Independente do Cosmos🪐
Última Atualização: Fanfic Finalizada 🎃No meio de tudo aquilo, caminhava ao lado de , os braços cruzados contra o peito, como se quisesse se proteger de um frio que não vinha do vento. O namorado andava dois passos à frente, mexendo no celular, o rosto iluminado pela tela azulada que apagava qualquer traço de arrependimento.
Tinham discutido há pouco, por algo pequeno — algo sempre pequeno. Um comentário bobo, um olhar mal interpretado, e então o tom de voz dele ia subindo, o dela, no entanto, ia perdendo casas e mais casas, mesmo tentando se explicar. No fim, como sempre, a culpa acabava sendo dela. sabia fazer isso soar lógico, inevitável, até.
o observava de soslaio, o coração apertado em silêncio. O barulho que vinha de Everdusk parecia até distante como se ela estivesse dentro de um aquário de vidro, vendo o mundo se mover sem conseguir tocar nele. Passaram por uma barraquinha de algodão doce, e o cheiro a enjoou.
As luzes coloridas refletiam em seu rosto, criando sombras suaves nos olhos tristes. Ela fingiu ajustar a manga do casaco só para disfarçar a vontade de limpar as lágrimas que insistiam em se formar.
— Tá com essa cara por quê? — perguntou, sem sequer tirar os olhos do celular.
hesitou por um segundo, mas logo depois sua voz baixa respondeu:
— Nada.
O namorado da garota deu uma risadinha seca, como que vence uma discussão invisível.
Ela continuou andando, sentindo o chão vibrar sob seus pés com o som distante das pessoas ao seu redor. Lá em cima, a roda gigante girava lentamente, seus vagões subiam e desciam em círculos intermináveis — e ela se perguntou, naquele momento, se era assim também que o amor com funcionava: um giro constante entre o alto e o vazio, mas sem nunca sair do lugar.
Até que todas as luzes do parque se apagaram, e os alto falantes começaram a fazer um chiado baixo, que foi aumentando lentamente, até um grito assustador ecoar por eles. olhou para cima e ao redor, sentindo que o medo estava tomando conta dos seus sentidos e o seu estômago gelou, fazendo com que a garota segurasse no braço de com certa força, procurando algum traço de proteção.
O garoto soltou outra risadinha seca, achando até mesmo fofo a reação de sua namorada. Tão pequena e frágil, pensou.
As luzes voltaram, agora piscando, mas em vermelho e branco, a enorme roda gigante se iluminou, grande, imponente, mas não era mais um brinquedo que parecia ter sido feito para crianças, apenas as cabines estavam acesas em um tom de vermelho bem escuro, e dava para ver como se fossem teias de aranha penduradas nelas, o que só foi visto após a troca de iluminação do lugar.
Bury a friend começou a tocar. A batida grave e pesada, fazendo o chão e até mesmo todos os vidros do parque vibrarem, colocando tudo em perfeita sincronia com os corações das pessoas, pesando o ar do lugar, em segundos.
Everdusk sempre abria em outubro com suas atrações de terror por causa do Halloween. O parque tinha a fama de se transformar em horários aleatórios durante, totalmente inesperados, e pessoas fantasiadas de monstros ou assassinos saiam por ele assustando todos que conseguiam, sendo famoso por isso, em suas noites sombrias.
Os gritos começaram a se espalhar por entre os brinquedos, que se tornaram mais assustadores, mas principalmente pelas pessoas estarem se assustando com as outras que passavam fantasiadas e perseguindo os outros. Um momento tinha uma mulher sangrando na sua frente, se jogando no chão e se contorcendo, no outro não tinha mais ninguém ali, a luz piscava, e mais nada existia.
estava fantasiado de caveira, mas tinha um corte grande em seu pescoço, em uma ferida exposta, a carne aberta e nojenta. Uma faca enorme em sua mão direita, pingando sangue falso pelo caminho, deixando um rastro. Seus olhos totalmente pretos por conta da lente de contato que usava, parecia estar possuído por alguma espécie de demônio. O cabelo estava penteado, totalmente para trás, lhe dando um ar de elegância apesar do contexto. Ele avistou e que pareciam estar em uma pequena discussão, e sorriu de lado, perverso e maldoso. Então foi andando na direção dos dois, passos fortes, brutos e determinados. A música extremamente alta batia até mesmo em seu peito, que vibrava de euforia. Ele adorava aquele trabalho.
Então quando se aproximou o suficiente, deu um esbarrão na garota, que trombou para frente, mas seus dedos tocaram na mão dela, deslizando lentamente. O toque gelado e melado com o sangue falso tirou dela um arfar, que arregalou os olhos. O homem deu um pequeno giro, agora dando uns passos para trás, e olhando para a garota, e lentamente levou a ponta dos dedos até seus lábios e os lambeu, encarando os olhos assustados dela entre as luzes brancas e vermelhas que piscavam sem parar.
— … — chamou baixinho pelo namorado, mas quando olhou ao redor, ele estava muito ocupado com o celular apontando para ela, gravando sua reação.
ria da reação de , achando a maior graça que ela praticamente estava morrendo de medo de uma fantasia.
não tirava os olhos da garota, eles se conheciam, mas ele não tinha certeza se o reconheceu. De qualquer forma, ele levou o indicador até a frente dos lábios e fez um sinal para que ela ficasse calada, e logo depois sorriu de lado, voltando a se virar e sumir entre as pessoas entre um piscar de luzes.
Foi só então que voltou a se aproximar, e passou as costas da mão no rosto, limpando as lágrimas finas que tinham caído — seja pela discussão com o homem, ou pelo medo que sentiu.
— Eu quero ir embora — ela pediu baixinho, a voz embargando.
— Qual é, , combinamos de nos encontrar com o pessoal — reclamou. — Não seja dramática e estraga prazeres. Não hoje, pelo menos. Nem tudo é sobre você.
As palavras de atingiram um ponto na garota que a fez suspirar. Ela não queria estar ali, na verdade, ela não queria nem ter ido; mas tinha a incrível dificuldade de dizer “não” para as pessoas. Principalmente para .
Mas ele estava certo, nem tudo era sobre ela e todos os seus amigos estavam esperando por ele.
— Tudo bem — murmurou sem vontade, limpando a mão gosmenta com sangue falso em sua calça preta.
soltou outra risadinha, passando o braço pelo ombro da garota e a puxou em direção a Casa dos Horrores, local onde tinha combinado de se encontrar com seus amigos.
A cada passo que davam, olhava ao redor, tinha um pressentimento de que estava sendo observada e o medo que sentia só aumentava, apertando o seu peito e a fazendo hiperventilar. As fantasias que os funcionários do parque usavam realmente eram assustadoras e tirava pulinhos dela, que se encolhia contra o namorado sempre que um chegava mais perto.
— Deixa de ser medrosa, , são fantasias, é tudo falso — reclamou, agora verdadeiramente irritado por ela continuar com aquele show.
cruzou os braços e fechou as mãos em punhos, fincando suas unhas finas na carne da palma com força, seguindo o passo dos namorados até pararem onde ele queria. O pessoal já estava esperando por eles dois, em um total de seis pessoas, que se conheciam desde a época de escola e, não perderam o contato mesmo depois do ensino médio terminar.
sentia, desde nova, que não se encaixava com aquelas pessoas, e por isso ela mal falava ou interagia, ficava presente como um fantasma. Invisível para todos, como sempre.
Ela puxou as mangas do casaco que usava, apertando o tecido do algodão entre os dedos e respirou fundo, soltando um ou outro sorriso fechado e falso quando algum olhar era direcionado para si — mas isso não durava mais do que cinco segundos.
Nem mesmo estava prestando atenção na garota agora, muito ocupado em fazer piadinhas com Jackson e Dustin, dois de seus amigos mais próximos.
, que até então não tinha se dispersado totalmente, havia seguido os dois, espreitando entre as pessoas e os brinquedos. O garoto queria muito assustar ainda mais do que já estava, então passou ao lado dela de novo, porém por trás, e de forma disfarçada, passou a mão pela cintura da menina, mas do lado oposto que ele estava, apenas para que ela olhasse para o lado contrário.
arfou, mordendo o lábio inferior ao procurar quem tinha feito aquilo. Sua pupila estava dilatada e ela estava em alerta desde que aquele show de horrores começou.
— Vamos na montanha russa? — Uma das garotas sugeriu.
— Eu na…
— Vai ser foda! — A voz baixa e tímida de foi interrompida, e ela se encolheu.
— Montanha russa e depois Casa dos Horrores!
Eles decidiam entre si, esquecendo e invalidando completamente a opinião da única pessoa que parecia extremamente desconfortável com todas as opções sugeridas. Ainda assim, continuou seguindo o grupo, mas foi ficando cada vez mais para trás, percebendo que — como sempre — sua presença não estava sendo notada; parou então em uma barraquinha de tiro ao alvo e ficou olhando as pessoas jogando e ganhando brindes.
O homem fantasiado de caveira continuou sua perseguição silenciosa, e parou atrás de , e ficou calado, apenas olhando de cima, a garota distraída demais com os tiros para notar sua presença. Até que abaixou seu rosto ao lado do dela.
— Oi, — falou, a voz baixa e rouca, como de um assassino de um filme de terror.
sentiu um arrepio tomar conta de si, olhou lentamente para o lado e quase pulou em direção oposta àquele cara, se afastando dele como se tivesse uma doença contagiosa, tirando uma risada baixa dele. Isso, claro, deixou o rosto da garota muito quente e ela desviou o olhar.
Não queria saber como ele descobriu seu nome, certas coisas era melhor não ter ciência, mesmo que se sentisse curiosa. Foi dando passos incertos para trás, colocando mais distância entre os dois, quando acabou esbarrando em um velho carrancudo e de meia idade, que praticamente a empurrou.
— Olha por onde anda, pirralha! — reclamou alto.
foi rápido, e por reflexo segurou o pulso do homem, olhando bem sério para o sujeito, como se a faca de mentira em sua outra mão pudesse ser real e ele fosse enfiá-la naquele babaca.
— Não toque nela — falou em tom de aviso e soltou o pulso dele com nojo.
não sabia o que estava a assustando mais, o ambiente, aquele cara fantasiado de caveira e que parecia estar perseguindo ela ou o velho que os encarava como se fosse disparar as balas falsas nos dois. De qualquer forma, suas unhas foram de novo até a palma da mão, uma mania que tinha adquirido para tentar se acalmar.
Aproveitou que o caveira parecia estar distraído e se misturou entre as pessoas, tentando se tornar invisível para ele também, mudando o caminho que fazia e seguindo em direção a roda gigante agora. Pelo menos naquele brinquedo, quando parasse no topo, ela se sentiria melhor, longe de tudo aquilo.
não a perdeu de vista, mas não a seguiu desta vez também, apenas foi até o balcão do tiro ao alvo e assobiou, chamando o atendente que se aproximou, reconhecendo o colega de trabalho.
— Fala ai, cara. Beleza? — Dennis, o atendente, falou com o outro homem.
— Beleza — respondeu dando um sorriso largo. — Me dá aquele monstrinho ali.
— O Labubu? — perguntou, olhando para onde o amigo apontava.
— Sim, o rosa claro — pediu, porque ele já tinha visto os prêmios mais cedo. — Coloca na sacola, porque estou com a mão suja.
— Seja para quem você for dar essa coisa, eu tenho pena da garota — Dennis comentou, fazendo o que o amigo pediu.
— Não é para ela gostar mesmo — confessou rindo, fazendo o outro homem rir também.
— Você tem um jeito peculiar de agradar as pessoas — falou entregando a sacola com a pelúcia dentro.
— Valeu — agradeceu, e colocou no bolso lateral da calça cargo que vestia.
Ele saiu novamente pelo parque, voltando ao trabalho, assustando algumas pessoas no caminho, especialmente as meninas que berravam e corriam para longe, levando sustos com o garoto aparecendo do nada na frente delas. Até que viu parada na fila da roda gigante. A parte da frente do brinquedo sendo iluminada por causa das luzes vermelhas que vinham da grande estrutura que girava devagar.
— Eu não sabia que garotinhas boazinhas andavam por aí sozinhas no escuro — falou novamente perto do ouvido dela só para assustar.
Outra vez, aquele mesmo arrepio veio da espinha de , subindo até sua nuca e ela olhou lentamente para o caveira.
— Você não tem outra pessoa para assustar? — Tentou soar incisiva, mas sua voz trepidou o tempo inteiro, e por fim, escolheu o caminho mais covarde: voltou a olhar para a fila, como se o homem não estivesse ali.
— Gostei de você — confessou, rindo de leve. — Seus olhinhos brilhando tão assustados, é excitante.
A garota o olhou por cima dos ombros, mordendo o interior da bochecha. Apesar das lentes pretas que cobriam totalmente os olhos do garoto, ele a encarava de forma obscura.
— Não tem graça alguma — ela murmurou, passando rapidamente as íris pelo rosto do homem, incomodada com as lentes que ele usava.
— Claro que tem — disse, sorrindo de forma larga. — Tenho uma coisa para você, mas preciso que pegue ele. — Apontou para baixo.
A fila andou mais um pouco e seguiu, mas olhou para o lado quando ouviu o que o garoto tinha dito. Foi super automático sua reação: pegou sua bolsinha a tiracolo e acertou no caveira, que começou a rir.
— Pervertido! — grunhiu alto, chamando a atenção das pessoas na fila. — Fica longe de mim! — falou rapidamente, o acertando outra vez.
— Aposto que você vai adorar — ele falou, dando risada daquilo.
Então ele abaixou a mão devagar, olhando para a garota, assim como as pessoas que estavam próximas a eles, tentando entender o que estava acontecendo. O rosto de estava quente, e ela apostava que bastante vermelho também. Era vergonha misturada com raiva e frustração.
— Vou abrir uma reclamação contra você! — Ela ameaçou aos sussurros.
— Pode abrir mais do que isso — disse, e abriu o bolso da calça, e puxou a sacola pequena de lá. — Isso aqui, talvez. — Estendeu a sacolinha preta em direção a garota.
As orbes claras de se estreitaram e ela puxou a sacolinha pequena e manchada com sangue falso de uma vez, abrindo aquilo e tirando o objeto de dentro. Ela pensava que, quanto mais rápido fizesse o que o caveira quisesse, mais rápido ele a deixaria em paz.
— Isso é… a coisa mais feia que eu já vi — comentou encarando o pequeno ursinho em suas mãos, voltando a fitar o homem que parecia se divertir bastante às suas custas.
— Assim você vai magoar os sentimentos do Lu. — apontou para o Labubu na mão da garota. — Olha o quanto ele é fofo, os olhinhos de coração. Tão adoráveis quanto os seus assustados.
Bem nessa hora, por ironia do destino, ou não, apareceu do lado da namorada, assim como o grupinho de seis pessoas que o acompanhava.
— Porra, , você saiu de perto, me fez sair da fila da montanha russa quando íamos entrar! — reclamou, passando o braço pelo ombro da garota e a puxou para perto, até que viu o que ela tinha em mãos. — Quem te deu isso? — perguntou, tirando de suas mãos.
— … — falou retraída.
— Que foi? — Ele encarou , irritado.
— Nada, desculpa — respondeu baixinho.
— Posso conseguir que vocês cortem a fila na Casa dos Horrores — falou, cortando o assunto, vendo que a garota estava desconfortável com a situação.
O grupinho inteiro pareceu gostar do que o homem ofereceu, se animando automaticamente. Alguns carregavam sacos de papel em volta de garrafas de vidro, com certeza bebendo, não que se importasse, mas era que a fazia se sentir ainda mais deslocada.
— Quanto eu tenho que te dar? — perguntou a , sem reconhecê-lo, em um tom totalmente prepotente.
Mesmo que eles não pudessem ver, o garoto vestido de caveira, olhou para em uma resposta clara do que ele queria, mas obviamente que não iria responder aquilo.
— Ele está oferecendo, — ainda tentou apaziguar a situação, puxando de leve a camisa do namorado para que ele parasse.
— Se está trabalhando nesse muquifo de parque, é porque precisa de dinheiro, eu só estou fazendo um favor para ele — explicou em completo desdém, tirando do grupinho risadinhas, enquanto rolava discretamente os olhos.
— Eu não quero ir — ela falou baixinho, depois de fitar, por um breve momento, o caveira e ver que ele estava a encarando.
— Mas você vai — retrucou com obviedade, indo em direção a Casa dos Horrores e praticamente arrastando a garota com ele.
Tudo aquilo incomodou de várias formas diferentes, desde o imbecil do lhe oferecendo dinheiro, até a forma como tratava , mas nada que ninguém já não soubesse, ele sempre destratava a garota na frente de todos, só que ninguém nunca se metia.
Então ele só acompanhou o grupo, e passou entre eles sem falar nada, indo na frente e fazendo um sinal para Jackson, para que liberasse a passagem do grupo quando chegaram no brinquedo, realmente furando a fila. conhecia todos os brinquedos, geralmente era ele quem consertava as coisas, os outros funcionários falavam que suas mãos eram mágicas, porque era só ele tocar no painel de controle, que ele voltava a funcionar.
O garoto deu passagem para que os outros passassem, e depois entrou por uma porta secreta que era um caminho paralelo ao que os clientes andavam, e era usado pelos funcionários para andar mais rápido pelo lugar.
sentia os músculos tensos só de estar ali, o ambiente escuro e totalmente gelado deixava seus nervos a flor da pele, a Casa dos Horrores era uma boca escancarada de monstros, dentes pintados de vermelho vivo, e um hálito de fumaça artificial escapando pelas fendas. O grupo ria antes de entrar, empurrando uns aos outros para ver quem teria coragem de ir na frente. foi, claro — sempre ele — com aquele sorriso que misturava desafio e vaidade.
estava hesitante, os braços cruzados e o estômago em nó. Por um instante, pensou em não entrar — em dizer que esperaria lá fora, que não se sentia bem. Mas olhou por cima do ombro e lançou aquele sorriso debochado, o tipo de sorriso que fazia parecer covardia qualquer tentativa de recuo.
Ela entrou.
Lá dentro, a escuridão engoliu tudo. Um som distante de correntes arrastando e gritos gravados fazia o peito de vibrar de um jeito que não tinha nada a ver com diversão, ela não gostava de lugares assim. Nunca gostou. Mas achava graça, dizia que ela era “fácil demais de assustar”, e odiava decepcioná-lo.
Quando a luz piscou repentinamente, revelando um corredor estreito coberto por panos pretos e bonecos pendurados, ela sentiu o impulso de recuar. Uma mão fria — de mentira, mas surpreendentemente realista — caiu sobre seu ombro e soltou um gritinho, recuando com o coração extremamente disparado e os olhos lacrimejando.
Claro que isso tirou gargalhadas do grupinho.
— Meu Deus, , olha pra você! É só um boneco! — gargalhou alto, chamando atenção dos amigos.
Ela tentou sorrir, mas o riso travou na garganta. Queria sair dali, mas o caminho era só um: para frente. O som de passos apressados, o roçar de tecidos e a música distorcida se misturavam, e ela sentia o corpo tenso, o peito comprimido. Cada vez que algo saltava das sombras, seu reflexo era recuar — e toda vez, ouvia as risadinhas de e dos outros.
Em um dos corredores, uma lâmpada vermelha piscava, iluminando o rosto de cera de uma boneca quebrada. fixou o olhar nela, tentando respirar fundo, mas o som de uma corrente sendo arrastada atrás dela fez seu coração bater nas costelas como se tentasse escapar.
Ela esticou a mão, procurando instintivamente a de , mas ele não estava lá.
— ? — Sua voz trepidou, procurando pelo namorado à sua volta, mas só para perceber que tinha ficado para trás. De novo. De repente, uma risada aguda cortou o ar, vinda de algum ponto à esquerda.
congelou.
Uma lâmpada piscou, e por um breve segundo ela viu uma figura encapuzada parada ao final do corredor, imóvel, olhando direto para ela. Quando a luz apagou, não havia mais nada.
Seu coração disparou, e ela quase correu — mas o caminho era estreito, e a cada curva havia algo novo: uma mão fria que tocou sua nuca, uma corrente que tilintou bem perto do ouvido, um sussurro rouco dizendo algo que ela não conseguiu entender.
O som abafado de gritos falsos e a respiração dela, que agora vinha curta e entrecortada, era a única coisa que conseguia ouvir com exatidão. Virou outra esquina, e algo — alguém — agarrou seu tornozelo. soltou um grito agudo, tropeçando para trás. Caiu, e o chão frio grudou em sua pele. Tentou se levantar, mas sentiu o corpo tremer inteiro.
— …? — chamou de novo, a voz falhando.
— Foda-se o — apareceu, saindo por outra porta secreta.
Ele estava o tempo todo seguindo o grupo, na verdade, seguindo , e só tinha oferecido deles entrarem naquele brinquedo idiota, para conseguir tirar ela de perto do namorado imbecil.
O garoto segurou a mão dela e a puxou pela passagem, e fechou a porta, soltando a mão de em seguida.
sentiu algo que não era só medo, era solidão. Uma solidão tão densa que doía. Se encostou na parede, procurando o máximo de distância entre si e o seu perseguidor, sentindo o rosto úmido, mas sem saber distinguir se era de suor ou lágrimas.
— Isso não tem graça! — ela falou mais uma vez, agora quase chorando.
— Calma, ok? — pediu agora, se encostando na outra parede. — Sou eu, — avisou, percebendo que ela ainda não tinha reconhecido a voz dele.
Não eram amigos, mas já estiveram em vários lugares e festas juntos, porém nunca conversaram.
demorou um pouco até reconhecer realmente o garoto, baixou o olhar, respirando devagar, tentando disfarçar o tremor das mãos. Seu rosto estava pálido, os olhos marejados, com leve dificuldade para respirar.
— Por que… — Ela tomou ar. — Por que estava fazendo aquilo comigo? — perguntou baixo, sem entender o que pretendia.
— Fazendo o que? — Negou com a cabeça. — Quer voltar para o brinquedo e ir atrás do seu namoradinho? A porta está do seu lado. — Apontou onde ficava a saída. — Mas duvido muito que queira isso… — Se desencostou da parede e começou a se aproximar dela, agora ele não tinha mais o facão na mão, e elas não estavam mais tão sujas de sangue falso.
— Me mostra onde é a saída desse lugar — pediu, olhando para os lados, procurando um jeito de se afastar do garoto que não via fazia alguns meses.
— Posso te mostrar até o caminho do inferno se quiser — falou mais baixo agora, parando na frente dela e apoiando a mão na parede, na lateral da sua cabeça. — Por que ainda está com aquele idiota?
olhou para o rosto de e levantou a cabeça de leve, havia uma breve diferença de altura entre os dois, e agora tão de perto ela era notória demais — quase opressora. Ela engoliu em seco, e passou rapidamente as costas da mão pelo rosto, limpando a umidade misturada com as finas lágrimas. Só agora, mesmo com a maquiagem que ele estava usando e na pouca iluminação que tinha no ambiente, que ela reconheceu mesmo ser ele. Isso não mudou, no entanto, o ritmo de sua respiração. O ter tão perto de si assim fazia seu peito disparar e o ar ficar pesado, sendo difícil o passar por suas narinas, precisando puxá-lo e soltá-lo por seus lábios entreabertos, em intervalos curtos e trêmulos.
Seu olhar desceu para o braço firme que a mantinha presa no lugar, e, além dele, o corpo másculo de , tão próximo, tão dominante, que a intimidava de um jeito que ela não sabia explicar, apenas sentir.
— Isso… Isso não é da sua conta, ! — resmungou , trocando o peso de um pé para o outro.
— Ah, é sim — respondeu chegando mais perto. — Você é tão doce para ele.
— O que você pensa que está fazendo? — A garota perguntou mais alarmada agora, tentando se abaixar para sair por baixo do braço de . — Me deixa sair — Ela tentou outra vez.
— Você já ficou com outra pessoa sem ser o ? — ele não se afastou, mas também não se aproximou mais, seu rosto estava perto do dela ao ponto que os narizes quase se tocavam.
agora tentava, inutilmente, se fundir a parede.
— Não — respondeu baixo, desviando o olhar.
— Calma, eu não vou fazer nada — falou baixo, mas seus olhos ainda estavam fixos no rosto da garota. — Você nunca nem ao menos beijou outra pessoa?
— Qual o sentido dessas perguntas? — questionou em um sussurro, fechando as pálpebras por um momento. O coração de ainda estava acelerado, e agora ela já não sabia mais o porquê.
— Apenas curiosidade minha. — Ele estava se divertindo, não iria fazer nada de fato, só queria ver a reação da garota. — Então?
Os lábios de se retraíram e ela soltou o ar que prendia, não respondeu verbalmente, porque não conseguia, mas balançou a cabeça em negação.
— Nunca teve vontade disso antes? — O garoto umedeceu os lábios, segurando o sorriso que queria sair por eles.
— Não — respondeu em total sinceridade, mesmo que sua voz não passasse de um murmúrio.
— Ok — disse por fim, então se afastou. — A saída é por esse corredor. — Apontou para a esquerda e começou a ir para a direita.
conhecia , eles tinham alguns amigos em comum, mas não eram nem colegas direito. Isso, porém, não mudou o fato de que todas aquelas atitudes do homem deixaram a garota confusa. Não fazia sentido algum para ela.
Passou a mão pelo rosto e por seus fios, tentando se recuperar e saiu a passos apressados em direção à saída que tanto desejava. , depois de passar pelo corredor e abrir a porta dando de cara com o parque outra vez, nunca agradeceu tanto por ver mais gente fantasiada de monstro e algumas pessoas correndo e gritando assustadas.
Ela prendeu o cabelo em um coque alto, porque estava suando na nuca e perto do pescoço, talvez pela adrenalina liberada.
Cinco minutos depois, no entanto, viu seu namorado e os amigos voltando da saída de onde estava, então foi até eles devagar.
— Oi, eu me perdi, acabei saindo pela lateral — Ela explicou a .
Os olhos do namorado de se estreitaram.
— Achei que estivesse atrás da gente o tempo inteiro — comentou, sequer dando falta da garota.
se encolheu de leve, prestes a voltar a sua total insignificância perto daquelas pessoas, até que seus olhos captaram um pequeno detalhe.
— Isso é batom? — Apontou para a gola da camisa bege que usava, que tinha uma pequena mancha vermelha.
Seus colegas começaram a rir e fazer piada.
— Não começa, — O tom de voz de mudou completamente.
A garota não falou nada, mas em um pequeno rompante de coragem foi até o homem e tentou ver mais de perto.
— Me deixa ver, ! — Ela reclamou.
Claro, no entanto, que se esquivou, e quando tentou pegar na camisa dele, o homem empurrou seu braço.
— Eu já disse para não começar! — Seu tom ficou mais rude, e ela piscou de forma rápida, sentindo aquele aperto no peito. — Isso é seu, maluca — rolou os olhos. — Agora pára com seus surtos e não estraga a minha noite.
— Me dá o ursinho feio que eu ganhei — a garota pediu baixinho, assim que viu o namorado lhe dando as costas.
— O quê? — perguntou a fitando por cima dos ombros.
— O ursinho, que você pegou de mim, eu quero ele, é meu — cruzou os braços.
— Você me cansa às vezes, , sério! — O homem reclamou, chamando a atenção do grupo que estava esperando por ele. — Primeiro fica chorando por conta de fantasias de terror, depois sai de perto de mim de propósito só para tornar tudo sobre você, aí surta com uma marca que você deixou em mim e agora quer um urso feio — foi listando e distorcendo os fatos, fazendo a garota se sentir ainda mais culpada. — Toma essa merda e não me incomoda mais hoje — grunhiu, mas não entregou na mão dela, e sim jogou no chão.
estava de lábios retraídos, respirava de forma descompensada, em um ritmo totalmente sem controle, enquanto suas unhas apertavam novamente a carne da sua palma, ferindo mais aquela área sensível por fazer tanto isso.
Quando e os outros deram as costas, a deixando para trás, ela foi até o pequeno ursinho que ganhou de e o limpou rapidamente, o guardando no bolso do casaco.
Aquela noite já tinha dado para e ela iria para casa, pouco se importava se tinha ido com e estava sem carro, já que ele era sua carona, ela não ficaria mais um segundo sequer naquele lugar.
No momento ela só queria distância do namorado, porque de todas as pequenas mentiras do garoto, aquela tinha sido a pior. não usava batom, nunca. No máximo eram gloss. Alguém tinha feito aquilo em e ele tinha deixado.
Ela seguiu para a saída de Everdusk, cobrindo a cabeça com o capuz do seu casaco grande, se misturando e sumindo entre as pessoas, desviando de qualquer possibilidade de chamar atenção.
No início ele não era assim, a tratava bem, escutava e se importava com suas opiniões e desejos. Mas isso foi se perdendo com os anos, já que cada vez mais namorado ia dando menos importância às suas opiniões.
Frustrada, a garota não avisou ao namorado que tinha conseguido folga em seu trabalho na pequena cafeteria da cidade, e passou o dia inteiro o ignorando, remoendo sua própria insignificância, pensando naquela maldita marca de batom. Perto das 4 da tarde, cansada de ficar olhando para o próprio teto, tomou um banho rápido e vestiu um vestido preto de alcinha e fresquinho. O dia estava estupidamente quente e abafado, então achou que ficaria mais confortável desse jeito. Pegou uma botinha de cano curto, dando folga aos seus fiéis tênis surrados e pegou um cardigan da mesma cor do vestido, apenas por precaução. Saiu do seu pequeno e vazio apartamento — já que morava sozinha — e pediu um uber com destino a Everdusk.
gostava do parque, e tinha ido lá muitas vezes em sua adolescência, por mais que agora a maioria dos brinquedos tenham mudado e ficado mais radicais, sempre gostou da roda gigante. Algo em estar lá em cima, vendo a cidade quase que inteira, mas longe de todos o dava uma paz surreal, e naquele momento era isso que queria. Sentir aquela sensação de estar no topo, mas continuar não sendo vista pelas pessoas.
Assim, quando entrou no parque, que já estava começando a lotar, foi diretamente em direção a roda gigante, poderia passar o restante da tarde e toda a noite dando voltas e mais voltas no brinquedo, que não se importaria.
Passou pela montanha russa, a fila — como sempre — imensa a fez torcer o rosto, mas seguiu para o seu caminho.
estava comandando o brinquedo quando viu passando, e logo pegou o rádio de comunicação, pedindo para que alguém o cobrisse, pois iria tirar seu horário de intervalo. Em momento algum perdeu a garota de vista, a vendo caminhar de forma distraída até a roda gigante, mas não deixou de notar o Labubu rosa claro pendurado na bolsa da garota, balançando de um lado para o outro, chamando a atenção dele. Aquilo o fez sorrir. Logo Jackson apareceu, liberando .
Ele saiu da cabine, pulando o pequeno lance de quatro degraus, e passou andando rapidamente por entre as pessoas que iam se amontoando na sua frente, por causa da enorme fila da montanha russa. Depois de passar por todos, finalmente conseguiu chegar até onde estava, rindo de leve e — como na noite anterior — parando atrás dela, abaixando o seu rosto ao lado do dela.
— Para quem achou o bichinho feio, parece que gostou bastante — falou no ouvido dela.
A garota se virou rapidamente em direção a voz de , um pouco assustada, mas isso acabou a deixando perto demais dele. deu dois passos para o lado procurando certa distância, sua boca abriu e fechou, como se tivesse sido pega em flagrante, assim como suas bochechas esquentaram.
— Você me deu — explicou baixinho, desviando os olhos. — Queria que eu jogasse?
— Fora? Achei que faria isso. Na verdade, achei que o seu namorado jogaria fora — respondeu dando de ombros. — Está desde ontem tentando ir nesse troço. — Apontou para a roda gigante. — Eu gosto mais da antiga. Essa é fechada demais.
A mera menção a fez com que travasse o maxilar de leve, desviando o olhar para qualquer outro lugar. Não que importasse se estava irritada ou não, não era como se alguém percebesse suas mudanças de humor.
— Eu ia na antiga quando era mais nova — comentou baixo, olhando de relance para a roda gigante nova. — Gostava mais dela — retraiu os lábios, balançando de leve os ombros.
— Ela ainda está nos fundos do parque. Não tem como ligar, mas dá para subir até a cabine do topo pela escada de emergência — falou de forma bem sugestiva. — A melhor parte é que ela não desce tão rápido quando estava em funcionamento — riu fraco.
abriu e fechou a boca, olhando para os lados e colocando uma mecha do seu cabelo atrás da orelha. A sugestão de a pegou desprevenida, porque realmente gostava de ir na roda gigante antiga, e saber que poderia ir nela de novo, a tentava.
— Não é perigoso? — perguntou em sua habitual voz baixa. — Pararam de usar ela por problemas, não foi? Lembro de ter ouvido algo assim.
chegou mais perto e deixou seu rosto do lado do dela. Não que fosse admitir, mas o coração de bateu mais rápido com a repentina proximidade, assim como um frio se apossou de sua barriga, a fazendo até mesmo prender a respiração.
— Viver é perigoso — sussurrou no ouvido dela, e se afastou em seguida. — Sim, era perigoso quando ela se mexia, agora está travada. Eu mesmo garanti isso. — Deu de ombros.
Ele mexia em toda mecânica dos brinquedos, e tinha arrumado um jeito de fazer a antiga roda gigante travar totalmente quando jogaram ela no cemitério de brinquedos esquecidos. A administração do parque deixava eles lá caso precisassem de alguma peça para os novos.
— Tem que parar de chegar perto para falar — A garota reclamou, encarando a bota que usava. — Eu consigo escutar muito bem.
estava a deixando nervosa com aquele seu jeito e sua mania de se aproximar tanto.
Ele sorriu de lado, fazendo a covinha aparecer em seu rosto.
— Gosto de ver como sua pele se arrepia quando eu faço isso — contou, encarando bem o rosto dela. — Vamos? Eu só tenho… — Parou de falar e olhou em seu relógio de pulso. — …cinquenta e cinco minutos.
mordeu o lábio inferior, colocando depois o polegar entre os lábios e o mordendo de leve, uma das muitas manias que tinha desenvolvido durante os anos.
Pensou por um segundo, ponderando o que poderia fazer; continuar na fila e ir na roda gigante lotada do parque, ou ir com para a antiga e ficar sozinha…
— Ok, vamos — ela falou, segurando a alça da bolsa em seu ombro, colocando mais uma vez uma mecha atrás da orelha.
— Ótimo.
O garoto foi na frente, mas olhou para ela, e estendeu a mão para que passassem entre as pessoas e não se perdessem. parou, retraindo os lábios e fitando o rosto do homem e depois sua mão estendida em sua direção. Por instinto, suas orbes passaram ao redor do ambiente, como se estivesse procurando alguém que a conhecesse ou a e pudessem falar sobre aquilo com seu namorado. Quando não encontrou ninguém, estendeu de volta sua mão, aceitando a de , mas de forma bastante hesitante.
Ele voltou a olhar para frente e foi caminhando, abrindo espaço para que os dois passassem por aquele amontoado de gente, e quando saíram dali, soltou a mão dela, deixando que andasse ao seu lado.
— Você fuma? — perguntou, olhando para ela rapidamente.
A pergunta fez rir em total descrença.
— Não? — ela respondeu em tom de pergunta e obviedade.
— Nada? Nunca colocou qualquer tipo de cigarro na boca? — Voltou a prestar atenção por onde passava para não trombar em ninguém.
— Você é tão curioso — resmungou para si mesma, não conseguindo desviar de uma garota que praticamente passou e levou ela junto, a olhando de cara feia por isso. — Desculpa — falou para ela, mordendo o interior da bochecha e acelerando os passos para voltar a acompanhar .
— Que desculpa, o que? Ela quem invadiu seu espaço — disse, segurando a mão dela de novo e a puxando para perto. — Você não deveria ser tão retraída. Esse povo vai subir na sua cabeça.
O comentário de fez a garota se encolher um pouco, mesmo acompanhando seus passos. Ela se incomodou com o que ele tinha dito, não que fosse falar aquilo em voz alta, porque não era do seu feitio, apenas engoliu o incômodo, como sempre fazia, deixando que a levasse até a roda gigante.
Ele soltou a mão dela em seguida. Passaram entre alguns brinquedos e eles chegaram até um portão. pegou a chave no bolso e abriu o cadeado com corrente que tinha ali e deixou que passasse, trancando o caminho em seguida. Logo tomou a frente novamente, caminhando pelo labirinto de brinquedos velhos e sucata, indo até a antiga roda gigante, que estava no fundo do lugar. Grande, majestosa e imponente.
Eles pararam na frente do brinquedo.
— Vou subir na frente, porque tem que abrir a porta da cabine e você presta atenção por onde deve pisar. Ok? — avisou a garota, a olhando agora.
— Ok — murmurou, mas sua atenção estava completamente na roda gigante, a encarando com certa admiração, nem mesmo prestando atenção direito no que tinha dito.
A garota aproximou-se lentamente do brinquedo, os dedos deslizando por uma das ferragens frias da grade. Assim que tocou o metal, uma onda de nostalgia a atravessou com força quase física.
Lembrou-se de quando era criança e vinha a Everdusk, ainda tímida, mas de um jeito doce, ingênuo. Naquela época, sorria mais, arriscava conversas, fazia amizade com facilidade. Foi naquela mesma roda gigante que ela e se beijaram pela primeira vez, em uma tarde quente de verão. Ele a levara para tomar sorvete e passear, rindo das bochechas coradas dela, tão nervosa e feliz. Tudo parecia tão simples então, tão puro, tão fácil de acreditar.
já tinha subido um pedaço da escada quando olhou para trás e viu que a garota parecia submersa demais em pensamentos.
