o que fazer para conseguir tê-la de volta nem que fosse por mais um minuto.
O que era a fanfic mais deslavada que ele criara. Barnes sabia muito bem que, no momento em que tivesse de volta em seus braços, dessa vez, dificilmente ele a deixaria ir embora. Então, por hora, estava tudo bem encará-la de longe.
Algo dentro dele mudou quando as batidas da música mudaram para uma mais sensual ainda, não que ele conseguisse distinguir os cantores, mas a letra era bastante explícita e libertina, para seu gosto. Seu estômago se contorceu, Barnes só não saberia afirmar se de incômodo ou de fascínio no que via.

Mamãe não sabe que o papai está ficando excitado no bordel cometendo alguns pecados.

Que porra de música era aquela, afinal de contas?
Ele não saberia dizer e tampouco tentaria buscar lógica, porque seus olhos, agora muito mais nublados e furiosos, captou o exato momento em que um homem colou seu corpo nas costas de e cravou suas mãos em seu quadril, aproveitando-se do ritmo da música para roçar seu corpo ao dela.
Isso foi o que fez Barnes beber o whisky em um gole e empurrá-lo no peito de Sam, e o que o motivou a marchar até a pista de dança segundos depois, foi ver a própria insinuar levar a mão do filha da puta por baixo do vestido.
Com a porra dos olhos vidrados ao de Barnes.
Nos anos ‘40, o auge de sua curta juventude, James não era conhecido muito bem por suas melhores atitudes relacionada ao seu ciúme ou o que faria para conquistar uma garota. 84 anos depois e sendo a garota em questão, o sargento se viu sendo consumido por uma aflição que irradiava seu peito.
Ver deixar que o homem tocasse seu corpo daquele jeito e se deixar levar pela batida da música, levantando os braços para que a criatura atrás de si tivesse mais acesso ao seu corpo e fechando as pálpebras quase em deleite por ter conseguindo lhe atingir.
Seus passos duros e exigentes chegaram ao seu destino final quase que num passe de mágica e Barnes muito mais furioso do que incomodado, fechou sua mão de vibranium na nuca do homem que, embora mais alto que , continuava sendo menor que ele, e o puxou para trás, o tirando, quase que imediatamente, de perto dela. O frouxo, como Barnes bem o apelidou mentalmente, sequer tentou revidar sua postura, o mirando nos olhos e tendo a certeza de que se o fizesse, acabaria morto.
E ainda dizem que os olhos não são capazes de mandar mensagens.
Agora sem aquele engraçadinho por perto, o soldado deu os dois únicos passos que o separava de e assim como segundos atrás, ela tinha um corpo masculino a abraçando por trás. Dessa vez, contudo, parecia certo e deliciosamente gostoso.
Afinal, era Bucky Barnes que estava apertando sua cintura e levando os dedos até seu quadril, numa carícia nada tímida para seus costumes.
que ainda contemplava o completo escuro de ter suas pálpebras fechadas, bufou descontente, aborrecida pelo mínimo toque dele em sua pele, mesmo que por cima das luvas de couro dele ou da roupa que usava, ser o suficiente para que se arrepiasse inteira.

— Você assustou meu acompanhante. — Soprou baixo, sabia que a super-audição do moreno o faria escutar.
Barnes passou a língua nos lábios sentido-o secos. O aperto de suas mãos ficando cada vez mais firmes com a ruiva empinando, propositalmente, ainda mais a bunda em sua direção.
— Ele não era bom o bastante para você. — Sussurrou ao pé do ouvido, colando muito mais os corpos.

não conseguiu conter o suspiro profundo que escapou dos lábios. Estava se afogando de novo. Era fácil demais Barnes a puxar do precipício e a levar para o fundo do oceano de seus sentimentos por ele. Com ele ali colado ao seu corpo, se deixando levar pelos movimentos que ela ditava. As mãos dele passeavam pela cintura, pelo quadril, tocando de leve sua barriga, quase abaixo do umbigo. Era difícil controlar as reações. Seu corpo traidor não estava mais na mesma página que seu coração magoado.

