Tamanho da fonte: |

Independente do Cosmos🪐

Última Atualização: 24/05/2026

odiava duas coisas na vida com uma consistência quase admirável: gente que mascava chiclete de boca aberta e a banda .
Principalmente o vocalista, .
Ele tinha aquele tipo de sorriso irritantemente perfeito, que aparecia em outdoors, capas de revistas e vídeos de quinze segundos com legendas motivacionais sobre amor verdadeiro. Era impossível abrir qualquer rede social sem dar de cara com ele encarando a câmera como se soubesse exatamente o efeito que causava nas pessoas.
E aparentemente causava mesmo.
Ódio. Em .
— Você tem que superar isso — Chiara disse, jogando uma almofada em direção à amiga. — Já faz dois anos.
Ela continuou encarando o notebook no colo, enquanto estava sentada no sofá.
— Isso não é sobre o término.
— Você literalmente começou a odiar essa banda depois do término, .
— Porque aquela música maldita tava tocando no carro.
Chiara tentou segurar a risada, mas foi maior do que ela. O que recebeu em troca foi o dedo médio da amiga.
— Você é ridícula. Não sabe como foi traumático — resmungou.
Claro que traumático talvez fosse exagero. Humilhante combinava muito mais.
Cinco anos de relacionamento encerrados ao som de Golden Lights, o maior hit romântico da banda , enquanto seu ex segurava o volante como se estivesse numa cena de filme indie.

— Não sei se isso vai dar certo, sabe? A gente não tem mais a mesma química de antes…
— A gente? Ou você não tem mais, David? — virou o corpo, o encarando com o cenho franzido. Ele só podia estar de brincadeira. — Isso é você querendo terminar comigo?
— Eu não queria ser tão direto, mas já que você sugeriu — o garoto engoliu em seco, desviando o olhar dela enquanto parava em um sinal vermelho. — , não fica chateada comigo, tá? As coisas estão diferentes, dá pra ver.
E então a voz de começou a sair da rádio com um refrão sobre almas destinadas e um amor além do tempo.
Que filho da…

Desde aquele dia, desenvolveu uma implicância enorme, quase pessoal, com qualquer coisa relacionada à banda.
As letras eram melosas. Os fãs dramáticos. E parecia absurdamente convencido da própria capacidade de fazer pessoas chorarem através de um violão.
Ridículo.
— Acho que você precisa sair de casa. Largar desse computador, conhecer gente nova e parar de agir como uma divorciada de quarenta anos — Chiara pegou o celular, falando como se fosse a mais pura realidade.
E era mesmo.
não queria admitir.
— Tenho vinte e seis.
— Com alma de aposentada, só se for — completou. mostrou o dedo mais uma vez, sem nem levantar os olhos da tela.
Mas, meio segundo depois, percebeu um sorrisinho sacana no canto dos lábios da melhor amiga. Chiara ainda fazia algo no celular quando tinha percebido.
Não parecia boa coisa.
— Tá fazendo o que?
— Nada — a amiga respondeu, dando de ombros. inclinou a cabeça.
— Chiara.
— Não é nada, . Para de ser intrometida.
Ela estreitou os olhos. Era fato que conhecia Chiara Posis desde que se entendia por gente, então, o mais óbvio ali era que ela tinha certeza absoluta que a melhor amiga estava aprontando alguma coisa.
— E por que você tá com essa cara?
— Que cara? — a olhou de relance, com a cara mais lavada do mundo.
— Cara de quem tá doida pra fazer alguma merda.
— Nossa, que exagero, garota. Não é nada demais.
O celular de vibrou segundos depois.
Era um e-mail. Ela franziu o cenho antes de abrir a notificação.

| Parabéns! Você foi selecionada para participar do Blind Melody, o encontro às cegas promovido pela Rádio Horizon—


— Chiara.
A amiga já pressionava os lábios, quase explodindo por segurar a risada.
E parecia pouco que explodiria junto, de raiva.
— Você me inscreveu na porra de um encontro às cegas?! Tá de sacanagem?
— Tecnicamente, sim — sorriu convencida.
piscou algumas vezes, processando a informação antes de responder. Sua vontade era de voar em cima da amiga e estapeá-la até que a mesma pedisse para parar.
— Eu vou te matar.
— Vai não. Você tem que viver um pouco — Chiara levantou o corpo, se sentando. Estava começando a ficar animada com o que tinha feito.
— Prefiro morrer! — gritou.
Foi aí que a amiga levantou, andou até ela e arrancou o notebook do seu colo, fechando a tela sem pensar duas vezes. Não deu tempo nem de protestar.
— Escuta. Pode ser legal. É um cara normal, bonito, misterioso. Talvez até tatuado — arqueou uma das sobrancelhas. continuava séria.
— Isso não é argumento, Chiara.
— E é em um restaurante caro. Mencionei isso? — colocou uma das mãos na cintura e o indicador no queixo, como se estivesse pensativa. hesitou. Se tinha uma coisa que ela gostava, era de comer bem. — Viu? Te peguei.
— Eu odeio você. Odeio.Você.
Chiara riu mais uma vez, se sentando ao lado da melhor amiga no sofá. Pegou o controle da TV, para ver alguma coisa que não fosse reclamando sobre o que tinha feito.
— Vai ser bom pra você. Pode me agradecer depois.


Continua...


Nota da autora: Olá! Espero que estejam gostando da história. Tô animada pra saber o feedback de vocês.
Até a próxima,
Isy!



Se você encontrou algum erro de revisão ou codificação, entre em contato por aqui.



Barra de Progresso de Leitura
0%