— ! — chamou, olhando para a garota, que piscou voltando à realidade. — Vem. — Voltou a subir a escada que ficava na parte de trás da roda gigante.
assentiu para , passando a bolsa por sua transversal, para não derrubá-la e então começou a subir as escadas, logo acompanhando . Evitou olhar para baixo quando chegaram a uma certa altura, não que tivesse medo, mas porque era extremamente perigoso e aquilo não fazia jus à personalidade da garota.
O garoto segurou na ferragem, e passou por trás da cabine, e abriu a porta dela, depois voltou até onde chegaria para entrar, e esticou a mão para a menina ter firmeza, que aceitou de muito bom grado a ajuda dele.
Assim que entrou na pequena cabine fechada, ajeitou o vestido que estava voando e subindo por conta da ventania por estarem tão alto e prendeu seus fios em um coque baixo, rindo em total descrença por estar mesmo ali. Foi até perto da janelinha e olhou, conseguindo enxergar boa parte da cidade.
não fechou a porta, sentou no banco da frente, deixando o corpo escorregar de leve, e apoiou seus pés no banco da frente, nas laterais do corpo de , não tinha muito espaço ali. Então pegou seu maço de cigarros que estava um pouco amassado e tirou um lá de dentro.
— Se importa? — perguntou antes de acender o isqueiro.
A garota voltou a atenção para , analisando o cigarro e o isqueiro, mas fez que não com a cabeça. ao menos perguntou se ela se incomodava ou não, apenas fumava, e se reclamasse, ele soltava a fumaça em seu rosto.
— Você vem muito aqui? — ousou perguntar ao homem.
— Sim, quase todos os dias — confessou, acendendo o cigarro, e tragando de forma longa, e soltando a fumaça em direção à porta, para não ir para o rosto da garota.
não falou mais, apenas assentiu e se encostou um pouco mais no pequeno assento, mas com as pernas bem fechadas, evitando tocar na de . Só agora que ela percebeu no que tinha se enfiado: estava em uma cabine fechada, sozinha, e a metros de altura com um cara que nem sequer conhecia direito. Isso a fez se remexer de leve, limpando a garganta, totalmente sem jeito e incomodada.
— Você trairia o ? — perguntou de forma casual.
Na noite passada ele tinha visto o imbecil comendo uma garota atrás de um dos brinquedos, certamente achando que ninguém o veria ou perceberia que era ele por conta da iluminação que o parque se encontrava, mas de uma coisa tinha certeza, não era .
O olhar de se arregalou, mudando de timidez para choque.
— Me chamou aqui para isso? — questionou irritada, agora seu pescoço e rosto estavam muito vermelhos. Vergonha, pura e crua. — Eu vou embora — avisou, levantando para sair.
se sentiu muito idiota, as palavras de , dizendo sempre que os homens só a enxergavam como algo sexual voltaram a ecoar em sua mente. Ele estava certo, afinal de contas.
— Não, óbvio que não. Isso eu poderia perguntar sem precisar subir. Só estou puxando assunto, relaxa aí, — rebateu totalmente despreocupado, mas nem sequer, se mexeu. — Ok, vou mudar a pergunta; O que você considera traição? Só sexo, ou já conta no beijo?
— Que tipo de pergunta é essa? — Ela vincou as sobrancelhas, se jogando no assento outra vez, e colocando a bolsa entre as pernas, cruzando os braços.
Ainda que tentasse entender aquele cara, ele sempre a deixava confusa.
— É só uns pensamentos que eu estava tendo do que é considerado traição para as pessoas. Não sei, acho que se tiver sexo sem beijo não é considerado traição porque a pessoa não se relacionou sentimentalmente com a outra — comentou pensativo sobre aquilo. — Um beijo já acho uma coisa mais íntima. — Levou o cigarro até seus lábios e tragou.
— Só é considerado traição se tiver beijo? — Ela repetiu baixinho e confusa.
Não tinha nenhuma experiência em nada, seu primeiro beijo foi , ele também era seu primeiro namorado. só tinha se relacionado com um cara, desde os 15 anos.
— Para mim, sim — respondeu, dando de ombros. — Mas o que é para você?
— Acho que… sexo — falou, mas sem tanta certeza, e so de falar aquela palavra ela sentiu suas bochechas esquentaram. — Por que?
— Então, está me falando que se você ou o beijar alguém, isso não vai ser traição? — perguntou, e olhou para a garota à sua frente.
— Eu… — limpou a garganta, retraindo os lábios e ficando sem reação. — Eu… — gaguejou novamente, incerta. — Acho que sim.
— Acha que sim; é traição? — Ergueu uma sobrancelha, sorrindo de leve.
Aquele sorrisinho a deixou sem reação por um segundo. Na verdade inteiro a deixava daquela forma.
— Onde você quer chegar com isso? — Tentou novamente. — É traição… tudo é traição. Por que? Viu o fazendo algo? — Sua curiosidade, às vezes, era maior que a timidez.
— Até se você gozar por causa de outra pessoa, sem ela te beijar ou te penetrar? — Agora o sorriso do garoto ficou um pouco maior. — Isso não tem nada a ver com o .
O coração de estava batendo rápido, um frio na sua barriga tomava seu interior e por mais que sua intuição estivesse gritando que estava caindo na toca do lobo, ela ignorou. Todos os sinais estavam mais do que claros; era tudo o que ela deveria manter longe.
— Não sei, acho que… não — respondeu desconfiada, mas sendo sincera no que acreditava.
— Entendi — murmurou, passando o polegar pelo seu próprio lábio inferior. — Posso te fazer uma pergunta bem pessoal, que vai querer me bater?
— Você já não está fazendo bastante perguntas pessoais? — ela retrucou, começando a pensar que realmente tinha sido uma péssima ideia subir ali com ele.
— Na verdade não. São opiniões suas, apenas. — Mordeu a ponta do polegar. — O já te fez ter um orgasmo?
— Deus, ! — Agora a voz de subiu duas casas, e ela se encolheu, totalmente envergonhada. — Eu não quero falar sobre isso.
O garoto riu divertido, e até mesmo achou fofo em como a menina estava corada.
— É uma resposta simples de sim ou não, nada muito complexo — comentou de um jeito despojado, fumando seu cigarro e depois estendendo para a garota. — Quer?
— Você sempre foi assim — reclamou , recordando que tinha os mesmos comportamentos desde muito novo. — Eu não fumo, obrigada — resmungou. — E também não falo da minha vida íntima para ninguém, então se você continuar, eu tenho spray de pimenta na bolsa.
Deveria ser uma ameaça, treinava aquela mesma frase na frente do espelho várias vezes durante o dia antes de precisar sair de casa; ainda assim, não passou de um aviso meio assustado.
— Está fazendo isso errado — contou, a olhando de forma calma. — Primeiro, se você se sente ameaçada por um cara, não deve avisar a ele o que você tem para se defender e nem onde está. Eu poderia facilmente tirar a bolsa da sua mão e a jogar lá embaixo — observou e seu olhar desceu para a bolsa, assim como o da garota. — E segundo, eu não estou te ameaçando, estou apenas te fazendo perguntas. As suas respostas e a forma como age perante a elas me faz entender melhor quem você é. Enfim, você pode descer a hora que quiser. Não é a minha perna que está impedindo isso. — Abaixou o pé que cercava ela em direção a porta.
Certo, ficou completamente sem reação diante da resposta que lhe deu, a tirando um suspiro envergonhado — ainda mais, para ser exato —.
— Desculpa. — Praticamente sussurrou. — Eu não quero descer agora, gosto de ficar no alto, sem muita gente por perto — explicou. — Gosto do silêncio.
— Não quero sua desculpa, na verdade, você não tem com o que se desculpar, faz isso demais. Alguém já te disse isso? — questionou, terminado de fumar seu cigarro. — Quando quiser vir aqui, é só falar. Abro o portão para você se prometer não cair daqui de cima.
— Eu faço besteira demais, então preciso me desculpar o mesmo tanto — justificou, dando de ombros. — Obrigada, talvez eu vá querer vir sempre — informou ao garoto e relaxou mais, se sentindo mais confortável. — Eu não te vejo desde a escola — comentou. — Achei que tivesse ido embora.
— Você não faz besteira nenhuma — falou, unindo as sobrancelhas. — Você quem não me viu, sempre estive no mesmo lugar. Talvez só estivesse ocupada olhando para outro lugar.
— Você tem um ponto — concordou, geralmente ficava presa ao seu mundo, deixava, por muitas vezes, até mesmo os poucos amigos que tinha de lado.
— Entendo o fato o qual continuo na cidade, mas não entendo você ainda estar por aqui — voltou a apoiar o pé no banco ao lado da perna de .
— não quis ir embora — Ela explicou, como se fosse a coisa mais normal do mundo. — Estou fazendo a minha faculdade online e uma vez a cada quinze dias vou para outra cidade. É bem tranquilo.
— Vocês são irmãos? — o garoto uniu as sobrancelhas. — Aqueles siameses.
— Há há há — A garota arriscou rolar os olhos, mas por reflexo parou no meio da atitude. — Desculpa — pediu, sabendo que aquilo era de extrema falta de respeito e vivia reclamando sobre aquela atitude. — é meu namorado, não me deixou ir sem ele.
— Para de pedir desculpa — rebateu logo. — Isso não é namoro, se chama cárcere privado. Enfim, você está aqui porque quer, era isso que eu queria saber.
levou o polegar até os lábios, o mordendo de leve. Era estranho falar com alguém que queria saber tanto sobre si. Geralmente as pessoas gostavam que ela era calada e não falava de si mesma, assim a atenção seria toda delas.
— só acha que eu não tô pronta para morar sozinha — explicou. — Eu também acho. Sim, eu tenho tudo o que preciso aqui, então por mim tudo bem continuar onde estou — mentiu.
— Claro, tudo bem, o quem vive a sua vida, o que sente o que você sente, é o que come o que você precisa… — Rolou os olhos totalmente entediado. — O que mais ele faz por você? Respira também?
— Ele só está cuidando de mim — Ela vincou de leve as sobrancelhas, sem entender onde queria chegar com aquilo. Era para ser uma crítica? — Enfim…
— Não, ele controla você, o que você sente e o que você pensa. Você realmente parecia muito feliz em estar na casa dos horrores, porque ele estava também — retrucou achando um absurdo a garota não perceber o que estava bem diante de seu nariz.
— Ele não me controla — retrucou. — Eu faço o que eu quero. — Seus braços se cruzaram. — Ele nem sabe que eu estou aqui agora — falou, balançando de leve a cabeça, tentando provar o seu ponto.
— Veio escondida para o parque? Que menina malvada você está sendo hoje — debochou, rindo de leve.
— Não vim escondida, eu só não disse a ele. Eu não preciso dizer tudo o que eu faço para o . Não é como se ele também fosse querer saber. — Essa última parte saiu baixa, se perdendo entre as palavras.
— Interessante — murmurou, pegando outro cigarro e acendendo, fazendo seu calcanhar passar de forma suave na lateral da perna da garota.
Aquele pequeno toque formigou na pele de , mas ela fingiu que nada aconteceu, voltando a prender seus fios quando eles se soltaram. abriu a bolsa e tirou seu cardigan, o colocando. A janela da cabine estava aberta e como estavam no alto, o vento frio cortava com certa frequência, arrepiando sua pele.
— Quer sentar para cá, o vento está todo indo para cima de você — ofereceu para ela sentar onde ele estava.
— Não precisa, acho que se você se sentar direito, eu consigo ficar aí também — sugeriu pensativa, sem querer incomodar e tirá-lo de onde estava.
— Só se você sentar entre minhas pernas — respondeu, rindo fraco. — Não dá para você sentar do meu lado — disse, mas deixou seu quadril ir para trás, o banco era estreito, mas fundo.
A garota piscou algumas vezes, realmente vendo se tinha entendido direito, abrindo e fechando a boca por uns segundos, até que engoliu em seco.
— Troca de lugar comigo — ela disse por fim, porque não iria sentar entre as pernas de , ficaria perto demais dele.
Atrapalhada do jeito que era, sequer esperou pela resposta do rapaz, já foi logo levantando, mas acabou tropeçando nos próprios pés quando tentou se virar e a cabine balançou. Por reflexo, ela soltou um gritinho assustado e se virou completamente, perdendo o equilíbrio e caindo sentada no colo de , segurando nos braços do homem como se sua vida dependesse disso.
— Cacete, — falou com o susto que levou, achando que a garota ia cair. — Calma — pediu, e segurou ela pela cintura. — Só fica quieta que ela para de mexer.
O coração de só faltava sair pela boca, e ela se segurou ainda mais em , tentando normalizar sua respiração que estava descompensada. Ela assentiu rapidamente para o que ele disse, ficando extremamente parada para que a cabine parasse de mexer. A ferragem fazia um certo barulho fino, mostrando o quanto as dobradiças estavam precisando de lubrificação.
— Deus, isso vai cair — murmurou fechando os olhos com força, se encolhendo em , se encostando completamente em seu peito.
— Não vai. Acha que eu estaria aqui se achasse que isso iria cair? — perguntou com calma, deixando a mão com o cigarro longe de , enquanto a outra soltou a cintura da garota e apoiou em sua própria perna.
— Eu não sei — respondeu rápido, ainda sentindo aquela sensação de medo em seu peito. Mas tentou levantar ao perceber que ainda estava no colo do rapaz, o que fez a cabine se mexer mais. — Merda!
— Sai de cima da minha perna — falou, e levou a mão até a cintura dela, e a empurrou de leve para frente fazendo com que sentasse no banco, exatamente entre as penas dele. — Fica aí.
— Assim que esse troço parar de mexer, eu volto para onde estava — explicou rapidamente, inteiramente travada por estar naquela posição.
— Já está sentada aqui, não tem motivo algum para sair. Não tem nada demais, — virou o rosto e tragou o cigarro, soprando a fumaça para cima.
— — Ela o corrigiu, fechando os olhos em um tom de cansaço. — Me chama de , eu não gosto quando me chamam de — confessou.
— Algum motivo em específico? — olhou curioso para o perfil da garota.
— Não — Deu de ombros, mas suspirou. — Esquece, pode me chamar de .
— Não, fala — pediu manhoso. — Por que não gosta de falar sobre você? — Seus dedos que tinham voltado para a cintura dela, a afagou de forma suave, totalmente sem perceber.
prendeu a respiração, olhando instintivamente para a mão do garoto em sua cintura, sem saber o que fazer diante daquilo, sentindo certa culpa por estar… gostando.
— Não sou interessante a ponto de falar sobre mim — falou com sinceridade, tentando não focar na mão máscula que a segurava.
— Bem, se eu estou perguntando é porque estou interessado em saber. Por que eu perguntaria algo que não quero? — Aquilo não fazia o menor sentido para o garoto.
mordeu o interior da bochecha e soltou o ar que tanto prendia, olhando para o céu que tinha tons alaranjados agora.
— Você não lembra, ou não sabe, já que não estudamos na mesma turma… mas — pigarreou — Me chamavam na escola de , não por ser um apelido de , pela sonoridade do nome. Era de O-lixo — falou baixinho.
— As pessoas na escola são idiotas o tempo todo. Você não deveria mais se importar com isso, mas ok, — frisou o apelido da garota. — Você curte ver filme? Ou série?
— Bom, eu não ligo agora, antes me importava — explicou. — Ainda assim não gosto de . — Ela arriscou olhar para por cima dos ombros.
O que foi um erro.
passou as íris pelo rosto do garoto e se perdeu um pouco em seus traços. Nunca tinha reparado o quão bonito era. Cacete, ela pensou, pigarreando e voltando a olhar para frente rapidamente.
apenas ficou olhando os olhos da garota tão de perto agora, mas não falou ou se mexeu.
— Eu… hm… sim — respondeu sobre os filmes e as séries, seu rosto esquentando à medida que falava — Super heróis, ficção científica…
— Sério? Fale mais sobre isso — pediu, realmente curioso.
— Primeiro de tudo, tenho que começar dizendo que a Marvel é infinitamente melhor que a DC — comentou baixinho, mordendo o lábio inferior para prender a risadinha que quis sair. — Super heróis melhores, bem desenvolvidos, construção de história, desenvolvimento pessoal e heroico, melhores roteiros, CGI… vou passar o dia inteiro falando… — Ela riu, e, sem perceber, se encostou no peito do garoto.
— Contra fatos não há argumentos. Eu não consigo ver nenhum filme da DC, tirando Batman. Droga, ele é a porra só meu herói favorito, mas isso não me torna um traidor da Marvel, né? — perguntou como se estivesse mesmo preocupado com aquilo.
— Tony Stark é um bilionário melhor. O sarcasmo, deboche e humor dele dão de 10 a 0 no Batman, fora o traje, claro — retrucou, virando o rosto de leve para olhar para .
— Mas ele não tem a vibe depressiva e sombria do Batman. — O garoto ergueu a sobrancelha e tragou seu cigarro, soltando a fumaça para cima. — E tem o Coringa que vem de brinde.
— Você tem um bom ponto apenas no Coringa, ele é o vilão com melhor arco — concordou.
Pela primeira vez estava conversando com alguém sobre aquele lado seu que tanto gostava e, diferente do que estava acostumada, não estava tentando a diminuir por isso. Ou pior, fazendo uma competição para mostrar que sabia mais do que ela.
— Mas você ganha um ponto, porque é team Iron — acrescentou agora, rindo de leve. — Ódio o Capitão América, na verdade, eu só simpatizei com ele quando pegou o martelo do Thor.
— Quais as chances de você querer abrir essa porta e me jogar daqui de cima se eu disser que sou team Cap? — quase sussurrou, prendendo a risadinha.
— A menos que você saiba voar, acho bom não falar um absurdo desses, porque vou considerar você uma traidora — falou rapidamente, segurando a risada também. — Não tem justificativa. O Steve traiu o Tony. Trair um amigo é a pior coisa que tem. E outra, o Tony estava certo. Por que ajudar quem não quer ser ajudado?
— Qual é? — praticamente virou o tronco, quase jogando de lado suas pernas. — O Tony quis privatizar os Vingadores! Ele prendeu a Wanda como se ela fosse uma criminosa e não parte da equipe! O Steve mentir sobre o que o Bucky fez foi muito errado, mas ele estava certo em não concordar com o que o Tony queria só porque ele estava com peso na consciência depois de Sokovia. Nada nas mãos do governo presta! — rebateu, cheia de convicção e segurança, sequer se dando conta de que sua voz não estava tão baixa como de costume. — Não era sobre os motivos pessoais do Tony, ele só quis ser o centro das atenções.
— A Wanda manteve uma cidade toda sob controle dela, a mulher é perigosa! Ela faz o que quer, ninguém consegue detê-lá, então você perde nesse argumento — falou tragando de novo seu cigarro. — Por isso que eu prefiro o Batman.
— Ela tem licença poética pra fazer o que quiser, sofreu demais, perdeu tudo, ela só queria viver a fanfic dela em paz — saiu em defesa da anti-heroína, se virando outra vez e voltando a se encostar no peito de .
— Beleza, se eu perder tudo posso fazer uma cidade toda de refém. Anotado — riu de leve sobre aquilo, e sua mão deslizou um pouco para baixo, passando sobre o elástico da calcinha de , que marcava de leve no tecido do vestido dela.
Outra vez a respiração da garota travou na garganta e ela a prendeu, olhando brevemente para onde a mão de tinha passado, se perguntando se ele tinha feito de propósito ou não.
— Hm… e… s-série? Q-quais você g-gosta? — gaguejou, nervosa.
— O que foi? — ele virou o rosto de leve em direção a orelha dela.
— Nada — sussurrou, fechando os olhos por um momento, sentindo um leve arrepio pela voz dele soar tão perto de seu ouvido, causando um pequeno estrago em sua mente.
— Nada mesmo ou só não quer falar? — Sua mão desceu um pouco mais, e depois subiu de novo.
— Nada mesmo — O tom de era baixo e fraquinho, ela não deveria estar gostando daquele toque ou da proximidade, e embora uma parte sua fizesse a culpa aflorar, uma outra estava gostando, mesmo que não fosse admitir.
Obviamente que percebeu a forma que a garota estava, porém ele achava que se descesse mais a mão, ela iria pular e fugir dele, então apenas ficou afagando de leve aquela região. Passando os dedos pelo elástico da calcinha e descendo, enrugando de leve o tecido macio do vestido.
— Do que estávamos falando mesmo? — ele perguntou por ter se distraído com aquilo, e tragou de novo o cigarro.
Droga! pensava, mordendo o lábio inferior ao sentir seu corpo começar a vergonhosamente esquentar por conta daquele toque, principalmente porque agora era notório que estava tocando no elástico de sua calcinha porque queria, e continuava fazendo isso pelo mesmo motivo.
— Suas… — ela ofegou de leve, e seu corpo travou, porque ela queria ir para trás, e se encostar mais em . — …séries. Quais séries você… gosta? — perguntou, tentando, inutilmente, não se mostrar afetada.
Ele sorriu, fazendo a covinha afundar em seu rosto ao ver como ela ficava ainda mais afetada.
— Gosto de terror, suspense e policial. Dexter é a minha favorita. Estou revendo ela desde o começo — contou em um tom baixo, perto do ouvido dela. — E as suas?
— Eu… — nem conseguia pensar direito, e como seu cabelo estava preso, dava para ver sua pele perto do pescoço arrepiada. — Suspense policial… ficção científica… séries de heróis — balbuciou, respirando fundo.
Os olhos astutos de observaram a pele da garota, e sentiu vontade de passar os lábios por ela, sentir o sabor e a textura, mas ele se conteve, e apenas suspirou de leve. Seus dedos desceram mais, afagando o tecido, agora mais no meio da coxa dela.
— Qual é a favorita? — perguntou no mesmo tom de antes, prestando atenção em cada detalhe que seus olhos tocavam.
— Wandavision — falou e prendeu uma risadinha, esperando pelo comentário do garoto, tentando focar na conversa e não no seu toque.
— Não estou surpreso — confessou, rindo e negou com a cabeça, tragando de novo o cigarro. — Confesso que apesar de não concordar com o que ela fez, fiquei com pena.
— Ela tem licença poética — repetiu, mas já nem estava cem por cento concentrada no assunto, ocupada demais em tentar controlar o arrepio que vinha em sua pele.
— Hm… ela tem? — A ponta do nariz dele passou de leve pela cartilagem da orelha de , soltando de leve o ar.
Deus! A mente de gritou agora e ela fechou os olhos com força. Sua respiração pesou e, por reflexo, suas pernas apertaram uma na outra, sentindo aquela região começar a ficar perigosamente quente.
— Sim — a resposta veio baixa e fraca, assim como a mente de estava se tornando ao efeito que aquele cara estava causando nela.
— Entendi — disse, sorrindo um pouco mais, e sua mão desceu mais, fazendo o vestido subir de leve. — O que você gosta de escutar?
A garota umedeceu os lábios, que ficaram incrivelmente secos de uma hora para outra. Um calor bom emanava do corpo de rente ao seu, e ela até sentia vontade de tirar seu cardigan agora, porque não sentia mais frio, e sim o oposto disso.
— Pop, rock… eu não tenho um gênero preferido — contou, apertando mais as pernas, sua coxa arrepiando com o contato da mão do homem. — E o seu?
— Mas você tem uma banda ou cantor favorito — rebateu, sua mão descendo mais, bem devagar. — Eu escuto de tudo praticamente. — A ponta dos seus dedos tocaram a pele exposta da garota, mas ele foi bem cuidadoso, para que não recuasse assustada.
Por um breve momento, a mente de pareceu perceber o que poderia acontecer caso permitisse que continuasse com aquilo, mas tão rápido quanto veio, o pensamento foi embora, porque estranhamente ela estava confiando nele — o que não acontecia com frequência, já que as vezes a garota cortava até .
— Arctic Monkeys — expôs, mordendo o lábio inferior. — E o seu? Tem uma banda ou cantor?
— , , você está me deixando bem surpreso — confessou, e realmente estava de várias formas. — Ando ouvindo bastante girl in red. — As pontas dos seus dedos começaram a fazer desenhos abstratos em sua pele, sem sair muito da região que tocavam, a deixando mais arrepiada. — Estou te incomodando?
— Não. — Negou de leve com a cabeça, e respirou fundo.
Agora, no entanto, não foi o cheiro do cigarro que sentiu, e sim o perfume amadeirado que estava vindo da única outra pessoa naquela cabine — já que o que a garota usava era uma mistura cítrica adocicada.
terminou de fumar seu cigarro e jogou a guimba pela porta, então umedeceu seus lábios.
— Quer que eu continue? — Agora ele estava mais sério, seus dedos fazendo desenhos bem sutis em .
— Isso não é errado? — precisou perguntar, em um fio de lucidez, que a atingiu pela pergunta de .
— Você que tem que saber. Nossas percepções e realidades são totalmente diferentes — sussurrou ao lado do ouvido dela. — Mas a sua pergunta também é uma resposta.
— Como assim? — questionou o garoto, virando o rosto do lado em que seus lábios estavam, o fitando por cima dos ombros.
O garoto segurou o ar por alguns segundos, tentando se concentrar em apenas olhar os olhos da garota, porque a vontade que sentia naquele momento era beijá-la. sempre foi afim de , mas nunca tinha chegado muito perto por causa do cão de guarda que ela tinha, que se chamava .
— Você quer saber se é errado, mas não quer que eu pare — contou o que ele achava sobre aquilo. — Querer algo é bem diferente de tentar encontrar uma resposta para isso.
As duas únicas coisas que passavam na mente de agora era que; primeiro, se sonhasse que estava tão perto assim de outro garoto, ele surtaria. A segunda, no entanto, era que não queria que parasse.
Sabia que aquilo era estupidamente errado, mas sabe o que também era? A marca de batom na camisa do seu namorado na noite passada.
— Pode continuar — falou, mas em um fio envergonhado de voz.
A mão de então tocou a pele da garota, agora alisando de forma suave a coxa dela. A respiração dele estava mais pesada agora, e seu corpo ficando mais quente contra o de . A situação o excitava, não tinha nem como mentir, mas ainda assim estava tentando ser cuidadoso com ela, porque sabia o quanto era retraída também, e qualquer passo em falso, tudo iria desabar. As provocações com palavras eram apenas para que aquilo entrasse na cabeça da garota como um veneno, mas os toques? Não, eles eram diferentes. Ele gostava de marcar de outra forma.
estava acostumada apenas aos toques mornos — quase frios — de , achava piamente que o problema era ela e seu jeito, fechado e retraído, que não aceitava toques de outras pessoas, porque às vezes até o do seu namorado a incomodava, porque parecia que ele sempre estava com pressa e sem paciência para a mulher. O que era totalmente diferente do que estava construindo alí, pouco a pouco, com paciência. não admitia muitas coisas, gostar do que estava fazendo agora, era uma delas.
Quando ele percebeu que ela não estava se opondo ao toque, sua mão desceu até seu joelho e depois veio subindo, agora as pontas dos dedos tocando a parte mais sensível de sua pele, por dentro da coxa, e subindo mais do que antes, entrando de leve por baixo do tecido do vestido, fazendo a garota instintivamente agarrar seu pulso. Naquele momento ele teve receio de que aquilo poderia ter sido demais para .
— Desculpa — ele pediu e desceu mais a mão.
— O que você quer de mim, ? — A voz de saiu mais séria, mesmo que baixa, mas em momento nenhum percebeu que não tinha soltado o pulso do homem.
— Não acho que você realmente vai gostar da resposta — disse totalmente sincero, ficando parado, para não causar mais desconforto nela.
— Eu tenho namorado — precisou deixar aquilo claro novamente, em voz alta.
— Está declarando isso para mim ou para você mesma? — Precisou perguntar, só para ter certeza de como as coisas estavam. — Porque não estamos fazendo nada aqui.
Mais uma respostinha esperta de , que brincava com a perspectiva da situação, e estava conseguindo fazer acreditar também de que não estavam fazendo nada demais. Os dedos que seguravam o pulso do garoto se afrouxaram e ela deslizou por sua pele até estar de volta com as duas mãos no próprio colo. se afastou um pouco de , mas apenas para tirar seu cardigan. O tecido rosa claro agora pinicava na sua pele quente, principalmente perto do pescoço e nuca, que estavam demasiadamente úmidos. Seus fios longos se soltaram do coque baixo que fez, e ela os colocou para o lado do ombro, se encostando em quando voltou a se sentar. Mas a sua bolsa e o casaco ficaram no assento da frente, onde estava antes.
Não respondeu a ele, porque ele tinha um ponto muito forte, não sabia se tinha falado em voz alta para ele ou para si mesma, porém, também era uma resposta ela ter continuado onde estava, se encostando no garoto novamente.
— Se quiser que eu realmente pare, me fala — disse baixo, e sua mão voltou a alisar a pernas dela, descendo até o joelho e voltando, mas não adentrou o vestido dessa vez, apenas fez um carinho calmo.
— Uhum — disse, fechando os olhos para controlar o quão quente seu rosto e pescoço estavam.
Mas toda aquela situação estava a deixando inquieta, sua timidez vinha em ondas fortes e queria engoli-la, então decidiu que recorreria a uma das coisas que a acalmava um pouco, se esticou para frente, abrindo sua bolsa e tirando dela seu celular, dando play na playlist que estava escutando em seu pequeno apartamento antes de decidir ir ao parque. Logo Why'd You Only Call Me When You're High? do
Arctic Monkeys começou a tocar em um volume baixo, e ela jogou o aparelho por cima do cardigan rosa, se encostando novamente em .
— Espero que não se importe, mas se não gostar eu posso tirar — explicou rapidamente, sem jeito. — Não… quer saber, eu vou tirar, acho que você não gosta — emendou a fala, totalmente insegura, já se preparando para pegar o iPhone outra vez.
— Hey, eu não falei nada — disse, apertando de leve sua coxa. — Eu falei que escuto de tudo. Pode deixar.
Hesitante, sentou de novo, se encostando no homem. Era… estranho. Não sabia explicar muito bem. não gostava do que ela gostava, e muitas vezes não queria nem tentar experimentar, já dizia que não servia ou era ruim.
— E eu gosto de AM — contou, rindo de leve. — Você tem sempre a mania de achar que a sua existência incomoda todo mundo? — perguntou, voltando a alisar sua perna para tentar acalmar a garota.
— Eu só não gosto que as pessoas fiquem desconfortáveis — falou, não se dando conta de que quando fazia isso, ela se colocava naquele lugar.
— Você tem que se sentir confortável também — rebateu, unindo as sobrancelhas. — Está se sentindo assim agora?
— Sim — respondeu, respirando fundo, sem conseguir realmente lembrar qual foi a última vez que se sentiu cem por cento confortável com tudo ao seu redor.
— Então é isso que me importa no momento. Estou bem, relaxa. — Sorriu de leve, e sua outra mão alisou de leve o braço dela, passando as costas dos dedos de forma bem suave.
A garota virou o rosto, olhando para por cima do ombro mais uma vez, agora, no entanto, ela se demorou um pouco mais na atitude. Não iria mentir, estava gostando do jeito atencioso e cuidadoso que o garoto estava a tratando, e também a paciência que se mostrava ter com seu jeito, já que geralmente isso acabava irritando as pessoas.
— Você tem namorada? — A pergunta saltou de seus lábios sem que percebesse, e então ela arregalou os olhos, se virando novamente, envergonhada.
— Não — respondeu, rindo de leve. — Eu sou muito difícil.
Aproveitando que não estava olhando nos olhos de , revirou os olhos e bufou baixinho, se empurrando de leve no homem, em uma sutil implicância, cruzando seus braços embaixo do peito. Mas não estava realmente irritada, ou chateada, ou… nada. realmente estava confortável, e a prova foi tanta que, segundos depois ela já estava se aconchegando melhor no garoto, apoiando a cabeça em seu ombro e fechando os olhos, deixando que apenas a música baixa soasse no ambiente e o calor de a aquecesse — assim como seu perfume estava a envenenando por dentro.
— O que foi? Queria que eu tivesse namorada? — Ele riu de leve, sua mão subindo novamente por dentro de sua coxa, e entrando de leve embaixo do vestido.
— Não, eu ficaria surpresa se tivesse — ela contou rindo um pouco, e suas pernas se abriram sutilmente, quase nada, com o toque dele.
— Hm, por que? — Passou de novo a ponta do nariz pela orelha dela, enquanto sua mão subia um pouco mais por baixo do tecido.
se remexeu de leve contra o homem, não em desconforto, mas em excitação. estava conseguindo deixá-la excitada com tão pouco que ela estava se sentindo uma pervertida por isso, ficando mais envergonhada ainda.
— Não acho que você gosta de se prender a alguém — explicou o seu ponto de vista, em um arfar fraco, dessa vez não tendo qualquer reflexo para impedir a mão de .
— Isso é bem relativo. Se eu quiser estar com alguém, não vou estar me sentindo preso — comentou, e sua mão alisou a parte interna da coxa da garota por baixo do vestido, que se abriu mais ao toque. — Sua pele é tão macia — sussurrou no ouvido dela.
A respiração de trepidou, ficando pesada e curta. Ela já não estava conseguindo pensar direito, uma névoa densa tomava sua mente, e tinha certeza de que estava sendo ocasionada pela combinação do perfume de , assim como a voz do homem rente ao seu ouvido e os seus toques gentis.
umedeceu os lábios, suas pálpebras estavam fechadas à algum tempo, concentrada apenas em sentir toda pequena reação que seu corpo estava tendo àquilo tudo, e como estava gostando do que ele fazia.
fechou os olhos e respirou fundo, sentindo o perfume de o tomar, queria avançar, mas ainda assim estava se controlando. A ponta do nariz deslizou por trás da orelha dela, e sua mão subiu um pouco mais, agora ficando apertada por conta das coxas que estavam fechadas, não queria forçar, queria sentir ela se abrindo toda para ele.
Que foi o que aconteceu.
Demorou alguns segundos, mas logo cedeu ao que seu corpo queria, e suas coxas se abriram lentamente, mas só um pouco, porque ainda estava levemente hesitante e um pouco insegura, e aquilo foi o suficiente para a mão do garoto subir mais, e alisar a parte interna da coxa dela, apertando um pouco, como se fizesse uma passagem.
respirou fundo, e novamente sua mão foi até , em seu braço, o apertando de leve. Mas diferente da última vez, não havia nada em sua linguagem corporal que dissesse para ele parar, muito pelo contrário.
Ele pensou em pedir permissão, mas achou que se falasse algo, iria ruir aquilo tudo, então voltou a alisar a perna de , descendo e depois subindo de novo, mas cada vez entrando mais no vestido dela, e até mesmo levantando um pouco o tecido. A respiração de estava lenta, mas pesada, seu peito subia e descia contra as costas de , e seu nariz passou pela lateral do pescoço dela, cheirando sua pele, tirando da garota um leve encolher arrepiado, e um pequeno suspiro mais alto.
Aquilo deixou o garoto mais quente e excitado, ele sabia que logo iria sentir sua ereção, e achava que isso a faria recuar, assim como se mexesse o seu corpo para tentar arrumar sua ereção. Então ficou parado, e subiu ainda mais sua mão, parando poucos centímetros antes de tocar na calcinha dela, sentindo o quanto sua coxa estava quente e levemente suada. Sua mão precisava de mais espaço para continuar.
Apenas um homem tinha tocado daquele jeito, e porra, nem de longe conseguia deixá-la tão quente e, vergonhosamente, molhada quanto estava agora. Seu corpo estava agindo sozinho, tomado pela excitação que sentia, e por aquela névoa que estava na sua mente, a impedindo de ter qualquer tipo de pensamento se não a mão de perto demais daquela região que estava querendo atenção. Ela soltou o ar, vagarosamente abrindo mais espaço, o suficiente para que , se quisesse, a tocasse.
Porra, aquilo fez quase gemer em aprovação, mas apenas subiu mais seus dedos passando de leve por cima do tecido de algodão da sua calcinha, sentindo como estava molhada. Aquilo fez sua ereção ficar mais dura. Seu indicador desceu pela calcinha, sentindo o quanto estava ainda mais molhada perto daquela região que estava quente.
mordeu o lábio inferior, se remexendo outra vez em , agora, no entanto, foi possível sentir que ele também estava tão afetado quanto ela, porém seus olhos se abriram arregalados, porque o que estava sentindo era grande demais. Ela arfou, um tanto quanto assustada, já que nem sabia que era humanamente possível ser daquele jeito, mas deveria ser apenas impressão sua, algo com a roupa de a fazendo ter essa impressão, ou coisa do tipo.
Ele deslizou o indicador mais para baixo, até a entrada dela, e porra, a garota estava bem mais molhada ali. esfregou de leve o tecido em provocação, fazendo ele ficar ainda mais úmido, e soltou um suspiro manhoso, abrindo mais as pernas para o homem, e jogando de leve a cabeça para trás — mesmo estando apoiada em seu ombro.
Isso fez com que o indicador de apertasse de leve o tecido e foi subindo, fazendo os lábios de sua boceta se abrirem de leve, molhados e macios, até chegar em seu clítoris. Ele apertou aquela região sensível, alisando de um lado para o outro por cima da calcinha, e engoliu em seco, já que sua boca estava igual à .