— E você é? — Desafiou, sua voz tremendo levemente.
— Você sabe que sim, boneca. — A voz de Bucky era um sussurro rouco, carregado de desejo.

A música estava alta, as pessoas ao redor dançavam da forma mais sexy e até depravada possível, mas para os dois, era como se só eles estivessem no ambiente. As palavras não passavam de um murmúrio baixo e rouco. se aproveitando da super-audição do soldado, embora não fosse capaz de falar mais alto que aquilo, visto que, de repente, sentia-se fraca. E Barnes, usando da proximidade para sussurrar no pé de seu ouvido e deixar beijos singelos sob sua pele.

— Quando ficou tão convencido? — Desconversou, incapaz de seguir por aquele caminho.
— Quando vi todo seu corpo se arrepiar só com um toque meu. — Respondeu, a voz carregada de certeza.
— Além de egocêntrico, é esquizofrênico. — Retorquiu de imediato, mas abriu um pouco a boca ao sentir o aperto mais firme de suas mãos, o prazer misturando-se à frustração.

Barnes, para provar seu ponto, levou uma mão até sua nuca e arrastou de leve os fios ruivos para o lado, deixando sua nuca amostra. Seus lábios tocaram a pele fina da lateral do seu pescoço o chupando devagar, deixando que sua língua a encontrasse segundos depois.
ofegou, seu corpo inteiro reagindo ao toque dele, cada terminação nervosa acendendo. Ela tentou se afastar, mas as mãos firmes de Bucky a mantinham no lugar, pressionando-a contra ele. O ódio e o amor se entrelaçavam em um turbilhão de emoções, e ela se odiava por ainda desejar alguém que a havia machucado tanto.
James deixou mais um beijo bem no centro de sua nuca. Dessa vez, o feixe de luz iluminou quase que a pista de dança inteira, o permitindo ver, tão de perto, o microchip inserido na pele macia e pálida, assim como a cicatriz ao redor do objeto.
— Quando aconteceu?
— Eu já respondi a essa pergunta. — Enrugou o nariz, se incomodando pelo caminho que Barnes queria seguir. Tensão sexual? Podia com isso, era até gostoso. Traumas do passado? Com isso não podia lidar.

Barnes levou a mão até a própria boca, mordendo a luva que escondia sua pele e a arrancou rápido. Seus dedos teimosos pinicavam para realmente tocar sua pele e sentir todo seu corpo sem nenhum tecido entre eles. Contornou toda a pequena cicatriz ao redor do microchip, o relevo das marcas quase imperceptíveis a olho nu. Não para ele. Nunca para ele.

Quando, ? — Soprou. Os movimentos eram lentos, quase a massageando naquela área. A outra mão, a de vibranium, nunca deixando sua cintura. Precisava entender quando e como tinha acontecido.

girou veloz, ficando cara a cara com ele. A bota alta servia para que ficassem quase na mesma altura. Os perfumes e os olhares se misturaram. Já não conseguiam mais saber a música que tocava ao fundo, embora seus corpos não deixassem de se mexer. Muito mais pelo contato um do outro, do que pela dança em si, não que fossem admitir.
levou a mão até o rosto de Bucky, seus dedos traçando uma linha suave pela mandíbula dele, descendo pelo pescoço até o peito. Seus olhos brilhavam com uma mistura de ódio e desejo, e Bucky sentiu o coração acelerar. Ela inclinou-se, seus lábios pairando a um fio de cabelo de distância dos dele, como se estivesse prestes a beijá-lo. Bucky prendeu a respiração, esperando, desejando.
Mas então, desviou. Seus lábios indo parar ao lado do ouvido dele. Sussurrou com todo o ódio e mágoa ensaiados, a voz um veneno doce e doloroso, a bolha sensual e cheia de tensão que tinham entrado havia estourado.

— Tudo aconteceu no dia em que terminamos. — Disse, o tom frio como gelo. — Quando cheguei no apartamento, completamente vulnerável e sentindo como se tivesse sido violada, já que fui obrigada. Sabia que me amarraram e que eu não fui sedada? — Cuspiu as palavras. Lembranças dolorosas bombardeando sua mente. — Gritei por horas a fio, até que tudo acabou e eu fui liberada como um animal. Cheguei no nosso apartamento não muito tempo depois e você praticamente me colocou para fora.