A garota soltou o primeiro gemido, mas foi tão baixo que a música nova que tocava acabou cobrindo o som que emitiu, mas seu corpo se arqueou de leve para , e o quadril foi para frente, pedindo por mais.
Aquilo fez abrir os olhos e sorrir de leve, mas logo os fechou, passando seu nariz pela curva do pescoço de . Queria beijar a pele dela, ainda assim estava se contendo. O seu nariz passou pela alça fina do vestido dela, fazendo ir levemente para o lado, enquanto seu dedo se esfregava agora devagar para cima e para baixo no clítoris dela, que estava quente, assim como seu próprio corpo.
não queria emitir nenhum tipo de som, até porque não era de seu feitio, mas algo no clima que criou, aquela bolha que os dois entraram, a tirou um suspiro alto, e ela se mexeu contra o corpo quente dele, querendo que ele fizesse mais do que apenas aqueles leves toques.
O garoto tirou o indicador daquele lugar tão quente, e o deslizou pela lateral da calcinha, indo até o elástico dela, alisando bem na sua virilha, para ver qual seria sua reação.
— Posso? — Ele ousou pedir permissão para adentrar aquela calcinha de algodão molhada.
Naquela altura do campeonato, dizer “não” ou se fazer de difícil não ia levá-la a lugar algum, apenas a frustração de ter seu desejo interrompido como diversas vezes acontecia.
— Sim — sussurrou, levando o quadril em direção a mão de , mas se sentindo extremamente envergonhada por isso na mesma proporção.
Ele não falou mais nada. Seus dedos adentraram a calcinha de e desceram, os melando rapidamente na excitação dela, olhe tirando um suspiro, passando o nariz pela alça do vestido até a ponta do seu ombro, a fazendo descer até o meio do seu braço, e depois passou os lábios pela pele livre, enquanto seus dedos abriam o meio da garota, se deliciando com o quão molhada estava, até alcançar seu clítoris, e o esfregar.
Uma pequena onda de prazer a atingiu e ela apertou o braço de , deslizando os dedos por sua pele, para cima e para baixo, umedecendo seus lábios. Queria rebolar em sua mão, mas estava travada demais para isso. Céus, se parasse para pensar mais um pouco seria capaz até de empurrar a mão dele para longe, e não queria isso.
O jeito que ela praticamente se torcia entre as pernas de o deixou mais excitado, e ele massageou mais rápido o clítoris de , beijando a curva do seu pescoço, deixando um rastro úmido. Sua própria respiração estava pesada. Sua outra mão subiu pelo braço dela, alisando e apertando, puxando de leve o corpo da garota contra o seu.
— Deus! — gemeu baixinho agora, arqueando as costas e se jogando completamente em .
Seus olhos estavam fechados, os lábios entreabertos e secos, sentia a umidade em seu corpo e sua mão livre desceu até a barra do vestido, o enrugando e apertando os dedos no tecido para aliviar a tensão do prazer que estava sentindo, o que acabou fazendo com que ela o subisse completamente, deixando seu quadril totalmente exposto.
O indicador de garoto desceu, ficando mais molhado, e subiu novamente, apenas acariciando de leve o clítoris. A outra mão desceu, adentrando a calcinha dela, e abriu os lábios quentes e molhados, fazendo aquela parte sensível ficar exposta. Seu indicador e dedo médio ficaram entre aquela cereja, enquanto o indicador da outra mão começou a esfregar apenas aquele lugar, rápido.
— … — chamou manhosa e tão baixo pelo nome do homem, que pensou que ele nem a ouviria.
— Tão quente e molhada — sussurrou no ouvido dela, suspirando e mordendo a ponta da orelha.
Aquelas palavras fizeram um estrago na mente da garota, que não sabia se o calor que sentia em seu rosto era por excitação ou vergonha, mas tinha noção de que se o garoto a visse, notaria o quão vermelha suas bochechas estavam; assim como seus lábios, que ela mordia para tentar conter os sons que queria soltar.
— Não prende — sussurrou para ela ao perceber que se segurava. — Eu quero ouvir a sua voz — falou e seu indicador desceu, rodeou a entrada quente dela, mas não a invadiu, apenas o molhou e voltou.
Os dedos de apertaram as laterais do clítoris de , enquanto o indicador passava apertado bem no meio deles, tirando da garota um choramingo manhoso de um prazer que crescia e tomava espaço dentro de si, de um jeito que nunca tinha sentido antes, tão gostoso e, ao mesmo tempo, torturante.
arriscou olhar para baixo, vendo as mãos de dentro de sua calcinha, em uma imagem pecaminosa que jamais poderia imaginar que aconteceria em sua vida, ou que iria gostar tanto.
estava muito excitado com aquilo também, seu pau estava apertado e dolorido em sua calça, e sua respiração estava pesada contra a orelha da garota. Seu olhar desceu para o corpo dela, vendo a alça do vestido caída de lado, quase deixando seu peito à mostra, mas o bico do peito estava duro, marcando o tecido. Se pudesse abocanharia aquele biquinho e o chuparia com força, apenas para a marca de sua boca ficar estampada ao redor da auréola dela.
A respiração de estava acelerada, pesada, curta. tinha perdido a habilidade de fazer algo que seu corpo tinha sido programado para fazer e mantê-la viva. Não deveria ser tão bom e gostoso, mas estava sendo, em uma proporção que nunca tinha experimentado antes. Seu clítoris estava pulsando entre os dedos de , e seu corpo estava suando mesmo com a maldita porta da cabine aberta, porque aquele calor vinha de dentro, a incendiando.
— Mais rápido — choramingou.
— Isso — sussurrou no ouvido dela, deixando seus lábios colados nele, fazendo sua respiração bater quente em sua pele.
A mão de fez o que pediu, indo mais rápido, sentindo o quão molhada a garota estava, sem mudar nada, apenas a velocidade. Ele queria ver ela se desmanchando apenas com aquilo. Seria a cena a qual se masturbaria mais tarde.
arfou, virando o rosto e o escondendo na curva do pescoço de , gemendo baixinho perto do seu ouvido agora, se quebrando ainda mais no prazer que estava consumindo todo o seu corpo, a fazendo pedir por mais, porque só aquele toque já não estava sendo mais o suficiente.
— Fecha as pernas — disse baixo, e seus dedos foram até o elástico da calcinha dela, puxando para baixo para tira-lá.
não pensou, fez o que o garoto pediu, fechando as pernas e levantou de leve o quadril quando percebeu que ele queria tirar a peça de roupa.
— Coloca suas pernas por cima das minhas — pediu, beijando o pescoço dela.
Deus, , olha o que você está fazendo?! Sua mente queria gritar, mas ela não deu ouvidos, passando rapidamente as pernas por cima das de . Se desse muito espaço para seus pensamentos, era capaz de se jogar da cabine de onde estavam, porque morreria de vergonha de encarar .
Então ele abriu as próprias pernas, fazendo ficar exposta e bem aberta, e apoiou os pés no banco da frente. Seus dedos deslizaram para o meio quente e molhado da garota, e gemeu fraco com aquilo, seu pau latejando em sua calça. Então abriu aqueles lábios molhadinhos, sabendo que o vento que entrava na cabine a atingiria de um jeito gostoso, e voltou a tocar aquele clítoris que já estava ficando inchado. Ele o apertou e puxou, brincando com aquela cereja molhada. Alisando, apertando, até que voltou a esfregar debaixo para cima, pegando o ponto mais sensível, aproveitando o quão molhada ela estava para deslizar com facilidade.
Os gemidos de saiam baixos, mas em constância, seu rosto estava torcido de prazer e nunca antes se sentiu tão lubrificada quanto agora — ou que dava para sentir tanto prazer assim. Seus dedos finos, trêmulos e pequenos subiram até a nuca de , e ela os torceu bem de leve, enfiando o rosto em seu pescoço — não sabia se para se esconder, ou sentir seu perfume —, e gemeu outra vez, rendida e manhosa. Sua boceta estava palpitando, quente, e ela sentia que estava próxima de algo que só experimentou uma vez, mas que, nem de longe, tinha sido nessa intensidade.
— Não pára, por favor — pediu, sua voz saindo abafada e baixa pela pele do homem estar perto demais de seus lábios.
franziu o cenho, excitado demais com o jeitinho que ela tinha pedido aquilo, quis ir mais rápido, mas manteve naquele ritmo, deixando seu pescoço mais exposto para a garota, sentindo o quanto estava suando também.
foi se perdendo mais e mais na forma como a estimulava, tocando e esfregando nos lugares certos e mais sensíveis que tinha em si e que implorava por atenção — não só naquele momento —. Ela foi se contorcendo cada vez mais, de olhos fechados e lábios entreabertos, o nome do homem até mesmo saía baixinho e de forma tímida, mas ela chamava por ele. Quando o orgasmo veio, a atingindo em cheio, todo o corpo de tremeu em um espasmo delicioso que a fez se encolher de leve, assim como um gemido mais longo escapou de seus lábios.
— Isso — virou o rosto e sussurrou no ouvido dela. — Está tão inchada. — Mordeu o lóbulo dela, e desceu seus dedos, os molhando mais. — Porra, que gostoso — alisou a sua entrada que estava muito molhada, tirando outro gemido manhoso da mulher.
Então levou os dedos até seus lábios e os colocou em sua boca, suspirando ao sentir o sabor da garota, querendo mais. queria afundar sua língua naquela boceta molhada.
não conseguia pensar agora, ainda estava sendo levada pelos resquícios daquela onda intensa de prazer que a atingiu. Seu corpo estava mole no de , e sua respiração ainda fora de ritmo; mas ela se sentia incrivelmente relaxada, como nunca tinha vivenciado antes.
desceu sua mão, e apenas ficou alisando agora a parte interna da coxa da garota, enquanto a outra levantou a alça do vestido dela antes que fizesse alguma besteira. Ele estava tentando se acalmar, o pau estava duro, apertado e dolorido, porém seu celular começou a tocar, o fazendo grunhir de leve. Precisou se mexer de leve e pegou o aparelho no bolso de trás da calça e viu que era Jackson, e isso lhe tirou um suspiro pesado, mas atendeu.
— Porra, cara! Você está onde? — o amigo de trabalho perguntou. — Preciso cobrir o intervalo do Leny.
— Foi mal, eu já estou indo — respondeu em um tom baixo e calmo.
— Não demora! O Leny com fome é mais insuportável que o normal — alegou, e encerrou a ligação.
— Eu tenho que voltar a trabalhar, não posso deixar você ficar aqui sozinha, é perigoso — falou com agora, e beijou o ombro dela.
, que até então estava tentando se fazer de invisível, porque o peso de suas decisões começou a ser muito em seus ombros, apenas concordou em silêncio, procurando sua calcinha e a vestindo rapidamente.
— Não, não — disse para ela. — Eu quero ela. — Apontou para a calcinha.
O rosto de quase ficou roxo quando ouviu aquilo.
— Não vou voltar para casa sem calcinha — respondeu em um fio de voz, sequer tendo coragem de olhar para ele.
— Vai sim — rebateu, estendendo a mão para ela.
não respondeu, só ficou de pé, praticamente se jogando no outro assento. Não ia deixar a peça com , Deus do céu, o que fez… o que deixou que ele fizesse, já tinha sido demais! Passou novamente o cardigan pelos braços, indo até a porta da cabine para descer sem esperar por ele. Era nítido que estava fugindo, era covarde demais para encarar depois do que fizeram.
— … a calcinha — falou, ainda sem se mexer, apenas a seguindo com olhar. — Não seja uma menina malvada.
— Tchau, — Foi a única coisa que disse, saindo sem esperar por ele.
— Não, não. — a puxou para trás pela cintura, tirando um gritinho e fazendo com que caísse sentada em seu colo, que rapidamente tentou se soltar. — Não vai fazer a menor diferença para você… — sussurrou no ouvido dela, passando os dedos pelas laterais da sua coxa. — Por favor — pediu de forma mais doce agora.
Talvez fosse o orgasmo ainda passeando por seu organismo, mas se sentiu mole com a pegando daquele jeito e sussurrando em seu ouvido. suspirou e fechou os olhos com força, parando até mesmo de tentar sair do colo do garoto.
— Promete que não vai dizer isso a ninguém? — pediu baixinho.
— Será nosso segredo — confessou com seus dedos subindo até o elástico da calcinha, e começou a puxar para baixo.
Ela não relutou agora, levantando de leve o quadril para que o tecido saísse, passando por seus tornozelos em um segundo, logo estando nas mãos de .
— Obrigado — agradeceu, e beijou a lateral do pescoço dela, que se arrepiou automaticamente com o toque. — Gosto de como você é uma garota boa.
retraiu os lábios, controlando a vontade que teve de se mexer no colo de , e se levantou outra vez.
Ele passou os olhos pelo corpo da garota, e saber que ela estava sem calcinha, o deixava muito excitado.
— Vou descer primeiro — praticamente sussurrou, e, desde que aquele momento com o garoto acabou, ela não fitou seus olhos nem por um segundo sequer.
apenas se levantou para ver descer e guardou a calcinha dela no bolso da frente de seu jeans claro. Logo foi atrás dela, descendo rapidamente, e chegou ao seu lado, até porque precisava abrir o portão para que ela saísse. Nenhuma palavra foi proferida por em nenhum momento, e depois que abriu o portão, praticamente tentou correr do garoto.
Ele riu daquela atitude dela, mas não falou nada, apenas trancou o portão e ajeitou o seu pau, que estava apertado e desconfortável, puxando sua regata branca para baixo, e seguiu até a montanha russa.
Era claro que já tinha a tocado daquela forma, mas não com tanto empenho em fazê-la se desmanchar em seus dedos como parecia bastante sedento em fazer.
Por noites a fio, ela acordava molhada como naquela maldita cabine, depois de sonhar que ele a fazia atingir seu ápice de novo e de novo, até que suas pernas perdesse as forças e sua mente estivesse longe.
Porém, ao mesmo tempo que sentia o desejo por crescer, a culpa também estava a engolindo viva por isso. Tinha traído , isso estava mais do que claro para ela, e agora sem jogando com as palavras no pé do seu ouvido, a fazendo sentir coisas que sequer deveria permitir que o garoto tivesse acesso, foi que a ficha de caiu. Ela sequer estava vendo ou falando com , porque um dia depois de ter estado com , seu namorado apareceu em seu trabalho e sentiu o estômago se revirar de um jeito muito ruim, que a deixou enjoada e prestes a vomitar.
Foi assim durante todos os outros dias, só de pensar ou mencionar o namorado. Mas não era conhecido por ser paciente ou respeitar o espaço pessoal de , então, no fim do turno da garota, perto das 6 da noite de uma sexta-feira nublada e fria, o garoto apareceu na porta da pequena cafeteria que trabalhava.
— ! — declarou surpresa, arregalando um pouco os olhos ao ver que ele estava na porta, esperando por ela.
O garoto se desencostou do próprio carro e foi até , a abraçando com certa possessividade e a beijando logo em seguida. ficou sem reação, claro, odiava quando a pegava desprevenida, ainda mais daquela forma. Por costume, os braços dela passaram pelo pescoço dele, mas sem tanta convicção quanto o homem.
— Parece que faz um ano que não te vejo — sussurrou perto do seu ouvido, escorregando os lábios até seu pescoço mordendo a pele fina.
fez uma leve careta de dor. Já tinha dito ao namorado que daquele jeito a machucava, e preferia que ele fosse um pouco mais gentil, porém, quanto mais reclamava, parecia que mais forte a mordia, então só parou de falar. Eventualmente ele aprenderia a forma como ela gostava.
— Eu estava atolada de trabalho e tinha as coisas da faculdade também — Ela desconversou, procurando um jeito de sair dos braços do loiro.
— Hum… — murmurou meio desconfiado. — Me empresta seu celular? — pediu, mas já estava indo até o bolso da namorada, pegando seu aparelho.
odiava demais aqueles surtos que dava, de querer olhar todas as suas coisas à procura de sabe lá Deus o quê, mas não falou nada, apenas deixou que ele fizesse o que sempre fazia. demorou cinco minutos fuçando todo o iPhone da garota, até que subiu o olhar para ela.
— Vamos para Everdusk — decidiu, bloqueando o aparelho e o colocando no bolso da frente da própria calça.
— , estou cansada, fiz algumas horas extras esses dias — retraiu os lábios, tentando cortar o garoto.
— Vai ser rapidinho — falou, dando a volta no carro e entrando do lado do motorista.
suspirou, aquela vontade de vomitar estava voltando de novo e ela engoliu em seco. Iria encarar as três coisas que mais estava evitando durante todos aqueles dias: , e Everdusk. Deveria mesmo ser um castigo do destino para o que tinha feito ao namorado.
Sem ter muito o que ser feito, até porque quando colocava algo na cabeça não havia nada que pudesse fazer para mudar, ela entrou em seu carro e passou o cinto, deixando a bolsa em seu colo, praticamente a abraçando.
, pelo canto dos olhos, passou as orbes claras pela garota, parando brevemente naquele ursinho rosa e feio que não estava ali antes — e que não tinha sido ele a presenteá-la. Silenciosamente ele ligou o Tesla preto e acelerou, saindo praticamente cantando pneu.
— É uma via pública — tentou falar, se segurando onde conseguiu, olhando para o garoto.
— Que está vazia. Deixa de ser estraga prazeres. — Rapidamente a retrucou daquele jeito que não dava margem para que ela continuasse tentando.
Então, como sempre, só aceitou o que fazia.
Às vezes ela ficava em silêncio não por sua timidez — embora a maior parte fosse —, mas sim porque era mais fácil de se esquivar de conflitos. Tinha aprendido muito bem com o homem ao seu lado.
Menos de dez minutos depois, com cortando caminho e ultrapassando a velocidade permitida, lá estavam eles no estacionamento de Everdusk. Quando o garoto desligou o motor do veículo e tirou o cinto, prestes a abrir a porta para sair, os dedos de se fecharam em seu pulso com certa força.
Automaticamente, olhou para a região, subindo depois as orbes até as do namorado.
— Antes de irmos, eu quero te perguntar uma coisa — falou e sorriu.
Mas algo naquela atitude apenas fez a espinha de gelar.
— Tudo bem — a garota concordou, abrindo um sorriso pequeno, esperando que o namorado a soltasse, mas não foi o que aconteceu. — Eu não vou sair, , pode soltar — pediu, vincando de leve as sobrancelhas para a atitude dele.
— Quem te deu esse urso feio, ? — ignorou o pedido de , e, para falar a verdade, ele a apertou mais.
Ah, não! pensou, como se fosse uma criança e estivesse em apuros, porque só a chamava pelo nome completo por dois motivos: quando estava rindo dela, ou quando tinha feito merda. E bom, não parecia estar se divertindo nenhum pouco às suas custas naquele momento.
O coração de começou a martelar com força em sua caixa torácica, e o ar vinha rarefeito, como se algo estivesse apertando seu pescoço e a impedindo de respirar.
— Eu… — Ela abriu e fechou a boca, rindo no final. Mas era de nervosismo. — Eu ganhei em uma daquelas barraquinhas idiotas de tiro ao alvo — falou a meia verdade, esperando que o loiro acreditasse.
Mas era uma péssima mentirosa, até porque sempre a assustava quando ficava daquele jeito.
— Resposta errada, — grunhiu, agora demonstrando sua irritação e raiva, apertando mais os dedos em sua pele.
— — gemeu, tentando se afastar.
O que claramente foi em vão.
— Eu vou perguntar de novo, e se me disser a verdade, nada vai acontecer — continuou naquele tom ameaçador, puxando a garota para si. — Quem te deu essa bosta de urso e por que no domingo seu registro de localização marcou que você passou nesse muquifo de parque de novo, por quase duas horas?
— Ninguém me deu isso, , Deus, está me machucando — tentou outra vez, mas agora sua voz estava mais embargada. Medo e culpa, era o que rondava seu corpo naquele momento. — Eu fiquei na roda gigante. Sozinha! — Os olhos de estavam marejados agora, e ela não sabia por quanto tempo conseguiria sustentar a mentira.
riu.
Uma risada que nunca presenciou o homem ter, e que a assustou ainda mais. Ele a soltou praticamente em um empurrão, descendo do veículo, dando a volta e abrindo a porta onde sua namorada estava, a puxando com tudo, quase a derrubando.
Nesse ponto, já estava chorando, e as lágrimas grossas molhavam o seu rosto, derretendo o rímel que tinha passado em seus cílios para ir trabalhar.
— Pára, por favor, vamos conversar — praticamente implorava enquanto a arrastava pelo estacionamento.
Ainda estavam um pouco longe da entrada do parque, o céu já estava escuro agora, e as luzes brilhantes, junto com o barulho dos brinquedos e das pessoas era o ruído perfeito para que ninguém sequer percebesse que a garota não estava confortável.
— Já estamos conversando, — rosnou, a puxando cada vez mais.
A pele de seu pulso estava dolorida e a carne latejava, , para completar, usava anéis grossos em seus dedos, que estavam piorando mais a dor que sentia. Aquilo com certeza deixaria marcas em sua pele alva.
Quando finalmente entraram no parque, a colou nele, abraçando seus ombros e beijando com força a lateral da sua cabeça. Não parecia um carinho para , muito longe disso, estava a machucando. Física e emocionalmente agora.
— Me desculpa — começou a murmurar, fungando cada vez mais.
Seus olhos, bochechas, ponta do nariz e até mesmo os lábios estavam vermelhos. Este último por estar mordendo e arrancando a pelinha em nervosismo.
— , me desculpa. Sério. Por favor. Vamos para sua casa. A gente faz o que você quiser. Do jeito que você quiser — tentou barganhar a situação a seu favor, enquanto chorava baixinho.
Tudo o que pedisse para ela fazer, nesse momento, ela faria, só queria que ele parasse.
— Por que está pedindo desculpa se você disse que não fez nada? — O homem a sacudiu. — , … eu tô achando que você está mentindo pra mim, e eu odeio mentiras, amor. O que eu faço com você, hein?
Nesse momento, duas crianças passaram correndo e esbarraram com força em , que acabou soltando sem querer. Óbvio que aproveitou a oportunidade, ela se virou e correu para bem longe de . Ainda chorava, seu rosto estava manchado de maquiagem, a visão turva pelas lágrimas e o nariz escorrendo, mas ela não parou de correr, desviando das pessoas, batendo em algumas… não importava. Ela só queria fugir.
— ! , volta aqui! — Atrás dela, a seguia, tão irado de raiva que sentia a visão arder.
olhou por cima dos ombros, para ver se estava longe o suficiente do seu namorado, se desesperando quando percebeu que ele estava mais perto do que imaginava.
— Wow, garotinha, olha por onde anda! — Uma voz grossa soou perto de quando ela trombou em alguém que a segurou.
Os olhos assustados de escorregaram rapidamente em direção ao homem que usava uma máscara horrenda de palhaço. chorou mais, soluçando dessa vez.
— Me solta! — pediu baixo, se sacudindo.
O cara por baixo da máscara percebeu que o choro da mulher parecia muito mais desesperado do que os dos clientes que se assustavam com a caracterização, e acabou a soltando.
se esquivou, correndo de novo, sem olhar para os lados, teve a impressão de que alguém a chamou outra vez, mas com certeza era , e definitivamente ela não queria falar com ele agora.
seguiu até a parte cercada do parque, onde os brinquedos quebrados e antigos ficavam jogados e esquecidos; bem onde a levou no domingo. A corrente e o cadeado grosso impedia a entrada de qualquer um que não fosse funcionário, mas ela era esguia demais, e quando puxou o portão, conseguiu passar pela brecha, mas acabou se arranhando no processo, tirando uma linha de sangue em sua clavícula.
não estava pensando, ela só queria se esconder de , ou de qualquer um.
estava fantasiado de Coringa andando pelo parque junto com outros caras vestidos com máscara de palhaço, fazendo o bando do Coringa do Cavaleiro das Trevas. Até que eles viram correndo e muito assustada, trombando com Josh, que a segurou para não cair, mas ela logo se soltou dele e fugiu. Os caras estranharam isso, e olharam para os lados tentando ver se era alguém fantasiado assustando a garota, mas apenas avistou , irritado, chamando a garota.
— Que merda está acontecendo? — Josh perguntou a , que deu de ombros, não entendendo nada.
— Vou verificar. Avisa no rádio que tem uma garota assustada demais correndo pelo parque — pediu, e foi andando atrás dos dois rapidamente.
seguiu , até a parte de trás do parque, o encontrando na frente do portão que levava para a área dos brinquedos quebrados, vendo que o loiro tentava forçar a corrente ou o cadeado.
— O que está acontecendo, ? — perguntou ao garoto que parecia transtornado de raiva.
olhou para , mas não parou de sacudir o portão, tentando fazer com que cedesse mais espaço.
— Minha namorada entrou aí — Ele só respondeu depois de perceber que não iria deixá-lo sozinho. — Mas já estou cuidando disso, valeu. ! — gritou. — Deixa de palhaçada, porra! Saí daí!
— Porra nenhuma. Se manda. Isso aí é área restrita — falou sem a menor paciência para a atitude do garoto.
— Foda-se, cara, você é surdo? Entrou essa maquiagem de gay na sua orelha? Minha garota está aí dentro — falou para , e de novo, nem o reconheceu. — , caralho! Sai dessa merda! Eu odeio quando você faz esses shows! Quero conversar com você! — continuou gritando.
— Chega! Você sai por livre e espontânea vontade, ou eu te tiro. Sugiro que escolha a primeira opção! — avisou, se aproximando devagar, pegando o rádio que estava dentro do sobretudo roxo que usava.
— Que inferno! Quanto você quer pra me deixar em paz, porra? — se virou, empurrando pelo peito. — Abre essa merda e vai embora, eu tenho que me resolver com minha garota.
sequer falou qualquer coisa, pegou o braço do garoto com força, e o torceu, virando o corpo dele e o prendeu contra o portão. se sacudia veemente, com toda a força que tinha, tentando se soltar daquele aperto, gritando com .
— Tem um homem tentando entrar na área restrita do parque, ele está agressivo e tentou me bater. Solicito segurança no portão F! — disse ao rádio e o colocou preso no cós da calça. — Cala a porra dessa boca, .
— Filho da puta! — rosnava, ainda tentando se soltar. — Quando eu souber quem você é, você tá acabado nessa merda de parque, tá me ouvindo? Vou fazer te demitirem, seu bosta!
bateu a cabeça de contra o portão, e a prendeu ali com força, então levou seu rosto até o ouvido do garoto, que grunhiu em um rosnado.
— Você não passa de um merdinha que todo mundo fica lambendo o saco por causa do seu dinheiro, mas sem ele, você não é bosta nenhuma. Acha que a Amber realmente gozou para você no sábado enquanto você metia esse pauzinho nela? — perguntou com sarcasmo. — Seria uma pena se a soubesse, não é?
— Seu desgraçado! Como você sabe meu nome? E o da minha garota? — se chacoalhou mais, tomado de ódio. — Hein, me diz, seu porra!
— Você está no meu parque. Você pode passar batido, mas não despercebido. Sei de tudo o que acontece aqui — sussurrou no ouvido de . — Eu sugiro que vá embora, antes que as coisas fiquem piores.
Vendo que aquela realmente era uma batalha perdida, parou de tentar se soltar. Sua respiração estava pesada e densa, a raiva o consumia, mas ele sabia quando recuar para poder atacar depois; e aquele era um desses momentos.
— Tudo bem, cara. Tudo bem. Me solta e eu vou — rosnou.
— Uma pena que você é a porra de um rato e eu não acredito em bosta nenhuma que sai da sua boca — disse e continuou segurando sua cabeça contra o portão e o braço dele virado para trás, contra suas costas.
Os seguranças apareceram rapidamente, vendo a situação que se encontrava ali, então soltou apenas para que os outros homens o levassem.
— Eu não fiz nada! Por que vocês estão me segurando como se eu fosse a porra de um marginal? Vocês sabem quem porra eu sou? Quem minha família é? — gritava enquanto estava sendo arrastado. — Vocês estão fodidos! Me ouviram? Todos vocês, estão fodidos! Vou ter o prazer de acabar com a raça de cada um de vocês, principalmente do babaca que está se engraçando com a minha garota!
apenas rolou os olhos com o show que o garoto mimado estava dando.
— Está tudo bem, ? — um dos seguranças que ficou com ele, perguntou.
— Sim. Ele é só um merdinha. Não o deixe mais entrar no parque hoje — pediu com calma.
O homem mais velho apenas assentiu de leve com a cabeça, e se afastou, seguindo os outros. pegou as chaves que estavam em seu bolso e destrancou o cadeado, e entrou, fechando em seguida. tinha falado que tinha entrado no lugar, precisava achar a garota, ali era perigoso demais, especialmente se ela subisse em algum dos brinquedos quebrados. Ele não a chamou, foi direto na roda gigante, achando que a garota poderia ter se escondido lá primeiro, já que era um dos brinquedos favoritos dela.
Quando parou na frente do enorme brinquedo, olhou para cima e tentou ver se tinha algum sinal dela, mas não dava para ver dali.
— ! — chamou, para ver se ela iria responder.
Mas não teve resposta, porque só de ouvir seu nome, tampou mais a boca, parando até de respirar para que ninguém a ouvisse. Estava na cabine do topo, a mesma em que tinha a levado dias atrás. Ela só queria um lugar seguro.
soltou o ar pesado, então subiu para verificar. Se ela não tivesse em uma das cabines, achar naquele lugar e no escuro, seria como procurar agulha em um palheiro, poderia estar em qualquer brinquedo escondida.
O garoto foi subindo devagar olhando as cabines da escada mesmo, até chegar na última e abrir a porta dela, vendo que estava ali. Ele soltou o ar em forma de alívio.
— Está tudo bem, tiraram o do parque — garantiu, já que era nítido que ela estava fugindo dele.
A princípio, logo quando a cabine foi aberta, se encolheu e choramingou, com medo de ser , mas automaticamente reconheceu o perfume de , seguido da voz do homem — o que, de certa forma, acalmou um pouco seu coração.
— Vai embora, — pediu com a voz quebrada — Eu quero ficar sozinha.
— Eu vou, mas preciso ter certeza de que você está bem — avisou, entrando na cabine, realmente preocupado com ela, e se abaixou na sua frente, sem a tocar. — O que houve? Ele te machucou?
fungou, mirando suas orbes vermelhas e até inchadas em . Seus olhos encheram de lágrimas mais uma vez, que caíram quando ela piscou. , que vestia o seu fiel cardigan agora, passou o tecido por seu rosto, o enxugando.
— Não foi nada, a gente só discutiu — respondeu baixo, negando com a cabeça. — Eu que sou dramática — repetiu aquilo que ouvia sempre de .
— Nem fodendo que isso é drama, . Ele estava completamente transtornado, e você totalmente apavorada. O que ele fez contigo? — perguntou mais uma vez, bem sério.
ficou olhando para o rosto caracterizado de , e se não estivesse tão assustada, poderia achar fofo e gostado que ele estava agora de Coringa, porque de alguma forma isso queria dizer, para ela, que lembrava da conversa que tiveram.
No entanto, o queixo dela tremeu, assim como seu lábio inferior, e escondeu o rosto entre as mãos, voltando a chorar mais.
, com cuidado, a puxou para perto e a abraçou, ficando de joelhos para ter a altura dela.
— Está tudo bem, ele não vai entrar aqui — garantiu, afagando as costas da garota.
— É minha culpa — falou entre os soluços. — Ele… — fungou. — Ele desconfiou que eu fiz algo, que eu traí ele. — Ela soluçou mais agora. — Eu que fugi dele, porque sou covarde.
retraiu os lábios com aquilo, ele não achava que ela deveria se sentir daquele jeito depois que viu comendo Amber, que só descobriu quem era a garota porque a mesma trabalhava no parque e contou para ele, especialmente zoando o tamanho do pau de .
— Não é como se ele não merecesse. O cara é um bosta, — tentou argumentar. — Você falou algo para ele ou para alguém sobre o que aconteceu aqui?
— Ele não merecia, ! — Ela saiu em defesa do namorado, sem ter ideia do que ele fez. — Ele não é ruim, só estava com raiva, e com razão, a culpa foi minha, ele ficou assim por minha causa.
tinha passado tanto tempo convencendo de que tudo era culpa dela, que agora ela nem precisava mais dele para conduzir e moldar aqueles pensamentos, já pensava sozinha.
— Eu não disse a ninguém, ele pegou meu celular e viu meu registro de localização e depois o urso horrível que você me deu! — falou baixinho, voltando a chorar.
— Para de se culpar pelas atitudes de merda que ele tem o tempo todo contigo — pediu, sentindo até um pouco de raiva por perceber o que fazia com ela. — Ele merece, vai por mim. Não consigo entender como você namora com uma pessoa que te trata como… enfim.
não tinha condições de falar sobre agora, ou seus comportamentos. Seu corpo até tremia, e ela não sabia se era pelo choro, nervosismo ou pelo vento frio que entrava pela cabine. Fora que, claro, tinha arranhado a clavícula quando se esgueirou pela brecha do portão, forçando sua entrada na área restrita.
— Você já viu que eu estou bem, me deixa sozinha — pediu de novo, mas não se afastou do abraço de .
— Não, eu não vi — respondeu e soltou ela. — Para mim você não me parece bem. Não posso te deixar aqui assim.
— Eu não vou voltar para o meu apartamento agora! — Ela balbuciou com pressa, se afastando para olhar nos olhos de .
Sem chance, pensava.
Seria o primeiro lugar onde a procuraria. Ou pior, a esperaria, já que ele tinha a chave do local. O plano de era aguardar até o amanhecer, quando caísse no sono — onde quer que estivesse.
— Não estou falando para você ir embora. Só estou dizendo que não posso te deixar aqui sozinha — explicou, e se sentou no banco da frente, apoiando os cotovelos nos joelhos e inclinando seu corpo.
apenas assentiu e engoliu o choro, passando de novo a manga do seu casaco pelo rosto, engolindo o gemido de dor e descontentamento pelo seu pulso dolorido.
— Tudo bem — murmurou, entendendo que precisava mesmo sair e que aquilo não era problema de . — Desculpa ter entrado aqui — fungou, se levantando.
— Hey, não estou te mandando ir embora — disse, unindo as sobrancelhas e vendo o comportamento na defensiva da garota. — Não precisa fingir que está bem. — Aquilo estava incomodando ele.
— Acabou de dizer que eu tenho que sair — sussurrou.
— Eu disse que você não pode ficar sozinha aqui, não que tinha que ir embora — explicou com calma, porque estava percebendo que a garota não estava assimilando as coisas direito. — Vem cá — chamou, estendendo a mão para ela.
olhou para a mão de e depois para o seu rosto, retraindo os lábios sem saber o que fazer. Ela não estava acostumada a ser consolada quando as coisas com ruíam, muito pelo contrário, da única vez que procurou apoio com o grupo de amigos que eles partilhavam, todos eles reforçaram o quanto ela era culpada.
— Eu não vou fazer nada, prometo — disse, tentando passar segurança para ela.
Mesmo hesitante, e depois de alguns segundos olhando para , a garota estendeu a mão trêmula e gelada para ele, que a pegou e puxou para perto, fazendo com que se sentasse de lado em seu colo, e passou o braço ao redor da garota.
— Não tem problema chorar porque está triste ou nervosa — sussurrou para ela, afagando seu braço.
assentiu, mas no fundo estava esperando pelo momento em que começaria a chamá-la de dramática, porque não tinha sido nada demais e ela estava aumentando as coisas.
Devagar, ela apoiou a lateral do rosto no ombro de e fechou os olhos, abraçando o próprio corpo, passando a mão direita em cima do lado esquerdo do peito, uma das muitas técnicas que tinha aprendido para se consolar sozinha.
— Você tem que voltar para o seu trabalho. Tem pessoas para assustar e criancinhas para traumatizar — sussurrou.
— Já assustei bastante gente hoje — respondeu de forma calma e olhou para baixo. — … porra, você está suja de sangue. É seu? Ou foi na hora que você esbarrou no Josh e ele te sujou? — estava mais preocupado agora, e sentindo uma raiva nascer em seu peito, achando que tinha feito aquilo com ela.
— Eu me cortei no arame quando passei pela brecha do portão — contou ao garoto, mas cobriu o lugar do corte, fechando seu cardigan.
— Não, me deixa ver isso — pediu, tocando de leve na mão dela.
se desencostou de e levantou, abrindo o casaco. A blusa branca e de botões que usava estava rasgada na altura da sua clavícula, assim como o tecido estava sujo e manchado de vermelho, já que seu sangue ainda saia pelo corte.
— Cacete, isso não está legal — comentou, e levou as mãos até os botões da blusa, abrindo naquela região e olhando melhor o corte. — Precisa tomar uma antitetânica, as grades estão enferrujadas. — Olhou nos olhos da garota. — Posso te levar ao hospital.
— Tenho medo de agulhas — choramingou, encostando a testa no peito do garoto. — É só lavar, passar álcool e tá tudo certo.
— Eu seguro a sua mão — ofereceu, alisado o braço dela. — Não, sem álcool. Só vai arder e não vai ajudar em nada.
retraiu os lábios, soltando o ar em derrota. Sabia que estava certo, só que não queria ir.
— Tudo bem. — Se deu por vencida, afastando para pegar sua bolsa que estava jogada em algum lugar pela cabine estreita.
— Pode voltar para cá depois, já que não quer ir para seu apartamento — ofereceu, levantando e saindo na frente.
A garota murmurou um “obrigada” e foi descendo logo atrás de , em silêncio e prendendo o choro que ainda estava em sua garganta. Seguiu , engolindo a dúvida que pairava a sua cabeça por não reconhecer o caminho, mas foi mesmo assim, notando estar em um acesso diferente, que logo chegou à conclusão ser apenas para os funcionários, sendo guiada até o carro do homem, olhando bem para ele depois que abriu a porta para que ela entrasse.
— Obrigada — agradeceu baixinho, ainda abraçando o próprio corpo, e entrou em seguida.
não respondeu, apenas fechou a porta do seu Skyline roxo, e deu a volta, entrando no lado do motorista, colocando a chave na ignição e dando partida. Ele se esqueceu totalmente do trabalho e do rádio, só estava pensando na garota que estava em seu carro, com um corte na clavícula e sangrando.
Ele dirigiu rapidamente até o hospital mais perto, não falou nada ou ligou o rádio, estava concentrado demais no que fazia. Em poucos minutos eles estavam parados na frente do prédio.
demorou um tempo para tirar o cinto e sair do veículo, fitando o hospital a sua frente e se perguntando se ia mesmo fazer aquilo. A garota mal lembrava a última vez que uma agulha tinha chegado perto de sua pele, e o mero pensamento fazia sua pele se arrepiar em reprovação.
Depois que conseguiu criar coragem, ela saiu e foi sendo seguida lado a lado por até a entrada do prédio, parando de frente a recepcionista que encarou com uma clara interrogação no rosto.
— Boa noite? — A recepcionista perguntou, olhando do garoto para , que continuava se abraçando.
— Ela se machucou, está com um corte grande na clavícula — explicou, percebendo que não ia falar. — Cadê os seus documentos? — pediu a .
Ela abriu a bolsa e tirou a carteira, pegando a identidade e entregando a recepcionista, voltando a se abraçar e a praticamente se esconder atrás de , como um animal ferido e desconfiado.
— Tem plano de saúde, ? — a recepcionista perguntou, colocando o documento sobre o balcão após usa-lo.
— Não — sussurrou a garota, tocando de leve a mão gelada no braço de , um pedido mudo para que ele pegasse seu documento.
— Certo, você já vai ser atendida — respondeu.
pegou o documento de e a entregou, então segurou a cintura da garota e a direcionou até as cadeiras de espera, que só se deixou ser conduzida, de cabeça baixa, quase como se desejasse se esconder de todos.
Agora, na luz exorbitantemente clara do hospital, que ficava ainda mais nítido os olhos vermelhos e inchados da jovem, assim como a ponta do nariz vermelha e as bochechas rosadas de tanto que esfregou o cardigan para limpar o rosto.
Ela se sentou quase encolhida na cadeira, olhando para o próprio colo e puxando a manga em direção aos seus dedos, cobrindo completamente as mãos.
a abraçou de lado e a puxou para perto assim que se sentou, deixando a ponta de seus dedos ficarem acariciando o ombro da garota.
— Por que está fazendo isso? — A pergunta de saiu quebrada, em um fio de voz.
— Por que eu não estaria fazendo isso? — Devolveu, e olhou para ela.
Porque ninguém nunca fez, foi o que pensou em responder, mas se contentou em um leve dar de ombros.
— ? — Uma enfermeira apareceu no fim do corredor, chamando por seu nome.
levantou, ajeitando a alça da bolsa em seu ombro, e foi logo atrás, apoiando a mão na cintura dela mais uma vez, a conduzindo para onde deveria ir.
A enfermeira ficou encarando aquele garoto fantasiado de Coringa, e depois negou com a cabeça como se tentasse espantar qualquer tipo de pensamento que tomava sua mente naquele momento. Então foi andando na frente até o consultório pequeno, com apenas uma mesinha e três cadeiras, e logo atrás uma cortina que dividia o ambiente, dando um pouco de privacidade caso necessário.
— Você se cortou, ? — A mulher perguntou, pegando a ficha da garota, apontando com o queixo para que eles se sentassem.
— Sim — respondeu baixo.
— Certo, pode me mostrar onde é? — Ela pediu e puxou de leve o cardigan, abrindo.
Os olhos treinados da enfermeira passaram atentamente pelo corte e então ela fitou por um segundo.
— Vamos limpar primeiro e depois aplicamos a injeção, me acompanhe, por favor — falou para a mais nova, deixando a pasta em cima da mesa e seguindo até onde tinha a cortina que estava aberta.
mordeu o lábio inferior e deixou a bolsa na cadeira que estava sentada, seguindo até onde a enfermeira estava.
— Ele pode entrar? Eu tenho medo de agulhas — perguntou baixinho a mais velha, olhando para .
— Eu só vou limpar primeiro, depois ele pode entrar, tudo bem?
assentiu e lançou um olhar para que sorriu de leve para ela, e apontou para os próprios olhos e depois para a garota, rindo de leve depois, fazendo a covinha aparecer.
Por mais bobo que pudesse parecer, aquela simples atitude a acalmou um pouco, tirando dela um sorrisinho, mesmo que fraco.
— Senta aqui, meu bem — A enfermeira a chamou, apontando para a maca que estava encostada na parede.
Obedecendo o comando da mulher, subiu nas escadinhas e se sentou virada para a mais velha, passando a orbes vermelhas pelo ambiente, notando que a mulher tinha fechado as cortinas, separando completamente o ambiente.
— Tira o casaco e sua blusa, por favor. — Novamente a mulher de meia idade solicitou, colocando as luvas e pegando uma bandeja de inox com alguns utensílios.
Tímida do jeito que era, o rosto de esquentou completamente, mas lá estava a garota puxando o cardigan para fora dos braços e tirando também a camisa que vestia. A enfermeira parou em frente a mais nova, passando seus olhos pela clavícula de , na parte cortada, mas também por todo o seu tronco exposto, inclusive os braços.
— Pode arder um pouco — avisou a , depois que passou o antisséptico em uma gaze, deixando seu rosto bem próximo ao dela. — Eu vou chamar o segurança e vamos tirar ele daqui — sussurrou para , que vincou as sobrancelhas sem entender nada.
Mas sequer teve tempo de responder, porque a mulher encostou a gaze em seu corte e ela gemeu alto de dor, pega de surpresa.
— Shii, tudo bem, querida! — Agora ela voltou a falar em um tom normal, olhando para a cortina, se certificando de que o garoto não ia entrar. — Depois que o segurança entrar, vou pedir para colocá-lo em uma sala separada e chamamos a polícia, ok? — Voltou a sussurrar.
— Do que você está falando? — perguntou, perdida e confusa.
— Ah, meu bem, eu sei como é isso, acredite em mim — A mulher tentou confortá-la.
— Não, a senhora não sabe, nem eu sei… porque não sei do que está falando — respondeu, falando em seu tom normal enquanto a enfermeira sussurrava e terminava de limpar seu corte.
— Eu vou te ajudar a denunciar ele — falou mais explicitamente agora.
— O ? — questionou, falando até mais alto. — Não. Não. Ele não fez nada — rapidamente negou com a cabeça.
— Eles nunca fazem — A enfermeira murmurou, olhando para o celular que tinha vibrado em seu jaleco. — O segurança chegou, meu bem.
— O quê?! Não! Me escuta! — agora estava desesperada, e empurrou a mais velha, pulando da maca e pegando o cardigan, o vestindo de qualquer jeito para abrir a cortina.
olhou para a cortina e uniu as sobrancelhas, confuso com o que estava acontecendo.
— O que houve? — ele perguntou com calma.
A porta do consultório se abriu na mesma hora, e um outro homem entrou a fechando em seguida, ameaçando ir em direção de , que continuou parado, sem entender nada.
— Não! Ele não fez nada! — praticamente se colocou na frente do garoto, tentando empurrar o segurança. — Me escuta! Ele. Não. Fez. Nada. Comigo!
— Estão achando que eu cortei ela? Sério? Vocês são idiotas ou o que? Um cara não pode ajudar uma garota que automaticamente vira o agressor? — perguntou irritado, rolando os olhos. — Tem como só fazer a porra do seu trabalho e parar de ficar achando um monte de merda da vida dos outros? — Olhou bem sério para a enfermeira. — Tenho que trabalhar.
— Só podemos seguir com a denúncia se você aceitar depor — Ignorando completamente o que dizia, a mais velha se voltou para .
— Ele não fez nada! — gritou, exausta. — Chega perto de mim e eu vou denunciar você! — Olhou para o segurança agora. — Por que ninguém nunca me escuta?! — Ela estava transtornada, completamente nervosa, e ainda tremia por tudo. — não fez nada!
— Certo, você é maluca, e eu estou indo na recepção abrir uma reclamação formal, e um processo por constrangimento. Você nem deveria estar aqui com ela semi-nua — falou totalmente sem paciência. — Sequer acabou de cuidar dela e já está inventando um monte de coisa. O processo só vai ficar maior — disse indo em direção a porta.
— Quer mesmo que eu acredite que não foi você que deixou o braço dela assim, rapaz? — A mais velha questionou.
— O que… — falou, se virando e olhou para , então uniu as sobrancelhas. — Cacete, . Ele não fez nada? Mesmo? — Ele começou a ficar bem puto agora.
se encolheu, voltando a se abraçar, e então olhou para a enfermeira.
— Viu? Ele não fez nada, porque ele nem sabia — falou rapidamente, a voz voltando a ficar embargada e falha em algumas palavras.
voltou para onde sua blusa estava, fechando a cortina e tirando o cardigan pra voltar a se vestir. Iria voltar para o seu apartamento, aquele show já tinha dado, e ela odiava ser o centro das atenções. Se estivesse lá quando chegasse, ela lidaria com ele. Ela sempre lidava mesmo.
— — chamou, respirando fundo e apertando a ponte do nariz.
— Me deixa em paz — a garota pediu voltando a chorar, atacando os botões de sua roupa.
encarou a enfermeira com raiva agora.
— Acaba de cuidar dela, sua maluca — mandou, e saiu do consultório, irritado com aquilo tudo, porque nada fazia sentido.
— Querida? — A mulher de meia idade chegou perto da cortina. — Eu posso entrar?
— Não! — retrucou.
— Me deixe terminar de limpar seu corte, e me desculpar também — Ela tentou outra vez.
— Cadê o segurança? — perguntou, fechando os olhos.
A enfermeira olhou para o guarda-roupa que continuava na sala e sacudiu a mão, o mandando sair.
— Ele foi embora, querida — falou para , mesmo que o homem ainda estivesse presente.
— E o ? — mordeu a bochecha.
— Saiu também, estamos só nós duas, eu prometo.
soltou o ar, permitindo que a enfermeira entrasse. Ela se desculpou, claro, e contou a jovem que era comum atender mulheres que tinham sido abusadas e violentadas por seus companheiros, por isso deduziu aquilo. O processo para limpar o corte foi rápido depois disso, e quando a mais velha perguntou se ela queria que chamassem o garoto para segurar sua mão, como tinha dito que permitiria, não quis. Quinze minutos depois ela saiu do pequeno consultório, vestida, medicada e com o braço bastante dolorido e pesado pela injeção.
Ela achava que depois de toda aquela confusão tinha ido embora, e suas conclusões foram completamente comprovadas quando, depois de sair pela recepção e ir até o estacionamento, não encontrou mais ou o seu carro.
Ele tinha realmente ido embora.
Aquilo só fez chorar mais.
tinha voltado para Everdusk depois que saiu do hospital, e voltou a trabalhar. Ele não quis ficar lá porque além de não ter sido a primeira vez que o mandou embora, ele sabia como as coisas funcionavam. A mãe dele vivia em uma eterna briga de cão e gato com o namorado dela, já tinham ido parar na delegacia diversas vezes, e eles sempre voltavam. Não importava o que o garoto falasse para sua mãe, ou o quanto ela reclamasse do namorado, eles dois sempre voltavam. Era um ciclo sem fim. Ele via no mesmo lugar. Ela estava em um relacionamento abusivo, onde tinha entrado tão fundo em sua mente, que não adiantava nada que falasse, ela nunca iria acreditar. Poderia ter falado que ele a traía, mas parecia tão pequeno diante a forma que aquele imbecil a tratava, fazendo achar que aquele tipo de amor era algo grandioso demais, que tudo o que ele fazia por ela era amor, mesmo que fosse migalhas. estava tão acostumada com pouco, que todo o resto parecia surreal demais, como ele tentando ajudá-la, e a garota sequer conseguia entender isso. Então decidiu que não iria se meter naquilo, porque tudo o que aconteceria seria ele se meter em um assunto que não era seu, e se estressar por causa de uma situação por causa de uma garota que queria continuar com o bosta do namorado mesmo que a machucasse de várias formas possíveis.
Como no final de cada turno, ele e os outros funcionários sentaram no antigo escritório, que era onde morava, e ficaram bebendo, contando as fofocas da noite, rindo dos acontecidos. Quando perguntaram para o que rolou com , ele apenas deu de ombros, falando que não sabia, que só tinha visto surtando, tentando fazer seu dinheiro ser maior do que seu micropau.
Já estava quase amanhecendo quando o garoto foi dormir ainda pensando no quão desesperada estava quando a encontrou. Ele não conseguia entender como as pessoas ainda continuavam escolhendo passar por aquilo e achava normal, porém, ficando irritado por ter tentado ajudar, e ainda ter saído como errado. Era por essas e outras que ele odiava se meter em assuntos que não eram seus.
Ela passou o restante da noite na recepção do hospital, ora chorando por continuar se sentindo assustada e sozinha, ora cochilando, já que seu corpo estava pesado e cansado — fora, é claro, a sensação febril que a embalou, uma clara reação da vacina que tinha tomado.
Sem dinheiro na bolsa e sem seu celular, continuou na recepção do hospital até perto das 9:30 da manhã, que foi quando decidiu que precisava fazer alguma coisa, já que além de tudo, começou a sentir fome.
A garota passou a mão pelo rosto, respirando fundo, saindo daquele ambiente gelado e mórbido, encarando o céu azulado e o sol quente. andou por cerca de quase trinta minutos até chegar no estacionamento do parque, na parte onde tinha saído com na noite passada.
Chegou no portão fechado e tocou no pequeno interfone, esperando ser atendida.
— Sim? — Uma voz masculina saiu chiando pelo pequeno alto falante.
— Hm… — A garota limpou a garganta. — está? Eu gostaria de falar com ele. É a… … — Se corrigiu automaticamente. não tinha para onde ir, e, sem pensar, aquele foi o único lugar que veio à sua mente.
— Espera um pouco — O homem falou e então desligou.
Robin, o segurança que ficava tomando conta dos portões, passou um rádio para , que estava dormindo, e acordou com o bipe do aparelho. O garoto soltou um resmungo, e abriu os olhos devagar, pegando o aparelho.
— Oi — falou sonolento, fechando os olhos de novo, afinal, tinha dormido tarde.
— Tem uma garota no portão de trás querendo falar contigo. — informou, e aguardou.
— Porra, tá. Eu… — Tomou um pouco de ar, tentando pensar. — Diz que já vou.
levantou de forma preguiçosa, passando a mão em seu rosto e cabelo, o bagunçando ainda mais. Pegou uma regata e vestiu uma bermuda jeans, calçando suas botas pretas da all star, então correu até o banheiro escovando os dentes rapidamente, e saiu, apanhando um óculos escuro que estava jogando sobre a mesa, e o colocando por causa do sol forte lá fora. O garoto ainda fez uma careta por causa da claridade, e foi até o portão onde Robin tinha falado que estava.
Ele avistou a garota com a mesma roupa da noite passada e uniu as sobrancelhas, percebendo que ela sequer deveria ter voltado para casa. Aquilo o fez soltar o ar de forma pesada. Chegou até o portão e o abriu.
— O que houve? — perguntou passando os olhos por ela como se procurasse alguma resposta.
ficou encostada no portão, abraçando o próprio corpo, o sol quente batia contra sua cabeça, pesando ainda mais seus pensamentos, mas ainda assim a garota se abraçava e fechava o cardigan, sentindo frio. Se virou apenas quando viu o portão se abrindo e olhou para , já sentindo a visão ficar turva.
— Eu não tinha para onde ir — falou baixo.
O garoto retraiu os lábios de leve, e fez um gesto para entrar, enquanto ele olhava para os lados garantindo que ninguém estava observando eles, ou melhor, se o maluco do namorado dela não estava a perseguindo.
ajeitou a alça da bolsa no ombro e foi seguindo mais atrás, em passos lentos. Estava se sentindo cansada, seu corpo estava bastante dolorido por ter passado a noite inteira sentada em uma cadeira desconfortável, fora, é claro, a reação que estava começando a ter pela vacina.
Ele trancou o portão e seguiu até sua “casa”, entrando na frente e ligando a luz para a garota não cair em nada que tivesse no caminho, no caso, os vários tênis e botas jogados pela pequena sala. foi até seu armário e pegou uma toalha, e uma muda de roupa limpa, e levou até .
— Vai ficar enorme em você, mas é melhor do que essa roupa suja. O banheiro fica ali — disse apontando para a porta, enquanto levantava seu óculos de sol.
ia concordando em silêncio, mordendo o lábio inferior e o interior da bochecha para engolir o choro que queria vir de novo e pegou o que estava oferecendo, seguindo quase se arrastando até o banheiro.
Lá dentro, quando fechou a porta e se viu sozinha, evitou se olhar no espelho, apenas querendo se ocupar em se despir e tomar o banho, desejando que junto com a água, seus problemas escorressem pelo ralo. A garota entrou no box e deixou que a água quente molhasse seu corpo inteiro, incluindo seus fios. não demorou no banho, por mais que tenha também usado os produtos de para lavar os cabelos e chorado mais um pouco. Não quis ser inconveniente ou incomodar mais do que estava fazendo.
Quando saiu do banheiro, a roupa que o garoto tinha lhe entregado estava estupidamente folgada e grande, só a camisa dele, para ela, se tornava um vestido.
— Lavei o cabelo, espero que não se importe — murmurou para .
— Não me importo — respondeu, enquanto colocava ovos e bacon em um prato, e o entregando para . — Tem suco de laranja na mesa — avisou, apontando onde estava, e se virou para o fogão novamente.
Foi impossível controlar o barulho que seu estômago fez quando sentiu o cheiro da comida. Fazia tantas horas que não comia, que até perdeu as contas.
— Obrigada — murmurou, indo até a mesa e se sentando, um pouco hesitante.
O garoto apenas ficou quieto enquanto preparava mais ovos e bacon para ele mesmo. Geralmente quando acordava, gostava de ficar em silêncio até seus pensamentos voltarem ao ritmo normal. Ele tomou um gole de café que estava em sua caneca no balcão, enquanto olhava para a frigideira. Não estava pensando em muita coisa naquele momento, estava com sono ainda.
Para sorte de , não era comunicativa nem em dias normais, quem dirá aquele. Ela tentou não comer, esperando para que o garoto se sentasse à mesa também, porém se sentia faminta demais, e quando notou, já estava na metade do que tinha feito para ela, tomando um pouco do suco também, já que não gostava de café.
Assim que ele terminou de fritar seus ovos e bacon, ele se sentou na mesa, pegando uma fatia do bacon e afundou na gema do ovo e comeu, enquanto olhava para a garota à sua frente.
— Seus pais não moram aqui? — perguntou, lembrando que a garota disse que não tinha para onde ir.
— Moram — murmurou em baixo tom. — Perto do centro — contou, voltando a beber o suco que estava pela metade em seu copo, deixando claro para ele que não adiantava de nada ter os pais por perto.
— Acha que o ia atrás de você na casa deles — comentou pensativo e assentiu com a cabeça.
— Meus pais amam o — sussurrou, frisando a palavra, se remexendo na cadeira onde estava, e começou a pentear os seus fios com os dedos mesmo.
O simples ato de levantar o braço deixou amostra como o pulso dela estava roxo com as nuances dos dedos de em sua pele alva — e bastante dolorida, agora.
— Claro, todo mundo gosta do dinheiro dele, e obviamente vão lamber o chão para esse imbecil passar — comentou com tédio, rolando os olhos. — Enfim, entendi. Não importa o que ele fizer, se te matar, a culpa vai ser sua. É o que ele vai falar, que você provocou, e todo mundo vai acreditar.
retraiu os lábios, sentindo o quando seu queixo estava começando a querer ficar trêmulo de novo. Ela respirou fundo, tentando se controlar e desviou o olhar para a janela que tinha ao lado, apoiando a ponta do pé no final da cadeira, abraçando uma das pernas. Não estava esperando que fosse oferecer algum consolo para si, na verdade, estava bastante surpresa do garoto ter deixado que ela entrasse em sua casa, por isso ficou em silêncio — como sempre fazia —, deixando que despejasse sobre seus ouvidos o que pensava.
— Não adianta falar nada contigo, vai continuar com ele e fazendo tudo o que quer — comentou, voltando a comer e dando de ombros. — Ele estava transando com Amber na semana passada, só para você saber.
— Ele nunca fez isso antes — se defendeu, mesmo que de forma fraca. Mas suas sobrancelhas vincaram e logo ela estava encarando . — A marca de batom vermelho! — Ela riu da própria desgraça, negando de leve com a cabeça.
— Vê se não transa com ele sem camisinha, logo vai te passar alguma coisa, se já não passou — disse de forma calma, olhando para como se aquilo não fosse nada.
E, de certa forma, a frieza com que ele estava lidando e falando com ela, a incomodou. engoliu em seco, soltando o ar.
— Escuta… — pigarreou, voltando a se sentar normal, e olhou ao redor. — Eu não quero te incomodar. Desculpa ter vindo — Negou de leve com a cabeça, levantando. — Vou deixar suas roupas no banheiro.
— Eu não disse que incomoda, certamente você que está se incomodando sozinha por causa do que falei sobre o seu namorado — rebateu encarando os olhos da garota. — De qualquer forma, pode ficar se quiser. O sofá é confortável.
— Você está com… raiva de mim? — quis saber, depois que se colocou em pé.
Mas uma vertigem forte a atacou e ela fechou os olhos com força, respirando fundo, e voltando a se sentar, já que as pernas ficaram meio fracas.
— Por que eu estaria com raiva? — quis saber, olhando para ela com mais atenção. — Você não quer ajuda, quer continuar vivendo desse jeito. Eu deveria me importar?
apertou um lado das suas têmporas, unindo de leve as sobrancelhas.
— Eu não quero continuar vivendo assim. Quem te disse isso? — perguntou de forma confusa, grunhindo pela dor fina que começava a crescer em sua cabeça. — nunca tinha tocado em mim assim antes, e não vai tocar de novo.
— Ok — respondeu, e enfiou um pedaço de bacon na boca. — Vai fazer o que? Pedir para ele não te machucar? — Tinha sarcasmos em sua voz. — Com certeza ele vai te ouvir e depois se desculpar e falar o quanto te ama, você vai sorrir, falar que ama ele de volta, e assim vão viver felizes para sempre.
— , qual o seu problema? — retraiu os lábios, começando a se sentir retraída de novo pela presença de . — Está me ouvindo? Ele não vai fazer isso de novo, porque eu vou terminar com ele — disse, apertando as unhas finas na palma de sua mão, a ponto de sentir a carne latejar.
Uma das poucas pessoas que mostrou certa paciência com o jeito de , e estava fazendo com que ela se sentisse confortável em sua própria pele, estava agindo como normalmente todo mundo agia com ela, e ela não estava sabendo como reagir a isso, a não ser se fechar.
— Nenhum. Só não me importo, porque não vai adiantar em nada. Tudo vai continuar e eu apenas vou me dispor com um problema que não é meu. Não acredito que vá terminar com , porque ele não quer, e você vai obedecer e entender que a culpa é sua de novo — explicou de forma tranquila e deu de ombros. — Você só ouve o que quer, no caso, o seu namorado perfeito.
Aquele foi o exato momento em que se sentiu tão pequena e medíocre que ela até soltou uma risadinha triste, apenas aceitando o que achava sobre ela. realmente queria terminar com , e aquele desejo vinha de muito antes, ela só não sabia como pôr fim naquilo. E algo no que tinha dito a ela quando estavam naquela cabine, dias atrás, a fez cometer o erro de acreditar que era alguém que se importaria com ela.
— Certo — A voz dela trepidou, e ela limpou o rosto, porque pateticamente tinha voltado a chorar. — Vou te deixar em paz — murmurou, agora realmente se levantando e indo rapidamente até o banheiro, voltando a se trancar.
Trocou de roupa o mais rápido que conseguiu, pouco se importando se iria voltar a usar as mesmas roupas sujas da noite passada. E ela fazia isso com tanta raiva de si mesma, se sentindo tão tola e idiota, que a risada nervosa caia junto com suas lágrimas.
Dobrou as roupas de e as deixou em cima da tampa fechada do vaso, saindo do banheiro logo em seguida.
— Obrigada pelo café da manhã, e novamente, desculpa ter vindo — falou, sem direcionar o olhar para .
Não precisava que ele a levasse até a porta, ela sabia o caminho, mas quando tentou abrir, a porta estava fechada. grunhiu, apoiando a testa na madeira e respirou fundo, só queria deitar e descansar um pouco. Seu corpo inteiro doía, o braço que tomou a maldita injeção estava bastante dolorido e pesado, fora a maldita febre que estava indo e vindo.
— Ainda não entendi o lance da desculpa — comentou, sem nem levantar da mesa, ainda comendo. — E nem o motivo que quer ir embora. Em momento algum te mandei ir ou fazer que não te queria aqui. Percebe que está tomando decisões a partir de coisas que você acha?
— Você deixou bem claro que não se importa — rebateu, ainda encostada. — Que não acredita em mim e que basicamente está esperando que eu volte para o . Eu já tenho gente demais na minha vida que faz isso, , não preciso de mais um.
— Não me importo com os seus problemas, se não me importasse contigo, não tinha nem me dado o trabalho de levantar quando Robin me passou um rádio falando que estava no portão. Você distorce as coisas de uma maneira que faz parecer que o mundo te odeia quando eu não estou fazendo nada a não ser comer e falar que o te faz se sentir assim. Mais uma vez, você escuta e distorce — explicou de forma calma para ver se assim a garota entendia. — E eu realmente acho que você vai voltar para ele, na verdade, você nem se separou teoricamente. entra na sua mente e faz o que quiser.
— Eu não quero mais estar com ele. — Foi a única coisa que murmurou, pouco se importando para o que falou antes. — Dá para acreditar em mim?
— E se ele quiser estar contigo? O que você vai fazer? — Ergueu uma sobrancelha.
— Eu… — se virou, as bochechas voltando a ficar rosadas, e se aproximou da mesa outra vez. — Eu não quero estar com ele. O que eu quero importa.
— Foi assim ontem? — perguntou sem desviar o olhar.
— Você quer dizer quando ele praticamente me colocou dentro do próprio carro, quando me arrastou para o parque ou quando eu saí correndo dele? — olhou bem sério para , negando de leve com a cabeça. — Não quero mais isso. Ele me traiu. Eu o traí. Ele me machucou! — E então ela levantou o pulso roxo.
— Imagino que em todo momento ele estava realmente se importando com o que você queria ou não. Acha mesmo que o vai deixar você terminar com ele? Ferir o enorme ego dele? Se sentir humilhado por você? — Questionou, porque conhecia muito bem o tipo que era. — Bem, você traiu ele? Não me lembro da gente ter se beijado ou transado. Teoricamente você não fez nada.
— O que você quer que eu faça, ? — A garota mordeu o lábio inferior. — Não acho que ele vá aceitar, eu conheço ele, mas… O que eu faço? — perguntou novamente, agora temerosa. — E não adianta brincar com as palavras, eu traí o com você.
— Eu não vou te falar o que deve fazer, quem tem que saber é você — rebateu rapidamente. — Traiu? O que você fez? Gozou enquanto eu te tocava? Isso é trair?
As escolhas de palavras de fez o pescoço e rosto da garota esquentar, e ela engoliu em seco, desviando o olhar dele, porque seu corpo traidor deu vários sinais de que queria de novo.
— Sim, isso é trair. Um dia, quando você namorar alguém, não vai querer que ela seja tocada dessa forma por outra pessoa — respondeu de forma baixa. — Eu só estou te dizendo que não quero mais ele, que vou acabar, e você continua me dizendo que não, que isso não vai acontecer. Eu já estava acostumada com as outras pessoas não ouvindo o que eu tenho a dizer, mas você me ouviu antes e agora parece que não quer mais, e é uma merda! — estourou, passando a mão pelo rosto.
— Bem, se eu soubesse disso tinha feito mais coisa para o pacote de traição ser completo — disse, tomando um gole do seu café. — Eu estou ouvindo, . Só não acho que o vai aceitar, é diferente.
— E o que eu faço se ele não aceitar? Fujo? Vou para outro Estado? — Novamente, ela decidiu ignorar a insinuação de .
— Não sei. Se você falar que está com outro, é capaz dele voar no seu pescoço também — comentou pensativo, voltando a comer.
— Eu… preciso deitar um pouco — sussurrou, se virando para o sofazinho, indo se encolher nele.
apenas assentiu com a cabeça, e terminou de comer seu café da manhã sem falar mais nada. Ele sabia que se sonhasse que estava ali, isso lhe daria uma enorme dor de cabeça, mas também não iria colocar a garota para fora, porque não tinha ideia do que o namorado dela seria capaz de fazer. Se ela estava com medo e procurando ajuda dele, não iria recusar.
Quando terminou de arrumar a bagunça que tinha feito, foi até seu armário e pegou uma coberta.
— Tira pelo menos essa blusa suja de sangue — falou, e colocou a coberta nos pés da garota, que já estava cochilando, quase em posição fetal.
assentiu, colocando os pés para fora do estofado e ficando de pé. Se sentiu tonta de novo e, por estar perto de agora, acabou segurando nele quando teve a impressão de que iria cair.
Ela não esperou que fizesse algo, só desviou quando a visão pareceu focar novamente e se arrastou para o banheiro, vestindo agora só a camiseta do homem, que mais lhe servia como vestido, voltando para a sala um tempo depois.
estava sentado no sofá mexendo no celular quando voltou, e seu olhar passou pela garota lentamente, até encarar seus olhos, então soltou um suspiro pesado.
— Desculpa ter te feito achar que eu estava com raiva de você. Não estou, mas a situação que você está é a mesma que a minha mãe vive com o namorado dela. Eu saí de casa por causa deles, porque os dois faziam o inferno e depois voltavam, cheguei a sair na porrada com aquele idiota, e a minha mãe ficou do lado dele — confessou, respirando de forma profunda. — Você não tem culpa das coisas, você não é a vilã ou qualquer coisa do tipo. Sei que é mais fácil falar do que você entender isso. — Levantou do sofá e foi até a garota, e deu um beijo na lateral da cabeça dela. — Eu preciso trabalhar, mas pode ficar. O parque abre às quatro e a barca deu defeito ontem.
Então se afastou e foi caminhando para o banheiro.
As palavras de , ficaram rondando em looping na mente de e ela suspirou mais aliviada agora por entender o motivo por estar daquela forma com ela, e fazia mais do que sentido. A garota se virou quando ele estava se afastando, segurando em sua mão e o puxando meio sem jeito, então quando se virou, passou seus braços pelo tronco do homem, em um abraço, e encostou o rosto em seu peito.
Aquilo o deixou sem reação por alguns segundos, até que passou os braços ao redor da garota, afagando de leve suas costas e encostou o queixo no topo da sua cabeça, fechando os olhos.
— Eu estou com medo — confessou. — Do . Mas não quero continuar assim, não dá, ele vem me assustando cada vez mais, e ontem… — Ela suspirou, apertando mais seus braços finos em . — Achei que não ia conseguir fugir dele ontem.
— Você pode denunciar ele — sugeriu. — Pode ficar aqui quanto tempo precisar. Qualquer coisa peço para o dono do parque te arranjar alguma coisa para fazer para conseguir ter algum dinheiro — ofereceu, enquanto passava a ponta dos dedos pelo meio das costas dela.
— E quem vai acreditar em mim? O departamento de polícia, que é praticamente patrocinado pelos pais dele? — retrucou baixinho, rindo de leve da própria desgraça.
Seu nariz passou pela camisa de e ela respirou fundo, sentindo novamente o perfume do garoto, que agia como um veneno em sua mente.
— Gosto do seu cheiro — confessou, e se encolheu.
Ele ia responder sobre denunciar de qualquer forma, mas o que ela disse em seguida, o pegou de surpresa, e acabou rindo de leve.
— Amaciante de roupa o cheiro que você está sentindo — comentou, sorrindo de leve. — E sobre o , a polícia tem que pegar a sua denúncia de qualquer jeito. É o trabalho deles. Podem não prendê-lo, mas ainda assim vai ter uma denúncia no nome dele por agressão — explicou com calma, e beijou novamente o topo da cabeça da garota. — Eu tenho que trabalhar, não sei se vou demorar, mas eu vou voltar. Tem comida na dispensa e uns streams logados na TV.
— Obrigada — sussurrou baixinho, ficando na ponta dos pés em um impulso rápido, deixando um beijo na bochecha de , o soltando e voltando para o pequeno sofá.
Ela deitou do mesmo jeito que estava antes, mas agora pegou a coberta e enrolou em seu corpo esguio, até a metade do nariz, ficando de lado e fechando os olhos para dormir um pouco.
sorriu de leve vendo aquela cena e negou de leve com a cabeça. Então foi para o banheiro, colocou o macacão que usava de uniforme, e saiu.
***
O garoto ficou umas duas horas arrumando o problema da barca. Seu pai era engenheiro mecânico e foi quem construiu o parque, então viu brinquedos sendo feitos sua vida inteira, seu pai, mesmo depois de ter projetado tudo e ajudado a construir, não deixava ninguém mexer nas máquinas, e ensinou o filho a entender os problemas e resolver. O velho morreu no parque há sete anos, e desde então não teve um dia sequer que deixou de ir naquele lugar, mesmo quando sua mãe o vendeu. Calton Clinfer, o novo proprietário, manteve os funcionários, mas trocou todos os brinquedos, e os velhos foram jogados no fundo do parque. Como já sabia mexer nas máquinas, o dono do parque investiu no garoto e pagou cursos novos para ele. Então era quem fazia aquele parque funcionar, e mesmo que Everdusk não fosse mais de sua família, todos ali sempre o respeitavam, e dificilmente rebatiam algo que ele falava. Era uma espécie de poder velado, e até mesmo Calton tinha uma certa admiração.
voltou para o escritório no fundo do parque. Agora o seu macacão estava com as mangas amarradas em sua cintura, e ele estava de regata branca, ou o que um dia foi uma, já que estava toda suja. O cheiro de comida invadiu seus pulmões e ele uniu as sobrancelhas e olhou em direção a cozinha, vendo fazendo algumas coisas.
, logo depois que acordou e por acreditar que estava sozinha, tinha colocado, no YouTube conectado na TV de , algumas músicas que gostava de ouvir. ainda estava com seu celular, então recorreu a conta de já que o próprio garoto tinha dado permissão para que ela usasse o aparelho.
Em forma de agradecimento, estava cozinhando para .
Tinha acordado um tempo depois de ter deitado no pequeno sofá, completamente suada e pegajosa, mas se sentindo melhor, então deduziu que era a febre passando e tomou outro banho antes de ir até a dispensa do garoto ver o que tinha ali e o que poderia fazer para ele. Cozinhar não era algo difícil para a garota, já que além de ter muita facilidade, era terapêutico para ela.
A cozinha era o lugar onde se sentia mais à vontade, por isso que cursava Gastronomia, mesmo que a distância. Ela tinha o sonho de abrir o próprio restaurante um dia.
Então, como no café da manhã ela tinha reparado que tinha feito ovos com a gema um pouco mole, e também bacon, resolveu que faria algo usando esses dois itens como ingredientes principais, para que não houvesse erro.
Foi aí que uma ideia cresceu em sua cabeça e ela aumentou um pouco a música. Não estava alto, mas o volume permitia que a garota cantarolasse e movesse o corpo no ritmo de cada música que ia tocando.
— Boy, ya know that you always do it right. Man, fuck yo pride, just take it on back, boy, take it on back, boy. Mmm, do what cha gotta do, keep me up all night.
, que só estava usando a camisa de , cantava junto com a voz de Rihanna, fazendo a colher de silicone de microfone imaginário enquanto se deixava levar pelo ritmo lento e sensual de kiss it better, jogando seu quadril para os lados, e colocava um pouco de salsinha na panela com macarrão à carbonara.
Assim como cozinhar era sua terapia, música a levava para outro lugar; e agora, mesmo diante dos problemas que afligia seu coração e do medo que a fez sentir, ela estava fazendo as duas coisas que mais gostava, e aquilo a ajudou a tirar uma parte do peso em seus ombros, porque a garota se sentia até mais leve.
acabou sorrindo com a cena e foi caminhando devagar até a parte da cozinha, já que não tinha o percebido. Um sorriso travesso veio no rosto do garoto, e ele segurou o riso. Até que segurou a cintura da .
— Ha! — Soltou, assustando ela.
O gritinho que deu foi fino e alto. A garota pulou, sentindo o coração ganhar um ritmo muito rápido, batendo com força em sua caixa torácica, assim como sua respiração trepidou e seu rosto esquentou.
— Deus, ! — a garota reclamou, dando tapinhas leves no braço do garoto.
ria alto de como a garota ficou, e a abraçou a puxando para perto, sem parar de rir, e negou com a cabeça de leve.