Bucky recuou, a expressão de choque e dor se espalhando pelo rosto. Suas mãos caíram ao lado do corpo, a culpa e o arrependimento o atingindo como um soco no estômago. Ele olhou para , buscando as palavras, mas encontrou apenas silêncio. As peças finalmente começavam a se encaixar, e ele se lembrava vividamente do estado em que estava na noite em que terminaram.
Ela chegou ao apartamento que dividiam, os olhos vermelhos e inchados, o corpo tenso e a expressão desolada. Ele se recordava de como ela mal conseguia manter contato visual, a vulnerabilidade dela o deixando desconfortável, mas ele estava tão preso em sua própria dor e confusão que era ver o melhor amigo morrendo um pouco todos os dias, que não conseguiu ver além de si mesmo. Suas próprias emoções haviam nublado sua visão, impedindo-o de perceber o quanto precisava dele naquele momento.

se afastou, decidida. Seu corpo tremia de emoção reprimida, e ela sabia que precisava sair dali antes que perdesse o controle, que deixasse seus desejos cederem ao coração partido. Deu um passo para trás, mantendo os olhos fixos nos dele, a dor e a raiva ainda fervilhando. Assim como era fácil se afogar em Bucky Barnes, toda a mágoa e dor que carregava em si parecia ser o suficiente para a trazer de volta da imensidão de seus olhos azuis.

— Se tivesse dito a coisa certa, poderíamos estar num canto qualquer, nos beijando e nos livrando de toda essa roupa. Mas você nunca fala a coisa certa. — Fechou os olhos. — Por que não disse a coisa certa? — Sussurrou frustrada, mais para si mesma que para ele, virando-se ao não conseguir esconder as lágrimas que já enchiam seus olhos, e desapareceu na multidão. Deixando Bucky sozinho na pista de dança, com o peso insuportável de suas ações passadas esmagando seu peito.

A música continuava alta, as luzes piscando e os corpos dançando ao redor, mas para Bucky, tudo parecia distante. Ele estava perdido em um mar de arrependimento, a lembrança da mágoa de o consumindo.

*****

Uma hora ou mais tinha se passado desde que Sharon sumiu de qualquer parte do amplo local onde a festa ainda ocorria. Descobrir onde Nagel estava escondido em Madripoor demoraria bem mais que míseros sessenta minutos, bem sabia disso. Sua disposição para festejar e interagir com pessoas, no entanto, havia morrido assim que James tocou naquele assunto.
Estava puta da vida. Puta da vida e com o choro entalado na garganta. Abrir a boca e expelir, mesmo que sem todos os detalhes, sobre o que tinha passado abriu nela a ferida que nunca tivera tempo de cicatrizar ou sequer parar de sangrar. Sentia-se exposta e vulnerável, mas, acima de tudo, sentia ódio de si mesma por ver que esfregar na cara de Bucky Barnes que quando mais precisou dele ele a empurrou para longe, não a satisfez como achou que seria.
o odiava. Por Deus! Nem era uma pessoa religiosa e lá estava, novamente, chamando por um ser onipresente que, se realmente existisse, estaria gargalhando de sua situação. Caminhou por entre as pessoas, esbarrando nas que não saiam de seu caminho e empurrando aqueles que gostariam de um pouco mais de sua atenção. Bebeu mais do que devia e agora a sensação mágica da liberdade dava lugar à prisão que todas suas lágrimas estavam encarceradas.
A linha tênue entre amá-lo e odiá-lo era fina e estava bamba, balançando e pendendo de minuto em minuto para ambos os lados. O conhecia o suficiente para saber que suas palavras tinham o machucado mais do que ela estava machucada. Barnes era a pessoa mais empática do mundo e após o Invernal, tendia a querer abraçar o mundo com as mãos, achando que tudo de ruim que acontecia às pessoas ao seu redor era sua culpa. De forma alguma queria alimentar esse sentimento. Ela só achou, por um nanossegundo, que seria gratificante vê-lo tão magoado como ela ficou no dia em que terminaram.
Inferno!
Estava louca! Completamente fora da sua casinha. Desejou, como nunca antes, ter seguido as ordens do seu superior e não ir atrás de Sam e Bucky. Onze meses não seria o suficiente para superá-lo. Acreditou, enquanto as portas do elevador se abriam para que entrasse e seguisse ao andar dos quartos que Sharon os ofereceu para passar o restante da madrugada, que talvez nem onze anos seriam o suficiente para que esquecesse do sentimento avassalador que sentia por Barnes.
Precisava de comida, bastante água, um banho demorado e dormir. Não necessariamente nessa ordem, mas seria o bastante para tirar todo o álcool do seu organismo e ficar disposta para o que tivesse de vir pela frente. Quando as portas do elevador estavam quase completamente fechadas, no entanto, uma mão se pôs no meio da abertura, obrigando o sensor a abrir para que entrassem. o olhou por cima dos ombros e bufou, limpando as lágrimas grossas e silenciosas que escorregavam de seus olhos. Era estranho saber que ao mesmo tempo em que gostaria de matá-lo, tudo o que precisava era se aninhar em seus braços.