— Toda bravinha — implicou, sem se importar com os tapas, e apertando de leve a cintura dela.
— Você me assustou! — ela se justificou olhando por cima dos ombros, mas agora estava rindo também, mesmo que tentasse prender.
— Essa era a intenção — respondeu, rindo e beijando a lateral da cabeça dela. — Estava tão bonitinha cantando, toda distraída — implicou.
bufou baixinho, rolando os olhos e fez um bico, tentando prender o riso. Ela empurrou para trás com seu quadril, tentando se soltar dele.
— Vai tomar banho, e vem comer — mandou, empurrando ele novamente.
— Não posso comer primeiro e depois tomar banho — perguntou, passando os lábios atrás de sua orelha.
fechou os olhos, puxando o ar com um pouco mais de intensidade e umedeceu os lábios. Tão rápido e fácil assim, ela se sentiu quente.
— Pode — sussurrou fraco.
tinha esquecido, por um momento, que aquele era o cara com quem ela vinha sonhando durante todos aqueles dias. E, em seus sonhos, ele fazia coisas pecaminosas nela.
— Posso mesmo? — Sua voz saiu baixa, enquanto seus dedos apertavam sua cintura, puxando para mais perto.
Se antes tinha a impressão de que não estava falando do que ela tinha cozinhado para ele, agora a certeza a esquentou ainda mais.
— Uhum — sussurrou, sabendo que estava dando a uma permissão diferente, se ele quisesse.
— Mesmo? — Ele não estava acreditando que ela tinha aceitado realmente o que havia insinuado.
— Eu fiz macarrão — desconversou, tímida, falando em um tom baixo. — Então, sim. Pode comer primeiro, ainda está quente.
— Estou sentindo — rebateu, descendo sua mão pelo meio da cintura dela, tocando no elástico de sua calcinha por cima da camisa que ela vestia.
— … — chamou por ele, mas de forma fraca, e até mesmo rendida.
Quem estava querendo enganar? Ela literalmente sonhou com ele a tocando das mais diversas formas possíveis.
— — sussurrou, mordendo a ponta da orelha dela.
Ele mal conseguia se aguentar com , a desejava há tempos, e tê-lá tão perto daquele jeito, o fazia perder o juízo.
nunca tinha olhado para outro homem com outros olhos, mas agora estava sentindo um desejo crescendo dentro de si, desde aquele dia na cabine da antiga roda gigante.
— Duas vezes — sussurrou, apertando suas pálpebras. — A resposta para o que me perguntou na roda gigante. Duas vezes — confessou para o garoto, esperando que ele entendesse do que estava falando.
— Que você gozou? — perguntou, tentando entender do que ela falava.
não respondeu verbalmente, porque sentiu que isso a faria travar. Ao invés disso, balançou de leve a cabeça em afirmação. Isso, de certa forma, queria dizer a que ele tinha sido o segundo orgasmo dela.
— Posso te fazer ter o terceiro — comentou, suas mãos descendo mais. — Aqui… — apertou o seu clítoris por cima daqueles tecidos que separavam seus dedos de sua pele.
mordeu o lábio inferior, jogando a cabeça para trás, encostando a cabeça no ombro do garoto. Ela soltou um murmurinho baixo e manhoso. Era ainda mais vergonhoso ela se sentir molhada sendo que não estavam fazendo absolutamente nada. A verdade, no entanto, era que seu baixo ventre começou a se torcer no momento em que a puxou pela cintura.
nem falou nada, apenas a virou de frente para ele, e a suspendeu com facilidade, fazendo com que sentasse no balcão. Então a encarou, descendo os olhos pelos seu rosto, até encarar seus lábios. Puxou mais o ar, e chegou mais perto, se encaixando entre as pernas da garota quando suas mãos as abriram.
tinha o rosto e pescoço quentes agora, mas não se afastou ou tentou fazer com que se afastasse. Quando os olhos do garoto estava em seus lábios, ela fez o mesmo, fitando os dele e depois suas orbes, descendo para sua boca novamente.
— Você quer me beijar? — perguntou, arriscando passar as mãos ao redor do seu pescoço.
— Você quer? — provocou, passando a ponta do seu nariz ao lado do dela, dando um sorrisinho.
soltou um sorrisinho tímido, e fechou os olhos, mas balançou a cabeça em afirmação.
nem falou mais nada, apenas acabou com a pouca distância, e já juntou seus lábios nos de , os abrindo e enfiando a língua em sua boca, começando um beijo lento, mais profundo. Suas mãos passavam em suas coxas lentamente, subindo e descendo, apertando de leve e se encaixando no meio delas.
Definitivamente aquele beijo era diferente do que ela estava acostumada, por isso até soltou um gemidinho abafado pelos lábios de . Suas mãos subiram para a nuca do garoto e seus dedos se fecharam ali.
Ela ainda estava se sentindo um pouco travada, hesitante, mas o beijava na mesma intensidade com que ele estava fazendo, passando sua língua pela lateral da de , suspirando vez ou outra por seus lábios macios, quentes e gostosos estar a acariciando.
sequer conseguia acreditar que estava mesmo beijando . Apesar de ser afim dela há um bom tempo, sempre achou que a garota iria se casar com , e aquele homem seria sempre o único na vida dela, e que jamais ela ficaria com outra pessoa. Então era só um desejo impossível que estava se tornando real naquele momento. Parecia apenas um dos sonhos eróticos que tinha às vezes.
Suas mãos alisavam com um pouco mais de desejo, subindo até a cintura de por debaixo da camisa, apertando a pele quente dela, e deixando seus polegares deslizassem pelo meio de sua barriga.
Ela arfava, se perdendo um pouco mais a cada novo toque, suspirando entre seus lábios e o puxando mais para si, mesmo que de forma tímida. A única referência de era o que ela e tinham feito, porém, nem de longe o seu namorado a beijava assim, ela até estava sem fôlego. E mesmo sem ar, não queria parar, ou que se afastasse.
Talvez fosse por isso que, em um pequeno ato de coragem, ela passou as pernas por sua cintura, impedindo que ele saísse.
O garoto sorriu contra os lábios dela, e os lambeu com a pontinha de sua língua, e antes que ela tivesse qualquer reação, sua mão subiu até sua nuca, e a puxou para si, voltando a beijar, só que com mais velocidade agora, e especialmente, sentindo seu tesão crescendo.
Por Deus, ela pensava, se entregando completamente à forma como aquele homem devorava seus lábios. Estava até ardendo de leve, mas esse pequeno detalhe não foi o suficiente para que quisesse parar. Muito pelo contrário, aquele ardor estava descendo e irradiando em outro lugar.
Mesmo tímida, sua mão desceu da nuca do garoto, seguindo pela curva do seu pescoço, passando pelos ombros, até que ela tocou seus braços fortes, os apertando e puxando para si, como um pedido mudo para que a agarrasse.
E ele fez exatamente isso, suas mãos grandes subiram pelo corpo da garota, a apertando e puxando, indo para as costas dela e percebendo que estava sem sutiã, e isso o fez soltar o ar em sua boca, a apertando contra seu corpo e para sentir seu peito apertando contra o dela. Aquilo o deixou mais excitado. Aqueles seios macios, enquanto pensava que eles ficariam perfeitos em sua boca.
O primeiro gemido saiu de , abafado e baixinho, porque o bico dos seus seios estavam durinhos e o contato apertado acabou lhe lançando uma breve onda de excitação e tesão. se mexeu no balcão, fechando mais as pernas ao redor de .
alisou as costas dela de forma pesada, segurando contra si, e esfregou um pouco seus peitos nos de , e suspirou fraco com aquilo. Então suas mãos pesadas desceram, e alisaram a bunda daquela garota, enquanto seus dedos começaram a se enfiar no elástico da calcinha de algodão dela, e a puxar para baixo. O fato dela usar aquele tipo de calcinha o deixava muito excitado, a fazia ver que ela tinha um toque de inocência o qual queria deflorar.
Seus lábios escorregaram pelos dela, e foram para seu queixo, e mordeu fraco, enquanto ele brincava com os elásticos laterais de sua calcinha, o puxando de novo para cima, como se estivesse na dúvida se iria tirar-lá ou não.
arfava e gemia baixinho, permitindo que fizesse com ela o que bem entendesse. Ela já tinha ido longe demais para simplesmente fingir que não estava querendo, desejando e sonhando com aqueles toques. Seus lábios eram gostosos, macios, quentes, incendiavam a pele da garota, arrepiando seus pêlos.
jogou a cabeça para trás, dando mais espaço a , umedecendo seus lábios secos, que queriam continuar beijando os dele. A pequena provocação que fazia em sua calcinha, entre fazê-la pensar que iria tirar, para só depois deixá-lá no lugar, a fez soltar um pequeno grunhido insatisfeito e inconformado.
O algodão da sua calcinha estava ficando pesado e molhado, sua lubrificação passava do tecido, deixando claro o quão excitada ela estava.
— … desliga… o fogão — ela gemeu entre as palavras, lembrando que tinha deixado a panela no fogo.
— Uhum — murmurou, esticando a mão, e olhou para o lado, girando os botões. — Pronto. — Mordeu o lóbulo dela, que se encolheu de leve, arfando.
Então seu corpo começou a descer, e os olhos dele ficaram fixos em seu rosto doce e meigo, até que estava ajoelhado. Suas mãos levantaram um pouco a camisa, deixando à mostra sua calcinha. O garoto olhou para aquela região, vendo o tecido rosa claro com corações, ligeiramente mais escura por estar molhada bem na região de sua entrada. Aquela visão fez o pau de ficar apertado em sua cueca. Seu rosto chegou mais perto, e ele lambeu o tecido e depois mordeu de leve onde era seu clítoris, voltando a encarar os olhos de .
Os olhos de ficaram ligeiramente mais sobressaltados, porém escorrendo de desejo por suas íris. A atitude de tirou de um grunhindo, e suas pernas se fecharam por reflexo. Seu rosto estava quente, assim como o pescoço, vergonha era pouco para o que estava sentindo naquele momento.
Aquilo fez sorrir de lado, safado e maldoso.
— Nunca te chuparam, ? — perguntou em tom de provocação só para ver a garota ainda mais vermelhinha, então passou novamente a língua desde onde ficava sua entrada até em cima sem tirar os olhos dela.
Ela retraiu os lábios, mordendo o inferior para controlar o pequeno gemido que quis sair. Estava envergonhada demais para deixar transparecer a sua excitação. Suas orbes estavam na de quando negou de leve com a cabeça.
— Que pecado… — sussurrou ainda mais maldoso, e uniu as sobrancelhas. — Essa boceta gostosinha nunca ter sido tocada da forma que deveria. — Mordeu de leve seus lábios por cima da calcinha, soltando o ar contra o tecido, esfregando a boca de leve ali.
— ! — ela gemeu arrepiada, e por instinto seus dedos foram até os fios do garoto. — Ele dizia que era nojento — explicou, pigarreando e desviando o olhar, esperando que entendesse de quem se referia.
— Então eu sou nojento pra caralho, porque eu adoro isso aqui — rebateu, passando seus lábios apertado por cima da calcinha dela. — Você quer isso, ? — provocou, passando a ponta de sua língua onde era sua entrada, deixando o tecido ainda mais molhado.
se remexeu, retraindo os lábios e segurando o suspiro alto que queria sair, assentindo meio hesitante, e tímida.
— Hm, eu não ouvi — comentou divertido, sorrindo contra aquela calcinha rosinha.
— Eu… eu quero — falou para ele, mas em um fio de voz, fechando os olhos com força.
— Quer o que, ? — perguntou segurando o riso safado, e mordeu a parte interna da coxa dela.
Ela sabia o que ele estava fazendo, querendo tirar dela coisas que geralmente nunca faria ou falaria.
— Quero que me… chupe — sussurrou, tão baixo que quase não passou de um mover de lábios.
— O que falou? — Os lábios dela agora passavam lentamente pela pele quente de sua coxa.
— Merda… — mordeu o interior da bochecha, se remexendo no balcão. Seu rosto deveria estar atingindo um patamar de roxo, de tão envergonhada que se sentia. — Me chupa — repetiu, agora um pouco mais alto.
— Porra… — murmurou deliciado com aquilo.
Os dedos dele apenas afastaram a calcinha dela para provocar um pouco mais e passou seus lábios bem sutilmente pela parte exposta da boceta da garota, que gemeu, deixando os lábios entreabertos. Ela jogou a cabeça para trás, tentando respirar normalmente, mas não dava, sua pele estava extremamente arrepiada e aquele nó em seu baixo ventre aumentava cada vez mais, pedindo por alívio, para ser tocado, estimulado… preenchido.
levou as mãos até as laterais da calcinha dela e a puxou para baixo de uma vez, querendo ter aquela boceta todinha só para ele. Quando finalmente estava exposta na altura do rosto dele, ele abriu mais as pernas dela, e seus polegares passaram pelos lábios quentes e molhados, os abrindo também.
— Que delicinha você é, . Caralho, tão linda — sussurrou excitado, e o seu polegar passou por cima do clitoris dela.
não sabia como reagir, não só a situação, como também reagindo a ela, falando aquelas coisas que estavam mexendo demais com sua mente, excitando seu corpo de um jeito que não tinha experimentado antes.
se remexeu de leve, abrindo um pouco mais as pernas, mas de forma sútil, esperando que ele continuasse.
Aquela reação fez se deliciar, e simplesmente não resistir. Seus lábios foram de encontro aquela boceta quente e molhada, lambendo o clítoris dela e suspirando pesado por isso ao sentir como era macio e gostoso. Então desceu lentamente com sua boca, passando seus lábios pelo meio dos dela, até chegar em sua entrada e enfiar a língua, chupando em seguida, soltando um gemido em prazer.
— Gostosa demais — sussurrou, com os olhos fechados, e lambendo aquele local, esfregando seus lábios também.
lambeu os lábios, arfando de leve, e gemendo baixinho para , revirando os olhos de forma prazerosa e manhosa. Ela, mesmo com vergonha, ousou deixar um afago de leve em seus fios, os tirando da frente de seu rosto, entreabrindo a boca para gemer outra vez, mesmo que de forma tímida, do mesmo jeito que seu quadril remexeu sutilmente.
Ainda que nunca tivesse experimentado aquilo, já que dizia sempre que era nojento, que era molhado demais e a lubrificação e o cheiro de sua boceta o incomodava. Ela pendeu a cabeça para trás, apoiando os pés na borda do balcão e escorregou mais para perto de , querendo que sua boca a enlouquecesse de vez.
Isso fez respirar fundo, e suas mãos foram para a bunda de , a puxando para si. Ele começou a lamber e a chupar sua entrada, a fodendo com sua língua, até que seus lábios foram subindo por entre os delas, até que abocanhou seu clítoris, o chupando com desejo e prazer, alisando a bunda da garota, e apertando. gemeu baixinho, tomado de tesão por estar com aquela boceta em sua boca.
No domingo quando ele masturbou , quando estava sozinho mais tarde, ele gozou bem gostoso pensando naquela bocetinha gostosa e molhada.
— — gemia pelo nome do garoto, de forma baixinha e tímida, se contorcendo.
O corpo dela estava úmido, ela sentia o suor se acumulando em sua nuca, assim como por baixo da camisa do garoto sua pele suava. De olhos fechados se concentrava apenas naquela sensação deliciosa que tomava cada partezinha de si, que ao mesmo tempo que a enchia de prazer, aumentava o tesão que sentia por . Ela nem sabia que era possível ficar tão excitada — ao ponto de sua boceta se contrair sozinha, como se estivesse pedindo para ser estimulada por dentro também.
a chupava e esfregava a língua naquela cereja que estava em sua boca, ficando cada vez mais inchada por causa da sucção que fazia ao estimular ela. A mão direita dele veio até o meio de suas pernas e esfregou aquela entrada molhada, mas não a penetrou, queria apenas provoca-lá, e fazer com que gozasse apenas a chupando também.
Ela gemeu manhosa e muito excitada, suas bochechas vermelhas dividiam espaço para o calor, o tesão e a sua timidez normal, porém, não conseguia pensar cem por cento com clareza, e isso a fazia ter reações que jamais pensou que teria.
— Não pára, por favor, — pediu em um gemidinho, nem se dando conta de como tinha o chamado.
Aquilo deixou tão excitado que ele poderia gozar só chupando aquela boceta gostosa e ouvindo as reações de . Estava estupidamente gostoso. As mãos fortes do garoto alisaram a bunda e as pernas de , ao passo que sua boca não parava de chupar aquele clítoris enquanto sua língua esfregava bem na parte mais sensível, estimulando ainda mais ela. Sua respiração estava pesada, e ele mesmo gemia baixo e forte, tomado de prazer por causa daquilo tudo. Ter sentada em seu balcão com as pernas abertas e gemendo era uma das coisas mais eróticas que já tinha presenciado. Não por nunca ter feito isso com outra garota, e sim por ser , a garotinha tímida e retraída, sendo levada ao orgasmo apenas com a boca dele em sua boceta que estava encharcada.
foi ofegando, perdendo o ar, a linha de pensamento… tudo. Seu corpo inteiro se resumia a prazer e ela sentia que estava se desmanchando nisso. Não havia espaço para qualquer outra coisa, se não o que estava fazendo ela sentir. Suas sobrancelhas vincaram fortemente, seu rosto estava torcido de prazer quando ela tentou gemer, mas tinha perdido completamente a voz. Aquilo vinha crescendo dentro dela, a deixando até mesmo desesperada, tentando se segurar em algo, mas sem saber o quê ou por quê. A sensação foi ficando maior, grande, devastadora, e ela revirava os olhos por baixo das pálpebras fechadas, afagando de leve os fios de — e, ao mesmo tempo, sem perceber, sutilmente o puxando para não se afastar de sua boceta.
se contorceu, começando a gozar enquanto chamava baixinho pelo nome de , completamente perdida no prazer delicioso e intenso que tomou seu corpo e o fez palpitar inteiro.
As mãos dele seguraram ela com mais força quando sentiu que estava gozando, então sua boca se tornou mais feroz, a devorando e descendo seus lábios, lambendo e chupando a entrada dela, e gemendo baixo com o sabor que aquilo tinha, o que acabou tirando mais gemidos de , agora um pouco mais altos, já que estava sensível. Ele estava absurdamente excitado, mas não transaria com ela, não ali ou agora. só queria sentir o sabor dela deslizando pela sua língua. Quando sentiu aquela boceta deliciosa parar de pulsar, ele deu uma lambida nela toda e beijou sua coxa, e esfregou os lábios nela, totalmente ofegante também.
— Você é tão saborosa — sussurrou com os olhos fechados e beijando de leve a perna de .
As mãos trêmulas da garota passaram pelo rosto, tirando alguns fios que grudaram pelo suor. não conseguia nem abrir os olhos, de tão intenso que foi aquilo. Ela estava concentrada na sensação que ainda percorria por suas terminações nervosas e a fazia tremer de leve as pernas. Seus pés escorregaram do balcão e só agora que ela olhou para , o fitando com certa intensidade e ainda mais desejo.
Tinha acabado de gozar, como era possível estar pensando em mais?
Ele suspirou e olhou para cima, encontrando o rosto de prazer de . Aquilo foi muito bom de ver. Então se colocou de pé entre as pernas dela e lhe deu um selinho, pressionando seus lábios nos dela e soltando o ar.
— Vou tomar um banho para almoçar — sussurrou e mordiscou o lábio inferior dela.
abaixou e pegou a calcinha de que estava no chão, e sorriu de leve, mas não a entregou, apenas a levou consigo para o banheiro.
— O quê? — sussurrou completamente confusa, seguindo com os olhos o garoto que lhe deu as costas.
Quando a porta do banheiro realmente fechou, olhou para os dois lados, se perguntando se era algum joguinho, ou se travava de alguma brincadeira de . Ele não queria transar com ela? Simplesmente a deu prazer a troco de... nada? Não iria querer nada em troca?
Ele não respondeu a pergunta da garota, apenas se trancou no banheiro e colocou a calcinha dela pendurada no gancho atrás da porta. Seu pau estava absurdamente duro e dolorido, mas não era como se aquilo importasse muito, o que ele queria, já tinha conseguido, fazer a garota gozar bem gostoso em sua boca. O prazer dela foi o seu, ele adorava fazer aquele tipo de coisa, especialmente quando a garota tinha o perfil de . A forma que ela se contorcia toda tímida, a voz se perdendo, o rostinho vermelho todo envergonhado. Nossa, aquilo era estupidamente delicioso para ele.
Então, de forma despreocupada, foi tomar seu banho, mas não se masturbou, não queria fazer isso agora, talvez mais tarde, quando estivesse sozinho, ele o fizesse.
se secou e vestiu uma bermuda e uma regata que estavam penduradas atrás da porta, e saiu do banheiro esfregando a toalha em seu cabelo, encontrando , que estava novamente perto do fogão, esquentando novamente o que tinha feito.
Dessa vez, no entanto, a televisão estava desligada e ela não cantava ou dançava. estava um pouco desconfiada, para ser bem sincera. Sua mente estava trabalhando rapidamente, procurando o que tinha feito de errado para que a chupasse daquele jeito e simplesmente não quisesse transar com ela. Mas claro que não falaria em voz alta, já tinha experiência demais em saber como as coisas acabavam sempre que ela deixava sua insegurança falar mais alto.
— Oi — ele disse sorrindo e se aproximou, dando um beijo na lateral do pescoço dela. — Precisa de ajuda com alguma coisa? — perguntou de forma gentil, alisando a sua cintura por cima da camisa.
— Oi — murmurou baixinho, fechando os olhos e suspirando pelo toque de seus lábios. — Só pega os pratos, está pronto e quente. Fiz carbonara, espero que goste.
— Suspeito que eu vá gostar de qualquer coisa que você faça — sussurrou na orelha dela, que se arrepiou. sorriu, se afastando em seguida.
Ele foi até o escorredor de louça e pegou dois pratos e talheres, os colocando na mesa, depois fez a mesma coisa com os copos e o suco de laranja.
foi até onde estavam os pratos e os pegou, em uma das muitas manias que tinha, colocando o macarrão de forma apresentável nos pratos, assim como aprendia a fazer em seu curso, colocando um pouco mais de salsinha por cima. Voltou para onde estava e sentou no mesmo lugar do café da manhã, colocando o prato de na frente dele.
estava tentando não pensar no que acabaram de fazer, mas era difícil, já que sua lubrificação estava escorrendo em sua coxa e a deixando melada e úmida também. A garota pegou o garfo e enrolou uma pequena porção do macarrão, tentando se concentrar em qualquer outra coisa senão sua boceta molhada.
olhava admirado a organização do prato e isso o fez sorrir de leve. Então pegou o garfo e provou daquele macarrão que parecia estar tão saboroso, e isso lhe tirou um suspiro longo.
— Porra, — murmurou, lambendo seus lábios. — Nenhum macarrão meu já ficou com esse sabor. Isso está divino. Nossa, muito bom mesmo.
Ela sorriu mais aberto agora, seu rosto tomando uma outra feição, até mesmo de orgulho, e assentiu. Gostava de cozinhar, e gostava ainda mais quando sua comida agradava outros paladares além do próprio.
— Posso te ensinar depois — sugeriu baixinho, comendo também.
— Acho que vou te sequestrar para você cozinhar para mim todos os dias — brincou, dando um sorriso de lado.
As bochechas de coraram e ela negou de leve com a cabeça, ainda com o resquício do sorriso que moldava seu rosto. Estar com ali a transportava para um outro lugar que nunca tinha ido antes, e era tão… confortável. não lembrava a última vez em que se sentiu tão à vontade, mesmo que ainda tentasse medir cada ação e palavra sua.
Porém, ela sabia que se tratava apenas de uma bolha, uma pequena ilusão temporária. , mais cedo ou mais tarde, precisaria encarar seus problemas, lidar com e com seus pais, quando contasse para eles que não estava mais com .
Assim que voltou para sua casa, deu um sorrisinho ao ver a menina e lhe entregou a roupa que estava dentro de uma capa, presa por um cabide.
abriu a capa e ficou olhando aquilo por alguns segundos, e depois voltou a encarar .
— Você está de brincadeira, não é? — perguntou para ele, fechando o zíper da capa preta outra vez.
— O que? Não gostou? Achei fofinha — disse realmente tentando achar o problema na fantasia.
— Isso não deveria nem ser considerado uma saia, de tão curta — fitou bem as orbes de .
— Achei normal — comentou, dando de ombros. — Posso te devolver a calcinha que peguei hoje cedo para não ficar muito desconfortável.
Automaticamente as bochechas de ficaram rubras de tão vermelhas e ela arregalou os olhos. não conseguiu ter qualquer reação, ela só tomou aquilo das mãos de e marchou apressada até o banheiro.
não sabia reagir à sinceridade sem filtros de e se sentia muito retraída com isso, quase como se sua mente não conseguisse processar e ela entrasse em pane.
A garota olhou novamente para a fantasia agora que a pendurou no suporte atrás da porta e abriu completamente a capa, e suspirou. Aquilo não ficaria bom, disso tinha certeza. Era magra demais, quase não tinha busto ou nada para que deixasse um tom sensual naquilo, ficaria parecendo uma criança, isso sim.
Mesmo assim, tomou um banho e vestiu as peças, dando um jeito em seu cabelo também, o deixando mais armado e fazendo algumas trancinhas finas dos dois lados. fez uma careta para o colar que tinha, mas colocou do mesmo jeito; assim como também a cinta liga de um dos lados, com a faca falsa.
— Eu não deveria assustar os clientes? — questionou saindo do banheiro, já toda pronta, segurando apenas o chapéu.
que estava sentado no sofá, mexendo no celular, apenas ergueu os olhos, e olhou cada centímetro da mulher na sua frente, achando que ela tinha ficado extremamente deliciosa daquele jeito, e até mesmo lambeu os lábios com os pensamentos impuros que teve com ela fantasiada daquela forma.
— Você não vai ficar andando comigo — comentou, ainda a engolindo com os olhos. — Estou começando a achar que essa fantasia foi um erro.
— É, eu te disse! — disse, quase batendo as mãos nos quadris, e então puxou sua saia um pouco para baixo, assim como ajeitou o corset em seu busto. — Desconfortável.
— Vou perder a concentração toda hora que eu te ver — confessou, puxando mais o ar que entrou quente. — Onde que está desconfortável? — Agora seu tom era mais baixo e sedutor.
deixou uma risadinha tímida escapar e desviou os olhos, sentindo seu rosto ainda quente.
— Tudo — respondeu ao garoto, mas agora de uma forma emburrada.
A parte boa era que as mangas longas escondiam a marca da mão de em seu pulso, assim não chamaria atenção.
— Hm, mas está apertado? O tecido está pinicando? Porque essas fantasias às vezes incomodam mesmo — comentou, deixando o celular de lado e estendendo a mão em direção a .
Ela aceitou o convite silencioso e pegou na mão do homem, se aproximando lentamente dele, mas não conseguia encarar seus olhos.
— Está justo, curto e um pouco vulgar — ela pontuou. — Me empresta uma cueca sua para que eu use por baixo dessa microssaia — pediu baixinho, e suas íris passearam até a pinta perto do queixo do garoto, notando que aquele pequeno detalhe deixava com um ar ainda mais sexy.
— Não acho vulgar, achei bem gostosa, mas fofinha também. Você está fodendo com meu cérebro — falou, e sua outra mão passou pela pele exposta da coxa da garota. — Não queria nem que você usasse sua calcinha, acha que vou te emprestar uma cueca? — Sorriu de lado, safado, enquanto sua mão ia subindo mais até entrar por baixo da barra da saia.
arfou fraca. Como não arfaria com dizendo aquelas coisas, a olhando e a tocando daquela forma? Era impossível.
Ela mordeu o interior da bochecha e subiu as orbes em direção às do garoto, o fitando com certa intensidade, mesmo que envergonhada.
— Se eu me abaixar de forma errada, qualquer um vai ver que eu não estou usando nada por baixo — explicou, umedecendo os lábios que estavam secos.
— Porra — murmurou, negando com a cabeça, e a puxando para perto, beijando sua barriga por cima da roupa. — Então você abaixar bem devagarinho, com cuidado — avisou, mordendo a lateral da cintura dela.
Os dedos de seguiram até os fios macios de , e ela fechou os olhos. Ainda que fosse tímida, ela estava gostando até demais daqueles toques do homem, ou da forma como ele estava agindo com ela. Seu coração estava um pouco acelerado, não iria mentir, e era uma sensação boa, que fazia muito tempo que não sentia.
— Vou tentar — murmurou, se dando por vencida.
A verdade, no entanto, era que também estava fodendo o cérebro de desde aquela noite na roda gigante antiga.
Ele assentiu com a cabeça, beijando a cintura e a barriga da garota, de forma lenta, e com os olhos fechados, subindo sua mão até a bunda dela e a alisando de forma suave, sentindo sua pele livre, sem nenhum tecido a cobrindo. Aquilo fazia ter pensamentos muitos impuros, que o deixavam quente, assim como suas mãos grandes e fortes.
— Prometo que passo no estande que você estiver trabalhando para saber se está bem — sussurrou, abrindo os olhos e a encarando debaixo. — E quando eu passar, se quiser, pode abaixar, não vou deixar ninguém ver — brincou, só para ver ela ficando vermelha.
estava aceitando tudo o que estava oferecendo. Tinha deixado de pensar que tudo era uma traição desde o momento em que disse que tinha a traído primeiro; e, sinceramente, o que fez com ela foi a gota que estava faltando para que realmente acordasse e quisesse se livrar daquele peso que estava sufocando seu pescoço — e sentia exatamente as mãos de .
— Você é um safado — sussurrou, negando de leve com a cabeça, mas estava afagando sua nuca, puxando alguns fios, mas de forma doce.
— E você gosta — rebateu, sorrindo abertamente para ela, e apertando sua bunda com vontade, tirando da garota um gemido tímido e baixinho. — Vai, vai, vai, antes que eu te jogue no sofá e a gente acabe ficando atrasado — disse, a afastando e rindo.
olhou bem para e colocou o cabelo atrás da orelha, procurando o chapéu que o garoto tinha pego junto com a fantasia, mas acabou vendo uma bandana vermelha jogada pela poltrona mais ao lado e se esticou para pegá-la, amarrando atrás da sua cabeça.
— Ficou melhor que o chapéu? — Questionou, dando um passo para trás, para que a visse por completo.
— Gosto do chapéu — respondeu, sorrindo de lado. — Cacete, eu tenho que me arrumar. Não dá para ficar olhando você vestida assim. A propósito, você fica linda de qualquer jeito — disse levantando e dando um beijo na testa dela, e foi até seu quarto.
A verdade era que estava se controlando demais para não pegar e a jogá-la no sofá, e fodê-la ali mesmo. Ele não conseguia parar de pensar naquele tipo de coisa, especialmente com a garota vestida daquela forma, estava aflorando ainda mais o desejo dele, e as fantasias que tinha em sua mente, especialmente com aquele jeitinho fofo e inocente de .
riu um pouco, mesmo que de forma tímida. Ficou parada no meio da sala e olhou para baixo, fitando o próprio busto naquela roupa. Ainda com um riso meio descrente, se perguntando se iria mesmo fazer isso, pegou também o chapéu e o colocou — caso a noite fosse abafada, era só tirar e ficar com a bandana.
Ela saiu da casa de e foi seguindo em direção ao parque, segurava a saia para não subir com o vento e olhava para todos os lados, desconfiada e meio constrangida.
apenas ligou o som e começou a se aprontar. A roupa daquela noite não precisaria de maquiagem, já que tinha máscara. Então foi rápido, e logo ele já estava indo para o parque, pois a hora do terror começaria mais cedo.
Enquanto isso, andava meio perdida pelo parque, porque fez o favor de dizer que ela ficaria em um estande, mas não disse onde, ou como chegar lá. Porém, Amber cruzou o caminho dela, e parou, voltando e olhando por inteira, então sorriu abertamente.
— Garota! Quase não te reconheci! Você está gata, só está faltando algo nesse rostinho lindo. Está muito pálida. Vem comigo que te ajudo com isso! — Amber disse super simpática e solícita.
— não me disse para onde ir, ou o que fazer na verdade — falou em baixo tom, fitando Amber. — Te conheço de algum lugar? — Precisou perguntar, porque a imagem dela era familiar, só não sabia de onde.
— O é um relapso, vem — falou, rolando os olhos e rindo. — Eu trabalho aqui no parque. Às vezes eu fico na barraquinha de pipoca ou no carrossel. — Amber estava fantasiada de Tinker Bell, o vestido verde holográfico fazia as luzes ao redor rebater nele.
deu de ombros, acreditando que poderia muito bem ser por conta daquilo que conhecia a garota em questão. Até se sentiu um pouco mais a vontade, até porque ela não parecia como os amigos que tinha. Ela seguiu Amber até um pequeno trailer.
— Eu não gosto de maquiagem muito forte. — Avisou a Amber depois que a garota praticamente empurrou para se sentar em um pequeno sofazinho que tinha ali.
— Certo, me deixa ver o que tem aqui do seu tom — respondeu pensativa, mexendo nas caixas de maquiagem, e separando algumas coisas para usar. — Acho seus olhos lindos demais para não ter um destaque. Já usou cílios postiços?
— Não — retraiu os lábios, negando de leve com a cabeça.
Mas então, em um pequeno lapso de coragem, olhou para seu reflexo e pendeu de leve a cabeça.
— Pode colocar em mim — sussurrou, olhando para Amber pelo espelho.
— Não, relaxa. Vou só passar um rímel bem glow. — A garota sorriu de forma amigável. — Podemos deixar apenas seus olhos ressaltados com rímel e lápis, bem pirata mesmo, e um batom vermelhão. O que acha? Deixar essa boca como cartão de visitas — brincou, dando um riso.
— Pode ser — ela falou baixinho, encarando novamente seu reflexo, tentando imaginar tudo isso que Amber falava.
Não era muito a praia dela, mas estar vestida de pirata — e sem calcinha — também não. Então tudo bem, por uma única noite, ela fazer algo que geralmente não faria. Pela primeira vez estava com vontade de fazer algo por si, e não porque alguém queria que ela fizesse. Era um pouco assustador e até mesmo bobo, mas era assim que se sentia.
Amber então se aproximou e tocou de leve no queixo de para que ela o erguesse.
— Eu vou passar um pouco de base, corretivo e pó primeiro nos seus olhos, vou fazer a maquiagem, e depois termino o resto do rosto, ok? Não vou demorar — avisou de forma gentil.
assentiu, passando os olhos por todo o rosto de Amber.
Ainda tinha algo na garota que fazia pensar que a conhecia de algum lugar, a prova foi tanta que, até o cheiro dela era familiar. Mas não disse nada, guardou para si; se Amber não comentou nada, provavelmente deveria ser coisa de sua cabeça — a maioria sempre era, mesmo vivia dizendo.
Fechou os olhos e deixou que a outra garota fizesse a maquiagem, e realmente Amber tinha uma facilidade muito grande, porque nem trinta minutos depois, ela já estava saindo da frente de , mas retocava o batom em seus lábios. Foi naquele momento, se olhando novamente — e agora completamente caracterizada — que reconheceu. Ela levantou de onde estava, o semblante sério e as sobrancelhas levemente vincadas enquanto chegava mais perto do espelho.
— Esse batom é muito bonito — comentou para Amber, como quem não quer nada.
— Sim, e ficou lindo em você. Realçou demais — respondeu enquanto guardava as coisas.
O lance entre Amber e tinha sido tão superficial para a garota, que ela sequer lembrava que tinha ficado e transado com ele tempos atrás, e muito menos que ele tinha traído .
— Todas as garotas que trabalham fantasiadas no parque usam esse batom? — tentou outra vez, querendo saber se era ela a garota que transou com .
tinha a breve memória de que tinha dito o nome da menina, mas ela não lembrava com precisão.
— As maquiagens ficam aqui para o pessoal usar, então não tem como dizer que todas usam, porque não dá para saber — respondeu, rindo de leve. — Por que? Gostou? Eu posso ver se tem um fechado nele no estoque para você — ofereceu, e se virou, olhando para a garota.
— Não, não precisa. Eu não gosto de usar batom — explicou, se virando para Amber agora. — Você sabe onde eu vou ficar e o que eu vou fazer?
— Deveria usar mais, ficou lindo em você — elogiou, sorrindo abertamente. — Não, mas o deve saber. Vou ligar para ele.
— Nossa, Amber, tá gatinha hoje — Jackson entrou no trailer, olhando para a mulher, e sorrindo.
— Me erra, Jack — mandou, revirando os olhos. — Não dê confiança para os garotos, eles são tarados — murmurou para como se fosse um segredo, enquanto pegava o celular para ligar para seu amigo.
— É… eu percebi — comentou baixinho, mas para si mesma, lembrando com detalhes até demais de .
— , seu idiota — Amber falou assim que seu amigo atendeu. — Você deixou a solta no parque e não falou onde ela deveria ficar.
— Eu ia levar ela, mas a garota sumiu. Ela vai ficar na barraca de algodão doce ajudando a Melissa — explicou rapidamente, rolando os olhos. — Onde vocês estão?
— No trailer de maquiagem, mas relaxa, eu levo ela até lá. Tchau. — Encerrou a ligação na cara dele, rindo de leve. — Ele disse que você vai ficar na barraquinha do algodão doce com a Mel. Vem, eu te deixo lá antes de ir para o carrossel. — Estendeu a mão para .
O trailer apertado estava ficando ainda mais claustrofóbico com a chegada de mais algumas garotas. não teve outra escolha, aceitou a mão de Amber e as duas saíram do local.
Era estranho para estar no parque com o movimento parado, porque sempre que esteve ali, era tudo muito brilhante e barulhento, e agora as coisas estavam desligadas, começando a funcionar. Amber a deixou na barraquinha de algodão doce e outra garota apareceu cinco minutos depois. Extrovertida do jeito que era, Amber se despediu e deixou só para realizar seu mais novo trabalho.
já era acostumada a lidar com atendimento ao público, afinal fazia muito isso na cafeteria em que trabalhava.
Porém, mesmo com a mente parcialmente ocupada, não conseguia parar de pensar no batom que usava, e que era da mesma cor do que viu manchado na camisa de dias atrás quando estavam nesse mesmo parque. Não queria dar uma de namorada ciumenta, mas até mesmo tinha confirmado que tinha transado com alguém, ela só não lembrava o nome, por mais que estivesse se esforçando para tal coisa.
Não demorou muito e apareceu na barraquinha onde estava, e a olhou, sorrindo de leve. Ele sabia que certamente não se ligou quem era Amber, ou achava que a garota não deixaria a outra lhe ajudar.
— Foi mal, achei que você estivesse me esperando — se desculpou logo, dando uma bela olhada para , a qual Melissa obviamente notou, e limpou a garganta de forma bem audível.
Todo mundo sabia que era namorada de , afinal.
— Melissa, me dá cinco minutos, por favor — pediu a garota, voltando a atenção para assim que obteve a confirmação de que podia sair do seu posto.
Sem perceber, torceu os dedos na jardineira que usava, e o empurrou de leve pelo peito, o levando de costas até que parassem entre o vão de dois brinquedos.
achou aquela atitude estranha, mas não falou nada, porque queria ver até onde a garota iria.
— Como é o nome da garota que o ficou? — Foi a primeira coisa que questionou a , fitando seu rosto e se concentrando muito para não olhar para seus lábios.
— Por que quer saber? — perguntou rapidamente, porque ele já tinha sacado qual era o lance.
— Responde, . — Ela pediu novamente, retraindo os lábios. — Você me disse o nome dela, mas eu não lembro.
— Isso não tem importância — respondeu estreitando os olhos de leve. — Vai fazer o que? Ir atrás dela para tirar satisfação?
— O quê? — As sobrancelhas de se franziram de leve. — Não, claro que não. — Negou com a cabeça. — Eu só quero saber.
— Eu não deveria nem ter te falado aquilo — confessou em um tom mais baixo. — Só que te ver defendendo aquele babaca do como se tudo o que ele fizesse fosse certo, já estava demais. Não sei se você escolhe não ver ou só aceita as coisas que ele faz, foi só por isso que te contei.
respirou fundo e olhou ao redor, se certificando de que não tinha nenhum curioso prestando atenção neles dois praticamente escondidos naquele tipo de beco. Quando percebeu que ninguém os olhava, ficou na ponta dos pés e deixou um selinho apertado e rápido em , se afastando em seguida e colocando suas duas mãos para trás. Ele estreitou os olhos em direção dela, desconfiado daquela atitude.
— Eu não quero voltar com o , e nem tirar satisfação com quem ele ficou — falou novamente, agora fitando os lábios de que ficaram levemente marcados pela cor do batom.
levou o polegar até eles e esfregou de leve, tentando tirar um pouco da pigmentação; mas acabou se perdendo no que fazia e teve que pigarrear e se afastar de .
Ele então mordeu de leve o dedo dela indo atrás, e riu fraco. Não acreditava naquilo de fato, mas não queria dizer que não poderia se divertir antes que caísse em si e voltasse com o idiota do .
— Não vai mesmo me dizer o nome da garota de novo? — tentou mais uma vez.
Realmente não faria nada contra quem quer que fosse, mas havia algo em que ela precisava saber de tudo. Precisava doer para que ela superasse, e ela queria que doesse, para assim conseguir deixar para trás. De todas as formas que vinha machucando , de certa forma, ela ainda blindava seu coração daquilo tudo, só que desde a noite passada que não tentou mais fazer isso, estava permitindo que as palavras de sobre o seu namorado entrasse e a machucasse, partindo seu peito em pequenos pedaços.
— Pergunta você mesma ao , aposto que ele nem lembra — falou, dando de ombros. — Enfim, se era só isso, eu tenho que trabalhar.
franziu um pouco o semblante, retraindo os lábios. Às vezes não entendia muito bem as motivações de e o que se passava em sua cabeça. Mas como poderia? Mal conhecia o garoto, afinal de contas.
O problema nisso tudo, pelo que bem constatou, era que, sem perceber, ela queria conhecer mais de , e aquilo acendeu uma luz de emergência em sua cabeça.
— Não, obrigada — ela respondeu em baixo tom, olhando para a bota de cano longo que usava. — Bom trabalho — desejou a , saindo o mais rápido que conseguia daquele tipo de beco onde tinha se enfiado com ele.
era tímida e retraída, até mesmo inocente para algumas situações; mas, naquele tópico em questão, não era boba. Sabia muito bem o que tudo aquilo com significava, e mais importante, como terminava.
Só que ao mesmo tempo em que se considerava uma pessoa que não era boba, lá estava ela sendo uma completa hipócrita, querendo conhecer mais de uma pessoa que enxergava o mundo completamente diferente da forma como ela via.
só queria se divertir, e pelo jeito que o garoto agia, ele era bastante acostumado a fazer isso com várias garotas; então não era especial. Ela só estava sendo a da vez. não queria que ela largasse porque eles dois teriam algo. Porra, na verdade, sequer precisaria terminar com para que isso acontecesse, já que tinha deixado bem claro que não se importava com nada disso.
Ela voltou até onde Melissa estava e a garota lhe lançou um olhar demorado, passando por todo o seu rosto e depois para suas vestes, como se procurasse qualquer indício de que estava se pegando com o homem. O rosto e pescoço de esquentaram e ela limpou a garganta, se ocupando em ligar novamente e máquina de algodão doce e começar a girar o palitinho no açúcar derretido e colorido, formando o aspecto de teia entre o palito de madeira entre seus dedos. Sabia como manusear certos maquinários, por isso não achou nenhuma dificuldade nisso.
só precisava se concentrar no agora. No que fazer agora para mudar sua situação. Estava trabalhando no parque para conseguir uma grana, e depois iria até seu próprio apartamento e trocaria as fechaduras. Ou voltaria a morar com seus pais, ela não sabia ainda qual a melhor opção, tendo em vista que seu namorado iria inferniza-la em qualquer uma delas.
Porém, uma coisa ela conseguiu distinguir muito bem. Diferente do que achava, a possibilidade de não estar mais com não foi como se seu peito estivesse sendo arrancado para fora e as vísceras caíssem no chão, manchando tudo do vermelho do seu sangue. Não estava doendo, e porra, achava que seria a pior dor do mundo. Muito pelo contrário, era nítido que certo alívio vinha crescendo e querendo tomar espaço em seu peito. Ela só precisaria encarar de frente, dizer aquilo na cara do garoto e sustentar sua decisão.
Do fundo do coração, desejou que dessa vez ela não cedesse a manipulação psicológica que fazia em sua mente.
mal percebeu o tempo passar, já que em determinado momento a fila do algodão doce foi ficando cada vez maior, mais e mais crianças foram aparecendo e a zoada do parque ficando mais alta; seja pela música, pelos gritos vindo dos brinquedos ou pelas pessoas se assustando com as caracterizações dos outros funcionários.
Vez ou outra acompanhava com o olhar quando ele passava junto com os outros garotos também fantasiados, e ela até soltava uma risadinha quando via meio que correndo atrás de alguma criança que se assustava mais com o que ele vestia.
Tinha que concordar, a fantasia da vez que usava, era de arrepiar.
— Se você quiser dar uma pausa agora que a fila diminuiu mais, eu posso dar conta sozinha — Melissa avisou a garota, que assentiu de relance.
pegou algodão doce para si e foi caminhar um pouco pelo parque, indo diretamente para a fila da roda gigante, um pouco de paz e solitude iria recarregar sua bateria social que era sempre mínima. Porém, no entanto, ao passar próximo ao carrossel, seus passos travaram e ela fincou o olhar na imagem de .
Seu namorado estava em Everdusk, e isso a fez ofegar de leve, sentindo novamente aquela onda de medo e adrenalina que teve na noite passada. Por precaução, foi se esconder atrás da bilheteria, seu coração quase saia pela boca e ela começou a suar frio. Quando olhou novamente, foi que seu rosto se torceu em dúvida, surpresa e compreensão.
não conseguia ver o rosto da garota que falava e tentava se aproximar, tentando segurar sua cintura enquanto ela se afastava e tentava empurrar ele. Mas dava, nitidamente, para distinguir aquelas asinhas de fada, afinal, tinha visto bem de perto como era a fantasia de Tinker Bell de Amber.
ficou encarando aquilo, assistindo o desenrolar da cena enquanto o nojo subia por suas veias. De , por ter traído ela, de Amber por aceitar aquilo e ainda por cima ser legal com ela logo depois, de si mesma por sentir raiva por estar culpando a garota também, e não só o namorado. Ex-namorado.
Aquilo ia acabar agora.
jogou o algodão doce na primeira lata de lixo que encontrou e marchou até onde os dois estavam. As unhas finas e pontudas, pintadas de um nude, furavam a carne de sua palma com a força que a apertava.
Provavelmente ela riu de mim depois que me deixou com a Melissa, era o que passava pela mente de ao pensar em Amber.
— O batom vermelho era dela — anunciou sua presença, interrompendo a tentativa de de beijar Amber que o empurrava enquanto falava algo no rádio e fazia cara feia para o garoto.
, reconhecendo a voz baixa e aveludada de , se virou automaticamente.
Amber apenas se afastou agora, ainda com o rádio na mão, esperando algum dos garotos ou da segurança aparecer ali para tirar do parque novamente. Ela não iria se meter naquilo, sequer queria ficar ou ver a cara daquele garoto novamente.
— Onde caralhos você estava?! — A voz de se sobressaiu em um rompante, e então toda a coragem de se quebrou como vidro fino em queda livre com destino ao chão.
Ela parou de andar, e por instinto deu um passo para trás.
— Não… não te interessa! — respondeu baixo, apertando mais as unhas em sua palma. — Acabou, — falou de uma vez. — Eu e você, acabou! — repetiu.
riu como se estivesse ouvindo a melhor das piadas em um show de stand up, e aquela atitude fez se encolher um pouco, porque ela sinceramente achou aquilo assustador.
— A gente só vai acabar quando eu quiser acabar. — Ele deixou aquilo claro em um rosnado, se aproximando de . — Agora pára com essa palhaçada, você tá parecendo uma prostituta com essa roupa e essa maquiagem — grunhiu, segurando em seu braço. — Vou te levar pra casa e você vai limpar isso e vestir uma roupa decente.
— Não — respondeu, mesmo sem qualquer convicção. — Eu estou trabalhando aqui hoje — falou mais rápido. — Me solta — pediu, olhando nos olhos de e depois para a mão dele que a apertava.
— Nossa, , cala a porra da boca, prostituta é a sua mãe. Está putinho porque a é uma gostosa e qualquer um pode ser afim dela. E qualquer um é melhor que você — Amber falou, irritada com a forma que tratava a garota. — Larga de ser um psicopata. Ela pode te deixar a hora que quiser, se toca!
— Não se mete em assunto que não é teu, Amber — o loiro cuspiu aquilo com desdém para a outra garota, voltando a olhar para . — Em casa a gente conversa — murmurou para , apertando seu braço.
Ele começou a andar e praticamente puxar , a arrastando como na noite passada.
— , para com isso — pediu, tropeçando nos próprios pés.
— , larga ela! — Amber parou apenas o carrossel e saiu atrás deles, segurando o garoto com brutalidade pelo ombro. — Para com essa merda! Você não vai machucar ela.
Inutilmente, tentando se mostrar forte, até que engoliu o choro nos primeiros momentos, mas sua visão estava embaçada, já que prendia as lágrimas. Estava com medo de novo, aterrorizada, e tudo só piorou quando simplesmente se virou em direção a Amber e a empurrou com força.
arregalou os olhos quando viu a garota cair no chão, e seu peito parou por um segundo com a soltando e fazendo menção de ir até ela.
— ! — Agora segurou em seu braço, fazendo força nos pés para tentar segurá-lo.
— é minha namorada! Eu decido o que fazer com ela — falava aquilo para Amber, tomado de raiva.
— Para com isso! Para! Por Deus! — Mesmo com medo, se forçava a puxar ele, então começou a estapear de leve o braço do garoto, tentando chamar a atenção dele para ela.
O que foi um erro, porque ela conseguiu.
— Fica quieta, caralho! — praticamente gritou depois de se virar com tudo e acertar um tapa no rosto de com as costas da mão.
Não deu nem tempo de assimilar o que tinha acontecido. Em um momento ela estava de pé, segurando o braço de seu ex-namorado enquanto tentava puxá-lo para longe de Amber, totalmente aterrorizada com a ideia de que ele fizesse algo a ela; e no outro, estava cambaleando para trás, se sentindo zonza. A mão que tentava impedir , agora segurava a própria bochecha que estava quente e dolorida. E um zumbido atingiu seus ouvidos.
Amber que estava no chão, apoiada em seus cotovelos tentando assimilar tudo que aconteceu muito rápido, ficou boquiaberta com o que tinha feito, e no segundo seguinte, ela já se levantava e puxava o garoto pelo ombro fazendo com que se virasse, e lhe deu um belo chute no saco, com toda sua força. ofegou de dor e seus joelhos cederam, as mãos foram em direção a área atingida e ele gemeu de forma dolorosa, fechando os olhos.
estava estática, olhando para o desenrolar daquilo tudo, mas sem conseguir digerir. Ainda estava com a mão do lado do rosto que atingiu, se concentrando apenas na própria respiração que ia ficando cada vez mais curta.
— ! — chamou por ela mesmo assim. — Vem me ajudar, porra! — grunhiu.
Amber passou pelo garoto e segurou o braço de , a puxando para sair dali o mais rápido possível antes que o psicopata do levantasse e viesse atrás delas com tudo.
— ! — gritava, ainda no chão. — Você está fodida quando eu te achar, ! Fodida! — Continuou gritando, tentando se levantar para ir atrás da namorada, mas grunhindo pela dor em suas bolas.
— É mesmo? Me conte mais o que você vai fazer com ela? — apareceu junto com os outros caras, e se abaixou atrás de .
— Fica na sua. Meu assunto é com minha namorada — rosnou para ele, e mesmo com dor, foi tentando se levantar. — Vai assustar criancinhas, é pra isso que você é pago — falou com desdém.
— Hm, acho que não é namorada — rebateu, a voz abafada contra a máscara. — Tem razão, por que você não corre, criancinha? Porque se a gente te pegar… — ficou de pé, ele era maior e mais forte que , assim como os outros garotos que estavam cercando eles.
— Aí, a Amber passou um rádio falando que esse panaca bateu nela e na — Jackson falou com todos ali.
— Hm, então você gosta de bater em garotas? — deu um passo lento em direção a .
Foi apenas naquele momento que percebeu que estava em completa desvantagem. Ele ficou de pé e olhou ao redor, se dando conta de que estava cercado por cinco caras. Com o passo de , ele recuou outro, olhando para os lados, procurando um caminho para correr.
— Eu não bati em ninguém. São duas vadias mentirosas — se defendeu. — E é minha, eu estava conversando com ela.
— Se é mentira delas, você não se incomoda de ir até a sala de segurança e ver a filmagem, né? — apontou para a câmera de segurança que tinha ali perto. — Sua? Onde você comprou? Acho que vou comprar também. — Os garotos iam fechando o círculo ao redor de .
— Eu não vou para lugar nenhum com nenhum bostinha como você — grunhiu para , mas então sua raiva ficou maior com o que ele sugeriu. — Está querendo a minha garota, por acaso? — perguntou, pouco se importando se estava em desvantagem agora, ele foi em direção a e o empurrou pelo peito.
riu, gargalhou da cara de , e o empurrou de leve pelo ombro.
— Se eu estou querendo ela? — Ele estava sorrindo abertamente por baixo da máscara. — Quem não iria querer uma delícia daquela? Uma pena que você não cuidou dela…
não disse mais nada, apenas avançou em , desferindo um soco no rosto do garoto, mas nem precisou fazer nada, os seus amigos seguraram , e a segurança logo apareceu por conta do tumulto que já tinha sido criado antes.
— De novo, ? — o segurança perguntou, já pegando o garoto como se fosse um rato pelo cangote.
— Filho da puta — rosnou para o mais velho, se sacudindo para se soltar. — A porra do seu palhaço tá aqui desrespeitando a minha mulher e você quer que eu fique quieto, porra? — rosnou, tentando se soltar de novo, enquanto o segurança ia levando ele para uma sala reservada. — Tira essa porra de máscara e manda ele me soltar, que eu vou quebrar tua cara todinha, seu palhaço! — gritou para .
sequer se importou com aquilo, apenas pegou o rádio e apertou o botão para poder falar no canal aberto.
— Amber, onde vocês estão? — perguntou rapidamente, agora preocupado por saber que as duas tinham apanhado de .
— Elas estão aqui no Milles Truck — alguém respondeu no rádio.
não respondeu, apenas seguiu para a lanchonete que ficava do outro lado do parque. Os seus amigos voltaram a trabalhar, então ele só pediu para alguém cobrir Amber no carrossel. Ele estava nervoso com a situação, já imaginava que faria algo do tipo, mas não achou que seria em local público, como dentro do parque.
Amber tinha levado e a feito sentar em uma das mesas mais escondidas da lanchonete, e tinha bastante certeza de que ela continuava falando algo, mas não conseguia entender o que era. Para além de surpresa com o que fez, tinha travado completamente.
Era como se seu cérebro tivesse entrado em pane, sem conseguir assimilar direito.
Sentia que um lado do seu rosto estava dolorido. Quando Amber tocou em sua pele ela se afastou de leve, mas sem esboçar muita reação.
— Calma, garota — pediu de forma gentil. — É gelo — disse, estendendo o saco para .
olhou de relance para o que Amber mencionava e simplesmente pegou o saco de gelo dela, colocando em seu rosto sozinha dessa vez.
Ela fechou os olhos em um alívio momentâneo quando o frio atingiu sua pele e respirou fundo, tentando se situar. Desde o momento que viu , até agora, o coração de batia descompensado e de um jeito muito ruim, causando uma sensação desconfortável em sua caixa torácica. Sua mão livre, por baixo da mesa, continuava apertando a carne de sua palma.
apareceu, entrando na lanchonete e tirando sua máscara, ofegante e olhando para os lados. Avistou Amber que estava de pé, e correu até sua amiga a abraçando e depois se afastou, a olhando por inteira, verificando se estava bem.
— O Jack disse que o machucou vocês — comentou, preocupado.
— Ele é um bundão. Só me empurrou quando tentei fazer com que soltasse a — Amber contou fazendo uma careta e apontou para a garota que estava sentada. — Ele deu um tapão nela.
Só então que virou e olhou para o lado e viu , e isso o fez ir até a garota no mesmo instante, colocando as mãos em seus joelhos.
— Hey, me deixa ver — pediu com cuidado, levando a mão até a de .
A garota sequer se deu ao trabalho de abrir os olhos, porque foi instantâneo querer chorar tudo o que estava prendendo assim que ouviu a voz de . Apenas tirou o saco de gelo do rosto, deixando que o homem visse como estava.
Ele passou os olhos pelo local e retraiu os lábios.
— Só está vermelho, não acho que vá ficar roxo — disse baixinho. — Está doendo?
— Sim. — A voz de saiu trepidante e quebrada.
Ela engoliu o bolo em sua garganta, que não descia e parecia sufocá-la. Optou por colocar de novo o saco de gelo no rosto e ficar quieta, tentando se acalmar.
— Vem, vamos sair daqui — chamou, segurando a outra mão dela, e a puxando para cima.
Amber lançou um olhar esperto para seu amigo e rolou os olhos, dando uma pequena risada, e saiu de perto deles, negando com a cabeça. Ela já tinha entendido muito bem o que estava acontecendo ali, e não precisava falar nenhuma palavra sobre, estava bem na cara que tinha alguma coisa rolando.
segurou o sorrisinho por causa da reação de sua amiga, mas não falou nada também, apenas seguiu com para o escritório do parque, que era mais perto, para ver o que eles iriam fazer, afinal, tinha batido nela. Quando chegou lá, estavam os seguranças e o dono do parque.
Calton olhou para e e retraiu dos lábios. não estava ali com eles, mas os homens estavam olhando as filmagens no computador, e pela cara do dono do parque, ele não estava nada satisfeito. Ele não era uma pessoa que tinha crescido na cidade, era só um homem com muito dinheiro e que tinha visto o parque como um bom empreendimento, e geralmente deixava resolvendo as coisas em sua ausência, então confiava piedosamente no garoto.
— Vamos chamar a polícia se você quiser — Calton disse olhando para . — Temos a filmagem, e testemunhas. — Então o olhar dele direcionou a . — Ele te bateu também. Você está bem?
— Não foi nada — garantiu.
Quando olhou em direção a tela e viu a gravação, bem no momento em que a mão de foi com tudo em seu rosto, ela fechou os olhos por um segundo, quase como se conseguisse sentir novamente a dor do impacto. Porém sua atenção foi completamente roubada com o que ouviu, então suas orbes vermelhas — de tanto segurar o choro — se voltaram para .
— Ele te bateu? — perguntou baixinho e preocupada.
Ela tirou o saco de gelo do próprio rosto e levou a mão livre até a bochecha de , o virando de um lado para o outro, procurando qualquer indício do que o homem mais velho estava falando.
— Relaxa, está tudo bem — respondeu, e a abraçou de lado. — Vai querer que o Calton chame a polícia?
se encolheu no abraço de e respirou fundo. Tudo aquilo tinha a deixado enjoada e seu estômago dava voltas, querendo que ela colocasse para fora tudo o que tinha comido nas últimas horas.
Aquele era o momento decisivo, porque sabia muito bem que sua decisão poderia mudar tudo. Se decidisse denunciar o ex-namorado, ou se não. Já estava imaginando o que seus pais iriam pensar quando descobrissem que ela tinha realmente feito aquilo com , afinal, ele era um garoto tão bom para ela.
Mesmo abraçada em , fechou a mão em punho e a apertou com certa força. A dor das unhas machucando sua carne servia meio como uma bússola, por mais problemático que aquilo fosse.
— Sim. — Praticamente sussurrou, se encolhendo mais no garoto.
— Certo — disse, tomando fôlego. — Pode chamar, Calton. — Encarou seu chefe.
Ainda assim estava descrente de que aquilo terminaria ali. O dono do parque apenas assentiu com a cabeça, e pegou o telefone, ligando para a polícia e informando o que estava acontecendo.
se abraçava em como se estivesse prestes a ser jogada de um penhasco e não tivesse nenhum paraquedas para minimizar o impacto. Seu corpo tremia de leve, agora mais por nervosismo de estar realmente disposta a seguir com uma denúncia contra o garoto que um dia disse que a amava mais do que tudo.
Nossa, pensar nos momentos bons com arrepiou sua pele e a garota arfou, se sentindo sufocada novamente por mãos invisíveis ao redor do seu pescoço. Fora, claro, o nojo que sentia. De si mesma, dele, da situação.
a apertava de leve contra o próprio corpo e alisava seu braço em uma tentativa de acalmá-la. Calton se aproximou e estendeu um copo de água gelada para .
— Vai ficar tudo bem, ok? — o dono do parque garantiu de forma gentil.
— Me desculpa por trazer esse problema ao seu parque — pediu ao mais velho, de forma pesarosa, aceitando o copo.
Ela estava envergonhada, tinha conseguido algo temporário e em menos de quatro horas, ela já tinha estragado tudo.
— Você não me trouxe problema nenhum. O sempre arruma confusão no parque, ele acha que o dinheiro dele o faz dono da cidade toda, mas Everdusk não é dele — Calton assegurou, e sorriu de forma leve. — A Amber está bem?
— Sim, ela disse que ele só a empurrou, não se machucou aparentemente — explicou o que deu a entender brevemente quando esteve com a amiga.
viu quando o dono do parque assentiu e voltou até sua mesa. Ela se abraçou mais em , passando de leve sua mão pelas costas do garoto enquanto encostava a cabeça em seu peito e ouvia seu coração batendo devagar.
— Quer ir ao banheiro? Lavar o rosto, não sei… — ofereceu incerto sobre como lidar com naquele estado.
— Onde tem banheiro aqui? — não se afastou de quando levantou a cabeça para olhar pra ele.
— Vem, eu te levo — disse, segurando a mão dela e se afastando.
Ele a guiou para fora daquela sala e passando pelo corredor, e parou na frente da porta do banheiro, a abrindo e deixando que passasse. Mas antes que ela conseguisse entrar, se retraiu inteira de susto com o baque vindo de uma porta ao lado. Eram sons de chutes e socos, e, acima de tudo, a voz de gritando como um maluco.
— Vocês vão me soltar, ou eu vou ter que derrubar essa merda? — Ele gritava, chutando a porta com toda força que tinha. — Eu quero falar com a ! — berrou. — ! — Outro soco. — Você está fodida! Fodida! — continuava berrando como um louco, mesmo sem saber se a ex-namorada estava o ouvindo.
, estática outra vez, encarava a porta que tremia de leve ao ter que aguentar as pancadas vinda da parte de dentro, onde segurava a ira de . apenas entrou no banheiro e puxou com ele, e fechou a porta, rolando os olhos.
— Quando eu te pegar, , você vai se arrepender de ter feito isso!
A voz de ficou mais abafada, já que agora outra porta os separavam. arfou, sem conseguir conter as lágrimas.
— Ele vai me matar — sussurrou, muito mais para si do que para , se dando conta da proporção que aquilo tinha tomado.
— Não vai, peça uma medida protetiva — falou rapidamente, segurando o rosto dela com as duas mãos e passando os polegares por suas bochechas. — Mas se você não quiser fazer nada disso, está tudo bem também, ok? — O olhar dele estava bem sério no dela, e sem julgamento, afinal, já não esperava nada mesmo.
— Não fazer nada me parece tão ruim quanto fazer — respondeu com sinceridade, fungando um pouco.
— O que você quer nesse momento? Seja totalmente sincera, e pensa apenas em você — pediu, o olhar com atenção sobre ela.
Por mais que parecesse bobagem, aquela era uma pergunta difícil de responder, porque não pensava apenas em si mesma desde… ela sequer lembrava.
— Quero ele longe de mim — disse, sentindo aquilo vindo do fundo do seu coração.
— Mais o que? — perguntou, acariciando o rosto dela com calma.
O lance de saber o que queria era engraçado, porque ela estava percebendo que queria várias coisas. Uma delas, era beijar de novo.
Mesmo incerta e hesitante, porque naquele momento não estava confiando nem na própria sombra, ela se colocou na ponta dos pés e passou a ponta do nariz pela do homem em um gesto doce.
Ele fechou os olhos e soltou o ar por entre seus lábios, e passou o nariz de volta pelo dela, chegando mais perto e fazendo quase que suas bocas se tocarem, mas afastou de forma bem sutil, em uma provocação leve.
Os dedos de foram até a nuca de , afagando seus fios quando cessou a distância e selou seus lábios, bem de leve a princípio, não em um ato sexual, mas muito mais em carinho.
Aquilo fez o polegar do garoto se arrastar de forma suave pela pele úmida dela, apertando mais seus lábios, e os deslizando de leve para baixo, e beijando o inferior, antes de os abrir lentamente e deixar sua língua pedir espaço.
imitou seu gesto, entreabrindo os lábios para que a língua de tomasse espaço, soltando um suspiro assim que a sentiu. Suas unhas arranharam de leve a nuca dele, e ela arriscou mais um passo à frente, ainda na ponta dos pés, desejando continuar com aquilo muito mais do que estava admitindo.
Seu corpo ainda estava trêmulo pelo susto e todas as outras coisas que causou, mas, ao mesmo tempo, uma nova sensação quente e boa vinham como ondas calmas com os lábios de sobre os seus. O que era estranho, porque uma pessoa que ela mal conhecia não podia causar isso nela.
Ele segurou a cintura de com a outra mão, e a puxou para perto, fazendo seu corpo juntar ao dele, enquanto o garoto ia dando uns passos a cegas até encostar o quadril dela na beirada da pia. Seus lábios passavam devagar e de forma intensa nos da garota, a beijando com desejo e vontade. Sua respiração estava leve e suave, ele não se preocupava com nada, literalmente, apenas estava apreciando aqueles lábios macios, que estavam passando pelos seus na mesma intensidade com que ele a beijava.
arfou, inclinando um pouco o tronco para trás quando praticamente estava vindo mais em sua direção. As mãos de passaram então a acariciar os braços fortes e bem definidos de , o puxando para mais perto, querendo que ele a tocasse.
Aquele pedido foi como uma ordem, pois ele a pegou pelas coxas e a colocou sentada sobre a pia, a beijando com mais pressão agora enquanto suas mãos firmes passam por suas coxas, as apertando, e puxando para si, sem parar de tocar seus lábios. A respiração dele foi ficando ligeiramente mais pesada por estar ficando excitado com a situação que estavam, com os gritos de chamando por . Aquilo quase fazia rir de tão irônico que era.
tentava acompanhar as ações de , mas a verdade era que, desde o primeiro momento, se via perdida em como ele a pegava, de forma tão segura e cheia de atitude.
— … — sussurrou entre seus lábios, não sabendo se era um gemido para ele continuar ou parar; já que; além de tudo, não usava nada por baixo da saia e já estava aberta para ele de novo.
— — murmurou de volta, mordendo o lábio dela em seguida, e puxando.
— A gente… não deveria. Não aqui — falou de forma curta, sem nem saber direito do que se tratava, já que era difícil pensar com tão perto.
— O que? Não estamos fazendo nada… — rebateu em provocação, descendo seus lábios sujos de batom pela pele do queixo e pescoço, beijando com pressão bem em cima da veia que pulsava.
mordeu o lábio inferior com isso, mas jogou a cabeça para trás dando mais espaço para que o homem continuasse a tocando daquela forma tão gostosa, que tirava suspiros e gemidos baixos dela.
— Merda… — ela suspirou um grunhido, completamente entregue.
Parecia que seu corpo não queria obedecer, muito menos sua cabeça, que quase entrava em estado de pane com os toques de .
— Quer que eu pare de te beijar? — ele perguntou, passando a ponta da língua pela lateral do pescoço dela, indo para a curva dele, onde a pele estava exposta por conta da fantasia.
— Não, por favor — a resposta de veio quase de imediato, e ela negou com a cabeça só para dar ênfase.
Suas pernas se fecharam ao redor do homem, o prendendo em si, assim como fez na cozinha dele, e ela praticamente estava se oferecendo para que continuasse a beijando, se inclinando mais para ele.
Aquilo o fez sorrir contra a pele da garota, ficando ainda mais excitado com daquele jeito. Suas mãos subiram por suas coxas, entrando embaixo da saia dela, e sem ligar para mais nada, levou seus dedos até a boceta da garota, querendo sentir como ela estava naquele momento com tudo aquilo, se apenas ele estava com tesão por causa da situação.
Não deveria, mas estava ficando completamente molhada. Era vergonhoso ela se sentir assim apenas com os lábios de , parecia uma adolescente no auge da puberdade que não conseguia se controlar. Mas a verdade foi que sua boceta inteira se contraiu no momento em que ele a pegou e a sentou na pia.
Ao sentir aquilo, soltou um gemido em aprovação e seu indicador deslizou para dentro dela sem o menor aviso, sentindo o quão quente, molhada e apertada estava. A garota arqueou as costas e abriu a boca em um gemido mudo, vincando as sobrancelhas em surpresa e prazer.
Ele arfou e negou de leve com a cabeça, em desejo e tesão, mordendo de leve o ombro dela, e lambendo em seguida, tirando de um gemido manhoso, baixo e arrastado, seguido de um remexer leve do seu quadril.
Era fácil demais entrar na aura de , porque em um minuto eles estavam em um banheiro, com berrando de um lado, o dono do parque do outro e a polícia a caminho; e, como um interruptor, tinha mudado todo o ambiente para , e ela já não estava mais se importando com nada daquilo.
Sentir como ela estava, o fez começar a estocá-la com seu dedo, mas o tirou apenas para lambuzar aquela boceta, e deixar seu clítoris meladinho, então voltou a penetrá-la ao passo que agora seu polegar esfregava aquele ponto sensível e prazeroso.
— Você só vai sair daqui depois que gozar bem gostosinho na minha mão — sussurrou no ouvido dela, mordendo o lóbulo em seguida. — E ficar bem relaxada.
A mulher ofegou, quase engasgando, o corpo inteiro se arrepiando em puro deleite, se entregando a da forma mais crua que conseguia, arrastando mais o quadril para que sua boceta se aproximasse ainda mais da mão do garoto. Ela já estava arfando, umedecendo os lábios secos e gemendo manhosa, completamente entregue e perdida, pendendo a cabeça para trás de olhos fechados, concentrada no prazer que estava irradiando dentro de si e tomando espaço, a consumindo de um jeito que sequer conseguia colocar em palavras.
sorriu deliciado contra o pescoço de , fazendo movimentos rápidos com a mão, sabendo que apesar de adorar fazer aquilo com mais calma, eles não tinham muito tempo antes que alguém fosse até o banheiro e batesse na porta. Então ele a fodia rápido, mas esfregando com o indicador o ponto de prazer dentro daquela boceta, enquanto seu polegar fazia o outro trabalho rápido com aquele clitóris macio, que só de pensar nele, o queria colocar na boca novamente.
— ! — gemeu um pouco mais alto, puxando o ar com força para dentro dos seus pulmões, sendo atingida por um prazer rápido e avassalador.
O duplo estímulo a fazia revirar os olhos e morder o lábio inferior em puro deleite, rebolando de leve na mão de , completamente tomada pelo que ele estava fazendo ela sentir. E talvez fosse o ambiente, ou a possibilidade de que alguém chegasse a qualquer momento, mas estava muito mais excitada agora, ao ponto de que sentia sua boceta contrair ao redor do dedo do homem, assim como seu clitóris estava pulsando.
Suas mãos trêmulas foram até o rosto de , e ela o segurou pelas bochechas, iniciando um beijo lento que contrastava com o que ele fazia no meio de suas pernas.
Os lábios dele abocanharam o da garota, sendo profundo no beijo, se concentrando para sua mão não ir mais forte e acabar machucando ela sem querer. Porra, ele estava muito excitado, seu pau estava duro e apertado dentro da jardineira que ele vestia, marcando visivelmente na roupa. Ele arfou contra o beijo, lambendo o céu da boca de , e mordiscando o lábio superior dela, sem parar nenhum momento de mover seus dedos naquela boceta que ficava cada vez mais quente e molhada.
estava perdida, completa e inteiramente perdida no que aquele homem era capaz de fazer ela sentir. O primeiro indício de que estava prestes a gozar foi suas pernas começarem a tremer; o segundo foi a respiração da garota ficar completamente rarefeita, e o terceiro, claro, foi sua pele ficando cada vez mais quente e rubra — principalmente as bochechas e o pescoço.
Não que precisasse de um aviso prévio, mas se contraiu inteira no dedo de , e jogou a cabeça para trás, se entregando ao orgasmo que veio tão forte que ela até se sentiu momentaneamente tonta, deixando seu corpo ir para trás, se encostando entre o azulejo gelado e o espelho.
— Porra, que delícia — sussurrou, movendo agora o seu dedo mais devagar dentro dela, sentindo o quão apertada ela tinha ficado agora. — Boa garota… — lambeu o pescoço dela até chegar em sua orelha. — Você fica tão gostosinha assim — confessou, beijando a sua pele, e suspirando.
ainda gemia, agora de forma completamente manhosa e arrastada, seu corpo ia dando leves tremores por continuar a estimulando, mesmo que de forma mais lenta agora.
— Você não… — Ela tentou falar, mesmo sem conseguir pensar direito. — Você não quer…?
queria saber por qual motivo não tinha transado ainda com ela, já que era nítido que ele estava afetado também.
— O que? — perguntou, sorrindo de leve e lambendo o contorno da cartilagem dela. — Te foder?
Óbvio que a escolha de palavras de tirou da garota um resmungo baixinho, porque o que não conseguia falar, o homem parecia disposto a anunciar até em cima de uma caixa de som, de tão direto.
— Sim — respondeu baixinho, ainda de olhos fechados, aproveitando os últimos resquícios do seu orgasmo.
— Óbvio que eu quero, mas não vou fazer isso agora — explicou, rindo fraco. — Você está muito gulosa.
Ela riu meio descrente, e limpou o suor que escorria pela lateral do seu rosto, abrindo os olhos para fitar o rosto de . Não falou nada, apenas fez isso em silêncio por um momento, e o garoto sustentou o olhar.
Seu indicador saiu da boceta de , e veio até os lábios dele, o lambendo enquanto a encarava bem de pertinho, notando a coloração que as bochechas dela iam ganhando por conta disso.
Até que uma batida na porta chamou a atenção da garota, que olhou para o lado e até prendeu a respiração por isso.
— Tem certeza de que ela está aqui, Calton? — Era uma voz grossa e masculina do outro lado.