— Por favor, me deixa em paz. — O que era para ter saído como uma ordem ou ameaça, não passou de um sussurro postulado.
— Eu não sabia. — James tinha o coração batendo forte e a respiração ofegante. Tinha decidido de última hora ir atrás dela, mesmo que não soubesse o que dizer.
deixou os ombros caírem e encarou os pés, engolindo em seco.
— Se soubesse, teria esperado um tempo para me enxotar como se eu não significasse nada na sua vida?
— Não, eu… Na.. Claro que não! — Barnes tinha as mãos trêmulas e as pálpebras arregaladas. — Te deixar ir foi a coisa mais difícil que eu já fiz na vida. — Confessou baixinho, o coração bombeando rápido e violentamente sua caixa torácica.
Tão rápido quanto sua fragilidade veio, vestiu seu fiel e escudeiro manto da indiferença, mascarando por trás do semblante duro e cruel, toda a dor que sentia.
— Não estou aqui para lavar roupa suja do passado, Barnes. — Endireitou a postura e o encarou, deixando que visse os olhos borrados pelas lágrimas derramadas.
— Você não consegue se esconder de mim, . — Ignorando a atitude dela, Barnes deu um passo à frente, se aproximando. — Eu te conheço melhor que ninguém. Eu já estive na sua mente, assim como você já esteve na minha. — A tristeza era nítida no seu tom de voz e na carranca que seguia seu rosto.
— Se me conhece tão bem, sabe que tudo o que sinto por você agora é ódio! — Respirou alto pelo nariz, cerrando os punhos. E, naquele momento, era verdade! Mais uma vez a linha ténue entre o amor e o ódio que sentia por Barnes, tinha balançado e agora, pendia para segunda opção. Era confuso e cansativo.
Olhou para cima, constatando que seu andar estava mais distante do que gostaria e bufou, dando as costas novamente ao homem. Não queria vê-lo, não queria respirar o mesmo ar que ele, não suportava estar no mesmo ambiente que ele.
A sensação de ter alguém invadindo todo seu espaço pessoal, no entanto, a fez tentar virar para mirá-lo. Pois, num rompante, e como acontecia sempre que estava preso a aura viciante da ruiva, Barnes era envenenado por atitudes que jamais teria. Intoxicado por seu desejo.




CONTINUA...


Nota da autora: Oiii! Só queria deixar registrado aqui que Echoes é uma continuação direta de Dark Mind Program (para quem um dia chegou a ler), então por isso, existirão sim spoilers sobre a vida da nossa Ravzinha e de todos os outros vingadores nos últimos anos. DMP ainda é meu projeto pessoal e eu não desisti dele, porém, por ora, deixo vocês com minha filhinha caçula.

Esta autora jura que está tentando escrever um Enemies to Lovers bom, mas enquanto a Raven está no enemies, o Bucky nunca nem saiu do lovers! Fica muuuuuito difícil assim!

Leia também:
We Can Learn To Love Again — Spinoff de Echoes para o Especial do Dia do Sexo



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