— Está ocupado — respondeu tranquilamente, ainda encarando de forma intensa, e fez sinal para ela ficar quieta, mas lambeu o próprio indicador que ainda estava melado.
Nem se quisesse falaria alguma coisa, ou emitira qualquer som que denunciasse que estava no banheiro com o garoto. Porém, não podia negar de que aquela cena foi estupidamente sexy de ver tão de perto e que, outra vez, estava fodendo com sua cabeça. tinha quase certeza de que não sairia muito bem depois que se cansasse de brincar com ela, porque claramente aquilo estava a afetando demais.
Ela desceu o olhar para o dedo de , aquele que ele lambia e estava em sua boceta segundos atrás e delicadamente puxou até estar rente de seus lábios, lambendo de leve a ponta do indicador, tentando manter o contato visual que ela mesma tinha começado.
então esfregou o dedo nos lábios dela lentamente, e puxou o inferior. Então chegou mais perto e a beijou com vontade, soltando o ar e a pegando com força, puxando seu quadril para si. Mas não demorou muito, porque Calton quem bateu na porta.
— , a está contigo? — o dono do parque perguntou, desconfiado.
rompeu o beijo e rolou os olhos, levemente irritado por estar sendo interrompido.
— Sim, ela não está se sentindo muito bem. A gente já sai — avisou, soando o mais calmo e tranquilo possível.
— Ok, a polícia já chegou. Estão apurando a gravação, mas precisam falar com a — falou, para que ele soubesse o que estava acontecendo.
— Ok, ela já vai — concordou, e agora precisou se afastar de . — Acho que você vai precisar se limpar… — comentou, segurando o riso, e indicou o rosto dela que estava todo sujo de batom.
— Você também — sussurrou, vendo que também estava manchado de batom por todos os lados.
Com cuidado, deu um pulinho da pia e se virou, arregalando os com o estado em que estava. Pelo reflexo ela fitou e retraiu os lábios, se perguntando que desculpa daria para o estado em que estavam.
Não deu outra, abriu a torneira e molhou todo o seu rosto, pegando um pouco do sabonete líquido e ensaboando toda a sua pele. Ela fez esse processo algumas vezes até se livrar completamente da maquiagem que usava, e também da marca manchada do batom, porém agora, sem qualquer camuflagem, era bem nítido como sua bochecha estava marcada pelo tapa que deu.
— Lava o rosto também — pediu para , dando um passo para o lado.
— Poxa, queria sair assim — comentou manhoso, mas deu um sorriso malicioso em seguida.
Ele se aproximou da pia e lavou seu rosto com sabonete e depois secou com papel toalha, tirando qualquer resquício que houvesse daquele batom vermelho. Então se virou para , e a puxou pela cintura, beijando os lábios dela novamente.
Não existia mais qualquer resquício em que a dizia para lutar contra a proximidade de , ou como ele a tocava, por isso que os braços finos dela apenas rodearam seu pescoço, retribuindo o beijo. Mas não aprofundou, porque já tinha escutado que estavam procurando por ela. Empurrou de leve pelo peito e colocou uma distância segura entre os dois, já se virando para abrir a porta, caso contrário tinha a impressão de que o garoto não a deixaria sair — e ela não iria se opor a isso. Porém, antes dela sair, deu um tapinha na bunda dela, só para provocar.
— Desculpa, eu precisava de um momento — avisou aos dois homens que olhavam para ela agora, mas a garota estava de cabeça baixa.
— Tudo bem. Poderia nos acompanhar até o escritório? — Calton pediu, e olhou para que estava saindo logo atrás de .
O homem não era burro, ele já tinha se tocado que tinha alguma coisa acontecendo entre e , e ver os dois saindo juntos do banheiro, e a menina sem qualquer resquício de maquiagem, e o rosto levemente avermelhado do seu funcionário, foi o suficiente para ter certeza de que os dois estavam se pegando.
assentiu e, ainda de cabeça baixa — agora muito mais por vergonha de encarar os dois homens depois do que tinha feito no banheiro com — , seguiu para o escritório onde estava antes. Agora já não gritava mais ou batia contra a porta, estava estranhamente silencioso e quieto quando passou em frente onde sabia que o ex-namorado estava; e, ao passar por lá, mesmo que rapidamente, fez os pelos do braço de se arrepiarem.
Assim que chegaram na sala, no entanto, não quis se sentar, e continuou de pé, mesmo que Calton sinalizasse o sofá e a poltrona — mas estava molhada demais e sem nenhuma peça íntima, sabia que no momento que levantasse, deixaria bastante claro sua lubrificação.
passou o polegar pelo lábio inferior tentando disfarçar o riso que queria sair por causa daquilo, mas seu olhar foi até , e precisou morder a pontinha de sua língua para não sorrir maldoso. Ele sabia muito bem o motivo que a garota não queria se sentar, e sinceramente, a ideia de que ela ainda estava bem molhadinha o satisfazia demais. Então, apenas se sentou no sofá, perto dela, e ficou calado.
— , você quer dizer algo para os policiais, conta o que aconteceu? — Calton perguntou, olhando com atenção para a menina.
— Eu… — Ela pigarreou, olhando para o policial, depois Calton e por último .
sustentou seu olhar de forma calma, deixando claro que ela deveria falar apenas o que desejava, e que ninguém ali estava a obrigando fazer nada contra sua vontade.
engoliu em seco e cerrou as pálpebras por um segundo, estava ponderando, porque sabia que no momento em que realmente formalizasse a denúncia, seus pais e seus amigos basicamente a julgariam para sempre.
— Ele me bateu — sussurrou, então abriu os olhos fitando o policial. — me bateu hoje, e ontem… — Suas mãos trêmulas foram até a manga longa da fantasia, subindo até perto do cotovelo. — Ontem ele fez isso comigo também.
— Certo. — Uma policial mulher se aproximou dela e segurou seu braço com cuidado, e depois olhou em seu rosto. — Você vai precisar passar por um exame se for seguir com a denúncia. Pode nos acompanhar até a delegacia?
Os olhos de se sobressaltam.
— Preciso trocar de roupa — murmurou. Ou colocar uma calcinha pelo menos, sua mente adicionou, a lembrando de que além de estar sem a peça íntima, para completar, estava toda molhada por causa de . — Só preciso de 10 minutos, e vou — garantiu, dando um passo para trás.
— Tudo bem. Precisa que alguém te acompanhe? — a mulher perguntou de forma preocupada.
— Não. Não precisa — Ela garantiu outra vez, e então se voltou para . — Está aberto lá?
— Não — disse, e levantou. — Vou lá contigo, e te espero. Pode ser?
Ela não respondeu, não verbalmente pelo menos. Apenas fez menção com o queixo depois que a policial deu a permissão para que ela saísse. abriu a porta, indo na frente, porém escutando os passos de bem atrás de si. Por sorte, o local que estava não era tão distante assim da casa de .
Ele a seguiu logo, alisando a mão pela cintura dela, e a conduzindo para onde deveria ir. Os olhos atentos do garoto, observando tudo o que conseguia, levando ela até o portão, destrancado e deixando que a garota passasse, e trancou novamente.
— Como está se sentindo? — perguntou para , andando ao lado dela agora, mas sem tocá-la, logo em seguida destrancando a porta de casa.
— Voltando a ficar assustada — confessou para , puxando a bandana da cabeça e começando a tirar as botas.
— Assustada com o que o pode fazer contigo? — ele se jogou no sofá, deitando e colocando o braço atrás de sua cabeça.
— Sim — afirmou, sentando na ponta do sofá, só para terminar de tirar o calçado e as meias. — Preciso de uma camisa emprestada, e da minha calcinha — A última parte ela falou baixo.
— Precisa? — Uma sobrancelha se levantou e ele passou a perna direita pela cintura dela, a prendendo no sofá. — E sobre o , ele é um babaca. Não deixe que ele entre na sua cabeça.
— Eu não vou sem calcinha para a delegacia, — murmurou. — Minha camisa está suja de sangue e rasgada; e você não tem ideia do que o é capaz. Nem eu tenho, na verdade, só sei que a família dele não deixa nada acontecer com ele — explicou, encarando o garoto.
— Vou pensar no seu caso… — deu um sorrisinho. — Bem, a família dele pode ter dinheiro, mas ainda assim ele vai ter um registro de agressão. Ele vai fazer o que contigo? Te trancar no quarto da casa dos pais dele?
retraiu os lábios e suspirou, desviando os olhos, não queria que visse que ela já tinha passado por algo similar.
— Vou tomar banho. — Mudou drasticamente de assunto.
— Tudo bem. Pode escolher a camisa que quiser no armário — avisou, apontando para o quarto dele.
não disse mais nada, deu um tapinha de leve na perna dele, para que a soltasse, já que ainda estava em sua cintura, ele apenas levantou a perna e deixou que a garota saísse.
Quando entrou no banheiro, ela terminou de se despir e tomou um banho rápido, não deixando de notar, depois que saiu do box e estava se enxugando, sua calcinha pendurada ali.
pensou em pegar de volta e usar para ir à delegacia, mas sinceramente, a ideia não lhe parecia nenhum pouco higiênica. Saiu enrolada na toalha, indo até perto do sofá e pegando a calça e o sutiã, dando uma breve olhada para antes de ir até o quarto onde ele apontou. O homem apenas a acompanhou com o olhar, vendo sua pele molhada e o quanto ela estava deliciosa enrolada em uma de suas toalhas. Precisou fechar os olhos e respirar fundo para não ir atrás dela.
seguiu para o quarto e deixou a porta encostada. A primeira coisa que fez foi ir até o armário que tinha mencionado. pegou um casaco de moletom azul marinho que achou lá e tinha o cheiro do perfume do homem, voltando até onde estava seu sutiã e o colocando antes da peça que pegou.
Só aquela roupa de dava basicamente como um vestido para , o que tirou um sorriso leve dela. Mas então ela olhou para a calça jeans e depois para as próprias pernas, mordendo o lábio inferior.
— Não vou sem nada por baixo — resmungou sozinha, indo novamente até o armário de . — Tudo bem, não é nada invasivo, ele me emprestou uma camisa, pode me emprestar uma cueca — ela ia murmurando, procurando onde estava a gaveta de cuecas do homem. — Aliás, ele me deve duas cuecas, já que me roubou duas calcinhas. Isso é reparação histórica de calcinhas — se explicava para o além, muito concentrada no que fazia.
Ela achou a gaveta, e puxou uma única peça, porém vincou as sobrancelhas quando viu uma caixa com a tampa parcialmente aberta.
Desde muito cedo aprendeu a não mexer no que era dos outros, e nem se intrometer na privacidade de ninguém, mas ela jurou ter visto a estampa da sua calcinha — a primeira que pegou — naquela caixa.
terminou de abrir a gaveta e pegou a caixa, terminando de tirar a tampa. Qualquer resquício de bom humor que tinha, mesmo diante de toda a merda que aconteceu, tinha acabado de ser enterrado.
Era simplesmente uma caixa repleta de calcinhas. De todos os tipos, tamanhos, modelos e cores. Suas orbes claras iam passando por cada peça que tinha ali, e de novo aquele mesmo embrulho atingiu seu estômago. Rapidamente ela fechou a caixa e a deixou onde e do mesmo jeito que encontrou, vestindo a cueca que pegou e depois a sua calça.
Quando saiu do quarto e foi deixar a toalha no banheiro, não conseguiu se segurar e acabou vomitando até seu estômago doer por não ter mais nada para expelir. Seu maxilar estava travado e, de novo, apertava as unhas contra a carne da palma da mão. Ela se limitou a lavar a boca e o rosto novamente, prendendo seus fios bagunçados em um coque depois que voltou até a sala para pegar o tênis que usava antes.
— Depois da delegacia eu vou voltar para o meu apartamento. Obrigada por hoje — murmurou para enquanto ia caçando rapidamente os seus tênis, mas não o olhou em nenhum momento.
— Ouvi você vomitando. O que está sentindo? — perguntou, se sentando no sofá, agora fumava um dos seus cigarros.
— Nada, vomito quando estou nervosa — explicou, o que era verdade em partes. — Desculpa se atrapalhei seu trabalho, de novo — pediu, se levantando em um pulo, praticamente correndo até a porta.
— Você não atrapalha — explicou, levantando atrás dela. — Tem certeza que quer ir para o seu apartamento depois? Está bem mesmo para ficar sozinha? — perguntou preocupado diante da situação.
Claro que, assim como de manhã, a porta estaria trancada outra vez. não era uma pessoa de sorte, já tinha percebido.
Só que ela não conseguia mais olhar para depois do que viu, não porque o garoto tinha feito qualquer tipo de promessa a ela, já que ele não fez, e ela bem sabia disso. Mas, porra, uma caixa cheia de calcinhas?
Ela era realmente a diversão da vez para ele e aquilo só comprovava tudo. Daqui uns dias a única lembrança de que teria eram suas peças íntimas que ele guardava junto às outras.
— Vou ficar bem. — Foi o que conseguiu responder diante das perguntas dele. — Pode abrir, por favor? — pediu.
— Como eu vou saber? — perguntou em um tom mais baixo, mas destrancou a porta para ela sair, e passou na frente. — Você está estranha. O que foi?
puxou as mangas do moletom do garoto até cobrir as próprias mãos e depois abraçou seu corpo, andando rápido para se livrar logo de . Ela não ia dizer o que achou, porque sabia que tinha sido errado da sua parte de mexer nas coisas dele, mas isso não queria dizer, no entanto, que tinha gostado do que viu; porque nem de longe ela gostou.
— Estou nervosa, — falou rapidamente, avistando o carro da polícia há alguns metros.
— Ok, entendi — rebateu, percebendo que ela tinha cismado com alguma coisa e não queria contar para ele, então não iria insistir mais.
ia andando e remoendo aquilo dentro de si, e não queria admitir, mas agora a única voz que vinha em sua mente era a de , e ela repetia sem parar, de novo e de novo, que a única coisa que os caras querem com as garotas é sexo.
Aquilo fez suas mãos se fecharem em punhos e ela soltou o ar com força, sabendo muito bem que naquele ponto, estava muito mais ferido do que o habitual, mas ela não se importou.
apenas destrancou o portão para que fosse embora, não esperava que ela fosse se despedir ou qualquer coisa do tipo, quando claramente sua linguagem corporal demonstrava o quanto arisca ela estava.
Antes de sair completamente, porque depois que fizesse isso ela não iria voltar a procurar por , ela se virou para ele, com um sorriso pequeno nos lábios.
— Eu peguei uma cueca emprestada sua, aliás — sussurrou, e a lufada de ar que soprou ao redor deles foi o suficiente para desfazer o seu coque. — Mas eu deveria ter pego uma calcinha, já que você tem muitas.
Aquilo o fez rir de leve, e um sorrisinho sujo se formou em seus lábios.
— Não toque em minha coleção, gatinha — pediu de forma doce. — Pode ficar com a cueca, não tem problema.
— Vai se foder, — disse irritada, se sentindo ainda mais idiota não só pela resposta dele, como também por seu comportamento e até mesmo orgulho que parecia ter.
Ela não esperou uma resposta, só saiu andando, mas segurou o pulso dela de forma suave, não queria assustar ou machucar ela sem querer.
— Hm, posso pelo menos entender o motivo de você está tão irritada assim comigo?
Ele realmente não entendeu muito bem o motivo da raiva, porque o fato de ter mais calcinhas não deveria ser surpresa para , afinal, ele tinha pegado duas dela.
— Porque… — ela parou, notando que qualquer explicação que desse soaria ainda mais idiota e inocente de sua parte, e sinceramente, estava tão cansada de ser assim. — Não interessa. Você já tem as calcinhas de para completar sua coleção nojenta, pode passar para a próxima — grunhiu, se soltando dele.
Mas ela fez isso com tanta hesitação e medo, que foi uma atitude até devagar.
— Está me dizendo que tudo bem alguém te tratar que nem lixo, você aceita de boa, provavelmente até gosta, mas se alguém te tratar bem, ela tem que deixar todo o passado para trás para ser perfeito, porque se tiver algo que não goste, essa pessoa se torna o lixo. Entendi — disse, e deixou seus dedos deslizarem pela pele do pulso de . — Boa sorte com o — desejou, e se virou para trancar o portão.
— Por que você continua insinuando que eu gosto da forma como o me tratava? — perguntou completamente ofendida agora. — E não, eu não quero que você deixe seu passado, ou o que quer que fazia ou faz, ou… sei lá o quê — fez uma careta. — Deixa para lá, , você está completamente certo. Em tudo o que pensa de mim. Todo mundo está. Aliás, acho até que vou pedir para soltarem o agora, porque eu também gosto de apanhar, não é? — resmungou, se virando e deixando ele para trás.
— Faça o que você quiser, . A vida é sua. Eu não tenho que te dizer o que deve ou não fazer — rebateu, terminando de trancar o portão e pegando a máscara que estava no bolso, a colocando. — Sabe onde estou o tempo todo, qualquer coisa aparece por aqui.
Ela riu descrente, de si, da situação, da porra toda, mas continuou seguindo para onde Calton e os policiais estavam esperando. Óbvio que no caminho algumas lágrimas caíram por seu seu rosto, ela estava se sentindo idiota demais por ter caído no papinho de mais um cara que no final, não valia nada.
Agora, no entanto, dois carros de polícia estavam parados na porta do escritório de Calton, ao invés de um, e antes mesmo de entrar, ela viu saindo algemado e com dois policiais ao seu encalço.
— Graças a Deus, amor! — Ele sorriu para ela, tentando avançar em sua direção, mas vincou as sobrancelhas quando viu que recuou dois passos. — Diz pra esses malucos que eu não fiz nada — praticamente rosnou aquilo, estreitando os olhos de leve.
Não passou despercebido por ele que ela estava usando uma camisa masculina.
— , diz pra eles. Anda! — repetiu, tentando avançar em direção a garota.
O que, claro, não aconteceu. Os policiais seguraram o rapaz, o empurrando na direção contrária a , que se abraçou de novo e virou o rosto, desejando não assistir àquela cena. Óbvio que voltou a gritar e espernear por , querendo se soltar enquanto pedia para que ela desmentisse tudo.
— Vem, querida, você vai comigo. — A mulher que estava na sala junto dela antes apareceu e tocou de leve em seu ombro.
assentiu, mas esquivou de seu toque, dando passos apertados até o outro carro. A mais velha não disse nada, apenas suspirou com aquilo, já que tinha uma filha um pouco mais nova que e não imaginava o que faria caso algo similar acontecesse com ela.
O caminho até a delegacia foi silencioso, e, mesmo se odiando por isso, pensou em por toda a merda do caminho, inclusive no momento em que estava fazendo a denúncia e também passando pelo exame de corpo e delito.
Porém, como todo castigo era pouco para , fazia três dias que ela estava passando mal sem parar, mal conseguia manter qualquer tipo de comida no estômago que já vomitava, fora a indisposição que sentia, e o cansaço. Mesmo odiando ir em hospitais, ela tomou um banho e foi — de uber, já que não tinha carro, ou sabia dirigir.
Quando chegou na recepção, logo foi atendida e encaminhada para a sala de espera, porque aparentemente estar há dias só vomitando e sem comer não era importante o suficiente para que passasse como prioridade; teria que esperar como qualquer mortal insignificante.
se arrastou até a sala de espera, se sentando de qualquer jeito em uma das poltronas e fechou os olhos, desejando que seu nome fosse chamado rápido para que voltasse e se deitasse, pois aquilo era a única coisa que seu corpo queria: cama.
Até que eVoss passou pela porta com Amber em seus braços, e a garota parecia estar desmaiada, e Jackson logo estava atrás deles, dando entrada no registro da menina. Logo um enfermeiro apareceu com uma maca, a qual foi colocada e levada para a sala de emergência. Quando se virou, avistou ali. Então se aproximou dela no mesmo instante, preocupado, especialmente pela aparência abatida dela.
— Está tudo bem? — como sempre foi direto.
nem precisou abrir os olhos, porque reconheceu a voz de de imediato.
— Não — respondeu em baixo tom, e só depois que teve coragem para encarar o garoto. — E você? O que faz no hospital? — Teve que perguntar, já que para sua irritação ficar maior, ele continuava lindo.
— O que você tem? — Se abaixou na frente dela para a garota não ter que olhar para cima. — A palhaça da Amber foi testar o La Bamba com o Jackson, e ele exagerou. Ela escorregou e bateu com a cabeça. Desmaiou.
Se estivesse se sentindo bem, com certeza levantaria para procurar por Amber, afinal, ela tinha a ajudado com o lance do no parque. Mas se sentia fraca, então só assentiu de leve.
— Espero que ela fique bem — desejou. — Acho que comi alguma coisa que não me fez bem, ou é uma virose, eu não sei.
De forma automática a mão de foi até o rosto de para sentir a temperatura dela.
— Bem, não está com febre agora — comentou, sorrindo de leve. — Veio sozinha?
— Eu não tive febre — contou a ele, olhando em direção a sua mão. — Meus pais não estão muito na vibe de falar comigo, e eu descobri que não tenho amigos, então… sim, vim sozinha.
Era difícil querer sentir raiva de uma pessoa, quando essa pessoa em questão não fazia nada para que aquele sentimento fosse nutrido. era um desgraçado por isso.
Ele retraiu os lábios de leve, e assentiu. Afinal, já imaginava que algo do tipo aconteceria se ela seguisse com a denúncia ao .
— Quer que eu fique aqui? A Amber provavelmente vai fazer alguns exames e deve demorar — contou, fazendo uma careta sutil.
— Pode ser — deu de ombros, abraçando a bolsa em seu colo.
— A propósito, o casaco ficou ótimo em você. Ele é bem fofinho, né? — disse, se sentando ao lado dela ao notar que estava usando o moletom dele.
Se não estivesse tão fraca, com certeza ficaria vermelha, mas ela se limitou a rolar os olhos, virando o rosto na direção contrária em que estava, em um tipo de birra mal sucedida.
— Em minha defesa, não sabia que ia te encontrar aqui — murmurou para ele, como se aquilo fosse explicação o suficiente para que ela fosse pega usando sua roupa.
— E o que tem? Pode usar — respondeu, dando de ombros. — Eu não me importo com um casaco, .
Ela não respondeu, só respirou fundo e sentiu com tudo o cheiro do perfume dele. O que antes a faria suspirar, agora a deixou altamente enjoada. O rosto de se torceu e rapidamente procurou pelo banheiro mais próximo, visualizando uma placa que sinalizava não muito distante de onde estava. deixou a bolsa com e praticamente correu para o banheiro, se enfiando na pequena cabine e vomitando outra vez. Estava começando a suar frio de novo, e seus pêlos, de tempos em tempos, se eriçavam. Jogou um pouco de água na boca quando viu que não vomitaria mais, e também em seu rosto, retomando para a sala de espera outra vez.
— Chamaram meu nome? — questionou a , se sentando ao seu lado.
— Sim. — Olhou para ela e se levantou. — Vem. Precisa de ajuda? — Passou a alça da bolsa dela pelo ombro, e lhe estendeu a mão.
Ela aceitou a mão de , sentindo que dificilmente conseguiria se colocar de pé depois que se sentou alí. Seus dedos frios entraram em um pequeno choque térmico com a pele quente do garoto e ela grunhiu de leve por isso, ficando de pé.
Os dois foram até a parte da triagem, onde uma senhorinha de uns cinquenta e tantos anos escrevia algo em sua agenda.
— ? — perguntou para ela.
— Sim — respondeu e deu um leve sorriso para a mulher.
— E você é? — Olhou para , que apenas ajudou a se aproximar..
— Meu acompanhante — prontamente respondeu.
— Claro… Claro… Sentem por favor — A enfermeira apontou para as duas cadeiras. — O que você está sentindo, ?
— Tontura, enjoo constante e tudo estou vomitando. Fora, é claro, a fadiga e a indisposição. — Enumerou, porque sentiu tanto aquilo dentro daqueles dias que nem precisava parar para pensar.
— Hm… Teve febre? Ou diarréia? — A senhorinha perguntou, olhando para o prontuário digital da garota.
— Não, só esses sintomas que falei para a senhora — garantiu.
— Sua menstruação está atrasada, ? — Agora a voz da mulher tinha uma segunda sugestão no ar.
soltou um pequeno riso pelo nariz, mas tentou disfarçar, então colocou uma mão sobre a boca e limpou a garganta de leve, tentando se manter sério com o que já tinha sacado, e era algo bem óbvio.
vincou as sobrancelhas e depois arregalou de leve os olhos, fazendo as contas mentalmente, porque realmente não tinha prestado atenção naquele pequeno detalhe, mas percebeu a risadinha de e o olhou feio.
— Quinze dias — sussurrou. — Estou atrasada quinze dias.
— Você quer que eu te encaminhe para algum médico solicitar exame de sangue? — questionou a enfermeira para ela.
negou prontamente, não por estar em negação, mas porque sabia que um simples exame de sangue custariam um rim seu e não estava em condições de custear aquilo agora.
— Não obrigada — frisou, levantando rapidamente, puxando a mão de consigo para saírem daquela sala.
Ele sequer falou alguma coisa, apenas foi seguindo para onde quer que seja.
— Eu vou em uma farmácia. Um teste de gravidez não custa nem cinco pratas — resmungou baixinho, andando apressada, deixando para trás.
Tinha visto uma farmácia bem de frente ao hospital, e foi para lá que ela foi, pegando não só um, como seis testes de uma única vez e passando no caixa. Só de pensar em realmente estar grávida de , aquilo embrulhava seu estômago.
Ela nem sequer prestou atenção se continuava atrás dela ou qualquer coisa do tipo, depois que pagou por aquilo se enfiou em um dos banheiros do estabelecimento, abrindo todos os testes e seguindo à risca cada etapa.
Claro que desejar muito uma coisa, nem todas as vezes, a faria se tornar realidade, porque cinco minutos depois, quando o cronômetro do celular de sinalizou o tempo necessário que os testes pediam, todos os seis apresentaram dois pontinhos.
Positivo.
estava grávida. E o pai era simplesmente .
Perceber aquilo embrulhou seu estômago outra vez e ela vomitou, nem se dando conta de que não tinha mais nada para colocar para fora, já que tudo o que comeu durante o dia. Lavou a boca outra vez, criando toda a coragem do mundo para sair daquele banheiro e enfrentar um novo problema em sua vida: estar gerando um mini .
Nossa, só de pensar naquilo ela se arrepiava inteira, porque nunca se viu querendo ser mãe, não de um filho de um cara que bateu nela, pelo menos.
— ? — bateu na porta preocupado.
Ele não tinha ido embora, o tempo todo ficou ao lado da garota, esperando e observando. De primeiro momento quando estavam na sala da médica até achou engraçado a suposição, mas ver o quanto que ficou nervosa com tudo aquilo, realmente o deixou preocupado, desaparecendo qualquer resquício de graça daquela situação.
olhou em direção a porta e passou a mão pelo rosto, limpando as lágrimas. Jogou tudo no lixo e lavou as mãos, não precisava mostrar os resultados para ninguém. Ninguém ficaria feliz com uma notícia dessas.
Ela saiu do banheiro e encarou respirando fundo.
— Positivo — contou para ele, e seus olhos vermelhos encheram de lágrimas.
Ele uniu as sobrancelhas e respirou fundo.
— Sinto muito — falou em um tom baixo. — O que você vai fazer agora?
se abraçou, querendo muito ser consolada agora.
— Vou voltar para o hospital — disse, fitando por um momento, de forma intensa.
— Ok, eu vou contigo.
Ele chegou mais perto, com cautela, por não saber se podia mesmo se aproximar, e segurou de leve o cotovelo dela, a puxando para si.
No momento em que a puxou, a garota praticamente se jogou em seus braços, passando os braços por suas costas e apertando os dedos na camisa dele.
— Isso realmente não pode estar acontecendo — choramingou, fungando de leve.
afagou suas costas de forma gentil, a abraçando com mais força e encostou o queixo no topo de sua cabeça.
— Você pode simplesmente não ter — comentou baixinho como se fosse a solução para os problemas de .
— Por que você acha que eu vou voltar para o hospital? — questionou, se aconchegando melhor no peito do homem.
Deus, não queria admitir, mas durante todos aqueles dias, sentiu mais falta de do que de qualquer outra pessoa, incluindo o do seu ex-namorado de anos.
O garoto não falou nada, porque ele tinha entendido que era melhor ficar calado naquela situação. Primeiro; ele não era nem namorado de para opinar em algo. Segundo; não eram nem sequer amigos. Terceiro; também não era pai da criança. Então, apenas ficou abraçado com ela, esperando que se soltasse quando estivesse melhor, e voltasse para o hospital.
Cinco minutos foi o tempo que precisou para se sentir pronta para voltar ao hospital. Lentamente ela se soltou de , mas acabou não o soltando completamente, já que entrelaçou seus dedos frios aos dele, apertando de leve enquanto fazia o mesmo trajeto de volta.
Quando passou pela recepção outra vez, a mulher a fitou meio desconfiada, já que não fazia nem uma hora que a mesma garota tinha ido ali. assinou um termo de responsabilidade e também preencheu um formulário com algumas informações importantes, como o tempo de gestação, que deveria ser de mais ou menos 2 semanas, ou menos.
Agora, no entanto, seu encaminhamento foi direto para a área de obstetrícia.
— Você não precisa ir comigo se não quiser — sussurrou, olhando para , já que a recepcionista entregou a ele uma pulseira de acompanhante.
— Relaxa. Eu só vou falar com o Jackson para ver se como a Amber estar — avisou, e se afastou de .
realmente não estava se importando de estar ali, ele já tinha percebido que a merda ia estourar antes mesmo de acontecer. era tudo o que tinha, assim como todo o resto de sua vida que era ligada a ele, então, quando ela deu um fim nisso, tudo foi junto. Ele não ia virar as costas para sem motivo algum, sabia que ela tinha ficado irritada com o lance da caixa com as calcinhas, mas não ligava, até porque, não ia se desfazer de uma parada dele porque não gostou.
Então foi até seu amigo que estava na sala de espera e perguntou se tinha alguma notícia de Amber, e ele apenas disse que estavam fazendo uns exames nela, e que ficaria ali esperando. explicou apenas que não estava bem, e que estava ajudando ela, que qualquer coisa podia mandar mensagem. E voltou até a garota, parando na sua frente.
— Amber ainda está fazendo os exames — contou, e colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha de .
realmente não acreditou que iria voltar, para ser bem sincera. Achou que o garoto tinha dado uma desculpinha só para não dizer tão na cara que não queria lidar com aquela merda.
E estava tudo bem, realmente não tinha qualquer tipo de obrigação com a garota. Por isso que ela foi para a sala de espera novamente, e colocou seus fones para tentar ficar menos nervosa.
Na playlist dela, tocava A Little Death do The Neighbourhood e, de olhos fechados, ela ia deixando a letra da música preencher sua mente, se identificando com cada parte da melodia. Era uma merda se identificar com aquilo, ainda mais porque quando abriu os olhos, ela deu de cara com o motivo de sua confusão emocional.
Ela piscou, tirando um dos fones e encarou assentindo lentamente.
— Achei que não fosse voltar — confessou em total sinceridade para ele.
— E por que eu não iria voltar? — Questionou, erguendo uma sobrancelha e se sentou ao lado dela.
estava com um tique em sua perna, e olhou para , mordendo o interior da bochecha.
— Porque isso não é um problema seu — respondeu com certa obviedade, apertando as unhas na palma da mão.
— E por que caralhos eu te negaria ajuda, quando ofereci e você aceitou? Isso não é sobre mim, — disse com calma, e sentou do lado dela.
— Eu não sei — levantou de leve os ombros, balançando a perna e então fungou de leve. — foi solto hoje — comentou, dando uma risadinha triste, e então tirou o celular do bolso e abriu na conversa de número novo cheio de áudios de .
— Ah, imaginei que ele não ficaria preso por muito tempo. Achei que não ia durar nenhum dia — confessou, fazendo uma careta e olhando para o celular de . — Ele te ameaçou?
— Não sei, não abri os áudios — admitiu, e então bloqueou o aparelho de novo. — Vou saber no momento em que ele aparecer no meu apartamento, porque ele vai. — Deu uma risadinha triste.
olhou para a tela que estava chamando os pacientes, desejando que seu nome fosse o próximo e pudesse ir embora de uma vez.
— Se quiser pode ficar lá no parque — ofereceu simplesmente. — Não acho uma boa ideia te deixar sozinha passando mal com o psicopata do querendo te ver.
Ela olhou para as mãos que estavam em seu colo e suspirou, sabendo que não tinha para onde ir e nem com quem se apoiar.
— Tudo bem — sussurrou e olhou para o perfil do garoto.
— . — Seu nome foi chamado pela enfermeira e ela retraiu os lábios, assentindo.
levantou e ajeitou os seus fios em um coque baixo, passando a mão pelo rosto. Foi até a enfermeira, não sabia muito bem como seria o procedimento, afinal, nunca tinha feito aquilo. Mas quando chegou perto da mulher, que olhou para trás, vendo se estava a acompanhando.
— Você entra sozinha, querida — A mulher informou em um tom doce. — Não vai demorar. Vamos fazer uma ultrassom em você, e então damos seguimento — informou, segurando uma prancheta com o prontuário da garota.
— Eu vou ficar por aqui… — avisou e soltou a mão dela. — Anota meu número, se precisar de alguma coisa, me manda mensagem.
Ela assentiu e anotou o contato de , como ele tinha sugerido e mandou um simples “oi” na frente dele mesmo, para que salvasse seu contato também.
Assim como na noite em que a levou no hospital, levou os dois em direção aos seus olhos e depois para o homem, rindo de leve. Estava nervosa, e queria se apegar em qualquer coisa que a acalmasse.
sorriu de leve e assentiu, então ficou esperando que ela entrasse para se afastar e sentar em algum lugar ou talvez até ir mesmo para o lado de fora fumar.
Sem ter mais como postergar o que precisava ser feito, entrou com a enfermeira para a parte interna. Não foi um procedimento rápido, ela precisou assinar mais um termo de responsabilidade, preencheu outro formulário com dados pessoais, respondeu algumas perguntas da enfermeira e também da assistente social para só então passar pela ultrassom que diria se ela estava realmente grávida.
Mesmo sabendo do resultado — afinal, tinha feito 6 testes e todos deram positivos —, quando viu o pequeno embrião — de apenas uma semana, pelo que a médica falou —, seus batimentos cardíacos se elevaram e aquela vontade de chorar horrível voltou de novo.
voltou com o resultado em mãos e agora a psicóloga do hospital falou com ela, era a última etapa para o procedimento, de fato, acontecer. E então, trinta minutos depois, lá estava em uma pequena sala — gelada demais, na opinião da garota — e sentou esperando que a enfermeira voltasse.
— Aqui, meu bem — A mulher que estava acompanhando ela desde o momento que foi chamada, voltou.
Suas mãos estavam enluvadas, e ela segurava dois copinhos de plástico, um com água e outro com dois comprimidos. Ela estendeu o copinho com as pílulas para .
— Você vai tomar o comprimido rosa agora, ele vai bloquear o hormônio da progesterona no seu organismo, é ele que é essencial para manter a gravidez — explicou com calma para , que olhava para o copinho com as pílulas e assentia.
pegou o comprimido e colocou em sua boca, tomando sem hesitar. Ela estava decidida, não iria continuar com a gravidez, não tinha a mínima condição de seguir com aquilo, não queria ter mais nenhum tipo de vínculo com .
— Você pode ter um leve sangramento, ou cólica, mas muitas das vezes não acontece nada, principalmente que você está bem no início — sorriu de forma doce para ela, e então apontou de novo para o copinho. — O outro, o amarelo, você toma em casa mesmo, vinte e quatro horas depois, então marque no seu relógio o horário para não perder. Esse segundo vai contrair o seu útero e expelir o conteúdo dele. Como aconteceria em um aborto expontâneo. Você tem alguém para ficar contigo amanhã? — quis saber, sentando ao lado de .
suspirou e negou de leve, até porque uma coisa era oferecer dela ficar no parque, outra, bem diferente, era ele deixar de trabalhar para ficar exclusivamente cuidando dela.
A enfermeira soltou um sorrisinho triste.
— Bom, então antes de tomar ele, deixe perto de você uma compressa quentinha, alguns analgésicos para dor e procure fazer o mínimo de esforço. Esse segundo comprimido costuma ser um pouco mais agressivo para nosso organismo, você pode sentir cólicas mais intensas, se tiver sangramento o fluxo será um pouco maior, com a presença de coágulos. Pode ter febre também, além de diarreia. Mas esses efeitos duram, no máximo, 6 horas após tomar ele.
O coração de ia batendo cada vez mais rápido diante das palavras da mulher, e ela se viu chorando outra vez, abraçando o próprio corpo.
— Está tudo bem, querida, você vai ficar bem, eu prometo — A enfermeira garantiu, afagando seus fios. — Se você achar que não vai conseguir aguentar sozinha, vou deixar meu número com você, amanhã não pago plantão e posso te encontrar — Ela, vendo o quão perdida e desolada parecia estar, prontamente se ofereceu.
— Obrigada — sussurrou, limpando o rosto, e a mulher acariciou seus fios outra vez.
— Eu preciso ir agora, mas volto daqui trinta minutinhos para ver como você está e então te libero, ok? — perguntou de um jeito materno.
fez que sim com a cabeça e se deitou na maca desconfortável. Ia continuar sentada, mas a mulher pediu para que deitasse, assim seria menos desconfortável caso começasse a sentir cólicas.
Em todo o momento, ela pensou em mandar mensagem para , mas em um impulso, apertou no ícone de chamada, esperando que ele atendesse.
Não demorou muito e ele atendeu logo no terceiro toque.
— Oi — falou do outro lado da linha.
— Eu vou sair daqui a pouco. Você ainda está me esperando? — quis saber, mordendo o polegar.
— Sim — respondeu de forma tranquila. — Como está se sentindo?
estava no carro fumando, esperando Amber, Jackson e . Não tinha muito o que fazer na recepção do hospital, e a cadeira era bem desconfortável.
Por algum motivo, saber que continuava ali, esperando que ela saísse — mesmo que não fosse só por conta dela, já que sabia que ele estava ali por conta de Amber também — a tirou um suspiro baixinho.
— Por enquanto estou bem — afirmou em baixo tom, tentando imaginar como estava. — Por que nunca fomos amigos, ? — Em um momento de curiosidade e coragem, ela perguntou. — Lembro de você na escola, lembro que andávamos com as mesmas pessoas, mas nunca nos falamos. Por que?
— Porque eu gostava de você, e sabia que nunca teria chance, e ter uma amizade iria só alimentar o que eu sentia. Então eu só fiquei na minha até isso acabar — confessou, tragando seu cigarro e encostando no banco, deixando seu corpo deslizar um pouco no estofado.
— Você gostava de… mim? — Havia tanta descrença na voz de que era até palpável.
A garota não conseguia entender, até porque sempre passou despercebida em tudo. Era algo natural dela querer se esquivar e se esconder dos holofotes, a prova era tanta que os poucos amigos que tinham continuado por perto depois da escola eram, na verdade, amigos do .
— Sim. Coisa de adolescente — respondeu, soltando a fumaça e levantando um ombro.
— Não consigo imaginar isso sendo como verdade em nenhum momento — sussurrou, olhando para o teto branco e sem vida da pequena sala onde estava. E mesmo por ligação, seu rosto estava tomando uma coloração rosada, quase vermelha.
— Tudo bem — disse, sem se importar muito se ela acreditava ou não, era verdade, e ele tinha sido sincero.
— Queria ser um pouco mais como você — confessou , se virando de lado e se encolhendo um pouco ao sentir a primeira pontada. Colíca, pensou.
— Como eu? O que eu faço, que você queria fazer? — Tinha ficado curioso em relação aquilo.
mordeu o lábio inferior e soltou o ar que estava preso em seus pulmões, fechando os olhos.
— Corajoso. — Foi o primeiro adjetivo que pensou ao ter a imagem de se projetando em sua mente.
Gostoso também, na verdade foi a primeira coisa que pensou, mas claro que não diria aquilo.
— Corajoso? Acho que é a primeira vez que alguém me fala isso — contou, dando uma pequena risada, e negando com a cabeça, levando o cigarro até seus lábios.
Se eles tivessem tido essa conversa quando tinham 17 anos, certamente não estaria acreditando. era a sua crush suprema na época, certamente por ser intocável.
— Sim, corajoso! — Ela sorriu tímida.
— Ok, mas coragem é algo mais relacionado com sua vontade. Fazer uma coisa mesmo que tenha consequências. Ela vem do enfrentamento dos medos — divagou, tragando seu cigarro e olhando através do parabrisa. — Talvez, eu não seja tão corajoso quanto pensa, ou eu teria te falado o que sentia quando tinha 17 anos, mesmo sabendo que você me rejeitaria.
— Só uma idiota te rejeitaria, . Eu traí meu namorado e fiquei com você — rolou os olhos, assumindo sua parcela de culpa.
— É, só que as circunstâncias são totalmente diferentes — rebateu, soltando o ar e a fumaça. — Eu não tinha a menor chance, o jeito que você olhava para o me enojava. Totalmente apaixonada. O que eu iria falar ou fazer?
realmente tinha um ponto muito importante e que era totalmente verdade, era cega por , sempre foi, na verdade.
— Bom, você tem chance agora — confessou, se dando conta só agora no que tinha acabado de dizer.
Foi impossível conter a careta que fez, e o tapa que deixou em sua própria testa por conta disso.
ficou em silêncio por alguns segundos, respirando de forma longa, e pensando sobre aquilo, e como responder. Ele sabia que qualquer palavra errada deixaria ainda pior, e a situação dela já não era agradável.
— Como eu disse, as circunstâncias são diferentes agora — falou em um tom mais baixo, dando uma última tragada em seu cigarro.
— A enfermeira voltou — falou baixo, olhando para o quarto vazio em que estava. — Preciso desligar — avisou e encerrou a chamada.
O garoto não protestou ou falou qualquer outra coisa, apenas colocou o celular sobre sua perna e jogou a guimba do cigarro fora, ainda pensando no que lhe falou, sobre ter uma chance agora. Ele não sentia mais a mesma coisa por ela tinha alguns anos. Foi uma paixão adolescente, que com o tempo foi perdendo a força, restando apenas o desejo. De qualquer forma era afim dela, mas era tesão. E outra, ele não se via com ninguém, nunca tinha namorado e não queria também.
Pelo tempo que restou e ficou sozinha até realmente a enfermeira voltar, ficou se perguntando o que droga tinha na cabeça para dizer uma coisas daquelas para . Claro que isso iria dizer ao garoto uma coisa que ela não queria que ele soubesse, porque era muita loucura e ela mesma admitia isso. Ela não via em qualquer abertura para o que sugeriu e se sentiu até mesmo idiota. Mais, no caso.
— Então, querida… Como se sente? — Agora a enfermeira realmente estava de volta, deixando o prontuário de de lado, indo até ela.
— Uma leve cólica, mas nada preocupante — respondeu sincera.
— Certo, então eu vou assinar sua alta e fazemos do jeito que conversamos mais cedo, tudo bem? — A mais velha perguntou com carinho.
só concordou, e cinco minutos depois estava saindo da pequena salinha onde ficou naquele momento. Carregava consigo alguns exames, uma receita médica para dor — caso sentisse —, a segunda etapa do procedimento que estava realizando.
Porém, ao chegar na sala de espera, a que estava antes e não achar o garoto, resolveu mandar uma mensagem.
“Acabei de sair. Você já foi?”
“Estou no estacionamento, sentado no carro”
olhou a resposta assim que chegou e bloqueou o celular, indo até onde disse estar, realmente o encontrando lá, até porque seu carro era bastante reconhecível.
entrou no veículo, no banco da frente, e se sentou com cuidado, abraçando o próprio corpo e se encostando no vidro da janela.
— Oi — o garoto disse mais baixo, ainda encostado com a cabeça no banco, e olhou para o lado, encarando o perfil de .
— Estou um caco — comentou, respirando fundo, muito mais para conseguir coragem para encarar do que qualquer outra coisa. — Amber não saiu ainda?
— Não, mas o Jack vai com a gente para o parque e depois voltar com o carro para poder levar Amber para casa depois — avisou, mas já avistou o amigo se aproximando do Skyline e entrando no banco de trás.
— Certo — murmurou, prendendo uma leve careta de dor com a pontada fina que sentiu.
— Você precisa comprar alguma medicação? — perguntou, fechando a porta do motorista e ajeitando o banco do carro.
— Sim, talvez eu vá precisar tomar alguns remédios amanhã — comentou, puxando o papel com a receita, que até esqueceu que teria que comprar. — Naquela farmácia deve ter — murmurou, tirando novamente o cinto para ir lá. — Já volto.
— Ok — respondeu, e olhou ela sair.
Quando estavam e Jackson sozinhos no carro, o amigo ficou entre os bancos da frente, e observou a garota se afastando.
— Qual é o lance de vocês? — Jackson perguntou baixinho.
— Não tem lance, Jack. Não viaja — rebateu rapidamente.
— Do nada vocês viraram amigos agora? Ela nem olhava na sua cara quando estava com o . — Ele fez uma careta vendo que estava mais longe agora.
— Quer saber se estou pegando ela — comentou, e olhou para o lado.
— Se você não estiver… Ela é bem gatinha. — O garoto sorriu de lado, de um jeito safado.
— Tenta a sorte — disse, erguendo uma sobrancelha. — Vai que ela fica contigo. Pelo menos você é melhor do que o .
— Qualquer um é melhor do que o — Jackson rebateu, dando uma risadinha. — Então, se você não quer, eu vou tentar chegar nela.
— Ok, só deixa ela quieta hoje. Não está se sentindo bem — foi a única coisa que ele pediu.
— Está preocupado com ela… — zombou, dando outra risada.
— Claro, porque ela é a porra de um ser humano e não está bem. Não achei que seria pedir demais para você não dar em cima hoje. — Rolou os olhos. — Seja no mínimo decente.
— Falou o nobre cavaleiro que coleciona calcinha de todas as garotas que já pegou — seu amigo retrucou, soltando uma gargalhada.
— Pelo menos a caixa está cheia… — lhe lançou um breve olhar, rindo fraquinho.
— Você é a porra de um filho da puta vestido de ovelha — Jackson empurrou de leve a cabeça de .
— Nem tanto assim, eu só falo o que todo mundo quer ouvir, é diferente. — Deu de ombros.
— E você tem alguma calcinha da ? — Seu amigo estava bem interessado agora.
— Não te interessa.
— Mas da Amber você tem. Ela me contou que você pegou a calcinha de renda branca dela, nunca te perdoou por isso — Jackson estava se divertindo com aquele assunto.
— Era a favorita dela, ficava me provocando com aquela merda. Então resolvi o problema — riu um pouco com aquilo. — Ela comprou outra depois.
— Como você sabe? — O tom de entusiasmo ia ficando cada vez maior.
— Porque eu tentei roubar a nova também.
Jackson jogou a cabeça para trás e começou a rir, e apenas o acompanhou, negando de forma suave, e olhando para ver se já estava voltando.
— Acha que a usa calcinha de renda? — Jack perguntou bem safado.
— Não sei, mas você podia dar uma para ela e pedir para que usassem quando fossem transar — sugeriu.
— É uma ótima ideia. Farei isso. — Então voltou a se sentar direito no banco, pois estava voltando para o carro.
entrou novamente, agora com uma sacolinha de papel em mãos e mais uma dívida que seu mísero salário na cafeteria não iria conseguir suprir. Na farmácia mesmo pediu um pouco de água e tomou dois de uma vez, pois estava sentindo a cólica ficando mais intensa.
— Desculpa a demora — ela falou baixinho, abraçando a bolsa contra a barriga.
olhou para o lado e sorriu de leve, enquanto seu olhar desceu por até ver como se abraçava, e o Labubu que tinha lhe dado estava ali também. Aquilo o fez retrair os lábios de leve, e respirar fundo, imaginava que ela estivesse sentindo dor, e aquilo de alguma forma o incomodou. Então abaixou o freio de mão.
— Quer deitar na minha perna? Ainda consigo dirigir com você deitada — ofereceu a .
— Se quiser ela pode deitar aqui atrás, tem mais espaço — Jackson já foi logo falando.
olhou para Jackson de relance por cima dos ombros, e retraiu os lábios, voltando suas orbes para frente no mesmo instante. Não conhecia o cara, sequer tinha falado com ele antes, não iria deitar no colo dele.
— Não, obrigada — falou baixo, daquele jeito evasivo que deixava bastante claro que estava cortando qualquer papo com o garoto. Então olhou para . — Quando chegarmos eu deito, não consigo me inclinar muito agora, está doendo — confessou baixinho, porque não queria que o outro garoto ouvisse.
— Tudo bem — respondeu, sorrindo de forma sutil e passou a mão na perna de , na altura do joelho.
Obviamente que Jackson não deixou de notar aquele ato íntimo demais para não ter nada rolando realmente ali, então estreitou de leve os olhos em direção a , mas não falou nada. apenas deu a partida e seguiu para o parque em silêncio, tirando a mão da perna de para poder dirigir.
fechou os olhos, voltando a encostar a cabeça no vidro do carro, esperando que o percurso não demorasse tanto, porque realmente estava precisando deitar, quem sabe até dormir um pouco.
Assim que pararam o carro no estacionamento do parque, Jackson fez uma careta.
— Ela vai ficar aqui contigo? — Jackson perguntou bem surpreso, o que fez retrair os lábios e olhar para .
— Vai. Algum problema? — Olhou para o amigo pelo retrovisor.
— Você é cuzão pra caralho, — rebateu, e desceu do carro, deixando confusa, olhando para trás.
desceu do Skyline, deixando a chave na ignição.
— Vê se não arranha — avisou para o amigo, que só revirou os olhos.
— Não tem lance, Jack. Não viaja — Jackson fez uma voz fininha, repetindo a frase de . — Seu cu que não tem nada.
Ele apenas riu daquilo e não respondeu, vendo Jack entrando no lado do motorista, e , que ainda estava no veículo praticamente abriu a porta com ligeireza, saindo quase em um pulo.
— O que aconteceu com ele? — perguntou para .
— Depois eu te falo. Vem — chamou fazendo um aceno com a cabeça.
se limitou em acenar de leve com a cabeça, primeiro porque realmente não se importava com Jackson o suficiente para querer insistir em saber o que tinha dado no garoto; segundo — e o mais importante —, porque queria deitar.
Ela seguiu novamente até a casa dele, entrando depois que ele abriu a porta, como se fosse a coisa mais normal do mundo e foi até o sofá do garoto, começando a tirar seus tênis surrados e se deitando.
— Deita na cama, no quarto — disse, apontando para a porta.
— Tem certeza? — fitou , sentindo o coração martelar no peito com força de repente.
— Sim, anda — insistiu. — Bolsa de água quente te ajuda com o que está sentindo?
se sentou no sofá antes de levantar e grunhiu baixinho, respirando fundo e depois soltando o ar, apertando o braço do sofá e também suas pálpebras com certa força até conseguir se levantar, murmurando um “merda” bem baixinho.
— Sim — respondeu a agora, se arrastando até o quarto do garoto, evitando de olhar para onde ele guardava as roupas, já que sabia muito bem o que tinha alí.
— Beleza, vou esquentar a água. Se quiser tomar um banho, já sabe onde fica o banheiro — avisou, e foi até o armário da cozinha, pegando uma panela para encher de água e esquentar.
assentiu, porém realmente estava querendo deitar e ficar um momento parada até que os analgésicos fizessem efeitos. E foi isso o que fez, se acomodou de um jeito não tão desconfortável e ficou quietinha, aguardando que as pontadas diminuíssem.
Seu celular, que estava dentro da bolsa, começou a tocar e grunhiu, vincando de leve as sobrancelhas. Puxou a bolsa pela alça e tirou o aparelho de lá, vendo que se tratava de um número desconhecido a ligando. Ela sabia quem era, no entanto, até porque tinha um contato limitado com pouquíssimas pessoas e todas elas estavam salvas em sua agenda. Logo, só restava uma que continuava tentando falar com ela desde cedo, e por números diferentes.
mordeu o interior da bochecha e desligou o aparelho, o enfiando novamente na bolsa e a jogando para bem longe de onde estava, pegando outro travesseiro e o abraçando.
não demorou muito para voltar, e em suas mãos tinham uma bolsa de água quente e uma toalha de rosto. Ele se sentou na cama ao lado de e colocou a bolsa em sua barriga, enrolada no tecido macio e agora quentinho.
— Cuidado para não queimar a pele, está bem quente — avisou, tirando seus tênis, e deitando devagar atrás de , segurando ainda a bolsa na barriga dela.
sequer teve tempo para assimilar o que estava dizendo, quando deu por si, o garoto já estava deitado atrás de seu corpo. Ela prendeu um suspiro e olhou para frente de novo, fechando os olhos com a proximidade.
Era uma bosta estar sentindo aquelas coisas que ela não sabia explicar, muito mais porque estava claro para que só estava se divertindo com ela.
— Obrigada — ela sussurrou, olhando por cima dos ombros e depois fechou os olhos. — Por tudo, desde o hospital até agora — Deixou claro sobre o que estava falando, ousando passar a mão por cima da de .
— Está tudo bem. Só relaxa. Logo a dor vai passar. Tenta dormir um pouco também — disse em um tom baixo, apenas se acomodando atrás dela. — Mais tarde eu vou precisar trabalhar, mas se precisar de alguma coisa, pode me mandar mensagem que venho assim que puder.
Foi impossível não sentir seu estômago gelar com o que estava acontecendo e seus olhos se fecharam com mais força outra vez enquanto ela ia tentando reorganizar seus pensamentos em uma linha coerente e que fizesse sentido.
Tentou responder a , mas seus lábios abriram e fecharam e ela não soube o que dizer, então se limitou em acenar de levinho e esperar que o sono viesse junto com o efeito do remédio que tomou; não podia negar, no entanto que a bolsa de água quente estava a ajudando, o que tornou mais fácil do sono vir e a embalar, já que se sentia segura ao lado de .
acabou dormindo, segurando a bolsa contra a barriga de . Porém, seu sono não foi muito longo, porque seu celular despertou no mesmo horário de sempre, indicando que precisava ir se arrumar para trabalhar. Ele fez uma careta, sonolento, mas se levantou com cuidado, tirando a bolsa da barriga de por ter sentido que já tinha esfriado. Então cobriu a garota, e levantou.
se mexeu de leve, sentindo um frio repentino e então abriu seus olhos preguiçosamente, virando do lado onde antes estava.
— Trabalhar? — questionou baixinho, pegando o travesseiro que estava deitado e o abraçando.
Não queria deixar tão na cara que tinha gostado de dormir com , mas era um trabalho impossível.
— Sim — avisou, passando a mão no cabelo, e o jogando para trás. — Não precisa fazer nada para comer. Quando estiver com fome, me manda uma mensagem que eu pego alguma coisa no parque.
assentiu e escondeu de leve o rosto no travesseiro, sentindo o perfume de e sorrindo de leve por isso.
— Obrigada, — sussurrou para o garoto, olhando para ele.
— De boas — respondeu, dando um sorriso fraco, e saiu do quarto.
só deixou se levar pelo sono outra vez, até porque os remédios eram realmente um pouco fortes e davam muito sono. E, parando para pensar, quanto mais ela dormisse, mais rápido ela passava pelos efeitos colaterais sem sentir eles.
Ela havia desligado o celular completamente, simplesmente decidiu que ninguém a encontraria. Realmente a única pessoa que sabia onde e como estava, era , porque nem mesmo sair da casa do garoto, ela saiu. estava fingindo que o mundo fora daquelas paredes não existia.
estava cuidando de na medida do possível, levando coisas para ela comer na cama, juntamente com bolsas de água quente, achando que aquilo poderia ajudar, mas não tinha muito o que fazer, apenas esperar que ela ficasse bem. Ele não se importava em ajudar , até porque tinha percebido o quão sozinha a garota era, e bem, ele entendia como era aquilo. Depois que seu pai morreu e sua mãe simplesmente parecia não se importar com nada além de si mesma, tudo o que o garoto tinha era Everdusk e os seus amigos que trabalhavam lá, e os que estudavam com ele. Isso fez entender que família não era pessoas do mesmo sangue, e sim quem estava ao seu lado. Então, meio que estava tentando ser isso para , mesmo que tivesse percebido que ela parecia querer mais do que aquilo dele. Ele até chegou a pensar sobre o assunto, mas não foi muito afundo, porque para isso acontecer, precisava sentir algo, e não era esse o caso.
Dois dias se passaram depois disso, e já estava se sentindo bem melhor. Os sangramentos pararam completamente e o desconforto completo tinha ido embora. Como podia, ela estava ajudando na casa, seja com limpeza ou comida, mesmo que o garoto tivesse deixado claro que não precisava; mas a garota não conseguia ficar parada, era dela mesmo fazer isso, tanto que agora tinha acabado de preparar algo não só para , como também para que ele levasse para seus amigos comerem também, ao menos assim ocupava sua mente de alguma forma e espantava certos pensamentos que estavam rondando sua cabeça e a deixando de cabelo em pé, porque não era tão idiota assim e já tinha entendido como seriam as coisas com .
— Isso… hm… não é muita comida? — perguntou, unindo as sobrancelhas e vendo aquilo tudo na bancada.
— Eu fiz para você e os seus amigos — apontou com o queixo, se apoiando no balcão e colocou as mãos para trás, dando de ombros como se não fosse nada demais. E para ela, realmente não era.
— Ah… por que? — Ele a encarou, tentando entender aquilo, porque para a mente do garoto, não fazia sentido.
— Bom… — limpou a garganta, desviando o olhar e se virando, terminando de lavar o que sujou. — Você me ajudou. Tem me ajudado, na verdade, e seus amigos são legais…
— Certo, isso aqui está saindo do controle — murmurou para si mesmo. — Te ajudei porque eu quis, não tem que fazer nada em troca. E eu não vou levar isso para o pessoal. Eles não vão entender nada.
— É só comida, , não precisa significar nada. Eu gosto de cozinhar — explicou, o que era verdade, mas não estava olhando para ele.
— É, mas significa. Para você significa, e eu sei disso — disse respirando fundo. — Olha, não era a minha intenção fazer você sentir alguma coisa por mim.
desligou a torneira e respirou fundo antes de se virar como estava anteriormente.
— É só comida — repetiu, olhando no fundo dos olhos de . — Significa que você cuidou de mim e eu estou querendo retribuir fazendo o que eu sei fazer: cozinhar. Não quer levar para os seus amigos? Congela, joga fora, dá alguém, tanto faz, não me importo. Eu só fiz comida, não estou te pedindo em namoro ou em casamento.
— Ok — respondeu por fim.
Ele não iria discutir, já tinha falado o que andava em sua cabeça desde aquela conversa que tiveram por telefone. Então seguiu até o armário e o abriu, pegando alguns potes lá de dentro e colocando a comida, enfiando alguns no freezer, e deixou um sobre o balcão.
— Esse você pode levar quando for para casa — avisou, e seguiu para o banheiro, porque precisava tomar um banho.
não respondeu nada, só esperou que ele entrasse no banheiro, mas diferente do que ele mandou ela fazer, a garota simplesmente rolou os olhos e saiu da casa dele, indo até o trailer onde Amber tinha a maquiado da vez em que trabalhou no parque. Deu duas batidas na porta e esperou que tivesse alguém para atender, caso contrário não saberia para onde iria, já que não sabia onde a outra garota morava.
Amber abriu a porta e olhou surpresa quando viu ali parada, mas sorriu abertamente em seguida.
— Entra. Estou me maquiando — avisou, e saiu andando, se sentando na frente da penteadeira.
seguiu a garota, fechando a porta atrás de si e parou atrás dela, olhando para seu reflexo.
— Eu trouxe isso para você. — deixou no espaço da penteadeira. — É comida, eu que fiz.
— O que? Sério? — Amber arregalou os olhos e já puxou o pote para perto, reconhecendo o tappower. — Fez na casa do ? — perguntou abrindo a tampa e olhando o que tinha ali. — Garota, isso está com um cheiro ótimo. Vou pegar meus talheres. Você já comeu?
— Sim, fiz na casa dele, e não, não significa nada — respondeu e deixou claro de antemão, sentindo o rosto e o pescoço esquentarem por ter sido pega no flagra. — Não estou com fome, pode comer — avisou, indo até a poltrona e se sentando. Era bom ver outra pessoa além de .
Amber levantou e foi mexer na bolsa dela, tirando um kit de talheres de lá, então voltou e se sentiu a penteadeira novamente.
— Você está dizendo que não significa nada, em relação a que? Não entendi — Amber comentou e começou a comer. — Garota! Isso está divino. Você provou? — Se virou e apontou para a comida.
— praticamente surtou porque eu fiz comida e pedi para que ele trouxesse para vocês — confessou emburrada, porém mordendo de leve a ponta do polegar. — Aparentemente cozinhar para um cara e seus amigos é um pedido de namoro — rolou os olhos, mas seu coração estava levemente apertado pelo que disse. Ao menos ele foi sincero, ela pensava.
— E não é? — Amber perguntou, rindo. — Eu achei que vocês estavam juntos, até porque claramente você estava na casa dele, porque esse pote é do — explicou o que parecia não entender. — E ele não é do tipo que dá alguma coisa para as pessoas, e isso é muito para ele. O nunca iria trazer comida feita por você para a gente. — Riu fraquinho e comeu um pouco mais, soltando um gemido de aprovação. — Mas obrigada, isso está muito gostoso, .
escutou tudo aquilo em silêncio, apenas concordando com o que Amber falava. Ela não conhecia , não a esse ponto, não tanto quanto a outra garota alí presente, ela constatou. Queria conhecê-lo mais? Sim. Mas tinha deixado o limite bem claro em sua cozinha, poucos minutos atrás, e sendo quem era, só obedeceria o que lhe foi dito.
— Não estamos juntos. — Se limitou a dizer, já se levantando. — Enfim, preciso ir, só queria que você comesse algo e também ver se estava bem, já que não tive notícias suas desde o hospital.
— Entendo. Fica um pouco mais — Amber pediu, dando um pequeno sorriso. — Não sabia que você esteve no hospital.
olhou ao redor por um momento, se perguntando se realmente era uma boa ideia ficar de papo com a amiga de , e também a garota que lhe meteu um belo par de chifres.
— Você chegou desacordada — a garota murmurou. — Então, foi de caso pensado? — não conseguiu se segurar. — Você e o — explicou melhor, para caso Amber não entendesse do que se tratava.
A garota encarou um pouco chocada agora, não esperava aquilo ou qualquer coisa do tipo. Então retraiu os lábios e olhou para a comida.
— Estava esperando alguma oportunidade para perguntar ou só decidiu criar uma? — Amber questionou apontando para a comida.
Estava até mesmo levemente ofendida, porque antes estava achando que tinha levado aquilo para ela porque tinha gostado dela. Agora ela só achava que tinha levado a comida para afrontá-la pelo ocorrido.
— Sim — respondeu bem sincera, e até com certa raiva agora. — queria te comer, e a gente sabia que isso não iria acontecer se você estivesse com o . Então era só tirar o palhaço da frente.
olhou meio que chocada para Amber agora, e arregalou os olhos de leve por conta disso, pela forma como foi respondida.
— Na verdade eu acabei de lembrar disso, então não, não foi de caso pensado, eu realmente só quis te trazer comida — falou de forma baixa, na defensiva claramente. — Mas muito obrigada por me explicar o que realmente aconteceu — sorriu de forma fechada, levantando novamente, porque não ficaria mais ali.
— Trazer comida para a garota que transou com seu namorado, entendi — Amber respondeu, rolando de leve os olhos, mas não falou nada depois disso.
parou por um momento, perto da porta e respirou fundo.
— deixou de significar algo para mim há algum tempo, Amber. Eu realmente só queria entender, não quis te ofender, e em nenhum momento te tratei mal. Nem antes e nem agora — encarou a garota, a olhando sério. — Às vezes um pote de comida é só isso: um pote de comida. — Agora ela sorriu, e estava sendo sincera. — Você é uma garota legal, eu só queria ser legal com você também. A gente se vê por aí.
Não esperou pela resposta, só saiu.
e sua péssima sorte em tentar fazer amizades. Não sabia o que acontecia, mas simplesmente era incapaz de conseguir manter qualquer relação amigável que fosse, sempre dava um jeito de estragar as coisas ou ofender as pessoas. Talvez tivesse a quebrado demais para isso, a deixado tão dependente dele que não fosse mais capaz de agir sozinha.
Ela voltou para a casa de , já que não tinha outro lugar para ir naquele exato momento.
estava saindo do banheiro, com a toalha enrolada na cintura e o cabelo molhado, mas parou quando viu , pois tinha achado que ela tinha ido embora.
— Merda, desculpa! — , que ainda estava perto da porta, se virou rapidamente, encarando a maçaneta. — Desculpa, sério! — pediu novamente.
— Tudo bem, eu só achei que você tinha ido embora — comentou, sem se importar com aquilo, e seguiu para o quarto.
— Eu não fui — murmurou baixinho, para o cômodo, agora, vazio.
Ela respirou fundo, sentindo que já estava na hora de ir embora mesmo, resolver sua vida e seguir com ela, lidar com as consequências de suas escolhas e encarar de uma vez por todas. Esperou apenas que saísse para agradecer mais uma vez, afinal, ele tinha feito muito por ela.
O garoto não demorou muito, voltando vestindo uma calça e uma camisa preta, passando a toalha na cabeça, e indo até o banheiro novamente, se arrumando para ir trabalhar.
— Vai trabalhar hoje no parque? — perguntou, encostando na porta do banheiro, enfiando a escova de dentes na boca.
— Eu provavelmente fui demitida do meu outro emprego, então meio que vou aceitar, mas hoje mesmo vou para minha casa. — Deixou claro, colocando os remédios dentro de sua bolsa, querendo deixar tudo pronto.
— E você está bem para trabalhar hoje? — Ergueu uma sobrancelha, voltando para o banheiro e cuspindo a pasta na pia.
— Sim, fazer algodão doce é moleza — Ela respondeu sem muito entusiasmo. — Posso escolher minha fantasia dessa vez?
— Pode — disse, saindo do banheiro agora. — Tem uma de ursinho que ficaria ótima em você — contou, dando um riso de leve.
— Por que quando você pensa em mim só te vem coisas fofas na mente? — se virou em direção ao garoto. — Não passa nada… sei lá, sensual ou sexy na sua mente quando pensa em mim?
— Porque você é fofa — respondeu simplesmente. — E a roupa de pirata era fofa, mas também era sexy.
rolou os olhos, mas segurou o riso. Descobriu esses dias que tudo bem fazer aquilo, que não se importava ou achava falta de educação, mas vez ou outra ainda acontecia de se desculpar com ele.
— Onde ficam as fantasias? — quis saber, fazendo um coque alto em seu cabelo.
— Eu vou ir para lá, posso te levar — ofereceu, dando de ombros. — Voltando ao lance de ser fofa. O que está te incomodando comigo achando isso de você?
— Nada, só estou cansada de ser vista como frágil e até mesmo infantil — murmurou para , desviando o olhar do dele.
— E quem você é? — A olhou com mais atenção agora, cruzando os braços.
não queria ser o tipo de pessoa que fica meio deslumbrada e secando o físico das pessoas, mas ela descobriu que gostava muito de olhar para os músculos de . A prova foi tanta, que se perdeu um momento em seus bíceps, o que tirou da garota um leve pigarreio.
— Eu não sei — respondeu olhando para os próprios pés. — Mas estou cansada de ser assim.
— Cansada de ser você ou da vida que tem? — Foi chegando mais perto dela.
As íris de foram acompanhando cada pequeno movimento de , mas ela não fez nenhuma menção de se afastar.
— Dos dois, mas principalmente de mim. Talvez eu não tivesse a vida que eu tenho, se eu fosse de outro jeito — constatou, apertando de leve as unhas na palma da mão.
— Eu não vejo problema algum no seu jeito, mas se isso te incomoda, mude — disse, levantando um ombro de leve.
— É o que eu estou tentando fazer. — Praticamente sussurrou.
Até porque, em outros momentos, ela jamais teria passado por cima do que decidiu sobre a comida que tinha feito. Não teria ido falar com Amber, ou tentado entender sobre o ; muito menos teria respondido a garota daquela forma.
Pareciam coisas bobas, mas para eram passos gigantes que ela nunca teria dado duas semanas atrás, por exemplo.
— Bem, espero que fique feliz com o resultado — falou, e levou a mão até os fios da garota, os bagunçando. — Preciso terminar de me arrumar. — Porém seu olhar passou por , pensando no que ela tinha falado,
simplesmente não conseguia imaginar ela sendo sexy ou sensual, ele nem queria, porque o que sempre lhe deu tesão em foi o fato dela ser tímida e fofa. Gostava do jeito dela, mas não tinha direito nenhum em opinar sobre aquilo. Afinal, não estava nem ao menos ficando com de novo. O que tinha rolado no outro final de semana parecia ter se enterrado.
— … — o chamou outra vez, mordendo o interior da bochecha, e ela se xingou mentalmente por fazer o que faria a seguir. — Você pediu para a Amber ficar com o só pra poder transar comigo? — questionou.
Não achava que Amber estava mentindo, mas queria ouvir isso do garoto.
parou e olhou para , mas sério agora.
— Não pedi — respondeu de forma sincera. — Eu falei com ela que era afim de você, mas que não tinha a menor chance por causa do . Então ela disse que ia dar um jeito para que eu ficasse contigo — explicou dando de ombros. — Não levei a sério. Tanto que quando eu vi o transando com alguém atrás da casa de espelhos, não sabia que era Amber. Depois que ela me disse o que tinha feito, mas também já tinha rolado o lance da gente na roda gigante. — Fez um pequeno bico pensativo. — Poderia ter transado ali, então, teoricamente não precisava dela ter ficado com o . Se está achando que foi combinado, não foi. Eu só aproveitei a oportunidade que tive contigo, mas você pode achar o que quiser.
— Eu só perguntei — murmurou baixinho, e então olhou para os lados, meio perdida. — Eu vou para casa. Não vou trabalhar aqui hoje, ou nenhum outro dia — esclareceu com calma.
estava em um misto de sentimentos tão grande que não sabia explicar, ou começar a pensar em colocar em palavras.
— Por que? — perguntou, mas não se afastou mais também, agora olhava com atenção para ela.
Uma parte dele agora estava se sentindo culpada por perceber que a garota estava triste.
— Porque eu sou uma idiota, , e não, não é sua culpa, é minha — lançou para ele um sorriso triste. — Uma mulher ingênua que passou parte da adolescência sendo tratada como um nada, então encontra um cara legal que a trata bem, você já deve imaginar o final disso. Para mim, no caso. Enfim, não estou te cobrando nada. — Se explicou antes mesmo que falasse algo. — Eu só preciso ir embora daqui.
Naquele momento quem desviou o olhar, um ato difícil de acontecer. Ele estava pensando se deveria ficar calado ou não.
— Bem, talvez a culpa não seja totalmente sua — confessou, voltando a olhar para . — Eu meio que faço isso sempre, e saio fora depois. Não gosto de relacionamentos, e você estava certa em dizer que não me imaginava em um, quando apenas sai fora, fazendo que eu era difícil. — Retraiu os lábios de forma sutil. — Não consigo me apegar sentimentalmente às pessoas, e provavelmente você foi a única garota que eu gostei algum dia. Achei que se ficasse contigo, eu pudesse sentir alguma coisa de novo.
desviou o olhar e engoliu em seco, assentindo.
— Bom, o do passado agora pelo menos está vingado — comentou de forma leve e deu um sorrisinho, indo até sua bolsa. — Foi legal passar esse tempo com você — admitiu, mas agora tirou o Labubu que tinha dado a ela.
— Vingado? Sério? — perguntou incrédulo. — Ele está feliz por ter conseguido a sua atenção. Por que iria querer me vingar de você? — Não viu o menor sentindo naquilo. — A menos que você queira que eu coloque a sua calcinha nesse Labubu, o que acho que vai ficar bem grande, não quero isso. É seu.
A verdade era que não queria mais prolongar aquilo, então diante das palavras de ela só deu de ombros sutilmente, mas manteve o chaveiro em cima do sofá quando passou a alça da bolsa pelo ombro e foi em direção a porta.
Tinha sido sincera com , ela não o culpava, não estava chateada com ele, e sim consigo mesma; porque os sinais estavam claros, ela que não quis enxergar e se deixou levar para uma direção que sempre deixou claro não querer. E então, lá estava , novamente, tornando um cara o centro do seu mundo, tinha até mesmo tentado fazer amizade com os amigos de .
Estava repetindo o padrão.
— Você ainda pode trabalhar aqui. Não vou ficar atrás de você se é isso que acha? Está precisando de dinheiro, e sinceramente, é a última semana do parque aberta. Sexta será o último dia. — ainda estava tentando fazer ela ficar de alguma forma, até porque ele gostava da presença dela.
— Você não vem atrás de mim, eu que vou atrás de você — riu sem humor algum. — Tchau, — murmurou baixinho, sem olhar para ele, e saiu.
— — chamou, indo atrás dela. — Fica… até o parque fechar — pediu logo com todas as palavras.
Ela queria ficar, só que doeu escutar que era apenas até o parque fechar e estava se perguntando por que estava tentando postergar tanto aquele momento, se no final ela iria embora de qualquer forma. Ele não iria mudar de ideia, ela sabia. Sentimentos não iriam surgir nele de uma hora para outra, não era tonta de acreditar nisso — não a esse ponto, pelo menos.
— Por que? — Se virou para ele, querendo saber a verdade. — Não somos amigos. Você queria transar comigo, e eu não vou fazer isso com você — esclareceu, mesmo que constrangida por falar de forma tão clara.
— Porque não é sobre mim. Você precisa da grana, e acho injusto não querer ficar por minha causa — explicou, já do lado de fora. — Eu vou abrir o portão para você.
— Vou tentar conseguir de volta meu emprego na cafeteria — disse baixinho, deixando que fosse na frente. — Ou volto para a casa dos meus pais. Eu vou dar um jeito, não se preocupa — garantiu.
, de certa forma, estava surpresa consigo mesma por estar tão decidida, mesmo morrendo de medo. A questão era apenas que ela sabia que se ficasse por perto e a provocasse, ela transaria com ele, porque não teria a mínima força para negar, e isso estava a aterrorizando.
Ele não comentou mais nada, apenas foi até o portão e o destrancou, esperando que fosse embora para que pudesse voltar para sua casa e terminasse de se arrumar.
